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View Full Version : São Paulo - Resultados da pesquisa O/D 2007


gerd.jak
April 3rd, 2009, 03:15 PM
PESQUISA O/D CONFIRMA PRIORIDADE DE INVESTIMENTOS NO TRANSPORTE COLETIVO (http://www.metro.sp.gov.br/aplicacoes/news/tenoticiasview.asp?id=6565CFBFL7&categoria=6561F2&idioma=PO)



Aumento do número de viagens da população na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), entre 1997 e 2007, pressiona a demanda nos sistemas de transportes. Áreas que apresentaram maior concentração dos fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento

Crescimento acentuado da população nas faixas de renda C e D, associado à elevação do nível de empregos

Elevação do nível de interdependência dos municípios da (RMSP) confirma necessidade de planejamento unificado dos transportes coletivos na região metropolitana

Aumento do tempo das viagens atinge todas as classes sociais. Usuário que se desloca entre o bairro do Grajaú e a Praça da Sé gasta em média 244 minutos, entre ida e volta. Com os investimentos em novos trens e na troca da sinalização, pelo Plano de Expansão, o tempo dos deslocamentos será reduzido em média em 25%

Pela primeira vez, a pesquisa Origem e Destino será disponibilizada integralmente. O conteúdo poderá ser acessado no site www.metro.sp.gov.br a partir do dia 7 de abril.

Essas foram as principais constatações da última edição da Pesquisa Origem e Destino (O/D), apresentada pelo Metrô, nesta quinta-feira (2). Realizada pela companhia, com apoio da CPTM, EMTU, SPTrans e CET, o instrumento é vital para o planejamento dos transportes. A pesquisa coleta informações que permitem traçar uma radiografia dos deslocamentos realizados pelos moradores da RMSP, incluindo a caracterização sócio-econômica, além de permitir pensar o futuro e as ações que terão impacto direto sobre a vida dos cidadãos nos próximos anos.

Na abertura do evento, o secretário dos Transportes Metropolitanos José Luiz Portella, ressaltou que, diferentemente das outras edições, desta vez está acontecendo um grande plano de expansão casado com os resultados da pesquisa, o que permite ver como ocorre o processo de planejamento dos transportes. O aumento da demanda vem sendo acompanhado por pesados investimentos. “Se não tivéssemos esse compromisso de continuar entregando mais linhas da expansão, mais trens para garantir que um número maior de pessoas seja transportado por hora, e a manutenção para que tudo funcione corretamente, esse conceito sinérgico, de conjunto, essa situação ficaria bastante grave”.

Promovida desde 1967, de 10 em 10 anos pelo Metrô, a O/D conta com a parceria da CPTM, EMTU/SP, SPTrans e CET. Em sua quinta edição, abrangeu os 39 municípios da RMSP, divididos em 460 zonas. O levantamento envolveu 365 pesquisadores que realizaram trabalho de campo durante 214 dias. No total, foram visitados 54.571 domicílios, totalizando 92 mil entrevistados e 30 mil entrevistas válidas. Para traçar os deslocamentos, a pesquisa coletou 431.658 endereços referentes aos locais de residência, trabalho, escola além de origens e destinos de viagens e pontos de transferência entre modos.

Os dados foram apresentados pelo diretor de Planejamento do Metrô, Marcos Kassab, com comentários do diretor de Planejamento da CPTM, Alberto Epifani. Também estiveram presentes representantes das empresas participantes.

Síntese dos resultados

De acordo com a O/D, em 2007, a população da RMSP somou 19,5 milhões de habitantes, um crescimento de 16% no último decênio, mesmo percentual da elevação da frota de automóveis particulares, o que resultou em taxa de motorização igual a 1997, de 184 veículos por mil habitantes. Um dado positivo foi o aumento expressivo do emprego, com registro de 30% na oferta de vagas na RMSP, totalizando 9,1 milhões em 2007.

O levantamento revela que houve crescimento de empregos na RMSP. Entretanto, o centro expandido da capital paulista mantém a concentração de 65% do total metropolitano, índice pouco menor do que o de 1997, que registrava 67%.

Outro destaque é o tempo de viagem das pessoas que utilizam transportes coletivo e individual, durante os deslocamentos na Capital. Para se ter idéia, entre 1997 e 2007, a média no coletivo subiu de 61 para 69 minutos, enquanto no individual, saltou de 29 para 33 minutos.

