View Full Version : Em dois anos, PAC alcança 15% da meta


Caius
December 29th, 2008, 01:52 PM
Dados do governo apontam que faltam R$ 538 bilhões em investimentos nos próximos 2 anos para cumprir objetivo traçado

Governo diz que obras em fase de planejamento têm diminuído e que o programa deslancha no próximo ano, com mais desembolsos

GNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL

Lançado em janeiro de 2007, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) encerra seu segundo ano atingindo 15% da meta global de investimentos públicos e privados previstos até 2010. É a primeira vez que o governo apresenta números consolidados de todos os protagonistas do PAC.
Dados do comitê de monitoramento do Gabinete Civil da Presidência da República, obtidos com exclusividade pela Folha, mostram que, nos dois primeiros anos do programa, os investimentos privados e públicos (o que inclui desembolsos da União e das estatais) foram de R$ 98,2 bilhões.
A execução do Orçamento da União nos dois últimos anos é a menor parte, R$ 16,9 bilhões em recursos pagos. Nesse valor estão as despesas liquidadas e de restos a pagar de 2007 e 2008 até o dia 31 de novembro. De acordo com o comitê de monitoramento, os gastos com parte das 2.198 ações que integram o PAC foram completados com investimentos de R$ 24 bilhões em projetos de geração e transmissão de energia elétrica e mais R$ 57,3 bilhões nos setores de petróleo e gás.
A estimativa revisada de investimentos em obras de infra-estrutura social e urbana, energética e de logística e transporte (os três eixos que formam o PAC) é de R$ 636,2 bilhões no quadriênio 2007-2010.
Os números revelam o tamanho do desafio do governo federal para cumprir as metas traçadas para o PAC. E, a despeito da crise e de desconfianças, o governo promete que o PAC deslancha em 2009. Mas a tarefa não é pequena.
A partir do dia 1º de janeiro, União, estatais e setor privado terão, para cumprir a meta do programa, de desembolsar o restante dos R$ 538 bilhões, o que vai exigir investimentos diários de R$ 736,98 milhões em todos os 730 dias que restam ao atual presidente até a entrega da faixa ao sucessor.
Será tarefa exeqüível? O setor privado, que cobra há tempos do governo mais agilidade na execução do programa, acha que a toada de 15% até agora é o possível -tomada a estrutura do Estado disponível atualmente. "O governo montou um acampamento na Casa Civil para acompanhar o PAC, onde há uma estrutura de primeiro mundo. Mas, nos ministérios onde tudo acontece, da estruturação dos projetos à execução das obras, as condições são precárias. Junte tudo isso e veja o monstro que aparece", disse José Mascarenhas, presidente da Comissão de Infra-Estrutura da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A entidade acompanha pari passu a execução orçamentária do governo federal, que é uma parte do PAC. É quase impossível saber o que acontece com a parte do programa sustentada por estatais e empresas privadas que possuem obras no PAC.
Segundo o governo, 56% do programa está nas mãos de estatais, como a Petrobras, dona da maior parte, a Eletrobrás, a partir das subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul, e a Valec, entre outras. O setor privado, afirma o governo, é dono de 17% dos investimentos totais de R$ 1,111 trilhão, somados aí os R$ 636,2 bilhões para o quadriênio 2007-2010, mais os R$ 474,9 bilhões de aportes em infra-estrutura previstos para além de 2010.
A ONG Contas Abertas também critica essa deficiência nos dados do PAC, afirmando que apenas uma fatia menor do programa pode ser acompanhada. O TCU (Tribunal de Contas da União) já emitiu até um parecer contestando números de desempenho anunciados pelo governo sobre investimentos no programa.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2912200802.htm

outro lado

Para o Planalto, obras começam a ganhar ritmo
DA REPORTAGEM LOCAL

O comitê de monitoramento do PAC avalia que os R$ 98 bilhões executados até agora são um bom número, embora signifique um sexto da meta. A avaliação feita pela área de monitoramento do governo, apresentada à Folha, é a de que as 2.198 ações do PAC começam a alcançar agora o estágio de obras.
"O PAC se apropriou de obras que estavam num ritmo muito lento e incorporou projetos considerados importantes ao país. Havia obras em vários estágios. Agora temos situação diferente, muitos projetos já reúnem condições para entrar em obra. Isso fará com que os desembolsos em 2009 sejam maiores do que foram até agora", disse um técnico da Casa Civil. A Folha procurou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas a sua assessoria alegou dificuldade de agenda.
O governo alega que o número de obras em fase de planejamento caiu no último balanço. Em abriu de 2007, 45% das obras estavam nesse estágio, hoje são 32%. A reportagem questionou o governo sobre a meta para 2009. Os técnicos que acompanham o PAC na Casa Civil não quiseram definir metas, mas asseguram que o programa deslancha neste ano.
A aceleração do PAC agora vai coincidir com o período de definições das candidaturas para a sucessão de Lula.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2912200803.htm


