View Full Version : Por que o porto-alegrense e o gaucho sao "do contra"?


GersonLDN
January 24th, 2009, 11:29 AM
MATERIA DA ZERO HORA DE HOJE:

Por que o porto-alegrense e o gaucho
sao "DO CONTRA"??

O porto-alegrense – e, por extensão, o rio-grandense – tem um travo rançoso contra qualquer novidade. Ou, por outro lado, quando as pessoas se articulam para protestar estão dando provas de amadurecimento político? Cultura discute o espírito de oposição que seria típico do Rio Grande do Sul Autoboicote na cultura Problema crônico ou maturidade democrática.
Qual é o limite do debate?

O ano que passou foi, em Porto Alegre, profícuo em exemplos de uma realidade política da cidade que fica cada vez mais evidente desde o processo de redemocratização. Talvez tenha sido o ano em que a mobilização popular e os debates das questões municipais tenham atingido o seu auge, revelando também uma resistência popular que pouca gente imaginou ter tanta força. Tudo isso, em tese, soaria como música ao ouvido de qualquer bom democrata. Até o momento em que um incômodo efeito colateral começa a ser sentido: a sensação de que as coisas não estão andando por causa justamente do eterno debate. Quem duvida pergunte ao maestro Isaac Karabtchevsky sobre a sensação de ver a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre ensaiando em um lugar emprestado, o Palácio Piratini, e se apresentando em espaços alugados, como o Teatro do Bourbon Country. Tudo porque a a construção de um teatro próprio para a Ospa não sai do papel desde 2002, com adiamentos motivados não pela falta de recursos – como seria normal no Brasil –, mas principalmente pela rejeição de grupos comunitários e movimentos ambientalistas.

– Nunca vi tamanho absurdo como o que acontece em Porto Alegre – desabafou Karabtchevsky, em entrevista a ZH em dezembro. – Vizinhos entram na Justiça tentando impedir a construção de um teatro alegando que “vai prejudicar a entrada de sol”, mutirões são feitos num parque porque um teatro supostamente “vai prejudicar a natureza”... Em todos os lugares do mundo, é frequente haver mutirões contrários, ou seja, para a construção de teatros, e não para impedir que eles sejam erguidos. Porto Alegre é o único lugar que conheci em que se briga para que a cultura não ganhe novos espaços e, assim, não possa avançar.:|
Embora a cultura do debate intenso não esteja restrita a esse nicho, as questões urbanísticas foram as que mais a evidenciaram nos últimos anos. A proposta para revitalizar a área do antigo Estaleiro Só foi rejeitada sem que se aprove uma substituta – a perspectiva é de que permaneça sendo um lamaçal inacessível à população por muitos anos. A discussão sobre o Plano Diretor mobilizou milhares em consultas populares que quase descambaram para agressões físicas e nas quais não se aprovou nem uma única linha de consenso – o Plano segue inalterado e insatisfatório. A revitalização do Cais do Porto é vítima, há anos, da alternância de partidos políticos no poder. O assunto não está mais nem em pauta, tamanha a quantidade de substituições de projetos que jamais são executados. :ohno:Independentemente do mérito de cada um dos debates, de quem tem ou não razão, o resultado é sempre o mesmo e desolador: uma proposta alternativa à que é rejeitada não se apresenta rapidamente. E muitos anos se passam.

Afinal, existe uma “cultura do contra” em Porto Alegre, uma cultura que faz oposição sistemática mesmo que não tenha alternativas a oferecer?

Ruben Oliven, professor titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, autor do importante trabalho A Parte e o Todo, explica:

– O Rio Grande do Sul é um Estado muito politizado e sempre foi politizado de maneira polarizada. Num tempo era entre monarquistas e republicanos, depois foi entre republicanos e federalistas, depois PTB e anti-PTB, PT e anti-PT. Em sendo polarizado, é lógico que boa parte das coisas se politizam. Por um lado, isso não deixa de ser bom. As pessoas discutem, a mídia cobre, as pessoas se envolvem. Melhor do que ser feito de roldão. Mas claro que isso tem um custo.

As origens históricas dessa tendência remeteriam à fundação do Estado. Um conjunto de elementos complexos forjaram o comportamento político gaúcho. Entre ele, estão o bom nível da educação pública do passado e uma tradição de grande interesse das elites pelos espaços públicos – grandes juristas locais não são da esfera cível ou criminal, são constitucionalistas. A formação social, da constituição de pequenas propriedades, também contribuiu.

O período da ditadura militar e a subsequente redemocratização, no entanto, pareceram apontar para um novo rumo de novos movimentos de resistência.

