View Full Version : Coimbra | Penitenciária


daniel322
February 2nd, 2009, 12:22 AM
Colégio de Nossa Senhora da Conceição, de Tomar ou de Cristo

http://lh3.ggpht.com/_FWw2-dpB4oM/SDF00XR4eGI/AAAAAAAABnw/My51eJLUg3s/Untitled-18.jpg

Estabelecido em 1566 para a Ordem de Cristo. Inicialmente instalados no Colégio de São Jerónimo, os monges-estudantes decidem instalar-se "nuns cerrados" fora de portas. Extinto em 1834, passa por muitas peripécias até ser demolido para se fazer a Penitenciária de Coimbra.

Colégio da Conceição onde hoje é a Penitenciária; são reconhecíveis no centro da foto o Aqueduto de São Sebastião e as estufas do Jardim Botânico .

Cadeia Penitenciária de Coimbra / Estabelecimento Prisional Central de Coimbra e Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra

Este edifício é já um monumento da cidade de Coimbra que deveria a todo o custo ser preservado, não só pela sua imagem e simbologia perante a cidade mas também por motivos arquitectónicos e históricos.. sobre este último capítulo encontram-se informações aqui (http://micporcoimbra.blogspot.com/2006/07/penitenciria-de-coimbra-ficha-de.html)

a cadeia e os seus velhos muros
http://i281.photobucket.com/albums/kk228/WallpaperCoimbra/Topicos/Coimbra/Digitalizar0038-2.jpg

um dos pátios interiores
http://i281.photobucket.com/albums/kk228/WallpaperCoimbra/Topicos/Coimbra/Digitalizar0038.jpg

e, o que considero mais importante, o centro do panóptico, uma estrutura imponente toda em ferro, que se ergue sob a cúpula cental.. chamam-lhe a aranha, se não estou em erro..
http://i281.photobucket.com/albums/kk228/WallpaperCoimbra/Topicos/Coimbra/Digitalizar0038-1.jpg

vista geral actualmente
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Penitenciária de Coimbra: Ficha de classificação da DGEMN

http://photos1.blogger.com/blogger/117/3065/1600/Penitenci%3F%3FriaCoimbra.jpg

Ficha de classificação, existente na base de dados da DGEMN (www.monumentos.pt). A ficha original, disponibilizada por Fernando Moreira, tem dados históricos, arquitectónicos, de enquadramento legal urbanístico e das zonas de protecção em que o edifício está integrado, para além de bibliografia de interesse e fotos.

Cadeia Penitenciária de Coimbra / Estabelecimento Prisional Central de Coimbra e Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra

IPA
Monumento

Nº IPA
PT020603250123

Designação
Cadeia Penitenciária de Coimbra / Estabelecimento Prisional Central de Coimbra e Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra

Localização
Coimbra, Coimbra, Sé Nova

Acesso
R. de Infantaria Vinte e Três / Pr. João Paulo II

Protecção
Incluído parcialmente na zona de protecção ao Aqueduto de São Sebastião (v. PT020603250017) e na zona de protecção ao Parque de Santa Cruz / Jardim da Sereia (v. PT020603250032) *

Enquadramento
Urbano. O conjunto de edifícios implanta-se em ponto de cota dominante, a E. do centro histórico de Coimbra e da Cidade Universitária, no chamado "Bairro de Sant'Ana". Ocupa a parte maior de um quarteirão delimitado pelas ruas de Tomar (a NO. e N.) e de Pedro Monteiro (a E.), pelo Lg. de Sant'Ana e pela R. de Infantaria Vinte e Três (a S. e O.). O referido bairro, de raiz oitocentista e ruas de traçado regular, circunda o quarteirão pelos lados E. e S., sendo pontuado, neste quadrante, pela importante estrutura do Antigo Convento de Sant'Ana, actual Quartel General da Região Militar do Centro (v. PT020603250149), cuja fachada principal confronta com o portão de acesso ao estabelecimento prisional central. A O. localizam-se, a cota inferior, os espaços verdes da Alameda Doutor Júlio Henriques e, para lá desta, do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra; a NO., a malha urbana consolidada de habitação erguida em redor da Pr. da República; e a N., o Parque de Santa Cruz ou Jardim da Sereia. Este quarteirão é seccionado, no sentido NO.-SE., por um troço do Aqueduto de São Sebastião (v. PT020603250017), cujo arco do mesmo nome marca o vértice O. da propriedade, confinante com a Pr. João Paulo II; a S. desta obra de engenharia hidráulica, que no troço em causa se apresenta em muro portante e contínuo e constitui a linha de limite S. da parcela afecta ao estabelecimento prisional, localiza-se a Casa Museu Bissaya Barreto (v. PT020603250145)

Descrição
Conjunto instalado em propriedade de contorno irregular, de dimensão dominante SO.-NE. e apresentando, nestes pontos cardiais, extremidades em ângulo agudo de sentido inverso. É integralmente delimitado, no seu perímetro exterior, por muro alto, ameiado na face exterior e pontuado por 6 torres de vigilância (complementadas por outras 5 torres localizadas em pontos-chave do perímetro interior de segurança), e formado por dois estabelecimentos prisionais - o central, funcionando na antiga Penitenciária de Coimbra, e o regional, instalado em pavilhões pré-fabricados erguidos na plataforma inferior, em antigas parcelas de cultivo daquela instituição. O Estabelecimento Prisional Central divide-se, por sua vez, em 9 edifícios, corpos e anexos. O acesso principal ao complexo processa-se através do corpo das antigas casas de função, com logradouro ajardinado aberto por portão sobre a R. de Infantaria Vinte e Três. Este edifício tem volume e alçados simétricos, 2 pavimentos e uma planta cujo eixo transversal corresponde à portaria e acesso automóvel ao logradouro a norte e, através deste, à zona prisional. Tal logradouro é definido, nos seus lados maiores, pela fachada posterior das antigas casas de função e pelo topo SO. da ala A do edifício central; e nos seus lados menores, pelos corpos de planta recortada e um piso apenas da secção feminina (lado SE.) e dos parlatórios e serviços médicos (lado NO.). O edifício central, que tem, em projecção horizontal, o perfil de uma cruz latina invertida (cuja haste maior mede 147m e a menor 87m), é constituído por 4 alas maiores e 4 menores, designadas pelas letras A a H, todas com 3 pavimentos dotados de corredores panópticos (rasgados no sentido longitudinal de modo a criar um espaço único de altura integral, facilmente vigiável a partir de qualquer pavimento), ladeados por baterias de celas exteriores e rematados, nos topos exteriores, por vãos abrangendo a altura dos 3 pavimentos, de verga em arco quebrado e mainelados (de 3 lumes nas 4 alas maiores e de 2 lumes nas 4 menores). As celas têm, na sua generalidade, as seguintes dimensões: 4,30m de comprimento, 2,15m de largura e 3,68m de pé-direito. O ponto focal da estrutura é ocupado por um espaço de perímetro octogonal, com a altura livre de 31,60m, cujas faces correspondem aos topos das 8 alas, em grandes vãos de verga em arco quebrado encerrados integralmente por gradões. Uma segunda ordem de vãos, de idêntico recorte, marca as mesmas faces em correspondência do 3º pavimento mas apenas das 4 alas maiores, sendo as 4 menores (neste nível destinadas a grandes espaços de utilização colectiva, originalmente também abertas para o espaço central), separadas do octógono por vãos triplos em fresta vertical, para iluminação daqueles compartimentos. O centro deste octógono, ponto panóptico por excelência do edifício, é assinalado, suspenso a meia altura, pelo volume poliédrico octogonal da antiga capela, de estrutura metálica, encerrado por caixilharia de madeira e vidro abrindo para os oito lados, e acessível por ponte a partir da antiga sacristia (ala H). Sobre o tambor do octógono ergue-se a cúpula, perfurada por óculos e fechada, a 39m de altura, por lanternim octogonal em ferro e vidro. Completam o conjunto os edifícios de um piso utilizados como instalações do RAVE (antiga cadeia comarcã, depois estabelecimento prisional regional) e refeitório de reclusos e copa, em posição simétrica relativamente à ala A; o pavilhão pré-fabricado destinado a cozinha provisória, erguido num dos dois logradouros que ladeiam a ala E; e o edifício das oficinas, com 3 pisos, dotado de recinto murado próprio e implantado num plano inclinado, terminando a cota inferior à do edifício central e complanar com o troço correspondente da R. de Tomar. Na plataforma inferior, para além dos pavilhões levantados para instalação provisória do estabelecimento prisional regional, localizam-se outras duas construções de piso térreo - o refeitório dos guardas prisionais e a lavandaria - encostadas ao muro correspondente ao troço enterrado do Aqueduto de São Sebastião. A plataforma em causa é aberta sobre a R. de Tomar, por portão que serve o acesso ao Estabelecimento Prisional Regional.

Descrição Complementar
Não definido

Utilização Inicial
Judicial: Cadeia Penitenciária

Utilização Actual
Judicial: Estabelecimento Prisional

Propriedade
Pública: Estatal

Afectação
Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (serviço externo)

Época Construção
Séc. 19 / 20

Arquitecto | Construtor | Autor
Eng. Ricardo Júlio Ferraz (1824-1880)

