Barragon
May 14th, 2008, 11:33 AM
Instalação da central solar da Amareleja obriga ao corte de 733 azinheiras
14.05.2008
O abate das árvores é justificado em nome do "relevante interesse público, económico e social" do empreendimento fotovoltaico
Os ministérios do Ambiente, Economia e Agricultura assinaram no dia 8 de Maio o despacho conjunto n.º 13.005, que autoriza a AMPER, Central Solar, SA, empresa onde a espanhola Acciona detém cem por cento do capital, que está a instalar a megacentral solar da Amareleja, no concelho de Moura, a proceder ao abate de 414 azinheiras adultas e 319 jovens, que ocupam uma área com quase 16 hectares, para instalar painéis solares.
A AMPER, Central Solar, SA, compromete-se a elaborar um projecto de compensação que passa pela arborização de quase 20 hectares com
novas azinheiras, na Herdade da Coutada, propriedade da freguesia de Póvoa de São Miguel, também no concelho de Moura. A operação é avalizada pela Junta de Freguesia da Amareleja e a Câmara Municipal de Moura.
Os três ministérios, para justificar o corte de 733 azinheiras, alegam que a destruição de mais uma mancha de floresta mediterrânica é de "relevante interesse público, económico e social", tendo em vista a "sustentabilidade" da central fotovoltaica - que vai ocupar uma área com 250 hectares para que nela sejam instalados 268 mil painéis fotovoltaicos até ao final de 2008.
Lembram aqueles ministérios que este equipamento se "enquadra nas políticas energética e ambiental do país e da União Europeia". Outro dos argumentos expressos no despacho garante que a central solar "permitirá gerar dinâmicas socais e económicas" e ainda "melhorar a eficiência energética", representando, assim, um contributo para a "promoção e utilização" de energias renováveis.
Parecer favorável do ICN
A área onde vai decorrer o abate de azinheiras integra o acréscimo de terreno que a AMPER Central Solar teve de adquirir a vários proprietários, para alargar até 250 hectares a área de instalação dos painéis solares que, no projecto inicial, estava previsto poderem vir a ocupar uma área com 114 hectares.
Este empreendimento solar é apoiado no âmbito do programa de Potencial Interesse Nacional (PIN) e, como tal, " não está obrigado a procedimento de avaliação de impacte ambiental (AIA), refere o despacho.
O abate de 733 azinheiras mereceu parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e da Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), que autorizou a ocupação da área denominada de "Cabeceira de Linha de Água", que está integrada na Reserva Ecológica Nacional (REN).
O despacho assinado pelos três ministérios diz que a opção tomada se deveu "à inexistência de alternativas válidas à sua localização (da central solar), a qual já tinha sido considerada no Plano Director Municipal da autarquia de Moura. Por outro lado, o local escolhido aproveita as vantagens oferecidas pela sua proximidade ao corredor da Rede Eléctrica Nacional (REN) da linha que transporta a energia produzida pela central hidroeléctrica de Alqueva para a localidade espanhola de Balboa.
O presidente da Câmara de Moura, José Maria Pós de Mina, alega que foram feitos estudos que avalizaram o procedimento agora tomado, o qual foi sujeito a discussão pública que diz "não ter merecido qualquer contestação".
Fonte: Público
14.05.2008
O abate das árvores é justificado em nome do "relevante interesse público, económico e social" do empreendimento fotovoltaico
Os ministérios do Ambiente, Economia e Agricultura assinaram no dia 8 de Maio o despacho conjunto n.º 13.005, que autoriza a AMPER, Central Solar, SA, empresa onde a espanhola Acciona detém cem por cento do capital, que está a instalar a megacentral solar da Amareleja, no concelho de Moura, a proceder ao abate de 414 azinheiras adultas e 319 jovens, que ocupam uma área com quase 16 hectares, para instalar painéis solares.
A AMPER, Central Solar, SA, compromete-se a elaborar um projecto de compensação que passa pela arborização de quase 20 hectares com
novas azinheiras, na Herdade da Coutada, propriedade da freguesia de Póvoa de São Miguel, também no concelho de Moura. A operação é avalizada pela Junta de Freguesia da Amareleja e a Câmara Municipal de Moura.
Os três ministérios, para justificar o corte de 733 azinheiras, alegam que a destruição de mais uma mancha de floresta mediterrânica é de "relevante interesse público, económico e social", tendo em vista a "sustentabilidade" da central fotovoltaica - que vai ocupar uma área com 250 hectares para que nela sejam instalados 268 mil painéis fotovoltaicos até ao final de 2008.
Lembram aqueles ministérios que este equipamento se "enquadra nas políticas energética e ambiental do país e da União Europeia". Outro dos argumentos expressos no despacho garante que a central solar "permitirá gerar dinâmicas socais e económicas" e ainda "melhorar a eficiência energética", representando, assim, um contributo para a "promoção e utilização" de energias renováveis.
Parecer favorável do ICN
A área onde vai decorrer o abate de azinheiras integra o acréscimo de terreno que a AMPER Central Solar teve de adquirir a vários proprietários, para alargar até 250 hectares a área de instalação dos painéis solares que, no projecto inicial, estava previsto poderem vir a ocupar uma área com 114 hectares.
Este empreendimento solar é apoiado no âmbito do programa de Potencial Interesse Nacional (PIN) e, como tal, " não está obrigado a procedimento de avaliação de impacte ambiental (AIA), refere o despacho.
O abate de 733 azinheiras mereceu parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e da Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), que autorizou a ocupação da área denominada de "Cabeceira de Linha de Água", que está integrada na Reserva Ecológica Nacional (REN).
O despacho assinado pelos três ministérios diz que a opção tomada se deveu "à inexistência de alternativas válidas à sua localização (da central solar), a qual já tinha sido considerada no Plano Director Municipal da autarquia de Moura. Por outro lado, o local escolhido aproveita as vantagens oferecidas pela sua proximidade ao corredor da Rede Eléctrica Nacional (REN) da linha que transporta a energia produzida pela central hidroeléctrica de Alqueva para a localidade espanhola de Balboa.
O presidente da Câmara de Moura, José Maria Pós de Mina, alega que foram feitos estudos que avalizaram o procedimento agora tomado, o qual foi sujeito a discussão pública que diz "não ter merecido qualquer contestação".
Fonte: Público