– Porto Alegre é uma das cidades mais mobilizadas, talvez a mais mobilizada do Brasil, do ponto de vista comunitário – afirma o historiador Gunter Axt. – Isso é um dado histórico da cidade. Mesmo na ditadura houve movimentos de estudantes que subiram em árvores para que elas não fossem derrubadas, teve o movimento contra a Borregaard, tudo isso num período de compressão de liberdade civis.

As tradicionais politização e polarização do Estado e a redemocratização em nível nacional se associaram a um contexto internacional para formar uma mistura explosiva e fundadora das novas organizações sociais – menores, comunitárias e focadas em questões específicas. O professor de História da Unisinos Cláudio Pereira Elmir, autor do estudo Porto Alegre: a Perdida Cidade Una, explica qual é esse contexto:

– Há a fragmentação das lutas, como não se vê mais a perspectiva da profunda transformação social. As pessoas se envolvem em lutas específicas, aparentemente menores, embora não se possa dizer que são menores. Continua tendo uma questão ideológica e política envolvida, mas há um direcionamento da luta política para cantos mais restritos.

Elmir levanta um questionamento e uma hipótese, no caso da Capital:

– Não sei se isso é uma coisa específica de Porto Alegre. Mas o período de governo do Partido dos Trabalhadores, que foi um período longo e com muito investimento na participação mais direta, através do Orçamento Participativo, talvez tenha criado uma cultura no município.

Indícios de que se trata de um fenômeno recente existem, afirma o pesquisador:

– Durante a construção da Terceira Perimetral, houve muita intervenção e desapropriação, e não me lembro de ter havido tanta mobilização.

Há quem veja ares de um certo autoboicote proveniente da radicalização da cultura do “do contra”. Não tanto no jogo político, mas principalmente na esfera artística. Nos anos 80, ficou famosa no Estado a metáfora do balde de caranguejos: quando um tentava sair dele – o que na vida real correspondia a um artista fazer sucesso ou ganhar um reconhecimento além-província –, outro caranguejo logo o puxava para dentro novamente. Eram os colegas locais inconformados com o sucesso alheio.

– Acho que isso já foi pior. Mas não é um fenômeno gaúcho – arrisca o músico Arthur de Faria. – Em Pernambuco, eles contam exatamente a mesma história dos caranguejos. Existe a sensação, em relação à Bahia, de que os baianos se ajudam e por isso alcançam tanto sucesso na música. Acho que é uma fantasia nacional. Mesmo em Salvador a gente vê que isso é uma falácia.

O jornalista e crítico musical Juarez Fonseca vê na competição permanente e no autoboicote um problema grave para a cultura local, desde os tempos em que Elis Regina foi linchada moralmente por deixar o Estado e adotar o “carioquês”. O problema, diz ele, é o mínimo interesse na integração entre os artistas:

– Na Bahia, o Caetano até hoje fica puxando os novos artistas para o sucesso nacional. Promovem uns aos outros. Aqui, é muito difícil imaginar um Doces Bárbaros, por exemplo. Uma vez tentei fazer uma versão local do Crosby, Stills, Nash & Young, convidei Vitor Ramil, Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro e Bebeto Alves. A ideia era misturar repertório, mas o projeto morreu na mesma noite em que apresentei.

Diagnosticado o estado do paciente, surge então um consenso na avaliação do quadro médico. Para historiadores e cientistas sociais, a existência da disputa feroz e da oposição sistemática refletiria na verdade um amadurecimento político e um avanço democrático.

– Eu vejo como algo extremamente positivo quando uma sociedade é mobilizada em torno de grupos de interesse. Isso é um pilar de sustentação de uma sociedade democrática – afirma Gunter Axt. – Quando Roberto Da Matta escreveu Carnavais, Malandros e Heróis, isso era o que justamente ele dizia que não existia no Brasil. Ele comparava com a sociedade norte-americana, para mostrar como eles eram mobilizados e democráticos. A década de 80, que se chama de perdida na economia, foi de grande transformação institucional. Revelou que o Brasil se organizava em grupos com foco. Não era partido político, mas grupos de interesses organizados com foco. Aqui na França tem pelo menos uma manifestação por dia – exemplifica Gunter Axt, que vive temporariamente na Europa.

Usar o desenvolvimento como discurso para suprimir instâncias democráticas não é exatamente um prática nova. Ruben Oliven exemplifica:

– Não dá para fazer as coisas atropelando como um trator. Já tivemos isso no período ditatorial, com obras faraônicas que nem por isso eram boas.

Frequente na discussão sobre o desenvolvimento de cidades, a comparação de Porto Alegre com cidades como São Paulo, uma referência em dinamismo e empreendedorismo, em que túneis e metrôs são construídos do dia para a noite, pode, na verdade ser ilusória.