Um dado positivo foi o aumento de pessoas com renda familiar entre dois e oito salários mínimos utilizando o transporte coletivo. A inclusão de pessoas das classes média e média baixa confirma o resultado antecipado em setembro, de que, pela primeira vez em 40 anos, houve inversão da tendência de queda da participação do transporte coletivo em relação ao total de viagens motorizadas. Em 2007, foram realizados 13,9 milhões de viagens diárias por transporte coletivo (55%), enquanto que o modo individual totalizou 11,3 milhões (45%). De 1967 a 2002, a participação do transporte coletivo caiu de 68% para 47% e as viagens por transporte individual subiram de 32% para 53%.

Viagens totais realizadas

A pesquisa revela o crescimento de 22% no número de viagens totais feitas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e aponta que dos 38,2 milhões de viagens realizadas diariamente, 25,6 milhões são motorizadas (coletivo e individual), crescimento de 23%, e 12,9 milhões não-motorizadas (bicicleta e a pé), aumento de 18%.

Já em relação à divisão das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado, o resultado mantém-se estável nos últimos dez anos, passando de 65% para 66% a participação do modo motorizado, e de 35% para 34%, o não-motorizado.

A pesquisa também indica que, na divisão das viagens motorizadas por faixa de renda, a participação do modo individual cresce quando a renda aumenta.

A utilização de bicicletas nos deslocamentos metropolitanos apresenta tendência de crescimento, acompanhando o cenário mundial. Entre 1997 e 2007, o uso de bicicletas quase dobrou, saltando de 165 mil viagens/dia para 305 mil viagens/dia. E, pela primeira vez, esta edição da O/D pesquisou a posse de motocicleta e bicicleta, por família. O resultado é que 7% das famílias possuem motocicleta, frente a 93% que não possuem. Já o número de bicicletas é relevante: 1/3 das famílias tem bicicleta, sendo que desses, 24% possuem apenas uma e 9% mais que uma bicicleta.

População

A população da RMSP, de 19,5 milhões de habitantes em 2007, apresentou acréscimo de 16% em relação a 1997. A sub-região Centro, que corresponde ao município de São Paulo, contava com população de 10,9 milhões de habitantes em 2007. A O/D também mostrou que 46% da população é economicamente ativa.

O levantamento por idade revela que estão nascendo menos crianças. Em um comparativo com 1987, nos últimos 20 anos, a taxa de natalidade vem caindo. Em contrapartida, temos grande parte da população concentrada na faixa etária de 20 a 34 anos. O número de idosos também vem aumentando e isso se reflete no transporte, já que aumenta a preocupação com a acessibilidade e com a gratuidade. No entanto, mesmo com a queda no índice de natalidade, as matrículas escolares, em número de 5,3 milhões, cresceram 5% no período.

Frota de Automóveis Particulares e Taxa de Motorização

A frota de automóveis particulares em posse das famílias na RMSP foi de 3,6 milhões em 2007, excluindo veículos pertencentes a empresas, táxis e ônibus. A taxa de motorização, entre 1997 e 2007, não sofreu alteração, mantendo-se em 184 automóveis particulares por grupo de mil habitantes. A distribuição da frota, segundo idade, indica que 27% dos automóveis particulares têm até quatro anos, 32% entre 5 e 10 anos e 41% tem mais de 10 anos.

Em 1997, 49% das famílias não possuíam automóveis em 2007, esse índice foi de 50%. As famílias que possuem um único automóvel permaneceram no mesmo patamar de 38% e as que possuem mais de um carro, diminuiram de 13% para 12%. Apesar do crescente aumento da frota em São Paulo, as famílias mantiveram a mesma posição de 10 anos atrás isso porque o aumento no número de carros teve um crescimento proporcional ao da população.

Com relação aos locais de estacionamento utilizados pelos usuários de carro, 43,5% são particulares, 24% patrocinados, 21% em passeio público, e o restante, outras combinações.

Mobilidade

Os índices de mobilidade (número de viagens por habitante), tanto total quanto motorizada, em 2007, reverteram a tendência decrescente observada desde 1977. No último decênio, a mobilidade total passou de 1,87 para 1,96 viagens por pessoa, enquanto que a motorizada mudou de 1,22 para 1,29 viagens por pessoa.

A renda familiar é a principal variável relacionada à mobilidade. Quanto maior a renda familiar, maior o número de viagens diárias realizadas por pessoa. No período de 1997 a 2007, houve acréscimos de mobilidade em todas as faixas de renda consideradas. Os índices de mobilidade, por modo coletivo, sofreram acréscimo nas faixas de renda familiar até R$ 3.040,00, permanecendo praticamente inalterados acima desse valor. Os índices de mobilidade por modo individual sofreram acréscimos em todas as faixas de renda familiar. Considerando os índices de mobilidade não-motorizada, houve aumentos nas faixas de renda familiar até R$ 1.520,00 e queda a partir desse valor.

