lusorod
June 14th, 2008, 11:42 PM
Olá pessoal, há mais de 10 anos havia um projeto muito interessante pro vale do anhangabaú que além de muito legal ainda é bem atual. Alguém tem mais informações sobre esse projeto?
http://www.centronovo.com.br/img/noticia/1/265.jpg
http://www.centronovo.com.br/img/noticia/1/264.jpg
http://www.centronovo.com.br/img/noticia/1/266.jpg
Abaixo segue o artigo encontrado, por favor participem!
Arquiteto Fábio Penteado propõe construção da Torre do Anhangabaú, com 300 metros de altura
O Vale do Anhangabaú é um marco referencial de São Paulo há cinco séculos. Caminho de passagem e limite, nos primórdios da criação e urbanização da cidade, aos poucos foi se tornando parte integrante da área central da imensa metrópole em que São Paulo se converteu. Em 1986, a Prefeitura de São Paulo concluiu que era necessário estimular a ação da iniciativa privada em algumas áreas do Centro, que andava bastante deteriorado. Foi criada a chamada operação interligada, que permitia construir mais metros quadrados sobre o mesmo terreno (de 11 a 20 vezes), mediante o pagamento de uma taxa extra para os cofres públicos.
A área beneficiada tinha cerca de 150 mil metros quadrados, na região que compreende o Anhangabaú, a avenida São João e a Praça Ramos. Há ali dezenas de imóveis que poderiam participar da operação. Na época, Luiz Antonio Pompéia, já falecido, então Presidente da Embraesp – tradicional empresa ligada ao patrimônio imobiliário - considerou complicado, entretanto, viabilizar comercialmente a iniciativa com tantas propriedades isoladas, algumas de pequenas dimensões, e propôs ao arquiteto Fábio Penteado (na foto acima à esquerda, ao lado da maquete da torre) o desafio de projetar um arranha-céu que somasse numa única obra os 150 mil metros quadrados estabelecidos pela Prefeitura.
\"Seria também uma espécie de marco da renovação do Centro de São Paulo\", lembra Fábio Penteado. \"Tinha que ser um prédio que ficasse na história da cidade.\" O arquiteto idealizou dois prédios, um de costas para o outro, sendo que em um deles seria instalado um hotel com novecentos apartamentos, num total de 45 mil metros quadrados. No outro prédio funcionariam um shopping center com 40 mil metros quadrados e um conjunto de escritórios com mais 70 mil metros quadrados. No topo, atingido por elevadores panorâmicos externos, a uma altura de aproximadamente 300 metros do solo, Penteado desenhou um amplo terraço panorâmico, com bares, restaurantes e uma galeria de lojas. Os visitantes poderiam chegar ou sair de helicóptero, utilizando um heliporto no ponto mais alto do edifício.
\"Trata-se de um projeto experimental, mas o empreendedor Luiz Antonio Pompéia, com grande experiência no mercado imobiliário paulistano, garantia que haveria viabilidade comercial\", destaca o arquiteto. Pompéia dizia que havia sido muito mais difícil erguer o Empire State Building em Nova York, em apenas um ano e onze dias, em plena recessão do fim dos anos 1920.
Fábio Penteado construiu uma maquete do arranha-céu em madeira balsa. Vista de longe, pode lembrar a figura de um guerreiro, com uma espécie de braço horizontal sustentando uma esfera com 30 metros de diâmetro, de onde seriam projetados anúncios, efeitos luminosos e notícias, visíveis a quilômetros de distância. Trata-se de projeto arrojado e inovador: \"Por que os edifícios têm sempre andares iguais?\" – questiona o arquiteto. \"Nesse projeto não havia necessidade disso. Nos conjuntos de escritório, por exemplo, pode-se optar por pé direito duplo. Na prática, não existem dois pavimentos iguais, devido não só à altura, mas também ao formato arquitetônico\". A base da torre, onde funcionaria o shopping center, tem formas curvilíneas, bem ao gosto da moderna arquitetura brasileira.
Penteado acredita que a existência de uma Agência Reguladora tornaria o empreendimento viável, uma vez que conseguiria unir os interesses da iniciativa privada e da coletividade e também buscaria os recursos necessários a uma obra dessa magnitude. \"São Paulo precisa cuidar melhor de seu Centro. A idéia de uma Agência Reguladora é muito interessante. Tomara que seja realmente possível a sua implantação, o quanto antes\".
O futuro do Centro da cidade de São Paulo
Neste artigo, de 9 de agosto de 1994, o empreendedor imobiliário Luiz Antonio Pompéia defende a revitalização da área central de São Paulo e dá detalhes de como surgiu a idéia da Torre do Anhangabaú.
A Prefeitura fez aprovar uma lei, onde a pretexto de renovar o centro da cidade, pretendia \"vender\" 150 mil metros quadrados de direitos construtivos dentro de um perímetro traçado em torno do Anhangabaú. E apregoava essa \"mercadoria\", apresentando-a como a somatória de pequeninas intervenções pontuais. Mas afinal de contas, quem se interessa por comprar direitos construtivos no denso e decadente núcleo da cidade? Além disso, 150 mil metros quadrados representam uma área ridiculamente pequena, já que existem fora do Centro diversos empreendimentos imobiliários com mais de 150 mil metros quadrados de construção (cada um).