– São Paulo carece de uma sociedade civil mais organizada e de um debate público mais consistente. É uma cidade enorme, de grande dinamismo urbano. Mas não teria sido melhor, em determinados momentos, repensar a exploração imobiliária da cidade? A cidade precisava há muito tempo de metrô e hoje tem apenas três linhas para 20 milhões de pessoas – pondera Axt.

Charles Monteiro, professor-adjunto de História da PUCRS, autor de Porto Alegre e suas Escritas, também relativiza a comparação.

– Parece que o Rio Grande do Sul está sempre na contramão da história. Na verdade, não está – sublinha. – Às vezes, em algumas áreas e lugares onde a capacidade de investimento não é igual, como São Paulo e Rio, a coisa fica mais evidente. Em São Paulo há uma capacidade enorme da iniciativa privada de fazer as coisas funcionarem. E daí ela banca.

Poucas atitudes de um governante deram tanta margem para debate quanto a que o prefeito José Fogaça tomou ao vetar o projeto do Pontal do Estaleiro, aprovado anteriormente pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Principalmente pela explicação: o prefeito acreditava que talvez um plebiscito fosse a melhor maneira de resolver uma questão que tanta polêmica estava levantando. Qual é, afinal, o limite do debate popular, em que começa a responsabilidade técnica do governante?:|
– Não se pode fazer plebiscito a cada vez que se troca um cano – afirma Ruben Oliven. – É preciso considerar várias possibilidades e depois tomar uma decisão. Vai ter grupo contrariado, mas ele precisa ser ouvido para saber se é algo grave. Não vejo como incompatível, “ou faz autoritariamente ou não faz”. Já passamos esse período.

O limite, frequentemente ignorado em Porto Alegre, para Gunter Axt, é claro:

– O que não pode acontecer é um governo se transformar em refém de qualquer minoria organizada que grite mais alto. :| Se um determinado projeto pode estar ofendendo uma minoria, pode também estar beneficiando um número muito grande. No caso da Ospa, é perfeitamente legítimo que uma associação de moradores não queira ter um teatro do seu lado. Porém, é lamentável que não existam instrumentos na sociedade para mostrar o profundo equívoco dessa associação de moradores.

Quando o debate ganha contornos ideológicos, não mais práticos e específicos, com partidos insuflando pessoas por motivos políticos em questões triviais da cidade, resta ao governante preservar a democracia por outro viés.

– Se as pessoas não estão dispostas a entrar num debate racional, cabe ao governo a posição que seja em benefício da cidade e não ficar paralisado diante da pressão. É antidemocrático o governo se tornar refém de uma minoria gritalhona – afirma Axt.

A ideologização, no entanto, seria um problema cada vez menos comum no novo contexto de fim das grandes causas políticas. Para o historiador Cláudio Elmir, não há mais posição política por trás das ações.

– A gente vê uma acomodação da luta política. Os partidos políticos não são ideologicamente muito marcados. As coisas se fazem mais de maneira pragmática. Se existem essas dualidades, não diria que elas estão marcadas ideologicamente. Hoje está no governo de Porto Alegre uma coalizão que poderíamos chamar de centro-direita. Pensando na hipótese de o PT ainda estar no governo municipal, iria tentar barrar o Pontal do Estaleiro? Não sei. Depende da posição circunstancial que os partidos estão ocupando. As ideologias e concepções dos partidos são utilizadas de acordo com as circunstâncias.

gabriel.brust@zerohora.com.br

GABRIEL BRUST




:)

Tamarindo Cobra
January 25th, 2009, 01:56 AM
Os tribunais do RS tem fama por serem bastante inovadores e se anteciparem em dicisões difíceis para a sociedade.

Isso é só um exemplo, mas é tudo relativo.

portoimagem-II
January 25th, 2009, 03:45 AM
É TRIste ser a Capital da Resistência !

PeterPOA
January 25th, 2009, 02:54 PM
Nao acho que sejamos do contra! heheheh

Calvin Porto
January 26th, 2009, 02:50 AM
....do contra, somos mais contundentes e firmes nos nossos comentarios, mas certamente temos muitos cabeças dura no RS, mas isso não e exclusividade nossa, eles estão espalhados mundo afora. Como amamos e queremos demais aquilo que desejamos preservar acabamos sendo mais enfaticos.
O gaucho preserva mais suas tradições e parece ser mais orgulhoso e bairrista que os outros brasileiros, mas não existe bairrismo maior do que um carioca, por exemplo, enaltecendo as belezas do RJ. O RJ e bonito, mas muito menos do que acreditam ser os nossos irmãos cariocas. Os baianos juram que Porto Seguro e a oitava maravilha do mundo e os pernambucanos acreditam que Recife e o centro do mundo....porque tb. não podemos ter nossos delirios...pergunto.