Com ou sem PAC, siderurgia prevê "vôo cego"

DA REPORTAGEM LOCAL

O PAC vai demandar muito aço, mas a expectativa da indústria siderúrgica é bem modesta para o início de 2009. "Ainda esperamos as indicações da construção civil, da indústria automobilística e de bens de capital. Por ora, o primeiro trimestre de 2009 será um vôo cego", projetou Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia).
A paralisação do mercado brasileiro de bens de consumo para construção civil e bens de capital provocou uma redução de 19,8% na produção de aço bruto no mês de novembro em relação a outubro. No ano, a produção ficará dois milhões de toneladas menor do que a previsão de agosto.
A esperança é que o mercado brasileiro seja o arrimo do crescimento a partir de agora. O PAC é parte dessa equação, afirma Lopes, mas, para isso, a indústria siderúrgica acha que o governo precisa mostrar mais sintonia. Algumas medidas de apoio ao consumo, como a redução da carga tributária e a liberação de uma parte dos depósitos compulsórios são positivas, mas isso deve ser acompanhado da baixa dos juros.
"É preciso haver convergência dentro do governo. Há de fato algumas medidas sendo tomadas para estimular o consumo, mas a política monetária do Banco Central tem de estar sintonizada com isso e não manter essa política engessada para os juros", disse o executivo. (AB)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2912200804.htm


Crédito é a nova barreira para o avanço de obras

DA REPORTAGEM LOCAL

A timidez dos investimentos do PAC até agora foi justificada por burocracias, greves de órgãos federais, pela diversidade de estágios dos projetos. Mas, vencidas essas barreiras, o risco é o programa não arrancar em 2009 por escassez de crédito.
"Se há um problema que nos preocupa, fora todos os problemas da burocracia e do marco legal que ainda precisam ser resolvidos, é o crédito", avisa Paulo Godoy, diretor-presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e da Indústria de Base).
Para ele, talvez o governo devesse escolher os projetos mais relevantes e de maior alcance econômico e social. Com a carteira mais enxuta, concentrar esforços para evitar a asfixia por falta de crédito. Segundo ele, há hoje projetos anunciados e acordados mediante assinatura de contratos que dependem de R$ 220 bilhões em operações financeiras de curto, médio e longo prazos.
Segundo Godoy, esse pacote de projetos aguarda a volta de agentes financeiros ao mercado de crédito, reclusos desde a piora da crise, em setembro, quando o Lehman Brothers ruiu. O governo afirma que dará todas as garantias para o financiamento dos projetos, mas tem as rédeas dos bancos oficiais, principalmente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a maior fonte de recursos de longo prazo no país.
O problema, alerta Godoy, é que o BNDES é o esteio do sistema de crédito de longo prazo, mas não poderá ser o único para os volumes de investimentos necessários para cumprir as metas do PAC até 2010.
A Abdib defende medidas governamentais que criem um novo canal das reservas bilionárias de capital que estacionaram em fundos de investimentos ou nos títulos do governo para os canteiros de obras. Godoy cobra incentivos tributários, medidas que exijam que reais alforriados dos depósitos compulsórios cheguem a projetos de infra-estrutura.
A reportagem falou com um executivo de um grande banco brasileiro sobre as perspectivas para 2009. Na avaliação dele, o capital retornará aos investimentos até o fim do primeiro trimestre. Diante da incerteza no mercado financeiro global, os fundos e os bancos adotaram uma atitude cautelosa, restringiram as operações de crédito e elevaram os volumes de reservas em caixa. Motivo: garantir liquidez em caso de uma corrida para resgates. (AB)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2912200805.htm

Caius
December 29th, 2008, 02:11 PM
Lula remaneja R$ 700 mi para acelerar o PAC

Dinheiro será retirado de projetos atrasados e irá para obras que estão em ritmo mais avançado de execução

O governo decidiu remanejar R$ 700 milhões do Orçamento de 2008, retirando verbas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estão atrasadas e transferindo-as para projetos que estão em ritmo mais veloz de execução. Essa foi a principal decisão da reunião de ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Uma nova reunião foi marcada para segunda-feira, para discutir o Orçamento do próximo ano. Lula e Paulo Bernardo ainda aguardam que o Congresso envie ao Planalto a Lei Orçamentária para a sanção presidencial. O mais provável é que o presidente marque para o início do ano novas reuniões, inclusive com a Junta Orçamentária, formada por técnicos dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil. Nessas reuniões serão definidos os critérios para o contingenciamento dos recursos do Orçamento de 2009, partindo da orientação de Lula de preservar as obras sociais e investimentos em infra-estrutura.

