Império-CostaAzul
September 24th, 2008, 04:32 PM
Empresa americana, Eastbanc, vai transformar um palacete e o antigo Banco de Portugal em habitação de luxo, mas não fica por aqui. Tem mais 18 edifícios para recuperar.
Ana Baptista
É o projecto que promete dar uma nova vida ao Príncipe Real, em Lisboa, e está prestes a sair do papel. Em entrevista ao Diário Económico, Anthony Lanier, presidente da promotora responsável por esta intervenção, Eastbanc, adianta que as obras deverão arrancar já em 2009, em dois dos 20 edifícios que já compraram em Lisboa.
O primeiro projecto a avançar será o do número 38 da Rua da Escola Politécnica – o palácio dos Condes do Restelo. Também este foi o primeiro edifício que compraram na capital há quase quatro anos. Em simultâneo, começarão as obras no número 30, o antigo Palácio dos Anjos, onde antes operava o Banco de Portugal. No número 38, onde hoje é a sede da Eastbanc, vão nascer cinco a seis apartamentos de luxo, com áreas que vão dos 200 aos 300 metros quadrados e preços que oscilam entre os 5.000 e os 7.000 euros por metro quadrado. No segundo vão ser construídos entre 12 a 15 apartamentos, com áreas ligeiramente mais pequenas, mas com pés direitos altos. A conclusão está prevista para 2011.
Mais atrasado está o projecto para o palácio Ribeiro da Cunha, uma das aquisições mais recentes da Eastbanc, onde deverá nascer um hotel, como aliás já estava previsto pelos anteriores proprietários. “Eu gostava muito de fazer um hotel, apesar de não ser o meu objectivo para esta zona, mas um hotel traz serviços e isso dá vida à zona”, diz. Para os restantes imóveis ainda não há nada definido, mas ideias não faltam. “A primeira loja da Ralph Lauren foi numa casa particular na Madison Avenue, em Nova Iorque. Imagino a Ralph Lauren a querer um edifício inteiro em Portugal”, adianta.
À procura de mais edifícios
Para Anthony Lanier, as oportunidades de Lisboa, e mais precisamente do Príncipe Real, são ilimitadas. É por isso que os 20 edifícios já comprados, totalizando uma área de 40 mil metros quadrados, ainda não são suficientes. “Quando ando em Lisboa, a cada cinco minutos encontro um edifício para reabilitar. Mas o impacto de um edifício não é nada. Temos de fazer isto com uma grande escala”, diz.
Para já, o objectivo é ter o dobro da área actual, ou seja, cerca de 80 mil metros quadrados. No entanto, se surgirem outras oportunidades, Anthony Lanier não diz que não. Só na rua Dom Pedro V, onde já compraram seis edifícios, o presidente da Eastbanc identifica mais imóveis para adquirir, ainda que não revele quais.
Dinheiro não parece ser um problema, mesmo depois de a Eastbanc ter sofrido algumas consequências do ‘subprime’. “Não há limite no dinheiro. O dinheiro sempre foi para onde há oportunidades”, adianta. Até agora, a Eastbanc investiu 50 milhões de euros em Lisboa, mas o plano passa por gastar mais 150 milhões a curto prazo. No entanto, diz o presidente da promotora, este é um projecto a 20 anos. Não só pela sua dimensão, mas também pelo tempo que demoram as aprovações. “Toda a gente que reabilita tem uma coragem enorme”, considera Ricardo Roquete, consultor da Cushman&Wakefield.