PeterPOA
January 28th, 2009, 12:33 PM
^^ pra mim o Rio eh a cidade mais linda do mundo (das que eu conheco, e claro)... isso eh muito pessoal... mas Porto Seguro nao tem nada de bonito, pra mim...

fabrodpoa
January 28th, 2009, 02:52 PM
Ao meu ver a matéria do Zero Hora está mais que perfeita.

FlicK
January 28th, 2009, 06:10 PM
Este texto emociona de tão sensato que é. Uma coisa difícil em Porto Alegre, ainda mais vindo da imprensa parcial local.

Uma coisa é certa: nunca (e repito, NUNCA!) veríamos um texto destes em um jornaleco do estilo 'Correio Universal'. Ops, quis dizer CORREIO DO POVO. :runaway:

FlicK
January 28th, 2009, 06:13 PM
Os tribunais do RS tem fama por serem bastante inovadores e se anteciparem em dicisões difíceis para a sociedade.

Isso é só um exemplo, mas é tudo relativo.

Saiu estes dias uma notícia bastante interessante sobre o que tu citaste. Um casal de gays adotou uma criança juntos. Geralmente um dos dois adota e ela fica como se tivesse um único pai e mãe desconhecida, mas no caso específico, os dois serão pais (novidade para o Brasil!). Ela terá documentos exclusivos (Certidão de Nascimento, RG, por exemplo), onde a palavra 'mãe' será retirada e terá apenas a palavra 'pais' acompanhada do nome dos dois. Na parte dos avôs será o mesmo: não terá avôes maternos, nem paternos. Apenas 'avôs'.

A justiça ainda não decidiu como serão alguns outros documentos, mas uma coisa é certa: a criança terá legalmente dos pais e nenhuma mãe.

O gaúcho, tão conservador que é, às vezes está na vanguarda nacional.

Mas o caso do casal que tá tentando na justiça se casar no civil ainda não teve sucesso. Ao menos não está sendo tratado como um processo banal.

Truta_RP
February 16th, 2009, 06:37 PM
coitada da criança que num vai te mãe:ohno:

Gui_Poa
February 16th, 2009, 07:01 PM
^^

o.0



Muito bom esse texto.

E realmente, uma boa parte do povo gaucho é cabeça dura, da vontade de mandar tudo tomar no meio do grande e fedorento * deles.

FlicK
February 16th, 2009, 09:32 PM
coitada da criança que num vai te mãe:ohno:

Palavra de um psicólogo, ou psicopedagogo, ou de apenas uma criança educada a enxergar a normalidade como a imagem de uma família feliz, bonita e fortalecida pelos laços familiares atrás de uma casa charmosa de cerquinhas brancas? :|

O normal é não ser normal. Este é o fato. Cada família é diferente e há muitas famílias onde a figura masculina e a feminina, embora presentes, não façam diferenças. A pluralidade das tipologias de famílias contemporâneas cada vez mais derruba aquele esteriótipo arcaico da dupla de animais reprodutores que criam um filhote até ele ser forte e saber caçar sozinho.

Para educar uma criança não precisa partir para a imagem dita 'normal', de mãe e pai, mas sim para um conjunto de ações dos educadores a fim de dar á criança melhores condições de sustentabilidade no futuro. Segundo a psicopedagogia, o que importa é ter alguém flexível, acolhedor, e outro rígido, educador. Erroneamente definidos como mãe e pai, respecitvamente, embora haja casos em que os papéis são trocados. Investir somente na figura da família composta por pai, mãe e filho é investir no preconceito contra as famílias que diferem desta tipologia. É dizer que é anormal uma família sem mãe, sem pai, ou sem filhos. É excluir do seleto grupo de famílias normais uma boa parte das instituições familiares existentes no país.

Uma criança só crescerá feliz, saudável e segura em um lar cujo equilíbrio entre os dois lados existe. Não importa se são duas xerecas ou dois pintos no comando, o que importa é dar à criança perfeitas condições de educação. Uma família contemporânea não é uma mera linhagem de pessoas interligadas por sangue, mas sim um grupo de pessoas que se amam e se sustentam juntas. Uma família é criada através do amor mútuo entre os membros. criada através do companheirismo, das emoções. E não por meros documentos ou biotipos.

Quantas famílias sem pai, mãe, ou com figuras maternas ou paternas ausentes, violentas, ou inadequadas? Por que proibir que dois caras - ou duas mulheres - não possam criar uma criança de forma saudável somente pelo fato de ambos terem os mesmos órgãos sexuais? O que um pênis ou uma vagina dos educadores sifnificarão para uma criança no que diz respeito à criação?