A renovação urbana do Centro de São Paulo é um negócio gigantesco, que só pode ser medido na casa dos bilhões de dólares, capaz de dar emprego a dezenas de milhares de pessoas e, de sobra, provocar vigorosa recuperação do valor do patrimônio imobiliário da região. Para avaliar esse negócio é necessário pensar grande, como a cidade. Grande como o problema.
Precisamos de soluções que permitam tirar o maior proveito possível da infra-estrutura existente, sobretudo transporte. Precisamos de novos e moderníssimos prédios de escritórios, lojas e hotéis. É claro que precisamos, também de estacionamentos, pois vamos querer chegar de automóvel aos \"novos espaços\". Precisamos, também, de segurança e não podemos nos esquecer de preservar o nosso patrimônio arquitetônico. Quando todas essas necessidades forem atendidas, aí sim poderemos dar início à imensa tarefa que significa a reciclagem ou a reconversão dos imóveis decadentes.
Para demonstrar nossas idéias, elaboramos um programa de renovação urbana, que de uma única vez, e num único local, consumia a totalidade dos 150 mil metros quadrados que a nossa naif Prefeitura pretendia vender. Escolhemos como \"site\" a quadra Anhangabaú/SãoJoão/Praça Ramos, pelo excelente motivo de ter sido eleita como cenário para a exposição do pensamento da Prefeitura. Com um rabisco do programa e uma planta da quadra procuramos o arquiteto Fábio Penteado, a quem solicitamos que desse forma às idéias e que entrasse ele também nessa discussão sobre o futuro do nosso Centro.
O talento de Fábio Penteado produziu um modelo que atendia a todas as necessidades: um shopping por onde transitariam diariamente mais de 1 milhão de pessoas, num ambiente confortável, bonito e seguro, diretamente ligado às duas linhas do metrô; diversos prédios de escritórios sobrepostos, mas dotados de identidade própria; espaços impecavelmente apropriados para hotéis de 3, 4 e 5 estrelas; um gigantesco estacionamento subterrâneo servindo com segurança toda a vizinhança, inclusive ao Teatro Municipal e ao Mappin; um autêntico heliporto e uma magnífica valorização dos imóveis tombados.
Além disso, o modelo propunha um empreendimento imobiliário rigorosamente legal e economicamente viável. Sua maior virtude, porém, é contribuir para a discussão desse assunto tão importante que está ligado ao futuro não apenas do Centro, mas de toda a cidade.
http://www.centronovo.com.br/img/noticia/1/265.jpg
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Abaixo segue o artigo encontrado, por favor participem!
Arquiteto Fábio Penteado propõe construção da Torre do Anhangabaú, com 300 metros de altura
O Vale do Anhangabaú é um marco referencial de São Paulo há cinco séculos. Caminho de passagem e limite, nos primórdios da criação e urbanização da cidade, aos poucos foi se tornando parte integrante da área central da imensa metrópole em que São Paulo se converteu. Em 1986, a Prefeitura de São Paulo concluiu que era necessário estimular a ação da iniciativa privada em algumas áreas do Centro, que andava bastante deteriorado. Foi criada a chamada operação interligada, que permitia construir mais metros quadrados sobre o mesmo terreno (de 11 a 20 vezes), mediante o pagamento de uma taxa extra para os cofres públicos.
A área beneficiada tinha cerca de 150 mil metros quadrados, na região que compreende o Anhangabaú, a avenida São João e a Praça Ramos. Há ali dezenas de imóveis que poderiam participar da operação. Na época, Luiz Antonio Pompéia, já falecido, então Presidente da Embraesp – tradicional empresa ligada ao patrimônio imobiliário - considerou complicado, entretanto, viabilizar comercialmente a iniciativa com tantas propriedades isoladas, algumas de pequenas dimensões, e propôs ao arquiteto Fábio Penteado (na foto acima à esquerda, ao lado da maquete da torre) o desafio de projetar um arranha-céu que somasse numa única obra os 150 mil metros quadrados estabelecidos pela Prefeitura.
\"Seria também uma espécie de marco da renovação do Centro de São Paulo\", lembra Fábio Penteado. \"Tinha que ser um prédio que ficasse na história da cidade.\" O arquiteto idealizou dois prédios, um de costas para o outro, sendo que em um deles seria instalado um hotel com novecentos apartamentos, num total de 45 mil metros quadrados. No outro prédio funcionariam um shopping center com 40 mil metros quadrados e um conjunto de escritórios com mais 70 mil metros quadrados. No topo, atingido por elevadores panorâmicos externos, a uma altura de aproximadamente 300 metros do solo, Penteado desenhou um amplo terraço panorâmico, com bares, restaurantes e uma galeria de lojas. Os visitantes poderiam chegar ou sair de helicóptero, utilizando um heliporto no ponto mais alto do edifício.