Eastbanc tem 703 milhões de euros para investir
Os projectos da Eastbanc não se esgotam em Lisboa. Nos próximos cinco anos, Anthony Lanier quer investir 703 milhões de euros na Rússia, Brasil e Dubai, além de Portugal. O projecto mais avançado é o da Rússia e consiste na construção de uma espécie de centro de cidade numa zona residencial de 15 mil apartamentos. No Brasil e no Dubai, a Eastbanc está ainda a abrir escritórios. Nos Estados Unidos, onde estão sediados, terminaram este ano um mega projecto de reabilitação de 60 edifícios em Georgetown, Washinton, mas não pretendem investir mais. Pelo menos para já. “Não temos interesse em expandir o nosso negócio nos Estados Unidos e nos países onde se use o dólar”, repara Anthony Lanier. Actualmente, a Eastbanc soma activos no valor de 500 milhões de euros e não pretende fazer lucros, mas sim aumentar o seu património.
Perfil: Anthony lanier
Anthony Lanier nasceu no Rio de Janeiro, mas aos seis anos foi para a Áustria, o país onde nasceu a sua mãe, assumindo depois a nacionalidade austríaca. Casou com uma portuguesa, abriu uma empresa nos Estados Unidos e hoje, aos 56 anos, está em Portugal a fazer um dos projectos da sua vida. Aliás, diz ele que quer ficar com um dos apartamentos do palácio Condes do Restelo, quando este estiver concluído. Licenciado em Economia e Ciência Política pela Universidade de Viena, Anthony Lanier criou a Eastbanc em 1987, a empresa responsável por um dos maiores projectos de reabilitação de sempre nos EUA: Georgetown.
Projectos
- O arquitecto Souto Moura está a coordenar todo o projecto da Eastbanc, mas Anthony Lanier não descarta a hipótese de cada andar ser desenhado por um arquitecto diferente.
- O presidente da Eastbanc quer trazer pessoas de volta para o Príncipe Real através do comércio de rua. Os edifícios que está a reabilitar na Rua da Escola Politécnica vão ter garagem, mas não necessariamente para estacionamento: “Pode ter uma galeria de arte ou pode servir para guardar bicicletas”, diz.
- A Eastbanc comprou ainda mais dois edifícios, um na Avenida da liberdade e outro na linha de Cascais, mas que serão usados para escritórios ou como puro investimento.
- É a consultora CB Richard Ellis que está a trabalhar com a Eastbanc na procura de novos imóveis.
http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/empresas/pt/desarrollo/1165156.html
Ana Baptista
É o projecto que promete dar uma nova vida ao Príncipe Real, em Lisboa, e está prestes a sair do papel. Em entrevista ao Diário Económico, Anthony Lanier, presidente da promotora responsável por esta intervenção, Eastbanc, adianta que as obras deverão arrancar já em 2009, em dois dos 20 edifícios que já compraram em Lisboa.
O primeiro projecto a avançar será o do número 38 da Rua da Escola Politécnica – o palácio dos Condes do Restelo. Também este foi o primeiro edifício que compraram na capital há quase quatro anos. Em simultâneo, começarão as obras no número 30, o antigo Palácio dos Anjos, onde antes operava o Banco de Portugal. No número 38, onde hoje é a sede da Eastbanc, vão nascer cinco a seis apartamentos de luxo, com áreas que vão dos 200 aos 300 metros quadrados e preços que oscilam entre os 5.000 e os 7.000 euros por metro quadrado. No segundo vão ser construídos entre 12 a 15 apartamentos, com áreas ligeiramente mais pequenas, mas com pés direitos altos. A conclusão está prevista para 2011.
Mais atrasado está o projecto para o palácio Ribeiro da Cunha, uma das aquisições mais recentes da Eastbanc, onde deverá nascer um hotel, como aliás já estava previsto pelos anteriores proprietários. “Eu gostava muito de fazer um hotel, apesar de não ser o meu objectivo para esta zona, mas um hotel traz serviços e isso dá vida à zona”, diz. Para os restantes imóveis ainda não há nada definido, mas ideias não faltam. “A primeira loja da Ralph Lauren foi numa casa particular na Madison Avenue, em Nova Iorque. Imagino a Ralph Lauren a querer um edifício inteiro em Portugal”, adianta.
