gerd.jak
April 3rd, 2009, 03:15 PM
PESQUISA O/D CONFIRMA PRIORIDADE DE INVESTIMENTOS NO TRANSPORTE COLETIVO (http://www.metro.sp.gov.br/aplicacoes/news/tenoticiasview.asp?id=6565CFBFL7&categoria=6561F2&idioma=PO)
Aumento do número de viagens da população na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), entre 1997 e 2007, pressiona a demanda nos sistemas de transportes. Áreas que apresentaram maior concentração dos fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento
Crescimento acentuado da população nas faixas de renda C e D, associado à elevação do nível de empregos
Elevação do nível de interdependência dos municípios da (RMSP) confirma necessidade de planejamento unificado dos transportes coletivos na região metropolitana
Aumento do tempo das viagens atinge todas as classes sociais. Usuário que se desloca entre o bairro do Grajaú e a Praça da Sé gasta em média 244 minutos, entre ida e volta. Com os investimentos em novos trens e na troca da sinalização, pelo Plano de Expansão, o tempo dos deslocamentos será reduzido em média em 25%
Pela primeira vez, a pesquisa Origem e Destino será disponibilizada integralmente. O conteúdo poderá ser acessado no site www.metro.sp.gov.br a partir do dia 7 de abril.
Essas foram as principais constatações da última edição da Pesquisa Origem e Destino (O/D), apresentada pelo Metrô, nesta quinta-feira (2). Realizada pela companhia, com apoio da CPTM, EMTU, SPTrans e CET, o instrumento é vital para o planejamento dos transportes. A pesquisa coleta informações que permitem traçar uma radiografia dos deslocamentos realizados pelos moradores da RMSP, incluindo a caracterização sócio-econômica, além de permitir pensar o futuro e as ações que terão impacto direto sobre a vida dos cidadãos nos próximos anos.
Na abertura do evento, o secretário dos Transportes Metropolitanos José Luiz Portella, ressaltou que, diferentemente das outras edições, desta vez está acontecendo um grande plano de expansão casado com os resultados da pesquisa, o que permite ver como ocorre o processo de planejamento dos transportes. O aumento da demanda vem sendo acompanhado por pesados investimentos. “Se não tivéssemos esse compromisso de continuar entregando mais linhas da expansão, mais trens para garantir que um número maior de pessoas seja transportado por hora, e a manutenção para que tudo funcione corretamente, esse conceito sinérgico, de conjunto, essa situação ficaria bastante grave”.
Promovida desde 1967, de 10 em 10 anos pelo Metrô, a O/D conta com a parceria da CPTM, EMTU/SP, SPTrans e CET. Em sua quinta edição, abrangeu os 39 municípios da RMSP, divididos em 460 zonas. O levantamento envolveu 365 pesquisadores que realizaram trabalho de campo durante 214 dias. No total, foram visitados 54.571 domicílios, totalizando 92 mil entrevistados e 30 mil entrevistas válidas. Para traçar os deslocamentos, a pesquisa coletou 431.658 endereços referentes aos locais de residência, trabalho, escola além de origens e destinos de viagens e pontos de transferência entre modos.
Os dados foram apresentados pelo diretor de Planejamento do Metrô, Marcos Kassab, com comentários do diretor de Planejamento da CPTM, Alberto Epifani. Também estiveram presentes representantes das empresas participantes.
Síntese dos resultados
De acordo com a O/D, em 2007, a população da RMSP somou 19,5 milhões de habitantes, um crescimento de 16% no último decênio, mesmo percentual da elevação da frota de automóveis particulares, o que resultou em taxa de motorização igual a 1997, de 184 veículos por mil habitantes. Um dado positivo foi o aumento expressivo do emprego, com registro de 30% na oferta de vagas na RMSP, totalizando 9,1 milhões em 2007.
O levantamento revela que houve crescimento de empregos na RMSP. Entretanto, o centro expandido da capital paulista mantém a concentração de 65% do total metropolitano, índice pouco menor do que o de 1997, que registrava 67%.
Outro destaque é o tempo de viagem das pessoas que utilizam transportes coletivo e individual, durante os deslocamentos na Capital. Para se ter idéia, entre 1997 e 2007, a média no coletivo subiu de 61 para 69 minutos, enquanto no individual, saltou de 29 para 33 minutos.
