View Full Version : Região Norte possui 77% das áreas aptas para exportar produtos orgânicos certificados no Brasil


dricobel
April 20th, 2008, 04:58 PM
A Organics Brasil, rede de empresas e órgãos governamentais que visa fortalecer o setor brasileiro de produtos orgânicos, fez um levantamento de áreas de produção orgânica certificada, cujos produtos estão aptos para serem exportados. A região Norte sozinha agrupa um total de 5,4 milhões de hectares do total de 7 milhões de área no Brasil.

Segundo Ming Liu, gerente do Projeto Organics Brasil, o estudo nasceu em função de uma demanda estatística, já que atualmente não existe nenhuma pesquisa confiável sobre o tema. 'Os produtos estão prontos para serem exportados, mas não necessariamente exportam', afirma.

Tanto na área extrativista como na orgânica, as regiões Norte e Centro-Oeste são as que possuem maiores áreas aptas para ingressarem no mercado externo. Ming Lu atribui a estes dados as características dos produtos buscados: 'produtos inovadores com histórico de rastreabilidade e que agregam parâmetros ambientais e não somente a qualidade dos produtos.'

A Amazônia, naturalmente é uma região onde se encontra muito dessas características. Para Ming Lu, o açaí é o produto líder da região Norte, junto com alguns óleos, essências, frutas, palmito e castanhas.

Ribeirinhos não têm condições de se manter com a certificação –

O grupo tucumarte, comunidade de ribeirinhos de Santarém, no Pará, que produz cestas artesanais certificadas, não tem condição de se sustentar economicamente. O alerta foi dado nesta sexta-feira (18), na III Feira Brasil Certificado, por Davide Pompermaier, coordenador do projeto Saúde e Alegria, que atua com ribeirinhos no Pará.

A comunidade produz artesanato certificado graças a uma parceria com o Imaflora e o projeto Saúde & Alegria. Segundo Pompermaier, a parceria permitiu que o grupo se organizasse, melhorando a qualidade do trabalho artesanal e agregando valor ao produto. 'Hoje o produto é vendido por um preço melhor e o mercado aceita porque sabe que é um produto de qualidade e certificado', diz.

Entretanto, os recursos obtidos pela comunidade com a venda do produto não são suficientes para manter o certificado. 'A comunidade consegue manter a atividade porque recebe nossa ajuda e do Imaflora, mas estamos em um dilema, porque o ideal é que a comunidade fosse auto-suficiente', explica.

Para reduzir custos, Pompermaier propôs que fosse rediscutido os mecanismos de certificação. 'A comunidade não tem como crescer mais, pois está presa entre a fronteira agrícola e o rio. Portanto, a única forma de resolver o problema é reduzindo custos', argumenta.

Para ele, o tratamento dado às comunidade tradicionais deve ser diferente do feito às empresas porque essas comunidades são 'zeladoras' da floresta. Segundo ele, é preciso que isso seja feito para que elas continuem trabalhando com a certificação. 'Seria muito triste que, por uma questão econômica, essa experiência terminasse', diz.

Licenciamento é o maior desafio

A maior dificuldade dos produtores de madeira certificada está no licenciamento, de acordo com Adriano Trentin Fassin, superintendente da Cooperfloresta, uma cooperativa de produtores de madeira certificada do Acre. Para Fassin, o processo de licenciamento é demorado e complicado, o que prejudica os negócios. 'Não conseguimos oficializar negociações em longo prazo, porque existe muita incerteza no processo de licenciamento', lamenta.

Fassin relatou sua experiência com a cooperativa e com produtos certificados na III Feira Brasil Certificado. Na palestra, o superintendente argumentou que as formas de certificação deveriam ser diferentes. 'O licenciamento empresarial não pode ser igual ao das comunidades locais', diz.

'Tínhamos previsto uma produção de 8 mil metros cúbicos no ano passado, mas só conseguimos comercializar 3 mil', explica ele, que precisou contratar uma empresa especializada em licenciamento para que isso não volte a ocorrer. Segundo Fassin, para resolver essa questão, é preciso trabalhar na qualificação de mão-de-obra comunitária para o processo de certificação.

Ele defendeu ainda a certificação e o selo FSC como alternativa mais eficaz para buscar nichos de mercado. 'O mercado existe, é só circular pela feira para ver que tem gente querendo comprar. Eu queria era ter madeira para vender', argumenta. Apesar das dificuldades, Fassin mostrou-se otimista. 'Nosso desafio é construir um modelo diferente de produção, no qual o produtor tenha participação ativa no processo', conclui.

Fonte: Amazonia.org.br