\"Trata-se de um projeto experimental, mas o empreendedor Luiz Antonio Pompéia, com grande experiência no mercado imobiliário paulistano, garantia que haveria viabilidade comercial\", destaca o arquiteto. Pompéia dizia que havia sido muito mais difícil erguer o Empire State Building em Nova York, em apenas um ano e onze dias, em plena recessão do fim dos anos 1920.
Fábio Penteado construiu uma maquete do arranha-céu em madeira balsa. Vista de longe, pode lembrar a figura de um guerreiro, com uma espécie de braço horizontal sustentando uma esfera com 30 metros de diâmetro, de onde seriam projetados anúncios, efeitos luminosos e notícias, visíveis a quilômetros de distância. Trata-se de projeto arrojado e inovador: \"Por que os edifícios têm sempre andares iguais?\" – questiona o arquiteto. \"Nesse projeto não havia necessidade disso. Nos conjuntos de escritório, por exemplo, pode-se optar por pé direito duplo. Na prática, não existem dois pavimentos iguais, devido não só à altura, mas também ao formato arquitetônico\". A base da torre, onde funcionaria o shopping center, tem formas curvilíneas, bem ao gosto da moderna arquitetura brasileira.
Penteado acredita que a existência de uma Agência Reguladora tornaria o empreendimento viável, uma vez que conseguiria unir os interesses da iniciativa privada e da coletividade e também buscaria os recursos necessários a uma obra dessa magnitude. \"São Paulo precisa cuidar melhor de seu Centro. A idéia de uma Agência Reguladora é muito interessante. Tomara que seja realmente possível a sua implantação, o quanto antes\".
O futuro do Centro da cidade de São Paulo
Neste artigo, de 9 de agosto de 1994, o empreendedor imobiliário Luiz Antonio Pompéia defende a revitalização da área central de São Paulo e dá detalhes de como surgiu a idéia da Torre do Anhangabaú.
A Prefeitura fez aprovar uma lei, onde a pretexto de renovar o centro da cidade, pretendia \"vender\" 150 mil metros quadrados de direitos construtivos dentro de um perímetro traçado em torno do Anhangabaú. E apregoava essa \"mercadoria\", apresentando-a como a somatória de pequeninas intervenções pontuais. Mas afinal de contas, quem se interessa por comprar direitos construtivos no denso e decadente núcleo da cidade? Além disso, 150 mil metros quadrados representam uma área ridiculamente pequena, já que existem fora do Centro diversos empreendimentos imobiliários com mais de 150 mil metros quadrados de construção (cada um).
A renovação urbana do Centro de São Paulo é um negócio gigantesco, que só pode ser medido na casa dos bilhões de dólares, capaz de dar emprego a dezenas de milhares de pessoas e, de sobra, provocar vigorosa recuperação do valor do patrimônio imobiliário da região. Para avaliar esse negócio é necessário pensar grande, como a cidade. Grande como o problema.
Precisamos de soluções que permitam tirar o maior proveito possível da infra-estrutura existente, sobretudo transporte. Precisamos de novos e moderníssimos prédios de escritórios, lojas e hotéis. É claro que precisamos, também de estacionamentos, pois vamos querer chegar de automóvel aos \"novos espaços\". Precisamos, também, de segurança e não podemos nos esquecer de preservar o nosso patrimônio arquitetônico. Quando todas essas necessidades forem atendidas, aí sim poderemos dar início à imensa tarefa que significa a reciclagem ou a reconversão dos imóveis decadentes.
Para demonstrar nossas idéias, elaboramos um programa de renovação urbana, que de uma única vez, e num único local, consumia a totalidade dos 150 mil metros quadrados que a nossa naif Prefeitura pretendia vender. Escolhemos como \"site\" a quadra Anhangabaú/SãoJoão/Praça Ramos, pelo excelente motivo de ter sido eleita como cenário para a exposição do pensamento da Prefeitura. Com um rabisco do programa e uma planta da quadra procuramos o arquiteto Fábio Penteado, a quem solicitamos que desse forma às idéias e que entrasse ele também nessa discussão sobre o futuro do nosso Centro.
O talento de Fábio Penteado produziu um modelo que atendia a todas as necessidades: um shopping por onde transitariam diariamente mais de 1 milhão de pessoas, num ambiente confortável, bonito e seguro, diretamente ligado às duas linhas do metrô; diversos prédios de escritórios sobrepostos, mas dotados de identidade própria; espaços impecavelmente apropriados para hotéis de 3, 4 e 5 estrelas; um gigantesco estacionamento subterrâneo servindo com segurança toda a vizinhança, inclusive ao Teatro Municipal e ao Mappin; um autêntico heliporto e uma magnífica valorização dos imóveis tombados.
Além disso, o modelo propunha um empreendimento imobiliário rigorosamente legal e economicamente viável. Sua maior virtude, porém, é contribuir para a discussão desse assunto tão importante que está ligado ao futuro não apenas do Centro, mas de toda a cidade.