Matthias Offodile
September 29th, 2009, 07:17 PM
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View Full Version : Angolan Professionals | Profissionais Angolanos Matthias Offodile September 29th, 2009, 07:17 PM This thread is dedicated to professional Angolan people that shape the country with their work or daily contribution. No stars, please! Matthias Offodile September 29th, 2009, 07:21 PM Wilson Neto // Empreiteiro Construção civil é minha vida http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_46/pais46_lr_147.jpg Como é que nasceu a paixão pelo empresariado, principalmente no sector da construção civil? Posso apenas dizer que a construção civil é a minha vida. Entrei neste mundo por intermédio de um tio, que era electricista, e enquadreime depois na construtora Soares da Costa. Depois tornei-me um electricista encarregado de obras. Saí da Soares da Costa e fui para a EFESEmpreendimentos. Tendo em conta a minha formação e os estrangeiros com quem trabalhei, nomeadamente brasileiros, chineses e portugueses, decidi ter uma coisa minha. Fui fazendo obras pequenas e, no princípio, fazia trabalhos de electricidade com um grupo já definido. Vi que o mercado dava, tratei dos documentos e fui fazendo o que é meu. Hoje sinto-me orgulhoso com o que tenho. Quanto ao comércio, construí um armazém que vende bebidas, um parque de venda de viaturas e sou sócio de algumas lojas. Também tenho parcerias com algumas empresas portuguesas. Quando é que surgiu a ideia de criar a sua própria empresa? Foi em 2002. Estava a participar da construção das Torres Atlântico, da Sonangol, e sofria muito, porque tinha de sair do Hoji-Ya-Henda para a Ilha de Luanda a pé. Era tudo por amor à camisola. Vi que o meu mundo era a construção civil, apesar de que a minha mãe pretendia que fosse um doutor ou simples enfermeiro. Consegui enquadrar-me na construção civil e verei até onde isso vai chegar. Já consigo fazer coisas incríveis e tenho obras espalhadas em algumas províncias. Ainda se lembra da primeira obra? Lembro-me. Foi um primeiro andar da minha cunhada Belinda, na rua principal do Zango, em Viana. É um T5. Só vendo é que as pessoas poderão ter uma opinião. Conseguiram cumprir com os prazos? Não. Era uma equipa dinâmica, mas não conseguimos cumprir os prazos. Ainda estávamos a trabalhar num sistema em que o material era da cliente e só fazia a mão-de-obra. Agora cumprimos com os prazos, tendo em conta que temos uma equipa formada por angolanos, chineses e portugueses. Que tipos de obras podem executar? Neste momento, estamos a negociar uma obra avaliada em 38 milhões de dólares. Já fizemos a estrutura de uma escola grande em Malange e reabilitei algumas coisas. Fizemos vários empreendimentos em Luanda e Benguela. Posso apenas dizer que temos obras de grande porte. Em quantas províncias estão a operar? Estamos em 16 províncias do país, exceptuando Cabinda e KuanzaNorte. Kuanza-Norte é apenas uma rota de passagem, tinha um jardim para reabilitar, fizemos a negociação e acabei por desistir. Estou no activo nas restantes, tenho obras de empresários locais e não do Governo. Em Benguela tenho um complexo de empresários e vou começar uma obra semelhante no Huambo. Está em negociação a construção de uma capela no Lubango e em Malange vamos entregar duas pensões. Em Malange estamos para construir um hotel de duas estrelas, embora o dono acredite num empreendimento de três estrelas. Tão jovem e uma carreira bemsucedida. Certamente que teve momentos altos e baixos. Lembra-se de alguns? O momento alto foi a assinatura do contrato da segunda obra de média renda, em Malanje, mas que valeu a pena, porque deu luz verde à minha empresa. Consegui dar um avanço nos armazéns, sobretudo a nível do comércio geral. Foi a obra que começou, permitiu-me abrir os escritórios, entrei no mercado para ficar. Os momentos baixos são quando a obra está a correr bem, mas o cliente não quer pagar e temos de honrar com os salários. Quantas pessoas tem como empregados? Na construção civil, infelizmente sou considerado o único nacional: o respectivo dono. Tenho 105 expatriados, cinco portugueses e 100 chineses. Os angolanos são ajudantes com os quais fazemos contratos temporários, que terminam depois do término da obra. Nunca foi criticado por apostar mais em expatriados? Já fui criticado, mas não posso repetir os mesmos erros. Acho que o nosso povo ainda não quer acreditar em muitos de nós. Sofri muito para estar onde estou e muitos dos nossos irmãos não querem fazer o mesmo.Não querem ser ajudantes e ter um salário razoável. Apostei na mão-deobra chinesa e os portugueses são um apoio na parte do pré-fabricado. Como encara o futuro? Eu tenho um sonho, que passa por oferecer um comité de acção ao MPLA, porque sou deste partido.Quero fazer um comité no bairro em que vivo. No futuro ainda poderei oferecer uma escola. Perfil Nome: Wilson Fernandes Neto Filiação: Olímpio Miguel Adão Neto e Rosalina Maria Gomes Alves Fernandes Data De NasCimeNto: 13 de Março de 1980 EstaDo Civil: Casado, mas bem casado mesmo Filhos: 2 Filme: O Vingador, de Van Diesel Comida: Funge de bombó com qualquer tipo de molho Hobby: Ver filmes, ficar em casa e acompanhar os noticiários Lvros: Não tenho um escritor preferido, mas gosto de ler, sobretudo, obras históricas http://www.opais.net/pt/opais/?det=5626&mid=331 Matthias Offodile September 29th, 2009, 07:26 PM Televisão, a nova paixão Alexandre Cose - Jornalista http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_36/pais36_lr_180.jpg É na reportagem que este jornalista encontra o verdadeiro sentido A sua inserção ao mundo do jornalismo nasceu no seio de uma conversa entre amigos adolescentes da sua época. Agora que entrou na chuva, o jovem jornalista que teve passagens fugazes pelo jornal, Rádio Ecclésia e TPA, agora está na TV ZIMBO, o mais recente canal de televisão em Angola, não tem outra alternativa senão deixar-se molhar com a água de São Pedro, como soe-se dizer. Como nasce o “bichinho” do jornalismo? Foi algo muito espontâneo. Lembro-me que estava a terminar a 8.ª classe e estávamos entre colegas a falar sobre o que seriamos no futuro. Uns diziam que iam para a medicina e outros que preferiam o professorado. Alguém disse que queria ser jornalista e portanto partiria para o IMEL. Desde essa altura nunca mais tive dúvidas sobre o que eu queria para a minha vida. Foi tipo amor à primeira vista. Sabemos que se iniciou na rádio e agora está na televisão. Sentiu alguma dificuldade de adaptação de um órgão para outro? Na verdade, antes da rádio experimentei o jornal. Mas foi uma passagem efémera. Foi então que se deu a rádio, neste caso a Rádio Nacional de Angola. Depois de pelo menos um ano aderi à Ecclésia onde me fiz profissional ao longo de cerca de 11 anos. Daí para a televisão foi uma questão de nova paixão que se deu na minha vida. A adaptação à televisão foi fácil. Na verdade, foi uma questão de acostumar-se à própria imagem. Um jornalista com passagem pela rádio Ecclésia, TPA e agora na TV ZIMBO. Não é muita mudança junta em tão pouco tempo de carreira? Na verdade quando aderi à TPA foi para ficar. Foi uma nova paixão e isto animou-me bastante a ficar. Lá fui muito feliz, aprendi a televisão e aprendi, sobretudo, a dar valor às imagens. A TV Zimbo acontece assim de uma forma muito fortuita e naturalmente a vertente novidade, para além da equipa, que era constituída por gente que já conhecia, pesou bastante para a minha saída. As mutações constantes de órgãos de comunicação para um profissional da sua cotação, é entendida como uma necessidade de afirmação, ou haverá outra razão de fundo? Para o meu caso, a TV Zimbo é o futuro e nela quero consolidar a minha actividade profissional. É uma televisão que nos sugere novas fórmulas de trabalhar com base em padrões actuais seguidos nas grandes televisões. Penso que qualquer outra televisão em Angola deverá evoluir neste sentido, independentemente das fronteiras de ordem editorial que lhes possam presidir. Neste momento, a TV Zimbo está a dar um bom exemplo da televisão de que o país precisa, de modo que isto é para mim uma grande atracção profissional. A passagem pela TPA e a sua permanência na TV ZIMBO já lhe permitiu ter uma ideia sobre o perfil das duas estações, do ponto de vista de abertura informativa? Precisamente. Compreende-se claramente que na TV Zimbo há um maior espaço à iniciativa editorial segundo os critérios de uma redacção não sujeita a limitações que eventualmente poderiam existir com maior ou menor intensidade que na Televisão Pública de Angola. Na TV Zimbo, os jornalista são livres de questionar os factos e os fenómenos do dia-a-dia, as responsabilidades dos decisores políticos, ainda que seja necessário confrontar os dados com os argumentos dos governantes. Entendo que só assim será possível formatar mentalidades e forjar um homem novo em Angola. Quando está a fazer televisão, qual é o tipo de trabalho que melhor lhe identifica: o de estúdio, a conduzir um programa ou reportagem na rua? Qualquer profissional de televisão há-de querer ficar no estúdio e fazer um telejornal ou conduzir um debate. O mesmo se passa comigo. Mas, a reportagem é a minha grande atracção. Sempre fiz reportagens e procurei preservar este género jornalístico por ser ali onde a minha actividade como jornalista ganha verdadeiro sentido. Agora, com a existência de três canais de TV, estão lançados os dados da concorrência, em todos os aspectos. O que é que isso representa para você? Representa para mim uma grande oportunidade. Acho que a concorrência é o melhor que pode existir em qualquer mercado normal como aquele que queremos criar em Angola. Só deste modo é que se podem introduzir mudanças que a todos interessam, fazer cada vez melhor televisão, aumentar o valor e o interesse das comunidades para as questões importantes do nosso dia-a-dia e criar um país melhor. É, no fundo, o país quem ganha. Acha que a TV ZIMBO impulsionou alguma mudança na forma de os angolanos verem e encararem a televisão, do ponto de vista de abertura informativa no país? Não acredito que os angolanos não soubessem que tipo de televisão queriam para si. Afinal, com a DSTV, todos nós passamos a ter um contacto mais rápido e directo com o resto do mundo e com os novos moldes de fazer televisão. A sociedade angolana passou então a ser mais exigente para a televisão. Percebe-se isso desde há muito tempo. É esta excelência que a TV Zimbo quer introduzir no seu serviço e penso que é também isso que a TPA há de querer fazer mais cedo ou mais tarde, porque entendo que o caminho é este. A TV ZIMBO tem condições para aguentar com a pedalada imposta pela concorrência? Tem. Já deu provas disso e neste momento é a televisão de referência. É claro que ainda se cometem muitos erros na TV Zimbo, alguns dos quais até clamorosos, mas penso que é próprio de quem está a começar. Penso, entretanto, que o importante é que a TV Zimbo tire dos erros as melhores lições. Naturalmente que a TPA não se vai deixar adormecer, aliás, nota-se que a despertou e tem interesse em fazer melhor e já começou. Há que se reconhecer. Tem recebido o “feedback”, por parte dos telespectadores do vosso trabalho efectuado até aqui? É de costume. As pessoas reagem bem ao meu trabalho. Mas também quando algo não foi bom dizem-no sem reservas e acho que isto é o meu maior tributo, num claro sinal de que as pessoas estão a acompanhar o meu trabalho e ao se dirigirem para mim querem que faça melhor. O meu muito obrigado. Perfil Nome completo: Alexandre de Jesus Mimoso Cose Data De NascimeNto: 27 de Março de 1976 Localidade: Luanda Estado civil: Casado Cônjuge: Estrela Cose Filhos: Marylu Cose e Tchissole Cose profissão: Jornalista Habilitações literárias: Frequenta o 4.º ano de Licenciatura em Direito Prato preferido: Carne seca, feijão de óleo de palma e Funje Bebida: Sumos e águas Calçado: 44 Passatempo preferido: passear com a família, ver filmes e ler Filme e autor: Anjos e demónios – Dan Brown Filme e autor – Titanic e Denzel Washington http://www.opais.net/pt/opais/?id=1702&det=4214&mid=331 Matthias Offodile September 29th, 2009, 07:32 PM Júlio Quaresma Arquitecto da nova Angola http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_20/vida_20_lr_000.jpg É angolano, tem 50 anos. Nasceu em Saurimo, na Lunda Norte, mas as suas origens são do Lubango, a terra dos pais, ambos angolanos. Viveu em Angola até aos 16 anos, nas cidades de Huambo e Benguela. “Só vinha a Luanda para passar férias”, recorda. Foi também aos 16 anos que realizou a primeira exposição de pintura no Museu de Huambo. Em 1975 foi para Lisboa estudar. Nessa altura, pensava tirar medicina devido ao peso da tradição familiar. Como não teve vaga para entrar na Faculdade de Medicina, inscreveu-se na de Arquitectura. “Não por uma vocação especial. Apenas por era a que estava disponível e porque os alunos pareciam menos ‘cinzentões’”, diz divertido. Foi uma decisão que marcou a sua vida. Perdeu-se um médico, mas ganhou-se um grande arquitecto com talento em várias “artes”. CIDADÃO DO MUNDO Hoje, considera-se um cidadão do mundo. Tem residência fixa em Portugal e Angola. Não quer ter casa em mais nenhum local. Nem sequer de férias. “Uma vez tive uma casa de férias na Aldeia do Meco (pequena vila piscatória perto de Lisboa). Quase que me sentia obrigado a ir para lá aos fins-de-semana. Quero ter a liberdade suficiente para conhecer sítios novos”. Passa mais tempo em Lisboa do que em Luanda apenas por uma questão de mobilidade. “Viajo muito. Estou sempre em trânsito. Acaba por ser mais fácil ter a base em Lisboa. Mas venho a Luanda, no minimo, uma vez por mês. É a minha casa e o local onde tenho mais projectos a decorrer”, diz. Júlio Quaresma exerce uma actividade multi-facetada que vai da arquitectura, à pintura e escultura, decoração e design. É ainda curador, consultor e avaliador de arte. É assim que se sente bem. “Canso- -me depressa dos projectos. Gosto de trabalhar em várias frentes, em simultâneo. Adoro ir saltando constantemente para novos desafios.”. Não é do género de artista que gosta de trabalhar em reclusão. “Pelo contrário, prefiro trabalhar no meio das pessoas, do barulho, da confusão”, acrescenta. 30 PROJECTOS EM CURSO Júlio Quaresma possui um ritmo de trabalho alucinante. Só ao nível da arquitectura, tem cerca de trinta projectos em curso, em quatro continentes.: Angola (África) Portugal, Espanha, Hungria, República Checa (Europa), Brasil e Peru (América) e na China (Ásia). Estes últimos são dois dos seus projectos mais sonantes e emblemáticos. Na cidade de Xangai está a construir o Museu de Arte Contemporânea Espanhola que tem uma arquitectura singular e vanguardista. “Usei o branco e o preto, cores do yin e yang, e o vermelho, cor emblemática da China”, diz. Destacam-se dois enormes painéis laterais negros, onde estão inscritos os nomes dos artistas espanhóis mais consagrados que, à noite, ficam iluminados a verde ou vermelho. É impossível ficar indiferente a tal efeito visual. Outro projecto igualmente arrojado e ambicioso é o observatório das famosas “linha de Nazca”, no Peru (a sul da capital, Lima). Tais misteriosas gravuras gigantescas, desenhadas no deserto de Nazca – que representam animais como a aranha, o macaco, o lagarto ou o condor – são habitualmente vistas pelos turistas a partir do céu. Júlio Quaresma foi convidado a participar num selectivo concurso internacional para a construção de um observatório em terra. A arquitectura do edificio, completamente inserida na paisagem árida, é fantástica. Mas ainda não há decisão tomada sobre o vencedor do concurso internacional. EXPOSIÇÕES ATÉ 2010 No que respeita à pintura e à escultura tem a agenda de exposições completa até 2010. No dia 23 de Março partiu para Cuba. Uma obra sua vai abrir a Bienal de Havana com início a 27 deste mês. Trata-se de uma grande peça de escultura e fotografia, dedicada aos direitos humanos e que vai estar na Fortaleza logo à entrada da Exposição. A peça tem de um lado várias palavras – tal como a paz e a solidariedade, associadas aos direitos humanos e do reverso tem imagens chocantes de violações desses mesmos direitos. Esta peça vai ser apresentada em Dezembro na sede da ONU, em Nova Iorque. Depois de Havana estão agendadas quatro exposições das suas obras no Brasil – São Paulo, Fortaleza, Recife e Curitiba. Seguem-se o Panamá e a China, esta já em 2010. Pelo meio recebeu convites para estar presente na Bienal de Moscovo e na Miami Basel. “Provavelmente não aceitarei. O tempo não dá para tudo e não me consigo multiplicar”. O artista não trabalha, porém, sozinho em todas estas frentes. No que respeita à arquitectura tem uma empresa, a Júlio Quaresma – Arquitectos & Associados na qual trabalham 12 pessoas a tempo inteiro no atelier – desde arquitectos a engenheiros – existindo ainda um vasto numero de colaboradores especializados nas questões logísticas e ambientais. No que se refere à actividade mais pessoal – ligada à pintura e à escultura – possui uma empresa de comunicação, com apenas três pessoas a tempo inteiro. ACTIVIDADE ACADÉMICA Está também ligado ao mundo académico. Por um lado como professor. Dá aulas de arquitectura na Universidade Lusófona. Por outro como aluno. Está a concluir o doutoramento na Universidade de Valência, cidade do sul de Espanha ao qual está muito ligado emocionalmente e profissional. A título de exemplo, refira-se que Júlio Quaresma será o curador de uma exposição de arte que irá decorrer em Valência no inicio de Abril. Há dois anos organizou nesta cidade uma exposição de arte africana baseada na colecção de Sindika Dokolo. Recorde-se que Júlio Quaresma terminou a licenciatura em Arquitectura, em 1981, pela Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa. Em paralelo fez o curso de Cenografia, no Conservatório Nacional de Lisboa, que concluiu em 1983. Dez anos depois realizou, na mesma universidade, o mestrado em Tecnologia da Arquitectura e Qualidade Ambiental. Agora chegou a vez do doutoramento cuja tese será: “Relações Vivenciais da Arquitectura — O Afecto e o Medo”. Quisemos, obviamente, saber o que significa a “arquitectura do medo”. A resposta tem a ver com a tendência das sociedades urbanas em se isolar devido à insegurança. A este propósito Júlio Quaresma confessa ter, desde sempre, um “ódio de estimação” pelo conceito de condomínio fechado.”Nunca fiz”, diz. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_20/vida_20_lr_057.jpg DIRECTOR DE ONG’S A título pessoal ainda lhe sobra tempo para liderar algumas organizações não--governamentais. Desde 2004 que é presidente do GADS – Grupo de Apoio e Desafio à Sida que, embora sedeada em Lisboa, tem uma presença muito activa em Angola ao nível da eleboração de materiais de prevenção e sensibilização. Desde 2003 que é igualmente membro de direcção da Cruz Vermelha. Com tantas solicitações, praticamente não tira férias. “Como tenho de viajar muito aproveito para conhecer a fundo os locais. Mas como estas mini-férias urbanas não são muito relaxantes, tenho o hábito de fazer um cruzeiro quando preciso realmente de descansar. Considero-me uma pessoa urbana, incapaz de viver sem um cinema, um teatro ou uma livraria por perto. Para compensar gosto de fazer incursões à Natureza quando viajo. Ainda recentemente fiz um raide inesquecível ao Namine”. Outro hábito que tem é o de escrever durante as viagens. É que Júlio Quaresma escreve uma crónica semanal sobre arte para a revista Caras e colabora com o periódico espanhol El Mundo. “Quando vou a um país em trabalho, aproveito para visitar uma exposição. Quando gosto de um artista, tiro notas e fotografias, e envio o texto e as imagens logo a seguir”. REFORMA NUM PAIS QUENTE No que respeita ao futuro, não gosta muito de fazer planos. “Prefiro viver intensamente o presente”, diz. “Tenho muitos projectos de arquitectura em curso, que acabam por criar aos arquitectos uma grande dependência. Quer antes, quer depois da obra estar concluída, ficamos sempre emocionalmente ligados a ela. Por vezes para toda a vida”, confessa. “A única coisa que posso garantir é que tenciono reformar-me num pais quente rodeado de pessoas simpáticas”, diz. Angola, a sua terra natal, será decerto a escolha óbvia. Matthias Offodile September 29th, 2009, 07:42 PM Capa 39 "Afrikanita" Um estado de espírito Queria ter sido jornalista. Acabou por se tornar uma das grandes vozes femininas angolanas http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_39/carlos_moco-4908.jpg A voz do jazz angolano. Afrikanita, nascida na Província do Uíge, vive em Luanda, mas já passou por Joanesburgo e Paris. Em todos os pontos do globo bebeu inspiração e conhecimento que harmoniza na música que faz actualmente. Nasceu Eunice José, mas uma crise de identidade e sentimento de revolta fizeram-na querer assumir a sua raiz cultural. Tornou-se Afrikanita. A artista cumpre a missão de divulgar o jazz em Angola através dos seus espectáculos mas também com o programa que realiza na Rádio Mais. O Jazz em Casa, emitido aos domingos e às segundas-feiras é um caso de sucesso. Uma voz, sorriso e rosto que são uma referência para todos quantos apreciam o jazz made in Angola. Afrikanita acredita que o interesse por este género musical está a aumentar e prepara o segundo trabalho discográfico que será lançado até ao final do ano. Mais um degrau para subir no seu “projecto solitário”. Actuou na última noite do primeiro festival de jazz de Luanda. Como correu? Para um primeiro festival acho que correu muito bem. A receptividade do público angolanos foi muito boa. Tivemos bastantes curiosos, o público foi participativo. Com o tempo só pode melhorar. Sente que o projecto de promoção do jazz que desenvolve em Angola é um projecto solitário? Sem dúvida. Apenas um número reduzido de pessoas “dá-nos a mão” no desenvolvimento deste trabalho. No ano passado fiz vários espectáculos.Comecei com metade da sala preenchida e no último concerto tive uma sala cheia de gente e bilhetes esgotados. Isto significa que há muita gente curiosa. Por isso acho que é uma questão de perseverança e de continuar a insistir. Acredito que daqui a uns anos Angola será como Moçambique, Cabo Verde, como todos os outros países. Repare-se que com a excepção de Jerónimo Belo, praticamente mais ninguém divulgava o jazz. Agora como são mais pessoas a trabalhar no mesmo sentido, penso que as coisas vão melhorar. Jerónimo Belo, que tece grandes elogios ao seu trabalho artístico... Vindo do Jerónimo Belo é uma honra. Ele é muito corajoso e penso que olhou para mim também por causa dessa coragem. Teve muitas lutas e sabe que não é fácil. Sei que posso contar com ele desde o primeiro momento, quando lhe falei sobre o meu projecto, ainda sem ter um disco. Abriu-me as portas e tem sido um grande apoio na minha carreira. Quando surge o jazz na sua vida? Era adolescente. É uma música que não se consome em Angola e sentia, por isso, alguma dificuldade de a transmitir, de a pôr cá para fora. Não temos músicos nesta área e também não sabia onde tocar essa música. A verdade é que nunca pensei ser cantora apesar de gostar bastante de música. Pensava seguir que profissão? Queria ser advogada ou jornalista. O meu pai dizia-me que eu tinha que estudar e a música não podia passar de um hobbie. Nunca pensei cantar num palco com uma banda. Mas as coisas tomaram um rumo que não consegui controlar e fui apenas seguindo a onda. Quando se deu a reviravolta? O primeiro convite surgiu quando eu tinha 19 anos, através do brasileiro Sérgio Ricardo que era um dos compositores da Elis Regina. Fui assistir a uma conferência na Embaixada do Brasil e esse compositor convidou-me para participar num espectáculo na noite seguinte e cantar uma música com ele. Fiquei surpresa e assustada mas fiz um ensaio com a minha banda e lá nos apresentámos no Teatro Avenida. A partir desse dia nunca mais parei. Depois, eu própria sentia vontade de assistir a espectáculos e andava à procura de tudo relacionado com a música. De manhã ia à escola à tarde ia cantar. Nem era paga. Mas queria estar perto da cena musical. Depois entrou para uma banda... Sim, os Vozes Negras chamaram-me para ingressar no grupo. Fazia coros e era uma das vocalistas principais. A música que fazíamos era semba. Não era o género de música que gostava de fazer mas foi uma grande experiência, que hoje permite-me fazer de tudo um pouco. Depois apareceram os N’ Sex Love (hoje O2) que me ouviram cantar e convidaram para fazer coros para as músicas deles. Fiquei um ano. Enquanto estudava, fugia para ensaiar. Foi quando gravámos o primeiro disco. Foi nessa época que foi viver para a África do Sul? Exacto. Fui para estudar. Comecei a fazer gingles com artistas sul-africanos. Participei em discos de músicos angolanos e moçambicanos. Fomos trocando experiências e comecei a investigar cada vez mais, a ouvir música mas com ouvido de profissional. Comecei a ouvir Anita Baker, Tony Braxton e isso fez-me crescer na música. Depois disto fui para Paris em 2000. Toquei com vários grupos, ganhei rodagem. Interpretávamos hits dos anos 60/70, Tina Turner, James Brown. Decidi gravar o primeiro disco e fui fazendo muitos espectáculos. A sua carreira a solo está a descolar ao nível internacional. O que está programado? As coisas estão a andar bem. Até nem gosto muito de falar disto mas são precisos apoios. As pessoas não acreditam muito no jazz. Ficam encantadas quando nos vêem fazer este trabalho, mas falham na hora de dar algum contributo. Tenho convites para actuar no estrangeiro mas é preciso fazer algum investimento. As dificuldades que enfrenta por fazer aquilo que realmente gosta, já lhe fizeram pensar em interpretar uma música mais popular? Não consigo sequer pensar nisso. Não conseguiria fazer outra coisa. Na vida tirei duas conclusões: só se é feliz quando se faz aquilo que se gosta e quando se casa com quem se ama. O jazz é a minha música e vou sempre fazer afrojazz. Agora, sem dúvida que é preciso fazer campanhas de divulgação. Gostava de ter uma equipa e uma estrutura bem sólida para levar a bom porto o meu projecto. Mas repare, os espectáculos que dei no ano passado no Hotel Trópico foram custeados por mim e por algumas pessoas que acreditam na minha carreira. Frequentou alguma escola de música? Entre os meus 19 e 23 anos, tive aulas com alguns professores de música. Primeiro em Luanda e depois em Grenoble, na França, onde vivi durante um ano e pertencia a um grupo de gospel. Estudei muito sozinha. Mas gostava de fazer um curso universitário de técnica vocal, piano e jazz nos Estados Unidos ou em Cuba. A Universidade Lusíada ofereceu-me uma bolsa de estudos este ano mas para já, pretendo organizar melhor a minha vida aqui em Angola, uma vez que só cá estou há dois anos. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_39/carlos_moco-4870.jpg Que criança era Afrikanita? Tive uma infância muito boa. Era muito traquina. Tenho até um problema nos olhos por causa de um acidente. Viajava muito de carro com o meu pai e irmãos. Todos os fins-de-semana íamos passear pelas províncias e praias. Nasci no Uíge, apesar da minha família não ser de lá. O meu pai passou parte da juventude no Uíge e gostava muito, conheceu a minha mãe em Luanda e foram viver para lá. Estiveram pouco tempo porque surgiu a guerra e vieram novamente para Luanda em 1975. A verdade é que não conheço a minha terra. Gostava muito de lá ir. Nesse tempo a música já era importante? Eu dançava muito. Era a dançarina lá de casa, imitava o Michael Jackson e a Madonna. Mais tarde passei a gostar de Withney Wouston. Tinha grande inclinação para a música americana. Na adolescência, gostava de TLC, depois Anita Baker, Ella Fitzgerald. O meu pai tinha caixas com cassetes gravadas com música que ele gostava e lembro-me de desgravar essas cassetes e gravar por cima com as músicas que eu ouvia na rádio como Paul McCartney. Uma vez ele descobriu e ficou mesmo chateado comigo. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_39/carlos_moco-4896_ok.jpg Como olha ele para a sua carreira hoje em dia? No princípio não deu grande apoiou. Dizia-me aquelas coisas: “tens de estudar, a escola é o principal, se queres ser alguém na vida tens de ter formação”. Ele não entendia o meu lado artístico mas penso que era o lado protector a falar mais alto. O mundo da música aparece muitas vezes envolto noutras questões como a droga e prostituição e ele queria afastar-me daquilo que me pudesse magoar. A minha mãe dizia-me o oposto que a música era uma boa opção. Apoiou-me muito. Hoje é diferente. O meu pai há uns anos visitou-me em Paris e disse-me: “quando um filho tem um sonho não devemos criar barreiras, deve ajudar-se a realizar”. Acho que foi uma forma de demonstrar que aprecia o que faço. Recentemente ouvi dizer que ele até tinha tido uma banda. Ainda vou perguntar-lhe se é verdade, para saber se essa é a raiz da minha veia artística. Como vai ser se algum dos seus filhos quiser seguir uma carreira na música? O meu filho mais novo tem oito anos e é totalmente um músico. Já foi até meu convidado num espectáculo, tocou percussão. Agora com a morte do Michael Jackson o quarto está cheio de posters, está a deixar crescer o cabelo... É um artista completo. As viagens que fez e o facto de ter vivido no estrangeiro, influenciaram-na como artista? Muito. Especialmente por ter acesso a espectáculos, bibliotecas de música, discos, conhecimento. Para além disso, a seriedade com que levam a música, o respeito com que tratam os artistas é muito importante. Em Angola ainda há muito trabalho a fazer neste campo. Tenho fama de ser complicada, de que me tento impor, mas as pessoas têm de perceber que é a minha profissão. Tem um programa na Rádio Mais, o Jazz em Casa. Como nasceu este projecto? O director José Vieira foi assistir a um dos meus concertos e, passado uma semana, surgiu o convite do grupo Media Nova. Eu disse que nunca tinha trabalhado em rádio, falava muito rápido e tinha de trabalhar a dicção. Mas resolveram apostar em mim. Deram-me dicas e comecei o programa. Já lá vão sete meses que está no ar. Preparo todos os programas, faço a pesquisa, escrevo os textos e realizo. Tento explicar o que é o jazz, dar um carácter pedagógico e contextualizar o estilo. Exige reflexão e criatividade. Apanhou o “bichinho da rádio” de que tanto se fala? Completamente. Esta experiência acaba por ser uma aproximação ao trabalho de jornalista que sempre quis. Que feedback lhe transmite o público do programa? Muito positiva. As pessoas dizem-me que gostam e, curiosamente, todas as camadas ouvem o programa. É transversal a toda a sociedade, o que me deixa muito feliz. É uma forma das pessoas começarem a ganhar gosto por esta música. O jazz começa a entrar no seu quotidiano. O programa tem uma rubrica onde partilha alguns “pensamentos jazzísticos” ditos por músicos, críticos e estudiosos. Há algum que utilize como referência? Uma vez li na internet a frase “Jazz...antes de tudo, um estado espírito”. Achei muito bonito e identifiquei-me por completo com a frase. E porquê o nome: Afrikanita? Ah... Tive um problema muito grave, um problema de identidade. Quando fui viver para França vivi de perto o racismo. É um episódio muito triste na minha vida. Tenho amigos de todas as raças e sempre me dei muito bem com todos. Tinha a ideia de que em França, sendo conhecida como o berço dos direitos do homem, não seria possível viver o racismo na pele. Foi muito difícil compreender até porque a minha melhor amiga era branca. Saber que por ser negra não podia ser secretária ou tradutora, mexeu muito comigo. Tive um período de revolta muito grande na minha vida e decidi assumir as minhas raízes e ser eu mesma. Daí surgiu o nome Afrikanita. Fazia soul music, música clássica, mas deixei tudo isso e comecei a assumir a minha cultura. “Vou ser Afrikanita” e fazer música africana de todos os países. Canto em várias línguas africanas, dos Camarões, Guiné, Mali...Cheguei à conclusão que o mundo respeita mais quem assume aquilo que é verdadeiramente. Que apelo deixaria ao público angolano que ainda não foi conquistado pelo jazz? Interessem-se pelo jazz porque o jazz — o som da liberdade — está a acontecer. Não se distraiam. "Na vida só se é feliz quando se faz aquilo de que se gosta. O jazz é a minha música. Vou sempre fazer afrojazz". NOVO DISCO AINDA ESTE ANO Para além do programa que realiza todas as semanas na Rádio Mais, Afrikanita está a gravar o seu segundo disco. O trabalho encontra-se em fase final e sairá até ao fim do ano. O disco conta com a participação de músicos franceses e camaroneses. Terá new soul, bossa, uma mistura de jazz e semba. Coloque aqui o titulo Nome: Eunice José, Afrikanita Idade: 35 anos Naturalidade: Uíge Residência actual: Luanda Tempo livre: Leitura, música, viagens Livro: Romances, “Chama-me negro” Cidade: Varadero, Cuba Matthias Offodile September 29th, 2009, 08:04 PM Empresa Sempre em festa Trichu, Callas e Sing são três amigos que há dez anos criaram uma empresa de produção de festas e eventos http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/daniel%20miguel-71_ok.jpg A 3Xu nasceu da vontade de três amigos, apaixonados pela noite, todos na força e irreverência da juventude. Trichu, Callas e Sing – não pôde estar presente durante a nossa entrevista -, conheceram-se há 10 anos quando estudavam em Lisboa. Trichu trabalhava num restaurante e Callas na discoteca Luanda. Decidiram juntar esforços e know how e criar uma produtora de eventos, a que se juntou mais tarde um terceiro elemento, Sing. Assim nasceu a 3Xu. “A nossa originalidade era fazer festas africanas em espaços neutros. Naquela altura lançámos muitos talentos que apareciam nas casas de hip hop e cresciam connosco. Sempre fizemos coisas diferentes como, por exemplo misturar na mesma actuação guitarras com violinos”, explicam. Quando começaram no negócio de divertir os outros, faziam-no sobretudo por paixão. “Era uma paixão que nos dava dinheiro”, confessam. Rapidamente o sucesso foi instalando-se, as festas ganharam fama e tornou-se um bom negócio. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/daniel%20miguel-65.jpg PÚBLICO MAIS EXIGENTE Em 2004, os três decidiram regressar a Angola. Voltaram em definitivo com o objectivo de organizar festas em todo o país. Trichu e Callas recordam como o mercado da noite nessa altura estava diferente. “Quando regressámos a Angola, a noite era completamente diferente daquilo que é hoje. Não havia tanta oferta, tantas discotecas, e também não havia tanta gente a frequentar estes espaços de diversão. Só podia existir uma grande festa por noite, onde se concentrava toda a gente. Hoje em dia, na mesma noite, há vários eventos a decorrer ao mesmo tempo e há pessoas em todos eles”, explicam.Já organizaram festas em quase todos os bares da Ilha, salões e até na Fortaleza. “Agora é mais fácil trabalhar na noite Luanda, temos melhores condições. Mas as festas têm de ser muito bem organizadas porque a concorrência é mais forte. Exige-se mais”. CALLAS * Idade: 31 anos * Naturalidade: Luanda * Música: Paulo Flores, Sandra Cordeiro, Yuri da Cunha, Afrikanitha, Vanessa da Mata, Sara Tavares, Kanye West, Norah Jones * Filme: Lord of war, Benjamin Button, Senhor dos Anéis, 300 * Restaurante: Bico do Sapato * Discoteca: Chill Out * Profissão: DJ GENTE GIRA A 3Xu já conta com mais de 500 festas no currículo, entre Angola, Moçambique e Portugal. “Quase todos os fim-de-semana organizamos uma festa”. Os três amigos vão ficar até meados de Setembro em Portugal para “abalar” o Verão português. São várias as festas que têm em agenda durante os próximos meses. Na memória dos dois está a noite em que levaram o músico e DJ Bob Sinclair a Portugal. “Milhares de pessoas esgotaram o recinto na Costa da Caparica. Foi um dos nossos melhores eventos”. A maior parte da população do mundo trabalha durante o dia em escritórios ou em fábricas. Mas o local de trabalho de Trichu e Callas é outro. Com o pôr do sol a temperatura convida a sair para a rua. A cidade agita-se no ritmo próprio da noite, ilumina-se, e é com o avançar das horas que Trichu e Callas “picam o ponto”. As ruas de Luanda parecem não querer dormir. Os restaurantes, as cervejarias, os bares, as esplanadas e as discotecas estão prontos para a festa. Este é o ambiente de trabalho dos dois. Quem vai às festas organizadas pela 3Xu sabe o que pode encontrar. “Gente gira, selecção cuidada, staff organizado desde as relações públicas, passando pela segurança e barmans”, explica o produtor de eventos. Dez anos depois, a paixão por organizar festas pode ter diminuído um pouco, o negócio veio ao de cima, mas o profissionalismo continua intacto. Depois de uma década imparável, os amigos já acusam algum desgaste. “Só saímos à noite para ir trabalhar. Hoje em dia já temos uma vida familiar e queremos fazer outras coisas”. Os dois viram-se também para outros voos. SONHOS Callas sempre foi Dj e é nesta vertente que apoia a 3Xu. O Dj põe música uma vez por semana no Chill Out e já gravou um disco, o Ouves e Callas, que esgotou todas as cópias. O Dj Callas está agora está em fase de gravação do segundo álbum, a lançar no final do ano. Uma mistura de kizomba, hip hop, r&b e soul. “Neste momento estou a fazer aquilo que eu gosto, a trabalhar sem pressas”. A gravação do disco está a ser feita na sua própria editora, onde já estiveram em estúdio os Polivalentes, Lukénia Fortunato e os Kalibrados. A editora é para o músico “algo que me dá muito prazer e quero que assim continue. Da forma como eu a encaro, a música não é um negócio”. Para além disso, Callas vai editar muito em breve uma revista ainda no “segredo dos Deuses”, e pretende abrir um restaurante e um salão de cabeleireiro, de preferência “antes de fazer 40 anos”. Mas sempre com a música presente. TRICHU * Idade: 31 anos * Naturalidade: Luanda * Música: Bossa Nova, Paulo Flores, Anselmo Ralph, Simone, Laura Pausini * Filme: Sleepers- Sentimento de Revolta, Matrix * Restaurante: Tia Maria * Profissão: Produtor de eventos WOODSTOCK EM ANGOLA Também Trichu está voltado para novas actividades. Pensa voltar aos bancos da universidade e recomeçar o curso de Comunicação Social que interrompeu, ao mesmo tempo que prepara o lançamento de uma marca de roupa até Novembro. Será uma linha de t-shirts para o mercado nacional tendo como tema as várias cidades angolanas: o nome das cidades será utilizado em associação como uma imagem. T-shirts alternativas com um toque cómico é a proposta do multifacetado produtor. Actualmente a viver em Benguela, Trichu está também a desenvolver o projecto de um grande festival anual de música e djs, a decorrer em Novembro. Será o Festival As 30 horas do Chongoroi. “Daqui para frente só quero organizar festivais”, brinca o produtor. “Temos organizado festas no Huambo, em Benguela, no Lubango, e chegámos à conclusão de que as pessoas viajam para ir a festas. Cerca de 30% das pessoas que lá vão são de Luanda”. A 3Xu já organizou um pequeno festival no Chongoroi (estrategicamente localizado, a 200 km das capitais das províncias do sul: Benguela, Lubando e Huambo) com a afluência de 1.500 pessoas. Para a primeira edição “a sério” do festival As 30 horas do Chongoroi, Trichu espera que entre três a quatro mil pessoas desloquem-se ao festival, algumas das quais irão acampar na fazenda. Um verdadeiro Festival de Woodstock no sul de Angola, já em Novembro próximo. Entrevista Uma lição de vida É famosa e conhecida. Mas já foi empregada de limpeza e vendedora de frango no Roque Santeiro. Subiu na vida a pulso http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/analtina_%20dias_pedro%20ncodemos-3704.jpg Analtina Dias é um dos rostos mais importantes da Televisão Pública de Angola. Depois de ter apresentado todos os programas televisivos desde o Infantil, Telejornal, Ecos e Factos, Janela Aberta e Sem Limite, a apresentadora com mais audiência na TV de 2002 a 2006, está de volta com um novo programa aos domingos. Vai também estrear-se como argumentista e produtora na mini-série O Contador de Histórias. Estudou economia até ao terceiro ano, altura em que desistiu para se licenciar em comunicação social. É casada, com relacionamento estável há 22 anos, mãe de dois filhos biológicos e quatro adoptivos. Gosta de viajar conhecer novas culturas e, quando está em algum lugar, gosta de viver como esse povo e conhecer a sua cultura. É profissional da TPA há 22 anos Já treinou taekwon-do por ter sido assaltada. Gosta da cultura angolana, de dançar, estar com os amigos e a família nos tempos livres. Teve um percurso duro e difícil. Que nos explica. Pelo que sei, não é de Luanda. Nasceu aonde? Minhas raízes são bem bantu e, embora tenha nascido no Leste, considero-me bailunda. Nasci no Moxico,no município do Luena (ex-Luso), mas considero-me do Huambo por ser a terra dos meus irmãos e, onde cresci e fiz quase toda a minha vida. A zona que mais me marcou é a Rua do Comércio, onde fiz muitas amizades. E olhe que não é a zona chique, porque sou de uma família humilde. Filha de uma professora e de um técnico médio de contabilidade. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/analtina_%20dias_pedro%20ncodemos-3730.jpg Como aconteceu trabalhar na televisão? Entrei para a TPA em 1986. Quando eu era pequenina pertencia a um grupo de dança, naquela época onde despontavam vários talentos infantis. O meu grupo chamava-se Chocolate, vencemos o concurso e o prémio era o patrocínio da TPA. Quando cheguei à televisão, acompanhada da minha mãe para receber o prémio, eles convidaram-me para apresentar um programa infantil. Isto ainda no Huambo. Já tinha jeito? Embora pequenina já gostava de aparecer. Lembro-me que na altura a senhora disse-me: “tens um rosto tão fofinho que dá para apresentar um projecto infantil”. A minha mãe viu que eu estava entusiasmada e permitiu. Assim começou a minha história como apresentadora de televisão. Seguiu-se um programa de variedades, aquele onde dizíamos qual era a programação do dia. Depois fui para a informação apresentar o Telejornal. Nessa altura havia rivalidade entre a produção de Luanda e das províncias? O Huambo tinha tudo para ser o melhor centro de produção de Angola. Competíamos com a central em Luanda, tínhamos grandes profissionais como o Tomás Ferreira “Walter”, que realizou grandes novelas da altura, o Miguel Contreiras, um grupo que tinha muita vontade e que fazia um trabalho que era reconhecido por todos. Só que depois de 1992 a guerra atingiu o ponto mais alto e, recebemos um aviso que tínhamos 50 dias para abandonar a cidade. Se não saísse de lá, com certeza teria morrido. Passados 55 dias a cidade onde vivíamos foi atacada e ficou completamente arrasada. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/img_3851.jpg Mudar de cidade é sempre complicado… Cheguei a Luanda em 1992, acompanhada pelo meu marido, e fomos viver para casa de uns familiares. Confesso que foi um tempo dificil. Viémos como quadros da TPA e fomos automaticamente admitidos na central de produção da capital. Já apresentei de tudo em televisão. Colocada em Luanda fiz o Ecos e Factos, voltei a fazer variedades, fiz o telejornal, até que fui emprestada à área de entretenimento. Uma nova fase da sua carreira. Nesta área comecei pelo Janela Aberta. Quando cheguei, lembro-me que na altura era uma televisão muito formal, não se podia rir muito, dançar, ou dizer coisas divertidas. Os apresentadores não estavam soltos, não eram eles mesmos. Essa era a sua vocação? Embora eu achasse que só podia demonstrar o meu verdadeiro valor apresentando o telejornal, a verdade é que não tem muito a ver comigo. Gosto mais de sorrir, de dançar, de comunicar, mais do que informar. Prefiro conversar e não ler telepontos com aquele tom sério. O Janela Aberta deu-lhe bastante protagonismo. Na altura apresentava o programa o Pedro Ramalhoso. Tiraram-me do Telejornal e puseram-me no Janela Aberta, para onde fui contra a minha vontade. E não é que aquele programa, que eu fui fazer quase obrigada, deu-me o protagonismo que tenho hoje. Veja que era um programa com música, alegre e, tínhamos que ficar sérios, não nos podíamos movimentar, nem nos mexer muito, porque a Televisão que se fazia na altura era muito formal. E este comportamento é completamente oposto à minha forma de ser e estar. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/img_3869.jpg Como quebrou esse formalismo? Um dia quando um artista estava a cantar, eu disse ao Pedro para que se levantasse, e fomos dançar. Fomos chamados pela direcção que nos disse que o programa não era para dançar. Apesar da chamada de atenção, eu continuei a fazê-lo, a sorrir, a demonstrar que sou humana e não uma máquina que esconde as emoções. O programa ganhou o formato que tem hoje, onde os apresentadores já podem estar à vontade. Adorei a experiência e fico feliz, que de forma directa ou indirecta, nós mudámos o programa. É assim até agora. Que recorda desse tempo? Marcou-me muito o facto de o programa me ter obrigado a “cultivar-me”, a estudar diversos temas, o que contribuiu para o aumento dos meus conhecimentos e da minha capacidade intelectual. Tinha que entrevistar pessoas de várias áreas do saber, vários intelectuais, o que nos obrigava a pesquisar muito. Porque os convidados iam desde representantes da Unesco em Angola, a juristas como o doutor Tjipilica, médicos, políticos, embaixadores, economistas, etc. Tinha que me preparar para perceber a linguagem técnica e traduzi-la para o público, de forma que toda a gente percebesse. Isso ajudou-a no futuro? Já sabia muita coisa e tinha uma cultura geral acima da média, o que me facilitou a vida quando entrei na universidade. Onde mais uma vez estive acompanhada do meu esposo. Conheci-o na TPA no Huambo, há 22 anos, e sempre esteve comigo. Nos momentos mais difíceis de pobreza até aos dias de hoje. Terminámos a licenciatura em comunicação social, com o primeiro grupo de finalistas do curso. Mais uma coisa que fizémos juntos. O Janela Aberta abriu-lhe muitas portas? Foi lá onde surgiu a ideia da criação da primeira boneca, a Analtina Bebé. Uma senhora levou ao programa uma bebé e baptizou-a com o meu nome, Analtina. Várias mães davam o meu nome às suas filhas e levavam-nas ao programa. Foi também graças ao programa que recebi facilidades para o meu negócio de venda de frangos no Roque Santeiro. Olhe, eu já vendi frango no Roque, e como já disse, sei o que é passar fome. O Janela Aberta só acabou para mim, porque passados 6 anos estava farta de fazer sempre a mesma coisa. Eu pedi para sair, porque se dependesse da televisão, eu estaria até hoje a fazer o programa. Manteve-se ligada à televisão? Dois anos depois apresentei o guião de um programa, Sem Limites, com meu argumento e minha produção. A direcção acreditou e deu-me os meios necessários para fazê-lo sem limites. A ideia do programa era ajudar as pessoas que sofriam no nosso país, despertar o lado solidário do angolano. Mas desiludi-me, porque cheguei à conclusão que ainda temos muito que trabalhar neste aspecto. O que resultou do programa? Vi muita miséria, vi muita pobreza. Vi o sofrimento das pessoas, mais do que eu imaginava que fosse possível. Porque a solidariedade ainda é muito pouca entre nós. Poucas pessoas se predispunham a ajudar. Outras, até me diziam, “Analtina se for para ti até dou, mais para esses não. Esquece essa gente e preocupa-te contigo!”. São os riscos de quem quer fazer bem. Muitas vezes tive de ajudar as pessoas com o meu próprio salário. Tirar do meu dinheiro para poder ajudar os que iam ao programa, porque muitos dos angolanos que têm diheiro em excesso, não querem ajudar os mais necessitados. Havia até quem só desse algo se pudesse aparecer na televisão, dizendo que ia dar. Fui mal interpretada por muitos, que achavam que a minha pretensão era apoderar-me dos bens. Sei que até circularam rumores a meu respeito, o que me entristeceu bastante. ANALTINA DIAS É apresentadora de televisão, licenciada em comunicação social já estudou economia até ao terceiro ano, altura em que desistiu para estudar comunicação social. É casada, mãe de com dois filhos biológicos e 4 adoptivos. Gosta de viajar conhecer novas culturas e quando está nalgum lugar gosta de viver como esse povo e conhecer a sua cultura. É profissional da TPA há 22 anos Já treinou taekwon-do por ter sido assaltada. Gosta da cultura angolana, de dançar, estar com os amigos e a família. O que está a fazer agora? Já estou a trabalhar num novo projecto. A TPA propôs-me um novo programa para os domingos, e estou a preparar--me para o apresentar. Vou também estrear-me na produção e argumento, com uma mini-série que já está ser gravada, intitulada O Contador de Histórias. O objectivo é trazer de volta aquela personagem à muito desaparecida, o homem que conta histórias à volta da fogueira. Quero mostrar à nossa gente um pouco da nossa cultura e dar aconhecer aos mais novos que em África, apesar dos nossos ancestrais não terem escrito livros, temos uma cultura oral muito forte. Com histórias, provérbios, contos, etc. Fazer informação nunca mais? Propuseram-me regressar à informação mas recusei. Descobri que gosto de falar, comunicar mais do que informar. Para além disso estou a adorar a experiência na rádio, um convite que me foi feito pela direcção da LAC e eu aceitei. É um programa que eu faço porque é algo que eu ouviria. Quando realizo o Analtina na Rádio, coloco-me na posição do ouvinte e, faço algo que eu se estivesse em casa ouviria. VENDER FRANGO NO ROQUE SANTEIRO Foi uma actividades que teve para conseguir ter os rendimentos necessários para viver. Mas também foi empregada de limpeza. Não se esconde do passado e fala dele com grande à vontade. Emocionada, claro, mas sem se esconder atrás da figura que é hoje. Diz-nos mesmo que conheceu várias pessoas no Roque Santeiro que no presente estão muito melhor que ela. Tal como o país teve de fazer, Analtina adaptou-se, fez sacrifícios, empenhou-se e conseguiu vencer. Como se desenvolveu o projecto das bonecas? Como eu disse começou tudo no Janela Aberta. Eu cresci sempre com bonecas, embora não fossem minhas porque não tínhamos dinheiro para comprá-las. Mas eram sempre bonecas brancas e,muitas vezes me perguntei, porque razão não havia bonecas negras. Juntei outro dado curioso, numa pesquisa da Consulteste sobre audiências, o resultado foi que eu era a apresentadora mais popular da televisão. Aproveitei o prestígio e o carisma que possuía na altura para lançar um novo desafio, criar uma boneca negra que fosse aceite quer por crianças negras, quer por crianças brancas de Angola. E não é que o projecto deu certo. E a linha das bonecas tem vindo a crescer. Fui mais ousada. Depois da Analtina Bébé ter sido um sucesso, mergulhei nas nossas raízes e fiz a Analtina Mucuvale, a Analtina Mwangolé, entre outras, mas que apresentassem sempre os trajos típicos de cada região, mostrando a grande diversidade cultural da mulher angolana. Sente-se realizada com este projecto? Hoje eu vejo meninas brancas a não terem vergonha de brincar com uma boneca negra, meninas negras com orgulho de brincar com bonecas negras, vendo que a boneca, pode ser negra ou branca, mas é linda de qualquer maneira. É você própria que cria as bonecas? Sim! Eu própria tenho as ideias e desenho-as. Depois apresento o projecto aos “mais velhos” e outras pessoas ligadas à nossa cultura. Que me dão as suas opiniões. O sucesso é a boneca ser parecida com a realidade. Por exemplo, se for à China vou encontrar a boneca ou a mulher chinesa vestida com os trajes locais. Porque não fazermos isto também em Angola? Essa é uma forma de preservar a cultura Daí a ideia de fazer a Analtina Mwangole com trajes de todo o tipo. É tempo das crianças saberem que na Huíla e no Namibe temos uma mulher mumwila, na Huíla a mulher mucubal, que na ilha temos a abessangana, que no leste temos a mulher Cokwe. Os nossos filhos tem de conhecer a história dos seus ancestrais e conservar a cultura angolana. DOUTORES E ENGENHEIROS Quando olha para a área onde trabalha, diz que a comunicação já foi melhor. Na altura em que não existiam os doutores e licenciados. “Quando comecei, a comunicação social era feita por intelectuais como Francisco Simons, Mesquita Lemos, Gabriela Antunes, Maria Luísa Fançony e muitos outros, que se preocupavam em fazer bem. Havia uma exigência em falar bem o português. Não tínhamos tanto português mal falado e mal escrito. E os kotas não eram doutores, mas preocupavam-se em ser competentes. E faziam bem. Por isso aquela é e continua a ser a melhor geração que se ouve e se lê da comunicação social angolana. Talvez algum dia isto vá melhorar. Não tínhamos doutores e licenciados. Hoje eu olho para televisão e digo, está fácil entrar. Antes eram muito rigorosos nos aspectos técnicos da linguagem e nas técnicas de informar e comunicar. Mas isto passa um pouco pela realidade do país. Mas tenho de reconhecer e que a comunicação social em Angola já foi melhor que isto. Sempre acompanhei a rádio e a televisão”, diz-nos com convicção. Hoje é uma mulher famosa. Mas nem sempre foi assim? Como lhe disse vim de uma família pobre. Quando vim para Luanda cheguei a ser empregada doméstica, antes de entrar para TPA. Depois, como os salários não davam para as necessidades, cheguei a vender frangos. Quando ainda era apresentadora de televisão, uma amiga um dia disse-me que o director da Frescangol gostava de me ver no programa Janela Aberta. Pedi-lhe uma audiência e foi ele que me ajudou. Já não tinha de aturar bichas para conseguir as caixas de frango. Naquela altura ainda não tínhamos a Arosfram e, era a Frescangol a principal distribuidora. Tornei-me intermediária, comprava o frango lá dentro e “despachava” depois. Tempos complicados? A minha comadre dizia-me para não chorar porque haveria sempre uma solução para os nossos problemas. Sempre que as coisas apertavam, eu e o meu irmão mais novo íamos ao Roque vender. Quando vivia no Cacuaco lembro-me que haviam várias casas que vendiam churrasco e metiam música. Então disse ao meu irmão “se pusermos a música mais alta talvez consigamos atrair a clientela das outras casas”. E o truque resultou. Vendemos muito churrasco e muitas cervejas. As mulheres não vinham, mas os homens apareciam todos. Depois falámos com os pescadores e fizemos muitas pousadas de palmeiras e, passámos a ter mais clientela. Havia pessoas que iam à nossa pousada passar o final de semana. Ficam coisas boas dessa altura Conheço muita gente que vendia no Roque Santeiro e hoje está muito melhor de vida que eu. Às vezes elas cruzam-se comigo e perguntam “mas tu és mesmo aquela Analtina que nós conhecemos no Roque?”. E eu pergunto, “você é a mesma mulher que vendia lá?”. Não nos devemos envergonhar do nosso passado e eu não me envergonho de ter sido pobre, de ter vendido frango. Graças a isso vivi com dignidade e melhorei a minha condição de vida. O meu director na altura não sabia disso e lembro-me que no dia em que ele me viu a vender frango, chorou, porque não sabia que passávamos tanta dificuldade. Como lhe disse, sei o que é ser pobre, o que é passar fome. Já vivi de chá e batata doce. A vida na verdade muda? Hoje consegui reunir a família e vivemos melhor. Mas graças a tudo o que passei, sei valorizar o que tenho e o que ganhei. Nunca tive o padrinho na cozinha. Quanto aos carros, só comprei um em toda a minha vida. Os outros, fui ganhando em prémios ao longo da minha carreira. Mas não devo esquecer que recebi ajuda de muitas pessoas quando passei por momentos mais difíceis. Mas tudo o que tenho, batalhei para alcançar. Eu e o meu marido. OS ESPINHOS DA FAMA “O que mais me chateia em relação à fama são as mentiras. Já me “deram” Sida, já disseram que matei o meu marido, a minha empregada, e ela está aí a trabalhar comigo. Há inclusive pessoas que juraram ter ido à cadeia e me ter visto lá. Já inventaram mil coisas sobre mim. Já me disseram que tive vários amantes, coisas que só não desequilibraram o meu lar, porque nós somos um casal unido. Senão já éramos!”, diz-nos no meio de uma gargalhada, acrescentando mais séria, “mas também se eu não fosse famosa continuaria a ser empregada doméstica, a vender frango, nuncar teria as coisas que tenho hoje. A fama traz coisas boas mas também coisas más. É preciso saber lidar com elas. E aproveito para deixar um conselho aos mais jovens – quando estiverem a fazer um negócio que vai render algum dinheiro, não o gastem todo em cerveja. Continuem a viver como viviam antes. Façam sacrifícios porque as riquezas não se fazem num dia só”. Matthias Offodile September 29th, 2009, 08:56 PM Carpoli Uma família empreendedora Às sextas-feiras o espaço transfigura-se e “vira” uma discoteca http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_35/carpoli_malocha_22.jpg Madalena Brito (ao centro na foto) é a proprietária do Carpoli. A marca nasceu devido ao comércio de peças e automóveis. Seguiu-se um salão de beleza que, entre outras, inclui uma boutique e uma perfumaria. O projecto mais recente é um restaurante, aberto em Novembro do ano passado, no Morro Bento (Luanda Sul). Visto de fora o restaurante não tem um ar prometedor. Mas ao entrar deparamo--mo-nos com um espaço aberto e amplo, decorado com cuidado. À direita está um balcão corrido. As mesas estão ao fundo. À entrada há mesas para quem quer apenas beber um copo com “vista” para o “plasma”. À esquerda há uma sala fechada, climatizada, designada como sala VIP. Mas não foi apenas pelo restaurante que o Carpoli ganhou fama. Há cerca de um mês estrearam-se as noites de dança à sexta-feira, que estão a conquistar os moradores de Luanda Sul, carenciados de locais de diversão nocturna. Tais negócios, aparentemente díspares só são possíveis de gerir, porque a família e os amigos dão uma ajuda. Enquanto Madalena Brito passa mais tempo no restaurante, a sua filha, Luzia Caboverde, mais conhecida como “Gisa”, ocupa-se do salão de beleza. O genro, Marco Figueiredo, vulgo “Bica”, está na gerência. Fazem ainda parte do grupo Lau Silva, responsável pela animação, Edson “Chodoy”, um amigo da família e o DJ de serviço Décio Cabral, que também é fotógrafo. NOME DE AUTOMÓVEL Madalena Brito nasceu em Luanda. O pai tinha um restaurante perto do aeroporto 4 de Fevereiro. A filha sempre gostou do comércio. Quando tinha apenas sete anos de idade, em paralelo com os estudos, Madalena Brito começou a ajudá-lo. Aquilo que para muitos miúdos poderia ser um sacrifício para ela era um prazer. Tanto assim foi que, aos 17 anos, resolveu abandonar os estudos em Direito para dar largas ao seu espírito empreendedor. Casou aos 18 anos, curiosamente o seu marido é advogado, e começou a trabalhar por conta própria com o apoio financeiro do pai. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_35/carpoli_malocha_111.jpg O seu primeiro negócio foi um stand de automóveis. Nasceu nos anos 80, no quintal da sua casa. Começou com a venda de automóveis de ocasião de vinham da Bélgica. Questionada sobre porque escolheu um negócio tradicionalmente associado aos homens Madalena diz que “sempre gostou muito de automóveis”. Recorda com saudade o seu primeiro carro, um Toyota Scarlet, oferta do marido. O negócio correu muito bem e Madalena passou a importar carros de luxo. “Nos últimos anos o negócio — que actualmente funciona em Benfica — caiu um pouco”, lamenta. TUDO PARA A BELEZA O segundo negócio foi um salão de beleza. Nasceu nos anos 90 e ainda hoje funciona, com sucesso, no Bairro Azul, na Ingombota. Inclui um cabeleireiro, uma boutique, uma perfumaria e um salão de estética. “A mulher entra no meu salão e sai depilada, vestida, calçada, perfumada e com o cabelo arranjado. Pode inclusivamente fazer uma sessão de hidromassagem. Sempre gostei de ver as mulheres bonitas”, diz. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_35/carpoli_malocha_126.jpg O negócio abriu com duas técnicas brasileiras de qualidade que formaram o pessoal. Hoje é composto por 16 empregadas, todas angolanas. O negócio tem corrido bem. “As mulheres angolanas são vaidosas, no bom sentido da palavra. Vão todas as semanas ao cabeleireiro. Gostam de comprar. E o meu salão também está aberto aos homens”, acrescenta. Os preços são acessíveis. Um corte de cabelo masculino custa mil kwanzas e o feminino mil e duzentos. BUFFET TODOS OS DIAS O terceiro negócio foi o restaurante. “Sempre tive essa ideia. Desde a altura em que ajudava o meu pai”, confessa que Madalena comprou o espaço em 2003. “À volta não havia nada. A arquitectura fui eu mesma. Queria fazer um restaurante tipicamente africano”, diz. O estilo pessoal é visível. No Carpoli imperam as cores quentes. As cores “terra” das tijoleiras e das madeiras. Os azulejos têm imagens de animais de África. “Comprei--os na Namíbia”, esclarece. Madalena Brito adora o que faz. “Gosto muito de cozinhar. De reunir pessoas à volta da mesa. Dizem que tenho a mão cheia”, confessa. Ela controla a cozinha pessoalmente. Passaram dois cozinheiros pelo Carpoli mas só acertou à terceira. “Sempre que entra um chefe novo fico na cozinha 30 dias com eles. Mas desta vez a cozinha está bem entregue. Os chefes Mariano e Nelson, ambos angolanos, são excelentes”, diz. O “prato forte” do Carpoli é o serviço de buffet, com oito pratos à escolha, ao preço de dois mil kwanzas. Todos os dias variamos. Às sextas e Sábados temos especialidades africanas: muteta, muamba, gindiga de cabrito. Ao domingo reina o peixe grelhado e o mufete com o suculento feijão de óleo de palma. Quartas e quintas são os dias da feijoada à brasileira. Os portugueses também se podem deliciar com pratos típicos como o bacalhau e até o Leitão à Bairrada. Para quem não aprecia o buffet do dia existe serviço à carta que tem apenas os pratos mais básicos. Desde os mais ligeiros — sopas, saladas e petiscos — até aos peixes (corvina, garoupa e liro) e carnes (picanha, estremeada, bifanas e lombo). Nas guarnições o destaque vai para os legumes variados (repolho, couve, feijão verde, cenoura). Outro trunfo do Carpoli é a generosa carta de cervejas, vinhos e digestivos. Funciona todos os dias a partir das 12h até às 22h. FEBRE DE SEXTA À NOITE Sexta feira é um dia especial para o Carpoli. Depois dos clientes do restaurante saírem, as mesas e as cadeiras são retiradas, as luzes são montadas e a sala é preparada. Tudo em apenas trinta minutos. A partir das 22h começam a chegar os primeiros clientes noctívagos. As senhoras não pagam. Os homens pagam dois mil kwanzas de senha de entrada que dá direito a consumo. A música é contagiante. Ouve-se de tudo. Dance, hip hop, rap, reggae, funks antigos e até a música mais comercial. O objectivo é pôr as pessoas a dançar. Os clientes não se fazem rogados e dançam com raça. Para quem prefere ficar a conversar existe uma sala VIP, mais reservada. Décio Cabral é o DJ de serviço. “Desde criança que gosto de pôr música. Animei inúmeras festas e toquei em vários locais como o Pandemónio e o Brasília”, diz. O seu percurso sempre esteve ligado á rádio. “Fui um dos fundadores da LAC e o fundador da Rádio 5”, diz com orgulho. Décio não está porém sozinho na mesa de mistura. Há sempre um DJ convidado. Na primeira noite tocou com o DJ Faísca, da África do Sul. Na última “sexta-feira”, a terceira desde a estreia, a novidade foi a presença de bailarinas. O passa-palavra está a funcionar e cada vez vem mais gente. “Na primeira noite — houve um welcome drink de caipirinhas e shots até às duas da manhã. A noite acabou às 5h30 com um caldo. Vieram cerca de 300 pessoas. Na segunda — onde houve champanhe e caipiroyal — vieram 600. Na terceira noite, patrocinada pela Red Bull e Atlanfina — a casa encheu. A lotação máxima é de 800 pessoas”, esclarece Lau Silva, o responsável pela animação. PLANOS DE EXPANSÃO:cheers: “Ainda existe espaço para crescer”, diz, referindo-se ao facto dos donos do Carpoli ainda possuírem terreno para uma eventual ampliação. Outro dos seus objectivos é organizar uma noite da dança aos sábados. “Será um noite tropical, com muito samba e salsa”, esclarece Lau Silva. Um dos gerentes, Marco Figueiredo, mais conhecido por “Bicas”, confessa que as noites têm superado as expectativas. “Não havia oferta de diversão nocturna em Luanda Sul, a partir das 22h, hora a que encerra o Belas Shopping. Agora os moradores já não precisam de ir a Luanda, ou à ilha, para se divertir”, justifica. Até ao momento o Carpoli não teve problemas com a segurança. “A zona não é perigosa. E nós somos selectivos à porta. Ainda assim temos um convénio com a esquadra mais próxima que disponibilizou quatro agentes que ficam de serviço toda a noite”, adianta. “O mais divertido de tudo”, diz Décio, “é que a ideia nasceu de uma conversa entre amigos que assistiam juntos à final da Liga dos Campeões Europeus, pela televisão”. Muitas vezes é assim. É entre amigos, à volta de uma mesa ou de um bar, que surgem as melhores ideias. Não se esqueça. por isso, de ir passando pelo Carpoli. Sabe-se lá o que este grupo de empreendedores irá inventar a seguir. DOS AUTOMÓVEIS À RESTAURAÇÃO O primeiro negócio de Madalena Brito foi um stand de automóveis. Seguiu-se um salão de beleza (que inclui um cabeleireiro, boutique, perfumaria e sala de estética). O restaurante é o mais recente. Para além das refeições o Carpoli é conhecido pelas animadas noites de sexta- -feira, nas quais se transforma em discoteca . OS PRATOS FORTES DO CARPOLI O restaurante aposta no serviço diário de buffet com oito pratos à escolha, ao preço de dois mil kwanzas. Às sextas e sábados servem- -se especialidades africanas: muteta, muamba ou gindiga de cabrito. Ao domingo reina o peixe grelhado e o mufete (com feijão de óleo de palma). Quartas e quintas são os dias da feijoada à brasileira. Jaime Fidalgo Matthias Offodile September 29th, 2009, 09:15 PM Comida e cultura Serve receitas típicas de Malange http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_21/img_6500.jpg “apostámos numa ementa que mistura pratos angolanos, a gastronomia portuguesa e as receitas tradicionais de Malange”, explica a gerente. O restaurante aposta muito na formação do pessoal. ao almoço, funciona no regime de buffet, com oito pratos à escolha. Este é o restaurante da Associação Chá de Caxinde, que está a comemorar vinte anos, cuja exploração está entregue a Cândida de Noronha, uma profissional de hotelaria com uma carreira de 33 anos. Reconhecida pela sua arte culinária, trabalhou muitos anos em Lisboa com o corpo diplomático angolano, sendo responsável pela divulgação da cozinha da “nossa terra” em Portugal. Com presença assídua nas mais importantes feiras de gastronomia daquele país, esteve também em muitas representações oficiais de Angola, o que lhe valeu o reconhecimento por parte de muitos dos responsáveis do país. “Fizemos muitas feiras de gastronomia em Santarém, estivemos nas festas do Avante, percorremos Portugal (Penafiel, Macedo de Cavaleiros, Nisa, etc.) levando a nossa gastronomia a muitas cidades, representámos Angola no Festival dos Oceanos, em Lisboa”, recorda. Natural de Malange, a Dona Cândida, como é conhecida também sentiu o apelo do país. “Nestas representações conhecemos muitos angolanos que viviam cá e começou a crescer o desejo de vir abrir um negócio na minha terra. Fui fazendo vários contactos, concorri a alguns refeitórios e, há cerca de dois anos e meio viemos. Surgiu esta oportunidade do Espaço Verde Caxinde e, depois de uma conversa com Jacques dos Santos, o presidente da associação, acabámos por assinar um contrato para tomar conta do restaurante. Tem sido bastante trabalhoso, mas sinto que foi uma boa aposta”, esclarece. NEGÓCIO DE FAMÍLIA Tal como sucedia em Portugal, também em Angola este é um negócio de família que a Dona Cândida divide com a fi lha e a irmã. Hoje há mais familiares que se juntaram ao projecto. “Trabalhamos juntas há muitos anos. Conhecemos bem as nossas capacidades. Nada nos assusta. Já estivemos 48 horas a cozinhar sem descansar. Estamos habituadas a fazer comida para muita gente e a agarrar todos os desafios. É assim que somos. Acho que isso se deve às nossas raízes de Malange”, afi rma bem-disposta. E na verdade tiveram que arregaçar as mangas quando chegaram. O restaurante vinha de um período de alguma instabilidade, o que levou a que muitos clientes tivessem “fugido”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_21/cha_malocha-6.jpg Para além dos problemas com as infra- -estruturas que são próprios da cidade (energia, água e saneamento), foi necessário apostar numa gastronomia de qualidade de forma a reconquistar novos utilizadores para o espaço. “Apostámos numa ementa que mistura pratos angolanos, receitas tradicionais de Malange e gastronomia portuguesa”, explica. Quando lhe falamos dos pratos mais procurados, refere o Bacalhau à Minhota, Arroz de Pato, Espetada do Mar, Espetada Mista de Carne, Funge (de peito e de peixe) e algumas receitas típicas de Malange. “Para que possamos apresentar pratos de qualidade aos nossos clientes temos que ter muito cuidado com a escolha dos ingredientes. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_21/cha_malocha-81.jpg Essa tem sido uma das nossas maiores preocupações. Temos que ser criteriosos na escolha dos legumes e das hortaliças, ter bons fornecedores de carne e saber onde podemos comprar peixe de qualidade (levanto-me todos os dias às cinco da manhã para ir às compras). Depois com a nossa experiência de confecção conseguimos ter uma oferta que todas as pessoas nos dizem estar a acima da média em relação ao que existe na cidade. Esse é o primeiro passo para os clientes virem ao nosso espaço e, mais importante, para voltarem uma segunda e uma terceira vez”, justifica. Buffet ao almoço O restaurante funciona aos almoços com o sistema de buffet. “Pareceu-nos ser a melhor opção. Todos dias temos oito pratos diferentes para os clientes escolherem. Vamos alterando a ementa regularmente. Temos um grupo importante de pessoas que almoçam aqui todos os dias. Não podemos deixar que nos digam que é sempre a mesma coisa”, refere a Dona Cândida, acrescentando, “Como estamos no centro da cidade, os nossos clientes são profissionais liberais, quadros médios e superiores das empresas que estão aqui perto (Sonangol, Petrobrás, BESA, Universidade Lusíada, etc.), para além das pessoas que vêm tratar de assuntos ao centro e não têm oportunidade de voltar aos locais de trabalho”. Acrescente-se que o preço médio de uma refeição ronda os 2.300 kwanzas já com uma bebida incluída. Com esta abordagem convidativa, o Espaço Verde Caxinde está sempre cheio à hora do almoço. À noite ainda não trabalha de uma forma regular, “mas é nossa intenção começar a servir jantares a curto prazo. Temos um projecto para as noites que vamos desenvolver. Fazemos também bastantes apresentações e cocktails ao fi nal da tarde, no âmbito das actividades da associação. As festas de aniversário e os casamentos são um mercado importante. As pessoas já se habituaram a fazer aqui as suas festas especiais. Foto em cima (da esquerda para a direita) Orlando Noronha, laura Noronha e Cândida Noronha, a concessionária do restaurante espaço Verde de Caxinde, o ponto de convívio da associação que está a comemorar vinte anos. Temos ainda espectáculos e recepções de negócios. Na verdade estamos sempre abertas a reservar o espaço para particulares e empresas”. PREPARADAS PARA tuDo Quando lhe falamos dos problemas que vão sentindo na restauração, a questão das pessoas é lembrada pela Dona Cândida: “O pessoal é a nossa dor de cabeça. Há alturas em que sou tudo – empregada de limpeza, cozinheira, ajudante, empregada de mesa. Para que possamos ter tudo pronto ao meio dia para começar a servir é necessário levantar-me muito cedo e vir para aqui. Faz falta uma escola de formação para a restauração e hotelaria, onde pudéssemos ir buscar bons profissionais”, lamenta. “Felizmente também vamos encontrando pessoas que têm vontade de aprender e de Foto em cima (da esquerda para a direita) Orlando Noronha, laura Noronha e Cândida Noronha, a concessionária do restaurante espaço Verde de Caxinde, o ponto de convívio da associação que está a comemorar vinte anos se tornar boas profissionais. Temos duas empregadas que entraram para a limpeza e hoje são os meus braços direito na cozinha. Nós temos que ir-lhes dando os conhecimentos que necessitam. Quando temos algum tempo disponível, sentamos-nos e conversamos sobre o que fazemos mal e a forma de alterar. As minhas colaboradoras costumam dizer que o nosso restaurante é uma escola”, justifica. A realidade da cidade, por vezes, também não ajuda: “Os transportes, a chuva, os problemas que cada um tem, também faz com que o pessoal não seja pontual, que por vezes falte. Mas nós temos que ter alguma paciência e compreensão. Temos muitos colaboradores que já estão connosco há muito tempo”. Quando lhe falamos de novos projectos, não hesita. “Estamos sempre abertas a novos desafios. Seja na abertura de outro espaço, no fornecimento de refeitórios, nos serviços de catering para empresas, ou um outro desafio. Na área da restauração estamos preparadas para fazer tudo”, confirma. FEBRE DE SEGUNDAFEIRA À NOITE As segundas-feiras à noite, no Espaço Verde Caxinde, são já um dos “ex-libris” da cidade de Luanda. A receita é simples – um bom jantar e um serão cheio de música. A experiente banda Maravilha, que acompanhou quase todos os cantores angolanos, dá um espectáculo diferente. Por volta das 10h30 horas, quando já estamos na fase do café e digestivo, sobe ao palco. Para além da sua música, desafi a os presentes a fazerem uma “canja”. Que signifi ca juntarem-se ao espectáculo e mostrarem também a sua arte. Daqui resulta um show sempre cheio de surpresas, onde se misturam diferentes formas de música e interpretação. À medida que este conceito se foi espalhando, o Espaço Verde Caxinde tornou-se um local para onde convergem todas as segundas-feiras os melhores músicos angolanos. Mas também artistas estrangeiros que estão de visita ao nosso país, alguns que tendo outras profi ssões desenvolvem a sua arte musical, fi guras públicas que também gostam de cantar ou tocar ou, simplesmente, jovens talentos que estão a começar. E também há espaço para dançar. Estes ingredientes dão ao restaurante, na noite de segunda- -feira, uma atmosfera muito especial. Nunca se sabe bem o que se vai encontrar, o que cria novos aliciantes todas as semanas. E está sempre com muita gente interessante! restaurante espaço Verde Caxinde Avenida 1.º Congresso do MPLA, n.º 2, Luanda Preço médio por refeição: 2300 Kz Expansão da OSA Livro de Dáskalos responde a Ndunduma Organização socialista de Angola nasceu no Huambo em 1937 http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_22/pais_22_lr_123.jpg A preocupação levantada pelo deputado Fernando Costa Andrade «Ndunduma» acerca de uma alegada inexistência de informação histórica sobre o surgimento e a actividade da Organização Socialista de Angola (OSA), por sinal uma das primeiras associações de cariz político da moderna história angolana, pode afinal ser encontrada no livro “Um Testemunho para a História de Angola, do Huambo ao Huambo”. A obra auto-biográfica de Sócrates Dáskalos é um repositório de informação relativa à fundação e actividades políticas desta organização que foi fundada por um trio composto por Américo de Carvalho, Aires de Almeida Santos e o próprio autor que passou a ser o seu secretário-geral. O nascimento da OSA dá-se em 1937 na cidade do Huambo com objectivos políticos claros e consubstanciados na denúncia dos maus tratos a que as autoridades coloniais submetiam as populações negras discriminadas pela política do regime salazarista. Apreende-se da leitura da obra, já em circulação na Internet, que Dáskalos teria sido o mentor da ideia da criação da OSA em resposta ao associativismo evidenciado por estudantes da cidade do Lubango que criaram espaços de exercício de actividades cívicas e culturais. Tomado por um espírito competitivo que a acção da juventude huilana fez despertar, Sócrates Dáskalos consegue publicar no jornal “Voz do Planalto”, de circulação local, um artigo intitulado “Despertemos, vivamos!” que era basicamente um convite “à mocidade para sair do marasmo e da modorra de uma vida de curtos horizontes e de lutar para se guindar aos lugares cimeiros da sabedoria e da autoridade”. A crítica geralmente favorável recebida até mesmo de entre os professores do liceu em que estudava, fez do texto a semente donde viria a brotar a Organização Socialista de Angola. Remetidos a uma rigorosa clandestinidade, como recomendavam as cautelas do momento, os membros do OSA foram disseminando panfletos pela cidade planáltica com informações onde eram repudiados os métodos de actuação das autoridades coloniais que discriminavam as populações nativas de Angola, eram denunciados os contratos forçados, as rusgas e outras atitudes repugnantes. Matthias Offodile September 29th, 2009, 09:29 PM malocha Armindo Laureano // Apresentador de televisão A sorte de um audaz Tudo começou quando a mulher viu um anúncio para o “Quem quer ser Milionário”. Semanas depois informaram-no que ia apresentar o Zimbando... Para os telespectadores da TV ZIMBO, Laureano dispensa apresentação. Mas poucos saberão que o convite para apresentar o programa Zimbando, um dos mais vistos da televisão angolana, surgiu depois que este participou no “Quem quer ser Milinonário”, edição inaugural. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_44/pais44_lr2_97.jpg Como é que começou esta aventura? Tudo começou quando a minha mulher viu um anúncio num jornal sobre o programa “ Quem quer ser Milionário”, e incentivou-me a participar. Participei da gravação do primeiro programa e recebi um prémio equivalente a dez mil kwanzas, após algum tempo fui contactado para comparecer na TV Zimbo, onde fui informado pelo Guilherme Galiano (Director de Programas) que haviam gostado do meu desempenho no programa, e convidando-me a participar dum casting para um novo programa que estava na forja, o Zimbando, neste caso. Duas semanas depois, isto no dia 8 de Maio, fui informado de que era o apresentador seleccionado e que o programa em princípio iria para o ar no dia 25 de Maio. Aceitei o desafio, um pouco receoso pelo facto de nunca ter feito televisão na vida, mas como se diz, a sorte protege os audazes… Está a ser díficil assumir a responsabilidade do Zimbando, um dos programas mais vistos da TV Zimbo? Não é fácil para um indivíduo sem historial em comunicação social, estar a fazer um programa de três horas diárias e em directo. Os cargos têm encargos e às vezes os encargos do cargo são piores do que o próprio cargo. Mas este sucesso alcançado só tem sido possível graças ao apoio de toda a equipa que trabalha no Zimbando, desde pesquisa, repórteres, produção, edição, assistentes de estúdio e em especial o apoio e carinho demostrados pela minha colega e companheira de palco, a Patrícia Pacheco. Já se sente incomodado nas ruas? Não.Ainda não cheguei a esta fase, estou naquela fase em que estou a curtir a situação, pois ainda só estou nisto há coisa de 3 meses.Mas gosto de ser reconhecido pelas pessoas, ouvir as críticas, sentir o carinho e afecto do público. A minha mulher, a Natacha, é que algumas vezes fica incomodada com a situação, mas já está a ficar acostumada. Como está a lidar com a fama? Encaro-a com a maior naturalidade, nunca fui obcecado pela fama. Continuo a ser o mesmo Armindo Fragoso Laureano de sempre, com a simpatia, alegria e amizade que me são características.Continuo com os mesmos amigos de sempre, a curtir os mesmos sítios.Em suma, a fama não tomou conta de mim, e dificilmente tomará ( risos) http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_44/pais44_lr2_96.jpg Que sonhos é que tem? Eu sou um eterno sonhador, aliás se os sonhos não fossem passíveis de ser realizados, Deus não nos dava a faculdade de sonhar.Tenho o sonho de me tornar um grande profissional da comunicação social, o desejo de ser político continua vivo e mais forte a cada dia que passa,desde pequeno que sonho ser político,pois considero-a uma das actividades mais nobres que existe quando exercida com ética e sentido de Estado. Ser um pai e marido.E por fim dedicar-me à canicultura (criação de cães), pois sou um apaixonado por cães,só lá em casa já tenho seis… Esta sua experiência é para levar avante ou simples aventura? No princípio foi tudo tão rápido que até parecia uma simples aventura, mas com o passar do tempo a coisa começou a ficar mais séria, e cheguei à conclusão de que este era o meu mundo, que sempre fui uma estrela mas apenas estava no universo errado. Este é o meu mundo, o meu universo, sinto-me bem aqui. Vou levar o desafio avante, sempre preparado para enfrentar os inevitaveis ventos e tempestades do mundo da televisão. Jornalismo significa o quê para si? Com toda a honestidade, não me considero ainda um jornalista. Pois penso que para tal ainda careço de alguma formação e experiência, pois não se faz um jornalista em quatro meses - como é o meu caso - sou um comunicador nato, desde pequenino que sempre gostei de falar, de comunicar. Quanto à questão que me coloca, penso que o jornalismo é uma actividade bastante séria e que deve ser encarada com grande profissionalismo e responsabilidade, deve ser exercida com rigor e isenção. Ser jornalista não é fácil, é um trabalho que tanto pode dignificar como danificar um homem.Mas, ainda assim, com todos prós e contras não, deixa de ser uma actividade prazerosa. Perfil * Nome: Armindo Fragoso Laureano * Filiação: Estevão Laureano e Cecilia dos Santos * Data de Nascimento: 02 de Janeiro de 1976 * Estado civil: casado * Filhos: Estou à espera de Guilherme de Fátima que nasce já em Dezembro * Músicsa preferida: Endless love de Lionel Richie e Diana Rosse * Comida: feijoada e caril de gambas * Hobby: leitura, ver filmes e canicultura * Livros: As canções que minha mãe me ensinou, autobiografia de Marlon Brando e o Padrinho. * Filme: Homens de honra (com Cuba Gooding Jr. E Robert de Niro); o padrinho I, II e III; em Busca da felicidade (Will Smith) -- Matthias Offodile September 30th, 2009, 12:21 PM Djeff, apresentador do programa “Made in Angola” da TV ZIMBO O mais votado O homem que já ganhou nas eleições da música nacional http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_40/tiago_pedro%20nicodemos-2649.jpg Se propuséssemos ao leitor pegar numa caneta e numa folha de papel para desenhar o símbolo cheio de arabescos associado às composições de música, estaríamos a fazer uma analogia com o percurso de Djeff . A vida do apresentador deu tantas voltas como a sua tentativa de esboço de uma clave de sol. Ele circundou, contornou, andou às voltas, mas acabou por sobressair entre as várias linhas que desenham as pautas de música. Em criança sonhou ser cantor, mas a sua voz, ainda indefinida, fez acordá-lo para outra realidade. Pegou, então, na guitarra, mas os mesmos dedos que se queixaram das dores de a tocar puseram-na de lado. Depois, teve uma paixão pelo piano — o amor não foi correspondido. A sintonia desta vontade de se aliar à música acabaria por chegar no casamento perfeito que reunia todos estes gostos pelas várias sonoridades. As pistas de dança, como DJ Djeff . E a percorrer estas pistas, ele viu abrirem-se novas portas, tal como a de apresentador do programa que acede aos pedidos da música do público e os retribui com os videoclips Made In Angola. OS PRIMEIROS PASSOS Assim estava predestinado o futuro de Djeff , quando ainda respondia apenas pelo nome de Tiago. Ele, que há 25 anos herdou a sedutora combinação de um ADN que juntava o progenitor cabo-verdiano, da Ilha da Praia, a uma mãe angolana, de Malange. Filho de um amor sem fronteiras, nascido da diáspora em Lisboa, Portugal, Tiago foi o segundo fi lho, a segunda geração de emigrantes que longe procuravam um futuro melhor. Tiago cresceu rodeado de um rol de ofertas cosmopolitas nos arredores da capital portuguesa. A escola era apenas a obrigação deste catálogo de promessas extra-curriculares. “Os professores diziam que eu era bom aluno, embora muito distraído. Eu safava-me sem estudar”. A verdade é que no top das suas preferências estava o gingar do corpo. Com a bola nos pés ou com a música nos seus ouvidos. E ainda antes de completar uma década de vida, a música soou tão alto, que ele a fez ecoar pelas casas de todos os portugueses, no seu primeiro sucesso frente às câmaras de televisão. Toca-me que eu gosto http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_40/madeinangola_.jpg Hip Hop, Kizomba, Kuduro, Semba, R&B, enfi m, todos os estilos têm lugar no programa, desde que sejam Made In Angola. Todos os sábados, entre as 19h30 e as 20h30, dez músicas alinham-se na tabela de preferências que é feita com base nos votos que os fãs enviam a todo o momento. Um programa feito pelo telespectador, onde só passam as músicas que ele escolhe. A somar ao dinamismo e à grande empatia com o público, do apresentador DJ Djeff . É ele que põe o país votar nos artistas nacionais. Uma vez que não existe uma medida fi el do mercado de vendas em Angola, a votação nas preferências é o melhor barómetro para saber quais os temas que o povo angolano quer ouvir. UMA MINI-ESTRELA Foi um programa que marcou a história da televisão em Portugal e, deixou marcas na história de vida de Tiago. Chamava-se Mini Chuva de Estrelas e levava a palco as mini-crianças a imitarem os adultos-estrelas. Tiago, claro, quis ser a cópia perfeita e reduzida de Michael Jackson, mas a sua irmã insistiu em algo mais original. Trocou-lhe as voltas, as coreografias e os trejeitos, e em vez de Michael Jackson imitou outro Michael, o Bolton. O “plágio” foi tão perfeito que foi eleito vencedor. Ganhou uma taça “que ainda está no meu quarto”, a sua primeira aparelhagem, um órgão e o incentivo para fazer mais, para continuar. No seu metro e meio de gente ganhou, também, os primeiros segundos de fama que as 3 e 4 horas de treinos diários intensos compensaram. Tiago era uma pequena estrela de palmo e meio. E foi com este estatuto que primeiro visitou a terra de sua mãe, Angola. Não veio com os flashes dos fotógrafos nem a passadeira vermelha na chegada ao aeroporto, mas com a cassete VHS debaixo do braço. A plateia de fãs que, no Kinaxixe, assistiam ao vídeo da vitória do concurso em Portugal veio a seguir, na apresentação em diferido para a Angola que agora conhecia. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_40/tiago_pedro%20nicodemos-2655.jpg AO VIVO E A CORES Estávamos em 1994 e Tiago assistia, ao vivo e a cores, à cultura da qual já era íntimo. “A família da minha mãe sempre foi aquela que teve mais power”. No seu álbum de recordações estão as primeiras lembranças, os fi ns-de-semana desta família unida, a conviver em redor do funge. Visitar Angola era o prolongamento destas reuniões. Um sonho realizado aos 10 anos, com bilhete de regresso para as aulas em Portugal, para as novas incursões por novos instrumentos musicais e para fi gurações em anúncios e novelas como os Morangos com Açúcar. E claro, para a família angolana, que também era o seu grupo de melhores amigos. Os primos, que apenas com 14 anos o levaram ao baptismo das matinés das discotecas juvenis. As luzes da pista de dança acenderam-se. Sobre a cabeça de Tiago fez-se luz. Este era o seu mundo. Tornou-se repetente. Assíduo. Insistente. Ele era o miúdo que todos os fi ns-de-semana estava na discoteca para satisfazer a sua curiosidade. Um aluno que observava e pedia apontamentos aos DJ, ou as faixas de música, para fazer os seus trabalhos de casa, nas primeiras apresentações para as festas da família. PAIXÃO PELA MÚSICA A música estava colada no seu corpo como tatuagem para a vida. Tiago cresceu a par e passo com esta vocação. Terminado o 12.º ano ainda ponderou esta via profi ssional, mas a escolha das disciplinas empurraram-no para outro futuro, as Artes Gráfi cas. Pelo meio visita Angola uma segunda vez, em idade maior, num tempo alargado de seis meses. Mas regressa para as mesas da escola e pistas de dança lusas. Foi DJ, foi estudante, foi DJ e estudante, foi apenas DJ. Gozou as luzes da ribalta que o levaram a trabalhos por Portugal e estrangeiro, e gostou do som do tilintar do dinheiro que permitia a um jovem ter o seu carro, roupa e vontades próprias. “Sou muito vaidoso, posso dizer que gasto muito dinheiro em roupa e calçado.” Mas no coração de Tiago, este curriculum com os carimbos de múltiplos clubes, rivalizava com as saudades dos seus primos, agora em Angola, e dos novos contactos que lhe davam a oportunidade de produzir a sua própria música. O regresso era iminente. ANGOLA NO TOP Disse Adeus a Portugal, Olá a Angola em Junho de 2008. Uma semana depois foi convidado para tocar no Chill Out. Três meses depois para trabalhar na TV Zimbo. Entretanto chega o programa na Rádio Escola, com Cool Klever e Lukenya Fortunato. Com a griff e Djeff , entra neste ritual dos DJ terem o nome de guerra, que leva à sobrevivência apenas aqueles que saltam do escuro da noite para a luz da ribalta. Este é um mundo competitivo e a agenda cheia fá-lo já vencedor. A face mais visível é o Made In Angola, programa da TV Zimbo pelo qual dá a cara. “A sensação de que nos estão a observar” é a maior semelhança entre o estar no alto do pedestal a tocar para a multidão e o falar para as câmaras. Um sentimento que viveu no dia da sua estreia. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_40/tiago_pedro%20nicodemos-2640.jpg A VOZ DA MÚSICA “A primeira gravação foi dura. Eu a falar e a ver tanta gente a olhar para mim foi difícil, complicado. Era muita pressão.” Hoje já tudo é mais fácil, sem que as naturais repetições o façam lembrar o terror dos discos riscados. Além do mais, o feedback que lhe chega das colunas que são os telespectadores, é o melhor. “Vêm ter comigo e dão-me os parabéns. Dizem que o programa é muito bom.” Para Djeff , a satisfação do Made In Angola é a capacidade do programa puxar mais pelos artistas angolanos. “Agora há uma forma do público saber quem eles são, o que leva à produção de mais videoclips nacionais.” E nestas contas perfeitas do cá se fazem, cá se pagam, todos fi camos a ganhar. “See Yá!” PERFIL * Nome: Tiago Barros * Restaurante favorito: Chill Out * Filme da vida: O Conde de Monte Cristo e O Estranho Caso de Benjamin Button * Série de televisão favorita: Prison Break * Apresentadores favoritos: Traver Nelson (MTV /BBC1) * Local para ferias: Londres * Músicos nacionais: Anselmo Ralph, Heavy C; Kalibrados, Paulo Flores, Kizua Gargel * Músicos internacionais: Michael Jackson, DJ Erick Morillo, Masters at Work * Estilista favorito: Nuno Gama * O que mais gosta nas pessoas: A sinceridade * O que menos gosta nas pessoas: A falsidade Matthias Offodile September 30th, 2009, 01:02 PM Perfil de Rossana Monteiro No palco como em casa Começou a dançar aos nove anos e nunca mais parou. Durante os ensaios da peça Âataba falámos com a bailarina sobre a sua carreira http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/img_7743.jpg Fomos encontrar Rossana Monteiro nos ensaios da peça Âataba, que esteve em cena na sexta-feira passada, no Cine Teatro Nacional. A peça da autoria da companhia Anania, de Marrocos, esteve em Angola a convite da Alliance Française de Luanda. A bailarina da companhia Dançarte foi a angolana escolhida para participar no espectáculo. Rossana Monteiro possui uma carreira profissional com 19 anos de existência. Um já longo percurso que começou bem antes, aos nove anos de idade, quando decidiu ser bailarina. “Via espectáculos de dança na televisão, ouvia as professoras de ballet e comecei a ficar fascinada por este mundo”, relembra. A mãe levou-a a participar em audições e entrou ainda criança na Escola Nacional de Dança do Ministério da Cultura. Começou então a dar os primeiros passos, saltos e arabescos que a transformariam numa bailarina profissional. A MAIS “LEVE” http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/img_7718.jpg Pela mão da coreógrafa Ana Clara Marques entra no mundo profissional em 1990. Há quem recorde muito bem esses tempos. “Há uns tempos uma senhora olhou para mim e disse: ‘Foste bailarina da Ana Clara. Lembro-me de ti, eras a mais gordinha da companhia, mas eras a mais leve’”, conta sorrindo. Por falar em “leveza”, ser bailarina implica muitos sacrifícios na tentativa de alcançar um corpo magro? “Há as preocupações com a alimentação também para o nosso bem-estar. Mas a dança contemporânea abarca vários corpos, não há aquela rigidez e exigência da dança clássica”, defende. Ser bailarina não é uma profissão fácil. “É preciso gostar muito. Temos de ser inteligentes connosco próprios, disciplinados, obedecer a algumas regras, ter consciência do nosso corpo, da nossa anatomia”. E é preciso ser bem guiado. “Tenho a sorte de ter bons professores e coreógrafos que puxam por mim”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/img_7766.jpg Diz-se que mestre não é aquele que cria seguidores mas sim aquele que cria outros mestres. E, com efeito, esta máxima parece aplicar-se a Ana Clara Marques. Durante o período em que estudou com a professora e mestre da dança, foi crescendo em Rossana Monteiro o gosto por dar aulas. “Quando comecei como profissional foram-me atribuídas responsabilidades ao nível do ensino, como monitora. Comecei a desenvolver o lado de leccionar”. Curso em Lisboa Com os anos sentiu a necessidade de saber mais, de procurar respostas a novas questões. Esse sentimento levou-a a entrar, em 2000, para Escola Superior de Dança de Lisboa, em Portugal, onde estudou durante quatro anos. Fez o curso de dança na área da educação. Desse tempo guarda boas recordações. “Foi uma escola, uma lição de vida, uma oportunidade de conhecer novos métodos de trabalho e de ensino. Não era completamente diferente daquilo que já conhecia, porque tive a sorte de ter bons professores cá”. A aprendizagem deu-se sobretudo “ao nível teórico, da história e evolução da dança. Em termos práticos, para dar aulas, já sentia algum à vontade”. No fundo, “deu para ajustar e chamar a atenção para certos pormenores técnicos e pedagógicos. Amadureci bastante durante os quatro anos do curso”. No total, entre aulas de dança clássica e dança moderna, Rossana teve oito anos de formação como bailarina. Professora por vocação A formação que teve permitiu-lhe sobretudo adquirir consciência em relação a vários aspectos. “Quando vamos dar aulas a crianças ou a jovens é preciso compreender o que acontece nessas faixas etárias”. Aos seus alunos ensina noções de dança clássica, moderna e criativa. Neste momento dá aulas na Escola Nacional de Dança, a alunos do 11.º e 12.º anos, e também a crianças. “Às crianças dou aulas de iniciação à técnica de dança clássica, mas tento não cingir-me apenas aos aspectos técnicos. É uma idade em que se pode puxar por elas, porque estão abertas e disponíveis a tudo o que é novidade”. Rossana sabe que ensinar crianças é preparar o futuro. “Procuro que as crianças a quem ensino aprendam e desenvolvam algo que as ajude posteriormente. Com as aulas podem desenvolver o sentido do ritmo, ouvir música de diferentes culturas e estilos”. E mesmo que, no futuro, não sigam uma carreira artística “vão reconhecer e gostar de ver espectáculos e valorizar o trabalho dos bailarinos”. Mas os benefícios não ficam por aí. “Ao nível do perfil de desenvolvimento da criança as vantagens são enormes. No caso de crianças tímidas, com dificuldades de concentração, de memorização, e na relação com as outras pessoas, a dança pode ajudar neste sentido, fazendo nascer um certo equilíbrio. Não se pretende construir uma pessoa perfeita, mas que no futuro esteja melhor preparada, com mais auto- -estima”, explica. A bailarina é defensora da importância do ensino das artes nas escolas. “É muito necessário que os alunos tenham contacto com a música, pintura, teatro, artes plásticas”, refere. Participação especial No palco do Cine Teatro Nacional, Rossana Monteiro dançou na última sexta- -feira, acompanhada ao som e compasso da música de Marrocos, expressando sentimentos potenciados pelo ritmo. A peça é da autoria do coreógrafo marroquino Taoufiq Izeddiou, da companhia Anania de Marrocos. “A minha participação neste trabalho surge muito ligada à movimentação de ancas, com ondulação, trepidação, e uma forte componente de exteriorização do sentimento. Gosto muito de fazer este tipo de trabalho”. Para a bailarina, “a dança contemporânea tem a vantagem da liberdade de criação. Para mim enriquece- -me enquanto bailarina, na vertente de interpretação. Encanta-me trabalhar com um coreógrafo diferente e conhecer métodos de criação diversos”. E, claro, não esconde a responsabilidade por uma bailarina angolana trabalhar com uma companhia estrangeira. Quatro dias de ensaios com a companhia vinda do Norte de África, “deram-me confiança e fizeram-me sentir à vontade”, diz. Reconhecimento público A apresentação de companhias internacionais em Angola é vista por Rossana Monteiro como um “contributo para que haja diversidade”. E o público angolano reconhece e aprecia a dança realizada no país? “Efectivamente, há um reconhecimento do nosso trabalho desde o surgimento da companhia de Ana Clara. Houve um grande trabalho de levar o público aos espectáculos de dança. Esse trabalho foi sendo feito. Temos um grande público, não tão grande como há para o teatro, por exemplo, mas é bastante aceitável”. Antes do reconhecimento do público, Rossana Monteiro, teve o apoio de toda a família para seguir a sua vocação. “A minha mãe sempre esteve muito próxima do meu trabalho na dança, levava-me às aulas e assistiu ao meu desenvolvimento. Quando comecei de forma mais séria, o meu pai assumiu também um grande papel de apoio. Não havia aquela questão de ter de ser obrigatoriamente advogada ou engenheira”, conta. Neste momento, a bailarina revela-se “satisfeita por trabalhar na Dançarte com a Mónica Anapaz e a Rita Oliveira” e “orgulhosa do trabalho desenvolvido”. Teatralidade da dança Com tantos anos a dançar em vários palcos nacionais e internacionais, — Índia, Espanha e vários países em África —, haverá algum espectáculo que tenha marcado de forma especial Rossana Monteiro? “O último espectáculo da Dançarte, Kikadilu, está dentro daquilo que gosto de fazer porque foi buscar alguns elementos da dança africana”. Também a peça de Ana Clara Marques Agora não dá estou a bombar, “deu-me muito gozo por puxar pela nossa alma, pelo sentimento interior, pela teatralidade”, diz. Porque ser bailarino é também ser actor. “Quando somos bailarinos deixamos de ser nós, somos outra pessoa. E isso é também ser actor. No palco vivo o momento intensamente. No palco sinto-me em casa”, concluí Rossana Monteiro. Próximo espectáculo estreia 18 de setembro Rossana Monteiro é bailarina da companhia Dançarte mas colabora regularmente noutros trabalhos. Recentemente, foi convidada para participar no novo espectáculo da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, a estrear este mês. Trata-se da obra original Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos, com coreografia e direcção artística de Ana Clara Marques. Perfil Nome: Rossana Monteiro Idade: 35 anos Naturalidade: Luanda Tempos livres: Estar com a família e amigos Música: Kizomba, jazz contemporâneo, música clássica Cinema: Romance e comédia, Nothing Hill Perfil Miguel da Franca Artista plástico angolano http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_37/dafrancamalocha-103_1.jpg Pintor de sons Miguel da Franca, pintor, apresenta ao público o seu novo trabalho. A exposição Tons & Sons, que estará patente até ao final do mês de Julho no Centro Cultural Português, foi o pretexto “mais-que-perfeito” para uma conversa sobre arte, música e vida. Primeiro a casa do artista. Entramos por uma vivenda onde à porta nos esperam dois miúdos franzinos e atentos. São os filhos mais novos do pintor Miguel da Franca. Passamos por um corredor estreito e encontramos no pátio o pintor, sentado numa mesa à conversa com a mulher, Ana, vigiados por uma garrafa de vinho tinto, num fim de tarde ameno. A casa acolhe também o ateliê onde trabalha o artista plástico. Subimos ao primeiro andar onde por entre cavaletes, telas, pincéis e tintas, somos convidados a penetrar no seu mundo, a conhecer as companhias preferidas. A poesia e a música. “As artes por excelência. A pintura não consegue transmitir o que a poesia e a música atingem”, dirá durante a entrevista. Os livros, a colecção inteira de José Saramago, muitos do seu bom amigo Manuel Rui — cujo poema “Ombela” tem na capa uma pintura de sua autoria —, Virgílio Ferreira, Viriato da Cruz, o mais recente “As mãos do tempo” do jovem Nok Nogueira, que lhe dedica a obra. Várias colunas de cd, a música de que não prescinde para pintar e viver. Desde a clássica de Bach e Beethoven, mas também música africana, brasileira e portuguesa de Zeca Afonso. Lembranças de uma vida nas estantes. O cartão de militante no Partido Comunista Português com um número de poucos dígitos. Pequenos recados escrevinhados por amigos da casa, soltos em folhas de papel, pendurados na parede. Fotografias da filha, Maria Miguel, tragicamente desaparecida com a idade de 18 anos num acidente de viação. Quadros onde desenhou os filhos mais novos, Duarte Miguel e Rui, fruto da união de 20 anos com Ana, e que de forma singular recuperam as feições da sua filha querida. “Grande paixão da minha vida, minha amiga, companheira, que trouxe a Ana da Alemanha para Angola para ficar comigo”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_37/dafrancamalocha-42_1.jpg Angolano do Cunene Para início de conversa, Miguel da Franca faz questão de clarificar que é angolano. Sim, nasceu em Portugal, mais concretamente em Portalegre, em 1943. Veio a primeira vez a Angola fazer a tropa, “a 11 de Janeiro de 1967”. Ficou dois anos e disse que voltaria. “Quando Angola for independente”. Assim o fez. Radicou-se em Angola após a independência e naturalizou--se angolano há mais de 30 anos. “Sou angolano com três gerações da família aqui criadas”. Reside em Luanda mas é um apaixonado pela província do Cunene. “Gosto do primitivismo latente, da paisagem que parece que ainda se está a formar, do som das quedas de águas que ouvimos a 30 quilómetros de distância, de ler um livro à noite apenas com a luz das estrelas, da riqueza e ternura das pessoas”. A paixão por Angola incita-o a sentar-se no carro com a família, e rodar milhares de quilómetros de estrada durante semanas. Para que os filhos conheçam o país. Geómetra Mas voltemos atrás. Miguel da Franca nasceu num quartel no Alentejo. Filho das lezírias, de mãe alentejana e pai do Ribatejo. A inclinação para a pintura começou cedo. A mãe tinha um curso de artes decorativas, e o avô, militar, “jeito para o desenho”. Aos 7 anos começam a surgir os primeiros trabalhos a óleo, apesar das “péssimas notas a desenho na escola”. Mas recorda-se de todos os sábados ir visitar museus. “Um complemento educativo importante”. Aos 17 anos publica ilustrações nos jornais República, Notícias da Amadora e Diário de Lisboa. A PIDE chega a encerrar uma exposição sua na Amadora. Começa o contacto com a arte mais a sério. Conhece Artul Bual, artista plástico e pintor gestualista português que influenciou grandemente a arte portuguesa na segunda metade do século XX, que o elogia e admira. Torna- -se muito crítico do ensino artístico porque “limita as pessoas”. Defende que “um pintor tem de ler muito, ter uma bagagem cultural muito grande”. É com ironia que se detém no facto de, todos os dias, concentrarem-se milhares de pessoas para ver o quadro da Gioconda, no Louvre. “Mas ninguém repara na paisagem que envolve a figura. Uma paisagem do Renascimento”. Mas nem só de pintura vive o homem. No seu percurso também teve um trabalho comum, como responsável de vendas de uma multinacional. Fez um curso de geometria em Zurique, na Suíça e trabalhou como cartógrafo e topógrafo. Utilizou para tal formas geométricas, linhas rectas, o traço a régua e esquadro. Tudo isso está presente nos seus quadros de “aldeias e cidades vistas a partir de uma aeronave”, terá escrito alguém sobre a sua obra. Aos 60 anos reformou-se. É possível viver apenas da pintura? “A pintura dá dinheiro a quem a compra. Tende sempre a valorizar”,diz. Arte pura Para Miguel da Franca, a música e a poesia são as artes por excelência. “Os compassos, os sons que se juntam e vão directos aos sentidos”. Daí que a pintura precise de música. E o pintor necessita de ouvir música para traduzir em cores, formas, espaços, na tela em branco, “é assustador, uma tela em branco”— o que sente, o que vem do interior, de dentro. “Eu não invento formas nem cores, nem gestos, nem matérias. Quando parto para uma superfície branca como uma tela virgem, não tenho nada previsto. Descubro à medida que a vou percorrendo, quase inconscientemente o que faço, desfaço e refaço, como se reproduzisse uma espécie de paisagens interiores. Como se compusesse música, arte pura por excelência”, diz. Miguel da Franca esteve muitos anos sem expor, porque sentia “que não tinha nada para mostrar aos outros”. É um homem e artista de convicções fortes. Em 1962, deu uma entrevista ao Notícias da Amadora, em Portugal, onde exclamava “Pintar é para quem não tem medo”. Um lema que mantém na obra e na vida. Porque viver é para quem tem coragem. Pintor premiado Referido em várias publicações e artigos sobre arte moderna, Miguel da Franca colaborou como ilustrador em vários jornais. No VX Salão de Outubro no Estoril, Portugal, foi premiado com o primeiro lugar. Participou em cerca de duas dezenas de exposições em Portugal, sendo na Galeria Nacional de Arte, I e II Exposições de Artes Plásticas da Amadora, Viana do Castelo, Coimbra, Póvoa do Varzim, Tomar, Lisboa e na Galeria Alvarez no Porto. Expôs individualmente no Salão Siexpo no Museu de Historia Natural de Luanda, além de ter participado no Prémio EnsArte 2006. Foi também membro do júri do mesmo prémio em 2008. É autor da capa do poema “Ombela”, do escritor Manuel Rui. Perfil // Felipe Kwenda Profissionalizar a arte Actor, administrador de empresa e professor de teatro http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_41/kuendamalocha-12.jpg “Sou natural de Luanda embora tenha nascido no Kuando Kubango, no município de Caiundo próximo do rio Kubango, em 1970. Os meus pais são de Malange. Eu nasci na estrada”, diz-nos com sorriso Felipe Kwenda, acrescentando: “O meu pai era camionista e trabalhava na junta autónoma de estradas. Depois de ter sido transferido de Luanda para o Kuando Kubango, a minha mãe ia visitá-lo todos os meses. Numa destas viagens, ela estava grávida, durante o regresso a Luanda teve as dores de parto em plena estrada. No mesmo autocarro iam algumas madres da Igreja Católica que a ajudaram no meu nascimento. Acabou por correr bem e sem sobressaltos. Foi assim que nasci no Caiundo, sendo registado em Luanda”. Frequentou os estudos desde o ensino primário na escola Rainha Ginga, mais tarde ingressou no IMEL, onde fez o curso de jornalismo. A sua ligação ao teatro surge através da vida académica. “A minha trajectória artística começou na escola, isso na quarta classe, quando entrei para o grupo de dança da Força Aérea. Mas como não conseguia conciliar com os estudos tive de desistir”. Aos 18 anos, ao abrigo cumprimento do serviço militar obrigatório, integra a brigada artística das Forças Armadas. “É engraçado que os membros daquele movimento cultural acabaram por formar grandes grupos. Repare que a banda de música das FAPLA era formada pelos actuais membros dos Semba Masters, os elementos da escola de dança hoje são os membros do Ballet Killandukilu. Isto para se ter uma ideia de como o exército contribuiu fortemente para o desenvolvimento de muitos dos que hoje são os “grandes” da cultura angolana.” Foi na unidade cultural das FAPLA, actualmente FAA, onde teve o primeiro professor de teatro. “Na altura em que me apresentei para reforçar o quadro da brigada artística das FAA éramos 30 candidatos. Após o primeiro teste, devido às exigências, desistiram dez. Mais alguns foram-se embora e ficámos apenas 6. Depois disso acabámos apenas dois, eu e o Martins Kamuege, ex-produtor dos Tunjila Twajokota. Até ele se foi embora e fiquei sozinho. O grupo acabou. Não dava para continuar”, lembra divertido. Mas o desejo de representar era mais forte.”Logo a seguir entrei para o grupo de teatro da Igreja Sagrada Família, de que faziam parte o Alberto Chimbungo da Rádio Nacional de Angola e o Lourenço Mateus. Resolvemos formar o Grupo Julu, onde estou até hoje. Fazíamos várias actuações até que eclodiram os confrontos de 1992”, confirma. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_41/kuendamalocha-150.jpg Ligação à Unicef Desse tempo recorda a campanha que fez com a Unicef. “Nas eleições de 1992 viajámos por várias províncias levando as informações necessárias à população das mais diversas e escondidas aldeias do país. Isto devido alto nível de analfabetismo que assolava o país. A Unicef achou que a melhor maneira de levar as informações a estas pessoas seria através do teatro e, coube-nos explicar às populações o que era o voto, como votar, porquê e para quê votar. Foi um grande trabalho. Na altura éramos o único grupo de teatro que fazia mobilização social, tendo contribuído deste modo para a educação cívica da população”. Segue-se o exército. “Depois disso fui destacado para as FAA. Em 2001 fomos desmobilizados e a Unicef procurou reunir novamente o grupo, para que juntos pudéssemos integrar o seu gabinete de comunicação e imagem no projecto nacional de desminagem e, convidaram-nos a participar deste programa. Mas antes disso, após a desmobilização, eu estava desempregado e vendia vinhos numa roulotte no bairro do Cassenda”. Questionado porque razão, uma vez que se encontrava desempregado, não se “virou” para a sua área de formação, o jornalismo, a resposta veio clara e simples: “Nunca exerci jornalismo numa rádio ou televisão porque a representação sempre falou mais alto. Embora estivesse desempregado, a esperança de um dia viver do teatro nunca morreu em mim”. Mais tarde integrou a área de comunicação e imagem da Unicef, especializando- -se noutras técnicas de informação e comunicação. “Contribui para a criação da primeira mascote das vacinas, a estrelinha de cor azul, na primeira versão, pois cada cor representava uma doença. A cor azul simboliza a poliomelite”, diz-nos. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_41/kuendamalocha-25.jpg Volta a abrir um sorriso para nos contar: “Um dia estava eu na roulotte a atender os clientes e apareceu-me um dos antigos colegas do grupo Julu, o Dalton Felipe. Contou- -me que a Unicef queria trabalhar connosco em mais um projecto e, foi assim que entrámos oficialmente para o gabinete de informação e comunicação da organização. Foi a Unicef quem promoveu a nossa valorização profissional, proporcionando-nos a oportunidade de consolidar os nossos conhecimentos através de cursos de teatro comunitário com professores zimbabueanos. Feitos os cursos começámos a fazer advocacia nas campanhas da Unicef, falando sobre a necessidade de educação, água e saneamento básico, VIH/Sida, etc. Proporcionámos à população toda a informação necessária para prevenção contra doenças e incentivámos o ingresso das pessoas no processo de alfabetização”. Desminagem O momento mais alto do seu trabalho com a ONU foi a campanha de desminagem. “Passámos a ser formadores de formadores e a partilhar o nosso conhecimento com as populações, tudo à volta do teatro. Levando a informação da desminagem a todos os cantos do país. Fiquei muito feliz porque contribuímos para a redução das vítimas das minas no país. Mas também fiquei muito triste porque durante a campanha tivemos convívio com as populações e, vi muita gente morrer ou perder os membros em consequência das minas”, diz-nos, acrescentando com uma enorme tristeza, “Nas regiões mais afectadas as pessoas eram maltratadas pela fome e, mesmo à sua frente havia um campo minado mas cheio de alimentos e frutos. Vi muita gente morrer ou ficar deficiente por atravessar o campo, mesmo sabendo estava minado, para poderem sobreviver. Às vezes conseguiam mesmo encher o saco com os frutos, só que acabavam por pisar uma mina. De um lado a fome, do outro a alimentação cheia de minas. Nunca me esquecerei disso. Esta é a memória mais dolorosa que guardo como actor. Cada vez que me lembro dá-me uma enorme tristeza e vêm-me as lágrimas aos olhos”, confessa. Estas experiências moldaram para sempre a sua vida. Não apenas a pessoal, mas também a profissional. “Ficou enraizado em mim o compromisso de nunca abandonar a vida de intervenção social, de utilizar o teatro para levar a informação à população deste país. Levar um sorriso a esta população que muito sofreu. Procuramos com o teatro aliviar o sofrimento do angolano em termos gerais, do pobre ao rico, o primeiro que sofre com a miséria e foi maltratado e, o segundo, que vive extremamente stressado. O nosso povo todo precisa de relaxar, de se divertir. O teatro que não serve só para anestesiar as dores em tempos atribulados, como também como meio de transmitir conhecimento aos vários estratos sociais. E sei que com a nossa arte, estamos e vamos continuar a devolver a esperança ao nosso povo. Por isso entendo que o teatro, os espectáculos, as artes, merecem a protecção do Ministério da Cultura. Como consequência deste trabalho na desminagem fomos distinguidos pela ONU”, explica-nos Filipe Kwenda. A entrada na televisão Como prémio fez vários cursos em Angola e no estrangeiro, juntamente com os seus companheiros do grupo Julu. “Depois disso participámos das três primeiras edições do Prémio Cidade de Luanda de Teatro, ganhámos em 1998 e 1999, e ficámos em segundo no ano 2000. No ano seguinte fomos convidados a entrar para a TPA, para participar da mini-série 113. Era sobre a polícia nacional, para mostrar à população até aonde a nossa policia era capaz de ir, divulgando o trabalho feito pelas nossas forças de segurança. Foi aí que começou a minha vida ligada à televisão”. Foi então que frequentou o primeiro curso de actores para televisão, tendo como professor o “grande” Reinaldo Bury, realizador do grande sucesso da televisão brasileira Tieta. “Concluído o curso fui seleccionado para da novela Vidas Ocultas onde fiz um pequeno grande papel. Apenas participei numa cena, o pato do óbito, (esses caça tambi). Marcou não só as pessoas como também a mim, pois foi a minha primeira imagem como actor. Rendeu-me vários elogios por parte de todos os profissionais e, também, da sociedade em geral. Foi graças a esta actuação que me convidaram para o quadro de actores da TPA. Participei então na primeira grande produção da televisão pública, a novela Reviravolta”. “Mas fui sempre fazendo teatro. Quando não estávamos a gravar fazíamos algumas viagens para províncias como Benguela, Huambo ou Malange. Foi nesta altura que eu, o Dr. Sardinha e o Manuel Teixeira criámos um projecto para o desenvolvimento do teatro escolar”, revela, acrescentando, “Foi assim que começámos a dar aulas de teatro naquelas que passaram a ser as primeiras instituições do ensino privado a leccionar esta arte — Colégio Valentim de Carvalho, 1.ª Visão e Semente do Saber. Dediquei-me integralmente a este projecto depois de ter tido problemas com alguns quadros da TPA. Fui afastado da televisão na altura”. Veio depois a publicidade e o filme que o projectou como actor, Assaltos a Luanda, de Narciso Dito. “Foi um dos meus primeiros papéis em cinema e logo no filme angolano que mais sucesso teve até hoje. Isso valeu-me a distinção de melhor actor angolano em 2007. O impacto foi grande, as pessoas que me estavam a dificultar a vida na TPA foram afastadas e voltei aos quadros da televisão. Fui então convidado a integrar o mega projecto Minha Terra Minha Mãe, uma novela feita em co-produção entra a Rede Globo e a TPA. Tive um grande protagonismo neste trabalho e fiquei bastante conhecido”, revela, Felipe Kwenda. Experiência internacional A participação na novela Minha Terra Minha Mãe ajudou-o a ver a capacidade profissional de outro modo. “Esta participação na novela ajudou-me a perceber que nós angolanos, não estamos assim tão mal como dizem. Em termos de representação, aquela admiração e respeito que tenho pelos actores brasileiro não caiu, mas mostrou-me que nós angolanos também temos um grande potencial. E esta experiência demonstrou que podemos reconhecer que um actor é bom, mas nunca que é melhor do que nós. Foi o que eu aprendi contracenando com os actores brasileiros. Elevou a minha auto-estima e vi que o segredo do sucesso dos grandes actores é simplesmente o nome e o facto de já terem dado a conhecer ao mundo o seu trabalho. Entendi que os nossos actores são tão bons quanto os brasileiros. Mesmo sem as infra-estruturas que os brasileiros têm. Tecnicamente vi que estamos ao mesmo nível em termos de interpretação”. Explica também sobre os métodos de trabalho: “As técnicas de memorização usadas por eles são as mesmas que nós usamos e, vi que muitos deles são muito fracos a memorizar, mas excelentes a improvisar. Pude confirmar que em Angola temos uma grande escola. Que o nosso teatro é muito bom”. E dá-nos alguns exemplos. “Nós, angolanos, vamos actuar com problemas familiares, há quem vá gravar sem tomar o pequeno-almoço e, ainda por cima, de candongueiro ou autocarro. Mas mesmo assim dá o melhor durante a interpretação. Já o brasileiro tem melhores condições. Fica num hotel durante as gravações para pensar única e exclusivamente no personagem, tem alimentação e outras mordomias. Na hora de gravar é expressamente proibido de fazer qualquer coisa que tire a concentração, por isso tem transporte e motorista. No hotel têm musculação, massagem, etc.” Aprender depressa “Quando chegámos ao Brasil para gravar a novela Minha Terra Minha Mãe dividiram — nos em duas equipas — os actores angolanos e os actores brasileiros. O principal desafio da nossa equipa era que antes, em Angola, estávamos habituados a gravar uma cena num dia e, no outro descansar. Lá aprendemos que os brasileiros gravam 50 cenas por dia enquanto nós gravávamos apenas 25 cenas e, no dia seguinte, ninguém ia trabalhar. Tudo teve de mudar. Começámos a aumentar a produção e batemos o recorde deles”, que acrescenta, “Quando gravávamos juntos eles perguntavam qual era a nossa escola de teatro e diziam que era muito boa. Achavam que tínhamos um curso superior de representação. Eles reconheceram a nossa qualidade. Disseram- -nos se vocês sem escola e representando nas condições em que trabalham no vosso país conseguem evoluir tanto, imagino quando tiverem uma escola de artes cénicas?”