O remanejamento que está sendo feito agora, em cima de recursos do Orçamento deste ano, beneficiará obras na área de transporte que não estão no PAC, segundo informou Bernardo ao Estado. "São projetos consistentes, que estão sendo executados e precisam de mais recursos", disse. Os R$ 700 milhões, porém, estão longe de atender aos pedidos de verbas adicionais. "Só o Ministério dos Transportes tem pedidos de R$ 1,5 bilhão", disse.

A idéia é dar um impulso a esses projetos que não são do PAC ainda neste ano com as verbas remanejadas. No ano que vem, essas mesmas obras receberão nova injeção de dinheiro. Algumas poderão, inclusive, fazer parte do PAC - que está sendo revisto para a inclusão de novos projetos.

Há pressa para decidir o que fazer com as verbas que estavam "sobrando" no Orçamento de 2008 porque, depois de definida a nova partilha, o dinheiro só poderá ser liberado se for empenhado (comprometido) até o dia 31 de dezembro. Técnicos do Ministério dos Transportes estão de plantão para dar destino a todo o dinheiro ainda neste ano. Caso contrário, não poderá ser desembolsado em 2009. O remanejamento de verbas ocorre todo fim de ano.

Lula e Bernardo também falaram sobre o Orçamento de 2009. Segundo assessores, o presidente reiterou ao ministro a orientação de preservar os investimentos do PAC e dos programas sociais. O Congresso cortou R$ 4,8 bilhões em verbas de projetos do PAC para destiná-las às emendas parlamentares. Parte delas, porém, não será executada porque a prioridade é "tocar obras" que coincidam com os interesses do Executivo.

Na reunião de ontem, de cerca de 40 minutos, Bernardo detalhou para o presidente o que foi aprovado pelo Congresso e deu uma idéia inicial sobre qual a margem para os remanejamentos. Os cortes no Orçamento, para adaptá-lo ao novo cenário de crescimento mais lento em 2009, só deverão ser definidos em fevereiro.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081227/not_imp299491,0.php

superkyo
December 29th, 2008, 02:28 PM
Impressionante como ainda tem a petulancia de falar q agora q pego ritmo.........

2 anos pra 15%, mas agora pego ritmo nos proximos 2 anos vão ser 20%..........

TêAgá
December 29th, 2008, 05:27 PM
Que absurdo, e tem gente que defende essa laia! :ohno:

Espartano_bsb
December 29th, 2008, 05:36 PM
Precisamos de um programa de aceleramento para o PAC! :bash:

TêAgá
December 29th, 2008, 05:37 PM
^^ E Da-lhe verba! :lol:

C2500
December 29th, 2008, 05:38 PM
só rindo mesmo!!!!

paulista1978
December 29th, 2008, 05:38 PM
Precisamos de um programa de aceleramento para o PAC! :bash:

:lol:

Wey
December 29th, 2008, 05:50 PM
PAPAC... :lol:

Já se fosse armado pelos políticos, seria PAPAQUI - Onde sua verba é desviada mais rápido! :rofl:

B.Fai
December 29th, 2008, 06:05 PM
Alguma surpresa?

richter30
December 29th, 2008, 06:56 PM
o PAC precisa ser DesenPACado :lol:

O Verdadeiro PAC é o Paulista, rs!!!!

danieldantas
December 30th, 2008, 12:19 AM
Pra mim só os ecologistas babacas(os não-babacas não entram na conta e são muito importantes) atrasam em 10% o andamento das obras, dai você acrescenta mais 15% do sistema recursal da justiça brasileira(levemente tolerada pelos integrantes do poder judiciário)....pra mim o PAC já tá em 50%. Razoável, hehehehhee

Rcrd
December 30th, 2008, 01:17 AM
Como eu tinha dito no outro thread... PAC = mentirada, exageros.

Evandro
December 30th, 2008, 02:52 AM
Muito lento... por isso que eu digo que nenhum partido presta (porém, existem graus de sordidez entre eles).

richter30
December 30th, 2008, 03:25 AM
Principalmente qdo dizem a palavra mágica: eleições presidenciais, pois é só isso que todos pensam....

Pesquisadorbsb
December 31st, 2008, 11:41 PM
^^ Duvido que vão entregar tudo para 2010, e vão jogar o povo contra os opositores, falando para eleger a sucessora de LULA, para ela cumprir o que ele não prometeu e não cumpriu.