Cronologia
1852, 19 Jan. - portaria determinando a venda em hasta pública do Colégio da Nossa Senhora da Conceição da Ordem de Cristo ou de Tomar, e a aplicação do produto de tal venda nas obras do cemitério. Consequentemente, o edifício e respectiva cerca foram arrematados por Frutuoso José da Silva em 1 Abr. 1852, por 2.520$500 réis (VASCONCELOS 1938, p. 255); 1873 - em sessão de 4 Out., a Câmara Municipal de Coimbra, na posse do Colégio e cerca, destina o conjunto à instalação de uma cadeia distrital, vindo, para esse efeito, a entregá-lo à Junta Geral de Distrito de Coimbra (VASCONCELOS 1938, p. 255); 1875 - projecto-tipo de penitenciária distrital, da autoria do Eng. Ricardo Júlio Ferraz, que serviria de base à elaboração do projecto definitivo; 1875 - extrato reduzido da planta geral da cidade de Coimbra de F. e C. Goullard, em que são marcados os contornos do edifício da cadeia e dos arruamentos envolventes, sobre a préexistência do Colégio de Tomar e cerca, a qual incluía a actual R. de Tomar e se estendia desde a Estrada de Celas (actual R. de Pedro Monteiro), até à Quinta de Santa Cruz, a NO., sendo desta separada por caminho (SILVA 1933, p. 962); 1875, 17 Mar. - referência a expropriação e demolição do Convento [Colégio?] de Tomar (AUC/Assembleia Distrital, Contas Correntes 1872-1878 Lv.º 4 n.º 72); 1875, 12 Mai. - escritura de empréstimo, pela filial de Coimbra do Banco Comercial de Viana ao Governo Civil, de 10 contos de réis para construção da Cadeia Distrital e Comarcã (AUC/Livros Notarias D-V,E-14,T-4,nº197); 1876 - arranque da construção do edifício da Penitenciária Distrital e Comarcã de Coimbra, empreendida pela Junta Geral de Distrito de Coimbra com base em empréstimo contraído à banca. Destina-se a condenados a penas correccionais daquele distrito e de distritos vizinhos (Diário da Câmara dos Senhores Deputados, sessão de 26 Jul. 1887); 1880-1887 - há registo da realização de concursos para as obras, realizados pela Secretaria das Obras da Penitenciária Distrital e Comarca de Coimbra, serviço da junta geral (AUC/Assembleia Distrital, Obras, Autos de Arrematação para Execução de Obras, Lv.º 1 e 2); 1884, 29 Novembro - é publicado o decreto contendo o Regulamento Provisório da Cadeia Geral Penitenciária do Distrito da Relação de Lisboa, o qual estabelece as bases de funcionamento de uma cadeia penitenciária, em moldes semelhantes aos adoptados em Coimbra, mais tarde. Neste regulamento, institui-se que "O regime penitenciário é de absoluta separação dos condenados entre si, sendo a cada um destinada uma cela em que tenha de habitar" (art. 3º) e que os presos cumprindo pena de prisão maior celular e que não fossem declarados incapazes, "serão obrigados a trabalhar dentro da respectiva cela, ou em compartimentos adequados para esse efeito" (art. 4º). Os reclusos receberiam instrução para o exercício de uma profissão fora da cadeia, instrução primária e instrução moral e religiosa. Os exercícios físicos quotidianos, a efectuar nos pátios ou dependências da cadeia, deveriam assegurar que os reclusos "não tenham entre si comunicação alguma, nem possam conhecer-se" (art. 9º). Fundamental para manter a incomunicabilidade dos reclusos, que "não poderão, sob qualquer pretexto, ver-se nem comunicar entre si por escrito, por palavras ou sinais", é a utilização por estes, fora das celas, de "um capuz que lhes encubra o rosto e que não poderá ser levantado senão nos pátios de passeio, no anfiteatro da capela, ou em outros lugares em que não esteja presente outro preso" (art. 159º), o mesmo valendo para os reclusos ocupados "em serviços ou trabalhos, fora das celas", que não podem "dirigir-se por palavras ou gestos aos presos que se ocupem no mesmo serviço, ou que estejam próximos" (Regulamento Provisório da Cadeia Geral Penitenciária do Distrito da Relação de Lisboa, Decreto de 20 Nov. 1884); 1887 - até ao fim de Fev., haviam sido gastos 205.522$590 réis na construção (Relatório da Comissão Executiva da Junta Geral de Distrito, AUC/Assembleia Distrital, Dep II-AD/ E/ Est 1/ Tab 2/ 560), estando estimada em 50.000$000 réis a despesa a efectuar para a sua conclusão. Perante a dificuldade em suportar tal encargo, a Junta Geral de Distrito procura vender o edifício ao Estado, encetando contactos com os ministérios da Guerra e da Justiça. O ministro da Guerra, Visconde de São Januário, considera a aquisição no âmbito da revisão do código penal militar e do código disciplinar, a qual carece de uma "casa de correcção, ou penitenciária, onde se possam cumprir as penas maiores aplicadas por esse código, devendo o edifício ser vasto e ter todas as condições necessárias, não só para o trabalho em comum, mas para o trabalho isolado; e a essas condições satisfaz a Penitenciária de Coimbra" (Diário da Câmara dos Senhores Deputados, sessão de 26 Jul. 1887); 1887, 30 Nov. - a junta geral dá por "terminadas" as obras (AUC/Assembleia Distrital, Actas da Junta Geral de Distrito Lv.º 8); 1888 - pela Carta de Lei de 24 de Maio, o governo é autorizado a adquirir e adaptar 2 edifícios "construídos para prisão de criminosos" pelas juntas gerais de distrito (Coimbra, para os distritos do norte do país, e Santarém, destinada ao internamento celular de mulheres); 1889, 14 Fev. - contrato de aquisição do edifício da Penitenciária de Coimbra à Junta Geral de Distrito (AUC/Assembleia Distrital, Relatório de Actividades 1889 n.º 563), estabelecendo uma anuidade de 12.363$794 réis. Por decreto de 12 de Dezembro, é criada a Cadeia Geral Penitenciária de Coimbra, ao abrigo da referida Carta de Lei de 1888; 1891 - o conjunto encontra-se inacabado e em risco de ruína, segundo interpelação parlamentar ao ministro da Justiça (Diário da Câmara dos Senhores Deputados, sessão de 21 Dez. 1891); 1899, 22 Out. - o edifício principal, em cumprimento de portaria régia de 5 de Out. de 1899, é entregue pela Secção de Edifícios Públicos de Coimbra do Ministério das Obras Públicas ao Ministério da Justiça, por auto outorgado pelo Engenheiro-Chefe daquela Secção, José Ribeiro de Almeida, e pelo subdirector do estabelecimento, João Menezes Parreira. Nesta data, contudo, as obras não se encontram concluídas (Nota Informativa sobre o Estabelecimento Prisional de Coimbra 1982); 1901, 20 Dez. - os primeiros 10 reclusos dão entrada no estabelecimento (Livro de Registo de Entrada de Reclusos, EPCoimbra); 1902, 29 Mar. - é comunicado à Direcção-Geral dos Negócios da Justiça que estão concluídas as instalações para mais 80 reclusos; 1912 - a Lei de 20 de Julho, que estabelece o quadro penal para internamento de vadios, mendigos, viciados e proxenetas, cria para tal efeito uma Casa Correccional de Trabalho em local a determinar, a qual deveria aproveitar o pessoal da Penitenciária de Coimbra, enquanto este não fosse necessário aos seus serviços (art. 16º), o que deixa subentendido que tais serviços não se encontram em funcionamento; 1914 - o decreto nº 723, de 4 de Agosto, considerando que a cadeia deixara, pela lei de 20 de Julho de 1912, de ser aplicada ao fim para que fora criada - o regime penitenciário -, e enquanto não funcionasse como Casa Correccional de Trabalho, determina que o estabelecimento passe a denominar-se Cadeia Nacional de Coimbra; 1915 - a Lei n.º 428, de 31 Ago., estabelece que sejam construídas oficinas na Cadeia Nacional de Coimbra; 1919 - o Decreto n.º 6.048, de 26 Ago., altera a designação do estabelecimento para Prisão-Oficina de Coimbra, acentuando a sua especialização industrial; 1922 - o Tribunal da Relação de Coimbra encontra-se instalado na antiga habitação do director da Penitenciária, sendo objecto de obras de reparação cuja despesa é autorizada pelo administrador-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais em 10 Jan. (PT DGEMN.DSARH-005-4901/3); 1932 - o Decreto n.º 20.877, de 13 Fev., altera a disposição anterior relativa ao Regime Progressivo para penas de prisão maior (Decreto n.º 14.549 de 10 de Novembro de 1927) que dividia a execução daquele regime entre estabelecimentos diferentes. Os 3 períodos em que é dividida a prisão maior celular passam a ser cumpridos integralmente na mesma cadeia penitenciária, e por este motivo os 2 estabelecimentos que, a nível nacional, admitiam tal sistema (Lisboa e Coimbra), mudam de designação (Art. 1º). A Prisão-Oficina volta, assim, a designar-se Cadeia Penitenciária de Coimbra; 1935 - encontra-se praticamente concluído o edifício destinado a instalação da Cadeia Comarcã de Coimbra, em parcela localizada a NE. da penitenciária, cujo funcionamento se tornava urgente pela recente destruição da antiga cadeia provocada pela derrocada da Torre de Santa Cruz, à qual era contígua. A Comissão das Construções Prisionais (CCP), contudo, é contrária à utilização do novo edifício para tal fim: é considerado mal localizado (distante do tribunal, muito frequentado pelos presos preventivos a que se destina), com más condições de salubridade (pisos inferiores frios, húmidos e mal expostos ao sol) e inadequado ao regime penitenciário (camaratas para 12 pessoas sem qualquer separação, as 2 alas dispostas de modo a homens e mulheres podem, pelas janelas, ver-se e comunicar). Neste sentido, a CCP propõe e é superiormente aprovado que o edifício fosse integrado na penitenciária e adaptado a oficinas (de que aquela não dispunha originalmente, por ter sido concebida para trabalho individual na cela), e que o recinto até então utilizado provisoriamente para oficinas, entre as alas A e C, fosse, também provisoriamente, adaptado para cadeia comarcã. Esta instalação, também designada como Cadeia Civil de Coimbra, funciona em 1939 com uma capacidade para 160 homens e 20 mulheres, os primeiros alojados em 8 camaratas dispostas, com alpendres gradeados, em redor de um pátio para exercício físico, e as segundas em 2 camaratas em secção autónoma. O recinto inclui ainda um parlatório comum, uma sala de escola, dois balneários e celas de castigo, escuras (Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Ministro das Obras Públicas pelo Presidente da Comissão das Construções Prisionais 1939, pp. 12-14 e pp. 104-108, in PT DGEMN.DSARH-004-0016/4. V. também DGEMN.DSARH-004-0104/1 a 0104/4); 1941, 25 Mar. - o decreto-lei n.º 31.190 estabelece a obrigatoriedade de autorização, pelo ministro das Obras Públicas e Comunicações (através da Comissão das Construções Prisionais), de quaisquer obras de construção nova ou alteração no interior da zona de protecção do estabelecimento prisional ou, caso esta não haja sido fixada, dentro de uma faixa de 50m contados a partir dos pontos exteriores mais salientes do mesmo; 1942 - obras de reparação e instalação de um arquivo no Instituto de Criminologia de Coimbra, instalado no lado SE. do edifício da habitação do director (PT DGEMN.DSARH-005-4901/4 e 4901/5); 1951 - a direcção do anexo psiquiátrico cabe ao Inst. Criminologia; 1971 - o Decreto-Lei n.º 265/71, de 18 de Junho (MJ/MOP), estipula uma zona de protecção de 50m em redor do edifício da cadeia comarcã, antiga cadeia civil, instalada em anexo ao edifício da penitenciária, no logradouro entre as alas A e C; 1972 - a Portaria n.º 374/72, de 7 de Julho (MJ), extingue a Cadeia Comarcã de Coimbra a partir de 1 de Outubro, e cria o Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra; 1981 - uma vez que a Nova Lei Prisional (Decreto-lei n.º 265/79, de 1 Ago.) deixa de utilizar a expressão "cadeia", a Portaria 98/81, de 22 Jan., fixa a designação de Estabelecimento Prisional de Coimbra para a antiga Penitenciária; 1982 - o estabelecimento tem uma lotação de 310 reclusos, condenados a penas superiores a 2 anos e a delinquentes de "difícil correcção". No corpo das antigas casas de função, funcionam a habitação do director, a portaria, o Instituto de Criminologia, a Coordenação da Área Centro e as instalações para o chefe dos guardas. A ala A alberga, no pavimento térreo, direcção, serviços administrativos, de perceptoria e assistência social, parlatórios e enfermaria; no 1º andar, camarata de guardas, gabinete clínico, farmácia e rouparia; e, no 2º andar, salas de aula, biblioteca e museu prisional. A ala E dispõe de 163 celas, a ala C, de 41 celas, e a ala G, de 53 celas. As quatro alas menores dispõem apenas de 4 (B, D e F) e de 2 celas (H), nos 2 pisos inferiores, sendo o piso superior utilizado como capela (B), sacristia (H), salão de jogos e dependências da Associação Desportiva e Recreativa dos Reclusos (D e F). Na cave do estabelecimento existem 4 celas disciplinares, todas com janela. Fora do perímetro do edifício central, no logradouro entre as alas A e G encontram-se os corpos das cozinhas e anexos, refeitórios dos funcionários e reclusos, depósito de géneros e do Anexo Psiquiátrico. No seu equivalente entre as alas A e C, implantam-se os corpos do Estabelecimento Prisional Regional e da cantina. Nas plataformas não construídas em redor da ala E dispõem-se, a NO., os campos desportivos, e a SE., a área cultivável. A uma cota inferior, em edifício isolado, funcionam as dependências industriais - oficinas (Nota Informativa sobre o Estabelecimento Prisional de Coimbra 1982); 1997 - construção de três pavilhões pré-fabricados, na plataforma inferior e com acesso independente pela R. de Tomar, para instalação provisória do Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra; 2000 - o Estabelecimento Prisional Central de Coimbra e o Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra funcionam sob a tutela do Tribunal de Execução das Penas de Coimbra. Neste ano, são efectuadas as obras de remodelação das alas E e G; 2005, Nov. - o estabelecimento central tem classificação de segurança Fechado, é dedicado ao cumprimento de penas superiores a 3 anos (excepcionalmente também a preventivos) nos regimes comum, RAVI e RAVE, e tem a lotação de 421 homens, predominantemente ocupados nas oficinas de marcenaria, carpintaria, serração, alfaiataria, sapataria, serralharia, reparação e pintura automóvel, estofaria e encadernação - complementadas por sala de venda da produção -, para além da manutenção e limpeza do complexo. Oferece formação escolar dos 1º, 2º e 3º anos do ensino básico recorrente e, ao nível dos cuidados médicos, consultas médicas e programas de substituição para toxicodependência. A ocupação das alas é a seguinte: ala A, direcção, administração, serviços de educação e parlatório, no piso 0, serviços clínicos e psiquiatria, rouparia e camaratas dos guardas, no piso 1, e salas de aula, biblioteca da escola e sala de música, no piso 2; ala B, 2 celas com 2 reclusos, e sala de ensaio no piso 2; ala C, recreio interior (celas desocupadas); ala D, 2 celas com 2 reclusos, e ginásio no piso 2; ala E, 163 celas para 264 reclusos (com instalação sanitária completa), rouparia e 2 bares de reclusos; ala F, 2 celas com 2 reclusos, e biblioteca no piso 2; ala G, 54 celas para 90 reclusos (com instalação sanitária completa), bar e rouparia, além de celas disciplinares na cave (onde vigora ainda o sistema do "balde higiénico", ou seja, as celas não dispõem de instalações sanitárias); ala H, acesso ao refeitório, e capela no piso 2, com acesso à antiga capela suspensa sobre o octógono central, desactivada. Nos diversos corpos que constituem extensões do edifício principal funcionam o refeitório dos reclusos e armazéns (antigas cozinhas), acessíveis pela ala H; a cozinha provisória, instalada em pavilhão pré-fabricado no logradouro a SE. da ala E; o alojamento dos reclusos em RAVE, parlatório feminino, enfermaria e messe, nas instalações anteriormente dedicadas ao estabelecimento prisional regional, no logradouro a NO. da ala A; e a secção feminina, no corpo do antigo Anexo Psiquiátrico. O edifício através do qual se acede ao estabelecimento, antigas casas de função, alberga a cantina e o refeitório de pessoal, na cave, a portaria e o Serviço de Auditoria e Inspecção, no piso 0, e depósitos do projectado Museu dos Serviços Prisionais, no piso 1, onde as obras de adaptação para esta função se encontram suspensas. Em edifícios localizados na plataforma inferior, junto ao acesso principal do estabelecimento prisional regional, funcionam a lavandaria, que serve os dois estabelecimentos, e o refeitório dos guardas do estabelecimento regional. No edifício das oficinas, em recinto próprio e dispondo de duas portarias - uma para o interior e outra para o exterior - trabalham cerca de 90 reclusos.

