Patrick-RJ
April 20th, 2008, 05:31 AM
Mega-reportagem da Veja Rio sobre os shoppings cariocas:
dados, reformas, expansões e outras novidades!
Rumo às compras
Para cativar 1 milhão de consumidores
que diariamente circulam por suas quase
6 000 lojas, os 31 shoppings cariocas estão
investindo 550 milhões de reais em reformas
e obras de expansão. Em troca, esperam
faturar 8 bilhões em 2008
Sofia Cerqueira e Alessandra Medina
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade1.jpg
BarraShopping: 35 milhões de reais em obras que incluíram clarabóias para trazer luz natural
A carioca Ana Paula Peixoto, de 33 anos, passa os dias batendo perna nos corredores do NorteShopping, o maior complexo de consumo da cidade, com 240 000 metros quadrados de área construída. Não carrega sacolas de compras. Com o olhar treinado de quem já trabalhou nos hotéis Copacabana Palace e Caesar Park, observa se há manchas no chão, lâmpadas queimadas, paredes sujas e falta de papel nos banheiros. Ela foi contratada no início do mês para ser governanta de mall. A função, recém-criada e inspirada na área hoteleira, é só uma das inovações de um mercado que não pára de investir em serviços, ampliar seus domínios e atrair cada vez mais consumidores. "Nosso setor está em franco crescimento", atesta Marcelo Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). "Os shoppings nunca estiveram tão capitalizados e a economia, tão favorável."
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade2.jpg
Jardins floridos: aberto em 1982, o Fashion Mall faz reformas e investe em paisagismo
Essa pujança pode ser medida em números. Dos 367 shoppings no país, 31 ficam na cidade do Rio de Janeiro, com 1,8 milhão de metros quadrados construídos, 5 980 lojas, 1 218 bares e restaurantes e 130 das 168 salas de cinema da capital. A cada dia, eles atraem em torno de 1 milhão de pessoas. Em 2007, faturaram 7 bilhões de reais. É muito dinheiro. Como comparação, no ano passado a arrecadação da prefeitura, incluindo impostos e repasses de verba, ficou em 10 bilhões de reais. De acordo com a Abrasce, as vendas cresceram 16% no ano passado. E, pela disposição dos centros de compras em promover melhorias, o vaivém tende a aumentar. Entre expansões e reformas, os principais shoppings cariocas estão investindo cerca de 550 milhões de reais – o equivalente a duas vezes o que o governo do estado deve gastar para ligar a Estação Cantagalo, em Copacabana, à Praça General Osório, em Ipanema.
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade5.jpg
Expansão para baixo: o Shopping Tijuca construiu um novo andar no subsolo
O boom de investimentos e mudanças nos paraísos do consumo tem explicação. Nos últimos dois anos, vários empreendedores de shoppings abriram capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), captando 7,5 bilhões de reais. Algumas empresas se associaram a grupos estrangeiros. Um exemplo é a BRMalls, que comprou a Ecisa Engenharia e se uniu ao Grupo GP e ao fundo americano Equity Internacional. Hoje tem 31 shoppings, seis deles no Rio, entre os quais o NorteShopping e o Fashion Mall. "O setor, antes muito familiar, está mais profissional e com dinheiro em caixa", diz o presidente da BRMalls, Carlos Medeiros. "O mercado impõe uma modernização constante. Quem não acompanha está morto", afirma Antonio Horacio, superintendente do Nova América, em Del Castilho. Administrado pelo grupo Ancar, que se juntou à canadense Ivanhoe Cambridge, o shopping investirá 50 milhões de reais em obras de expansão. "Com todo mundo se mexendo, não adianta só pensar na infra-estrutura, num mix de lojas completo e na segurança", observa o presidente da Abrasce, à frente também da Ancar Gestão, que cuida de onze shoppings pelo país, entre eles os Rio Design Barra e Leblon. "É preciso oferecer algo mais."