Um dado positivo foi o aumento de pessoas com renda familiar entre dois e oito salários mínimos utilizando o transporte coletivo. A inclusão de pessoas das classes média e média baixa confirma o resultado antecipado em setembro, de que, pela primeira vez em 40 anos, houve inversão da tendência de queda da participação do transporte coletivo em relação ao total de viagens motorizadas. Em 2007, foram realizados 13,9 milhões de viagens diárias por transporte coletivo (55%), enquanto que o modo individual totalizou 11,3 milhões (45%). De 1967 a 2002, a participação do transporte coletivo caiu de 68% para 47% e as viagens por transporte individual subiram de 32% para 53%.
Viagens totais realizadas
A pesquisa revela o crescimento de 22% no número de viagens totais feitas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e aponta que dos 38,2 milhões de viagens realizadas diariamente, 25,6 milhões são motorizadas (coletivo e individual), crescimento de 23%, e 12,9 milhões não-motorizadas (bicicleta e a pé), aumento de 18%.
Já em relação à divisão das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado, o resultado mantém-se estável nos últimos dez anos, passando de 65% para 66% a participação do modo motorizado, e de 35% para 34%, o não-motorizado.
A pesquisa também indica que, na divisão das viagens motorizadas por faixa de renda, a participação do modo individual cresce quando a renda aumenta.
A utilização de bicicletas nos deslocamentos metropolitanos apresenta tendência de crescimento, acompanhando o cenário mundial. Entre 1997 e 2007, o uso de bicicletas quase dobrou, saltando de 165 mil viagens/dia para 305 mil viagens/dia. E, pela primeira vez, esta edição da O/D pesquisou a posse de motocicleta e bicicleta, por família. O resultado é que 7% das famílias possuem motocicleta, frente a 93% que não possuem. Já o número de bicicletas é relevante: 1/3 das famílias tem bicicleta, sendo que desses, 24% possuem apenas uma e 9% mais que uma bicicleta.
População
A população da RMSP, de 19,5 milhões de habitantes em 2007, apresentou acréscimo de 16% em relação a 1997. A sub-região Centro, que corresponde ao município de São Paulo, contava com população de 10,9 milhões de habitantes em 2007. A O/D também mostrou que 46% da população é economicamente ativa.
O levantamento por idade revela que estão nascendo menos crianças. Em um comparativo com 1987, nos últimos 20 anos, a taxa de natalidade vem caindo. Em contrapartida, temos grande parte da população concentrada na faixa etária de 20 a 34 anos. O número de idosos também vem aumentando e isso se reflete no transporte, já que aumenta a preocupação com a acessibilidade e com a gratuidade. No entanto, mesmo com a queda no índice de natalidade, as matrículas escolares, em número de 5,3 milhões, cresceram 5% no período.
Frota de Automóveis Particulares e Taxa de Motorização
A frota de automóveis particulares em posse das famílias na RMSP foi de 3,6 milhões em 2007, excluindo veículos pertencentes a empresas, táxis e ônibus. A taxa de motorização, entre 1997 e 2007, não sofreu alteração, mantendo-se em 184 automóveis particulares por grupo de mil habitantes. A distribuição da frota, segundo idade, indica que 27% dos automóveis particulares têm até quatro anos, 32% entre 5 e 10 anos e 41% tem mais de 10 anos.
Em 1997, 49% das famílias não possuíam automóveis em 2007, esse índice foi de 50%. As famílias que possuem um único automóvel permaneceram no mesmo patamar de 38% e as que possuem mais de um carro, diminuiram de 13% para 12%. Apesar do crescente aumento da frota em São Paulo, as famílias mantiveram a mesma posição de 10 anos atrás isso porque o aumento no número de carros teve um crescimento proporcional ao da população.
Com relação aos locais de estacionamento utilizados pelos usuários de carro, 43,5% são particulares, 24% patrocinados, 21% em passeio público, e o restante, outras combinações.
Mobilidade
Os índices de mobilidade (número de viagens por habitante), tanto total quanto motorizada, em 2007, reverteram a tendência decrescente observada desde 1977. No último decênio, a mobilidade total passou de 1,87 para 1,96 viagens por pessoa, enquanto que a motorizada mudou de 1,22 para 1,29 viagens por pessoa.