Tipologia
Arquitectura civil judicial: cadeia penitenciária do séc. 19, delineada segundo o modelo panóptico Radial de planta em cruz latina (4 alas ortogonais em volumes de predominante horizontal, das quais 1 maior e 3 de média extensão, conjugadas com 4 alas menores inseridas em volume poliédrico octogonal, configuram um conjunto de 8 braços irradiando a partir de um ponto focal ou panóptico, assinalado por espaço de acentuada verticalidade), construída com larga utilização do ferro em estruturas ocultas e visíveis, e formalmente caracterizada por elementos de inspiração ecléctica (platibandas e muros ameiados, vãos com verga em arco quebrado e por vezes mainelados, pormenores decorativos neo-góticos), na linha das correntes revivalistas europeias oitocentistas. Estabelecimento concebido para aplicação do sistema penitenciário, introduzido em Portugal pela Reforma Penal e de Prisões de 1867, em concretização dos princípios enunciados pelo projecto de Código Penal de 1861. Substituindo a moldura penal remanescente do Antigo Regime - penas de morte, de trabalhos públicos perpétuos ou temporários, e de prisão maior perpétua -, o novo Sistema Penitenciário estabelece o cumprimento das penas de prisão maior e de prisão correccional em regime celular contínuo, com absoluta e completa separação de dia e de noite entre os condenados, sem comunicação de espécie alguma entre eles, e com realização de trabalho na cela, obrigatório na pena de prisão maior - executada nas Cadeias Gerais Penitenciárias então criadas - e facultativo na pena correccional - para a qual se criam as Cadeias Distritais. O regime celular contínuo implica que qualquer acção desempenhada pelo condenado fora da cela - tal como a assistência ao culto ou o exercício físico no exterior - ocorra, de igual modo, sem qualquer contacto com outros condenados. A instauração do regime penitenciário sob tais condições implica a adopção de estruturas construídas de tipo novo, diverso dos conjuntos de enxovias, calabouços ou masmorras onde até então eram cumpridas, sem condições físicas ou morais e em total promiscuidade, as condenações. O tipo arquitectónico privilegiado, na Europa e em Portugal, como suporte do regime penitenciário celular, é designado de Sistema de Pensilvânia, de Filadélfia, Radial ou em Estrela, primeiramente aplicado nos Estados Unidos da América pelo arquitecto inglês John Haviland na Eastern Penitentiary of Pennsylvania em Cherry Hill, Filadélfia, completada em 1829. Este edifício institui um modelo, facilmente simplificável e reprodutível, assente na disposição de corpos paralelipipédicos (alas de celas exteriores, medindo cada cela 4,30m x 2,30m, com pé-direito de 4,90m, para permitir o trabalho dos reclusos no seu interior, e justapostas em bateria) segundo eixos radiais delineados a partir de um foco central único, do qual é possível abarcar visualmente todos os corredores e as portas de todas as celas. Tal disposição representa um marco no desenvolvimento dos modelos trabalhados pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham, que cria, a partir de 1787, o princípio do estabelecimento prisional de planta circular, chamado de "Panopticon" ou "The Inspection House". A "faculdade de ver, de um só golpe de vista, tudo o que se passa" no interior da casa de penitência, desde um único posto de observação, é o principal traço caracterizador do edifício panóptico, constituído por uma coroa de celas sobre o perímetro exterior, abertas para o interior, e por uma torre de supervisão central, impenetrável ao olhar do recluso por meio de persianas reguláveis. Muito embora tenha conhecido limitada concretização integral (cadeias de Breda e Arnheim, Holanda, 1896, e a Illinois Penitentiary, Joliet, 1919), o princípio panóptico teve influência determinante nos programas arquitectónicos, ao longo de todo o séc. 19, não apenas no campo das estruturas prisionais mas também hospitalares, psiquiátricas e mesmo comerciais, nas quais o partido radial daí derivado foi amplamente explorado. A experiência de Filadélfia é objecto de interesse crescente, a partir do segundo quartel daquele século, por parte dos países europeus empenhados em pôr em prática o sistema penitenciário celular, seduzidos pela capacidade de tal modelo, não apenas em propiciar um adequado castigo na privação da liberdade, mas também em induzir, através da "reflexão em solitário", a regeneração do condenado, isolado de más influências recíprocas. Ponto importante na difusão europeia do modelo radial é a sua aplicação ao sistema inglês, em grande escala (54 unidades em construção em 1848), sob a égide do engenheiro Sir Joshua Jebb (1793-1863), a partir da matriz realizada pelo mesmo no estabelecimento masculino de Pentonville, Londres. Completado em 1842 e ainda em funcionamento em 2005, é constituído por quatro alas de três pisos de celas sobre um embasamento de armazéns e balneários, dispostas radialmente a partir de um posto de supervisão central, colocado à cabeceira do edifício principal destinado à administração. A sobreposição das 520 celas em três pisos implica o alagamento dos corredores entre as baterias opostas de celas, vazados na parte central formando galerias longitudinais nos pisos superiores, para permitir adequada vigilância em toda a extensão deste grande espaço, aberto desde o pavimento até à cobertura e iluminado por clarabóias. Cada cela dispõe de 3,90m x 2,10m, com pé-direito de 2,70m. Nos logradouros formados pelas alas entre si, e no interior do muro que define o perímetro do estabelecimento, dispõem-se os pátios de recreio de perímetro circular, também eles de configuração panóptica, divididos radialmente por muros e controlados a partir do ponto focal da circunferência - substituindo assim os pátios individuais de Filadélfia, tornados impossíveis pela multiplicação de baterias de celas em pisos sobrepostos. O criador de Pentonville sistematiza, em 1844, um projecto-tipo de prisão radial que facilita a concretização arquitectónica do Sistema Filadélfia em qualquer ponto do mundo - sobre o qual assenta, em diversos pontos, o projecto da Penitenciária de Coimbra. Exemplos de aplicação do modelo radial e suas variações na Europa são o Carcere di San Vittore em Milão (1867), as cadeias de La Santé em Paris (1864), Baden, Berlim, Munster e Breslau na Alemanha (1848-1852), Bruxelas (1835), Termonde (1872) e Lovaina (1862) na Bélgica - esta última de estrutura semelhante à da Penitenciária de Lisboa (c. 1870).

