zebrasil
March 2nd, 2009, 05:13 PM
Energia do gás alavanca os lucros das indústrias Zulmira Furbino - Estado de Minas
Eduardo Bacci/Divulgação - 21/11/08
http://www.uai.com.br/UAI/noticias/fotos/20090302072643787.peg
Colheita de cana-de-açúcar em usina de álcool no estado: novas tecnogias vão aumentar poder do calor
Indústrias de siderurgia, celulose e papel, petroquímica e sucroalcooleiras estão incrementando a autoprodução de energia como forma de garantir o suprimento do insumo, reduzir custos e ganhar competitividade no mercado. Embaladas pelo uso de novas tecnologias, ganho de eficiência e facilidade de obtenção de licenças ambientais, a cogeração continua a atrair investidores. Segundo o Plano Decenal de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o período 2008-2017, a autoprodução deverá crescer acima de 10% ao ano nesses setores. A tendência cresce na contramão da capacidade da maior parte das empresas de participarem dos grandes leilões para a construção de novas usinas. Por isso, a opção é apostar em eficiência energética e aproveitamento de calor.
É o que a ArcelorMittal Tubarão (antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, CST) já faz desde a década de 1980. Depois de atingir a autossuficiência em 1998, hoje a potência de geração instalada é da ordem de 500 megawatts (MW), equivalente à da usina hidrelétrica de Nova Ponte, na região do Alto Paranaíba, em Minas. A energia é fabricada por meio do reaproveitamento integral dos gases gerados no processo da coqueria, que corresponde, segundo a empresa, a 10% de toda a energia consumida no Espírito Santo. Além de suprir sua própria demanda, a companhia tem contrato de venda de energia com a Tractebel até 2011 no valor de R$ 300 milhões, o que corresponde a fornecimento médio mensal entre 80MW e 105MW. Mas hoje, em virtude do cenário econômico, está fornecendo apenas 40MW.
Para Mário Menel, presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica, é difícil dizer o quanto cada empresa lucra ou deixa de perder investindo em cogeração. “Se elas decidem investir, é porque é viável”, garante. Mas dá para fazer uma ideia. Na Gusa Nordeste, produtora de gusa em Açailândia, no Maranhão, o calor dos três alto-fornos usados para a produção anual de 360 mil toneladas de ferro ao ano já começou a gerar energia. Com investimentos de R$ 20 milhões, a empresa, cuja demanda é de 5 MW, tornou-se autossuficiente e ainda comercializa outros 5MW no mercado spot (livre). “O mercado de gusa é instável e, por isso, não se deve fazer contrato de longo prazo”, diz Walter Froes, diretor da CMU Comercializadora de Energia, responsável pelo projeto. Durante a amortização do investimento, que será feita em 10 anos, a empresa vai ganhar – com a venda de excedente e a redução do custo operacional – R$ 9 milhões ao ano. Depois da amortização, o ganho salta para R$ 13 milhões.
Biomassa
De acordo com Carlos Roberto Silvestrin, vice-presidente da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), a cogeração está concentrada nas plantas industriais que usam gás natural nos centros urbanos e em biomassa, onde há bagaço de cana e palha disponíveis. São 4.000MW movidos a bagaço de cana e palha e, ao todo, 7.000MW se se considerar a geração a partir de gás e combustíveis de processo, como resíduos da indústria de papel e reações da indústria química. “Da energia gerada a partir de biomassa, 70% é destinada à comercialização. Em média, as usinas sucroalcooleiras não precisam de mais de 30% para consumo próprio”, explica.
Os investimentos na troca de equipamentos para a geração de energia no segmento vão de R$ 3 mil por kilowatt (kW) em equipamentos novos e R$ 4 mil por kW instalado nas usinas antigas, que demandam troca de tecnologia. “O uso da biomassa para a geração de energia é crescente desde 2005 e vem se ampliando em 12% ao ano”, diz. Segundo ele, a expectativa é de que o insumo produzido a partir dessa fonte, que hoje representa 3% da matriz elétrica nacional, atinja 15% em 2020. “Podemos chegar a 14.000MW, o que equivale a uma Itaipu e meia”, afirma. Segundo Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig), uma nova tecnologia de gaseificação do bagaço, que está sendo desenvolvida no país, deverá multiplicar por 10 o poder de calor das caldeiras instaladas nas indústrias do segmento.