. O actor também não tem dúvidas sobre a qualidade dos angolanos. “Temos grandes artistas, que podem começar a ser apoiados, porque como disse, a arte é e será um grande alicerce para se edificar uma nação saudável. E dar os primeiros passos para que daqui há mais alguns anos mais artistas possam viver exclusivamente da sua arte”. Quanto aos novos projectos audiovisuais, “digo que nós actores angolanos estamos capacitados para fazer novos projectos e, espero que a TV Zimbo e os outros produtores televisivos tragam competitividade à TPA. E espero que estes novos projectos sejam mais atrevidos e invistam também nesta área da produção própria. Em Angola há quem não exerça a sua profissão ou não mostre o seu talento. A universidade é importante mas a arte também. Precisamos tanto de doutores e engenheiros competentes, como de bons actores e artistas em geral. O Teatro deu-lhe tudo A carreira artística marcou toda a sua vida. Mesmo a pessoal, como nos explica: “Enfim a minha vida artística deu-me tudo, até a esposa. Pois conheci a minha mulher quando dava aulas de teatro. Ela era encarregada de educação de uma das minhas alunas e ia sempre ver o meu trabalho. Por intermédio de uma aluna começou o meu relacionamento com a senhora Domingas Estefânia Mendes David, hoje com o sobrenome Kwenda. Casámos e nasceram duas crianças lindas. Eu já tinha uma filha antes do nosso relacionamento. A televisão deu-me status social e o facto de estar a administrar uma empresa é prova disso. É tudo fruto do meu trabalho no teatro”. Matthias Offodile October 2nd, 2009, 09:43 AM Caló Pascoal: a música deu-lhe tudo Produtor, compositor e intérprete http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/capa_final_ok.jpg A sua actividade de produtor abriu-lhe as portas do sucesso. Foi assim com Grande Amor de Ary, Fofucho de Bangão, e o “seu” Fim do Mundo. Canções premiadas e mais tocadas do que na época em que foram lançadas, resultado do seu trabalho criativo. A música deu-lhe tudo mas tendo como base muito esforço e dedicação. Hoje não é possível que se fale de música da nova geração em Angola sem que se refira o seu nome. Mas nem sempre foi assim. Confessa que já foi tentado a primar pelo imediatismo, a conseguir sucesso pelo caminho mais rápido, o que quase acabou com a sua vida. “O que não é de Deus não dura, o que é de Deus dura para sempre. Aprendi isso depois de ter andado por caminhos nada recomendáveis, antes de descobrir que trabalhar com persistência e dedicação é a melhor forma de se ganhar prestígio. Já fiz de tudo para ser famoso. Na adolescência quis sê-lo a qualquer custo, pela via do menor esforço. Inclusive meti-me nos quimbandeiros para conseguir notoriedade. Mesmo assim não foi por aí que consegui o sucesso que tenho hoje. Mas como o que não é de Deus dura pouco, conseguia ter a fama que ia buscar, mas sentia que não durava nada, nem me dava o prestígio que desejava.” http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/calo2.png Explica como a falta de noção do essencial para se vencer na vida quase levou ao fim de uma carreira que sequer tinha começado. “Esta escolha errada quase que me custou a vida porque quando entrei pelos caminhos das drogas como liamba e o consumo excessivo de álcool. Acabei por ter uma tuberculose que quase me levou desta para a melhor. Desilusão foi tudo o que consegui com quimbandeiros. E a morte esteve à espreita por causa do consumo excessivo de álcool. São experiências que nunca vou repetir”. Caló Pascoal acrescenta sobre a sua recuperação: “Tenho orgulho de dizer que o sucesso que tenho hoje veio depois de ter me endireitado. Quando parecia que tudo estava no fim, pedi a Deus uma segunda oportunidade, decidi abandonar os maus caminhos e levar uma vida equilibrada. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/calo3.jpg Desde que mudei de conceito de vida, são só vitórias. Tenho uma mulher que amo e me ama, venço prémios, já tenho um disco de prata, tudo o que produzo faz sucesso e tenho uma vida económica mais folgada. Isso para mostrar às pessoas que só acreditando em nós mesmos e trabalhando duro é que atingimos níveis altíssimos. Sem isso não há sucesso que dure porque o alicerce para qualquer vitória profissional é Deus e a crença em nós mesmos.” Raízes Dizem que quem sai aos seus não degenera. Este é o caso de Caló Pascoal, filho de músicos. Desde muito cedo ganhou o gosto pela arte. “A música é uma herança familiar e algo que trago desde o berço”, esclarece. Sou filho do Kissas, um dos músicos dos anos 70, que para muitos é desconhecido mas cujas músicas já animaram muitos bailes. O meu pai tem dois discos de vinil no mercado. A minha mãe foi dançarina, membro dos grupos Ilundo (espíritos) e Mwenho Wa Ngana que em português significa “vida do senhor”, sendo que também cantou num grupo coral. Toda a família herdou esta veia artística. O meu irmão mais velho Julião foi o primeiro a educar-nos musicalmente, pertenceu ao coro da paróquia nossa senhora de Fátima e tocava guitarra. Todos reconheciam nele um homem de talento. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/imagem%204.jpg Infelizmente faleceu aos 20 anos. Na altura eu tinha apenas 9 anos, foi muito difícil para nós. Felizmente ainda tínhamos o irmão que o seguia, que também era músico. O Isidro pertencia à brigada artística das Fapla, hoje FAA (Forças Armadas de Angola), dos quais faz parte este senhor, Lito Graça, que produziu o Kuma Kwa Kié do Yuri da Cunha e, está a produzir uma música do meu novo projecto, que se vai chamar Caló Pascoal e Amigos.” Interrompe com um sorriso e continua a explicar. “O mano Isidro foi quem passou a educar-nos depois da morte do nosso irmão mais velho. Foi com ele que aprendi muitas coisas e foi por isso que escrevi a letra Obrigado Mano. A música é dedicada a ele por tudo o que fez por mim e pelo meu irmão Neloy, em sinal de respeito e gratidão. O meu irmão fazia uma espécie de “top dos mais queridos” lá em casa, escolhia cinco cantores da altura e mandava-nos interpretar quem vencesse. Foi com estes concursos que aprendi a interpretar e, a partir dos quais, comecei a cantar também em pequenos eventos realizados no meu bairro. Interpretando vários artistas nestes eventos e com outras lições que fui tendo, aprendi muita coisa e fui moldando as minhas características”. “Aos 11 anos eu e o Neloy começámos a dançar. Isto em 1988. No ano seguinte participámos no Fenacult, depois de termos sido alunos do professor Sakaneno João de Deus. Esta experiência levou-me a vários grupos de dança e a trabalhar com os mestres da Súngura, os Mini Originais, Mestres da Bungula. Foi daí que ganhei estes truques de dança que exibo em palco. As danças tradicionais acrescentaram muito ao artista que sou hoje”, revela. Caló Pascoal e Amigos O artista fala-nos do seu novo projecto. “É verdade, estou na fase final da produção do projecto Caló Pascoal e Amigos que começou como um CD Caló Pascoal e Matias Damásio. Depois de gravarmos uma boa parte das músicas, achámos melhor incluir outros artistas. E pensei, “porque não realizar sonhos?”. Porque sempre sonhei cantar com o Paulo Flores, inclusive já ganhei muitos concursos imitando-o. Já está confirmada a sua presença, igualmente está o Lito Graça a produzir esta música belíssima, o Yuri da Cunha que para além do Matias, já abraçaram o projecto. Já gravaram a parte deles. Vou convidar outros grandes artistas, prefiro não falar em mais nomes. Vou reunir oito músicas apenas gravei com o Yuri, o Matias , Paulo Flores e Lito Graça. Já está 50% do álbum gravado. Faltam apenas 4 e estou na fase final de produção. Este disco é só com “feras” e por isso será Caló Pascoal e Amigos” A entrada na música Depois seguiu-se a experiência no mundo da música, que por incrível que pareça não foi ainda como intérprete, compositor ou produtor. “Depois da dança continuei na música, mas passei para outro lado, de dançarino para Dj, impulsionado pelo irmão do Lito Graça, o Toy Graça, que também era Dj. Ele e um vizinho, o Gika, davam-me as músicas e eu gostava de as tocar em primeira mão. Naquela época as músicas vinham na maior parte de fora, porque eram raros os produtores musicais no país. A produção era incipiente, só tínhamos o Ruca Van Dunem e o Eduardo Paím. Eram poucos nos finais dos anos 80 e princípios dos 90, ainda não estávamos na era dos CD, em Angola era tudo em cassete. Participámos num concurso onde o Lolito Batalha, considerado melhor Dj da época no Marçal, desafiou-nos dizendo que não havia ninguém melhor. Participámos os quatro e eu venci o concurso de melhor DJ do Marçal”, lembra o artista. Depois surge a música. “Em 1993, na altura em que surge a febre do rap com SSP, eu e o Neloy como ainda não tínhamos conseguido atingir o topo da fama, fomos atingidos pela febre do rap e decidimos cantar. Mas foi por muito pouco tempo porque não estávamos a ter sucesso” lembra com um grande sorriso, acrescentando, “ainda neste ano tivémos a ideia de criar o tiba uma mistura de rap com techno e, finalmente conseguimos chamar a atenção. Seguiu-se o sunga sunga e em 1994 com a explosão do kuduro, fizémos o feijão duroque. Teve muita aceitação e tocou muito naquela época. Como o mercado estava bom fizemos mais um kuduro, o Chitunda, que falava da ilusão dos jovens que quando conseguiam dinheiro deixavam as namoradas, ficavam arrogantes e abandonavam os amigos. A mensagem era “chitunda a banga acaba, dinheiro voa...”. Mas como o sucesso daquela época não era equivalente a dinheiro, não mudou grande coisa na nossa vida. Éramos conhecidos mas não ganhávamos nada mais. O Neloy sempre foi um pouco mais equilibrado e sério. Por isso manteve a fé em Deus e nunca enveredou por outros caminhos, embora também estivesse desiludido como eu. No fundo ele sabia que o momento dele um dia chegaria”. Quase perdido Nesta altura iniciou um período negro da sua vida. “Insatisfeito abandonei a igreja, mesmo na época do kuduro. Perdi a fé, fui procurar um quimbanda para obter fama e dinheiro. Não mais aquela fama passageira que não dava dinheiro. Eu naquela época, apenas com catorze ou quinze anos, já estava neste mundo das drogas. Para além de fumar liamba, bebia muito, podia até beber dois garrafões de vinho. Como consequência apanhei uma tuberculose em 1999, com 22 anos, e parecia o fim. Por pouco morria. Mesmo antes ter começado a minha carreira. Até o quimbandeiro dizia que não havia solução e que eu tinha de ir ao hospital. Quando eles me disseram isso, eu achei que era a morte”. Para além de fumar liamba, bebia muito. Apanhei uma tuberculose. Pensei que tinha chegado ao fim. Mas Caló Pascoal teve uma segunda oportunidade. “Apareceu a minha prima que me levou a um grupo de oração onde havia várias religiões. Era uma Célula de Orações, onde conheci a mama Feli, uma senhora muito crente que dirigia o grupo. Fui levado numa maca já tão fraco que nem podia sequer andar. Entro para a célula e peço uma segunda oportunidade a Deus. Eu só dizia meu Deus se me deres mais uma oportunidade, eu prometo que me endireito e nunca mais volto a viver desta maneira. Tive o apoio da família, os meus irmãos deram o dinheiro para fazer o tratamento no hospital e comprar medicamentos. Num mês de tratamento o meu peso aumentou substancialmente. Fui fazendo o trabalho especial com acompanhamento médico e orações. E foi nesta altura que escrevi a canção Ta Amarrado, falando de todas as coisas que tinha e renunciando a tudo que fazia de errado. O que é conquistado com esforço, dedicação, fé em Deus e em nós próprios dura, o que não vem daí não dura. Voltei à Igreja depois de recuperado e nunca mais me meti nestas coisas. É por isso que a maior parte das minhas composições tem uma mensagem religiosa.” Finalmente o sucesso O sucesso veio no início dos anos 2000. Ao invés de ficar sentado à espera que as coisas viessem ter consigo passou a esforçar-se mais, a correr atrás dos seus sonhos, a trabalhar incansavelmente para conseguir superar-se. “Depois do sucesso com a música Está Amarrado, produzi o Estamos Sempre a Subir do Virgílio Fire em 2001, em 2002 gravei o meu primeiro CD intitulado Fé Que Tocou Muito. Tive muita aceitação. Ainda nesse ano produzi o Fofucho do Bangão, que ganhou o “top dos mais queridos”, e o Nha Vida é Tchora do Camilo Domingos. Três anos depois lancei o meu segundo álbum o Santa Mariazinha, com o qual ganhei muitos prémios. Segundo lugar no “top dos mais queridos” mas fiquei em primeiro no top Rádio Luanda. Ganhei a Voz Masculina do Ano, Kizomba do Ano e Disco de Prata. No mesmo ano produzi o Kakixaka do Bangão que volta a ganhar o “top dos mais queridos” em 2007”, explica Caló Pascoal. Este foi um ano muito importante para a sua carreira. “Lancei o projecto Eu e Elas e produzi o Porquê de Matias Damásio, que foi igualmente a melhor canção do ano. No ano seguinte lanço o meu novo álbum, o Esperança Sagrada e produzi o Grande Amor da Ary que foi a música do ano. Com o meu álbum ganhei na categoria semba do ano”. E faz questão de realçar. “Tudo isso só foi possível através do apoio da família, do Guilherme Galiano, que foi uma das pessoas que me deu muita força, reconheceu em mim muito talento e senti-me valorizado quando fui ao Kandando. Não posso esquecer o Salú Gonçalves que é como um pai para mim, o Afonso Quintas, entre outros. Eles são parte da minha família e estão atrás do meu sucesso. Hoje vem muita gente ver-me cantar, famosos, com carros caros. Eu comecei do zero e quando tentei ganhar a vida pela lei do menor esforço deu no que deu. Por isso aconselho as pessoas quando querem fazer uma coisa, façam-no por amor. Porque como disse eu não tinha nada e a música deu-me tudo. Mas passei por momentos difíceis para chegar onde cheguei. Por isso digo, preocupem-se com a arte e não com a fama e dinheiro”. A música e a mensagem Eu não tinha nada e a música deu-me tudo.Por isso digo, preocupem-se com a arte e não com a fama e o dinheiro. Questionado sobre a qualidade da música que faz, Caló Pascoal respondeu da seguinte maneira: “Quando se compõe é necessário ter em mente o que queremos atingir. Se for sucesso imediato basta-nos uma boa melodia e uma letra qualquer que tenha um ritmo envolvente. Mas esta música não vai durar muito porque a mensagem não tem nada a ver. Imagine que eu escrevo uma música só a dizer “eu não bato bem,…eu não bato bem”. No princípio há quem vai achar graça mais depois de se fartar do ritmo, ele vai questionar o sentido e, a música vai desgastar-se e perder-se no tempo. Mas se quisermos que a música dure, temos que para além do ritmo e a melodia, dar-lhe uma mensagem. Repare na Fim do Mundo, é uma música que tocou durante 3 anos e acredito que vai tocar durante muito mais tempo. Isto foi o que alguém me disse naquela altura em que estava a fazer tratamento – Caló se quiseres fazer sucesso faz músicas que tenham uma mensagem e, quando meti isto em pratica, aconteceu o êxito. Mas também há músicas cujas melodias ficam para sempre. Por exemplo Careless Whisper de George Michael, aquela música é eterna e fica para sempre.” Fala-nos depois da importância da formação musical. “Eu penso que é importante. Embora seja um músico de ouvido, estou a ter lições de canto”, conclui. Burla leva à produção No início da sua carreira não tinha qualquer formação. Fez-se por si e pela sua sensibilidade. A sua virtude é saber ouvir e apreciar boa música. Foi ouvindo e aprendeu a produzir. “Tinha um vizinho que tinha um piano e, para mo emprestar, ele mandava-me à praça”, diz com uma gargalhada e continua a explicar, “ ele dizia: Caló vai comprar isso, vai comprar aquilo e, quando voltava emprestava-me o seu piano. Fui trabalhando com ele até que um primo meu enviou um de Portugal”. E avança-nos com uma história curiosa. “É engraçado que só comecei a produzir depois de ter sido burlado”, volta a interromper com mais uma enorme gargalhada e continua, “olhe que dei dinheiro a um produtor famoso, que não vou identificar. Ficou com tudo e não produziu o instrumental que lhe pedi. Depois disso decidi começar a produzir. Mas não se pense que aprendi tudo sozinho. Tive grandes mestres como o Beto Max o meu amigo Dj Ângelo, que foi um grande professor. Os meus ídolos sempre foram Eduardo Paím e o cabo-verdiano Dab´s (Adalberto Lopes), que por incrível que pareça, também tem como ídolo o Eduardo Paím. Hoje tenho o meu estúdio que por ter este clima familiar, aberto e simples, é conhecido por quebra-galho”. Perfil Nome: Salvador Manuel Pascoal “Caló Pascoal” Data de nascimento: 16 de Janeiro de 1977 Idade: 32 anos Filhos: 1 CD: Fé, Santa Mariazinha e Esperança Sagrada Prémios: Disco de Prata por Santa Mariazinha em 2006. Ganhou o Top dos Mais Queridos em 2008 na categoria Semba do Ano. Em 2005 foi segundo Filmes: Gosto muito de drama Produtores favoritos: Adalberto Lopes e Eduardo Paím Matthias Offodile October 9th, 2009, 12:08 PM Perfil de Zézé Gamboa O herói do cinema angolano Zézé Gamboa é o realizador mais premiado do cinema africano. A sua primeira longa-metragem “O Herói” recebeu 29 prémios internacionais. Kilapi é o titulo do s http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/zeze_gamboa-273.jpg O mais O mais aclamado dos realizadores angolanos nasceu em Luanda, em casa, às 23:30 horas do dia 31 de Outubro de 1955. Aos 18 anos começou a trabalhar na Televisão Pública de Angola (TPA) e descobriu o prazer pela realização. “Comecei a trabalhar na Rádio Televisão Popular de Angola, em 1974.Durante seis anos realizei sozinho o telejornal”, afirma, orgulhoso.aclamado dos realizadores angolanos nasceu em Luanda, em casa, às 23:30 horas do dia 31 de Outubro de 1955. Aos 18 anos começou a trabalhar na Televisão Pública de Angola (TPA) e descobriu o prazer pela realização. “Comecei a trabalhar na Rádio Televisão Popular de Angola, em 1974.Durante seis anos realizei sozinho o telejornal”, afirma, orgulhoso. Em 1980, deixou Angola e foi para Paris trabalhar como técnico de som. “Fiz o som de muitos filmes”, lembra. A sua carreira cinematográfica começou com o filme Mompiopio e continua activa até aos dias de hoje. AMOR À SÉTIMA ARTE Zézé Gamboa gosta muito do trabalho com os actores. Fazer com que representem exactamente a sua visão da cena e da história que quer contar é o desafio que o apaixona. Só mesmo o amor à arte o faz ultrapassar tantas barreiras. O cinema de autor, explica, é difícil e obriga a uma luta constante para a angariação de apoios. A ideia da história surge e é passada para o argumentista que a escreve. Nessa altura, com o argumento na mão, começam as candidaturas a verbas para que a “estória” possa passar do papel para a tela. É um bater a portas sem fim que passa por institutos de cinema, nacionais e internacionais, e que chega a levar dois, três ou mais anos. Só com o dinheiro garantido é que Zézé Gamboa passa finalmente à acção. “Estou à espera do apoio do Instituto de Cinema de Angola (ICA) para avançar com as filmagens do meu próximo filme Kilapi”, exemplifica, acrescentando que, apesar de já ter outros apoios, não pode começar a filmar sem ter garantida a verba total do filme. JOÃOZINHO “KILAPi” O seu próximo filme, Kilapi, é a história romanceada de “Joãozinho”, um respeitado funcionário das finanças, que enganou o Estado português durante a época colonial. O actor brasileiro Lázaro Ramos vai representar o “subversivo” Joãozinho, um negro que teve a “ousadia” de roubar o Estado português, “nas barbas” de muita gente. O terceiro oficial de finanças, que metia a “mão na massa”, transgrediu todos os códigos e levava um estilo de vida que se identificava com o da burguesia colonial. O verdadeiro protagonista da história romanceada para a tela morreu no ano passado. O filme, com argumento de Luís Carlos Patraquim e cerca de 2,8 milhões de euros (quatro milhões de dólares) de orçamento, será filmado no Brasil e nas cidades de Lisboa e Luanda. Nas primeiras semanas serão feitas filmagens em João Pessoa, uma pequena cidade brasileira, com uma população idêntica à que existia na época em Luanda, de cerca de 500 mil habitantes, afirmou. “Além de que os custos são menores, porque filmar em Angola é muito caro”, refere Zézé Gamboa, realçando a arquitectura colonial portuguesa da cidade brasileira, que retrata o período entre 1965 e 1974, a época dos acontecimentos. A última parte do filme, acrescenta, será rodada na Luanda actual, porque a história é contada por um casal que vive na capital, nos dias de hoje. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/foto_zeze_gamboa_2.jpg NA TELEVISÃO PÚBLICA Do período em que trabalhou na televisão, na década de 70, recorda a energia e a imaginação do povo angolano, que dizia que o “socialismo primeiro era científico e depois esquemático, porque não se aguentava e o povo tinha de viver de esquemas porque era a única solução”, isto na época em que a República era Popular, logo a seguir à Independência. Nessa altura, o abastecimento do povo trabalhador era feito nas lojas do povo, que rapidamente ficavam vazias, recorda. “Olhando para esse tempo, que vivi com muito entusiasmo, acho que foi uma boa escola no sentido de convivência e de alguma solidariedade que hoje eu não sinto nos angolanos, cada vez mais egocêntricos e a pensar mais em si próprios e menos na colectividade”, declara. “E acho que isso é mau”, remata. Para Zézé Gamboa, o fenómeno “não é só um problema da globalização”, mas que também surgiu pelo facto de as pessoas estarem ávidas de enriquecer – “o que provoca um egoísmo desmesurado - e que se resolverá com uma distribuição mais equilibrada da riqueza, já que não vê motivo para a falta de solidariedade”. A grande aposta, política, para este equilíbrio passa pela educação, defende o realizador, que considera que, em 34 anos de independência, Angola devia ter mais quadros para não ter necessidade de importar tanta mão-de-obra estrangeira especializada. “A aposta deve centrar-se na qualidade do ensino”, diz este angolano, realçando que sempre estudou no país. http://www.africultures.com/tables%5Cartistes%5Cimages%5Czeze_gamboa.jpg EMIGRANTE EM PARIS Começou no colégio D. Duarte, depois passou para o Luís de Camões, em Benguela, e, quando regressou a Luanda, estudou na Escola Comercial Vicente Ferreira. Nos anos 80 deixou Luanda com destino a Paris, para estudar. Depois de um curso de sonoplastia, Zézé Gamboa foi responsável pela sonorização de mais de meia centena de películas. Quando vivia em Paris ia muito a Portugal, para fazer o som de filmes, e aí acabou por fixar residência. “Na altura muitos filmes franceses eram feitos em Portugal e também era convidado para trabalhar em filmes portugueses”, conta. Em 1990, cansado de trabalhar nas histórias dos outros, resolveu começar a passar para o ecrã as suas próprias histórias. “Tinha imensas histórias para contar”, afirma. PRIMEIROS FILMES E foi assim que fez o seu primeiro filme, o documentário Mompiopio, sopro de Angola, para mostrar a sociedade de Angola através da música, considerada por Zézé como a forma de manifestação cultural mais forte do país. O filme “reflecte bem” como a sociedade de Angola, “com todas as dificuldades que existiam, recolher obrigatório, falta de água e falta de luz, vivia com energia e uma grande vontade de viver”. Músicos históricos, como Elias Dia Kimuezo, André Mingas e Jivago, entram no documentário, um trabalho com quase 20 anos. Zézé Gamboa não gosta de olhar para o passado, que só lhe interessa para projectar o futuro. Pode ter um olhar crítico sobre os filmes que já fez, mas que apenas serve para dar um passo em frente, garante. Apesar de viver fora há alguns anos, Zézé nunca se distanciou do país natal e do papel crítico de quem quer “as histórias bem contadas”. Cansado e chocado com a visão ocidental da guerra civil angolana, considerada pela imprensa internacional como tribal, o realizador resolve ter uma intervenção. Assim nasceu Dissidência, o segundo documentário, que começa em 1992 e só termina em 1998, devido a problemas de produção. “Peguei em dissidentes dos dois partidos beligerantes, MPLA e UNITA, para contar essa história” que mostra que “a guerra civil em Angola vem da guerra fria, que continua porque é, sobretudo, de luta pelo poder, o que era importante que ficasse claro”, não esquecendo os interesses internacionais por causa da riqueza do país. FILME DO DESASSOSEGO Como gosta de passear a pé para observar e ouvir as pessoas, cruzou-se com Pessoa na Baixa de Lisboa, a cidade onde vive há anos e da qual também já faz parte. Desassossego de Pessoa é um documentário-ficção pequeno, realizado em 2002, “a partir de alguns textos do livro” do poeta português e que nasceu da curiosidade do movimento em torno da estátua de Fernando Pessoa na “Brasileira”, na zona lisboeta do Chiado. Como cliente assíduo daquela pastelaria, diz que sempre achou estranho “o rodopio à volta da estátua do poeta”, feita por Lagoa Henriques e que convida o cidadão a sentar-se e a tomar um café. Em 2008 fez um filme institucional para a Aldeia Nova, no Waco Cungo, um projecto de reinserção social de ex-militares, encomendado pelo Ministério das Obras Públicas, que Zézé Gamboa diz ter-lhe dado “muito gozo fazer” porque dá a “perceber que se podem fazer coisas boas” em Angola. “Bom Dia África” é o trabalho mais recente do realizador angolano, para o II Festival Cultural Pan-Africano de Argel (PANAF2009), que decorreu entre 05 e 20 de Julho na Argélia. Fernando Vendrell voltou a trabalhar com Zézé Gamboa e produziu esta curta-metragem. “Os argelinos deram dinheiro para fazer dez filmes africanos, atravessando o continente de norte a sul, de Marrocos até à África do Sul”, tendo três cineastas lusófonos sido escolhidos no total dos 30 argumentos apresentados a concurso. Zézé Gamboa, de Angola, Flora Gomes, da Guiné- -Bissau e Sol de Carvalho, de Moçambique, foram os cineastas escolhidos, “que tiveram a felicidade de poder trabalhar”, fazendo uma curta-metragem cada, filmada em Moçambique e depois apresentadas no Festival da Argélia. EQUIPAS COMPLEMENTARES Gosta de “separar as águas”. O realizador faz realização e o produtor produção, por isso, tem muito cuidado com as equipas e segue o ditado popular: “quem muitos burros quer tocar, algum deixa para trás”. “O trabalho de cinema é difícil e complexo, envolve muitas pessoas que vão trabalhar juntas durante muitas horas e por longos períodos”, justifica. Por isso, o realizador não dispensa, nos trabalhos maiores, o director de fotografia italiano Mario Mazinni, o primeiro assistente Nuno Milago e o Gita, um amigo de infância, que lhe “dão estabilidade”. O FILME DA CPLP Considerando a mistura de gentes falando a mesma língua, como o maior potencial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Zézé Gamboa gostava que a organização tivesse uma política de apoio ao desenvolvimento, nomeadamente, do cinema. “O lado cultural, que é o lado mais forte, é o menos aproveitado”, critica. Excluindo a literatura, actividade individual, Zézé Gamboa afirma que nada tem sido feito que possa identificar culturalmente os 200 milhões de pessoas da CPLP.“Não podemos esquecer que os nossos países têm uma taxa de analfabetismo muito grande, nem todos podem ler. O cinema, toda a gente pode ver, porque é falado em português”. Mas para isso, defende, “é preciso vontade política para existirem verbas para o cinema, sobretudo para a meia dúzia de cineastas africanos lusófonos com capacidade e experiência para fazer longas-metragens”. “Nem sequer são muitos”, diz Zézé Gamboa, não perdendo a esperança de poderem vir a existir apoios para que possa fazer um filme por ano, ou de dois em dois anos. FASQUIA ELEVADAS Foi no cinema que encontrou a maneira de se exprimir. Não trabalha para os prémios, mas claro que gosta de os receber, enquanto reconhecimento da qualidade do seu trabalho. Como sempre propõe-se atingir a qualidade do trabalho anterior, Zézé tem, depois de O Herói, a fasquia alta. Apesar do currículo e reconhecimento internacional invejáveis, o realizador Zézé Gamboa continua um homem simples, aberto e sorridente. À boa maneira angolana! O ACLAMADO HERÓI A primeira longa-metragem realizada por Zézé Gamboa, uma co-produção de Angola, França e Portugal, recebeu 29 distinções internacionais, uma das quais o prestigiado prémio do júri para o melhor filme dramático estrangeiro no “Sundance”, o maior festival mundial de cinema independente. O filme, “forte e honesto”, segundo o cineasta, conta a história de Vitório, um soldado de 35 anos, que regressa a Luanda mutilado pela explosão de uma mina. “A franja de homens e mulheres que ficaram mutilados com a guerra fratricida de 27 anos, merece uma grande reflexão”, disse o realizador, considerando que uma homenagem, do ponto de vista cinematográfico, faz todo o sentido. O filme acaba bem porque “é preciso dar esperança aos angolanos mutilados pela guerra”. Os seus olhos ficam rasos de lágrimas quando relata o sofrimento humano e destapa um coração grande e generoso que encontra na família o porto seguro. A presença da mulher e da filha de oito anos, de quem fala com um brilho nos olhos, é importante, nem que seja por poucos dias, quando as filmagens o levam para longe de casa por longos períodos. “Fazer um filme não é fácil. É um trabalho muito stressante”, diz o apaixonado pela sétima arte. Segundo Zézé Gamboa, para obter o financiamento para fazer um dos filmes africanos mais premiados de sempre foram necessários quase dez anos. “Quem faz cinema de autor tem sempre dois ou três argumentos prontos simultaneamente, porque o processo de financiamento é muito demorado e pode levar dois, três ou mais anos a angariar a verba necessária para fazer a fita”, explica o realizador. O projecto que Zézé Gamboa “tinha de fazer”, uma homenagem aos mutilados angolanos, tem argumento de Carla Batista e as representações dos actores Oumar Makena Diop, senegalês, e Maria Ceiça e Neuza Borges, brasileiras. Carla Pote Perfil Yola Castro: Escritora de livros infantis A contadora de estórias http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/entrivista%20ayolanda%20nuno%20santos-7234.jpg Após a sua ascensão no mundo das letras em 2005, altura em que a Yolanda Castro Dias dos Santos tinha 27 anos de idade, muitos questionavam sobre aquilo que poderia vir a ser o seu sucesso numa área ainda considerada por muitos, nos dias de hoje, como sendo virgem, comparando com outros países. A verdade é que os números falam por si. Em pouco tempo Yola Castro alcançou êxitos profissionais sucessivos: quatro livros publicados e quatro sucessos. Um exemplo de mulher batalhadora no campo da literatura angolana. Ao nível pessoal é casada há doze anos e diz ter “um casamento feliz” com quatro filhas. O sector da literatura infantil não tem sido encarado com naturalidade pela classe empresarial. Simpática, sabe relacionar-se com toda a gente independentemente da idade e do estatuto social. E como terá sido a infância de uma mulher que escreve livros para crianças? A escritora revela que a sua infância foi um sucesso pelo facto de os pais lhe proporcionarem um crescimento feliz. O “bichinho” da escrita surgiu aos 17 anos, mas por falta de patrocínio somente aos 27 conseguiu publicar a sua primeira obra, em 2005. A Borboleta Colorida e a Linda Joaninha, é o nome da obra com a qual, Yola Castro arrecadou o prémio literatura nesse mesmo ano. O livro foi vendido em três edições tendo esgotado meses depois. O segundo, lançado em 2006, tem como título Vuvu-Kietu, um termo Kikongo que significa “nossa esperança”; a termologia é também o nome da personagem principal. À semelhança do seu primeiro livro, foi vendido na sua totalidade logo na sessão de autógrafos. Apoiar os escritores A terceira obra é uma colectânea de quatro histórias, sendo a primeira O Menino Pescador, a segunda Os Três Irmãos, a terceira O Lápis Cor-de-Rosa e a quarta As Duas Mangueiras. Já o último trabalho, de edição própria, chama-se Dois Reis no Céu para a Terra. Com uma tiragem de 2000 mil exemplares, ensina “a ouvir com prudência para melhor respondermos ao que nos é chamado a intervir”. Questionada sobre a vida dos escritores no nosso país, Yola Castro diz “ser um sacrifício incalculável. Os homens das letras não têm sido valorizados tal como devia ser e na maior parte das vezes são obrigados a tirar valores dos seus próprios bolsos para manter acesa a “torcida” literária”, revela. “Devia-se fazer mais por pessoas que escrevem bem como são os casos de Maria Eugénia Neto, Dário de Melo entre outros. Mas hoje não existe um estatuto específico para os escritores, pois muitos destes não têm uma casa própria ou um meio de transporte”, lamenta Yola. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/entrivista%20ayolanda%20nuno%20santos-7225.jpg Diante destas dificuldades, a escritora encoraja os companheiros de “trincheira” a continuar a luta pela literatura angolana porque dias melhores virão. A respeito da sua área de formação, a também profissional de comunicação do Gabinete de Comunicação Imagem do Comando Geral da Polícia Nacional e professora de Educação Moral e Cívica, disse pretender especializar-se em Publicidade. Investir na literatura Yola Castro tem alertado para a necessidade de se investir mais na literatura infantil. Na opinião da escritora os livros para crianças “contribuem significativamente na formatação de um homem novo ‘maduro’, detentor dos valores universalmente aceites por qualquer sociedade sã e fazer face aos novos desafios que o mundo vem enfrentando, bem como prevenir alguns comportamentos desviantes com os quais a sociedade se tem debatido”. Segundo a autora do livro A Borboleta colorida e a linda Joaninha, o sector em referência não tem sido encarado com naturalidade pela classe empresarial, tal como acontece com os músicos e não só, facto que pode atrasar o desenvolvimento social do cidadão local. Em consequência disso, “poucas são as famílias que conhecem o real valor dos manuais e da partilha das informações neles contidas”. A autora de livros infantis deixa a esse propósito algumas sugestões. Yola Castro propõe, por exemplo “a criação de mecanismos capazes de viabilizar a produção de livros, em grande quantidade”. Para a autora é igualmente oportuno “promover, no interior do país, eventos de carácter literário com vista a estimular o gosto pela leitura e aprendizagem da língua”, nomeadamente a realização da Feira Internacional da Literatura, à semelhança do que tem acontecido na cidade de Luanda. “Estive no Kuito (Bié) e lá os pais ainda não conhecem os benefícios do livro infantil para a família. Mas é preciso comprá-los cedo porque o marido ler ou contar histórias para a mulher grávida, é uma forma de prevenir os maus hábitos nas crianças, pois neles encontram bons exemplos da vida. Isto para além de desenvolverem com facilidade a arte de escuta e ajudar a conhecer a voz dos seus progenitores”, explicou. Escrever para mudar A preocupação por uma sociedade mais justa, sã e sadia, desde sempre fez parte dos intentos da escritora. Sobre o município do Sambizanga, em Luanda, onde vivia anteriormente, Yola revelou ser uma zona crítica no que toca à delinquência juvenil e prostituição. Tais males que assolam (até hoje apesar de haver melhorias) a referida zona da cidade capital, fizeram com que Yola Castro começasse, desde cedo, a contar estórias com personagens positivas para as outras crianças, sobretudo vizinhas, como forma de prevenir comportamentos censuráveis perante a sociedade. Para o efeito, Yola Castro contou com o contributo de seus pais que, sabiamente souberam orientar seu destino: ser escritora infantil de sucesso. Os pais da escritora, descobrindo as reais capacidades da então menina “Lolita”, tal como era carinhosamente chamada, matricularam-na nas escolas de teatro, música e poesia com o propósito de melhorar a dicção da menina. As áreas de formação no campo das artes ajudaram Yola Castro a exteriorizar as suas ideias de uma maneira mais elaborada e a contribuir para o progresso do meio onde habitava. De simples contadora de fábulas infantis, transformou-se na escritora com provas dadas na literatura infantil que é hoje. Bordar sonhos Por ter morado no Sambizanga, um dos maiores municípios de Luanda, Yola Castro vê com bons olhos o aparecimento de kuduristas neste bairro. Com efeito, o Sambizanga é conhecido pela particularidade de oferecer ao meio musical angolano um grande número de músicos de kuduro, um estilo melódico com características próprias, que vai conquistando o seu espaço ao nível internacional. Para muitos, este facto é consequência da transformação social dos munícipes locais, graças aos incentivos e investimentos feitos pelas autoridades e por pessoas singulares. Hoje, na Europa encontramos esse estilo musical devido ao esforço e perseverança de muitas pessoas em locais como o Sambila. A esse propósito, Yola Castro sente-se realizada por também ela prestar o seu contributo na transformação de um povo que, “apesar dos avanços registados, ainda tem muito por crescer”. Em jeito de conclusão, a escitora deixa uma máxima que procura seguir na sua vida: “quem canta seus males, espanta e quem escreve, seus sonhos borda”, por isso “vou continuar a escrever até que os meus sonhos se esgotem”. Adilson Lutukuta Perfil Angola vê-se ao espelho Mário Tendinha: Artista Plástico natural do Namibe http://www.opais.net/resources/images/jjjjjjjjm%202.jpg “Tudo tem a ver com Angola”. É desta forma que Mário Tendinha resume o seu projecto artístico Ngola Mirrors, patente no Instituto Camões até ao próximo dia 18 de Outubro. Através de desenhos e uma instalação, o artista pretende fazer “uma tentativa de participação na dura e incansável batalha diária, através duma representação estética moderna”. Os 30 desenhos a tinta da china expostos abordam algumas questões críticas do ponto de vista social. “Penso que há uma crítica sublimada, e às vezes subtil, sobre questões sociais que ainda estão por resolver no país”. Mas para além das problemáticas sociais surgem outros temas como a ecologia. Tudo servido “com uma pitada de humor muito forte, ligada à minha própria personalidade de analisar e ver as coisas”. Instalação simbólica A exposição inclui uma estrutura de construção civil “que tem a ver com a reconstrução do país, com o boom existente ao nível da construção e da necessidade de haver essa construção. São precisas milhões de casas porque durante 30 anos não se construiu neste país”, explica. Outro elemento presente na exposição é um estendal com várias camisas penduradas transformadas em esculturas. Uma angolanidade plena de simbolismo. “Este é um elemento muito nosso. A roupa estendida pela manhã nas varandas, nos quintais, a roupa a corar. Se vamos para a Europa e para os Estados Unidos, quase já não se vê isso. As pessoas têm máquinas de secar e marquises e não colocam a roupa ao sol”. Filho do Namibe Nascido no Namibe, saiu da terra natal aos 12 anos e foi “para todo o lado em Angola”. Filho de um pai bancário de profissão que se deslocava inúmeras vezes em trabalho, Mário Tendinha viveu no Lubango, Lobito, Saurimo, Luanda, Huambo, Bié, Luena. “Conheci muito bem o país”. Apesar de ter saído muito jovem diz continuar a regressar sempre ao Namibe. “É um percurso obrigatório, vou para lá e faço sempre as mesmas coisas. Já levei as minhas filhas e os meus netos e amigos”. O Namibe tem um peso muito grande no artista e no homem. “Tive a felicidade de poder viver em contacto com aquele povo. Tinha familiares com uma fazenda no sopé da Serra da Leba e quando éramos miúdos ficávamos lá nas férias. Ver os bois com os mucubais, conviver com eles, ir à caça, marcou-me profundamente. Nunca perdi esse contacto. Nesta exposição tenho um quadro dedicado a essa gente, chamado “Periquito”, homem que ainda existe e anda a pé por aquelas bandas”. No Namibe gosta da sensação de paragem no tempo, do deserto imutável, das welwitschias, dos animais, dos mucubais, “que aparentam ser sempre os mesmos apesar de serem novas gerações”. A vida que corre sem pressas e sem grandes modificações. “Em todos aqueles povos do Sul, do ponto de vista cultural, não houve uma penetração da colonização”. Recentemente voltou ao Namibe e viu enormes manadas de animais. “Isto quer dizer que os animais estão a recuperar, estão em paz, a reproduzir-se e há um certo controlo. Os Parques Nacionais são muito importantes, não só do ponto de vista turístico mas do ponto de vista ecológico”, salienta. Interrupção artística Aos 18 anos, Mário Tendinha começa a pintar e aos 21 realiza no Huambo a sua primeira exposição. Depois ainda expôs em Luanda e no Lubango. Mas os caminhos que trilhava seguiam também outros sentidos. “Estava muito envolvido com as políticas, com o MPLA. Fui sindicalista durante 10 anos”, afirma. Tempos conturbados que deixaram marcas no homem, no artista e na obra. “A minha casa foi destruída pela invasão dos sul-africanos. Perdi todas as obras que tinha na altura, foi tudo destruído. Tinha sido uma fase muito produtiva em termos artísticos e fiquei 25 anos sem pintar e 28 anos sem expor”. Não sabe explicar porquê. “Posso arranjar 1001 explicações mas acho que não valem de nada”, assume. O interregno prologou-se décadas fora. Mário Tendinha só voltou às telas e aos pincéis em 2003. Nesse regresso sentiu que “não podia deixar de fazer aquilo que estava nas minhas memórias e isso era justamente o Sul”. Coerentemente a primeira exposição nesta segunda fase artística de Mário Tendinha foi baptizada de “Lá para o Sul...”. Nas telas, em acrílico, óleo e desenho com técnica mista e cor surgiram os bois das terras do Sul, os pastores que vagueiam pela imensidão daquelas planícies. Três anos depois, em 2006 fez outra exposição a que chamou de Riskuss com desenhos feitos só a tinta da china. Desse trabalho o artista sentiu que muita coisa tinha ficado por dizer. “Acho que completei agora com o Ngola Mirrors”. Jeito para o desenho Mário Tendinha acumula o trabalho artístico com a profissão de gestor de empresas. “Quando estou no escritório não penso na pintura e quando estou no atelier em casa a pintar, vivo num mundo à parte. Consigo distinguir bem os dois campos”, esclarece. O artista entrou no mundo da pintura quando começou a ouvir em miúdo frases como “tem muito jeito para o desenho”. Mais tarde, aos 18 anos começou a encarar essa faceta com maior seriedade mas nunca estudou arte. “Só agora, após o meu recomeço, senti necessidade de começar a aprender novas técnicas e estilos”, salienta. E deixa um conselho aos mais novos. “Quando somos jovens achamos que sabemos tudo quando, na verdade, não sabemos nada. Tinha muito essa ideia que já sabia tudo”. Mais tarde começou a frequentar alguns cursos e workshops em Portugal na área da pintura, litografia, desenho. “Senti necessidade de aprender e reaprender.Quando se está no início de carreira devemos aproveitar a oportunidade de frequentar uma escola. Eu fui pela experimentação mas é mais rápido quando frequentamos uma escola. Digo sempre isso aos jovens”, sublinha. Explosão criativa Mário Tendinha mostra-se atento ao que vai acontecendo em termos culturais e artísticos no país. “A área mais visível, porque é a que tem mais impacto ao nível dos media, é a música. Mas para além disso, vejo que há imensos grupos de teatro amador com exibições permanentes, há mais exposições de pintura, muitos jovens que estão a surgir no panorama das artes plásticas, pintura, desenho, fotografia. Jovens com muito valor, muita categoria, bons em qualquer parte do mundo”. A razão é principalmente uma. “Toda esta nova onda criativa deve- -se à paz. Trouxe uma nova era de liberdade. As pessoas sentem-se mais donas de si próprias, mais livres para escolherem o seu caminho”. Coleccionador e viajante Mário Tendinha assume-se como um coleccionador de arte, “fundamentalmente angolana, alguns de Moçambique, Zimbabwe e América Latina”. Apaixonado pelo Oriente e “casado com uma macaense”, assume o fascínio por aquela cultura milenar. Outra das suas viagens mais marcantes foi a Índia. Não foi a miséria latente que o impeliu a visitar mas “a grandiosidade daquele país”. Da América Latina ressalta “uma enorme paixão pelo Peru e pela história dos Incas”. Por outro lado, “a Bolívia foi o país no mundo onde achei que existia a maior profusão de artistas. Em todas as pequenas cidades há galerias e os pintores vivem e pintam nesses espaços. É algo de fantástico”. Tudo o que viu e viveu mundo fora leva-o a sonhar...” Gostava de ter uma galeria desse género em Luanda, mas é um projecto difícil porque as rendas são incomportáveis. A zona histórica de Luanda que se encontra abandonada, devia ser recuperada e entregue aos artistas e artesãos para fazerem pequenos ateliers de artes plásticas, escultura, grupos de teatro. Em todo o mundo há locais onde se faz isso. Aqui pensa-se no lucro rápido e em transformar tudo em dinheiro. Para a cultura sobra sempre o resto”. Projecto de arte urbana A sonhar com projectos de uma Luanda que surja como núcleo de desenvolvimento cultural e artístico, Mário Tendinha relembra outros tempos. “Fiz parte de um grupo, que fundei com mais pintores no Lubango em 1973, chamado de Oficina d’Arte, no antigo Palácio do Governo. A câmara municipal entregou-nos o espaço que foi transformado num pólo de desenvolvimento de arte. As portas estavam abertas a todos. Foram criados estúdios para os artistas trabalharem, havia uma tertúlia literária e de poesia. O local era um ponto de encontro para os artistas de todo o país que foram mostrar a sua arte”.Neste momento, o artista procura ideias novas para desenvolver no futuro. “Gostaria de desenvolver um projecto de arte urbana em co-participação com outros organismos e entidades”. Sinergias artísticas Novas ideias. Como aquela que o levou a uma sinergia artística com a coreógrafa Ana Clara Guerra Marques na exposição de pintura que realizou o ano passado “Oratura dos Ogros e do Fantástico”. Através de telas grandes e utilizando uma técnica mista à base de acrílicos, gesso e cimento, propôs-se explorar os contos tradicionais angolanos. “Interessava o mundo dos Ogros, para isso documentei-me, li muito sobre os contos. Acredito que é nos contos tradicionais angolanos que está a raiz da nossa cultura. Se pensarmos que à data da Independência, 95% da população angolana era analfabeta, podemos inferir que o povo angolano comunicava dessa forma, de geração em geração”. Nessa exposição cruzou a pintura, dança e fotografia, através da colaboração do fotógrafo José “Tonspi” Pinto e da coreógrafa da Companhia de Dança Contemporânea. A terminar conta-nos que foi a assistir à última peça apresentada por Ana Clara Guerra Marques no Cine Teatro Nacional “Peças Para Uma Sombra Iniciada e Outros Rituais Mais ou Menos”, que viveu um momento marcante. “A dança do bailarino na cadeira de rodas foi das coisas mais bonitas e emotivas a que assisti, também porque aquela cadeira de rodas pertencia ao meu cunhado paraplégico que já morreu”. A propósito dessa mesma dança fez um desenho para a exposição Ngola Mirrors que, tal como todos os outros, poderá ser visto até dia 18 de Outubro. exposição interactiva com o público Mário Tendinha apresenta um conjunto de 30 quadros a tinta da china sobre papel, todos nas mesmas dimensões, 45 por 60. Para além dos quadros há também uma instalação composta por um conjunto de camisas penduradas, como se fosse um estendal numa varanda. Outro dos elementos presentes é uma passadeira feita com uma estrutura metálica de construção civil, que obriga a que as pessoas passem por ali para ver os quadros. Uma parede espelhada em toda a dimensão da galeria, transforma aquele espaço num espaço duplicado onde as pessoas se vêem reflectidas. O artista explica o objectivo. “Pretendemos que o público entre numa outra dimensão. A ideia é fazer com que o público se sinta um participante da própria estrutura”. O público assume a condição de actor, participando na obra exposta, percorrendo as diversas áreas. “Recebi um feedback das pessoas muito interessante. Diziam-me que se sentiam no meio de um quintal, num estendal de roupa. Quando estão na estrutura da construção civil, têm outra sensação, porque a estrutura está elevada a um metro do chão e as pessoas têm outra visão do espaço. Essa interacção é propositada”. Ngola Mirrors Até 18 de Outubro uma exposição para reflectir Mário Tendinha apresenta um conjunto de 30 quadros a tinta da china sobre papel. Para além dos quadros há uma instalação composta por um conjunto de camisas penduradas, como se fosse um estendal numa varanda. Outro dos elementos é uma passadeira feita com uma estrutura metálica de construção civil. Uma parede espelhada em toda a dimensão da galeria, transforma aquele espaço num espaço duplicado onde as pessoas se vêem reflectidas. Uma exposição para reflectir. Tinha familiares com uma fazenda na Serra da Leba. Conviver com os mucubais marcou-me profundamente. Perfil * Nome: Mário Tendinha * Família: Casado com três filhas e quatro netos * Livro: O Cemitério dos Barcos Sem Nome de Artur Pérez-Reverte, Por Amor da Índia de Catherine Clément Música: Beatles, Rod Stewart, Coldplay, Roy Orbison, Elvis Presley, Jazz, Miles Davis, Paulo Flores, Afroman * Cinema: Água, filme indiano de Deepa Mehta * Viagens: América Latina, Vietname, China,Índia Matthias Offodile October 11th, 2009, 04:10 PM Angolan Ballet dancing in Luanda...excellent...I just loved to watch it...and suddnetly some kuduro:cheers: 7KkqNxkt_h0&feature=related Matthias Offodile October 11th, 2009, 04:57 PM Mavunza Sebastião Campeão da determinação http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_44/mavis-138.jpg Trabalha em informática na agência de modelos Afro Fashion e nas horas livres é poeta. Sonha ser profissional de multimédia e regressar a Angola para abrir um centro cultural Mavunza Sebastião André Costa, para os íntimos Mavis. Poeta e sonhador, não conquistou medalhas de ouro ou de prata, e as dificuldades financeiras deixaram-no à porta da entrada no ensino superior, que tanto queria frequentar na Universidade Lusófona. É divertido, um tudo nada tímido e, tem um estilo que vagueia entre o discreto e o clássico. Muito determinado, afirmou-se “vaidoso e com tendências perfeccionistas”. Mavis foi mais um daqueles meninos que brincavam com carrinhos de lata de óleo e rodinhas feitas com as tampas e restos de chinelos, mas havia nele uma brincadeira, que o destacava dos outros: fazia bonecos, criava cenários e fazia filmes. “E toda a gente assistia”, disse de forma séria. ESTUDOS EM PORTUGAL Mal acabou o 12.º ano, Mavis rumou a Portugal com um sonho que ainda hoje se lhe lê no olhar: frequentar a faculdade. Fez os testes de admissão, foi considerado apto. Mas dez anos passaram e ainda não conseguiu agarrar com as duas mãos o desejo de se tornar profissional de multimédia. Já fez de tudo um pouco e até experimentou as artes cénicas no Grupo de Teatro de Alverca. Hoje “estou a economizar para subsidiar os meus estudos”, confessou. Passo a passo conseguiu frequentar cursos profissionais de paginação para a Web, de Economia e de Contabilidade. Actualmente Mavis colabora na área da informática e da fotografia com a agência de modelos Afro Fashion, recentemente criada pelo futebolista Miro, com o objectivo de dar mais oportunidades aos modelos africanos e, em especial, aos angolanos. DE ORIGEM BAKONGO Este campeão da determinação e da esperança nasceu no N’zetú, província do Zaire, onde viveu até aos cinco anos. Filho de um professor e de uma costureira, Mavis, de origem Bakongo, fixou-se em Luanda até aos 18 anos e aí concluiu o 12.º ano. “Luanda estava quente, para variar”, naquele 26 de Maio, quando se despediu de dois amigos que ficaram e da mãe, Conceição, que havia concordado com a sua decisão e o acompanhou ao aeroporto. Afinal, Portugal aparecia como uma oportunidade para mais facilmente concluir os estudos superiores. Mas…, há sempre um mas! Para superar a ansiedade da despedida, concentrou-se na ideia de que Portugal era um “mar de rosas”, onde esperava encontrar oportunidades. “Ouvia sempre que lá era tudo mais fácil”, afirma Mavis, que à chegada a Lisboa sentiu um país diferente, embora tenha realizado o desejo de conhecer Portugal. “Aterrou” em Santo António dos Cavaleiros, em casa de uma irmã. Passados dez anos considera que “Portugal é Angola um bocadinho mais desenvolvida”. Quanto a saudades, Mavis afirma que “são mais do que muitas”. “Tinha planos para ir ver o CAN 2010 e já tinha pensado comprar o bilhete, mas um problema de saúde da minha mãe solicitou as minhas economias, para um tratamento em Lisboa”, disse. E assim, mais uma vez vê adiada também a sua prioridade: a formação. Mas promete não desistir. PROJECTOS FUTUROS Mavis, que prefere passar pelas experiências em vez de aceitar a vivência dos outros, já escreveu várias histórias, poemas e letras de música e pediu a inclusão de um seu poema, dedicado ao povo angolano, qual intelectual em desenvolvimento. O maior sonho de Mavis é abrir um centro cultural, com estúdios de fotografia, sala de cinema e de teatro, onde também pudesse realizar eventos. Mas antes de morrer gostava de visitar todos os países de língua portuguesa, a Índia, a Grécia, o Egipto, Roma Antiga, o Hawai, República Dominicana, Gronelândia e Estados Unidos da América. Em suma, “se pudesse fazia a volta ao mundo, e de barco”. Questionado sobre os maiores desafios para o país, Mavis respondeu sem hesitar que “Angola tem pela frente a formação, a criação de mais postos de trabalho, mais saneamento básico e a electricidade distribuída a nível nacional”. A fechar, deixou o incentivo: “Força e coragem”. Poema ao Povo Angolano “Angolano povo lutador, alegre e batalhador nas desbundas procura esquecer o passado sofredor. Sem dor e cheio de amor. Carrega no peito a esperança de vencer, sem nunca deixar de acreditar. Que para ter sucesso, o caminho é p’rá frente”. Perfil Nome: Mavunza Sebastião André Costa Idade: 27 anos Profissão: Estudante e trabalhador Signo: Capricórnio Prioridade: Formação Prato preferido: Arroz com kissaca Hobbies: Jogar futebol, ir à praia, ao cinema, escrever e ler Filme Senhor dos Anéis, mas adora películas de terror Cores: Vermelho e preto “Não sei se é por causa das cores da bandeira de Angola, mas a maior parte das minhas roupas são vermelho e preto”. Livro: Fortaleza Digital, de Dan Brown Viagem: Volta ao mundo Companhia de viagem A “cara-metade” Música: Hip-hop Dançar: Não sabe, mas gosta de ver dançar Semba http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_48/_pp02439.jpg Cineasta, primeira camerawoman em Angola Maria Pascoal, A misteriosa realizadora de cinema Determinada e lutadora, Maria Pascoal ou “Pocas”, como é conhecida, foi a primeira operadora de câmara mulher em Angola. A realizadora prepara agora a sua primeira longa-metragem Sempre a ler-nos a alma nos olhos, “Pocas”, a misteriosa realizadora que detesta a ambiguidade, deixa a sensação de que não há pormenor que lhe escape. Observadora quanto baste, não se dá, no entanto, a conhecer com facilidade e reserva a sua privacidade como uma leoa protege as crias. A curiosidade de conhecer “Pocas”, uma mulher angolana ligada ao cinema, era tanta que a hora de chegar à entrevista foi atrapalhada por uma série de imprevistos, ou não estivesse a circulação no Cais do Sodré, em Lisboa, no maior caos desde o terramoto de 1755. Premimos o botão de uma campainha que não tocava. Da janela do segundo andar deram uma dica… Abrir um trinco que não abria. O momento do encontro adiava-se. Não fosse a boa vontade de uma vizinha que chegou entretanto... Facilitado assim o acesso àquela escada pombalina, com cheiro a madeira velha e a mar salgado, só faltava ouvir o ranger das velas, para sentir que partíamos para Angola. OPERADORA DE CÂMARA Depois de uns lances de escadas estávamos finalmente à porta da produtora LX, onde se encontrava a primeira realizadora de cinema angolana na diáspora, que aprecia “a generosidade e a sinceridade em todos os sentidos da palavra” e sonha conhecer Cuba. A Angola de hoje está a evoluir muito rapidamente. Mas essa velocidade pode modificar o povo. Era aquela angolana afrancesada que a Vida queria dar a conhecer aos seus leitores. “Pocas” aguardava alguns actores angolanos a trabalhar em Lisboa, para o casting do próximo trabalho, a primeira longa-metragem da sua carreira cinematográfica. Determinada, assaz reservada no trato e intuitiva, disse-nos que “seria incapaz de estar à frente de uma câmara”. A sua paixão pelo cinema começou aos 18 anos com o realizador e actor alemão Werner Fassbinder. “Foi ele que me deu vontade de fazer cinema”, afirmou “Pocas”, que começou a trabalhar na TPA, tornando-se na primeira mulher operadora de câmara de Angola. Do signo Escorpião, o seu filme preferido é As Lágrimas Amargas e o livro, Cem Anos de Solidão do escritor Gabriel Garcia Marquez. CAÍDA DO CÉU E EM LISBOA Maria E. Pascoal é natural de Luanda e saiu de Angola pelo seu pé. Chegou a Lisboa completamente sozinha. Pela primeira vez na “metrópole” teve muita dificuldade em adaptar-se. “Lisboa era pouco acolhedora”, recorda “Pocas”, cujo sonho é fazer filmes e formar pessoas. “Via os portugueses como os colonizadores, mas hoje evoluí e reconheço que o problema foi mais meu, que tive problemas de adaptação”, justifica a cineasta. “Lisboa era o sonho de encontrar uma vida melhor, fugir à guerra e encontrar paz de espírito e foi o que aconteceu, mas na altura não tive a noção da realidade”, admite a realizadora. Apesar das dificuldades de adaptação, por lá ficou cerca de ano e meio, num espaço e num tempo de pausa e de meditação na sua vida. “Lisboa prestou-se a redefinir caminhos” e é essa mesma Lisboa e esse mesmo período da vida de muitos angolanos que chegaram a fugir da guerra e em busca de paz, que inspiraram a primeira longa-metragem de “Pocas”, a filmar entre o Barreiro e Luanda. POR TERRAS DA LIBERDADE Regressada a casa e passados dois anos, apaixonou-se por um francês. Bateu com a porta, fez as malas, rumou a Paris e por lá ficou 23 anos. “Adorei Paris e os parisienses e foi a primeira vez que estive tão satisfeita no estrangeiro”, afirma “Pocas”. “França é o país da cultura e dos intelectuais. Formei-me a conversar com os franceses”, refere “Pocas”, que acusa um toque de neo-realismo no seu trabalho, mas que pessoalmente abdica de qualquer definição clássica. Depois decidiu frequentar o curso de cinema, aprendeu a língua que não sabia de todo e, o que poderia ter sido uma grande barreira, foi vencida pela motivação e determinação de uma mulher que levou tudo de um fôlego: aprender uma língua, fazer um curso e criar dois filhos, Julian e Luena, hoje com 20 e 17 anos, respectivamente. Quando terminou o curso teve muita sorte, reconhece, pois começou logo a trabalhar e conseguiu levar o estágio todo de seguida. DO OUTRO LADO DO RIO Do Outro Lado do Rio, o nome com que baptizou o filme e que, por circunstâncias históricas, só podia ser o Tejo, é a primeira longa-metragem e o próximo filme que “Pocas” começou a rodar, entre o Barreiro e Luanda. O filme conta as muitas histórias dos muitos angolanos que chegaram na década de 80 a Portugal, ainda adolescentes, com muitos sonhos na bagagem, mas abandonados à sua sorte. Esta mulher angolana empreendedora e gestora da Omboko, empresa de realização e promoção de eventos, guarda na bagagem trabalhos que espelham sempre as suas raízes fincadas na terra dos embondeiros. Apenas a título de referência destacamos o documentário Infância, um filme sobre as memórias e cicatrizes de guerra da infância da sua geração, ou Há Sempre Alguém Que Te Ama, inspirado na carta de uma irmã e onde é descrito o triângulo emocional Paris-Angola-Paris. O que procura a cineasta durante o casting? “Procuro, para além da personagem, a personalidade do próprio actor e as energias que pode libertar, a atmosfera que pode criar”, explica “Pocas”, que usa a intuição para escolher os actores com quem trabalha. Para o filme Do Outro Lado do Rio, que terá distribuição a nível nacional e em Portugal, “a maioria dos actores são angolanos na diáspora e um único português, o José Raposo, eleito o melhor actor de teatro do ano aos 46 anos, e que espero que aceite o papel”, disse a realizadora. ANGOLA DE HOJE “A Angola de hoje está a evoluir muito rapidamente. É incrível a todos os níveis, cultural, social e industrial, mas essa velocidade pode modificar o povo. Frequento todos os meios sociais e os angolanos estão muito optimistas e mesmo os que são pobres ganham esperança com o sucesso dos outros”, comentou “Pocas”. Sobre a mulher angolana, disse que é “uma mulher com uma grande energia, corajosa, criativa e empreendedora”. E que se preparem as futuras candidatas, porque num futuro próximo já baila no pensamento de “Pocas” a ideia para um novo filme sobre “mulheres de acção em Angola”. Graça Afonso N’Dalo Rocha // Marketeer O desafio do marketing http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_29/opais_29_lr_399.jpg O marketing vai muito além da comunicação, lida com factores internos e externos à empresa O que é fazer marketing em Angola? É algo de totalmente novo, mas um desafio incrível por existir um potencial de desenvolvimento enorme. Como reagem as pessoas quando lhes diz o que faz? Ficam curiosas talvez por marketing ser uma palavra muito em voga, ainda que acredito que não compreendam muito bem o conceito. Normalmente as pessoas tendem a associar o marketing à publicidade e acaba por ser um pouco mais complexo. O empresário típico angolano faz marketing? O típico não, nem precisa. Acontece que devido ao momento particular de elevado crescimento económico, muitas vezes a procura é tão superior à oferta que por vezes os artigos já estão vendidos ainda mesmo antes de o barco aportar em Luanda. Contudo, nem sempre será assim. Como se avalia o sucesso de uma campanha de marketing? É muito difícil, pois o sucesso da venda de um produto não depende essencialmente da comunicação. Existem factores internos da própria empresa e externos, que podem arruinar a melhor campanha do mundo. Por exemplo, a recente crise mundial, deixou muitos restaurantes de luxo na bancarrota. O que diferencia o marketing das relações públicas? As relações públicas são uma das 5 ferramentas do marketing. Por isso fazem parte do mesmo bolo. Agora, tudo depende dos objectivos de comunicação que se pretendam atingir e o tipo de comunicação a empreender. Na Média Nova, um grupo de comunicação, o mais importante é servir de janela de marketing para outras empresas ou ter um departamento de marketing para a sua promoção? Acredito que um pouco as duas coisas. Há uma infinidade de tarefas de comunicação interna que são essenciais ao bom funcionamento do grupo, nomeadamente o estacionário, a sua intranet etc. Mas por outro lado, existe a necessidade de posicionar marcas como O País, TV Zimbo e Rádio Mais no mercado angolano, de modo a aumentar o nível de audiências. Como entende que caminha o processo de afirmação das marcas do grupo em que trabalha? É um processo moroso, e apesar de algumas dificuldades iniciais que se verificam no lançamento de novos produtos, penso que o resultado deve ser avaliado positivamente. O que é mais importante para uma empresa, a qualidade do produto ou o marketing que lhe é associado? Não existe marketing para maus produtos. Isso é uma ilusão, pois mais cedo ou mais tarde o próprio cliente acabará por optar por um produto concorrente. No fundo, acaba por ser um equilíbrio entre o produto, o preço e a comunicação que faz o sucesso de vendas. Um mau marketing pode “matar” um produto ou uma marca? Ajuda muito. Principalmente, se transmite uma imagem que possa ser ofensiva para um determinado grupo étnico, religioso ou social. Há a ideia de que algumas marcas tradicionais ligadas a produtos de altíssima qualidade dispensam o marketing, vivem por si, pelo seu nome, ou isso também é marketing? Claro que é. O sentimento de exclusividade aumenta o grau de satisfação de clientes que pagam fortunas para adquirir um bem e, como tal, não gostariam de ver o mesmo produto a ser vendido ao desbarato num mercado de rua. Marcas como a Ferrari seguem esta política. Só vendem os seus automóveis a personalidades que consideram merecedoras. É uma boa técnica de Relações Públicas. Mas é marketing bellow the line. E as pessoas, como artistas e outros criadores, esses também precisam de marketing, como se faz como os produtos de consumo? Repare, existem inúmeros tipos de marketing que se adaptam ao mercado. E quanto mais fragmentado o mercado for, mais especializado deve ser o marketing. Aí, estamos a falar de nichos, mas tudo que envolva comunicação para atingir fins comerciais e de posicionamento da marca é marketing. A quitandeira quando chama os clientes para vender abacaxi, está a fazer o seu marketing, ainda que ela não tenha consciência do que faz. Tem memória de algum trabalho cujo sucesso o marque até hoje? Quando era estudante em Portugal, organizei uma cerimónia de entrega de prémios no Centro Cultural de Belém. Foi há dez anos e foi o início de muita coisa boa que aconteceu na minha vida. Estudou em Portugal, o que lá se entende por marketing é aplicavel em Angola, por via da língua ou mais por via cultural ... ou tem de se adaptar tudo? Claro que tem de se adaptar. O marketing não é uma ciência exacta e é afectado por factores políticos, económicos, sociais e tecnológicos. Daí que se deve ter muito cuidado nas leituras que se faz do mercado angolano. Não é possível fazer copy de uma campanha do Brasil ou de Portugal, sem levar em linha de conta as devidas distâncias. Pode redundar num fracasso. Tem consciência que a sua actividade pode moldar os gostos das pessoas? Claro, esse é o grande desafio de qualquer marketeer. Tentar ganhar quota de mercado, o que nem sempre é fácil. Lembra-se de alguma marca ou produto que tenha efectuado, em Angola, uma campanha notável de marketing? Sim, a Blue, e conquistou muito espaço no mercado dos refrigerantes. Perfil * Nome: N’Dalo Luckeny de Faria e Rocha * Idade: 33 * Local de Nascimento: Luanda * Estado CiviL: Solteiro * Tens Filhos? Espero vir a ter * Gosta de cozinhar? Muito. É terapêutico nos meus momentos de stress. * prato preferido: Bacalhau com natas e moamba feita pela minha mãe * Actor, actriz de que mais gosta: Javier Bardem e Whoopi Goldberg * FiLme da vida: Mystic River * Livro que mais o marcou: A autobiografia de Mandela * O que está a Ler? Um espião perfeito * Autor preferido: Luís Sepúlveda * Cidade Anglana que mais lhe agrada: Lubango * Férias de sonho: Deserto do Namibe * Fora da hora de trabalho gosta de: Andar de bicicleta, mas, como em Luanda é perigoso, prefiro correr. Eleutério Sanches o homem, o artista e a obra http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_48/pais%2048lr_165.jpg Falar de Eleutério Sanches não é fácil. “Grande artista, homem bom, profundamente generoso, solidário e atento ao outro. O lado ético de Eleutério que é também indissociável do seu trabalho como artista”, define o professor e amigo Mário Araújo na apresentação do livro e o disco “Serenata a Luanda II”, há dias em Lisboa. Dedicado à irmã Lilly Tchiunga, “Serenata a Luanda II” é um livro de poemas, ilustrado com os quadros do pintor, poeta, cantor e músico que nasceu em 1935, em Luanda. Além dos poemas, o livro, “muito bem pensado, muito inteligente”, para Ana Maria Mascarenhas, contém pautas das melodias cantadas no CD lançado simultaneamente em Lisboa. O “irmão de infância” que se cruzou com Ana Maria Mascarenhas no caminho da poesia e da composição é “um pintor extraordinário”, afirma a cantora. O jornalista e escritor Gabriel Baguet Júnior, convidado para apresentar a obra, também destacou a extraordinária obra de Eleutério Sanches, enaltecendo as qualidades humanas do “amigo, poeta”. A obra, lançada há uns meses em Angola, precisa de ser promovida, explicou a O PAÍS o artista que gostava de ter um espaço no seu país para transmitir os seus saberes e técnicas às novas gerações. Com a simplicidade e serenidade que o caracterizam explica: “O acto criador é um acto natural, generoso, de amor que pretende agradecer a dádiva que é a vida”, fazendo-nos acreditar que até é simples. O sociólogo e amigo do autor, Mário Araújo, fez uma análise da pintura de Eleutério Sanches, destacando “a permanente insatisfação do artista” que “não se fixa numa fórmula de sucesso comercial”, e o domínio sobre os materiais, formas e saber oficinal. “Ele está constantemente a inventar e a procurar, não se deixando cristalizar no estereótipo de si próprio”, afirmou o admirador de Eleutério Sanches pela “qualidade rara do seu trabalho como pintor, como poeta, músico e cantor”. O ciclo pictórico do Afro-drama que celebra o homem africano é, para Mário Araújo, “especialmente poderoso e merecia um destaque que talvez Angola lhe dê um dia”. Um grande ciclo que poderia ser adquirido na totalidade para um museu”, defendeu. Eleutério Sanches é, segundo o analista, um homem que vive de tal maneira em pensamento para a sua obra, nas diferentes vertentes (pintura, poesia, música, canto) que acaba por não ter tempo e sequer inclinação para divulgar o seu trabalho, como deveria ser. A falta de divulgação faz com que Eleutério Sanches seja pouco conhecido, uma lacuna que, segundo Mário Araújo, é urgente remediar. “A minha esperança é que Angola e Portugal, porque Eleutério é um homem inscrito nos dois países, acordem para a importância deste artista”, reivindica o crítico, considerando que o artista tem um lugar cimeiro no contexto africano. “Um homem que, infelizmente para nós, tem estado à margem das modas, das correntes, dos lobbies”, concluiu Mário Araújo. Perfil Eleutério Sanches nasceu em Luanda em 1935. Em 1962 ingressa na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) e faz a licenciatura em Pintura. Durante 10 anos exerce o cargo de Monitor de Pintura no Departamento de Ergoterapia do Hospital Júlio de Matos em Lisboa. Foi professor de Artes Plásticas – Oficina de Artes no Ensino Secundário Oficial. O nome do pintor é citado na Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura “Verbo”. Participou em muitas exposições individuais e colectivas em várias cidades do mundo e está representado em inúmeras colecções particulares nacionais e internacionais e em museus de Angola, Moçambique, Rio de Janeiro, Jacksonville e em organismos particulares e oficiais, nomeadamente angolanos. Athana October 11th, 2009, 05:35 PM WOW! It's amazing how these people are wonderful! PS. You seem to know alot about Angola, are you from there? Matthias Offodile October 13th, 2009, 09:00 PM Angola´s first highly professional dancing academy with international acclaim http://www.ricmidia.com/img/Ana_Clara.jpg Ana Clara Guerra Marques Bailarina, Coreógrafa, Professora e Investigadora angolana Ela é a maior referência da dança angolana. Fez de tudo nesta expressão artística. Um trajecto difícil que lhe dá hoje o reconhecimento de ser ímpar na cultura do nosso país. Mas ainda está longe do fim da caminhada… Ana Clara Guerra Marques está a reactivar a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, fundada por si em 1991, presente na Expo 92, em Sevilha, e que estava “adormecida”. “Na verdade não era uma coisa que passasse pela minha cabeça naquela altura. Estava a fazer outras coisas dentro da minha ligação profissional ao Ministério da Cultura, sendo que no mundo da dança já tinha feito tudo. Ou pensava isso. Fui desafiada pelo Mário Tendinha para o projecto artístico Oratura dos Ogros ao Fantástico, que incluía a dança e, em poucos segundos, tudo mudou. Não foi preciso dizer mais nada. Comecei à procura de pessoas para trabalhar e depois da exposição, decidi que estava na altura de reactivar a CDCA. Dando seguimento ao trabalho que tínhamos feito para a exposição do Mário Tendinha”, explica a bailarina e coreógrafa. Tal como em muitas outras coisas que fez na sua vida, segue o seu instinto e a sua vontade. Ela é assim, decidida e convicta. “O grupo que estou a trabalhar resulta de rapazes que vieram de diversos lados. Uns do IACA, outros que me apresentaram, ainda outros que conhecia e que tinham muita vontade de dançar. Não tinham formação em dança clássica, mas uma enorme vontade de aprender. E na verdade, quando queremos somos invencíveis. Digo sempre isto ao meu grupo”, explica com uma postura clara, acrescentando, “A dança tem que ser abordada com rigor profissional. É necessário ter disponibilidade para trabalhar muito, repetir gestos até se atingir a perfeição. Tem que ser abordada de uma forma séria. Isso de que nascemos com o talento cá dentro e depois é só deixar sair, não é verdade. É necessária muita transpiração para que as coisas resultem”, diz convicta Ana Clara Guerra Marques. As palavras saem-lhe com naturalidade. Fala do que conhece. Atrás da sua postura estão muitos anos de ensaios. Muitos espectáculos feitos, por vezes com condições mínimas, onde era necessário para além do talento, vontade e discernimento para arranjar as soluções que permitiam as apresentações públicas. “Repito aos meus bailarinos que eles não são uns quaisquer. Não para que se tornem vaidosos, mas para que tenham uma postura profissional. Isso tem a ver com os horários, com a forma com estão em cada ensaio, pelo interesse que mostram na compreensão deste ou daquele gesto. Têm que perceber o que estão a fazer. Não quero “fabricar bailarinos-máquina”. Têm que gostar do que fazem”. Trabalho e Vontade Quando fala, Ana Clara Guerra Marques segue o ritmo das palavras com os braços. Os gestos reforçam as ideias que transmite com clareza e transparência. Ao fundo, os olhos confirmam a convicção do seu discurso. “No Dia Internacional da Dança juntei aqui em casa o meu grupo e estivemos a ver algumas imagens em DVD. Quando olhamos para os melhores bailarinos clássicos, para a facilidade com que se movem no palco, para aqueles grandes saltos que conseguem fazer, eu explico que atrás de cada daqueles gestos, estão muitos anos de trabalho. Possivelmente eles nunca vão conseguir fazer aquilo porque lhes falta formação de base. Mas atrás da técnica está a vontade em poder fazer melhor todos os dias. E isso, eles têm. Ao fim de quase um ano de trabalharmos juntos, evoluíram bastante. Dominam o corpo e a tendência será sempre melhorar. Estou muito satisfeita com eles. Por isso, julgo que está a chegar a altura de mostrarmos ao público o que andamos a ensaiar há tantos meses”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_29/guerra_marques_cmoco-9286.jpg A Companhia de Dança Contemporânea de Angola está novamente pronta a sair para a rua. Os espectáculos estão agendados para Setembro, nove espectáculos em três fins de semana, a acontecer no Nacional Cine Teatro. Um momento que servirá também de exame para a “artista”, tendo em cima de si as luzes daqueles que gostam do seu trabalho, mas também dos que nunca facilitaram a sua carreira. “Na verdade não me preocupa muito o que as pessoas pensam. A arte é assim. Nós fazemos as nossas opções estéticas de acordo com o que sentimos. O importante é que eu goste do espectáculo. Muitas vezes as obras de arte não são apreciadas no seu tempo e no seu local. Só mais tarde e mais longe. O contrário também é verdade. Grandes sucessos momentâneos, que desaparecem rapidamente. Mas essa não é a minha preocupação. Também sei que tudo o que é novo, choca as pessoas. Mas sei que vai ser um bom espectáculo”, confirma com convicção. Quando avança para um espectáculo, Ana Clara Guerra Marques sabe que nada será simples. Para além de coreógrafa, tem que vestir a pele de técnica de som, de responsável das luzes, de responsável pela sala, de criadora dos cenários, etc., etc., etc. “Sei que de acordo com as condições do país, temos que ser muito mais versáteis se queremos montar um espectáculo. Não podemos assumir uma função apenas e esperar que tudo se resolva. Faltam bons técnicos em cada uma das vertentes, mas isso não acontece apenas no mndo do espectáculo. É resultado do trajecto do nosso país, que teve outras preocupações durante muitos anos, sendo que só agora começa a estabilizar. Estamos a evoluir e a avançar em todas as áreas. Por isso não tenho nenhum problema quando me falam de todas as actividades que temos de desenvolver até chegar à construção final do espectáculo. A nossa história explica-nos isso e preparou- -nos para esses desafios”. A Escrita DE LIVROS Ana Clara Guerra Marques já lançou três livros – A Alquimia da Dança (1999), A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (2003) e, no final do ano passado, Para uma História da Dança em Angola – Entre a Escola e a Companhia – Um Percurso Pedagógico. Mas não está a nascer uma nova escritora angolana. “Gosto de escrever, sinto-me bem a produzir textos, nomeadamente para o meu blog. Existem alguns que acham que escrevo bem, o que me faz ficar satisfeita. Penso também que tenho algum domínio das palavras e que consigo transmitir aquilo que quero dizer”, diz, esclarecendo em seguida, “Agora, não me imagino a escrever um livro de ficção. Acho que nunca o farei. Os livros que escrevi têm a ver com a minha actividade e resultam da minha actividade pedagógica nesta área. Este último é tese do meu mestrado, que achei que não devia ficar na gaveta e que o devia publicar. Parece-me um documento importante para perceber uma parte da história do nosso país, neste caso a dança. Os outros também têm a ver com os trabalhos que desenvolvi durante a minha formação”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_29/guerra_marques_cmoco-9253.jpg Os desafios da Companhia O projecto da Companhia não se esgota numa temporada. O trabalho desenvolvido obedece a uma lógica que pretende manter uma ligação com a comunidade por mais tempo. Ou até mesmo projectar-se para uma carreira internacional. “Preferia mil vezes ter condições para percorrer o país. Visitar as províncias e mostrar o trabalho da companhia cá dentro, do que ter de andar por outros países. Não existem espectáculos de dança em Angola e esta pode ser uma boa oportunidade para aproximar as pessoas a esta forma de arte. Sei que existe interesse nisto em outras cidades e, na verdade, gostava de poder fazer este trabalho. Mesmo sabendo que ainda existem algumas dificuldades ao nível das infra-estruturas no interior do país. Gostava também que a companhia pudesse fazer um trabalho junto das comunidades. Dar oportunidade às pessoas, que normalmente têm vidas muito difíceis, de dançar. Os nossos cidadãos foram massacrados pelos anos de guerra, muitos perderam tudo, e penso que a nossa companhia podia levar alguma alegria a estas pessoas. Precisam de outras actividades para se realizarem. Esta interacção é um projecto que gostava muito de concretizar”, explica, acrescentando, “Claro que também tenho outras ideias do que pode ser o futuro da Companhia. Nomeadamente ter uma escola de artes, onde se pudesse ensinar também a dança, entre outras coisas. Certamente que esta companhia não se vai esgotar nos espectáculos de Setembro”, afirma. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_29/guerra_marques_cmoco-9228.jpg Fazer acontecer é uma característica da bailarina e coreógrafa. Não se senta à beira da estrada quando percebe que não sabe a sua direcção. Pelo contrário, arranja condições para caminhar. Sabe que outros poderão aparecer para a ajudar nesta “cruzada”. Mas é necessário arrancar. “Nesta altura sou eu que suporto as despesas da companhia. Vou ficar pobre dentro de pouco tempo”, diz-nos com um sorriso. “Neste momento não tenho apoios financeiros, apesar de ter falado com duas ou três empresas. Mas já existem algumas que me estão ajudar com aquilo que podem, e que são muito importantes para a concretização do espectáculo. Hoje alguns acreditam em nós. Futuramente serão muitos mais”, refere ainda, não deixando de lembrar: “Sempre foi assim. A dança não é uma arte fácil. No passado tive que incomodar as pessoas para que me ajudassem a realizar os espectáculos que fiz. Agora voltei a incomodar. E tenho sido bem recebida”. Não queria ser bailarina Começou a dançar aos seis anos de idade. Em 1970. A vida de Ana Clara Guerra Marques veio depois a misturar-se com a vida do país. Foi “apanhada” com apenas 10 anos a meio de um processo de descolonização que iria levar à independência de Angola. “Na verdade não queria ser bailarina. Quando me perguntava em criança o que queria ser quando fosse grande, esta actividade não entrava nas minhas preferências. Mas acaba por ser a própria evolução do país, acabado de sair de um processo de independência, com poucos quadros disponíveis, muita gente tinha ido embora, que acabei por fazer da dança a minha vida”, diz lembrando o que se passou, “A escola de dança na altura ficou sem ninguém. As outras duas colegas, que como eu, estavam lá desde a fundação e possuíam formação de instrução, acabaram por ir para Portugal. Tinha 15 anos quando então responsável máximo da cultura, o poeta António Jacinto, me desafiou a ser directora da única Escola de Dança que havia em Angola. Vivia-se um período revolucionário, onde todos achavam que deviam contribuir para a construção do país. Foi com essa vontade que aceitei”, recorda. O destino estava traçado. Embora naquela altura não fosse uma “escolha pensada”, agarra o projecto com a vontade de quem acreditava que estava a contribuir para o seu país de sempre, Angola. “Com todos os condicionalismos que havia na altura, acabei também por chegar muito cedo à faculdade. Aos 16 anos entrei em Biologia e mais tarde fui para Economia. Mas na verdade não era uma boa aluna. O que gostava mesmo era de ter seguido um curso de Letras. Também quando comecei a dar aulas de dança percebi que não ia libertar-me tão cedo. A partir de uma certa altura, a minha militância naquele projecto da Escola de Dança fez-me perceber que tinha de ir à procura da excelência. Por isso frequentei alguns cursos para melhorar a minha prestação profissional. Entretanto acabei por deixar a faculdade e agarrei esta carreira de uma forma definitiva. Mas repito, em miúda não queria ser bailarina. Queria fazer outras coisas”, sublinha. Os desafios foram aumentando. Na altura era muito difícil ensinar dança clássica e dança moderna, num ambiente em que a maioria das pessoas achava que isso era um “resquício” colonial e que se devia centrar apenas na dança tradicional. É o espírito de conquista que a faz ultrapassar os obstáculos que lhe cruzam, definindo a sua vida futura. E também a sua personalidade. “Na verdade tive vários problemas. Temos que analisar isto ao tempo e ao momento porque passava Angola. Mas que fazer? Eu tinha esta nacionalidade e, por isso, só me restava lutar dentro daquilo que acreditava. Certamente que para a classe dirigente uma escola de dança não era uma prioridade. No início dos anos oitenta quando apresentámos os primeiros espectáculos, sofremos várias críticas. Feitas nesse sentido de a dança clássica e moderna não serem compatíveis com o nacionalismo que se vivia na altura. Mas sempre pensei o contrário. E apesar de tudo conseguimos apresentar espectáculos e mostrar que a Escola de Dança de Luanda existia e trabalhava. Devo dizer que sempre tivemos o apoio dos media e os meios necessários para divulgar o que íamos fazendo”, explica Ana Clara Guerra Marques. Companhia de Dança A par da sua actividade de docente e coreógrafa, aposta na formação. No final de 1987 vai para Portugal, para a Escola Superior de Dança de Lisboa, tendo concluído o seu curso em 1990. Quando volta funda a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, no ano seguinte, a primeira companhia profissional em Angola e uma das primeiras em África. “Pode dizer-se que havia uma maior abertura face à dança. Foi um projecto muito interessante, que acabou por reconhecido quando o governo nos escolheu para representar o país na Expo 92 em Sevilha”, acrescenta. Todo o trabalho da Companhia baseou-se numa diversificação das linguagens da dança, assente num trabalho pessoal de investigação das danças tradicionais e populares de algumas regiões do país, trazendo uma nova expressão para a dança angolana. Os espectáculos coreografados por si traziam também uma forte crítica social . Pelo menos, era assim que a maioria das pessoas os via. “A preocupação estética não é contrária à política. Quando se produz algo, tem que estar de acordo com o que sentimos em cada momento. Dentro de cada espectáculo existe a possibilidade de ter uma forma mais ou menos agressiva de retratar o que está à nossa volta. De chamar à atenção para o que está mal e é necessário mudar. É assim em todas as formas de arte. Todos os artistas querem influenciar o mundo. Por isso se fala em crítica social. Essa também foi a minha opção”. Curiosamente, ao longo do trajecto, sempre teve uma maior aceitação por parte dos intelectuais, começando a trabalhar com muitos deles (Manuel Rui, Pepetela, F.Ninji, António Ole) desde muito cedo. “Nasci nesse meio. Muitos das principais referências da literatura angolana eram amigos dos meus pais e frequentavam a nossa casa. Por outro lado são pessoas que têm maior sensibilidade para todas as expressões artísticas. Habituaram-se a ver-me dançar desde pequena. Sempre me acharam graça. Era como uma mascote. Por isso é mais fácil ter uma boa relação com todos”, explica. Cultura Cokwe Ao longo dos anos foi participando em inúmeros estágios e formações, um pouco por todo o mundo. O reconhecimento do seu trajecto aconteceu com naturalidade. Em 1995 foi-lhe atribuído o prémio “Identidade” pela UNAC e em 2006 são-lhe atribuídos o Diploma de Honra do Ministério da Cultura e o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2006. É membro individual do Conselho Internacional de Dança (CID) da Unesco e do Conselho Científico do Ministério da Cultura. É também a única investigadora sobre danças de máscaras do povo Cokwe. “As máscaras sempre tiveram um enorme fascínio sobre mim. Lembro-me de um espectáculo, nos anos 77/78, em que participavam bailairinos Cokwe que tinham vindo das Lundas. Habituados a dançar sobre um chão de terra e em círculo, estavam sobre um estrado de madeira e em fila. Completamente fora do meio e sem saber como se posicionarem. Reparei que uma das máscaras estava perdida no palco e o meu impulso foi ir ao seu encontro e encaminhá-lo. Claro que me agarraram logo. As mulheres não podem tocar nas máscaras. Aquilo aumentou o meu fascínio e desejo de um dia dançar dentro de uma máscara”, explica com um brilho nos olhos, “A cultura Cokwe tornou-se uma obsessão. Ao longo da minha vida estudei e investiguei tudo o que pode sobre esta cultura. E consegui dançar dentro de uma máscara”. Ana Clara Guerra Marques é a maior referência da dança angolana. Fez de tudo nesta actividade. Aprendeu, dançou, ensinou, coreografou e investigou. Quando a desafiamos a falar do que será o seu futuro, não hesita: “Por tudo o que vivi, entendi que não podemos planificar. As coisas acontecem e nós temos que estar preparados. Viver um dia de cada vez porque foi assim que cresci, quando todos os dias aconteciam coisas novas em Angola. Claro que fazemos planos, mas eles não se cumprem”, conclui, divertida. A Dança Contemporânea Quando se olha para a dança de uma forma global, existe a tentação de separá-la em três vertentes – tradicional, clássica e moderna. Tudo o resto atira-se para o “ficheiro” da contemporânea. “Existe essa tendência de considerar como dança contemporânea todas as danças que não obedecem aos parâmetros de outras definições. Mas é muito mais do que isso. Tem as suas técnicas, a sua estética, que é necessário perceber para que não se pense que qualquer “porcaria” é dança contemporânea. Esse é o trabalho que tenho que fazer todos os dias. Que passa por explicar bem aos bailarinos os movimentos e a estética, para que eles entendam o conceito e o possam passar depois ao público em geral. Não se pense que um grupo a dançar qualquer coisa, infelizmente acontece muitas vezes, se possa intitular de dança contemporânea. Existem padrões que se têm de respeitar”, explica. Os gestos, os movimentos, a estética e o conceito suportam a definição. Embora não existam restrições tão apertadas como acontece na dança clássica, por exemplo, uma vez que a dança contemporânea combina diversas influências e está mais aberta à mistura de culturas, não é definitivamente tudo aquilo que não cabe em outras zonas. “Esse é um trabalho importante da companhia. Sensibilizar as pessoas para este conceito. Estender os seus conhecimentos a uma forma de arte que como já disse, não é tão divulgada nem tão percebida como outras”. “QUANDO QUEREMOS SOMOS INVENCÍVEIS. DIGO SEMPRE ISTO AO MEU GRUPO”. a dança tem que ser abordada com rigor profi ssional. É necessário ter disponibilidade para trabalhar muito, repetir gestos até se atingir a perfeição. João Armando CDC TEMPORADA — 2009 Na temporada de 2009, o público voltará a surpreender-se, desta vez com o espectáculo Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos, onde a oratura angolana, as máscaras e os rituais de iniciação são matéria para a actualização da tradição enquanto suporte inevitavelmente contemporâneo em todas as transições. As emoções e os conflitos – onde corpos simples e corpos complexos, metamorfoses e mutações decorrem de provações que é preciso vencer para sermos aceites como novos, puros, mas diferentes – voltam a ser tema da Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Apresentando um outro prisma do trabalho de campo, a CDC propõe um investimento diferente para o produto da investigação e uma leitura do texto científico em formato não convencional. O novo espectáculo da CDC dá a descobrir outras “máscaras” físicas, sociais e outros rituais: os mais ou menos, ou aqueles que se alicerçam num contexto actual e urbano; os ‘mais ou menos’ são ainda aqueles que nos iniciam no plano das emoções e dos sentimentos onde, em cada dia se visitam novos desconhecidos e se inauguram novas sombras. O espectáculo, com coreografia e direcção artística de Ana Clara Guerra Marques, música de Victor Gama, percussão ao vivo de Abraão Kumba, figurinos de Nuno Guimarães e imagem e edição multimédia de João Paulo Costa, terá lugar no mês de Setembro, no Teatro Nacional (Chá de Caxinde), em Luanda, nos dias 18, 19, 24, 25 e 26 às 20.00 horas e nos dias 20 e 27 às 17.00 horas. ANA CLARA DE REGRESSO AOS PALCOS - 2008 Enquanto prepara a reabertura da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, a coreógrafa e investigadora angolana Ana Clara Guerra Marques , está a trabalhar num projecto multidisciplinar que se realizará na cidade do Namibe, entre os dias 1 e 5 de Agosto e também entre os dias 19 a 28 de Setembro em Luanda. O evento inaugurado na terra natal do artista plástico Mário Tendinha foi projectado para ter lugar em espaço amplo (Horto municipal no Namibe e Museu de História Natural em Luanda) contará com uma performance coreográfica, de Ana Clara que envolverá 7 bailarinos e 4 músicos percussionistas com música de Victor Gama . Em duas telas serão projectadas fotografias José Pinto (Tonspi). O desenho e a criação dos figurinos são da autoria de Nuno Guimarães . Esta articulação das várias áreas artísticas estender-se-á a uma interacção com o público, de forma dinâmica e surpreendente, transportando-os até ao mundo dos Ogros e do Fantástico imaginado pelo pintor, a partir da oratura popular. spacer Ana Clara Guerra Marques que dirigiu a Escola de Dança do Ministério da Cultura desde o ano de 1978, fundou em 1991 a primeira companhia de dança profissional de Angola – a Companhia de Dança Contemporânea (CDC) – com a qual introduziu a dança contemporânea no nosso país, o que lhe tem valido a justa designação de pioneira da dança contemporânea angolana. Foi com a CDC que se divulgou este novo género da dança angolana no mundo, através de diversas peças assinadas pela autora e bem conhecidas do público angolano, tais como «Agora não dá! Tou a bumbar!...», «Palmas, por favor!», «Imagem e Movimento», «A propósito de Lweji», «Mea Culpa», «Uma frase qualquer e outras... frases», «Os quadros do verso vetusto», entre muitas outras. Possuidora de um vasto currículo profissional, Ana Clara, Mestre em Performance Artística – Dança, prepara actualmente o seu doutoramento nesta mesma área e há anos que se vem dedicando à investigação na área das danças patrimoniais angolanas. Quadro superior do Ministério da Cultura de Angola, presentemente a trabalhar na reforma do ensino artístico em Angola, é ainda membro individual do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, tendo ganho o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2006. Matthias Offodile October 28th, 2009, 11:02 AM lídio Daio // Arquitecto Mudar a vida através do desenho http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_48/pais%2048lr_95.jpg A escolha do curso de arquitectura foi casual ou a concretização de um sonho? Foi a concretização de um sonho, porque sempre tive queda para o desenho e a geometria. Fiz a primeira maquete com nove anos, da Escola Pioneiro Zeca, na quarta classe. Sempre achei fascinante a capacidade de se poder mudar o território através do desenho, almejando a qualidade de vida das pessoas. Em que área da arquitectura está a trabalhar neste momento? Depois de especializar-me em habitações de baixo custo em Espanha, encontro-me neste momento a reunir informação para o mestrado sobre Arquitectura Tradicional na África Bantu para me candidatar a uma prestigiada Universidade Africana. O que é ser um especialista em habitações de baixa renda e qual é o contributo que pode dar no processo de reconstrução nacional? Como arquitecto, ser especialista em habitações de baixa renda é estar munido de conhecimentos técnicos e teóricos de como se pode projectar e construir uma moradia condigna a custos controlados, de uma forma evolutiva em função dos recursos financeiros das pessoas sem as hipotecar. O meu contributo no processo de reconstrução nacional é partilhar conhecimento com as instituições afins (GPL e Ministério do Urbanismo), palestrando em universidades e workshops, leccionando e produzindo artigos de conteúdo técnico de carácter pedagógico/construtivo. Acredita que os projectos urbanísticos em implementação no país atendem aos aspectos da cultura angolana? Os projectos urbanísticos em implementação no país ainda não atendem aos aspectos da cultura angolana. Dever-se-á aprofundar os estudos antropo-sociológicos para, de uma forma prospectiva, planearmos as nossas cidades, sem descurar os esforços que o Governo está a envidar neste processo de urbanização, incentivando a maior participação de técnicos angolanos. Do ponto de vista urbanístico, como seria a casa ideal para o cidadão angolano, independentemente da sua condição social? Independentemente da condição social, a casa ideal deverá atender ao trinómio ambiente, sócio-cultural, económico, isto é, que se adeqúe às condições climatéricas nas latitudes tropicais (ventilação cruzada e controle da insolação directa), respeitando os hábitos e costumes ( a cozinha integrada com o quintal, varanda ou pátio, como espaços de confraternização) e de custos controlados, com construção evolutiva. Concorda com a proliferação de condomínios no país, com particular realce para as províncias de Luanda, Benguela e Cabinda? A proliferação de condomínios reflecte o emergir de uma dinâmica sócio-económica que aconteceu noutros países em era pós-conflito. Cabe às Administrações Municipais regular a sua urbanização, indo de encontro às leis e normas vigentes. Concordo com condomínios na sua vertente organizativa e administrativa na gestão de um espaço, prédio ou urbanização.Não concordo quando promove exclusão social dos munícipes. Já se pode definir um perfil urbanístico tipo para a realidade angolana? Na diversidade etno-cultural e climática que o nosso país tem, não écorrecto pensar-se num único perfil urbanístico tipo genericamente para o país. Mas como metodologia dever-se-á dar particular importância à herança tradicional dos aglomerados rurais típicos na definição dos loteamentos, atendendo as idiossincrasias locais, definindo tipologias urbanas cujo no seu traçado encontrar-se-á muitos denominadores comuns pelo país. As infra-estruturas (água, saneamento e energia) que à partida seriam semelhantes em todo país, poderão diferir em função das condições geológicas, pluviométricas e económicas. Como acha que podem ser resolvidos os problemas de bairros periféricos existentes em Luanda e no país, como o Cazenga e Sambizanga? Estes bairros periféricos e sub-urbanos deverão ser inseridos no tecido urbano já consolidado na reabilitação das infraestruturas, usando como metodologia a criação de células urbanas (habitação e serviços) no interior destes bairros em zonas estratégicas para que de forma paulatina se revirta o cenário. Sabemos que está directamente ligado à construção de uma universidade que se diz pertencer à Sonangol, um dos mais poderosos grupos angolanos.Sente-se orgulhoso por isso? Não sei se é da Sonangol, mas pela sua dimensão e envergadura sinto-me realmente orgulhoso, sendo um jovem técnico angolano a liderar a equipa de Fiscalização e Consultoria deste projecto cuja empresa é Sigmagroup. Quais são os próximos desafios, sobretudo nesta fase em que se fala de reconstrução nacional? Os próximos desafios serão reforçar o meu contributo no processo de autoconstrução dirigida, formar e instruir técnicos das Administrações Municipais em matérias relacionadas com a habitação e construção de custos controlados, e adquirir uma bolsa de estudos para a investigação na área da arquitectura tradicional. PERFIL Nome: Ilídio Salvaterra da Costa Daio Filiação: Francisco Daio e Maria da Conceição Daio Data De NasCimeNto: 10 de Novembro de 1974 Estado Civil: Solteiro Filhos: Nenhum Música Preferida: Be careful of my heart, de Tracy Chapman Comida: Moamba de galinha e funge Hobby: cinema, leitura e xadrez Livros: A Arte da guerra de Sun Tsu, a Dienética Ciência da Mente e Sagrada Geometria de Robert Lawler Filme: Distrito 9 O Disk Jockey das Relações Públicas http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_50/pais%2050_lr_89.jpg Apareceu como DJ no programa JoveMania da TPA, mas ganha a vida como Relações Públicas e Promotor de eventos As pessoas conheceram-te através do Programa JoveMania, da TPA, onde aparecias como Dj. O que é que fazes hoje concretamente? Depois de ter terminado o meu curso de comunicação, nas especialidades de Publicidade e Marketing pela UPRA – ex-ISPRA, decidi trabalhar no ramo. Estou a trabalhar para a Direcção de Informação, Publicidade e Marketing do COCAN, na coordenação de Eventos e Protocolo. Tenho feito também alguns eventos pessoais, como espectáculos musicais. Em Novembro, por exemplo, vou realizar um espectáculo com um dos maiores músicos da Worl Music e jazz de momento, que é o camaronês Richard Bona. Acha que a profissão de Relações Públicas já compensa e tem mercado no país? Não tanto como queria, mas já começa a ter algum mercado. O que é que um Relações Públicas faz concretamente? É o responsável pela comunicação integrada da organização, pela sua comunicação com os mais diversos públicos, interno, externo, sectorial e público e pela comunicação institucional. Para ser mais específico, é a pessoa que trabalha com a assessoria de imprensa e também com organização de eventos. Não tem sido deturpado o conceito de Relações Públicas no país? Sim. Durante muitos anos em Angola, essa profissão era e ainda é confundida com a de estafeta e tratar documentos de uma empresa ou de pessoas particulares. Os empresários angolanos já valorizam o papel das Relações Públicas ou desconhecem completamente o exercício desta actividade? Algumas empresas, ou melhor dizendo as empresas com parcerias estrangeiras é que têm já noção do valor de um especialista deste ramo. O resto desconhece e confunde a função. Sentiu-se, de alguma forma, atingido com as afirmações do Jornal de Angola desqualificando o pessoal formado na Universidade Privada de Angola? Não, de forma alguma. Aliás, mais do que as palavras são os actos (factos). É só ver a quantidade e a qualidade dos profissionais de comunicação no mercado, formados pela Universidade Privada de Angola (UPRA) nos órgãos de comunicação local. O DJ que vivia em si desapareceu completamente ou ainda há tempo nas horas vagas? Ele continua a viver em mim. Mato as minhas saudades nas horas vagas em casa ou em casa de amigos. Estudaste jornalismo, já foste DJ e fazes Relações Públicas. Em qual das actividades se vê melhor no futuro, até mesmo por questões monetárias? Hoje, para mim, é sem dúvidas a de Relações Publicas, porque é o que faço. E mais do que ganhar dinheiro, dá-me muito prazer. Mas garanto-vos que hoje existem Dj´s e jornalistas que ganham muito mais do que eu por mês. Como é que encara a vida fora dos écrans? Os cidadãos ainda o reconhecem ou passam despercebido? A vida fora dos ecrãs é tranquila, embora às vezes sinta saudades da televisão. Se calhar regresso no próximo ano, porque até ainda tenho contrato. As pessoas ainda me reconhecem, o que é impressionante. Estou fora da TV há um ano e as pessoas não me esquecem. Sente que o CAN 2010 está a ser bem promovido? Os angolanos sabem o que é o COCAN? Na medida do possível, o CAN está a ser promovido, e cada dia que passa os angolanos vão sabendo sobre o CAN 2010, mas essa acção dever ser feita por todos os angolanos. Não só pelo COCAN. O que acha que deve ser feito para se promover ainda mais o CAN 2010? Acho que todos os angolanos têm que vestir essa camisola e cada um fazer a sua parte. Como se aprende em comunicação, há várias formas de promover e uma delas é com as relações interpessoais: a famosa boca a boca. Perfil * Nome: Álvaro F. Elides Fernandes * FILIAÇÃo: José Manuel Fernandes e Maria Helena António Lourenço * Data De Nascimento: 23 de Dezembro de 1977 * Estado Civil: Casado (com a Missanga) * Filhos: Um (Andrey Gouveia Fernandes) * Música preferida: World Music ( Kizomba, semba, kuduro, bossa nova, jazz, rap, kwassa, fank, etc…), desde que seja bem cantada e bem tocada * Sabe cozinhar: Safo-me na cozinha, nem adianta dizer o que posso fazer, (risos) * Comida Preferida: De tudo um pouco… * Hbby: Fazer rádio. Tenho um espaço na LAC aos sábados das 20h às 22h, onde sou o realizador * Livros: De tudo um pouco, mas tenho lido mais livros técnicos sobre comunicação * FILme: Com a globalização, hoje não consigo ter um filme predilecto * Sonho: Realizar os meus sonhos Courtesy of opais Matthias Offodile October 28th, 2009, 11:35 AM Artista do futuro Daniela Ribeiro: Artista Plástica http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/daniela_ribeiro175.jpg No estaleiro do seu atelier, a artista Daniela Ribeiro prefere ser fotografada sob o fundo da sua “mumuíla”, uma máscara futurista e imponente, de cabelo e acessórios que decoram o pescoço e colo feitos de telemóveis fragmentados, desperdícios da abundância tecnológica que vira símbolo da ciência e da inteligência artificial: mais de 20 obras espectaculares de máscaras africanas, num colorido exótico e extra-terrestre, estão prontas para uma exposição em Novembro em Luanda, apoiada pela Fundação Sindika Dokolo. Vêem-se no chão múltiplas caixas contendo milhares de peças de telemóveis, um patrocínio da PT/TMN, com que a artista plástica, nascida em Moçambique mas com alma angolana constrói, singulares peças de arte que medem entre 1,50 a 1,9 metros, com chips, ecrãs, teclas, fios. Desta forma, cidades, objectos, pessoas, símbolos ganham expressão do desperdício da comunicação tecnológica e expõem-se aos nossos olhos, como se fossem de outro planeta. surrealismo científico Daniela Ribeiro admite que esta sua arte lhe advém do conhecimento incutido pelo seu pai que vive em Luanda, um homem público que já ocupou cargos governamentais ligados à indústria pesada angolana, e que gostava de mostrar à família os meandros do mundo das máquinas. “Foram tempos de crescimento”, diz a artista que vive em Portugal desde há dez anos e que se recorda das vicissitudes porque passou o processo de soberania angolana. Sobre a originalidade do seu trabalho, Daniela Ribeiro chama-lhe “surrealismo científico” ou seja “trata-se de pegar nas descobertas científicas e de imaginar o futuro”, diz. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_47/daniela_ribeiro170.jpg “A actual geração não está habituada. É a geração seguinte…”, explica. A sua obra é descrita como sendo uma fusão entre a humanidade e a tecnologia. “Olha-me o meu rasta…”, a foto de uma máscara a que deu expressão masculina com o cabelo rasta feito de cabos de telemóvel. A tecnologia possui uma forte influência no trabalho de Daniela Ribeiro. A artista interessa-se por áreas desde a nano tecnologia, passando pela bioquímica à genética, e também as áreas comportamentais, fazendo uma optimização antropológica ou uma reflexão sobre a luta do ser humano contra a sua própria extinção. Apelo à reflexão Inspira-se em artigos científicos e filmes e nota importância de uma inteligência, ainda que seja artificial, acima de tudo e independentemente das formas ou das cores dos seres, que se vão transmutando às realidades ambientais. Hoje é tudo dependente da inteligência artificial. O mundo está no telemóvel. “Hoje é tudo dependente da inteligência artificial. O mundo está no telemóvel, na facilidade de comunicação. Nós ainda não estamos preparados. Por isso este meu trabalho é um apelo à reflexão sobre como se irá gerir este novo enquadramento”, revela- -nos. Daniela Ribeiro cita um episódio por si presenciado para concretizar esta ideia. Em tempos assistiu a uma adolescente numa esquadra de polícia que chorava desalmadamente porque lhe roubaram o telemóvel. “Tinham-lhe roubado o seu mundo de contactos com os outros!”, conclui. Intercâmbio com artistas Daniela Ribeiro, 37 anos, actual presidente da associação de artistas “ARTINPARk” tem o seu atelier e galeria no “Spazio Dual” na Avenida da República, 41 em Lisboa, cedido pelo stand de automóveis “Italian Motor Village”, onde trabalham outros doze artistas. Daniela Ribeiro visita feiras, exposições nacionais e internacionais, lê artigos científicos, está a par dos últimos estudos da NASA e das mais recentes descobertas científicas sobre a humanidade . “Às vezes passo noites em branco, as ideias surgem…e já não consigo dormir…”, confidencia a artista, que com os desperdícios de telemóveis já fez uma exposição de cidades tecnológicas, uma ideia que surgiu quando “decidi virar o telescópio Hubble para a terra e dali , imaginar as cidades na Terra…”, revela a artista. Depois de olhar a Terra, Daniela vira-se agora mais para a observação do Cosmos, após ter criado espaços para exposição de novos artistas. Criatividade em Angola A também autora da vaca mecânica “máquina do Tempo”, no Metropolitano de Lisboa e que integrou a exposição internacional “CowParade”, projecta agora, depois de Angola, um novo palco para os seus trabalhos, Londres, e ainda o intercâmbio da “ArtinPARK” com artistas angolanos, no sentido de troca de ideias e experiências no campo das artes. ”É importante a troca de experiências, métodos, técnicas”, diz a artista que esteve recentemente em Angola para visitar o pai e aqui se encontrou com vários artistas plásticos angolanos, verificando que o país está agora cheio de criatividade. Exposição em Luanda Daniela Ribeiro, 37 anos, é a actual presidente da associação de artistas “ARTINPARk”. A artista tem o seu atelier e galeria no “Spazio Dual” na Avenida da República, 41 em Lisboa, onde trabalham outros doze artistas. Em Novembro próximo virá a Luanda para apresentação de uma exposição ao público angolano, apoiada pela Fundação Sindika Dokolo. Perfil Licenciada em Relações Internacionais, Daniela Ribeiro é apaixonada pela natureza e ciência. Nasceu em Angola em 1972. Frequentou o liceu francês em Angola e nos anos 80 viveu em Paris. Quando regressou a Angola frequentou a Escola Portuguesa. Em 1993 forma-se em Design, Imagem e Criação por Computador, em Portugal, e em 1998 licencia-se em Relações Internacionais, na Universidade Lusíada. Em 2000 frequenta o curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes e em 2006 no Curso da ARCO. Ainda em 2006 especializa-se em Moldes de Resina e Silicone na Escola Pascal Rosier. Estagiou no Centro de Estudos Europeus e passou pelo Ministério da Economia e pelo Gabinete da Presidência da República Portuguesa, num trabalho administrativo que deixou para abraçar o mundo da arte, onde fez vários exposições a título individual e colectivamente. Matthias Offodile October 28th, 2009, 11:38 AM Ery Costa Actor, guionista, poeta, desportista, escritor Uma estrela, cinco princípios http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_38/_pp03535.jpg Artista multifacetado, professor, desportista, Ery Costa é um homem de múltiplos talentos. Apesar de viver em Portugal há 28 anos, o público angolano conhece bem o rosto deste homem à frente de várias campanhas publicitárias no nosso país Cortesia, perseverança, auto-domínio, espírito indomável e integridade são as pontas de uma estrela de cinco princípios que norteiam a vida do actor, guionista, poeta e professor de artes marciais Ery Costa, natural de Benguela e há 28 anos a viver em Portugal. A Torre de Belém, em Lisboa, de onde tantos barcos partiram em busca das riquezas africanas, foi o cenário escolhido para conhecer Ery Costa, um angolano já no trilho dos quarenta. Hoje o ponto de partida e de regresso é o aeroporto da Portela, em Lisboa, de onde os portugueses partem em busca de trabalho e os angolanos para matar saudades e contribuir com saber e experiência para a reconstrução do país novo. Ery Costa é optimista, generoso, amigo do seu amigo e sensível, como é próprio do ser poeta, perfeccionista, trabalhador e muito obcecado pelos seus projectos. Vive hoje muito saudoso do pai. Amanhã do filho. ARRANCADO DA TERRA Sozinho e apenas com 14 anos, Ery saiu de Angola com o coração partido. Estreou a sua primeira noite em Portugal na Amadora mas na seguinte já estava no Seixal, em casa de outros familiares. Por lá ficou, do outro lado do rio Tejo, durante 28 anos, casou e tem um filho. E é lá ainda que muitos jovens angolanos se mantêm pela sua formação, sempre com Angola e a família no coração. Ery Costa pertence a essa geração que veio na adolescência, que da noite para o dia deixou para trás o carinho da família, o calor e o cheiro da terra amada, em troca de paz e de formação. Dos propósitos que tinha, apenas encontrou a paz nesses primeiros tempos. Recorda “a sensação de desamparo de quem deixa para trás 17 irmãos”, hoje são 36, e o primeiro emprego numa loja de decoração, com um ordenado de 7.500 escudos (53 dólares) mensais, em vez do liceu, que estava por terminar. O “SALTO PARA A ESSÊNCIA” Ery Costa deixou a competição desportiva há quatro anos. Durante 17 anos foi o campeão de taekwon-do, pesos pesados, por Portugal. Mas a semente do teatro já estava na sua vida desde a escolinha. A mãe, qual encenadora, já lhe atribuía pequenos papéis, que desempenhava com perfeição. O “salto para a essência” deu-se naturalmente e hoje o teatro, o cinema e a televisão aconteceram na sua vida, embora aconselhe os pretendentes à carreira de actor a manterem formas alternativas de sobrevivência. Que não se iludam os candidatos com as facilidades de concretizar a profissão de actor porque, como esclarece Ery Costa, “todos trabalhamos noutros empregos e acabamos por fazer sempre papéis estereotipados”. “Porque não posso fazer de advogado ou de engenheiro? Felizmente não me posso queixar muito porque tenho trabalhado regularmente. Tenho tido sorte!”, diz o actor com modéstia. Se não fosse o seu talento, não seria só a sorte a ditar-lhe o destino. Sobretudo o talento de quem considera que a falta de trabalho e o estereótipo de papéis são os principais obstáculos à sua evolução. “Se tivéssemos mais trabalho, podíamos mostrar mais as nossas potencialidades. Há desperdício de talentos”, critica, acrescentando que “o teatro é uma escola muito boa, onde temos a oportunidade de trabalhar de forma diferente todos os dias”. Ery Costa é um actor agenciado da BOX e sobejamente conhecido no panorama artístico português. Com os leitores da revista Vida partilhou a sua emoção relativamente à peça de teatro preferida, Lisboa Invisível, onde só participaram actores africanos e que está em exibição nos teatros São Luís e Meridional, na capital portuguesa. “Foi um trabalho muito bom, porque foi como que exorcizarmos tudo o que nos aconteceu até à data em Portugal. Foi a expressão de sentimentos escondidos, a despedida dos familiares que não se chorava, as mães que ficavam a sorrir e a sofrer e também os laços que se partiam e faziam doer. E esses sentimentos quando beliscados são muito difíceis de suportar”, sintetizou. O texto da peça foi nascendo desses sentimentos escondidos e contidos e da relação que foi nascendo no dia-a-dia entre os actores de vários países africanos. Também uma forma diferente de fazer teatro. Equipa e actores, como um único coração, choraram durante cerca de uma hora para deitar fora esses sentimentos das partidas e das expectativas não cumpridas, que só se cruzam nos olhares e no silêncio das preces das mães que ficaram para trás. TERRA DE CONCRETIZAÇÃO O regresso a casa está prestes a acontecer e com Ery Costa viajam dois livros de poesia, um romance por editar, alguns projectos para a televisão e formação de actores. Apesar do vasto palmarés, o actor não se fica pelo teatro já que a poesia e o guionismo são outras das suas actividades. E tem a curta-metragem de comédia (sitcom) “Os Primos”, já com o programa piloto gravado, a aguardar investidor. Também uma longa-metragem, com o título Guerra em Tempo de Paz, já na fase final e com um argumento assaz interessante, mas ainda no “segredo dos deuses”, ilumina a esperança do autor de vir a ser visionada pelo público angolano, pelo que apela: “Somos actores, somos angolanos. Não se esqueçam de nós. Precisamos de trabalhar”. Setembro é o mês da partida e desta vez quem vai são o pai e a mãe. O filho, de 18 anos, fica para trás. Outra saudade que já começa a doer a estes “pais galinha”, como Ery se define a si e a Mónica, com quem casou há 20 anos. Antes de partir deixa “um abraço enorme” para o pai, por quem tem “o maior respeito e consideração”. “Quero dizer que o amo muito. Todos os dias ligo para Angola… Hoje em dia muito poucos filhos dizem isso aos pais”, comentou Ery Costa, já em jeito de despedida. PERFIL * Nome: Ery Costa * Profissão: Actor, guionista, poeta, escritor * Idade: 44 anos * Natural: Benguela * Signo: Sagitário * Filme: Era uma vez na América * Livro: O Perfume * Peça de teatro: “Lisboa Invisível” * Qualidade: Amizade * Defeito: Teimosia * Detesta: Hipocrisia e mentira * Aprecia: Sinceridade * Desporto: Taekwon-do * Viagem de sonho: Não tem, já viajou pelo mundo todo Matthias Offodile October 30th, 2009, 01:20 PM Arte Hildebrando de Melo concebe desenhos para joalharia em pedras preciosas 27-10-2009 13:11 http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2009/9/44/0,91da9617-a6fa-4b0a-944e-ff1bb272b20a.jpg Artista plástico Luanda – O pintor angolano Hildebrando de Melo vai conceber, ainda este ano, vários desenhos para trabalhos de joalharia em ouro e pedras preciosas de Angola, no quadro de uma parceria com dois joalheiros português, Valentim Quaresma e Paula Guerreiro. Segundo Hildebrando de Melo, que falava hoje à Angop, este labor artístico vai culminar com uma exposição a realizar-se em Angola, no mês de Abril. Esta parceria com joalheiros portugueses, de acordo com o pintor angolano, é fruto da digressão artística feita em Lisboa de 14 a 26 deste mês, na associação de arte Artinpark, em Lisboa, Portugal. “A residência artística feita nesta associação portuguesa foi proveitosa, porque permitiu conceber sete obras de pinturas, bem como trocar impressões com os pintores, joalheiros e designer portugueses. Logo, posso concluir que são estas iniciativas de troca de experiências que nos fazem evoluir em todos os sentidos”, asseverou. Hildebrando de Melo revelou que em Maio de 2010 pretende voltar na Artinpark para a realização de uma mostra individual. De 30 anos e natural do Huambo, Hildebrando de Melo participou em seminários com curadores estrangeiros de países como África do Sul, EUA e Alemanha. É autor de seis exposições individuais e participações em várias amostras colectivas feitas em Angola, Portugal, Brasil e Estados Unidos da América. Vencedor do Prémio Ensarte/2004, na categoria "Juventude", uma promoção da Empresa Nacional de Seguros de Angola (Ensa), é igualmente detentor do concurso "Sona Desenhos na Areia" da empresa norueguesa do ramo dos petróleos, Nosk Hydro. Matthias Offodile October 30th, 2009, 01:23 PM Escritor angolano apresenta romance "Pedaços de Vida" http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2009/9/44/0,c4fc3821-d26c-48c3-8a3d-666f17d85ca5.jpg Escritor angolano Divaldo Martins http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2009/9/44/0,880f7a82-6e43-4530-81d0-d00a2fc3a485.jpg Luanda - A primeira obra literária do escritor angolano Divaldo Martins, intitulada "Pedaço de Vida", foi apresentada nesta quinta-feira, em Luanda, numa sesão em que foram disponibilizados três mil exemplares. Em entrevista à Angop, Divaldo Martins explicou que a obra reflecte a dor, o bem-querer e fundamentalmente a vida íntima de algumas pessoas que por si conhecidas. "Falo sobre a vida de um grupo de pessoas, isto é, a existência de pessoas que, no fundo, se reproduzem nas nossas vidas, pois todos confrontamo-nos com a morte, temos dores, prazeres e amigos. O romance fala de tudo isso, mas centralizando um facto verídico". De acordo com o escrito, todos os cidadãos são num instante de sua existência um pedaço da vida de outras pessoas."Na verdade, não somos mais do que pequenos fragmentos soltos", disse. Segundo Humberta Martins, personagem da história, quando começou a ler o livro, crescia a vontade de virar imediatamente e passar à próxima. Disse ter sido nesse momento que percebeu que o escritor não tinha inventado nada e apenas contava a história da vida. "Por mais que cada um de nós julgue que está a viver a sua vida própria vida, na verdade vive parte da história do mundo, o que causa a integração de uns com os outros", acrescentou. "O que nós fazemos, mesmo sem saber, afecta hoje ou amanhã a vida de outras pessoas. Um gesto de carinho, uma palavra de afecto, todas essas atitudes aparentemente individuais fazem parte do entrosamento do mundo e transformam a dinâmica da vida, da nossa e de outras", sustentou. Divaldo Martins nasceu em Luanda, a 27 de Fevereiro de 1977. É licenciado em Ciências Politicas, pelo Instituto Superior de Ciência Politicas de Segurança Interna, de Portugal. Mestrando em Estratégia, pelo Instituto Superior de Ciência Social e Politica, frequenta o 4º ano de Direito na Universidade Agostinho Neto. Estudou Letras, especialidade de Português, até ao 2º ano, no Instituto Superior de Ciência da Educação de Luanda, e foi jornalista da Agência Angola Press (Angop), tendo assinado textos de opinião nalguns dos principais jornais do país. Matthias Offodile October 31st, 2009, 11:16 PM Gisela Kamia Aleixo, microbiologista No grandioso Micromundo http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_8/pais08_lr-49.jpg O amor à Ciência nascido em criança levou-a a um mundo fascinante. Perfil de uma microbiologista. Quando foi que descobriu a microbiologia? Fui descobrindo. Sempre gostei de biologia e o mundo microscópico fascina-me desde criança. O que é que faz exactamente no dia-a-dia, em termos profissionais? O meu dia-a-dia é dividido entre as aulas de microbiologia e laboratório da Faculdade de Medicina de Luanda, e o laboratório de análises clínicas da Clínica Sagrada Esperança. Num laboratório hospitalar é importante ter um microbiologista? Sem dúvida que sim, uma vez que é o microbiologista, a manusear o produto, desde a sua chegada ao laboratório, conservação, sementeira e o isolamento dos microrganismos. O principal dilema do microbiologista é decidir se o microrganismo isolado no material clínico está envolvido na doença (agente etiológico ou infeccioso), se está apenas a colonizar, se faz parte da microflora normal, ou se se trata de um contaminante. Gisela Kamia Aleixo, microbiologista Que é que a encanta no universo celular, a micro vida? Tudo, o saber, o descobrir, o manusear, o identificar. Os microrganismos são ubíquos no corpo humano. Olhar para uma célula, a forma como vive, é grandioso ou a sensação da insignificância das coisas? E grandioso, visto que, a célula, embora microscópica, é o principio da vida e encerra a chave da forma de todas as coisas. Todos os seres vivos são compostos por um conjunto complexo de células. A evolução e o envelhecimento de todas as formas de vida são um reflexo da capacidade que a célula tem de se regenerar. Outra vertente, não menos importante, é o estudo de doenças. As bactérias são sempre perigosas? Bactérias são considerados seres patogénicos. A microflora normal pode ser definida como a presença de microrganismos que não causam dano ou resposta inflamatória, podendo inclusive ter papel protector. Estes podem causar doença quando ocorre disfunção no local ou quando alcançam outros locais através de procedimentos evasivos. Cultivar bactérias eventualmente perigosas, num hospital, não é um risco? Certamente que não. Um laboratório de microbiologia tem de ter equipamento a altura, e pessoal capaz para poder desempenhar esse tipo de actividade. Quando são manipuladas amostras suspeitas, estas são manuseadas de acordo com as regras universais de segurança. Todas as clínicas e profissionais têm esse cuidado? Poderia formular melhor a sua pergunta. Na clínica onde trabalho e como profissional que sou, um dos requisitos a ter em conta e a qualidades dos serviços e da informação que é fornecida, acima de tudo temos que zelar pelo lado deontologismo da ciência. A célula, embora microscópica, é o principio da vida e encerra a chave da forma de todas as coisas. Todos os seres vivos são compostos por um conjunto complexo de células. Sente que temos técnicos e conhecimento suficiente para enfrentar uma “crise bacteriana” em Angola? Neste momento já vão surgindo alguns técnicos no mercado de trabalho, mas sendo uma área difícil, poucos são os técnicos que se interessam. Por outro lado, ainda não temos, no país, um número suficiente de técnicos superiores de Microbiologia, nem capacidade para enfrentarmos uma crise bacteriana. No entanto, temos bons laboratórios e muito por fazer que, com ajuda externa, com certeza que poderemos fazer face a uma possível epidemia. Exemplo disso foi o caso da febre hemorrágica, que assolou o nosso país em 2005. A clínica em que trabalha está bem equipada? Que aparelhos de ponta tem e para que servem? Sem sombra de dúvida que o laboratório da Clínica Sagrada Esperança, está equipado com aparelhos de ponta, ou seja, de última geração. No sector de microbiologia, onde sou a responsável, temos o VITEK COMPACT, este aparelho permitenos, desde a chegada do produto, sementeira e isolamento, 3 – 5 dias, termos a identificação do microrganismo (espécie), e o TSA (antibiograma), entre 3 a 12 horas. Temos também um Mini API como “ back up”. Temos uma câmara de segurança de fluxo laminar para sementeira dos produtos, e isolamento de culturas. Possui também um BACTAlert, para hemoculturas e micobactérias. Temos dois autoclaves para lavagem de material contaminado, e uma estufa de secagem para o material, neste momento estamos a espera de uma estufa de esterilização. Já no sector de bioquímica, tempos o Olímpicos e o SPIN Lab, e bidestilador de água. No sector de imunologia temos, o Mini VIDAS e o Elecys 2010 para teste imunológicos, Gianth para electroforese das proteínas e hemoglobinas, Iris para o teste respiratório. No sector de hematologia temos, o Sysmex XT2000 para os hemogramas, BioRad para hemoglobinas glicosiladas, aparelho para VS, UF-100 Sysmex para o Tempo e taxa. No sector de citometria de fluxo/ biologia molecular fazemos CD4 e CD8, carga viral e Western Blot. Neste momento a Clínica Sagrada Esperança esta a montar o Banco de Sangue, Espera-se que esteja pronto em breve. Sente-se bem remunerada? A nível nacional, posso considerar que tenho uma remuneração dentro da média. Bem remunerada. O que pode acontecer se uma análise laboratorial for mal feita? Quando isso acontece, o grande prejudicado é o paciente, seguido da instituição em que o erro ocorre, o profissional em causa e a sua equipa de trabalho. Que análises são mais frequentes em Angola? Não posso generalizar para o país inteiro, mas os exames mais pedidos na Clínica Sagrada Esperança são, a gota espessa, hemograma, falciformação, as transaminases, os colesteróis, VDRL, VIDAL, ureia, creatinina, glicemia, marcadores tumorais, marcadores hepáticos, hormonas T3, T4, uroculturas, exsudados vaginais, coproculturas, hemoculturas, urina II, parasitologico de fezes e urina, drogas na urina, pesquisa de BK. Perfil Dinâmica, simpática, amiga dos amigos, mãe apaixonada, 1,56 cm, olhos verdes * Nome: Gisela Kamia Cardoso Aleixo * Idade: 31 * Estado: Solteira * Tem filhos: 1 * Onde se formou: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa * Onde trabalha: Laboratório de Análises Clínicas Clínica Sagrada Esperança e docente estagiária Faculdade de Medicina de Luanda * Onde nasceu: Malange * Prato preferido: Pasta, e comida nacional * Cozinha: Sim, modéstia a parte, muito bem. * Filme da vida: Papillon e Mar adentro * Livro que está a ler: O Monge e o executivo, de James C. Hunter * Escritor preferido: Harold Robins, Paulo Coelho. * Cidade preferida: Paris * Férias de sonho: Paris * Outros interesses: Estar com a família, namorado e amigos, praia, desporto Matthias Offodile November 1st, 2009, 07:30 PM Arquitectura Concurso internacional “Habitação em Luanda” A II Trienal de Arquitectura de Lisboa e a II Trienal de Luanda, vão lançar um concurso Internacional de arquitectura sobre habitação em Luanda “As nossas organizações têm várias coisas em comum. Ambas estão a preparar segundas edições de trienais que começaram ao mesmo tempo. Existe uma empatia natural. Ficámos muito bem impressionados com o trabalho desenvolvido pela Trienal de Luanda, a todos os níveis— organização e programação, qualidade gráfica dos materiais promocionais, envolvência social com os cidadãos e com as escolas, recuperação de edifícios”, diz José Mateus, administrador da sociedade gestora da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que, em breve, será uma Fundação. UM DESAFIO AO MUNDO http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_31/delfim_sato_01.jpg A organização portuguesa propõem-se desenvolver um Concurso Internacional de Projectos Arquitectónicos para a cidade de Luanda. “Escolhemos a habitação como o tema da segunda trienal. Queremos dar uma perspectiva global sobre como se gere este sector. A Norte estabelecemos uma parceria com o Museu de Arquitectura de Basileia. A Sul, foi através do arquitecto angolano Carlos Antunes, que trabalha em Lisboa, que estabelecemos a ligação com a Trienal de Luanda. Ele falou-nos do excelente trabalho que está a ser feito, pelo que decidimos vir a Angola falar com o Fernando Alvim para ver que tipo de parcerias poderíamos estabelecer. A primeira será este concurso internacional”. A ideia é simples. Desafiar os arquitectos de todo o mundo a apresentar um plano de requalificação habitacional para uma zona de Luanda, juntando depois estes projectos para exposição na Trienal de Lisboa, seguindo depois para Luanda, onde poderão ajudar a resolver um dos mais graves problemas da capital. O júri que vai analisar estas propostas será presidido pelo arquitecto Carrilho da Graça. E haverá um arquitecto em Luanda que fará o trabalho de caracterizar o meio, a zona e a cidade para fornecer aos candidatos. Em princípio essa pessoa será a arquitecta Ângela Mingas. Já falámos com ela que se mostrou entusiasmada”, revela. EXPOSIÇÃO NOS DOIS PAÍSES Delfim Sato, o curador da Trienal, acrescenta “Dentro do programa da Trienal de Arquitectura de Lisboa, este concurso terá um destaque especial. Luanda é uma cidade culturalmente muito forte, que foi construída para uma população de 500 mil habitantes, mas hoje tem quase 4,5 milhões de habitantes. Por isso tem enormes desafios pela frente. Penso que o facto de pôr muitos arquitectos, com diversas experiências e diferentes escolas, a pensar sobre isto vai ser extremamente positivo. Os trabalhos estarão expostos no Museu da Electricidade em Belém, vindo depois para a Trienal de Luanda”, explica. Esta iniciativa vai acontecer em Lisboa entre os dias 14 de Outubro e 16 de Janeiro. e terá a habitação como tema central. “A casa é uma componente muito importante da vida das pessoas. É através dela que a arquitectura melhor se funde com as necessidades e expectativas dos cidadãos”, diz Delfim Sato. http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_31/jose_mateus_01.jpg OBRAS DE CARÁCTER SOCIAL Para José Mateus era fundamental que a Trienal também tivesse uma ambição de carácter social. “É importante que a iniciativa crie benefícios para Lisboa. Entre diversos eventos, vamos discutir a melhor forma de requalificar a zona habitacional à volta do aeroporto da Portela. Onde vivem, curiosamente, muitas pessoas de origem africana. É necessário pensar numa solução para aquela área. É nossa obrigação ter soluções de interesse público”, diz. Delfim Sato reforça a ideia, explicando outro concurso que a Trienal vai organizar. “Vamos lançar um concurso dirigido aos estudantes finalistas de 17 universidades, para que apresentem as melhores soluções para uma situação específica. Optámos por um dos bairros mais problemáticos da cintura de Lisboa, onde estão muitos emigrantes — muitos deles, africanos. Trata-se do bairro da Cova da Moura, na Amadora. Vai obrigar a que os jovens arquitectos se interessem por essa realidade, que vão para o local perceber o que se passa, tirando informações precisas sobre as características sociológicas dos seus habitantes — como vivem, como se organizam. E que tenham uma intervenção efectiva no terreno com uma arquitectura sustentada, a nível social e ecológico”. José Mateus acrescenta: “Ao escolhermos a habitação, estamos mais perto das pessoas. Queremos que se troquem experiências na forma de abordar estes problemas entre o Norte e o Sul. Entre Portugal, Brasil e Angola. Onde pode haver benefícios do diálogo e da troca de experiências entre arquitectos com experências diferentes. Isto é muito importante quando se pensa nas melhores soluções para as pessoas. Não existem fórmulas únicas e é a especificidade de cada situação que define o sucesso de cada solução”. Os trunfos DA trienal http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_31/carlos_antunes_01.jpg A Trienal de Arquitectura de Lisboa assenta em três exposições principais, um colóquio internacional e o lançamento de três livros. “A Trienal terá três núcleos. O primeiro funcionará no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém, onde estará uma exposição com o tema Norte/Sul. Arquitectura Convergência em Diálogo. Um pouco mais abaixo, em direcção ao centro de Lisboa, estará o segundo núcleo no Museu da Electricidade, na Central Tejo, onde estarão expostos os trabalhos relativos aos dois concursos referidos – Habitação em Luanda e Requalificação da Cova da Moura. É possível circular a pé entre estes dois espaços, o que tornará mais atractiva a visita à Trienal. Na Cordoaria Nacional, em Belém, funcionará o terceiro núcleo, onde pela primeira vez no mundo será exposta uma colecção impressionante de obras de arte contemporânea de um arquitecto brasileiro. É um conjunto impressionante de objectos ligados à arquitectura que certamente merecerão a atenção do público”, revela Delfim Sato, que acrescenta, “Temos também um grande colóquio com o tema Arquitectura e Democracia, que contará com a presença de vários especialistas internacionais”. O futuro DA PARCERIA Existe ainda a possibilidade da II Trienal de Luanda ter também espaço neste evento. “Estamos a começar as nossas conversas. Por exemplo, a Trienal de Luanda pode ser apresentada em registo audiovisual em Lisboa. Também é possível fazer o mesmo com o nosso projecto. Há o espólio da primeira trienal — quer o nosso, que o de Luanda, que podem estar patentes na outra organização. Só agora estamos a desenvolver a parceria e muita coisa ainda vai acontecer. Esta parceria pode evoluir de muitas formas, estamos em caminhos convergentes. Este é também um caminho de descoberta”, conclui. João Armando Matthias Offodile November 2nd, 2009, 06:59 PM Dina Simão Com estilo Estilista, professora de danças africanas Natural do Dundo, a estilista Dina, que também dá aulas de dança e dirige o grupo Kissonde. Desde pequena que adora estar no meio dos trapos. “Gostaria de um dia vestir a primeira-dama. Porque não? É uma mulher tão elegante!”, confessa http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_32/dina_afonso2.jpg Alta, sensual, desinibida, simpática, esta amazona angolana, que um dia sonhou ser manequim, transformou--se na estilista Dina Simão, também licenciada em Cooperação Internacional e Recursos Humanos e impulsionadora de novos horizontes para os jovens. No seu atelier em Portugal, cheio de enormes novelos de linhas de várias cores e de máquinas de costura, podem ver-se modelos desenhados pela estilista decorando a parede. Dos expositores pendem alguns dos modelos que guarda religiosamente. Natural do Dundo, Dina, que adora estar no meio dos “trapos”, recebe no atelier de Palmela, ou do Estoril, as suas clientes, a quem aconselha e para quem cria, desenha e confecciona modelos únicos. No escritório, onde a parede está pejada de diplomas e estantes de troféus, guarda dossiers e álbuns de fotografia, escrupulosamente organizados. No computador está um currículo pronto a ser impresso. Para além do estilismo, ainda tem tempo e vontade para leccionar aulas de danças africanas e dirigir o grupo “Kissonde”. Os sonhos não morrem Do signo virgem, Dina Simão — para quem a viagem de sonho seria Hong Kong e o maior desejo, ainda por realizar, é a felicidade — chegou em 1992 a Portugal. Tinha 16 anos e sonhava ser modelo. Procurou as melhores escolas de manequins e frequentou vários cursos, que terminou com a melhor nota. De pouco lhe serviu o investimento e o empenho. Os preconceitos que então existiam em Portugal foram o travão do sonho desta menina. Aconselhavam-na a ir para Paris ou para Londres. Mas Dina ficou. Foi trabalhar para a loja de uma grande estilista, em Cascais. “Na altura havia muitos desfiles e eu era utilizada para coreografar, escolher os figurinos e para ficar no camarim. Tinha um curso igual às outras… Aos 16 anos era muito frustrante. Felizmente, hoje é diferente”, confidenciou Dina Simão, uma mulher confiante no futuro. Hoje, acrescenta “ser africano está moda e ser angolano é uma condição de preferência”. O grito do Ipiranga Foi nessa altura que Dina — cujo prato preferido é o “calulu de peixe” — cortou com tudo e tornou-se uma bailarina profissional do popular cantor angolano Bonga. Algo que fez durante 14 anos. Nessa qualidade — e como responsável pelos figurinos dos bailarinos —, Dina correu mundo, fortaleceu a imagem e enriqueceu os seus conhecimentos. Cresceu e tornou-se mulher. Como a sua paixão pela moda nunca foi esquecida, manteve alguns trabalhos relacionados com esse mundo e acabou por frequentar um curso de “Corte e Costura”. Projectos inesperados Interessada pela comunidade e estudiosa, Dina Simão frequentou um curso de “Animação Cultural” e estagiou no Bairro da Bela Vista, considerado um dos mais problemáticos de Setúbal, em Portugal. “Os professores diziam que tínhamos de ir de guarda-costas, mas afinal fomos recebidos com carinho, moamba e kissanguas”, afirmou a estilista. Por sugestão dos jovens de várias origens — angolanos, cabo--verdianos, moçambicanos, timorenses, ciganos, portugueses — e idades entre os 5 e os 30 anos, formaram um grupo de 12 elementos que baptizaram com o nome de “Kissonde” — que designa uma formiguinha muito pequenina e chata, que quando ferra incomoda muito e faz muita comichão. “Assim era também o grupo que não era muito grande, mas incomodava, mexíamos muito com a consciência das pessoas”, explicou Dina Simão, que aglutinou este potencial da lusofonia para actuar na televisão. “Hoje os pais (das crianças) do bairro da Bela Vista dizem ‘obrigado’ à Dina”, lembra a estilista, que se considera uma pioneira nessa forma de motivação das crianças, “poupando-os aos maus caminhos da vida”. Hoje, o grupo aposta na qualidade e no profissionalismo e, para além de exibições a nível nacional, também já é solicitado para trabalhos internacionais. “O segredo é a persistência. Acreditem no vosso potencial e sejam profissionais, porque a qualidade faz a diferença”, aconselha Dina aos mais jovens com ambições no mundo da moda ou da dança. Caminho de vida Aos sete anos já dançava e quando ainda vivia em Angola, Dina Simão fazia parte do Ballet Tradicional “Kilandukilu”, fundado em 1984, no Bairro do Maculusso, em Luanda. Essa experiência deu-lhe o passaporte para trabalhar com Bonga. “A minha mãe, que era enfermeira-parteira no Hospital do Dundo, também trabalhava na máquina de costura até às tantas da noite para nos sustentar”, recorda a estilista para justificar a sua familiaridade com os “trapos”. Como o seu interesse pela moda não esmorecesse e a formação se acumulasse, Dina chegou ao estilismo com o aumento da sua auto-estima e da sua consciência. Na década de 90 do século passado, criou os modelos e escolheu os manequins, com quem se estreou na Discoteca Globo, em Palmela. Em 1998 montou um atelier no Estoril, onde também desenvolve a sua criatividade. Dina Simão tem um vasto currículo. Passou por numerosos programas na televisão portuguesa, participou em vários desfiles e espectáculos. Apenas como nota de destaque, concebeu os trajes tradicionais para o I Concurso de Beleza Miss Angola/Portugal. Recebeu muitos convites de embaixadas e de câmaras municipais. Vestiu artistas como as cabo-verdianas Celina Pereira e Lura, o angolano Paulo Flores, Marisa Feio, Sandra Nobre, Helka, a apresentadora da TPA, e o jornalista Guilherme Galiano. Também trabalhou para o Consulado de Angola e algumas embaixatrizes. Presente no desfile internacional London Fashionweek 2009 e feliz com a aceitação do seu trabalho a nível internacional, Dina Simão interroga-se: “Sendo eu angolana desde sempre e portuguesa há 18 anos, porque é que ainda não me foi dada a oportunidade de participar numa ‘Moda Lisboa’?” “Tentei aos 18 anos, tentei aos 30, vou tentar aos 40 e talvez aos 100 a ‘Moda Lisboa’ reconheça o meu valor e o de outros lusófonos”, ironiza. África é a sua grande fonte de inspiração. A harmonia das cores bebe sedentamente das culturas africanas, utilizando os típicos panos pintados. Tirando partido da textura, afirma a sensualidade e a intelectualidade destinada a mulheres sóbrias e sofisticadas. Atrevida nos conceitos, Dina mistura cores e tecidos diáfanos ao ritmo de clássicos modelos europeus. http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_32/dina_simao3.jpg Futuro e projectos Projectos de curto prazo para Angola? “É já no Verão! Me aguardem!”, afirma Dina, que prefere manter o mistério. Quanto a projectos profissionais a médio prazo, diz: “Gostaria de abrir uma fábrica de confecção em Angola e criar postos de trabalho para as camadas mais desfavorecidas, bem como para a formação das mesmas”. Acrescenta ainda: “temos de dar prioridade ao produto nacional, porque tudo tem de começar por aí. Dar valor ao que é nosso! Somos belos na diferença. Conservar o tradicional, o que é angolano, para depois aceitar o que vem de fora. Aí ficamos muito mais ricos culturalmente, nessa intrusão de ideias”. Margareth do Rosário: Entre o semba e a morna Cantora, Apresentadora do programa revista musical da tpa Bonita e comunicativa, Margareth do Rosário, 29 anos, é cantora há 10. Conversámos com a artista antes de subir ao palco da Casa 70, em Luanda para três grandes shows. Marco António de 2 anos e 9 meses, filho da artista e do marido e produtor Nambi Silva, vigiou de perto a conversa, seguindo atento os movimentos da mãe. http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_49/img_1513.jpg Os espectáculos agendados para os dias 14, 15 e 16 de Outubro servem de promoção ao álbum Em Nova Dimensão lançado no final do ano passado. Para esta apresentação ao público, a artista quis contar com a presença de grandes músicos da música angolana como Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, explica Margareth do Rosário. “Queria fazer uma coisa diferente, mais adulta, algo que tivesse a ver comigo. O show vai ter de tudo um pouco: semba, zouk, morna, com os estilos próprios destes artistas”. Ingresso na música Natural de Luanda, Margareth do Rosário deu o salto na música angolana no programa da Televisão Pública de Angola (TPA), Gala à Sexta-feira, que visava a descoberta de novos talentos da música. Participou em três edições do programa e ficou em primeiro lugar, em segundo e em quinto lugar. A última participação e consequente resultado deixou-lhe marcas que quase punham em causa a sua carreira. “Fiquei desmotivada e triste, tão sem coragem de voltar a participar num concurso. Mas a minha família não deixou que ficasse abatida e deu-me toda a força para chegar até onde estou hoje”. Ultrapassadas as primeiras desilusões e obstáculos no percurso artístico, entra no grupo Melo Manias na companhia de Yola Araújo e Djamila D’Alves. Tinha apenas 18 anos e já vivia a sua primeira experiência profissional no mundo musical. “Estávamos a começar muito bem mas depois devido a algumas dificuldades que havia na música naquela época, não conseguimos singrar”. As três vozes femininas faziam covers, actuavam no Miami Beach e chegaram a participar no Festival da Cidade de Luanda. “Cantávamos com Nazarina Semedo, Kelly Silva e Nanda que eram os Miami Voice. Foram tempos muito divertidos”, relembra Margareth com um grande sorriso. “Estávamos a aprender a cantar, éramos muito desafinadas e não tínhamos aulas de canto. Cada uma tinha o seu timbre de voz e a sua forma de cantar”, conta. “Depois resolvemos continuar o nosso caminho, foi prosseguindo a nossa festa. E hoje, cada uma de nós está com o seu projecto. Recentemente tivemos um reencontro através da TV Zimbo, onde recordámos esses velhos tempos”. Carreira a solo “Fui a primeira a sair, como diz a Yola”, assume, explicando o porquê: “na altura não havia empresários e as empresas não estavam disponíveis para apoiar o trabalho dos artistas”. Nova desilusão que não a fez desistir. Seguiu a sua carreira a solo. “Mais tarde consegui um primeiro apoio do governo da província de Luanda, através da pessoa do dr. Aníbal Rocha, que foi quem patrocinou o primeiro álbum, o Love One em 2001”. Este apoio é a prova de que, por vezes, basta alguém apostar para que um projecto avance. “Com o meu primeiro disco tive muitas receitas e o segundo álbum até já foi patrocinado por mim mesma”, conta com visível orgulho. Segundo álbum esse que recebeu o nome de Amor Profundo e chegou em 2003. O último disco Em Nova Dimensão foi lançado em 2008 e é descrito por Margareth do Rosário como “resultado de um grande amadurecimento”. “Neste álbum faço uma homenagem a Paulo Flores, de quem sou fã n.º 1, a Lourdes Van-Dúnem, “minha mãe” e a Belita Palma”. A recepção do público foi positiva mas verificou--se a máxima de Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. “As pessoas primeiro tiveram uma reacção ‘Ah! A Margareth mudou de estilo’ e ficaram um pouco tristes. Depois habituaram-se e agora estão mesmo acostumados com aquilo que apresentei”. O álbum foi baptizado de Em Nova Dimensão porque nele Margareth do Rosário procurou trazer novidades que não tinha no álbum anterior. “Sempre quis fazer algo assim desde o primeiro álbum mas, como ainda só tinha bases de canto, decidi não arriscar. Pensei: deixa-me crescer um pouco mais para poder tornar- -me maior ao cantar, e com mais à vontade”. Morna e semba Os gostos musicais da artista e os estilos que tem ouvido nos últimos anos, influenciaram- -na na sua evolução como cantora. “Gosto muito de morna e semba cadenciado. Das vozes de Lura, Sara Tavares, Mayra Andrade, Lourdes Van-Dúnem e Belita Palma. Sons cabo-verdianos e angolanos”. Para composição do álbum “fui buscar algumas destas influências e mudei de estilo. A música está a engrandecer com as misturas. As pessoas já procuram novos sons, misturam semba com kilampanga, com R&B e é por aí que quero ir”, revela. Perante a inevitável questão sobre um próximo disco, Margareth do Rosário sabe o que quer. “Não tenho sede de gravar um novo álbum. Dia 11 de Outubro o disco Em Nova Dimensão completou um ano e está tudo a combinar agora com os shows na Casa 70. Não quero gravar um disco tão cedo, quero gravar lá para 2010 com lançamento em 2011”. Mas a artista tem já desenhado na sua cabeça o esboço daquilo que gostaria de apresentar ao público. “Quero fazer um disco só de semba cadenciado e três ou quatro mornas. Aquele semba mesmo de rasteira. A bateria, coro com vozes que parecem desafinadas mas tudo dentro do alinhamento, com instrumentos antigos”, adianta. Importante mesmo é que o trabalho seja bem feito. “Levei dois anos a gravar o meu terceiro álbum. Enquanto antigamente gravava em seis meses, agora levo muito mais tempo. Uma obra discográfica bem feita com qualidade requere outros cuidados, também devido às línguas nacionais que utilizo como o kimbundo, umbundo, kikongo”. Mãe orgulhosa Entre o segundo e o terceiro álbum, Margareth do Rosário, foi mãe. O pequeno Marco António mostrou-lhe a necessidade de priorizar a família. Hoje em dia, o filho recorda-lhe também como ela própria se apaixonou pelo meio musical. “Comecei com três anos. Hoje, quem me faz recordar isto é o meu filho. Eu entrava para o quarto e dizia: ‘Mãe, ninguém entra porque eu estou a cantar’. Vivia na imaginação que estava a cantar para o público. Utilizava frascos de perfume a fazer de microfone e hoje em dia, o meu filho faz o mesmo”. A artista foi crescendo e a partir dos 15 anos começou a participar em vários concursos da Rádio Luanda de karaoke. Dina Medina, Marisa do Rosário, Roberta Miranda, Whitney Houston, Patricia Faria, Eunice José “Afrikanita”, Isadora Campos são alguns dos nomes que procurava reproduzir do seu jeito. “Consigo imitar muito bem e continuo a imitar em festas de família”, conta entre sorrisos. Revista musical Apesar do sucesso, Margareth do Rosário não se deixou deslumbrar. Quis ter aulas de canto e estudou com o Mestre Mateus durante cinco anos. Mais tarde teve um pequeno percalço “tive problemas nas cordas vocais na gravação do terceiro álbum e tive de fazer tratamentos para poder vencer”, conta. Margareth do Rosário é também apresentadora de televisão e, hoje em dia, faz o programa Revista Musical na TPA. O programa procura “divulgar o melhor da música angolana, faz o lançamento de novos valores da nossa música e reporta a entrada das novas produções musicais ao mercado”. A artista conta com a colaboração de Moises Luís, com quem prepara os programas. “Estou a trabalhar há dois anos na TPA, como apresentadora estou há seis meses e como fixa há um mês”. A experiência como cantora dá-lhe “à vontade com as câmaras”. Antes da entrada na televisão estudou Jornalismo no Cefojor e fez uma formação de seis meses no Rio de Janeiro no Brasil, onde aproveitou para fazer também um curso básico de pintura e estética. A juntar à carreira de cantora e apresentadora de televisão, Margareth do Rosário lançou--se como empresária e abriu uma boutique de lingerie, a “Geths Lingerie”, em Luanda.Uma verdadeira mulher dos sete ofícios. A artista assume-se sem problemas como uma mulher vaidosa. “Actualmente gosto de vestidos largos, coloridos, bem à vontade, o meu estilo é mais para missangas, roupa africana. Mas também gosto de variar de estilo. Anteriormente era muito de brilhos. Nos espectáculos agora canto descalça, é a coisa mais natural”, refere. Para os espectáculos na Casa 70 contou com a colaboração de Elisabete Santos para concepção dos vestidos e restante figurino. Encantar o povo Mãe, cantora, apresentadora de televisão, empresária, Margareth do Rosário diz ter tempo para tudo. “Tento concentrar-me bastante tanto na música, como na televisão e no meu lado empresarial, sem esquecer claro os meus afazeres para a casa”. Casa essa recheada com muitos prémios emoldurados na parede: Melhor Voz, Melhor Trabalho Discográfico, entre outros. O que diz a artista de todo esse reconhecimento? “Receber prémios é uma maravilha, algo que dá força e incentivo para continuar a cantar e a encantar o povo angolano, que eu amo”, remata. Shows em boa companhia O convite da Casa 70 foi uma forma perfeita para Margareth do Rosário festejar o primeiro ano de vida do seu último álbum Em Nova Dimensão. A artista convidou três outros grandes músicos do panorama musical angolano para com ela dividirem o palco: Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, assinala Margareth do Rosário. Trabalhos discográficos Depois de sair do grupo Melo Manias que integrava com Yola Araújo e Djamila D’Alves, Margareth do Rosário lançou-se numa carreira a solo. O primeiro disco foi lançado em 2001 com o nome Love One. Em 2003 surge o segundo trabalho discográfico intitulado Amor Profundo. Depois de uma pausa de cinco anos apareceu novamente no mercado com o trabalho discográfico Em Nova Dimensão. Este disco é fruto de um repensar do estilo musical e dos sons e ritmos que pretende adoptar no futuro. Nova Dimensão ao palco Em Nova Dimensão é um disco onde Margareth do Rosário procurou “abordar factos reais do dia-a-dia dos angolanos. É um disco com mensagens muito profundas e no qual procuro realçar as malambas do quotidiano nacional. É uma forma de mostrar que estamos todos no mesmo barco e prontos a dar o nosso contributo na luta pelo desenvolvimento do país”, diz Margareth do Rosário. No disco desfilam os sons e ritmos do semba, zouk, kizomba, coladera e morna. Estilos incluídos nos temas deste disco da cantora, que saíu a público sob a chancela da editora “Nossa Música”. Com 13 temas cantados em kikongo, umbundo, kimbundo, português e crioulo, o disco levou dois anos a ser preparado e trabalhado. Em termos de voz, Margareth do Rosário contou com Waldemar Bastos e Rita Lobo, com quem fez duetos, Carla Moreno, Yura e Cachucha nos coros. Neste disco, a artista que fez uma nova versão da música “Monami” da autoria de Lourdes Van-Dúnem e outras de Belita Palma e Rosita Palma, incorporou temas cujas letras foram escritas por Matias Damásio, Lulas da Paixão, Wiza, Jorge Cervantes, Chico Viegas, entre outros. Do disco, cem por cento acústico, fazem parte temas como “Monami”, “Eyavalo”, num dueto com músico Waldemar Bastos, “A Volta”, com participação de Rita Lobo, “Kalumba”, “Ilha”, “Volta Amor” e “Manazinha”. Perfil * Nome: Margareth do Rosário Afonso Joaquim da Silva * Data de Nascimento: 14 de Maio de 1980 * Filhos: Marco de 2 anos e 9 meses “uma criança maravilhosa que deixa a casa altamente feliz” * Pratos preferidos: Funge de carne seca, calulu, cabidela * Bebida: Água, sumos e um bom champanhe * Música: Whitney Houston, Alcione, Paulo Flores, Yola Semedo * Filme: Titanic * Actriz: Thaís de Araújo * Perfume: Miss Dior Matthias Offodile November 2nd, 2009, 07:31 PM I truly like this great eco-friendly project of this Angolan, very good work!!! Superb!...more people like him! Capa - Pedro Vaz Pinto O salvador da Palanca Coordenador do Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante desde 2003 http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_51/pedro_aberturax.jpg No final dos anos 80, os cientistas estavam muito preocupados com a palanca negra gigante, uma espécie protegida desde 1933 e um dos antílopes mais belos do mundo, cujos últimos exemplares viviam na província de Malanje. “Temia-se que a espécie tivesse desaparecido”, recorda Pedro Vaz Pinto, o biólogo angolano que fez do salvamento deste animal a sua missão de vida. Recorde-se que há duas grandes espécies de palancas. A “vermelha” (roan, em inglês). E a “preta” (sable) que tem quatro subespécies. A mais vulgar é a palanca “comum”, que pode ser avistada na África do Sul e Moçambique. Existe também as espécies “kirk” (Zâmbia), a “shimba” (Quénia) e a “gigante” (Angola). Esta última só pode ser vista em dois locais — o Parque de Cangandala e a Reserva Natural do Luando — ambos na província de Malanje. “A designação em português não é muito feliz. Embora o macho da palanca negra gigante tenha cor preta, a fêmea possui um tom castanho avermelhado”, diz Pedro Vaz Pinto. A palanca negra gigante é, sobretudo, reconhecida pelo tamanho dos seus chifres (o recorde do mundo é de 64 polegadas). em risco de extinção Os receios da comunidade científica internacional quanto à possível extinção da espécie eram legítimos. Desde 1982 — altura em que tinham sido fotografadas pela última vez —que não existiam provas concretas sobre a existência das palancas negras gigantes. Recorde-se que, nos anos 70, a sua população chegou a ser de 2500 animais. Com a guerra civil as palancas negras gigantes ficaram entregues à sua sorte, esquecidas no planalto angolano. Os estudos indicam que, nesse período, houve uma redução de 90% no número de exemplares. Mas o pior sucedeu depois. “Ironicamente, a situação agravou-se depois da guerra, devido ao negócio da caça furtiva”, explica Pedro Vaz Pinto. Recorda que, nessa altura, o “soba” do Parque de Cangandala, fez a seguinte profecia: “A guerra acabou para os homens, mas começou agora para os animais”. Os factos deram-lhe razão. Hoje, a cotação de um exemplar vivo de uma palanca negra gigante está avaliada em 1,5 milhões de dólares. Logo, a ganância dos caçadores e a ausência de fiscalização foram responsáveis pelo massacre das palancas negras gigantes. http://www.opais.info/resources/images/2009vida/edicao_51/pedro_vaz_pinto_005.jpg SINAIS DE ESPERANÇA As expedições realizadas pela equipa de Pedro Vaz Pinto ao Parque da Cangandala, em 2002 e 2003, deram alguns sinais de esperança. “Descobrimos rastos e vimos alguns animais por instantes, mas falhámos na obtenção de prova”, recorda. Em Agosto de 2003, nasceu o Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante, ligado à Universidade Católica de Luanda,que teve como objectivo dar um novo impulso às investigações. Em Setembro de 2004, o projecto liderado por Pedro Vaz Pinto fez a primeira expedição com recurso aos meios aéreos. Obtiveram-se, mais uma vez, inúmeros indícios, tais como amostras de fezes que se confirmaram ser de palanca negra gigante. Em Outubro desse ano, foi criado o Programa “Pastores das Palancas” que procurou envolver as comunidades locais na procura dos animais. O programa consistiu na formação de 20 pessoas, a quem foram atribuídos uniformes, calçado e um subsídio mensal. Em paralelo, colocaram-se câmaras automáticas, com sistema de infravermelhos, em locais estratégicos do Parque de Cangandala (menos extenso do que a Reserva do Luando). A MANADA SOBREVIVENTE Em Março de 2005 chegou finalmente a confirmação de que a palanca negra gigante tinha sobrevivido. As câmaras fotográficas automáticas conseguiram identificar oito animais junto a uma salina natural. Mais tarde constatou-se que esta era, afinal, a única manada sobrevivente. Tal proeza foi reconhecida internacionalmente. Em 2005 o programa recebeu o Prémio Whitley. um dos mais prestigiados na área da protecção ambiental. O projecto angolano era um dos dez finalistas do prémio, uma iniciativa do Whitley Fund for Nature (WFN), tendo sido seleccionado entre mais de 160 candidaturas de todo o mundo. O galardão, no valor de 66 mil dólares, foi entregue numa cerimónia realizada na Real Sociedade de Geografia de Londres. “Esse dinheiro permitiu-nos sonhar com objectivos mais ambiciosos”, recorda Pedro Vaz Pinto. Nesse ano celebrou-se o acordo entre a Universidade Católica e o Governo, tendo em vista a reabilitação das infra-estruturas do Parque de Cangandala e a nomeação de um administrador. APARECIMENTO DE HíBRIDOS Ao longo de 2007 e 2008, o projecto procurou alargar o seu âmbito de acção à Reserva do Luando. Entretanto, em Cangandala, as fotografias revelaram um fenómeno dramático: estavam a nascer palancas híbridas, resultantes do cruzamento entre duas espécies diferentes (a palanca negra gigante fêmea e a palanca vermelha macho). “Os híbridos são uma aberração. São espécies que viveram milhares de anos juntas e nunca se cruzaram”, justifica.. De qualquer modo, Pedro Vaz Pinto não as considera uma ameaça para o futuro da espécie. “Ao que tudo indica os animais são estéreis, embora isso ainda não esteja provado cientificamente”. Era necessário, no entanto, tomar medidas pois a última fotografia de uma palanca negra gigante macho remontava a 2005. Logo, a continuidade da espécie poderia estar em perigo. Foi nessa altura que Pedro Vaz Pinto decidiu dar início a uma grande operação de emergência, orçada em cem mi dólares, que contou com o apoio financeiro dos parceiros do bloco 15 (Sonangol, Esso, BP, ENI e Statoil). A CAPTURA DE UM MACHO O primeiro passo da operação foi a criação de um santuário, vedado por rede, (apelidado de “boma”) no coração do Parque da Cangandala. Neste espaço, os animais ficariam protegidos (de quarentena), durante um período temporário de modo a serem vigiados pelos médicos. O custo da vedação foi suportado pelo Ministério do Ambiente. “O Governo não é um mero sponsor, mas sim um parceiro do projecto. Estão a seu cargo as responsabilidades da administração do Parque e, sobretudo, a segurança. No total estamos a falar de 25 homens em Cangandala e de 20 em Luando”, esclarece. O objectivo da operação era colocar dentro da “boma” um macho e várias fêmeas aos quais seriam concedidas as condições ideais para a reprodução. Se houvesse mais machos decerto iriam lutar até à morte. “As palancas negras funcionam em regime de harém”, diz Pedro Vaz Pinto em tom de brincadeira. A operação começou no dia 24 de Julho e decorreu durante três semanas no Parque da Cangandala e na Reserva do Luando. Participaram um helicóptero, cientistas internacionais convidados e veterinários especializados em captura de animais vindos do Botswana e da África do Sul. O resultado desta operação foi um total de 21 animais capturados, dos quais onze possuem coleiras de transmissão VHS e dois podem ser localizados em tempo real por GPS. No referido santuário foram colocadas novas fêmeas de Palanca Negra Gigante (todas as que existiam na Cangandala), e um macho capturado no Luando e transportado para o santuário com a ajuda da Força Aérea. OS INIMIGOS DAS PALANCAS Não obstante os animais terem sido anestesiados, atados pela patas e içados de pernas para o ar durante a viagem de helicóptero, Pedro Vaz Pinto garante que não sofreram qualquer lesão. “Por estranho que pareça os cientistas asseguram-me que o animal deve ser puxado daquela maneira dado que tem pernas e músculos fortes”. Ao chegar a terra, o antídoto foi ministrado e o animal recuperou de imediato como se nada se tivesse passado. Pouco tempo depois já as fêmeas rodeavam o macho. “Foi o dia de sorte dele”, diz divertido. “E incrível como tudo correu tão bem”. Hoje, a grande ameaça das palancas continua a ser os caçadores furtivos. “Encontrámos 180 armadilhas e dezenas de esqueletos de palancas mortas durante a expedição. Não se pense que se trata de actos isolados. A caça furtiva é um negócio bem organizado”, adverte acrescentando “a palanca negra gigante, como se trata de uma espécie rara, tem um elevado valor de mercado. Na África do Sul há pessoas que planeiam caçar palancas negras para as cruzar com outras raças. Soubemos até que nos Emiratos Árabes já houve alguém que tentou vender a Palanca Negra que nós capturámos aqui. Havendo quem pague há sempre caçadores pouco escrupulosos capazes de fazer o serviço”, diz Pedro Vaz Pinto com amargura. Apesar dos progressos ainda faltam recursos na administração do parque, sobretudo, na fiscalização. Por isso a acção do Governo e o apoio dos financiadores são cruciais. “Actualmente a Esso, a ExxonMobil Foundation, a US Fish & Wildlife Service e a Statoil”, são os nossos principais mecenas. DESAFIOS PARA 2010 O período de cobrição das palancas negras gigantes ocorreu em Setembro e Outubro. Logo, se tudo correr bem, em Maio ou Junho, poderão nascer as primeiras crias. “Cada fêmea só tem uma cria. Se tivermos um taxa de 90% de sucesso isso significa que teremos sete crias. Seria algo fantástico”, diz. O principal desafio será o alargamento do parque para 3 mil hectares, uma operação a realizar durante o próximo Cacimbo. Nessa altura já deverá existir uma nova geração de palancas puras. Será suficiente? “Os especialistas não são unânimes quanto ao número mínimo de animais que garantem a continuação de uma espécie. Fala-se em 14 a 20”, diz. Uma coisa é certa. Daqui a um ou dois anos será necessário fazer uma nova operação de salvamento. “Vamos ter de substituir este macho para evitar rivalidades com as crias”, justifica. Pedro Vaz Pinto lá estará, como sempre, na linha da frente. O centro de estudos da católica O Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante pertence ao Centro de Estudos e Investigação da Universidade Católica de Angola. Colabora com o Ministério do Ambiente e o Governo Provincial de Malanje. São parceiros internacionais a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a Conservation International (CI). A ausência de macho levou as palancas negras a acasalar com as vermelhas. São espécies diferentes, que viveram milhões de anos juntas, sem se cruzar. MELHOR AMIGO DAS PALANCAS NEGRAS:cheers: Pedro Vaz Pinto, tem 41 anos e nasceu em Luanda. Foi para Portugal ainda pequeno de forma a concluir os estudos. Licenciou-se em Engenharia Florestal pelo ISA - Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Desde pequeno que gostava muito de animais. “Era daqueles miúdos que andava com os bolsos cheios de escaravelhos e outros insectos”, recorda. No ano 2000 resolveu regressar à sua terra natal. “Portugal oferecia poucas saídas profissionais na área da biologia, ao passo que em Angola estava tudo por fazer”. O convite para regressar veio da Fundação Kissama. Pedro Vaz Pinto começou como biólogo, tendo evoluído como director-adjunto e depois como director. “Foi uma excelente experiência. Ainda hoje estou ligado à Fundação e trabalho em alguns projectos em part-time”, esclarece. Mas o que realmente o motiva é a palanca. “Ao chegar a Angola pareceu-me a escolha óbvia. A palanca negra gigante é um símbolo nacional que corria o risco de extinção. Fiquei muito surpreendido por não haver mais pessoas a estudá-la”, diz. Em 2003 funda o Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante, do Centro de Estudos e Investigação Científica, da Universidade Católica de Angola. O prestigiado prémio Withley de 2006 deu-lhe os meios suficientes para ir mais além nos seus esforços. Mas foram os mecenas do bloco 15 que lhe permitiram dar sequência à operação de salvamento que concluída no passado mês de Agosto. Para tal houve duas contribuições importantes. A primeira foi a frequência, em 2007, de um curso de capturas de animais de grande porte no Zimbabwe. Foi lá que Pedro Vaz Pinto conheceu os dois especialistas que o ajudaram nas tarefas técnicas. E em 2009 passou a contar com o apoio de Sendi Baptista, licenciada em Biologia com mestrado em Biologia da Conservação, como assistente do projecto. Hoje considera que o mais urgente já foi feito só que as responsabilidades também cresceram. Confessa não adorar as tarefas rotineiras e administrativas. Onde se sente bem é no mato, ao qual procura ir, no mínimo, uma a duas vezes por mês. Caso para dizer: quem corre por gosto, não cansa. UM SÍMBOLO NACIONAL A Palanca Negra Gigante faz parte do imaginário colectivo de todos os angolanos. A selecção nacional de futebol intitula-se “Palancas Negras” e o animal foi usado como inspiração para o logotipo do CAN 2010 e da companhia de aviação TAAG. Foi desenhado um selo de correio, da autoria de Horácio da Mesquita, em sua homenagem. SABER MAIS 10 questões essenciais * 1 O que é a Palanca Negra Gigante? A palanca negra gigante (Hippotragus Niger Variani) é uma subespécie endémica de Angola que só existe na província de Malanje. * 2 Existem outras espécies de palancas? A vermelha (roan), que tem apenas uma raça, ou sub-espécie. E a preta (sable) tem quatro raças: a palanca comum, a kirk, a shimba e a gigante (Angola). * 3 Como pode ser reconhecida? A Palanca Negra Gigante mede de 1,90 a 2,50 metros e pesa entre 200 e 270 quilos. É reconhecida pelo tamanho dos seus belos chifres (o recorde do mundo é de 1,62 metros) que são a sua melhor arma de defesa e de ataque, longos e paralelos, curvados para trás. Há outros sinais visíveis tais como não ter uma faixa branca no focinho. * 4 Quem a descobriu? Frank Varian, em 1909, um engenheiro belga que trabalhava nos caminhos-de-ferro de Benguela. Graças aos seus cornos distintivos, é considerado como o mais belo e nobre de todos os antílopes. * 5 Onde pode ser encontrada? É dos grandes mamíferos mais raros do mundo, com uma distribuição geográfica muito restrita. Em Angola só pode ser vista em dois locais: o parque de Cangandala e a Reserva do Luando, ambos na província de Malanje. Nunca foi confirmada a sua presença fora destes locais. E nunca foram exportados quaisquer exemplares vivos de palancas negras gigantes para outras reservas, centros de reprodução ou jardins zoológicos. * 6 Desde quando foi considerada uma espécie protegida? A palanca negra gigante está incluída, desde 1933, na lista de espécies sob protecção absoluta (Classe A) pela Convenção para a Protecção da Fauna e Flora Africana. Está também listada pela CITES (Convenção Internacional para o Intercâmbio de Espécies Selvagens de Fauna e Flora) e na Lista Vermelha da IUCN como uma espécie “criticamente ameaçada”. * 7 O que se está a fazer em Angola para a proteger? Foi criado o Santuário da Palanca Real em 1938, depois elevado à categoria de Reserva Natural Integral do Luando em 1955. Dois anos depois, para protecção adicional contra a caça furtiva, foi estabelecida uma multa de cem mil dólares pelo abate de cada animal. Após a descoberta de manadas de palancas na área da Cangandala criou-se, em 1963, a Reserva Natural da Cangandala que, em 1970, foi declarada como um Parque Nacional. * 8 Quais são os principais hábitos da espécie? A palanca negra gigante vive em terrenos arborizados, em “haréns” de 10 a 30 animais, com um macho dominante ou em grupos celibatários de machos, sempre junto a cursos de água permanentes. O seu período activo ocorre durante o início da manhã e ao cair da tarde. Alimenta-se de ervas e folhas. * 9 Quem são os seus inimigos? Os seus principais predadores são a hiena, o leão e o leopardo. Mas o pior de todos é, sem dúvida, o homem. Por ter sido caçada até à exaustão chegou a julgar-se que a espécie já estava extinta. * 10 Quando é que pode ter crias? A palanca negra gigante atinge a maturidade sexual entre os 2 e 3 anos de idade. O período de gestação é de 9 meses. Na estação húmida a fêmea gera uma cria que desmama aos 8 meses. A mãe mantém-a escondida durante os primeiros dez dias de vida. Matthias Offodile November 6th, 2009, 04:27 PM Nvunda Tonet// Psicólogo clínico O ‘pequeno’ investigador da saúde mental http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_52/pais_52_lr_71.jpg Na casa dos 20 anos e longe dos 30, é um dos mais jovens psicólogos clínicos do país, dando o seu contributo no Hospital Psiquiátrico de Luanda. É docente da Universidade Óscar Ribas e colaborador do Portal de Psicólogos de Portugal, assim como mestrando em Novas Tecnologias aplicadas à Educação pelo Instituto Universitário de Posgrado de Madrid. A psicologia foi a opção mais certa que tomou na vida, segundo ele. Normalmente, os jovens são apaixonados pela medicina geral, mas enveredaste para a psicologia clínica. Quais foram as razões de fundo? Cada pessoa deve seguir as suas motivações intrínsecas. Claro que na adolescência é muito tênue a linha de definição em relação ao que pretendemos ser no futuro. Sempre gostei de perceber a maneira como as pessoas se comportam. Tive um professor de Psicologia na 10ª classe, embora não fosse o preferido, mas soube transmitir aquilo que precisava para decidir sobre a opção final a par da influência literária, nomeadamente nos romances policiais de Agatha Christie, Sherlock Holmes, Henrique Nicolau entre outros. Tenho amiúde referido que foi a opção mais certa que tomei até aqui. O que é ser um psicólogo clínico num país como Angola, onde vivemos muitos anos de conflito? Sente que já se dá a devida importância aos profissionais deste sector? A vitória não se dá, conquista-se. Não se pode viver do passado, nem alimentar falsas esperanças sobre o futuro. Cada país tem a sua especificidade. Angola, como tenho escrito na coluna “Psicologia & Você”, teve um contexto particular e cada um de nós, na sua área de formação tem de contribuir para o relançamento das bases que se perderam nos variados campos do saber. Particularmente, falando dos profissionais de saúde, o caminho a percorrer ainda é longo, desde a consolidação da formação, a divisão das estruturas de base, as condições materiais e humanas, culminando com a assistência médica e medicamentosa, assistência psicológica aos pacientes e suas famílias no sentido de manter o equilíbrio emocional. A guerra trouxe várias consequências às pessoas, sobretudo a nível psicológico. Como quadro do Hospital Psiquiátrico de Luanda, quais são as patologias que mais tem atendido? Essa questão parece que é a que mais alimenta os repórteres e as pessoas de modo geral. No fundo, o medo que temos de ser considerado “perturbado”, “louco”, “anormal” leva-nos a tatear no escuro e muitas vezes escondemo-nos na aparência comum, para dizer que somos normais. O critério de normalidade é subjectivo e estatístico. De acordo com a estatística do Hospital Psiquiátrico de Luanda elaborada em 2008, as principais patologias são: Esquizofrenia, Perturbação psicótica induzida pelo uso de álcool, Transtorno Bipolar, Depressão e Malária Cerebral. Em relação às consultas de Psicologia, refiro-me à estatística pessoal no mês de Outubro: Hiperactividade (tipo desatento e tipo impulsivo), Perturbação de Adaptação, Perturbação de Ansiedade Generalizada, Fobia Social, Esquizofrenia, Distimia e Depressão. Sete anos depois do fim do conflito, acha que a psicologia clínica tem sabido dar respostas às solicitações, tendo em conta que as dificuldades sociais agudizaram-se no seio de algumas famílias? O número de quadros que o país tem não é suficiente nem desejável para responder à demanda. Temos ainda a agravante das pessoas formadas estarem confinadas aos centros urbanos, porque no interior do país, não existem as condições de habitabilidade para um técnico superior. Outro inconveniente é a formação quantitativa que se faz nas nossas universidades, onde a qualidade dos formandos deixa muita a desejar, por vários factores, desde o baixo nível de interpretação dos estudantes, ao turbo dos docentes e o facto de muitos estudantes terem preconceito de actuar na sua área, estando apenas para receber o canudo e elevar o elogio fúnebre. Essa tarefa de tentar controlar o comportamento humano não é mais difícil que tratar, por exemplo, doenças como a malária e outras? A existência humana pressupõe sofrimento. Não existe doença difícil nem doença fácil. Estar doente é uma condição desagradável que o ser humano é acometido e precisa aceitar para poder melhorar o seu quadro clínico. A aceitação é o primeiro passo para o êxito do processo terapêutico. Tem-se dito que cada um de nós tem a sua “pancada”, mas uns mais do que os outros. Concorda com isso? Porquê? Uma vez, o conceituado cantor brasileiro Caetano Veloso disse “Ninguém é normal”. As pessoas são diferentes e apresentam caracteres de personalidade predominantes no seu modo de ser. Os hábitos e costumes que ao longo da infância se formam mecanicamente, ao longo da adolescência e no amadurecimento das relações interpessoais, tornamo-nos autênticos na maneira como lidamos com o mundo e no jeito de gerir as emoções. É verdade que os doentes com perturbações mentais nunca ficam curados a 100 por cento, restando sempre algumas sequelas que podem acompanhálo para a toda a vida? No Workshop sobre saúde mental e integração social, que se realizou a 13 de Outubro na Universidade Óscar Ribas, debateu-se essa questão veemente. As perturbações mentais estão entre as mais custosas para a sociedade. Quem tem acompanhado a nossa actividade na promoção da saúde mental, sabe que toda patologia psiquiátrica e os distúrbios emocionais podem ser evitados. Quando me pergunta sobre sequelas em relação ao futuro preciso de elementos científicos para o responder e depois conduzir uma pesquisa com os pacientes psiquiátricos para confirmar ou rejeitar a sua hipótese. Em ciência fala-se com dados. Desculpe se não fui directo à questão colocada. Sentir-se-ia magoado se alguém acorra a si tratando-o como “médico dos malucos”, tendo em conta a designação pejorativa com que muitos ainda se referem ao Hospital Psiquiátrico de Luanda? Magoado não diria, cada vez que alguém usa este termo, faço questão de corrigir a pessoa. A minha correcção começa em casa, com a minha irmã que tem a mania de chamar “doidos” “, “o teu paciente maluco está aí fora”. É preciso dizer que as pessoas no fundo desconhecem a funcionalidade do psiquiatra e do psicólogo. Tenho escrito que cada um de nós a determinada altura da vida, pode sentir que por si só, não é capaz de suportar as emoções, tomar uma decisão ou enfrentar um desafio e necessite de ajuda especializada, sem que para isso seja chamado de “louco”, aliás, este termo já não se usa. Pertence a uma família com algum historial a nível da política e do jornalismo. A psicologia foi um mero acaso ou a realização de um sonho? O histórico familiar exerce influência na tomada de decisão da pessoa. O homem por natureza é um animal político. Não podia fugir ao caso. Embora não seja jornalista, escrevo com regularidade, sou editor cultural, tenho livros científicos escritos que aguardam por financiamento. Mas para responder directamente a questão que me coloca, digo-lhe sinceramente que é a realização de um desafio exercer a clínica em psicologia no contexto angolano e sinto que sou útil aos meus pacientes, seus familiares, que no fundo tem sido a minha base de inspiração nestes últimos dois anos que tenho dedicado a maior parte do meu tempo à investigação sobre saúde mental. Perfil * Nome: Nvunda Will Sérgio Tonet * Filiação: William Afonso Tonet e Ana Francisco Sérgio Tonet * Data de Nascimento: 29 de Agosto * Estado civil: Solteiro * Filhos: Nenhum * Cantores favoritos: Minha musicoterapia: Linkin Park, Djavan, Coldplay, Andrea Bocelli, Amy Winehouse, Anselmo Ralph, James Blunt, Lenny, John Legend, Alcione, Paulo Flores, Maroon 5 e U2. * Prato preferido: Caldeirada * Tempos livres: Passear, descansar, comer em restaurante, viajar, escrever, ler e auto-análise. * Livros: “A Quarta Idade” de Dario de Melo, “Alquimista” de Paulo Coelho, “O futuro da humanidade” Augusto Cury, “Ombela” de Manuel Rui, “Momentos de aqui” Ondajki “Um anel na areia” Manuel Rui “Cartas para maridos temerários” Dyakasembe “Doença mental: Pesquisas e teorias” Christian Spadone, “História da Loucura” Michel Foucault, “Psicologia dos transtornos mentais” David Holmes, “O mal-estar na civilização” Freud, “Psicogenese das doenças mentais” Carl Gustav Jung e “Identidade e Genero entre os Handa no sul de Angola” Rosa Melo. * Filmes: Uma mente brilhante, Mrs. Brooks, Hallowen, O quarto do Filho, O último rei da Escócia, Melhor é impossível, 16 Blocks, Paranóia, Uma vida secreta. Matthias Offodile November 27th, 2009, 10:20 PM Aqui, a noção de última edição é um bocado relativa É a directora-geral da Marktest Angola. Fala-nos do último estudo apresentado pela empresa de pesquisa sobre os hábitos e comportamentos dos angolanos em relação aos media e não só. Também da monitorização que a empresa faz de tudo o que é veiculado na imprensa, televisão e “outdoors”, da questão das audiências, da evolução do mercado publicitário e da comunicação social. Filipa Oliveira cresceu em Angola, formou-se em Coimbra e, após fazer um estágio em Portugal, regressou para trabalhar no ICEP. Há três anos o seu percurso profissional cruzou-se com a Marktest. Gosta de frisar que, como revelam os estudos que coordena, Angola tem uma população muito jovem e que essa “é a maior riqueza do país”. :cheers: A Marktest apresentou há poucos dias um estudo sobre os hábitos dos consumidores em relação aos media.Em que consiste, no fundamental esse estudo? Apresentámos o AMPS, sigla que designa o “All Media and Products Study”, um “survey”(estudo), que começou por ser realizado na África do Sul e já é realizado em cerca de 18 países africanos, embora nem sempre com a regularidade com que nós o temos feito. Temos vindo a realizar este estudo anualmente, a mesma periodicidade com que é realizado na África do Sul, o que representa um investimento bastante considerável. O questionário utilizado na realização do estudo é o mesmo em todos os países? Utilizamos um questionário, que é bastante abrangente e que, embora apresente muitos indicadores em comum com os que são utilizados nos outros países que efectuam o estudo, é adaptado à realidade angolana. As questões são idênticas, com pequenas alterações, de forma a estar de acordo com a nossa realidade.A Marktest Angola integra a associação de empresas de pesquisa de mercado que actuam no continente africano, a qual realiza um encontro anual em que se discute a possibilidade de homogeneizar o mais possível a informação recolhida nos diferentes países. Em que consiste basicamente o inquérito? A ideia é questionar o entrevistado sobre os seus hábitos de media e de consumo de produtos e serviços. Por exemplo, no âmbito de media, quais os canais de televisão que costuma ver, quais os jornais e revistas que costuma ler, quais as estações de rádio que costuma ouvir e quais os programas de televisão preferidos. Relativamente ao consumo de produtos, os inquiridos respondem sobre os seus hábitos de consumo de produtos alimentares, sobre bebidas. Por último, nos serviços, temos questões sobre a banca e sobre as telecomunicações (móveis, fixas e Internet). À semelhança do que acontece na África do Sul, a entrevista é feita em casa dos respondentes e dura cerca de 45 minutos, tendo por base um questionário bastante abrangente.Depois de tratados os dados, a informação resultante permite conhecer melhor os hábitos e comportamentos da população residente na província de Luanda. A título de exemplo, refira-se o comportamento diferenciado dos homens e das mulheres face à leitura de revistas económicas ou de negócios ou ainda o comportamento diferenciado dos indivíduos mais jovens e dos mais velhos face à utilização da Internet.Usando uma metodologia semelhante à utilizada em países como a África do Sul e o Brasil, classificamos ainda os agregados familiares em termos de estratos económicos, através de uma pontuação atribuída a um conjunto de itens: posse de gerador, televisão, viatura de passageiros, entre outros. Esta metodologia permite-nos classificar os agregados em termos do seu poder de compra em 5 estratos. O estrato com maior poder de compra é o A e o E representa o estrato com menor poder de compra. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_54/pais_54%20lr-163.jpg Desde quando a Marktest realiza este estudo? O AMPS Luanda é realizado desde 2007. Nesse ano, realizámos 5.000 entrevistas e, em 2008, fizemos a 2ª edição do estudo, também com 5.000 entrevistas.No ano passado, fizemos pela primeira vez o AMPS Benguela, que contou com 1.500 entrevistas.As 5.000 entrevistas que efectuámos em Luanda, em 2007, foram precedidas pela realização de um estudo base com o objectivo de caracterizar a população residente na província de Luanda. Pretendíamos saber a repartição desta população em termos de sexo e de idade e a sua distribuição em termos de municípios de residência, de forma a definirmos um plano amostral que fosse representativo do Universo em estudo.Nos outros países não é preciso realizar este estudo-base atendendo ao facto de existir informação fornecida pelos censos. Ora, a circunstância de não dispormos desta informação em Angola, obrigou-nos a realizar um trabalho redobrado para obter a caracterização da população residente em Luanda. Só assim, nos foi possível definir uma amostra representativa, a partir da qual se pode efectuar a extrapolação dos resultados para o Universo.Já com a experiência dos anos anteriores (2007 e 2008), este ano optámos por efectuar 3.000 entrevistas na província de Luanda e uma sobre-amostragem de 1.870 entrevistas nos estratos económicos com maior poder de compra (ABC). Quantos entrevistadores foram envolvidos? Cerca de 30, ao longo de aproximadamente 3 meses. E fazemos formação. Temos jovens universitários, só que, com a carência de quadros com que nos confrontámos actualmente, estes facilmente arranjam emprego. Andamos sempre a formar gente nova. Transportamos os nossos entrevistadores para as zonas do inquérito, temos supervisores no terreno e quando os questionários chegam fazemos uma verificação manual e informática da consistência das repostas; todos aqueles que levantam algum tipo de dúvidas vão para supervisão e outros há que são anulados. O peso dos estratos de menor rendimento não influencia os resultados? Os resultados que apresentamos no estudo traduzem a realidade da província de Luanda em termos da sua composição. O resultado global resulta de uma média ponderada dos resultados de cada estrato, cujo ponderador é o peso do próprio estrato. Tivemos de fazer uma sobreamostragem para os estratos ABC porque no AMPS global uma grande parte da população apresenta baixo rendimento, pelo que os estratos D e E têm um peso muito significativo. Mesmo assim é muito bom que cerca de 50% dos entrevistados leia jornais… Não estamos a dizer que os compram, estamos a dizer é que costumam ler ou folhear jornais. Ver jornais… É um pouco isso. O facto de não se usar tanto a Internet e outros meios permite que as pessoas se agarrem a tudo o que apanham. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_54/pais_54%20lr-164.jpg Qual o valor da Internet? Representa 15% em termos de acesso no âmbito global. E convém sublinhar que quando dizemos acesso à Internet queremos significar que basta a pessoa consultar a Internet para considerarmos que acede. Temos uma população muito jovem e os jovens têm tendência a consultar a Internet, por exemplo, nos cybercafés. Isto em Luanda. Se formos para o interior as coisas tornam-se muito diferentes. Mas 15% comparado com os jornais é um valor baixo… É normal. A Internet é muito mais cara e um jornal pode passar de mão. O nosso grande problema em utilizar os indicadores de media de que dispomos é que aqui a noção de última edição é um bocado relativa. Temos até revistas e publicações que nem a data têm. Temos várias! Fazemos uma procura activa e por vezes temos aqui colaboradores que passam manhãs inteiras a tentarem contactá-las. As pessoas não dão então muita importância à actualidade? Se formos falar para um público mais selectivo, para o A, B, C se calhar já não é a mesma coisa. Foi por isso que fomos obrigados a fazer os estratos A, B, C, que são os mais exigentes, a todos os níveis. Penso que o grau de exigência irá aumentando...pois a tendência é haver uma diminuição de pessoas de baixo rendimento e a classe média aumentar. Esse é um dado interessante: a relação com a actualidade aumenta com o estrato. Interpelam directamente as pessoas sobre os jornais que preferem? Perguntamos-lhes primeiro quais os jornais que lêem e, de seguida, sugerimos mesmo: e lê este e lê aquele? Face a estes dados considera que vale a pena fazer publicidade em Angola? Quando perguntamos às pessoas de que publicidade é que se recordam a resposta incide invariável e maioritariamente sobre a publicidade na televisão. Mas a imprensa que, em países mais desenvolvidos, sofre uma concorrência muito grande da publicidade na Internet, aqui é um meio a ter em conta. Que tipo de clientes adquirem o serviço da Marktest? Além do AMPS temos outras áreas de actividade. Semprerelacionadas com “fornecer informação”. Temos, por exemplo, a análise da publicidade veiculada na imprensa angolana e na TV. Os anúncios veiculados e as marcas que anunciam. E os jornais/ TV compram esta informação, para se compararem entre si, os anunciantes para ver se os anúncios que contrataram estão a sair e para saber o que a concorrência está a comunicar. Estes relatórios permitem fazer uma avaliação em termos de posicionamento: se estão a investir mais ou se estão a investir menos que a concorrência. Há ainda as agências de publicidade, que procuram saber quem são os principais anunciantes, as boas contas que poderiam ter. Os jornais compram os “alertas” que a Marktest divulga sobre o surgimento de novas campanhas? Não. O desenvolvimento do mercado dos media é recente. Quando começámos, há quase três anos, já se fazia alguma pesquisa, mas era ainda tudo muito incipiente. Nos últimos dois anos verificou-se um pouco um boom, com o surgimento de novos “players”. Quando a Marktest iniciou a actividade não existiam o Novo Jornal ou O PAÍS. Isto tem vindo, de alguma forma, a obrigar as agências, bem como os próprios meios, a obter informação adicional. Noutros países não se tomam decisões sem se dispor de informação adicional, sem se recorrer a empresas de pesquisa. Aqui não é bem assim. Os meios são poucos, os concorrentes ainda são poucos, ainda funciona muito a intuição. Esta nova vaga de meios fez crescer o investimento publicitário? Um pouco. Não só o facto por terem aparecido mais jornais mas também por as empresas estarem a fazer outra aposta no país. Novos negócios, mais anúncios. Vamos ver se a recessão dos últimos meses não se traduzirá agora num pequeno decréscimo. Há novos sectores a pesarem no conjunto do investimento publicitário? Tenho notado que aparecem mais anúncios, por exemplo, no ramo automóvel e no imobiliário. E os grandes investidores tradicionais estão a investir mais? Sim, um pouco mais, mas não sei até que ponto isso se deve ao facto de os meios serem mais caros. A televisão absorve boa parte do investimento publicitário… Neste momento não estou em condições de comentar esta afirmação. Isto porque, enquanto na Imprensa (jornais e revistas), nós fazemos a monitorização de todas as publicações, no caso da televisão temos dados, apenas, para os canais TPA 1, Globo e Record, o que não representa o total do investimento publicitário em televisão.Começámos a monitorizar a TPA2 o mês passado e passaremos a monitorizar a TV Zimbo no mês que vem. Vamos ter resultados ainda esta ano, para estes dois canais. Não é justo estar a dizer que a TPA1 capta mais investimentos quando sabemos que a TPA2 e a TV Zimbo são importantes no mercado. Até ao fim do ano, vamos disponibilizar dados da publicidade na ZIMBO e na TPA2. O vosso Media Center não está a monitorizá-las? É pequeno e ainda não temos a possibilidade de monitorizar todos os canais. O acompanhamento das rádios e de mais canais implica um investimento adicional. Onde temos maior carência é na parte técnica, confrontamo-nos com os habituais problemas de falta de sistema,quebra de sinal… E quanto a audiências? Com efeito, uma coisa é a monitorização, outra a audiência. É importante saber onde os anúncios saem mas também é importante saber se o canal tem audiências ou não. Neste momento, a única forma de medição dessas audiências em Angola é através do nosso estudo AMPS (inquérito á população). Está no vosso horizonte introduzir os audímetros? Está. Há um estudo nosso que aponta nesse sentido. Mas repare, mesmo países como a África do Sul não têm audímetros. Em países onde se colocam ainda certas dificuldades no plano tecnológico, em que as ligações não são fáceis, os audímetros nem sempre representam a melhor solução. Por isso, sabemos que temos de conferir maior regularidade ao estudo de audiências que fazemos anualmente. Contamos com um determinado número de clientes e, à medida que os clientes forem aumentando, vamos intensificar a periodicidade. Ora, se o número de clientes ainda não é muito elevado é porque o mercado ainda não está a pedir essa regularidade. Embora vá aumentado. Vão pois realizar o estudo AMPS com mais regularidade… A minha ideia é de que, dentro de 6 meses, voltemos a repeti-lo, pelo menos no que toca à parte dos media. Por exemplo, o jornal O PAÍS é uma publicação recente, daqui a 6 meses já pode ter outro posicionamento. Será interessante verificar este tipo de situações. Qual a influência do estudo na decisão de investimento publicitário pelos anunciantes? Os anunciantes também vêem no estudo uma fonte de informação adicional que lhes pode interessar. Temos informação sobre audiências, canais mais vistos, rádio mais escutada...isto é importante para os anunciantes fazerem decisões acertadas sobre os seus investimentos publicitários. A Marktest é o maior grupo português em “marketing research”. O “know-how” acumulado tem sido importante no desenvolvimento da vossa actividade em Angola? Tentamos ter os mesmos tipos de produtos que a Marktest tem em Portugal, adaptando-os à nossa dimensão, vamos crescendo à medida que o mercado vai pedindo. Contamos com uma equipa técnica que veio de Portugal. Mas também reunimos quadros nacionais. Neste momento já temos mais de 20 pessoas connosco. E temos sempre, como referi, a preocupação de nos ligarmos a outras empresas em África, procurando beber um pouco do respectivo “know-how”. Temos as nossas particularidades, por exemplo eles não precisam de perguntar às pessoas se têm gerador. Temos gerador mas também um mercado publicitário a crescer… O mercado publicitário engloba produtos de grande consumo e Angola tem uma população muito jovem. É a riqueza do país. Angola é um país abençoado, tem as riquezas naturais e as próprias pessoas, que são jovens. Que vão procurar melhorar a sua condição de vida, com aquilo que é próprio da juventude: muito gasto imediato e pouco espírito de poupança. As perspectivas são boas. Debatemo-nos com algumas dificuldades mas aposto em Angola. Há trânsito a mais em Luanda mas também é verdade que, nas outras províncias, não existe um mercado borbulhante como em Luanda. Matthias Offodile December 15th, 2009, 07:37 PM Hélder Cafala // Docente Universitário Defesa Nacional começa em cada um de nós http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_55/pais55lr_68.jpg Pertenceu ao primeiro curso de ciências políticas ministrado em Angola, agora dá aulas numa Universidade e está ligado ao Instituto de Defesa Nacional, um órgão do ministério da Defesa. Diz que cada um de nós é o Estado e que os nossos políticos evidenciam não ter assessoria de politólogos. É professor de ciências políticas, sente que esta área forma políticos ou apenas gestores capazes de entender a vida de um país? O curso de ciência Política não forma políticos, pois a política é uma vocação, para exerce-la não é necessário passar numa carteira, mas a formação em ciência política dá capacidade ao homem de ver os factos políticos de uma forma muito mais técnica e uma capacidade maior de gestão da vida política do Estado. Acha que um político formado na sua área é mais capaz que um outro com formação noutra área qualquer? Eu pessoalmente acredito que sim, porque estamos a falar de um curso que o seu programa académico engloba diversas disciplinas das mais diversas áreas (Relações Internacionais 8-9 cadeiras, Direito 9-10 cadeiras, Disciplinas duras 8 cadeiras) e nós que fomos formados pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN no 1º e 2º ano fizemos Gestão e Administração Pública e Ciência Política, só a partir do 3º é que tivemos apenas matérias ligadas a ciência política, logo aumenta a nossa capacidade de acção política. O que o levou a optar por esta área, sabendo-se que as saídas se ficam pelo ensino ou pelo funcionalismo num partido político? Quando eu entrei no curso de ciência política a minha mãe quase morria, conhecendo a nossa triste historia política, mas hoje orgulhase dos dois filhos que tem formados nesta área. Esta é uma ideia vaga que muitos têm sobre este curso, depois de lá estarmos sente-se que após formação não faltarão áreas para trabalhar, pois onde existe actividade humana está a politologia. Faz parte do primeiro grupo de angolanos formados em ciências políticas em território nacional, quantos do seu grupo estão a seguir carreira política? O homem é um animal político já dizia o filosofo, mas na categoria política tem os passivos e tem os activos. Activamente são poucos, mas digo sem medo de errar que 85% dos estudantes de ciência política do 1º grupo estão bem enquadrados e são reconhecidos como indivíduos competentes dentro dos organismos do Estado. Quando se apresenta aos alunos e lhes fala da sua cadeira, o que lhes diz em primeiro lugar? Que vamos falar de uma cadeira muito polémica e que por isso devemos esquecer na parte de fora da sala as nossas crenças, cores partidárias, raça, idade, religião, etc. E que na sala só falaremos de ciência, mais nada. Acha que uma pessoa formada em ciências políticas no seu ambiente (em Angola, no caso) está melhor preparada para lidar com questões políticas que alguém formado no exterior? Sem sombra de dúvidas, pois em Angola é muito difícil perspectivamos a política. O que é normal nos outros países aqui é diferente, e nota-se quando estamos diante de indivíduos formados em ciência política no exterior. Quando olha para os nossos políticos, acha que em alguns deles sobressaem erros de quem não tem esta formação? Todos os dias noto isso, mas não é uma questão de ter ou não essa formação. 1º é por não procurarem dominar estes termos, tornam-se relaxados, 2º Não têm assessores políticos formados em Ciência Política (a maioria nem tem um assessor). Pena que o Estado pouco faz para o reconhecimento deste Curso, pois em 7 anos de existência ainda não se vê nos concursos públicos a solicitação de indivíduos formados em ciência política, dando espaço para os Juristas e indivíduos formados em Relações internacionais ocuparem o espaço dos Politólogos. Sei que está ligado ao Instituto de Defesa Nacional (IDN), um órgão do ministério da Defesa. Justifica-se a existência de tal Instituto? Justifica-se pois é o órgão do ministério da Defesa com actividade centrada no estudo, investigação e divulgação das matérias ligadas à Defesa Nacional, hoje, pelas actividades que realiza demonstra a sua verdadeira importância não só para o ministério mas para a vida do país no Geral. Quando se ouve falar no IDN, ouvese falar dos cursos que ministram, a vossa actividade fica-se pelos cursos? As actividades do IDN vão mais além, mas a prioridade é retirar da sociedade angolana o tabu que existe em relacionarem sempre a Defesa Nacional aos órgãos militarizados ou para-militarizados, munindo assim todos os cidadãos de conhecimentos básicos sobre a Defesa Nacional que começa em cada um de nós. Falar de defesa nacional com civis não cheira a comunismo? Aquela ideia de que todos temos de estar preparados para a luta … Muito pelo contrario, os cursos em si são uma demonstração do exercício da democracia pois aborda-se não só questões ligadas à Defesa Nacional mas questões que envolvem a vida do país no geral e mais, procura-se passar aos jovens a ideia de que em democracia existem mecanismos próprios para o exercício da cidadania e nada melhor do que numa sala de debates abertos. É formado em Ciência Política e dá aulas numa Universidade, sente que o conceito de defesa nacional está presente no nosso ensino universitário? É lamentável dizer isto mas tenho que ser sincero em dizer que não, os estudantes universitários sentem ainda a falta de muitos conceitos básicos ligados ao Estado e isso é preocupante. Defesa nacional passa também pela promoção da ideia da angolanidade e do orgulho de ser angolano? A Defesa Nacional vai mais além do que angolanidade, pois, angolanidade parece-me estar ligado com as raízes e orgulho angolano uma questão de identidade, mas a Defesa Nacional inclui a defesa do Estado e das suas Instituições promovendo assim a harmonia e a estabilidade do Estado, partindo do pressuposto de que cada angolano é o Estado. Perfil * Nome: Hélder Estêvão Alexandre Cafala * Data e local De Nascimento: 06 de Fevereiro, em Luanda * Estado civil: Casado * Filhos: Uma Filha * Prato prferido: Mufete de Chopa e molho de carne seca com banana-pão * Sabe cozinhar? O básico para não morrer de fome * O que está a ler: A pesquisar livros ligados a ciência politica * Autor (a) preferido (a)? Norberto Bobbio, Pasquino e Dalle Carnige * Cidade para férias: Huambo * Local De Angola onde gostaria de estar neste momento? Luanda Matthias Offodile December 20th, 2009, 08:47 PM Alberto Cafussa // Jornalista ‘Aprendi a estruturar o meu pensamento’ http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_58/pais58_lr_192.jpg Até onde sabemos, licenciou-se em Ciências Políticas, na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN com distinção máxima, mas pelos vistos é no jornalismo onde dá cartas. A que se deve esta opção? Comecei a exercer jornalismo pouco depois de terminar o curso no Instituto Médio de Jornalismo (IMEL), em 1995, fazendo parte de uma geração que hoje está no lugar cimeiro da profissão nos diversos órgãos de comunicação social. Entrei no jornalismo e todos os meus sonhos de miúdo desvaneceram. Eu queria ser médico ou agrónomo. A opção pelo jornalismo foi um acaso. Mas é nessa profissão em que me tornei rico (risos)... Aprendi a estruturar o meu pensamento e a ver o mundo de outra forma. Através do jornalismo, perdi a paixão pelas ideologias e deixei de chorar. Afinal, é preciso despir-nos de sentimentalismo para retratar os factos com objectividade possível. Isso torna-nos serenos e “homens sem coração”. A opção pela Ciência Política foi só um passo para a descoberta de muita coisa que me intrigava: o poder político. Eu nasci numa aldeia e fui obrigado a abandonar os meus pais, aos 13 anos, devido ao desentendimento entre os políticos. Não percebia por que as pessoas sacrificavam a própria vida só por causa do poder! Nota que eu tive de abandonar o curso superior de comunicação social no Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA), onde tive bolsa parcial para fazer Ciência Política, depois de passar ao teste de admissão com 92 valores (nota só obtida por dois candidatos). Estudei Ciência Política com paixão e hoje penso como politólogo e executo como jornalista. As duas paixões residem em mim. E aqui a poligamia é possível (risos). Há alguma relação entre o jornalismo e Ciências Políticas? Muita gente hoje me pede a chave do meu sucesso no curso superior de Ciência Política. O que lhes digo é que exerçam jornalismo. A forma de olhar e interpretar os factos e a capacidade crítica tornam primos as duas ciências. Se a Ciência Política estuda o poder e todas as suas manifestações, o jornalismo está entre o poder e as massas (não gosto deste termo). As duas disciplinas exercem uma acção social muito forte. Não é por acaso que o programa curricular de Ciência Política inclui disciplinas que têm a ver com comunicação de massa. Quem por exemplo, estuda marketing político tem de ter capacidade conceptual sobre as duas ciências. Tendo sido um estudante do quadro de honra na Universidade, ao optar pelo jornalismo temos motivos para afirmar que o país perdeu um bom cientista político, mas ao mesmo tempo ganhou um excelente jornalista… O país não perdeu nada. A minha grande aposta, mesmo como jornalista e politólogo, é fazer investigação científica na área do poder. Digo bem: aposta e não sonho. Há uma confusão que se tem feito – e muitos colegas também o fizeram quando entraram no curso: pensa-se que quem estuda Ciência Política tem de fazer política ou deve trabalhar nos órgãos de soberania. Errado! O politólogo (os brasileiros chamam-no cientista político) estuda o poder e ele fá-lo ainda que colocado na Redacção de um jornal. O maior projecto da minha vida é a academia que tem como epicentro a investigação científica. Só por isso é que lecciono na faculdade onde estudei. Enquanto académico, posiciono-me como politólogo. Esta é a minha formação universitária. Você já passou por três empresas de comunicação social. Do ponto de vista de afirmação profissional, que experiência pôde colher dessa mudança de ares? É verdade! Passei por duas Redacções com profissionais sérios. O Angolense do Américo Gonçalves e Graça Campos e o Jornal de Angola, de Luís Fernando, Osvaldo Gonçalves e Luísa Rogério. Se no Angolense fui simples repórter (nunca fui estagiário), no Jornal de Angola comecei a despontar profissionalmente. Cedo (oito meses de casa), passei para cargo de responsabilidade na editoria económica, onde ajudei a lançar o primeiro suplemento económico que deu origem ao Jornal de Economia e Finanças. Mas, se no Jornal de Angola, olhava para algumas páginas, hoje no Semanário Económico, temos de olhar para um jornal complexo. Temos de pensar num bebé que pode descarrilar se nos distrairmos. Sentimos o peso das exigências de um público que espera pelo jornal na quinta-feira e de uma equipa que tem no jornal a garantia do seu emprego. De resto, estou a fazer uma carreira. Então, a sua inserção na abordagem económica (foi editor de economia no Jorna l de Angola, agora Chefe de Redacção do Semanário Económico do Grupo Média Nova), não foi por mero acaso… Não foi. Todo o atleta tem um percurso e uma meta a atingir. Portanto, quando os nossos sonhos estão a ser ofuscados, temos de repensar a caminhada e, se for possível, mudar de rumo. Cheguei a um momento que sentia perder a auto-estima profissional. O estilo de liderança do gestor máximo não promove (ia) criatividade. Só ia trabalhar para cumprir e ganhar dinheiro. E os leitores cobravam. Entendi que, depois do convite do grupo Media Nova, o meu projecto no Jornal de Angola tinha sido cumprido e era preciso assumir novos desafios e cumprir com um acto histórico: lançar um jornal económico moderno. O Semanário Económico do Grupo Media Nova foi o último produto lançado no mercado da comunicação social em Angola e pelos vistos já tomou a dianteira, no que concerne à audiência… Não exagere (risos). O nosso SE é um produto que vem de mentes jovens, sem calos, mas também sem vícios. E o que nós procuramos fazer é inovar e aceitar as críticas. Apesar da nossa pequenez, conhecemos o mercado e sabemos o que a nossa Angola precisa. Informar é também um acto cultural. E é isso que os jovens angolanos procuram fazer no SE com a devida paixão. Os leitores receberam o produto com agrado. Sai a quinta-feira e até sexta-feira, os leitores já não o encontram na rua. Como encara a concorrência do ponto de vista de abordagem económica no país? Ela é salutar? As fontes são acessíveis? Um jornal reflecte a linha de pensamento dos seus fazedores, dentro de um ideal (a linha editorial). Portanto, a concorrência é bastante salutar, tanto para o consumidor quanto para nós, os produtores. Afinal, a concorrência pressiona-nos a aperfeiçoar a nossa forma de actuação. Quanto às fontes, esta é a guerra de todos os dias. Mas elas já começam a abrir as portas, porque começam a entender que se não falarem, alguém o fará por elas... Com base na concorrência, o que podemos esperar do Semanário Económico daqui em diante? Podem esperar por surpresas agradáveis! Perfil * Nome: Alberto Colino Cafussa * Data de Nascimento: 15 de Fevereiro (no bilhete está 15 de Outubro) de 1974 * Localidade: Kwale, Kalandula (Malanje) * Habilitações Literárias: formação superior * Função: Chefe de Redacção do Semanário Económico, do grupo Media Nova * Bebda: Sumos naturais * Prato preferido: funji com carne grelhada. * Livro: Gente Feliz Com Lágrimas, de João de Melo (português) * Filme: Risco Total, de Sylvester Stallone * Passa tempo: Teatro * Perfume: Zarro Matthias Offodile December 25th, 2009, 07:20 PM Ilídia Ceita ‘É um erro trabalhar em várias clínicas’ Especialista em pneumologia, formada na África do Sul, a médica Ilídia Ceita é contra o emprego de um médico em mais de duas clínicas. Já se pode confiar na capacidade e competência dos nossos médicos? Não digo tanto, porque há vários escalões de médicos. Há aqueles médicos que já têm uma certa experiência, que tiveram oportunidade de passar por muitos países onde a medicina está mais avançada que em Angola e aqueles que não tiveram essa oportunidade e estiveram sempre no país e também não têm tanta experiência e é como tudo, vai-se cometendo erros daqui e dacolá, mas muito pouco são os erros que perigam a vida dos pacientes. Mas vamos tendo nos nossos hospitais, muitos casos de falta de humanismo… Propriamente não se trata de falta de humanismo, nós os médicos também somos humanos, somos pessoas e estamos sujeitos à pressão e na realidade não é falta de humanismo. Como disse, como pessoas que somos, há aquelas situações em que os hospitais, muitas vezes, carecem de meios básicos para o exercício da nossa profissão. Na realidade, nós queremos tratar os doentes, mas não temos esses meios para tratá-los, então, como pode ver, não é propriamente falta de humanismo, o médico fica nervoso, o médico fica aborrecido, porque no fim quer tratar o doente e não tem meios para o fazer. Com base nisto, eu apelaria também que se respeitasse isso, que não fossem só para cima dos médicos, mas que olham na realidade os meios e toda situação que envolve a actividade dos médicos, se uma pessoa fez medicina é para tratarmos as pessoas, por isso temos que ter uma dose de humanismo, lógico, mas também olhem para as condições de trabalho dos médicos. Nós, a classe médica, estamos muito sentidos com isso, porque as pessoas só querem vir para cima dos médicos, mas não olham realmente para as condições em que trabalham os médicos e as condições para os pacientes seres atendidos. Se, por exemplo, não houver condições para atendimento de um paciente, quer no chão, na maca, ou na cama ter dois ou três doentes isso põe frustrado qualquer um. É bom que quando se criticasse a atitude dos médicos que se olhasse antes, tanto para as condições de trabalho dos médicos, tanto a oferta de condições para os pacientes. http://www.opais.net/resources/images/pais58_lr-110.jpg A senhora nega a existência de falta de humanismo, mas nos últimos dias esta questão esteve muito à baila, até nos pronunciamentos do próprio ministro da Saúde, uma situação que inclusive ditou o afastamento da direcção de um hospital… O Ministério da Saúde e outras entidades como o Comité de Especialidade dos Médicos do MPLA estiveram por cima dos médicos, mas eu acho que são estas entidades, em primeira instância, que deviam estar ao lado de nós, saber também reconhecer o seu erro pela falta de meios a nível dos hospitais. É como disse primeiramente, não é bem a falta de humanismo, porque para aquele caso, de certeza que o médico já se encontrava frustrado e pelo que ouvi dizer, já estava a trabalhar com pacientes, inclusive que já não tinham camas e se calhar teriam que pôr a paciente numa maca no chão, penso que o próprio médico naquela altura está nessa condição de frustração, de nervosismo pelas más condições em que se encontrava a trabalhar. O facto de muitos médicos trabalharem em duas, três ou cinco clínicas, não estará a contribuir para esse estado de coisas? Também é verdade! É natural que cada ser humano tem um nível de resistência para além do qual não consegue fazer mais nada. É um erro trabalhar em várias clínicas, penso que em mais de duas clínicas não devia ser permitido. Acha que se deveria criar uma regulamentação a propósito para se disciplinar a contratação de médicos por parte das clínicas privadas? Acho que sim, já que nós médicos também não reconhecemos que devemos limitar também a nossa vontade de trabalhar em várias clínicas, isso devido à necessidade de ganhar mais dinheiro, mas também, como disse, nós trabalhamos com pacientes, temos que estar preparados para tal, por isso em muitas clínicas acho que não dá e deve ser regulamentado mesmo. Em mais de duas clínicas não devia ser permitido. http://www.opais.net/resources/images/pais58_lr-112.jpg O facto de se trabalhar em mais de duas clínicas está relacionado com baixos salários ou porque o país carece de médicos especialistas, o que leva à disputa dos seus préstimos por parte de várias clínicas ao mesmo tempo? Acho que as duas situações se relacionam. Nós temos poucos médicos e também os salários que auferimos actualmente não são por ai além. Podemos não ganhar tão mal, mas, por exemplo, se desse salário tiver que tirar dinheiro para pagar uma cisterna de água de dez mil litros, que pode custar 18 a 20 mil Kwanzas (falo com conhecimento de causa, porque compro esse produto periodicamente) vai faltando energia eléctrica e você tem que comprar combustível, quer dizer nesse salário não está previsto estes gastos que poderiam ser evitados caso se criassem a nível dos bairros condições para o fornecimento regular de água e luz. Se tiver uma casa grande, durante um mês pode chegar a gastar mil dólares só na compra de cisternas de água e os nossos salários embora se diga que sejam altos, não suportam, não prevêem despesas dessa natureza, daí a necessidade de se ter alternativas, o que passa por trabalhar em muitas clínicas. Fala-se que a nível do nosso Sistema Nacional de Saúde, os médicos angolanos já não estão assim tão mal do ponto de vista salarial… Não estamos tão mal do ponto de vista salarial, mas o que se verifica é que gastamos muito em coisas básicas como em água e luz, (cisternas de água, compra de geradores e o respectivo combustível diário) o que não era suposto gastar caso esses bens fossem colocados ao serviço de toda população, ali onde reside. Já imaginou gastar num mês 800 a mil dólares só na compra de água, sem falar no combustível para o gerador, então quanto é que fica no salário para outros gastos que também não são menos importantes? Portanto, é como no outro dia alguém disse que os médicos angolanos têm os salários mais alto de África, gostaria que esta pessoa pensasse um bocado, se nos outros países os médicos também gastam somas altas em água e luz, por exemplo. Tratamento no exterior é exibicionismo A saída para o exterior, principalmente de governantes à procura de soluções para os seus problemas de saúde é reflexo da falta de confiança no serviço de saúde prestado no país? De alguma forma, pode ser que sim. De outra forma pode estar relacionado com a vaidade, o exibicionismo, ou simplesmente queimar dinheiro o que move estas pessoas a se deslocarem ao exterior supostamente em busca de soluções para os seus problemas de saúde. Eu estive fora, estive na África do Sul, onde fiz a minha formação, a minha especialização, e vi que muita gente endinheirada aparecia por lá por coisas mínimas, que podiam ser resolvidas em Angola, se calhar a custo zero. Eu muitas vezes ficava envergonhada, quando acompanhava essas pessoas ao médico e as queixas que apresentavam, o diagnóstico feito, sinceramente eu me perguntava se isto em Angola não podia ser ultrapassável, então não sei o que o serviço de saúde público e privado está a fazer na realidade. Como eu disse, pode ser que em algumas situações estejam relacionadas com falta de confiança nos serviços de saúde prestados no país, embora não se justifique tanto e, por outro, trata-se de exibicionismo, querer mostrar que tem dinheiro, mostrar que pode gastar naquilo que quiser. Como qualificar essa atitude? É um bocado difícil qualificar esse tipo de comportamento, porque se dissesse, na verdade poderia chocar e ferir determinadas pessoas, mas cada um é como é, quando se tem muito e também não houve tanto esforço para se obter esse muito, pode gastar até pôr no fogo. Investimentos nos hospitais são desproporcionais Por aquilo que é a sua experiência, acha que os investimentos feitos nos hospitais públicos, principalmente em Luanda, são compatíveis? Já foram feitos muitos investimentos, mas infelizmente os investimentos que se fazem não são paralelos à formação de recursos humanos, embora se fale muito que se mandou para o exterior este ou aquele quadro, mas o que se verifica na prática não é compatível. Há muitos hospitais, entre eles o Josina Machel, é um monstro, é um hospital bom, mas sob ponto de vista de recursos humanos e de gestão, não me parece ser muito funcional, não me parece ser aquilo que se esperava. Tal como este, existem também outros hospitais em que você vê à distância, a partir da fachada principal, que está muito bonito, fizeram-se obras, mas do ponto de vista funcional e de recursos humanos, ainda estão muito aquém. O Centro Nacional de Oncologia tem médicos que foram ao exterior, concretamente no Brasil, fazer cursos de radioterapia, mas que chegaram ao país, o quê que estão a fazer? Não estão a fazer nada, porque também a técnica ainda não deve estar cá disponível, por isso ainda não se faz radioterapia, embora já se tenha formado pessoas nesse campo. O quê essas pessoas estão a fazer? Não estão a fazer nada, e quando a tecnologia chegar, se calhar terão que voltar ao exterior para refrescamento de conhecimentos, porque como é natural, depois de tanto tempo sem aplicação de conhecimentos corre-se o risco de se esquecer aquilo que aprendemos. Infelizmente é isto, a formação de recursos humanos e a modernização dos hospitais são desproporcionais. Então, a modernização que assistimos nos nossos hospitais é cosmética? É, pode crer! Olhando para a sua área de formação que é em pneumologia, que caracterização faz das doenças respiratórias no nosso país? Dentro desta área, no nosso país, a doença mais frequente tem sido de longe a tuberculose pulmonar, vindo a seguir a pneumonia, a asma e, no caso dos fumadores, as doenças pulmonares de perspectiva crónica, que lesam o pulmão devido ao cigarro, estas têm sido as mais frequentes. As causas estão identificadas? As causas, como disse, a doença pulmonar e a perspectiva crónica têm a ver com o cigarro, a tuberculose é uma doença que geralmente existe em grandes escala nos países pobres, devido a má nutrição, devido às más condições de alojamento, entre outras. Nós que estamos num país em que quase não se pensa em arborização nos projectos habitacionais, sem parques de campismo, com muita poeira à mistura, que relação pode haver com essas doenças de foro respiratório? Sabe que hoje em dia há muito derrube de árvores, porque existe por parte de algumas pessoas a fúria de construir prédios, esquecendo da arborização, dos jardins dos campismos, entre outros, isto pode influenciar no surgimento de doenças respiratórias. Os campos, a jardinagem e os lugares onde devia existir uma boa ventilação, com a presença de oxigénio, não se tem sentido a sua existência no país. A isto alia-se o facto de o nosso país ser muito quente e chover pouco e a água não é tão disponível assim para a manutenção de jardins e outros espaços verdes. E temos muita poeira… A nossa cidade produz muita poeira e isto, claro, para as doenças respiratórias é uma via aberta para a sua propagação. É um mal! A falta de asfalto, de passeios e de calçadas nas nossas ruas tem algum reflexo, algum impacto na existência de doenças respiratórias? Claro que tem. Como eu disse, a falta de saneamento básico, a superlotação das cidades, a construção desordenada, a existência de bairros cujas casas estão sobrepostas umas a outras, isso tudo, de um a forma directa ou indirecta leva não só a um agravamento das doenças respiratórias, mas também de outras doenças, sabe que assim a transmissão das doenças é mais rápida, são mais pessoas a serem infectadas e a infectar. Vê alguma estratégia no sentido de se melhorar este estado de coisas? A estratégia passa por se melhorar as condições de vida da população, melhorar o saneamento básico, melhorar o nível escolar das pessoas, porque assim irão compreender melhor determinadas situações para uma melhor saúde dos seus familiares, a questão do alojamento de forma a que não fique a morar tanta gente em espaço muito pequenino, essas são situações que devem ser atacadas por forma a melhorar esta situação. A doutora quer deixar algum apelo às nossas autoridades relativamente a várias questões que afligem os quadros angolanos? Quero apelar a quem de direito para que confiasse mais nos angolanos, porque se nós já fomos para fora para aprender, então não pode haver discriminação naquilo que o angolano aprendeu relativamente ao estrangeiro, porque a escola é a mesma e penso que devem dar mais abertura, mais carinho aos angolanos que querem trabalhar para Angola, porque na realidade você não pode confiar mais no estrangeiro em detrimento do angolano, na medida em que o angolano trabalha por amor à sua pátria, enquanto que o estrangeiro trabalha por amor ao dinheiro. Frescura: um dia mau para todos http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_59/pais59lr_79.jpg Comandante provincial da Polícia Nacional em Luanda, Quim Ribeiro, comissário, diz-se um homem capaz de passar um dia com um bebé, o que vai de encontro ao momento em que se considera h Reconhece que nos meses de Novembro e Dezembro, o consumismo pode levar ao crescimento de alguns tipos de crime, o que justifica maior presença policial nas ruas. “Quando se previne bem, diminui-se a necessidade da repressão”, diz. Como Comandante provincial foi ao tribunal depor no Caso Frescura e diz que não se sentiu diminuído na sua autoridade, antes, cumpriu com o seu dever. Estamos na época de Natal, para um comandante da polícia dá para desligar o rádio, o telefone e ficar a conviver apenas com a família? A família compreende a razão da nossa ausência em muitos períodos de festa e este ano é, por diversas razões, mais difícil ter um tempo para festas. Pessoalmente sente-se mais seguro na época natalícia, com mais agentes na rua? É bom para todos nós, população e Polícia, que haja mais presença policial e maior segurança para pessoas e bens. As chefias da polícia costumam ter uma atenção mais especial para com os agentes que trabalham no Natal ou é tudo como nos outros dias … os ossos da profissão? A nossa atenção para com o nosso subordinado é permanente durante os 365 dias do ano. Nem sempre conseguimos, mas eles sabem das iniciativas que o CGPN (Comando Geral da Polícia Nacional) desenvolve para motivá-los, acarinha-los e acompanhá-los. Olhando para o aparato policial na época de Natal dá para querer que o natal seja todos os dias. O que leva a esta diferença … trata-se de uma época potencialmente mais complicada em termos de segurança pública? É perceptível que os cinco ou seis dias de festa alusiva à quadra festiva são inferiores aos outros 365 dias que conformam o ano, tornando-se assim possível, de facto, maior presença policial na via pública Quantos homens Luanda terá na rua nesta quadra festiva? Mais do que a quantidade, o importante é que a população de Luanda se sinta tranquila e que no balanço final estejamos todos satisfeitos O que é que a polícia já aprendeu com a quadra festiva, há mais crimes intencionais ou há apenas mais comportamentos descuidados, como a questão do trânsito, por exemplo? Novembro é um mês típico quanto ao roubo de valores como consequência da maior propensão consumista e em Dezembro, havendo ainda essa atitude típica, é também o mês de muitos acidentes de viação, pela falta de respeito pelas normas do Código de Estrada As medidas de segurança em Luanda, nesta época, irão estenderse até ao CAN ou o campeonato terá outro tipo de operação? São acções muito diferentes, mas de elevada complexidade. Tudo faremos para que o profissionalismo das nossas forças se acentue e seja reconhecido pelos luandinos e por todos os que nos visitem. Na época do CAN a postura da polícia será mais do género policiamento de proximidade, com interacção com a sociedade, ou será com de forma mais dissuasora? O papel fundamental da Polícia baseia-se na prevenção. Quando se previne bem diminui-se a necessidade da repressão. Uma boa parte dos agentes da polícia não fala mais que o português. Vindo gente de fora, falantes de inglês e francês, como está pensada esta situação? É uma ilusão de óptica pensar-se assim. No seio da Polícia existem falantes de diversas línguas e idiomas, para além de um conjunto de inteligências que estarão colocadas em benefício do sucesso do CAN. Sente que cada agente da polícia deveria ter um mapa da cidade para guiar as pessoas? É uma das preocupações, mas cada um de nós tem que ter o mapa da cidade onde vive, trabalha, ou passa férias. Um homem informado vale por muitos. Com a possibilidade de ocorrerem distúrbios, ou mesmo situações de esgotamento físico entre os adeptos do futebol, como lida com o facto de os nossos agentes não estarem preparados para dar os primeiros socorros? É verdadeira essa afirmação? O senhor jornalista conhece pouco a Instituição e conhece pouco a formação que os agentes da Polícia recebem em acções formativas. A segurança do CAN será feita de forma integral. Melhor dizendo, por outras forças para além da Policia, como bombeiros, paramédicos e médicos. Falemos agora da imagem da polícia, acha que a corporação se vai refazer depressa do caso Frescura? Falo em termos de imagem pública. O caso Frescura ocorreu num dia mau para todos. Este acontecimento não pode ser um handicap de todo o desempenho policial. Como se sentiu no tribunal quando foi depor para o caso Frescura? Sentiu-se diminuído na sua autoridade? Sentiu-se triste por depor num caso em que estavam a ser julgados ex-agentes da polícia? Senti-me um cidadão exemplar que não se furta à justiça e atento ao que o presidente da República tem vindo a dizer: “ninguém está acima da lei”. A minha presença no Tribunal não diminuiu a autoridade, não me incomodou, nem retirou o meu optimismo de querer ver, no futuro, uma polícia melhor e mais capaz. Acha mesmo que a expulsão de agentes mal comportados tem estado a melhorar a disciplina na corporação? A expulsão não encerra os mecanismos úteis para a melhoria da situação disciplinar dos efectivos. Mas a expulsão está contemplada no regulamento da Polícia Nacional como sanção para situações graves ou muito graves. Infelizmente temos sido forçados a aplicar esta medida em alguns casos, mas temos de convir que a imagem e o papel da corporação devem ser mantidos e respeitados, são bens importantes para a estabilidade social. Há quem diga que afastou os agentes jovens formados em Portugal, portaram-se mal, não gostou do seu trabalho, ou a sua prática não estava condizente com a nossa realidade? Não encaro os efectivos que dirijo tendo em atenção os países onde fazem a formação. Avalia-os pelo profissionalismo e competência. Também considero importantes aspectos como a sua capacitação e humildade e pela perspectiva que têm do futuro. O senhor jornalista está muito mal informado. Os comandantes das esquadras do Kilamba KIaxi, do Rangel, do Trânsito e do Gabinete de Imprensa são jovens formados em Portugal. Então, quem são os perseguidos? Voltemos a falar de si, sempre quis ser polícia ou foi a vida que o levou para aí? Vim das FAPLA, de um grupo de jovens seleccionados para integrarem a Polícia Nacional de Angola logo após a Independência. Sou polícia por vocação e amor à causa. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_59/pais59lr_96.jpg Considero-me um bom profissional e acho que tenho suficiente espírito humanitário. Já falamos do CAN, gosta de futebol? Irá ver os jogos? Tem experiências no jogo da bola ou nos clubes? Todo o angolano está ansioso com o inicio do CAN, independente mente da sua responsabilidade. Tenho vivência e formação técnica desportiva e gosto de futebol. Conheço o cheiro dos balneários, sei o que passa pela cabeça dos jogadores. Sobre o que conhece do mundo e de África, como considera a nossa polícia? A Policia angolana é reconhecida no exterior como competente e profissional. Não obstante, precisamos de melhorar muito para atingirmos níveis mais aceitáveis. Para nos sentirmos mais satisfeitos nós próprios. Como tem visto o desempenho das polícias? (agentes no feminino) A mulher, no mundo do trabalho e em papéis de utilidade pública, é uma componente indispensável para as sociedades mais modernas e, consequentemente, é normal que sejam também polícias. Gosto de ter uma polícia ao meu lado a trabalhar, não vejo diferença em relação aos efectivos masculinos. Para mim são polícias, é o importante. Perfil * Nome: Joaquim Vieira Ribeiro * Data e local de nascimento: 27/06/56, Ilha de Luanda * Estado civil: Divorciado * Prato preferido: Caldo e tudo o que a minha filha cozinha * Sabe cozinhar? Tem praticado? Não tenho tido tempo * Acha-se estranho quando não está fardado: Se estiver de jeans, sinto-me bem vestido * O que mais gosta de ler? E que género de filme gosta? Leio de tudo. E gosto de filmes policiais e de investigação Como ocupa os seus tempos livres: Não os tenho * Imagina-se a tomar conta de um bebe durante um dia inteiro? Sim! Kizaca December 25th, 2009, 08:00 PM I like the idea! I enjoyed reading these profiles... :cheers: Matthias Offodile January 4th, 2010, 11:43 AM Thanks Kizaca Artista Plástica angolana expõe ''A unicidade do tempo'' http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2009/11/49/0,bfa11f42-5087-4e59-bf78-3b4e1a1b8ed6.jpg Escrito por Administrador, em 01-12-2009 19:43 Luanda- A artista plástica angolana Daniela Ribeiro expõe a partir desta sexta-feira, em Luanda, um conjunto de obras denominadas “A unicidade do tempo”. A exposição terá lugar de quatro a 14 deste mês no edifício da Escom, em Luanda. Em entrevista à Angop, a artista, que apresenta pela primeira vez os seus trabalhos em Angola, afirmou tratar-se de um conjunto de obras em que realça à modernidade e à tradição, apostando em aspectos culturais da região sul de Angola. Composta por 22 obras, inspiradas na cultura chokwe, luba, entre outras, integrando componentes electrónicos, como resultado da reflexão sobre a uma sobreposição civilizacional entre o homem clássico africano e o homem biônico. Através destas obras, segundo a autora, procura registar a sua sensibilidade aos factores que estão a ocorrer na sociedade angolana. “A unicidade do tempo” é, de acordo com a autora, um conjunto de obras em que procura mostrar a união entre a modernidade e o tradicional, concretamente a adaptação dos angolanos aos desenvolvimentos tecnológicos que se registam ao nível mundial. “É um casamento entre o mundo tecnológico, neste caso recorrendo a peças de telefones móveis, e a cultura angolana, em geral a africana. É uma forma de mostrar que tudo o que é moderno pode e deve casar com o tradicional”, disse a artista. Segundo ela, a composição de obras feitas à base de telemóveis é uma forma de mostrar a adaptação dos africanos, em particular dos angolanos, às mudanças que se registam no mundo das tecnologias de informação. “Depois de longos anos de guerra, os angolanos conseguiram mostrar que têm capacidades para se adaptarem aos novos tempos e integrarem as novas tecnologias ao mundo em que vivem”, reforçou. Daniela Ribeiro é formada em design, imagem e criação por computador, em Portugal. É licenciada em relações internacionais na Universidade Lusíada de Lisboa. A autora frequentou ainda o curso de pintura da sociedade nacional de Belas Artes, de Lisboa. Ao longo da sua carreira realizou exposições em Lisboa e em outros países europeus. Fonte: Angop Matthias Offodile January 4th, 2010, 01:09 PM Érica Chissapa: Estrela em ascensão Actriz e repórter http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_58/edicao_5812_16_15.jpg Érica Chissapa é um talento nato e promissor na telematurgia angolana. No auge dos seus vinte e poucos anos, já realizou personagens super marcantes e queridas para todos. Com o seu sorriso cativante e sereno que nada esconde a personalidade forte e activa da nossa actriz e agora jornalista, ela revelou-nos um pouco da sua infância, adolescência, juventude e anseios para um futuro próximo. Huambo, terra querida Nasceu no Planalto Central, e de lá saiu com apenas dois anos, “Tenho poucas mas boas lembranças da minha infância, a quem não acredite digo que é verdade. O Huambo é uma terra muito linda”. Érica veio para Luanda, deixando os pais e os três irmãos para viver com os padrinhos, “foram medidas necessárias. Sempre fui muito bem tratada pelos meus padrinhos, eles são realmente os meus segundos pais”. A Primeira Vez em Palco Entrou para o teatro com 14 anos e afirma que este nunca foi o seu sonho, “sempre quis ser professora e jornalista e nunca actriz. Certo dia fui assistir os ensaios de um grupo teatral e convidaram--me para substituir uma das actrizes, porque o encenador notou que eu estava a vontade com o texto, numa peça que iria estrear três dias depois”. Érica Chissapa confessa que por timidez quase abdicou daquilo que actualmente é a sua fonte de inspiração, o teatro. A actriz pertence há mais de três anos ao grupo teatral Henriques Artes, um dos mais conceituados do país. Estreia como Protagonista Infelizmente em Angola ainda não se vive como actor ou actriz porque não é um trabalho constante. Foi atendendo o convite do actor Orlando Sérgio que Érica começou a sua trajectória para a televisão. “Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu tinha alguma ficha de inscrição como actriz na Televisão Pública de Angola, e eu disse que não. Então indicou-me algumas pessoas com quem fui ter para então fazer a abertura do meu processo. Depois chamaram-me para fazer os testes para uma nova novela eu pensei então que seria a minha entrada para a televisão mas esperei e nada acontecia”, relembra a actriz. Após tanta espera, surgiu o convite da Óscar Gil Produções para participar numa mini-série, mas mais uma vez o sonho foi adiado, pois só foram gravados dois capítulos da mesma. O sonho de Érica realizou--se em 2005, quando finalmente actuou na sua primeira novela, intitulada Sede de Viver, e logo no papel da protagonista. “Kátia era uma jovem com boas condições financeiras mas que vivia longe dos seus pais. Era livre independente, altruísta e muito mais. Era realmente um modelo para a juventude”, conta. A novela Minha Terra Minha Mãe foi a que mais exigiu da actriz. “A novela que foi gravada há quase um ano no Brasil, numa co- -produção Brasil — Angola, com actores brasileiros e angolanos. Voltei a ser protagonista nesta trama, interpretando a Teresinha. Foi muito gratificante para mim ter gravado esta novela, pela experiência que obtive, uma vez que lá éramos considerados profissionais mesmo porque abraçámos o projecto de corpo e alma. Infelizmente em Angola ainda não se vive como actor ou actriz porque não é um trabalho constante”, lamenta. A actriz confessa que foram várias as vezes que quis desistir deste grande projecto, mas teve sempre o apoio da mãe que apesar de estar distante, ajudou-a bastante a contornar as dificuldades da distância e da saudade. O grande Passo Ainda este ano, recebeu o convite para participar no teste do filme da conceituada “rainha dos baixinhos”, a brasileira Xuxa. Apesar de não ter sido a eleita, Érica gostou bastante da experiência. “Foi super gratificante mesmo. A produção do filme tinha de escolher uma angolana para participar no filme Xuxa e o Mistério de Feiurinha, e a Lesliana Pereira ficou com o papel. Ela é super competente e profissional e tenho a certeza de que todo o mundo irá gostar do desempenho dela neste projecto”. Foi graças a este casting que a actriz começou a dar azo a um sonho já antigo: tornar-se jornalista. Sempre na senda de que “de grão a grão a galinha enche o papo”, Érica aceitou o desafio de trabalhar como repórter no programa Revista África, produzido em Angola e exibido na Globo Internacional. “É um programa que passa todos os sábados. Tenho me divertido bastante porque esta iniciativa mostra o meu outro lado, como repórter. É algo que gosto muito de fazer e faço com muito amor. Sou nova nesta área e pretendo crescer e me profissionalizar”, conclui. perfil * Nome: Érica Sofia de Jesus Chissapa * Aniversário: 22 de Dezembro * Estado Civil: Solteira * Profissão: Estudante de Ciências da comunicação, actriz e repórter * Discoteca: Prefiro bares, como as docas em Lisboa * Restaurante: Caribe * Música: Dias da semana, de Yola Semedo * Ídolo: A minha mãe Dalton Borralho: Ser actor é um trabalho colectivo Actor, Protagonista do Makamba Hotel Um indivíduo nos 40 anos, proprietário de um hotel, detentor de uma riqueza que ninguém sabe de onde provém, com uma mulher bonita escolhida propositadamente para ajudar “a tocar para a frente o seu negócio” e que acaba por ser submetido às ordens da “mulher sargenta” que toma o poder no hotel e na gestão de toda a família. Esta descrição parece-lhe familiar? É verdade, estamos a falar do doutor Mauro Dias Branco dono do Makamba Hotel, onde os espectadores da TV Zimbo passam umas horas todos os fim-de-semana. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_55/edicao_5510_30.jpg Jeito para fazer rir Dalton Borralho é o actor que, com unhas e dentes, e restantes partes do corpo, defende este personagem. “Iniciei-me no teatro em 1978 e sou actor desde 1987”, conta Dalton Borralho explicando o porquê da distinção nestas datas. “Quando comecei na escola pertencia ao escalão mais novo e fiz um curso direccionado à preparação de actores. Nessa altura não estava disposto a ser actor, contava anedotas, fazia rir as pessoas, era o mais falador onde quer que fosse. Mas ficava-me por aí”. Depois, em 1987, ingressa no grupo de teatro Companhia Horizonte Njinga Mbandi, viveiro de muitos jovens actores e onde tudo começou a mudar para Dalton Borralho. “Aí senti pela primeira vez responsabilidade ao dizer ‘Eu quero ser actor’”, conta-nos. Sobre esses tempos diz que “foi a escola mais importante que eu tive, sem bases não se vai a lado algum. Sem formação vai-se caminhando tacteando no escuro. Grande parte da minha formação prática foi realizada no grupo Horizonte”. Encorajado pelos mestres a viajar para Portugal e conhecer o teatro europeu, Dalton Borralho parte para a Europa. “Em 1992, desperto para a carreira artística em Portugal ao assistir à qualidade de teatro no exterior”, diz. Nesse período recorda o teatro que se fazia em Angola como “uma espécie de “teatro da boa vontade”, ao passo que lá já se tinha evoluído para um teatro de ciência, com técnicas, iluminação”. Para Portugal leva consigo muitas referências do teatro angolano como Elias Casanova, Mónica Cirilo, Tia Bina do grupo Óasis, Isabel André. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_55/edicao_5506_09.jpg De volta a Angola Em Lisboa frequenta duas escolas de teatro: a Act e a Open Space. Há muitos bons actores que são arrogantes e destroem um bom espectáculo”. Mas os primeiros tempos foram duros e Dalton Borralho trabalha na construção civil, como ajudante de pintor. Mais tarde faz cinema, teatro e televisão. “Fiz muitos workshops. A minha carreira tem muito da minha vontade de aprender. Sempre pesquisei, li, perguntei aos colegas como se faz, como se constrói. Hoje tenho uma carreira onde fui levado nos braços da sorte”, diz agradecido. Em Portugal constituíu família e é lá onde vivem actualmente os seus seis filhos entre os 8 e os 23 anos e a mulher. A residir agora em Angola, Dalton Borralho só pensa em trazer toda a família de volta para a banda. “Estou dividido entre os dois países, com a família em Portugal”. A prole do actor esteve no país em 2006 e levou boas memórias da terra do Pai. “Fomos um dia inteiro passear à praia no Morro dos Veados. Aqui o tempo tem outro tempo, este é o país do Sol, aqui é que a terra do futuro. Creio que todos eles voltarão a Angola, por enquanto vão ficando até eu preparar as condições.” Foi o programa de televisão Makamba Hotel que o trouxe para os ecrãs da televisão nacional. Gravada em Portugal, a série foi para o ar em Angola a primeira vez a 17 de Dezembro de 2008. Um elenco principal com 12 actores, acompanhado de um conjunto adicional gravaram já 139 episódios. Aquando da estreia em Angola, Dalton Borralho ainda vivia em Portugal. “Na hora do programa de televisão toda a gente seguia a TV Zimbo. Eu estava em Lisboa e as pessoas telefonavam-me, muitas com saudade, a chorar, outras a rir”, relembra. O homem que dá corpo e vida ao doutor Mauro admite que “A televisão dá-nos visibilidade mas já somos actores há muito tempo”. Críticas à Dicção Escutando as reacções ao seu caminha na rua, Dalton Borralho diz que a reacção das pessoas é “superpositiva. As pessoas identificam-se por ser um programa de humor direccionado à família”. Ainda assim confessa que lhes foram feitos alguns reparos. “Ao princípio as pessoas estranhavam o nosso articular das palavras, o nosso linguajar. Isso é resultado de parte da influência que temos do português de Portugal. Temos muita aculturação na nossa forma de expressar e isso foi uma das primeiras barreiras que encontrámos. O público pensava que éramos todos moçambicanos e estavamos a forçar a maneira de falar para agradar ao povo angolano. Mas não. Somos todos filhos da terra, felizmente”, ressalva. Temperamento morno Para vestir a pele de Mauro Dias Branco, Dalton Borralho teve de redobrar os cuidados com a parte física do personagem. “O Mauro foi nascendo dia-a-dia, desde o primeiro dia de ensaios até ao primeiro dia de gravações. Fui percebendo assim como devia direccionar-lhe o caminho. Com os conselhos do realizador, Renato, fomos casando as nossas ideias. O Mauro tem muita comédia física, muita comunicação gestual”. Nascido em Luanda, o actor assume-se como sendo um cidadão de Catete. “Acredito que a minha árvore genealógica não parte de Luanda e, por isso, refugio-me na proveniência do meu Pai, que vem do Gonçalo, então digo que sou do Bengo”, faz questão de esclarecer. Dalton Borralho trabalha actualmente num projecto de formação de actores para crianças dos 7 aos 14 anos. O projecto foi criado com um grupo de amigos e já está em curso, devendo arrancar este mês de Novembro. “Este é um papel ingrato porque gosto é de ser dirigido, mas devido à formação que tenho também quero partilhar conhecimentos. Neste momento Angola está numa nova vida, num novo período, somos um país novo, e precisamos de todo o saber, de todo o contributo. É a hora dos disponíveis dar o seu contributo. Somos um grupo de pessoas que vai dar formação aos alunos sem nenhuma contrapartida financeira”. Para além disso, prepara a sua participação no filme Rosa Brava de um realizador de origem guineense. As gravações começam em Portugal ainda este ano e o actor irá interpretar “um polícia guineense com péssima conduta”. Dalton Borralho acredita há um conjunto de elementos que definem um bom actor: “uma atenção redobrada, saber ouvir e despir-se de si mesmo, um temperamento “morno” para reagir no tempo certo, ser uma pessoa disponível para aprender e humilde. Como faz questão de frisar “Ser actor é saber respeitar, acima de tudo, o núcleo de trabalho. Há muitos bons actores arrogantes que destroem um bom espectáculo. Ser actor é um trabalho colectivo”. Estreia emocionante Makamba Hotel estreou na TV Zimbo no dia 17 de Dezembro de 2008, data em que o público angolano conheceu o “doutor Mauro”, o protagonista interpretado por Dalton Borralho. “Na hora do programa toda a gente seguia a TV Zimbo. Eu ainda estava a viver em Lisboa e as pessoas telefonavam-me, com saudade, umas a chorar e outras a rir”, relembra. Pérfil * Nome: Sebastião Domingos Borralho * Data de Nascimento: 16 de Outubro de 1968 * Naturalidade: Município do Cazenga * Estado Civil: Casado, com seis fillhos (23 aos 8 anos) * Música: Santa Geração, gospel * Actor: Denzel Washington * Filme: O Pianista, “vejo para chorar e para me alegrar”, A Paixão de Cristo * Prato: Mufete * Restaurante: São Jorge * Qualidade: Honestidade * Defeito: Mentira Matthias Offodile January 4th, 2010, 08:43 PM Angola´s TV kid stars for NEW Kids TV:cheers: Perfil de Ismael Virgílio e Neríka Palhares Os apresentadores não se medem aos palmos Apresentadores do programa de tv kids club É o ambiente de gente grande, com preocupações a condizerem com o tamanho do seu corpo. No elevador, nas salas ou nos corredores, os vultos apressados ecoam palavras quase indecifráveis, termos que se confundem com uma qualquer língua estrangeira: “Estão a sair para a pauta”; “Vê lá os time codes”; “Vou ingestar a cassete”. Esta é a atmosfera dos bastidores da televisão, uma sala de aula de tecnologias de informação e comunicação, com horários rigorosos a cumprir. Mas destoando, como hora de recreio, um grupo faz pular o nosso olhar para o seu tamanho e à-vontade próprio que veste os seus corpos. São crianças. Para quem aqui habita eles são sinónimo de gravação do Kids Club. Os participantes, ou público, que está prestes a sair para a gravar a pauta, para depois se apontarem os time codes da gravação, da cassete que será ingestada no mega computador desta televisão. CHAMADA PARA O KIDS CLUB A acompanhar este grupo de minúsculos turistas no mundo da fantasia chamado televisão, os seus guias são também os seus ídolos: Ismael Virgílio e Neríka Palhares. Eles, que são tudo aquilo que os seus pequenos seguidores querem ser quando forem grandes. Ou, apenas, um bocadinho mais velhos, tal como os seus apresentadores favoritos. Para já, limitam-se a segui--los com o olhar e com os passos que os levam ao transporte que os conduzirá ao local de gravação. E lá, tão perto dos seus ídolos, estes meninos percebem que o seu sonho não é tão simples de atingir. Porque obriga à atenção, dedicação e rigor de gente muito grande, que acrescenta a naturalidade tão difícil das brincadeiras de crianças. Agora, os pequenos telespectadores conhecem mais do que o resultado final do programa a que, aos sábados e domingos, assistem em suas casas. O resultado com uma nota ainda mais positiva, para os apresentadores que mostram como as duas horas de diversão são feitas com muitas horas de trabalho e um percurso de vida que lhes permite, hoje, tratar as câmaras com a naturalidade do “tu cá, tu lá”. UMA AULA DE COMUNICAÇÃO O programa tem uma aura que enche de cor a televisão e assistir à sua gravação é ver a energia quase inesgotável, entre actividades todo-o- -terreno, pilhas não incluídas. Ismael pisca o olho. Faz sinais. Chama a câmara. Fala para os pequenos telespectadores que, em casa, se sentem tão perto como numa plateia logo ali, próxima de seus gostos, a um passo de lhes conquistar toda a atenção. Depois é directo e faz-lhes uma pergunta, a que nunca ouvirá a resposta vinda do outro lado do televisor. E nós, que assistimos a estes bastidores, também nos interrogamos: O que faz um apresentador adulto num programa de crianças? A pergunta serve de rastilho para lançar o percurso do elemento que simboliza o irmão mais velho do Kids Club, aquele que faz a ponte entre a idade maior e as traquinices dos menores. Aos 23 anos, Ismael é este elo de ligação. Uma herança que transporta da sua casa de muitos irmãos e sobrinhos, para o set de gravação. E se no curriculum do apresentador não consta a sua grande família, ela foi o trampolim na hora em que os testes o comprovaram como a cara que sabe ter a expressão para um programa infantil. Na minha vida não tive nada de bandeja. Para entrar na TVZimbo tive de dormir num carro. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_54/edicao_5410_30_1.jpg ERA UMA VEZ… Ele é o número nove, entre uma dezena de filhos. Ele é o que ganhou o nome bíblico de Ismael Mibson e que viveu as dificuldades naturais de uma família com muitas bocas para alimentar, com os alicerces do Bengo desfeitos na guerra e recomeçados na cidade capital. Nasceu e cresceu no Cazenga, e aqui começou a chamar a atenção porque era visto com outros olhos. Literalmente, pois como diz, “do 1 aos 6 anos os meus olhos mudavam de cor; ficavam verdes, amarelos, pretos ou cinzentos. Andei em muitos médicos, para ser observado, perguntavam se via bem, quiseram mesmo levar-me para Cuba.” Mas sua mãe fez vista larga à questão, que acabou por se decidir no saudável castanho da íris. Infelizmente, esta não foi a sorte do seu irmão mais novo, com uma deficiência na vista, a mesma visão com o horizonte humilde de 10 irmãos a buscarem a fantasia nas brincadeiras de rua e seus carrinhos de lata. A PAR E PASSO… http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_54/edicao_5410_30_2.jpg Assim cresceu Ismael. Muito. Demais. Muitos centímetros acima do normal, num corpo que agora pedia sonhos mais altos. Primeiro, encestou sucessos no basquete, no Clube Desportivo da Nocal. Depois, marcou pontos nos desfiles de moda e concursos de beleza, ainda para uma agência de quintal. E tanto gostou dos olhares virados para si, de ser o centro das atenções nas passerelles improvisadas, que decidiu desfilar para um atalho que lhe dava a mesma visibilidade. Já não queria mais ser engenheiro de petróleos e durante 3 anos omitiu da família que mudou a vertente dos estudos para o Jornalismo, a área das letras, a que juntou as músicas cantando numa banda. Liberdade financeira Entre tantas e novas distracções os estudos perderam o ritmo, mas lá se foram afinando, com os desfiles e publicidades na pauta reservada para os fins-de-semana. Gostou destes trocos que lhe davam mais liberdade financeira e lhe encheram uma carteira de contactos pessoais privilegiados. Assim ficou a saber do novo canal de televisão que iria abrir. Viu uma oportunidade e agarrou--se a ela. “Na minha vida não tive nada de bandeja; para entrar na TV Zimbo tive de dormir no carro para que um amigo me levasse até à pessoa que sabia das entrevistas de trabalho”. E lá foi. E lá ficou, como o apresentador que agora vemos a ensaiar a coreografia, para depois a fazer para a câmara, ao sinal de “acção” e aos sinais de cumplicidade da sua cara- -metade do programa, Neríka Palhares. A MENINA DOS NOSSOS OLHOS Nova pausa nas gravações, após o RAP do Kids Club. O momento é o de dar descanso aos corpos e o de receber energia com o lanche. Distribuem-se sandes e Neríka continua a distribuir afectos. Ela sabe retribuir, em dobro, todos os mimos da sua categoria de colibri do canal. Na TV Zimbo não há cara que não beije, corpo que não abrace, sorriso que não lance. Ela não poupa nos carinhos e quando lhe perguntamos porquê, a criança responde “porque gosto muito de dar beijinhos”. Depois, a sua postura adulta acrescenta: “Sempre fui mimosa, sempre gostei das festas, herdei de meus pais”. Talvez. Não conhecemos os seus progenitores, mas tentámos conhecer, tal como o seu pequeno percurso de vida que a faz colar à sua personagem da televisão o mesmo encanto da vida real. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_54/edicao_5410_30_3.jpg A BRINCAR, A BRINCAR… Neríka Lukeny de Araújo Palhares tem 13 anos e a alegria natural da quase infância a correr depressa por caminhos que agora descobre. Ela é o sangue novo de uma nova geração de apresentadores, a menina que nasceu na Ingombota, Luanda, e que por lá ficou até aos 8 anos. Com a separação dos pais seguiu um novo rumo, para a terra dos avós maternos, o Huambo, junto de sua mãe e irmão mais novo. “Queixava-me muito do frio, mas depois não liguei”. Mas continuou a ligar a televisão e a chamar os amigos para a verem imitar os locutores. A ficção tornou--se realidade e com apenas 9 anos convidam-na para um casting na Rádio Huambo. “Logo que cheguei, comecei a falar. Eles gostaram e fiquei.” Exactamente como no teste que procurava crianças para apresentar o Kids Club. E quem fala, desta vez, é Ismael: “A Neríka chamou logo a atenção, porque mesmo a enganar-se não parava de conversar; ela tem uma capacidade de improviso muito boa”. DE ANTENAS NO AR Com mais ou menos improvisos, os apresentadores deixam a postura descontraída da pausa das gravações e duplicam-na, agora, seguindo as orientações do realizador e as linhas do guião. Neríka já nos tinha confidenciado que “hoje é mais simples do que nos primeiros programas; já é mais fácil memorizar os textos”. E nós testemunhamos esta facilidade de olhar as câmaras nos olhos e ouvir o sucesso que chega para além delas. “Quando vou levar os meus sobrinhos à escola, os meninos e os pais, todos me reconhecem, pedem autógrafos. Como modelo não tive tanta visibilidade, mas como apresentador do Kids está tudo a correr muito bem.” Mas para além do “correr bem” na televisão, Ismael também desfila sem obstáculos. Em 2008 foi o manequim revelação do Angola Fashion Week e este ano ganhou o Step Look, com passaporte carimbado para uma formação em Portugal e ligação à agência de Karina Barbosa. Neríka, também dá nas vistas, de forma menos ousada, igualmente importante, como uma excelente aluna. Êxitos que ambos os apresentadores cimentam, para o percurso que querem fazer na comunicação social, crescendo a par e passo com novas metas e objectivos para as suas carreiras. OS DESENHOS E O FUTURO Ismael sonha dar a cara por um programa de moda ou de música e Neríka sonha receber atenções. Diz que não quer crescer. Nós perguntamos o porquê. “Deve ser por causa dos meus miminhos”, responde num tom de voz manso, com uma afectuosidade desarmante, antecipando os estragos nos corações masculinos que irá fazer. Assim, os caminhos dos apresentadores entrecruzam-se e seguem juntos, no presente que defende o seu programa com unhas e dentes: “O Kids Club é uma escola, educa muito as crianças; não são muitos os programas em Angola que falam da camada de ozono, da higiene pessoal e da importância de estudar. Este programa deveria ser dos 5 anos ao infinito, porque para aprender não há idade.” Então, ouvimos a voz do realizador que nos transporta para o final da gravação deste pequeno infantário rodeado de adultos: “Está bom”, afirma. Para a semana há mais. PARA OS MAIS JOVENS DA MAIS JOVEM ESTAÇÃO Os fins-de-semana começam cedo e alegres para os mais jovens. E para entrar nesta viagem animada que a brincar fala de temas sérios, basta ligar a televisão logo pela manhã, às 9 horas em ponto! Jovem, moderno e divertido, o Kids Club é o programa infantil que anima o primeiro canal privado angolano, a TV Zimbo. Apostando na originalidade, criatividade e na boa disposição para chegar a todas as crianças angolanas, Ismael Virgílio e Neríka Palhares, assumem um papel: Partir do imaginário infantil, para falar de temas bem actuais. Claro que às brincadeiras, música e informação útil não faltam uma mão cheia de desenhos animados. Duas horas em grande, para os mais pequenos. Hadjalmar de Oliveira: O homem das mil funções Modelo, produtor e repórter http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_56/edicao_5612_01_18.jpg É modelo, repórter, produtor, jornalista, enfim, um homem que não nega novos desafios. Sempre bem humorado e descontraído, Hadjalmar de Oliveira ou Hadja El Vaim é dos modelos mais conceituados do nosso país internacionalmente, pois criou o seu nome no mundo na moda nas terras da Rainha, Inglaterra. Já desfilou para grandes marcas como Hugo Boss, Dolce & Gabanna e estilistas como Kenny Alexander, Lisete Pote, entre outros, e agora de volta ao pais e para ficar, tem desenvolvido novas vertentes profissionais, pois como faz sempre questão de frisar, “Enquanto tiver saúde, vou sempre trabalhar, não tenho preguiça nenhuma. Gosto de me sentir valorizado por aquilo que faço”. O Traquinas “Quando era mais novo era muito extrovertido e comunicativo. Os meus pais diziam que não parava quieto, parecia que tinha bichos carpinteiros”, é assim que o próprio Hadjalmar define a sua infância. Filho mais velho, sempre foi muito hiperactivo e por isso os pais o puseram num grupo de dança, em Portugal, onde vivia na altura. Descobriu o desporto como útil para reaproveitar as suas energias e começou a praticar andebol, algo que fez durante oito anos, chegando a pertencer a Selecção Angolana de Júniores, tendo disputado alguns campeonatos africanos de andebol. Nunca tive medo de novos desafios. A vida é curta e faço questão de vivê-la intensamente. O Início nas Passerelles Aos 14 anos começou a desfilar e aos 16 fez parte de uma campanha publicitária da empresa Benetton. Conheceu o conceituado modelo português , de origem africana, Jamal, que foi seu mentor durante anos. O Sucesso nas Terras da Rainha Foi como agenciado da Models Direct que Hadjalmar começou a chamar a atenção na Inglaterra. O seu jeito irreverente e profissionalismo inigualável agradava a todos que com ele trabalhavam, chegando a participar de eventos como o London Fashion Week, vários catálogos de moda, publicidades e também o conceituado evento Fashion 4 Lives, que também participou na produção. Por ser uma pessoa muito atenta e que gosta de aprender, comecei a ganhar conhecimentos na área de produção. O Regresso à Pátria De volta ao país depois de dez anos passados entre Portugal e Inglaterra, Hadjalmar começou logo a trabalhar para um maior desenvolvimento da moda em Angola, “Por ser uma pessoa muito atenta, e que gosta de aprender, comecei a ganhar conhecimentos sobre a área de produção e quando dei por mim, já trabalhava também nos bastidores, montando coreografias para desfiles, a fazer coordenação de bastidores, apresentação de eventos, dirigir castings, etc. E com o tempo tornei-me num produtor tendo já organizado alguns eventos como o festival da Lusofonia em Portugal, Huíla Fashion, Moda Cabinda, Miss Caipi Royal, Green Party (Manchester, Reino Unido), entre outros”. O Jornalismo como Profissão Apesar de estar a formar-se em Política, recebeu o convite para fazer locução e entrou para a rádio LAC, começando assim a sua aventura como radialista. Pertence ao quadro de duas revistas de sucesso e já produziu vários editoriais de moda, “É algo que me dá bastante prazer. É trabalhoso sim, mas adoro, pois é o meu esforço a ser valorizado”.Cada vez mais empenhado em continuar o seu trabalho como jornalista, assumiu agora um novo desafio, o de repórter da Tv Globo Internacional, no programa produzido aqui em Angola, o Revista África, “É mais um desafio, e dos bons, posso assumir. Nunca tive medo de responsabilidades e esta é uma tarefa que cumprirei com profissionalismo. Tento sempre divertir-me naquilo que faço e podem crer que me tenho divertido muito nesta nova empreitada. A vida é curta e faço questão de vivê-la intensamente.” Perfil * Nome: Hadjalmar El Vaim * Idade: 25 anos * Aniversário: 4 de Setembro * Estado Civil: À procura da tal, hehehehe! * Profissão: Modelo, produtor de moda, promotor de eventos, repórter, jornalista, locutor e escritor * Desporto: “Jesus do Petro” Um dos melhores futebolistas que Angola já viu * Música: Depois da morte de Michael Jackson, o Anselmo Ralph e a Britney Spears * Moda: Karina Barbosa e Kayaya Jr. * Artes: Karina Silva * Política: Thomas Woodrow Wilson Matthias Offodile January 7th, 2010, 10:51 AM Perfil Simmons Massini: O maestro Músico, compositor, produtor, realizador, director artístico http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_57/edicao_5712_09_19.jpg É dos artistas mais internacionais da nossa música e um dos mentores das vendas na portaria da Rádio Nacional, hoje no Largo da Independência, o que faz dele pioneiro da criação do mercado musical angolano. É o melhor guitarrista do país e está ao nível dos melhores do mundo, assim é qualificado pelos colegas de trabalho, algumas delas vedetas da música internacional como Richard Bonna, Jean Michel Rotin ou Wiclef Jean. Está de volta com três grandes projectos — a criação de uma editora, a formação de uma nova banda, as 5 no Ponto, e o lançamento do seu novo disco. Moldou-se nos estúdios da Rádio Nacional no programa Pió, que criou Mamborró, “Maya Cool” e Yuri da Cunha. Pertence a uma geração de ouro que viveu os tempos áureos da música infantil angolana. Isso permitiu-lhe acompanhar o percurso de várias gerações. “O meu pai era um quadro do ramo petrolífero na produção de gás, mas para além disso foi também regente de grupos corais e compositor de música religiosa. Venho de uma família que tem como base o Cristianismo. São estes os valores pelos quais sempre me regi. Aprendi desde criança que a camaradagem, fraternidade e amizade, o sacrifício e a luta, eram ferramentas necessárias para atingir grandes objectivos”, começa por explicar Simmons Massini à revista VIDA. O artista recorda-se dos primeiros tempos em que o fascínio da música comandava os seus sonhos. Assumiu que não teria uma posição passiva face ao desejo de ser músico. “Muito cedo descobri que é preciso ir a luta para alcançar grandes objectivos. Por isso aos 10 anos já pulava a janela para ir ver os concertos, na época de conjuntos como Kiézos, e muitos outros que eram famosos na altura. Ainda novinho descobri que para se chegar ao longe era necessário ousadia e não temer os obstáculos mesmo que o preço a pagar fosse alto”, confirma. Nascido no meio musical Moldou-se nos estúdios da Rádio Nacional no programa Pió, que criou Mamborró, Maya Cool e Yuri da Cunha Sou diferente de certos artistas que começaram há poucos dias mas que não toleram críticas, O meu compromisso é com a arte e não com a fama Este formato dos autógrafos e vendas no mesmo espaço foi uma criação nossa. Nasceu como uma forma de combate à pirataria, porque os músicos não ganhavam grande coisa com as vendas. Começa por nos contar o início da caminhada. “Como disse eu nasci num ambiente religioso. Aos seis anos já brincava com as guitarras e aos sete comecei a tocar. Ainda aos sete anos inventei uma bateria de lata — tarola, bongo, três tons, fiz um prato de três toques e a simba, o prato de acentuação. No princípio foi a bateria, a guitarra, depois passei para o órgão da igreja, mas essencialmente o que mais gostava era a guitarra. Comecei profissionalmente na Sala Pió da Rádio Nacional, onde colaborei com Manborró, Ângelo Boss, Lucas de Brito actualmente Maya Cool, Gisela Ferreira, ou seja, comecei antes do Top dos Mais Queridos ter dimensão nacional”, confessa no meio de uma gargalhada. Fecha o rosto e mantém o discurso sobre esses tempos: “Sempre fui um sonhador e, quando via o Manborró e os outros artistas nos palcos, queria também entrar naquele mundo. O que não foi fácil. Sempre sonhei ser líder de uma banda embora soubesse que não havia nenhum instrumentista que liderasse. Mas eu sonhava com isso desde cedo. Para concretizar o meu sonho, todas as manhãs depois da escola ia à Rádio Nacional, às vezes mesmo com fome. E a resposta que ouvi durante muito tempo foi “Não! Na altura o responsável pela sala da Rádio Pió era o senhor Octaviano Correia que me deu muitas respostas negativas. Até que um dia tentei entrar por outra porta. Pensei, tem aí o instrumental Primeiro de Maio e falei com o mestre Tedy. Ele permitiu-me a entrada nesse instrumental e é a partir dessa altura que consigo estar na Rádio Pió. Isso sucedeu por volta dos meus 15 anos. No fundo foi a persistência e a vontade que gerou tudo isso, que contribuiu para o meu sucesso”, confessa. Apesar de muito novo já dominava com alguma facilidade vários instrumentos. Com a entrada num esquema semi-profissional as suas capacidades eram testadas todos os dias. “No princípio levei muitos bafos por parte dos kotas. Mantive-me sempre humilde e recebia as críticas muito bem. Eram essas opiniões, que aprendi a receber e a analisar, que fizeram com que me esforçasse mais. Todos os dias tento melhorar, o que faço de acordo com aquilo que me dizem. Sempre soube receber críticas e isso faz com que tente superar-me todos os dias”, diz-nos Simmons Massini de uma forma séria. Faz depois uma crítica ao meio musical onde está inserido. “Sou diferente de certos artistas que começaram há poucos dias mas que não toleram críticas, porque já se acham os melhores. Isto estagna o nosso crescimento. Cria músicos robotizados. A crítica ajudou-me a ver a música mais como uma arte e, a perceber que a arte vem antes da fama. As nossas capacidades só se desenvolvem quando se tem um compromisso com a arte e não com a fama. Está aí a justificação para a falta de qualidade existente no mercado angolano, onde a vontade de aparecer e ter fama vem antes da qualidade e do amadurecimento artístico”. Experiência em França Esteve sete anos em França e muitos anos em Portugal a aperfeiçoar os conhecimentos. Só não se graduou em música, por falta de oportunidade. “Durante o tempo que estive fora estudei música por iniciativa própria. Bem que eu quis ter a oportunidade de me licenciar em Música, mas não foi possível. Não havia condições financeiras. Os anos foram passando, mas aproveitei bem este período para estudar por iniciativa própria, de forma autodidacta, percebendo como as coisas funcionavam neste meio”. Não foi fácil assumir essa vontade de ir para o exterior. Mas o sonho passava por dominar a técnica e tornar-se um músico completo.“Embora tenha saído daqui com alguma experiência, fui para o exterior para aperfeiçoar as técnicas porque sempre gostei de aprender. Nunca gostei da sensação que já sei tudo, que sou o dono da verdade, isso faz-me mal. Fui para França a convite de Jean Michel Rotin, por lá fiquei durante sete anos, onde aprimorei os meus conhecimentos no ramo da tecnologia, estudei softwares, vários instrumentos, entre os quais a guitarra”. Recorda esses tempos, reconhecendo a importância da pesquisa, mas fundamentalmente a contribuição das pessoas. “Considero ter aprendido muito mais durante os encontros com os músicos africanos na diáspora, como o Salif Keita, Richard Kassam, os próprios Kassav. Encontrei também em França a nova geração de Rap, juntando a todos estes, os grandes engenheiros de som e alguns managers. Foi toda esta gente que influenciou o que sou hoje, que me ajudou a desenvolver a minha arte”, confirma. Este período levou-o a desenvolver os seus conhecimentos noutras áreas. “Para além da guitarra fui aprimorando os meus conhecimentos em mais instrumentos, como o baixo ou o piano. Esta cooperação com os artistas africanos veio dos estudos que eu fui fazendo. Entregava-me muito à pesquisa. Algum tempo depois, nas sessões de estúdio, as pessoas diziam que já sabiam o meu nome. Isto foi em 2001 ou em 2006, antes e depois de ter saído dos O2. Engana-se quem pensa que eu comecei a minha carreira neste grupo porque se tivermos que falar da minha experiência no mundo da música, teríamos que recuar muito tempo”, explica. A passagem pelos O2 “A minha integração nos O2 foi aquando da minha primeira vinda de Portugal com o Paulo Flores. Reparei que eles já tinham uma música mais ousada, uma programação fora de série. Chamou-me à atenção que os dois teclistas tinham uma técnica diferente. Olhe que na altura em que os conheci, nem eram famosos nem tinham nenhum CD”, explica Simmons Manssini, que acrescenta, “algum tempo depois cruzei-me com o Henda Pitra, na altura líder da banda, e ele pediu-me que o ajudasse a tocar umas músicas. Mais tarde o José Maria Boyote mostrou-me as composições e, um pormenor engraçado, a minha namorada na altura e actualmente minha esposa, Eunice José “ Afrikanita” cantava e eu não sabia. Só descobri depois de ouvir o CD”, confessa. Manteve-se durante algum tempo a trabalhar com o grupo, reconhecendo que foi uma boa experiência profissional. “Na época da transição de Nsex love para O2 participei no álbum Remix e, assim foi até ao Será diferente. Só que depois recebi o convite do Jean Michele Rotin e achei que deveria ir para França. Mas não deixei de apoiar o grupo, nem outros artistas”. Qualifica a experiência com os O2 com algo maravilhoso. “Quando regressei de Portugal com o Paulo Flores já tinha planos de voltar ao estrangeiro, e foi isso que me fez partir”, recorda. Vendas e autógrafos Deste tempo fica mais uma inovação, que é hoje uma prática comum para quase todos os artistas angolanos. “A experiência com os O2 fez algo que muita gente não sabe. Fomos nós, em parceria com o Salú Gonçalves, Afonso Quintas e o Adão Filipe da Rádio Luanda, os criadores das vendas e lançamentos na portaria da Rádio Nacional de Angola. Isso aconteceu a primeira vez com o CD ByeBye Nsex Love, que vendemos na portaria, o que revolucionou a comercialização da nossa música. Isto porque antes os artistas não ganhavam nada”. Mas não tem dúvidas que esta foi a melhor solução para um meio musical que não respeitava os direitos de autor. Apesar de tudo o que disseram nessa altura. “Nós recebemos muitas críticas na altura, mas hoje aqueles que nos chamaram de candongueiros da música, quando lançam um disco também o fazem na portaria, hoje transferida para o Largo da Independência”. O sucesso da iniciativa ultrapassou as expectativas. “Olhe que é um modelo que apenas funciona em mercados como o nosso. Ficamos felizes de saber que as nossas ideias serviram para ajudar toda a classe. Este formato dos autógrafos e vendas no mesmo espaço foi criação nossa. E surge em função do combate a pirataria, porque os músicos não ganhavam grande coisa com as vendas”, sublinha. Explica-nos ainda que esta solução aparece tendo em conta a situação que se vivia na altura, mas que na verdade não se alterou muito nos dias de hoje. “Surgiu esta ideia para acabar ou reduzir os efeitos da pirataria, porque os músicos chegavam ao cúmulo de ter que negociar com os piratas a quando do lançamento para que eles apenas vendessem depois de nós, o que nem sempre resultava. Este processo de vendas apenas nas casas de música não era rentável. Repare que a partir do momento em que criámos esta solução, passámos a rentabilizar mais os nossos discos. Hoje todos o fazem. Esta forma ajudou a cultivar na população o hábito de comprar Cd’s originais, o que hoje está praticamente enraizado”. De uma forma mais séria faz uma abordagem daquilo que é o reconhecimento social das acções de cada um. “Há pessoas que fizeram muito mas que infelizmente não tiveram reconhecimento. Não falo só da minha área, falo também do desporto e outras actividades. Mas a história se encarregará de registar isso. Só digo para mostrar que as coisas não se fazem sozinhas, é necessário que alguém pense. E mais importante, que alguém faça”. http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_57/edicao_5712_03_1.jpg Projectos actuais Simmons Manssini é dos profissionais mais requisitados do mercado. Entre as muitas solicitações, vai trilhando o seu caminho e fazendo aquilo que mais gosta. “Hoje estou mais virado a produção musical pois nela posso exercer a minha faceta de instrumentista, já que toco vários instrumentos. Tenho em carteira o disco do Bigú Ferreira a solo, o da minha esposa Afrikanitha, o lançamento de um projecto Gospel Moderno previsto já para Dezembro, com participações do Walter e Nicol Ananás, o Dódó Miranda, o Totó, a Afrikanita, a Edmazia, a Sara Dem, para quem não a conhece é uma das coristas da Yola Semedo.” http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_57/edicao_5712_03.jpg girl band em gestação Mas o artista está também a preparar a criação de uma girl band. “Está em andamento a criação de um grupo de cinco meninas, as 5 no Ponto. O casting ocorreu na quinta- -feira da semana passada e apareceram mais de 100 raparigas, das quais escolhi apenas cinco”. Mas alimenta também um grande sonho, ter uma editora. Onde consiga reunir toda a experiência destes anos e os conhecimentos que absorveu ao longo da sua vida. “Estou a reunir condições para construir uma editora e lançar novos produtos. Neste momento estou a melhorar os estúdios para poder ajudar os muitos talentos que estão por aí e, que não têm uma oportunidade para mostrar a sua arte. Quero pegar neles e fazer com que sejam reconhecidos”. Continua a explicar em que fase se encontra este projecto. “Estou a bater às portas e a criar condições. Dentro em breve pretendo concluir este processo e arrancar com a editora. Com mais apoios chego lá. Não quero apenas pensar na música angolana ou feita por angolanos, que toque apenas aqui no país, mas também a além fronteiras. E é com estes objectivos que estou a reunir tudo isso para fazer música de qualidade”. gospel em dezembro E dá um exemplo do que quer fazer. O projecto Gospel que sai em Dezembro. “É uma aposta que já deu uma certa polémica quando falei no número de cópias que quero fazer. As pessoas ficaram espantadas, principalmente por ser um projecto gospel e, por isso, não quero anunciar novamente o número. Mas eu sei que investi no projecto cerca de quatro toneladas”, revela bem- -disposto, acrescentando com um ar mais sério, “Investi muito dinheiro. É necessário criar um projecto sólido. Viver cada vez menos do patrocínio e mais do investimento”. Acrescenta ainda sobre este projecto. “O disco foi masterizado em França e levei mais tempo para dar mais qualidade a este público religioso que tem sido um pouco esquecido. E sei que é um álbum que vai ser consumido por tocoistas, católicos, protestantes, baptistas, uma vez que existem muitos religiosos” Uma questão de fé portanto. Perfil * Nome artístico: Simmons Massini * Idade: 38 anos * Estado Civil: Casado com a cantora Afrikanita * Lema de vida: Gosto nas pessoas * Qualidade: Lealdade e transparência, gosto em mim a capacidade de suportar o defeito e as traições dos outros * Sonhos realizados: Toquei com o Richard Bonna na semana passada, o que me marcou muito, porque ele é simplesmente uma referência para os músicos da minha geração e está entre os melhores baixistas do mundo * Projectos: Disco Gospel a sair em Dezembro Matthias Offodile January 11th, 2010, 08:33 PM António Coimbra da Costa // Jornalista A rádio não é uma simples caixa de sons Nova Deu-se a conhecer a Luanda pela sua voz na Rádio Nacional. Tem experiência em comunicação empresarial no sector financeiro. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao61/pais_61_lr-110.jpg É uma das vozes conhecidas da Rádio Nacional, como foi que começou? Não me considero uma voz conhecida da Rádio Nacional, na medida em que ainda estou no processo de desenvolvimento profissional, embora numa fase já avançada. Entrei para a RNA pela mão dos jornalistas Benedito Soares e Carlos José, que organizavam nos anos ‘90 uma selecção de centenas de jovens que aspiravam a trabalhar em rádio. O projecto denominava-se Geração Viva e por ele passaram muitos dos meus colegas que trabalham na rádio e na imprensa. Foram o Dani Costa e a Suzana Mendes que me indicaram o grupo e incentivaram para que participasse do projecto. A passagem pelo grupo foi fundamental pelos amigos e porque todos tínhamos de fazer tudo, o que nos colocava ao mesmo nível. Aprendi com estes dois jornalistas que o trabalho e a humildade nos ajudam a ganhar a segurança necessária para crescermos profissionalmente. É daqueles que está permanentemente com a voz colocada ou tem uma voz para casa e outra para os microfones? As pessoas que me conhecem sabem que a minha forma de estar é a mesma em todas as situações. Aliás se tivermos a tal “voz colocada” as pessoas descobrirão e isto pode prejudicar a nossa carreira profissional. Acha importante que uma rádio tenha alguma coisa que caracterize as vozes dos seus profissionais (devem ser escolhidos a dedo) ou será mais importante a diversificação de timbres, sotaques, ritmos e “entoações”? É mais importante a voz ou o que se diz ao microfone? A rádio não é uma simples caixa de sons, é um meio de comunicação. Comunicar é transmitir mensagens e nos fazermos entender. E em rádio a comunicação é feita acima de tudo pela palavra e as suas infinitas combinações com os demais sons. Por isso, penso que o primeiro critério deve ser um domínio da língua razoável, tanto em português, como para quem trabalhe com as línguas regionais, capacidade de construção de frases e encadeá-las com coerência e possuir um timbre de voz agradável. Embora seja difícil penso que em todas as profissões devemos sempre tentar ser os melhores. O jornalismo radiofónico não é uma excepção. Já aconteceu ouvir alguém falar de si sem saber que o tinha mesmo ao lado? Não, mas já aconteceu as pessoas ficarem surpresas ao conheceremme pessoalmente. O que encontra de mais importante nos programas que faz? Transmitir mensagens úteis para as pessoas e transmitir boa disposição. É difícil, mas esta é a nossa missão. Consegue imaginar-se sem fazer rádio, ou o bicho já o prendeu em definitivo? Não sei. Nem sequer penso em algum dia não estar de alguma forma envolvido no mundo da rádio. Gosta de ouvir rádio? Tem a tentação de comparar o seu desempenho com os dos seus colegas? Trabalhar em rádio é também ouvir rádio. Serve para nos mantermos informados e actualizados, aprendermos com os colegas e para nos entreter. Temos mais rádios em Angola, e teremos mais, provavelmente, o que diz da qualidade do que por cá se faz? Penso que evoluímos muito em relação à qualidade. É um pouco difícil analisar a actual geração, uma vez que me enquadro nela. Mas penso que temos bastante qualidade, embora tenhamos de trabalhar muitos aspectos relacionados com o domínio da língua, a criatividade na concepção dos programas de rádio e na área da informação aplicam-se os mesmos problemas que o resto de classe tem de superar. Temos é que continuar a trabalhar e ter a capacidade de detectar falhas e corrigi-las. Sente que os angolanos têm uma boa relação com as suas rádios? Sente que parte das suas vidas se resolve com o que ouvem nas rádios? Fala-se muito da importância da rádio e da sua capacidade de atingir os lugares mais longínquos do nosso país. Naturalmente, a rádio é importante e possui uma flexibilidade muito grande em relação aos outros meios, mas penso que está na altura de se realizar um estudo sério sobre o tempo que, efectivamente, as pessoas nas várias cidades dedicam para cada meio. Pensar no processo de comunicação de um banco é muito diferente do que se pode fazer noutros negócios? Os processos de comunicação interna e externa das empresas que actuam em Angola estão em desenvolvimento, tal como outras áreas operacionais das empresas. Antes de qualquer análise, temos de contextualizar estas empresas ou instituições. Estamos num mercado em desenvolvimento e onde determinadas actividades ainda são executadas com alguma deficiência e onde são realizadas outras que diríamos que estão desfasadas no tempo. Mas já existem muitas melhorias. Observo o que está a acontecer de forma positiva. Existem bons exemplos de comunicação tanto da parte de instituições públicas como de privadas. A comunicação é fundamental para qualquer profissional e para todas as empresas. Neste último caso, é tão importante a comunicação interna como a externa. De pouco serve comunicar os objectivos e metas da empresa para o exterior se estes não forem comunicados e interiorizados pelos colaboradores da mesma. Avalio a comunicação “caso-porcaso” e não por áreas de negócio ou actividade. Cada empresa é um universo com valores e expectativas diferentes, a actuar no mesmo mercado, mas com uma missão diferente. Prefiro não analisar a estratégia de comunicação das empresas de forma global. Há uma tendência para a proactividade, um conceito que é recomendado pelos especialistas em todo o mundo. Já existem bons exemplos em Angola e penso que teremos no futuro empresas com estratégias reais de comunicação como um pilar fulcral da sua actuação. É ainda jovem, os seus planos para o futuro passam mais pela rádio ou pela comunicação empresarial ... ou vê-se como banqueiro? Existem muitos projectos em que poderei estar envolvido, alguns abrangem a comunicação e outros noutras áreas de gestão que são do meu interesse. Como se ensina em Estratégia de Gestão “a melhor estratégia é a acção”, por isso, mais do que os descrever estou a implementá-los. Perfil * Nome: António Coimbra da Costa * Local e data de Nascimento: Luanda, 26 de Março de 1979 * Estado civil: Solteiro * Tem filhos: Não * Localidade angolana: Lobito * Cidade do mundo para férias: Nova Yorque * Livro de cabeceira: “Gabriel Garcia Marquez Uma vida” de Gerald Martin * Cantor(a) de eleição: Sou eclético. Aprecio o melhor de todos os estilos. Matthias Offodile January 22nd, 2010, 05:44 PM Grande Entrevista David Borges: ‘Sou dos que defendem o CAN’ Tem no Cunene o seu chão físico, embora se tenha feito jovem na Huila. Está em Luanda para o CAN e ouvimo-lo no Jango da Rádio 5. Os angolanos conhecemno da SIC Notícias mas poucos sabem da história de um dos homens que mais faz por Angola nas terras lusas. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_63/pais63_lr_87.jpg O que faz um homem maconje, da Huila, por Luanda? Há um reino de Maconje no Lubango, mas eu não sou um elemento do reino de Makonje … aquilo tem uma lógica associada, com o pagamento de quotas, e eu não estou nesse plano administriativo. Sou, claro, um antigo estudante do então Liceu Diogo Cão, depois Liceu Mandume, e agora Universidade e, portanto, sou contemporâneo de muitas pessoas que fazem, essas sim, administrativamente parte do reino de Maconje. Não é um homem da Huila? Sou um homem do Cunene. Eu nasci no Cunene, é o meu chão físico e sentimental. E depois vem, no plano do afecto, a Huila, porque foi lá que eu atravessei aquelas fases mais impressivas da nossa vida, que é a fase juvenil, a pré-adolescência, a adolescência … o início da idade adulta. Digamos que sou um homem do sul, já que o Cunene e a Huila são duas províncias ligadas. A Huila que tem dado a Angola muitas pessoas para a comunicação social, há muito homem da rádio … Eu acho que Angola toda deu. Eu acho que Angola criou uma escola de jornalismo, não apenas no plano da rádio, também no plano da escrita. Não da televisão, porque a televisão surgiu em Angola mais tarde. Estes homens que iniciam a tal escola, esses homens do jornalismo, alguns deles chegam depois a Portugal e dão cartas … Nós tínhamos a noção, em Angola, de que a nossa rádio era pobre, e que a rádio em Portugal e na Europa era rica, que nós éramos fracos e eles eram poderosos. Tínhamos apenas uma escuta limitada em rádio de onda curta, portanto, o que recebíamos dava-nos a ideia de que eles estavam no primeiro mundo da rádio e nós estávamos no terceiro mundo da rádio. Mas quando chegámos lá e começámos a integrar-nos nas dinâmicas da rádio descobrimos que era precisamente o contrário. Nós tínhamos uma rádio, muito mais avançada, já com uma influência forte brasileira, e que Portugal tinha uma rádio menos avançada, ainda que tivesse, claro, grandes profissionais e grandes programas. Mas a nossa facilidade de integração resultou do facto de termos uma escola muito rigorosa de rádio, de termos uma grande paixão pela rádio e de termos uma polivalência na rádio, que em Portugal eles não tinham. Digamos que em Portugal o homem da rádio fazia o seu papel. Se tinha de escrever notícias só escrevia notícias, se tinha que ler notícias só lia notícias, e nós, em Angola, fazíamos tudo. Redigíamos notícias, líamos as notícias, fazíamos rádio-teatro, fazíamos relatos, reportagens … e, portanto, estávamos mais capacitados para enfrentar aquilo que hoje veio, inevitavelmente, a acontecer no plano da rádio na Europa que foi a polivalência. Aquela função, a multifunção que impôs que o jornalista da rádio em Portugal se tornasse até, mais tarde, em “técnico” porque passamos a operar também em estúdios “autooperados”, sem a presença clássica do técnico e, portanto, nós estávamos, creio eu, mais bem preparados. Haveria uma espécie de corporação … um forma de agir dirigida, já que os profissionais idos de Angola e Moçambique acabaram por ter, quase todos, uma integração boa e destaque… Não foi boa, foi complicada… Mas depois surgiram coisas como a TSF, a que esteve ligado … Sim, como um dos fundadores. E foi uma coisa completamente nova, em Portugal, e mudou quase tudo na rádio … Sim. Como disse, nós sentimos estar muito bem capacitados quando chegámos lá e nos confrontamos com os homens da rádio de Portugal, e tínhamos uma visão muito mais aberta das coisas. Aliás, esta foi sempre uma característica de Angola, como país grande que é, há sempre uma noção de horizonte e de espaço muito maior que a noção de horizonte e de espaço em Portugal e, portanto, tínhamos a ousadia de pensar sempre muito mais largo que os portugueses e, por isso, impulsionamos a criação dessa rádio que foi uma pedrada no charco no meio radiofónico português … que fói a criação da TSF. E, a partir daí, de facto, houve um impulso fantástico na comunicação em Portugal. Foi a TSF que fez a rádio avançar muito depressa, pouco tempo depois, ou mais ou menos em simultâneo, surgiram dois jornais que também impulsionaram a imprensa fortemente, que foi o jornal Público e o jornal Independente … em Portugal havia já o jornal Expresso que era muito forte e, depois, um pouco mais tarde, também a própria televisão foi impulsionada com a criação da SIC, dirigida, ela também, por um homem de Angola, o Emídio Rangel, que já tinha estado na criação da TSF. Há particularidades … a TSF é uma rádio jornal, dedicada, praticamente, apenas às notícias, e em Angola temos uma rádio dedicada exclusivamente ao desporto … faz ainda sentido a existência de rádios “temáticas”? Faz sentido, aliás há muito tempo que fez sentido, sobretudo nos Estados Unidos da América onde existem rádios segmentadas de todo o tipo, há rádios só desportivas, há rádios só de notícias, há rádios só de desportos motorizados, há rádios só de economia … e, portanto, a Portugal chegou a ideia atrasada, com o nascimento da TSF, e tão atrasada que foi numa surpresa absoluta a forma como a TSF se lançou. No plano de Angola, eu creio que é inevitável também esse caminho, que será seguido, porque hoje, de facto, há, para além da globalidade de uma massa ouvinte, estamos a falar apenas de rádio, podemos falar de televisão … há, depois dessa enorme massa de ouvintes, grupos que têm interesses muito específicos. Grupos que se interessam muito por desporto, há grupos que se interessam muito por economia … há os que se interessam muito por desportos motorizados, só para falar de algumas áreas e, portanto, inevitavelmente acontecerá também, sobretudo num país grande como é este. Acontecerá, creio, essa dinâmica de criação de rádios segmentadas dirigidas para um alvo específico, dando aquilo que o alvo pretende receber e ganhando em troca a motivação promocional que desse nicho de mercado irá resultar. A rádio 5, creio que é um projecto absolutamente bem sucedido, aliás, creio que é um fenómeno de rádio em Angola, é ouvida de Cabinda ao Cunene, e há uma ligação muito forte à Rádio 5. De desporto, em Portugal, gostamos todos, é uma área que atravessa toda a sociedade, tocando todas as pessoas e, portanto, faz sentido. Se calhar não faz sentido não haver uma rádio desportiva em Portugal. Está ligado à RDP África? Não. Já estive… Mas esteve ligado ao seu surgimento … Sim, estive na fundação da TSF e depois criei a RDP África. Estive lá dez anos, o projecto esgotou-se … Porquê, deixou de ser interessante comunicar com a comunidade africana em Portugal, opu deixou de ser interessante comunicar para África? É preciso estar em Portugal para sentir a avidez comunicacional que as comunidades africanas residentes em Portugal tinham e têm. É também interessante projectar a experiência colhida no plano da emissão para África, para Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde. Porque havia como que um circuito de dois sentidos, nós levávamos para os países de origem as dinâmicas das comunidades residentes em Portugal e trazíamos para as comunidades as dinâmicas dos seus países de origem. Isso era fantástico e continua ser fantástico. O problema é que houve o momento em que se poderia dar o passo em frente e não foi dado, por não haver grande interesse. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_63/pais63_lr_84.jpg “… um dos dramas de Portugal é a sociedade portuguesa muito afastada de uma realidade que sabe que existe mas com a qual não convive…” Isso significa o quê? Sublinho, nem da administração da RDP, a RTP agora é a junção da rádio e televisão, nem, num plano mais extremo, da própria estrutura governativa portuguesa e, julgo, posso dizer também, por desinteresse das próprias nações africanas. Porque nós podemos imaginar, pode parecer um bocado confuso, uma utopia, mas podemos imaginar uma RDP África e também uma RTP África, se quiséssemos, neste plano: a criação, em Portugal, nas comunidades residentes, de rádios comunitárias, rádios das próprias comunidades, se quiser uma rádio da comunidade cabo-verdiana, uma rádio da comunidade angolana, uma da guineense, etc., e ser possível criar um triângulo comunicacional, isto é, as dinâmicas comunitárias levadas as suas rádios das comunidades, captadas pela RDP África, podiam levar as suas dinâmicas para África e fazer o sentido inverso … trazer de África as dinâmicas dos países africanos e transferi-las imediatamente para as rádios comunitárias. Imagine termos uma festa cabo-verdiana que uma rádio comunitária cabo-verdiana faria, que a RDP África retransmitiria e que seria captada em Cabo Verde. Poder-se-ia criar assim uma ligação muito íntima entre a comunidade e o país de origem. O contrário também é verdade, imaginemos um importante discurso do Presidente de Cabo Verde que seria transmitido pela RDP África e retransmitido pela rádio comunitária cabo-verdiana. Podia-se criar aqui uma rede comunicacional que aprofundaria muito as relações entre os que estão fora e os que estão dentro e, numa perspectiva mais larga, poderia também desenvolver-se uma situação mais próxima dos próprios ouvintes portugueses, que um dos dramas de Portugal é a sociedade portuguesa muito afastada de uma realidade que sabe que existe mas com a qual não convive, que é a realidade das comunidades africanas que estão em Portugal. Mas buscando essa proximidade acaba por ser referenciado como um dos homens que mais defendeu a “promoção” da imagem de Angola, fundamentalmente, em Portugal “Sou um homem do Cunene. Eu nasci no Cunene, é o meu chão físico e sentimental.” Sim, por ser angolano, mas enquanto director da RDP África eu procurava projectar as cinco comunidades e os cinco países africanos de língua portuguesa. Digamos que eu era angolano fora da RDP África e tinha de ser, obrigatoriamente, angolano, moçambicano, santomense, cabo-verdiano e guineense dentro da RDP África. Mas o que se pode dizer é que eu desenvolvi um papel que as elites africanas deveriam ter desenvolvido e deveriam estar a desenvolver em Portugal. Falando com toda a franqueza, faz muito pouco sentido que eu, representante da minoria africana, sendo branco, tivesse a ousadia de liderar movimentos que têm de ser traduzidos pela maioria negra. Isto é, as elites negras africanas em Portugal é que deveriam puxar o comboio. Eu iria nele sempre … Mas contou com pessoas como o Ismael Mateus, o José vieira … Sim, eu tentei dar à RDP África um rosto multi-nacional, com a presença de jornalistas dos cinco países africanos, mais Portugal, e tentei, evidentemente, colocar dentro da RDP África profissionais africanos que acidentalmente estavam em Portugal, de passagem, em formação… de forma a acentuar essa ligação. Foi muito mais confortável para mim ter a Paula Simons e o Ismael Mateus dentro da RDP África porque eu sabia que eles tinham um aporte angolano muito forte, que eu, há muitos anos fora de Angola, não poderia levar. Faz muita diferença ser um africano branco ou um africano negro … Para mim não faz, mas temos de ser realistas. No mundo em que vivemos hoje, não tenhamos ilusões, as coisas ainda estão muito marcadas. Eu bato-me e bati-me em Portugal pela necessidade de Portugal começar a introduzir nas suas componentes de poder gente que representasse aquela que é uma fatia importante da sociedade portuguesa hoje. Não sei exactamente quantos são, mas talvez dez por cento da população que reside em Portugal é africana. E essa representação não existe, não temos deputados negros na Assembleia da República, não temos líderes autárquicos que representem as suas próprias comunidades. Repare que a Amadora que é um município fortemente africano, sobretudo cabo-verdiano, não tem esse rosto … eu acho que isso é importante, para começarmos a misturar muito as cores, para que se dilua a diferença das cores. Estamos a assistir esse fenómeno nos Estados Unidos … à medida em que há mais mistura nos Estados Unidos, mais facilmente as dinâmicas da sociedade americana funcionam, até ao ponto de finalmente haver um presidente negro nos Estados Unidos da América, o que é uma coisa impensável ainda na Europa, ou impensável em África porque as situações são semelhantes. Encontra gente com que trabalhou em Portugal em Angola … É com muito prazer que sei que o José Vieira está a liderar a Rádio Mais, que o Guilherme Galiano está a dirigir a área de programas da TV Zimbo, o Ismael … não é que a RDP África tenha produzido esses profissionais, porque eles já eram grandes profissionais E perde-los na RDP África? Eles perderam-me a mim primeiro, eu fui o primeiro a sair, ainda lá ficaram o Zé Vieira e o Guilherme Galiano que saíram depois. É um homem muito ligado aos desportos também Também E este CAN? Eu tenho uma dupla perspectiva para este CAN e tenho tentado traduzi-la. Eu sou dos que defendem a realização do CAN, sei que há vozes críticas, consideram que há outras prioridades, e lembro-me que em Portugal também haviam outras prioridades quando se realizou a Expo, 98 e depois, durante a Expo toda a gente se encantou, e hoje toda a gente se deslumbra com a recuperação de toda aquela zona de Lisboa. Lembro-me que as pessoas eram muito críticas com a construção do centro cultural de Belém, porque havia outras prioridades, e hoje os portugueses se orgulham do CCB e vão para lá em massa. Alguns portugueses também foram críticos do Euro 2004 mas depois deslumbraram-se com o Euro … só que não estão hoje muito satisfeitos porque alguns dos estádios não era necessário construir… Estão às moscas… Estão às moscas … e eu acho que no plano do CAN, por exemplo, não seria muito necessário o estádio da Tundavala no Lubango … Já havia e se poderia recuperar o da Nossa Senhora do Monte? O estádio da Nossa Senhora do Monte tem um enquadramento fantástico, é dos estádios mais lindos que eu conheço, no enquadramento paisagístico, extremamente bonito e é um estádio amplo que poderia, como foi, receber cadeiras, ser aprimorado e transformar-se no Estádio do CAN. E depois temos os campos do Ferrovia e o do Benfica que foram reabilitados, lindíssimos, que serviriam como campos de apoio. Portanto, dos quatro estádios, em minha opinião, talvez o do Lubango não faça sentido, porque depois há que pensar no aproveitamento dos estádios …. E como se está a passar em Portugal com os estádios de Aveiro, Coimbra e do Algarve, pode ser que a Huila encontre problemas por não conseguir rendibilizar aquele espaço e aquilo se transformar, gradualmente, num peso muito forte, porque manter um estádio daqueles que é muito bonito, e eu sinto-me orgulhoso pelo estádio da Tundavala, embora ache que não seria necessário no Lubango, em função das infra-estruturas que já havia, … manter aquele estádio vai custar muito e um dia poderão também pensar, o que é que nós fizemos? … Passando para o CAN, também sei que há angolanos críticos em relação ao CAN, mas daqui a uns tempos as pessoas vão lembrar-se da festa vivida durante o CAN e vão, se calhar, orgulhar-se da infra-estrutura que o CAN criou ou acelerou. Sem o CAN provavelmente não haveria já novos aeroportos, novas vias, não haveria o desenvolvimento de telecomunicações, as novas capacitações humanas que o CAN trouxe. Sou um defensor do CAN, acho que essa é a primeira vitória de Angola, a vitória das conquistas infra-estruturais, é o plano da projecção da sua imagem, Angola está a dizer ao mundo que tem capacidade organizativa e que pode realizar uma competição deste tipo com um elevado nível, e, num segundo plano, a equipa de futebol, essa será a segunda conquista se Angola vencer. Como estamos a falar de futebol, em que todos os resultados são possíveis, eu tenho medo que, como aconteceu em Portugal, as pessoas foram inchando o seu ego à medida que Portugal caminhou e depois, quando chegou à final e perdeu com a Grécia, foi um murro no estômago e o país deprimiu-se muito. Eu temo que Angola, não ganhando, os angolanos se deprimam também muito. Temos de estar preparados … Diz-se que se Portugal tivesse ganho o Euro provavelmente a crise portuguesa teria sido adiada ou menos acentuada “… repare-se ainda agora no atentado de Cabinda, que foi um atentado terrorista, parece-me que é claro para todos, e deveria ser sublinhado como isso, e no entanto, houve algum destaque dado a entidades que reclamavam a autoria do atentado, acho isso absolutamente intolerável …” É importante dizer que o que queremos é que a equipa ganhe, oxalá. Mas sendo o futebol o que é, pode também não ganhar, e temos de estar conscientes disso e conscientes daquilo que disse o poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade, depois daquela traumática eliminação do Brasil no mundial de 1982, que deprimiu profundamente o Brasil, e ele viu-se obrigado a escrever uma crónica a dizer que apesar da eliminação, o sol continuou a nascer no Brasil todos os dias. Também em Angola, se houver uma desilusão, o sol há-de continuar a nascer todos os dias. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_63/pais63_lr_83.jpg Quando um dos países de língua portuguesa está em competição, acabamos por experimentar uma quase transferência de identidade: quando o Brasil joga torcemos pelo Brasil, quando é Portugal torcemos por Portugal, a grande maioria das pessoas … tem feedback de Portugal sobre este CAN? Infelizmente é pouco o feedback, embora, por exemplo, a SIC Notícias tenha aberto, ainda na passada segunda feira, no programa “O Dia Seguinte”, um espaço de aproximadamente 15 minutos para a qualificação de Angola, em que eu tive o prazer de intervir… acho que não há é absorção ainda, e eu creio que no plano desportivo e em todas as áreas, os sucessos de um país têm de ser digeridos pelo conjunto de todos os países que têm essa ligação epidérmica. Eu bati-me, por exemplo, pela necessidade que a nossa comunidade de língua portuguesa absorvesse os sucessos que a Maria de Lurdes Mutola ia conseguindo para Moçambique, porque é muito mais agradável nós projectarmos não apenas as nossas reduzidas conquistas, de Portugal ou de Angola, ou de Moçambique e podermos junta-las todas, e aá podemos ter um assomo de orgulho comunitários, se juntarmos as medalhas do Brasil, de Angola, de Moçambique … dá sempre um volume maior … começar a digerir a necessidade de destacarmos os sucessos de cada um dos países. E assim como Angola celebrou e acompanhou com muito interesse o Euro 2004, eu gostaria que Portugal e o Brasil celebrassem mais o CAN de Angola. Infelizmente ainda estamos longe desse momento, mas aos poucos, eu creio o caminho será esse também. Num outro plano, sente-se em Angola, talvez pela exiguidade do mercado, ou por outro tipo de sentimentos, que podem ser legítimos, uma reacção, também epidérmica, quando se fala de profissionais vindos de Portugal para trabalhar em Angola. Há pessoas que reagem mal, julga que há alguma zanga que nega algum carinho para os que saíram e querem voltar, ou é um sinal de que os angolanos, em alguns planos, querem ficar orgulhosamente sós? Eu percebo … e quero dizer já que eu não venho para Angola, vou vindo a Angola. Está de parte a hipótese de vir para Angola? Não, definitivamente. Não, porque tenho família e não posso trazer a família toda para cá, a minha mulher tem uma profissão estável em Portugal, a minha filha tem uma profissão estável em Portugal e, portanto, eu sozinho não venho, com a família não sendo possível, isso está bem interiorizado em mim. E também aos sessenta anos nunca seria uma ameaça para ninguém. Compreendo algumas reacções … por isso vou vindo à medida que me vão pedindo para vir, se não me pedirem para vir eu não venho, venho apenas de férias. Mas se me pedirem eu aceito e venho transmitir alguma da experiência que tenho. Mas percebo que o fenómeno não é só no campo do jornalismo, mas em todos os campos. As pessoas que atravessaram um período extremamente difícil em Angola ficaram, confrontaram-se com todas as dificuldades do mundo, e quando o país começou a ser estável a expectativa deles é que essa presença, essa continuidade também fosse premiada de alguma maneira. E podem sentir que as pessoas que bazaram daqui, por circunstâncias várias, e que depois vendo Angola estabilizada rapidamente retornam, constituem uma injusta concorrência, eu posso perceber isso. Mas é preciso pensar um pouco o que vai ser esse país, eu sinto e sei que tudo está centrado em Luanda. É para Luanda que as pessoas vêm, porque, se calhar, há essa ideia de que é em Luanda onde está o dinheiro, é em Luanda onde está o emprego, o futuro. Mas Angola tem 18 províncias, e eu sou do sul, sinto que há um espaço de crescimento necessário naquelas províncias. O Bié, por exemplo, é do tamanho de Portugal e terá 500 mil habitantes, no Bié tudo está por fazer. Se formos para o Kuando kubango é o mesmo, Moxico, Zaire, Uige, lundas… a faixa litoral, mais o Lubango e mais o Huambo estão a desenvolver-se, mas há províncias onde as coisas não se estão a desenvolver. Se eu tivesse 40 anos, por hipótese, e me convidassem para vir para Angola, eu gostaria de fazer um trabalho fora de uma destas províncias, não gostaria de vir para Luanda, porque sinto que a parte mais estimulante para a reconstrução do país está fora de Luanda. Como é que se vai para o Kuando kubango, para o Moxico? que tipo de condições existem? Que tipo de apoios, o que vai lá encontrar? … estamos a falar na área da comunicação social e eu acho que isso é o que se tem de começar a pensar. Antes do CAN andei por Luanda, Cabinda Benguela e Lubango, tive contactos com jornalistas e sinto que se Luanda tem dificuldades no plano do jornalismo, e não estou a falar do entusiasmo e da paixão, da capacidade de trabalho, do potencial, estou a falar de aprimorar as coisas, de melhorar os gestos técnicos, de melhorar a língua, de melhorar a comunicação, Luanda tem problemas, mas, depois, a medida que nos afastamos deste centro os problemas vão crescendo, vão-se multiplicando. A situação é menos positiva em Cabinda, Lubango e Benguela, agora não imagino o que será no resto das províncias que eu não citei. O problema não é ter medo dos angolanos que regressam, o problema é pensar o que é que esses angolanos que regressam podem fazer. Porque nem tudo pode estar a acontecer em Luanda ao mesmo tempo, nem em Luanda podem desaguar todas as pessoas que querem vir ganhar dinheiro, ou ter um emprego, um futuro. Acho que o futuro… http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_63/pais63_lr_141.jpg Mas têm o direito de regressar a casa Sim mas a casa maior é Angola. A minha casa pequena ou é no Lubango ou é no Cunene… Portanto, na pele de fazendeiro … Não, não. Quando eu assumi a minha condição de homem da comunicação, homem da rádio, é para toda a vida, como o casamento. Eu vindo para Angola, viria para trabalhar na minha área, até porque não tenho jeito para fazer negócios. Mas vindo para a minha área, eu sou franco, gostaria de desenvolver o meu trabalho não em Luanda, mas, sobretudo, no Lubango ou em Ondjiva, que são os meus espaços, e onde eu sinto que as carências são maiores e onde eu poderia, eventualmente, ser mais útil. Essa é a reflexão que vai ter de se fazer porque o país precisa de crescer harmoniosamente. Já antes da independência Angola era Luanda e a capital a Mutamba, depois da independência, se calhar acentuou-se ainda mais essa imagem. Mas apesar da influência que os comunicadores angolanos têm em Portugal, ciclicamente temos arrufos com entidades estatais ou governativas angolanas. Os que é que se passa, é Portugal que deixou de saber ler a Angola de hoje, ou é essa Angola, essa África que já não aceita leituras francas ou enviesadas feitas de fora? Esta Angola particularmente. Eu acho que Portugal precisa de voltar a conhecer África De actualizar-se? “O problema dos especialistas é que são especialistas de leituras de jornais, e eu não quero ofender essas pessoas, parto do princípio que fazem análises de boa fé, mas para escrever sobre um país, eu acho que a responsabilidade de escrever sobre um país é tremenda.” De se actualizar, em todos os países africanos, embora Cabo Verde menos, porque o turismo tem levado muitos portugueses para Cabo Verde … em relação a Angola há um fenómeno especial, eu sinto que Angola e Portugal são tão próximos que inevitavelmente têm de ter arrufos, é como dois irmãos que se amam e às vezes se odeiam. E eu não quero centrar culpas, penso que pode haver culpas dos dois lados. Situando-me no meio em que vivo, que é o de Portugal, eu sinto que tem havido um problema grande, isto é, a imagem projectada de Angola em Portugal foi sempre uma imagem negativa, por causa da guerra e por causa das consequências da guerra. As imagens que passavam na televisão ou eram imagens de conflito, ou imagens de zonas destruídas pela guerra, ou eram imagens de populações em fuga, ou de populações traumatizadas, ou de crianças abandonadas, crianças com moscas a volta e ranho no nariz, crianças a viver em esgotos a céu aberto … essas foram sempre as imagens que foram transmitidas. E, apesar de tentar confrontar as pessoas com a inevitabilidade de outras imagens de Angola, porque Angola apesar das suas crises continuou a produzir coisas, continuou a ter escritores que escreviam, a ter músicos que faziam música, continuou a ter professores que davam aulas, continuou a ter investigadores que investigavam … tudo isso não é de agora, mesmo nos mais pesados tempos de guerra Angola continuou a produzir isso mas nunca houve uma imagem clara dessa Angola em Portugal. E mesmo os produtos que chegam a Portugal … os livros ainda têm uma entrada razoável, embora limitada, mas no plano da música, por exemplo, não é possível ouvir uma música angolana na rádio pública portuguesa, o que eu acho que é uma coisa absolutamente inacreditável. E também na rádio privada. Mas enquanto a rádio privada tem a sua capacidade de opção, eu acho que a rádio pública deveria ter como uma das suas obrigações promover a cultura da comunidade dos países de língua portuguesa, o que significaria também dar espaço à música de cada um dos países. O que temos é uma cooperação portuguesa influenciada, para Angola, pelas imagens da televisão, e pela ausência absoluta de referências angolanas, ou africanas, no plano da rádio, ou nos jornais, ou iniciativas produzidas por entidades que quisessem promover esse melhor conhecimento. Quando estava na RDP África produzíamos coisas pequeninas no mês de Maio, mês de África … fazíamos coisas pequenas nos jardins de Belém, porque não tínhamos capacidade para fazer coisas maiores, e os portugueses surpreendiam-se e iam perguntando o que é aquilo? Aquilo é uma múcua, aquilo é um disco de Angola … as pessoas interessavam-se e não conheciam. Há um desconhecimento gerado por uma comunicação social mais virada para o que é mau, o que acontece de mal … repare-se ainda agora no atentado de Cabinda, que foi um atentado terrorista, parece-me que é claro para todos, e deveria ser sublinhado como isso, e no entanto, houve algum destaque dado a entidades que reclamavam a autoria do atentado, acho isso absolutamente intolerável … Mas isso é um traço que marca a comunicação social portuguesa, ou ocidental, se olharmos para os noticiários portugueses normalmente os destaques vão para assuntos “negativos”, quer ocorram em Portugal, quer fora … há os escândalos políticos, os apitos dourados … isso pode dizer-se que não é apenas em relação a Angola Não, é essa a lógica, mas o que eu quero dizer é que temos uma proximidade que nos deveria obrigar a olhar com mais afecto, com mais atenção para as coisas que os nossos países vão produzindo. Há pouco falei do desporto, da necessidade de dar mais destaque no Brasil, em Portugal e em Angola, das conquistas olímpicas de Maria de Lurdes Mutola, mas podemos falar de mil outras coisas. Deveríamos estar atentos às nossas realizações e as nossas capacidades, e não estamos, e esse é um problema. Mas se eu ainda tolero que no plano da comunicação social privada isso se faça, porque as opções são claramente privadas, a questão é que temos uma estrutura em Portugal, de serviço público, que se chama RTP, estou a falar da rádio e da televisão, que têm uma responsabilidade maior e essa responsabilidade não é assumida por entrar a RTP em lógicas concorrenciais com as entidades privadas que vão na mesma linha. Durante algum tempo moderou debates na RDP África, e voltando ao conhecimento mútuo entre os países, encontramos em Portugal pessoal tituladas de especialistas em assuntos africanos, porque estiveram num país africano por dois ou três anos, mas não encontramos entre as comunidades africanas, por exemplo, pessoas que lá tenham vivido vinte anos, que tenham lá estudado, que se lhes reconheça o rótulo de especialista em estudos europeus … isso marca a forma como as comunidades olham uma para a outra? Eu acho é que praticamente não se olham, isso é dos grandes dramas da sociedade portuguesa, não sei se é um drama também aqui em Angola, não vivo cá, venho de férias de um ou dois meses, não dá para perceber isso. Mas em Portugal há esse problema, as comunidades não se olham. Há um dia em que em Lisboa nós vemos África irromper nas ruas, é o dia das visitas de parentes. Sábado, em princípio não se trabalha, e o que podemos perceber, se tivermos um olhar mais atento, é uma grande circulação de pessoas de raiz africana nos movimentos pela cidade para se visitarem entre si. Digamos que é o único dia em que Lisboa parece uma cidade multi-étnica, para usar uma expressão politicamente correcta. Nos outros dias não, nos outros dias não há esse cruzamento intenso de africanos e portugueses. Depois a separação é sempre grande relativamente aos locais onde as pessoas vivem. Eu tentei, na Cova da Moura, um bairro sempre falado pelas piores razões, mas em frente ao bairro há gente portuguesa que lá vive, e eu tentei acções naquela fronteira que misturassem aquelas pessoas levando a parte portuguesa para o interior da Cova da Moura e os da Cova da Moura para a parte portuguesa, mas para isso é sempre preciso um parceiro e a RDP África fez isso muitas vezes, mas fazia-o para a comunidade africana da Cova da Moura, era preciso ter um parceiro como a Antena 1, um canal português (da rádio estatal). Se eles se associassem a nós teríamos uma Antena 1 a transmitir para o lado português e a RDP África para todas as comunidades africanas … e não era preciso fazer 24 horas por dia, programas regulares de uma ou duas horas serviriam muito bem para esse processo de conhecimento. As pessoas quando vão para a noite africana de Lisboa gostam, se se confrontam com uma comida africana gostam, se contactam com pessoas africanas gostam … no fundo o que se deve fazer é transferir por alguns momentos a cultura, a comida, as discotecas africanas para o contexto da sociedade portuguesa, mas isso não é feito por falta de comparência de entidades que têm responsabilidades e eu nem sequer ponho à margem a responsabilidade das próprias embaixadas africanas que eu acho que poderiam fazer muito mais. Acho que a RDP África fez mais em dez anos pela relação entre as comunidades africanas residentes em Portugal e os seus países de origem do que as próprias embaixadas. O seu trabalho leva-o a lidar com muitas pessoas … acha que as pessoas que fazem opinião têm sido suficientemente justas, tanto em Angola como em Portugal, em relação aos dois países … Ou são mais apaixonadas que justas? “… também sei que há angolanos críticos em relação ao CAN, mas daqui a uns tempos as pessoas vão lembrarse da festa vivida durante o CAN e vão, se calhar, orgulhar-se da infra-estrutura que o CAN criou ou acelerou…” Há uma paixão, um fenómeno qualquer que faz com que as pessoas se sintam mortificadas com o sucesso dos angolanos … se descobrisse isso talvez em vez de nos zangarmos mais vezes poderíamos tentar perceber melhor o que é que se passa de um lado e do outro, porquê que essa relação às vezes se complica. Vou dar um pequeno exemplo do que pode ser feito: a minha filha tem trinta anos, nunca tinha vindo a Angola, apesar das minhas várias tentativas, porque vivia muito condicionada pela realidade angolana que chegava a Portugal. Quando eu vinha a Angola e levava cassetes de vídeo e lhe mostrava, ela acusava-me de ser parcial, por só filmar coisas bonitas em Angola e de não filmar as coisas más. E eu dizia-lhe que as coisas más já as tinha na televisão, que não estava a negar as coisas más que a televisão apresentava, mas que estava a mostrar-lhe as coisas boas que a televisão não mostra e deveria mostrar. Em 2005 ela veio comigo e com a mãe dela, tivemos uma experiência desagradável em Luanda, apanhamos um táxi sem ar condicionado, em pleno Janeiro, com trânsito caótico, no meio da vertigem angolana que ela não conhecia, aquilo começou mal … mas depois, ao chegar ao Lubango, começou a correr bem e na passagem por Luanda, no regresso, já correu melhor. Ela encontrou-se com Angola e criou amizades em Angola ao ponto de querer vir de novo. Mas de uma pessoas desconfiada em relação a Angola, descobriu uma Angola que ela não conhecia, senão através do pai, mas que ela acusava de parcialidade. Movimentou-se bem em Angola, fomos ao Cunene, fomos ao Kipungo, porque quis parar na igreja, tirou fotografias, interrompeu uma aula de crianças que estudavam de baixo de uma árvore ao lado da igreja, ela interiorizou a sua própria condição de angolana filha de um angolano. Este processo pode reforçar o conhecimento e as pessoas ficam a gostar. O problema dos especialistas é que são especialistas de leituras de jornais, e eu não quero ofender essas pessoas, parto do princípio que fazem análises de boa fé, mas para escrever sobre um país, eu acho que a responsabilidade de escrever sobre um país é tremenda, e é preciso sublinhar a essas pessoas um nome, de um europeu, já falecido, infelizmente, polaco chamado Ryszard Kapuscinski que sempre fez reportagens baseando-se nisso: eu, para ter a ousadia de escrever sobre a realidade de um povo tenho de viver no meio desse povo. E por isso, quando ele ia para as sete partidas do mundo alojava-se numa comunidade tão representativa quanto podia encontrar, andava em transportes públicos, corria riscos, mas dizia ele que só a partir dessa vivência é que se sentia com coragem para escrever sobre um povo. As pessoas precisam de interiorizar isso. Não digo que venham e façam exactamente o mesmo, mas que venham com frequência e que procurem conhecer a realidade do país, porque um país não se conhece pela leitura e pelo estudo que se faz. Conhecese andando no país, falando com as pessoas, entrando nas comunidades, entrando nos mercados, falando com as kínguilas … só assim é que alguém pode ter a ousadia de ser especialista em assuntos africanos, porque essa especialidade é teórica, não é prática e nem eu me atrevo … por isso é que gostei muito de ter a trabalhar comigo a Paula Simons e o Ismael Mateus, porque eles levaram para a RDP África o conhecimento cheirado da realidade angolana, coisa que não sou capaz de fazer, nem me atrevo a isso, porque a minha vinda a Angola, embora frequente, é muito limitada no tempo e isso não me dá substrato para chegar a Portugal e falar em nome de Angola. Procuro defender Angola em algumas situações e algumas não são nada fáceis, de facto. Já se sentiu confrontado com alguma cobrança por estar na SIC e a SIC e as algumas entidades ou pessoas singulares angolanas andarem de costas viradas … já lhe atribuíram alguma culpa, mesmo por eventualmente não fazer por evitar certos “exageros”? Não. E acho não o fariam porque é preciso separar as águas, a entidade das pessoas. a entidade SIC, SIC Notícias, é uma entidade respeitável que tem fundamentos muito respeitáveis, e que aliás, e penso que até gostaria de aprofundar relações com Angola. Não tenho dúvidas nenhumas de que a SIC Notícias gostaria de aprofundar relações com Angola e relações numa base de exploração de mercados, de negócios, isso não é mau. O problema é que há algumas pessoas que têm a tal visão de Angola que é colhida, não da realidade vivida, mas daquilo que lêem, ouvem, vêm … porque, voltamos ao princípio, pode ser tudo o que se diz, mas o problema é que não se diz aquilo que está no oposto do que se diz. Tenho discussões violentas em Portugal, mesmo sobre o plano da corrupção, que em Portugal é obsessivo, e eu não nego a realidade da corrupção, porque em Portugal também há corrupção, como se tem visto até pelos últimos desenvolvimentos … mas costumo dizer que a corrupção é um fenómeno das pessoas e que há-de existir sempre e que nenhuma sociedade e nenhum país produziu elites ricas que não tenha sido, em boa parte, em algumas delas, apoiadas em bases ilícitas, ou até desumanas, nenhuma sociedade do mundo. Basta recuar em Portugal ao tempo dos marqueses e dos duques, em que o rei oferecia terras e as pessoas que estavam nas terras, eles cobravam às pessoas as terras, enriqueciam, multiplicavam propriedades … todas as sociedades produziram elites ricas que não se podem considerar situações exemplares … e Portugal tem oito séculos de existência e ainda temos fenómenos de corrupção, e continuará a tê-lo, portanto não pode ousar pensar que Angola com trinta anos de independência tenha todos os seus problemas resolvidos. Acho que esse tipo de olhar para Angola é profundamente injusto, porque há uma parte de Angola que deveria merecer todo o respeito do mundo a essas pessoas, que tendem a meter tudo o que de mau Angola tem no conjunto da sociedade angolana, sem creditar também à sociedade angolana muito do mérito que ela tem nas conquistas que Angola vai tendo, sobretudo depois de alcançada a paz. Matthias Offodile February 1st, 2010, 07:32 PM Julibel Fernandes Um regresso em grande estilo Estilista e consultora de moda http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_62/edicao_6212_30_5.jpg Nada acontece por acaso, e para Julibel Fernandes, estilista há mais de dez anos, esta é a altura propícia para entrar no mercado angolano e mostrar o seu trabalho, pois reconhece que a moda em Angola está cada vez melhor. Já realizou inúmeros eventos na diáspora e como boa angolana que é, sente que, após 34 anos longe do país, é mais do que tempo de regressar as origens. raízes angolanas Saiu de Angola ainda muito cedo, com apenas seis anos de idade e foi para Portugal com a família. “A minha mãe e os meus tios, que na altura tinham filhos pequenos, ficaram com medo que houvesse guerra, estamos a falar de 1975, altura da Independência. O meu pai é angolano e a minha mãe portuguesa, é curioso porque ela veio para Angola, com a mesma idade que eu fui para Portugal. O meu pai vinha sempre para aqui, mas nós não. Voltei o ano passado para o casamento de uma cliente. Foi muito emocionante, e agora estou de volta”. Foi atleta federada de esgrima e praticou equitação, desportos que a ajudaram bastante durante a adolescência. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_62/edicao_6212_30_4.jpg “Soube desde sempre que teria uma profissão ligada ao mundo das artes, só não sabia qual”, diz-nos Julibel Fernandes de forma convicta. A estilista estudou Design no liceu e afirma ter gostado muito. Quando se apercebeu do surgimento de cursos para formação nesta área, sentiu- -se tentada a fazer parte deste universo, pois viu que tinha tudo a ver com ela. formação em arte Apesar de ainda ter arriscado seguir o curso de Design de Comunicação, na Faculdade de Belas Artes, na Universidade do Porto, em Portugal, chegou a conclusão de que aquele não era o seu universo perfeito. “Cheguei a um ponto em que me apercebi que os computadores não eram para mim. Gostava mais do trabalho manual. Fiz um curso de Estilismo e Modelismo e fui trabalhar para uma fábrica. Também percebi que isso não era para mim. Gosto de ter a percepção da influência que o meu trabalho tem sobre as pessoas e isso acontece no atelier. Ter contacto directo com o cliente é muito mais gratificante”, sustenta consultora de moda Além de criadora, Julibel é também consultora. “No atelier executam-se muito mais que vestidos. Como também faço consultoria de moda, tento ajudar as pessoas a encontrarem o seu estilo. Quando alguém se sente bem vestido, sente-se também mais confiante. Mais que ajudar as pessoas a estarem bonitas — penso que essa é a parte mais fácil — pretendo ajudar as pessoas a estarem mais confiantes em si e nas suas opções. Isso passa para os outros. Nós comunicamos com a imagem e temos que comunicar bem”, defende. Em 1996 abriu o seu atelier, onde o trabalho manual tem um peso muito grande. Para além de desenhar vestidos executa bordados à mão, cria e elabora acessórios como colares, brincos, carteiras e sapatos. Tudo para a criação de um visual perfeito. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_62/edicao_6212_30_3.jpg Apesar de já ter vivido grandes momentos — entre os quais destaca o facto de ter trabalhado directamente com o famoso estilista e arquitecto Paco Rabanne — a designer reconhece que o seu grande momento está para vir. Sonha com o dia em que fará um desfile individual em Luanda, a cidade que a viu nascer. o auge da carreira Não faço apenas vestidos. Ajudo as pessoas a serem mais confiantes e a encontrarem o seu estilo próprio. Havendo que escolher um momento em 13 anos de profissão, Julibel escolhe a festa dos seus 10 anos de carreira, onde pode contar com todos os seus amigos, clientes e colaboradoras. A apresentadora da RTP — —Rádio Televisão Portuguesa, Sónia Araújo, amiga de longa data da estilista, foi a imagem dos seus acessórios de moda. E a também jornalista Merche Romero desfilou com um corpete em ouro desenhado por Julibel Fernandes especialmente para a ocasião. “Foi lindo, senti-me bastante emocionada. Quando se trabalha num mercado tão competitivo, é necessário estar sempre a inovar, pesquisar e surpreender. Ver que o meu trabalho conquistou um espaço cativo e continua a ser preferido por muitos, é algo que me deixa muito feliz”. Em 1999, foi a responsável pela criação do guarda roupa da representante de Angola, Lorena da Silva, no concurso Miss Mundo. próximos projectos Julibel Fernandes acredita que o reconhecimento resulta do profissionalismo. Foi com muito esforço que criou o respeito que tem hoje no mercado europeu e que agora pretende expandir para Angola. “Sempre tive o apoio do meus pais. Abrir o atelier não foi fácil mas passados 13 anos, tenho a certeza que valeu a pena. Lamento por vezes que a minha carreira seja demasiado absorvente. É bom não ter horários fixos e gosto muito de viajar. Mas por vezes a carreira não me deixa tempo para outras coisas que gostaria de fazer. Penso, no entanto, que todas as pessoas se queixam do mesmo. O dia deveria ter 48 horas”, diz com um sorriso aberto. Em relação aos novos desafios a estilista está em Angola para promover o seu trabalho. “Tenho clientes angolanas que compram as minhas colecções em Portugal, mas ainda não tenho um ponto de venda fixo em Angola. Estou a trabalhar para desfilar no país já este ano”. No futuro, pretende consolidar a sua marca em Angola e além fronteiras. :cheers: Perfil * Nome: Julibel Fernandes * Data de Nascimento: 8 de Abril de 1969 * Comida predilecta: Polvo à lagareiro e pirão de peixe * Livro: Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago * ídolos: na moda... Coco Chanel * na música... Michael Jackson e Maria João * na política ... Nelson Mandela * e literatura... Almada Negreiros Matthias Offodile February 5th, 2010, 10:08 PM Angolan very professional photographer in his Luanda studio =nm-WlIwi6_o&feature=related Matthias Offodile February 5th, 2010, 10:09 PM Angolan very professional photographer in his Luanda studio nm-WlIwi6_o&feature=related evany February 5th, 2010, 10:10 PM :applause: Matthias Offodile February 12th, 2010, 04:00 PM Artista visionário angolano Fernando Alvim http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_19/rosiel_dassumpcao_2908.jpg A Fundação Sindika Dokolo atribuiu uma bolsa de um ano, a cinco músicos da banda NIRS, que procura estruturar a sonoridade angolana e interagir com as do resto do mundo. Num concerto realizado no ano passado no Cinema Nacional a banda Next misturou, entre outras, músicas de Artur Nunes com Pink Floyd e de Proletário com Sting. O registo em DVD desse concerto memorável vai ser lançado em Março. Fernando Alvim (bateria) e Marita Silva (viola baixo) são dois membros da Next. Artista visionário É arquitecto, músico, designer, pintor, curador, vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo, mentor da trienal. Fernando Alvim mantém um espírito jovem, criativo e empreendedor. O bilhete de identidade acusa 45 anos. Mas quando se fala com ele sobre novos projectos e desafios na área cultural revela um entusiasmo contagiante próprio dos adolescentes. No seu elegante e amplo escritório de inegável bom gosto — onde impera a madeira e uma decoração minimalista, podemos ver maquetes de novos edifícios, revistas e livros semi-abertos ou quadros pintados pelo próprio. No fundo da sala repousam os instrumentos musicais que convidam ao toque. Fernando toca viola baixo e é um exímio executante de bateria. Vê-se que estamos no atélier de um artista. De um artista com múltiplos talentos. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_19/rosiel_dassumpcao_2920.jpg A própria imagem de Fernando Alvim não engana ninguém. Óculos redondos, feições miúdas, cabelo grisalho, uma pequena barba aparada característica dos intelectuais. A aparente altivez dissipa-se quando a conversa começa. Fernando Alvim é dono de uma grande experiência de vida e de uma enorme cultura geral. No mundo das artes move-se com à vontade nos campos da pintura, escultura, arquitectura, música, cinema, fotografia ou literatura. RAÍZES ANGOLANAS Conhece Angola profundamente. Leu muito sobre a sua etnografia, em particular, sobre a cultura bantu que, segundo ele, “explica porque os angolanos são um povo mais afectivo, mais voltado para a inclusão do que para a exclusão”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_19/rosiel_dassumpcao_2900.jpg Pelo modo assertivo como fala da história, da política, da cultura, vê-se que é um apaixonado por Angola onde “muito há ainda para fazer”. Fala dos projectos da Fundação, de forma quase febril, passando rapidamente de assunto em assunto, revelando sempre grande ousadia, determinação e atenção aos detalhes. Discorre sobre os projectos em maquete — ou que estão simplesmente na sua cabeça — como se fossem estar concretizados já amanhã. Revela uma enorme ambição: a de tornar a Fundação Sindika Dukolo um dos maiores protagonistas da arte a nível mundial, contribuindo para mudar a percepção difusa e incompleta que o mundo ocidental ainda tem da cultura angolana e da africana.Tal como sublinha o próprio Sindika Dokolo, “queremos criar uma colecção africana de arte e não uma coleccção de arte africana”. DA BÉLGICA À ÁFRICA DO SUL Fernando Alvim nasceu no bairro do Cruzeiro. Os avós eram portugueses e os pais vivem em Angola há 54 anos. O seu avô, António Alvim, era decorador, o que pode explicar a sua habilidade na arquitectura e design de interiores. Fernando Alvim também gosta de contar que foi influenciado por um vizinho com o qual partilhava os filmes de Super 8. A atracção pelas artes era notória desde a infância. Fernando Alvim inaugurou a primeira exposição de desenho, na Avenida Lenine, quando tinha apenas 17 anos. Em 1987 sofreu a sua primeira grande decepção profissional quando uma exposição sua foi interditada. No ano seguinte, abandonou o país. Decidiu alargar horizontes e partir para a Bélgica onde vivia o seu irmão. Fernando adaptou-se muito bem ao país, o francês era a sua segunda língua e, alguns anos depois, inaugurou o seu primeiro centro de arte africana contemporânea intitulado Camuflage. Em 1991 regressa a Luanda graças ao convite para participar no restauro do Elinga Teatro, onde realizou várias exposições de pintura e vídeo e onde anunciou o lançamento do seu primeiro livro de arte. Em 1997 viajou novamente com o propósito de “fazer o exorcismo da guerra”. Acabou por abrir um Camuflage, na África do Sul, semelhante ao da Bélgica. GESTOR E CURADOR Em 2002 regressa de vez a Angola, aceitando o convite para ser o curador da colecção particular de Rui Costa Reis. No ano seguinte André Mingas, que é hoje seu grande amigo pessoal, considerou-o a figura mais apta para liderar a primeira trienal de Luanda, um acontecimento que revolucionou o panorama cultural da cidade. Este evento foi a primeira parceria entre o poder público e a Fundação Sindika Dukolo. A sua relação de amizade com Sindika Dokolo é, no entanto, anterior a esse facto. Eles conheceram-se quando Fernando pediu a Sindika para comprar a colecção de arte do alemão Hans Bogatze, na Bélgica, quando este faleceu. Apesar do elevado valor envolvido, Sindika aproveitou a oportunidade e comprou seiscentas obras de arte, das quais 250 foram aproveitadas para a sua colecção pessoal. Desde então a dupla nunca de desfez e, em 2004 nasceu a Fundação. Hoje Fernando Alvim é o rosto e o curador de uma colecção de arte que já tem mais de 3 mil obras. Porém, o orçamento anual é de apenas 600 mil dólares. O resto do capital que é investido todos os anos, provém de patrocínios — quer de empresas privadas, quer de instituições públicas. A segunda trienal de Luanda será o seu próximo desafio. “Depois haverá apenas mais uma — em 2013. Nessa altura já estará em funcionamento o nosso Centro de Arte Contemporânea. Logo deixará de se justificar a existência de mais trienais”, justifica. Sindika Dokolo, o coleccionador Sindika Dokolo nasceu no Congo. O pai era congolês, a mãe dinamarquesa e ele viveu em Paris. Fruto desta mistura de influências Sindika cedo revelou um enorme fascínio pela arte. Hoje é considerado um dos maiores coleccionadores de África de todos os tempos. O seu espólio é superior a 3000 peças e inclui obras dos míticos Andy Warhol ou Basquiat (o seu artista preferido). “A minha ambição é a de construir a melhor colecção de arte africana. Não a mais cara, nem a maior, mas a que melhor enriquece o panorama da arte africana”, diz. PerfiL - Fernando Alvim, 45 anos * Músico Internacional * Miles Davis * Músico Nacional * André Mingas * Artista Internacional * Joseph Beuys * Artista Nacional * Viteix * Livro que está a ler * La Complexité – Vertiges et Promesses, de Réda Benkirane * País para viver * Angola * Cidades para viver * Luanda e Namibe * Local para viajar * Salvador da Bahia * Projecto da vida * Trienal de Luanda :cheers: Matthias Offodile February 14th, 2010, 06:55 PM Cássia do Carmo // Escritora Catorze anos, dois livros O PAÍS foi saber dos planos para 2010 da pequena Cássia do Carmo, que aos 12 anos de idade escreveu um livro que é uma grande lição de vida E ntão o que faz a mais nova escritora do país, no começo do ano? A escrever, sempre que possível, e a recolher o maior número de ideias para adicionar à minha nova obra. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_64/opais_64_lr_259.jpg Quantos anos é que fará em 2010? Já fiz. 14 anos no dia 26. Então confirma-nos que está a escrever um novo livro? Sim, tenho preparada mais uma obra, desta vez destinada aos adolescentes. Como é que está o livro “As Duas Amigas”, ainda se pode encontrar nas livrarias ou voou tudo? Felizmente vem a caminho a 2ª edição da obra, uma vez que a 1ª edição se esgotou. Depois da apresentação pública na sede da União dos Escritores Angolanos, como foi voltar ao colégio. Alguma mudança significativa? Após este acontecimento seria impossível não ter mudado nada, embora felizmente, não tenha sido nada significativo em relação aos meus amigos. Notei apenas que aumentaram os olhares dos colegas e várias vezes fui parada para responder a algumas questões mas, de um modo geral, foi bastante interessante sentir o reconhecimento dos outros. É este ano que se torna membro da UEA? Só precisa escrever mais um livro e que seja bem aceite…. Assim espero, uma vez que pretendo terminar o meu livro brevemente. Quanto à aceitação, estou bastante curiosa, e espero que corra tudo bem. E recebi um convite para escrever um conto a dois com o escritor Manuel Rui. Como andam os níveis de leitura? O que está a ler neste momento? Ultimamente tenho lido bastante e, de momento, leio um livro da autoria de Pedro Bandeira, escritor brasileiro. Voltando à União dos Escritores, o que sentiu no dia em que foi o centro das atenções? Não sei se consigo explicar por palavras! Foi um dos melhores momentos da minha vida... O escritor Manuel Rui é uma espécie de seu padrinho literário? Com certeza que sim. Foi exactamente o seu discurso que mais me emocionou durante o lançamento do meu livro. Tem para imitar o estilo de algum escritor angolano ou caminha pelos seus próprios pés? Prefiro, sem dúvida, caminhar pelos meus próprios pés, pois acho que, se assim for, há maior possibilidade de crescer. Eu acho que se decidir por “imitar” o estilo de algum escritor, estarei limitada a melhorar a minha escrita com base no que ele escreve… Prefiro aceitar maiores desafios. Gosta de futebol? Gosto sim de futebol, embora não seja adepta de nenhum clube angolano. Tem acompanhado o CAN? Sofreu com a eliminação de Angola? Sim tenho acompanhado os jogos do CAN, desde o vergonhoso jogo de abertura, até ao triste jogo que pôs fim à participação dos Palancas no CAN… Já pensou em levar o seu livro para fora de Luanda? Hum… sinceramente seria uma grande vitória para mim, mas penso que preciso de trabalhar bastante até lá. Por agora, embora o deseje, acho que não está tão perto de acontecer. E de organizar tertúlias com crianças mais ou menos da sua idade, para transmitir-lhes os valores morais e os princípios que tão bem soube defender no livro? Esta já é uma ideia que me parece estar mais ao alcance!! Gostaria de poder participar desta forma na vida das crianças angolanas, ouvi-las e poder responder às suas questões, mas, na escola, gosto bastante de trocar livros com os meus colegas e discutir os seus conteúdos… Fazemo-lo com alguma frequência. Tem acompanhado a tragédia do Haiti? Sim, tenho acompanhado tristemente esta tragédia. O que é que lhe passa pela cabeça quando vê essas imagens de tão grande sofrimento humano? Penso no que poderia fazer para ajudar estas pessoas, que de um dia para o outro viram as suas vidas mudarem de uma forma catastrófica, penso no quão traumatizante deve ser para as crianças haitianas perder as suas famílias sem, por vezes, se aperceberem do sucedido, perguntandome quando é que a miséria que se instalou naquela cidade dará lugar a dias melhores, sem sofrimento, sem lágrimas, sem desespero. As minhas fontes disseram-me que está a pensar trabalhar no jornalismo. Mentiram-me ou é mesmo isso o que quer? As suas fontes não lhe mentiram. De facto, o jornalismo encontra-se na lista de profissões que pretendo seguir. Perfil * Nome: completo: Cássia Patrícia Mesquita do Carmo * Data de Nascimento: 26 de Janeiro 1996 * Localidade: Luanda-Maculusso * Habilitações Literárias: 8ª classe * Prato preferido: Mufete * Gosta de cozinhar: Sobremesa em geral * Filme: Titanic * Livro: As aventuras de Ngunga Perfil Claudineth Damião Fragoso: "Médica Medicina como lição de vida " Como nasce a paixão pela Medicina? A paixão pela Medicina surge quando eu era criança. Mas aquele sonho de criança transforma-se em realidade por ter vivido dois episódios que me marcaram até à adolescência. A morte dos meus avôs maternos e o facto de ter assistido a uma palestra sobre a importância da Medicina. O primeiro episódio não gosto de recordar. Na altura, lembro-me que questionei a minha mãe sobre o porquê da morte deles. A minha mãe respondeu: “Os médicos fizeram tudo mas o coração não aguentou.” E eu na minha inocência perguntei: “Quem são os médicos?” A resposta da minha mãe foi simples: “São pessoas que recebem uma formação para cuidar de nós.” Isto ficou gravado na minha mente. O segundo momento foi quando a minha professora de biologia proferiu uma palestra sobre a importância da Medicina. Era uma pessoa afável que gostava do que fazia e colocava em primeiro lugar o ser humano. As suas aulas fascinavam-me. O que era um sonho de infância transformou-se assim em realidade. Sou uma pessoa que valorizo muito o ser humano e isto também me ajudou a optar pela Medicina que considero uma profissão muito humana. Na minha opinião, mais do que uma profissão a Medicina é uma lição de vida. Á Medicina ensina-nos a ser menos materialistas e mais humanos. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_66/pais66_lr__165.jpg Porque razão optou pela clínica geral? O médico de clínica geral tem uma visão mais ampla do que realmente é a Medicina e está preparado para tratar qualquer doente, mas não penso ficar por aqui. O clínico geral tem conhecimentos em todas as áreas de relação entre um paciente e um profissional da saúde. Cabe ao clínico, além da observação da parte doente, ir em direcção ao todo, identificando as possíveis causas do desequilíbrio do indivíduo e remeter, quando necessário, para um especialista. Quando e onde obteve a formação em Medicina? Obtive a minha formação na República de Cuba, na Universidade de Havana. Um país que tem estado a apostar cada vez mais na formação de médicos para vários países. Foi das melhores estudantes e terminou com distinção a formação superior. O que é que isso representa para si, mais a mais quando esse reconhecimento foi obtido por uma angolana no seio de um universo de estudantes de 23 países? Foi um motivo de grande alegria e satisfação pelo esforço realizado. Estava patente o resultado de muitas noites de estudo, o sacrifício em suportar a ausência física da família, o ter de abdicar de muitas coisas que jovens da minha idade gostariam de fazer. Ser a melhor angolana na história da universidade em Cuba, num universo de 23 nacionalidades, constituiu para mim uma grande responsabilidade. Senti-me dignificada ao prestigiar o meu país. Para além de médica, tem veia política, com passagem pelo Comité Nacional da JMPLA. Como consegue conciliar a actividade médica e a política? Há tempo para tudo isto? O segredo está na gestão do tempo. Tanto os políticos como os médicos devem saber aproveitar o tempo. Não é em vão que os ingleses dizem “Time is Money”. Confesso que não é tarefa fácil, mas consigo conciliar, porque gosto da Medicina e também da política. Representar o país em fóruns internacionais, enquanto estudante de Medicina, a julgar pela idade que tem, não foi “muita carga” para si, sabendo que é originária de um país em vias de desenvolvimento e que teve que ombrear com colegas de países desenvolvidos? Realmente foi “muita carga” porque já não era a Claudineth que estava ali. Era uma representante de Angola, e eu procurava apresentar com cientificidade as minhas comunicações para dignificar a imagem do meu país. “Mais carga” ainda porque como eu tenho a peculiaridade de ter uma “altura privilegiada”, como eu própria costumo dizer. As pessoas olhavam para mim com desconfiança, esta jovem, africana, baixinha o que nos vai dizer? Essas eram as interrogações de muitos, como eles próprios confessavam mais tarde e queriam saber mais sobre Angola. Fez a formação superior em Cuba, um país com padrões altos em termos de Medicina. Quando chegou a Angola sentiu alguma diferença do ponto de vista da aplicação dos conhecimentos que adquiriu, ou seja, conseguiu aliar a teoria à prática? Não senti nenhuma diferença do ponto de vista de aplicação de conhecimentos porque em Cuba existe uma particularidade na formação dos médicos que é aliar desde muito cedo a teoria à prática. O futuro médico tem aulas em hospitais docentes e logo à partida está em contacto com os pacientes com a supervisão de um tutor. Relativamente aos indicadores na área de Medicina, eu sou angolana e conheço a realidade do meu país. Muitas das doenças tropicais existentes em Angola, não existem em Cuba, como por exemplo o paludismo. Como consegue lidar com esta situação, quando lhe surge um paciente com essa patologia? Não me é muito difícil, porque sempre que tivesse oportunidade de gozar férias em Angola, fazia algumas investigações sobre as doenças mais frequentes no país. Por outro lado, Cuba tem um Instituto de Medicina Tropical onde trata doentes com estas patologias. Nós tivemos a oportunidade de fazer estágios nesse Instituto. Independentemente disso, nós temos uma equipa muito coesa que tem a particularidade de discutir todos os casos com precisão para um melhor diagnóstico e tratamento. Na qualidade de médica de clínica geral, quais são os casos de doença que mais lhe chegam para tratamento? Os casos que mais temos observado são evidentemente doenças infecciosas, diga-se a malária, febre tifóide, tuberculose, sida. Nas doenças crónicas não transmissíveis observamos casos de hipertensão arterial, diabetes mellitus e, com grande incidência, doenças cérebro-vasculares. Como se sente do ponto de vista psicológico ao ver um paciente a morrer no leito de um hospital? Para responder a esta pergunta devo em primeiro lugar sublinhar que a Medicina ensina o homem a ser humano. Ter na palma da nossa mão a vida humana é uma grande responsabilidade. Existem ocasiões em que sentimos que a vida do nosso paciente nos quer fugir e nós temos a responsabilidade de tudo fazer para salvar essa vida. É a maior satisfação de um médico. Nós devemos pensar primeiro nos pacientes. Ao valorizarmos o “EU”, a auto-estima dos pacientes eleva-se e consequentemente o tratamento flui da melhor forma. Perseverança, paixão e vocação são factores cruciais para se obter sucesso na nossa e em qualquer profissão. Temos que optar pelo exercício de uma Medicina mais humanitária. A actuação do médico enquanto profissional pode determinar a continuidade de uma vida humana. Tenho um respeito muito grande por esta profissão. Fazer saúde pública é também fazer saúde com qualidade. Agora devo dizer que a Medicina preventiva é muito importante, como é importante as pessoas elevarem a sua cultura em termos de saúde. Muitas vezes nós recebemos pacientes que por desconhecimento deixam-se ficar em casa e a doença vai agravando. Nestes casos é frustrante saber que algo que poderia ser evitado provoca a morte ao paciente. Do ponto de vista psicológico é sempre frustrante, pois o sonho de qualquer médico é sempre salvar uma vida. Em Angola estão também presentes factores culturais e religiosos que muitas vezes interferem no exercício da Medicina. Como por exemplo um paciente que nega categoricamente fazer uma transfusão de sangue, devido a questões religiosas. Já viveu uma situação do género? Já. O mais marcante foi quando observei uma paciente com uma hemoglobina muito baixa. Sugeri à família que tínhamos que fazer uma transfusão de sangue e por razões religiosas a própria paciente e a família negaram. A paciente acabou por morrer. Como reage quando ouve que colegas seus se recusam a prestar assistência a um enfermo, alegadamente por motivos religiosos ou outros? Acho que do ponto de vista da ética e deontologia profissional é reprovável. Também o é do ponto de vista humano já que a nossa missão é salvar a vida dos pacientes. A minha atitude só pode ser de condenação. A Medicina é uma profissão ao serviço da saúde do ser humano e da colectividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza. O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor da sua capacidade profissional. Os nossos hospitais estão à altura das necessidades dos pacientes? Infelizmente tenho que dizer que não. Primeiro porque os nossos hospitais ainda não são suficientes para a demanda da população que temos. Por outro lado em muitos casos os pacientes vêm com patologias em estado muito avançado. Temos que apostar mais na Medicina preventiva. Sendo ainda muito jovem, pensa ficar por aí do ponto de vista de formação ou ampliar a graduação académica? Ficar por aqui, nem pensar. Porque o mundo está em constante desenvolvimento e todos os dias descobrimos coisas novas. Quero continuar a aprofundar e ampliar os meus conhecimentos. O médico nunca termina de estudar. A investigação deve ser permanente. Perfil * Nome completo: Claudineth Victória Damião Fragoso * Data de nascimento: 14 de Maio 1985 l * Localidade: Luanda * Habilitações literárias: licenciatura em medicina * Profissãoo: Médica * Prato preferido: Mufete * Bebida: Sumo de laranja natural * Estado Civil: Solteira * Filhos: Ainda não tenho * Cidade de Angola: Benguela * Cidade Esytrangeira: Washington DC * Filme e autor: Titanic. James Cameron * Livro e autor: A sagrada Bíblia * Perfume: Angel ou Démon da Givenchy Matthias Offodile February 23rd, 2010, 03:56 PM Escritor Ramiro Santos ‘Os escritores não nascem, fazem-se…’ Com apresentação marcada para o próximo dia 27 de Fevereiro, “Um homem do mundo em busca de um mundo do homem” é o título da obra de estreia do jovem Ramiro Santos como escritor. Diz que começou por escrever letras para músicas e que se inspirou em Agostinho Neto. Tem 20 anos e vai já com outros dois livros em preparação. Quando é que começou a escrever? Comecei a escrever em 2003, por influência dos meus amigos que sonhavam ser músicos. Nessa altura, eu vivia no bairro da Gamek e através dos textos musicais reflectíamos sobre várias coisas, como o amor, o sofrimento, as guerras, a política e a economia, tudo por força dos diálogos que íamos mantendo no nosso meio. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_67/pais_67_lr_156.jpg Porque é que deixou de escrever músicas? Preferi abandonar a música, porque achei que ela era um caminho muito estreito para exprimir as minhas ideias. Eu escrevia-as por arrasto, tanto mais é que abandonei e preferi dedicar-me mais a leitura e a minha formação académica. Como é que entrou para o mundo da literatura? Entrei para o mundo literário a partir do momento em que tive contacto com obras de escritores nacionais e internacionais, entre os quais consta Agostinho Neto, que como escritor e homem de cultura teve uma dimensão muito grande, daí decidi ser escritor. Será um escritor de referência ou será mais um daqueles que só querem escrever por escrever? A minha intenção é ser futuramente um escritor de referência nacional e internacional, dado que tenho-me cultivado dia e noite para que tal desiderato aconteça. Acredito também que o meu estilo literário poderá vincar e cativar muitos leitores. Sonhava publicar uma obra literária assim tão cedo? Sim. Eu quando terminei a minha obra tinha apenas 18 anos, mas como na altura não tinha apoios protelei-a e este ano, aos 20 anos, vou publicá-la. Com a idade que tem (20 anos) não acha que é prematuro lançar já um livro, quando geralmente se julga que os mais velhos é que têm estórias para contar? Acho que estou a lançá-la tarde. Eu defendo que o mais importante é associar a nossa maturidade espiritual à académica, porque a idade cronológica às vezes não diz nada. Corrobora a ideia de que os escritores nascem, mas não se fazem? Os escritores não nascem, fazemse, tendo em conta os longos anos de formação académica, vivências e muita leitura esta, é a minha opinião. Se calhar algumas pessoas nascem com tendência para serem escritores. Também já ouvi muitas pessoas a dizer que os artistas nascem, para mim não é verdade, se eles criam o que vêem, então deviam fazê-lo também quando estão na barriga. Foi difícil escrever esta obra? Não foi difícil, porque fazer o que se quer e se sabe acarreta poucas dificuldades, porque entreguei-me de corpo e alma nesta luta que daqui a dias tornar-se-á realidade. “Um homem do mundo em busca de um mundo do homem” é o título da sua obra, com 62 páginas e uma tiragem de 1.000 exemplares numa primeira fase. O que é que retrata? É um livro de carácter crítico sobre algumas questões do mundo actual, apegando-se essencialmente ao próprio homem, bem como algumas distorções do mundo que descaracterizam o homem enquanto ser racional. Para quando o seu lançamento? O livro será lançado no próximo dia 27, na União dos Escritores Angolanos e no primeiro dia de Março na escola N’jinga M’bandi, a partir das oito horas da manhã, ao preço de 1.000 Kwanzas. Teve algumas dificuldades em encontrar patrocinadores? A minha obra foi patrocinada pelo Instituto de Formação da Administração Local (IFAL), escola onde fiz o curso médio de Administração. Quando concluí a obra apresentei-a ao director da escola, o doutor Cremildo Paca, ele mostrou interesse, portanto a instituição apoiou em termos financeiros. A correcção esteve a cargo de quem? Do ponto de vista linguístico e literário, ela esteve a cargo da doutora Luísa Kovolo e do Dr. Arlindo Isabel, agradeço muito a atenção que me deram quando os solicitei. Acha que os jovens da sua faixa etária se revêem nos escritores angolanos? Os jovens da minha faixa etária lêem pouco, isso é verdade, mas creio que ainda temos problemas graves sobre o incentivo e o hábito pela leitura, a distribuição dos mesmos e os preços praticados. Qual é a sua opinião sobre a literatura angolana? Ela está no bom caminho e tem tradição por haver uma geração de escritores que internacionalizaram a nossa literatura. É necessário que se aposte na juventude que tem vontade de escrever, ou seja, injectar sangue novo para se ter bons escritores. Para além do lançamento, tem algum plano para o futuro? Sim tenho. Fiz o teste de acesso à Faculdade de Direito, no ISCED (curso de História) e na Faculdade de Letras e Ciências Sociais (curso de Ciências Políticas). Tenho também duas obras que já estão bem avançadas. Perfil NOME: João Ramiro dos Santos DATA DE NASCIMENTO: 26 de Outubro de 1989 LOCALIDADE: Uíge HABILITAÇÕES LITERÁRIAS: Técnico Médio de Administração PROFISSÃO: Professor de Língua Portuguesa e História PRATO PREFERIDO: Funge com carne seca e feijão de óleo de palma BEBIDA: Água e Sumos FILHOS: Não tenho CIDADE DE ANGOLA: Uíge CIDADE ESTRANGEIRA: Atenas FILME E ACTOR: Código Da Vinci, Tom Hanks LIVRO E ESCRITOR: Curso de Filosofia, volume III, Baptista Mondin PERFUME: Aqua Di Gio Matthias Offodile March 1st, 2010, 09:21 PM Grande Entrevista Ângela Mingas - Reviver Luanda pelo património http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_67/pais_67_lr_165.jpg O turismo cultural é a via mais certa para a preservação dos edifícios e equipamentos, é nisso que aposta. Para começar, deixe-me saber, foi dançar ao carnaval? E como! Acho que até hoje ainda devo ter purpurina (risos). Só podia, eu sou carnavalesca permanente, nos últimos dois anos infelizmente estive afastada do carnaval, porque não estava no país, mas eu sou Unidos de Caxinde das pontas dos pés até aos fios do cabelo. Fui carnavalesca durante três anos, com a Sheila Sirgado, com o Bandin … trabalhamos muito com o Jaques dos Santos, que é uma referência absolutamente incontornável ... o Jaques dos Santos é igual a Chá de Caxinde, e ponto final. O que tenho de relação com a Associação Chá de caxinde é pelos Unidos de Caxinde … E esta ligação ao carnaval, a cultura, isso veio de casa, de pequena, ou é uma coisa que descobriu de repente, que seria giro estar na marginal … Nem pouco mais ou menos … isso vem de casa, vem do meu pai, vem da minha mãe também. A família da minha mãe é uma família festeira, não é muito conhecida, é uma família do sul, do Lubango e de Benguela … passei uma parte da minha vida em Benguela, com a minha avó que lá viveu 60 anos e todo este espírito de farra, esta ligação à cultura, tenha ela o corpo que tiver, é uma coisa de casa, é estrutura de família já. E isto é apreendido de forma natural, porque se vive, ou porque há uma transmissão, digamos instruída, uma conversa sobre uma espécie de responsabilidade de manter o nome da família ligado a cultura? Vocês são uma família conhecida como estando ligada à cultura … Não são muitas as pessoas da família assim conhecidas, são duas ou três … acabam por ser o Rui Mingas e o André Mingas … o Liceu Vieira Dias … e depois há toda uma família que vai vivendo um pouco do mito criado por meia dúzia de indivíduos, embora alguns façam também por si. A vivência, a questão de estarmos ligados, de uma maneira muito natural, a várias actividades culturais é porque nós não temos preconceitos em relação a nada. Eu, por exemplo em relação ao carnaval, sou muitas vezes confrontada com comentários de pessoas que dizem – o quê, tu vais dançar o carnaval na Marginal com o povo? isso é uma forma de pensar altamente pejorativa … Há quem se esteja a desligar do povo, procurando criar um fosso … É, coitados… eles acham que povo é uma coisa negativa. E acho que o que está implícito, e quando digo que é uma questão de estrutura familiar, é porque existem certos critérios que não fazem parte da minha linguagem social … o dançar o carnaval, que para mim é a festa mais democrática que possa existir, estar com alguém que eu não conheça, no mesmo espírito, subverter funções, um rei virar um polichinelo, o sapateiro virar um príncipe … tudo isto é a democratização do homem, é a alienação do título pela valorização da pessoa. Isto acaba por ser um princípio educacional, daí ser muito fácil assumir aquilo que naturalmente é endógeno, faz parte da nossa cultura originária, ou adquirida por influência … para mim é muito fácil dançar a kazukuta ou o semba na marginal tal como emocionar-me com um fado cantado pela Argentina Santos … é uma questão de democracia, de eclectismo, é muito natural. É jovem, é professora na universidade, vem de uma família conhecida, como vive o facto de gente da sua geração, com mais acesso aos bens e meios de cultura, com condições para bons desempenhos intelectuais, até porque são pessoas que viajam … como lida com o facto de não as ver em museus, basicamente? não falham é discoteca … http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_67/pais_67_lr_167.jpg (Risos). Eu tenho pena de qualquer indivíduo que não se reconheça quando se olha ao espelho. Não hajam dúvidas que temos, e isso não é só na minha faixa etária, eu tenho 37 anos e trabalho já há muito tempo, lido com o ensino, de facto, lido com pessoas e acho que essa fuga da origem vem quando as pessoas crescem com preconceitos. E essa fuga passa pela maneira como as pessoas falam, a família que têm, pelo que comem … tudo isso são factores de cultura e a cultura é um elemento que evolui. Mas a cultura evolui quando se tem uma origem e quando se tem influências, esta relação é inegável. A cultura é o que a gente herda, o que a gente vive e o que passa. Quando se anula um desses componentes estamos a subverter a ordem natural das coisas e, invariavelmente, esse indivíduo vai crescer amputado, vai ser um deficiente, não físico mas um deficiente moral. Se ele não está construído em todas as suas facetas, mais especificamente quando ele anula a sua herança para fazer de contas que é alguma coisa que até é pior, então só posso sentir muita pena. Por outro lado, nós temos, enquanto povo, enquanto africanos, uma relação difícil connosco mesmos, temos de fazer permanentemente uma afirmação daquilo que somos para conseguirmos o respeito dos outros. Mas é preciso saber de que outros nós queremos respeito e o que é que estamos dispostos a perder para que isso aconteça. O africano é o escravo, o africano é o boçal, é o não civilizado, o bárbaro … ao africano estão endossados um conjunto de preconceitos que só os reconhece quem, de facto, anula a sua herança. Viver com a consciência ou de acordo com o preconceito do outro, isso, para mim, é uma tragédia. Quero lá saber o que é que o outro pensa que eu sou. Primeiro eu tenho é de saber é de onde vim, o que é que eu sou, o que é que eu valho … se o outro acha que eu por ser africana, por ser negra, ou por ser mulher, que por causa disso eu sou inferior, o problema é dele, não é meu. E esta consciência de ser leva-a a estar ligada ao projecto Reviver … Um projecto de herança … Reviver o quê, Luanda, a cultura, a história? É Reviver. A ideia é … se formos a origem etimológica, o património é aquilo que nos é legado pelos pais, o pater em latim, o conceito romano de pai … hoje em dia, património é um conceito muito mais abrangente, é um conceito social que sai do âmbito do indivíduo e passa para o colectivo. Lá está aquela questão da herança, da cultura, aquilo que nós somos é o que nos é legado pelos nossos ancestrais. Como eu sou arquitecta, interessa-me, como objecto de estudo, como objecto de trabalho, a parte da arquitectura, aquilo que constitui o património arquitectónico. A arquitectura tem a vantagem de ser um cristalizador da cultura, é um momento, ela existe para o tempo e cristaliza um determinado momento da arquitectura, da história. Isto é a melhor maneira de ler uma determinada sociedade, desde a sua origem até ao tempo moderno. Porquê reviver Luanda? Luanda é matricial, é uma cidade com mais de 400 anos, está a caminho dos 500 anos, tem 434, e nós conseguimos ler na cidade de Luanda, ainda, é muito importante frisar isto, aquilo que é este país. Se do ponto de vista arquitectónico conseguimos em Luanda a matriz do urbanismo angolano, a matriz da arquitectura angolana, que acaba por ser um híbrido, o resultado de um encontro de culturas, africana, a cultura originária, nós somos bantus e a cidade de Luanda obedece fundamentalmente a cultura originária, depois temos a grande influência da cultura portuguesa, a influência, também, da cultura holandesa, porque tivemos uma relação com a Holanda durante muito tempo, que é mais visível no sul de Angola, mas ainda existem em Luanda alguns resquícios desta influência, e hoje em dia estamos a falar de uma cidade que está a sofrer um fortíssima influência asiática, com a componente da imigração chinesa … e quase tudo acontece, engravida, explode em Luanda. Estamos a mudar a transformarmonos … Luanda tem um centro histórico com características interessantíssimas que é a faceta evolutiva. O centro histórico de Luanda não pára no tempo, ele adequa-se, ele vai-se desenvolvendo. Também se transforma … Graças a Deus … E nessa transformação pode “matar” algumas das suas faces … Esse é que é o problema, esse é que é o problema. Eu reajo contra a alienação daquilo que é identitário. Não estamos a falar do que tem de mudar, mas existe um respeito pela herança, pelo que é patrimonial, porque nem tudo é património, que deve ser preservada para que a tal leitura continue a ser feita. A evolução da cidade de Luanda, a construção de um sobrado do séc. XIX não obrigou necessariamente a alienação de uma igreja do séc. XVI ou do séc. XVII, há espaço para tudo, desde que o novo não subverta, ou não aliene o que era antigo. O Reviver tenta conferir, também, importância ao que vem de trás. A cidade não é um elemento estático, ela tem de evoluir, tem que mexer e Reviver Luanda significa voltarmos aos lugares e percebermos que eles podem ser reintegrados na sociedade, que não têm, necessariamente de serem destruídos. A gelataria Baleizão, cujo edifício, se não me engano, neste momento já só existem dois com as mesmas características na cidade de Luanda. Este edifício pertence a um período muito característico da arquitectura e tem uma componente na sua estrutura que eu acho que é única, já só existem dois … aquele sempre foi um edifício da cidade, ainda nos anos 70, 80, aquele edifício era uma casa de gelados, aliás, as pessoas a partir dos 30 anos para cima ainda chamam ao gelado baleizão porque é a referência da casa que os vendia, mas o edifício já não é a casa dos gelados, mas será que ele precisa de morrer só porque já não +e a casa dos gelados? Será que não pode ser requalificado? Recuperado e reintegrado na sociedade com outra função? A história é lida através dos tempos pelos edifícios. A fortaleza de S. Miguel já não é um quartel, mas ela não precisa de deixar de existir só porque jánão tem a sua função inicial, como objecto ela prevalece na cidade e permite uma leitura da história desde o tempo em que foi construída… Há pouco falamos das pessoas que se desligam daquilo que são, esta consciência da mensagem e da importância histórica dos edifícios, isso carece também de uma educação cuidada… Isso é fundamental. Tal que a campanha Reviver tem como uma das suas principais premissas a sensibilização cívica por via da educação. Um dos papéis da coordenação da campanha é ir fazer conferências nas escolas e chamar o estudante, a sociedade para passeios pontuais ao longo da cidade para conhecerem os edifícios. Eu vou às escola e falo com os alunos sobre os personagens da história, é muito bom falar da rainha Ginga mas a maior parte dos estudantes não sabem onde ela foi baptizada, não sabe onde é que aconteceu a famosa história da cadeira humana … estas coisas aconteceram na cidade, os espaços estão aí. Quando fazemos o passeio passamos por lá e dizemos – foi aqui que ela se sentou em cima da escrava – e automaticamente aquele lugar passa a ter uma relação completamente diferente com as pessoas, quando levamos as crianças e dizemos, na fortaleza, que foi aí que nasceu a cidade, quando vamos praça da Independência e falamos sobre o que aconteceu, os personagens, as crianças adoram a história contada neste ponto de vista. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_67/pais_67_lr_168.jpg A elas não interessa muito o edifício em si, interessa-lhes mais a história em torno do edifício. Nos passeios as crianças querem saber, perguntam, e as meninas dizem que querem ser baptizadas onde foi a rainha … é assim que se vai revivendo a história e a cultura da cidade. Em cidades como Barcelona, por exemplo, quase que se pode dizer que cada catalão é um guia turístico … É verdade Eles sabem a importância dos monumentos, dos edifícios, vivem , mas isso pressupõe uma atitude do estado, da edilidade, que conseguiu encontrar formas de valorizar o património e ganhar com isso também. Sim, absolutamente. Barcelona passou por dois momentos fundamentais na sua história. Teve o famoso plano de requalificação da cidade no séc. XIX, de Ildefonso Serdá que é um nome referência do urbanismo moderno e, depois, o Gaudi, com os jardins de Guell … são fundamentais na caracterização da cidade. Uma cidade precisa de ter uma característica, uma identidade, que é feita por tudo, desde o cidadão até ao edifício. O conhecimento, a valorização patrimonial, a sobrevivência do património, passa pelo cuidado que o cidadão tem por ela, estes movimentos não são isolados e têm de ter sempre um suporte importante do Estado, não estou a falar do Governo. A lei de protecção do património angolana é fabulosa, prevê tudo , os regulamentos internacionais estão à disposição, também existe a carta de Atenas , a carta de Veneza, a carta de salvaguarda dos centros históricos, nós temos tudo. O nosso problema está na aplicação, ou no respeito da lei … Mas o que vemos acontecer quase dá a ideia de que não temos lei Aí estamos perante um problema de afirmação … Sente-se que falta fiscalização e cumprimento da lei Quem sabe agora com esta postura do Presidente da República, com a Tolerância Zero em relação a corrupção que, infelizmente está muito na base da maior parte da subversão da cidade que temos visto, quem sabe este movimento não trave? Porque para classificar um edifício como património existem muitas razões e a lei do património, a Carta de Veneza, que é igual para todos os países do mundo, diz no primeiro artigo, que tem interesse patrimonial qualquer monumento ou sítio que seja característico de uma determinada civilização, de um determinado momento histórico através do qual se possa perceber a identidade de uma cultura. Este edifício ou lugar não tem de ser majestoso nem sumptuoso. A gelataria Baleizão é tão importante, sob o ponto de vista patrimonial, como é o edifício do Banco nacional de Angola, e, no entanto, têm escalas completamente diferentes. O mesmo se pode dizer de outros edifícios escondidos na cidade, como o Chalé de Luanda, como o teatro Elinga, como a Associação 25 de Abril, que têm características tecnológicas fundamentais para a interpretação de determinado momento histórico. Quando falamos do sobrado, um edifício com características muito próprias na cidade de Luanda, e que já existem muito poucos, o sobrado tem características tecnológicas que nunca mais se vão repetir em parte alguma do mundo, porquê? Porque embora o edifício pertença ao estilo chão, em termos arquitectónicos, ela foi construído com a madeira que era transportada pelos navios negreiros que vinham do Brasil vazios e cuja tara não era suficiente para a travessia. Como a tara não chagava eles enchiam os porões com pau-Brasil, ou com outras madeiras, porque a região de Luanda não tem madeiras. Quando os navios atracavam no porto aí a frente do Baleizão, a madeira era toda largada para os navios serem carregados de escravos. Esta madeira vinda do Brasil, molhada na travessia, é que foi utilizada em edifícios como o Palácio de D. Ana Joaquina, a Associação 25 de Abril, o teatro Elinga o Baleizão, ou a casa de Alfredo Troni. É possível alguma vez na vida reproduzir este tipo de construção? Nunca mais. Elas fazem parte de um momento característico da história. Portanto, para ser património tem de ter essa envolvência históricocultural … Tem de ser representativo de um momento, isso é fundamental Se pedir a um arquitecto um projecto que copie a construção das aldeias angolanas … Vai dar o palácio Dona Ana Joaquina, parece mas não é. Não é só o traço que marca … Há cerca de 2 mil e 500 anos foi escrito o primeiro tratado de arquitectura por um homem chamado Vitrúvius, Marcus Vitruvius Polli, ou Marcos Vitrúvio Palião, e o seu tratado de arquitectura é utilizado como referência até hoje, porque ele define a arquitectitra na sua ascensão completa, ele diz que a arquitectura tem de obedecer a três premissas fundamentais: Venustas, firmitas e utilitas. Utilitas é a utilidade, a funcionalidade; firmitas é a estrutura, a solidez; e venustas é a beleza, sob o ponto de vista cultural, o belo com o qual o homem se identifica. Para se falar de arquitectura enquanto obra conseguida, não como mero efeito, ela tem de trazer essas três premissas, se falta uma … O que se está a destruir é resultado de mero desconhecimento, falta de respeito pela história e pelo património, ou apenas a necessidade de se substituir o que já não é útil, o que não dá dinheiro? Entramos no ponto fundamental. O desenvolvimento das sociedades, cidades, é feito dentro de quatro parâmetros fundamentais: o factor económico, o factor cultural, o factor social e o factor ambiental. A sustentabilidade do desenvolvimento tem de obedecer a estes quatro parâmetros, cada um deles defendido por leis específicas. Nós estamos, infelizmente, com um desenvolvimento altíssimo mas só no indicador económico. Numa linguagem juvenil, é a febre do ouro, a do tio Patinhas que põe os olhos em cifrões. Nesta febre o indivíduo perde-se de si mesmo, distancia-se da sua génese, a cultura e a sociedade. Infelizmente o dinheiro tem uma força violenta, há quem diga que o desenvolvimento cultural, social e ambiental é consequência do desenvolvimento económico, eu tenho pontos de vista diferentes, é uma questão de debate. Por ser académica não acredito na finalização do argumento, o dogma … Os novos edifícios de Luanda são apenas mamarrachos? Não. Mas muitos são sim. Não são edifícios com qualidade, são mera construção. Pouquíssimos deles têm as três componentes da arquitectura de que falamos há bocado. Podemos ter muitos exemplos em que o que interessa é ganhar mais e executar menos. O edifício, além de ter de obedecer a algumas características, precisa de paisagem, se analisarmos o que acontece com a igreja da Nazaré que está a ser circundada por edifícios que a suplantam várias vezes em proporção, a igreja perdeu a paisagem, deixou de ter importância em termos de paisagem. E não ganha o efeito surpresa? Alguém que venha de cima, entre prédio e, de repente, encontra uma pérola no meio … Quem sabe, coitadinho (risos). Existem outros edifícios na mesma situação e … depois vemos outras construções que seriam perfeitamente enaltecidas se estivessem em Talatona, por exemplo, porque são espaços que estão a crescer com outra dimensão, embora em termos urbanos se possam fazer outros comentários. O edifício da Sonangol o que está a fazer no centro histórico? Não gosta do convívio entre o velho e o novo? Aquele novo não. Aquele novo não. Não está em causa a intervenção, é o tipo de intervenção. A partir do momento em que aquele edifício foi ali localizado ele estragou, literalmente, e irremediavelmente a paisagem do centro histórico. A avenida Lénine, antiga Brito Godins, é a fronteira oficial do centro histórico, aquela avenida teve sempre uma característica particular em relação as casas que lá existiam, era um edificado particular que deveria ter sido preservada, no entanto foi aí construído um edifício, o da Chevron, acabou com a caracterização daquela rua. Depois veio o das AAA e depois outros, acabou. É preciso ter muito cuidado em como se intervém na cidade. Claro que podem existir colegas meus com pontos de vista diferentes, mas não sei se terão argumentos suficientes para rebater o que estou a dizer. Porque a forma urbana obedece a elementos da morfologia que são estudados desde sempre, a fachada, a altimetria, aos afastamentos frontais … são componentes de análise e diagnóstico da arquitectura, não é só dizer que isso é velho e vamos por um novo. A corrupção que está a subverter a cidade, que pode ser financeira ou de mentalidade, chega também aos arquitectos? E como chega! E essa da corrupção moral é a pior. Há pouco tempo, numa aula a estudantes de arquitectura, perguntei como reagiriam os alunos caso fossem confrontados com a ideia de um projecto industrial na Vila Alice, um bairro residencial, em troca de uma boa maquia em dinheiro. Estamos a falar de finalistas. Foi uma escandaleira, 60 por cento dizia que aceitaria e faria com que aquilo não fosse bem uma indústria e tal … a deontologia obriga-nos a cumprir as leis, o – também não é tão mau assim … é muito perigoso… Lembro-me de quando era pioneira da OPA, de calção azul escuro e tudo pelo povo, uma vez fomos a televisão e enquanto esperávamos pela nossa vez de entrar estavam a passar umas entrevistas com gente da rua sobre a Independência, os ganhos, etc… preto e branco, ainda me lembro, e um senhor dizia que a independência era mesmo boa, porque antigamente bo branco nos batia muito, não podíamos nem mijar aqui na era, era surra logo … os miúdos, claro, ficaram escandalizados. Além da expressão ser horrível … ensinou-se de tal maneira errado que hoje, se formos criticar alguém que esteja, nas calmas, a apanhar ar, essa pessoa vai perguntar qual é o problema. Nos arquitectos também tempos problemas desses, … Frutos da sociedade a que pertencem. Mas outro aspecto é a identificação dos monumentos. Estou a falar com alguém que conhece que tem sensibilidade, mas o cidadão comum não sabe, passa pelas ruas e não há uma única placa a dizer-nos da importância daquele local. Infelizmente não. Neste trabalho de campanha temos conversado muito com o Instituto Nacional do Património Cultural, Sónia Domingos, que tem sido uma pessoa extraordinária, e outras pessoas. não é fácil, muitos dos serviços do estado as vezes não conseguem fazer mais porque não podem, são pessoas extremamente interessadas mas que as vezes não conseguem agir, ou por razões logísticas, ou de recursos humanos … O vosso centro na Universidade Lusíada tem feito um trabalho notável na identificação do património arquitectónico de Luanda, é uma base que o ministério da cultura deveria aproveitar, trabalho já feito. Custarlhe-á tanto assim pegar numas placas de cobre e marcar os edifícios? Quem certificou os edifícios foram eles, o MINCULT, em primeira instância … Ainda por cima (risos). Por isso é que digo que acho que a questão até poderá ser logística, não é falta de vontade, nós conhecemos as pessoas e o seu interesse. A nossa campanha tem abordado as pessoas que são danas de património, porque o património não é só propriedade do estado … Eu posso propor a minha casa para património, se julgar que ela obedece os parâmetros? Primeiros os conselhos técnicos, depois ele tem de ser avaliada. Se o instituto não tiver técnicos para a avaliação pode recrutar de fora, porque o Instituto do Património Cultural trata também do património imaterial, como a música, a dança, etc. não é apenas arquitectura. Mas nós estamos a tentar ajudar. Conhece algum edifício património que tivesse sido destruído? Claro, o palácio D. Ana Joaquina As placas teriam ajudado a preservar? É. Quando um edifício é destruído eu garanto-lhe que quem o destrói sabe que se trata de património. Ele não pode alegar o desconhecimento da lei … Mas não está lá a placa Isso não quer dizer nada. Eu também não tenho uma placa na testa a dizer que não posso ser morta na rua porque isso seria um crime de homicídio, eu sei que não se pode matar, nenhum ser humano usa placas desse tipo. Não podemos alegar desconhecimento da lei, menos ainda quando falamos de um cidadão esclarecido, porque a destruição é feita, na maior parte dos casos, por indivíduos esclarecidos. O edifício D. Ana Joaquina era edifício classificado, um dos mais representativos do património arquitectónico do país, o maior sobrado que tínhamos. O Kinaxixe não era classificado? Não o era mas estava proposto e nesta condição não deveria ter sido destruído. E o facto de se situar no centro histórico obrigaria a um processo de licenciamento para demolição especial. Devemos proibir novas construções no centro histórico? Pelo contrário, o que se deve é investir, o centro histórico tem de ser reabilitado. É preciso planos de pormenor para o centro histórico, para arborizar as ruas, é preciso impedir o trânsito em alguns troços porque a poluição dos carros degrada os edifícios, recuperar a ideia da calçada, para dar a noção de antiguidade, recuperar o passeio público do séc. XVII. É preciso construir, revitalizar, mas não é qualquer coisa que vai revitalizar o centro histórico. Na história da escravatura vemos muitas vezes a imagem dum homem a ser chicoteado atado a um mastro, isso acontecia muito no pelourinho … Sabe onde estava o famoso pelourinho de Luanda? Sei. O pelourinho de Luanda que era o centro de martírio dos nossos ancestrais, onde se vendiam os escravos que eram levados para o Brasil, aonde se castigavam os escravos fujões e outros cidadãos não escravos, esse local é hoje um parque de estacionamento. Acho que o que se fez no parque do pelourinho foi um desrespeito a ancestralidade, nem consigo … quando vi que se estava a fazer ai uma intervenção ainda disse aos meus alunos que finalmente se iria remodelar um monumento … quando me dei conta do que se estava lá a fazer eu disse, incrédula, que, de facto, a falta de respeito tinha atingido todos os níveis. O largo do Pelourinho tem tanta ou mais importância histórica que o museu da escravatura, o largo de pelourinho é relativamente mais antigo, até. Não é assim que se faz cidade. Sente-se numa luta inglória? Nunca. Essas lutas nunca são inglórias. O importante é transmitir a mensagem e acho que vamos conseguir. Olhando para o que pretende preservar são ruínas, sem portas, sem cobertura, paredes carcomidas … não há dinheiro para reabilitar … Há sim. Porque não? Os proprietários estão falidos Só se for um processo de expropriação, mas a lei diz que a expropriação só se for para utilidade pública. Eles não têm dinheiro Mas a lei diz que o Estado tem que ajudar. Todos os edifícios classificados como património devem merecer uma atenção especial da parte do Estado. O que o governo tem de fazer, obrigado pela lei, é definir políticas de apoio para a preservação do património classificado. A isenção fiscal pode ser uma medida de apoio … e outras. Mas é preciso, rapidamente, fazer o plano de pormenor do centro histórico para se decidir o uso dos solos do centro. A regra diz que o uso destes solos deve ser para o lazer e para a cultura … Na campanha Reviver o que indicam, ou quantos edifícios indicam como património? Temos várias leituras da cidade, mas a Fortaleza do Penedo, a Fortaleza de S. Pedro da Barra, esta já fora do centro … mas temos as duas fortalezas, de S. Miguel e do Penedo, temos todas as igrejas, incluindo a da Ilha de Luanda, embora fora do centro histórico … Mas na Ilha terá sobrado apenas a igreja A ilha perdeu a sua forma urbana, já não há recuperação possível da identidade da Ilha de Luanda, a menos que se inverta todo o desenvolvimento já projectado para a Ilha. Mas como ia dizendo, temos as igrejas, alguns edifícios e equipamentos fundamentais para estudar a cidade, as alfândegas, o centro onde se situa o Elinga, característico do sé. XVIII, as estações, a do Bungo está a ser recuperada mas a da Cidade Alta está muito degradada, deveria ser reabilitada, as calçadas, e aqui a única que mantém a tecnologia construtiva de calaçada é a de S. Miguel, as outras já só têm o nome, são já asfalto. A Cidade Alta e o bairro dos Coqueiros fazem parte dos nossos passeios turísticos, são fundamentais, porque a cidade alta foi o primeiro núcleo construído em Luanda e a cidade baixa, o bairro dos Coqueiros, foi o segundo núcleo urbano construído. Estes dois são os mais antigos pólos de Luanda, mas o centro histórico é mais alargado e durante três séculos foi só aquilo. Temos postais suficientes para Tours Muitos, faça-se um percurso temático. Se for pelas igrejas elas contam a história do desenvolvimento da arquidiocese da cidade de Luanda. se for por equipamentos perceberemos em que momentos foram construídas as alfândegas, toda a parte social da cidade … Quem chega a Luanda não encontra essa informação nem no aeroporto nem nos hotéis, nem para gastar dinheiro. Este turismo poderia financiar a preservação deste património? É fundamental. Por isso escolhemos o turismo cultural como premissa da campanha. Nós, mesmo com um brutal potencial turístico ainda não temos uma sólida política de turismo. Exploramos a praia e um pouco o turismo gastronómico, embora o funje nós comemos em casa, o turista não come, sequer enaltecemos aquilo … Nem bebe kissangua nem nada Não. Kissangua num restaurante? Lá está o tal golpe que se faz ao que se herda. Como é que vamos a um restaurante em Angola e não se bebe uma kissangia, não se come um funje … temos uma política de desenvolvimento turístico deficiente. Este trabalho que fazemos é difícl, a cidade só comporta estes passeios ao sábado, e o facto é que os museus fecham ao fim de semana que é quando deveriam estar abertos. Quanto a participação, como estão? Muito contentes, muitas crianças, muitos estrangeiros, que são a população maior, não apenas os anglófonos e francófonos, mesmo os portugueses e os brasileiros participam. Fomos ver o governo provincial e as pessoas maravilharam-se. Tivemos o apoio fundamental do Eleutério Freire, um conhecedor de Luanda e que foi o angolano junto do ICOMOSE, um gabinete da UNESCO para o património, monumentos e sítios… E o próximo passeio? Será no dia 6 de Março, com várias saídas a pé e de carro. Esteremos no largo do Baleizão com vários artistas, porque nos apoiamos nas artes para promover o património. As artes também são património e iremos até Novembro, quando fizermos um ano. E quando é que se sentirá satisfeita? Quando for homologado o plano de protecção e revitalização do centro histórco, um diploma legal. José Kaliengue Matthias Offodile March 2nd, 2010, 11:36 AM Jornalista Rila Berta // Escrever economia é pôr os números a falar’ Trabalha para o Semanário Económico (SE). Em que é que este jornal se distingue dos outros jornais económicos em Angola? http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_68/pais68_lr_145_1.jpg A diferença do SE dos demais jornais da mesma especialidade começa logo pela estrutura. Isto é, possui características específicas e inovadoras, tais como o formato broadsheet; comporta cinco cadernos de oito páginas cada um, totalizando 40 páginas. E não só: traz em cada um dos seus cadernos o desenvolvimento de factos dos diferentes sectores da economia. Só para exemplificar: o caderno B, trata de Macro e Finanças, possui secções que são inovadoras no mercado, como o Crude, que em minha opinião é essencial num país cuja parte de leão do PIB é sustentada pelo sector petrolífero. Referência também para uma outra secção inovadora: Seguros, que é fundamental nesta altura que se implementou a obrigatoriedade do seguro automóvel de responsabilidade civil contra terceiros. No Caderno C temos uma página que fala somente de actividades a nível do transporte, e de Campo e o Caderno D, no qual exerço a função de subeditora, temos uma página que fala exclusivamente sobre Ambiente, outra que fala sobre Turismo, trazemos também os negócios do mundo da moda, enfim a diferença é que relatamos por escrito e semanalmente a economia no seu todo. É preciso estar sempre a pensar em números para se ser um bom jornalista económico? Não é inteiramente verdade, apesar das notícias de um semanário económico comportarem valores de investimentos, débitos, créditos, perdas extraordinárias, análises económicas. Há também o gozo da escrita, a ornamentação da matéria, a capacidade de levar ao leitor até onde decorre o facto, e fazer com que ele vivencie cada pormenor e faça a sua análise, do que deveria acontecer ou como se daria solução a uma situação. Se o jornalista se dedica somente a pensar em divulgar matérias com números perde a capacidade de escrever vários géneros jornalísticos, como a reportagem, a análise, ou até mesmo um bom artigo de opinião. O empresariado angolano já percebeu que precisa de estar bem informado para ter sucesso nos negócios ou ainda vale a ideia de que aqui se vende tudo? Eu não diria que sim, mas também não diria que não. Diria apenas que aos poucos o empresário é obrigado a perceber que sim. É preciso estar bem informado para ter sucesso nos negócios. Pois o que acontece por cá, ao contrário de outros mercados mais evoluídos, é que em Angola a imprensa é obrigada a moldar o mercado. Como sabe, escrever economia é pôr os números a falar. E é aqui que nos deparamos num beco sem saída: a maior parte dos agentes económicos neste país, empresários e responsáveis por instituições financeiras, e não só, prestam declarações apenas quando têm interesse, ou quando lhes convém. Várias vezes o jornalista tem de mendigar quase o depoimento de alguém nestas especialidades para ver completa a sua matéria. Mesmo que por lei, por exemplo, as empresas têm de divulgar trimestralmente os seus relatórios Mas o que eles não sabem é que esta característica acaba, também, por prejudicar a informação que é veiculada, pois para haver boa informação e notícias completas as fontes devem colaborar. É verdade que a economia angolana ainda acontece básicamente em Luanda, ou vai percebendo que há outra vida no resto de Angola? Eu penso que se vai percebendo que há outra vida no resto do país, vagarosamente. Pois está aos olhos de todos, agora com a reabilitação das vias de comunicação é possível detectar melhorias, por exemplo, no escoamento dos produtos, na expansão de algumas empresas para outras províncias do país, bem como a livre circulação de pessoas. Entretanto, Luanda continua a ser a sede da maior parte dos principais centros comerciais e instituições estatais, o que contribui para a concentração de pessoas cá. Mas julgo se queremos fazer um bom jornal é preciso, digamos, disluandizar a informação para que ela seja de interesse de todo o leitor. De Cabinda ao Cunene. Para quem lê o Semanário Económico apercebe-se de uma grande presença feminina nas assinaturas das matérias: as mulhres são mais sensíveis à questão da gestão? De facto o Semanário Económico tem a sua redacção composta maioritariamente por mulheres, (70%). No que toca à sensibilidade das mulheres em questão da gestão, é um facto que, no meu ponto de vista, é provado diariamente quando as nossas mães têm de gerir o pouco dinheiro que lhes vem à mão, no cuidado da casa, da escola, na alimentação, ou até mesmo quando vemos zungueiras com negócios módicos a sustentarem as suas famílias. Que tipo de reportagens mais gosta de fazer? O meu género favorito é a reportagem, portanto, independentemente do tema, gosto de ter o poder de transformar um facto numa bela história. A vossa redacção é um espaço desarrumado, como se imaginam as redacções de jornais, ou a presença feminina põe tudo no lugar? (Risos) A presença feminina, de facto, marca a diferença, pois além dos jornais, dicionários, revistas, livros, etc., a vantagem de uma redacção com mulheres sobrepõese na arrumação e no cuidado da imagem. Quando vai ter com um empresário ou gestor sente que a arrumação da sala corresponde a um bom desempenho da empresa? Nos últimos tempos e os manuais de gestão assim o provama organização bem como a boa aparência tornaram-se parte das peças fundamentais para o sucesso do negócio, e quando alguém recebe uma visita sem arrumar a casa, demonstra distracção, para muitos, uma característica fatal no mundo dos negócios. Em casa pensa apenas no jornal e na matéria seguinte? Obviamente que não. Tenho as minhas actividades pessoais como mulher (formação académica, tratamentos de beleza, manicure, pedicure, etc.) – como mãe (creche dos filhos, cuidar da casa, pagamentos de contas) entre outros aspectos do meu quotidiano. Mas devo confessar que entre segunda-feira, altura em que começa a contagem decrescente para o fecho, até quarta que é o fecho da edição, é difícil ir para cama sem pensar na chamada de capa que se vai trazer para o caderno, ou no entrevistado que nos deixou pendurado, e, como tal há um furo,enfim , não há como ficar sem dedicar uns dias da semana exclusivamente ao trabalho. O que sente que ainda falta nos jornais angolanos? A imprensa angolana tem vindo a evoluir positivamente. Olhe, diria que, nos últimos tempos, a velocidade de cruzeiro. Com o surgimento de novas empresas a investirem na comunicação e se apostando fortemente na juventude como força de trabalho, o que é positivo, já se começa a sentir um pouco do espírito de competição (tanto em manchetes como em deadlines) entre as redacções. Entretanto, acho que o espírito de criatividade, de tornar o insignificante insigne, de transformar factos insólitos em grandes manchetes, ainda não é comum nos nossos jornais. Angola é grande e tem histórias bonitas pelos quatro cantos do país, mesmo assim, às vezes nos restringimos aos problemas do quotidiano de Luanda. Claro, que existem várias razões que fazem com que Luanda mereça atenção da mídia: é a capital, é a província mais populosa e, para terminar, alberga os maiores agentes económicos. Perfil * NOME: Rila Berta * DATA E LOCAl DE NAScIMENTO: 1 de Novembro de 1985, Saurimo – Lunda-Sul * ESTADO CIVIL: Solteira (vivo maritalmente) * FIlhOS: Dois (um rapaz de três anos e uma menina de um ano) * PRATO PREFERIDO: Arroz de marisco * Sabe cozinha? Sei, muito bem * Literatura preferida: Romance * Filme da Vida: E tudo o vento levou * Perfume: Nina Ricci * PASSATEMPO: Leitura, cinema e basquetebol Matthias Offodile April 25th, 2010, 08:14 PM Spa do Cabelo em Luanda. proprietaria xima de sa faria k2M24OE35pY&feature=related That music in the video is realy funky! Matthias Offodile April 26th, 2010, 10:38 PM Ana Marta Faial // Da moda à pintura MODELO, ACTRIZ, PRÉMIO “CARREIRA DOS ANGOLANOS NA DIÁSPORA” http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_68/edicao_6802_19_3.jpg http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_68/edicao_6802_19.jpg Quem já viu o canal português SIC Mulher decerto terá reparado no separador onde pontifica a angolana Ana Marta Faial, um nome sonante do mundo da moda. Em 2008, foi galardoada com o prémio “Prestígio Carreira dos Angolanos na Diáspora”, ao lado de personalidades conhecidas em várias áreas como Bonga (música), Mantorras (futebol) ou António Augustus (moda). Em plena forma, aos 51 anos de idade é o exemplo vivo de uma mulher batalhadora. Nascida em Benguela, a sua vida sofreu uma mudança radical quando foi viver para Portugal, em 1982, e deu início à carreira de manequim e de modelo fotográfica. Mal chegou começou a trabalhar em revistas internacionais como a Vogue, Elle, Máxima, Marie Claire e Egoísta. Em 1986 recebeu o prémio de “Melhor Manequim do Ano”, da revista portuguesa Nova Gente. Como manequim trabalhou para feiras internacionais de moda em Espanha, Alemanha, Itália e Estados Unidos. Em 2004 iniciou a carreira paralela como actriz. Foi convidada a interpretar a personagem “Maria da Lua” na série televisiva portuguesa “Morangos com Açúcar — 3”. Nos anos seguintes colaborou na formação de manequins e na organização de eventos ligados à moda. Mãe de 5 filhos, Ana Faial confessa ser uma mulher realizada. Após uma vida de muitas conquistas e alegrias, mas também de dificuldades, vive uma nova etapa na sua vida: o regresso à terra, com uma nova paixão — a pintura. Quando decidiu emigrar? Cheguei a Lisboa com 19 anos. Não tinha lá família, nem amigos. Já era mãe de dois filhos, o que em Angola é perfeitamente normal. As coisas acontecem muito cedo. Eu era casada com um homem mais velho, já tinha dois filhos, era mãe feita à pressa. Quem mais a influenciou? Foi muito importante ter conhecido o estilista Zé Carlos, que já não está entre nós. Ele e a Ana Salazar ajudaram-me muito. Nos anos 90 encontrei o Paulo Gomes, o meu mentor até hoje, que conduz o Moda Lisboa. Foi nesse evento que comecei a minha carreira como modelo. Quando deixou de desfilar? Desfilei até aos 35 anos, altura em que abandonei porque tive o meu último filho. Hoje ainda sou chamada para os desfiles como convidada. Já tenho umas gordurinhas a mais, que são bem-vindas, não me importo nada. É divertido ver as minhas antigas colegas, ver os bastidores daquele que é o meu mundo. Se pudesse voltar atrás e tivesse que escolher a profissão seria a mesma. Digerida de outra maneira. O que quer dizer com isso? Na altura, as coisas não eram tão profissionalizadas como hoje. Eram sempre os mesmos.Para uma africana como eu, entrar no mundo fechado da moda, nos anos 80, em Portugal, era muito difícil. Tive o apoio do Zé Carlos, que era angolano, da Ana Salazar que apostou em mim como manequim e do Paulo Gomes. Senão não teria conseguido. Qual foi o seu segredo? Simplesmente dizia: “Yá, eu sou diferente e vou continuar a ser diferente de vocês”. Talvez devido a essa ousadia eu tive sorte e consegui marcar a diferença. Fui dos manequins que trabalhou até mais tarde. Daí o respeito que tenho pelos meus mentores e por Portugal. Explique melhor como usou a diferença a seu favor… Tudo o que elas faziam eu fazia diferente. Fui buscar o meu próprio estilo, as minhas raízes, a minha imagem. Eu tinha a fama de ser malcriada, de chegar atrasada, algo que não é bom, mas que acentuou a imagem de irreverência. Foi essa a imagem que eu trabalhei durante muito tempo. Em casa era apenas mãe e mulher, sem artificialidades e sem máscaras. Temos de saber separar os dois mundos. Os seus filhos sentiram muito a falta da mãe? O que é que interessa ter a mãe em casa, se não há dinheiro para comer?! Claro que sentiam falta, como todos os filhos e como eu também sentia a falta deles mas eu era a chefe de família. Ganhava para eles. Lembro-me que passámos por situações complicadas porque, muitas vezes, eles tiveram que viajar comigo. Faltava-me aquele apoio familiar que nós temos em África, deixar os filhos com as nossas mães, as avós. Lembro-me de estar a entrar para a passerelle, olhava para trás e via a minha filha Marta, hoje com 24 anos, aos gritos, a chorar e a vir atrás de mim. Era um salve-se quem puder e nem havia a estabilidade financeira suficiente para pagar a uma empregada. Mas consegui conciliar a família e a vida de manequim. Quais foram as suas maiores conquistas profissionais? A primeira foi chegar num país totalmente desconhecido, cair de pára-quedas, sozinha e conseguir impor-me passado muito pouco tempo. A outra foi a minha maneira de ser e de estar profissionalmente, com essas diferenças que já falei. E trabalhos? Quais foram mais marcantes? Sei que parece cliché, mas durante os 23 anos de carreira todos foram importantes. Quando nos entregamos a uma profissão de coração e alma, tudo é marcante. A sua família em Angola acompanhou a sua carreira? Sim. Nós nunca perdemos o contacto. A primeira vez que regressei foi em 1993 quando o meu filhote nasceu, o Joãozinho. Depois fui-me embora e voltei em 1994. Desde então tenho vindo muitas vezes, cada vez com mais vontade de ficar. Apesar de descartar a possibilidade de cortar o cordão umbilical com o país que tão bem me acolheu durante tantos anos. As coisas têm de acontecer aos poucos. O meu coração é grande e tem lugar para toda a gente. Falou em países que a acolheram. Fale-nos do tempo em que tentou o mercado espanhol? Também tenho boas recordações de Espanha, da Vogue espanhola que me caíu de pára-quedas pois ganhei o concurso que me habilitou a trabalhar com eles. Estávamos nos anos 90. Era tudo muito difícil. Nós íamos com os nossos books debaixo do braço, pensávamos que era o maior do mundo e, afinal, não era nada. Havia uma enorme concorrência, muito maior do que em Portugal. Mas consegui fazer trabalhos na Europa e depois fui para Nova Iorque. A RTP convidou-me para júri no concurso “Miss Portugal América, Estados Unidos”, uma experiência engraçada. Em nenhum momento da sua carreira pensou em desistir? Nunca! Estava grávida de oito meses e desfilei. Abri um desfile para a Fátima Lopes. O vestido foi feito na hora, em cima do meu corpo. Estava com uma barriga enorme. A Fátima insistiu e eu lá fui. Portanto, nunca pensei em desistir, nem mesmo grávida. Como nasceu a sua vocação para a pintura? Nós somos aquilo que somos. A nossa essência está sempre connosco. O facto de eu ter voltado para África fez-me pensar em coisas de maior importância. Comecei a olhar mais para o que realmente importa. Deixei de me preocupar se tenho um creme da Lâncome para pôr na cara quando ao lado há uma pessoa sem ter que comer. Aqui outros valores se levantam. A sua vida teria sido igual se nunca tivesse emigrado? Se calhar não. Ver outros mundos muda a nossa maneira de ver as coisas. Não quer dizer que se perca aquilo que realmente somos. Dá-nos abertura mental, algo muito importante. É isso que eu digo aos meus filhos: “a maior universidade que a mamã pode dar-vos é pôr-vos uma mochila às costas. Se tiverem cartão de crédito têm, se não tiverem, azar. Uma passagem de avião e mexam-se!”. Fez essa experiência com os seus filhos? Experimentar coisas novas, diferentes, ter outro conceito de vida, ver outras coisas. É esse tipo de conselhos que eu procuro dar aos meus filhos. Quando começou a pintar? Foi há dois anos numas férias que fiz em Benguela com o meu filho João. Senti um chamamento. Perguntei ao meu filho: “Estás disposto a fazer uma viagem pelo mato com a mãe?”. Como ele é aventureiro e maluco como a mãe, aceitou logo. Fizemos a viagem para Benguela, num jipe velho até ao Cubal. Fizemos um pequeno safari. Mostrei ao meu filho onde tinha nascido e crescido, numa pequena fazenda do interior do Cubal, uma vila linda, à beira do rio, tudo muito verde. Fui à procura da casa que já não existia mas encontrei um embondeiro que ficava no nosso quintal e que representava bem o espírito da casa. Normalmente custa-me muito chorar. Mas, depois de muitos anos, sentei-me no chão com o meu filho e chorei. Não foi chorar de sofrimento, mas sim de saudade . Desde aí comecei a pintar. Comecei a descobrir coisas que estavam adormecidas em mim. Sente-se mais inspirada quando está feliz ou triste? Nem uma coisa, nem outra. É quando me apetece. Pinto telas muito grandes, não consigo trabalhar em telas pequenas, parece que estão a apertar-me. Tenho que ter espaço. Aqui em Benguela, faço-o fora de casa. Tenho um quintal, um jardim grande e é lá onde pinto. Faço toda a porcaria possível lá fora, já sei que depois tenho que limpar mas consegui esse equilíbrio no meu quintal. Pinta todos os dias? Desde que cheguei já consegui pintar um quadro mas não é todos os dias. Há vezes que começo um quadro e só depois de 3 ou 4 meses é que volto a pegar nele. Mas há outras vezes que estou horas e olho para uma tela em branco e não vem nada, é terapia. Olhar para uma tela em branco é terapia! Uma sensação de paz. O isolamento é importante? Em Angola há muito essa cultura de estarem todos juntos. A minha família já sabe que sou bicho-do-mato. Gosto do meu espaço, o meu cantinho, de estar sozinha. Não me assusta a solidão. A solidão só nos assusta se não formos criativos. Como passa os tempos livres? Não gosto de ver televisão que condiciona o comportamento das pessoas. Não se cria nada, só se copia. Portanto, em minha casa os meus filhos têm dias para ver televisão. Há dias em que não há televisão para ninguém, eu desligo e digo: “hoje vamos conversar”. Quando falta luz em minha casa, não me importo nada, encho a minha casa de velas.Claro que faz calor mas abro a janela e vem um ar fresco. Acho que as pessoas têm de ser criativas, buscar essa criatividade lá de dentro. A minha cabeça voa muito, está sempre a voar, daí eu ser essa pessoa que tem necessidade de liberdade, de espaço, do que é grande, do que é maior, que seja maior que a minha alma. O que mais a inspira? Inspira-me muito o contacto que tenho tido com o meu povo do sul, cheio de vida. Não quero com isso deitar fora todos esses anos de carreira que tive como manequim. Quero criar uma escola de formação em Benguela. Como reagem as pessoas à sua nova faceta? Existe aquela ideia de que nós da moda, somos vazios, não temos alma, somos superficiais e fúteis. Mas a moda é uma profissão como outra qualquer, se for levada a sério. Exige muito trabalho, muito sacrifício e em que é possível ganharmos a nossa vida honestamente. Foi com ela que sustentei a minha família durante muito tempo. Gostava de voltar no tempo e reviver partes da sua vida? Sim. Tenho saudades da infância, com dez irmãos e muitos afectos. Sempre houve muita liberdade de expressão. Os meus pais são cabo- -verdianos e sempre tiveram as cabeças muito abertas. Daí terem os tais dez filhos e conseguirem aguentá-los. Matthias Offodile April 26th, 2010, 10:56 PM Tânia da Rosa: Empreendedora com alma empresária, organizadora de eventos, estudante universitária http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_75/vida_7504_13_18.jpg Tânia da Rosa é uma conhecida empresária angolana, de 28 anos de idade, que viveu em Angola a maior parte da sua vida.Teve uma breve passagem pela União Soviética. O pai, na altura, estava a terminar a formação e ela, juntamente com os restantes irmãos, viu-se obrigada a partir para viver perto do pai. A relação com os irmãos sempre foi muito forte e até hoje o quadro não se alterou. O mesmo aconteceu com os pais, com quem tem uma relação muito amigável até aos dias que correm. Tânia chega até a reconhecer que não teria chegado tão longe, nem seria o que é hoje, se não fosse a educação que lhe foi transmitida por eles: “Eles apoiam-me em tudo! Na alegria e na tristeza, nos momentos maus, nos bons, no trabalho, em tudo! Estão constantemente a dar o seu contributo, a orientar-me, são extraordinários”. Fruto de um relacionamento que teve há alguns anos tem um filho de 3 anos, Alexander do Nascimento, que nasceu na África do Sul. Está, actualmente, a terminar a sua graduação em relações internacionais na universidade Óscar Ribas, onde frequenta o terceiro ano. Ambiciosa no que toca ao seu crescimento como mulher empreendedora que é, não abre mão do cultivo do lado intelectual que admite ter sido sempre uma prioridade para ela. Por essa razão completou um curso de marketing e outro em decoração de interiores. http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_75/vida_7504_13_19.jpg VERTENTE EMPRESARIAL Tânia da Rosa Serviços Limitada é o nome da empresa que criou. Trata-se, segundo ela, de uma empresa que presta serviços em diversas áreas. São elas, catering, produção de eventos, festas, casamentos, decoração de interiores, protocolo, etc. Mas os investimentos não param por aí. Tem uma sapataria que é já uma filial da Tânia da Rosa Serviços Limitada, a Tânia da Rosa Sapataria. Não ficou por aí e seguiu-se uma empresa de segurança. Faz também agenciamento de músicos e existem ainda algumas parcerias com empresas de construção civil e um rent- -a-car. Em breve, pretende abrir uma boutique: “Eu invisto naquilo que eu gosto. Gosto de calçados, por isso, abri uma sapataria. Também gosto de roupas, daí a ideia de querer ter uma boutique. Mas os investimentos não hão-de parar por aqui. De certeza que vai aparecer mais alguma coisa que eu goste de fazer”. Dedica-se ao ramo empresarial desde os 24 anos. Com apenas 4 anos no mercado confessa que desde os 17 que sonhava com a sua independência e em tornar-se uma “mulher de negócios”. Isso deveu-se, principalmente, ao facto de ser a única rapariga em casa: “Sentia-me muito protegida pelos meus pais e também pelos meus irmãos. Eu queria fazer coisas e eles não deixavam, protegiam-me muito. Até agora protegem! Então, eu decidi começar a trabalhar e tornar-me uma mulher independente”, contou. INDEPENDÊNCIA PROFISSIONAL A jornada não foi fácil e, para alcançar o que pretendia, Tânia viu-se obrigada, aos 18 anos, a sair de casa e lutar pelas coisas com que sonhava. Teve, finalmente, alguma privacidade e liberdade e aprendeu a organizar sozinha a sua vida, a tomar conta de si: “Foi um período difícil mas os meus pais acabaram por aceitar a minha decisão porque viram que saí de casa para trabalhar e não estava na má vida. A fazer coisas que não tinham nada a ver com a educação que eles me deram. Viram que saí de casa, mas com juízo, razão pela qual pude sempre contar com o apoio deles”, frisou. A promoção de músicos foi o início de tudo. Cada trabalho que fazia despertava nela um sentimento de querer chegar cada vez mais longe e de fazer cada vez mais. Começou então a investir em outras áreas e apercebeu-se que tinha jeito para o que fazia. Foi dessa forma, fazendo um investimento a seguir ao outro, dando passos atentos e cautelosamente analisados que fez com que chegasse ao topo da sua jornada, a Tânia da Rosa Serviços Limitada e confessa, até hoje, nunca se ter arrependido de nenhum dos empreendimentos feitos por ela. A prova de que eram empreendimentos inteligentes e seguros são, incontestavelmente, o sucesso e estabilidade que a mesma empresa alcançou e mantém ao longo dos 4 anos de existência mas, não pretende parar por aí, quer descobrir mais, aprender mais e quem sabe, se o futuro lhe sorrir, lançar a sua empresa além- -fronteiras: “Não quero parar pelo nacional. A minha meta é o mercado internacional. Mas já me sinto feliz por ter arranjado a minha casa e organizado a minha vida. Muito mais há por conquistar e sei que vou chegar lá”. ALMA SOLIDÁRIA A chave do seu sucesso foi, segundo Tânia, ajudar os necessitados sempre que lhe surgia uma oportunidade. Ajudou as crianças da Lixeira do Golfe, para que tivessem um Natal feliz. Junto ao partido do MPLA conseguiu algumas ajudas. Beneficiadas pela sua solidariedade foram também as crianças da escola polivalente do Lubango. Crianças com deficiências, mudas, surdas e cegas. Algumas até com desordens mentais. “Tudo isso eu já fazia antes mesmo de ser a empresária de sucesso que sou hoje. É algo que faço desde os 16 anos. Também organizei o Miss Dia 1 de Junho, com a ajuda dos meus pais. Fomos buscar crianças necessitadas que viviam num prédio que ainda não tinha sido acabado de construir. São várias as acções de solidariedade que já realizei e esse foi o meu verdadeiro cartão de visita porque quando fazemos o bem, Deus nos retribui com algo maior”. As pessoas que convivem com a empresária dizem que é uma pessoa simples e humilde, sempre disposta a ajudar consoante as suas possibilidades e que isso é que lhe abriu as portas do êxito. “Por mais que nós estejamos a atingir um patamar acima não devemos ser arrogantes e sim humildes e simples, porque esse será o motivo para que as nossas portas estejam sempre abertas”, expressou. Actualmente a estudar algo totalmente diferente daquilo que faz, admitiu gostar muito do seu trabalho e que tem um grande orgulho em tudo o que conquistou. “Sei que estou a estudar algo diferente e gostava de um dia exercer o que estou a estudar agora mas não abro mão do meu trabalho. Sinto-me bem apesar de ser desgastante. critérios de trabalho Sou a cabeça da empresa e faço tudo sozinha, produção de eventos não é tão simples como parece e para a idade que tenho, acho que devia estar a divertir-me e a aproveitar a vida. Em vez disso eu esfolo- -me a trabalhar e a andar de um lado para o outro, a ver se está tudo certo. Não é mesmo nada fácil. Uma coisa são os eventos pequenos, outra são os grandes desafios, aceitar um trabalho maior, mais pesado, o nível de responsabilidade é outro quando trabalhamos com entidades, com membros do governo. Tenho de ter muita responsabilidade a fazer o meu trabalho. A única parte boa é quando pagam”, brincou Tânia entre risos. Abrir mão de parte da sua vida, priorizando o trabalho, obrigou-a a crescer muito rápido. Com a idade pensou que fosse dominar cada vez mais o trabalho, o que lhe permitiria ter mais tempo para si e para aproveitar a vida. Infelizmente, as coisas aconteceram de forma diferente, mais pessoas começaram a conhecer o seu trabalho e a gostar da qualidade que apresentava e em vez de abrandar, cada vez tem mais pedidos, mais trabalho e menos tempo. Goza um mês de férias anualmente para aguentar a carga crescente de trabalho mas diz não ser o suficiente. A selecção das pessoas que consigo trabalham é feita de forma imparcial, de modo a dar oportunidade a pessoas que não tenham muita experiência nessa área. “Prefiro trabalhar com pessoas que nunca fizeram isso antes porque dessa forma eu dou o meu ensinamento. Geralmente procuro jovens porque penso que se deve investir nos jovens, afinal são eles ou melhor, somos nós a garantia do amanhã. Acima de tudo, trabalho com pessoas com vontade de trabalhar porque isso é que é preciso para que exista um ambiente saudável dentro de uma empresa”, frisou. O número de mulheres empresárias em Angola é uma realidade que não a satisfaz. “Temos de ter mais mulheres empresárias. A mulher angolana agora está com muita força. Então tem que haver abertura para mais mulheres, oportunidades de mais mulheres integrarem o governo, o ramo empresarial. Há muitas mulheres capazes, o que falta são as oportunidades. É importante também que diversifiquem as áreas em que investem e, sobretudo, procurar serviços que ainda não existam cá. Existem muitas outras áreas onde se podem fazer investimentos. Precisam é de pesquisar…” concluiu. PROMOTORA DE talentos Do período em que trabalhou como promotora de eventos, contribuiu para o sucesso de inúmeros cantores como Lawilca, Michele Divoi, os Pentágono, Negro Bwé, os Pacíficos, Johnny Ramos, Mega Flowz, e a cantora Lourdes Van- -Dúnem, de quem diz ter sido a sua última produtora/agente. Entre os eventos que produziu destacam-se os trabalhos com o comité Miss Luanda, Cocan, Casablanca, com o MPLA, e até com o movimento espontâneo. O mais recente foi o CAN Orange 2010, em que a sua empresa fez o protocolo de toda a área presidencial e da área vip no estádio 11 de Novembro. A empresa de Tânia da Rosa foi uma das escolhidas para representar o empenho dos empresários angolanos durante o CAN Orange 2010. A empresária confessa que não esperava ter tido esta honra, pelo facto de terem concorrido várias empresas e a sua ser uma das que tinha menor tempo de existência no mercado. Tânia teve imenso trabalho e chegou a coordenar 68 funcionários, responsáveis pelo protocolo do estádio 11 de Novembro. O seu trabalho foi reconhecido pela CAF. Invisto naquilo que gosto. Gosto de sapatos e abri uma sapataria. Gosto de roupas e vou abrir uma boutique. Pérfil Nome: Tânia da Rosa Estado civil: Solteira Filhos: 1, Alexander Prato preferido: Calulú Qualidade que mais admira: Sinceridade Qualidade que menos gosta: Falsidade Passatempo: Ir à igreja, ir à praia, estar com o filho e com a família, ir ao cinema Cantora: Whitney Houston País que adorou conhecer: Brasil, tem muito a ver comigo DJ Furreta // Um DJ de mãos largas Disc jockey e jurista http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_73/edicao_7303_18_1.jpg O nome Furreta surgiu porque as pessoas diziam que o DJ e produtor musical não gostava de dar nada a ninguém.“Não estava nada satisfeito com o nome e então mudei para Furreta, e assim minimizei a importância que às pessoas davam à alcunha” conta entre gargalhadas. Quando começou a trabalhar como DJ enfrentou várias dificuldades. Foi complicado saber que tinha capacidade e habilidade para o fazer pois, infelizmente, as pessoas não acreditavam nele, muito pelo facto de não ser conhecido. Para além de não acreditarem no sucesso dele ainda ouvia comentários de gozo. Felizmente viu a sua sorte mudar e hoje é um dos DJ’s mais requisitados do país. Com um álbum no mercado, diz ser uma pessoa apaixonada por metrópoles. As razões para gostar tanto de cidades grandes são sobretudo as oportunidades de vida que as mesmas oferecem. Lema de vida: “Para a frente é o caminho, nunca deixem de lutar pelo que amam, a vida só tem sentido se formos felizes”. O que lhe fez querer trabalhar com música? Sempre gostei de música, nasci assim. Está-me no sangue e foi esse amor que me fez começar a trabalhar no ramo. http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_73/edicao_7303_18.jpg Que trabalhos já fez? Como músico, o mais relevante até agora foi o meu primeiro álbum discográfico, Salada Russa. Estou agora a trabalhar no meu segundo álbum. Como dj, são tantos que até perdi a conta das vezes e dos lugares. Recebeu algum tipo de formação para trabalhar nessa área? Como programador musical ainda não, mas como dj sou formado sim. Sou um dj profissional de facto, terminei o curso com um aproveitamento de 19 valores numa escala de 0 a 20, e foi em função disso que me atribuiram um diploma master. Foi a melhor experiência que já tive em toda a minha vida como dj. Aprendi bastante e consegui afinar os meus conhecimentos anteriores, foi uma coisa sem igual. Seriedade e profissionalismo são a chave para o sucesso. E é bom quando interpretamos isto de maneira construtiva, e não com vaidade. Há quanto tempo trabalha nessa área? Comecei a tocar nas minhas primeiras festinhas com nove anos, mas como profissional devo estar a completar oito anos de carreira, se a memória não me atraiçoa. No que diz respeito à produção musical, considero-- -me ainda um pioneiro, comecei a trabalhar nisso há sensivelmente três anos antes de lançar o meu primeiro álbum. Teve de passar por muitas barreiras para se impor como o profissional que é hoje? Sou uma pessoa com ideias fixas, persistente e insistente nos meus ideais. Fui incentivado por poucas pessoas, porque a maior parte reprovava, alegando que, ser dj não era uma profissão e que nem tinha futuro. Portanto se fosse pelo que as pessoas me diziam, hoje não estaria onde estou. Quanto às barreiras digo que tive e, continuo a ter, pessoas que se preocupam mais em dificultar o meu trabalho do que em ajudar. Até aqueles que a priori eram amigos, hoje preferem falar mal e pelas costas. Por outro lado, também é bem verdade que tenho grandes amizades, apesar de poucas, que conseguem cobrir o furo que as barreiras criam e no final de tudo o bem vence sempre o mal. Sempre idealizou alcançar o sucesso que tem hoje? Sinceramente não, porque comecei na desportiva. Naquela altura não confiava na profissão, sou uma pessoa prudente não dou passos em falso. Fui vendo o evoluir da coisa e cheguei a conclusão de que finalmente dava para investir, porque ser dj ocupa muito tempo e temos de fazer investimentos financeiros. Para atingirmos patamares altos temos de investir, o que naturalmente não tem retorno imediato. O sucesso de um dj não surge do nada e das poucas vezes que isso acontece não dura muito tempo, acabam por cair porque não têm os alicerces para se segurarem lá em cima. E este alicerce é a experiência, para tudo é preciso tempo. Tenho dito que não se começa a construir uma casa pelo telhado. Até hoje orgulho-me imenso de ter investido na minha formação profissional como Dj. Por outro lado, o tempo de estrada acarreta sempre responsabilidades, já não sou aquele garoto imaturo. Gosta mais de tocar em festas ou de estar em estúdio a produzir? Claro que o tocar está acima do produzir. (Risos) É mais emocionante. Exerce alguma outra profissão além da de DJ? Sim, sou jurista, há sensivelmente três anos. Foi complicado conciliar a formação académica com o trabalho de dj. Como sabem, esta profissão obriga-nos a ficar acordados durante a noite. Porém, creio que consegui e também me orgulho desta conquista. Qual foi o momento mais alto da sua carreira? Até agora foi o lançamento do meu álbum, pois, a meu ver, o topo para quem trabalha em música é gravar um disco. É uma marca que deixamos nas nossas vidas e que nunca mais se apaga, graças a Deus e a todos os angolanos o meu foi, e ainda continua a ser, um sucesso. Existem muitas pessoas a apostarem nessa área no nosso país? Já existe sim, de facto, um número considerável de pessoas a arriscarem a carreira de dj, e acredito que outros não o fazem porque não têm possibilidades. Aproveito até a oportunidade para apelar a quem puder ajudar essas pessoas que o faça. Não nos lembremos dos Dj’s apenas quando há festas. E aos dj’s: seriedade e profissionalismo são a chave para o sucesso e é bom que estes itens que acabei de citar sejam interpretados de maneira construtiva e não no sentido de vaidade e sensacionalismo. O angolano por norma é vaidoso, e se for famoso, aí então é o fim, já não chega a horas aos compromissos, etc. É preciso que estas pessoas comecem a ganhar responsabilidade. Não convém que nos estejamos a valer por títulos mas sim pelo que somos como pessoa. Todo o homem deve ser educado, humilde, ter honra e dignidade, caso contrário é só figura. Insisto sempre na formação, porque tudo que envolve tecnologia e ciência carece de formação. Não tenhamos ilusões: é preciso reconhecer que o estudo, para além de proveitoso, exercita a mente e é disso que Angola precisa, de gente formada. O que acha dos álbuns que têm sido lançados no mercado angolano? Em Angola já se apresentam coisas boas, mas é preciso investir mais. Embora estejamos a caminhar de forma correcta, é preciso dizer que ainda não chegámos lá. Prova disso é que a maior parte dos músicos têm de ir acabar as suas obras fora do país.Acredito que podemos fazer mais em prol da música angolana. Cada vez mais os nossos cantores e produtores têm sido requisitados no exterior, logo esta é a prova que mesmo com parcas condições as coisas têm funcionado e evoluído. Acha que devíamos ter mais dj’s no nosso país? Acho que Angola ainda é um país muito virgem em termos de “noite” e dj’s. Por outro lado, também encher o mercado de pessoas a executarem trabalhos sem qualidade é bem mais complicado. Talvez o melhor mesmo seja deixar que o tempo e a natureza ponham as coisas no seu devido lugar. Pretende continuar a trabalhar como Dj, ou tem novos projectos na área da música? Tudo vai depender das vicissitudes da vida (risos). As coisas não são estáticas, não podemos prever o amanhã. A título de exemplo a minha namorada, Tânia Gama, não se sente muito confortável com o facto de eu ser dj e ter de passar quase todas as noites a tocar. E se continuar assim, tudo indica que cedo ou tarde tenha de abandonar, porque sou uma pessoa que dá muita importância à família. PERFIL Nome: Nilson Jorge Morais Chaves. Estado civil: Comprometido. Filhos: Não tenho. Passatempo: Dormir e ouvir música. O que menos gosta nas pessoas: Falsidade e sensacionalismo. O que mais gosta nas pessoas: Sinceridade e inteligência. Restaurante: Cais de 4, Luanda. Prato favorito: Gambas grelhadas com batatas fritas. Viagem inesquecível Todas elas tiveram a sua graça Good Matthias Offodile May 9th, 2010, 07:15 PM Entrevista “Em Angola há espaço para fazer a diferença” Mafalda de Avelar 24/04/10 00:05 http://www.avm-advogados.com/AVMCMS/Images-(1)/Fotos/AntonioVicenteMarques-(1).aspx António Vicente Marques, advogado angolano, consultor e autor de “Direito fiscal Angolano”. Grato em relação ao país afirma que os casos de insucesso prendem-se com o facto de alguns investidores subestimarem as gentes locais. Angola é considerada uma das nações do momento. Este país apelidado de "O lugar do futuro" por muitos investidores levanta, no entanto, muitas questões no que toca à "lei". Isto porque mais do que nunca não se pode investir sem conhecer as regras locais. Daí a pertinência desta obra de António Vicente Marques, professor de Direito e consultor, que nos fala do sistema legal angolano. Este autor, que divide a sua actividade entre Portugal e Angola, fala-nos em entrevista dos desafios de estar - e entender - o mercado Angolano, um emergente que dá alento a quem quer fazer acontecer. Sobre o risco dos investimentos diz que " Eu conheço muitas casos de sucesso e quase todos os casos de insucesso são provocados, porque subestimaram as gentes locais, o sistema jurídico e as autoridades." O que é que as empresas deverão saber antes de embarcar na viagem que se chama "Investir em Angola"? Angola é um mercado que emergiu nos últimos anos com grande potencial para a realização de investimentos, permitindo um retorno acima da média para os agentes económicos que apostaram nesse mercado. É obvio que sendo um mercado emergente, que tendo saído de uma situação de uma guerra, que durou dezenas de anos, tem um conjunto de anomalias que importa conhecer. De todo o modo eu penso que os empresários que olhem para o mercado angolano devem perceber e, cada vez mais, ficar consciencializados que muitas dessas anomalias vão cedendo a um clima de normalidade, a um quadro jurídico cada vez mais implementado, a uma consciência das autoridades angolanos de que quem vem é convidado - e é convidado para actuar no quadro jurídico do país. Não obstante a existência ainda de uma conjunto de diplomas legais, que foram herdados do período colonial, cada vez mais há um quadro jurídico próprio do pais, há definição de normas, há definição de sectores que são prioritários em termos de desenvolvimento para o pais. E é essa a principal preocupação que devem ter os investidores estrangeiros quando olham para a realidade angolana. Rua Amílcar Cabral, 211 Edifício Amilcar Cabral, 8.º Andar Luanda, Angola Tel: +244 222 338 164 / +244 923 610 786 Fax: +244 222 338 407 Email: avm.advogados@gmail.com Web: www.avm-advogados.com Tel: +244 923 610 786 Email: geral@avm-advogados.com Contact partners: António Vicente Marques Email: vicente.marques@avm-advogados.com Firm profile: AVM Advogados was founded by António Vicente Marques, soon after being admitted to the Bar Council in Angola, on 30 September 2003, thereby achieving an old personal goal to establish a team of competent Angolan attorneys in a professional environment taking into account the challenges brought about by the emergence of a new social reality in the Republic of Angola.:cheers: The firm has assembled a dynamic team of attorneys from the Faculty of Law in Angola and the ranks of young university lecturers. It continues to invest in training and IT systems, and has built up a wealth of national and international clients and experience. This has facilitated AVM's standing as one of the most modern and internationally respected commercially focussed firms in Angola. Areas of practice: • Financial and Foreign Investment • Partnership and Commercial Law • Civil Law • Fiscal and Planning Law • Criminal Law and contraventions • Social Security and Labour Law • Administrative Law • Banking, Financial and Insurance Law • Mining and Petroleum Laws • Immovable Property • Recovery of credit • Litigation and arbitration Languages spoken: English, French, German, Portuguese This firm has also authored this year's Angolan Legislation Guide. 100% Angolan and highly professionally managed on par with all the big economic law consulting agencies/firms that you would find in London, Paris, Frankfurt or New York!:cheers: Matthias Offodile May 9th, 2010, 10:27 PM Angolan entrepreneur and super famous DJ The Marcha e DJ Malvado animam Carnaval em Luanda 19.02.2009 - 05:02 http://palcoprincipal.sapo.pt/fotos_noticias/Image/Fevereiro_2009/djmalvado.JPG O grupo de hip-hop The Marcha e o DJ Cláudio Rodrigues Malvado vão animar, na próxima sexta-feira, a festa de Carnaval "Candy", a decorrer no Parque Heróis de Chaves, em Luanda. Na bagagem, os The Marcha levarão algumas músicas do seu primeiro trabalho discográfico, a ser lançado ainda este ano, registo que contará, ao que tudo indica, com as participações de Big Nelo, Carla Diamond, Nkruma Beia e Os Lambas. Formados em 2001, integram o grupo de hip-hop Snake Júnior, Bed Maia e Rock Star. Malvado, um dos DJs mais conceituados de Angola, também participará na festa. O artista conta já com quatro álbuns no mercado: "Dj que está na moda", de 1999; "Sem Respeito", de 2000; "Dez anos de Noite", de 2002; e "Play it Loud" de 2008. Sara Novais c/ Angop Perfil Claúdio Rodrigues “Sou viciado em música” Dj, empresário, sócio-gerente da discoteca “dom q” DJ Malvado é um dos nomes que revolucionou o mercado da música de dança em Angola. Hoje vive da música e vive bem. Mas nem sempre foi assim. “No início os meus pais não me apoiaram, eram contra, hoje eles são os meus primeiros fãs e apoiam-me muito. Aliás a minha família dá-me muito apoio”, conta O jovem Cláudio Rodrigues, que é como se chama, é solteiro e confessa que a música é uma eterna paixão. O nome Malvado surgiu quando foi tocar num concerto na África do Sul, em 1999 e as pessoas disseram que “era malvado a tocar”. Gostou da expressão e adoptou o nome — depois foi adoptado também pelo irmão, Malvado Júnior. Para além de ser DJ tem uma empresa própria, actividade que concilia com o cargo de sócio gerente do Club Dom Q. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_70/edicao_7003_09_14.jpg Como músico, o seu último disco foi lançado em Agosto de 2008 com o título de Play It Loud. Um novo projecto está previsto para 2010. “O trabalho já está pronto e será colocado à disposição do público dentro de dias”, diz. Trata-se de um single com o título de “Hits & Remixes”. Lá mais para o fim do ano os fãs poderão deliciar-se com o CD. PRIMEIRAS MALVADEZAS Cláudio Rodrigues começou a sua carreira aos 15 anos de idade. Ganhou o seu primeiro contrato como profissional aos 16 ano numa discoteca que já foi muito badalada nos anos 90 em Luanda chamada Mathieu. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_70/edicao_7003_09_3.jpg Ironicamente, a influência para que se viesse a tornar DJ surgiu por parte dos pais. “Eles são os verdadeiros responsáveis visto que cresci em grandes festas de quintal, principalmente, em nossa casa, com grandes bandas a actuarem e com passagens de grandes DJS. O “bichinho” entrou-me muito cedo na veia”, confessa. Cresceu a ouvir muita boa música e para todas as idades. Hoje, afirma que tem a certeza de que nasceu para ser DJ e que nada nem ninguém lhe consegue tirar esse gosto. “Não há nada que consiga fazer-me mudar de ideias, sou mesmo viciado em música”. Ao longo da sua carreira teve influências de grandes DJs de nome naquela altura como: Joy Macedo, Giro Lourenço, Telmo Fontes, Mangalha, Paulinho Cai Cola e João Reis. COMPRA DE MATERIAL PRÓPRIO http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_70/edicao_7003_09_4.jpg Em paralelo, criou uma empresa de som e luz porque também faz parte da sua paixão a sonorização, iluminação e multimédia. “Resolvi investir na qualidade para puder ficar mais à vontade nos eventos”, justifica. Com a sua empresa criada, tudo melhorou! Além de mais profissionais, as suas actuações passaram a ser exactamente ao seu “gosto”, e ao gosto de quem nela também trabalha principalmente no que toca ao pessoal que trabalha na animação ( DJ). “Muitas vezes, quando não se trabalha com material próprio, enfrentam-se inúmeras dificuldades desnecessárias”, esclarece. Já teve momentos menos bons na vida, mas por ser uma pessoa muito batalhadora conseguiu sempre contornar as dificuldades e não tem vergonha de dizer que já chegou a emigrar para a África do Sul onde chegou a ser empregado de mesa num bar e até taxista para puder comer, uma vez que não conseguia viver com os rendimentos enquanto DJ. Um dos eventos que mais o marcou foi tocar no festival do Sudoeste o ano passado, onde mais de 30 mil pessoas estiveram presentes. O cabeça de cartaz era o famoso Bob Sinclair. Três DJS tomaram conta da animação, ele fazia a abertura e, de seguida, entrava Sexy Sound Sistem. Era suposto tocar apenas uma hora mas quando faltavam 10 minutos para ele sair, o organizador do evento foi pessoalmente ter com ele e pediu-lhe para continuar a tocar pelo menos mais meia hora, e encheu-o de elogios. “Foi emocionante, tudo correu muito bem! Era muita gente a gritar e a vibrar. Recebi elogios de todos. Foi mesmo muito bom!”, conta com um sorriso. Quanto ao futuro diz que a ideia é expandir os seus negócios. Quem sabe, por exemplo, se não veremos, em breve, mais “Dom Q’s” pelas províncias. Aparte disso, clama por mais respeito na sua terra natal. “Eu sou uma grande e, se calhar, a maior referência angolana no mundo dos DJS, quer queiram quer não. Eu represento Angola na diáspora. Infelizmente sinto um carinho e respeito maior no estrangeiro do que cá em Angola” confessa entristecido. Revela que já sofreu muitos boicotes dos seus colegas de profissão. DJ Malvado revela ter aprendido a viver com isso, mas gostaria que houvesse mais união e respeito entre os DJs angolanos. fã das festas de quintal Desde o início da sua carreira viu mudar muita coisa no país. Porém, diz que algo que gostava que se mantivessem são as famosas “festas de quintal”. “É importante não deixarem acabar isso. Nascemos e crescemos assim. A mística é outra. Tudo é bom numa festa de quintal. Não deixem nunca acabar as festas de quintal”, apela. A fama e o reconhecimento ajudam na carreira de um DJ mas reconhece que, algumas vezes, o peso do nome conta muito. “As falhas passam a ser muito mais graves e criticadas, porque existe um estatuto a defender. Isto já para não falar das limitações em relação à vida pessoal”, diz o DJ que acrescenta: “a parte boa é que as pessoas ficam mais confiantes com pessoas de nome do que com pessoas que ainda não atingiram o auge da popularidade. Fico feliz por ser considerado um dos melhores de Angola, isso é bom demais, de África então melhor ainda, mas é como eu digo isso são vitórias não apenas para mim mas para Angola”. Conselho para os mais novos: “acho que os DJs que estão a começar agora devem saber se realmente tem dom para tal e muita humildade porque só assim vão vencer. Ser DJ não é fácil Incentivo-os a não desistirem e preocupem--se sempre com a leitura de pista em primeiro lugar. Perfil * Nome: Cláudio Fernando da Costa Rodrigues * Data de nascimento : 29 de Outubro * Estado civil: Solteiro * Filme: Mandela, Meu Prisioneiro, Meu Amigo * Cantor internacional: Roberto Carlos e KC & Jojo * Nacional: Carlos Burity e Yola Semedo * Restaurante: MOYO, em Mel Rose (Joanesburgo) * Música: “O Grande Amor Da Minha Vida”, de Roberto Carlos; e “All MyLife”, de KC & Jojo * Actor: Cuba Gooding Jr. * Perfume: Borsalino * Viagem: Cabo Verde e Estados Unidos * Comida: Funji de carne seca com muteta * Citação preferida: A vida dá-nos lições a todo instante e nós aprendemos e crescemos se soubermos Matthias Offodile May 24th, 2010, 06:09 PM Mr. José Carlos Gomes Managing Director (Porto de Lobito) Lobito- 2009-08-03 http://www.winne.com/imagesint/angola/jose_big.jpg “O País somente é rico quando sabe transformar as suas matérias-primas e é o que estamos a trabalhar para desenvolver, e até lá, precisamos do know-how estrangeiro para auxiliar na reconstrução nacional.” Considerado o melhor Porto em África em 2007, o Porto do Lobito tem uma importância histórica para o desenvolvimento do País. Actualmente, é uma das portas de entrada de Angola e um dos grandes responsáveis pelo processo de reconstrução nacional, recebendo grande parte das mercadorias destinadas ao País. Há investimentos sendo realizados para a sua ampliação e entre os países integrantes da SADC, este Porto é considerado uma prioridade para a região do Golfo da Guiné. O Porto do Lobito é fundamental para o desenvolvimento do País e desenvolve as suas actividades há mais de 70 anos. Conte-nos sobre o histórico do Porto em Angola. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pela gentileza e oportunidade de conceder esta entrevista. Em qualquer País, os Portos são a entrada e a saída das riquezas, por esta razão os Países que não dispõem de uma costa marítima, têm maior dificuldade em atingir o desenvolvimento sócio-económico. O Porto do Lobito goza de uma categoria privilegiada na República de Angola, como o único Porto com linha de Caminhos de Ferro ligado à maior parte dos Países da África Austral. Na altura da colonização do Zimbabwe, Zâmbia, República Democrática do Congo e Botswana, os ingleses descobriram que havia um filão de cobre em toda a extensão destes Países e portanto, dedicaram-se à exploraçao deste minério com o objectivo de exportá-lo para a Europa, onde serviria de matéria-prima para o desenvolvimento industrial. Em 1902, veio para Angola um grande estadista inglês chamado Rupert William, que foi o grande responsável pela construção dos Caminhos de Ferro de Benguela. Esta construção foi viabilizada por um consórcio formado por ingleses e belgas, que participaram financeiramente, e portugueses, que ofereceram as terras de Angola, pois na época eramos uma colónia portuguesa. Em 1905, atracou no Porto do Lobito o primeiro navio de origem japonesa com material destinado à construção dos Caminhos de Ferro. Os recursos financeiros extinguiram-se no ano de 1906, quando foi criado um novo consórcio, com maiores investimentos. Nesta época, a gestão do projecto foi assumida pelo General Machado. O Sr. Teixeira de Souza foi o responsável do projecto em 1906, no mesmo momento em que ocorreu a interligação dos Caminhos de Ferro. A maior parte dos escravos que trabalharam nesta obra, foram libertados e acabaram por implantar-se ao longo dos Caminhos de Ferro de Benguela. Por esta razão grande parte da população angolana se localiza ao longo deste caminho ferroviário. No dia 24 de março de 1928, já circulava os Caminhos de Ferro de Benguela, que carregava minérios para os navios ingleses e americanos. Nesta data, o General Carmona decidiu que o Porto do Lobito deveria ser transformado em Porto Comercial do Lobito, deixando de ser um Porto dependente do projecto dos Caminhos de Ferro de Benguela. O Porto do Lobito é importante para Angola, bem como os seus países circunvizinhos, que se desenvolveram com as mercadorias que chegavam neste Porto. Qual a estratégia do Porto do Lobito para se adequar à crescente movimentação de contentores e navios, por consequência do abrupto crescimento da economia nacional? A única alternativa para nos adequarmos ao crescimento da economia é a construção de Portos Secos. De outra forma, não estaremos preparados para o fluxo de mercadorias que são necessárias para o processo de reconstrução nacional que o país atravessa. O Porto de Luanda está saturado e uma parte do fluxo foi desviado para o Porto do Lobito, causando um maior congestionamento. A estructura do Porto do Lobito está preparada, no entanto o problema está no armazenamento dos contentores. Na sua opinião, qual a importância do Porto do Lobito para os países vizinhos de Angola? Pode-se dizer que com a reabilitação dos Caminhos de Ferro de Benguela, o Porto do Lobito assumirá novamente o grande papel que detinha durante o período colonial, onde estes Países dependiam bastante das mercadorias que chegavam por esta via. Claro que esta situaçao nao se reproduzirá a 100% mas a SADC está bastante interessada no desenvolvimento do Porto do Lobito, para fomentar o crescimento dos Países que a integram. O Porto do Lobito recebeu o Prémio de Melhor Porto da áfrica e o Arco da Europa, em Frankfurt, por excelência nos serviços prestados. Na sua opinião, qual é a razão que destaca o Porto entre outros em Angola e no continente? O lema do Porto do Lobito é segurança, rapidez e eficiência. Ainda no passado, os próprios comandantes dos navios não acreditavam na velocidade do nosso trabalho. Para servir de referência, no ano de 2007, trabalhámos com 1.552.000 toneladas. Actualmente, descarregamos 1.500 toneladas de cada navio por dia e atracamos seis navios por dia. A construção do terminal de dessalinização foi um grande passo para o Porto do Lobito. Conte-nos sobre a implementação deste terminal. Nessa altura, devo dizer que a dessalinização é a parte mais importante do Porto do Lobito. Esta foi uma invenção minha. O meu primeiro acto como director foi a aquisiçao de dois geradores para colocar em funcionamento no Porto, para resolver a questao da energia. Possuindo a energia ainda nos faltava água, então conversei com alguns amigos que acabaram por me apresentar um projecto de dessalinização, que pelas vantagens inerentes entrou imediatamente em funcionamento no ano de 2002. Actualmente, há navios que entram no Porto do Lobito apenas para abastecimento de água, melhorando claramente o rendimento do Porto. No presente momento encontra-se à frente do Porto do Lobito em Angola. Comente a respeito da sua trajectória profissional. O meu trabalho à frente do Porto do Lobito foi bastante intenso. Encontrei um Porto que estava ultrapassado e com uma estructura antiga e desactualizada. Conseguimos investimentos do Governo para a melhoria das nossas infra-estruturas, como a informatização e meios para movimentos de contentores. Actualmente estou satisfeito com o trabalho realizado e preparado para os novos desafios futuros. Qual seria a sua mensagem final para os nossos leitores, que são empresários e potenciais investidores em Angola, e que lerão sobre o Porto do Lobito e sector de transportes em Angola no jornal The New York Sun e no nosso website www.winne.com? Angola é um País soberano e possui um Presidente que adoramos e respeitamos, pela maneira sábia que vem conduzindo a economia. Sejam bem-vindos os investidores estrangeiros, pois o nosso povo não tem preconceito com raça, cor e religião. Queremos acabar com a miséria e estamos num País que tem pouca população e bastante terreno. Para além de enormes áreas, possuímos ainda bastantes recursos naturais como o diamante, ouro, petróleo, cobre e ferro O País somente é rico quando sabe transformar as suas matérias-primas e é o que estamos a trabalhar para desenvolver, e até lá, precisamos do know-how estrangeiro para auxiliar na reconstrução nacional. Dr. Luis Lago De Carvalho Managing Director (Octomar) Luanda- 2008-03-31 http://www.winne.com/imagesint/angola/luis_lago_big.jpg Dr. Luis Lago De Carvalho “A chave do sucesso para as pequenas e médias empresas estrangeiras é a asssociação com empresas locais de pequeno e médio porte” A Octomar oferece serviços para as empresas petrolíferas em Angola há dez anos. A parceria com a Smit trouxe o encontro do know-how, experiência e equipamentos com o local knowledge da Octomar. A empresa oferece um pacote único para os seus clientes, com a especialização nos trabalhos de mergulhos, na sua carteira de clientes conta com nomes como Chevron e BP e está agora envolvida no grande projecto do LNG para Angola. À frente dos rumos da empresa, Dr. Lago de Carvalho partilha connosco os novos projectos e desafios da empresa. P: A Octomar foi criada há dez anos através de uma parceria com a empresa sul-africana Octomarine e a angolana Marsub. Conte-nos sobre o histórico da empresa em Angola. R: Há 13 anos atrás iniciámos uma parceria com a Chevron, oferecendo serviços de mergulho na base do Malongo. Destes trabalhos surgiu a idéia de juntar as duas empresas, para criar uma empresa 100% angolana. Posteriormente, em 1998, a Octomarine foi adquirida pela Smit International, baseada na Holanda, que tem 50% do joint-venture com a Marsub, originando a Octomar. Nascendo então, a empresa Octomar em Angola. P: A Octomar é reconhecida pelo trabalhos de mergulho que presta às empresas petrolífera, no entanto está oferecendo novos serviços no mercado angolano. Comente a respeito dos serviços oferecidos pela empresa actualmente. R: Em termos de volume de trabalho, a maior representatividade do nosso negócio ainda são os trabalhos sub-sea, ou seja, os trabalhos de mergulho, como a manutenção de plataformas e instalação de pipelines. No entanto, nos últimos dois anos, devido ao crescimento que a indústria petrolífera apresentou, estamos oferecendo uma gama maior de serviços que a Smit oferece em todo o mundo. Anteriormente, todos os serviços que não fossem sub-sea, eram oferecidos como Smit, e não através da Octomar, mas a nossa estratégia já apresenta resultados e estamos alterando esta realidade. Em termos de volume de negócio, a divisão de terminals tem maior representatividade. Temos como parceiro uma divisão da Smit, a Smit Terminals. Actualmente estamos oferecendo os chamados Integrated Marine Services, que inclui por exemplo, navios e rebocadores de apoio à atracação de tankers em offshore, mas ainda há uma componente de mergulho na parte de manutenção das bóias e instalações offshore. Os serviços mais utilizados actualmente no mergulho, são as underwater inspections, que são as inspeções às plataformas e bóias petrolíferas. Estamos realizando as instalações de sistemas submarinos, onde mais recentemente estamos envolvidos na instalação do Dalia, em toda a operação de instalação da bóia e dos sistemas submarinos de ligação da bóia. Trabalhamos actualmente com instalações de novas linhas de pipelines e ainda com alguns decomissioning de poços antigos. Temos alguns projectos importantes para o futuro, como a instalação da linha do LNG e a instalação da nova linha de exportação do Malongo da Chevron. P: As indústrias petrolíferas apresentam um crescimento vertiginoso nos últimos anos, acompanhando a economia angolana. Qual a estratégia da empresa para ampliar a sua actuação em Angola? R: No ano passado afundou um navio na entrada da Baía de Luanda e foi acionada a Smit Salvage que é considerada a melhor empresa do mundo em remoção de navios, e que é detida 100% pelo nosso parceiro Smit. Nós aproveitámos este momento para promover os equipamentos que foram utilizados neste processo. O facto de utilizarmos algumas barcaças da Smit para realizar serviços de mergulho, ajudou-nos a passar para a fase do transporte. Iremos transportar, no âmbito do projecto LNG, todo o agregate entre a Barra do Dando e o Soyo, através de barcaças e rebocadores. Pensamos utilizar este contrato para promovermos outros serviços neste projecto LNG, como a manutenção do terminal e disponibilização de rebocadores de atracação tankers. A primeira grande separação entre os serviços purely sub-sea e o trabalho de gestão de terminals, deu-se com a implementação do Grande Plutônio da BP, no bloco 18, onde a Octomar, ganhou o contrato de Integrated Marine Services. Neste caso, temos o rebocador de apoio à atracação do tanker e uma equipa de mergulhos 24/7 para previnir acidentes e efectuar a manutenção da bóia. Penso que oferecemos um pacote único. Dispomos de uma experiência de uma década, juntamente com o apoio da Smit International e de terceiros, como a utilização de navios e barcaças. Uma demonstração dessa realidade é o nosso envolvimento na instalação das monobóias, onde o nosso apoio é solicitado pelos próprios fabricantes. A parceria com a Smit foi muito importante porque nos trouxe o encontro do know-how, experiência e equipamentos da Smit com o local knowledge da Octomar. A Smit é uma empresa de grande dimensão, inclusive cotada na Bolsa de Valores holandesa, que está tendo resultados excelentes, especialmente na área de Terminals. P: Para servir de referência para os nossos leitores, qual a estrutura da empresa, número de funcionários e facturação anual actuais? R: Temos um escritório central no centro de Luanda e uma pequena base na Sonils. O crescimento do trabalho foi muito superior ao que se esperava e a infra-estructura não acompanhou na mesma velocidade. No momento, estamos tentando dentro da Sonils um edifício de escritórios e um yard para armazenamento de equipamentos. Em termos de pessoal, temos aproximadamente 45 funcionários permanentes, visto que há sempre uma alteração devido à projectos sazonais. O mercado de mergulhadores utiliza muito freelancers, e no momento utilizamos mais megulhadores sul-africanos. Temos 200 mergulhadores trabalhando nos projectos da empresa em todo o país, mas deste total, temos 12 mergulhadores angolanos formados de acordo com normas internacionais, inclusive com cursos em Marselha. A facturação de 2006 foi cerca de U$24 milhões e para 2007, o balanço anual ainda não está fechado, porém deverá estar em torno de U$30 milhões. Em 2008, com os contratos da BP e do transporte dos agregates do projecto LNG, esperamos atingir U$45 milhões. P: A Octomar é reconhecida no mercado angolano pela sua experiência e qualidade nos serviços prestados, desta forma conquistou clientes importantes no país. Quais são os seus principais clientes? R: Os grandes services providers são os grandes clientes das produtoras petrolíferas, como a Halliburton, que normalmente subcontratam outros serviços. Neste momento posso dizer que trabalhamos com todas as produtoras petrolíferas em Angola, directamente ou indirectamente, como subcontractors. O nosso contrato mais antigo é o da Chevron, que já dura há 13 anos onde temos uma equipa permanente de megulhadores offshore. Temos um contrato permanente de inspecção dos sistemas de pipelines da Refinaria, que já foi propriedade da Fina Petróleos, e posteriormente da Total, mas que hoje pertence à Sonangol. Temos um contrato permanente com a Exmar, que faz a gestão da Dalia e Girassol, para a Total, onde temos uma equipa mista de mergulhadores qualificados. Com a BP temos um contrato de três anos, com possibilidade de extensão de dois anos, em quatro blocos onde o nosso foco é o Bloco 18, para que possamos ganhar mais serviços na BP. P: A Octomar está crescendo em paralelo com a economia angolana. Na sua opinião, em cinco anos como estará a empresa no mercado? R: Penso que o ideal seria a Octomar atingir um ponto de crescimento que permita trabalharmos com sub-divisões de trabalho, a exemplo da Smit International. A indústria petrolífera em Angola atingirá um tamanho tal que permitirá a possibilidade de termos na nossa empresa uma estrutura internacional. Ainda enfrentamos problemas com recursos humanos, ou seja, faltam trabalhadores capacitados, especialmente porque somos uma empresa angolana e mantemos um percentual de pessoal angolano. A prioridade não é somente atrair os funcionários, mas mantê-los na nossa empresa. Há alguma dificuldade com relação ao crescimento físico das infra-estructuras. Para que se consiga um bom escritório em Luanda, os custos de renda e terrenos são bastante altos. P: O senhor poderia comentar a respeito do seu histórico pessoal e profissional até à posição de director geral da empresa? R: Sempre vivi em Angola, mas nasci no Porto em Portugal. A minha mãe é de origem portuguesa e meu pai é angolano, de pais portugueses. Vivo em Angola desde os dois meses de idade. As únicas vezes que morei fora de Angola foram durante três meses, no ano de 1992, no período das eleições e em 1998, quando fui para a África do Sul com o objectivo de terminar o secundário e cursar a universidade. Nossa família está no país há muitos anos, visto que temos diversos interesses no país. Desta forma, retornei para Angola e iniciei minha vida profissional como assessor do director geral de uma Agência de Navegação, pois temos uma linha que faz transporte entre África do Sul e Angola há 12 anos. Com a morte do director geral da empresa, acabei assumindo a gestão da Agência. Mas como a intenção era que me dedicasse para outros negócios, acabei por repassar a gestão para outra pessoa, que era de minha confiança. A Octomar com a possibilidade do contrato com a BP, recebeu uma maior atenção da Smit com relação à sua estrutura e gestão. Sou filho de um dos sócios da parte angolana e fui convidado pelos sócios holandeses da Smit, para participar numa auditoria da empresa. Durante o período da auditoria, trabalhei com o director geral que estava na empresa até 2006 e que nesta altura estava com interesse em tentar outros mercados e novas oportunidades. Fui então convidado para assumir temporiariamente, pois a Smit pensou que teria alguém dentro dos seus quadros para gerir a empresa. Em 2007, recebi uma oferta final da Smit para assumir a direcção geral da Octomar, que aceitei com bastante satisfação. P: Qual seria a sua mensagem final para os nossos leitores, que são empresários e potenciais investidores em Angola, e que lerão sobre a Octomar no jornal The New York Sun e no nosso website www.winne.com? R: Eu diria que o mercado angolano está em franco crescimento, há oportunidades na nossa área e em qualquer área da economia angolana. Acho que o essencial é trazer o know-how e financiamento, com a intenção de criar uma estrutura que permaneça no país. O governo e a empresa estatal que gere a indústria petrolífera estão atentos para isso mesmo. A chave do sucesso para as pequenas e médias empresas estrangeiras é a asssociação com empresas locais de pequeno e médio porte, o que dará uma facilidade de abertura e disponibilidade para trabalhar em Angola. Dr. Ricardo Souza Director Geral (Robert Hudson Ltd.) Luanda- 2009-04-11 http://www.winne.com/imagesint/angola/ricardo_sousa_big.jpg “Na Robert Hudson priorizamos a fidelização do nosso cliente” A Robert Hudson é uma das empresas mais antigas de Angola, actuando no mercado há 83 anos. Em 1990, a empresa foi adquirida pelo maior grupo privado no comércio de automóveis da Península Ibérica, o Grupo Salvador Caetano. Sendo o representante exclusivo da marca Ford em Angola, a empresa está inaugurando em 2008 a sua nova sede, adaptando-se as mudanças do mercado e às necessidades dos seus clientes. P: A Robert Hudson é uma das empresas mais antigas do país e actualmente faz parte do Grupo Salvador Caetano. Conte-nos sobre o histórico da empresa em Angola. R: A Robert Hudson tem aproximadamente 83 anos no país, ou seja, é uma empresa que tem prestígio e tradição. Em certo momento estivemos presentes em todas as províncias de Angola, algo que estamos a recuperar sucessivamente. Em 1990, o grupo português Salvador Caetano, considerado o maior grupo privado no comércio de automóveis da Península Ibérica, adquiriu a empresa em Angola, sendo que nesta altura ficou decidido que a Robert Hudson iria centrar a sua actividade no comércio de automóveis. P: A Robert Hudson é hoje uma das empresas que mais geram resultados para o Grupo Salvador Caetano. Qual a estratégia que permitiu alcançar tamanho sucesso em Angola? R: O grupo felizmente tem muitissimas empresas que aprestam um desempenho notável. Embora não considere o nosso desempenho notável, na medida em que nos encontramos inseridos num mercado que nada tem de adverso ao desenvolvimento do comércio, não posso deixar de mostrar satisfação pelos resultados alcançados. A estratégia que permitiu alcançar este resultado passa por uma forte aposta na qualidade do serviço a prestar. É gratificante poder sentir o crescimiento das vendas, quer quando tal é reflexo de esforçoda empresa e espelha o reconhecimento dos clientes pela qualidade do serviço prestado. A nossa aposta centra-se precisamente neste último aspecto. O aperfeiçoamento contínuo isto é, fazer cada vez melhor é a base de toda e qualquer estratégia desenhada para a empresa. Não obstante algumas especificidades deste mercado, que fazem dele um dos mais apetecíveis do momento, não podemos esquecer uma concorrência cada vez maior onde a differenciação far-se-á, tambem ela, através da qualidade posta diaramente no serviço que se preste. Isto leva-nos a um tema muito importante no comércio, automóvel: a fidelização do cliente. É no cliente e na sua satisfação que devemos centrar as nossas atençõese enveredar todos os nossos esforços. P: A Robert Hudson já esteve em todas as províncias de Angola. Qual a estratégia de descentralização da empresa actualmente? R: A “Robert Hudson, Ltd.” É uma empresa com um vasto património imobiliário, resultado da sua anterior presença em praticamente todas as províncias do país. A guerra foi a grande responsável pela falta de manutenção de toda essa infra-estrutura. Penso que como jà marcamos presença em quase todo o território Angolano, temos uma responsabilidade acrescida de retornar aos locais onde em tempos desempenhamos um papel importantíssimo. É isso que pretendemos tomar a fazer quando determinamos o regresso da empresa para junto das populações mais carenciadas onde em tempos jà estivemos. No dia 01 de Novembro do ano passado, inaugurámos as instalações da Robert Hudson Ltd. em Malange. Malange é uma província bastante importante devido à sua localização geográfica estrategica e à importância dos investimentos efectuados e a efectuar, nomeadamente na agricultura. Para além da nossa presença em Luanda e Malange, estamos presentes nas cidades de Lobito é Benguela. Não posso esquecer a cidade de Lubango e do Huambo onde a empresa se encontra representada por meio de agentes. Para este ano estamos a desenvolver esforços com vista a “entrar” na região das Lundas, em particular na cidade de Saurimo. A estrategia de desentralização geográfica da empresa passa, como é fácil de perceber, pela nomeação de agentes que possam representar a empresa e as marcas por nós comercializadas com a dignidade e o profissionalismo com que habituamos os nossos clientes. A selecção do agente é, por isso, muito rigorosa e a formação dos seus quadros é, em grande parte, garantida por nós. P: O relacionamento do fabricante com o seu representante é essencial para o sucesso da marca no país. Como é a relação da Robert Hudson com a Ford? R: A relação da Robert Hudson, Ltd. com a Ford é uma relação, baseada no respeito mútuo e na confiança. Respeito mútuo pela autonomia e competência, que ambas apresentam e confiança em que as políticas definidas também por ambas as entidades são as que melhor garantem um crescimento contínuo e sustentado de ambas. Trata-se, pois, de uma relação duradoura, e sólida e por isso jà dura há mais de 30 anos. Periodicamente o fabricante faz visitas regulares às nossas instalações e temos reuniões frequentes que visam sempre a melhoria constante dos produtos e serviços oferecidos ao nosso cliente. A base de contacto da África Sub-Sahariana, e por conseqüência Angola, está situada na África do Sul. P: Qual a sua análise sobre o actual market share da Ford no mercado angolano de automóveis? De que forma a Robert Hudson está trabalhando para expandir a sua presença neste mercado? R: A Ford hoje representa aproximadamente 6% do mercado global de automoveis novos comercializados pelos representantes autorizados, tendo vindo a apresentar um comportamento muito positivo nos ultimos anos traduzido em crescimentos anuais sucessivos. Naturalmente que a ausência de modelos que possam ser integrados nos segmentos dos veículos de passageiros da classe small vehicles impede uma melhor prestação da marca que no segmento de vículos comerciais apresenta uma prestação muitíssimo superior, tendo atingido no final de 2007 um market share de aproximadamente 13 %. A expansão da Robert Hudson, Ltd. no mercado far-se-á por duas vias. Uma primeira que passará pela abertura de “frentes” nas restantes províncias e um aoutra que será resultado de um aumento de stock que sera conseguido por força de um aumento de produção do fabricante através da abertura de mais uma linha de montagem capaz de responder ao enorme aumento verificado na procura. P: Sob o ponto de vista do cliente, de que forma a Robert Hudson se diferencia actualmente em Angola? R: A nossa difernciação em relação à restante concorrência é, em nosso entender, significativa e assenta essencialmente na prestação de um melhor serviço de assistência técnica. Quer seja em virtude de um melhor período de espera entre a marcação e a realiza ção da manutenção, quer seja por um menor período de paralização das viauturas dentro das nossas oficinas quer ainda pela qualidade técnica dos nossos profissionais. P: O mercado angolano apresenta altos índices de crescimento nos últimos anos. De que forma a Robert Hudson está se adaptando no mercado? R: Atenta a essa realidade a Robert Hudson, Ltd. iniciou há algum tempo atrás a construção de uma nova estrutura em luanda Sul, a qual espera inaugurar muito brevemente. Aí abrigará a nova sede da empresa, concentrando também o departamento oficinal onde será disponibilizada uma oficina extremamente bem equipada e que permitirá dar mais um passo na qualidade do serviço prestado e na satisfação do cliente. No longo prazo, o meu desejo é que consigamos aumentar as nossas vendas, descentralizar a estrutura da Robert Hudson nas províncias de Angola, fidelizar os nossos clientes e sermos reconhecidos pelo bom trabalho que estamos a prestar. A Robert Hudson esteve em todas as províncias de Angola e a nossa missão é fazer renascer a admiração da empresa no país, não somente em número de vendas e tamanho da empresa, mas pelo seu papel fiel no desenvolvimento do país. P: Para servir de referência para os nossos leitores, qual a facturação anual da Robert Hudson em Angola? Os números de 2007 apontaram para uma facturação anual que ascendeu a aproximadamente USD $33 milhões de dólares americanos. P: O senhor poderia comentar a respeito do seu histórico pessoal e profissional e o maior desafio que enfrentou à frente da Robert Hudson? R: A minha formação académica é jurídica. Formei-me em direito em Portugal, onde exerci a advocacia por alguns anos. Sou Angolano de nacionalidade e estou a trabalhar há 16 anos no sector de automóveis. O convite para assumir a Direcção Geral da Robert hudson em Angola, onde estou há quatro anos, surigiu em 2004. Em relação ao maior desafio, eu penso que todos os anos temos desafios diferentes resultantes de metas e objectivos também eles diferentes. A superação dos desafios que diariamente se nos apresentam fazem do próximo o maior e assim sucessivamente. Assim, posso dizer que o meu maior desafio é sempre o proximo. Matthias Offodile June 19th, 2010, 07:30 PM Director Comercial João de Matos // O gestor de sucesso http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_84/pais_84_lr_74.jpg A ctualmente é director comercial da Vanic, empresa angolana ligada ao sector imobiliário e proprietária do condomínio “Clássicos do Sul”. O gestor assumiu o cargo na altura de uma das maiores crises que o sector imobiliário atravessou. Como é que entrou na Vanic? É uma história muito longa. Trabalhava numa ONG americana como motorista, mas com a falência desta fui despedido. Fiquei desempregado. Entretanto, conseguira o contacto do meu padrinho que, passado um ano, me telefonou dizendo que havia uma vaga para mim na “Bom Samba”, empresa de segurança. Entrei como assistente de direcção e depois fui promovido a director comercial da empresa. E depois? Passado um tempo conheci o Dr. João Mainsel no aeroporto, trocámos os contactos e, um dia, pediu-me para aparecer no escritório. Fui e admitiu-me na Vanic. Qual era a sua função inicial? Entrei como assistente da área comercial e, mais tarde, por opção da direcção da empresa, fui nomeado director da área comercial. O que sentiu quando lhe transmitiram a noticia? Foi difícil de acreditar, porque se trata de um cargo de muita responsabilidade e não esperava assumir funções directivas tão cedo. Mas nem tive hipótese de negar e foi a oportunidade para dar um salto na vida. Há quanto tempo? Isso aconteceu há três anos… E hoje como encara a situação? No inicio foi mais difícil, porque a empresa atravessava uma fase crítica, visto que o sector imobiliário estava ser assolado pela crise financeira internacional. Mas agora está tudo tranquilo, as nossas obras estão a caminhar a um ritmo razoável e , entretanto, já reuni muita experiência. Como tem sido a relação com os colegas? Graças a Deus tenho uma excelente equipa de trabalho, os meus colegas são como irmãos para mim. E com a família? Também é muito saudável, apesar de estar menos tempo com eles, mas sou um bom pai, esposo e filho. Depois de tudo por que passou, o que aconselha aos jovens que estejam a passar grandes dificuldades, que levam muitos a desistir e optar por caminhos menos bons, como a delinquência? Sabemos que as condições sociais do nosso país não são as melhores, embora haja sociedades piores que a nossa. O conselho que deixo é que persistam e que nunca se deixem levar por maus caminhos, porque, apesar de tudo, há muita coisa para se fazer em Angola como jardineiro, carpinteiro e até lavador de carros, desde que seja em locais apropriados. Hélder Afonso // Das Belas Artes à cozinha Cozinheiro http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_83/pais%2083%20br_125.jpg Formado em hotelaria, particularmente em culinária, também já preparou muitos jovens em países como Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal. Há quanto tempo está neste mundo? Sou cozinheiro há doze anos.Tudo começou em Lisboa, quando um amigo meu convidou-me para trabalhar num restaurante. E foi aí que aprendeu a profissão? Sim, foram os meus primeiros passos, mas lá, estava como ajudante de cozinha. Passado algum tempo desloquei-me ao Brasil, onde dei continuidade à minha formação em hotelaria, particularmente culinária. Já passou por muitas cozinhas? Sim, trabalhei em muitos restaurantes no Brasil, Portugal, São Tomé e agora estou cá. Conte um pouco sobre a sua trajectória. É uma história longa (risos)… Eu cresci em São Tomé e Príncipe, onde fiz os meus estudos primários, depois fui para Lisboa e dei continuidade e comecei a trabalhar como cozinheiro, mais tarde desloquei-me para o Brasil, onde me especializei em culinária. E há quanto tempo está a trabalhar em Luanda? Estou a trabalhar cá há quatro meses, no restaurante Luzola. O que faz quando não está a cozinhar? Quando estou de folga aproveito para ler livros de culinária e aumentar os meus conhecimentos e inovar cada vez mais, porque as pessoas querem provar sempre pratos diferentes. E nestas viagens está sempre acompanhado com a família? Não, a minha família está radicada em Portugal. Mas vou sempre assim que posso. E como é esta relação? Bastante complicada, porque ficar longe da família não é fácil, principalmente para mim que sou pai de duas filhas lindas. O que acha da culinária angolana? A culinária angolana é muita rica, porque os pratos são todos feitos com produtos naturais, e isso faz com que ela seja boa. Se largasse a cozinha qual a profissão que optaria seguir? Não consigo pensar nisso, porque acho que já estou totalmente bloqueado na cozinha. Mas, se isso acontecesse talvez voltasse às artes plásticas. Que conselho dá a jovens que queiram seguir a sua carreira? Aconselho as pessoas a estudar profundamente o que gostariam de fazer antes de optarem por qualquer profissão. Perfil Nome: Hélder Afonso Idade: 34 anos estado Civil: Casado NaturalIdade: Luanda Prato preferIdo: Vários Clube: 1º de Agosto Opais Matthias Offodile June 19th, 2010, 07:31 PM Director Comercial João de Matos // O gestor de sucesso http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_84/pais_84_lr_74.jpg A ctualmente é director comercial da Vanic, empresa angolana ligada ao sector imobiliário e proprietária do condomínio “Clássicos do Sul”. O gestor assumiu o cargo na altura de uma das maiores crises que o sector imobiliário atravessou. Como é que entrou na Vanic? É uma história muito longa. Trabalhava numa ONG americana como motorista, mas com a falência desta fui despedido. Fiquei desempregado. Entretanto, conseguira o contacto do meu padrinho que, passado um ano, me telefonou dizendo que havia uma vaga para mim na “Bom Samba”, empresa de segurança. Entrei como assistente de direcção e depois fui promovido a director comercial da empresa. E depois? Passado um tempo conheci o Dr. João Mainsel no aeroporto, trocámos os contactos e, um dia, pediu-me para aparecer no escritório. Fui e admitiu-me na Vanic. Qual era a sua função inicial? Entrei como assistente da área comercial e, mais tarde, por opção da direcção da empresa, fui nomeado director da área comercial. O que sentiu quando lhe transmitiram a noticia? Foi difícil de acreditar, porque se trata de um cargo de muita responsabilidade e não esperava assumir funções directivas tão cedo. Mas nem tive hipótese de negar e foi a oportunidade para dar um salto na vida. Há quanto tempo? Isso aconteceu há três anos… E hoje como encara a situação? No inicio foi mais difícil, porque a empresa atravessava uma fase crítica, visto que o sector imobiliário estava ser assolado pela crise financeira internacional. Mas agora está tudo tranquilo, as nossas obras estão a caminhar a um ritmo razoável e , entretanto, já reuni muita experiência. Como tem sido a relação com os colegas? Graças a Deus tenho uma excelente equipa de trabalho, os meus colegas são como irmãos para mim. E com a família? Também é muito saudável, apesar de estar menos tempo com eles, mas sou um bom pai, esposo e filho. Depois de tudo por que passou, o que aconselha aos jovens que estejam a passar grandes dificuldades, que levam muitos a desistir e optar por caminhos menos bons, como a delinquência? Sabemos que as condições sociais do nosso país não são as melhores, embora haja sociedades piores que a nossa. O conselho que deixo é que persistam e que nunca se deixem levar por maus caminhos, porque, apesar de tudo, há muita coisa para se fazer em Angola como jardineiro, carpinteiro e até lavador de carros, desde que seja em locais apropriados. Hélder Afonso // Das Belas Artes à cozinha Cozinheiro http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_83/pais%2083%20br_125.jpg Formado em hotelaria, particularmente em culinária, também já preparou muitos jovens em países como Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal. Há quanto tempo está neste mundo? Sou cozinheiro há doze anos.Tudo começou em Lisboa, quando um amigo meu convidou-me para trabalhar num restaurante. E foi aí que aprendeu a profissão? Sim, foram os meus primeiros passos, mas lá, estava como ajudante de cozinha. Passado algum tempo desloquei-me ao Brasil, onde dei continuidade à minha formação em hotelaria, particularmente culinária. Já passou por muitas cozinhas? Sim, trabalhei em muitos restaurantes no Brasil, Portugal, São Tomé e agora estou cá. Conte um pouco sobre a sua trajectória. É uma história longa (risos)… Eu cresci em São Tomé e Príncipe, onde fiz os meus estudos primários, depois fui para Lisboa e dei continuidade e comecei a trabalhar como cozinheiro, mais tarde desloquei-me para o Brasil, onde me especializei em culinária. E há quanto tempo está a trabalhar em Luanda? Estou a trabalhar cá há quatro meses, no restaurante Luzola. O que faz quando não está a cozinhar? Quando estou de folga aproveito para ler livros de culinária e aumentar os meus conhecimentos e inovar cada vez mais, porque as pessoas querem provar sempre pratos diferentes. E nestas viagens está sempre acompanhado com a família? Não, a minha família está radicada em Portugal. Mas vou sempre assim que posso. E como é esta relação? Bastante complicada, porque ficar longe da família não é fácil, principalmente para mim que sou pai de duas filhas lindas. O que acha da culinária angolana? A culinária angolana é muita rica, porque os pratos são todos feitos com produtos naturais, e isso faz com que ela seja boa. Se largasse a cozinha qual a profissão que optaria seguir? Não consigo pensar nisso, porque acho que já estou totalmente bloqueado na cozinha. Mas, se isso acontecesse talvez voltasse às artes plásticas. Que conselho dá a jovens que queiram seguir a sua carreira? Aconselho as pessoas a estudar profundamente o que gostariam de fazer antes de optarem por qualquer profissão. Perfil Nome: Hélder Afonso Idade: 34 anos estado Civil: Casado NaturalIdade: Luanda Prato preferIdo: Vários Clube: 1º de Agosto Opais Matthias Offodile July 3rd, 2010, 12:35 PM Paula Simons // Uma mulher