Características Particulares
O projecto da Cadeia Geral Penitenciária de Coimbra corresponde à adaptação às necessidades de um estabelecimento deste tipo, e às particularidades do local, do "Projecto de Penitenciárias Distritais" elaborado pelo engenheiro Ricardo Júlio Ferraz em 1875 (LIMA 1961, p.135), já autor do projecto da Penitenciária de Lisboa. É sobre aquele projecto-tipo, de características genéricas, que são delineados os planos das cadeias penitenciárias de Coimbra e Santarém, os quais, juntamente com Lisboa, constituem os três únicos exemplos de aplicação do modelo de planta radial na arquitectura prisional portuguesa, e os três únicos edifícios construídos de raiz em Portugal para a prossecução do regime penitenciário celular completo, até à realização da Cadeia Penitenciária de Alcoentre (Vale de Judeus), concluída em 1974. O estabelecimento de Coimbra partilha com aqueles outros dois exemplos, seus contemporâneos, características morfológicas especiais, nomeadamente com Santarém, pela forma em cruz (latina em Coimbra, grega em Santarém) assumida pelo contorno da planta do corpo principal. Não obstante, constitui de tais características um exemplo particularmente notável, pela sua dimensão e estado de conservação. A matriz inglesa dos modelos originais encontra-se muito presente em Coimbra, transmitindo-se não apenas na estrutura funcional do conjunto mas também na sua composição arquitectónica: formalmente, pelas características do programa decorativo, utilizando elementos do revivalismo medieval, de conotação vitoriana; e construtivamente, pela utilização extensiva do ferro, integrando elementos estruturais (lajes, escadas, galerias e coberturas) no cumprimento estrito de funções estáticas ou participando, com desenho por vezes elaborado e em combinação com elementos em madeira ou vidro, no discurso decorativista que contamina, neste período, a maioria dos programas arquitectónicos. A difusão do modelo de planta radial é acompanhada, assim, pela componente formal característica das primeiras realizações europeias, e pelo seu perfil eclético. Em Coimbra destacam-se, entre outros traços específicos: a implantação do conjunto, em posição eminente e sobranceira à Cidade Universitária, em elevação directamente relacionada com este núcleo por meio do Aqueduto de São Sebastião e do Jardim Botânico, pontos essenciais da malha urbana; a modelação do terreno definida a propósito da construção do estabelecimento prisional, marcada pelo muro de sustentação de terras responsável pela plataforma de nível sobre a qual se ergue a mole penitenciária, e pela antiga cerca inferior, importante bolsa de espaço não construído que permite a respiração do conjunto e da malha urbana envolvente; o corpo das antigas casas do director e do chefe de guardas e respectivo logradouro ajardinado, pela proporção incomum da construção que constitui o acesso público ao conjunto, cuja nobreza e erudição de desenho se estendem desde o espaço exterior aos alçados e aos espaços interiores, e se transmitem, depois, a todas as componentes do complexo primitivo; a justeza de proporções dos espaços exteriores, pátios e logradouros entre os distintos corpos construídos, com estes praticando um jogo racional de cheios e vazios que destaca a pureza dos volumes parciais (as alas prisionais, o octógono, a cúpula, os pequenos pavilhões ladeando o topo da ala A) e clarifica as relações de associação e dissociação entre eles - característica da matriz moderna do objecto; a dimensão das alas prisionais, dos corredores e galerias (com triplo pé-direito) e das próprias celas (concebidas para suportar a actividade laboral solitária, e dimensionadas à imagem do modelo original da Pensilvânia), bem como dos espaços dispostos em redor do octógono ao nível superior para utilização especial (a biblioteca, a antiga sacristia); a iluminação natural proporcionada a estes espaços, tanto por amplos vãos de fachada quanto por generosas clarabóias; e o octógono, que constitui o ponto focal do modelo radial, tradução formal do principio panóptico em um espaço de verticalidade acentuada por dimensões incomuns (tambor octogonal de 31,60m de altura, fecho da cúpula elevando-se a 39m), aberto nos oito lados sobre as alas com gradões integrais, e marcado, a meia altura, pela estrutura da antiga capela suspensa. Tal elemento, símbolo simultâneo da ambição panóptica e da importância atribuída ao culto e à prelecção moral na regeneração implícita no regime penitenciário, representa o corolário de um modelo arquitectónico integrado, no qual cada parte desempenha uma função clara e, como tal, é indispensável ao todo. Formalmente, é peça principal entre os elementos em ferro fundido que enriquecem o imóvel; a sua estrutura de suspensão, aqui complementada pela base e perímetro em madeira e vidro, relaciona-se com as poleias de suporte das galerias, levando o potencial expressivo, de conotação orgânica, daqueles elementos estáticos, a um nível superior. Este objecto único, zoomórfico, testemunha as possibilidades, então recentes, da arquitectura do ferro, presente tanto na própria estrutura da cúpula, por exemplo, quanto em pormenores de menor escala como as guardas, as clarabóias, os óculos que pontuam a cúpula ou o portão no acesso principal. Refira-se, ainda, a singularidade do túnel ainda existente, concebido para ligação da cave do edifício penitenciário à cerca inferior e para entrada das diligências celulares, a partir do portão sobre a R. de Tomar. O túnel, verdadeiro arruamento subterrâneo, também ele com um papel importante na garantia de isolamento e invisibilidade dos condenados, no âmbito do regime penitenciário celular, permanece tão intacto quanto o último exemplar português de diligência celular que ali se conserva, um dos dois últimos no contexto europeu. O estabelecimento prisional de Coimbra tem 104 anos de funcionamento ininterrupto, em edifício criado expressamente para a função, no que constitui também, de algum modo, um traço caracterizador de alguma singularidade no panorama nacional da instalação de serviços do Estado.

Dados Técnicos
Não definido

Materiais
Não definido

Bibliografia
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça / Direcção-Geral dos Negócios de Justiça, Regulamento Provisório da Cadeia Geral Penitenciária do Distrito da Relação de Lisboa, Diário do Governo nº 273, de 29 de Novembro de 1884; Diário da Câmara dos Senhores Deputados, Acta da Sessão de 26 Jul. 1887; Ministério da Justiça, Lei de 20 de Julho de 1912, in Diário do Governo nº 177, de 30 de Julho; Ministério da Justiça, Decreto nº 723, de 4 de Agosto de 1914, in Diário do Governo nº 133; SILVA, João de Brito e, "O Colégio de Tomar 1556-1713" in Revista da Universidade de Coimbra vol. 9, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1933, p. 962-999; VASCONCELOS, António de, Escritos Vários relativos à Universidade Dionisiana, Coimbra, Coimbra Editora, 1938, p.255; Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Ministro das Obras Públicas pelo Presidente da Comissão das Construções Prisionais 1941, pp. 12-14 e pp. 104-108, in PT DGEMN.DSARH-004-0016/4; Ministérios da Justiça e das Obras Públicas e Comunicações / Gabinete do Ministro, Decreto-lei n.º 31.190, de 25 de Março de 1941 in Diário do Governo n.º 69; Ministério da Justiça / Gabinete do Ministro, Decreto-Lei n.º 38.386, de 8 de Agosto de 1951 in Diário do Governo n.º 167; LIMA, Raul Rodrigues, Arquitectura Prisional in Boletim da Administração Penitenciária e dos Institutos de Criminologia, nº9, 2º Semestre de 1961, pp. 117-255; FAIRWEATHER, Leslie, "The Evolution of the Prison" in UNITED NATIONS SOCIAL DEFENCE RESEARCH INSTITUTE, Prison Architecture, Londres, s.d. [1975]; Estabelecimento Prisional de Coimbra: Curso de Preparação Técnico-Profissional aos Guardas Estagiários - 1982; Direito Prisional e Administração Penitenciária: Texto de Apoio n.º 8: Nota Informativa sobre o Estabelecimento Prisional de Coimbra: Informação Histórica, s.l., 1982; BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região, col. Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1987; Direcção Geral dos Serviços Prisionais, Estabelecimento Prisional de Coimbra in Prisões em Revista, n.º 14, Julho 2000, pp. 30-31; Direcção Geral dos Serviços Prisionais, Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra in Prisões em Revista, n.º 14, Julho 2000, pp. 80-81; DUMONT, Étienne, "Mémoire sur un nouveau principe pour construire des maisons d'inspection, et nommément des maisons de force" (versão francesa dos textos de Jeremy Bentham, publicada pela Assembleia Nacional de França em 1791), in LAVAL, Christian (ed.), Jeremy Bantham: Panoptique, Paris, 2002

Documentação Gráfica
DGEMN: DSID, DSARH, DRELisboa

Documentação Fotográfica
DGEMN: DSID, DRELisboa/DESA, DSARH; MJ: Estabelecimento Prisional de Coimbra

Documentação Administrativa
DGEMN: DSID, DESA, DSARH (PT DGEMN.DSARH-004-0104/01 a 0104/19, PT DGEMN.DSARH-004-0105/1 a 0105/3, PT DGEMN.DSARH-004-0423/7, PT DGEMN.DSARH-004-0424/1, PT DGEMN.DSARH-005-4901/1 a 4901/5); MJ: Estabelecimento Prisional de Coimbra - Arquivo, Livro de Registo de Entrada de Reclusos; Arquivo da Universidade de Coimbra, fundo da Assembleia Distrital de Coimbra (séries Contas Correntes, Obras, Actas, Registo de Correspondência Recebida e Relatório de Actividades) e Livros Notariais

Intervenção Realizada
DGSP: Remodelação e beneficiação das celas que constituem a Ala G do Estabelecimento Prisional Central; construção de 3 pavilhões ligeiros na sequência do encerramento das antigas instalações do Estabelecimento Prisional Regional

Observações
* - O conjunto encontra-se enquadrado por zona de protecção, definida por despacho do MOP em cumprimento do Decreto-lei n.º 31.190, de 25 Mar. 1941 (D.G. 69. V. planta da zona de protecção in PT DGEMN:DRELisboa des. n.º 107605) e do Decreto-lei n.º 265/71, de 11 Jun. (D.G. 142/71 de 18 Jun.), diplomas relativos às zonas de protecção devidas aos estabelecimentos prisionais. Nota 1 - "A Penitenciária, que substituiu as cadeias de Coimbra, com o objectivo de ser uma prisão-escola, segundo as doutrinas mais inovadoras da época, foi construída sobre a pré-existência do Colégio de Tomar, nome por que era vulgarmente designado o Real Colégio de Nossa Senhora da Conceição da Ordem de Cristo, fundado por D. João III em 1556. As obras de arquitectura principiaram em 1560, mas parece que só terminaram em 1713, quando foi inaugurada a igreja. Era um templo Vasto, de magnífica estrutura, coroado por zimbório, que mal se conhece através de desenhos de fraca qualidade. Tanto o colégio como a igreja foram vítimas dos maiores vandalismos e delapidações" (BORGES, p. 113, 1987).

