Gui_p
July 20th, 2009, 02:59 PM
Prefeitura quer aumentar em 87% a quilometragem de vias destinadas a bicicletas na cidade e incentivar forma alternativa de transporte
http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_Jorge_Brand_Bicicletada_20-07.jpg
Trinta anos depois de implantadas as primeiras ciclovias na cidade, a capital paranaense volta a investir nas bicicletas como meio de transporte. Uma equipe do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (Ippuc) está debruçada sobre o Plano Diretor Cicloviário, com o objetivo de aumentar em 87% a quilometragem de vias destinadas a bicicletas em Curitiba.
Mais que aumentar a quantidade de ciclovias e afins, a ideia é estruturar uma rede de vias destinadas a bicicletas que possibilite a mobilidade plena dos usuários com mais segurança. A iniciativa surgiu depois que uma pesquisa feita pela prefeitura mostrou que 86% dos ciclistas utilizam a bicicleta como transporte para o trabalho e não para o lazer.
O levantamento, feito com base em 2,8 mil entrevistas com ciclistas, mostrou que a maior preocupação dos usuários é com a segurança. Na maior parte das vezes, os ciclistas disputam espaço com os carros nas ruas, já que no passado as ciclovias foram pensadas com a função de lazer.
O Plano Diretor Cicloviário ainda não está finalizado, mas mostra diretrizes para resolver esse problema. O ponto de partida é a malha existente – calcula-se que Curitiba conte, hoje, com cerca de 100 quilômetros de vias destinadas a bicicletas, sendo 70 quilômetros de calçadas compartilhadas e 30 de ciclovias exclusivas.
Ampliação
De acordo com o coordenador de mobilidade urbana do Ippuc, José Álvaro Twardowski, o primeiro passo foi pensar em um projeto de recuperação e revisão da malha existente, com base em uma visão integradora. “Estamos fazendo um diagnóstico da infraestrutura existente e estudando se alguns trechos vão permanecer”, afirma.
O segundo passo será investir em campanhas educativas, para mostrar o papel do ciclista no sistema e como os condutores devem tratá-lo. O terceiro passo será investir na ampliação da malha, com quatro tipo de vias, segundo a necessidade: ciclovia, calçada compartilhada, ciclofaixa e faixa compartilhada. E é aqui que os esforços da equipe do Ippuc se concentram.
Cinco projetos já estão definidos. Em primeiro lugar, decidiu-se que mais 45 quilômetros de vias devem ser incorporadas à malha curitibana nos próximos anos, com a implantação de uma ciclofaixa na Marechal Floriano Peixoto, uma calçada compartilhada ao longo do Rio Barigui, uma ciclovia no trecho Norte da Linha Verde e outra no novo Eixo de Integração localizado no Sul da cidade.
Também está nos planos uma rede metropolitana de ciclovias, com uma extensão estimada de 42 quilômetros. O projeto está sendo desenvolvido junto ao Plano Diretor Multimodal, que abarca o novo projeto de desvio ferroviário, que seria feito seguindo os contornos rodoviários da cidade. Uma rede cicloviária seria implantada junto à nova ferrovia, ao redor da cidade e em trechos da linha férrea desativada.
Por fim, para colocar de vez os curitibanos sobre duas rodas, o Ippuc pretende complementar o plano com equipamentos de apoio como paraciclos (espécie de estacionamento aberto para bicicleta), bicicletários (estacionamentos fechados) e um sistema de bicicletas de aluguel.
Mesmo com todo o esforço, a quantidade de vias destinadas a bicicletas ainda estará longe dos 4,8 mil quilômetros de vias destinadas a carros em Curitiba. Segundo Twardowski, porém, o Plano Diretor Cicloviário será capaz de cobrir todas as possibilidades do sistema viário básico, ou seja, vias estruturais, coletoras e setoriais.
Fora dessas vias, o ciclista deverá dividir espaço com os carros. “Aí vale o que diz o Código de Trânsito Brasileiro: a bicicleta também é um meio de transporte. As campanhas educativas devem ajudar a conscientizar os motoristas”, diz Twardowski.
http://portal.rpc.com.br/midia/info_vias_destinadas_bicicletas.jpg
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906933&tit=Plano-poe-Curitiba-sobre-duas-rodas
Malha pode desafogar o trânsito
A notícia de que Curitiba investirá em uma malha cicloviária é esperada há anos por usuários de bicicleta e especialistas em transporte e mobilidade. Segundo eles, uma rede cicloviária não resolverá os problemas de trânsito, mas pode ajudar.