da comunicação Deputada angolana e jornalista http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/vida_8606_22_9.jpg Dona de um rosto e par de olhos bastante expressivos, Paula Simons partilhou várias ideias e vivências da sua longa caminhada no universo do jornalismo. Uma verdadeira prenda para a comunicação em Angola será, talvez, a melhor forma de definir esta venerável comunicadora, que nasceu a 25 de Dezembro de 1964. Actualmente com 45 anos de idade, é jornalista de profissão, tendo estudado para tal desde 1984, quando começou a trabalhar na Rádio Nacional de Angola. Acabou por se licenciar em ciências da comunicação em 1994, dez anos depois. Trabalhou para a LAC, para a rádio nacional, fez ainda o estágio de fim de curso na SIC, em Portugal e trabalhou para a RDP África, em Lisboa. Voltou para a LAC e decidiu então, após tudo isso, fazer uma pausa na carreira jornalística e dedicar-se à direcção de marketing do banco BAI. Porém, desde Fevereiro deste ano que a temos visto desempenhar uma nova função, a de deputada. “Eu faço parte dos quadros do MPLA há uns anos e, quando das eleições legislativas, perguntaram se eu estava disposta a fazer parte da lista de deputados para a Assembleia Nacional, e eu disse que sim. Em Fevereiro chegou a minha vez de assumir o cargo de deputada. Algo que deve ser feito com toda a responsabilidade possível, pois somos os representantes do povo”, afirma. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/vida_8606_22_10.jpg INFLUÊNCIA FAMILIAR Filha do renomado jornalista Francisco Simons, Paula seguiu os passos do pai, em várias áreas. “O início não foi fácil porque as pessoas diziam ‘Ah, ela consegue porque é filha do Chico’. Mas hoje eu sinto muito orgulho quando vejo que as pessoas me reconhecem, e me agradecem pelo facto de eu ter mantido o nome do meu pai, com honra e profissionalismo. Acho isso muito bonito”. Paula Simons reconhece que viveu grandes momentos na sua carreira de jornalista, e o seu pai acompanhou alguns deles: “Uma vez, durante uma emissão em directo, o meu pai na altura fazia um programa chamado ‘Boa-noite, Angola’, e eu fazia animação de cabina, ainda era estagiária. Foi a primeira vez que eu estive com o meu pai na mesma cabina, tremi de tanto medo”, lembrou animada. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/vida_8606_22_11.jpg A FORMAÇÃO EM JORNALISMO Durante a sua formação, Paula esteve em Portugal, onde trabalhou na SIC e na RDP África. “Foi uma mais valia sem dúvida. Só não sei se era a mais valia que pretendia naquele momento. Fui para lá com a bolsa de estudos e tinha os meus três filhos comigo. Portanto, se tivesse podido escolher, só teria estudado”, lembrou emocionada. Paula Simons rumou para Portugal com quase 30 anos, determinada a concluir o seus estudos. Chegou a trabalhar em centros comerciais para complementar a renda que lhe era dada, como bolseira que era. Em 1996, começou a trabalhar na RDP África, a convite de alguns profissionais amigos. “Foi uma diferença tecnológica. Indiscutivelmente, mais avançada. Na altura, a RDP África estava a lançar todo o processo de digitalização do seu trabalho. Foi uma diferença sociológica interessante, ou seja, a maneira como os problemas de África são vistos numa perspectiva completamente diferente”, afirmou. Depois, mais um desafio: trabalhar no projecto de Francisco Pinto Balsemão, que dava luz a um novo tipo de jornalismo televisivo em Portugal, com a criação do primeiro canal privado naquele país, a SIC. “ Foi muito interessante porque foi onde aprendi que o jornalismo é uma ciência que se domina, e o que muda são só os suportes em que nós trabalhamos. Quando se quer ser bom jornalista tem que se aprender a agir de uma determinada forma. Depois se estamos no jornal, na rádio, numa revista ou na televisão, temos que aprender a manusear a técnica. E foi uma experiência muito interessante por ser essa componente técnica que a televisão tem, onde tudo se compõe”, frisou. Momentos marcantes Nos seus mais de vinte anos da carreira como jornalista, Paula Simons tem muitas histórias para contar. Acompanhou alguns dos momentos mais marcantes da história política e social do país, pós independência. “Gostei muito de ter estado no Luena, quando foi assinado o primeiro memorando de entendimento entre as forças armadas angolanas e as forças da Unita, e também adorei poder ter estado presente naquele acto oficial de 4 de Abril quando o memorando final foi assinado. Acho que isso é um daqueles momentos que nunca mais se esquece, não é verdade?”, questiona animada. Como jornalista já entrevistou algumas das figuras mais influentes do mundo lusófono e não só, como Rui Mingas e Mário Soares. O TRABALHO NO BAI Da necessidade de enfrentar novos desafios, surgiu a segunda pausa na sua carreira. “Fiz uma primeira pausa em 1992, quando fui fazer campanha política, trabalhei na campanha do MPLA em 1992 e ainda pertenço àquele grupo de jornalistas que sabe que, eticamente, quando se está a fazer campanha não se faz jornalismo. Na altura, eu pedi um ano sem vencimento, fui trabalhar para à campanha do MPLA, e depois voltei para a Luanda Antena Comercial. Convidada a ingressar nos quadros do Banco BAI, aceitou o desafio. A experiência durou algum tempo, e a deputada afirma não se ter arrependido de ter trabalhado como directora de marketing da instituição bancária. “Eu acho que não é possível escrever para um público sem o perceber. Mesmo quando estamos a fazer jornalismo, quando nós definimos o que é de interesse público, temos de conhecê-lo. Acho que muitas das vezes o que acontece é que nós partimos do princípio que é de interesse público aquilo que é do nosso interesse e não é bem assim. Em qualquer um dos casos é preciso definir bem quem é o público. No caso do jornalismo, nós comunicamos em função do interesse público, pelo menos se o jornalismo for bem feito. Quando falamos em publicidade, temos de conhecer bem o público em função de um produto que queremos que ele goste e queremos que ele compre. É completamente diferente o objectivo final: um é o de informar de maneira pura, o outro é mais um objectivo de seduzir. Em qualquer um dos casos nós temos de conhecer o público e saber aquilo que lhe interessa conhecer”, esclareceu a deputada. DEVER POLÍTICO Quando questionada sobre há quanto tempo faz parte do partido político que representa na Assembleia Nacional, o MPLA, Paula Simons faz questão de dizer: “Tenho sempre muita cautela quando respondo a essa pergunta. É simples para alguém que tinha 10 anos quando foi a Independência dizer que é do MPLA desde sempre e capitalizar isso politicamente em termos de curriculum. Mas em consciência nem sempre é assim tão linear”. Tomou posse em Fevereiro deste ano e desde então tem-se dedicado, única e exclusivamente aos seu trabalho como representante do povo angolano, na Assemblea Nacional, e afirma estar apaixonada por este novo desafio: “Gosto da conquista de uma nova dimensão de responsabilidade e o processo de aprendizagem que é inerente à mesma. É claro que não estou a dizer que quem foi votar se lembrasse do nome de um deputado que viesse quase no fim da lista. Claro que não tenho essa presunção. Mas se essa pessoa chega a tomar posse, isso acontece porque o número de eleitores tornou isso possível. É por isso que ali estamos. A cada tarefa que se nos apresenta devemos ter isso em conta. Se, um cidadão, me perguntar porque votei a Lei da Probidade Pública, ou do Tribunal de Contas, devo estar em condições de prestar essa informação. Ora isso implica fazer de cada voto no Parlamento um acto consciente, o que só é possível se nos dedicarmos a estudar as propostas de Lei e se, uma vez feito esse estudo, estivermos em condições de fazer um voto consciente, sabendo que esse voto representa o de outras pessoas. O olhar de jornalista reforça essa ideia de que é um processo de conhecimento e de amadurecimento, em relação aquilo que é a nossa responsabilidade individual perante um colectivo”. FUTURO PROMISSOR Em relação ao futuro do jornalismo em Angola, Paula considera-se sempre uma optimista. “Eu falo com algumas pessoas mais jovens e as sinto empenhadas em abraçarem desafios profissionais nesta área. Mas por outro lado, para uma pessoa como eu que viveu os primeiros anos da Independência, que viveu com pressupostos de justiça social e conquistas para todos os angolanos, não deixo de olhar para o presente com alguma preocupação. Ou seja, nós continuamos a ter uma população com um índice de analfabetismo muito grande, continuamos a ter uma grande percentagem da população que vive com menos de um dólar por dia, os índices de pobreza são muito altos. E o que eu me pergunto é se nessa nova sociedade que estamos a construir a classe média, que ascende e que se afirma, tem noção daquilo que é realmente o nosso país e se tem noção da sua capacidade de intervir para que o crescimento seja mais equilibrado. É claro que é importante que haja crescimento, que haja desenvolvimento, mas é importante que nós criemos as condições, todos, para que todo o país possa crescer em paralelo”, declarou a deputada. Paula demonstrou ser uma pessoa serena e consciente das suas escolhas, feliz e dedicada a ter uma vida cada vez mais tranquila. “Lembro-me sempre de ‘uma casa no campo onde eu possa guardar meus amigos, meus livros, meus discos e nada mais’, como cantava a Elis Regina (risos)”. Porém, no plano profissional, diz não ter objectivos concretos. “Até hoje tenho vivido sempre da mesma maneira. Procuro fazer o melhor possível em cada etapa da vida. Cada novo desafio que me é apresentado é enfrentado com este principio de base. É possível aprender mais e procurar sempre fazer bem! Sou uma jornalista com formação em Ciências da Comunicação. Na verdade mesmo como deputada, vejo--me muitas vezes a pensar em como seria importante definir estratégias para a divulgação das Leis, de modo a munir a população do instrumento fundamental para o exercício da cidadania: o conhecimento dos seus direitos e dos seus deveres. Neste momento estou empenhada em fazer o melhor possível na bancada do MPLA. Se a esse exercício se juntarem os processos de comunicação seria interessante mas, como disse, os conhecimentos que adquiro e a dimensão que o exercício da função me dão da vida e do país, podem constituir um fim em si mesmos. Depois... logo se verá”, concluiu. Perfil Nome: Paula Marina Valério Alho Simons Data de nascimento: 25 de Dezembro 1964 Ídolo na Literatura: Jorge Amado Ídolo na Política: Thomas Sankara Restaurante: Coconut’s, Ilha de Luanda Livro: A Parábola do Cágado Velho, de Pepetela Citação: “Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a justiça e a pureza existam dentro de nós”. Agostinho Neto Jornalista Paula Simons nasceu e cresceu na rádio Kílssia Ferreira - 23 de Agosto, 2009 Diminuir tamanho de letra Aumentar tamanho de letra Tamanho da letra Enviar Enviar Imprimir Imprimir http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/thumb2/20090823130413paula.jpg Paula Simons Paula Simons leva o seu trabalho muito a sério. Por isso diz que quando está no jornalismo rejeita qualquer trabalho na área da publicidade ou do marketing. Neste momento está na direcção de markting e comunicação e imagem do Banco BAI. Por isso, o jornalismo está suspenso. “Eu sinto saudades do meu trabalho como jornalista”, disse Paula Simons. “Digo sempre aos meus filhos que eu tive muita sorte, por ter sabido, desde sempre, o que gosto de fazer”, mas mais importante “é poder trabalhar naquilo que eu gosto”. Paula Simons lembra que há muita gente que nunca consegue descobrir o que gosta de fazer “e há outras pessoas que conseguem descobrir o que gostam de fazer mas nunca arranjam emprego”. Nestes desencontros, a jornalista encontrou o caminho certo: “eu tenho um privilégio muito grande, ter descoberto o que gosto de fazer e ter conseguido trabalhar grande parte da minha vida”. VICIADA EM NOTÍCIA Paula Simons diz que se sente “uma verdadeira jornalista” independentemente da formação que teve: “na minha vida penso como jornalista, reajo como jornalista. Quando viajo procuro sempre um furo, sou viciada em notícias”. Apesar das saudades que sente do jornalismo e das notícias, Paula Simons diz que fez uma boa opção ao aceitar trabalhar no Banco BAI. Os filhos gostam de seguir os passos dos pais. Mas Paula Simons, filha do grande radialista angolano Francisco Simons, disse ao nosso jornal que “o meu pai não teve nada a ver com a minha opção profissional, mas era impossível ignorar a rádio. O meu pai trabalhava em rádio, a minha mãe também e o meu mundo já era um pouco de mundo do jornalismo. Os amigos de casa eram da rádio”. Paula Simons traça o seu percurso académico: “o meu primeiro curso foi de planificação e gestão no antigo Karl Max e naquela altura nós tínhamos que preencher umas fichas para dizermos que curso queríamos fazer. E como a rádio é um mundo que eu conhecia desde criança, eu pus na ficha que queria fazer o meu estágio na Rádio Nacional”. Este foi o primeiro passo da sua carreira. “Fui estagiar no gabinete de planificação. Mas quando estava no estágio tive a oportunidade de fazer um teste para a área da informação e correu bem. Não fiz uma entrada na rádio directamente para o jornalismo, primeiro estive na planificação e gestão e depois do teste é que decidi ir para o jornalismo”. Paula Simons começou a trabalhar na rádio a tempo inteiro. A sua dedicação à profissão era total. “O pai da minha filha tinha que estar muito presente, eu saía às quatro da madrugada e ela tinha que ir para a creche às sete horas. Tínhamos que dividir bem as coisas”, disse a jornalista. “Os nossos filhos perceberam que a coisa que eu mais queria ser na vida era ser mãe deles, mas a minha profissão era igualmente importante. Sempre fui uma mãe muito presente e muito protectora, mas ao mesmo tempo muito profissional, disse Paula Simons. Paula responde Como é o seu dia-a-dia? Tenho um ritmo de trabalho muito intenso mas como gosto do meu trabalho, é fácil de suportar. Ao fim-de-semana gosto de ouvir música: oiço muito Paulo Flores, gosto das letras. Poligamia? Não aceito, poliandria estou de acordo. Qual é o seu maior defeito? É ser impaciente, impulsiva e frontal. Onde passa as férias? Gozo em Portugal mas gosto de ir também às províncias em companhia dos meus filhos. Fazemos uma semana em cada província diferente, em Dezembro, época das férias. O meu pai nasceu na Índia, espero ir conhecer a terra do meu pai, que é Goa. Nunca pensei em conhecer mas depois de o meu pai morrer deu-me vontade de ir lá. O meu pai saiu de Goa quando tinha 18 anos. Como passa o tempo livre? Gosto de desenhos animados. Rir é a melhor defesa. Comida? Funji de bagre com muteta. Sou especialista a cozinhar funji. Aconteceu comigo Paula disse que tem um sonho que não conseguiu realizar no seu percurso no mundo do jornalismo. Era entrevistar Winnie Mandela. Paula falou que correu muito para entrevistá-la. Ela foi o rosto da resistência ao “apartheid” durante o tempo em que Nelson Mandela esteve preso. “Tenho imenso respeito por ela e uma grande curiosidade em saber a sua versão da história. Tentei muito e não consegui saber o porquê do seu afastamento”. Nasceu em 25 de Dezembro de 1964 e considera-se natural da Lunda-Norte “A minha mãe teve o parto em Luanda mas é natural da Lunda-Norte e eu sinto-me de lá, no meu caso nasci acidentalmente em Luanda porque o médico não permitiu que a minha mãe regressasse a casa quando estava no fim da gravidez”. Trabalhar com responsabilidade no Parlamento – Paula Simons:cheers: http://www.tpa.ao/cache/bin/XPQKcFAXX36322ko0CIxbVQoZKU.jpg 10-02-2010 / 11:11 / TPA A Nova Deputada à Assembleia Nacional disse na Terça – feira, 09/02, depois de prestar juramento para exercer a função, que daqui adiante é preciso ter noção desta responsabilidade a fim de não defraudar quem a confiou. Paula Simons, avançou que está disposta a trabalhar em prol de quem representa no Parlamento, depois de ter assumido esta responsabilidade, com a devida convicção. “Quando tomamos posse, há esta consciência que estamos em representação de alguém que confiou em nós mais ou menos directamente, por isso é preciso primeiro respirar fundo, assumir esta responsabilidade, ter noção do que ela significa e depois trabalhar”, disse a antiga Jornalista. De notar que, a actual Deputada Paula Simons, é formada em Comunicação Social, e iniciou a sua carreira nas lides jornalísticas na Rádio Nacional de Angola, e posteriormente ingressou na Rádio Luanda Antena Comercial, LAC, tendo deixado anos depois, dedicando a imprensa escrita. Matthias Offodile July 20th, 2010, 11:40 AM Arquitecto Mario Gonçalves // O Arquitecto de Viana Funcionário da Administração Municipal de Viana, Mário Gonçalves é um dos quadros superiores de arquitectura formado pela Universidade Privada de Angola. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_88/pais%2088%20lr_169.jpg Sonha em montar um ateliê para dar sequência à sua formação: Mestrado e Doutoramento. Foi difícil chegar a arquitecto? Muito, tive que sacrificar muita coisa na minha vida para concluir o ensino superior e, como sabe, não é fácil mudar de curso, pois temos que ir buscar novas bases para nos enquadramos na matéria. Que curso que fez no ensino médio? Fiz o curso de Mat/Física e, na altura, estava virado para economia mas, por influência de um grande amigo, cá estou. Mas não me arrependo porque aprendi a gostar do curso e tenho paixão pelo meu trabalho. Quais foram as maiores dificuldades por que passou? Passei por imensas dificuldades, começando mesmo pela exigência do curso, desde o próprio material para os desenhos, que é muito caro. Na época tinha poucos recursos para adquiri-lo. Outra das dificuldades era o meu emprego, pois obrigava-me a fazer duas coisas ao mesmo tempo. Teve que largar o emprego? Não, graças a Deus temos um slogan que diz que “a arquitectura não se faz sozinho”, por isso consegui finalizar. Tive muito apoio dos meus colegas de curso, juntos trabalhamos dias e noites. Qual o ponto mais alto da sua carreira? O ponto mais alto foi quando comecei a trabalhar na Administração de Viana, porque foi lá que passei à prática e fiquei a saber que era capaz de dar resposta a inúmeros casos de arquitectura urbanística. E trabalha cá há quanto tempo? Estou a trabalhar na Administração de Viana há seis meses. Qual é o seu maior sonho? O meu sonho é montar um ateliê de arquitectura para poder continuar os meus estudos, ou seja, fazer o mestrado e o doutoramento. O que falta para o realizar? Estou a reunir condições e isso não é fácil, mas preciso trabalhar muito para realizar este sonho. Como avalia o nosso país no que toca à arquitectura? Angola está a caminhar para o desenvolvimento, principalmente no âmbito da reconstrução nacional. O governo está a erguer muitas infra – estrutura e isso é bom para os arquitectos nacionais. O que aconselha aos jovens que queiram seguir este ramo mas que enfrentam dificuldades? Aconselho a não desistirem porque a vida é feita de muitos sacrifícios, e temos que pensar apenas no lado bom das coisas. Mas temos que tentar muitas vezes até não poder mais. E, por vezes, até acabamos por fazer coisas que pensávamos ser impossíveis. Perfil * Nome: Mário Simão Amado Gonçalves * Idade: 30 anos * Estado Cívil: Solteiro * Desporto preferido: Futebol * NaturalIdade: Caculuculo, arredores de Ndalatando * Prato PreferIdo: Arroz branco com feijão preto, salada e banana Matthias Offodile July 20th, 2010, 04:03 PM Green's: um destino saudável em Ponta Negra Empresário angolano investe em restaurante especializado em pratos leves:cheers: 11/01/2010 às 20:03 Tamanho do texto: + Aumentar | - Diminuir http://www.revistadeguste.com/app/webroot/files/image/greens_02.jpg O ambiente do Green's é climatizado, tendo como trilha sonora elementos da natureza, ideal para relaxar enquanto saboreia opções leves e saudáveis http://www.revistadeguste.com/app/webroot/files/image/greens_03.jpg Buffet é preparado artesanalmente e quase nunca se repete http://www.revistadeguste.com/app/webroot/files/image/greens_casal.jpg Antônio Massano posa ao lado da esposa naturalista, Josane Noronha O empresário angolano Antônio Massano revela já ter sido acordado a buzinadas no trânsito quando o semáforo abria. Cochilos eram frequentes após o almoço, depois de ingerir carnes gordurosas e outras opções que demandavam do organismo um reforço extra na hora da digestão. Como principais consequências, muito sono e sobrepeso. Vivendo há cinco anos em Natal, após duas décadas em Portugal, a vida de Massano passou por mais uma grande mudança ao conhecer a juíza de direito Josane Noronha, com quem casou e teve seu terceiro filho. Ela é naturalista desde os 15 anos de idade e até acompanhou, como observadora, muitas refeições do marido em restaurantes convencionais. Mas, comer mesmo, só ao chegar em casa, quando preparava pratos mais saudáveis, à base de saladas, grãos integrais e carnes magras, tudo sem conservantes ou aditivos. Massano e seus filhos não davam muita importância àquele estilo de alimentação. “Só havia um único problema na família: a incompatibilidade alimentar. Enquanto eu e meus filhos comíamos comida normal, muita carne, picanha e éramos viciados em coca-cola, minha esposa nunca tomou um refrigerante na vida”, detalhou o empresário. Logo, Massano viu o próprio primogênito mudar de atitude. Depois de concluir o curso de Cozinha Profissional no Hotel Escola Senac-Barreira Roxa, o português Bruno Merlini, 22 anos, decidiu estudar gastronomia orgânica na Bahia. Foi quando o empresário angolano, que já mantém um empreendimento na orla da praia de Ponta Negra, tomou uma decisão há exatos oito meses. “Matei dois coelhos com uma bala só. Arranjei uma profissão para o meu filho e resolvi o problema da minha esposa”, conta, fazendo referência ao recém-inaugurado Green’s Restaurante Natural, aberto no dia 26 de dezembro passado. Localizado na Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Ponta Negra, a mais nova opção “natureba” da cidade carrega na essência qualidade, diversidade, bom gosto, saúde e, para completar, economia. “Aqui tudo é feito artesanalmente, sem uso de máquinas. É um restaurante específico que prioriza produtos orgânicos, ou seja, sem uso de agrotóxicos. Também não há uso de produtos químicos, como molhos pré-feitos, e não há frituras. Tudo é feito no forno ou refogado na água", reforçou o chef de cozinha Bruno Merlini. Ele destaca alguns dos produtos de produção própria, como leite de coco, queijo e iogurte. “O sal que usamos é o marinho, o açúcar é o mascavo, mel ou melaço de cana", apontou. Servindo almoço e jantar de terça-feira a domingo em formato de buffet, ao custo de R$ 29,90, o quilo, Bruno garante que, diariamente, há novidades no cardápio. http://www.revistadeguste.com/app/webroot/files/image/greens_bruno2.jpg Chef Bruno Merlini deixou para trás a gastronomia convencional para se dedicar aos segredos da cozinha orgânica "Os pratos são preparados à base de grãos integrais, frango, peixe, carne e soja, e servimos também muitas opções de saladas e vegetais", disse, destacando o frango ao cury e o peixe ao molho de coco. Como opções de sobremesa, estão a torta de banana e o pavê de ameixa. "Também preparamos minipizzas, pasteis, esfirras e outros salgados", complementou Bruno. Para beber, que tal sucos da fruta, chás ou cajuína? Uma boa pedida é o suco de limão com capim santo. “Aqui não entra refrigerante, nem bebida alcoólica”, foi enfático Antônio Massano, que comenta feliz os quilos perdidos desde a abertura do restaurante. "Outro dia, ele inventou de almoçar como fazia antes e passou a noite inteira passando mal", comentou Josane Noronha, frisando que a ideia do Green's é incentivar o consumo de produtos naturais. "É um espaço que satisfaz aqueles que se preocupam com a saúde", concluiu. Green's Restaurante Natural Av. Eng. Roberto Freire, em frente a antena da Oi Aberto de terça a domingo, das 11h30 às 15h Fone: (84) 3219-0478 http://www.revistadeguste.com/reportagens/view/188 Angolano na diáspora torna-se agente oficial FIFA http://club-k-angola.com/images/stories/Diaspora/jose%20luis%20gomes.jpg ImageLuanda - O psicólogo e empresário angolano José Luís Gomes tornou-se agente oficial da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), para a organização de eventos desportivos, transferência de jogadores e técnicos, soube hoje de fonte do órgão máximo do desporto rei no mundo. De acordo com a mesma fonte, o único angolano reconhecido pela FIFA para gerir actividades internacionais no ramo desportivo obteve a sua licença na última segunda-feira, em Frankfurt, e entrou na restrita lista de três "managers" residentes na Alemanha. Contactado pela Angop, José Luís Gomes disse que a sua meta agora "é um dia organizar jogos para as selecções nacionais de Angola, embora essa profissão seja abrangente para outras áreas de acção, como transferência de futebolistas e técnicos". "Com essa licença, já não estou limitado à Europa como antes com a da UEFA. Agora, posso, através da minha agência (Goolos Sport), organizar partidas oficiais das datas FIFA. Depois de muita persistência, consegui entrar na lista dos Match Agents FIFA. Neste momento, somos três na Alemanha com esse estatuto", realçou. Quanto a selecção nacional, o especialista sublinhou apenas que está disponível para ajudar no que for preciso, desde que haja acordo com a estrutura que gere o futebol angolano (FAF). José Luís Gomes, que esteve à beira de assumir o cargo de psicólogo dos Palancas Negras por altura da participação inédita de Angola no Mundial de 2006, tem trabalhado na compra e organização de eventos desportivos, através da licença da UEFA. Além da negociação de futebolistas na Europa, o responsável da Goolos Sport assinou em Dezembro de 2008 contrato com ex- estrelas da selecção brasileira (Bebeto e Josimar) e faz parte de um projecto de descoberta de novos valores nigerianos para "injecção" em clubes europeus. Assegurou ainda os direitos de velar pela preparação do combinado do Paraguai e ganhou em 2008 a concorrência para a organização do UBI Cup Berna, que se disputa anualmente na Suíça. Em Maio deste ano, o empresário, natural da cidade do Lobito (Benguela), levará os brasileiros Bebeto e Josimar, bem como o alemão Roland Kramer a Lagos, palco do torneio da descoberta de novas promessas do futebol nigeriano, a convite das autoridades governamentais do país mais populoso de África. A Angop soube que a iniciativa, em que José Luís Gomes surge na qualidade de agente de eventos das duas antigas vedetas canarinhas, terá a participação de ex-internacionais do futebol nigeriano, que se interessaram pelo projecto, assim como dirigentes desportivos e políticos. De acordo com a lista a que a Angop teve acesso, o angolano, que reside naquele país europeu há mais de 20 anos, aparece ao lado de dois germânicos, designadamente Andreas Lampert (da agência XXL Sports GmbH) e Joachim Schoen (JS Sportmanagement). Fonte: Angop Matthias Offodile July 21st, 2010, 09:32 AM http://revistalusofonia.net/ed50/imagens/economia_02_01.jpg Apostado no futuro O empresário angolano Bartolomeu Dias está à frente do Grupo de nome homólogo, com empresas em áreas como a indústria alimentar, aviação, informática, imobiliária e turismo. Por: Faustino Diogo Bartolomeu Dias por Bartolomeu Dias: como se definiria? Sou um cidadão que começou no ramo comercial e industrial como qualquer outro cidadão de negócios, que graças ao dinamismo e à vontade de querer vencer, hoje representa o grupo Bartolomeu Dias que é composto por várias empresas em diferentes sectores da economia nacional. Com perspectivas boas para o futuro, criando mais oportunidades de emprego e a ajudar o desenvolvimento do país que é o objectivo de todo o empreendedor. O que ser empresário em Angola? Não sou aquele empresário que apresenta primeiro as dificuldades. Em qualquer parte do mundo podemos encontrar dificuldades. Agora cada país tem as suas características e estamos num país africano, temos os nossos problemas e as pessoas que estiverem em África têm que se adaptar a estas condições. Infelizmente temos ainda muitos problemas burocráticos, mas é preciso as pessoas acreditarem que quem tem de mudar estes problemas somos cada um de nós. Todos os problemas que surgirem vamos ter que vencê-los, um a um. Esta é a minha forma e filosofia de trabalho. Não me queixo muito das dificuldades, porque foi dentro delas que criei este grupo. O mais importante é haver paz, que é a base de tudo. O resto o homem é quem faz, o homem transforma tudo. Como é que olha para a concorrência nacional e estrangeira? A concorrência para qualquer pessoa física ou jurídica que está no mercado de forma independente é bem-vinda e acho que o homem é feliz a competir quando dentre vários grupos ganha um lugar de destaque. E assim vai ganhando outra posição no mercado. A concorrência civilizada é salutar no mundo dos negócios, desde que apresentemos aos nossos consumidores produtos, bens e serviços de qualidade. Hoje já se verifica em Angola cliente que exige. Acho que isto é um dos elementos que o país ganhou desde que abriu o mercado ao mundo. Nós, os empresários angolanos, não temos que impedir a entrada dos empresários estrangeiros porque o mundo está globalizado. Quem estiver neste mundo de negócios tem que ter cultura empresarial, e é isso o que falta a muitos. Bartolomeu Dias, empresário de 40 anos de idade, casado e pai de 8 filhos, é natural da província do Cuando-Cubango e desde muito cedo iniciou-se nos negócios. Orgulha-se de ter sido reconhecido, aos 23 anos, como o jovem empresário angolano com maior destaque. Actualmente, o Grupo Bartolomeu Dias é composto por várias empresas: Nori (nova rede industrial), Diexim Expresso (aviação), Angoinform (informática), Divisão de Segurança, Internacional Travel (agência de viagem e de rent-a-car), Diexim Rodoviária (camionagem), Sul do Kwanza (imobiliária) e a Cleaning (empresa de limpeza). Good Matthias Offodile July 29th, 2010, 11:19 AM Carmo Neto - ‘Nem tudo o que se publica é literatura’ No âmbito social persegue a exploração imobiliária da área da sede da UEA para benefício dos membros e não descarta a possibilidade de encontrar um espaço que revele uma espécie de bairro dos escritores. A sua tomada de posse acontece na véspera do Dia do Livro. Uma coincidência feliz? http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_78/pais%2078%20br_279.jpg Acaba por conciliar o valor do conhecimento que se faz através do livro. Nas nossas vivências valorizase também a transmissão oral, mas o livro assume uma grande importância, apesar de algumas pessoas, hoje, avançarem com a possibilidade de o livro vir a ser substituído pelos meios informáticos. Entretanto, nós temos ainda problemas internos graves em relação ao acesso ao livro, pela carestia do papel e por ser uma área em que os empresários pouco investem. E o Estado não deveria envolver-se um pouco mais? Esta é uma das áreas do social, onde os Estados devem assumir obrigações adicionais, sendo um dos elementos que favorecem a educação. Naturalmente que a produção e a distribuição de livros deve ser importante para quem decide. Vários países ultrapassaram esses obstáculos realizando grandes investimentos. O Zimbabwe, por exemplo, tem bibliotecas disseminadas pelas comunidades, o que facilita que o acesso ao livro seja directo e fácil. Nós ainda não estamos nesta fase, o número de bibliotecas em Luanda é reduzido, como se sabe, porque não se investe muito nos hábitos de leitura como fonte de conhecimento e, por conseguinte, para o desenvolvimento técnico-científico. Falando em bibliotecas, a da União diz-se que é muito frequentada Temos um bom número de presenças diárias. Temos uma ala de internet que é muito frequentada pelos estudantes daqui das redondezas, tudo isso é bom, eles associam o local biblioteca com espaço para estudos. A nossa biblioteca é já um local para o desenvolvimento dos seus conhecimentos, para a pesquisa e para outras actividades estudantis. Na ala de internet tivemos já um milhão de visitas. http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_78/pais%2078%20br_281.jpg Este milhão é contado desde quando? Há cerca de oito anos. A sua reestruturação tem sido constante e, queremos nós, passaremos a fazer a venda online dos produtos da nossa biblioteca. Só não o iniciamos já porque, infelizmente, os nossos serviços bancários ainda não estão adaptados para este tipo de vendas. E nas províncias a União tem representações? Os nossos estatutos o prevêem, mas a União privilegia a presença dos seus membros, com algum talento literário, que sejam cultores da palavra, e isso requer avaliação preliminar para se chegar a conclusão sobre se determinado elemento pode, ou não, pertencer à União de Escritores Angolanos. E é preciso o quê para se ser membro da União? Os estatutos exigem um mínimo de duas obras literárias publicadas. E esses dois livros devem merecer a opinião favorável de estudiosos de literatura. Porque nem sempre dois títulos habilitam, em termos qualitativos, o seu autor para ser membro da União. Trata-se do uso estático da palavra que é literatura, não é confundirmos, como tem acontecido, um ensaio de matemática ou de química com material literário. Várias vezes ouvimos de certas pessoas a referência a obras literárias quando na verdade é mais um manual didáctico de física ou química, ou geografia. http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_78/pais%2078%20br_282.jpg E há mesmo quem se apresente como escritor nestas condições ! Por isso queremos apostar nos seminários sobre teoria da literatura, tanto para os jovens que querem ser escritores, alguns têm talento criativo mas não têm domínio da literatura nem conhecimento da arte literária. Pretendemos levar esse conhecimento a estes jovens e também aos mais velhos que pretendam refrescar os seus conhecimentos. Temos professores formados em literatura interessados em colaborar nesta matéria. A União tem alguma espécie de sábios curadores que avaliam as obras e decidem se determinado autor merece ou não ser membro? A maior parte deles, destes leitores, “sábios curadores” se quiser, são professores universitários. Dois deles são mestres em literaturas e um é doutorado em língua e literatura portuguesa. Há mais dois com bastante domínio na matéria. A ideia é salvaguardar a qualidade do material publicado e o próprio prestígio da instituição, temos de privilegiar a qualidade. Há outra questão: a União também edita livros. Há algum problema em ser-se membro da União e ser editado por outra casa? Inicialmente tivemos, de facto, o panfletarismo, aqueles que fazendo tábua rasa às regras e normas literárias, faziam das palavras de ordem poesia ou ficção, isso tinha a ver com o momento político que se vivia. Aproveitando esta realidade de construção de casas, teríamos um bairro de artistas em que cada escritor tivesse a possibilidade de lá edificar a sua casa, que pudesse pagar de forma faseada, com crédito bonificado. Este é um problema que se começou a colocar depois da abertura do mercado. Antes, quando o mercado não era diferenciado, com a economia estatizada, este problema não se colocava, a União publicava todos os seus membros. Mas os factos, hoje, trazem-nos outra questão de reflexão e é provável que o critério de preferência dos escritores tenha a ver com a agressividade de outras editoras na promoção e na divulgação das obras. Mas isso fez com que a União melhorasse a apresentação gráfica dos seus livros e que continue a melhorar os seus processos promocionais junto ao público, quer o angolano quer o externo. Tudo isso para cativar os nossos associados, embora existam correntes que defendem um limite de tempo de jejum, digamos, para os filiados publicarem obras. Há quem diga que os membros da União não devem passar cinco anos sem publicar uma obra pela União, independentemente de publicarem outras obras por outras editoras. São questões discutíveis, porque o livro é mercadoria e há editoras com maior capacidade de a promover em Angola e lá fora. Qualquer autor procura lançar o seu produto literário aos níveis mais altos. É também por isso que estamos a negociar com algumas instituições a tradução de livros editados por nós para o inglês e para o francês. Estamos numa fase já de fecho de contratos. Ainda este ano isso poderá ser uma realidade. Daqui a não mais de 30 dias teremos a oportunidade de levar livros de autores editados pela União a uma das maiores bibliotecas do mundo. Tudo isso com o propósito de promover os escritores angolanos. Perspectivamos, também, levar autores angolanos a proferir palestras em universidades estrangeiras. África em primeira instância, ou abertura já ao resto do mundo? Estamos abertos ao mundo, embora África esteja em primeira instância, é cá o nosso espaço, a nossa identidade. Voltando à filiação. Alguém que se inicie a editar pela União, tem mais facilidade, depois, para ser membro? Não necessariamente. Mas a União, como editora, pode ter um bom primeiro livro do escritor e o mesmo não ser bem sucedido no segundo. Mas diria que sim no caso de alguém que publicasse dois livros com a qualidade literária requerida, até porque os livros que publicamos são vistos por uma comissão de leitura rigorosa. Portanto, teoricamente, quem se inicie pela União terá mais facilidades de se tornar membro, contará com o parecer favorável da comissão de leitura. E é-se membro da União por candidatura ou por convite? Pelas duas vias. O candidato conhece os estatutos e contacta os serviços administrativos para manifestar o seu interesse. E como lemos livros publicados pelo país afora, por mérito do autor podemos tomar a iniciativa de o convidar a ser membro. Isso em reconhecimento da qualidade da sua produção. Quem é membro ganha o quê? Pertence à primeira associação cultural angolana no pós-independência, fundada pelo Presidente Agostinho Neto. Ganha prestígio, mas nós queremos mais. Queremos que o membro esteja protegido, por ser um artista da palavra. Que tenha garantias para viver com mais dignidade. Vamos continuar, de forma mais sólida, os nossos projectos. Na questão imobiliária vamos fazer com que a União, embora não vocacionada para o lucro, sobreviva com recursos próprios. Temos um espaço que nos poderá proporcionar vantagens imobiliárias, associandonos com quem tenha dinheiros e competências técnicas para criarmos algo que nos permita prestar serviços a terceiros e gerirmos os nossos meios financeiros à semelhança do que acontece noutros países, como a França, em que o escritor, por inerência da sua filiação, tem determinado valor para a sua manutenção, independentemente de ter escrito mais ou menos obras. Dá-lhe conforto e mais-valias. No caso da União temos uma clínica que assiste aos membros, em caso de doença, sem qualquer dispêndio monetário. Temos também um sonho, que não é utopia, para que o escritor possa frequentar determinados espaços e verá tudo pago pela União de Escritores. Tudo vai depender do andamento do que temos pensado para a exploração imobiliária. A escrita não dá grande dinheiro em Angola, o escritor envelhece, dedicou-se à escrita, que apoio tem? Neste momento prestamos um apoio mínimo dentro do contexto do que é dominante no país, à assistência à velhice, reforma. Está pensado um lar de repouso para artistas? Também é nosso pensamento. Aproveitando esta realidade de construção de casas, teríamos um bairro de artistas em que cada escritor tivesse a possibilidade de lá edificar a sua casa, que pudesse pagar de forma faseada, com crédito bonificado. Tudo isso tem a ver com as perspectivas que criamos e que estamos a negociar com algumas certezas, porque identificamos parceiros dispostos em dar-nos a mão. Gostaríamos que nesses projectos não faltassem livrarias, bibliotecas, salas multi-usos, de forma a manter os rendimentos da União… temos de aplicar dinheiro, vem aí a bolsa de valores, temos de pensar na nossa velhice. Para quem não viva em Luanda e queira publicar pela UEA? Os membros da União, quase todos, vivem em Luanda. A maior parte dos membros vive em Luanda, a maior parte da vida faz-se cá. Mas há províncias sem representação da União mas temos membros que nasceram lá. A criação de representações pressupõe que nos locais vivam membros. Olhe, identificamos Benguela como local para ter uma representação e propusemos já como representante a Paula Russa. Identificamos na Huíla, no Namibe e no Cunene. Lá há escritores membros da UEA, as representações serão lançadas este ano mesmo. Noutras províncias será em função do surgimento de membros que lá vivam. É o que prevêem os estatutos. Mas editamos obras de escritores que vivam noutras províncias mesmo que não membros, embora já tenhamos publicado obras não literárias, nomeadamente livros de direito. E falta este debate intelectual entre os escritores angolanos, parecem pouco opinativos. Não têm uma grande presença, em termos de debate, sobre o que vivemos. Eu vou mais para a forma de organização destes debates, porque não são raras as vezes em que se organizam debates em que reconhecidamente estaria melhor um escritor a voz e vemos que lá vão outras pessoas. Há também o posicionamento do “eu” de cada um dos escritores, é importante. Se se afirma como intelectual que se sente em todas as circunstancias. As Makas à Quarta-feira, na União, queremos que continuem a ser um local de debate intelectual, com a presença de autores, estudantes . E como está a relação com as universidades, como está e como será no seu mandato? Olhe, eu, pessoalmente tenho dois convites de duas universidades para conferências, não cito os nomes por razões éticas, mas é claramente um propósito no nosso programa de acção. Pensamos, inclusive, em lançar feiras-debate nestes locais em que estejam presentes os nossos escritores. Mas é verdade que precisamos de introduzir mais conteúdos literários dos nossos escritores nos manuais de ensino. Estamos a fazer diligências junto do ministério da Educação. É um ministério que parece não gostar das nossas obras literárias, o da Educação! Não creio que seja por aí, pode ser apenas uma questão circunstancial, até porque os contactos preliminares mostram outras vontades. E tanto as conferências, como as traduções, etc., estão a ser trabalhadas com professores universitários. Outro aspecto que consta na nossa agenda é a realização de um encontro de escritores em que se eleve o debate. Prevemos também a realização de uma série de mesas redondas. O objectivo é elevar o debate intelectual. Outro aspecto é a pobreza em termos de popularidade dos escritores angolanos. dificilmente encontraremos pessoas que citem o nome de três escritores angolanos. Falta marketing dos autores, há uma má política de apoio ao livro e à nossa literatura por parte dos Estado, da União? O que falta afinal? Devo reconhecer o mérito dos nossos mais velhos, de quem herdamos a direcção, com o respeito que merecem e pelo reconhecimento que têm em Angola e ao nível internacional. Para atingirmos o mesmo nível de reconhecimento temos de fazer mais trabalho e associar tudo ao marketing, naturalmente. De outra forma não será possível. É verdade que já temos obras com valor merecedor desse reconhecimento. Vou dar-lhe um exemplo: na nossa última visita ao Brasil fiquei surpreendido ao verificar que os meus textos estão a ser estudados nas universidades brasileiras, a partir do trabalho da professora Paula Padilha, isso quer dizer que há valor nos textos. Antes de me ter candidatado ao lugar de secretário-geral já tinha sido convidado por uma universidade portuguesa. Porque é que há reconhecimento externo em detrimento do interno? É uma questão para estudar, temos de promover, temos de introduzir as nossas obras no ensino, temos de publicitar, fomentar a leitura. Não queremos uma promoção oca, a todo o custo, queremos o reconhecimento da qualidade a valorização da arte. Não é bom que obras e autores de qualidade continuem na clandestinidade. Há escritores premiados que ninguém conhece, que ninguém os cita. Temos de valorizar e velar pela continuidade da nossa literatura. Uma revista para elevar o pensamento crítico Tivemos uma altura em que o livro angolano era marcadamente político, panfletário, depois vivemos um momento marcadamente poético, em que toda a gente se julgava poeta, estamos agora num momento de literatura de ficção relativamente virada para o social, mas que choca com a notória ausência da produção do romance histórico e do “romance pesquisado” … para que o leitor perceba que o texto nasce de um olhar mais profundo da sociedade e da nossa vida… será que está a faltar isso também? Nos romances históricos temos as referências emblemáticas do Lueji do Pepetela e NGinga MBandi de Manuel Pedro Pacavira, mas há entre os mais jovens algum trabalho que tem sido feito, mas a falta de marketing não os traz ao lume. Inicialmente tivemos, de facto, o panfletarismo, aqueles que fazendo tábua rasa às regras e normas literárias, faziam das palavras de ordem poesia ou ficção, isso tinha a ver com o momento político que se vivia. Nalguns momentos isso ocorre, mesmo olhando para a história universal, ocorre mas não vinga. A história só preserva o que é correctamente elaborado, o que é literário. Notamos também que houve um momento em que toda a gente pensava que poderia ser poeta … daí a razão porque insistimos no estudo da teoria literária e no surgimento de uma revista literária. Não para inviabilizar o nascimento de outros talentos, mas para educar, auxiliar os que tenham talento. Dizer o que é e o que não é literatura. Agora há mais prosa que poesia, mas com a ausência de crítica literária. Há o problema da promoção, repito. Se os mais renomados vendem pelo nome, os principiantes, por melhor que seja a obra, nem sempre conseguem chegar ao leitor, além do problema do preço e do gosto à leitura. Haverá algum ciúme da parte dos jornalistas? Divulgam correctamente ? Acho que fazem, mas não o suficiente. Repare que a maior parte dos jornais, mesmo reconhecendo-lhes qualidade, dedicam não mais que duas páginas para a cultura. É um elemento importante, embora isso se verifique também no Brasil, e em Portugal onde se salva o Jornal de Letras, mas o Brasil é uma fortaleza de cultura. Em Angola o fenómeno é igual, não temos uma revista ou jornal que se dedique às questões culturais. Daí a nossa ideia da criação de uma revista literária. O Jomo Fortunato, o António Quino e o Jimy Rufino as algumas das pessoas que irão trabalhar nesta revista, são pessoas conhecidas, com capacidade. Será uma revista para a crítica literária ou também um espaço de passeio para os autores? A intenção é que abarque todas as questões literárias. Essencialmente isso. Da literatura também se tem de fazer crítica literária. Acho que uma revista pode ajudar o nosso meio cultural num pensamento crítico mais elevado sobre questões literárias, sob pena de amanhã começarmos a tratar os livros de matemática como livros de literatura, para evitarmos os erros do passado em que se confundia palavras de ordem com literatura . E a revista vai ser distribuída de forma grátis? Como será distribuída? Felizmente já temos uma distribuidora de revistas em Angola. Felizmente há curiosidade, lá fora, em reconhecer a literatura angolana. Uma revista com qualidade pode vender bem em Angola e noutros países de língua portuguesa. A revista terá de ser vendida para ter longevidade. Para o seu surgimento poderá haver patrocínios, mas para os seus fazedores deverá haver contrapartida financeira. Não temos uma Lei do Mecenato, mas a União tem beneficiado de apoios . Sim. Há um apoio que é dado à União, à UNAP, aos artistas e compositores. Não é um subsídio que dê para tudo, mas... Que empresa apoia mais? Por razões éticas não o vou dizer, mas agradecemos a todos apoiantes. É uma empresa que apoia a produção e o transporte de livros do Brasil, onde é dez vezes mais barato que em Angola. É uma empresa que patrocina a edição, é uma empresa que vai patrocinar a edição da revista, é uma empresa que vai patrocinar a tradução da nossa antologia para o francês, tal como será uma empresa a patrocinar a tradução e divulgação para o espaço anglófono. Tal como será uma empresa a patrocinar o encontro de escritores. Já vi que não vai dizer nomes. Carmo Neto, o seu mandato, em que é que se irá diferenciar dos outros? Será maior dinamismo, o lançamento da revista, o que será, apesar de falar em continuidade? Sim há continuidade, mas queremos crescer mais. Temos uma parte administrativa já organizada, temos uma estratégia institucional organizada para concretizar sonhos mais altos. Partimos já com pré-acordos, em Maio entregaremos os livros da União dos Escritores angolanos a uma das maiores bibliotecas do mundo. De que biblioteca se trata? Não lhe digo ainda porque estamos a acertar pormenores. Mas tenho já agendados contactos para tratarmos da edificação do edifício na União. Não se trata de ambição desmedida, é um projecto bem pensado, à semelhança do que tem a Academia Brasileira de Letras, e que lhe dá subsistência. Porque não pensarmos nisso também? Vamos tratar de pormenores e creio que nos próximos três meses teremos a maquete. Em quatro meses deveremos ter o lançamento do número zero da revista. Estamos a trabalhar para melhorar o espaço de lazer e encontro, torná-lo mais atractivo. Tudo isso, além de que em Outubro, uma delegação da União irá participar num congresso de escritores de língua portuguesa no Brasil, sobre literatura africana. Depois temos também uma mudança de trabalho nas Makas em que teremos não só prelectores nacionais mas também estrangeiros. Essas são tarefas, poucas, as que vemos já como realizáveis, ou em que estamos empenhados em concretizar ou concluir. “Faltam-nos mais atractivos” Há escritores que estiveram no início da UEA, Pepetela, Manuel Rui, Luandino Vieira, Arnaldo Santos. Que relação existe com estes autores? Eu dou-me bem com todos eles. Com alguns tenho relações de maior profundidade que com outros. É uma relação que também se marca com a questão geracional, alguns deles pertencem à geração que fundou a União de Escritores Angolanos. Nós somos herdeiros dessa obra e temos perspectivas de continuidade e de crescimento. Não noto que haja algum conflito. Estão todos próximos da União? Uns mais próximos que outros, uns mais presentes que outros. Notoriamente ressalta à vista a presença inequívoca e marcante do mais velho Mendes de Carvalho, Manuel Rui, Kapueje. Estes são os mais presentes mas, por exemplo, o Pepetela, esteve cá há dias no lançamento do livro do Luís Fernando. No dia da votação o Dario de Melo esteve aqui, bem cedo, tal como o Manuel Rui que é uma presença quase diária. Embora alguns deles não estejam muito presentes, eu não lhes conheço qualquer atitude que possa ofender a instituição. Respeitam a União. Lembro-me da presença de Arnaldo Santos no dia da reunião de prestação contas. Mas a União não é o sítio em que as pessoas possam vir com a esperança, ou sem ela, e que se cruzem naturalmente com os grandes nomes da nossa literatura. Se podermos, a breve prazo, criar acomodação, talvez uma sala multiusos. Temos um espaço que se pode aproveitar para lazer e com vários motivos de atracção que possam trazer os mais renomados. Criar um pretexto, um local para o café, para a leitura, um local aprazível pode trazer este ou aquele. Hoje é um espaço agradável, temos a sala VIP Mendes de Carvalho, mas precisamos de criar outras coisas que atraiam as pessoas, mais debates, etc. Alguma coisa para quem goste de leitura, de teatro, de bons momentos, dança … faltamnos mais atractivos. Precisamos de promover melhor os nossos livros, não só lançando-os, mas debatendo-os mesmo, trazendo outros escritores, angolanos e estrangeiros para o debate. Isso faria com que outros aparecessem. Matthias Offodile August 6th, 2010, 05:48 PM Grande Entrevista João Serôdio: Biodiesel para nós não é urgente http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_91/pais91_lr_153.jpg Até Junho de 2010, João Serôdio de Almeida, ocupou o cargo de Pró-reitor para a Cooperação na Universidade Agostinho Neto, uma área em que esteve cerca de oito anos. Antes, o médico veterinário com largos conhecimentos ambientais esteve, entre 1997 e 1999, no Governo na qualidade de vice-ministro do Ambiente. Agora, vai voltar à Faculdade de Ciências da UAN, onde é professor titular, para leccionar a cadeira de Ecologia. Como caracteriza a cidade de Luanda do ponto de vista do ambiente? Não é fácil, uma vez que Luanda foi uma cidade que cresceu desordenadamente. Já no tempo colonial falava-se que era necessário um Plano Director para a cidade de Luanda, houve várias tentativas mas nenhum deles tinha sido aprovado concretamente. Já havia um Plano de Ordenamento débil, antes da independência e muito menos preparado para o crescimento explosivo da população de Luanda. Lembro que antes da independência falava-se, na altura, que Luanda teria cerca de 400 ou 500 mil habitantes, e passados uns meses depois da independência passou para um milhão, depois para um milhão e meio, dois milhões, sem que as infraestruturas tivessem acompanhado, e ainda com a agravante de que as infra-estruturas, as poucas que havia no tempo colonial e que só abrangiam a “cidade dos brancos”, a do asfalto, todo o resto, a periferia já não tinha a assistência de infraestrutura, e mesmo essas poucas infra-estruturas que existiam à data da independência foram de tal forma utilizadas sem manutenção que se degradaram. Mas hoje a realidade é outra e ao que tudo indica não houve mudança quase nenhuma… Hoje, é tentar fazer uma reparação do motor do avião em pleno voo. Não é fácil! Portanto, eu não invejo absolutamente nada e tenho pena até das pessoas que são obrigadas a governar Luanda e outras cidades também. Quando participei no projecto para delinear, a cidade nova, Luanda Sul, fiz parte de uma das equipas da área de ecologia, penso que em Luanda Sul ainda está a ser cumprido na íntegra o plano de Luanda Sul que foi aprovado e daí que Luanda Sul é um sítio onde se pode hoje viver bem, tem as condições criadas, tem as infra-estruturas introduzidas, vias largas e espero que o Governo tenha forças suficientes, políticas, para que aquilo não seja desvirtuado. Em Luanda Sul cumpriu-se com todos os parâmetros ambientais? Até agora, o que eu estou a ver, acho que se está a cumprir com o plano que estava originalmente traçado do ponto de vista urbanístico. Sob o ponto de vista social, nós sabemos que Luanda Sul é uma cidade de condomínios, que vai permitir muito pouco convívio social. E sob o ponto de vista ambiental? Sob o ponto de vista ambiental não tem grandes problemas, foi feita uma avaliação ambiental e tanto que em cada bairro tinha um projecto para uma estação de tratamento de águas residuais. Se estão a trabalhar ou não, neste momento, eu não faço ideia, mas havia esse projecto para que Luanda Sul não fosse prejudicar a Baia do Mussulo. Acontece que na realidade, os grandes contributos de poluição para a Baía do Mussulo vêem antes da cidade nova, portanto da linha de água que corre na área da Cidadela (Senado da Câmara), Vala do Suroca, Vala do Cariango, Rio Seco, Rio Cambamba, entre outras. É correcto esse processo de lançamento de dejectos para a Baia de Luanda? Isto está completamente fora de questão, isto não se pode fazer. O plano que tínhamos ali em Luanda Sul era de que houvesse uma retirada de cerca de 80 por cento dos materiais poluentes; a água que fosse devolvida ao aquífero, tinha que passar por uma etar onde se reduziria em 80 por cento a sua carga poluente e depois o resto a natureza podia fazer através da depuração natural. E no resto da cidade também há esse processo? No resto da cidade não havia isso, mas agora há essa explosão, vamos passar a essa fase. Por exemplo, logo na altura da independência, nós defendíamos a posição de que Luanda quando fosse desenvolvida, porque havia de ser, é a capital, nós tínhamos tanto espaço para além de Viana, que se podia fazer uma cidade nova, uma cidade administrativa, ao invés daquele projecto do Mausoléu. Não estou contra o Mausoléu, estou contra o projecto que havia de envolvimento, que parece que já foi substituído, mas fazer ali toda a parte administrativa e governativa do país a volta do Mausoléu, eu contrario isso. Mas pelos vistos está-se a regressar às origens, a parte administrativa do país está mesmo a ser erguida naquela zona de Luanda… Isto é muito mau, porque aquela zona está ao nível do mar e por mais que eu queira diminuir essa carga, cada pessoa produz no mínimo um quilo e meio de dejectos e urina por dia, além do lixo que são relativos à sua actividade, à sua vida. Ora bem, estando ao nível do mar, como é que vamos tratar essa questão das águas residuais que vão sair daqueles prédios que estão a ser construídos na cidade de Luanda? Nós sabemos que cavando dois ou três metros aqui na Baixa de Luanda, vamos encontrar água, porque estamos ao nível da toalha freática. O mar está aqui ao lado, ora, é muito difícil extrair esses dejectos, essas águas usadas, tratá-las para depois devolvê-las limpas, minimamente limpas. Eu pergunto: se houver um sistema que bombeie toda essa água usada e a leve para a parte superior da cidade? Nós temos 70 ou 80 metros de altitude, onde há sítios para fazer estações de tratamento dessas águas residuais, portanto a minha ideia de início, logo após a independência, não era desenvolver a parte Baixa da cidade como está a ser feito agora, penso que é um desordenamento total. Essa ideia de se empurrar o mar para lá e o projecto Baía é exemplo disso, é aconselhável? Eu sou suspeito para falar sobre isso, porque fui sempre contra. A minha ideia era, a cidade velha, essa Marginal, ser preservada para turismo, ser para recreação, para que o kaluanda tivesse um sítio onde pudesse relaxar do dia de trabalho, da semana de trabalho, levar tudo que fosse repartições oficiais, empresas, escritórios, tudo para uma cidade nova a construir depois de Viana. Eu fui sempre contra o desenvolvimento de prédios, de habitações, de cada vez mais escritórios aqui na Baixa de Luanda. Ao que parece, as entidades governamentais e as associações de defesa do ambiente andam caladas… Quando os interesses económicos se sobrepõem, há sempre coisas dessas. Se houvesse uma grande cultura já, se tivéssemos um povo extremamente educado... mas para isso, temos que ter estudos, quer dizer ninguém é educado se não tiver estudos. Eu posso ser educado e analfabeto, posso ser um homem correcto, mas a compreensão de fenómenos da vida só é possível, para mim, quando eu compreendo os porquês técnicos e científicos da razão de ser. Nós temos que ter um povo com um alto nível de instrução e de educação, instrução na área científica e de educação no seu comportamento. Só quando pudermos atingir esse nível, e vemos isso lá fora..Só os povos que estudaram mais, que têm maior nível de escolaridade é que têm maior compreensão para os fenómenos e esses sim... há os grupos de pressão que são as associações, grupos de pressão que conseguem mobilizar e o próprio Governo também compreende que é assim e não faz. E nós estamos muito longe disto? Muito longe mesmo. Nós temos que fazer um esforço inaudito, por isso mesmo temos que apostar na Universidade como causa séria, para a preparação de quadros sérios, para que essa seriedade e quando digo seriedade, não é roubar ou deixar de roubar-, seja científica, a seriedade do conhecimento. Quando não sei tenho que dizer que não sei. A população de Luanda cresceu e com ela também cresceu a produção de lixo e de resíduos sólidos. Pelos vistos, a dinâmica da sua recolha, da sua extinção não proporcional, não é suficientemente acompanhada… A população de Luanda não cresceu, explodiu. Quando a gente diz crescer é uma coisa harmónica, neste caso explodiu, perdemos o controlo. Agora, a dinâmica da recolha de resíduos sólidos não é proporcional a esta explosão populacional. Vamos pensar que temos cinco milhões de habitantes em Luanda, vamos pensar, isso é uma média mundial, que cada pessoa produza cerca de um quilo e meio, um quilo e duzentos de lixo por dia, quantos milhões de toneladas são produzidas por dia por essas cinco milhões de pessoas? Qual é a capacidade instalada para tirarmos este lixo da cidade? Quando há uns anos atrás fiz esse estudo para uma avaliação da cidade de Luanda, nós ficávamos aquém quase dez vezes, das cem toneladas, só conseguíamos tirar dez toneladas. Quando foi feito este estudo? Há cerca de 10 anos e a população de Luanda não era de cinco milhões, rondava uns três milhões de habitantes. De lá para cá, o que é que mudou? De lá para cá, melhorou bastante.Há muito mais empresas hoje a retirar o lixo da cidade. Agora, o drama não é este, o drama é que o lixo tem de ser reciclado, porque acumular o lixo é só mudar o plano de um lado para outro. Nós temos que começar a pensar nisto seriamente. O aterro sanitário não desempenha esse papel? O aterro sanitário não resolve. Resolve parcialmente. O lixo, no nosso conceito de ecologia, é uma matéria-prima que nós não sabemos aproveitar, porque se aquilo já foi uma matéria-prima, nós aproveitamos parte dela e o resto jogámos fora, mas o resto também é uma matéria-prima. Se você for para os países civilizados, o exemplo que eu tenho é o do Japão, quando realizou a Expo, em 2005, estive lá, e uma das coisas que me ocupou foi ver isso: como é que os japoneses resolvem o problema do lixo? Eles são não sei quantos milhões, e não têm espaços, eu não vi nenhum aterro sanitário no Japão, diariamente o lixo é reciclado, todo o lixo é reciclado. Então qual é o verdadeiro papel do aterro sanitário? O aterro sanitário é uma forma barata de resolver um problema pontual. É um paliativo. Provavelmente, daqui a uns anos, não sei quando, os aterros sanitários vão ser fonte de matériasprimas. Quer dizer, as pessoas vão outra vez buscar coisas, porque a natureza já não tem capacidade. Nós vamos ter a obrigação de lá ir tirar as coisas e separar. Aquilo que devíamos estar a fazer agora, vai acontecer daqui a uns anos. E temos o inconveniente de o aterro estar próximo de zonas residenciais… Está dentro dos perímetros urbanos, é uma fonte de poluição constante. Se queimar temos os fumos, os fumos transportam os agentes químicos alterados que são normalmente cancerígenos. Que tipo de matéria mais sobressai no lixo que se recolhe em Luanda? No estudo que fizémos, verificámos que quase dois terços do lixo recolhido em Luanda era de inertes, quer dizer era de terra e pedras, matéria inorgânica. Agora não sei se a tendência se mantém, porque a nossa sociedade evoluiu, começou a consumir coisas muito mais complicadas do que aquelas que havia há uns anos atrás.No estudo, a ONG recolhia o lixo e separava. O verdadeiro lixo era muito pouco e era transferido para o aterro e depois aquela areia e pedras voltava para a própria vila, para tapar os buracos abertos pela erosão. Então, no fundo Luanda não produz assim tanto lixo como deixa transparecer? Eu penso que não. Como académico não posso fazer uma afirmação destas. Eu suponho, eu suspeito que grande parte do lixo produzido em Luanda não é lixo, são resíduos, são inorgânicos, são inertes, que podem voltar a tapar as ravinas que são abertas em Luanda. Era o que a ONG fazia, na própria rua onde era retirado o lixo, punham uns camisadores, separavam as areias e o lixo e o que sobrava de lixo mesmo, que ia para a lixeira, era muito pouco, pagava-se muito pouco pelo transporte e o resto voltava para a vila para tapar os buracos. Em quase todos os bairros de Luanda foram construídos centros de trânsito de lixo, que mais tarde é canalizado para o aterro sanitário nos Mulenvos.É um modelo adequado? Nós estamos a pagar um transporte, muitas vezes, de terra e pedra, que podia ficar no local, para tapar buracos, para a construção civil. A transportação desse lixo é muito cara. Tem que haver um estudo muito profundo para sabermos que lixo estamos a produzir em Luanda, que lixo é este, para podermos dar ao Governo de Luanda orientações de trabalho que os possa ajudar a governar melhor, de forma mais barata e a ecologia serve para isto, poupar dinheiro. O lixo em Luanda já é um negócio? Se não é, devia ser! O lixo é negócio em qualquer parte do mundo civilizado. Como assim? Eu estou agora a desenvolver com alguns dos meus estudantes um projecto pequeno para o aproveitamento do lixo dos computadores. Sabe que um computador dura um ano e meio, dois anos e ao fim desse tempo, jogase fora, está desactualizado, comprase outro. E o computador velho está aonde? Hoje no mundo é um drama.E os telefones? Os telefones móveis são milhões que se jogam fora por ano.Um telefone móvel tem uma série de peças, de componentes que são extremamente caros, são metais raros que podem ser reaproveitados e nós aqui estamos a jogá-los fora. O senhor está a dizer que devíamos ter no país empresas com vocação de reaproveitar o lixo? Para isso, nós temos que estudar o caso primeiro. Dentro da Universidade Agostinho Neto nós estamos a querer montar uma empresa de inovação e empreendedorismo, exactamente para estimular os estudantes, principalmente das áreas de engenharia, de ciência, de medicina e de economia, porque não, para montarmos dentro da UAN a investigação científica que permita estudar estes resíduos, vários resíduos especiais, para reaproveitamento dos materiais nobres, os mais caros, os alumínios, muitas coisas que podem ser aproveitados, que estão integrados nesses materiais, nestas máquinas que utilizamos não só em telefones, como em computadores para lançar estes materiais, que ao invés de voltar a ser lixo, um produto tóxico, ser aproveitado para ser reintegrado nessa mesma indústria. Isso, só é possível com estudos científicos e a Universidade tem essa função, por isso é que surge essa empresa de empreendedorismo, porque nós pretendemos transferir o conhecimento científico, técnico e tecnológico para a produção outra vez. Não acha que era altura de as empresas que cuidam da recolha do lixo ganharem dinheiro com a recolha do lixo? É, mas tem que haver mercado. É preciso procurar mercado. A exportação não seria solução? Será que a quantidade de lixo que eu consigo retirar matéria-prima da quantidade de computadores que retiro em Luanda justifica exportar?, O preço de transporte não vai ficar mais caro que a própria matéria? Tudo tem que haver quantidade e qualquer negócio está dependente do volume e do mercado. A protecção dos colectores de lixo é uma questão que deixa muito a desejar… Está nas normas, a empresa é obrigada a comprar os equipamentos de protecção dos colectores de lixo e o Governo Provincial de Luanda devia fiscalizar isso. Com a quantidade de lixo produzido em Luanda, de uma maneira particular, e de Angola, de uma maneira geral, já é possível falarmos na produção de biodiesel a partir de resíduos sólidos? Esse é o problema. Tem que se estudar o lixo de Luanda, porque quando eu digo que provavelmente ainda acontece isso, em que dois terços do lixo produzido em Luanda são de inertes, os inertes não produzem nada, são areias, terras, pedras, um terço que “sobra será que é quantidade suficiente para se queimar, para se fazer produção de energia? Não sei, tenho que estudar. Mas, os responsáveis do aterro sanitário de Luanda já avançaram esse dado, essa hipótese… Claro, as pessoas que montaram o projecto são privados, eles querem vender. Angola já comprou milhares e milhares de máquinas e depois não tiveram utilização, porque nós fomos na linda conversa do vendedor. No tempo áureo da agricultura, comprámos máquinas à Alemanha, comprámos à Rússia colectoras laser de batatas que nunca foram utilizadas até hoje. Foram milhões de dólares jogados fora, porque quisemos trazer uma tecnologia avançada para a qual não estamos preparados. Voltando ao biodiesel, é possível ou não a sua produção a partir do lixo recolhido em Luanda? Eu sou um bocado céptico em relação ao biodiesel. Porquê? Por várias razões. Primeiro, Angola é um país que produz petróleo e ainda vai produzir durante mais 20, 30 ou 40 anos, o biodiesel para nós não é uma coisa urgente. A produção do biodiesel em Angola é para resolver o problema do Primeiro Mundo. O Primeiro Mundo é que está a insistir connosco, temos terrenos para produzir o biodiesel, para resolver o problema deles. Como assim? Porque eles já não podem produzir mais dióxido de carbono para a atmosfera. Como resultado do combustível fóssil, eles têm que reduzir as emissões de dióxido de carbono, não têm sítios suficientes para produzir produtos agrários para a produção do biodiesel, então eles vêem para os países que têm terrenos, nomeadamente da África, da América Latina, da Ásia, da Austrália, para nós produzirmos esse biodiesel para eles. A solução não é para nós, nós não temos nenhuma emergência em produzir isso, na minha maneira de ver. Nós ainda temos 10 ou 15 anos para resolver o problema do nosso futuro. Agora, a primeira coisa que aconteceu logo que se começou a falar em biodiesel foi o aumento do preço dos produtos básicos da alimentação. Antes desse boom, a tonelada de milho custava 200 dólares, passou para 400 dólares, porque os produtores de milho norte-americanos e do resto do mundo preferem vender o milho para a produção do biodiesel, porque paga-se mais, porque fica ainda mais barato que o petróleo do que estar a vender para a alimentação. Nós podemos também adoptar a mesma política… No nosso caso, nós vamos produzir esses produtos, será que já resolvemos o problema alimentar de Angola? Nós já temos uma reserva alimentar suficiente para garantir Angola, já temos isso? Nós temos gente a passar fome em Angola, há muita miséria em Angola, basta ter olhos para ver e sair da cidade. Será que já temos uma reserva alimentar suficiente para nos darmos ao luxo de produzirmos biodiesel para exportar para os países ricos? Será que a produção desse biodiesel em Angola não nos vai trazer no futuro problemas graves, porque vão destruir os solos que eram para a agricultura e agora estarão a produzir biodiesel e eles terão que pôr lá adubos, destruir florestas para fazer os grandes, os milhares de hectares de colheitas. Esse plano não foi antecedido de um estudo preliminar de impacto ambiental? Foi? Mostrem-me, eu estou a pedir! Eles dizem que sim e eu disse ao Ministério do Ambiente, mostrem.O estudo do impacto ambiental não é uma coisa secreta, é uma coisa pública, tinha que haver uma consulta pública, eu não fui chamado, nem fui avisado que tinha havido uma consulta pública para isso. Era necessário? Tem que haver. A avaliação do impacto ambiental obriga sempre a uma consulta pública. Você é jornalista e tem uma capacidade de penetração que eu não tenho e no momento que descobrir essa avaliação do impacto ambiental que foi feita para esse estudo, diga-me que tenho muito gosto em ler isso. Eu não li, não conheço, nunca ninguém mostrou, nunca fui chamado, pode ser que tenha havido, não sou o rei que sabe tudo e que manda tudo, mas eu já pedi várias vezes para mostrarem, para me darem o estudo para eu ler, não conheço. O mesmo acontece com as obras em Luanda. Os seus promotores também dizem que efectuam estudos de impacto ambiental… Eu tenho conhecimento de empresários que estão agora a trabalhar na reconstrução de estradas e que vieram perguntar-me se conhecia alguém que pudesse fazer uma avaliação de impacto ambiental, respondi que conhecia alguns jovens meus ex-alunos, que têm empresas para isso. As grandes empresas que fazem consultorias cobram muito caro, como os jovens têm menos exigências e têm que fazer nome na praça, cobram menos. Os jovens fizeram uma proposta por cada cem quilómetros de estrada, os empresários negaram e preferiram construir sem o estudo de impacto ambiental e como se não bastasse disseram que esperavam para ver quem os iriam multar pelo facto de não terem o tal estudo, que é uma exigência obrigatória. Disseram que preferiam pagar a multa que a realização do estudo. Quer dizer que o nosso Governo, o Ministério do Ambiente provavelmente não está a cumprir com a fiscalização, porque pelas minhas contas, por aquilo que conheço da lei, cada empresário que em Angola se propõe reconstruir estradas, ou fazer estradas, o Estado paga-lhe um milhão de dólares por quilómetro, é o que está estabelecido no Ministério do Urbanismo e Construção. Se são cem quilómetros, ele recebe cem milhões de dólares. O estudo de impacto ambiental que estes jovens pediram foi de 250 mil dólares e ele diz que prefere não pagar o estudo e arriscar-se a pagar a multa. Isso quer dizer que a multa é leve… A multa, depois fui fazer uma análise, seria de dez milhões de dólares. Valia a pena fazer um estudo de avaliação ambiental. Este empresário, de certeza, sabe que ninguém lhe vai dizer nada, ou então arranjou outras formas de evitar que seja fiscalizado. Há alguma razão para esse desrespeito às normas ambientais em Angola? Não há a cultura do correcto, é sempre esquema. Que consequência é que podemos ter do facto de não haver um estudo prévio do impacto ambiental? As consequências da falta de estudos de impacto ambiental são aquelas que já têm acontecido sempre em Angola e depois mais tarde há problemas ambientais de tal ordem que são quase impossíveis de tornear, há prejuízos imensos. Por exemplo, toda a zona de produção de algodão em Angola que antigamente havia, hoje dá para produzir alguma coisa? Aqueles terrenos foram intoxicados por excesso de pesticidas, excesso de adubos e essas terras ficaram esterilizadas. Os nossos mares estão isentos de problemas ambientais? Tudo que se faz em terra, vai parar ao mar. Em Angola, para onde correm os rios? Tudo o que a gente produzir vai parar ao mar. Em frente da cidade de Luanda, do Lobito já começa a haver poluição que vai parar ao mar de qualquer maneira, já começa a haver dificuldade de pescado, os peixes que se reproduziam nas nossas águas já não se reproduzem, não têm meios para isso, os que vinham de fora já não vêm. Mas as nossas autoridades dizem o contrário, por exemplo, que o problema do carapau tem a ver com excesso de captura… Há vários factores que contribuem para a diminuição da população, não estamos só a falar de peixes, mas sim de tudo. Uma delas é o excesso de exploração, isso aí consegue-se diminuir por meios legislativos. Temos a Marinha de Guerra que faz controlo. Todo o lixo de Luanda vai parar aonde? Esse emissário submarino instalado na Baía de Luanda, nas imediações da Faculdade de Ciências, que agora foi desviado vai parar aonde? Ao alto mar. Tivemos a sorte de contrariar os italianos que estavam a fazer isso, conseguimos dar a volta, porque fomos avisados a tempo que o emissário iria desembocar ali a dois ou três quilómetros da costa marítima, conseguimos lançar para seis quilómetros, a uma profundidade superior a 18 metros, portanto o lixo já não vem parar à praia de Luanda. Mas é assim que se faz, é uma prática normal? São paliativos. A prática devia ser tratar isso. No tocante à água potável, o seu aproveitamento, ao que tudo indica, ainda não tem sido o mais racional. É possível mudar esse quadro? Quando damos água às populações, temos a obrigação técnica de tirar essa água da mão delas tratá-las antes de devolvê-las ao aquífero, tem que se retirar os poluentes, só assim é que ela vai continuar a ser sustentável, vai continuar a servir outras populações. E o quê que se faz com o lixo que se retira da água? Esse lixo é matéria orgânica, matéria-prima que posso reciclar, posso arranjar emprego para as pessoas para aproveitar a água suja que sai, as lamas, aquilo pode ser bem tratado, posto ao sol, queimado pelo sol, pode ser matéria orgânica para pôr nas culturas, é um adubo bom, de qualidade. No fim do circuito, a população vive bem, há o desenvolvimento sustentável porque recicla-se tudo. Cabinda e Zaire são províncias com intensa actividade petrolífera. Apesar de alguns derrames, quase nunca se fala em poluição das águas do mar naquelas regiões. Isso é verdade? Eu quando estive no Ministério do Ambiente fui até Cabinda de propósito ver isso. Aqui há um problema grave: mesmo que o derrame seja de um litro, os seus colegas jornalistas fazem logo o maior escândalo, à espera que as petrolíferas os paguem para se calarem, isso acontece em todo o lado. Só há escândalo, se for de uma grande empresa americana, porque os barcos de pesca, lá em Cabinda, a maior poluição da Baía de Cabinda não é da exploração de petróleo, o grande drama são os barcos de pesca e as pessoas que mudam o óleo dos motores mesmo no mar. E o que fazem as autoridades? Ai não há queixas, ninguém se queixa. Não havia fiscalização, mesmo em Luanda a situação não variava, quando o porto de pesca era aqui em frente ao BNA, a Baia de Luanda era um mar de óleo derramado, não se podia tomar banho, mas isso já foi há muitos anos. Depois começou a haver consciência. Em termos de educação ambiental estamos muito mal? Muito mal, completamente ignorantes. Agora em Luanda, há a tendência de se retirar as árvores e em seu lugar colocar betão em tudo que é calçada, passeio, enfim, até em espaços destinados a árvores. Podemos considerar normal essa prática? São os interesses do bolso de cada um, do umbigo de cada um. Que perigo é que poderá advir dai? O perigo é que não há absorção de calor. E quais as consequências a médio e longo prazos para a nossa cidade? Por enquanto, ainda não há consequências, mas vamos sofrer as convulsões que vêem do Norte ao Sul, por isso é que no Kuando Kubango houve aquelas enxurradas. Mas isso já não é culpa nossa, são as convulsões que existem nos hemisférios Norte e Sul. Normalmente, o Hemisfério Norte é independente do Hemisfério Sul, aquilo que acontece no Hemisfério Norte dificilmente é transferido para o Hemisfério Sul e vice-versa. Matthias Offodile August 9th, 2010, 07:12 PM Enólogo Luso-Angolano, Luís Duarte, dá formação em Luanda dia 16 de Agosto no LOOKAL:cheers: Os dois melhores escanções terão oportunidade de visitar Portugal e conhecer duas casas de excelência internacional : Herdade do Esporão no Alentejo e Real Companhia Velha no Douro. Pelo terceiro ano consecutivo, a Atlanfina renova a aposta nas acções de formação em enologia, promovendo já no dia 16 de Agosto, no Restaurante LOOKAL, a terceira edição do Concurso de Escanções Angolanos, mais uma vez com a assinatura do prestigiado enólogo luso-angolano Luís Duarte. http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/n560435da/6864862_aFiUl.jpeg A exemplo das edições anteriores, Luís Duarte realizará um workshop com uma dezena de formandos, profissionais dos melhores espaços de restauração de Luanda, proporcionando uma experiência enófila diversa, dos fundamentos, técnicas e procedimentos de degustação e de serviço do vinho aos saberes e factores determinantes na sua qualidade e diferenciação. A segunda fase da formação, que acontecerá em Setembro próximo, aquando da época das vindimas, possibilitará uma formação em exercício e o acompanhamento de todo o processo vínico, da vinha ao lagar e deste ao engarrafamento. Esta é mais uma iniciativa desenvolvida pela Atlanfina, empresa líder de mercado em Angola na representação e distribuição de vinhos e bebidas espirituosas de qualidade, que procura, de forma constante e paralelamente à actividade comercial que desenvolve, contribuir para a formação e valorização sociocultural e económica do seu pessoal e dos profissionais do sector da restauração. Luís Duarte foi nomeado pela conceituada revista alemã “FEISCHEMEKER” um dos 5 melhores enólogos do mundo e de fama internacional em 2010. Foi eleito o Melhor Enólogo do Ano em Portugal em 2008, pela Revista dos Vinhos e pelos jornalistas da especialidade, distinção que já havia alcançado em 1999. É vencedor de vários prémios nacionais e internacionais como o “International Wine Challenge 2005 ou o “Concours Mondial Bruxelas”. Depois de ter colaborado em projectos de renome, como “Herdade do Esporão”, “Dona Maria”, “Quinta do Mouro” e “Casa de Zagalos”, lançou em 2009 um projecto próprio, o “Cem Amigos”, e mais recentemente em parceria com a Atlanfina o projecto VIP exclusivo para Angola, que se caracteriza pela sua distinção, requinte e adequação à gastronomia mediterrânica e tropical. http://fotos.sapo.ao/aQcIgasTl7j8V9FMjacR/500x500 http://atlanfina.blogs.sapo.ao/7906.html Vinhos Enólogo: Luís Duarte Um dos melhores do mundo esteve em Luanda para apresentar iguarias acompanhadas de bons vinhos. O enólogo luso-angolano Luís Duarte juntou-se aos “seus pupilos”, os escanções Marlene Falcão dos Santos e Bruno Guise, formados por si em Junho passado, para, juntos, apresentarem quatro novos vinhos: “Cem Amigos”, o “Vip”, “Fashion” e “Flamingo”. O trio convidou os amigos (e a imprensa) para um jantar enogastronómico em que as iguarias da cozinha do Bay Art, na ilha de Luanda, combinaram com os vinhos assinados pelo próprio Luís Duarte. Quem participou provou as deliciosas espetadas de carne e o lombo de porco com ananás acompanhadas pelos vinhos tintos alentejanos “Cem Amigos” e “VIP”, e os irresistíveis pratos de peixe, o arroz de cherne ou de polvo pediram o verde ou rosé “Flamingo”, mais uma referência da Atlanfina produzida especificamente para o mercado angolano. À prova compareceram várias celebridades como a popular cantora Ary e a estilista Lisete Pote. De referir que Luís Duarte foi considerado um dos seis melhores enólogos do mundo, pela conceituada revista alemã de vinhos e produtos gourmet Feinschmecker. nomeados para o prémio “Wine Awards 2010”, a ser entregue em Março, na feira internacional “ProWein 2010” em Dusseldorf. Em 208 Luís Duarte já tinha sido eleito o “Enólogo do Ano” em Portugal, pela Revista dos Vinhos e pelos jornalistas da especialidade, distinção que já havia alcançado em 1999. O enólogo é ainda vencedor de vários prémios nacionais e internacionais tais como o “International Wine Challenge 2005” ou o “Concours Mondial Bruxelas”. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_67_1/vida_40.jpg http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_67_1/vida_39.jpg Matthias Offodile August 9th, 2010, 07:19 PM Sany Neto // 100% romântico Horácio (mais conhecido por Sany Neto) considera-se um jovem simples, humilde, sempre presente para os amigos e para a família. Confessa ser um pouco tímido. “As pessoas não conhecem esse lado. Graças ao teatro consegui perder a timidez em palco”, sublinha. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_91/vida_9107_01_2.jpg Hoje as sapatilhas e os óculos escuros são a sua imagem de marca. Sany gosta muito de ficar em casa e perdeu a conta da quantas letras já escreveu. Estudante do 3.º ano da universidade Gregório Semedo já experimentou a música e o teatro. “Agora só falta cumprir o sonho de fazer cinema”, diz. Confessa também que um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi ver a Praça da Independência cheia para o lançamento do seu disco. “Ser um artista desconhecido e ter aceitação imediata das pessoas foi algo que me emocionou muito”, justifica. Como momentos menos bons, Sany admite que ainda existe alguma falsidade entre os músicos angolanos. Não obstante nos seus eventos participaram músicos consagrados como o Sandocan e Mister K. A nível internacional admira os Tunjila Tuajokota e o Usher. Sany sempre foi polivalente nas preferências. Interessa-se, por exemplo, pela mecânica. “Gosto de ver os mecânicos sujos debaixo dos carros. Se não fosse cantor seria mecânico”, diz entre risos. No entanto, os negócios da família fizeram com que estudasse Gestão de Empresas. Recorde--se que Sany é o segundo de 3 irmãos, e confessa ter sido profundamente influenciado pela mãe e pela irmã mais velha, que sempre o apoiaram. do teatro à música A sua carreira começou no teatro. A música só surgiu depois. “Como no teatro temos de aprender técnicas vocais, pediam-me sempre para cantar e elogiavam muito a minha voz”, justifica. O seu primeiro grupo foi o Horizonte Nzinga Mbandi. A oportunidade surgiu há cinco anos atrás quando teve a sorte de participar em cursos de teatro e cinema, ministrados por profissionais brasileiro. Sany já dividiu o palco com Walter Cristóvão e outros nomes sonantes da nossa praça, que formaram o grupo Walpipa Artes. Dessa experiência no teatro salienta ter aprendido a encarar o público e a controlar melhor a sua voz. Sany percebeu, porém, que era na música que queria construir o seu sonho. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_91/vida_9107_01_1.jpg Roberta pitanga, um amor eterno “Ela sempre esteve presente na minha vida. Na gravação do meu disco viajou comigo para a África do Sul. Valorizo muito a sua coragem, dedicação e determinação e todo o apoio que me deu nos momentos mais difíceis. No princípio não era fácil porque ela era muito ciumenta e desconfiada. Desde que se tornou agente teve que mudar”, diz. Hoje o artista sente-se bem na presença da namorada. Sempre que tem que falar da sua relação emociona-se muito. Sany confessa estar a reunir as condições, nomeadamente a casa própria, para dar passos mais sérios no seu relacionamento. Tenciona, brevemente, pedi-la em casamento. “Afinal já estamos juntos há cinco anos”, diz. Sany não receia trabalhar com a namorada. “Tivemos uma história engraçada que sucedeu recentemente na provincia do Uíge. Uma fã foi ter com a Roberta Pitanga e disse-lhe que me amava. A Roberta incentivou a jovem a vir dizer o que sente. Mas quando viu que a jovem estava a levar aquilo muito a sério foi conversar com ela e disse-lhe que era minha namorada. A fã ficou triste mas entendeu e até confessou que eu tinha muito bom gosto. Por todas estas razões o artista afirma que o seu coração não está dividido em dois. (risos) http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_91/vida_9107_01.jpg o primeiro álbum Desde muito cedo que a sua família comprovava o seu dom pela música e o incentivava a cantar. Mas curiosamente tudo começou numa altura em que Sany estava doente e teve que abandonar os estudos, para ir fazer um tratamento para a África do Sul. Como foi obrigado a ficar muito tempo hospitalizado e, por isso, tinha muito tempo livre, o artista começou a escrever letras. Embora não tenha tido aulas de canto, foi Nguaby Montel e Aires (produtor musical) quem lhe deu as dicas iniciais. A base de inspiração para o primeiro álbum, todo escrito por Sany, foi a imagem da mulher. “As mulheres lindas inspiram-me”, diz. Confessa que outro grande incentivo foi escutar muito o Anselmo Ralph e o Matias Damásio. APOIO FINANCEIRO FAMILIAR O autor revela que todas as faixas do disco são inspiradas em momentos vivido por ele ou por pessoas muito próximas a si. Recorda em particular que uma das músicas mais apreciadas pelo público (“Coração Dividido”) foi uma história vivida pelo seu irmão. “Foi a letra da música que o ajudou a decidir a quem entregar o seu coração”, conta. Sany percorreu todas as províncias para promover o disco, tendo ficado muito emocionado com a receptividade que obteve no Lubango, Lunda-Sul e Huambo onde foi muito bem aceite. O disco foi dedicado ao seu pai, que faleceu quando Sany tinha apenas 6 anos de idade. “Onde quer que ele esteja sei que está a olhar por mim”, diz. Sons que Vêm do coração O seu último trabalho, intitulado “Sons do Coração” contém 14 faixas, onde impera o estilo R&B. O disco, que teve uma tiragem de 15 mil cópias, contou com o apoio do produtor musical de Anselmo Ralph, e tem como mensagem de fundo o amor e as relações amorosas. Não foi, no entanto, fácil lançar esse primeiro disco. “Eu bati a muitas portas que não se abrirão. O empresário não quer investir num artista desconhecido”, lamenta. A sua mãe vendo o sofrimento e a vontade de cantar do filho decidiu investir na sua carreira. Com a ajuda da irmã, Melly Neto, mãe e filha, conservaram-se unidas e lutaram para que o sonho do artista não morresse. OS momentos marcantes Sany considera-se “um filho de Deus” porque canta aquilo que as pessoas querem ouvir. “Não existe nada que mais me emocione do que o carinho das pessoas e o reconhecimento pelo meu trabalho. Isso dá-me força para continuar a lutar e ter inspiração no trabalho”. O jovem confessa que o evento que mais o marcou foi um espectáculo com crianças que realizou logo no início da carreira. Recorda, no entanto, que o primeiro espectáculo a sério decorreu no Cine Karl Max e teve a participação do Nicoll Ananas, Wonderfull e Papitchulo. Sany também recorda com orgulho os seus espectáculos na África do Sul. O “cantor romântico” diz que não frequenta nenhuma religião, mas acredita em Deus e sabe que nos céus existe uma força superior que o protege e o ajuda alcançar todos os seus sonhos. Segundo ele, o que mais detesta é “ir para a noite”. “O dia seguinte é horrível. Só saio por causa do trabalho. Nos tempos livres prefiro ficar em casa ao lado da minha amada a ver televisão. Diz que é muito assediado pelas fãs, devido à natureza romântica da sua música. Uma das propostas mais loucas que recebeu foi o convite de duas fãs para fazer amor com elas. “Fiquei muito assustado”, diz. a faceta de EMPRESáRIO De momento Sany está parado ao nível da carreira artística dado que está a gerir uma casa de eventos chamada Quarta das Estrelas, que é propriedade do cantor. A ideia surgiu devido ao incrível número de CD que recebia por parte dos “candidatos a estrelas”. “Como não tinha dinheiro para apoiar tanta gente, surgiu a ideia de criar a Quarta das Estrelas. A casa tem música ao vivo e karaoke. É dirigida a todos os que nunca foram à televisão mostrar o seu valor e, em particular, para os jovens que precisam de lançar um CD ou mostrar o seu videoclip. Sany sublinha que a casa de eventos está sempre repleta de empresários e produtores que estão à procura de novos valores. “Temos sempre músicos convidados que incentivam os novos artistas. Todas as semanas fazemos concursos com júris e eliminatórias. A nossa intenção é promover a música angolana. O vencedor tem direito a realizar um videoclip. Também temos o patrocínio de um estúdio, de forma a que o vencedor possa gravar um single, um CD ou um videoclip”, refere. De referir que a Quarta das Estrelas está localizada junto ao largo da Cimex na estrada de Catete. “Já tivemos lá grandes artistas nacionais tais como a Ary, Génesis, Pérola e muitos outros. “Já estamos a trabalhar com um artista que brevemente irá aparecer na nossa praça. Desde já quero garantir que será um sucesso”, assegura. PERFIL * Nome: Horácio Canisso Wuanga Epalanga * Idade: 25 anos * Naturalidade: Huambo * Estado Civil: Solteiro * Hobbies: Escrever música * Defeitos: Teimoso * Qualidades: Simplicidade * Perfume preferido: Ferrari * Nível académico: 3.º ano da universidade Gregorio Semedo, na área de Gestão de Empresas * Signo: Virgem Matthias Offodile August 9th, 2010, 07:22 PM Perfil António Cristóvão: Empreendedor nato Empresário, mister jazz Persistente, batalhador, humilde e, acima de tudo carismático, António Cristóvão, é director da Ritek, empresa encarregue da organização do Luanda International Jazz Festival, qua começa hoje, no Cine Atlântico pelas 19h30, e durará três dias consecutivos. No festival, a actuação dos artistas é feita de forma alternada nos três dias, entre os dois palcos — Welwitchia e Palanca — com um intervalo de 10 minutos entre cada um dos cenários. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_90/vida_9007_28_2.jpg António Cristóvão, explicou à VIDA que no Festival de Jazz de Luanda não se canta exclusivamente o estilo jazz. Todos os dias, com excepção do domingo, são apresentados estilos de música mais dançantes e com a presença de jazz mais pop, exemplos de Ronny Jordan, os 340ml e ainda os Freshlyground. Segundo o director, uma das metas é transferir o festival para um espaço maior, onde seja possível montar três palcos diferentes. O evento que já vai na segunda edição, conta desta vez, com a presença de 17 artistas, dos quais seis nacionais e onze estrangeiros, num pacote de sete espectáculos por cada dia de show. Na primeira edição participaram nove artistas. “A dinâmica do evento é inovar e diversificar o cartaz. Nesta edição, com excepção da banda popular Freshlyground, o elenco é todo novo,” disse António Cristóvão, salientando que “é intenção promover os artistas nacionais, embora o número dos que interpretam o estilo jazz ainda é muito reduzido”. A repetição de um artista só é feita mediante solicitação do público, à semelhança do que aconteceu com os Freshlyground, que apresentou um dos maiores espectáculos da primeira edição, o Festival View. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_90/vida_9007_28_3.jpg Convidado a fazer um balanço sobre a edição passada, António Cristóvão considerou que o evento, ultrapassou as expectativas. “Não esperávamos que o festival tivesse tanta receptividade por parte do público, supunha-se ser um estilo com muito poucos adeptos. A primeira edição do Luanda International Jazz Festival ultrapassou as expectativas”, explicou. A segunda edição conta com a empresa de telefonia móvel de Luanda, Unitel, como o único parceiro financeiro. A contratação Os internacionais: Oliver Mtukudzi, Ronny Jordan, Lenine, Blick Bassy, FreshlyGround, 340ml, Chucho Valdes And The Afro-Cuban Messengers, Joe Sample e Randy Crawford, Jonas Gwangwa, Lura, Lenine e George Benson, e ainda os nacionais: Nanutu, Filipe Mukenga, Gabriel Tchiema, Waldemar Bastos, João Oliveira e Wyza estarão presentes na segunda edição do festival. Embora parte dos artistas estrangeiros não conhecerem nem nunca terem ouvido falar de Angola a aceitação do nosso convite não foi difícil. “É claro que a negociação com os artistas angolanos foi mais fácil, mas nem por isso a contratação dos estrangeiros foi difícil. Exceptuando o Jorge Benson que já tinha a agenda preenchida na Europa”, explicou António Cristóvão, salientando que “felizmente cancelou-os e aceitou o desafio de vir cantar em Angola”. O Luanda International Jazz Festival conta com a parceria da empresa sul africana ESP África, organizadora do Cape Town International Jazz Festival, num contrato de cinco anos, com o objectivo de transferirem todo o know how aos responsáveis nacionais. Na primeira edição a Ritek contou com o apoio de cinquenta técnicos sul- -africanos, e apenas vinte para esta edição. Por sua vez, o som e a iluminação estão a cargo da empresa angolana Puro Mix, também parceira do festival. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_90/vida_9007_28_4.jpg Angola ouve Jazz 4500 bilhetes normais e trezentos especiais foram colocados a venda, num total de 5800 bilhetes. “Já se começa a ouvir mais jazz em Angola. Desde a primeira edição que o número de eventos ligados ao estilo aumentou. Já se ouve com frequência o afro jazz, bossa nova e outros estilos que bebem da música jazz”, explicou. O festival de Luanda é transmitido em directo pela rádio FM Stério, órgão oficial do evento. Questionado sobre o preço dos bilhetes de ingresso, António Cristóvão explicou que o valor de 15 200 kwanzas é justo pela qualidade do show.“Estamos a cobrar 15 200 kwanzas para sete espectáculos o que dá uma média de 2000 kwanzas por espectáculo. Pela envergadura dos artistas está aquém do real valor”. Sobre o futuro do jazz em Angola realçou que com a existência das várias escolas de música, como a academia de música, o Instituto de Formação Artística e agora a Orquestra Sinfónica Caposoca, o futuro do estilo jazz em Angola é cada vez mais promissor. No ano passado a organização contou com um maior número de bilhetes vendidos no segundo dia de show, porquanto o espectaculo ainda não era conhecido. Neste ano, e pelo número de bilhetes vendidos, a organização conta já com uma maior aderência do público angolano. A génesis O projecto, que se concretizou, em 2009, teve como factor impulsionador a viagem de negócios feita a Maputo, onde António Cristóvão conheceu o director da empresa ESP África e do Festival Internacional de Jazz de Cape Town, na África do Sul. Posteriormente, António Cristóvão passou a ter uma ligação mais directa com o Festival de Jazz de Cape Town até decidir criar o seu próprio festival em Luanda. “No princípio quando decidimos trazer o Festival de Jazz a Luanda fomos recebidos com muitas críticas negativas, e que seria impossível enchermos o Cine Atlântico com um festival do género, porque em Angola não se ouve jazz”, explicou António. E acrescentou, “finalmente o sucesso do festival passado veio demonstrar que em Angola existe um público de jazz, basta para isso que haja eventos do género”. Questionado sobre o negócio é rentável, realçou que, até ao momento, é feito por amor à camisola, pelo que, não foi rentável no ano passado e nem o será neste ano. “O festival começará a ser rentável a partir do momento em que nos mudarmos para um espaço maior. Estamos a investir num evento que queremos que seja um dos maiores do continente africano”, esclareceu. a pessoa por detrás Embora sob constante pressão laboral, sempre que pode, aproveita o tempo livre para ouvir música e desligar-se do stress quotidiano. Mestre em relações internacionais, na véspera do festival o académico e empresário despe-se do seu papel e dedica-se exclusivamente à organização do já conhecido Luanda International Jazz Festival.Casado e pai de dois filhos, António Cristóvão aguarda pelo nascimento do terceiro a acontecer já no próximo mês de Agosto. Natural da província do Huambo, desde cedo fixou residência em Luanda, na rua Cabral Monkada, com os pais e mais sete irmãos. Declarado apaixonado pelo jazz, é o mais novo de oito irmãos, todos também fascinados pelo estilo. “Ouço jazz clássico, gosto do afro jazz, R&B e blues. A minha família sempre foi apreciadora deste estilo, e eu, como o mais novo, fui influenciado por eles”. À semelhança dos irmãos, Cristovão aponta o vizinho, Domingos Coelho, como um dos principais incentivadores do jazz, e defende que é um dos grandes apreciadores do estilo em Luanda. Durante oito anos, residiu em Cape Town, onde concluiu a licenciatura e o mestrado, e apurou o requintado gosto pelo jazz. “Na altura já gostava do estilo mas nunca assistia aos festivais de Cape Town, porque não tinha dinheiro suficiente e limitava-me a ver pela televisão”. Embora saiba as letras de vários sucessos, prefere nunca cantar em público. “Gosto de cantar mas não tenho a voz mais apropriada para o jazz, apesar de saber a letra de vários sucessos”. Convidado a fazer uma apreciação sobre o jazz em Angola, realçou que embora existam muitos talentos musicais, é ainda necessário que se faça um trabalho bem mais apurado. “Acho que artistas como a Afrikanita e a Sandra Cordeiro, que já lançaram os seus discos, não tiveram a divulgação necessária. E ainda o Toto, o Gabriel Tchiema e o Kizua Gourgel que embora não cantando jazz propriamente dito fazem um estilo que bebe muito do jazz”, concluiu. LUANDA JAZZ FESTIVAL O pianista e compositor, Joe Sample, e a cantora de jazz e R&B, Randy Crawford, são as mais recentes adições, para o Luanda International Jazz Festival (LIJF). Actuarão no palco Palanca, no dia 1 de Agosto, no Cine Atlântico, em substituição de Dianne Reeves e Lizz Wright, que não irão participar no festival como foi anunciado pela organização. A dupla, Joe Sample e Randy Crawford é considerada uma das melhores parcerias do jazz contemporâneo. O sucesso da primeira edição veio provar que em Angola existe um público jazz. Perfil Nome completo: António Lopes Cristóvão Aniversário: 2 de Janeiro Idade: 38 Naturalidade: Huambo Voz angolana: Afrikanita e Sandra Cordeiro Voz do festival: George Benson e Chucho Valdes Artista jazz: B.B. King Restaurante em Luanda: Zoda Bar Restaurante internacional: Baía, Cape Town Passatempo: Ouvir música Local dos sonhos : SunBath, Caraíbas Província em Angola: Benguela Habilitações literárias: Licenciatura em Ciências Políticas. Mestrado em Relações Internacionais e pós graduação em Cooperação e Desenvolvimento, pela Universidade das Nações Unidas, em Tóquio Matthias Offodile August 9th, 2010, 07:25 PM Perfil Luaty Almeida // O flash iluminado Fotógrafo Nasceu em Luanda e aos nove anos mudou-se para o Congo Brazzaville, acompanhando os pais que se deslocaram em trabalho, onde estudou até aos 16 anos. Regressou para Luanda onde estudou na Escola Francesa até se mudar para França, onde concluiu o liceu. Mais tarde ingressou na a Faculdade de Letras onde cursou um ano, acabando por trocá-la pela International Business School, que frequentou durante 3 anos, acabando por desistir para, finalmente, correr atrás do sonho de ser fotógrafo. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/vida_8606_29_2.jpg O desabrochar de um dom A paixão por fotografia nasceu quando chegou na França onde recebeu uma máquina fotográfica como presente de aniversário. “Comecei por fotografar amigos, paisagens e familiares”, lembra. Por não se considerar a fotografia como profissão em Angola na época, Luaty ainda tentou ingressar em outros ramos, até perceber que era na fotografia que queria fazer o resto da sua vida profissional. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/vida_8606_28.jpg A École Technique dé Photographie e Multimédia foi a sua seguinte paragem onde estudou por dois anos. Acabou por ganhar conhecimentos em áreas que jamais havia imaginado. Ganhou bases técnicas de fotografia em estúdio e exterior, afinação de luzes e passou a ter uma visão mais abrangente da profissão de fotógrafo. Regresso a Casa http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_86/imagem%202.png Ao terminar o curso regressou para Luanda onde começou a pôr em prática os conhecimentos adquiridos: “No princípio usava a sala de casa como estúdio, e quando acabava as sessões tinha de arrumar tudo. Depois acabei por montar o meu estúdio e é lá onde faço a maioria dos meus trabalhos”. Já fotografou caras conhecidas do mercado angolano como Helka Guimarães, Juddy da Conceição, Paul G, Kizua Gourgel e Diva Marques. Inovando o mercado A moda e as produções com modelos masculinos e femininos são a sua preferência. As pessoas, os momentos e o quotidiano do povo africano são a sua fonte de inspiração. Quanto à fotografia em Angola, Luaty é da opinião que existe uma evolução e caracteriza-a com a máxima: “Existem muitos fotógrafos na praça mas são poucos os bons. Há uma necessidade de se mudar esta realidade, para que possamos atingir a excelência da fotografia em Angola”. José Pinto, Rui Sérgio Afonso, Kamene Traça e Massalo, são alguns dos fotógrafos que admira pela qualidade, originalidade e versatilidade dos trabalhos. Projectos futuros Fazem parte dos projectos a longo prazo do fotógrafo o lançamento de um livro cuja essência é uma parte pouco explorada no mercado fotográfico angolano, o nu artístico, que contará com a participação do já falecido escritor, poeta e pintor Dunduma: “Deste livro poderão esperar uma exploração bastante sensual do corpo feminino e observarão o nu sem preversão, mas de uma forma totalmente artística. Será algo inovador”, adiantou-nos o fotógrafo. PERFIL Nome completo: Luaty de Almeida Data de nascimento: 16 de Maio de 1978 Residência: Maianga Naturalidade: Luanda Prato preferido: Fricassé Perfume: Farenheit da Cristian Dior Férias: Tailândia Local para viver: Angola Discoteca: Não sou muito de sair Música: Depende do meu estado de espírito Virtude: Simpático Vícios: Fotografia, a Mónica (minha namorada) e a comida Desporto: Basquetebol Línguas faladas: Português, Francês, Inglês e Espanhol Matthias Offodile August 20th, 2010, 11:22 AM Desenhador Projectista Milton Francisco // Sonho em desenvolver a minha arte http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_91/pais91_lr_208.jpg Recuperou do trauma e conseguiu ingressar no mercado, actualmente é funcionário da Aquis (Arquitectura e Design) desde há cinco anos. Depois de tudo por que passou como tem sido a sua vida? Não gosto muito de falar sobre o acidente, porque tenho péssimas recordações. Mas tenho uma vida tranquila superei os problemas e, graças a Deus, ingressei no mercado de trabalho. Foi difícil conseguir trabalhar? Foi muito difícil, tão difícil que até houve épocas em que tive de optar por outras profissões para conseguir aguentar os embates da vida. Que tipo de profissões? Fiz pequenos trabalhos informais, tentei dar aulas, mas não tenho mui- ta vocação para tal, e depois optei por fazer projectos particulares. Comercializava? Se comercializava? Sim, mas ao preço da igreja, o que não dava para nada. Tinha que fazer poupanças durante muito tempo para conseguir comprar algo. Pode dizer o valor? Prefiro mantê-lo em segredo. E hoje já consegue viver dos seus trabalhos? Como sabe, o dinheiro nunca é muito, mas é claro que estou melhor em relação aos anos em que não trabalhava. Os seus projectos continuam a ser solicitados? Sim, tenho recebido algumas soli- citações e participo em várias obras como fiscalizador. Nunca teve problema com clientes? Não, porque o que faço, faço-o ao gosto do cliente e perante qualquer erro ou insatisfação do cliente sou obrigado a rectificar. E também não gosto muito de ter ser mau visto. Ao longo destes anos, teve algum momento bom, que possa conside- rar inesquecível? Sim, fiz um projecto de uma uni- versidade privada. Mas vendeu o projecto? Vendi mas ainda não foi imple- mentado por falta de verbas. É um projecto antigo? Foi há dois anos, mas continua em carteira para ser executado. E ainda tenho esperança que venha a ser realizado. Disse que interrompeu os seus estu- dos por causa do acidente que teve. Pensa em continuar a formação? Claro, mas talvez depois de criar o meu próprio ateliê. Esse é um projecto para breve? Ainda não posso dizer que é um projecto a ser executado a curto prazo, mas, por enquanto, é a minha prioridade. O que é que falta para conclui-lo? Sabe que é difícil montar um pro- jecto neste país porque temos poucas facilidades de financiamento, mas, quem sabe, com um pouco de sorte consiga realizá-lo antes do previsto. Deixando um pouco o lado profis- sional, como tem sido a sua vida pessoal? Sou uma pessoa muito aberta, gosto muito de curtir com os amigos e estar com a minha família. A sua família apoia-o? Sim, principalmente quando me encontrava naquela situação, deram-me sempre o apoio neces- sário e foram eles que me meteram de pé. O que diz aos jovens que estejam a passar por imensas dificuldades? Que procurem trabalhar mais estudar, ser humildes acima de tudo e saber respeitar as diferenças. Perfil * Nome: Milton Francisco * Idade: 25 anos * Natural: Kwanza-Sul * Estado Civil:Solteiro * Formação académICa: Desenhador Projectista * Desporto:Basquetebol * Melhor FIlme: Casamento de Lea * Prato preferIdo: Funge c/Calulu * MelHor lIVro: A arte de projectar * Cor preferIda: Vermelho e AzulPerfil Matthias Offodile August 29th, 2010, 12:11 PM Empresário angolano fala ao Wolrd Investiment News PDF V Quinta, 29 Julho 2010 15:25 Lisboa - Entrevista dom o empresário angolano Virgílio Belo, responsável da Belo Empreendimento ao canal norte americano Wolrd Investiment News em meados de 2009 que pela sua importância transcrevemos na integra. http://www.club-k.net/images/stories/virgilio%20belo.jpg Fonte: Winnie Pergunta - Gostaríamos de iniciar a nossa entrevista, sabendo um pouco sobre a empresa, como é que tudo começou? Resposta – Tudo começou em 1997, quando trabalhava com o meu primo que tinha na altura uma empresa de construção civil, área em que tenho formação, para além de gestão de empresas. Em 1999 a empresa em que trabalhava teve dificuldades financeiras e teve de encerrar, a partir desta data surgiu-me a ideia de constituir a minha própria empresa porque me sentia com potencial para o efeito e o mercado oferecia oportunidades. Foi assim que, em Maio de 2001, constitui aquela que é hoje a Belo Empreendimentos, lda. No âmbito da sua criação e dentro da sua estratégia de negocios a Belo Empreendimentos, Lda, através dos seus sócios, definiu o seguinte: Visão: Ser uma empresa de vanguarda no ramo da construção civil em Angola e ser reconhecida pela qualidade dos seus produtos e serviços. Missão: Fornecer produtos e serviços aos nossos clientes para que sintam que, receberam mais do que pagaram e para que os nossos empregados e colaboradores sintam os reflexos do nosso crescimento na melhoraria das suas vidas e na de seus familiares e proporcionar retornos justo aos sócios/accionistas. P - Como foi que a Belo empreendimento se tornou conhecida no mercado, e teve esse potencial que mostra hoje no mercado angolano? R – A nossa empresa tornou-se conhecida no mercado, por via da qualidade dos seus serviços, competência, humildade e sobre tudo sentido de responsabilidade, estando sempre disponíveis para a satisfação dos nossos clientes e também na busca de soluções mais eficazes. O potencial surgiu pela entrega nos seus afazeres dos nossos funcionarios e espírito de equipa, aproveitando ao máximo as oportunidades que o mercado oferece (ia), atraves da capacidade de síntese dos seus responsáveis e também pela sua atitude pró -activa. Assim é que, hoje somos reconhecidos pela nossa dedicação, firmeza e competência no ramo da construção civil. P- Angola está num crescimento acelerado economicamente e que com certeza a vossa empresa acompanha esse processo. Quais são os vossos planos para o futuro, tendo em conta esse acompanhamento? R – Como se sabe, qualquer negócio tem um ciclo e os ciclos são baseados em processos de crescimento, maturidade e declineo. Portanto estamos conscientes de que este processo de crescimento da nossa economia não será eterno, haverão períodos conturbados . Para o efeito e acautelando a razão da nossa existência que é a manutenção da nossa empresa sempre presente no mercado, e fazendo já parte dos nossos planos futuros iniciamos um plano de diversificaçao do nosso negócio para as áreas de hotelaria e turismo, participando no capital social de alguns hotéis (em construçao neste momento). Participando na construção de uma fábrica de casas pré-fabricadas com capacidade para 1000 casas/ano e estamos neste momento a participar na construção como accionista de uma siderurgia com capacidade para 600 mil toneladas ano de aço. P - Então esses seriam os projectos futuros ou já correntes? R – Já correntes com caris futuro, porque embora estejam na sua fase embrionária tendem a ser consolidados nos próximos três anos, por serem empreendimentos de grande envergadura. De todas as formas temos outros projectos por desenvolver que, não sejam só os mencionados. P - E hoje falando em projectos presentes. Quais os projectos em que a empresa está presente? R – Neste momento a empresa está presente nos seguintes projectos: 1- Construção de um o bairro residencial para a polícia nacional, representado pelo Cofre de Previdência do Pessoal da Policia Nacional que, é constituído por 500 casas de vários padrões (médio e médio- alto) e dimensões e mais de 12 edifícios que variam entre 4 (quatro) a 8 (oito) pavimentos. 