A renda familiar é a principal variável relacionada à mobilidade. Quanto maior a renda familiar, maior o número de viagens diárias realizadas por pessoa. No período de 1997 a 2007, houve acréscimos de mobilidade em todas as faixas de renda consideradas. Os índices de mobilidade, por modo coletivo, sofreram acréscimo nas faixas de renda familiar até R$ 3.040,00, permanecendo praticamente inalterados acima desse valor. Os índices de mobilidade por modo individual sofreram acréscimos em todas as faixas de renda familiar. Considerando os índices de mobilidade não-motorizada, houve aumentos nas faixas de renda familiar até R$ 1.520,00 e queda a partir desse valor.
Nas faixas etárias até 17 anos, os índices de mobilidade total apresentaram acréscimos no último decênio. Os índices por modo coletivo apresentaram aumento nas idades até 22 anos, tendo sido mais acentuados até 14 anos, o que corresponde ao aumento já mencionado das viagens por transporte escolar.
Divisão Modal
A divisão modal é a distribuição porcentual das viagens motorizadas entre os modos coletivo e individual. Neste quesito, houve aumento das viagens por modo coletivo em todas as sub-regiões da RMSP. A Capital apresenta desempenho similar à da metrópole: 56% para o modo coletivo e 44% para o modo individual.
No Metrô, o número de viagens integradas subiu de 78% para 82%. O mesmo ocorreu nas viagens de ônibus com transferências intermodais, que cresceu de 16% para 26%, no período. Em relação ao modo coletivo com transferências, merece destaque a Capital, onde o número de viagens nessa modalidade subiu de 60% para 69%, de 1997 para 2007. Nela, o número de viagens com apenas uma transferência representa 31% com duas transferências, 8% com três transferências, 1%.
A distribuição porcentual das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado indica maior participação de motorizadas, quanto maior for a renda familiar, tendo aumentado esse tipo de viagem em todas as faixas consideradas, no período 1997-2007. No caso de renda até dois salários mínimos, a participação das viagens não-motorizadas é maior.
Em 2007, a participação das viagens, por transporte coletivo, no total de motorizadas, para as rendas familiares até dois salários mínimos foi de 36%, enquanto que para as famílias de rendas elevadas essa porcentagem foi de apenas 18%.
Razões da escolha da viagem a pé e de bicicletas
O principal motivo das viagens a pé é o deslocamento escolar: 57%. Assim como na pesquisa anterior, 89% das viagens foram realizadas a pé em razão da pequena distância a ser percorrida. Para o motivo trabalho, o porcentual das viagens a pé em razão da pequena distância é de 88%, enquanto que para o motivo educação é de 92%.
Em 2007, 56% das viagens utilizando bicicletas tiveram como motivação a pequena distância e 22% a condução alternativa considerada cara. O principal motivo das viagens diárias por bicicleta, nos dias úteis, é o trabalho, com 71%. O segundo motivo é educação, com 12% e, por fim, lazer, com 4%.
Excetuando as viagens de bicicleta de retorno à residência, o principal local de guarda de bicicleta é privado: 61%. Os bicicletários gratuitos correspondem a 15% e os locais públicos, 8%.
Linha de Contorno
A O/D também faz um levantamento das viagens externas na Linha de Contorno (linha imaginária que limita a RMSP). A pesquisa realiza a contagem veicular de todas as entradas e saídas e as viagens que atravessam a RMSP, por meio de 21 postos rodoviários. De um volume diário médio de 455.183 veículos, foram realizadas 36 mil entrevistas. Um dos resultados da Linha de Contorno é conhecer a distribuição do fluxo de veículos nas estradas: 60% automóveis e táxis, 34% caminhões e 6% ônibus e vans todos com crescimento significativo nesses 10 anos.
Plano de Expansão
Os resultados da O/D apontam para o acerto das medidas tomadas pelo governo, ainda no início de 2007, quando criou o Plano de Expansão do Transporte Metropolitano, com recursos atuais da ordem de R$ 20 bilhões. Com esses investimentos, a rede sobre trilhos com qualidade de metrô praticamente quadruplicará, chegando a 240 km, sendo 160 km da CPTM. Como mostra a pesquisa, as áreas que apresentaram maior concentração de fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento.
O Plano de Expansão contempla a aquisição de 107 trens, a maior compra já realizada nesse setor. Além de adquirir composições, a CPTM e o Metrô vão modernizar os sistemas de sinalização, o que permitirá a redução nos intervalos, oferecendo um aumento significativo no número de viagens com maior velocidade.