Nas faixas etárias até 17 anos, os índices de mobilidade total apresentaram acréscimos no último decênio. Os índices por modo coletivo apresentaram aumento nas idades até 22 anos, tendo sido mais acentuados até 14 anos, o que corresponde ao aumento já mencionado das viagens por transporte escolar.

Divisão Modal

A divisão modal é a distribuição porcentual das viagens motorizadas entre os modos coletivo e individual. Neste quesito, houve aumento das viagens por modo coletivo em todas as sub-regiões da RMSP. A Capital apresenta desempenho similar à da metrópole: 56% para o modo coletivo e 44% para o modo individual.

No Metrô, o número de viagens integradas subiu de 78% para 82%. O mesmo ocorreu nas viagens de ônibus com transferências intermodais, que cresceu de 16% para 26%, no período. Em relação ao modo coletivo com transferências, merece destaque a Capital, onde o número de viagens nessa modalidade subiu de 60% para 69%, de 1997 para 2007. Nela, o número de viagens com apenas uma transferência representa 31% com duas transferências, 8% com três transferências, 1%.

A distribuição porcentual das viagens entre os modos motorizado e não-motorizado indica maior participação de motorizadas, quanto maior for a renda familiar, tendo aumentado esse tipo de viagem em todas as faixas consideradas, no período 1997-2007. No caso de renda até dois salários mínimos, a participação das viagens não-motorizadas é maior.

Em 2007, a participação das viagens, por transporte coletivo, no total de motorizadas, para as rendas familiares até dois salários mínimos foi de 36%, enquanto que para as famílias de rendas elevadas essa porcentagem foi de apenas 18%.

Razões da escolha da viagem a pé e de bicicletas

O principal motivo das viagens a pé é o deslocamento escolar: 57%. Assim como na pesquisa anterior, 89% das viagens foram realizadas a pé em razão da pequena distância a ser percorrida. Para o motivo trabalho, o porcentual das viagens a pé em razão da pequena distância é de 88%, enquanto que para o motivo educação é de 92%.

Em 2007, 56% das viagens utilizando bicicletas tiveram como motivação a pequena distância e 22% a condução alternativa considerada cara. O principal motivo das viagens diárias por bicicleta, nos dias úteis, é o trabalho, com 71%. O segundo motivo é educação, com 12% e, por fim, lazer, com 4%.

Excetuando as viagens de bicicleta de retorno à residência, o principal local de guarda de bicicleta é privado: 61%. Os bicicletários gratuitos correspondem a 15% e os locais públicos, 8%.

Linha de Contorno

A O/D também faz um levantamento das viagens externas na Linha de Contorno (linha imaginária que limita a RMSP). A pesquisa realiza a contagem veicular de todas as entradas e saídas e as viagens que atravessam a RMSP, por meio de 21 postos rodoviários. De um volume diário médio de 455.183 veículos, foram realizadas 36 mil entrevistas. Um dos resultados da Linha de Contorno é conhecer a distribuição do fluxo de veículos nas estradas: 60% automóveis e táxis, 34% caminhões e 6% ônibus e vans todos com crescimento significativo nesses 10 anos.

Plano de Expansão

Os resultados da O/D apontam para o acerto das medidas tomadas pelo governo, ainda no início de 2007, quando criou o Plano de Expansão do Transporte Metropolitano, com recursos atuais da ordem de R$ 20 bilhões. Com esses investimentos, a rede sobre trilhos com qualidade de metrô praticamente quadruplicará, chegando a 240 km, sendo 160 km da CPTM. Como mostra a pesquisa, as áreas que apresentaram maior concentração de fluxos de viagens coincidem com os projetos de expansão em andamento.

O Plano de Expansão contempla a aquisição de 107 trens, a maior compra já realizada nesse setor. Além de adquirir composições, a CPTM e o Metrô vão modernizar os sistemas de sinalização, o que permitirá a redução nos intervalos, oferecendo um aumento significativo no número de viagens com maior velocidade.