O futuro próximo será bem mais tolerável, mesmo assim esta criança sofrerá por ser de uma família diferente. Mas desde pequena ela saberá que as diferenças são normais, e que todos, independente de cor, raça, ou crença, são humanos e devem ser aceitos na sociedade. Com certeza será uma criança que, por viver desde pequena em um meio menos homofóbico, crescerá sabendo tolerar e aceitas as diferenças.

Não vejo nada de negativo. Pode ter certeza que ela será muito bem amada pelos dois, e a figura materna não passa de uma imagem criada. Mãe, acolhedora, como função, pode não necessariamente ter uma vagina. Um casal gay pode amar uma criança e a educar da forma correta como um casal hétero, ou até mais! O relacionamento afetivo entre gays será mais fixo e fortalecido quando a instituição família composta por educadores do mesmo sexo for aceita. Será o equilíbrio entre as condições sexuais.

Enquanto existir estas represálias em relação ás famílias cujos educadores são gays, haverá preconceito, não só sexual, mas também familiar. Uma família pode ser forte e feliz sem a necessidade de possuir a imagem dita normal. :okay:

gaucho
February 16th, 2009, 09:40 PM
coitada da criança que num vai te mãe:ohno:


Coitada da criança que não vai ter ninguém...

Truta_RP
February 16th, 2009, 10:20 PM
Palavra de um psicólogo, ou psicopedagogo, ou de apenas uma criança educada a enxergar a normalidade como a imagem de uma família feliz, bonita e fortalecida pelos laços familiares atrás de uma casa charmosa de cerquinhas brancas? :|



primeio eu vo te confessa q eu não tive disposição pra le tudu ^^
e segundo,eu não sou um psicologo,ou psicopedagogo e nem uma criança,sou simplesmente uma pessoa normal,e axo sim q a presença de uma mãe e de um pai é mto importante e ponto.:)

Truta_RP
February 16th, 2009, 10:24 PM
Coitada da criança que não vai ter ninguém...

ah,sei lah...

Brazil_Gold Coast
February 17th, 2009, 07:37 AM
primeio eu vo te confessa q eu não tive disposição pra le tudu ^^
e segundo,eu não sou um psicologo,ou psicopedagogo e nem uma criança,sou simplesmente uma pessoa normal,e axo sim q a presença de uma mãe e de um pai é mto importante e ponto.:)

E por que isso exatamente? Tu ainda ves a figura do pai como os esteriotipo masculino e a da mae o de esteriotipo feminino, com o pai trabalhando e a mae cuidando da familia?
O valor de "familia" de hoje em dia esta mudado meu amigo. Mais de 50% dos filhos terao um pai e uma mae divorciados, muitos tem uma familia onde os dois trabalham, ou entao onde a mae eh que esta trazendo a renda principal. Pais estao morando sozinhos. Familia como a nossa terminou em 1980. Hoje o mundo esta diferente e o que realmente importa para uma crianca eh ter o amor de quem for seu pai/mae/pais/maes, e ser criado para a vida! Ou tu achas que pelo simples fato de nao serem um casal de homem x mulher, a crianca nao tera uma formacao tao boa quanto a de um casal hetero? Estamos em 2009 meu amigo, nao em 1970.

Truta_RP
February 17th, 2009, 05:02 PM
E por que isso exatamente? Tu ainda ves a figura do pai como os esteriotipo masculino e a da mae o de esteriotipo feminino, com o pai trabalhando e a mae cuidando da familia?
O valor de "familia" de hoje em dia esta mudado meu amigo. Mais de 50% dos filhos terao um pai e uma mae divorciados, muitos tem uma familia onde os dois trabalham, ou entao onde a mae eh que esta trazendo a renda principal. Pais estao morando sozinhos. Familia como a nossa terminou em 1980. Hoje o mundo esta diferente e o que realmente importa para uma crianca eh ter o amor de quem for seu pai/mae/pais/maes, e ser criado para a vida! Ou tu achas que pelo simples fato de nao serem um casal de homem x mulher, a crianca nao tera uma formacao tao boa quanto a de um casal hetero? Estamos em 2009 meu amigo, nao em 1970.

meu filho,só pra começar,eu tenho pais separados e moro com a minha mãe:okay:.mas isso não importa,o q eu disse foi q eu axo importante uma criança te uma pai e uma mãe(e homem nenhum pode substituir uma mãe).quem se sentir ofendido,me desculpe msm,mas essa é a minha opinião(e nada vai muda-la.:)

Gui_Poa
February 17th, 2009, 06:08 PM
vai da peleia aqui.

Truta_RP
February 17th, 2009, 06:20 PM
num sei o q q é peleia,mas deve se confusão néh
mas pq vai da peleia ??