Com todos esses empreendimentos, a previsão é diminuir o tempo médio de viagem em 25% no sistema metro-ferroviário e ampliar em 55% o número de passageiros transportados sobre trilhos, melhorando diretamente a qualidade de vida das pessoas. O transporte metropolitano está encurtando as distâncias, aproximando as pessoas e proporcionando economia de tempo.
Aumento do número de viagens da população na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), entre 1997 e 2007, pressiona a demanda nos sistemas de transportes. Áreas que apresentaram maior concentração dos fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento
Crescimento acentuado da população nas faixas de renda C e D, associado à elevação do nível de empregos
Elevação do nível de interdependência dos municípios da (RMSP) confirma necessidade de planejamento unificado dos transportes coletivos na região metropolitana
Aumento do tempo das viagens atinge todas as classes sociais. Usuário que se desloca entre o bairro do Grajaú e a Praça da Sé gasta em média 244 minutos, entre ida e volta. Com os investimentos em novos trens e na troca da sinalização, pelo Plano de Expansão, o tempo dos deslocamentos será reduzido em média em 25%
Pela primeira vez, a pesquisa Origem e Destino será disponibilizada integralmente. O conteúdo poderá ser acessado no site www.metro.sp.gov.br a partir do dia 7 de abril.
Essas foram as principais constatações da última edição da Pesquisa Origem e Destino (O/D), apresentada pelo Metrô, nesta quinta-feira (2). Realizada pela companhia, com apoio da CPTM, EMTU, SPTrans e CET, o instrumento é vital para o planejamento dos transportes. A pesquisa coleta informações que permitem traçar uma radiografia dos deslocamentos realizados pelos moradores da RMSP, incluindo a caracterização sócio-econômica, além de permitir pensar o futuro e as ações que terão impacto direto sobre a vida dos cidadãos nos próximos anos.
Na abertura do evento, o secretário dos Transportes Metropolitanos José Luiz Portella, ressaltou que, diferentemente das outras edições, desta vez está acontecendo um grande plano de expansão casado com os resultados da pesquisa, o que permite ver como ocorre o processo de planejamento dos transportes. O aumento da demanda vem sendo acompanhado por pesados investimentos. “Se não tivéssemos esse compromisso de continuar entregando mais linhas da expansão, mais trens para garantir que um número maior de pessoas seja transportado por hora, e a manutenção para que tudo funcione corretamente, esse conceito sinérgico, de conjunto, essa situação ficaria bastante grave”.
Promovida desde 1967, de 10 em 10 anos pelo Metrô, a O/D conta com a parceria da CPTM, EMTU/SP, SPTrans e CET. Em sua quinta edição, abrangeu os 39 municípios da RMSP, divididos em 460 zonas. O levantamento envolveu 365 pesquisadores que realizaram trabalho de campo durante 214 dias. No total, foram visitados 54.571 domicílios, totalizando 92 mil entrevistados e 30 mil entrevistas válidas. Para traçar os deslocamentos, a pesquisa coletou 431.658 endereços referentes aos locais de residência, trabalho, escola além de origens e destinos de viagens e pontos de transferência entre modos.
Os dados foram apresentados pelo diretor de Planejamento do Metrô, Marcos Kassab, com comentários do diretor de Planejamento da CPTM, Alberto Epifani. Também estiveram presentes representantes das empresas participantes.
Síntese dos resultados
De acordo com a O/D, em 2007, a população da RMSP somou 19,5 milhões de habitantes, um crescimento de 16% no último decênio, mesmo percentual da elevação da frota de automóveis particulares, o que resultou em taxa de motorização igual a 1997, de 184 veículos por mil habitantes. Um dado positivo foi o aumento expressivo do emprego, com registro de 30% na oferta de vagas na RMSP, totalizando 9,1 milhões em 2007.
O levantamento revela que houve crescimento de empregos na RMSP. Entretanto, o centro expandido da capital paulista mantém a concentração de 65% do total metropolitano, índice pouco menor do que o de 1997, que registrava 67%.
Outro destaque é o tempo de viagem das pessoas que utilizam transportes coletivo e individual, durante os deslocamentos na Capital. Para se ter idéia, entre 1997 e 2007, a média no coletivo subiu de 61 para 69 minutos, enquanto no individual, saltou de 29 para 33 minutos.