Autor e Data
Ricardo Agarez 2005 (projecto "Arquitectura Judicial e Prisional Portuguesa")

daniel322
February 2nd, 2009, 12:23 AM
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daniel322
February 2nd, 2009, 12:34 AM
Estabelecimento Prisional de Coimbra

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Governo quer fazer hotel no espaço da actual prisão

A instalação de uma unidade hoteleira, a manutenção do edifício central, a construção de alguns prédios para habitação e comércio e a criação de uma área verde são os pontos principais da proposta do Ministério da Justiça para toda a área hoje ocupada pelo Estabelecimento Prisional de Coimbra.

Fonte: Diário de Coimbra
Utilização do edifício principal da Penitenciária gera controvérsia

Quase todos concordam com a transferência do Estabelecimento Prisional de Coimbra para a freguesia de Botão, nos arredores da cidade. Mas há quem se oponha à reconversão do edifício principal da Penitenciária num espaço cultural e desconfie do que pode nascer em seu redor

A Câmara Municipal apresentou ontem uma espécie de ante-projecto daquilo que pretende ver no espaço ocupado pelo Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC). O desenho, explicado pelo vereador João Rebelo no decorrer de um debate público promovido pela Assembleia Municipal, assenta em dois grandes pressupostos: criar um anel verde desde a Sereia à Quinta das Lágrimas, já na margem esquerda do rio; e transformar o edifício central do EPC num grande espaço cultural, que até já foi apelidado de casa do conhecimento. Carlos Encarnação fala, por isso, num «projecto sério» que «não pode ficar encalhado», mas avisa que o critério de intervenção tem que ser «muito bem definido para não haver surpresas». «A intervenção deve ser disciplinada pela câmara», reforçou.
PS e CDU partilham, na generalidade, daquilo que a autarquia preconiza para o local, ainda que falem na necessidade de «blindar» o projecto face aos apetites imobiliários. Claramente oposta é a posição do Bloco de Esquerda (BE), que até admite a possibilidade de, face à falta de dinheiro, a tal casa do conhecimento dar lugar a uma «monstruosidade imobiliária» – a ideia foi vincada, não por um, mas por quatro ou cinco destacados elementos do BE de Coimbra.
A questão central prende-se com a funcionalidade do edifício principal do EPC. Para o arquitecto Alves Costa, não há quaisquer dúvidas: «aquele edifício tem uma vocação própria, quer ser uma prisão». Por isso, nem quer ouvir falar em casa do conhecimento ou coisa parecida. «Não podemos vir para aqui lançar programas», criticou. Esta opinião é, de resto, partilhada por outro conhecido arquitecto, José António Bandeirinha, que vai mais longe nesta tese: ou o edifício fica destinado ao fim para que foi construído ou então é melhor demoli-lo.
O vice-presidente da Pro Urbe, Martinho do Rosário, disse não querer que o espaço se transforme numa «casa de venda de tremoços», defendendo a sua reconversão numa «estabelecimento prisional moderno», para presos preventivos ou em fase final de execução de pena.

É melhor mudar de sítio

Para o presidente da câmara, nem uma das cadeias do actual EPC poderá permanecer onde está, segundo informações técnicas que recolheu. «Não é possível fazer daquele edifício uma nova cadeia. Quero as melhores condições para os presos e por isso é melhor que se faça noutro lado uma coisa melhor», esclareceu, adiantando, por outro lado, ser «muito difícil que o actual conjunto penitenciário cumpra as novas regras das cadeias». A par disso, continuou, «toda a área envolvente ao edifício principal está cheia de construções de péssima qualidade».
A propósito dos supostos interesses imobiliários, sublinhados nalgumas intervenções, Encarnação fez questão de sublinhar duas questões: a ideia da mudança do EPC para o Botão não é sua; por outro lado, os terrenos e o projecto para aquele são da inteira responsabilidade do Ministério da Justiça.

in Diário de Coimbra



Bloco de Esquerda

Em relação à Penitenciária e aos espaços que irão ser libertados pela sua deslocalização o BE tem uma posição bastante clara e objectiva que há muito tornou pública e pela qual se tem batido. Pensamos que qualquer intervenção urbanística na zona da Penitenciária deverá ter em conta:

- A necessidade de preservar o edifício central da Penitenciária, desenhado pelo Eng.º Adolfo Loureiro nos finais do séc. XIX, que constitui uma importante peça de valor patrimonial e arquitectónico mantendo a sua identidade própria.

- Somos, de opinião que se poderia e deveria manter com uma funcionalidade idêntica à que hoje desempenha: uma prisão.

Não uma anacrónica e superlotada prisão de alta segurança, mas antes um estabelecimento prisional destinado a certo tipo de presos preventivos e a presos com penas menores, eventualmente, até, destinada a proporcionar uma mais fácil reintegração social e profissional a detidos em regime aberto.

Não partilhamos da opinião que os presos, pelo facto de o serem, devem ser privados de dignidade e direitos cívicos, e remetidos para as periferias, longe da vista e do coração, como se de leprosos na época medieval se tratasse, remetidos às novas gafarias, obrigando simultaneamente as suas as famílias a novas e mais difíceis peregrinações.

O programa de intervenção urbanística que, ao que tudo indica, se anuncia para aquele espaço, reforça em nós a ideia de que a preservação do edifício e funcionalidade prisional é talvez a única garantia de que o próprio edifício não irá ser canibalizado e desvirtuado pelos poderosos interesses imobiliários. É que, não nos causaria admiração que amanhã, por falta de verbas, qualquer projecto de interesse cívico e cultural para a cidade instalado no edifício central, viesse a dar lugar a mais uma monstruosidade imobiliária que conviverá mal com a zona e fará as delícias de alguns apetites ligados à construção.

Contudo, também veríamos com bons olhos, para aquele espaço, um projecto coerente que confira ao edifício central uma real valorização patrimonial e funcional que respeite a sua identidade e represente uma efectiva mais-valia para a cidade.

Quanto ao espaço envolvente, hoje ocupado pela Penitenciária a nossa posição é também bastante clara e não permite qualquer ambiguidade: o terreno libertado pela deslocalização da Penitenciária deverá ser devolvido à cidade como espaço público qualificado e espaço verde que salvaguarde não só a importante ligação de um corredor verde que faça a ligação entre o Parque da Sereia, o Jardim Botânico, o Parque Verde da cidade e a sua margem esquerda, como também garanta uma melhoria das vias de circulação e assegure uma futura passagem do eléctrico de superfície.

Já o dissemos na altura do debate aqui levado a cabo no dia 8 de Julho de 2006, e reafirmamos hoje de novo que não nos parece válido o argumento apresentado pelo executivo municipal, que pelos vistos também acolhe o apoio do PS, de que é necessário respeitar um protocolo assinado em 2004 pelo Dr. Carlos Encarnação com a então ministra da Justiça Celeste Cardona, segundo o qual a Câmara se comprometia não só a trocar terrenos no Botão como também a viabilizar, através da alteração do PDM, a rentabilização imobiliária dos terrenos de modo a co-financiar a construção da nova Penitenciária a construir no Botão. Ou que o projecto em causa resulta de compromissos eleitorais assumidos pela maioria de direita que governa a cidade.

Ao Sr. Presidente Carlos Encarnação dizemos de forma clara duas coisas muito simples:

- o compromisso que assumiu foi errado e não teve em linha de conta os legítimos interesses da cidade e dos seus cidadãos.

- a cidade não tem de pagar a transferência da Penitenciária e muito menos co-financiar a construção de um novo estabelecimento prisional. Essa é uma responsabilidade do governo central. Coimbra já contribuiu com a sua quota-parte, durante longos anos, suportando uma anacrónica prisão de alta segurança no miolo da cidade.

- Em segundo lugar, qualquer programa de intervenção na Penitenciária, no sentido de devolver à cidade o espaço por ela ocupado, como espaço qualificado, deve passar por uma ampla discussão pública impedindo desta forma, que mais uma vez se caia em intervenções casuísticas e fragmentadas sem uma visão estratégica, programada e planeada que a maior parte das vezes em lugar de resolver problemas acrescenta mais problemas.

A cidade não pode continuar a ser vendida a retalho e canibalizada pelos interesses imobiliários em nome de uma qualquer inevitabilidade ou de dificuldades financeiras.
Opinião de Luis Rosário, Prof FCTUC

O Ministério da Justiça prepara-se para alienar os espaços de um vasto conjunto de penitenciárias, incluindo a de Coimbra. Nada se sabe sobre estes planos, bem como sobre os projectos (se é que eles existem!) de construção de sistemas alternativos. Este é um problema de considerável interesse social e urbanístico, totalmente escamoteado pelo Governo. No caso concreto de Coimbra, apenas se sabe que existem protocolos entre governos anteriores e a CMC, actualizados na forma de um protocolo entre a ex-ministra Celeste Cardona e o actual Presidente da CMC, Dr. Carlos Encarnação, cujo conteúdo se desconhece.

Tudo leva a crer que se aproxime mais um festim de oportunismo urbanístico, agravado pela completa confusão quanto ao destino a dar ao edifício central da Penitenciária (a CMC não sabe o que quer quanto a este último assunto, embora aparentemente saiba o que quer quanto ao aproveitamento do apetecível e vasto espaço envolvente). Quanto aos presos e à alternativa penitenciária... Apenas se sabe que se pensa construir uma penitenciária nos arredores de Coimbra. (Mas que penitenciária? Para quem? Com que condições para os presos e suas famílias? Em troca de quê?)

Penso que o verdadeiro interesse da CMC é vender uma área considerável do espaço adjacente à actual Penitenciária, destinando-a a construção privada e arrecadando consideráveis proventos, de forma a tapar o desastroso buraco financeiro em que se meteu. Assim sendo, a CMC não quer que a "burguesia fina" que irá comprar as habitações de luxo seja afastada pela proximidade dos presos (sejam eles quais forem!) e por qualquer memória prisional, mesmo que residual. No meu entender, a estratégia da CMC passa por vender à opinião pública a ideia da utilidade pública da alienação do espaço (incluindo o próprio edifício da Penitenciária), explorando o medo (injustificado) dos cidadãos e utilizando como argumento a inevitabilidade da alienação (como se a CMC tivesse um papel passivo - é necessário alterar o PDM!) e as vantajens da sua requalificação: corredor verde (?!), parques de estacionamento (e o Metro?), instalação de serviços da UC (o disparate da instalação da Biblioteca Geral no panóptico é um exemplo), habitações privadas para refertilizar a população da Alta à noite, etc.