FlicK
February 17th, 2009, 06:25 PM
primeio eu vo te confessa q eu não tive disposição pra le tudu ^^
e segundo,eu não sou um psicologo,ou psicopedagogo e nem uma criança,sou simplesmente uma pessoa normal,e axo sim q a presença de uma mãe e de um pai é mto importante e ponto.:)

Dá para ler tudo em menos de dois minutos. Uma boa leitura já ajudaria na não-alimentação dos preconceitos familiares. Ou seja, lendo o que eu escrevi, embora um texto rápido e pouco aprofundado, a tua ignorância seria minimizada.

Para que quotar um post que tu nem ao menos se deu o trabalho de ler?

Truta_RP
February 17th, 2009, 06:43 PM
Dá para ler tudo em menos de dois minutos. Uma boa leitura já ajudaria na não-alimentação dos preconceitos familiares. Ou seja, lendo o que eu escrevi, embora um texto rápido e pouco aprofundado, a tua ignorância seria minimizada.

Para que quotar um post que tu nem ao menos se deu o trabalho de ler?

dps eu li tudo:)

o que vc chama de ignorancia,é um ponto de vista(considerado sensato pela maioria)e q deve ser respeitado.

FlicK
February 17th, 2009, 06:51 PM
meu filho,só pra começar,eu tenho pais separados e moro com a minha mãe:okay:.mas isso não importa,o q eu disse foi q eu axo importante uma criança te uma pai e uma mãe(e homem nenhum pode substituir uma mãe).quem se sentir ofendido,me desculpe msm,mas essa é a minha opinião(e nada vai muda-la.:)

Meu tio foi adotado pela minha avó. Ela, biologicamente, é apenas uma criadora. Ele nunca terá uma mãe. Nunca será "completo", então.

A figura materna, que dá a luz ao filho e o amamenta e o cria para a vida hoje, em 2009, é apenas figurativa. Mãe, hoje, é apenas uma definição para alguém que acolhe, cria, educa. Seria basicamente a figura acolhedora existente para equilibrar a figura rígida e pouco flexível de um pai. Ambos, pai e mãe, são imagens. Uma mãe pode na criação desempenhar o papel de um pai. E vice-e-versa. Assim como pode não ter uma mãe, ou não ter um pai.

Hoje em dia sabe-se que não é necessário uma figura feminina e uma masculina para a criação de uma criança. Basta o equilíbrio entre os dois educadores, ou o papel duplo desempenhado por um único educador, como um pai que cria um filho após a morte da mãe.

Claro que nós, acredito eu, fomos criados por uma mãe biológica, que nos acolhe sempre e sempre foi a figura feminina de proteção. Mas uma criança que ainda não desenvolveu seu cérebro não tem esta forma de pensar e relacionar as figuras femininas e masculinas, ela pode enxergar em um casal gay ambas as figuras: a protetora, acolhedora, e a rígida e ordenadora.

Como dizer que esta criança vai sofrer por não ter uma mãe fêmea, se ela não será educada para enxergar as figuras paternas e maternas do forma como nós fomos criados?

A instituição FAMÍLIA não é mais a mesma. É plural. Uma família composta por membros que fogem da 'normalidade' pode ser feliz. Inclusive mais feliz que as famílias compostas por pai, mãe e filho.

Ter uma visão estereotipada e limitada do que significa família é ignorância.

No teu caso a figura materna, acolhedora, é muito forte. Tu foi criado para ver nela uma força maior do que tudo na questão afetiva. Ela pode desempenhar o papel de mãe e de pai. Mas tu não pode considerar a normalidade aquilo que tu vive e viveu. Há diferentes formas de se criar um filho, há diferentes famílias.

Não vou dizer que 'coitado de ti por não viver com o pai', pois não conheço a tua situação. Eu vivi com meu pai, que me educou e foi fundamental para a construção da minha pessoa de hoje. Eu vivi uma vida que não posso simplesmente considerar a adequada e normal, pois sei que o normal hoje é ser diferente.

Gui_Poa
February 17th, 2009, 07:03 PM
num sei o q q é peleia,mas deve se confusão néh
mas pq vai da peleia ??
O pessoal aqui começa a discutir facil.

A maneira que tu escreveu pode não parecer preconceituosa pra ti, mas para alguns...

Truta_RP
February 17th, 2009, 07:04 PM
eu n sei o pq dessa conversa se vc n vai mudar minha opinião e nem eu a sua.

obs:o fato deu n morar com o meu pai(atualmente)n signifika q ele n esteje sempre presente(pois esta).

to:flick

FlicK
February 17th, 2009, 07:06 PM
dps eu li tudo:)

o que vc chama de ignorancia,é um ponto de vista(considerado sensato pela maioria)e q deve ser respeitado.