Para o diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, Curitiba saiu na frente há 30 anos, quando implantou as primeiras ciclovias, mas parou no tempo. “Elas foram destinadas ao lazer e não à mobilidade”, diz.
Hardt acha que os investimentos são bem vindos, mas poderiam ter sido feitos antes. Ele avalia que as bicicletas podem funcionar como uma alternativa ao transporte coletivo, mas alerta que no começo o sistema poderá não ser usado. “É um aspecto cultural que nós não temos, um hábito que acaba sendo perdido na infância.”
O coordenador do programa de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Carlos Assunção Belotto, diz que a previsão de vias destinadas a bicicletas na Linha Verde e na Marechal Floriano Peixoto, formando uma “cruz”, devem ser úteis. Ele lembra, porém, que a melhor alternativa é a ciclofaixa. “Assim o ciclista fica separado do pedestre e do carro. Aumenta a velocidade média e a segurança”, diz.
Para o ciclista Jorge Brand, membro do movimento Bicicletada, um ponto negativo é a ausência de usuários de bicicleta na elaboração do projeto. “É um descaso”, critica. O primeiro erro, segundo Brand, é implantar uma ciclofaixa na Marechal Floriano, em um trecho restrito entre a Linha Verde e o Boqueirão. “Se não vai até o centro não adianta. Estão dando preferência para os carros. Nada vai acontecer enquanto nossos administradores não andarem de transporte coletivo ou bicicleta.” (TC)
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906934&tit=Malha-pode-desafogar-o-transito
Preferência para as bicicletas
As ciclovias ou ciclofaixas são uma infraestrutura para a bicicleta. Mas uma cidade que dá atenção aos ciclistas não se restringe a elas. Ver a bicicleta como um meio de transporte, não exclusivamente de lazer, é colocá-la em vias preferenciais, dentro do transporte público (nos ônibus ou ao menos com bicicletários junto aos terminais e principais paradas de ônibus), compartilhando vias exclusivas de transportes públicos, em zonas com velocidade controlada.
No caso de Curitiba, sempre digo que a bicicleta será levada a sério quando houver uma ciclofaixa na Avenida Visconde de Guarapuava. Se Nova Iorque criou ciclofaixas no centro de Manhattan, seu centro financeiro e comercial, se Paris criou faixas exclusivas e outras compartilhadas com ônibus na Rue Rivoli, umas das mais movimentadas de seu centro, não há nenhuma justificativa técnica de não termos uma ciclofaixa na Visconde de Guarapuava.
O Plano Cicloviário em execução pela prefeitura, capitaneado pelo Ippuc, é certamente de grande valia. Mas poderia ser aberto à discussão – e principalmente, aberto à inovação. O Ippuc já foi um dos grandes centros de inovação urbana do Brasil – talvez O centro de inovação.
O transporte não motorizado e coletivo é o investimento mais em voga em lugares tão grandes e até mais complicados que Curitiba (Nova Déli, na Índia, Melbourne, na Austrália, e São Paulo estão investindo com força nisso). Curitiba tem o histórico de investir em transporte público de qualidade. E também sempre teve coragem de inovar. Este é o momento de inovar.
Bruno Latour, um grande estudioso das inovações tecnológicas, disse recentemente que ninguém imaginava fazer sentido pensar em bicicletas nas cidades há 20 anos, e tampouco em bondes. Hoje, é o que se faz nas cidades.
Há 20 anos Curitiba criou sua rede de ciclovias. Agora é insuficiente, mas foi inovadora. É hora de inovar novamente. Se nossa aposta, em Curitiba, é pelo transporte público e pelo transporte não poluente e integrados ao meio urbano, novamente devemos colocar as ideias para circular. Uma ciclovia circundado o parque Barigui é boa? Sim. Melhor seria uma ciclofaixa ligando o Cajuru ao Barigui, passando pelo comércio, pelas universidades e escolas, pelo centro - enfim, colocando um transporte não poluente em evidência, com os projetos de qualidade que Curitiba sabe fazer.