A desertificação do centro das cidades também passa pela alienação de serviços públicos. A Penitenciária (que sem dúvida precisa de ser requalificada) é a sede de um serviço Público! Por esta ordem de razões Coimbra teria que passar para a periferia tudo o que é incómodo: CATs, albergues para pobres e sem abrigo, centros de acolhimento para mulheres maltratadas, centros de prevenção e tratamento do alcoolismo, serviços de apoio social a prostitutas, centros de correcção para jovens delinquentes, lares para idosos (que já são encarados por muitos como um fardo!), etc, etc.

fica (finalmente) a questão: O que fazer da Penitenciária?

alentejolover
February 2nd, 2009, 12:38 AM
Hotel 5* ou um museu qualquer....

[Smeagol]
February 2nd, 2009, 01:21 AM
eu convertia-o numa grande sala de espectáculos... da qual a cidade de Coimbra carece à anos...

djou23
February 2nd, 2009, 01:42 AM
Biblioteca. Enorme.

Á volta, espaços verdes. Também podem fazer apenas 1 ou 2 edificios de habitação\serviços, mas discreto, de qualidade. E seria importante equacionar a construçao de um grande parque subterrâneo, se for possível...

daniel322
February 2nd, 2009, 03:08 AM
Uma ideia que ouvi há uns dias, porque não aproveitar a (boa) fama que Coimbra tem enquanto cidade de cultura junto dos países de língua oficial portuguesa e tentar colocar a sede da CPLP (http://www.cplp.org/Institutos.aspx?ID=53) em Coimbra, no edifício central da Penitenciária?..

A cidade ganharia visibilidade e aquela zona ganharia uma nova dinâmica, bem como novos institutos que tal instituição traria por acréscimo.. e o tal hotel 5* acabaria por surgir, forçosamente..

Arpels
February 2nd, 2009, 10:13 PM
imponente a estrutura em ferro :yes:

O Prof Godin
February 2nd, 2009, 10:32 PM
…pragmaticamente…sem grandes sonhos ou utopias, daquilo salva-se a cúpula pela sua presença visual na imagem da cidade…o resto é um mono enorme…

…se quiserem urbanizar…fica melhor…

…se quiserem fazer um hotel…fica melhor…

…se quiserem fazer ali a nova e tão necessária CMC…fica melhor…

…se quiserem fazer uma zona verde desportiva…fica melhor…

…tudo fica melhor do que a manutenção de um mono que nunca ali deveria ter sido construído…

daniel322
February 3rd, 2009, 02:40 AM
imponente a estrutura em ferro :yes:
vale a pena este post só pela foto:

http://denunciacoimbra2.files.wordpress.com/2008/07/epc.jpg

HugoK
February 3rd, 2009, 02:30 PM
Um Centro de Congressos com Sala de Espectáculos. Ficava melhor ali (com metro à porta) que em Santa clara

Império-CostaAzul
February 4th, 2009, 05:14 AM
os interiores parecem imponentes...

mynuster
February 4th, 2009, 01:52 PM
é mesmo.. :yes:

HugoK
February 4th, 2009, 06:19 PM
Façam aqui o novo tribunal :D até podiam guardar umas celas para colocar quem desrespeitasse o juiz :lol:

Império-CostaAzul
February 4th, 2009, 06:30 PM
lol era logo :lol:

Gustavo__Almeida__
February 5th, 2009, 05:26 AM
Vamos lá ver quando é que a penitencária sai do centro da cidade:ohno:

DaniFR
February 5th, 2009, 12:15 PM
Vamos lá ver quando é que a penitencária sai do centro da cidade:ohno:
Li á uns tempos que os reclusos já andavam a ser transferidos para o estabelecimento prisional de Aveiro.

djou23
February 6th, 2009, 01:33 AM
Li á uns tempos que os reclusos já andavam a ser transferidos para o estabelecimento prisional de Aveiro.

é verdade... tambem li uma noticia que até referia que o encerramento da penitenciaria seria agora no inicio do ano...

daniel322
February 6th, 2009, 01:52 AM
Biblioteca. Enorme.

Á volta, espaços verdes. Também podem fazer apenas 1 ou 2 edificios de habitação\serviços, mas discreto, de qualidade. E seria importante equacionar a construçao de um grande parque subterrâneo, se for possível...

Carlos Fiolhais - Professor da Universidade de Coimbra e Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra


Se há uma área em que Coimbra é particularmente forte é a área dos livros e das bibliotecas e arquivos.

Basta pensar na Biblioteca Joanina, uma das mais belas do mundo, repleta com quase cem mil livros antigos. Mas pode-se pensar que o total de volumes das cerca de 90 bibliotecas da Universidade de Coimbra é de mais de dois milhões, com cerca de metade localizados na Biblioteca Geral, um vasto e rico património que só é comparável ao da Biblioteca Nacional.

Pode-se ainda pensar na Biblioteca Municipal, com os seus cerca seiscentos mil volumes, que oferece serviços especiais, como os de fonoteca, ludoteca, etc. Assim, o total de volumes de uma grande biblioteca virtual da Universidade e da cidade é de cerca de três milhões de volumes. É fácil por um protocolo de colaboração garantir condições de boa colaboração e sinergia sem discutir questões que são aliás indiscutíveis de propriedade, assim como de localização física das bibliotecas especializadas. Alguns dos conteúdos desses fundos são únicos no país e no mundo. Outros são repetidos, o que deveria facilitar a sua circulação. Mas, além das bibliotecas, pode-se ainda pensar, por se tratar de uma mais-valia próxima, nos valiosos Arquivos da Universidade e Municipal. Para não falar também das editoras e imprensas da cidade e região. E das publicações periódicas, com enorme tradição. E das livrarias e antiquários. E das artes gráficas, como a tipografia e o design. E dos cursos em ciências da informação e da documentação, que em Coimbra têm história.

A Biblioteca Geral, a segunda biblioteca do país, está a rebentar pelas costuras. Não cabe lá praticamente mais nada, repleta como está pelas permanentes entregas do depósito legal e por numerosas incorporações e doações (uma das mais importantes foi a da Biblioteca e Arquivo do Instituto de Coimbra, a academia que existiu em Coimbra).

Também a Biblioteca Municipal, que tem desempenhado um notável papel na leitura pública (foi a minha biblioteca na juventude e muito lhe devo!) está hoje limitada num sítio onde, por também receber depósito legal, tem dificuldade em caber: a Casa da Cultura, uma casa datada que tem hoje reduzida funcionalidade.

Para onde ir? Pois o centenário mas elegante edifício da Cadeia Penitenciária de Coimbra, mesmo às portas da Universidade e quase colado à Casa da Cultura entre o Jardim de Santa Cruz e o Jardim Botânico, vai ficar devoluto com a transferência da cadeia para instalações novas nos arredores de Coimbra. Deve ser a Casa do Conhecimento de que Coimbra - a Cidade do Conhecimento - precisa.

Esta ideia, que propus publicamente há já alguns anos, foi acarinhada pelo Reitor da Universidade de Coimbra e, de início, pelo Presidente da Câmara Municipal. Num processo de sinergia da Universidade com a Câmara Municipal, a cidade poderá assim vir a ter a maior biblioteca do país, uma biblioteca com dimensão nacional e internacional, num espaço com interior moderno e equipada com as mais modernas tecnologias. Não é razoável que haja em Coimbra, distanciados por escassas centenas de metros, dois sítios onde é recebido e tratado o mesmo depósito legal. De resto, está prevista a redução em breve das entregas desse depósito pela Biblioteca Nacional, passando a ficar apenas num sítio em Coimbra.

O espaço da Penitenciária é muito amplo (e há muito espaço por baixo para guardar originais depois de devidamente tratados e digitalizados). Portanto, a Casa do Conhecimento poderá também ser um espaço para o Arquivo da Universidade (que também é Distrital) e para o Arquivo Municipal, actualmente também sem espaços suficientes e a funcionar em condições abaixo do desejável. E, derrubados os muros da prisão, há espaço para criar uma faixa verde que una os referidos jardins, fazendo com que a cidade seja atravessada, da Praça da República à Quinta das Lágrimas (passando pelo Jardim Botânico e pelo Parque Verde), por um extenso parque que fará as delícias dos locais e dos visitantes.
artigo completo aqui (http://amigosdacultura2008.blogspot.com/2008/04/coimbra-e-os-livros.html) - vale a pena ler

JohnnyMass
February 6th, 2009, 01:56 AM
Li á uns tempos que os reclusos já andavam a ser transferidos para o estabelecimento prisional de Aveiro.de Aveiro??? Mas a de Aveiro é 10x mais pequena que a de Coimbra... como é isso possível?

Concordo plenamente em transformar a Penitenciária numa gigantesca biblioteca, como as que se vêem lá fora!:yes:

fernao
February 6th, 2009, 01:52 PM
ha' que anos que eu ja' sugeri a biblioteca na penitencia... prai' ha' 10 anos em conversas, e aqui no SSC tambem ha' anos ja'

e o guggenheim portugal ou tate ou berardo na BLI

gostei dessa ideia da sede da CPLP tambem... que tal na ARS? e' um edificio pequeno mas com presenca e poderia ser alargado para o espaco grande que tem atras

e ja' agora tirarem dali o hospital militar e fazer um belo hotel ***** de charme com as melhroes vistas do pais

e ja agora tambem, deitar a baixo os muros do seminario para que se pudesse admirar o edificio no seu esplendor...

Biblioteca UC, Tate antigo e Modern arquitectado por alguem famoso na parte de tras, sede da CPLP na ARS, Hotel com aquelas vistas, com o elegante seminario e com o magestoso Botanico... ficava um dos melhores quarteiroes da Europa

O Prof Godin
February 7th, 2009, 01:58 AM
…pá…estes edifícios antigos são de muito má construção e não se compadecem com o conforto ambiental necessário para a conservação de material de biblioteca…depois fia tudo atamancado…eu sou absolutamente a favor de um novo edifício para a biblioteca da universidade…mas com contemporaneidade e conforto…aquilo, tirando o espaço da cúpula que estamos todos de acordo que será de manter, são só celas e espaços ranhosos, sem um mínimo de dignidade…janelas…já demos…são frestas estreitas e altas sem vista…a vista deste lugar é uma das mais valias…

daniel322
February 20th, 2009, 01:32 PM
Governo encerra Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra

O Conselho de Ministros aprovou ontem o encerramento do Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra. Falta de condições ditou a decisão. Funcionários serão recolocados. [+]

artigo do Diário de Coimbra aqui (http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=791&Itemid=135)

O Prof Godin
February 21st, 2009, 05:45 AM
…óptimo…

NewTomorrow
February 21st, 2009, 05:59 AM
aqui na Madeira tambem saio essa noticia foi a de voces e a Nossa dos Viveiros que vao fechar

dharma-artha
June 10th, 2009, 12:08 PM
Após de me informar sobre o assunto, o espaço e a área envolvente, apresentei esta hipótese de ocupação do espaço num trabalho que realizei:

A ideia será juntar no mesmo espaço várias funcionalidades e recursos que estão um pouco espalhados pela cidade, um género de centro comercial de conhecimento, onde os stands seriam pontos onde a pessoa poderia “comprar” cultura, comprar conhecimento, trocar conhecimento (em que a moeda de pagamento, como uma das hipotéticas modalidades, seria ensinar e ser ensinado, após avaliação e/ou acreditação de capacidades para isso).