O que eu chamo de ignorância é um ponto de vista imutável, definido pela falta de conhecimento de outras formas de se pensar e de enxergar a vida. Ou seja, tal aparente sensatez é nada além do que um desconhecimento do diferente e uma pré-conceituação do que significa pedagogia. Literalmente uma ignorância.

A forma como a maioria trata questões cotidianas deve ser avaliada como uma forma geral de se enxergar a vida e o ser humano. Esta forma dita normal é nada mais do que um estereótipo criado para a defesa de uma linha de raciocínio que diretamente ofende o que difere dela.

Em outras palavras, respeito a forma como cada um enxerga a vida, desde que esta forma não seja ofensiva e prejudicial à outras formas de também se enxergar a vida.

Não resumo uma família do século XXI uma mera ligação biológica entre duas figuras superiores, masculina e femina, seguida por figuras de sexos aleatórios submissas às primeiras, resultado de um coito entre elas. A família contemporânea para mim vai além do sangue: é EMOÇÃO!

Dois irmãos sozinhos podem formar uma família e criar uma criança. Amigos podem formar uma família e criar uma criança. Um casal gay e seus filhos podem formar uma família. E serem NORMAIS.

Há muitas famílias cuja formação é dita normal e que educam mal os seus filhos, não dão amor e não criam um ambiente familiar saudável, enquanto há casais gays que podem dar a uma criança a chance de viver em paz, harmonia, felicidade, segurança.

Generalizando, pais que adotam um filho passam a amar mais que pais que o coseguem por motivos biológicos. E estes primeiros podem dar condições satisfatórias a esta criança, enquanto os outros podem não dar.

Não é preciso ter um casal com vagina e pênis para que uma criança cresça feliz, saudável, protegida e AMADA.

Preconceito pensar que em pleno século XXI uma criança seria infeliz ou incompleta por não ter uma figura feminina ou masculina. Preconceito é ignorância. Acho que assim respondo o teu post.

FlicK
February 17th, 2009, 07:16 PM
eu n sei o pq dessa conversa se vc n vai mudar minha opinião e nem eu a sua.

obs:o fato deu n morar com o meu pai(atualmente)n signifika q ele n esteje sempre presente(pois esta).

to:flick

Seria como se eu te definisse um infeliz por ter uma família que não satisfaça as características que a sensata maioria da população reconhece, e por isso respeitar mais esta maioria, te considerando uma pessoa cuja família é anormal. Entende?

É a mesma forma de se conceituar uma família. Ou pré-conceituar, visto que não conheço a forma como se interagem os membros da tua família, que devido à separação se tornou uma 'anormalidade'.

A minha família é composta por pais que se amam, filhos que se amam entre si e respeitam e amam seus pais, seguida de parentes outros que alimentam os laços familiares e o amor entre todos os membros. Ou seja, segundo a sensata maioria, e segundo a tua própria opinião, a minha família é normal e a tua não.

Eu não considero esta opinião geral mais relevante que a pluralidade contemporânea das famílias. Enquanto esta opinião geral for por senso popular mais importante, as insituições familiares que diferem deste estereótipo serão desconhecidas, desprezadas ou negativadas.

Da mesma forma que tu considera anormal e pouco saudável um filho crescer sem a figura materna, ou paterna, eu posso considerar anormal e pouco saudável alguém crescer em uma família cujos pais são divorciados. Isto porque cresci em uma família dita normal e esta é, segundo o teu senso, a mais valiosa. Não penso assim. Reconheço a pluralidade familiar contemporânea e vejo valor em qualquer família que possa, independente de cor, raça e sexo, dar a uma criança as perfeitas condioções de educação, amor e proteção.

Embora eu possa não mudar a tua opinião, não abro mão de a considerar uma ignorância.

Outra pergunta: tu é gay? Isto conta bastante na discussão. :)

FlicK
February 17th, 2009, 07:17 PM
num sei o q q é peleia,mas deve se confusão néh
mas pq vai da peleia ??

Digamos que este forum é 'mente aberta' demais e uma opinião preconceituosa sempre gera discussões intermináveis. :okay:

Truta_RP
February 17th, 2009, 07:27 PM
Não.E axo q ignorante é a sua maneira de pensa,pois um casal se separar não é considerada uma anormalidade,agora ja esse seu modo todo ''liberal'' de pensar...do msm jeito q vc axa q é ofensivo as pessoas considerarem uma familia com pai e mae normal e o resto anormal,é ofensivo vc considerar ignorantes quem tem a visão tradicional da familia(ou seja,normal néh).

FlicK
February 17th, 2009, 08:08 PM
:sleepy:

Não.

Fiz a pergunta por curiosidade. Geralmente gays enxergam a figura materna de uma forma mais impactante que os héteros, visto que a falta de interesse deles por mulheres justifica o espaço que a mãe, mulher, ocupa no seu 'coração'.

