View Full Version : Funchal | Casino da Madeira | Oscar Niemeyer


Cidade_Branca
July 23rd, 2008, 09:59 PM
Grupo Pestana investiu seis milhões de euros

Casino da Madeira reabre amanhã
depois das obras de remodelação

Presstur 17-07-2008 (13h50) O Casino da Madeira, concessionado ao Grupo Pestana, vai reabrir amanhã, 18 de Julho, depois de ter sofrido obras profundas de modernização e de ampliação, num investimento total de seis milhões de euros.

O “novo” Casino, cujo projecto de arquitectura original é de Óscar Niemeyer, mantém a traça original, “dando a sensação que nada foi mudado” e apresenta-se com um interior renovado cuja decoração é inspirada no mar, diz uma informação do Grupo Pestana.
Luigi Valle, administrador do Grupo Pestana responsável, entre outros, pela área dos casinos, citado no comunicado, realça que “o projecto de remodelação tem também por objectivo aumentar o número de frequentadores do Casino” e acrescenta que “só com uma alargada variedade de opções de entretenimento e o reforço da componente de animação poderemos ter sucesso, quer junto da população da Região Autónoma da Madeira quer junto dos muitos turistas que nos visitam”.

Na modernização foi facilitado o acesso ao jogo e ao entretenimento, concentrando-se toda a actividade de jogo no piso térreo do edifício, através da criação de uma sala mista que será alvo de uma alteração do “lay out” dos equipamentos de jogo e do esquema de cores, “tornando-a mais atractiva e de fácil circulação”. O piso de entrada sofreu uma ampliação de 200 metros quadrados, onde foram instaladas duas roletas americanas, dois Black Jacks, um Poker e um conjunto de slot machines. No total, o Grupo Pestana aumentou em 70 o número de máquinas de jogo para um total de 180, oferecendo agora uma maior diversidade.
O Casino Madeira será ainda o primeiro da Europa a disponibilizar dez slot-machines M-P Series Roulette Revolutionum, modelo topo de gama da empresa IGT que comercializa este tipo de equipamento.

O comunicado informa ainda que outras das apostas passa pelo aproveitamento das potencialidades do primeiro piso, tornando-o num espaço amplo, sem barreiras, onde será possível a realização de espectáculos para cerca de mil pessoas.
A discoteca Copacabana também foi completamente remodelada e modernizada, dotando-a de melhores condições técnicas, estéticas e de ventilação.

O espaço foi ampliado, aproveitando a área disponível do primeiro piso do edifício, até agora ocupada pelos jogos de banca.
O exterior do edifício está agora iluminado tendo sido criada um “avenida de luz” que conduz os visitantes desde a rua até à porta do casino.

As obras de modernização decorreram de um compromisso assumido pelo Grupo de Dionísio Pestana, por ocasião da renovação por mais 10 anos da concessão de exploração de jogos de fortuna ou azar, na Zona de Jogo Permanente do Funchal, refere ainda o comunicado.

in http://www.presstur.com/site/news.asp?news=15826

NewTomorrow
July 24th, 2008, 01:34 AM
Cidade Branca já tinha postada essa noticia.

O titulo da tua noticia esta errado o proprio Oscar Niemeyer diz que o casino não é obra dele

José Alberto
July 24th, 2008, 02:45 PM
O titulo da tua noticia esta errado o proprio Oscar Niemeyer diz que o casino não é obra dele

Não? então tiro o chapéu ao arquitecto-mistério que o desenhou. Ontem, hoje e amanhã esse complexo tem uma arquitectura muito à frente :)

NewTomorrow
July 25th, 2008, 04:04 AM
Não? então tiro o chapéu ao arquitecto-mistério que o desenhou. Ontem, hoje e amanhã esse complexo tem uma arquitectura muito à frente :)

não sabes da polemica

Fica aqui a notícia do DN-Madeira, que tem por base um artigo do Expresso.




"...A polémica está lançada: numa entrevista concedida no Rio de Janeiro ao semanário 'Expresso' e publicada na edição de 22 de Dezembro no suplemento 'Espaços e Casas' daquele jornal, o arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer negou a autoria do projecto do hotel Casino Park e do Casino da Madeira, no Funchal, e deu a entender nunca ter sido chamado para fazer projectos em Portugal.