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906936&tit=Preferencia-para-as-bicicletas
http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_Jorge_Brand_Bicicletada_20-07.jpg
Trinta anos depois de implantadas as primeiras ciclovias na cidade, a capital paranaense volta a investir nas bicicletas como meio de transporte. Uma equipe do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (Ippuc) está debruçada sobre o Plano Diretor Cicloviário, com o objetivo de aumentar em 87% a quilometragem de vias destinadas a bicicletas em Curitiba.
Mais que aumentar a quantidade de ciclovias e afins, a ideia é estruturar uma rede de vias destinadas a bicicletas que possibilite a mobilidade plena dos usuários com mais segurança. A iniciativa surgiu depois que uma pesquisa feita pela prefeitura mostrou que 86% dos ciclistas utilizam a bicicleta como transporte para o trabalho e não para o lazer.
O levantamento, feito com base em 2,8 mil entrevistas com ciclistas, mostrou que a maior preocupação dos usuários é com a segurança. Na maior parte das vezes, os ciclistas disputam espaço com os carros nas ruas, já que no passado as ciclovias foram pensadas com a função de lazer.
O Plano Diretor Cicloviário ainda não está finalizado, mas mostra diretrizes para resolver esse problema. O ponto de partida é a malha existente – calcula-se que Curitiba conte, hoje, com cerca de 100 quilômetros de vias destinadas a bicicletas, sendo 70 quilômetros de calçadas compartilhadas e 30 de ciclovias exclusivas.
Ampliação
De acordo com o coordenador de mobilidade urbana do Ippuc, José Álvaro Twardowski, o primeiro passo foi pensar em um projeto de recuperação e revisão da malha existente, com base em uma visão integradora. “Estamos fazendo um diagnóstico da infraestrutura existente e estudando se alguns trechos vão permanecer”, afirma.
O segundo passo será investir em campanhas educativas, para mostrar o papel do ciclista no sistema e como os condutores devem tratá-lo. O terceiro passo será investir na ampliação da malha, com quatro tipo de vias, segundo a necessidade: ciclovia, calçada compartilhada, ciclofaixa e faixa compartilhada. E é aqui que os esforços da equipe do Ippuc se concentram.
Cinco projetos já estão definidos. Em primeiro lugar, decidiu-se que mais 45 quilômetros de vias devem ser incorporadas à malha curitibana nos próximos anos, com a implantação de uma ciclofaixa na Marechal Floriano Peixoto, uma calçada compartilhada ao longo do Rio Barigui, uma ciclovia no trecho Norte da Linha Verde e outra no novo Eixo de Integração localizado no Sul da cidade.
Também está nos planos uma rede metropolitana de ciclovias, com uma extensão estimada de 42 quilômetros. O projeto está sendo desenvolvido junto ao Plano Diretor Multimodal, que abarca o novo projeto de desvio ferroviário, que seria feito seguindo os contornos rodoviários da cidade. Uma rede cicloviária seria implantada junto à nova ferrovia, ao redor da cidade e em trechos da linha férrea desativada.
Por fim, para colocar de vez os curitibanos sobre duas rodas, o Ippuc pretende complementar o plano com equipamentos de apoio como paraciclos (espécie de estacionamento aberto para bicicleta), bicicletários (estacionamentos fechados) e um sistema de bicicletas de aluguel.
Mesmo com todo o esforço, a quantidade de vias destinadas a bicicletas ainda estará longe dos 4,8 mil quilômetros de vias destinadas a carros em Curitiba. Segundo Twardowski, porém, o Plano Diretor Cicloviário será capaz de cobrir todas as possibilidades do sistema viário básico, ou seja, vias estruturais, coletoras e setoriais.
Fora dessas vias, o ciclista deverá dividir espaço com os carros. “Aí vale o que diz o Código de Trânsito Brasileiro: a bicicleta também é um meio de transporte. As campanhas educativas devem ajudar a conscientizar os motoristas”, diz Twardowski.
http://portal.rpc.com.br/midia/info_vias_destinadas_bicicletas.jpg
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906933&tit=Plano-poe-Curitiba-sobre-duas-rodas
Malha pode desafogar o trânsito
A notícia de que Curitiba investirá em uma malha cicloviária é esperada há anos por usuários de bicicleta e especialistas em transporte e mobilidade. Segundo eles, uma rede cicloviária não resolverá os problemas de trânsito, mas pode ajudar.