Para mim, minha mãe é tudo, a amo acima de tudo, de forma extrema e até doentia. sempre falo para ela que a amo tanto que não há espaço na minha vida para outra mulher. :D

Embora eu esteja brincando, esta é a realidade, por isso a pergunta, ok?

E axo q ignorante é a sua maneira de pensa,pois um casal se separar não é considerada uma anormalidade,agora ja esse seu modo todo ''liberal'' de pensar...

Este modo todo liberal que tenho de pensar é fruto de uma condição a qual sou submetido diarimanete: avaliar e reconhecer as diferenças entre as pessoas, entre as famílias e entre as opiniões. Se é ou não anormal reconhecer que há diferentes formas de se interpretar a vida e assim reconhecer valor em situações desprezadas pela maioria, não interessa. O que importa é admitir a pluralidade humana [e familiar] e emitir uma opinião a respeito somente quando for esta conceituada, e não um mero testemunho dos estereótipos criados durante a nossa vida.

As pessoas são diferentes. As famílias são diferentes. E todos podem ser felizes, saudáveis, seguros e amados, independente das diferenças.

A parte em que tu critica a forma como eu me direciono em relação aos casais separados mostra que boa interpretação é algo que passa longe de ti. Apenas fiz antes comparações deixando claro que considero normal uma família com pais separados. Desde o primeiro post que critiquei o teu preconceito, mostrei que é normal ser diferente, e não considero ruim ou uma aberração uma família cujos pais são divorciados.

Leia novamente os meus posts e veja o quanto tu erraste ao criticar a minha posição. Sempre estive defendendo a insituição FAMÍLIA, seja ela formada por casais gays, com ou sem filhos, por casais separados, por isto ou por aquilo. Família vai além dos estereótipos, é amor. ;)

Para a sensata sociedade, um casal separado é sim uma anormalidade que fere o estereótipo pai, mãe e filhos. Pode ser tolerável, mas ainda é visto como uma diferença da normalidade. Apenas comparei que esta sensata sociedade a qual tu diz que deve ser respeitada enxerga a tua família como uma instituição inferior à minha. Entende?

Isto que discordo.

do msm jeito q vc axa q é ofensivo as pessoas considerarem uma familia com pai e mae normal e o resto anormal,é ofensivo vc considerar ignorantes quem tem a visão tradicional da familia(ou seja,normal néh).

Primeiro, vamos resgatar o significado do termo 'ignorância'. Significa ele 'desconhecimento', e não uma ofensa. Falar que infeliz é uma criança que crescerá sem uma figura feminina a qual chamrá de mãe é um desconhecimento. Ou seja, uma ignorância.

Achei que aquele meu post iria te responder. Agora tenho dúvidas se tu leste ele, ou ao menos soube o interpretar. Acho que não.

Truta_RP
February 17th, 2009, 08:23 PM
:sleepy:



Fiz a pergunta por curiosidade. Geralmente gays enxergam a figura materna de uma forma mais impactante que os héteros, visto que a falta de interesse deles por mulheres justifica o espaço que a mãe, mulher, ocupa no seu 'coração'.

Para mim, minha mãe é tudo, a amo acima de tudo, de forma extrema e até doentia. sempre falo para ela que a amo tanto que não há espaço na minha vida para outra mulher. :D

Embora eu esteja brincando, esta é a realidade, por isso a pergunta, ok?




ok,mas eu so disse coitada da criança q n vai te MÃE,pq na reportagem falava''dois gays vão adotar uma criança e blablabla'',se na reportagem disesse ''duas gays vão adotar e blablabla''e diria,coitada da criança q não vai ter pai,saco?

agora sobre o resto todo,NÃO adianta,um casal deve ser formado acima de tudo por um homem e uma mulher e acabo.:okay:

FlicK
February 17th, 2009, 08:37 PM
^^ Esta tua última frase é que é preconceito e ignorância. Aceite a crítica. :)

Truta_RP
February 17th, 2009, 08:50 PM
^^ Esta tua última frase é que é preconceito e ignorância. Aceite a crítica. :)

:dunno::angel:

Tourniquet
February 19th, 2009, 03:08 AM
Os baianos juram que Porto Seguro e a oitava maravilha do mundo ...

é... vc está um tanto equivocado quanto a isso. hehehehe


Bem, na minha opinião isso não deixa de ter um lado positivo. Nota-se que existe uma certa ( e forte ) integração entre o povo de Porto Alegre e também uma participação ativa, mesmo que forçada, do povo nas decisões políticas da cidade. Há também o lado negativo disso, principalmente quando se pensa no nível de educação que o nosso país oferece para a maioria, mas não deixa de ser intressante, e até bonito, esse sentimento de integração e unidade rio-grandense do sul.