Estaria destinado essencialmente a jovens, mas pretende-se que todas as faixas se envolvam, com apelo especial nos idosos, que poderiam aqui aprender, nomeadamente, o uso e aplicação das novas tecnologias, de forma teórica e prática. E que depois, poderiam retribuir esses ensinamentos com aulas de culinária, de tricote ou de outras artes mais antigas (enfim, entende-se)

O IPJ seria transferido para este espaço, e o actual serviria de reforço à Casa Municipal da Cultura, que seria ampliada, e esperamos, para benefício dos cidadãos, que lá se pudessem realizar novos tipos de, e melhores eventos, com maior divulgação na cidade.

Todas as actividades que se propusessem fazer, seriam acompanhadas por voluntários, por coordenadores e professores de determinada área, quer para ensinar como utilizar o material disponível quer para fazer cumprir e vigiar o manuseamento consoante as normas predefinidas.

Os recursos teriam de ser variados: audiovisuais, sejam discos musicais ou uma biblioteca digital de mp3, filme, instrumentos musicais, câmaras de vídeo, um centro e informática com acesso à Internet de alta velocidade cobrado por impulso ou por pacotes, com um preço obviamente mais barato que o comercial, robótica, um laboratório de experimentação e autoprodução, assim como estúdios, o que pode levar à descoberta de gostos e de talentos.


Todos, sem excepção, teriam assim a oportunidade de gravar uma música, fazer uma curta metragem, aprender uma nova língua, manusear um robô, dar largas à arte, gráfica ou lírica, e muito importante, vê-la divulgada, enriquecer as nossas experiências e deixar a força e vontade criativa da juventude ter espaço para se desenvolver. Quem sabe, poderemos fazer de pequenas experiências, deste incentivo cultural e por conseguinte intelectual, uma juventude mais ligada à cultura e mais sapiente, e encontrar verdadeiros talentos.


Funcionamento do edifício:

Seria semelhante a um centro comercial. Cada espaço seria uma “loja” especializada de certo saber. A gestão do espaço, que será pública, pelo pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Coimbra em conssonância com o IPJ, será também patrocinado por empresas, quer a nível de materiais disponíveis no espaço, de publicidade e da própria exploração de espaços que as empresas arrendavam.

datuhx
June 10th, 2009, 01:31 PM
…pá…estes edifícios antigos são de muito má construção e não se compadecem com o conforto ambiental necessário para a conservação de material de biblioteca…depois fia tudo atamancado…eu sou absolutamente a favor de um novo edifício para a biblioteca da universidade…mas com contemporaneidade e conforto…aquilo, tirando o espaço da cúpula que estamos todos de acordo que será de manter, são só celas e espaços ranhosos, sem um mínimo de dignidade…janelas…já demos…são frestas estreitas e altas sem vista…a vista deste lugar é uma das mais valias…

Estou certo de que o professor conhece uma coisa chamada reabilitação! E dada a localização da penitenciária acho que não era um local nada mau para a biblioteca!

djou23
July 14th, 2009, 07:47 PM
Escrito por João Henriques
para as penitenciárias

Câmara trava
actualização do PDM

De há uns tempos a esta parte, todos assumiram como certo que os terrenos da Mata de S. Pedro, na freguesia do Botão, correspondiam, finalmente, à localização definitiva do novo Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC). Contudo, o Ministério da Justiça transmitiu à Câmara de Coimbra que os terrenos não eram adequados em virtude de não corresponderem à dimensão pretendida pelo Governo, além de apresentarem declives acentuados e contemplarem uma linha de água, solicitando, por isso mesmo, localizações alternativas. Algo que a autarquia começou a tratar, embora, em virtude dos actos eleitorais que se aproximam, tenha ficado também decidido que tais soluções só seriam tratadas em data posterior às eleições legislativas e autárquicas.

Ontem, na agenda da reunião quinzenal do executivo municipal, o ponto do planeamento integrava a votação de uma alínea relacionada com a segunda alteração ao Plano Director Municipal (PDM) de Coimbra, onde constavam questões relativas ao antigo e ao novo EPC. Este acabou mesmo por ser o ponto mais discutido da ordem de trabalhos, com a maioria eleita pela Coligação Por Coimbra (PPD-PSD/CDS-PP/PPM) a defender o seguimento em processo autónomo da alteração ou suspensão do PDM da questão da Penitenciária, de modo «a não prejudicar o prosseguimento das restantes alterações», assim como «retirar, cumulativamente, a alteração do zonamento de zona de equipamento para zona residencial do espaço afecto ao actual EPC, face à interligação entre as duas situações (futura/actual penitenciária)».
Por sua vez, os socialistas, na pessoa do líder da bancada, Victor Baptista, optaram por afirmar que a desejada separação não passava de uma «retaliação». Convém referir que, a 5 de Janeiro, o executivo deliberou e aprovou por maioria a alteração dos usos dos solos do actual EPC (de uso de equipamento para residencial, mantendo a zona verde de uso público) e dos solos da Mata de S. Pedro (de uso florestal para equipamento). O independente Pina Prata foi o primeiro a abordar o tema ainda antes da ordem do dia. «Ao fim de algum tempo, estranho que se venha arquivar a Penitenciária em vez de se fazer. Como é possível andar a brincar com estes projectos?», criticou.

Victor Baptista lamentou a «inversão» camarária, pois, anteriormente, registou-se o «acordo de todas as forças políticas», enquanto «agora vem-se dar o dito pelo não dito e fica tudo equipamento [na actual Penitenciária]». O socialista recordou que «a possibilidade de alguma construção no actual EPC permitiria a obtenção de verba para financiar a nova Penitenciária», assumindo não perceber o porquê de, nestas matérias, «se defender os privados e penalizar o Estado». «O que se está aqui a fazer é anular uma deliberação», constatou Baptista, antes de João Rebelo garantir não estar proposta a anulação da deliberação anterior, pois, justificou, «as duas matérias [actual e nova Penitenciária] devem estar juntas».

«O que está a dizer é que se trata de uma compensação, uma contrapartida», atirou o líder da bancada do PS, para, de pronto, o vice-presidente do município de Coimbra responder: «O objectivo da Câmara era que o Ministério da Justiça se dissesse interessado e disponível para construir a nova Penitenciária em Coimbra. É uma função de planeamento, não é uma contrapartida». Gouveia Monteiro considerou «absurdo não fazer um projecto de equipamento em função de um terreno e ser ao contrário». Assim sendo, o comunista é peremptório: «A Câmara não pode alterar o PDM enquanto não souber se a Penitenciária cabe nos terrenos em Coimbra».

Retaliar ou atirar
a tolha ao chão?
Pina Prata defendeu que «a Câmara tem de ter uma voz na defesa da Penitenciária em Coimbra», assumindo que «com esta situação está a atirar a toalha ao chão». «Uma deliberação destas é um atentado a Coimbra. Temos de ter a Penitenciária em Coimbra e naquele local [Mata de S. Pedro] e dignificar o actual EPC com o Centro de Artes e Espectáculos e a Casa do Conhecimento. Tem de ser um projecto da cidade. Se for preciso, vá [Carlos Encarnação] a Lisboa, alugue um quarto de hotel e ponha-se em cima do Governo. São dois projectos fundamentais para Coimbra. A Penitenciária no Botão corresponde a 800 milhões de euros de investimento e 500 postos de trabalho, mas o mais grave é a perda de investimento estruturante para o centro da cidade», divulgou o vereador independente.

Carlos Encarnação interveio, então, para informar que «o Governo tem uma política definida para as penitenciárias», antes de divulgar que, «perante a exigência do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça, estamos a analisar outras possíveis localizações e temos várias alternativas para apresentar ao Ministério da Justiça». «Desde Janeiro, as coisas mudaram», acrescentou o presidente, com a socialista Fernanda Maçãs a sublinhar que «não podemos andar sempre a fazer alterações ao PDM», acrescentando que «a Câmara é que olha o PDM e diz onde deve ficar a Penitenciária», pois, defendeu, «a Câmara é que tem de liderar o processo».

O presidente da Câmara de Coimbra assegura que «mantêm-se em aberto todas as posições da autarquia», como são os objectivos de «transportar a Penitenciária para fora da cidade e conseguir uma boa negociação para o actual edifício». Apesar de contestar a proposta camarária de «voltar atrás no PDM», Victor Baptista assumiu também não compreender «como é que o Ministério da Justiça concordou, durante anos, com o espaço como adequado e agora já não serve, dizendo que é exíguo». De seguida, o socialista aconselhou Encarnação a «ir ver e fazer um levantamento dos terrenos e propor expropriações públicas para esse fim [construção EPC nos terrenos da Mata de S. Pedro]», declarando que «esta deliberação vai manter tudo na mesma».

«Ou se mantém a decisão anterior ou o que está a fazer é represália», prosseguiu Baptista, antes de Encarnação responder: «São interpretações antagónicas. Uns, em defesa do Governo, dizem que é retaliação e uma posição de força. Outros, para atacarem a Câmara, afirmam que se trata de atirar a toalha ao chão e uma posição de fraqueza. Eu digo que é uma posição responsável de quem tem de negociar o melhor possível para a sua cidade». O presidente da autarquia lembrou que «não podemos ter uma Penitenciária à moda de Coimbra, pois o Governo eleito tem o critério de definir os estabelecimentos prisionais e não podemos passar por cima do Ministério da Justiça». Os socialistas Victor Baptista, Fernanda Maçãs e Álvaro Seco e o independente Pina Prata votaram contra a questão da Penitenciária seguir em processo autónomo em termos de PDM.

Diário de Coimbra

Bokaido
July 16th, 2009, 03:31 AM
Penitenciárias, ora aí está uma bela ideia..

Na onda de estimular a economia e contrariar a crise através do investimento público, o nosso Governo podia lançar um concurso para meia dúzia de grandes prisões a serem construídas por todo o país. Isso é que era bem pensado.

6 prisões para 2 mil presos cada (tem de ser das grandes mesmo, porque há por aí muita canalha) para construir durante os próximos 4/8 anos e, paralelamente, uma inevitável revisão do código penal, com aumento do tempo máximo de prisão para, sei lá, prisão perpétua?!

Quanto é que custaria fazer isso? 40 ou 50 milhões de euros? Era aproveitar agora, que não interessa muito o custo, pois seriam uns milhões a distribuir por empresas de construção no norte, centro e sul, com os correspondentes empregos. E no fim, melhores condições para o sistema judicial português.