Com todos esses empreendimentos, a previsão é diminuir o tempo médio de viagem em 25% no sistema metro-ferroviário e ampliar em 55% o número de passageiros transportados sobre trilhos, melhorando diretamente a qualidade de vida das pessoas. O transporte metropolitano está encurtando as distâncias, aproximando as pessoas e proporcionando economia de tempo.

gerd.jak
April 3rd, 2009, 03:17 PM
O estadão criou um especial sobre a O/D: http://www.estadao.com.br/pages/especiais/origem_destino/

Rodalvesdepaula
April 3rd, 2009, 04:22 PM
Uma parte interessante no especial do Estadão:

Congestionamento migra para estradas
Cada vez mais as estradas são usadas como se fossem ruas e avenidas

Daniel Gonzales, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Os grandes congestionamentos já deixaram de ser a marca registrada apenas das maiores avenidas paulistanas. Eles se expandiram para fora da cidade e vêm dominando a paisagem também nas estradas que dão acesso a São Paulo. Entre 1997 e 2007, a pesquisa “Origem e Destino” detectou um grande aumento no chamado Volume Diário Médio (VDM) do tráfego em sete das dez rodovias que servem a capital: somando todas as estradas, de 291 mil veículos, em 1997, para 397,5 mil, em 2007, um crescimento de 36,6%. Conclusão: cada vez mais gente vem de fora trabalhar ou estudar na capital, pegando a estrada todos os dias.



Especialistas consideram que um tripé de causas responde pela expansão. O primeiro ponto é o ganho de qualidade das rodovias, cujas concessionárias são obrigadas a manter, por meio de obras e outras benfeitorias previstas nos próprios contratos de concessão. Assim, elas atraem mais usuários. Depois, o aumento da frota de veículos, possibilitado pela boa situação econômica no período e o acesso fácil a crédito e financiamentos.



Finalmente, o adensamento das ocupações ao longo das próprias estradas ou bairros próximos, de diversas cidades, principalmente em condomínios que atraem compradores oferecendo imóveis com preços mais baixos do que em São Paulo e “qualidade de vida” - simbolizada pela proximidade com a rodovia, no estilo “more a poucos minutos da capital”. Pela facilidade de acesso, empresas também respondem por parte dessa demanda. Áreas típicas desse tipo de expansão imobiliária são a Granja Viana, cortada pela Rodovia Raposo Tavares, bairros de Osasco e o município de Vinhedo, próximos da Via Anhanguera.



Segundo a OD, o volume diário médio apresentou aumento em sete das dez rodovias analisadas. São elas: Fernão Dias (a campeã do crescimento, com 126% mais movimento no período da pesquisa), Via Dutra (119% a mais), Anhanguera (92% a mais), Bandeirantes (33% mais tráfego), Régis Bittencourt (VDM 83% maior), Imigrantes (crescimento de 34%) e Raposo Tavares (33% a mais). Só Castelo Branco, Anchieta e Ayrton Senna tiveram redução no volume de veículos, de 4%, 8% e 36%, respectivamente.






“As estradas passaram a ter característica de vias de curta distância. Viraram grandes avenidas”, aponta o doutor em Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende. “Existe um processo de suburbanização (crescimento das cidades para fora dos limites) muito grande em torno de São Paulo. As classes A e B passaram a ocupar grandes condomínios fechados, ao longo das rodovias. Já C e D, residentes em municípios menores, tiveram o poder aquisitivo melhorado e começaram a ter acesso a veículos”, explica Resende. Com a maioria dos empregos e as boas faculdades concentradas na capital, a consequência, diz ele, é a “explosão” dos congestionamentos nas vias de acesso - justamente as estradas.



É no sistema Anhanguera/Bandeirantes, que conecta a capital com a Região Metropolitana de Campinas, que o processo de conurbação - ligação entre manchas urbanas, que somam 22 milhões de habitantes - é mais intenso: não há ali, segundo estudo da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), mais do que 14 quilômetros livres entre bairros. Não por acaso, são essas as duas rodovias que respondem pelo maior movimento de veículos que vêm de fora da capital a São Paulo - 131 mil por dia em 2007, frente a 88 mil em 1997.



“Isso mostra que a mobilidade diária já extravasa a própria área metropolitana de São Paulo. Claramente, é um problema de uma região macrometropolitana”, diz a pesquisadora e urbanista Silvana Zioni, especialista em transporte da Universidade Mackenzie. Segundo ela, não só residências, mas também empresas, são atraídas por um “fator indutor de desenvolvimento provocado pelas boas estradas”, incentivando o adensamento das margens das rodovias.



A concessionária responsável, AutoBan, informou que a “qualidade” das rodovias foi justamente um dos fatores que incentivaram o deslocamento de moradores da capital para o interior, ocupando as margens da rodovia. Por causa disso, a empresa informou que investiu em obras como a ampliação da Bandeirantes de três para quatro faixas, entre São Paulo e Jundiaí, e vem trabalhando atualmente no trevo de acesso à Via Anhanguera, a partir da Ponte Atílio Fontana, na Marginal do Tietê. A obra da primeira ponte está em fase final.