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade4.jpg
Com ares de Rio antigo: o Nova América vai ampliar área externa para bares e restaurantes
Os shoppings, um tipo de estrutura criada na década de 50 nos subúrbios americanos, hoje têm múltiplo uso. Além de centros de comércio, viraram enormes complexos de serviço e entretenimento. Segundo pesquisa da Abras-ce, 86% deles têm cinemas; 68%, jogos eletrônicos; 53%, parques internos; e 15%, boliches. A Associação de Shoppings também traçou um perfil de seus freqüentadores: no Rio, 58% dos clientes são mulheres e o tempo médio de permanência neles é de 73 minutos (veja quadro abaixo). O público acompanhou, nos últimos anos, a mudança na sua arquitetura. Em 1980, quando foi inaugurado o Rio Sul, considerado o primeiro shopping da cidade nos moldes atuais, a estrutura era a de uma caixa de concreto, com sinalização deficiente, raríssimos espaços para descanso e corredores sem iluminação natural. A idéia era que o consumidor perdesse a noção do tempo e gastasse, gastasse... "Hoje eles são arejados, com materiais claros, letreiros em três idiomas e paisagismo", ressalta Liliane Dutra, superintendente do shopping em Botafogo, que está investindo 55 milhões de reais em obras de revitalização.
Serviços exclusivos e atenção aos detalhes estão em alta. "Temos uma agenda de eventos de moda, criamos uma fragrância e lançamos uma trilha sonora especial para o shopping", enumera Mônica Orcioli, superintendente do Shopping Leblon. O caçula do setor no Rio, aberto em 2006, pertence à holding Alliansce, que se uniu ao grupo americano General Growth Properties. Após um investimento de 300 milhões de reais, a expectativa era que ele, em três anos, atraísse 600 000 pessoas por mês. "Em um ano alcançamos esse número", vibra a superintendente. Ali, seguindo uma tendência no segmento, os funcionários que lidam com o público foram treinados por uma empresa do ramo hoteleiro. Nos shoppings Rio Design, vários profissionais fizeram um curso dado por professores de uma faculdade de turismo. O Fashion Mall, a exemplo do NorteShopping, está contratando uma governanta de mall.
O estado do Rio, com 49 centros de comércio e lazer, ocupa o segundo lugar no país em número de shoppings – atrás de São Paulo, com 122 unidades. Até o fim de 2009, serão entregues mais três: um em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; outro em Macaé, no norte do estado; e um terceiro em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Sem falar de projetos em curso para Campos e Sulacap, na Zona Oeste. É realmente um mundo cada vez maior.
dados, reformas, expansões e outras novidades!
Rumo às compras
Para cativar 1 milhão de consumidores
que diariamente circulam por suas quase
6 000 lojas, os 31 shoppings cariocas estão
investindo 550 milhões de reais em reformas
e obras de expansão. Em troca, esperam
faturar 8 bilhões em 2008
Sofia Cerqueira e Alessandra Medina
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade1.jpg
BarraShopping: 35 milhões de reais em obras que incluíram clarabóias para trazer luz natural
A carioca Ana Paula Peixoto, de 33 anos, passa os dias batendo perna nos corredores do NorteShopping, o maior complexo de consumo da cidade, com 240 000 metros quadrados de área construída. Não carrega sacolas de compras. Com o olhar treinado de quem já trabalhou nos hotéis Copacabana Palace e Caesar Park, observa se há manchas no chão, lâmpadas queimadas, paredes sujas e falta de papel nos banheiros. Ela foi contratada no início do mês para ser governanta de mall. A função, recém-criada e inspirada na área hoteleira, é só uma das inovações de um mercado que não pára de investir em serviços, ampliar seus domínios e atrair cada vez mais consumidores. "Nosso setor está em franco crescimento", atesta Marcelo Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). "Os shoppings nunca estiveram tão capitalizados e a economia, tão favorável."
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade2.jpg
Jardins floridos: aberto em 1982, o Fashion Mall faz reformas e investe em paisagismo
Essa pujança pode ser medida em números. Dos 367 shoppings no país, 31 ficam na cidade do Rio de Janeiro, com 1,8 milhão de metros quadrados construídos, 5 980 lojas, 1 218 bares e restaurantes e 130 das 168 salas de cinema da capital. A cada dia, eles atraem em torno de 1 milhão de pessoas. Em 2007, faturaram 7 bilhões de reais. É muito dinheiro. Como comparação, no ano passado a arrecadação da prefeitura, incluindo impostos e repasses de verba, ficou em 10 bilhões de reais. De acordo com a Abrasce, as vendas cresceram 16% no ano passado. E, pela disposição dos centros de compras em promover melhorias, o vaivém tende a aumentar. Entre expansões e reformas, os principais shoppings cariocas estão investindo cerca de 550 milhões de reais – o equivalente a duas vezes o que o governo do estado deve gastar para ligar a Estação Cantagalo, em Copacabana, à Praça General Osório, em Ipanema.