NOTA, não pensem que sou algum desses nacionalistas de extrema direita, apenas penso que o avanço da nossa sociedade passa por 3 pilares essenciais: Educação, Saúde e Justiça.

djou23
July 23rd, 2009, 06:03 AM
Escrito por João Luís Campos
terreno no botão foi chumbado

Nova cadeia de Coimbra
pode ir para a Lamarosa

Ministério da Justiça já visitou o local e aguarda pelo
parecer da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais

A freguesia da Lamarosa poderá acolher a nova cadeia de Coimbra. Depois das exigências do Ministério da Justiça terem “chumbado” o terreno que estava há alguns anos disponível para a construção do novo Estabelecimento Prisional de Coimbra, a autarquia já identificou algumas alternativas e o terreno na Lamarosa, apurámos, é neste momento o que está melhor colocado, pese embora este seja um dossier que transitará para o próximo Governo, tal como o ministro da Justiça anunciou recentemente em Coimbra.

Questionado pelo DC, sobre este processo, o Ministério da Justiça explicou-nos que «a área necessária para os novos estabelecimento prisionais é de 40 hectares, devido a tratar-se de instalações destinadas a pelo menos 800 reclusos, com um programa inovador, que por razões de segurança e funcionalidade adopta uma solução com edifícios autónomos e independentes, o que associado às áreas de protecção periférica implica que a ocupação de terreno seja bastante superior ao que era usual.

Devido a esta necessidade de área, o terreno que tinha sido disponibilizado há alguns anos pela Câmara Municipal de Coimbra, no Botão, revelou-se inadequado».

Pese embora, no total, o terreno tivesse os 40 hectares, a sua geometria e a própria orografia do terreno impediam a construção já que o modelo destas novas cadeias segue um projecto internacional. Assim, o projecto não se pode adaptar ao terreno.

Posteriormente, explicou-nos a fonte do Ministério da Justiça, «o Município propôs novo terreno de maior área e mais plano, que se localiza perto do limite do concelho de Cantanhede. Este foi já vistoriado, tem boas acessibilidades, tem área suficiente e foi já realizada uma implantação de princípio para o futuro Estabelecimento Prisional. Está a aguardar-se o parecer da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais antes de se decidir pela aprovação do terreno».

O terreno em causa, sabe o DC, situa-se na freguesia da Lamarosa, não longe da localidade de Andorinha, e ganha com a proximidade à A 14. A confirmar-se a aprovação daquela localização, os terrenos terão de ser expropriados pela autarquia no âmbito de uma negociação que envolverá o uso futuro do terreno onde hoje está implantado o Estabelecimento Prisional de Coimbra, em pleno centro da cidade. O Ministério da Justiça pretenderá financiar a construção da nova cadeia com a rentabilização do espaço nobre que possui na cidade, sendo que uma primeira proposta previa uma unidade hoteleira e zonas de habitação e comércio, mantendo uma faixa de espaço verde e a possibilidade de um equipamento de uso cultural. O processo será, agora, actualizado e analisado quer pelo futuro Governo quer pelo futuro executivo camarário.


Diário de Coimbra

Lino
July 23rd, 2009, 02:29 PM
Fazer do edifício principal algo como fizeram na Mãe de Água ou no Convento do Beato em Lisboa e o que espero que avance no de S. Francisco em Coimbra, seria fixe...

daniel322
June 19th, 2010, 08:40 PM
Cluster cultural no lugar da prisão

O projecto tem como objectivo a reestruturação da Penitenciária de Coimbra e do Quartel de Santana, bem como das áreas adjacentes. Gerson Rei, José Gama e Rui Baltazar, da Faculdade de Ciências Tecnologia da Universidade de Coimbra, integram o naipe de cinco vencedores do Prémio Secil Arquitectura Universidades.

As duas plataformas, que já deram suporte aos antigos Colégio de Tomar e Convento de Sant’Ana, localizam-se no coração da cidade, sendo circundadas, a norte, pelo Jardim da Sereia, a poente, pela histórica Universidade de Coimbra e, a sul, pelo Jardim Botânico – o pulmão da cidade.

A proposta divulgada no boletim da Ordem dos Arquitectos pretende transformar estas plataformas (…) através da instalação de um cluster cultural destinado à fixação de indústrias criativas em conexão com áreas de expansão para a Biblioteca Geral (Biblioteca de Arte), Centro de Exposições, Centros de investigação, Mediatecas, Auditórios, Workshops e Residências artísticas.

O actual isolamento da Acrópole da Penitenciária, consideram, é marcado, principalmente, pela existência de uma muralha em redor da mesma. “Contraria-se este fechamento, oferecendo o cluster à cidade e a cidade ao espaço da Acrópole”.

No projecto de Gerson Rei, José Gama e Rui Baltazar “largos atravessamentos rasgam a área projectada, ligando as cotas altas dos bairros a Nascente, com as cotas baixas da Praça João Paulo II, Bairro Santa Cruz e Jardim Botânico”.

Estes atravessamentos, “vão cerzindo o programa do cluster, fazendo as ligações entre jardins, praças e edifícios”.
O edifício da actual Penitenciária, sugerem os autores, é ocupado pela Biblioteca das Artes que complementa a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

A segregação e a pequena escala das salas das alas prisionais são convertidas em amplas salas de leitura, tendo o panóptico como espaço central de distribuição do programa.

O edifício de clausura é devolvido à cidade ligando-o com os volumes facetados a nascente, pelo que Gerson Rei, José Gama e Rui Baltazar consideram que a Acrópole da Penitenciária torna-se, deste modo, um espaço gerador de cidade.

AsBeiras (http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=83774&ed=19062010)

bru_nex
June 20th, 2010, 02:14 AM
A imagem:
http://testarsite.com.sapo.pt/penitenciaria%20e%20quartel.png

O boletim da Ordem dos Arquitectos:
http://arquitectos.pt/documentos/1275064682Z8iRP4xx3Jq07YW1.pdf

:applause:

djou23
June 20th, 2010, 06:12 AM
uau!

AZT2009
June 20th, 2010, 12:14 PM
À meses vi que lançaram os concursos para novas prisões vederam as antigas e depois como as novas nunca mais avançavam tiveram de pagar rendas aos actuais donos das prisões antigas.:lol:

bru_nex
November 27th, 2010, 12:20 AM
Isto vai ficar excelente... Imaginar este espaço sem muros... uau!

http://farm5.static.flickr.com/4152/5108403371_35c8f7dc69_z.jpg

Aka
November 27th, 2010, 12:57 AM
Não sei porquê, mas afeiçoei-me ao muro interior. Com umas remodelaçõezitas passava por castelo. :x

bru_nex
November 27th, 2010, 01:10 AM
Eu, felizmente, nunca tive nenhum contacto com ele. Mas não tenho dúvida que um espaço amplo, sem os muros, relvado até ao edifício vai ficar :o

Acho que isto só não avançou porque não se sabe o que fazer da Penitenciária. Porque a nova prisão será paga com o dinheiro que a antiga render. Ora, a antiga só rende quando for dada utilidade ao espaço.

Havia interesse do grupo Amorim para construir um hotel 5*, mas mais não sei.

JPSM
November 27th, 2010, 01:11 AM
Isto vai ficar excelente... Imaginar este espaço sem muros... uau!

http://farm5.static.flickr.com/4152/5108403371_35c8f7dc69_z.jpg

O muro da Rua acho que não, era ir abaixo...mas aquele muro interior acho que podia ficar...pelo menos o que é visivel da foto...essa secção...com um jardim até a estrada, dava ali um efeito de muralha de castelo porreira...

bru_nex
November 27th, 2010, 01:40 AM
Estou a entender a tua ideia. Mas acho que com um edifício destes atrás do muro, e tão próximo, o espaço aberto deve servir para afirmar o edifício e, se se mantiver o muro interior, vai acabar por se valorizar mais o próprio muro do que o edifício.

bru_nex
November 27th, 2010, 01:42 AM
Outra proposta, acho que da candidatura do Pina Prata:

http://4.bp.blogspot.com/_ss8xHnRWwKE/SLe7l8VL8aI/AAAAAAAAALE/VusGSZiLL-s/s320/19254.jpg

JPSM
November 27th, 2010, 01:46 AM
não sei...o próprio edifico, valoriza se a distancia...basta veres que ele bem visivel do outro lado da cidade...e destaca se na paisagem...pode é esconder um bocado as partes inferiores...por isso falei em deixar só essa secção da muralha, abria se dos arcos do jardim para a frente e em volta por exemplo, ficava só o bocado topo da Sereia-arcos do jardim...

é que ficava acho eu engraçado, e dava a Coimbra algo que falta...embora ficticio, dava nos uma muralha...já que as muralhas da cidade foram indo a vida com o passar dos séculos...

JPSM
November 27th, 2010, 01:54 AM
Outra proposta, acho que da candidatura do Pina Prata:

http://4.bp.blogspot.com/_ss8xHnRWwKE/SLe7l8VL8aI/AAAAAAAAALE/VusGSZiLL-s/s320/19254.jpg

lá está a minha ideia seria mais ou menos isso..mas manter a muralha interior, dos arcos do jardim até ao 1º edificio branco que se vê na imagem...

elvetio
April 21st, 2011, 12:13 AM
Fala-se muito do futuro da penitenciária mas pouco se diz sobre o passado. Sobre o Colégio de Nossa Senhora da Conceição. Mais uma atrocidade cometida em Coimbra, lançar um tão imponente edifício do século XVI para o esquecimento. É de levar as mão à cabeça a quantidade de património que esta cidade deitou ao lixo gratuitamente. Essa história de só a partir do século XX se começou a olhar para a conservação do passado é para mim treta. Expliquem-me como é possível que Roma possua edifícios milenares intocados e nós tenhamos destruido tudo. Tudo. Foi tudo.

PS - se alguém de maior conhecimento me puder explicar que edificio com uma abobada é aquele que se vislumbra por tras do Colégio na primeira imagem agradecia muito

elvetio
April 21st, 2011, 12:16 AM
http://lh3.ggpht.com/_FWw2-dpB4oM/SDF00XR4eGI/AAAAAAAABnw/My51eJLUg3s/Untitled-18.jpg

este aqui atras. Lado direito superior

Urban Heat
April 21st, 2011, 01:56 AM
Bem a meados do século XX, se destruiu 1/4 de Coimbra. Obrigado Salazar.
Agora tudo, vais muito longe.

O Prof Godin
April 23rd, 2011, 02:47 AM
…apesar das notícias a penitenciária continua a funcionar…

elvetio
April 28th, 2011, 09:12 PM
Será que alguém reconhece o edificio que está por trás do convento neste link? o que tem uma torre
http://lh3.ggpht.com/_FWw2-dpB4oM/SD...ntitled-18.jpg

elvetio
April 28th, 2011, 09:13 PM
peço desculpa. o link e este que agora apresento
http://lh3.ggpht.com/_FWw2-dpB4oM/SDF00XR4eGI/AAAAAAAABnw/My51eJLUg3s/Untitled-18.jpg

O Prof Godin
April 29th, 2011, 06:12 PM
…não é o colégio de Tomar…a perspectiva engana…falta enquadramento…para responder…