Qualidade também foi fundamental para explicar o grande aumento do trânsito na Fernão Dias, da região de Guarulhos e Atibaia, em direção a São Paulo, classificada pela OD como a estrada onde o movimento mais cresceu no período 1997/2007. “Desde que foi concluída a duplicação do trecho paulista, há oito anos, muita gente que pegava outras avenidas, como eu, passou a cortar o movimento pela Fernão, que até então era péssima”, diz o gerente de vendas Antonio Anísio, de 45 anos, que mora em Atibaia e trabalha na capital.



ROTINA



Com isso, os congestionamentos viraram rotina no acesso a São Paulo. Laís Duarte, também moradora de Atibaia, diz que sofre com o trânsito maior na estrada de dois anos para cá. “Quando fui morar em Atibaia há quatro anos, em busca de qualidade de vida, só eu fazia a rota até a capital. Hoje, tenho quatro vizinhos, entre eles um advogado e um técnico em informática, que fazem o mesmo.”



A Fernão Dias está sob concessão desde fevereiro do ano passado.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,congestionamento-migra-para-estradas,349239,0.htm





Enquanto isso, os trechos ferroviários entre Campinas e Jundiaí, Grajaú e Evangelista de Souza, e Amador Bueno e Mairinque estão literalmente abandonados, como mostram as fotos abaixo:

http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/fotos/paradacinzano.jpg
Trecho ferroviário Amador Bueno-Mairinque, em São Roque (foto de Ricardo Koracsony)

http://www.estacoesferroviarias.com.br/v/fotos/vinhedo071.jpg
Linha Campinas-Jundiaí, em Vinhedo (foto de Otávio Camargo)

http://www.estacoesferroviarias.com.br/c/fotos/colonia041.jpg
Desmantelamento e retirada dos trilhos do ramal Evangelista de Souza-Presidente Altino, opção entre São Paulo e Santos, em 2004 (foto de Roberto Bueno de Almeida)

Ou seja: enquanto o tráfego nas rodovias próximas a São Paulo cresceu 36,6 % em dez anos, todos os trens de longo percurso que atendiam às cidades próximas da Capital foram desativados e as ferrovias, abandonadas por não interligarem a nenhum porto de exportação! É isto que mais me revolta em São Paulo: rodovias cada vez mais entupidas de carros e congestionadas, e ferrovias largadas às traças, que poderiam ser usados por trens intermunicipais pendulares expressos.

Será que, um dia, veremos nestas linhas acima (devidamente recuperadas e modernizadas), trens como estes que rodam lá fora e que poderiam ser uma excelente opção para quem mora no interior e viaja todos os dias para São Paulo?

http://www.transport.alstom.com/home/products_and_services/rail_vehicles/intercity_trains/_files/file_31100_55140.JPG
Alstom Coradia

http://www.bombardier.com/files/de/supporting_docs/image_and_media/projects/BT-2014-Voyager.JPG
Bombardier Voyager

http://www.eisenbahn-webkatalog.de/images/news/BT-PR-20090225-VLocity-DMU.jpg
Bombardier Vlocity

http://www.cadcabel.de/con/cms/upload/bilderpool/referenzen/sots20080104.jpg
Siemens Desiro

Gutovsky
April 5th, 2009, 01:03 AM
Em Lisboa, nas linhas mais carregadas, há trens de dois andares que viajam em velocidade considerável (acredito que 60km/h) ligando as regiões a sul do Tejo (Setúbal e Almada) à capital portuguesa. Parte do trajeto, inclusive, é a Ponte 25 de Abril, com tablado em dois níveis: superior para rodoviário e inferior para ferroviário. O trem é enorme, já peguei uma vez, e estava lotado. Ou seja, daria MUITO dinheiro para um percurso SP-Campinas ou SP-Santos.

HGP
April 5th, 2009, 02:37 PM
Fica claro em resultados como esse que vale a pena continuar a investir em transporte coletivos eficientes e não poluentes em todos os sentidos - qualidade de vida, diminuição do tempo de viagens, diminuição de tráfego e congestionamentos, poluição, etc.

Será preciso na próxima década que se aproxima tentar integrar de forma harmoniosa os diferentes modais de transporte - não há um transporte que seja 100% perfeito. Precisaremos com criatividade, arrojo e coragem fazer isso. Vejam como as " bikes" estão crescendo na participação dos deslocamentos. Será uma burrice não se investir em ciclovias estratégicas em alguns pontos da RMSP.