Eduardo Bacci/Divulgação - 21/11/08
http://www.uai.com.br/UAI/noticias/fotos/20090302072643787.peg
Colheita de cana-de-açúcar em usina de álcool no estado: novas tecnogias vão aumentar poder do calor
Indústrias de siderurgia, celulose e papel, petroquímica e sucroalcooleiras estão incrementando a autoprodução de energia como forma de garantir o suprimento do insumo, reduzir custos e ganhar competitividade no mercado. Embaladas pelo uso de novas tecnologias, ganho de eficiência e facilidade de obtenção de licenças ambientais, a cogeração continua a atrair investidores. Segundo o Plano Decenal de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o período 2008-2017, a autoprodução deverá crescer acima de 10% ao ano nesses setores. A tendência cresce na contramão da capacidade da maior parte das empresas de participarem dos grandes leilões para a construção de novas usinas. Por isso, a opção é apostar em eficiência energética e aproveitamento de calor.
É o que a ArcelorMittal Tubarão (antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, CST) já faz desde a década de 1980. Depois de atingir a autossuficiência em 1998, hoje a potência de geração instalada é da ordem de 500 megawatts (MW), equivalente à da usina hidrelétrica de Nova Ponte, na região do Alto Paranaíba, em Minas. A energia é fabricada por meio do reaproveitamento integral dos gases gerados no processo da coqueria, que corresponde, segundo a empresa, a 10% de toda a energia consumida no Espírito Santo. Além de suprir sua própria demanda, a companhia tem contrato de venda de energia com a Tractebel até 2011 no valor de R$ 300 milhões, o que corresponde a fornecimento médio mensal entre 80MW e 105MW. Mas hoje, em virtude do cenário econômico, está fornecendo apenas 40MW.
Para Mário Menel, presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica, é difícil dizer o quanto cada empresa lucra ou deixa de perder investindo em cogeração. “Se elas decidem investir, é porque é viável”, garante. Mas dá para fazer uma ideia. Na Gusa Nordeste, produtora de gusa em Açailândia, no Maranhão, o calor dos três alto-fornos usados para a produção anual de 360 mil toneladas de ferro ao ano já começou a gerar energia. Com investimentos de R$ 20 milhões, a empresa, cuja demanda é de 5 MW, tornou-se autossuficiente e ainda comercializa outros 5MW no mercado spot (livre). “O mercado de gusa é instável e, por isso, não se deve fazer contrato de longo prazo”, diz Walter Froes, diretor da CMU Comercializadora de Energia, responsável pelo projeto. Durante a amortização do investimento, que será feita em 10 anos, a empresa vai ganhar – com a venda de excedente e a redução do custo operacional – R$ 9 milhões ao ano. Depois da amortização, o ganho salta para R$ 13 milhões.
Biomassa
De acordo com Carlos Roberto Silvestrin, vice-presidente da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), a cogeração está concentrada nas plantas industriais que usam gás natural nos centros urbanos e em biomassa, onde há bagaço de cana e palha disponíveis. São 4.000MW movidos a bagaço de cana e palha e, ao todo, 7.000MW se se considerar a geração a partir de gás e combustíveis de processo, como resíduos da indústria de papel e reações da indústria química. “Da energia gerada a partir de biomassa, 70% é destinada à comercialização. Em média, as usinas sucroalcooleiras não precisam de mais de 30% para consumo próprio”, explica.
Os investimentos na troca de equipamentos para a geração de energia no segmento vão de R$ 3 mil por kilowatt (kW) em equipamentos novos e R$ 4 mil por kW instalado nas usinas antigas, que demandam troca de tecnologia. “O uso da biomassa para a geração de energia é crescente desde 2005 e vem se ampliando em 12% ao ano”, diz. Segundo ele, a expectativa é de que o insumo produzido a partir dessa fonte, que hoje representa 3% da matriz elétrica nacional, atinja 15% em 2020. “Podemos chegar a 14.000MW, o que equivale a uma Itaipu e meia”, afirma. Segundo Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig), uma nova tecnologia de gaseificação do bagaço, que está sendo desenvolvida no país, deverá multiplicar por 10 o poder de calor das caldeiras instaladas nas indústrias do segmento.