Um dado positivo foi o aumento de pessoas com renda familiar entre dois e oito salários mínimos utilizando o transporte coletivo. A inclusão de pessoas das classes média e média baixa confirma o resultado antecipado em setembro, de que, pela primeira vez em 40 anos, houve inversão da tendência de queda da participação do transporte coletivo em relação ao total de viagens motorizadas. Em 2007, foram realizados 13,9 milhões de viagens diárias por transporte coletivo (55%), enquanto que o modo individual totalizou 11,3 milhões (45%). De 1967 a 2002, a participação do transporte coletivo caiu de 68% para 47% e as viagens por transporte individual subiram de 32% para 53%.
Viagens totais realizadas
A pesquisa revela o crescimento de 22% no número de viagens totais feitas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e aponta que dos 38,2 milhões de viagens realizadas diariamente, 25,6 milhões são motorizadas (coletivo e individual), crescimento de 23%, e 12,9 milhões não-motorizadas (bicicleta e a pé), aumento de 18%.
Já em relação à divisão das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado, o resultado mantém-se estável nos últimos dez anos, passando de 65% para 66% a participação do modo motorizado, e de 35% para 34%, o não-motorizado.
A pesquisa também indica que, na divisão das viagens motorizadas por faixa de renda, a participação do modo individual cresce quando a renda aumenta.
A utilização de bicicletas nos deslocamentos metropolitanos apresenta tendência de crescimento, acompanhando o cenário mundial. Entre 1997 e 2007, o uso de bicicletas quase dobrou, saltando de 165 mil viagens/dia para 305 mil viagens/dia. E, pela primeira vez, esta edição da O/D pesquisou a posse de motocicleta e bicicleta, por família. O resultado é que 7% das famílias possuem motocicleta, frente a 93% que não possuem. Já o número de bicicletas é relevante: 1/3 das famílias tem bicicleta, sendo que desses, 24% possuem apenas uma e 9% mais que uma bicicleta.
População
A população da RMSP, de 19,5 milhões de habitantes em 2007, apresentou acréscimo de 16% em relação a 1997. A sub-região Centro, que corresponde ao município de São Paulo, contava com população de 10,9 milhões de habitantes em 2007. A O/D também mostrou que 46% da população é economicamente ativa.
O levantamento por idade revela que estão nascendo menos crianças. Em um comparativo com 1987, nos últimos 20 anos, a taxa de natalidade vem caindo. Em contrapartida, temos grande parte da população concentrada na faixa etária de 20 a 34 anos. O número de idosos também vem aumentando e isso se reflete no transporte, já que aumenta a preocupação com a acessibilidade e com a gratuidade. No entanto, mesmo com a queda no índice de natalidade, as matrículas escolares, em número de 5,3 milhões, cresceram 5% no período.
Frota de Automóveis Particulares e Taxa de Motorização
A frota de automóveis particulares em posse das famílias na RMSP foi de 3,6 milhões em 2007, excluindo veículos pertencentes a empresas, táxis e ônibus. A taxa de motorização, entre 1997 e 2007, não sofreu alteração, mantendo-se em 184 automóveis particulares por grupo de mil habitantes. A distribuição da frota, segundo idade, indica que 27% dos automóveis particulares têm até quatro anos, 32% entre 5 e 10 anos e 41% tem mais de 10 anos.
Em 1997, 49% das famílias não possuíam automóveis em 2007, esse índice foi de 50%. As famílias que possuem um único automóvel permaneceram no mesmo patamar de 38% e as que possuem mais de um carro, diminuiram de 13% para 12%. Apesar do crescente aumento da frota em São Paulo, as famílias mantiveram a mesma posição de 10 anos atrás isso porque o aumento no número de carros teve um crescimento proporcional ao da população.
Com relação aos locais de estacionamento utilizados pelos usuários de carro, 43,5% são particulares, 24% patrocinados, 21% em passeio público, e o restante, outras combinações.
Mobilidade
Os índices de mobilidade (número de viagens por habitante), tanto total quanto motorizada, em 2007, reverteram a tendência decrescente observada desde 1977. No último decênio, a mobilidade total passou de 1,87 para 1,96 viagens por pessoa, enquanto que a motorizada mudou de 1,22 para 1,29 viagens por pessoa.
A renda familiar é a principal variável relacionada à mobilidade. Quanto maior a renda familiar, maior o número de viagens diárias realizadas por pessoa. No período de 1997 a 2007, houve acréscimos de mobilidade em todas as faixas de renda consideradas. Os índices de mobilidade, por modo coletivo, sofreram acréscimo nas faixas de renda familiar até R$ 3.040,00, permanecendo praticamente inalterados acima desse valor. Os índices de mobilidade por modo individual sofreram acréscimos em todas as faixas de renda familiar. Considerando os índices de mobilidade não-motorizada, houve aumentos nas faixas de renda familiar até R$ 1.520,00 e queda a partir desse valor.