Outra questão é a dos estacionamentos ao lado ou próximas à estações - isso deveria ser incentivado para que mais pessoas troquem o modal , diminuindo o trânsito sobre o Eixo Expandido.

Ônibus, Microônibus e vans deverão ser realocados e repensados como complementação e integraçaõ dos sistemas - repensar corredores, linhas, trocas e substituições

A cultura do automóvel também precisa ser mudada - o carro no Brasil é altamente símbolo de status, poder econômico, ostentação e com isso vemos os mares de automóveis com um motorista apenas entupindo vias - Caronas solidárias, rodízios, rodízios de horários poderiam ajudar a melhorar isso.

E também a questão da geração de empregos em outros polos - é preciso descentralizar isso, gerando desenvolvimento em outras regiões para que as pessoas não precisem ter que se deslocar 2 a 3 horas para chegar ao emprego...

bs.eduardo
April 5th, 2009, 02:43 PM
^^ Por falar em bicicleta, outro dia me ocorreu: não seria possível eliminar o canteiro central da avenida Paulista e criar uma ciclovia ali, segregada das pistas por grades? Seria necessário mudar os postes de iluminação, que hoje estão no canteiro, para as calçadas.

BrunoB.
April 6th, 2009, 04:17 AM
^^ Por falar em bicicleta, outro dia me ocorreu: não seria possível eliminar o canteiro central da avenida Paulista e criar uma ciclovia ali, segregada das pistas por grades? Seria necessário mudar os postes de iluminação, que hoje estão no canteiro, para as calçadas.

tecnicamente é possível, mas economicamente, acredito que não, pois remover estes postes, e toda a infraestrutura de fios e cabos que lá está seria caro pacas...sem contar que obrigaria a recria-lo nas laterais da avenida, nas duas, ou seja, ter duplicidade no sistema....

mais fácil seria tirar uma pequena parte da calçada e dedicar à bicicletas, mas não tenho a menor idéia se isso é viavel tecnicamente e politicamente tb...

twinxel
April 6th, 2009, 01:27 PM
^^
O mais sensato seria tirar uma faixa de carros pra fazer a ciclovia, por que não????
Outra coisa, eduardo:
Se tirar o canteiro central da Paulista, onde as pessoas vão esperar o sinal abrir pra continuar a travessia? Afinal, no cruzamento da Paulista com a Augusta o semáforo abre pros pedestres durantes 12 segundos!
Isso só iria provocar mais atropelamentos, a meu ver.

Ainda estamos com a cabeça voltada a dar prioridade ao transporte individual privado (carro) em vez de promover uma distribuição modal mais igualitária. Se tiver que penalizar alguém, esse deve ser o carro, e não os pedestres, p. ex.

No caso de SP, enquanto o projeto de ser humano ocupar a secretaria dos transportes, nada vai mudar, já que a sua única preocupação é "garantir a fluidez do tráfego de carros particulares":
“Vamos priorizar a mobilidade, ainda mais nos momentos complicados de rush. Nessas horas, a fluidez é mais importante. É melhor o marronzinho coordenar o trânsito do que ficar parado multando."
"Acidentes com vítima causam muita lentidão. Quando a pessoa morre, demora para a pista ser liberada. Tem de esperar a perícia chegar, e às vezes isso para todo o trânsito. O impacto de um acidente com morte é o mesmo de um veículo quebrado. Quinze minutos de faixa obstruída provocam 3 quilômetros de congestionamento."
O nome do elemento é Alexandre de Moraes, pra constar.

Quem quiser saber mais, esse texto do blog ciclobr é bem interessante:
http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias69.asp

gerd.jak
April 6th, 2009, 02:47 PM
^^
O mais sensato seria tirar uma faixa de carros pra fazer a ciclovia, por que não????
Outra coisa, eduardo:
Se tirar o canteiro central da Paulista, onde as pessoas vão esperar o sinal abrir pra continuar a travessia? Afinal, no cruzamento da Paulista com a Augusta o semáforo abre pros pedestres durantes 12 segundos!
Isso só iria provocar mais atropelamentos, a meu ver.

Ainda estamos com a cabeça voltada a dar prioridade ao transporte individual privado (carro) em vez de promover uma distribuição modal mais igualitária. Se tiver que penalizar alguém, esse deve ser o carro, e não os pedestres, p. ex.

No caso de SP, enquanto o projeto de ser humano ocupar a secretaria dos transportes, nada vai mudar, já que a sua única preocupação é "garantir a fluidez do tráfico de carros particulares":

O nome do elemento é Alexandre de Moraes, pra constar.