MONORAIL
January 4th, 2009, 04:18 AM
Para desemPACar, SERRA PRESIDENTE! Não vejo a hora!

Evandro
January 4th, 2009, 05:34 AM
Para desemPACar, SERRA PRESIDENTE! Não vejo a hora!

:gaah: :fiddle: :down:

Pesquisadorbsb
January 4th, 2009, 06:09 AM
^^ Acho quando lançarem o trem bala ligando Rio a São Paulo, quando chegar a Copa do Mundo em 2014 ou mesmo a Olimpiada 2016, os trilhos terão a extensão de 100 cm com essa velocidade do emPACa Brasil.

mopc
January 4th, 2009, 11:37 AM
Pra mim só os ecologistas babacas(os não-babacas não entram na conta e são muito importantes) atrasam em 10% o andamento das obras, dai você acrescenta mais 15% do sistema recursal da justiça brasileira(levemente tolerada pelos integrantes do poder judiciário)....pra mim o PAC já tá em 50%. Razoável, hehehehhee

Vc ou alguém pode fornecer fontes indicando que o atraso do PAC se deve parcial ou totalmente a fatores externos ao executivo federal, como ecologistas, ONGs, recursos judiciários, oposição política etc.?

Naipesky
January 4th, 2009, 02:33 PM
^^ Provavelmente não, da mesma forma que não há a menor possibilidade de você afirmar, e muito menos fornecer fontes, de que a morosidade judicial e a atividade ambiental não são responsaveis por atraso nenhum.

O que o dantas falou faz sentido e é verossímil. (Numa escala menor, mais ainda)




-Só cabe corrigir que os "ecologistas não-bacacas" entram na conta sim, tantos como qualquer um capaz de travar a execução das obras. E que não dá para dizer quem é "ecologista-babaca" ou não porque todos, salvo fraudes, buscam os mesmos objetivos. (E para todos eles, esses objetivos são nobres o suficiente para não ser taxados assim). :yes:

Rondon
January 4th, 2009, 05:14 PM
Leiam atentamente :D

UHE Estreito

"Mas, nos últimos dois anos, os desafios estão mais relacionados aos ativistas ambientais do que com problemas de engenharia. Somente neste ano, a obra foi paralisada duas vezes pela Justiça, que concedeu liminar exigindo novos estudos de impacto ambiental, desta vez, em toda a bacia do rio Tocantins, a pedido do Movimento dos Atingidos por Barragens. A Justiça Federal suspendeu as liminares porque considerou a exigência desmedida. "O nosso maior problema tem sido o tempo", explica o engenheiro sênior do Ceste, Oswaldo Ferronato. "Uma obra desse tamanho teria um impacto ambiental em qualquer região do mundo", diz à DINHEIRO o presidente do Ceste, José Renato Ponte. "Mas estamos mitigando esses efeitos. Pode parecer conta de mentiroso, mas eu já participei de 2.355 reuniões individuais só para apresentação dos impactos e o que estamos fazendo para atenuá-los", conta ele."

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/587/artigo119983-1.htm

ESMAwar
January 4th, 2009, 05:52 PM
Chupa Lula !!!

danieldantas
January 5th, 2009, 09:56 PM
Vc ou alguém pode fornecer fontes indicando que o atraso do PAC se deve parcial ou totalmente a fatores externos ao executivo federal, como ecologistas, ONGs, recursos judiciários, oposição política etc.?

^^
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

Leia a matéria das ações judiciais contra o PAC, dobraram em 2008 e só tendem a aumentar em 2009.

Ramos
January 5th, 2009, 10:19 PM
Vc ou alguém pode fornecer fontes indicando que o atraso do PAC se deve parcial ou totalmente a fatores externos ao executivo federal, como ecologistas, ONGs, recursos judiciários, oposição política etc.?




O Estado de S. Paulo - Segunda-Feira, 05 de Janeiro de 2009
Ações judiciais emperram o PAC
Questionamentos contra obras aumentou 702% até setembro de 2008 em relação ao mesmo período de 2007

Renée Pereira

Uma enxurrada de ações judiciais contra obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) pode abalar os planos do governo para combater os efeitos da crise neste ano. Dados da Advocacia-Geral da União (AGU) mostram que o volume de questionamentos avançou 702% de janeiro a setembro de 2008 comparado ao mesmo período de 2007. No total, foram 931 ações, o que representa média mensal de 103,4 ações ante 12,89 até setembro de 2007.