A entrevista motivou uma reacção de indignação de Carlos Oliveira Santos, professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e autor do livro 'O Nosso Niemeyer' (Ed. Teorema), obra da qual foi lançada recentemente uma edição especial comemorativa do centenário do nascimento do arquitecto, apoiada pelo Grupo Pestana. "Indignadíssimo", conforme nos fez sentir de viva voz, Carlos Oliveira Santos enviou para o 'Expresso' uma resposta, a mesma a que hoje fazemos referência. Nela, denuncia "a crassa ignorância da entrevistadora", Fernanda Pedro, que, em seu entender, "induz respostas daquela conhecida personalidade [Niemeyer] que não correspondem à verdade e que lesam a história da arquitectura em Portugal e o valor do nosso património arquitectónico".


Na qualidade de "investigador e professor que se dedicou, desde meados dos anos 80, a uma intensa pesquisa das matérias em causa", e reafirmando o seu "profundo e sentido respeito por Oscar Niemeyer", com quem conviveu pessoalmente diversas vezes, Oliveira Santos aponta: "Numa das perguntas, a entrevistadora interroga: 'Por que razão não fez nunca nenhum trabalho em Portugal?' Ao que Niemeyer responde: 'Eu não procuro trabalho, eu atendo os pedidos que me fazem'. De seguida, a entrevistadora questiona: 'Mas nunca recebeu um convite para fazer um projecto em Portugal?' E o arquitecto responde: 'Têm arquitectos tão bons, têm o Siza, não há razão de me chamarem'".


Niemeyer convidado três vezes Oliveira Santos afirma que Oscar Niemeyer foi comprovadamente convidado pelo menos por três vezes para conceber obras para Portugal, e por três vezes as concebeu. "As pessoas que o convidaram aí estão ainda vivas e os documentos dos seus projectos existem e podem ser consultados publicamente. Foi-o em 1965, pela empresária Fernanda Pires da Silva para o projecto do Plano de Urbanização da Pena Furada, no Algarve. Foi-o em 1991, pela Fundação Luso-Brasileira para a sua sede. Ambos os projectos estão devidamente publicados, nomeadamente no livro 'Oscar Niemeyer 2001', catálogo da exposição organizada pelo ISCTE nesse ano, em Lisboa. Nenhum desses projectos foi ainda construído, mas permanecem diligências para a sua concretização em obra.


O terceiro projecto de Niemeyer para Portugal é de 1966 e foi resultado do convite da família Barreto para que o arquitecto concebesse um conjunto de hotel, casino e centro de congressos no Funchal. É sobre este projecto, outra das perguntas da entrevistadora: "O que diz sobre o único projecto seu em Portugal, nomeadamente o Casino do Funchal, na Madeira?" E a resposta publicada de Niemeyer é esta: "Aquele projecto não é meu. Eu fiz o projecto a uma escala pequena e o arquitecto português desenvolveu. E ele mudou algumas coisas. De modo que não considero um projecto meu. A aprovação de algumas coisas, ele mudou. Porque todo o arquitecto pensa de maneira diferente. Ele era um arquitecto muito bom, que se chama Viana de Lima, por isso o projecto da Madeira é muito mais dele do que meu". Carlos Oliveira Santos sustenta que, "tal como aconteceu nas duas outras perguntas, só a total ignorância da referida entrevistadora permite que apareça deste modo a resposta de Niemeyer, numa interpretação falsa da realidade e numa ofensa à memória do arquitecto Viana de Lima e das outras pessoas envolvidas. O convite a Niemeyer para este projecto, realizado em 1966, em pleno salazarismo, representou um acto de coragem e de dimensão que merecem, ainda hoje, todo o respeito e agradecimento. Niemeyer era um comunista exilado em Paris e os Barreto não hesitaram em convidá-lo e em acolher com empenho o seu projecto, cujo manuscrito existe e pode ser claramente consultado (...)", quer no 'hall' do próprio hotel quer no livro de Oliveira Santos. Para a sua concretização, acrescenta, foi o próprio Niemeyer que indicou um amigo, o arquitecto Viana de Lima, "uma grande personalidade da arquitectura portuguesa e pessoa de uma dignidade e de uma seriedade notáveis".