Quem quiser saber mais, esse texto do blog ciclobr é bem interessante:
http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias69.asp

Concordo plenamente. Fiquei abismado com a citação: "circular é preciso; viver não é preciso". "Morreu na contramão atrapalhando o tráfego" (chico buarque).

Espero que o projeto Ciclofaixas (http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/ciclofaixas.asp), do próprio site que vc citou, avance, que a prefeitura faça sua parte, e que ajude a mudar os valores da cidade.

Bolovo
April 7th, 2009, 07:27 AM
Ou seja: enquanto o tráfego nas rodovias próximas a São Paulo cresceu 36,6 % em dez anos, todos os trens de longo percurso que atendiam às cidades próximas da Capital foram desativados e as ferrovias, abandonadas por não interligarem a nenhum porto de exportação! É isto que mais me revolta em São Paulo: rodovias cada vez mais entupidas de carros e congestionadas, e ferrovias largadas às traças, que poderiam ser usados por trens intermunicipais pendulares expressos.

Será que, um dia, veremos nestas linhas acima (devidamente recuperadas e modernizadas), trens como estes que rodam lá fora e que poderiam ser uma excelente opção para quem mora no interior e viaja todos os dias para São Paulo?
Parabéns, cara. Exatamente isso que penso.

FMoretti
April 7th, 2009, 03:36 PM
^^
O mais sensato seria tirar uma faixa de carros pra fazer a ciclovia, por que não????
Outra coisa, eduardo:
Se tirar o canteiro central da Paulista, onde as pessoas vão esperar o sinal abrir pra continuar a travessia? Afinal, no cruzamento da Paulista com a Augusta o semáforo abre pros pedestres durantes 12 segundos!
Isso só iria provocar mais atropelamentos, a meu ver.

Ainda estamos com a cabeça voltada a dar prioridade ao transporte individual privado (carro) em vez de promover uma distribuição modal mais igualitária. Se tiver que penalizar alguém, esse deve ser o carro, e não os pedestres, p. ex.

No caso de SP, enquanto o projeto de ser humano ocupar a secretaria dos transportes, nada vai mudar, já que a sua única preocupação é "garantir a fluidez do tráfego de carros particulares":

O nome do elemento é Alexandre de Moraes, pra constar.

Quem quiser saber mais, esse texto do blog ciclobr é bem interessante:
http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias69.asp


Essa entrevista do Alexandre Moraes saiu numa edição da Veja São Paulo.
http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2098/mandachuva-transito-418770.html

No final da matéria haviam diversas perguntas de "especialistas" ao secretário. Apenas uma se referia ao transporte público. Um cara que usa dois carros para ir ao trabalho (apesar de ser um ser humano normal e só conseguir ocupar um) vai estar sempre menos preucupado com o que é bom para a população.

Os resultados da OD devem ser usados seriamente. Sem politicagem, sem falcatrua. A mobilidade começou a ser vista como um ponto importante da cidade e da RMSP. O povo já sabe que para melhorar isso temos que investir em transporte coletivo de qualidade. Mas enquanto as classes mais altas ficarem pensando que só Metrô (empresa) é bom, vai ficar difícil.

PS: Lá ele também prova que o uso alternativos de transportes (andar a pé) nunca foi muito respeitado. Até então, os marronzinhos, não multavam motoristas que desrespeitavam pedestres.

gerd.jak
April 7th, 2009, 06:28 PM
Olhei o resumo do resultado da pesquisa. Embora exatamente o alvo da pesquisa não aparece, isto é, a origem e o destino dos deslocamentos, há bastante informações interessantes.

A que mais me chamou a atenção foi que a percentagem de viagens individuais aumentou em todas as faixas salariais, embora tenha decrescido significativamente no total. Razão disto? O empobrecimento, ou mais exatamente, o "remediamento" da população. Dividida em 5 faixas salariais, os mais pobres aumentaram pouca coisa, a segunda faixa - pobre remediado? - teve um aumento imenso, a seguinte também subiu, e as duas superiores - média alta e alta? - tiveram uma redução significativa. O uso do carro "per capita" manteve-se praticamente constante; mas o aumento do emprego e da escolarização aumentaram o número total de deslocamentos.

Ainda não houve uma mudança qualitativa. Por enquanto, só o crescimento da rede de metrô - que é o único meio de transporte democrático, atraindo igualmente todas as fatias da população - ou o convencimento de que trem "tem qualidade de metrô" pode de fato alterar as coisas.