Se o ritmo registrado até setembro manteve-se nos últimos meses, o País deve ter registrado em 2008 mais de 1.200 ações contra as obras de infraestrutura. A expectativa é que os números cresçam ainda mais com a inclusão de novos projetos no PAC, que somará R$ 1,1 trilhão de investimentos até 2010, segundo a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A intenção do governo é usar o PAC turbinado para garantir um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Entre os empreendimentos que vão compor a nova carteira de investimentos estão o trem-bala, concessões rodoviárias, projetos portuários e expansão de ferrovias. Todos eles exibem uma complexa engenharia de construção que pode dar margem a questões na Justiça. Uma delas está associada à desapropriação de terras onde as obras serão instaladas. O trem-bala, por exemplo, cujos investimentos somam US$ 11 bilhões, terá mais de 500 km de extensão e envolve áreas privadas, inclusive em trechos urbanos a serem desapropriados.

Em 2007, esse tipo de disputa representou 47% do total. Em 2008 subiu para 61%. As obras da ferrovia Nova Transnordestina, que somam investimentos de R$ 5,4 bilhões, estão atrasadas em um ano, especialmente por problemas na desapropriação das áreas onde serão instalados trilhos com extensão de 1.728 km nos Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí - responsáveis pela desapropriação das terras.

A construção da Transnordestina, cujo primeiro projeto surgiu na década de 50, está sob responsabilidade da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), do grupo CSN. As obras foram iniciadas em junho de 2006 numa solene cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o presidente Lula afirmou em discurso que o empreendimento seria a "redenção do Nordeste". Mas, de lá pra cá, pouca coisa mudou. O cronograma de conclusão previsto para 2010 já está comprometido.

Outro empreendimento do PAC que sofreu com as disputas judiciais foi a Hidrelétrica de Estreito (584 MW), entre Maranhão e Tocantins. Concedida em 2002 aos grupos Suez, Camargo Corrêa, Vale e Alcoa, a usina deverá iniciar operação em setembro de 2010, depois de superar uma série de desafios.

No total, foram sete ações civis públicas questionando vários pontos do empreendimento, como a licença ambiental e o leilão de concessão realizado há seis anos. Umas das ações reivindicava a realização de um estudo de impacto ambiental que abrangesse as barragens da Hidrelétrica de Lajeado (TO) até Tucuruí (PA), numa distância de cerca de 700 km. Estreito fica no meio das duas usinas.

"Muitas ações se repetem e vão contra a lógica do mercado. Mas elas perdem o sentido quando mostramos como nosso trabalho é sério", afirma o presidente do Consórcio Estreito Energia (Ceste), José Renato Pontes. A cada ação envolvendo obras do PAC, entra em ação um batalhão de técnicos e advogados de órgãos, como agências reguladoras e ministérios, da Procuradoria da República e das empresas para tentar suspender a liminar e evitar que as obras sejam paralisadas.

Prejuízos

Embora a maioria das decisões seja derrubada, a iniciativa muitas vezes interrompe as obras e representa enormes prejuízos para empresas e para o País. Isso tudo ocorre apesar da dificuldade e do tempo para conseguir o licenciamento ambiental dos projetos. No caso de Estreito, a licença prévia foi liberada depois de três anos de análise. O presidente do consórcio pondera, entretanto, que a usina foi concedida com base em regras antigas. Hoje, qualquer usina só pode ser licitada se houver licença prévia liberada, o que facilita o processo.

Mas não só as usinas licitadas que são questionadas judicialmente. Os estudos de viabilidade e os inventários de rios, que determinam onde construir as usinas, também são paralisados por decisões judiciais. Em alguns casos, os técnicos são proibidos até de iniciar os estudos. Liminares impedem até a realização de audiências públicas para explicar os projetos às comunidades.

"Precisamos fazer uma blitz para tornar viável os empreendimentos hidrelétricos no País", diz o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, referindo-se à dificuldade para conseguir levantar esses projetos e à disseminação de usinas movidas a óleo diesel e óleo combustível.

Nos empreendimentos rodoviários, a situação não é diferente. Na BR-101, num trecho localizado em Santa Catarina, os donos de uma lanchonete entraram na Justiça para pedir indenização por danos morais e materiais. Mas o governo conseguiu reverter a situação e as obras continuaram.

A "judicialização" pode elevar o custo das obras em até 2,7% e a demora no licenciamento ambiental em 8,3%, segundo especialistas. Por isso, associações e empresários brigam para diminuir o número de ações judiciais, sem comprometer a sustentabilidade das obras ou passar por cima da legislação.

Em alguns casos, porém, os próprios investidores dão brechas para contestações, como a apresentação de projetos inadequados e briga entre concorrentes no caso de licitações.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090105/not_imp302471,0.php