O autor da carta de protesto sublinha que "os honorários do arquitecto brasileiro, a delegação que Niemeyer fez em Viana de Lima, os contactos entre ambos sobre a obra, tanto nos anos iniciais da concretização do projecto como já numa fase muito adiantada da construção, em 1973, estão claramente expressos em documentos escritos e assinados pelo próprio Niemeyer". O que Viana de Lima fez foi "abraçar esforçadamente o projecto do amigo. Tudo fazer para o concretizar. Ele não mudou o projecto inicial, ele concretizou-o (...) O que está no Funchal é um Niemeyer, o da essência do seu projecto inicial (...) É isto que historicamente se pode dizer com toda a segurança e verdade. O que se escreve no 'Expresso', o de que "afinal" o projecto "não é da autoria" de Niemeyer, não passa de uma falsidade e de uma total ignorância". "ofenSa" e "ingratidão"Carlos Oliveira Santos frisa que o projecto da Madeira está incluído em importantes estudos sobre a obra do arquitecto brasileiro (como os de Gilbert Luigi, de Josep Ma. Botey ou de David Underwood), como no próprio livro de Niemeyer, 'Meu Sósia e Eu'. Faz questão de enfatizar que Viana de Lima sempre respeitou Niemeyer e era seu amigo, e garante: "(...) tanto a mim, em conversa gravada que transcrevo no meu livro, como na entrevista concedida, em 2001, a Cláudia Galhós, publicada no site NetParque (...) quando ela interroga Niemeyer expressamente sobre se ele sentiu que Viana de Lima executou o que o arquitecto brasileiro tinha imaginado nos seus desenhos, a resposta é clara: "Ele seguiu a minha orientação inicial, mas fez muito bem. Foi muito bom".


Para Oliveira Santos, renegar a autoria de Niemeyer no projecto do Casino Park Hotel do Funchal não é verdade e "representa uma ofensa e uma enormíssima ingratidão para com as pessoas que convidaram o arquitecto brasileiro e sobretudo para com o falecido arquitecto Viana de Lima (...) Estou certo que Oscar Niemeyer do fundo do seu coração não poderá nunca cometer tamanha injustiça"."

José Alberto
July 25th, 2008, 08:58 AM
Sei da polémica mas pensava que já tivesse sido aclarada. Para mim o projecto é dele... é que tem tudo a ver. Aquilo deve ter sido um mal-entendido.

NewTomorrow
July 25th, 2008, 09:13 AM
Sei da polémica mas pensava que já tivesse sido aclarada. Para mim o projecto é dele... é que tem tudo a ver. Aquilo deve ter sido um mal-entendido.


ou ele já esta mal da cabeça e já não se lembra.

José Alberto
July 25th, 2008, 09:24 AM
É que repara, para já o design do projecto é tudo Niemeyer. E depois, se por acaso tivesse sido outro gajo a fazer aquela maravilha já tinha aparecido (ele ou os filhos porque Niemeyer tem 100 anos) aclamando a sua autoria. Nem nestes 30 anos de vida do projecto nem na altura da polémica apareceu ninguém!

É dele. Só pode. Mas olha que acho que ele está bem da cabeça, inclusive continua a trabalhar.

NewTomorrow
July 26th, 2008, 03:03 AM
É que repara, para já o design do projecto é tudo Niemeyer. E depois, se por acaso tivesse sido outro gajo a fazer aquela maravilha já tinha aparecido (ele ou os filhos porque Niemeyer tem 100 anos) aclamando a sua autoria. Nem nestes 30 anos de vida do projecto nem na altura da polémica apareceu ninguém!

É dele. Só pode. Mas olha que acho que ele está bem da cabeça, inclusive continua a trabalhar.



.......Aquele projecto não é meu. Eu fiz o projecto a uma escala pequena e o arquitecto português desenvolveu. E ele mudou algumas coisas. De modo que não considero um projecto meu. A aprovação de algumas coisas, ele mudou. Porque todo o arquitecto pensa de maneira diferente. Ele era um arquitecto muito bom, que se chama Viana de Lima, por isso o projecto da Madeira é muito mais dele do que meu".......

ve este tread criado pelo Professor Godin sobro os outros projectos que o Oscar Niemeyer desenhou para Portugal


http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=426102

José Alberto
July 26th, 2008, 11:50 AM
"Ele mudou algumas coisas, por isso não o considero um projecto meu"

Não te esqueças da personalidade... complicada de Niemeyer. O gajo é comunista e inclusive esteve no exílio. Em Brasilia, por exemplo, antigamente -e se calhar ainda hoje- era ele quem aprovava o design dos projectos. No caso do "nosso" Casino Park ele não gostou de algumas modificações ao projecto original e por isso o "aquilo não é meu". Quem disse isto? o próprio Dionísio Pestana, dono do complexo. Niemeyer é brilhante mas tem aquele feitio...

Mas, de facto, o arquitecto Viana de Lima colaborou em vários projectos dele.

NewTomorrow
July 27th, 2008, 01:00 AM
"Ele mudou algumas coisas, por isso não o considero um projecto meu"

Não te esqueças da personalidade... complicada de Niemeyer. O gajo é comunista e inclusive esteve no exílio. Em Brasilia, por exemplo, antigamente -e se calhar ainda hoje- era ele quem aprovava o design dos projectos. No caso do "nosso" Casino Park ele não gostou de algumas modificações ao projecto original e por isso o "aquilo não é meu". Quem disse isto? o próprio Dionísio Pestana, dono do complexo. Niemeyer é brilhante mas tem aquele feitio...