Tiago Costa
April 7th, 2009, 08:23 PM
Mulheres optam por trens e ônibus

07/04/2009 - O Estado de SP

http://www.revistaferroviaria.com.br/abririmg.asp?Width=290&TxImagem=imagens@clientes@2@8021.jpg&TamOrig=141
Na foto, mulher na estação Ana Rosa do Metrô de SP. Desigualdade salarial em relação aos homens faz as mulheres optarem pelo transporte público

Dados da pesquisa “Origem e Destino” sugerem que, na última década, foi a bordo de trem, metrô e ônibus que as mulheres chegaram às universidades, invadiram o mercado de trabalho e conquistaram cargos de chefia. Esse longo caminho foi percorrido preferencialmente a bordo de transporte coletivo. Nas bolsas das passageiras, o batom fica ao lado do bilhete único. E elas já se deslocam quase tanto quanto os homens.

Os números do estudo revelam que os sexos masculino e feminino se comportaram de maneiras diferentes quanto à mobilidade nos últimos dez anos. No caso das mulheres, entre 1997 e 2007, as viagens em meios de transporte público aumentaram quase dois pontos na escala, enquanto as feitas de carro ou moto diminuíram. Entre os homens, os índices de uso dos dois tipos de locomoção cresceram no mesmo período.

A medição foi feita por um coeficiente que contabiliza o número de viagens realizadas por habitante. As contas ficaram assim: entre eles, o índice de uso de transporte público era 0,6 (viagem/homem) em 1997 e subiu para 0,7 em 2007. Entre as mulheres, o modo coletivo de locomoção subiu de 0,65 (viagem/mulher) para 0,85. Em números absolutos, a diferença fica clara: há dez anos, elas faziam 5.169.628 viagens por dia em transporte coletivo; hoje fazem 7.344.076 por dia, quase o dobro do que faziam há 40 anos (3.989.306). Detalhe: o número de viagens por passageiro/dia, seja homem ou mulher, se manteve na média de dois por dia durante todo esse período.

Para as entidades que participaram da pesquisa (Metrô, CPTM, EMTU, SPTrans) não existem mudanças ou adequações na estrutura do transporte público que justifiquem o desequilíbrio no comportamento. Isso porque, apesar das tentativas, não foram criados vagões exclusivos para as mulheres ou qualquer “atendimento preferencial”. Os especialistas ouvidos encontram na desigualdade que prevalece na conta bancária de homens e de mulheres uma das razões para a escolha delas pelo transporte coletivo.

O último relatório do Departamento de Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que o rendimento mensal das mulheres equivale a 76,3% do recebido pelo homem. O relatório mostra ainda que há dez anos elas respondiam por 50,1% dos desempregados e agora somam 57,5%. “Tudo isso interfere na hora de custear o transporte público, que tende a ser mais barato do que o particular, até para comprar um carro”, resume Sérgio Berti, coordenador da ONG Direção Preventiva.

Mas a desvantagem financeira não seria a única explicação. As publicações científicas sobre os efeitos da poluição, de grande responsabilidade dos carros, também colocam as mulheres como principais vítimas - o que faz aumentar a conscientização sobre a importância do transporte coletivo, segundo Cláudio Marte, diretor de mobilidade do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Um estudo recente (da Unicamp) revelou que os poluentes - 90% deles emitidos por veículos - contaminam até o leite materno. Outra pesquisa (da USP) constatou que em dias poluídos aumentam os índices de aborto, assuntos que mobilizam mais o público feminino a migrar para os meios públicos”, avalia. Outro argumento de Marte e Berti para explicar a vantagem dos homens nas estatísticas do transporte individual é que carro ainda é sinônimo de masculinidade, de status, o que dificulta deixá-lo na garagem.

O consultor de trânsito Horácio Figueira, que participou da OD em 1977, faz uma ressalva às conclusões. “A mulher da capital não é a mesma que mora em Francisco Morato e também difere da que vive em Osasco”, alerta. E ressalta que cada uma das 39 cidades que compõem a região metropolitana, onde foi feito o estudo, tem um perfil diferente de sexo feminino.

Para ele, a diminuição do índice de viagens individuais entre elas pode ter sido puxado pela população feminina de menor renda. “O que eu mais vejo é mulher ao volante na capital. Não acredito que as paulistanas são responsáveis por esses índices.”

Fonte: Revista Ferroviária - Clipping
Link: http://www.revistaferroviaria.com.br/index.asp?InCdEditoria=2&InCdMateria=8021

FMoretti
April 9th, 2009, 02:48 PM
Um belo exemplo aí na foto!