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade5.jpg
Expansão para baixo: o Shopping Tijuca construiu um novo andar no subsolo
O boom de investimentos e mudanças nos paraísos do consumo tem explicação. Nos últimos dois anos, vários empreendedores de shoppings abriram capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), captando 7,5 bilhões de reais. Algumas empresas se associaram a grupos estrangeiros. Um exemplo é a BRMalls, que comprou a Ecisa Engenharia e se uniu ao Grupo GP e ao fundo americano Equity Internacional. Hoje tem 31 shoppings, seis deles no Rio, entre os quais o NorteShopping e o Fashion Mall. "O setor, antes muito familiar, está mais profissional e com dinheiro em caixa", diz o presidente da BRMalls, Carlos Medeiros. "O mercado impõe uma modernização constante. Quem não acompanha está morto", afirma Antonio Horacio, superintendente do Nova América, em Del Castilho. Administrado pelo grupo Ancar, que se juntou à canadense Ivanhoe Cambridge, o shopping investirá 50 milhões de reais em obras de expansão. "Com todo mundo se mexendo, não adianta só pensar na infra-estrutura, num mix de lojas completo e na segurança", observa o presidente da Abrasce, à frente também da Ancar Gestão, que cuida de onze shoppings pelo país, entre eles os Rio Design Barra e Leblon. "É preciso oferecer algo mais."
Fernando Lemos
http://vejabrasil.abril.com.br/ehoje/Image/rio-de-janeiro/230408/cidade4.jpg
Com ares de Rio antigo: o Nova América vai ampliar área externa para bares e restaurantes
Os shoppings, um tipo de estrutura criada na década de 50 nos subúrbios americanos, hoje têm múltiplo uso. Além de centros de comércio, viraram enormes complexos de serviço e entretenimento. Segundo pesquisa da Abras-ce, 86% deles têm cinemas; 68%, jogos eletrônicos; 53%, parques internos; e 15%, boliches. A Associação de Shoppings também traçou um perfil de seus freqüentadores: no Rio, 58% dos clientes são mulheres e o tempo médio de permanência neles é de 73 minutos (veja quadro abaixo). O público acompanhou, nos últimos anos, a mudança na sua arquitetura. Em 1980, quando foi inaugurado o Rio Sul, considerado o primeiro shopping da cidade nos moldes atuais, a estrutura era a de uma caixa de concreto, com sinalização deficiente, raríssimos espaços para descanso e corredores sem iluminação natural. A idéia era que o consumidor perdesse a noção do tempo e gastasse, gastasse... "Hoje eles são arejados, com materiais claros, letreiros em três idiomas e paisagismo", ressalta Liliane Dutra, superintendente do shopping em Botafogo, que está investindo 55 milhões de reais em obras de revitalização.
Serviços exclusivos e atenção aos detalhes estão em alta. "Temos uma agenda de eventos de moda, criamos uma fragrância e lançamos uma trilha sonora especial para o shopping", enumera Mônica Orcioli, superintendente do Shopping Leblon. O caçula do setor no Rio, aberto em 2006, pertence à holding Alliansce, que se uniu ao grupo americano General Growth Properties. Após um investimento de 300 milhões de reais, a expectativa era que ele, em três anos, atraísse 600 000 pessoas por mês. "Em um ano alcançamos esse número", vibra a superintendente. Ali, seguindo uma tendência no segmento, os funcionários que lidam com o público foram treinados por uma empresa do ramo hoteleiro. Nos shoppings Rio Design, vários profissionais fizeram um curso dado por professores de uma faculdade de turismo. O Fashion Mall, a exemplo do NorteShopping, está contratando uma governanta de mall.
O estado do Rio, com 49 centros de comércio e lazer, ocupa o segundo lugar no país em número de shoppings – atrás de São Paulo, com 122 unidades. Até o fim de 2009, serão entregues mais três: um em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; outro em Macaé, no norte do estado; e um terceiro em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Sem falar de projetos em curso para Campos e Sulacap, na Zona Oeste. É realmente um mundo cada vez maior.