À procura de mais edifícios
Para Anthony Lanier, as oportunidades de Lisboa, e mais precisamente do Príncipe Real, são ilimitadas. É por isso que os 20 edifícios já comprados, totalizando uma área de 40 mil metros quadrados, ainda não são suficientes. “Quando ando em Lisboa, a cada cinco minutos encontro um edifício para reabilitar. Mas o impacto de um edifício não é nada. Temos de fazer isto com uma grande escala”, diz.
Para já, o objectivo é ter o dobro da área actual, ou seja, cerca de 80 mil metros quadrados. No entanto, se surgirem outras oportunidades, Anthony Lanier não diz que não. Só na rua Dom Pedro V, onde já compraram seis edifícios, o presidente da Eastbanc identifica mais imóveis para adquirir, ainda que não revele quais.
Dinheiro não parece ser um problema, mesmo depois de a Eastbanc ter sofrido algumas consequências do ‘subprime’. “Não há limite no dinheiro. O dinheiro sempre foi para onde há oportunidades”, adianta. Até agora, a Eastbanc investiu 50 milhões de euros em Lisboa, mas o plano passa por gastar mais 150 milhões a curto prazo. No entanto, diz o presidente da promotora, este é um projecto a 20 anos. Não só pela sua dimensão, mas também pelo tempo que demoram as aprovações. “Toda a gente que reabilita tem uma coragem enorme”, considera Ricardo Roquete, consultor da Cushman&Wakefield.
Eastbanc tem 703 milhões de euros para investir
Os projectos da Eastbanc não se esgotam em Lisboa. Nos próximos cinco anos, Anthony Lanier quer investir 703 milhões de euros na Rússia, Brasil e Dubai, além de Portugal. O projecto mais avançado é o da Rússia e consiste na construção de uma espécie de centro de cidade numa zona residencial de 15 mil apartamentos. No Brasil e no Dubai, a Eastbanc está ainda a abrir escritórios. Nos Estados Unidos, onde estão sediados, terminaram este ano um mega projecto de reabilitação de 60 edifícios em Georgetown, Washinton, mas não pretendem investir mais. Pelo menos para já. “Não temos interesse em expandir o nosso negócio nos Estados Unidos e nos países onde se use o dólar”, repara Anthony Lanier. Actualmente, a Eastbanc soma activos no valor de 500 milhões de euros e não pretende fazer lucros, mas sim aumentar o seu património.
Perfil: Anthony lanier
Anthony Lanier nasceu no Rio de Janeiro, mas aos seis anos foi para a Áustria, o país onde nasceu a sua mãe, assumindo depois a nacionalidade austríaca. Casou com uma portuguesa, abriu uma empresa nos Estados Unidos e hoje, aos 56 anos, está em Portugal a fazer um dos projectos da sua vida. Aliás, diz ele que quer ficar com um dos apartamentos do palácio Condes do Restelo, quando este estiver concluído. Licenciado em Economia e Ciência Política pela Universidade de Viena, Anthony Lanier criou a Eastbanc em 1987, a empresa responsável por um dos maiores projectos de reabilitação de sempre nos EUA: Georgetown.
Projectos
- O arquitecto Souto Moura está a coordenar todo o projecto da Eastbanc, mas Anthony Lanier não descarta a hipótese de cada andar ser desenhado por um arquitecto diferente.
- O presidente da Eastbanc quer trazer pessoas de volta para o Príncipe Real através do comércio de rua. Os edifícios que está a reabilitar na Rua da Escola Politécnica vão ter garagem, mas não necessariamente para estacionamento: “Pode ter uma galeria de arte ou pode servir para guardar bicicletas”, diz.
- A Eastbanc comprou ainda mais dois edifícios, um na Avenida da liberdade e outro na linha de Cascais, mas que serão usados para escritórios ou como puro investimento.
- É a consultora CB Richard Ellis que está a trabalhar com a Eastbanc na procura de novos imóveis.
http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/empresas/pt/desarrollo/1165156.html