Mas, de facto, o arquitecto Viana de Lima colaborou em vários projectos dele.

não compreendo esta parte

quem disse "Aquele projecto não é meu " foi o Niemeyer , não foi o Dionisio Pestana


"Aquele projecto não é meu. Eu fiz o projecto a uma escala pequena e o arquitecto português desenvolveu. E ele mudou algumas coisas. De modo que não considero um projecto meu. A aprovação de algumas coisas, ele mudou. Porque todo o arquitecto pensa de maneira diferente. Ele era um arquitecto muito bom, que se chama Viana de Lima, por isso o projecto da Madeira é muito mais dele do que meu".

NewTomorrow
July 27th, 2008, 01:12 AM
Encontrei isto no Arquitectura.pt


".......Já agora refiro ainda a participação de Viana de Lima no projecto do hotel que Oscar Niemeyer projectou para a Madeira, nos anos 60, se não estou em erro, no qual o papel do arqutiecto português foi bastante mais acentuado do que o que se possa pensar... Claramente ali encontramos um "Niemeyer" em todos os aspectos, claramente o edifício contou com o traço inconfundível do mestre brasileiro, ao nível da volumetria, implantação, linguagem, etc. etc. A curva do hotel não engana, assim como a volumetria do casino que se socorre de formas derivadas da hipérbole; e por fim o que a mim ainda me fascina mais naquele complexo, que tb já tive a oportunidade de visitar, que é a capacidade de montar um todo coerente a partir de uma aparente colocação aleatória de elementos arquitectónicos. Tudo isto é Niemeyer, mas o que normalmente não é conhecido, é que o brasileiro nunca esteve na ilha da Madeira, nunca viu ao vivo aquele terreno, aquele local, e que o arquitecto de obra foi precisamente o Viana de Lima, e que todo o desenho de pormenor relativo ao edifício foi realizado pelo ateliê do portuense. Para quem conhece um pouco da obra do arquitecto, percebe ao visitar o hotel da Madeira alguns momentos muito Viana de Lima, como por exemplo (refiro este por ser visível em qq foto) a forma como ele resolve o desenho das juntas de construção, numa espécie de ziguezague que ele já tinha utilziado no edifício junto aos Aliados e que transforma um elemento normalmente indesejado de necessidade técnica num elemento de composição que consegue ajudar à unidade. Acho que da análise deste tipo de questões muitas vezes de pormenor é que pode resultar uma maior percepção do porquê do arq. Viana de Lima ser de facto um mestre....."


http://arquitectura.pt/forum/f10/arq-viana-de-lima-2648.html

José Alberto
July 27th, 2008, 12:35 PM
não compreendo esta parte

quem disse "Aquele projecto não é meu " foi o Niemeyer , não foi o Dionisio Pestana


"Aquele projecto não é meu. Eu fiz o projecto a uma escala pequena e o arquitecto português desenvolveu. E ele mudou algumas coisas. De modo que não considero um projecto meu. A aprovação de algumas coisas, ele mudou. Porque todo o arquitecto pensa de maneira diferente. Ele era um arquitecto muito bom, que se chama Viana de Lima, por isso o projecto da Madeira é muito mais dele do que meu".

Sim, devia ter escrito "contou" em vez de "disse".

Quem contou essa história foi o próprio Dionisio Pestana. E digo mais: a birra de Niemeyer foi por causa de uma fonte colocada na entrada do hotel e que hoje não existe. Niemeyer não gostou dessa alteração ao seu projecto original e por isso o "aquilo não é meu".

Quanto ao texto que colocaste foi por causa dessa birra que Niemeyer deixou de se associar ao projecto e por isso o arquitecto Viana de Lima, quem já tinha colaborado com o brasileiro noutros projectos e que portanto o conhecia e interpretava bem, ficou encarregue do complexo. Se Niemeyer não queria fazer parte desse projecto porque entendeu (e bem) que aquilo que era dele tinha sido alterado (repito, por causa de uma simples fonte na entrada do hotel) não fazia sentido vir à Madeira supervisionar as obras. Mas, como diz o texto, aquele hotel é mesmo Niemeyer e... lá dentro não há corredor ou sala que não tenha um quadro, uma frase, uma foto do arquitecto brasileiro.

Olha, se calhar o mais correcto é dizer que aquilo é deles dois e pronto.