Para o diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, Curitiba saiu na frente há 30 anos, quando implantou as primeiras ciclovias, mas parou no tempo. “Elas foram destinadas ao lazer e não à mobilidade”, diz.
Hardt acha que os investimentos são bem vindos, mas poderiam ter sido feitos antes. Ele avalia que as bicicletas podem funcionar como uma alternativa ao transporte coletivo, mas alerta que no começo o sistema poderá não ser usado. “É um aspecto cultural que nós não temos, um hábito que acaba sendo perdido na infância.”
O coordenador do programa de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Carlos Assunção Belotto, diz que a previsão de vias destinadas a bicicletas na Linha Verde e na Marechal Floriano Peixoto, formando uma “cruz”, devem ser úteis. Ele lembra, porém, que a melhor alternativa é a ciclofaixa. “Assim o ciclista fica separado do pedestre e do carro. Aumenta a velocidade média e a segurança”, diz.
Para o ciclista Jorge Brand, membro do movimento Bicicletada, um ponto negativo é a ausência de usuários de bicicleta na elaboração do projeto. “É um descaso”, critica. O primeiro erro, segundo Brand, é implantar uma ciclofaixa na Marechal Floriano, em um trecho restrito entre a Linha Verde e o Boqueirão. “Se não vai até o centro não adianta. Estão dando preferência para os carros. Nada vai acontecer enquanto nossos administradores não andarem de transporte coletivo ou bicicleta.” (TC)
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906934&tit=Malha-pode-desafogar-o-transito
Preferência para as bicicletas
As ciclovias ou ciclofaixas são uma infraestrutura para a bicicleta. Mas uma cidade que dá atenção aos ciclistas não se restringe a elas. Ver a bicicleta como um meio de transporte, não exclusivamente de lazer, é colocá-la em vias preferenciais, dentro do transporte público (nos ônibus ou ao menos com bicicletários junto aos terminais e principais paradas de ônibus), compartilhando vias exclusivas de transportes públicos, em zonas com velocidade controlada.
No caso de Curitiba, sempre digo que a bicicleta será levada a sério quando houver uma ciclofaixa na Avenida Visconde de Guarapuava. Se Nova Iorque criou ciclofaixas no centro de Manhattan, seu centro financeiro e comercial, se Paris criou faixas exclusivas e outras compartilhadas com ônibus na Rue Rivoli, umas das mais movimentadas de seu centro, não há nenhuma justificativa técnica de não termos uma ciclofaixa na Visconde de Guarapuava.
O Plano Cicloviário em execução pela prefeitura, capitaneado pelo Ippuc, é certamente de grande valia. Mas poderia ser aberto à discussão – e principalmente, aberto à inovação. O Ippuc já foi um dos grandes centros de inovação urbana do Brasil – talvez O centro de inovação.
O transporte não motorizado e coletivo é o investimento mais em voga em lugares tão grandes e até mais complicados que Curitiba (Nova Déli, na Índia, Melbourne, na Austrália, e São Paulo estão investindo com força nisso). Curitiba tem o histórico de investir em transporte público de qualidade. E também sempre teve coragem de inovar. Este é o momento de inovar.
Bruno Latour, um grande estudioso das inovações tecnológicas, disse recentemente que ninguém imaginava fazer sentido pensar em bicicletas nas cidades há 20 anos, e tampouco em bondes. Hoje, é o que se faz nas cidades.
Há 20 anos Curitiba criou sua rede de ciclovias. Agora é insuficiente, mas foi inovadora. É hora de inovar novamente. Se nossa aposta, em Curitiba, é pelo transporte público e pelo transporte não poluente e integrados ao meio urbano, novamente devemos colocar as ideias para circular. Uma ciclovia circundado o parque Barigui é boa? Sim. Melhor seria uma ciclofaixa ligando o Cajuru ao Barigui, passando pelo comércio, pelas universidades e escolas, pelo centro - enfim, colocando um transporte não poluente em evidência, com os projetos de qualidade que Curitiba sabe fazer.
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=906936&tit=Preferencia-para-as-bicicletas