Nas faixas etárias até 17 anos, os índices de mobilidade total apresentaram acréscimos no último decênio. Os índices por modo coletivo apresentaram aumento nas idades até 22 anos, tendo sido mais acentuados até 14 anos, o que corresponde ao aumento já mencionado das viagens por transporte escolar.
Divisão Modal
A divisão modal é a distribuição porcentual das viagens motorizadas entre os modos coletivo e individual. Neste quesito, houve aumento das viagens por modo coletivo em todas as sub-regiões da RMSP. A Capital apresenta desempenho similar à da metrópole: 56% para o modo coletivo e 44% para o modo individual.
No Metrô, o número de viagens integradas subiu de 78% para 82%. O mesmo ocorreu nas viagens de ônibus com transferências intermodais, que cresceu de 16% para 26%, no período. Em relação ao modo coletivo com transferências, merece destaque a Capital, onde o número de viagens nessa modalidade subiu de 60% para 69%, de 1997 para 2007. Nela, o número de viagens com apenas uma transferência representa 31% com duas transferências, 8% com três transferências, 1%.
A distribuição porcentual das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado indica maior participação de motorizadas, quanto maior for a renda familiar, tendo aumentado esse tipo de viagem em todas as faixas consideradas, no período 1997-2007. No caso de renda até dois salários mínimos, a participação das viagens não-motorizadas é maior.
Em 2007, a participação das viagens, por transporte coletivo, no total de motorizadas, para as rendas familiares até dois salários mínimos foi de 36%, enquanto que para as famílias de rendas elevadas essa porcentagem foi de apenas 18%.
Razões da escolha da viagem a pé e de bicicletas
O principal motivo das viagens a pé é o deslocamento escolar: 57%. Assim como na pesquisa anterior, 89% das viagens foram realizadas a pé em razão da pequena distância a ser percorrida. Para o motivo trabalho, o porcentual das viagens a pé em razão da pequena distância é de 88%, enquanto que para o motivo educação é de 92%.
Em 2007, 56% das viagens utilizando bicicletas tiveram como motivação a pequena distância e 22% a condução alternativa considerada cara. O principal motivo das viagens diárias por bicicleta, nos dias úteis, é o trabalho, com 71%. O segundo motivo é educação, com 12% e, por fim, lazer, com 4%.
Excetuando as viagens de bicicleta de retorno à residência, o principal local de guarda de bicicleta é privado: 61%. Os bicicletários gratuitos correspondem a 15% e os locais públicos, 8%.
Linha de Contorno
A O/D também faz um levantamento das viagens externas na Linha de Contorno (linha imaginária que limita a RMSP). A pesquisa realiza a contagem veicular de todas as entradas e saídas e as viagens que atravessam a RMSP, por meio de 21 postos rodoviários. De um volume diário médio de 455.183 veículos, foram realizadas 36 mil entrevistas. Um dos resultados da Linha de Contorno é conhecer a distribuição do fluxo de veículos nas estradas: 60% automóveis e táxis, 34% caminhões e 6% ônibus e vans todos com crescimento significativo nesses 10 anos.
Plano de Expansão
Os resultados da O/D apontam para o acerto das medidas tomadas pelo governo, ainda no início de 2007, quando criou o Plano de Expansão do Transporte Metropolitano, com recursos atuais da ordem de R$ 20 bilhões. Com esses investimentos, a rede sobre trilhos com qualidade de metrô praticamente quadruplicará, chegando a 240 km, sendo 160 km da CPTM. Como mostra a pesquisa, as áreas que apresentaram maior concentração de fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento.
O Plano de Expansão contempla a aquisição de 107 trens, a maior compra já realizada nesse setor. Além de adquirir composições, a CPTM e o Metrô vão modernizar os sistemas de sinalização, o que permitirá a redução nos intervalos, oferecendo um aumento significativo no número de viagens com maior velocidade.
Com todos esses empreendimentos, a previsão é diminuir o tempo médio de viagem em 25% no sistema metro-ferroviário e ampliar em 55% o número de passageiros transportados sobre trilhos, melhorando diretamente a qualidade de vida das pessoas. O transporte metropolitano está encurtando as distâncias, aproximando as pessoas e proporcionando economia de tempo.