2- Estamos ainda a construir um projecto habitacional para o Ministério do Interior, constituído por 250 residências de vários padrões e mais 10 (dez) edifícios entre escritórios e residências com 12 pavimentos cada. 3- Outro empreendimento em lançamento é o projecto Belo Residence, constituído por casas de alto padrão, edifícios e clínicas de alto padrão. A nossa empresa participa também num dos maiores projectos que Angola tem de habitação social, que está a ser avançado conjuntamente com a FESA (como promotora social) e com BFA (como entidade financiadora) , que é a construção de mais de 3000 fogos de habitacionais na zona do Zango, município de Viana, província de Luanda. Portanto, esses são alguns dos que posso avançar. P: para servir de referencia aos nossos leitores, pode nos dizer qual é o numero de funcionários possui e qual a sua facturação anual? R: Hoje a empresa conta com uma mão-de-obra de 300 funcionários nacionais e mais 250 trabalhadores expatriados. Essa tem sido a nossa média dos últimos anos no mercado. Quanto a facturação, no exercício económico 2008 nós tivermos uma facturação proximo dos 150 milhões de dólares e para este ano está prevista, se a crise deixar, ultrapassar a fasquia dos 250 milhões de dólares. P – E quais são os vossos planos, as perspectivas que a empresa tem em relação a economia do país? A nossa economia está em grande crescimento nos últimos anos. Não há dúvidas que é um ganho para todos nós, especialmente para o Governo que tem feito muito esforço para apoiar o empresariado nacional, através das suas politicas macro economicas. Em termos de perspectivas, podemos afirmar que a nossa economia vai continuar a crescer, provavelmente não na velocidade que verificamos hoje, porque sabemos que hoje o mundo não está como há três ou quatro anos atrás do ponto de vista de facilidades financeiras, mas julgamos que continuaremos a ter um crescimento equilibrado e acima de tudo sustentável, dependendo sempre das estratégias de politica macro económicas do governo. P- A maioria das empresas de Angola, esta a busca de novos parceiros, novos investidores. A Belo empreendimento tem alguma prespectiva de buscar parceiros ou investidores? Com certeza que qualquer empresa que esteja no mercado quer obter know how de outros países mais experientes e com isto poder minimizar os seus custos, porque é aí onde estão os ganhos nos mercados competitivos. Portanto, nós temos vindo a fazer contactos com muitas empresas, principalmente espanholas e portuguesas, no sentido de fazermos algumas parcerias. Mas até agora não demos nenhum passo concreto. De todas as formas estamos abertos à parceiros nacionais ou estrangeiros que queiram entrar na nossa empresa. A partir deste ano a nossa empresa transformou-se numa SA (sociedade anónima), exactamente para permitir a entrada de capitais, outros investidores já sejam angolanos e estrangeiros. P: Agora vamos deixar de lado as questões sobre a empresa e falar um pouco de si. Conta-nos, como chegou até aqui, qual foi o seu maior desafio e qual é o seu maior orgulho? Eu cheguei até aqui dando muito de mim. Foi pelo trabalho, e pela competência demonstrada no mercado. O maior desafio foi a de ser acreditado e aceite no mercado em que estamos inseridos (construção civil), como sabe Não é fácil chegar e se impor. Graças a Deus nós conseguimos, principalmente nalguns organismos do que neste momento possuem as oportunidades para nós realizarmos o nosso trabalho. E, também pelo facto de alguns privados terem confiado em nós. Esse foi e continua sendo um grande desafio. O meu maior orgulho será um dia ser reconhecido por ter contribuído na melhoria da qualidade de vida da nossa população, não só de Luanda mas de Angola de uma forma geral, e ver a empresa a crescer sempre a níveis sustentados rumo a internacionalização. P: Que mensagem deixaria para os potenciais clientes ou até parceiros que queiram investir em Angola. R – Para os potenciais clientes, gostaria de lançar-lhes o desafio em trabalharem conosco para comprovarem o espelhado nesta entrevista e para os parceiros que queiram investir em Angola que o mercado está aberto preferencialmente para novas parcerias que sejam, sérias, credíveis e que queiram ajudar-nos a engrandecer a economia do nosso país. Trazendo benefícios sociais à nossa população, por via da construção de infra-estruturas sociais. Matthias Offodile August 30th, 2010, 12:29 PM Empresário Osvaldo Jorge // ‘O Exterminador’ http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_93/pais93_lr149.jpg Brevemente espera estender os seus serviços às províncias de Malanje, Lunda-sul, Huambo e Uíge. E procura o sucesso e o reconhecimento profissional. Como é que tudo começou? Tudo começou numa conversa normal com colegas e através das bocas deles sobre o assunto, as solicitações começaram a surgir, e as minhas ideias começaram a ganhar pernas. Quer dizer que começou prestar serviços antes da criação da empresa? Sim, o excesso de pedidos me forçaram a criar a empresa. Há quanto tempo? Há cinco anos, mas comecei a operar com força há três, ou seja, na data em que lancei oficialmente a Extermínios. Teve a colaboração de alguém? Não, quando comecei, pouca gente acreditava nos meus planos e em que me tornaria o homem que sou hoje. Considera-se um homem de sucesso? Ainda não, mas dei grandes passos. Porque não é fácil criar uma empresa em Angola, como deve imaginar. Passou por muitas dificuldades? Sim. Quais, propriamente? Como dizia anteriormente, o nosso mercado é muito complexo. Por exemplo no meu caso, a primeira dificuldade que tive foi a consciencialização das pessoas e instituições na mudança de mentalidade ao aderirem os serviços de higiene e desinfestação. E a outra barreira que enfrentei foi mesmo a entrada no mercado. E como tem sido ao longo destes anos? Graças a Deus tem sido bom. Tenho registado nos últimos três anos, um crescimento de setenta e sete por cento e ganhei excelentes fornecedores internacionais. Podemos dizer que a Extermínios está em altura de concorrer com outras empresas do ramo? Sim, posso afirmar que somos uma das poucas empresas em Angola com uma grande mobilidade, ou seja, não nos limitamos só a Luanda. E para além das províncias que citei há mais províncias, apesar de não ter lá representações. Outro indicador de sucesso prende-se por sermos pela segunda vez a única empresa de desinfestação na maior bolsa de negócios de Angola a “Filda”, o que mostrou realmente a nossa maturidade. Que análise faz do mercado nacional, concretamente neste sector? Faço uma análise positiva, hoje já verificamos muita ousadia (no bom sentido) dos jovens angolanos ao lançarem-se no mundo empresarial, mas falta incentivo por parte da banca comercial, ou seja, maior abertura. Pensa em abrir negócios diferentes? Diferente não diria, mas estou a trabalhar num processo de expansão do nosso negócio e apostar também na área de manutenção de equipamentos e montar lojas na parte sul do país. Passa maior parte do tempo a trabalhar? Sim, e quando estou de férias viajo por toda Angola, é daí que surgem novas ideias. Conhece todo país? Quase todo. Qual é a província que mais o marcou? Não consigo dizer. Tem família? Não, mas já penso em constituir. Sou noivo e sonho ter quatro filhos Perfil * Nome: Osvaldo José Henrique Jorge * Idade: 27 anos * Estado Civil: Solteiro * Prato PreferIdo: Funge com Carne Seca * Desporto Preferido: Basquetebol e voleibol * Clube: 1º de Agosto * Cor: Vermelho e Branco * Melhor fIlme: Corpo da mentira Leonardo Dicaprio * Melhor livro: A Arte da Guerra * Formação académIca: Ensino superior em Gestão Comercial e Marketing Matthias Offodile September 13th, 2010, 10:55 AM Lá Fora Ricardo Pires: Entre o teatro e a TV Actor http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_91/ricardo.jpg Nasceu no norte de Portugal, mais concretamente, em Trás- -os-Montes, mas é angolano de nacionalidade.Filho de Fernando Pires e Eugénia Franco, cresceu em Lisboa, mas com várias vindas a Angola. A viver em Angola há somente 5 meses, confessa estar a viver uma fase de adaptação muito feliz. Entre os seus inúmeros passatempos, gosta de fazer surf e, ironicamente quando veio viver para Luanda, fixou moradia na ilha do Cabo, mesmo em frente ao mar. “É a melhor coisa. Calção e chinelo, muita praia, são o meu dia-a- -dia, mesmo sem sol, lá estou todos os dias”, disse alegre. aversão à matemática A sua infância não foi muito diferente da das outras pessoas. Como ele mesmo a descreve: “tranquila, normal, com mãe, pai emprestado e irmãos”, contou. Dessa fase da sua vida muito pouco lhe ficou na memória, com excepção de um episódio que até hoje recorda com ânimo: “O meu primeiro beijo, foi muito engraçado. Lembro-me que foi numa brincadeira, estava a jogar ao bate pé, mas gostei muito”. O talento para as artes e actividades físicas já se notava desde pequeno, e sempre foi muito virado para o desporto. “Não gostava muito de ficar sentado e sim de correr e jogar à bola. Estava sempre todo sujo”, lembrou. As notas da escola eram boas, mas até aí era evidente a queda para à área artística. Todas as cadeiras que dessem lugar à criatividade eram as suas favoritas. “Tudo o que era muito ciência, muito racional do tipo “2+2 são 4”, matemáticas, etc., nunca eram as minhas disciplinas preferidas. Já tudo o que envolvesse mãos, debates, artes plásticas, isso sim. Claro que as minhas notas mais altas eram sempre a educação física”, brincou o divertido actor. A entrada para o Teatro Começou a interessar-se por teatro quando foi, pela primeira vez, ver uma peça do grupo Artistas Unidos, com um amigo, ao São Luís em Lisboa. “Imaginei-me do outro lado. A história era um poeta que era um incompreendido, um bêbado, uma coisa surreal, e eu comecei a pensar como seria estar do outro lado, a representar. Então, em conversa com um amigo que era fotógrafo, o José Caria Boavida, que estava com a senhora Paula Barcia, mãe de uma conhecida actriz portuguesa, perguntaram- -me: “Porque que não experimentas”? E eu, mesmo com medo, fui pesquisando. Depois, uma vez, no ginásio, conheci um rapaz, o Paulo Rocha, que hoje é um grande actor em Portugal e ele dirigiu-me à escola de teatro de Cascais”. Certo de que era aquilo que queria não cruzou os braços e foi visitar a escola. Conseguiu uma bolsa de estudos e, durante três anos, ficou lá a estudar. Foi assim que tudo começou. “Apesar de não dar dinheiro, é uma coisa que me dá grande satisfação fazer”. Passaporte para a tv Quando se apercebeu de que o teatro era para os apaixonados mas que não dava grandes rendimentos, começou a olhar mais para a televisão e para o cinema. Estava empenhado em viver da representação. “O teatro é um mundo totalmente diferente, é apaixonante, sem sombra de dúvida, e talvez o seja bem mais do que a televisão, mas não dá dinheiro. Era tudo para a bilheteira e nós não ganhávamos nada. Em televisão, as coisas acontecem de outra maneira, a forma de estudar os personagens, de interagir com as câmeras, etc., é tudo diferente. Eu costumo dizer que o teatro dá prazer e a televisão dá dinheiro. Em televisão é fazer, fazer, fazer, repete-se tudo inúmeras vezes, é muito desgastante. Normalmente a equipa de produção quer é avançar, filmar, independentemente da tua prestação, que pode não estar a ser brilhante, mas eles querem é filmar. Se estás bem ou mal, tu é que tens de, acima de qualquer um, preocupar-te com isso porque eles precisam de filmar”. regresso a angola Já fez diversas peças de teatro como o “Auto da Índia” e “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente; “Noivado no Dafundo”, de Almeida Garret; “Hamlet” e “Romeu & Julieta”, de William Shakespeare; “Duas Histórias”, de Mia Couto; “As Troianas”, de Jean Paul Sartre; “Alta Vigilância”, de Jean Genet; “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll; “Um Pedido de Casamento”, de Anton Tchekhov; “A Judia”, de Bertolt Brecht e muitas outras. Em televisão, interpretou o personagem Mário na novela da TVI, “Deixa-me Amar”. sonho por realizar O regresso ao país não tem sido um mar de rosas. Contudo, tem estado recheado de momentos felizes ao lado do pai, irmãos e dos cães de estimação, que já não via há algum tempo. “Chocou-me um bocado ao início, mas depois fui-me habituando e, hoje, já vivo bem com a realidade angolana. Vejo que Angola está a crescer e precisa é de impulsionadores. Gosto muito de cá estar e fazer parte deste processo”. No que toca ao futuro, gostava de tentar encontrar o seu ponto de equilíbrio, trabalhar em representação, ou com algo ligado à cultura. Quer seja a representar, ou a ensinar, ou outra coisa do género. “Mas o meu maior sonho, mais do que Hollywood, era tentar realizar alguma coisa minha, em teatro, televisão ou cinema. Dirigir, eu mesmo, um grupo de teatro, poder realizar alguma coisa nesse âmbito da representação. Quando representamos, mais cedo ou mais tarde, damo-nos conta ou acabamos por ter aquele sentimento de que somos sempre marionetes. Fazemos o que nos é pedido, por isso é que, a dada altura, grande parte dos actores se tornam realizadores. E eu gostava de, um dia, poder investir tudo de mim numa história, ver as coisas com os meus próprios olhos, a minha imaginação, dar eu o meu rumo a uma história”, confessou. A primeira vez que fui ao teatro, pus-me a imaginar como seria estar do outro lado e representar. Pérfil Nome Ricardo Bruno Franco Pires Idade 33 anos Estado civil Solteiro. À espera da mulher da minha vida Prato favorito Peixe, garopa grelhada Passatempo Desporto, pintura, leitura e voluntariado Ídolo Ghandi Frase Para frente Yuri Salvaterra: Jovem empreendedor Empresário, estudante universitário http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_96/vida_9609_06_1.jpg Chegou, até mesmo antes de nós, ao local marcado para a entrevista. “Aprendi desde pequeno a ser pontual, e quando não o sou tento compensar as pessoas pelo meu atraso. Tento gerir bem o meu tempo”, disse-nos logo no início da conversa. Aos 23 anos, Yuri Salvaterra dos Santos, conta-nos que desde os dezoito teve de assumir o papel de director/gerente do Hotel/Lodge Palanca Negra, um dos locais mais procurados pelos turistas que visitam a província da Huíla: “O meu pai depositou-me esta responsabilidade. Desde então, tento sempre justificar toda a confiança que me foi dada por ele”. A HOTELARIA Nasceu na Rússia. Na altura seus pais viviam e estudavam por lá. “Um dos meus sonhos é voltar à terra onde nasci, pois saí de lá muito cedo, com um ano, apenas.” Por influência do seu pai, Luís Salvaterra dos Santos, começou a trabalhar na área da hotelaria. “O meu pai sempre foi o meu maior ídolo. Comecei a seguir os seus passos e apaixonei-me pelo ramo. A Huíla é muito bela e nada melhor do que criar condições para mostrar aos apaixonados essas belezas naturais”. Por não ser uma província costeira, muito do charme da Huíla está nos famosos meses do cacimbo, altura em que o frio característico do centro de Angola toma conta da província. O Lodge Palanca Negra tem sido, desde há quatro anos, o local escolhido por muitos visitantes para relaxar na tranquilidade do Lubango. Na altura, com apenas 18 anos, Yuri sentiu a responsabilidade de gerir um espaço, na altura, com 36 quartos. “Vi os meus amigos ingressarem na universidade, cometerem as habituais ‘loucuras’ dos jovens da minha idade, enquanto eu ia a reuniões com fornecedores... Não foi fácil, mas mantive-me forte”, disse-nos o jovem. A FACETA DE MODELO O ano passado deu azo a duas grandes paixões: começou a desfilar e a coleccionar relógios. “Sempre fui muito apaixonado pelo design dos relógios. Assim que pude, comecei a minha pequena colecção”, contou-nos. A ‘pequena’ colecção de Yuri já conta com 16 relógios, das marcas Puma, Police, Levis, Emporio Armani, Guess, Fila, Diesel, Tommy Hilfiger e Nautica. “Gosto muito do meu Nautica de 2009. Gostaria de ter um personalizado e exclusivo”, frisou. Os campeões da mesma são os da Puma, marca que acompanhou o seu pulso durante toda a entrevista. Quanto ao sonho de ser modelo: “Sempre assumi isso como um hobbie. O ano passado, no Huíla Fashion, recebi o convite para desfilar como figura pública, e este ano voltei a desfilar. Gosto de vender. De mostrar o que de melhor um estilista pode apresentar ao seu público. O Huíla Fashion é um evento sem igual, no qual participo com muito prazer”, frisou. Em relação a uma carreira profissional na área: “Não arriscaria tanto. Temos grandes modelos em Angola. Prefiro deixar o espaço para os verdadeiros profissionais”. PACOTES ESPECIAIS Localizado na comuna da Palanca Humpata, a 15 km da cidade do Lubango, o espaço oferece uma cozinha internacional e angolana, E aos domingos o habitual buffet. Enquadra-se numa atmosfera acolhedora e relaxante para quem está de passagem, em trabalho, ou viagens de negócios. “A crise económica afectou todo o mundo, e por isso mesmo parámos com a expansão dos espaços do hotel. Mas ainda este ano, pensamos em retomar. O Lodge também presta serviços de visitas turísticas aos pontos mais belos da cidade. “Nós também temos um serviço na Namíbia, o Angola/Namíbia Trade Promotions, onde tratamos de todo conforto e comodidade dos nossos clientes enquanto visitam Windhoek. É nossa intenção também expandir, a médio/longo prazo, para outras províncias de Angola, e quiçá também para Windhoek, na Namíbia, onde já temos a marca consolidada, no que se refere ao acompanhamento dos turistas angolanos no país”, referiu Yuri, que a nível pessoal anseia “terminar os meus estudos universitários, pois no início não foi fácil conciliar as duas actividades.” http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_96/vida_9609_06_2.jpg um empresário na passerelle Pela segunda vez Yuri Salvaterra participou num evento de moda nacional. Tratou-se do Huíla Fashion, onde o melhor da moda daquela província, e não só, foi apresentado aos interessados. “A primeira vez recebi um convite da organização para desfilar como figura pública. Adorei tudo. Este ano, fiz questão de voltar a prestigiar este grande evento que ajuda a elevar o bom nome da nossa maravilhosa província”, frisou. Nós também temos um serviço na Namíbia, onde tratamos de todo conforto e comodidade dos nossos clientes enquanto visitam Windhoek. serviço de qualidade O espaço existe desde 2006. Hoje composto por 50 quartos, o Lodge Palanca Negra oferece-nos uma cozinha internacional e angolana. Enquadra-se numa atmosfera acolhedora, onde mais de trinta funcionários, bem formados, estão ao dispor dos clientes para bem servi-los. O espaço tem também um bom espaço para reuniões e conferências. A esplanada é um dos locais mais procurados, também por causa da vista que a acompanha. A criação de mais espaços recreativos dentro do vasto terreno, e de um polo aquático, fazem parte dos planos do jovem, porém ambicioso, empresário, Yuri Salvaterra: “Ainda temos muito a mostrar para melhor servir os nossos clientes”. Perfil Nome: Yuri Chantre Salvaterra dos Santos Aniversário: 1 de Abril de 1987 Viagem inesquecível: França e Cabo Verde Restaurante: O do Lodge Palanca Negra O que menos gosta: Mentira O que mais gota: Sinceridade Coreógrafo e produtor de eventos Polly da Rocha // Da dança para os bastidores da moda http://www.opais.co.ao/resources/images/2009vida/edicao_85/vida_8506_04.jpg Já fez parte de vários grupos de dança, entre eles um grupo no seu bairro. Dançou ainda para os Fãs do SOS, Ballet Nacional de Angola, Grupo Bailado Fitness e Kilandukilu. Até ter decidido inclinar-se para a moda. “Chegou uma altura em que senti que já não era a dança a minha área ou, melhor, já não tinha o mesmo ritmo, apesar de que, até hoje, risco e como risco as pistas”, brincou. Entrou para o mundo da moda em 1998. Já tinha recebido alguns convites em 1996 para fazer parte de uma agência de modelos mas por causa do serviço não aceitou. Trabalhava na Maboque, naquela altura, como gastrónomo que é a sua primeira formação. Em 1998, foi convidado para pertencer a Ellite Central Models que pertencia a Victória Garcia. Ficou por lá um ano e no ano seguinte começou a trabalhar com os concursos de beleza Miss Luanda 1997, Miss Luanda 1998, Miss Cabinda 1999 e em muitos outros eventos ligados à moda. Já organizou vários outros concursos de beleza como o Miss Cabinda, Miss Angola, Miss Lunda Norte, Miss Uíge, Miss Bié, Miss Huambo, Miss Kuando Kubango, Miss Moxico, Miss Cunene e Miss Namibe. No que toca a eventos de moda esteve ligado a quase todos que têm a patente da Mangos, desde a sua fundação. Participou da primeira até à penúltima edição do Angola Fashion Week, em todas as edições do Mister Angola e, segundo ele, até numa das edições do Moda Luanda. Outro evento que já produziu foi o Moda Huambo, que realizou, recentemente, a sua primeira edição. MANIFESTAÇÃO DO DOM Desde criança sempre mostrou uma certa paixão pela organização de eventos. Foi bailarino do Petro Atlético, dançou em vários outros grupos e companhias. “Quando criança organizava muitos concursos de beleza na minha área e era muito batoteiro. Só ganhavam as pessoas do meu prédio”, contou entre risos e continuou: “Quem ganhava era sempre uma das minhas irmãs ou uma prima, mas só pessoas que viviam no meu prédio. As meninas dos outros prédios ou das outras casas não podiam ganhar. É uma paixão que vem desde novo e agora decidi formar-me nessa área. Estive agora no Brasil e fiz dois cursos. Um de produção de moda e outro de designer de interiores, e reconheço que estou em formação ainda. Fico feliz porque vejo o mercado a melhorar. Já há mais produtores, pessoas novas a inclinarem-se para essa área e a concorrência é boa. Só assim as pessoas conseguem dar o seu máximo e mostrar o melhor trabalho possível”. Descendente de uma família de cozinheiros acabou por aprender a cozinhar muito cedo e trabalhar algum tempo na área de gastronomia, passando por diversos restaurantes, desde os 15 anos. “Comecei a trabalhar muito cedo e apostei mais na área de pastelaria. Faço muitos bolos bons”, afirmou. Trabalhou na Maboque, no congresso nacional, na assembleia mas dos tempos de gastrónomo já só restam saudades desde que se inclinou para o ramo da moda. “Tenho feito alguns bolos e sobremesas mas isso é só de vez em quando e quando estou bem-disposto. Apesar de ser sócio de uma empresa de prestação de serviços que faz encomendas, dou o meu contributo na área de pastelaria. Tenho em mente um projecto que talvez inclua gastronomia mas ainda é cedo para falar disso”. O COREÓGRAFO Coreógrafo exímio é o cérebro por detrás dos números de apresentação das misses. Para conceber as coreografias que pompeiam muita criatividade, inspira-se na música e na dança, de que diz ser fanático. “Vejo muitos vídeos de dança, muitos vídeos de música, muitos concursos internacionais de beleza. Inclusivé já tive o prazer de assistir a três, Miss Universo 2002, 2005 e 2006”. Reconhece que a dança foi uma das bases mais fortes que teve para que se tornasse no bom coreógrafo que é hoje. “Há pessoas que confundem coreógrafo de dança, com coreógrafo para concursos de moda ou beleza. São coisas extremamente diferentes porque concursos de beleza exigem uma noção de técnicas de andamento e postura, beleza facial, beleza corporal, etiqueta, etc. É muito bom juntar o útil ao agradável mas são campos diferentes. Eu sou vitorioso porque percebi isso e tenho a dança como base mas não me esqueço de fazer com que a coreografia tenha marcas de técnicas de passerelle, etc”. São 11 anos de carreira de muita determinação e sucesso. Porém, humilde, Polly da Rocha, reconhece que houve ao longo do seu percurso pessoas que contribuíram para o seu percurso. “Gostava de agradecer à Vitória Garcia que foi uma pessoa que estimulou o meu pontapé de saída, convidando-me para fazer parte da sua agência. A ela o meu muito obrigado. Ao Valdo Oliveira, que acreditou no meu potencial e sempre me abriu muitas portas. Uma pessoa que já não faz parte dos mundos dos vivos mas que sempre acreditou em mim é a Carla Soares. Ela sempre me mostrou o lugar onde eu devia estar para que as pessoas aplaudissem o meu trabalho. A Karina Barbosa, trabalhou comigo um ano e meio. Adquiri muita experiência com ela porque ela é uma mulher muito profissional e de muita determinação. Em, especial, gostava de agradecer a uma pessoa que sempre me deu muita atenção, carinho, que sempre me disse que eu era capaz, acreditou e, até hoje acredita no meu trabalho que é a primeira dama, Ana Paula dos Santos, a ela o meu muito obrigado”. Perfil: o Príncipe do Carnaval Polly da Rocha é um rosto já habitual, todos os anos, na marginal de Luanda para dançar o carnaval, que é considerada a maior festa popular e a maior manifestação cultural dos angolanos.As ruas da marginal são testemunhas da alegria contagiante e mestria nos passos que este bailarino, oriundo da ilha de Luanda, espalha entre os amantes do carnaval. * Nome: Polly da Rocha * Idade: 30 anos * Estado Civil: Solteiro * Passatempo:Ler, ver televisão e ouvir música * Prato: Nenhum em particular, masgosto de um bom cozido à portuguesa ou uma feijoada * Música: Kizomba * Cantor: Paulo Flores, Bonga, Patrícia Faria e Yola Semedo * Profissão:Coreógrafo e produtor de eventos * Detesta: Pessoas que não sãoverdadeiras Potencial de médicos angolanos surpreende congressistas http://www.angonoticias.com/pictures/26983.jpg O potencial demonstrado pelos profissionais da saúde durante o primeiro dia do VI Congresso Internacional dos Médicos em Angola, surpreendeu a classe, dada a qualidade e admirável exposição apresentada por estes, revelaram hoje, em Luanda, participantes do certame. António Maria Pediatra, do Hospital Américo Boa Vida, referiu que a exposição dos médicos angolanos demonstrou a classe de profissionais estrangeiros presentes no encontro que Angola também tem médicos com elevado nível de conhecimento. “Eu sempre acreditei que existem médicos em Angola com capacidade de elevar o nome do país. Pessoas com uma qualidade de trabalho invejável”, disse. Por sua vez, a porta-voz do encontro, Isabel Massocolo, que no que toca a especialidade, avançou que os cirurgiões angolanos foram os que mais se destacaram durante as suas apresentações. “Vimos o potencial dos nossos colegas, visto que já fizemos cirurgias raras como no cérebro, montagem, úlceras e outras. Estou surpresa e feliz com alguns médicos angolanos. Realmente estamos a fazer grandes trabalhos cirúrgicos”, aplaudiu. Por sua vez, Elisabeth Tchilo, estudante do sexto ano de medicina, considerou que dada a excelência dos profissionais angolanos, muitos saíram do encontro com as ideias “totalmente” renovadas. Para a secção de hoje, está previsto debates sobre diferentes temas como a “Úlceras de Pressão”, “Epidemia da Raiva”, “Abusa sexual em crianças e adolescentes”, “Rotura Interina” entre outros assuntos. O encontro encerra no final da tarde de hoje. Matthias Offodile September 15th, 2010, 11:37 AM Hoteleiro Clayton Castro // De arquitecto a hoteleiro http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_96/o%20pais%2096_lr_145.jpg Trabalhou apenas um ano como técnico de construção civil depois de terminar a formação, largando este ofício para se dedicar a hotelaria, sendo algo que mais gosta de fazer. De volta a Angola, :cheers:Clayton Castro é um dos responsáveis do aldeamento turístico Muié Lodge. Passou por muita coisa para descobrir o que gosta de fazer realmente, ou seja, a sua vocação. Sim, quando cheguei a Portugal, comecei a fazer o curso de desenhador projectista, isso em Construção Civil. Depois das aulas entrava sempre nos bares para apreciar a maneira como os barman faziam cocktails, e fui-me apaixonando cada vez mais. Mas isso não atrapalhou na sua formação? Não porque eu só o fazia depois das aulas e não complicava em nada, tanto que consegui terminar o curso. O que fez depois de concluir o curso? Olha, trabalhei apenas um ano como técnico de obra e depois larguei. Fui para hotelaria, mais propriamente para a zona de bar, a área de que eu mais gosto. Isso por quanto tempo? Vários anos. Isso não lhe suscitou problemas junto dos parentes, amigos e colegas? Tive, principalmente com o meu pai, porque o sonho dele era que eu fizesse mesmo construção civil, não hotelaria. Até porque tinha custeado os meus estudos e a minha estadia por algum tempo. Mas depois teve que aceitar porque era mesmo o que eu gostava de fazer, tanto mais que abri o meu próprio negócio em Lisboa. Conte-nos um pouco sobre o negócio… Como já tinha experiencia no ramo, dado que trabalhei nalguns bares, achei que estava na altura de abrir o meu próprio negócio e, na altura, tive o apoio da minha namorada, que se tornou, aliás, minha sócia. Teve sucesso? Sim, era um pequeno negócio. Porque é que desistiu? Tudo terminou quando rompemos o nosso relacionamento. As coisas ficaram frias e decidi fechar. Foi fácil montar o negócio, uma vez que as pessoas dizem que é difícil um africano fazer negócios na Europa? Não. Porque lá não há tantas burocracias como cá. E essa história não é bem contada, o que se passa é que as pessoas gostam muito de facilidades. Não que eu não tenha sofrido, estaria a mentir se dissesse que foi tudo um mar de rosas. Mas, claro, há sempre uma descriminação, só que temos que saber ultrapassá-la, e só é possível fazê-lo com o trabalho, para que as pessoas nos respeitem. Qual foi a pior sensação de descriminação que viveu em Portugal? Pior não digo... foram aquelas palavras que estávamos acostumados a ouvir, mas não me podia deixar abalar com esse tipo de coisas. Também conheci muito boa gente. Por exemplo, quando fui jogar para o Belenenses o meu técnico dizia-me que iria enfrentar palavrões, mas só ultrapassaria se mostrasse trabalho. E como foi conviver naquele ambiente? Na boa… Quando regressou? Estou cá há um ano. O que achou de Angola? Há realmente uma diferença muito grande em relação ao passado. Mas, mesmo assim, precisamos crescer muito, porque há muita coisa que vejo aqui e que não consigo entender. É por isso que considero a Europa uma grande escola da vida em muitos aspectos. O que é que mais o impressionou cá? Foi o interesse das pessoas. Como assim? Vou dar um exemplo: aqui vejo que o homem é obrigado a “fazer mesada” para a namorada e, quando não a faz chamam-no “agarrado”, como se diz na gíria mão de vaca. No seu entender qual a causa disso? A pouca formação das pessoas, não só ao nível da formação académica como no plano de vários aspectos da vida. Por outro lado, a pobreza também contribui para isso. Perfil * Nome: Clayton Castro * Idade: 31 anos * NaturalIdade: Cabinda * Estado Civil: Solteiro * Formação académIca: Técnico de Construção Cívil * Melhor FIlme: Gladiador e Armagedon Matthias Offodile September 25th, 2010, 02:08 PM Francisco Paixão // Mestre Zezé Pintor http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_97/pais_97_lr89.jpg Desde pequeno, sempre teve uma inclinação por desenhos e pinturas.Mas o seu grande sonho era tornar-se uma grande estrela de futebol. Só que quando, um dia, tentou aprender a profissão, nunca mais conseguiu sair. A oficina está situada logo à entrada da rua da Dimuca, propriamente na famosa rotunda do bairro Boavista. O transeunte depara-se logo com uma tabuleta a dizer “Há pintor – auto”. Por baixo vem a assinatura: “Mestre Zezé”. Mas os vizinhos carregam os clientes como se fossem trabalhadores da oficina, e Mestre Zé, mal nos vê, logo nos dispara a pergunta: procuras mão mágica? Como surgiu esta fama? Ainda sinto que esta fama é instantânea, porque há muito a fazer para solidificar o meu nome no mercado. Sinto que isto é apenas o princípio de um grande caminho a percorrer. O que falta para atingir essa meta? Formalizar a minha própria oficina, conseguir um local melhor e reconhecido como uma organização. Mas constatámos que é muito conhecido... Já venho a trabalhar há muito tempo. Mas só por isso? Não, sempre fui um grande desenhador e faço boas decorações. E há muita gente da chamada alta sociedade que procura o meu trabalho. E essas pessoas vão espalhando o meu nome pela cidade. Tem muita concorrência? Sim, por dia aparece uma dezena de clientes, principalmente os da camada jovem, que pinta duas, três cores no carro. Consegue atendê-los todos? Ainda não, porque tenho pouco espaço e careço de mais pessoal. Estou a trabalhar para ver se consigo constituir uma empresa brevemente. Mas actualmente qual é o número exacto de clientes? Recebo quatro carros por semana, e cada carro pode levar cinco dias a ser pintado, dependendo do estado em que se encontra. Mas trabalho em dois locais, que é aqui na Boavista e em Cacuaco na nova urbanização. Tem recebido carros em péssimo estado de conservação? Muitos. Mas também recebo carros que só precisam mesmo de renovar a pintura. Qual o máximo de viaturas que pinta por mês? Posso pintar cinco a quatro carros. Mas posso fazer mais só que, como disse, as condições ainda não permitem. E alguma vez procurou um emprego em alguma representante ou oficina com nome no mercado? Já, há alguns anos procurava, mas depois apostei no meu próprio negócio. Mas muitas oficinas da cidade conhecem o meu trabalho, tanto assim que algumas solicitam-no. Se o chamassem agora? Aceitaria trabalhar para um grande representante, dá um certo prestígio. E os seu negócios? Continuariam, tenho bons ajudantes que já dão conta do recado.E também seria uma maneira de conhecer como funciona uma organização de grande dimensão. Perfil Nome: Francisco Paixão Idade: 30 anos NaturalIdade: Malanje Estado civil: Solteiro Formação profissional: Pintor auto Clube preFerIdo: Petro de Luanda (Futebol) Prato FavorIto: Calulú Matthias Offodile September 27th, 2010, 10:21 AM Fernando Brizio - Angolan product/fashion/industrial designer http://shop.temahome.com/WebRoot/Tema/Shops/1641-080514/MediaGallery/face_fernando.jpg http://fotos.sapo.pt/Tan0zLL5ZRlweEirIkfR http://bp0.blogger.com/_BKY_Zn6NOQA/SGo7zH34a-I/AAAAAAAAEag/7WEY6oPeAfQ/s400/Fernando_Brizio.jpg asggkr0MIeY AfSQE0A2TP8&feature=related Designer mês Maio: Fernando Brizio Fernando Brizio nasceu em Huila, Angola em 1968 e tirou o bacharelato em Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Desde 1999, ttem trabalhado em vários projectos como cenários e produtos para companhias como Authentics, Details e DIM-Die Imaginare Manufaktur of Germany, Protodesign, Atlantis, M Glass, Coreografo Rui Horta, Modalisboa, Schréder, Lux/Loja Atalaia, Droog Design e Cor Unum da Holanda. Actualmente ensina na ESAD-Caldas da Rainha e é professor visitante na ECAL em Lausanne e na University of Design and Media em Karlsruhe, Alemanha. O seu trabalho caracteristico pela suaa conceptualidade, está presente em várias exibições na Europa, Tokyo e São Francisco. Trabalho de Fernando Brízio é capa da revista britânica Icon O trabalho do designer angolano Fernando Brízio, em particular a instalação realizada numa exposição em Turim, foi escolhido para a capa da edição de Agosto da revista britânica Icon, publicação de referência na área da arquitectura e design, noticiou a Agência Lusa. Turim é este ano a Capital Mundial do Design, e de todas as iniciativas, exposições e eventos em curso, a revista elege a exposição Flexibility - Design in a Fast-Changing Society, comissariada por Guta Moura Guedes, como «a mais interessante para visitar». Instalada numa antiga prisão de Turim, Flexibility - Design in a Fast-Changing Society (Flexibilidade - Design numa sociedade em rápida mudança), foi inaugurada em Junho, e centra-se na importância da flexibilidade para a sociedade contemporânea, em particular na área do design, reunindo obras de design, música, instalações em vídeo e textos sobre o tema. Flexibility - Design in a Fast-Changing Society ocupa um total de 3.200 metros quadrados, onde são apresentadas uma introdução ao tema e várias interpretações através de texto e de uma instalação-vídeo. No interior da prisão são mostrados diversos exemplos de design flexível, desde produtos e objectos a sistemas e serviços, com mais de 60 propostas. Entre os artistas representados nesta exposição, a revista Icon destaca Bertjan Pot (Holanda), Patricia Urquiola (Espanha), e em particular o trabalho de Fernando Brízio, que criou uma instalação composta por vestidos coloridos. Renewable Clothing apresenta um conceito original em que os vestidos brancos podem ser pintados por quem os veste, apenas colocando feltros de canetas coloridas em pequenos bolsos e deixando a cor espalhar-se. O vestido pode ser lavado e pintado em diferentes combinações de cores. Nascido em Angola, em 1968, Fernando Brízio tem vindo a criar, ao longo da última década, projectos de design de produto, cenografia e exposições, nomeadamente, para a ExperimentaDesign, Details, Protodesign, Modalisboa, Die Imaginäre Manufaktur, e Intramurus. Os seus trabalhos já integraram exposições em diversas cidades na Europa, e também em Tóquio e São Francisco. Na edição de Agosto da Icon também há uma entrevista a Álvaro Siza, apresentado como "o primeiro arquitecto internacional a criar um museu importante no Brasil", para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, inaugurado em Maio Bio - Angolan product/fashion designer http://imgs.sapo.pt/efeitoD/images/ilustra_nl.jpg Born in Angola (Cabinda) in 1978. BA Honours degree in industrial design from ESAD Caldas da Rainha Began her professional career in the designers insertion course in the crystalware section of Marinha Grande. Since 2002, she has been working in the field of product/fashion design. She has taken part in various national and international design exhibitions. After working with several national brands, she created her own fashion accessories brand in 2005, entitled SUSHI, assuming art direction responsibilities for the brand. Her products are on sale across Portugal and she expanded her business in Spain as well. Visit her site to get an idea: WWW.SUSHIDESIGN.COM.PT Matthias Offodile October 9th, 2010, 06:25 PM Exposição de Sabby Biografia ‘Luanda’s Dreams’ e a desfiguração da realidade http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_99/opais_99_page_38_image_0003.jpg O artista plástico angolano Benjamim Sabby prepara-se para realizar a sua próxima exposição individual denominada “Luandas’ Dreams”, a acontecer entre os dias 14 e 26 deste mês, no Centro Cultural Português – Instituto Camões, em Luanda. A propósito do evento, publicamos hoje, na íntegra, o texto de apresentação da referida exposição, da autoria do historiador de arte Adriano Mixinge. Com a intenção de fazer-nos ver o lado mais belo da cidade, das coisas e dos seus habitantes, Benjamin Sabby reúne em “Luanda’s Dreams”, uma série de telas e artefactos que desfiguram a realidade. Sonho e pesadelo, cor e movimento, plano e volume, caos e esperança articulam-se numa exposição, que acontece num momento em que as dinâmicas sociais, políticas, económicas e culturais em Angola andam, de um modo geral, entaladas entre a gerontocracia dos poderes estabelecidos e as múltiplas expressões do poder de criatividade e de sobrevivência do cidadão comum. Benjamin Sabby escolheu como tema desta exposição uma série de novos heróis urbanos: kinguilas, kandongueiros, engraxadores, roboteiros e zungueiros confundem o sonho da cidade com os seus próprios sonhos. No entanto, mais além do colorido que predomina na sua aparência, “Luanda’s Dreams” é uma exposição situada na encruzilhada entre o que mostra e o que oculta, entre o que é visível e o que desfigura, entre o que apresenta e o que pode significar, entre Vladmir Prata o que diz e o que dissimula, entre a intenção de originalidade e o fim/destino decorativo das imagens. Aquilo que vemos hoje na amostra é o resultado de todo um processo criativo que Benjamim Sabby, num email ainda em Março de 2008, descrevia assim: “...Quanto as obras mais recentes, estou numa fase complicada (...). Sinto-me tentado a pintar em superfícies menos convencionais”. E durante quase dois anos e meio, Benjamim Sabby foi trabalhando e reflectindo sobre a necessidade de não ficar só pelos acrílicos sobre tela, optando por outros suportes. Nessa sua intenção surge, então, “Luanda’s Dreams” que é uma desfiguração do universo de alguns dos “novos heróis urbanos” caluandas, através de vários procedimentos plásticos, utilizando livremente as manchas de cor, as figuras geométricas, as linhas, muitas vezes, sobrepondo um quadro e ou rectângulo que, algumas vezes, funciona como uma janela que permite “(re)tratar” o tema das obras optando diversas perspectivas. Na tentativa de estetizar o banal e de pintar aquelas que ele denomina de “superfícies menos convencionais”, o artista apropria-se de um conjunto de “acessórios” (instrumentos de trabalho) que são necessários para que os “novos heróis urbanos” evitem as agruras da vida do dia-a-dia, em Luanda: o banco da kinguila, a caixa do engraxador e o carro do roboteiro, por exemplo, são (re)decorados à sua maneira, alterando as suas funções de origem e dando-lhes uma roupagem diferente, sendo que aparecem sobre elas, de maneiras repetidas, as silhuetas deformadas dos habitantes, dos prédios e dos carros que pululam pela cidade. “Luanda’s Dreams” é, então, uma tentativa de captar as velocidades e o dinamismo de uma cidade que desfigura-se dia após dia, ao afunilar-se nos seus engarrafamentos e ao espreguiçar-se nas novas estradas e novos bairros que surgem com a instauração da paz, em Angola, que é também a catalisadora do sonho de uma renovação estética, muito mais vasta. Biografia http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_99/opais_99_page_38_image_0002.jpg Artista plástico e curador independente, Benjamim Sabby nasceu em Luanda em 1974. Estudou artes plásticas na Escola Nacional de Artes Plásticas. É professor de educação visual e plástica e funcionário da Direcção Nacional de Formação Artística. Membro da UNAP União Nacional de Artistas Plásticos, é consultor e curador na II Trienal de Luanda. Foi comissário do SIEXPO – Salão Internacional de Exposições de Arte – Luanda. Como curador independente, produziu várias exposições, onde se destacam: “Um Percurso Plástico no Mundo Contemporâneo” do artista plástico Van (SIEXPO – 2007), “Poesia e Surrealismo” da artista plástica Ana Silva (SIEXPO – 2008) e “Anatomilias – entre o Homem e a Máquina” do artista plástico Paulo Kussy (SIEXPO – 2010). Tem obras em colecções particulares de instituições em Angola e no estrangeiro. Participou em mais de vinte exposições colectivas e já realizou cinco exposições individuais, nomeadamente “Frutos do Imaginário”, no Centro Cultural Português (Luanda – 1999), “Sonhos, Silhuetas e Simbolismo” (2000 – CCP, Luanda), “ Realidades” XV Festival da Juventude e Estudantes (2001 – Argel, Argélia), “Do Sonho à Realidade ” (2002 – CCP, Luanda) e “Marcas do Real e do Onírico” (2006 – Galeria Celamar, Luanda). “Luanda’s Dreams” será a sua sexta expo individual. Sobre a mesma, Sabby comenta o seguinte: “Luanda’s Dreams” retrata os sonhos da cidade e dos seus habitantes e visitantes. Os contrastes existentes nesta capital, os grandes edifícios novos, as cubatas antigas, a secretária que trabalha num escritório na Marginal, a kinguila que trabalha na esquina de um prédio qualquer da baixa de Luanda. Estes e muitos outros assuntos são retratados por mim em LUANDA’S DREAMS. evany December 9th, 2010, 06:24 PM ^^o que isso tem haver com Angola????:bash: Matthias Offodile December 10th, 2010, 07:51 PM Rui Mendonça trocou sonho europeu pelo regresso às origens O empresário angolano, de 42 anos, viveu muitos anos entre Portugal e Espanha, mas optou por regressar às origens. Primeiro Angola, onde tem a família, e agora São Tomé e Príncipe. http://aeiou.caras.pt/users/0/14/rui-mendonca-4a59.jpg João Lima Há cinco anos, Rui Mendonça, um empresário angolano de 42 anos, aceitou o desafio que lhe foi proposto para implementar e administrar o Banco Equador em São Tomé e Príncipe e mudou-se para aquele país, onde vive sozinho. Uma opção que fez mesmo depois de ter vivido 15 anos na Europa, entre Portugal e Espanha, onde estudou e se formou em Economia:cheers:. Aquele que seria o sonho de muitos africanos, viver na Europa, estava ao seu alcance, mas a paixão por África falou mais alto. Ainda esteve em Angola, onde vive a sua família, mas acabou por apaixonar-se por São Tomé e agora nem pensa em deixar aquele país. - Viver sozinho, longe da família e amigos, não deve ser fácil... Rui Mendonça - Não. Mas vou com alguma frequência a Angola, e ultimamente têm sido eles a vir cá. Gostam muito de S. Tomé. É um país muito calmo, em Luanda é tudo muito stressante. Então aproveitam para passar cá um fim de semana, uns dias. Felizmente, porque assim acabo por não sentir muito a falta dos amigos e da família. http://aeiou.caras.pt/users/0/14/rui-mendonca-b088.jpg - Nunca sentiu necessidade de constituir a sua própria família? - Evidentemente que sim. Mas nesta situação seria um pouco complicado, uma vez que S. Tomé não oferece ainda as condições que gostaria de dar aos meus filhos. Estamos a falar em termos de saúde, escolas... muito pelos meus compromissos profissionais, e também porque sou ainda jovem, constituir família é um projeto adiado. E depois tenho sobrinhos, o que dá para compensar. - É um homem de tradições e valores, e o seu pai é, ainda hoje, uma das suas grandes influências... - Sim. Tento sempre ser como o meu pai, que é uma pessoa que admiro. Pela forma generosa de ser e estar na vida, pelo grande profissional que é e porque me transmitiu sempre grandes ideais, sobretudo de solidariedade e de ajuda ao próximo. Pressupostos que quero manter sempre, quero seguir o seu legado. Sendo filho mais velho, é o mínimo que podia fazer por ele, correspondendo a tudo o que fez por mim. Sei que nunca chegarei onde ele chegou, mas quero chegar o mais perto possível. Se conseguir isso, serei um homem feliz. http://aeiou.caras.pt/users/0/14/rui-mendonca-7b13.jpg - Aos 42 anos, conseguiu já tornar-se um empresário de sucesso, o que o deixa próximo dos objetivos... - Tento ser um empresário de sucesso! Estamos a começar a desenvolver a nossa empresa e os nossos negócios em S. Tomé, já temos um legado muito maior em Angola, mas acredito que podemos crescer muito neste país. É um investimento estratégico a médio/longo prazo, não pensamos ter lucro já. Estamos no bom caminho e acho que já conseguimos conquistar o respeito e consideração da sociedade são-tomense, e isso motiva-nos a prosseguir nesta senda, neste esforço para reconstruir e fazer crescer este país. - É um homem de desafios? - Sou um homem de desafios, gosto de começar projetos, desenvolvê-los e depois entrar noutros desafios. Neste momento, já estou a pensar noutros desafios. Tenho projetos imobiliários de grande vulto aqui para São Tomé, sobretudo no setor hoteleiro e residencial. http://aeiou.caras.pt/users/0/14/rui-mendonca-bb59.jpg - Este país será, então, a sua 'casa' nos próximos anos? - Acho que sim. Foi o único sítio do mundo, de todos por onde passei, onde decidi construir a minha própria casa, ao meu gosto, como sempre sonhei. Nem no meu próprio país de origem o fiz. Aqui fui muito bem acolhido, sempre fui bem tratado, adoro este povo e acredito no crescimento de São Tomé. - Esteve em Portugal e em Espanha. Nunca equacionou fixar-se na Europa? - Não. Nos quinze anos em que estive a estudar, vivi sempre na Europa, mas fiquei desiludido. Isto porque sou uma pessoa de desafios, gosto de partir do zero, de ver as coisas serem criadas e acrescentar valor. Costumamos dizer que em África uma pequena coisa, um pequeno gesto, pode significar muito para muita gente. São essas pequenas coisas que fazemos que nos dão uma satisfação enorme, sobretudo quando vimos os resultados. Na Europa não existe liberdade para criar, para fazer coisas novas. Em África temos que ter espírito de sacrifício, mas é muito gratificante chegar ao fim do dia e percebermos que conseguimos mudar um pouco o mundo. http://aeiou.caras.pt/users/0/14/rui-mendonca-d1bc.jpg - Não é fácil viver num país onde os níveis de pobreza são muito elevados... - A mim choca-me a pobreza, aliás, foi um dos fatores que me chocou mais no meu país. Porque aqui há pobreza, em Angola há miséria. Existem situações dramáticas lá. São Tomé é um país diferente. Deus colocou aqui tudo, não há fome, mas as condições básicas de vida não existem para muita gente. Mas acredito que isso seja reversível. Acredito no futuro deste país. - Não podemos deixar de falar da White Sand Party, uma festa que organizou e que trouxe várias figuras públicas ao ilhéu das Rolas... - Sim adorei receber todos aqui... São Tomé tem muitos problemas logísticos, mas toda a equipa que trabalhou para este projeto esforçou-se imenso e conseguiu levar avante aquele que foi o primeiro grande evento realizado em São Tomé. *Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico. Empresário da construção civil Valdemar Farmhouse O domador de jacarés http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_18/corcodilo_nuno%20santos_41.jpg Valdemar Franco Farmhouse, natural do Ambrige, província do Uíge, nasceu em 17 de Dezembro de 1958, filho de um português e de mãe angolana, e neto de um inglês. Valdemar sempre foi um batalhador. Aos 12 anos, começou a trabalhar como empregado de oficina, aos 14 anos ingressou na tropa, da qual viria a desertar aos 17 anos devido à independência de Angola. O seu pai, embora branco, foi revolucionário. Incentivava-o a ouvir o programa Angola Combatente contra os colonos e foi o orador do primeiro Comício do MPLA, realizado na Província do Uige, cuja delegação foi chefiado pelo General Lúcio Lara. Nos final de 1974, Valdemar teve de fugir com a família para Luanda, abandonando todos os bens materiais desde a casa ao automóvel. Waldemar foi forçado a recomeçar do zero. EMPRESÁRIO DE SUCESSO:cheers: A vida correu-lhe bem e, aos 20 anos, já era proprietário de uma oficina. Mas o negócio não durou muito tempo. Waldemar preferiu virar-se para os diamantes, onde ganhou algum dinheiro. Actualmente é dono de uma grande empresa ligada aos ramos da construção civil, camionagem, comércio e hotelaria. Ainda assim Valdemar crê que é muito duro ser empresário em Angola. “Primeiro porque os angolanos ainda não têm uma cultura enraízada de investir e de poupar. Segundo porque o nosso mercado é muito fechado aos empresários nacionais. O governo tem de criar mais linhas de crédito para os empreendedores”, sugere. “O meu lema para o sucesso é a honestidade, dedicação ao trabalho e saber aproveitar as oportunidades, porque a sorte só nos bate a porta uma vez”, defende. PAIXÃO PELOS ANIMAIS A vida empresarial não o fez esquecer as raízes campestres. Desde miúdo que tem uma grande paixão pelo animais. Ele não só nasceu numa quinta rodeado de animais, como é de uma região onde há muitos répteis. O seu pai ensinou-o a lidar com algumas espécies de animais mais perigosas – tal como o jacaré. Valdemar apaixonou-se pelos “bichos” e tem procurado seguir as pisadas do pai. Hoje tem um jacaré em casa como se fosse um animal de estimação. “Eu nunca tive medo de jacarés. Na região onde nasci havia muitos. Mas nunca pensei comprar um. Isso sucedeu, por acaso, numa das minhas viagens associadas ao negócio dos diamantes. Quem o vendeu foi um garimpeiro, na Província da Lunda-Sul, por apenas 100 dólares. Na altura fui muito criticado. Muitos amigos, colegas, familiares chamaram-me doido. Outros achavam que eu era feiticeiro”, recorda. Indiferente às criticas Waldemar estava determinado a conservar o animal. “Já tenho o jacaré há 14 anos. Quando o comprei tinha menos de um metro. Agora está com 3 metros e meio. Já passei o testemunho ao meu filho, que cuida dele como um irmão”, diz. Obviamente que isso assusta-o um pouco, “Nunca se sabe. O jacaré é um animal feroz. Pode revoltar- -se um dia”, diz. Só se arrepende de uma coisa “nem sempre tenho tempo para cuidar do jacaré como gostaria”, confessa pesaroso. “PRESTAMOS POUCA ATENÇÃO AOS ANIMAIS” Waldemar defende que o governo angolano tem feito muito pouco pela vida animal. “Investe-se muito pouco no ambiente, as pessoas precisam de estar mais preparadas e informadas. A nossa sociedade tem grandes problemas de saúde porque não cuidamos bem da natureza. Os nossos animais estão em extinção porque ninguém lhes presta atenção”, defende. Shanguiny Vungulipy // De Linha e agulha na mão Licenciada em ciências da comunicação e estilista http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_109/jacinto%20figueiredo_38.jpg Recebeu-nos calorosamente em sua residência. Acolhedora e decorada a preceito o espaço denuncia à primeira o gosto ousado pela mistura das cores da estilista, designer e decoradora de interiores, Shanguiny Vungulipy, que se tem destacado no mundo da moda pelos modelos “quentes” que apresenta. “A decoração da minha casa foi feita por mim. Os tapetes, as cortinas, os forros dos cadeirões e as almofadas coloridas. Este é o estilo em tudo o que faço”, explicou. Com a agenda preenchida, a estilista confessa que está a viver um dos momentos mais altos da sua carreira. “Tenho compromissos até aos primeiros meses do próximo ano e por razões maiores a minha apresentação já não será este mês”, disse. Devido aos vários compromissos nacionais e internacionais a designer foi obrigada a adiar para a primeira semana do mês de Fevereiro, a apresentação da sua colecção de Verão para 2011, antes prevista para o dia 12 de Dezembro. Intitulada Summer Colection 2011, o desfile acontecerá no dia 5 de Fevereiro num dos espaços do Hotel Trópico, em Luanda, num show room composto por cerca de vinte modelos. Os convites para se apresentar na primeira Feira da Moda em Angola de 9 a 12 de Dezembro e no Festival Internacional da Juventude e Estudantes em Joanesburgo, África do Sul a partir do dia 13, constam entre as prioridades da estilista. “Vou apresentar-me no primeiro dia de exposição na Feira da Moda em Angola e terei um dos maiores stands onde durante os quatro dias de feira estarão os meus modelos. Logo depois parto para África do Sul”, explicou Shanguiny. Na ressaca desses desfiles exibirá finalmente a sua colecção de Verão para 2011. Numa gala onde além das roupas os manequins se apresentarão com diversas bijuterias também de sua autoria. “Será um show room com manequins fixos, onde estarão expostas as minhas criações roupas e bijuterias”, disse. Uma Revelação no estilismo Entre os eventos da estilista destacam-se o Moda Luanda, Fashion Week, Moda Huíla, Moda Cabinda, o desfile para a Universidade Lusófona e ainda para a Polícia Montada. Os seus modelos chamam a atenção pelo estilo ousado e “abusar das cores”. Um dom natural http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_109/jacinto%20figueiredo_29.jpg Quando criança, Shanguiny vestia as suas próprias bonecas, cortava, juntava e pregava pequenos pedaços de tecido e transformava-as em verdadeiras manequins, destacando-se sempre entre as suas amigas. A ida a Portugal foi um impulso importante para sua vida profissional. Foi na Europa onde deu os primeiros passos na moda. “Por ser um país frio eu improvisava as minhas próprias roupas para a escola. Com alfinete pregava-as juntando peças de roupas diferentes”, disse. O primeiro desfile aconteceu numa discoteca em Portugal, por convite de uma amiga. E para sua surpresa foi muito bem sucedida, as roupas pregadas a alfinete fizeram moda naquela noite. O lucro foi satisfatório, “dos cem euros gastos houve um rendimento de mais de oitocentos euros. Foi um super incentivo”, lembrou. A partir daquele dia passou a desenhar os seus modelos e levava-os a um costureiro para os retoques finais. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_109/jacinto%20figueiredo_22.jpg Numa das sua viagens a Paris surgiu novamente um convite para se apresentar numa discoteca, mas desta vez não foi tão afortunada. “Naquele dia não vendi nenhuma peça. Excepto uma gravata de serapilheira. Mas o desaire não me desmotivou. Concluída a licenciatura em Comunicação Social regressou a Angola e foi enquadrada no quadro de funcionários da Televisão Pública de Angola (TPA). Em terra natal, o primeiro desfile aconteceu no programa Janela Aberta da TPA, com dezassete manequins em modelos coloridos e ousados. Mais uma janela se abriu. “Durante o desfile deixei o meu contacto no ar e de seguida recebi vários convites e propostas de pessoas interessadas nos meus modelos”, disse. Seguiram-se vários convites, inclusive o do Kayaka Júnior, um dos maiores produtores de moda do país, convidando-a a apresentar-se no espaço Miami Beache, na ilha de Luanda. Após a apresentação no Miami, surgiu o convite para o Moda Luanda, no museu das Forças Armadas, onde foi escolhida para encerrar o desfile com um vestido de noiva de serapilheira. E surgiram outros: o Angola Fashion Week, Moda Huíla, Moda Cabinda, o desfile para a Universidade Lusófona em Portugal e ainda para a Polícia Montada. Num pulo para o profissionalismo. A formação em designer de moda, alta costura e decoração de interiores durante seis meses no Brasil surge tempos depois como forma de aperfeiçoar a prática e garantir sustentabilidade aos seus projectos. Na primeira pessoa Extrovertida e bem humorada Shanguiny Vungulipy apresenta-se como “uma incansável batalhadora na conquista das suas metas de vida”. O apelido foi-lhe atribuído pelo pai, porquanto quando pequena adoecia com alguma frequência. “Na língua nativa do meu pai Shanguiny significa algo muito frágil ou sensível”, explicou. Aos sete anos de idade, na companhia dos pais, deixou a rua Teófilo Braga, n.º 50, na província do Bié para fixar residência em Luanda onde concluiu o ensino primário na escola José Marti, o secundário no Ngola Kanine e parte do médio no Puniv. Em 1998 partiu para Portugal onde concluiu o ensino médio e licenciou-se em Ciências da Comunicação na especialidade de Televisão. Em 2005 regressa ao país e é enquadrada no quadro de funcionários da TPA. E dá continuidade à apetência pela moda. Conquistado o seu espaço na moda nacional, hoje, dedica--se exclusivamente à arte de costura, porquanto exige de si muita dedicação e disponibilidade de tempo. “As vezes isolo-me de tudo e dedico-me exclusivamente à moda”. A estilista tem como meta o segundo semestre de 2011 para voltar a dedicar-se à sua área de formação, porquanto “alguns dos objectivos relativos à moda já estão concretizados”. Segunda filha, entre quatro irmãos, lembra-se divertida de ter “pagado um mico” à entrada de um desfile de moda, quando a caminho parou para comprar um cartão de recarga do telemóvel e ao subir o vidro do carro não deu conta que a peruca estava presa no vidro. Alheia ao facto, na via apercebeu-se que os transeuntes e outros motoristas olhavam fixamente para ela. Já no estacionamento fora do carro um rapaz a advertiu que a peruca havia ficado no vidro do carro. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_109/jacinto%20figueiredo_13.jpg “Foi dos piores dias da minha vida. Eu queria desaparecer, mas no final comecei a rir de mim própria”, lembrou. “amo as cores” Nos desfiles em que participa os seus modelos são facilmente distinguido pelo toque ousado que apresenta e o “abusar” das cores”. O vermelho e o verde constam entre as cores preferidas e o decote é outra referência. “Nas minhas colecções apresento sempre o colorido e o florido. Uso-os mesmo em tempo frio”, explicou. Os seus momentos de maior inspiração, acontecem quando sob alguma emoção, “principalmente quando estou apaixonada”, declarou. “Eu sonho com os meus modelos, vezes há que desperto durante o sono e dou por mim a desenhar um lindo vestido”, disse. A estilista já tem montado o seu próprio atelier no bairro Golfe 2, em Luanda, com sete funcionários, todos do sexo masculino. Shanguiny Vungulipy defende a preferência por trabalhar com rapazes pelo “apurado olho clínico que possuem”, justifica. Questionada sobre dificuldade em se montar um atelier de moda em Angola a estilista apontou a inexistência de uma fabrica têxtil no país. “É difícil montar uma oficina de moda em Angola porquanto os materiais têxteis são raros de se encontrar no mercado nacional”, disse. Perfil Nome: Jorgina Claudeth Mateus Júnior Natural: Bié Filho: Dalkio Ambrósio (5 anos) Local de férias em Angola: Lubango E internacional: Dubai Restaurante: Hotel Alvalade (prato típico às 5.ª feiras) Discoteca: Palo’s Estilista nacional: Nadir Tati E internacional: Versace e Marc Jacobs (Louis Vuitton) O que mais presa nas pessoas: Seriedade E o que menos presa: Deslealdade O que mais aprecias em ti: O meu bom humor E o que menos aprecias: emoção excessiva Sonho: ter uma loja na Avenida Saint Elysee e desfilar no moda Paris. Figura que gostaria de vestir : O Presidente da República evany December 10th, 2010, 07:57 PM Matt how do you make this posts???text and picture together??if I quote you...only appear the adress...how do you do it??? Matthias Offodile December 11th, 2010, 09:32 PM Matt how do you make this posts???text and picture together??if I quote you...only appear the adress...how do you do it??? I just use the quote button. Very simple! evany December 11th, 2010, 09:58 PM I dont think so...whenever I quote you the text dont show...Im pretty sure there's another trick right?? Matthias Offodile December 15th, 2010, 01:02 PM Eduardo Gando Manuel Administrador (Ango Atenta) Luanda- 2010-10-06 http://www.winne.com/imagesint/angola/2010/eduardo-ga-big.jpg Nós sabemos que a Ango atenta é uma empresa de uma grande tradição dentro do sector da segurança em Angola. Conte-nos sobre o histórico da empresa no país e que decisões estratégicas fizeram que a empresa chegasse onde esta agora? A Ango Atenta é uma empresa de segurança que esta presente no mercado angolano desde 1999 e desde sua criação até os dias de hoje a empresa se preocupou em satisfazer a necessidade de seus clientes. Não apenas satisfazer os clientes em termos de segurança especifica mas também em relação a outros tipos de segurança. Como sabemos, a área de segurança é muito abrangente então vai desde a segurança física até mesmo segurança eletrônica. Quando falamos de segurança eletrônica nos referimos a vídeo vigilância e controle de acessos. Ao longo destes anos nos reparamos que nossos clientes tinham necessidades que iam além da vigilância humana, eles tinham necessidades nestas áreas. Portanto a Ango Atenta esta sempre preocupada em satisfazer as necessidades de seus clientes em todas as vertentes de segurança. Sr Eduardo conte-nos um pouco mais sobre os serviços da empresa e como estão contribuindo para o crescimento da economia Angolana? Para além da segurança física atualmente oferecemos o serviço de segurança eletrônica. Dentro desta gama de serviços nós sempre procuramos prestar atenção às necessidades dos clientes. Muitas vezes neste setor os clientes possuem preferências muito especificas e procuramos nos adaptar aos seus requisitos. O mesmo ocorre no serviço de segurança física porque vai desde a proteção de residências até o serviço de escolta de viaturas e pessoas. O serviço de escolta é muito requisitado no setor publico e grandes empresas privadas. Em relação a outras empresas do setor, conte-nos o que diferencia o seu serviço? Qual é sua vantagem competitiva? Uma de nossas grandes vantagens competitivas esta no nosso pessoal qualificado que já pertenceu as Forças Armadas e a Policia Nacional. A boa relação que estes funcionários tem com a Policia Nacional tem contribuído para evitar roubos e assaltos. Também ha uma parte de prevenção no sentido do que a Policia exige para o exercício desta atividade e as diretrizes que o governo angolano tem para o país. A Ango atenta tem estado a promover serviços de qualidade para a gente em Angola. Qual a sua estratégia hoje? A Ango atenta busca novos clientes ou fortalecer o relacionamento com seus atuais? A Ango Atenta procura atender as duas vertentes, ou seja, satisfazer as necessidades dos clientes atuais e buscar novos clientes. Para buscar novos clientes estamos a investir cada vez mais em propaganda e também através dos atuais clientes saber quais são as suas necessidades. Procuramos estar presentes nos principais eventos do mercado angolano e ver como poderemos atender as demandas dos potenciais investidores – nacionais e estrangeiros. Mesmo particulares que estejam interessados em nossos serviços. Para servir de referência para os nossos leitores, qual a estrutura da empresa, número de funcionários e facturação anual atuais? A Ango Atenta possui hoje 250 trabalhadores que são divididos entre administrativos e operativos. A facturação foi aproximadamente de USD 1.200.000 por ano. A Ango atenta está crescendo em paralelo com a economia angolana. Na sua opinião, em cinco anos como estará a empresa no mercado? Estamos presentes apenas na província de Luanda mas pretendemos crescer para as demais províncias de Angola tais como Huila, Huambo, Benguela e Kwanza Sul. Huila é uma província diferenciada em termos de eventos e do ponto de vista do setor hoteleiro. Hoje nossos clientes que viajam a estes sítios não podem contar com nossos serviços mas somos uma empresa bastante preocupada com nossos clientes portanto temos intenção de crescer nas províncias em que nossos clientes estão mais presentes além de Luanda. Comente sobre a sua trajetória pessoal e profissional e informe-nos qual foi o maior desafio que enfrentou na sua carreira? Meu primeiro trabalho na área de segurança foi um grande desafio pois minha formação acadêmica não esta voltada para esta área. Sou graduado em Economia e mestre em Gestão de Empresas. Comecei minha carreira no setor de investigação. Apos o convite para trabalhar na Ango Atenta procurei conciliar minha formação acadêmica com os conhecimentos específicos da área de segurança. Isso permitiu que eu percebesse que o setor de segurança é muito mais abrangente do que parece. Como sabemos, Angola viveu 27 anos de conflito armado e o conceito de segurança que se tinha era um conceito voltado principalmente para proteção. Mas segurança é muito mais do que isto. Segurança não se refere apenas a proteção física, esta relacionada também com proteção eletrônica e econômica. Para que Angola possa receber cada vez mais investidores, há que ter a certeza de haver segurança. Isto implica em inovar constantemente o nosso serviço. De que maneira os investimentos estrangeiros são importantes para Angola? A Ango Atenta é uma empresa que esta a procurar parcerias em todo o mundo? Em minha opinião os investimentos estrangeiros foram e são muito importantes para o desenvolvimento de Angola porque o país esta em vias de desenvolvimento. Desta forma o investimento estrangeiro permite a absorção de conhecimentos dos estrangeiros. Assim Angola tem a oportunidade de aprender com o conhecimento que vem de fora. Se conjugar com o conhecimento que já existe internamente, há a produção de novos conhecimentos localmente. Qual legado você quer deixar para o país? Todos aqueles que querem investir em Angola, não tenham receio de fazê-lo. Serão muito bem-vindos. Nós somos uma empresa que esta disposta a recebê-los. Qual seria a sua mensagem final para os nossos leitores, que são empresários e potenciais clientes e investidores em Angola, e que lerão sobre Ango Atenta na revista US News e no nosso website. Se sua empresa possui interesse em investir no mercado angolano, saiba que a Ango Atenta esta interessada em recebê-los e a servi-los. Nossa empresa o apoiará em tudo o que for necessário do ponto de vista de conhecimento do mercado angolano. Matthias Offodile December 19th, 2010, 09:46 PM Making of Hello Kitty in Angola (Luanda):cheers: http://4.bp.blogspot.com/_FZei7DWJvwc/S3HDt3VFLXI/AAAAAAAAAFw/BNPAFwi6Emc/S668/IMG_3342.JPG http://1.bp.blogspot.com/_FZei7DWJvwc/S3CeLpkMAfI/AAAAAAAAABw/tARPgny8NK4/S660/hello+kitty++PESSAS+DECORATIVAS++-+PARA+APRESENTA%C3%87%C3%83O+-+4S.KASSESSA.jpg Matthias Offodile December 28th, 2010, 12:25 PM Perfil Alexandre Dala // O outro lado da moeda Apresentador de televisão e músico Está tudo a postos para daqui a dois dias, 19, os telespectadores do programa Motores e o público em geral conhecerem o outro lado do apresentador Alexandre Dala, desta vez, no papel de rapper. Com seis faixas musicais, o título do primeiro maxi single do apresentador vem a propósito, num retrato sobre o que tem passado desde a sua ascensão à fama. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_99/alexs.jpg Para o cantor A fama não me mudou, é um título merecido à sua obra discográfica. “Na verdade eu quis fazer algo diferente e este é um título pouco vulgar se compararmos ao que já existe no mercado”, disse Alexandre Dala. Segundo o apresentador de televisão, a cada dia que passa vão surgindo novas figuras públicas e vários são os constrangimentos por que passam no contacto com uma “nova sociedade”. “É um percurso com rosas e espinhos. Chegar à meta requer muitos cuidados”, disse o músico. O single promocional compõe seis faixas musicais todas cantadas em português e gravadas em Angola no estúdio X10, onde se fez parte da produção e mistura. A fama não me mudou contou ainda com a produção de MC Matita, Dr Kivox e Aires da Julieta e os estúdio So Much More, Outro Mundo e Kila Produções. Sobre as participações musicais realçou que embora não tenha trabalhado com os considerados “monstros do rap em Angola” contou com a participação de bons músicos à semelhança de Kenny Buss, Mad o Contrário e Malefu. O disco foi todo produzido a partir do ano passado com excepção da música “What u Wanna” feita há quatro. Para o cantor o grande “calcanhares de Aquiles” foi o conciliar das gravações com os trabalhos na televisão. “Na medida do possível vou conciliando as duas coisas mas acredito que nesta fase da promoção e venda do álbum será mais complicado. A televisão ocupa-nos muito tempo”, explicou. O videoclip e as músicas A música promocional do single e que dá título ao álbum já tem tocado em algumas rádios da cidade. O videoclip realizado pelo profissional de televisão Wilson Fernandes já passa no canal 2 da TPA. “A gravação do videoclip só foi possível graças ao apoio do jornalista Ernesto Bartolomeu”, realçou. Além dos seus amigos participou também na gravação do vídeo a conhecida apresentadora do canal 2 Lukenia Gomes. No max single consta o intro “Somos todos iguais” um espelho dos conflitos entre os rappers, segue-se a faixa “Levo-te Comigo” dedicada à esposa devido a sua entrada na televisão e ao horário tardio que tem chegado a casa. A terceira música dá titulo ao álbum e a quarta “Vais ser Feliz “ é uma chamada de atenção às jovens que se juntam a pessoas já comprometidas. Segue-se “What U Wanna”, primeira música gravada pelo cantor e finalmente a faixa “Obrigado” onde agradece aos que directa ou indirectamente o apoiaram neste seu percurso. Uma das metas com o lançamento do álbum é direccionar parte das verbas para o projecto de arte Sanzala Yami, do fotógrafo Osvaldo Pedro. “Algumas vezes as pessoas interpelam-me na rua e questionam sobre a possibilidade de entrarem para a televisão. E esse projecto é um caminho”. No domingo, 19, serão colocados à disposição dos apreciadores do rap, dez mil cópias do maxi single. Segundo o autor, o álbum que se intitulará Diário, será lançado em meados do próximo ano. “Já tenho todas as letras do álbum escritas e também alguns instrumentais, mas nenhuma ainda gravada”, explicou Alexandre Dala. Em Diário, o músico transmitirá a sua visão sobre o quotidiano angolano. Um percurso Embora a oportunidade de lançar o disco só agora tenha surgido, o gosto pela música vem desde a adolescência. “A vontade de cantar surgiu, desde 1998, numa altura em que comecei a ouvir os músicos Gutto, Boss AC e Das EXF”, disse. Três anos depois, o cantor formou um grupo musical os Rappers do Infinito. Compostos por 12 membros, o grupo durou quatro anos. Na altura, findo o curso de Ciências Exactas no Puniv, e na vã tentativa de ingressar na a faculdade, decidiu fazer o trabalho de taxista. Mas devidos às várias dificuldades e não satisfeito com o que ganhava no serviço de táxi decidiu dar aulas de química e desenho no colégio do Sétimo Dia, localizado na Vila da Mata, Cazenga. “Surgiu a oportunidade de dar aulas no colégio. Fi-lo apenas durante um ano”. Regressou ao serviço de táxi, desta vez por pouco tempo, até inscrever-se no concurso de apresentadores para a televisão. Na altura o cantor dividia o seu tempo entre as múltiplas tarefas. “Cheguei a fazer parte da produtora Queima Roupa, mas por pouco tempo”. Um pulo para o sucesso O anúncio lançado pela TPA sobre o início da inscrição para o concurso de apresentadores, há três anos, chamou a atenção de Alexandre Dala. “Foi o surgir de uma oportunidade já esperada há algum tempo. Inscrevi-me logo à primeira”, disse Dala salientando que “a intenção era apenas fazer locução off”. A participação, em 2003, no concurso para “novas vozes de rádio”, da estação Luanda Antena Comercial (LAC) foi um factor de influência no resultado no concurso da TPA2. “As pessoas elogiaram a minha voz e diziam que é muito boa para fazer rádio. E cheguei a ter formação durante alguns meses na LAC. “Quando fui ao casting encontrei no hall muita gente muito bem vestida uns de fato e gravata e eu de fato de trabalho. Mas graças ao incentivo de um amigo que lá encontrei, segui em frente”. Participaram no concurso cerca de mil pessoas para uma selecção final de três apresentadores. Apôs a selecção o trio foi submetido a uma formação intensiva durante dois meses na produtora Até ao fim do mundo em Portugal. “O princípio foi a fase mais difícil. A câmara era um verdadeiro bicho de sete cabeças”, lembrou. POR DETRÁS DO PROFISSIONAL Natural de Luanda, Alex passou parte da infância no bairro Popular, município do Kilamba Kiaxi onde frequentou o ensino primário, na escola número 225. Anos depois na companhia dos pais mudou de residência e fixou-se no Cazenga. Ali cresceu e teve os melhores amigos, até juntar--se a mulher e mudar-se para o bairro Cassequel do Buraco. Sobre as memórias de infância, embora não tenha muitas recordações lembra: “os meus pais diziam que eu era uma criança muito irrequieta”. Primeiro filho entre nove irmãos, Alexandre Dala foi sempre um individuo reservado. “Gosto de me isolar e passar parte do tempo a ouvir música ou a ver filmes”, disse o apresentador e cantor. a fama não me mudou Composta por seis faixas musicais (“Somos todos iguais”, “Levo-te comigo”, “A fama não me mudou”, “Vais ser feliz” ,“What u wanna” e “Obrigado”) o primeiro maxi single do cantor e apresentador de televisão será lançado no dia 19, na Praça da independência. Perfil Nome completo Leolpodino Alexandre Dala Aniversário 29 de Março Filha Márcia Alexandre (5 anos) Apresentadores Ernesto Bartolomeu e Mário Vaz Referência internacional no Rap Gutto, Boss AC e agora Lupe Fiasco E nacional Cool Clever (por se manter fiel ao ideal) Livro A fórmula de Deus (José Rodrigues) Perfil Virgínia Borges // Gestora nata Empresária e economista angolana http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_99/virgen.jpg Focada na exportação e importação de mercadorias, Virgínia Borges divide as suas tarefas diárias entre o seu lar e a Soreco, empresa que dirige há quatro anos. Simpática e bem humorada a empresária dedica-se afincadamente ao transporte de mercadorias por ar, mar e terra, de Angola e para Angola. Entre as prioridades da empresária destaca-se a abertura para breve de uma filial no maravilhoso arquipélago de São Tomé e Príncipe, resultado da troca de impressões entre os dois estados (Angola e São Tomé) sobre a necessidade de reforçarem a cooperação nos vários domínios entre o comércio, transportes, a agricultura, petróleos, formação de quadros e outros. “Investir no arquipélago já era uma intenção da empresa. E a aproximação entre os dois estados foi mais é um impulso”, explicou Virgínia Borges salientando que “estão a ser feitos estudos de viabilidade necessários para a concretização deste projecto”. Sócia e directora adjunta da empresa Soreco (transitário e despachante), a gestora apresenta-se como uma profissional polivalente no exercício das suas funções na empresa. “Encarrego-me de tudo um pouco, trato da gestão administrativa e financeira. E quando necessário vou ao campo”, explicou. Embora a empresa exista há oito anos como prestadora de serviço no transporte de mercadoria a sua intervenção tem sido mais activa nos últimos quatro anos. A reestruturação A intervenção de Virgínia na Soreco, há quatro anos, foi um “virar de página”, para a empresa que hoje dirige. “A empresa existe há oito anos, mas eu faço parte dela activamente, desde os últimos quatro”, explicou Virgínia salientando que “antes disso o sócio da empresa queixava- -se das constantes baixas na empresa”. Nos primeiros quatro anos, a empresa era gerida pelo sócio belga e um amigo angolano que era a pessoa que dava a cara pela empresa. “Devido às dificuldades em se tratar os documentos para a abertura da empresa, o meu sócio enquadrou na Soreco mais uma outra pessoa que também se tornou sócio”. Nos primeiros quatro anos o desenvolvimento da empresa foi muito vagaroso e haviam constantes baixas até que Virgínia decidiu intervir de forma mais activa na empresa do marido. “A minha primeira atitude foi afastar o financeiro e o suposto sócio que na altura dava a cara pela empresa, pelo simples facto de ser amigo do meu marido”, disse. Decidida e sem receio algum afastou parte dos antigos empregados ligados à administração e finanças e reestruturou completamente a empresa, passando ela a dirigir o sector financeiro e administrativo da Soreco. Para espanto e satisfação do presidente da empresa, a mudança funcionou. “Meses depois a empresa começou a dar mostras de desenvolvimento, conseguimos mais clientes e o consequente aumento do número de contratos”, lembrou a gestora. Os maiores clientes da sua empresa são os do ramo petrolífero, diamantífero e outros não menos importantes, nacionais e estrangeiros. Entre eles os provenientes da África do sul, França e Coreia do Sul. A eficiência e rapidez dos nossos trabalhos são o garante da nossa sustentabilidade”, explicou Virgínia Borges. Segundo a gestora, a empresa que gere tem cerca de trinta funcionários e tudo faz para agradar a todos os clientes oferecendo-lhes pacotes atractivos de serviços. “Muitas das vezes quando recebemos clientes vindos do estrangeiro agregamos aos nossos serviços um pacote turístico”, disse. função pública Após a conclusão do curso médio de Planificação e Gestão no antigo instituto Karl Marx, actual IMIL, Virgínia Borges concorreu ao concurso público do Ministério das Finanças onde para sua alegria foi de imediato inserida no quadro de funcionários daquela instituição financeira. Durante quatro anos foi a responsável do departamento de orçamento e contas. Mas por motivos pessoais viu-se obrigada a afastar-se do Ministério. “Na altura em que eu trabalhava no Ministério das Finanças, casei-me e fui viver fora do país. O que me obrigou a pedir a demissão”, explicou Gina salientando que “na altura o pedido de demissão não foi aceite mas não tive outra alternativa”. Uma veia desportista A forma física que apresenta deve-se ao gosto e prática desportiva. “Apesar de ter um tempo muito restrito, sempre que posso faço ginásio”, disse a ex-praticante de andebol. Seis anos foi o tempo que militou pelo clube Leões de Luanda e o Petro Atlético de Luanda, na posição de ponta direita. “Joguei andebol durante seis anos e em clubes diferentes dos quais dois anos nos Leões de Luanda e mais quatro no Petro Atlético, com o professor Beto Barbosa”. A patinagem e o basquetebol também fazem parte das modalidades já praticadas pela empresária. Por detrás da gestora No bairro em que vive é querida entre os vizinhos. Humilde e sempre disposta a ajudar os amigos destaca--se entre os moradores do Cassenda. A simplicidade é uma das virtudes que a caracteriza. Natural de Luanda, Virgínia Borges passou parte da sua infância no bairro do São Paulo e logo depois mudou-se para o Valódia, onde permaneceu até ao casamento. Casada e mãe de quatro filhos divide o seu tempo entre a transitária e as tarefas domésticas, ao que muito se apega. “Felizmente a minha residência é próxima do meu local de trabalho o que facilita as minhas tarefas diárias”, explicou a empresária. Primeira filha de nove irmãos, sempre se destacou pelo seu lado nato de empreendedorismo e gestão. “Já fiz vários negócios à parte do transitário. Tive o meu próprio restaurante, geri uma boutique e outros negócios não menos importantes”, disse Entre a experiência da empresária consta ainda a passagem laboral pelo Aeroporto Internacional de Angola onde trabalhou como assistente de terra, para várias agências entre elas a Air France, Sabena e Air Namíbia. Perfil Nome completo Virgínia Maria Borges Aniversário 19 de Abril Naturalidade Luanda Estado Civil Casada Província em Angola Lubango País para férias Espanha Virtude Simplicidade Vícios Viajar Escritores Stephen Edwin King e Jonathan Kellerman Matthias Offodile January 7th, 2011, 08:39 PM Sebastião António Vemba // ‘O jornalista do ano’ http://www.opais.co.ao/resources/images/2009pais/edicao_112/pais112%20lr_100.jpg Apesar de ter ganho recentemente o prémio de melhor jornalista de África, na categoria de Língua portuguesa, Sebastião Vemba sente-se descontente por não ter concorrido a nenhum prémio do género a nível nacional, mas espera alcançar o feito no próximo ano. Quando é que entrou para o Mundo do jornalismo? Em 2006, através de um amigo e “irmão em Cristo”, que gostou das minhas crónicas e outros artigos que publicava num jornal mural da Igreja. Também jornalista? Sim, ele trabalha no Folha 8 e aconselhou-me a levar os meus documentos ao jornal. Foi o que fiz e fui admitido com estagiário. Também não devo esquecer que foi graças à paciência de profissionais como Ireneu Mujoco e António Seitas que aprendi algumas técnicas de escrita jornalísticas (na altura já recebia alguns elogios em relação ao domínio da Língua Portuguesa. Sempre foi o seu sonho? Sempre tive sérios problemas em relação ao que fazer na faculdade ou que curso seguir. Olhe que já passei por duas faculdades, uma de Relações Internacionais e outra de Direito, mas nenhuma delas está concluída. Mas hoje já sei que Línguas e Comunicação, talvez Marketing, são as áreas que me realizam. Conte-nos como é que foi para chegar ao prémio CNN. Desde 2008, quando chegaram à redacção do “Novo Jornal” alguns formulários para o prémio. Lembro claramente que o director-geral deste órgão, Victor Silva, nos dizia que não custava nada tentar, mas eu e mais alguns colegas na minha faixa etária dizíamos que aquilo era coisa de mais velhos. Entretanto, em 2009, uma das editoras do jornal disse-me que se ela estivesse no meu lugar enviaria todas as minhas reportagens sobre o desalojamento da população do bairro Benfica, na Ilha. Eu lembreime do que o Victor Silva dizia, juntei as reportagens e enviei-as aos escritórios da Multi-Choice, onde os trabalhos eram recebidos, e, meses depois, fui informado que era um dos finalistas e, graças a Deus, cheguei a ganhar na categoria de melhor jornalista em Língua Portuguesa. Depois de ter entregue os seus artigos teve alguma esperança? Para ser sincero não, mas a minha maior satisfação foi saber que o prémio já tinha sido ganho por gurus do jornalismo angolano, nomeadamente José Luís Mendonça e Ernesto Bartolomeu. Pensa em continuar no jornalismo, ou pretende enveredar por outras áreas? Como disse antes, penso em jornalismo ou letras. Estas são áreas que me realizam. Se a bolsa que o Ministério da Comunicação Social pretende oferecer se concretizar, como será interna, farei Línguas e Administração da Universidade Católica. Fale-nos também dos piores momentos que viveu ao longo da sua carreira? Os primeiros anos são sempre os mais difíceis e acho que só agora as dores têm sido atenuadas. Refirome à incapacidade ou, às vezes, à dificuldade de aceder às fontes, à inexperiência e também, por vezes, ao tratamento menos simpático que recebemos dos nossos superiores hierárquicos. Quais são os seus projectos futuros? Voltar à faculdade e arranjar algum tempo para as outras minhas paixões, nomeadamente a música e a escrita literária. Que apreciação faz do jornalismo nacional? Essa é uma questão muito difícil de se responder, por duas razões. Primeiro, porque sou jornalista há apenas 4 anos e não me considero com autoridade para falar sobre o assunto; segundo, porque ando um pouco distraído do que acontece na comunicação social. Ainda assim, respeito a velha geração e admiro o trabalho de jovens jornalistas, particularmente os da Rádio Ecclesia, uma das que mais ouço, e os da TV Zimbo. Gosto das reportagens da Joana Tomás e do Kabingano Manuel, estes dois da Televisão Pública de Angola. Que visão tem para o futuro da comunicação social? Uma comunicação social cada vez mais pluralista. Aliás, foi isso que aconteceu com a atribuição do prémio de melhor jornalista na categoria de imprensa a Gustavo Costa, apesar do carácter crítico e contundente dos seus artigos. Que apelo faz aos mais novos da profissão? O que aprendi, ao longo destes anos, é que devemos ser, acima de tudo, inimigos da preguiça, amigos da verdade, de modo a que não poupemos esforços em desvendar os factos. É também necessário que sejamos auto disciplinados. Perfil * Nome: Sebastião António Vemba * Idade: 26 anos * Natural: Luanda * Nacionalidade: Angolana * Estado Civil: Solteiro * Formação Académica: Segundo ano de Direito (curso interrompido) * Desporto Preferido: Basquetebol * Prato preferido: Caldeirada de carne * Melhor livro: Felicidade Um Trabalho Interior * Melhor filme: O Último Samurai evany January 7th, 2011, 09:39 PM hum isso é que o pais precisa :applause: Matthias Offodile January 7th, 2011, 10:04 PM João Carlos Pereira nasceu angolano http://www.desportimedia.pt/media/31342/20_joao.jpg Nasceu em Angola, cresceu em Portugal. São dois países irmãos que convivem na corrente sanguínea de João Carlos Pereira. Com uma carreira consolidada em Portugal, o antigo treinador do Belenenses está disponível para um percurso em Angola, o seu país de nascimento. Em Portugal, é apontado como um dos treinadores mais capazes da designada geração "Mourinho". São treinadores que apostam na inovação metodológica, num choque cultural na área do treino. Em declarações exclusivas ao jornal dos Desportos, João Carlos Pereira comenta a possibilidade de vir a treinar em Angola: «Gostaria muito de regressar ao país onde nasci. Sinto-me igualmente angolano e não há nada que mude isso. Porém, não quero treinar em Angola a qualquer preço. Se um dia concretizar esse sonho, tem de ser com garantias de que vou ajudar um clube a crescer e sobretudo vou implementar novos métodos de treino e uma visão mais contemporânea de jogo. É um dos meus países, sinto que as coisas estão a mudar em Angola, a organização da CAN foi um passo importante, é preciso dar continuidade ao trabalho que se fez e que colocou Angola no mapa do futebol internacional. Gostaria de treinar em Angola, com a perspectiva de levar coisas diferentes, com a possibilidade de ensinar, de aprender, mas sobretudo de ajudar à elevação do futebol angolano. Sinto essa exigência, comigo próprio, Angola precisa de pessoas disponíveis para ajudar, disponíveis para ensinar mas também para aprender, porque as pessoas em Angola merecem respeito e merecem que as escutemos. O futebol angolano não precisa de uma colonização de processos de treino e de metodologia, precisa, sim de novos conceitos para juntar aos que já existem e que ajudaram à evolução do futebol em Angola. Este é o meu espírito, por isso gostaria de treinar em Angola, para ajudar, para deixar uma marca e, principalmente, porque já construi uma carreira em Portugal, e seria interessante fazê-lo no meu país de nascimento, em Angola». :cheers: Para João Carlos Pereira, o factor de sucesso do futebol em Angola é a paixão dos angolanos pelo jogo. É assim em todos os países onde o futebol assume uma importância social e desportiva. «É o primeiro factor de sucesso do futebol em qualquer país, a paixão dos adeptos. E não conheço público com mais paixão pelo futebol do que o público angolano. Gosta de futebol, de forma genuína, gosta dos seus clubes e gosta de espectáculo. Eu sou um treinador positivo, apaixona-me o futebol de ataque, um futebol com ideias claras, que sinta atracção pelo espectáculo, que sinta o apelo dos adeptos para um futebol criativo e que divirta. Sinto que em Angola, as origens do futebol são respeitadas, ainda não está contaminado pelo "resultadismo" europeu e não deve permitir que isso aconteça, porque isso arrefece o entusiasmo dos adeptos angolanos. E a base do sucesso do futebol em Angola está na paixão dos adeptos. Há talento nos jogadores, há voluntarismo nos dirigentes, há paixão nos adeptos, há tudo o que é preciso para que o futebol angolano possa evoluir, sem renunciar à sua matriz cultural e social. As pessoas devem entender que o futebol em África tem características próprias e não deve renunciar a elas. São essas características que levam os europeus a deixar-se enfeitiçar pelo talento do jogador africano. Se um dia isso desaparecer, o futebol africano definhará. Esse é o caminho do futebol angolano, respeitar a sua matriz de jogo, de cultura de jogo. Claro que pode ser aperfeiçoada, deve ser aperfeiçoada, através do treino, da metodologia de treino, dos factores associados ao rendimento, como o profissionalismo e tudo o que lhe diz respeito. Porém, as pessoas não se devem deixar enganar, mais profissionalismo não significa em Angola que se perca o talento natural do jogador angolano. Pelo contrário, todo o profissionalismo em África deve começar pelo reconhecimento do talento africano», afirmou João Carlos Pereira, em entrevista exclusiva ao jornal dos Desportos. Questionado sobre o tipo de projecto que o podia aliciar a treinar em Angola, João Carlos Pereira respondeu de uma forma pragmática: «Um projecto que me desse condições de treino, que me assegurasse um plantel com disponibilidade para aprender, para treinar e jogar num ambiente de grande profissionalismo, de grande exigência, um projecto onde estivesse salvaguardada a minha liderança. Há uma coisa, em todos os meus projectos, de que não abdico. Sou eu que lidero o processo. De treino e de jogo. Tudo o que diz respeito à equipa, diz-me respeito. Todas as pessoas, desde dirigentes a jogadores devem aceitar essa liderança. Agora, eu sou um treinador, não sou um capataz. Não grito, não dou pontapés nas coisas, não perco a cabeça. Há uma diferença muito grande entre exibir a liderança ou exercer a liderança. Eu acredito que a liderança se exerce naturalmente, sem traumas, sem choques e sobretudo com grande respeito e preocupação pelos outros. Mas é fundamental, no futebol, que todos percebam que existe uma liderança técnica e é apenas disso que estou a falar, de liderança técnica. Há outra liderança, importante, imprescindível, numa equipa de futebol, que é a liderança dos dirigentes e essa é soberana. Mas são lideranças que não se devem misturar. O dirigente dirige, o treinador treina, o jogador joga. Esta pirâmide funciona, desde que todos percebam o seu papel numa equipa de futebol. Eu acredito que isto é possível em Angola, nos clubes angolanos. Organizar, liderar, competir e ganhar». Em Portugal, João Carlos Pereira ganhou a fama e o proveito de ser um treinador que aposta em factores críticos de sucesso. A formação de jogadores é um deles. Também por isso sente-se atraído por Angola: «Sempre me senti atraído pela formação. Em todos os clubes que treinei, acabei por lançar jovens jogadores, que hoje estão consolidados nas suas equipas e com carreiras internacionais. Entre um jogador que me traga talento e outro que me traga experiência, não posso optar sempre pela experiência, porque o talento continua a ser o elemento diferenciador do jogo. E é isso que me atrai em Angola, é o talento e a possibilidade de chegar mais cedo a esse talento. Em Portugal, durante anos, vi alguns jogadores angolanos, cheios de talento, que chegaram tarde demais a um ambiente de maior profissionalismo. E penso no que seriam as carreiras destes jogadores se tivesse sido possível o contacto, mais cedo, com métodos de treino mais exigentes. Também é isso que me atrai em Angola, a possibilidade de pegar numa equipa e de a transformar, mas também alargar a minha influência às camadas jovens, padronizando métodos de treino e de jogo. Há muita coisa para fazer em Angola, se todos perceberem que o mais difícil está feito. E o mais difícil no futebol, continua a ser encontrar o talento certo. E Angola tem muito talento», concluiu João Carlos Pereira em declarações exclusivas ao Jornal dos Desportos. MZP Começa a Produzir Filmes Nacionais Neste Ano http://www.miguelzangopro.com/gerenciador/fotos/destaques_2.jpg A MZP, fazendo uma leitura acertada dos tempos, decidiu apostar ousadamente em mais um mercado, um dos mercados do futuro, o da informação visual. Após alguns anos de estudos, Miguel Zango, (o proprietário da MZP), decide apostar sériamente na realização e edição de imagens, mas desta feita, como filmes de produção nacional com forte teor moral e social. Temos assistido à uma grande avalanche de produções videográficas nacionais e uma excelente absorção destes por parte da massa jovem angolana e não só, Mas numa era de desenfreado desenvolvimento, é preciso que surjam também as chamadas forças reguladoras do mercado para trazerem informações que balanceiem o que se passa no momento. Assistimos a todo o tipo de cenas, a todos os tipos de histórias, e nesse segmento a MZP vem trazer um certo teor de moral em seus filmes. Fique ligado, que em breve estarão abertas as inscrições e o casting para actores, roteiristas, escritores, editores, cameramen, e toda uma equipe que se pretende formar para a nova fase da MPZ Produções de Filmes. Matthias Offodile January 9th, 2011, 08:33 PM Vendas Os pioneiros da venda directa http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_11/exame_09_2010_12_04_3.jpg Publicado a 27-12-2010 10:47:00 Você é daquelas pessoas que não sabe cozinhar, mas tem pena? É a pensar nesse tipo de pessoas que um alemão chamado Vorwerk criou, há 50 anos, uma máquina de cozinha inteligente que permite confeccionar uma refeição completa em poucos. “É como ter um chef em casa”, dizem José Geada e Teresa Vieira, o casal que detém a representação oficial da marca em Angola. José Geada nasceu no Huambo. Tem formação em Engenharia, no Instituto Superior Técnico e um passado ligado ao ramo aeronáutico (esteve sete anos na Academia Militar). Nos anos 80, retomou a ligação a Angola. Durante três anos, foi consultor da Direcção Nacional da Indústria Pesada onde esteve envolvido num projecto de desenvolvimento da indústria automóvel. Teve também uma experiência no jornalismo como editor de uma revista ligada aos países de língua portuguesa de 1994 a 2001. Voltou definitivamente para Angola há dois anos como consultor na área do ambiente para um grande projecto de reciclagem de vidro e plástico e uma incineradora. A ideia não avançou e João Geada decidiu iniciar um negócio próprio. Foi aí que surgiu uma oportunidade chamada Bimby (cujo nome original é Thermomix). A máquina incorpora num só aparelho, uma balança, um pulverizador, uma batedeira, uma amassadeira, um ralador, um emulsionador, uma iogurteira, um fogão eléctrico, uma misturadora, um 1-2-3, uma varinha mágica, uma centrifugadora, uma vaporeira e um fogão com temperatura controlada que permite cozinhar os alimentos a 100ºC, não produzindo gorduras saturadas nefastas à saúde. Garantia de dois anos e assistência A vantagem de comprar em Angola é a garantia de dois anos e a assistência técnica credenciada A decisão de avançar para o negócio foi tomada em conjunto com a sua mulher Teresa Vieira. Com formação em Sociologia e experiência em jornalismo, arquitectura e decoração, Teresa era uma apaixonada pela famosa máquina de cozinha. No âmbito do seu trabalho como decoradora tinha verificado que as suas clientes tinham um enorme interesse e curiosidade no aparelho. Tanto assim era que Teresa acabou por vender algumas máquinas que, na altura, eram apenas um mero complemento das suas propostas de decoração. Foi aí que Teresa se apercebeu de que as Bimby eram uma oportunidade de negócio dado que ainda não havia um canal de distribuição oficial no país. “As pessoas pediam aos amigos que lhe trouxessem uma máquina de Portugal ou da África do Sul”. Além do preço ser mais elevado, o problema é que as Bimby não tinham posteriormente qualquer garantia. Também não havia uma formação prévia, nem assistência técnica, duas características essenciais da proposta de valor da marca. Foi nessa altura que o casal decidiu contactar a empresa-mãe Worwerk e negociar um contrato de distribuição exclusivo para Angola. Para isso foi obrigado a respeitar uma série de princípios tais como o cumprimento de objectivos anuais de venda, o respeito por um código de ética rigoroso e a utilização da identidade corporativa da marca alemã em todos os materiais de comunicação usados em Angola. O contrato foi fechado em Abril e o negócio arrancou em Maio. Para Angola foi fixado o preço de 2500 dólares face aos 1000 euros (1343 dólares ao câmbio actual) em Portugal e aos 2 mil dólares que custam na África do Sul. Zimbabué, Senegal e Marrocos são outros países africanos onde já existe uma representação oficial da marca. A diferença de preço deve-se aos custos logísticos. É que as máquinas são produzidas na Alemanha, montadas em França e depois transportadas, por navio para a África do Sul. Daí seguem por avião para Angola. “Pagamos 37% só de impostos alfandegários. Estamos a tentar importar directamente da Europa para não onerar os preços”, diz José Geada. TERESA VIEIRA E JOSÉ GEADA: Um angolano e uma luso-moçambicana representam a marca http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_11/exame_09_2010_12_04_1.jpg Ainda assim, garante o casal, a diferença de preço compensa. Além da garantia de dois anos, os compradores têm direito a assistência. “Temos sempre peças em stock e se a máquina não tiver reparação oferecemos uma nova. A garantia não cobre, no entanto, os problemas associados às quebras de tensão que, como se sabe, são um problema em Angola”, esclarece Teresa Vieira. A sessão de formação inicial, para além da demonstração das funcionalidades da máquina, inclui instruções de segurança. “Na África do Sul verificou-se que muitos clientes estragavam as máquinas porque se esqueciam de que a parte eléctrica não pode apanhar água”, acrescenta. Outra arma de marketing são os cursos de cozinha com Bimby que se realizam mensalmente (os últimos foram realizados no Hotel Talatona) e são gratuitos para os clientes e os membros do clube Bimby. Esta inovação, criada recentemente, permite às pessoas que compraram a “máquina de cozinha inteligente” noutros países tenham acesso à extensão da garantia para Angola, à assistência e aos cursos, pagando uma jóia vitalícia de 500 dólares. “Também temos sorteios e vamos fazer viagens gastronómicas exclusivas só para os membros do clube”, reforça. Outra característica da marca é o facto de as vendas serem realizadas através da venda directa, ou seja, através de revendedores individuais. Dito por outras palavras, qualquer pessoa pode ser agente da marca e vender a Bimby. Para tal terão de se comprometer a frequentar uma formação especifica de 90 dias (que inclui a componente teórica em técnicas de venda directa) e a estar disponíveis para efectuar sessões de demonstração que, muitas vezes, são realizadas em casa do próprio cliente. Terão ainda que obedecer ao objectivo de vender uma máquina por mês, recebendo, como contrapartida uma comissão por cada que venda que varia entre 250 (primeira unidade) e 500 dólares (dez unidades por mês). Há também a oferta de livros ou de um prémio de 100 dólares para quem simplesmente referencia potenciais clientes que se tornem compradores. http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_11/exame_09_2010_12_04_2.jpg Rede de agentes em expansão Com tais argumentos a carreira de agente Bimby está em expansão em todo o mundo dado que pode ser acumulada, desde que as pessoas revelem disciplina e capacidade de trabalho, com outra profissão. Em Portugal, por exemplo, existem 2 mil agentes Bimby. “Queremos criar uma rede de igual dimensão em Angola”, diz José Geada. O chef Helt Araújo vai escrever um livro de receitas angolanas para a Bimby que será editado em 2011 Para já o negócio parece estar a correr bem. Nos primeiros três meses venderam--se 60 Bimby e há seis agentes com contratos assinados. “A Bimby também está a ser cada vez mais procurada para listas de casamento”, diz. O início auspicioso deve-se ao esforço dos fundadores que se têm desdobrado em demonstrações de grupo e individuais que se realizam todos os fins-de-semana em Talatona, no condomínio Dália. O próximo passo é o alargamento da rede às províncias, em particular ao Namibe, Lubango, Benguela (onde já se realizou uma sessão de demonstração no restaurante Escondidinho) e Cabinda (a primeira “aula de cozinha” teve a popular Dona Laurinda como anfitriã). Os hotéis e os restaurantes são aliás um dos segmentos-alvo mais interessantes para a Bimby. “Já fizemos duas sessões de formação a todo o pessoal de cozinha do Hotel de Talatona. E vendemos máquinas ao restaurante Coconuts, aos hotéis de Alvalade e Calor Tropical e à empresa de catering Fanepa. Jorge Gabriel, presidente da Associação de Hotelaria e Restauração, tem dado uma ajuda preciosa na divulgação da Bimby”, esclarece José Geada. Os chefs de cozinha são também excelentes embaixadores. “O chef português Victor Sobral viaja sempre com a máquina”, diz divertido. A popularidade da máquina deve-se à qualidade e economia de tempo que proporciona. “Com a Bimby é impossível enganarmo-nos nas receitas. Basta seguir as instruções. A máquina permite picar um quilo de cebolas em 5 segundos ou fazer funge em 30 segundos, algo que manualmente demoraria meia hora”, garante Teresa Vieira. De referir que os compradores recebem livros de receitas no acto de compra. “Em 2011, iremos lançar um livro inédito sobre gastronomia angolana com Bimby, usando receitas já testadas e apadrinhado pelo chef angolano Helt Araújo que trabalhou no mítico Ell Bulli, em Espanha”, acrescenta. Outra facilidade apreciada pelos compradores é o facto de haver uma linha de crédito com o Banco Millennium que permite a compra da máquina em prestações. Por exemplo, o cliente pode pagar mensalmente 8200 kwanzas durante 48 meses. Ou seja, a máquina além de ser inteligente também é democrática. Aspirando o sucesso Os aspiradores Kirby já estão em Angola. Apesar de custarem 4200 dólares, a média de aceitação é de 99%. Qual é o segredo? Joaquim Pereira e Hugo Monteiro chegaram a Angola pela primeira vez há dois anos. Vinham com a ideia de iniciar a comercialização dos aspiradores a vácuo Kirby, uma marca criada há 96 anos pelo americano Jim Kirby e que hoje é detida pela Berkshire Hathway (do mítico investidor Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo segundo a Forbes). As expectativas saíram goradas. Depois de duas semanas de insistência não chegaram sequer a conhecer o sócio local que se tinha prontificado a apoiá-los. Aperceberam-se, porém, do enorme potencial do mercado. Joaquim Pereira não desistiu. Resolveu arriscar tudo e viajar para Angola apenas com três aparelhos na bagagem para vender. O início foi difícil. “Cheguei a dormir num convento de freiras”, recorda. Mas a persistência foi recompensada. O dinheiro arrecadado com as vendas foi sendo reinvestido na criação da rede e das infra-estruturas necessárias para responder aos requisitos do contrato de representação. Joaquim Pereira conhecia a fundo o negócio. Tinha uma experiência de 11 anos como responsável da marca pela região Norte de Portugal. As vendas propriamente ditas só começaram a sério este ano. E os números são muito animadores. “Devemos terminar 2010 com 500 aparelhos vendidos. Para o próximo ano faço ideia de chegar aos 1200. À medida que a rede de revendedores crescer, a meta será mais fácil de alcançar”. O optimismo deve-se ao rácio de aceitação que é de 99%. “É o valor mais alto do mundo”, diz Joaquim Pereira com um sorriso. Dito por outras palavras, cada vez que um vendedor visita um cliente ele acaba por adquirir o produto. “Muitos compram mais de um. Já houve um cliente que comprou de uma vez seis máquinas para as suas várias casas.” Até agora, os fundadores da Kirby em Angola só tinham vendido seis aspiradores de uma só vez ao Hotel Talatona, em Luanda. Outros hotéis da capital, caso do Presidente, Maianga, Loanda, Alvalade ou Praia-Mar, também usam Kirby. DEMONSTRAÇÕES CONVINCENTES Entre os particulares o público-alvo são os clientes da classe alta e média/alta. É que os aspiradores não são baratos. Custam 4200 dólares (3800 dólares se forem comprados no dia da apresentação), um preço praticamente igual ao que é praticado na Europa ou na África do Sul. A razão do sucesso está, segundo os fundadores, no próprio produto. “Os aspiradores são feitos em alumínio e têm uma capacidade ímpar de aspirar, escovar ou limpar tecidos em profundidade. A confiança é tal que a marca oferece uma garantia de três anos. O aparelho não precisa de manutenção. Nós damos formação inicial e toda a assistência técnica”, dizem. Mas onde as vendas realmente se fazem é nas demonstrações. “Já chegámos a retirar 1 quilo de pó do colchão de uma cama de casal comprada há três anos. Mesmo que sejam limpas regularmente os tapetes, os sofás e os tecidos acumulam imenso pó e de ácaros que depois geram alergias. Quando as pessoas se apercebem disso, pelos seus próprios olhos, compram logo o produto”, reforça. A prioridade agora é o crescimento. “Estamos a recrutar revendedores. No total, temos oito pessoas: quatro experientes e quatro em formação. Gostaríamos de ser mais fortes nas outras províncias. Mas nem sempre é fácil angariar vendedores motivados que encarem este negócio como profissão a tempo inteiro”, diz. As remunerações são aliciantes. Os vendedores ganham 250 dólares por venda (mais 100 se tiverem viatura). Se chegarem às seis máquinas por mês (objectivo mínimo) ganham 350 dólares e se atingirem as 15 (objectivo ideal ) auferem 450 dólares por cada uma vendida. Tudo o que eles necessitam de fazer para ter sucesso é uma valente aspiradela! Matthias Offodile January 13th, 2011, 09:44 PM Poeta Santo Quimbalambi // ‘A minha tendência é alcançar a perfeição’ http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_113/pais%20113_lr_137.jpg O jovem batalhador é também um dos fundadores do movimento “ Prays Artes”e membro do movimento Lev’arte e “Artes ao vivo”. Como ingressou na TV Zimbo? Foi através do meu curso de electricidade que cheguei até à TV Zimbo. Na altura fui contratado como electricista. Mas, dentro das minhas habilidades, já tinham experiência em iluminação. Onde adquiriu esta experiencia? Trabalhei muito tempo na área da iluminação na “Orion”. Mas depois tive uma formação técnica profissional de iluminação aqui na Zimbo. Como tem sido? Tem sido uma experiência muito boa, apesar de ser um trabalho duro. Mas estou satisfeito porque a minha tendência é alcançar a perfeição e para atingir essa meta tenho que batalhar muito para satisfazer as minhas necessidades profissionais. Antes disso trabalhou na sua área de formação? Nunca trabalhei em topografia que é o curso que eu pensava em desenvolver, uma vez que era o sonho do meu pai, mas dediquei-me mais a electricidade. E como surgiu a sua paixão pela poesia? Sou membro da Igreja Evangélica Reformada de Angola e lá temos um núcleo de formação designado “Artes e Talentos”, onde aprendemos a declamar poesia. E ganhei o gosto pela escrita e leitura. Mas também escreve? Sim, já tenho escrito alguns textos e declamado poesia no “Kings Clube”, na Vila Alice. E sou membro do movimento “Lev´ Arte”. Quando é que entrou no Movimento “Lev´Arte”? Entrei em 2008. O que o incentivou a fazer parte do movimento? Foi a minha paixão pela poesia. Uma vez assisti a um evento de literatura e não pensei duas vezes. E também foi a única maneira de divulgar os meus projectos. Mas, para além dos “Lev´Arte”, também sou um dos fundadores do movimento “Prays Artes”. Como tem conciliado o trabalho com a sua vida artística? É duro, mas sou apaixonado pelas duas coisas. Por outro lado, é bom para mim porque só ganho experiência. A comunicação social e artes são casadas, por isso tem sido muito bom. Está a trabalhar em algum projecto pessoal? Sim. Mas prefiro não divulgar por enquanto. O que mais gosta de fazer nos tempo livres? Gosto de ler e escrever. Que conselho deixa aos jovens que estão a entrar para o mundo da poesia? Só muita dedicação, lerem bastante para aumentarem a capacidade intelectual, só assim nos podemos desenvolver. Perfil * Nome: Santo Quimbalambi * Idade: 26 anos * Natural: Luanda * Nacionalidade: Angolana * Estado Cívil: Solteiro * Formação Académica: Técnico médio de topografia e electricidade * Desporto Preferido: Basquetebol * Prato Preferido: Feijoada * Melhor Livro: Não tenho * Melhor Filme: Titanic * Cor: Verde Alface Matthias Offodile February 10th, 2011, 10:09 PM Capa Hernani dos Santos // Uma boa imagem é sempre uma história Camaramen http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_112/herna.jpg Começou na TPA em 1983, entrou como assistente estagiário, teve como instrutores técnicos cubanos e Fernanda Fernandes. Em 1991 resolveu sair do país e buscar outros ares, outros desafios. O destino foi Lisboa. A RTP acabou por ser o seu primeiro desafio em Portugal, mas, por lá, até ao ano 2000 ainda passou pela SIC, TVI e Sport TV. Lembra que foram anos de aprendizagem e inserção. Dedicou-se a captar imagens desportivas e foi esta especialidade que lhe abriu o caminho das arábias. A Al Jazeera descobriu-a por via de um amigo português com quem trabalhara na RTP. Filmar grandes acontecimentos é sempre um bom momento, quando um “câmara” sabe que tem um mundo a espera das suas imagens. Cobrir cimeiras da União Africana, por exemplo, é um dos momentos em que a experiência tem de vir ao de cima, para captar os melhores momentos. “Aparentemente aquilo é sempre o mesmo. A mesma sala e os mesmos líderes sentados ou a discursar, o “câmara” tem de saber ler a cena e ver motivos bons de reportagem, transmitir ao público que está a acontecer algo de diferente e isso, muitas vezes, faz-se entre cotoveladas e empurrões. Todos querem a melhor imagem. É um mundo competitivo”. 2500 jogos de futebol Para um homem que quer ver o mundo, que o quer comprimir na lente de uma câmara, Portugal era importante, mas não tudo. Vai daí, o caminho levou-o ao Qatar, onde trabalhou para a Al Jazeera. Aqui, a cobertura de actividades desportivas foi também a parte maior do seu trabalho, embora tivesse trabalhado para outro tipo de noticiários. No Iraque, por exemplo, diz ter recolhido imagens dos horrores da guerra. Andou por vários países do Golfo Pérsico e da Ásia. Diz que gostou de ver Beirute no Líbano, um pouco diferente do resto das capitais árabes. Olhando para trás, conta um pouco mais de 2500 jogos de futebol filmados, entre Copas do Mundo, jogos da Liga Portuguesa, Champions, capeonato do Qatar, taças de África, etc. Mas a sua lente não se ficou pelo jogo que opõe duas equipas de onze jogadores. Contabiliza também 160 jogos de andebol e 320 de basquetebol. É uma experiência vasta que agora põe ao serviço da primeira estação privada de televisão em Angola, a TV Zimbo. Entre filmar desporto e fazer outro tipo de reportagens diz que o grau de dificuldade não é muito diferente. “O importante é ter o bichinho, o gosto, saber escolher os melhores ângulos e a melhor luz” Perguntamos-lhe o que vê de erros repetidos pelos “câmaras” mais jovens nas nossas televisões. O enquadramento. Foi a resposta. “O enquadramento do plano da imagem, mal feito, é o mais repetido entre os jovens que se estão a iniciar. Até entre alguns “câmaras” já com algum caminho feito. Outro erro, muito frequente, vem no deficiente balanço de brancos” A beleza está sempre na história que as imagens narram Hernani Alves diz que filmar é uma arte. Tem de ser assim, ou nada feito. O “câmara” tem de criar, tal como outros artistas, de outras áreas, reinventam o mundo. “Também o operador de câmara deve recriar o mundo, para que as pessoas o compreendam melhor, até nos dramas, a nossa imagem deve ter outra força, deve transmitir e provocar sentimentos”. Por isso é importante a escolha do ângulo de filmagem, pode determinar muita coisa no resultado final. Perguntamos também se o mais importante é ter uma bela história como ponto de partida, ou uma boa imagem para contar uma história. “A beleza está sempre na história que as imagens narram” foi a resposta. E acrescentou: “Uma má imagem não conta uma história”. Maradona, Akwá, Ortado… Troca emails e telefona a Maradona, o Diego, o “deus argentino do futebol” El Pibe. Esse mesmo. Conheceram-se nas arábias, quando Hernani trabalhava para a Al Jazeera. Apresentou-os Ivan Ortado, antigo capitão da selecção de futebol do Equador. Naquele mundo árabe, Qatar, os falantes de português e espanhol conheciam-se quase todos. Estava presente um outro jogador equatoriano, Cortez. Maradona, o mago da bola, já disse a Hernani, por várias vezes, que gostaria de vir a Angola. “Ele sabe que o nosso país teve uma guerra e que está, agora, estável e a melhorar”. Akwá foi também um companheiro nos anos de Qatar. “Éramos dois angolanos apenas. Hoje ele é deputado em Angola e eu continuo por trás da câmara e estamos ambos a viver no nosso país”. No Qatar as nossas casas estavam cerca de um quilómetro uma da outra. A simpatia de Hernani, as afinidades linguísticas e o seu jeito angolano fizeram-no conhecer muitos dos futebolistas latinos que evoluíam no Qatar ou que por lá passavam. “A minha profissão leva-me a conhecer muitas pessoas, algumas delas são grandes figuras e há casos em que nascem grandes amizades”. O “culpado do penalty” Quando trabalhava em Portugal, num jogo entre o Vitória de Guimarães e o Sport Lisboa e Benfica, corria tudo na normalidade até que aconteceu uma coisa que transformou aquele jogo num dos mais memoráveis da sua carreira. “Houve uma situação na área do Guimarães em que os jogadores do Benfica reclamavam que se marcasse um penalty por pretensa mão na bola. Na confusão que se cria sempre em situações do género, o Miguel, que jogava no Benfica, resolveu correr para mim para saber se tinha ou não a imagem. Claro que não me pronunciei, não era o meu papel, estava apenas a filmar. Mas o quarto árbitro, os treinadores do Guimarães e o público não gostaram que o Miguel viesse ter comigo. E, de repente, vi-me culpado de tudo, começaram os insultos como se eu tivesse chamado o Miguel. O público começou a dizer – Queremos o preto – Tive de sair escoltado de Guimarães e a Sport TV para a qual trabalhava na altura, não voltou a escalar-me para jogos em Guimarães, com receio de retaliações. Não voltei àquela cidade” Mas a coisa não ficou por aí. Na semana seguinte, quando filmava um jogo em Santarém, acabou por interessar a imprensa desportiva, toda a gente queria falar com o “câmara” da polémica. Dias depois teve de ir a um programa da Sport Tv em que estava o treinador do Guimarães da altura, Augusto Inácio, para reafirmar que não chamara o Miguel. Outro jogo que mantém vivo na memória foi o do Futebol Clube do Porto contra o AC Milan, quando Jorge Costa e George Weah resolveram “antipatizar-se”. “Naquele jogo estava bem junto ao campo com uma câmara super slow motion, captei muita daquela “confusão”, em que o Jorge Costa acabou com o nariz partido. O futebol sempre presente Em Angola jogou pelo Paviterra, onde teve Oliveira Gonçalves comop treinador. Foi ponta de lança. Jogou também no Sporting de Luanda e na equipa da Nocal. Em Portugal evoluiu, enquanto esperava enquadramento na RTP, pelo Sanjoanense, Sta. Maria e Académica de Martim, equipas do escalão secundário. Isso também explica a paixão por captar imagens do desporto rei. A minha profissão leva-me a conhecer muitas pessoas, algumas delas são grandes figuras e há casos em que nascem grandes amizades. Uma parte da minha vida está em Londres Tem a família, mulher e filhos, a viver em Londres. Voltou a Luanda onde tem a mãe os irmãos e primos. Diz que assim tem uma parte da sua vida em Londres. “Não podem vir porque ainda não tenho casa própria, enquanto estiver em casa arrendada o melhor é mantê-los lá, sabemos como é instável o arrendamento por cá” O regresso de Hernani a Angola aconteceu num “momento próprio”. “Eu já estava a preparar-me para voltar, e surgiu o convite de um amigo, o Garnel, com quem trabalhara 15 anos, e que dirigia os meios operacionais da Zimbo. Tudo se tornou mais rápido” E a readaptação, para quem tem cá uma parte da família, não é um monstro. Além disso há a motivação de estar a trabalhar para um projecto novo, com gente nova e por poder passar o que sei aos mais novos. “Sempre são 26 anos de experiência que posso transmitir aos jovens que agora se iniciam, alguns nunca tinham trabalhado em televisão. Há os que vieram de produtoras e há os que têm agora o seu primeiro emprego, nisso também foi bom o surgimento da ZIMBO”. Perfil Nome: Hernani dos Santos Naturalidade: Golungo Alto (Kuanza Norte) Tem família? Tenho. Eu e a minha companheira Maria Velho temos quatro filhos Cidade que mais gostou de conhecer Buenos Aires (Argentina) Cozinha faço quase tudo Prato preferido Funge com muamba de carne seca Beleza Tropical Valter Carvalho Modelo e empresário angolano http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_114/vidas_114_page_34_image_0001.jpg As medidas do modelo angolano há vários anos que encantam a Europa. O ano passado regressou, depois de 27 anos, ao país que o viu nascer para participar no Belas Fashion, em Luanda. nos planos de 2011, uma promessa: “voltar mais vezes a Angola”. Não há como não reparar na beleza exótica de Valter Carvalho. Pele morena, olhos castanhos claros e 1, 90, muito bem distribuídos. E foi isso que chamou a atenção de vários agentes de moda, em Portugal, onde vive há 27 anos. Saiu de Angola ainda com seis anos, “desde então nunca mais tinha vindo para Angola. É com emoção que volto para aqui”, disse-nos durante uma breve conversa na altura do Belas Fashion. De volta a Portugal, onde trabalha, o modelo deixa clara a vontade de regressar a Angola. “Quero contribuir directamente no desenvolvimento da moda nacional”, esclareceu. IDA PARA PORTUGAL A mudança foi complicada. Aos seis anos Valter mudou-se para Portugal com a sua família, naquela que ele considerou uma adaptação difícil. “ Com ajuda de alguns familiares a minha mãe e o meu padrasto arranjaram trabalho, e eu e o meu irmão conseguimos começar logo a estudar, eu como tinha 6 anos não tive de perder nenhuma ano, mas o meu irmão mais velho que já tinha quarta classe em Angola teve de recomeçar pela primeira classe”, recorda. Início da Carreira Dono de uma carreira repleta de bons momentos, Valter já desfilou para algumas das melhores marcas mundiais, entre elas Diesel, Guess, Alviero Martinez, Francesco Esmalto, Jean Paul Gaultier, Roberto Verino, Caramelo e Adolfo Domingues. Mas o início da carreira foi . “Já tinha sido abordado algumas vezes, mas como era uma área que eu não conhecia nunca demonstrei interesse, mas uma altura em que estava a fazer fisioterapia de um acidente de trabalho, encontrei um amigo que jogou rugby comigo e ele falou-me de um curso de modelos, e quando me disse que havia muitas meninas giras (risos) fiquei logo interessado. Fiz o curso e depois encaminharam-me para uma agência profissional, a partir dali as coisas calmamente começaram acontecer...”, contou-nos. A família sempre esteve ao seu lado, pedindo sempre para que apenas se portasse bem. REGRESSO A ANGOLA Passados 27 anos, muitos deles a trabalhar como modelo, Valter regressou a Angola. “Já há algum tempo que a Karina Barbosa(da Step Models ), estava a tentar contratar-me para trabalhar em Angola, e desta vez tudo correu bem e confirmaram-me para desfilar no Belas Fashion”, lembra. A sua participação foi sucesso de crítica: “fiquei feliz com o retorno que recebi durante o Belas Fashion, agradeço a todos que me apoiaram, de coração”. ABrAÇo Materno Outro grande motivo de felicidade durante a sua estadia em Angola foi o facto de poder rever a sua mãe que, retornou para Angola há já algum tempo e vive no Huambo. “Este foi outro momento para não esquecer, porque para além de poder rever as ruas onde cresci, ia ver a minha mãe e a minha avó que já tinham saído de Portugal há quase 2 anos. Foram 3 dias muito especiais para mim, rever toda a família, a casa onde viveram os meus avós e a minha mãe. Deu para reviver muitas das histórias que a minha avó contava na minha juventude”, relembra nostálgico. Desde o inicio da sua carreira que Valter concilia a moda com trabalhos em discotecas portuguesas, onde trabalhou como barman e depois como relações públicas. Foi assim que surgiu o projecto Models&Friends, responsável pela organização de eventos em Portugal. Há dois anos assumiu mais uma responsabilidade: a de dirigir a agência de modelos Glam Models. “Gosto muito do que faço. Dá imenso prazer passar todos os meus conhecimentos às novas gerações”, frisou. Valter pretende conciliar a sua preenchida agenda entre Angola e Portugal. “Ainda não tenho nenhuma proposta confirmada mas poderei voltar em breve em trabalho. Mas mesmo se não se confirmar irei sem dúvida visitar a minha mãe e a minha avó na bela cidade do Huambo. ”, concluiu. http://imgs.sapo.pt/canais_internacionais/images/5472_0_1256140429.jpg Participação no Belas Fashion Durante os dois dias do evento, Valter foi de longe um dos que mais se destacou. desfilou para quase todas as lojas que apresentaram roupa masculina. “Foi uma sensação que nunca mais vou esquecer, porque voltei a minha terra passado tanto tempo da melhor maneira possível: a mostrar o meu trabalho. Não posso também deixar de mencionar a forma como me receberam, que foi espectacular, uma vez mais muito obrigado a todos”, frisou Menino talento Várias são as situações caricatas que Valter viveu nesta profissão. “Já tive várias cenas engraçadas. Como estar a sair da passerelle e já me estarem a chamar para entrar no próximo quadro e ter de mudar um fato em 30 segundos. Claro que às vezes entramos com a gravata torta, bolsos mal arranjados, sei de quem já entrou de braguilha aberta ou até mesmo com sapatos trocados (risos). No desfile que fiz em Paris estava tão nervoso que não consegui tirar o sobretudo que levava por cima do fato, e conseguia ver os fotógrafos a pedirem para tirar”, relembra animado. Já conheceu vários países ao trabalhar como modelo. Itália, Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Austrália e África do Sul, são alguns deles. E faz questão de afirmar: “uma das partes boas deste trabalho é que não fazemos sempre o mesmo, e às vezes vamos fazer sessões fotográficas em sítios únicos e maravilhosos”. Valter já participou em várias campanhas publicitárias, e duas que se tornaram muito conhecidas em Angola foram as das bebidas Speed e Moet et Chandon. Perfil Nome Completo: Valter Nazaré Carvalho Data de Nascimento: 1977 Naturalidade: Huambo Matthias Offodile February 12th, 2011, 03:09 PM Angolan TV moderator and personal fitness coach with special institute http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_117/opais_vidas_117_completo_page_19_image_0001.jpg Apresentador de televisão e personal trainer Bruno Samora Para o pequeno Bruno, que aos 11 anos perdeu o pai, o desporto foi o seu maior conforto. Começou por treinar jiu jitsu tradicional em Portugal, onde vivia na altura. Aos 16 anos já tinha o seu primeiro pequeno ginásio e aos 4 já comandava a sua zona com um ginásio de três pisos. Depois de ter ganho várias competições na modalidades de kickboxing, muai tai e jiu jitsu, deu azo a uma outra paixão: o fisioculturismo. Ali também venceu vários prémios, entre os quais o de melhor Posador e Coreografia em 2008 das duas maiores Federações Mundiais (IFBB e WABBA) e o sexto lugar no European Champioship Bodyfi tness, também em 2008. De volta ao país que o viu nascer Samora, como é carinhosamente tratado, é o rosto do programa Em Forma (antes Planeta em Forma) transmitido pela TV Zimbo, todos os dias, às 6 horas e com reposição às 18 horas. O TEIMOSO VENCEDOR Foi no seu principal ambiente de trabalho, no Hotel do Centro de Convenções de Talatona, que um simpático Bruno Samora conversou com a nossa equipa. Queixava-se de dores, pois uns dias antes, ao arbitrar uma luta de kickboxing foi vítima de um golpe inesperado e não propositado. “São ossos do ofício”, contou. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_117/opais_vidas_117_completo_page_20_image_0003.jpg Desde pequeno que as artes marciais fazem parte da sua vida. Actualmente cinturão castanho da categoria, defende que só com empenho é que a perfeição pode ser alcançada. “Treino todos os dias. Estou sempre a tentar informar-me e a preparar-me para ser cada dia melhor”, explicou-nos. Todo o mundo quer estar em forma. Todo o mundo quer estar bem consigo mesmo. Em Portugal, é também conhecido como o “Papa Títulos”: “Ganhei todos os prémios de Fitness que poderia ter ganho. Lembro-me que chegou uma altura, em 2008, em que fui proibido de competir pois ganhava sempre (risos). Naquela altura também cheguei a ganhar todos os prémios de fitness em duas Federações diferentes. Sempre digo que os campeonatos devem ter credibilidade mundial e faço questão de participar apenas em campeonatos legais ” . AKTIVE FIT Em 2008, decidiu emigrar para o México. “Sempre conciliei as minhas competições com o meu estudo sobre gestão de Ginásios e em 2008, surgiu a oportunidade de abrir uma rede de Ginásios no México, numa cidade super quente mas também onde estava a maior concentração de pessoas obesas do país”, esclareceu. A convite do amigo e director geral da rede de Ginásios AktiveFit, Bruno voltou para Angola. É da sua responsabilidade implementar as regras que aprendeu durante tantos anos nos Ginásios desta linha. O primeiro já está em pleno funcionamento no Hotel do Centro de Convenções de Talatona. “Pretendemos abrir, dentro de dois meses, o segundo Ginásio da rede. Será maior e contará com mais actividades”, afirmou. Uma das prioridades do grupo é criar novos quadros na área da formação física. “Estamos a criar todas as condições para que exista um academia e formação de instrutores, pois é necessário, acima de tudo, investir no estudo e transmitir os conhecimentos adquiridos às futuras gerações. Cada vez mais, recém formados do Instituto de Educação Física têm vindo ter connosco para aprimorar os seus conhecimentos. Lá fora os instrutores são pessoas que vendem saúde de alto nível, e queremos implementar também isso cá em Angola”, frisou confiante. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_117/opais_vidas_117_completo_page_22_image_0002.jpg EM FORMA Foi durante uma conversa informal com um dos membros do programa, Hermenegildo Mariano, que surgiu a idéia do Em Forma. Após várias reuniões e acertos, foi lançado na grelha da TV Zimbo. Bruno não poderia estar mais orgulhoso: “Sempre quis trabalhar em televisão. Não há nada melhor que transmitir o que sabemos para muita gente. É uma aula global e gravada (risos)”. O programa está dividido em duas vertentes: a de aulas de estúdio, numa forma estruturada e os treinos de rua (que começarão a ser exibidos brevemente), de forma sistematizada. “É muito boa a ideia de termos dois programas num só. Posso afirmar, sem medo e com todo o respeito, que os angolanos são dos povos que mais exercícios físicos praticam. São várias as actividades realizadas que exigem musculação e aeróbica e, até aqueles que têm pouco tempo ou não têm condições financeiras para ir a um Ginásio, não deixam de se exercitar”, falou-nos acrescentando ainda: “A base do programa é mostrar ao público que não se pode fazer uma aula ou exercícios de qualquer forma. Tudo que demonstramos no Em Forma está dentro dos padrões mundiais de Ginástica, na área de aulas de grupo. Faço parte do ranking de instrutores mundiais e quero com isso dar o meu contributo. Fazemos exercícios leves e possíveis de acompanhar. Uma das nossas estratégias para mostrar ao público que é possível participar é o uso de profissionais do Ginásio que nunca tiveram acesso as aulas de grupo e, agora na nova fase, ir à rua ver como pessoas comuns fazem os seus exercícios e encaminhá-los a corrigir alguns aspectos como a postura e a sequência dos mesmos”. PARA A FRENTE É O CAMINHO Bruno fez questão de frisar o esforço da equipa de produção do programa: “Todos têm se esforçado bastante para que o programa seja um sucesso. Fico contente com o retorno do público e surpreso por ver que mais homens do que mulheres (risos) me têm abordado para fazer questões sobre a forma física.Todo o mundo quer estar em forma. Todo o mundo quer estar bem consigo mesmo”. Quando questionado sobre os procedimentos necessários quando um aluno vai pela primeira vez a um Ginásio, explicou “Fazemos logo uma avaliação inicial, para detectar algum problema de saúde e para explicar todos os riscos ao aluno. Também fazemos um questionário (anamnese) onde pedimos sinceridade a quem responde e, depois fazemos a prescrição de exercícios segundo as necessidades da pessoa. Mas no início, para nós, todos são iguais”. O apresentador tem planos já bem encaminhados para este ano. “Quero continuar a fazer este programa, que tanto prazer me dá, ajudar a AktiveFit a tornar-se uma academia cada vez mas reconhecida no país, quer pela infraestrutura, como pela qualidade dos profissionais. E acima de tudo, fazer um programa sobre Artes Marciais Mistas, uma das minhas maiores paixões”, concluiu. Em Forma É um programa inteiramente dedicado a saúde e ao bem-estar. Tem como objectivo mostrar aulas simples e possíveis de serem acompanhadas pelos telespectadores, porém dentro dos padrões internacionais de exercícios físicos. O programa está em exibição todos os dias, às 6 horas e com reposição às 18 horas, na TV Zimbo. http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_117/opais_vidas_117_completo_page_23_image_0001.jpg O Campeão Bruno Samora já arrecadou vários prêmios na sua carreira. Praticante de Desporto desde os 11 anos, iniciou-se nas Artes Marciais Japonesas, sendo actualmente cinturão castanho. Em 1998 tornou-se Vice Campeão Nacional de Ginástica Aeróbica Desportiva, e já venceu três campeonatos em Portugal, na categoria de Fitness e três GrandPrix de Fitness (2001, 2002 e 2004). Atleta do top 15 Mundial IFBB Barcelona e muito mais. Para saber mais sobre a carreira do actual apresentador do programa Em Forma, da TV Zimbo, visite o site www.samorafit.com. "Eles" querem saber Abrimos a nossa linha para o público através do site facebook e durante dois dias, pedimos aos nosso leitores que nos enviassem algumas questões a que gostariam que Bruno Samora respondesse, dentro da linha dos exercícios físicos. A bebida Red Bull, ajuda ou atrapalha a vida do atleta? António Mendes, 18 anos, Benguela. Bruno Samora A Red Bull é um estimulante. Pode ajudar muito boa gente a produzir mais e a estar com níveis de atenção redobrados, mas se a pessoa tiver problemas cardíacos ou não se der bem com estimulantes, que é o caso da cafeína e outros ingredientes que compõem este energético, não deve tomar. Isso é muito baseado no bom senso de cada um e claro em exames médicos também. Qual é a importância dos alongamentos? Celma Figueiredo, 23 anos, Luanda BS São importantes para que se sinta melhor e pensa-se que os alongamentos previnem lesões. Pensa-se, pois anda não está cientificamente provado. Ajudam a tirar algumas dores do exercício físico. Mas quando em exagero, podem tornar os tendões mais vulneráveis às lesões. Os diabéticos podem fazer exercícios? Júlia Menezes, 43 anos, Luanda BS Dentro do compêndio medico, quase todos podem fazer exercícios. É muito raro o caso de alguém que não possa fazê-los. Em relação às populações “especiais”, é necessário haver uma triagem e ser analisada por profissionais da área. O diabético pode fazer exercícios, só tem é de ser bem orientado. Durante os questionários (nesses casos) nós sugerimos que essas pessoas procurem um médico e também que tenham acompanhamento de um personal trainer. Pode se exercitar durante a menstruação? Ana Veloso, 16 anos, Huíla BS Sim, na verdade a menstruação não tem influência negativa sobre o desempenho físico da mulher. Algumas mulheres durante os exercícios podem sentir dores decorrentes da menstruação, nessas ocasiões devem diminuir a intensidade dos exercícios ou até mesmo suspender caso a dor continue. Por outro lado, a atividade física é reguladora da menstruação. Os exercícios aeróbicos hipertrofiam os músculos? Cláudio Gouveia, 36 anos, Cabinda BS Não, pelo contrário. Os músculos só se hipertrofiam com exercícios que usam cargas (pesos ou resistência). Os exercícios aeróbicos melhoram o tônus muscular o que dá um aspecto anatómico mais definido dos músculos e uma maior eficiência do trabalho dos músculos e melhora a coordenação neuromuscular. Os abdominais eliminam a gordura na barriga? Braúlio Manuel, 19 anos, Londres (Inglaterra) BS Os exercícios abdominais eliminam muitas poucas calorias. Estudos indicam que esse tipo de exercícios melhoram a estrutura do músculo abdominal para as actividades diárias e o abdômen fica tornificado, mas não eliminam directamente a gordura. O suor deixado nos aparelhos pode transmitir doenças? Alice Simões, 27 anos, Porto (Portugal) BS Sim. O suor somado à perda de pele (tecidos mortos) provocada pelos atritos durante os exercícios físicos pode facilitar o aparecimento de processos infecciosos na pele, sobretudo por bactérias causadoras de infecções além de micoses. A melhor maneira para higienizar os aparelhos é o uso de álcool, passado com papel toalha. O uso de panos ou de toalhas sem álcool pode levar a uma contaminação ainda maior. Perfil Nome Completo Bruno Miguel Correia de Sousa Mendes Data de nascimento 23 de Agosto de 1974 Naturalidade Luanda, Angola Ídolos no Desporto Michael Jordan e Mohammed Ali Livro que mais o marcou Bíblia Sagrada Actores que mais aprecia Wesley Snipes e Samuel L. Jackson Citação preferida “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam,e a prova das coisas que não se vêem”. Hebreus 11, 1. Matthias Offodile February 12th, 2011, 04:27 PM Capa Ladislau Silva // O porta-voz Jornalista, radialista, realizadoR, GESTOR e actor http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_114/ladislau.jpg Recebeu-nos no seu gabinete, no 1.º andar do edifício do Governo Provincial de Luanda (GPL), no departamento da Comunicação Social. Embora ocupado, entre arrumações e telefonemas tudo fez para que a entrevista decorresse até ao fim, num ambiente animado entre piadas e lembranças do tempo de pioneiro. Homem de mil funções, Ladislau Silva, “Lau” para os mais chegados é jornalista, gestor, actor e já foi radialista, produtor, realizador, repórter e apresentador de rádio e de televisão. Passou ainda pela direcção geral de várias empresas privadas. Conhecido “porta-voz” do Governo Provincial de Angola (GPL), há oito anos, já passaram por si, três governadores (Simão Paulo, Job Capapinha e Francisca do Espírito Santos), uma comissão de serviço coordenada pelo General Higino Carneiro e na altura também ministro das Obras Públicas e agora trabalha com José Maria dos Santos, actual governador de Luanda. Na altura, o convite para ocupar a “cadeira” de director foi feito pelo então governador Simão Paulo, em 2003. “Fui convidado pelo governador Simão Paulo, exactamente para exercer essa função”, explicou. Segundo o “porta-voz”, o que havia no GPL era um Gabinete de Comunicação de Imagem (GCI), e durante o mandato do ex-governador Simão Paulo, a dinâmica foi mudar o GCI para uma Direcção Provincial da Comunicação Social. “Fui contactado para assumir esta função e transformar aquilo que era apenas um gabinete de imagem numa Direcção Provincial, com tarefas mais complexas”, disse. Questionado se é igualmente o porta-voz do GPL, espondeu que oficialmente, a figura do porta-voz não existe no GPL. Mas devido à função que ocupa e pela facilidade em lidar com a imprensa acaba por exercê-la. Para além da sua equipa de colaboradores, Ladislau trabalha no seu departamento, directamente com sete profissionais, entre eles o Sebastião José com quem esteve na Rádio Nacional de Angola (RNA). Ainda uma rede de jornalistas de vários órgãos sociais disponíveis a colaborarem na divulgação dos programas e projectos do GPL. Paixão pela rádio Em 1977, Ladislau Silva, ouve pela RNA, o anúncio de um concurso público para locutores de rádio. Estudante do 1.º ano da Faculdade de Medicina, abdica da formação pela paixão pela rádio. Após o teste, no dia 27 de Maio, é convocado para começar a trabalhar na RNA. “Uma data inesquecível não só pelo ingresso na Rádio mas pelo acontecimento politico. A ´Intentona` do 27 de Maio”, disse. Foram dez anos ininterruptos na rádio, onde exerceu as funções de locutor, redactor, repórter e chefe da regência de estúdio. Dos vários projectos da RNA passou pelo programa Trabalho e Luta, Manhã de Domingo, Pio-Pió e Cassulinhas da Bola numa altura em que o sistema electrónico era analógico e as dificuldades várias. Ladislau passou ainda pela Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), onde também foi realizador e apresentador. “Na LAC passei pelos programas Figuras, Figurinos e Figurões, Vector e o 7/9 com a radialista Orvanda Andrade”, explicou. Em rádio fez algumas radionovelas entre elas Goodnight Street Fighter, O Crime Não Compensa. No Velho Ninguém Toca, peça escrita pelo falecido escritor Costa Andrade Ndunduma, acerca do saudoso Presidente Agostinho Neto e Na Floresta os Bichos Falaram, uma adaptação do livro de Maria Eugénia Neto. Convidado a destacar alguns contemporâneos, do tempo de rádio apontou o profissionais Rui de Carvalho, Maria Luísa, Francisco Simon e Manuel Berenguel. E ainda o Rocha Martins, Zeca Torres, Leovigildo da Costa, José Patrício, Raimundo Vilares, Fulano Pitra. E finalmente os não menos profissionais Arlindo Macedo, Laurinda Santos, Amélia Pombo e Joaquim Gonçalves Um Jornalista presidencial Destacado profissional da Rádio Nacional de Angola, Ladislau Silva é escolhido pela estação, para enquadrar-se na equipa de reportagem para acompanhar o saudoso Presidente Agostinho Neto e posteriormente José Eduardo dos Santos. “Acompanhei todas a viagens do Presidente Agostinho Neto, desde a primeira reunião na Fazenda Kadda, na província do Kuanza Sul com os nossos representantes no exterior do país até ao último périplo que fez por todo o país”, explicou. Durante a entrevista, lembrou-se de uma das últimas actividades do ex-presidente na província de Malanje, onde devido à doença que já se fazia sentir com grande intensidade, o saudoso Presidente quase chegou a perder a voz. As exéquias fúnebres de Neto também foram transmitidas radiofonicamente por Ladislau desde o aeroporto internacional 4 de Fevereiro até ao salão nobre da Câmara Municipal. “Até a minha saída da RNA cheguei a acompanhar as primeiras visitas do Presidente José Eduardo dos Santos, particularmente a Cuba e a URSS”, explicou. Profissional de tv Precursor de vários programas na TPA entre eles o Janela Aberta, Conversa no Quintal, Nila Show, 3X3 e Os Vencedores o convite surgiu em princípios dos anos 80, feito pelo então director da RNA, Rui de Carvalho, quando este assume a direcção da TPA. A sua primeira experiência foi o projecto Discoteca. Um programa musical que se dedicava à divulgação das músicas nacionais. “Foram os primeiros videoclipes feitos e apresentados pela TPA”, disse salientando que “enquanto passavam as músicas, o operador de câmara filmava os pormenores: a mesa misturadora, as capas dos discos de vinil, a letra da música e a mão do operador do som a afinar os graves e agudos”. Mais tarde é convidado a apresentar o programa Quem Sabe Sabe, um concurso didáctico. De seguida, a TPA importa do Brasil o programa Você Decide, no qual cabia aos telespectadores escolher o final feliz, entre duas propostas apresentadas. A partir daquele momento, Lau é integrado nos quadros da TPA e apresenta o programa Explosão em substituição de Francisco Simon e destaca-se ainda como membro criador do talk show diario, Janela Aberta. “Criei o programa Janela Aberta, numa altura em que ninguém acreditava que fosse possível a TPA fazer diariamente um programa de duas horas de emissão. Mas, hoje, o programa continua no ar”, realçou. O “porta-voz” integrou-se ainda no denominado Grupo de Criação de Programas da TPA, da qual faziam parte entre outros o profissional brasileiro Eraldo Correia (irmão do cantor Fábio Júnior), Cristiano Barros, Barão e Casimiro Alfredo. O grupo foi responsável pela criação de programas como o Nila Show, com a cantora Nila Borja, Os vencedores, com Sérgio Rodrigues e o programa de humor Conversa no Quintal com Luís Kifas. Seguiu-se finalmente o 3X3, pelo que andava pelas ruas de Luanda com uma viatura na promoção do programa. Um pulo à ficção Após uma temporada como produtor e apresentador de televisão, Lau dá a cara pelo Pecado Original, projecto de ficção da TPA, onde contracenou com os actores Rui Cardoso, Amélia de Aguiar, Paula Kiluanje, a actriz Totonha e outros. Seguem-se outros projecto de ficção. “A interpretação que mais projecção me deu foi o papel que fiz na telenovela Reviravolta. Mas o primeiro foi o Pecado Original”, explicou Ladislau Silva. A proposta para a ficção surgiu através do convite de um casal de actores e realizadores cubanos (Reinaldo e Ana Bela Cruz Vera), numa cooperação entre a Televisão Popular de Angola e a Cubana. “O casal pediu-me para ler e interpretar um texto, o que não foi muito difícil, porque já havia feito algumas rádio-novelas. E fui seleccionado”, explicou o actor. Seguiram-se várias outras participações, entre as quais o primeiro grande projecto de teledramaturgia da TPA, Reviravolta, o Vidas Ocultas, Sede de Viver, O Comba, Doce Pitanga, e Entre o Crime e a Paixão.Sobre o papel que mais “gozo” lhe deu de fazer, apontou a interpretação do padre na telenovela O Comba. “Na altura as pessoas interpelavam-me na rua a pedir bênção. Era confundido com um padre na realidade”, disse. A gravações não atrapalham as suas funções no GPL, pelo que, sempre que é solicitado para um papel faz com que as suas cenas sejam gravadas aos fins de semana”. “Dei nome ao Mutu-Ya-kevela” A identidade falou mais alto, numa altura em que alguns liceus, escolas e ruas em Angola tinham nomes do regime colonial fascista. Com o início da revolução e independência os jovens começaram a assumir o espírito de angolanidade. “Começamos a chamar as coisas pelos nossos próprios nomes. E chegou um ponto que nós estudantes achamos que devíamos mudar o nome de alguns liceus”, explicou. Entre os vários liceus com nomes de figuras representativas de uma cultura portuguesa constava o Paulo Dias de Novais, Dona Guiomar de Lencastre e o Salvador Correia. Ladislau Silva e colegas, estudante do liceu Salvador Colega, realizaram uma assembleia de estudantes para mudar o nome da instituição e atribuir um nome nacional. A primeira sugestão foi a de Ngola Kiluange , mas durante a assembleia surgiram os colegas do liceu Paulo Dias de Novais que já haviam atribuído o nome. Seguiu-se o nome do rei dos Kwayama, Mandume mas devido ao tribalismo que se vivia na altura, o nome não foi aprovado. Enquanto decorria a assembleia no Ginásio do liceu Salvador Correia, Lau e alguns colegas encontram no livro de História o nome de Mutu-Ya-kevala, guerreiro defensor do patriotismo angolano e lutador contra a invasão portuguesa. “Foi então que tomei a palavra, fiz a apresentação e os estudantes aclamaram. Trocámos o nome português de liceu Salvador Correia para o nacional Mutu-ya-Kevela”, explicou. As “partidas” do coração Questionado sobre o prato preferido, Ladislau frisou que embora tenha alguns, não os pode comer, porque, segue uma dieta médica rigorosa. “Infelizmente e por questões de saúde, não posso comer os meus pratos favoritos. Sou obrigado a dietas”, explicou. O profissional do GPL, já teve cinco enfartes cardíacos, possui quatro próteses e segue uma medicação de forma rigorosa. “Devia fazer constantemente ginástica adequada, mas infelizmente as tarefas profissionais nem sempre permitem”, disse. Segundo o “porta-voz” o seu primeiro ataque de coração ocorreu em 1992 e teve que ser evacuado para o exterior do país, em Paris, França. Mas congratula-se por hoje poder fazer as suas intervenções em Angola. “Felizmente, temos hoje, dentro do hospital Josina Machel, em Luanda, uma unidade de cardiologia de primeira categoria. E fui tratado de uma maneira igual àquela que tenho vindo a ser tratado desde o meu primeiro enfarte”, realçou. Além de Paris, Lau já passou também, pelo Instituto do Coração em Portugal e regozija-se, porquanto fora do país a intervenção fica em média 25 mil euros, e em Angola é feita em um hospital público e de forma gratuita. Uma infância alegre Apesar de ter sido uma criança introvertida e tímida teve muitos amigos e passou por várias travessuras. O menor, entre o grupo de amigos, Lau tudo fazia para acompanhar o irmão mais velho nas suas aventuras. E entre outras lembra-se de ter ido a pé com um grupo de cerca de doze amigos mais velhos, da Ingombota ao Autódromo de Luanda, para assistir à inauguração da pista. “A caminho do autódromo, parámos de noite, numa festa que estava a acontecer na quinta Rosa Linda. Para comer e descansar”, lembrou. Ladislau recorda-se ainda de uma viagem que fez com o grupo, sem nenhum dinheiro no bolso, para a província do Huambo, para assistir a corrida de automóveis. E chegados ao Huambo passaram a noite nas escadas de um dos edifícios da cidade, de forma a chegar mais cedo à pista, e ocupar um lugar de destaque nas bancadas. “Durante as corridas assistimos à queda de uma passadeira que suportava os repórteres e fotógrafos. Foi um autêntico desastre”, explicou. Ladislau contou ainda a aventura em que saiu com os amigos a pé da Ingombota ao Cacuaco, para assistir a corridas de MotoCross. Reside no bairro da Ingombota, na Avenida de Portugal local onde nasceu e cresceu. Fez o ensino primário na escola 15, na Liga Nacional Africana. O preparatório na escola Emílio Navarro, na Vila Alice que lhe deu acesso ao liceu Salvador Correia. O pai foi chefe dos correios, pelo que era constantemente transferido para o interior, Catete e Tombwa. “Devidos às suas ocupações, a preocupação do meu pai era, a de criar um parque infantil, em cada sítio onde esteve”, explicou Ladislau Silva. Criei o programa Janela Aberta, numa altura em que ninguém acreditava que fosse possível a TPA fazer diariamente um programa de duas horas de emissão. Profissional aguerrido Após terminar o sétimo ano do liceu, Ladislau frequentou e concluiu o primeiro ano do curso superior de medicina. Em 1978 foi para a República da Checoslováquia, onde fez a formação em jornalismo. Depois da formação e devido a várias adversidades, fez “ponte” em diversas empresas privadas. Começou na Conoco, uma empresa americana de petróleo, pela qual foi enviado diversas vezes aos Estados Unidos da América (EUA), Portugal e Gabão para vários cursos, entres os quais o de Marketing. Numa altura em que as relações entre a República Popular de Angola e os EUA não eram as melhores, o papel do profissional de marketing de uma empresa americana era muito delicado. “Devido à situação entre as duas nações, eu tinham um papel preponderante na empresa”, disse. Depois da Conoco foi director da Moagem do Kikolo, do grupo Maboque, do Hotel Mombaka, em Benguela onde fez um estágio em Portugal no Hotel Riviera. Foi ainda gestor da boate Aquário em Luanda. “Tive um momento na vida em que fui provar um bocadinho dos outros “pratos”, o que deu-me uma certa noção de como é a vida e uma grande aptidão em gestão e relações humanas”, disse. A tELENOVELA, O COMBA Foram várias as telenovelas em que participou. A que mais projecção lhe deu foi interpretação do vilão Marcos em Reviravolta, Ladislau Silva confessa que a que mais “gozo” deu fazer foi O comba com a participação de grandes nomes da teledramaturgia nacional. E na rua era sempre interceptado pelos fãs que pediam a sua benção, confundindo-o com um padre na realidade. Waldney Oliveira 20 de Janeiro de 2011 14:15 4 Shunnoz & Tekasala // Projecto Mental http://www.opais.net/resources/images/iam9.png Quem os vê pela primeira vez vai logo chamá-los de excêntricos. As cores e a ousadia de Shunnoz e Tekasala saltam logo à vista de quem os conhece. Donos de uma personalidade muito vincada, fazem questão de esclarecer a todos quais são as suas intenções. Há mais de sete anos que o seu trabalho é conhecido pelo público nacional e desde o ano passado que as passerelles europeias tomaram conhecimento do trabalho dos jovens. Numa entrevista em que ficou visível o pensamento da dupla, tentámos entender melhor quais os planos que eles têm para um futuro próprio. Como e quando é que vocês se conheceram? Shunnoz- O difícil se não mesmo o impossível é folhear a história sem tropeços de memória, porque toda a história é sempre construída com períodos de esquecimento... Se bem recordámos, o primeiro registo da nossa amizade culminou em 2003, conhecemo-nos concretamente por intermédio de um amigo nosso, Wanderley. Foi ele o visionário da nossa união. Wanderley referenciava sempre o Tekasala nos seus diálogos, frases como esta nunca faltavam, “Shunnoz a tua forma de ver a vida e o teu amor à ciência do pensamento e da palavra, leva-me a crer que se conheceres o meu primo vocês terão um relacionamento mental feliz”. Antes de começarem a trabalhar juntos, já estavam ligados ao mundo da moda? Shunnoz- Tudo começou no céu. Os nossos progenitores ainda não se tinham unido pela via da comunicação sexual para a produção dos nossos corpos físicos, nós já gravitávamos no reino dos espíritos com a tomada de consciência de que um dia vestiríamos um corpo físico no planeta Terra. Quando entrámos no corpo físico cedo aprendemos que quem descobre o seu estilo, ao mesmo tempo, encontra a sua moda. Há quanto tempo existe o Projecto Mental? Shunnoz- O Projecto Mental nasceu com o objectivo primário de usufruir da arte da moda, para participar na reconstrução do homem e da mente nacional, angolana. O projecto existe materializado no planeta Terra ha cerca de 8 anos. Produção muito aguardada http://www.opais.net/resources/images/ia13.png Desde o dia 29 de Outubro que tentávamos fazer uma entrevista aos “mentores” Shunnoz e Tekasala. O tão aguardado momento ocorreu na passada segunda feira, no restaurante Lookal, na Ilha de Luanda. A criatividade da dupla e dos modelos Ísis Abrantes e Eugénio foi captada pelas lentes de Carlos Moco. O resultado foi positivo, apesar do nevoeiro. Caso para dizer que valeu a pena esperar... Em que temas ou tendências vocês se inspiram? O maior sonho do Projecto Mental é morrer, porque quando estávamos no céu nós tínhamos ânsia em vir para a Terra. Shunnoz- A natureza já nos proporcionou todas as cores e tendências há bastante tempo... Inspiramo- -nos simplesmente nas tendências da originalidade, criatividade, espiritualidade, integridade, liberdade de expressão artística e intelectual... Quais são os tipos de modelos (tecidos) que vocês normalmente usam? Shunnoz- Optámos por tecidos mentais ou seja todos aqueles tecidos que representem para nós paz, amor, solidariedade, dignidade entre os seres humanos, humildade entre outros valores... Além da moda, em que área podemos encontrar idealizado o Projecto Mental? Tekasala- Embora não esteja a funcionar na sua totalidade, no pacto social a nossa ambição é entrar em áreas desconhecidas da nossa sociedade, como a área da restauração alternativa e viagens ao espaço, porém por enquanto estamos na Moda, que é a arte de vestir os corpos exteriores e interiores, e depois vamos atacar outras áreas como medicina, literatura e muito mais. E para quando esse “ataque”?! Tekasala- Isso não depende de nós. Esse é um plano que vem da vertical e nós só estamos aqui para servirmos de instrumento. Quando recebermos a ordem vamos partir para este plano. http://www.opais.net/resources/images/ima10.png Quantos modelos estão sobre a vossa alçada? Shunnoz- Dentro de um pacto de compromisso e consciência digamos que estamos com nove modelos, nomeadamente Ísis Abrantes, Paulito, sr. Eugénio, Pepelé, Durão, Hamilton Serrano, mano Kraburabo e Tony. Como foi a reacção do público durante a vossa apresentação na Trienal? Shunnoz- Tudo tem uma reacção. O público aguardava pelo projecto e teve uma reacção positiva. Nós apresentamos a cadeia da vida e fizemos alguns aparatos. Foi um desfile de carácter teatral com um imaginário bem constituído. A Trienal está de parabéns pelo seu trabalho. Nós tentamos sempre incluir o quotidiano no nossos desfiles, as única pessoas que não se sentem representadas por nós são aquelas mentes “viborizadas”, apalermadas, aqueles que não compõem as suas vidas por meio da arte, como nós, mas sim por meio do roubo e da prostituição. O maior sonho do Projecto Mental é morrer, porque quando estávamos no céu nós tínhamos ânsia em vir para Terra, e foi no céu onde recebemos o pacote do estilismo, por isso sabemos bem o que queremos e o que não queremos! A “MUSA” DO PROJECTO MENTAL Ísis Abrantes, 18 anos, é a “musa” do Projecto Mental. Dona de medidas perfeitas para uma modelo, após ter participado em alguns desfiles organizados pela Hadja Models, foi concorrer no Step Look Angola, onde conheceu Shunnoz durante a produção do mesmo concurso. “Ele era um dos júris do concurso. Eu fui eliminada antes da final, mas mesmo assim ele convidou-me para trabalhar com eles. Com este convite tive a oportunidade de viajar com os dois para Portugal onde me apresentei no Moda Lisboa e depois disso não paramos mais”, lembra a jovem. Segundo Shunnoz, “a Ísis é o símbolo da nossa colecção, ela espelha as nossas intenções para o universo do vesturário feminino. Ela tem um cérebro evoluído que compreende a nossa visão ideológica. Ela não tem um cérebro formal, mas sim um cérebro frustrado, e também muitas vezes e a nossa professora de português (risos).” Quantas pessoas formam o Projecto Mental? Tekasala- Nós temos os consultores do plano físico e os do plano espiritual, pois sempre que precisamos de inspiração nós nos ajoelhamos e pedimos aos céus e somos respondidos pelo anjos que sempre nos acompanham Shunnoz- Temos vários colaboradores físicos connosco, nomeadamente a Bárbara Jasse, maquilhadora, Luzia da Silva, designer e estilista. Temos conselheiros como o senhor M’Buta Zaua, gestor cultural, o senhor Augusto, dois costureiros e as praças ou mercados informais. Em Portugal temos a Rita Rolex e o Hugo Tibúrcio e também um advogado. Mas acima de tudo, o grande Mestre e Criador, Jesus Cristo. Como foi a vossa entrada no mercado internacional? Shunnoz- Tudo começou na altura certa. O nosso trabalho teve uma óptima aceitação a nível internacional (cultural, social) e faremos os possíveis de continuarmos por ele... Quais e quantos prémios vocês já ganharam? Shunnoz- Muitos, entre eles o Moda Luanda 2007-2008, como melhores criadores do ano e na quarta edição do Belas Fashion, este ano, onde fomos homenageados. Já têm outros convites para voltar a apresentar-se na Europa? Shunnoz- Sim, com certeza. Alguns convites, mas por enquanto achamos melhor não revelá-los. Para quando um desfile especial de Tekasala e Shunnoz? Tekasala- Para muito breve... Quais são os vossos planos para um futuro próximo, em termos de carreira e/ou pessoal? Shunnoz- Depois de várias experiências no plano espiritual e mental chegámos à conclusão de que o nosso futuro já está escrito no passado. Apenas temos que caminhar em direcção à criança que existe dentro de nós. Aquela que perdoa, que não rouba a paz alheia, que se entrega ao amor sem condicionamentos, e cria arte de dentro para fora e de fora para dentro, sem tabús nem preconceitos. O segredo da vida está em viver a vida que vive em nós, reviver os melhores momentos que geramos nela e aprender a viver e respeitar a vida dos outros. Jandira Miranda 23 de Dezembro de 2010 Matthias Offodile February 14th, 2011, 10:19 AM hhhm, he was not born in Angola...normally I only want to post news on professionals who are Angolan-born and live there but this guy has lived in Angola most of his life - even in very bad times he stayed on - and he is doing a truly great job for the country - a good private entrepreneur...so he should get his space. CASIMIRO QUINTAS: UM EMPRESÁRIO DE SUCESSO. Casimiro Quintas. http://1.bp.blogspot.com/_Td8FxXhZkm0/TSihahkwWzI/AAAAAAAACxo/HchqUclzEK4/s640/HPIM3857.JPG "VILLAS & GOLFE" é uma revista de Angola que se expande a toda a África e chega à América do Sul, a partir de Luanda, a capital daquele grande país emergente do continente africano, que acaba de entrar no segundo ano da sua existência. Ao longo das quase duzentas páginas da publicação, textos ilustrados com dezenas de fotografias de superior qualidade revelam-nos aspectos de um país em desenvolvimento surpreendente, rumo à vanguarda das nações mais proeminentes do grande continente africano. José Luandino Vieira, laureado com o Prémio Camões em homenagem à sua obra literária inspirada na aura da cultura e beleza angolanas, tendo nascido em Vila Nova de Ourém, afirma ter sido "a cultura bebida que me fez angolano", numa entrevista concedida à revista. Actualmente retirado e dedicado à lavoura algures no Minho, Luandino Vieira, traduz, desta forma, o seu amor a Luanda, às suas gentes, falas e musseques "tudo isso está em minha vida, esteve, estará enquanto viver. E foi a minha vida que fez a minha obra". O PIMM's, um dos maiores restaurantes de Luanda. A grande surpresa que se nos depara, porém, na revista e que pretendo aqui divulgar, como exemplo motivador e, simultaneamente, prestar uma merecida homenagem a um nosso concidadão de enorme sucesso, é referência destacada a CASIMIRO QUINTAS e a um dos seus restaurantes em Luanda, o PIMM'S. a que são dedicadas cinco páginas, ilustradas, com textos em português e inglês. Pormenor do BAR do Pimm's. Com o título "Restaurante Pimm's - Cozinha com amor", diz-se, então: "Quando CASIMIRO QUINTAS, um chefe de cozinha de Lanheses, Viana do Castelo, saiu de Portugal há mais de vinte anos para perseguir o sonho de ter um restaurante, pretendia ficar em Angola apenas por quatro anos. Na altura, o país não era a terra de oportunidades que é hoje. A guerra, que chegou em 1992, só veio dificultar a tarefa de gestão de um restaurante, porque com Angola fechada ao exterior faltavam a carne, o peixe e os vegetais. A luta para os conseguir era diária, mas Casimiro Quintas, lutador e aventureiro, não desistiu, e por isso os quatro anos iniciais prolongaram-se até hoje. O antigo chefe de cozinha do Twin's, no Porto, continua a viver em Luanda, capital do país que diz ter sido a ser a sua universidade e a quem deve quase tudo aquilo em que se tornou. Já não é chefe de cozinha a tempo inteiro, porque entretanto abriu sete restaurantes, todos de sucesso. "O Pimm's, no centro de Luanda, é a menina dos seus olhos. Aberto desde 2000, recebe diariamente figuras de estado, administradores de empresas e até poetas, como Manuel Alegre, que passou por lá recentemente. O segredo o Pimm's, um dos melhores restaurantes angolanos, é a aposta na tradição, que se sente na boca, mas também nos olhos. Entrar no Pimm's é entrar num cantinho português. As mesas do restaurante estão decoradas com atoalhados e guardanapos de Viana do Castelo feitos à mão, o serviço de loiça também é de Viana, e nas paredes da casa há montes alentejanos, paisagens minhotas e até uma adega do Douro. A ementa continua a revelar o amor que Casimiro Quintas tem por Portugal. Da cozinha do Pimm's saem tripas à moda do Porto, arroz de pato à antiga, caldo verde, toucino-do-céu, pudim francês, barrigas de freira. E também muamba de galinha e caldo de peixe, porque, defende Casimiro Quintas, "a gastronomia portuguesa e angola não são assim tão distintas". Para acompanhar, a garrafeira do Pimm's tem cerca de 220 vinhos diferentes, vindos de Portugal, Espanha, França, Itália, mas também da Argentina, do Chile e até de Israel. "O próximo capítulo do Pimm's será escrito no início do próximo ano, quando for inaugurada a nova sala do restaurante, que acrescentou 40 lugares aos 60 já existentes. Uma sala que terá uma decoração mais moderna, mas que continuará a servir pratos de inspiração portuguesa e angolana. Já Casimiro Quintas promete continuar a viver de sonhos, quem sabe internacionalizar a marca Pimm's e viajar para conhecer o mundo. No fundo, diz, VIVER COMO UM ELEFANTE, CALCORREAR ESTRADAS SEM FIM, MAS NO FINAL TERMINAR OS SEUS DIAS EM CASA, NO MINHO, ESSE CANTINHO PROTEGIDO POR DEUS" (o sublinhado é da minha autoria). http://3.bp.blogspot.com/_Td8FxXhZkm0/TSihhtUr_AI/AAAAAAAACxw/a5WqpGPy_Fo/s400/HPIM3859.JPG A capa da revista "Villas & Golfe". São assim, os homens de valor. Matthias Offodile February 15th, 2011, 09:07 PM Operadora Marília da Piedade// A ambientalista http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_117/pais_117_lr_80.jpg Começou a sua carreira profissional como gestora de uma boutique de moda e confecções. Actualmente, trabalha numa empresa que presta serviços ao sector das telecomunicações, a “ U Call”, como operadora. Porque razão escolheu este curso? Foi por uma questão de oportunidade, quando fui fazer a inscrição para a faculdade só havia duas opções, que eram “Informática” e “Ambiente e “Gestão de Territórios”. Por isso é que optei por este curso, uma vez que estudei Ciências Sociais no ensino médio. Não sentiu dificuldade? Não, porque tem muito a ver com aquilo que estudei nos anos anteriores, antes da faculdade. Mas o que é que queria estudar na verdade? Sempre quis estudar Psicologia Clínica mas, na altura, foi difícil, porque havia poucas instituições com este curso. E como se tem dado com o curso por que optou?? É um curso muito bom e importante, principalmente para o nosso país, que está a crescer muito rapidamente. E esta área, que tem a ver com ambiente, devia ser mais explorada a fundo. Pensa continuar neste ramo e desenvolver projectos ambientais? Sim. A questão do ambiente é muito delicada porque nós não vivemos num meio degradado, embora as pessoas aqui não atribuam muita importância ao assunto, talvez por falta de conhecimentos e informação. Hoje, a sociedade angolana está cada vez mais materializada, não há amor pelas coisas mas sim pelo dinheiro. Os jovens estão todos virados para os cursos administrativos, convencidos que só assim é que se desenvolvem financeiramente, esquecendose do lado essencial da vida que é o meio ambiente. Porque é que não procura um emprego que tem a ver com o curso, em vez de trabalhar para “ U Call”? Quando entrei para a “U Call” precisava de um emprego para continuar a estudar e sabe que, para este ramo, não há muitas oportunidades de emprego, o país ainda está carente no que toca a estas áreas. Há quanto tempo está a trabalhar na “U Call”? Faço agora um ano. É bom ou mau? É uma boa empresa apesar de precisar de melhorar em muitos aspectos. Mas tem dado uma ajuda muito grande aos jovens. Perfil * Nome: Marília da Piedade * Idade: 23 anos * NaturalIdade: Luanda * Estado Civil: Solteira * Formação Académica: Estudante de Ambiente e Gestão de Territórios (na Universidade Metodista * de Angola) * Desporto preferido: Andebol * Prato preferido: Feijoada * Perfume: Givency Matthias Offodile February 15th, 2011, 09:59 PM GRACINDA EXALTA O MUNDO DE NZINGA Gracinda Candeias dispensa apresentações curriculares. A grandeza que o seu trabalho alcançou, no exigente universo artístico internacional, não a fizeram esquecer as raízes. Este ano decidiu autenticar as suas origens através de um passaporte angolano e da sublimação da personalidade lendária da bela rainha e da sua época. De uma longa e apaixonada pesquisa surgirá um trabalho que vai revelar outra faceta de Angola ao mundo. http://www.casadeangola.org/artes/artistasplasticos/Pintores/Gracinda%20Candeias/gracandeiasfoto2.gif Nasceu em Luanda. Tem a sua vida organizada em Lisboa, mas gostaria de ter um atelier na terra que a fez ver a luz do sol e que deixou, aos 18 anos de idade, por mera questão de estudos. Hoje a Gracinda Candeias transforma-se numa das mais importantes embaixadoras artísticas angolanas por todos os quadrantes do mundo. A pintora organiza, em Cabo Verde, uma primeira exposição sobre o projecto-instalação "Rainha Nzinga", fundamentado na recolha iconográfica sobre o traje e tecidos do século XVII em Angola, época em que viveu a lendária soberana angolana. O projecto seguirá para Angola e, provavelmente, Moçambique. Confirmada tem já a sua apresentação em Washington e no Museu do Traje, em Lisboa. A exposição sobre a Rainha Nzinga resulta de uma pesquisa que Gracinda Candeias desenvolveu desde Janeiro deste ano com base nos motivos antropomórficos das vestimentas da Rainha, cada um com o seu próprio significado. A escolha do tema, segundo explica, teve como motivação a infância vivida em Angola, bem como as histórias contadas pêlos pais a propósito da saga nacionalista da Rainha Nzinga.Gracinda Candeias diz preferir não eleger temas políticos na sua obra, mas afirma categoricamente que, como angolana, sente-se na obrigação de dar a conhecer ao mundo o que aconteceu nos séculos anteriores à “invasão” da África pela cultura ocidental. Sublinha ser esta a sua forma de fazer política, a de “lembrar às pessoas que se esquecem que há uma cultura que se deve respeitar ou que se deveria respeitar e não se respeitou”. Neste quadro, lamenta que tenham sido retiradas de paises africanos. Angola incluída, inestimáveis peças artísticas, hoje espalhadas pelo mundo inieiro, fora do conuoio dos seus respectivos donos. Para a artista, a solução seria criar-se um museu africano que albergasse essas obras, uma vez recuperadas. Quanto à exposição em Cabo Verde, Gracinda Candeias confessa-se “apreensiva” na medida em que desconhece o grau de receptividade que poderá despertar no público carboverdiano. É que, explica, não existem pontos comuns com Angola referentes a essa época. Mas acredita que essa ausência poderá constituir-se num “acréscimo” que poderá suscitar alguma atenção no público do arquipélago do Atlântico. Nos Estados Unidos, poderá haver à partida grande aceitação, já que, para além de uma mera curiosidade, tem havido um relativo e crescente interesse por temas africanos. Em Lisboa, cidade onde a pintora diz ter muito público que a conhece, embora lamente que grande parte dos portugueses tenha muito pouco conhecimento da época em que a Rainha Nzinga viveu em Angola. Gracinda Candeias tem ainda na estação do Metro de Socorro, em Lisboa, uma área de 200 metros quadrados, por si decorada com painéis de azulejos, vai proceder à realização e concepção de uma outra em Pequim, República Popular da China. Resultado da investigação de uma vivência histórica de cerca de 900 anos, na zona lisboeta de Moniz/Mouraria, a decoração do espaço do Metro do Socorro compreende três painéis, designadamente o Mourisco, o Português e o Africano. O primeiro inspira-se em elementos plásticos derivantes da grafia árabe, obtidos com base numa pesquisa que Gracinda Candeias efectuou em Marrocos. O painel Português é dedicado à ligação entre duas grandes tradições o fado castiço e as touradas marialvas que o imaginário lisboeta reteve e ainda associa ao lugar, onde ocorreu a mítica história oitocentista dos amores entre a “fadista” Severa e o “toureiro” Conde de Vimioso. O terceiro painel, o Africano, tomado por referência à população africana como uma das mais numerosas que se ficaram no local, representa elementos plásticos inspirados nas cores e no desenho dos tecidos africanos do século XVI, considerada a época em que se desenvolveu o seu traje mais rico e genuíno. Gracinda Candeias nasceu em Luanda em 1947 e deixou Angola aos 18 anos, para frequentar, entre 1966 e 1969, o Curso Geral de Pintura na Escola de Belas Artes do Porto, após o que regressa ao país natal, onde volta a sair para, em 1972/73, concluir o curso complementar e superior de pintura na mesma escola. É depositária de vários prémios e participou em inúmeras expo-sições individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro, estando representada em museus e colecções privadas, em Portugal, Angola e outros países do mundo. Quanto aos grandes momentos da sua vida, destaca o “difícil” que foi a formação no Porto e os anos 80, que considera terem sido a “grande viragem” da sua carreira, sobretudo a partir de 1989, ano em que esteve em Paris. Como um dos seus maiores sonhos, afirma pretender continuar a manter a sua base de trabalho em Lisboa e montar um atelier em Luanda, onde trabalhasse anualmente uma temporada. http://www.casadeangola.org/artes/artistasplasticos/Pintores/Gracinda%20Candeias/gracindacadeias.html Ivo Mota Veiga PINTURA http://4.bp.blogspot.com/_gaYpte1hSPE/S9rcDN5j6yI/AAAAAAAAAb8/3iJ0V0hiJ5A/s400/Ivo+Mota+Veiga.JPG http://3.bp.blogspot.com/_gaYpte1hSPE/S9rbxXGBGtI/AAAAAAAAAb0/b-7g-Ihz-nM/s400/Ivo+Mota+Veiga+mon+p%C3%A9re+et+moi.JPG Ivo Mota Veiga nasceu em Luanda em 1975. Possui um curso profissional de Design Industrial e foram já várias as exposições individuais e colectivas em que participou, desde 1995, ano em que foi premiado com o 1º prémio no concurso de Banda Desenhada, E.P.S.E. e 3º prémio no concurso de Brasões para Freguesias. Entre 1994 e 1995 colaborou para o Jornal Porta da Estrela, de Seia, elaborando Cartoons da sua autoria. Edgardo Xavier http://www.casadeangola.org/artes/artistasplasticos/Pintores/Edgardoxavier/edgardoxavfoto.gif Pintor, escritor e crítico deartesplásticas,nasceu no Huambo, Angola, em 1946. Director da Galeria Tempo, Lisboa, de 1986 a 1990, foi Comissário das Bienais de Óbidos e integrou a Organização das Bienais de Cerveira ( I, II e IV).Como Director Artístico fez parte da Organização da I Feira de Arte Contemporânea do Estoril – 2003. É membro da Associação Internacional de Críticos de Arte – AICA/Portugal. Está representado no Museu Municipal do Sabugal, Museu Nacional de Antropologia de Angola, Museu de Arte Contemporânea de Goiás – Goiânia, Brasil, Museu da Bienal de Cerveira, etc. Bibliografia – citado, entre muitas outras publicações, em: Guia dos Artistas Africanos,Paris,1992; Dicionário dos Pintores e Escultores Portugueses, de Fernando Pamplona, 2ª ed. da Livraria Civilização, Lisboa ; Artes Plásticas em Portugal, de Fernando Infante; Cotações de Artistas Portugueses em Leilões, de Jean Pierre Blanchon, 1999 e 2000; Pintura em Portugal, 2001, ed. Universitária Editorial, 2001; Gente Ilustre, 1998,1999 e 2000 da Universitária Editorial, Lisboa. Escreveu álbuns, ensaios, monografias e livros, designadamente sobre Manuel Cargaleiro, Neves e Sousa, Carlos Lança, Roberto Chichorro e Paulo Ossião, entre muitos outros. http://www.casadeangola.org/artes/artistasplasticos/Pintores/Edgardoxavier/edgardoxavquadro1.gif http://www.casadeangola.org/artes/artistasplasticos/Pintores/Edgardoxavier/edgardoxavquadro2.gif Exposições individuais 1989 - Junta de Turismo daCosta do Estoril. Estoril. 1990 - Galeria Sintra 1992 - Galeria Símbolo, Porto Galeria de Arte do Casino Estoril, Estoril Principais participações em colectivas 1989 - VI bienal do Avante (artista convidado) 1990 - I congresso de quadros angolanos no exterior 1991 - XII Salão de Outono, Casino Estoril; 16 anos/16 artistas, Padrão dos Descobrimentos, Lisboa; II Bienal do Sabugal 1992 - EXPO 92, Sevilha; II Salão de Pequeno formato, Casino Estoril; artista convidado para Luanda´92, certame Internacional de pintura, Angola Prémios 1965 - 3º prémio de conto - rcm - Angola 2º prémio de escultura/resid. Univ. Ruy Barbosa, Lisboa, 1967, Internacional de pintura para jovens autores - Bona, Alemanha, 1963, cartaz das festas de Sta.Maria Mação, 1972. Representações Museu municipal do Sabugal, Banco de Fomento e Exterior, Sonangol, Embaixada da República de Angola, Museu de Antropologia de Luanda, Angola, etc. Citado, entre outras, nas seguintes publicações: Guia de arte dos artistas africanos, Paris; arteguia - ed. 1992 da Livraria barata, dicionário dos pintores e escultores portugueses de Fernando Pamplona - V Tomo - Livraria Civilização, artes plásticas em Portugal - 2º tomo - Fernando Infante. Escreveram sobre a sua obra: Carlos Lança, Hugo Xavier, João Martins, Manuela de Azevedo, Quirino Teixeira, Rodrigues Vaz e António Alfaiate, Ana Paula Almeida, Jaime Isidro, Jorge Guimarães e Maria Bjorn. SANDRO BETTENCOURT http://zebrapublicacoes.com/images/stories/autores/SBettencourt.jpg Sandro Bettencourt nasceu em Angola, na cidade de Lubango, a 3 de Julho de 1975. O gosto pelo mundo da comunicação acompanha-o desde a adolescência e a frequência no curso de Comunicação Social, no Instituto de Ciências Sociais e Politicas, em Lisboa, serviu para lançá-lo de forma irreversível numa carreira jornalística que começou em 1998, aos microfones da rádio Super FM. Depois de ter feito currículo em várias estações de rádio e também nos três canais generalistas (SIC, TVI e RTP) fixou-se desde 2003 na imprensa escrita. Actualmente desempenha a função de Grande Repórter na revista TV Guia. O livro Em Paz por Terras de Angola marca apenas o início da sua aventura no mundo literário. Depois desta obra, o jornalista tem como intenção evoluir o mais possível numa área que considera viciante e ao mesmo tempo gratificante. Cristina Caras Lindas Data de nascimento: Benguela http://angola-luanda-pitigrili.com/wp-content/uploads/2011/02/CristinaCarasLindas_SCN_01.jpg Cristina Caras Lindas, que apresentou ‘Jet Set’, na RTP, e ‘Amigos para Sempre’, na TVI, vive em Angola. O seu último trabalho em TV foi em 2003, no Canal Saúde, onde conduziu ‘Corpo e Alma’. A apresentadora nasceu em Angola, mas a sua vida profissional começou no Canadá, onde trabalhou na Chin Radio TV e no Channel 47. Caras Lindas trabalhou também na televisão espanhola, onde diz ter aprendido muito. Na TVI começou por fazer locução até que passou para a apresentação com o programa ‘Caras Lindas’, em 1999, na TVI, onde retratava histórias da vida e trazia a público casos de solidariedade. Sempre que esteve afastada dos estúdios e das câmaras, Cristina Caras Lindas aproveitou para escrever e editou dois romances. Nos últimos anos, Cristina Caras Lindas trocou Portugal por Angola. A viver em Luanda, a apresentadora tem assinado reportagens para a TV Zimbo, o primeiro canal de televisão privada em Angola. Matthias Offodile February 22nd, 2011, 11:28 AM Fábrica Vidrul exporta garrafas:cheers: Filipe Eduardo | - 18 de Fevereiro, 2011 http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/thumb2/20110218114201vidr.jpg Director geral da Vidrul Carlos da Silva acredita que a sua empresa angolana está no bom caminho para aumentar a exportação de garrafas A Vidrul, uma empresa angolana de fabrico de garrafas, vai exportar seis milhões de unidades para a Guiné Conacry, Togo, Níger e Burkina Faso, naquilo que constitui o primeiro passo no campo das vendas para o estrangeiro. O director-geral angolano da empresa, Carlos da Silva, disse ao Jornal de Angola que o facto constitui um feito histórico, por ser a primeira vez que exporta os seus produtos. “É algo a assinalar a nível nacional, porque penso que não há muitas empresas angolanas a exportar produtos”, afirmou. Carlos da Silva adiantou que esta exportação constitui um passo importante para a Vidrul e para o país, a julgar por aquilo que se pretende fazer de Angola como potência industrial. Esta exportação, explicou, é fundamental para nós, porque o investimento que esta empresa fez no ano passado, de aproximadamente 80 milhões de dólares, com a construção de um forno novo de alta qualidade, é elevado e certamente superior em termos de produção, àquilo que Angola consome internamente. O facto das taxas aduaneiras facilitarem a importação, uma política que não protege muito a indústria nacional a nível da produção de vidro, torna fácil importá-lo, explicou Carlos da Silva, que classificou este novo passo da empresa como um marco fundamental. “Colocámos uma pedra para lançar um apelo à comunidade nacional no sentido de que nós existimos e já estamos a fazer o primeiro ensaio de exportação”. Este, salientou, vai permitir às empresas estrangeiras testar a qualidade do produto, os tempos de reacção a uma encomenda, de produção e de chagada ao país solicitante. “Não temos receio nenhum em afirmar que a Vidrul produz um vidro de qualidade e não há qualquer problema em competir com outras congéneres da Europa, América do Sul ou de outro canto do mundo”, afirmou. Carlos da Silva é de opinião que, a partir desta realidade, as empresas angolanas terão uma outra reacção, pois será mais fácil procurarem o produto aqui perto, o que lhes permite ter uma gestão de stock muito mais fácil, sem terem de pensar em contentores, barcos, portos e tudo quanto diz respeito ao trabalho de importação. A areia e o calcário, que constituem cerca de 65 por cento da matéria-prima para a produção da garrafa, são extraídos localmente, ou seja, nos municípios de Cacuaco e Viana, enquanto os restantes 25 por cento – soda e outros produtos em quantidades mínimas – são importados de alguns países da Europa e América. Única fábrica de produção de garrafas no mercado angolano, regista actualmente, nas palavras de Carlos da Silva, um défice de pessoal com formação em mecânica e vidro, pelo que convidou as pessoas que pretendem encontrar um emprego na unidade de produção a não vacilarem em contactar a direcção da empresa. Fundada em 1958, produz diariamente cerca de um milhão de garrafas e possui 415 trabalhadores distribuídos em quatro turnos, funcionando 24 horas ao dia. Matthias Offodile February 22nd, 2011, 12:31 PM Janeth Jacqueline // Sem limites Estudante de Comunicação Social e repórter http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_116/jac.jpg A transferência de repórteres do programa Chocolate para o Sexto Sentido (SS) deu um novo “ar” a Janeth Jacqueline. Apesar de ao princípio o programa não condizer com o seu perfil, a repórter tudo fez para “encaixar-se” e hoje, revê-se nele. Firme e segura nas suas palavras, Jack afirma ser uma pessoa que “detesta” seguir padrões, mas em SS é obrigada a fazê-lo. Por outro lado, sente-se satisfeita por mais uma experiência, porquanto defende que “a mudança é sempre uma vantagem para o curriculum profissional”. Na TvZimbo, a repórter já passou por algumas áreas: entrou como assistente de pesquisa, passou a assistente de produção e agora apresenta-se como repórter do “SS”. Das sete rubricas semanais do programa Sexto Sentido (Tendências, Guerra dos sexos, Teste Vip, A Mais Bela, Doce Café, Etiqueta e Alimentos) Jack apresenta-se como repórter de três: Tendências, Teste Vip e Etiqueta. O convite para o programa surgiu na sequência da transferência do programa Chocolate para uma nova produtora, pelo que a repórter também viu-se obrigada a mudar para um outro programa e com um perfil completamente diferente daquele a que estava acostumada. Há quanto tempo está no Sexto Sentido? Já estou no programa, há aproximadamente quatro meses. Desde a altura em que a Chocolate passou para uma outra produtora? Nem por isso. Porque quando transferiram o Chocolate para a produtora Plural, nós ficamos um certo tempo à espera do reenquadramento em outras equipas. Quantas repórteres eram na altura? Na altura éramos duas repórteres. A Sofia Lucas e eu. O Chocolate tem um perfil diferente do sexto sentido… Completamente. A adaptação não foi difícil? O Sexto Sentido é um programa muito feminino e é completamente diferente daquilo que eu sou. Creio que sou muito mais pragmática. Ainda estou para perceber melhor como é que funciona esse universo feminino – o tal sexto sentido. Mas já se adaptou? Foi complicado, mas felizmente consegui. Apesar de que as vezes ainda me sinto dentro deste processo de adaptação. É de facto um processo complexo (risos). Mas o desafio está a valer a pena? É interessante, porque creio que a vida gira sempre em torno de novos desafios e propostas. Quando entrei para a TvZimbo, eu era assistente de pesquisa, depois fui transferida para a produção e hoje sou repórter. É algo que me faz sentir bem. A rotatividade profissional também pode ser postiva. Mas já havia tido contacto com o programa? Sim. Mas não com muita frequência, excepto quando havia uma rubrica que fosse exclusivamente do meu interesse. Hoje, já assisto ao programa com um pouco mais de frequência, mas nem sempre é possível. Porque à hora em que passa o programa, ainda estou a trabalhar. Sempre que posso vejo apenas a reposição, o que me ajuda a entender os meus erros e acertos enquanto profissional de televisão. O Sexto Sentido tem sete rubricas. Em quais delas se apresenta como repórter? Das sete rubricas semanais eu faço parte de três, que são: o Teste Vip, as Tendências e a Etiqueta. Em que se baseia cada uma delas? Em Etiqueta, após a produção seleccionar uma figura, nós nos dirirgimo-nos à sua casa e passamos alguns toques de etiqueta aos telespectadores. Uma delas é como se comportar à mesa. Em Teste Vip, escolhe-se uma figura do sexo feminino e de algum realce na sociedade e submetemo-la a um teste de personalidade. Normalmente a cena é gravada no exterior... particularmente é neste em que eu mais me revejo. E é feito só para mulheres? Sim. As rubricas são completamente virada às mulheres, o que também não concordo, mas é este o perfil do programa. Na verdade eu não sou muito ligada a padrões. Mas ainda assim tem que cumpri-los? Sim. Mas também acho que podemos sempre dar uma “pitadela” ao que fizemos, mas claro sem tirar a originalidade da coisa. E é o que tenta fazer? Eu tento sempre dar um pouco de mais dinamismo ao programa. Quando me anunciaram que passaria a repórter do Sexto Sentido, eu fiz de tudo para não assistir as rubricas com antecedência. Porquê? Simplesmente porque não queria seguir taxativamente o que já se fazia. Queria fazer as coisas à minha maneira, dando um pouco do meu “eu” às rubricas. Mas claro sem tirar a originalidade do programa Sexto Sentido. E foi bem interpretada? Não. Infelizmente a coordenação de conteúdos não gostou muito do que eu fiz. E reclamaram dizendo que eu estava a atropelar o padrão do programa. Mas achei que a rubrica não tinha ficado mal (risos). Então acha que a peça ficou melhor com o seu toque? Creio que sim. E até hoje defendo que a peça ficou mesmo boa. Achei-a mais prática e dinâmica. E no meu ver o telespectador haveria de ficar na expectativa e com vontade de querer mais. Uma das minhas características é a de fazer peças curtas, numa média de três minutos. Quem está encarregue das pautas? É claro que temos a sugestão da coordenação dos conteúdos, mas basicamente nós é que as fazemos. Em que dias de semana as suas rubricas vão para o ar? Elas são passadas às quartas e sextas-feiras. Tendências e Etiquetas às quartas e uma à sexta que é o Teste Vip. Muito boas, por sinal. Quando tempo ficou como repórter do Chocolate? Entrei para o programa quatro meses depois da sua estreia e fiquei durante quase um ano. Foi uma experiência muito boa. Apesar de que muita gente acha que programas de entretenimento são sempre fúteis. E qual é a sua opinião sobre o programa Chocolate, hoje? Antes, quando produzido pela TvZimbo, os telespectadores já reclamavam de que o programa era muito selectivo e que apenas reportávamos os eventos mais chiques da cidade. E hoje acho-o muito mais elitista. As rubricas são viradas às mulheres, o que não concordo, mas é este o perfil do programa. Na verdade eu não sou muito ligada a padrões. Perfil Nome Janeth Jacqueline Massampo Saluvo Data de nascimento 10 de Maio 1986 Naturalidade Luanda Habilitações literárias 4.º ano, de Ciências da Comunicação Repórter de referência Amílcar Xavier Programa televisivo Alta Definição, da SIC Um livro O Sonho Mais Doce, de Dorris Lessing Desporto Futebol, especialmente o europeu Tempos livres Filmes e leitura A magia do couro http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_114/cabedal.jpg No coração da baixa da cidade de Luanda, encontrámos mais um lugar repleto de cultura e história. Há exactamente 12 anos fabricam calçados, porta-chaves, bolsas, coldres e muito mais, tudo feito com material nacional. O cabedal e o couro dominam o trabalho feito por eles. Ao todo, formam um grupo de cerca de 10 trabalhadores. A maioria são oriundos de Benguela e da parte sul do país. Aí, aprenderam a trabalhar o couro e começaram as suas carreiras e o amor à arte, tendo vindo para Luanda, à procura de melhores oportunidades de crescimento, divulgação e rentabilização do seu trabalho, criando mais oportunidades de negócios. PAIXÃO PELO TRABALHO Manuel, mais conhecido pelo por Mané, lidera a equipa. A humildade dos trabalhadores é visível. Todos dedicam-se a 100% à arte do calçado. As sandálias são a sua especialidade. A maior parte dos clientes são senhoras e mesmo os clientes masculinos muitas vezes compram peças de senhora, para ofertas. O espaço normalmente funciona das 8h30min às 17h30min e abre todos os dias, com excepção dos fins de semana. A média de visitantes diária é de dez pessoas. A sexta-feira é o dia de mais procura, chegando a visitar o espaço uma média de 70 pessoas. OS TIPOS DE CABEDAL Segundo Mané, o cabedal usado por eles tem diferentes origens e a sua tipologia é variada. “O cabedal que nós usámos não é todo igual. Ele divide-se em vários tipos e nós aqui usamos a todos. Temos o atanado, que é o cabedal de boi, o vegetal, a carneira, um cabedal mais fino que usamos para a confecção de peças mais frágeis; a sola seca, a sola de cromo, e a espuma, que é um piso que mandamos vir de fora. Normalmente de países como a África do Sul, a Namíbia ou Portugal”, explicou-nos. MODO DE PREPARO O cabedal, o tecido, o couro são os principais produtos para fazer as famosas sandálias. Os passos para criar uma sandália são aparentemente simples mas, na verdade, são bem mais complicados na práctica do que aquilo que aparenta em teoria. Primeiro corta-se a palmilha, dentro dos moldes do pé. Depois de preparada, costura-se a palmilha. Algumas até não exigem muita costura. De seguida faz-se o corpo da sandália. O terceiro passo inclui molhar a palmilha com ácido ou dióxene, produtos que servem para a limpeza do couro. Este processo de limpeza pode variar entre 20 minutos, se houver muito sol, ou até horas em dias menos felizes. PROFISSÃO ANTIGA Além da produção, a reparação de sapatos foi uma forma de manter fiéis àquele espaço os clientes mais antigos da casa. Pessoas que já reparavam ali os seus calçados durante o tempo colonial, ainda hoje os procuram e, inevitavelmente, passaram a gostar das famosas sandálias de cabedal. O dono da sapataria é já uma pessoa idosa e reformada. Eles, “os dez magníficos”, tomam agora conta do espaço dando continuidade a toda uma história marcada pelos tempos e pelos sapatos ao longo dos anos. CLIENTES FIÉIS Nos 12 anos em que se fixaram na avenida de Portugal já viram entrar na sapataria várias pessoas desde pessoas comuns e anónimas a entidades. Entre os inúmeros visitantes, houve um que marcou a memória de Mané. Trata-se de Guilherme Galiano, director de programas da TV Zimbo. “Ele é um homem que ama e tenta ajudar na valorização da cultura. Foram pessoas como ele, os angolanos na diáspora, que certamente contribuíram para que se desse um crescimento substancial na procura desta arte. É notável o aumento do número de pessoas que hoje nos procuram em relação aos anos anteriores. Muitos vêm com referências que lhes foram dadas fora do país, o que é bom para nós. Ganharam interesse por ter visto um angolano na diáspora a usar e então decidiram que um dia quando visitassem Angola também teriam de procurar por umas bonitas sandálias para levarem”, referiu. OLHAR NO FUTURO Para que o dinheiro ganho com as obras chegue para cobrir o sustento de todos, existe um contrato com os trabalhadores, pelo qual eles ganham uma percentagem pelas peças vendidas, elaboradas por eles. Os artesãos fazem questão de tratar todos os clientes de igual modo. “Todos os clientes são iguais. Muitas vezes entram aqui pessoas com dinheiro e querem logo levar, mas muitas vezes nós gostámos daquelas pessoas que entram e se interessam em conhecer o nosso trabalho. Muitos não compram naquele momento, mas depois voltam e compram, voltam por vontade e paixão, por terem gostado. E para nós isso é muito importante”, contou Mané. A abertura de um atelier em Benguela, terra natal da maioria dos artesãos é um dos planos para um futuro próximo. “Muitas vezes é lá onde vamos buscar o material, e foi lá onde tudo começou. Queremos muito poder trabalhar por lá”. Além de vender, os profissionais também realizam formações para futuros artesãos, pois “o ensinamento tem que ser transmitido. Não podemos ser ambiciosos e deixar de ensinar àquilo que também nos foi passado. Lutamos, de forma pacífica para impor o nosso trabalho e temos tido retorno, por isso sabemos que é uma boa profissão. O mundo é melhor quando nos comunicamos e passamos ensinamentos”, concluiu Mané, com um sorriso terno. UM CALÇADO ESPECIAL Dentre as várias sandálias, encontrámos a famosa “londinde”, que é feita com produtos provenientes do sul de Angola, local onde este calçado é normalmente usado. O preço das sandálias varia entre os 4.500 a 5.000 kwanzas (calçado masculino), 3.500 kwanzas (calçado feminino) e 2.500 kwanzas (calçado infantil). O “KOTA” TRINI Logo no iníco da entrevista, Mané citou “man Trinas” como o mais antigo dos funcionários do local. “Ele já praticava essa arte antes de nós, é o nosso mestre. Entende muito bem do seu trabalho além de ser uma pessoa muito tranquila”, contou. Herlânder José, de 50 anos, é natural de Benguela e um homem reservado. Há 26 anos trabalha em prol da arte angolana. Começou como pintor em tela e foi o amigo Rafael Sequeira que o incentivou a trabalhar como artesão/sapateiro. Ganhou a alcunha de Trini ainda no primeiro ciclo escolar, “Por causa do personagem Trinitá”, lembrou nostálgico. A família (mãe e filha) vivem na Inglaterra. Um dos seus maiores sonhos é abrir o seu próprio atelier de sapataria. O “MESTRE” MANÉ Mané, de 36 anos, é o rosto da sapataria. Sempre defendeu que a “publicidade é a arma do negócio” e, foi segundo essa máxima que entrou em contacto com a nossa redacção. Profissional como poucos, tem na sua equipa a sua família, já que a filha vive nos Estados Unidos com a mãe, uma antropóloga cubana que conheceu ali mesmo, na loja. “Ela veio comprar umas sandálias e acabámos por ficar amigos e assim sucessivamente”, lembra. Mantém um contacto quase que diário com elas e afirma: “Sonho um dia poder expandir o nosso negócio para os Estados Unidos. Lá as pessoas valorizam muito esse tipo de trabalho, então, porquê não sonhar? (risos)”.Uma das coisas que mais prima é pelo acabamento das suas obras: “esse é o segredo do nosso trabalho, o acabamento. Nós fazemos tudo com profissionalismo e paixão”, frisou. Matthias Offodile April 2nd, 2011, 09:02 PM Dionísia Soma // Faço por merecer Gestora de Projectos, Informática e Modelo fotográfico http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_124/dion.jpg A recente passagem pela terra de Mandela, para uma formação em língua inglesa, por conta da Prodiaman (empresa onde trabalha há mais de cinco anos) impôs-lhe um novo desafio e a realização de um sonho de infância: o de se tornar modelo fotográfico internacional. A SA Beauty Photography, Modeling e Advertising uma agência de modelos em Joanesburgo, contratou a bela angolana. “Fiquei durante quatro meses na África do Sul, onde frequentei um curso intensivo de inglês e tive a oportunidade de trabalhar com a agência SA Beauty”, disse Dionísia Soma. A proposta aconteceu quando passeava no Shopping Nelson Mandela Square e foi interpelada por uma senhora que questionava a sua nacionalidade. “A senhora afirmava que eu não tinha traços de uma mulher africana, ofereceu--me o seu cartão e pediu--me que a procurasse dizendo que tinha uma proposta ligada à moda”. Convidada a fazer parte do grupo de modelos fotográficos da agência, Dionísia julgou tratar-se de uma brincadeira, mas para seu espanto, foi informada de que a conversa no shopping havia sido gravada e que estava a ser observada há algum tempo. O primeiro trabalho para a agência resumiu-se numa sessão fotográfica para o cartão de visita da instituição e, dias depois foi informada que havia sido escolhida para ser figura de capa de uma das revistas de fim de ano da SA Beuty. Sobre a proposta de alojar-se definitivamente na África do Sul, para fazer moda respondeu “há toda uma vida feita em Angola e não a trocaria pela moda”. A formação na África do Sul deveu-se ao novo cargo na empresa onde trabalha. Um emprego prematuro O ingresso na Prodiaman foi um desafio. Na altura concorreu e foi aceite a uma vaga . Mas devido à sua condição de estudante e a idade, 20 anos, preferiu fazê--lo sem o conhecimento de Dona Maria, a sua mãe. “A minha mãe sempre colocou os estudos em primeiro lugar. E se a pedisse para arranjar um emprego, naquela altura, ela não aceitaria”, explicou. Dionísia trabalhou durante cerca de um mês sem o conhecimento da mãe, alegando que se tratava de um estágio de final de curso. “Com o passar dos dias a minha mãe descobriu, mas contentou-se e confiou incondicionalmente na minha opção. A eterna Miss Maianga Durante a entrevista soubemos que Dionísia mantinha consigo a faixa que a titulou Miss Maianga 2003, num casting entre cerca de cinquenta candidatas, na qual apenas permaneceram as dezoito melhores. “Sempre gostei de moda, quando soube do anúncio e que a vencedora seria a figura de capa de uma Revista a ser lançada na altura, inscrevi-me de imediato. O sonho de qualquer manequim é ser figura de capa de uma publicação renomada”, disse. Entre as 18 candidatas Dionisia Soma destacou-se entre as finalistas, subindo ao pódio mais alto. No ano seguinte e devido à um conflito entre a actual direcção e a cessante, a sua sucessora não foi reconhecida pelo Comité Provincial e permaneceu com a coroa. “Na altura este grupo não estava autorizado a realizar o concurso, por isso tenho a coroa em minha casa, até hoje”, esclareceu. O título da mulher mais bonita do município da Maianga concedeu-lhe o “passaporte” directo para o Miss Luanda, na qual ficou entre as seis semi-finalistas e foi eleita Miss Pele de Seda. Neste mesmo concurso, teve a oportunidade de conhecer a estilista Elisabeth Santos, de quem se tornou amiga e durante algum tempo, passou a manequim das apresentações da estilista. Sobre o momento que mais a marcou como manequim, salientou a passagem no Moda Luanda 2002, nas escadarias do Governo Provincial. “Embora tenha escorregado e caído durante o desfile, este foi o evento que mais me marcou. Só não sei se pela positiva ou pela negativa”, relembrou. Uma infância feliz Única menina entre quatro irmãos, natural de Luanda, mas de pais nascidos nas cidades do Libolo e Calulu, respectivamente, cresceu no município da Maianga, onde fez os seus estudos. O ensino primário na escola Rainha Ginga, e o secundário no Ngola Kanine e Kiluanje. No médio passou pelo PUNIV Central mas foi no Instituto Médio Simione Mucune onde se formou como técnica de Telecomunicações e Automação. Finalmente foi na Universidade Gregório Semedo, onde se licenciou em Informática. Aos oito anos de idade frequentou a escola de natação do Clube Náutico de Luanda, onde durante dezoito meses deu tudo de si como nadadora. De seguida ingressou para Organização do Pioneiro Angolano (OPA). Devido às várias ocupações teve que abdicar-se das aulas de natação. Assento na assembleia Líder desde cedo, aos dez anos de idade aderiu à OPA, instituição que considera ser uma ferramenta essencial para a formação e o futuro de qualquer criança. Enquanto pioneira, várias foram as actividades que desenvolveu. Membro do grupo coral e de dança, participou em diversas outras actividades e fez parte da maioria dos acampamentos a nível nacional e actividades internacionais da OPA, na altura. Representantes do município da Maianga, Dionísia Soma foi pioneira, guia e chegou a deputada, pelo parlmento infantil. “O parlamento infantil era uma ferramenta com muita força e por incrível que pareça conseguiamos influenciar as atitudes dos mais velhos. As nossas assembleias eram reconhecidas à nível internacional”, explicou a modelo, salientando que “graças ao trajecto na organização tornei-me na profissional disciplinada que sou hoje. Foi uma grande escola e uma fase vivida com muita intensidade. Segundo a ex-pioneira foi na OPA onde fez parte das grandes amizades que hoje tem e adquiriu fortes conhecimentos sobre a importância dos valores morais. O parlamento infantil foi criado na altura pela OPA, em parceria com o Instituto Nacional da Criança (INAC), em consequência das atrocidades contra as crianças no tempo de guerra. “Hoje ainda estou ligada à OPA, mas como conselheira do parlamento infantil”, disse Dionísia Soma. Funcionária aguerrida Quadro da empresa Prodiaman Oil Services, (exploração e produção de hidrocarbonetos e prestação de serviço a indústrias petrolíferas),desde 2005, ingressou para a instituição na função de assistente do departamento de Divisão e Informação de Segurança, numa altura em que a Prodoil, uma das filiais da Prodiaman levava a cabo um estudo sobre os dados sísmicos, para os blocos explorados pela Sonangol. Meses depois e, em consequência da então directora dos Recursos Humanos (RH) e a sua assistente se encontrarem em estado de gestação, Dionísia Soma é transferida para a área do RH, onde permaneceu durante dois anos. Após os Recursos Humanos foi convidada a trabalhar para o gabinete do director geral, como assistente de direcção. A executiva prevê ainda a criação de um Departamento de Central de Documento (DCD), provavelmente sob sua responsabilidade, pelo facto de ser uma das pessoas que mais contacto tem com os ficheiros e arquivos da empresa. Uma das mais recentes propostas foi a de fazer parte do sector de informática, área em que se licenciou, pela Universidade Gregório Semedo. Durante os seis anos de permanência na empresa beneficiou de várias formações entre as quais a de gestão de arquivos, técnicas administra-tivas, gestão de projectos e recentemente a de língua inglesa. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_124/dionisi.jpg Perfil Nome Dionísia Domingos Figueira Soma Data de nascimento 20 de Abril de 1984 Natural de Luanda Férias Roma, Itália Província em Angola Kwanza-Sul Pratos: Os típicos de Angola Desporto Natação Defeito Teimosia Meta Mestrado em Gestão de Empresas Um livro A Audácia da Esperança, de Barack Obama Victor Gama // A arte não tem fim http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_114/imagem%203.png Músico O músico angolano Victor Gama é um artista totalmente original. Desenvolve instrumentos musicais a partir de uma variedade de materiais, incluindo madeira e metal. Criou a organização “Pangeia Instrumentos”, sem fins lucrativos, com objectivo de ajudar outros músicos. É compositor, músico, designer de instrumentos musicais inovadores, e também engenheiro electrónico. Várias das suas obras musicais foram gravadas em CD, incluindo Pangeia Instrumentos, pela Rephlex Records de Aphex Twin. As exposições e instalações do músico são espaços de criação e performances onde o visitante pode experimentar um corpo e uma topografia da música, um conceito próximo do “teatro da música de Johnny Cage” onde o ouvinte pode ouvir, ver e tocar. A sua música tem sido apresentada em público a solo ou com o Pangeia Instrumentos Ensemble em Portugal, Holanda, Brasil, Moçambique, Angola, Cuba, Inglaterra, Irlanda do Norte, África do Sul e Colómbia, tendo tocado com músicos e artistas como Naná Vasconcelos, Kituxi, Max Eastley, Heitor Alvelos entre outros. Nos últimos dez anos tem realizado um trabalho de pesquisa com compositores e músicos em meios rurais em Angola, Cabo Verde, Cuba, Colómbia, África do Sul, Namíbia e Brasil. Como educador participou no projecto Muse, da Fundação Yehudi Menuhin, da qual é membro. Nasceu em Angola, mas a sua família provém de Portugal. Como foi crescer aqui? O som do Hungo provocou algum tipo de memória antiga no meu cérebro e senti que tinha que fazer o mesmo... Nasci há 43 anos, e na altura as coisas eram bem diferentes. Angola esteve sob a dominação colonialista sob o regime fascista de Salazar que oprimia a ambos, angolanos e portugueses. Eu cresci no período subsequente de transição que viu Angola através da independência numa espécie de regime marxista-leninista adaptado às realidades africanas. Como surgiu o interesse pela música? Eu sempre senti que a unidade de letra e som puro pode definir a música quando ainda está num estado quase embrionário da existência na mente.Quando tinha seis anos, vi pela primeira vez um homem tocar um instrumento vivo. Um Hungo, um arco musical, como o berimbau (instrumento de corda de origem angolana) tive uma sensação de “transe”. Aquele som provocou algum tipo de memória antiga no meu cérebro e senti que tinha que fazer o mesmo som, música ou qualquer outra coisa. A música guia a minha vida, adoro àquilo que faço. O que o levou a construir os seus próprios instrumentos? Provavelmente o facto de eu não ter uma guitarra disponível imediatamente. Comecei a fazer som com o que eu encontrei em casa. Descobri mais tarde que a unidade para a música, a experiência de si mesmo por meio do formulário de música e som, faz as pessoas criarem os instrumentos. Assim, parecia bastante lógico e espontâneo para mim que o processo de construção do instrumento fosse parte dessa experiência. E como funciona o processo de criação de intrumentos? Eu componho a minha música, começando do nada então, obviamente, a primeira coisa a fazer é construir a ferramenta. O que acontece é que o processo de composição é um longo processo que exige um maior envolvimento do compositor. Tem de cortar a madeira ou o metal, dando seguimento ao encontro de um sistema de afinação. Dali irá descobrir como funciona e começar a gravar. O processo pode durar anos antes mesmo de ter um pedaço razoável que se poderá chamar de uma composição. Quanto tempo leva para desenvolver plenamente um instrumento? Anos, e ainda assim nunca é plenamente desenvolvido. O que é exactamente Pangeia Instrumentos? Em 2012 pretendo apresentar uma nova obra e realizar um concerto nos Estados Unidos Pangeia é o nome dado à um supercontinente que, segundo a teoria da “deriva continental”, existiu até 200 milhões de anos atrás. Seu nome origina-se do facto de todos os continentes estarem juntos, formando um único bloco de terra. dividiu-se formando os continentes actuais, sendo primeiramente formado a Laurásia e a Gondwana. Tem uma grande ligação ao meu trabalho, uma estrutura com várias origens e nenhuma, mas que tudo engloba, a variedade do som que se une. Também adquire influências dos países que visita para o seu projecto? Eu viajo sobre os projectos que são representados pelo Pangeia Instrumentos, como pelo projecto Odantalan e agora mais recentemente o projecto Tsikaya. De uma forma ou de outra, isso influencia o meu trabalho. Pangeia Instrumentos é representado pela Rephlex na Europa. Como chegou a trabalhar com eles? Gravei o Pangeia Instrumentos sozinho, num pequeno vilarejo na costa de Sintra, em Portugal. Houve um contacto em Londres, que me deixou surpreso. A Rephlex teve um súbito interesse em lançar o álbum. Fomos em frente com o projecto e cá estamos nós, com o resultado final. Já lançou um álbum chamado Oceanites Erraticus, no qual colaborou com outras de pessoas. O projeto parecia bastante diferente dos Pangeias Instrumentos. Conte-nos mais sobre o mesmo? O Oceanites Erraticus está ligado ao meu trabalho de guitarra que é realmente o meu primeiro instrumento e aquele que toco há muito tempo. Eu toco uma acústica de 12 cordas com uma série de afinações, que variam muito. Participou num projecto de intercâmbio cultural, Odantalan, que juntou artistas de todo o mundo. Esteve na origem do projecto? Sim, iniciei o projecto Odantalan, que tem no cerne do processo criativo os antigos sistemas de escrita da civilização Kongo. Esta foi e ainda é usada como uma forma de comunicação escrita com o espírito dos antepassados. Então, o que tentamos fazer no projecto, foi criar um espaço de trabalho onde não se estaria condicionado por qualquer outra coisa. O resultado foi um óptimo álbum com forte componente de design e perspectiva histórica e linguística. O principal objectivo deste projecto foi usar esses sistemas de conhecimento como uma plataforma de lançamento num território totalmente novo de formas visuais e sonoras. Tem outros projectos em movimento no momento? Sim, muitos. Em 2012 pretendo apresentar uma nova obra e realizar um concerto incrível para apreciação e aprovação de um grande público em Chicago, nos Estados Unidos. Perfil * Nome: Victor Gama * Data de nascimento: 27 de Fevereiro de 1968 * Um país: Colômbia * Um livro: “Simplesmente Joana” * Músico Nacional: Kituxi * Músico Internacional: Tom Waits * Prato predilecto: Moamba de galinha * Citação: “Prossiga os seus sonhos” Matthias Offodile April 9th, 2011, 09:05 PM À espera de crias de Palanca-Negra-Gigante na Cangandala Por FILOMENA NAVES - 03 Julho 2010 Investigador angolano lançou projecto para salvar a espécie. http://img821.imageshack.us/img821/9638/ng1313587.jpg http://www.birdsangola.org/images/peoplepvp.jpg Há oito anos, havia quem garantisse que a palanca-negra-gigante (Hippotragus niger variani), que tem os maiores cornos entre todas os antílopes, e que só existe em Angola, estava extinta. Mas o investigador angolano Pedro Vaz Pinto acreditou que não, que ainda haveria exemplares na natureza. Por isso foi à procura deles e conseguiu encontrá-los. Agora está envolvido num projecto para a sua conservação e num estudo genético para traçar a sua história recente. A caça durante décadas para obter troféus únicos - cornos que chegam a atingir metro e meio de comprimento -, a guerra civil, a caça furtiva organizada para abastecer tropas e comércios clandestinos, a par de toda a desordem que os combates implicam, poderiam ter ditado o fim da emblemática espécie, menos de cem anos depois da sua descoberta, em 1916. Mas isso afinal não aconteceu e, dois anos depois de iniciar a sua busca no terreno, a equipa de Pedro Vaz Pinto conseguiu finalmente fotografar um exemplar. Foi a primeira imagem obtida em 20 anos, no Parque Nacional da Cangandala (PNC), perto de Malanje, 450 quilómetros a leste de Luanda, um dos dois únicos locais onde existe esta espécie endémica de Angola. O outro é a Reserva Integral do Luando (RIL), a uma centena de quilómetros para sul da Cangandala, entre Malanje e o Bié. Mas essa primeira fotografia foi apenas o início de uma aventura que pode resultar já este ano nas primeiras crias de palanca-negra-gigante no Parque da Cangandala em muitos anos. "Ficaria desapontado se não tivéssemos crias até Outubro", confessa o investigador. Pedro Vaz Pinto nasceu em Luanda, há 42 anos, e aos três veio para Portugal. Aqui cresceu e estudou engenharia florestal, no Instituto Superior de Agronomia, mas África foi mais forte. "Voltar a Angola era uma inevitabilidade", diz ao DN. Voltou em 2000, ainda antes do final da guerra, como especialista em ecologia, para o Parque da Kissama. Depois a palanca-negra-gigante impôs-se. Outra inevitabilidade. "Foi como um íman", explica. "É um animal de uma beleza incrível, muito raro, um ícone do país". Como investigador da Universidade Católica de Angola, Pedro Vaz Pinto lançou então um projecto para avaliar o estado da espécie. Mas primeiro era preciso perceber se ela ainda existia. Entre 2003 e 2005 o investigador e a sua equipa percorreram o parque da Cangandala, que tem 63 mil hectares, e perceberam por vestígios indirectos - excrementos e rastos de passagem - que a palanca-negra-gigante ainda andava por ali. Em 2004 instalaram câmaras ocultas, accionadas por infravermelhos e, no ano seguinte, foram finalmente recompensados. À alegria acabaria, no entanto, por seguir-se um choque e uma sensação de incerteza. As observações posteriores mostraram que na Cangandala não restava mais do que uma manada com nove fêmeas e nenhum macho. Por causa disso, as fêmeas há muito que estavam a cruzar-se com uma outra espécie completamente diferente, a palanca-vermelha (Hippotragus equinus), que ocorre por todo o país, e a gerar animais híbridos e subférteis. Estes, em número de doze, suplantavam já os exemplares puros da espécie e eram a demonstração perfeita de como este animal estava à beira do fim. "Este cruzamento da palanca- negra-gigante é uma situação extrema", explica Pedro Vaz Pinto. "Até hoje", adianta, "era conhecido um único caso de híbrido entre palanca-negra-vulgar e palanca-vermelha, no Parque Kruger [África do Sul] e nós identificámos doze casos". Sem machos na manada, as fêmeas da Cangandala só poderiam reproduzir-se dessa forma. Era preciso agir depressa e a única hipótese era encontrar um macho na reserva de Luando e levá-lo para o parque da Cangandala. Mas, em 2008, desconhecia-se virtualmente quantas palancas-negras-gigantes haveria nos 828 mil hectares da reserva, e foi preciso lançar essa busca. Iniciou-se então uma corrida contra o tempo, para tentar salvar esta espécie criticamente ameaçada. Em Maio e Junho do ano passado, a equipa coordenada por Pedro Vaz Pinto já tinha identificado na reserva de Luando as áreas potenciais da palanca-negra-gigante , mas ainda não tinha encontrado nenhuma manada. Isso acabou por acontecer em Agosto. Ao longo de três semanas, os investigadores conseguiram capturar oito machos. Um deles foi transportado de helicóptero para o parque da Cangandala, os outros foram marcados e receberam sistemas de telemetria para serem monitorizados na natureza. Entretanto, na Cangandala, o macho de Luando e as nove fêmeas foram isolados em quatrocentos hectares vedados, que serão em breve alargados a três mil. As primeiras crias estarão para nascer. "Penso que chegámos a tempo", diz Pedro Vaz Pinto, consciente no entanto, de que o perigo ainda não passou. Ao todo, no parque e na reserva, não chegarão hoje a cem as palancas-negras-gigantes. Nos anos 70 do século XX havia cerca de dois mil. Ou seja, de então para cá, desapareceram 95 por cento destes animais. Humkwy April 10th, 2011, 01:51 AM Jorge Ferreira Ramos / / Empresário Gestão a alta velocidade http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_11/exame_09_2010_12_03_4.jpgSabe-se muito pouco sobre o grupo Ridge Solutions. Ainda menos sobre o seu fundador Jorge Ferreira Ramos, de 46 anos, detentor de 90% do capital (os restantes 10% pertencem a um outro empresário angolano do qual apenas se sabe que é um antigo quadro dos petróleos). No entanto, trata-se de um grupo com activos avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares presente em Angola, no Dubai, Abu Dhabi, Hong-Kong, Pequim, Luxemburgo e Lisboa em actividades tão díspares quanto os serviços financeiros, imobiliário, agricultura, indústria e a construção de infra-estruturas. Ou seja, quase tudo. Na entrevista que mantivemos com o fundador (uma ocasião única, dado que ele raramente concede entrevistas à comunicação social) ficámos a conhecer um pouco melhor as origens deste colosso empresarial cujo nome significa, numa tradução literal, “soluções de ponta” (a palavra ridge designa uma montanha íngreme e pontiaguda, que é, aliás, visível no logótipo da empresa). A conversa decorreu na sede, no último andar de um edifício com uma arquitectura original, em forma ondulada, localizado junto à Sagrada Família, um dos símbolos da chamada “nova Angola”. Foi um José Ramos sorridente e afável que nos recebeu no seu amplo gabinete, onde pontificam os sofás de estilo, uma secretária arrumada e uma mesa de reuniões de grande porte, com um design moderno e uma vista magnífica sobre a cidade de Luanda. A entrevista, avisou, era suposto durar apenas 45 minutos (na realidade foram duas horas), dado que o empresário iria partir no dia seguinte para os Emirados Árabes para tratar de assuntos relacionados com a Fundação Williams, cuja actividade, ligada à prevenção rodoviária, está a registar um grande entusiasmo neste país. O apelido Williams decerto soará familiar aos adeptos dos desportos motorizados. É que o grupo Ridge Solutions patrocina, desde 2009, uma das equipas com mais tradições na Fórmula 1 (F1), a ATT Williams. “Trata-se primeiro grupo africano a patrocinar uma equipa da F1”, diz com orgulho. A scuderia britânica, recorde-se, terminou em sexto lugar no último campeonato mundial de construtores, tendo o brasileiro Rubens Barrichello e o alemão Nico Hülkenberg, como pilotos. A equipa, fundada por Frank Williams e Patrick Head, em 1997, já ganhou nove títulos mundiais. Imagem da Ridge Solutions sobre rodas O patrocínio revelou-se uma excelente jogada de marketing, dado que a F1 é, como se sabe, uma modalidade de enorme visibilidade muito apreciada no Médio Oriente, onde a Ridge Solutions está fortemente implantada. A presença do grupo nesta competição, vista por 700 milhões de pessoas em todo o mundo, deu um forte “empurrão” à estratégia de internacionalização do grupo, à imagem de Angola no exterior e à captação de potenciais investidores nos mercados asiáticos e do Médio Oriente. Na primeira fase da internacionalização, o grupo criou a RS International Holdings, no Dubai, e depois, com parceiros chineses, a RS China-Africa em Hong-Kong e Angola. A Emirates Ridge Solutions Contracting, com sede em Abu Dhabi, foi a empresa que marcou a entrada do grupo nos grandes projectos de engenharia do Médio Oriente e África. A terceira fase da expansão internacional (através da RS Capital) passou pela criação de estruturas na Europa, dedicadas à gestão de capitais em Portugal e Luxemburgo. “Somos a única empresa africana registada neste pequeno país que é a segunda maior praça financeira da Europa”, afirma José Ramos, acrescentando que também tem uma consultora financeira registada nas ilhas Caimão. O impulso dado pela F1 também “acelerou” a vitória do grupo nos concursos internacionais para grandes obras (como metropolitanos, caminhos-de-ferro, auto-estradas ou até a gestão de municípios) no Médio Oriente. “Fomos a primeira empresa africana a patrocinar uma equipa da F1. Com isso deixámos de ser encarados como uma empresa do terceiro mundo e passámos a competir directamente com as multinacionais”, diz. De facto, ao percorrer os gabinetes da empresa, o ambiente é semelhante ao de uma multinacional onde o inglês é a língua franca. “Somos uma empresa multicultural cujas práticas de negócio nada ficam a dever às melhores da Europa, dos Estados Unidos ou da Ásia. Sempre procuramos atrair as melhores competências e os melhores talentos de todo o mundo.” A este propósito é importante registar que o grupo apenas possui 137 quadros efectivos (a somar aos 5 mil colaboradores) provenientes de países tão díspares quanto Portugal, Estados Unidos, África do Sul, China, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Índia, Sudão, França, Moçambique, Brasil, São Tomé, Emirados Árabes Unidos e obviamente Angola. Um grupo que oferece o melhor de dois mundos Apesar desta autêntica “sociedade das nações” a Ridge Solutions está fortemente alicerçada em Angola, elegendo a região do golfo da Guiné (nomeadamente Angola, Botsuana, Zâmbia, Zimbabué e Moçambique”) como prioritária. É devido a esse conhecimento do mercado local, apoiado pela experiência de mercado global, que a Ridge Solutions diz combinar o “melhor dos dois mundos” (uma frase, que se tornou uma “assinatura” do grupo, presente em todos os matérias de comunicação). José Ramos acredita que essa assinatura tem várias leituras. “Somos uma empresa cuja matriz cultural é angolana, mas que oferece soluções de investimento e práticas de gestão de nível mundial.” O grupo nasceu há apenas seis anos. Desde então, segundo o seu fundador, teve um crescimento vertiginoso de 6000%. No início estava dividido por áreas de negócio, com ênfase nos projectos imobiliários de larga escala (que foram o core business nos primeiros cinco anos), através da RS Properties). Hoje, o grupo divide-se em dois grandes eixos: as actividades produtivas (onde se inclui a agricultura e a indústria); e os veículos financeiros que os suportam, através da RS Capital (que procura financiar e alavancar os projectos do grupo e atrair investidores locais e internacionais para negócios em Angola e na África Subsariana). No imobiliário, os Jardins do Éden, em Luanda-Sul, projecto iniciado em 2005, é um dos mais emblemáticos. Dirigido à classe alta, tem actualmente 2400 casas vendidas (das quais 1550 já foram entregues) e está neste momento a desenvolver a segunda fase do projecto, com a construção de edifícios de vários andares para uso comercial e residencial e um centro comercial de grande dimensão (Kalandula Shopping) e equipamento social. Em 2006, deu-se início ao projecto da Torre Platinium, de 19 andares no coração de Luanda. Em 2009, e também na área de Luanda, iniciou-se a construção do Novo Kitulu, projecto dirigido às diversas classes sociais e implantado numa área de 789 hectares. Ainda em Luanda, está também está a ser finalizada uma torre de 12 andares no centro da cidade (Marimba Palace) e um complexo de vivendas (Zambo Condomínios) e em construção um hotel de cinco estrelas (Kilamba), a somar ao que vai ser construído em Malange (Villas de Malange) e ao resort turístico junto à praia de Cabo Ledo (Ledo Cliffs). Apesar de muitos desses projectos ainda estarem com obras em curso, José Ramos pegou na máquina de calcular e estimou que, nos últimos três anos, o grupo já terá entregue cerca de 2987 vivendas e 3039 apartamentos. É obra! O ano 2008 marcou o início dos projectos industriais do grupo (através da RS Industry) com o arranque do Parque Industrial de Botomona, em Catete. O espaço de 225 hectares visa instalar a industrias pesada, média e ligeira e oferece um centro logístico, retail park, centro empresarial, restaurante e hotel. A estreia do parque vai fazer-se com uma empresa do grupo (uma fábrica de telha e tijolo e blocos de cimento) que já está em construção Camarões de Angolano à sua mesa em Agosto de 2011 O segundo grande projecto, ligado à agro-indústria, nasceu em Novembro de 2010. Trata-se, segundo o responsável, o sul--africano Jannie Breed, o “maior projecto de aquacultura de África”. Representa um investimento de 77 milhões de dólares e vai gerar 1200 postos de trabalho na região do Ambriz. “A ideia começou a ser discutida há cinco anos”, esclarece o especialista. O final feliz foi oficializado a 19 de Novembro, com a assinatura do acordo com a Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) que prevê a concessão de incentivos fiscais e aduaneiros. O projecto terá uma área de produção de 1000 hectares e produzirá 6 mil toneladas de camarão-tigre, uma espécie muito apreciada pelos mercados europeus, asiático e norte-americano, onde o consumo do marisco tem vindo a crescer (só no Japão, estima-se que seja de 300 mil toneladas por ano). “O mercado interno também será importante”, estima Jannie Breed. A marca Camarão de Angola estará no mercado em Agosto de 2011. O projecto foi desenvolvido com o apoio tecnológico de técnicos franceses, com grande experiência na cultura desta espécie em Madagáscar (líder africano em aquacultura), segundo os métodos biológicos aceites internacionalmente. A produção irá iniciar-se num projecto-piloto com 32 hectares e terá um forte impacte social na região do Ambriz incluindo um projecto de habitação social. Numa segunda fase, José Ramos prevê a possibilidade de adicionar valor ao produto (camarões já cozidos, com ou sem cabeça) e produzir filetes de tilapia (cacusso). Outra actividade do grupo em fase de desenvolvimento acelerado é a agricultura. Em 2009, a RS Farming, direccionada para o desenvolvimento e gestão de projectos agrícolas, arrancou com a primeira fazenda no Huambo, estando em preparação o arranque de unidades similares em Benguela e no Bengo. No total, o grupo já terá adquirido cerca de 27 mil hectares de terra, mas o objectivo, a médio prazo, é chegar aos 500 mil hectares. “Todas as fazendas terão uma forte componente industrial”, alerta o fundador. O grupo utilizou as mais modernas tecnologias para captar imagens do local, quantificar as parcelas de terras aráveis, avaliar a qualidade dos solos e as necessidades em termos de recursos hídricos. “Vai haver uma aposta forte no uso de energias limpas e na criação de mini-hídricas”, esclarece. Outra componente essencial será o centro logístico e de distribuição e a edificação de ramais ferroviários para o escoamento dos produtos para os principais pontos da África Austral. Numa primeira fase, os projectos dirigem-se, sobretudo, ao mercado interno “de modo a combater o défice alimentar que ainda subsiste no país. Os excedentes serão canalizados para a exportação contribuindo assim para a diversificação da economia e para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos. Cremos que esse esforço deve ser uma responsabilidade de todos os empresários e não só do Governo”, conclui José Ramos. A área de actividade mais recente é o branding (gestão do portefólio de marcas do grupo), e que terá a parceria com a Williams como motor. “Em 2012 vamos entrar no segmento do lifestyle, com um forte cariz tecnológico, criando uma parceria onde a Ridge terá 75% do capital e a Williams 25%”, diz. O merchadinsing tem sido aliás uma grande fonte de receitas para as equipas, sendo a Ferrari um dos casos mais bem-sucedidos de extensão de marca. José Ramos acredita que o investimento na F1 é elevado, mas compensa. “Os especialistas dizem que por cada dólar investido há um retorno de 586%”, diz. Além de ser uma das mais vistas, a modalidade é também das mais exigentes em termos de tecnologia e inovação (duas palavras mágicas para o fundador da Ridge). “Na Williams, por exemplo, são precisos 560 engenheiros só para gerir dois carros”, refere. Por todas estas razões, o investimento na F1 é para continuar. “Em 2014, podemos estar ligados aos motores de alta competição powered by Ridge Solutions”, diz. Patrocinador da selecção nacional dos atletas paraolímpicos Outra aposta forte do grupo é a responsabilidade social. A colaboração entre a RS e a AT&T Williams assume uma forte vertente social com a criação de uma fundação que visa contribuir para a promoção da segurança rodoviária no continente africano. O programa tem uma componente educativa e lúdica ligado à prevenção rodoviária e é dirigido essencialmente às crianças e jovens. É também a pensar neles, nomeadamente os mais desfavorecidos, que a Ridge Solutions apoia o Centro de Acolhimento Arnaldo Janssen (Lar de Crianças do Padre Horácio) garantindo alimentação, educação e cuidados de saúde a 375 crianças de rua. Outro grupo-alvo que tem merecido uma atenção particular é o desporto adaptado. Desde a sua fundação que a Ridge Solutions se tornou o principal patrocinador dos atletas parolímpicos que representam Angola (José Ramos é vice-presidente do Comité) oferecendo um projecto para o centro de treino. Este ano, o grupo também apoiou outros eventos ligados ao entretenimento (caso do concurso Miss Angola 2010) e à cultura (foi um dos mecenas da 2.ª Trienal de Luanda). Fora das “pistas” do mundo dos negócios a Ridge Solutions também quer ser campeã. http://www.opais.net/pt/opais/?det=17880&id=2000&utm_medium=referral&utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_content=Angola Matthias Offodile April 10th, 2011, 04:14 PM Esperança Irene Bengue // Protectora da Terra...por acaso Estudante de Gestão Ambiental http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_126/pais126_lr_101.jpg Nem sempre o destino oferece o que se deseja.Exemplo disso aconteceu com a nossa interlocutora Irene Bengue, que quando terminou o ensino médio foi para a Universidade Independente inscrever-se no Curso de Informática e, por força da inexistência de vagas, “caiu” no Curso de Gestão Ambiental. Estuda Gestão Ambiental. Contanos como foi ali parar... Na verdade não era primeira opção, fui forçado a fazer este curso porque no de Sociologia as inscrições já estavam esgotadas. O número de candidatos era superior, se a memória não me atraiçoa, do que todos os outros cursos juntos Já agora, o que acha do curso que foi forçada a seguir? Acho um bom curso. No princípio era tudo complicado, pois não dominava as questões ambientais. Penso que os estudos neste ramo estão a correr normalmente porque também já consigo entender alguma coisa, o que me fez transitar para o segundo ano. Sente-se bem a fazer este curso no país? Não. Como disse anteriormente, caí como um pára-quedista no Curso de Gestão Ambiental. Não sou a pessoa indicada para falar sobre o curso, se é melhor faze-lo cá ou fora. Mas penso que há ainda muito para ser feito, porque são cursos novos. E o que pensa fazer depois de terminar o curso? Não vou mentir, assim que terminar quero avançar pelo que eu mais quero: Sociologia. Ainda sou nova, por isso ainda tenho tempo para fazer duas licenciaturas. Quero trabalhar sobretudo com os mais jovens, por serem aqueles que, basicamente, constituem a nossa sociedade e merecem muita atenção. Como estudante universitária, qual é a sua principal dificuldade? As dificuldades são muitas, pois se as começar a enumerar podemos não acabar (risos). Quero dizer que muita coisa vai mal, a começar pelas próprias faculdades que estão longe de serem organizadas. Muitas bibliotecas universitárias não oferecem boas condições de estudo e são carentes em livros, não têm um bom serviço de internet que é, na minha opinião, a melhor ferramenta de pesquisa. O outro grande problema que encontramos é o valor das propinas que chegam a ser mais do que os nossos bolsos, o que provoca a desistência de muitos alunos. Hoje, se olharmos bem, muitos alunos com fraco poder financeiro são obrigados a procurar um emprego para custear os seus estudos. É difícil conciliar as duas coisas quando assim acontece, sobretudo numa sociedade como a nossa. Perfil Nome: Irene Bengue Data: 8 de Outubro de 1989 Estado cívil: Solteira Naturalidade: Luanda Formação académica: 2º ano do Curso Gestão Ambiental Desporto Favorito: Voleibol Clube: 1º de Agosto Matthias Offodile April 12th, 2011, 07:38 PM Paula Somons: As sociedades ainda são muito machistas http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_121/pais%20121_lr_4.jpg Março é um mês dedicado à mulher angolana. Que balanço se pode fazer da luta pela igualdade? Angola tem, do ponto de vista institucional, dos mais modernos e avançados mecanismos, nomeadamente ao nível da legislação, para a protecção dos direitos da mulher e do reconhecimento desses direitos de forma a assegurar a igualdade entre o género na sociedade. No entanto, Angola tem, do ponto de vista social e cultural o percurso que, na história da Humanidade, levou às situações de desigualdade. Creio que já tivemos momentos mais progressistas na luta pelos direitos de igualdade. Este parece-me ser um momento mais conservador em relação a essa luta. O caminho será muito longo, é preciso nunca desistir de o percorrer. Qual seria o conceito de emancipação numa sociedade como a nossa? A emancipação não tem conceitos diferentes. Nem a igualdade. O direito à igualdade entre os membros de uma sociedade é universal. E esses direitos à igualdade entre cidadãos não são datados, são intemporais. O que me parece é que este é um momento em que a sociedade se vira para a necessidade de reforço dos valores de estabilidade assentes na família como no núcleo da sociedade e que se coloca a responsabilidade dessa estabilidade na mulher. Essa responsabilidade tem que ser partilhada. O esforço pela união familiar e de tolerância em nome dessa união, deve ser responsabilidade assumida a dois, pelo homem e pela mulher que juntos decidem formar e assumir uma família. Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher angolana, se é que há? O nível de desenvolvimento e de formação dos povos e dos países é sempre determinante para a liberdade dos seus intervenientes. Quanto maior for o desenvolvimento, a estabilidade, o bem-estar, quanto mais justa for uma sociedade, maior será a liberdade da mulher. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_121/pais%20121_lr_70.jpg Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte, disse alguém. Concorda? (risos) concordo sim. E creio que o inverso seria também verdadeiro num caso em que a mulher fosse juíz e parte... O presente envolve o passado e no passado toda a História foi feita pelos homens. Ainda se pode evocar a História para se justificar o estatuto actual da mulher? Sim. Sem dúvida. Os processos sociais não são intermitentes. Há sempre um antes determinante para o agora que faz passagem para o depois. A História é determinante para a compreensão de todos os processos actuais e é determinante também para a compreensão dos processos de desigualdade e descriminação, sejam eles de que natureza for. Para o homem o termo “macho” soa a elogio. Para mulher o termo “fêmea” é pejorativo. Porquê? Talvez porque quem determina o que deve parecer ou soar pejorativo seja o conjuntos das inter-relações sociais. As palavras, em si, não são pejorativas. O que as torna mais ou menos depreciativas e ofensivas é o contexto e o conteúdo que é dado a cada palavra em cada momento determinado. Não acho pejorativo o termo “fêmea”, ele é usado de forma pejorativa, Assim como me parece muito pejorativa a forma como se usa a palavra macho para referir alguns HOMENS. Acha que a condição financeira contribuiu para a emancipação da mulher’ Evidentemente. E de forma determinante. Uma mulher economicamente capaz de se proteger, a si e aos seus filhos, é menos vulnerável. Qualquer ser humano é tanto mais independente quanto maior for a sua autonomia financeira. Não se nasce mulher, torna-se. Diz Simone de Beauvoir. Como é que a Paula interpreta essa frase? As frases têm um contexto. Vista assim, a frase não faz sentido. Biologicamente nascemos mulheres e isso é determinante. Homens e mulheres não são iguais. São muito diferentes e isso não é mau. Mau é os seres humanos acharem que as diferenças tornam uns superiores e outros inferiores. Se conheço Simone de Beauvoir, o conceito “ser mulher” neste caso, deve remeter-nos para uma análise daquilo que a sociedade acaba por nos “tornar” em função do género, ou seja, dos papéis a que a sociedade nos remete em função de sermos homens ou mulheres. As mulheres só ganham o que os homens querem conceder? Ou seja, as mulheres só se afirmam socialmente quando os homens permitem? Acho que as sociedades são ainda muito machistas. A nossa e não só.E que realmente as mulheres têm de trabalhar o dobro para se afirmarem. Aos descriminados são sempre exigidas mais provas das suas capacidades e a discriminação da mulher ainda é uma realidade que precisamos transformar. Os homens queixam-se que a mulher quando tem mais posses financeiras maltrata o homem. É a maneira de se afirmar perante os homens? Não me parece que seja verdadeira a afirmação. Que dizer de todos os homens que, com poder económico, maltratam as mulheres? A questão do poder financeiro é mais um preconceito social a minar o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres que devem ser parceiros nos processos todos. Alguma vez sentiu complexo de competir com homens para uma vaga? Não, nunca senti. Assumo os meus processos profissionais apenas com base no profissionalismo. Que futuro perspectiva para a mulher angolana? Um caminho longo, muito longo de árduas jornadas de trabalho e de luta.Um caminho que temos que seguir. O gosto por muitos filhos das mulheres, sejam elas angolanas ou não, é uma questão de educação cultural ou falta de formação? É muitas vezes até uma questão pessoal...hoje em dia, se as mulheres podem escolher e se lhes é dada essa oportunidade, é cada vez mais uma questão de opção para a família que se forma. Há casos de pessoas com muita formação académica que optam por ter muitos filhos... Teixeira Cândido 7 de Março de 2011 evany April 13th, 2011, 11:27 PM es feia minha senhora skytrax April 14th, 2011, 01:55 AM :ohno: Matthias Offodile April 16th, 2011, 04:13 PM 4-04-2011 22:28 http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2011/3/15/0,182fa784-6d21-4930-a2bd-04354792c30f.jpg Pintor angolano Armando Pombal vence prémio de artes plásticas o pintor angolano Armando Pombal Luanda – Com a obra “Um olhar sobre a África”, o pintor angolano Armando Pombal foi o vencedor do 4º Concurso de Artes Plásticas, promovido pela Embaixada da Itália. A obra, votada pelo público presente na exposição patente no espaço do Elinga Teatro/Luanda, retrata, segundo Armando Pombal, que falava à Angop, a dedicação da mulher africana em prol do progresso do continente. O artista, que vai receber três mil dólares pelo galardão, disse que a iniciativa da Embaixada de Itália é louvável, porquanto valoriza o trabalho dos criadores Já as obras, igualmente de pinturas, intituladas “ O desprezo do Anjo”, de Mateus dos Santos, e “ O princípio”, de Fortunato Bangui, foram escolhidas pelo público para o segundo e terceiro lugar, respectivamente. Assim sendo, Mateus dos Santos vai receber 1500 dólares e Fortunato Bangui 500 dólares. Por sua vez, o vice-ministro da Cultura, Cornélio Caley, parabenizou a embaixada italiana pela promoção deste concurso, pois os artistas plásticos precisam de mais eventos como este. “Os artistas plásticos precisam de espaços para apresentar o seu trabalho, logo se uma embaixada toma essa iniciativa e a juventude aflui é porque esta iniciativa é de aplaudir. Certamente aconselho as outras entidades, essencialmente as de cariz privado, a tomarem iniciativas desta natureza, em prol da cultura”, asseverou. Este concurso de artes plásticas, em que o público amante da arte vota nas obras, quer na especialidade de escultura quer na pintura, é promovido pela Embaixada de Itália, anualmente, com a colaboração da Fundação italiana-Angola Onlus. Nesta quarta edição estiveram em concurso 29 pinturas e seis esculturas. 14-04-2011 22:52 Literatura Obras literárias devem ser aplicadas no curriculum escolar http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2011/3/15/0,57d5a1c2-7d16-40ce-a4fe-8725f3817fc4.jpg Escritor angolano, Fragata de Morais Luanda - O escritor Fragata de Morais apelou hoje, em Luanda, às editoras, universidades e escolas no sentido de criarem mecanismos para a aplicação da obra literária "Conto do Mar sem Fim" e outras nos curriculum escolares de Angola, por forma a auxiliar a juventude que hoje pouco lê. "Ajudem esta juventude que hoje não lê, só tecla, e fá-lo de maneira errada", disse. Segundo Fragata de Morais, que falava durante a apresentação da antologia de autoria de escritores angolanos, brasileiros e guineenses, disse que a mudança deste quadro depende da acção de cada agente cultural, por um lado, e da estrutura governamental que detêm a incumbência de desenvolver mais e agressivamente a cultura a nível do ensino. O escritor apelou ainda a juventude a cultivar mais o hábito pela leitura, que nos últimos tempos tem vindo, timidamente, a ser notável. Na sua alocução, o também secretário da informação e propaganda do MPLA disse ser necessário a criação de políticas que facilitem a produção e venda de livros no país, visando a divulgação dos produtos internos. Em sua opinião, o "Conto do Mar Sem Fim" utiliza um mar de união entre duas extremidades do atlântico que significa um futuro longínquo à igualdade linguística, cultural e histórica existente, sobretudo, entre Angola e Brasil. Por sua vez, e em poucas palavras, o escritor Dario de Melo afirmou ser necessário que se preserve a paz. O escritor teceu está consideração baseando-se no seu conto que retrata a vida de uma senhora (anjo da paz) que caminha entre duas frentes de batalhas e que depois morre no final da história. “Muito pensam que quando estão em paz não é necessário fazer mais nada, pelo contrário, é necessário preservá-la”, considerou. Good Matthias Offodile April 16th, 2011, 04:48 PM Dr. Rui Falcão Pinto de Andrade "Não haverá mexidas na direcção superior do partido" http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_126/pais126_lr_87.jpg Comecemos pelo momento político actual, em que se diz e também se escreve que o MPLA está a viver uma quase crise nervosa, por causa do 7 de Março, manifestações da oposição … Não estamos preocupados. Nem pensar. Havíamos de preocupar-nos com umas dezenas de pessoas ?... Então o que justifica a contra-manifestação de 5 de Março? Nós não fizemos nenhuma contramanifestação. Essa é a leitura que algumas pessoas estão a fazer, mas nós não fizemos nenhuma contramanifestação … Mas não estava programada … Estava. Há muito tempo. Já fizemos outras, como se sabe. Aquela deveria acontecer uma ou duas semanas antes, não a fizemos no momento programado porque a queríamos enquadrar também no âmbito do Congresso da OMA. E seria uma manifestação de apoio à acção governativa, mas decidiu-se pelo lema da paz. Nem vale a pena discutir isso, faz parte do nosso programa, está escrito. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_126/pais126_lr_89.jpg O MPLA tem no seu programa e manifesta-se, mas as críticas que lhe são dirigidas são exactamente porque os governos provinciais, suportados pelo MPLA, impedem a realização de manifestações de outros. O que se tem de entender é que o MPLA não tem nada a ver com isso, em primeiro lugar. Não é o MPLA quem decide sobre manifestações. Em segundo lugar, o direito de manifestação é um direito constitucional, inalienável do nosso ponto de vista. As pessoas têm o direito de dizer o que pensam, desde que cumpram as regras. O que se deve é comunicar aos órgãos competentes a pretensão de realizar uma manifestação. Mas há regras. E uma delas diz que as actividades políticas, por exemplo,só se podem realizar até às vinte e duas horas. Quem cumprir as regras não terá qualquer dificuldade. Nós não temos nada a ver com isso. Julgo é que os decisores sobre estas coisas devem confrontar-se com solicitações que não respeitam as regras. Tenho-o repetido: nós preocupamo-nos com a vida interna do MPLA, a nossa acção, o nosso trabalho, o nosso Executivo. Então porque é que o MPLA se atira com muita força ao secretário-geral da UNITA, Camalata Numa? Não confundamos as coisas. Uma coisa é o direito à manifestação, outra coisa é a exaltação à insubordinação. São duas coisas diferentes e incompatíveis. Quem é democrata e não sabe diferenciar isso, não sabe o que está a fazer em democracia. As pessoas têm o direito à livre manifestação, mas não têm o direito de ofender ninguém … Uma greve de fome não ofende ninguém … Mas ele fez alguma greve de fome? Isso é o que vocês dizem, eu não vi greve de fome alguma. Isso é problema vosso que fazem a campanha dele, não é nosso. O que eles fizeram foi uma tentativa de exaltação à insubordinação. E foi contra isso que nós nos manifestámos. Tanto que uma comissão de deputados já esteve no Huambo a fazer um levantamento da situação, esse dossier entrou na comissão competente da Assembleia Nacional. Porque é que as pessoas querem subverter a verdade? Qual é a intenção? Olhando para o actual momento político, acha que a UNITA estaria em condições de ter, pelo menos a veleidade, de incitar a uma insubordinação pública e, por via disso chegar ao poder? Não. Tomada do poder não … E criar dificuldades ao Executivo? Mas isso fazem-no permanentemente, não é nada de novo, não é nada que até militantes da UNITA não tenham denunciado. Quem está atento percebeu isso, que houve quem tivesse denunciado algumas acções da UNITA, sendo militante da própria UNITA. Outros, no quadro dessa situação, demarcaram-se da sua direcção, mas isso são problemas da UNITA. Portanto, os últimos problemas do Huambo não são do Numa nem de outro militante, é uma acção partidária superiormente dirigida, é o que diz? Isso eles é que têm de dizer. Nós vamos constatando, vamos recebendo a informação mas, de resto, não temos nada a ver com isso. O que se tem de perceber é que o MPLA é um partido político e, nessa qualidade, faz a sua acção interna, projecta na sociedade as suas preocupações e o que pretende realizar, por via do Executivo em quem o povo depositou confiança. Isso é o que o MPLA faz e vamos continuar a fazer. Mas estamos atentos a determinados movimentos, e sempre que tivermos matéria de facto viremos a público denunciar. É o que temos vindo a fazer, alertar a sociedade para determinado tipo de comportamento. O resto compete às instâncias do Estado agir, não compete ao MPLA. Se for a uUnderlinema cadeia na perspectiva de, pelo facto de ser detentor de algum poder político, tirar um indivíduo que cometeu um crime, eu estou a cometer outro crime e a polícia deve exercer o seu papel. E o papel da polícia é deter, em flagrante delito. Estamos num Estado democrático de direito, as pessoas têm de respeitar a lei. E isso não tem nada a ver com o ser membro do bureau político do MPLA ou secretáriogeral da UNITA, somos todos iguais perante a lei e todos temos de nos subordinar a ela. http://www.opais.net/resources/images/2009pais/edicao_126/pais126_lr_91.jpg Se não houvesse liberdade de expressão não haveria jornais, nem se diria nos jornais aquilo que se diz’ ‘Em Angola há muito mais liberdade de expressão, a esse nível, do que existe em muitos países que se dizem democráticos. A questão está no nível das pessoas que o fazem… vir a público ofender outrem, se isso é democracia, então onde começa e termina o respeito pelo próximo, que é também um direito inalienável em democracia?’ Entretanto houve uma manifestação no último fim-de-semana … como reage quando as pessoas têm necessidade de se manifestar pelo direito de expressão? Eu acho que as pessoas têm o direito de manifestar aquilo que lhes vai na alma, acho que não temos de ter objecções em relação a isso. Se me perguntasse se eu me revejo naquilo, eu dir-lhe-ia que não. Porque se em Angola não houvesse liberdade de expressão não haveria jornais nem se diria nos jornais aquilo que se diz. Em Angola há muito mais liberdade de expressão, a esse nível, do que existe em muitos países que se dizem democráticos. A questão está no nível das pessoas que o fazem… vir a público ofender outrem, se isso é democracia, então onde começa e termina o respeito pelo próximo, que é também um direito inalienável em democracia? Esses ditos democratas são quem tem de nos explicar como é que eles fazem essa destrinça. Onde é que começa o direito dele e acaba o meu, onde é que começa o meu e acaba o dele. Se eu vier para a rua e disparatar a mãe deste ou daquele e é democracia, quem se revê neste tipo de democracia que o faça. Só que a lei deve ser exercida, deve ser aplicada. http://angodenuncias.com/denuncias/wp-content/uploads/2011/02/rui-falcao-90.jpg Bem, ouvindo-o, fica-se com a impressão de estar tudo bem, com os naturais jogos partidários em democracia, mas depois temos personalidades do MPLA a alertar sobre pessoas que eventualmente não estão confortáveis com a paz. É que se você começa com comportamentos que lesam a personalidade e, pior que isso, lesam a integridade física das pessoas, tem que haver acção, isso não fica assim. Você não pode sair da sua casa, chegar aqui e começar a partir carros porque está em democracia … Como é que o MPLA reage àquilo que parece ser uma estratégia da Oposição e que passa por concentrar a crítica mais no presidente do MPLA que no partido? Separando os corpos … Nós já conhecemos essa estratégia. O MPLA é um bloco único, nós estamos unidos, essas acções vindas de fora não mexem com a nossa estrutura. Nós vamos continuar a trabalhar, o MPLA está a crescer, e muito, a olhos nus, temos projectos sérios, credíveis e que a sociedade entende como sendo bons e por isso mesmo perfilha-os, é nesse caminho que vamos continuar. Nós não decrescemos, nós crescemos, quem está a decrescer é que entra em pânico. O MPLA vai a congresso já este mês… acha que é uma boa altura? Em pleno Abril, com muitas chuvas e notícias de pontes que cedem, estradas a degradar-se …. É um bom momento … Mas é um momento em que a acção governativa pode estar mais sob crítica …. É bom. Porque, se calhar, se fizéssemos noutra altura esquecíamo-nos que a chuva cria buracos, atira pontes abaixo, que a chuva mata pessoas, que deixa outras ao relento e que é preciso estarmos organizados para fazer face a esse tipo de problemas, que é preciso uma maior capacidade de resposta. O Congresso vai analisar o que foi feito nestes últimos dois anos e vai perspectivar as acções fundamentais que o MPLA entende como sendo prioritárias para o desenvolvimento do país. Vamos analisar, ver os níveis de resolução das propostas que fizemos em 2008, vamos ver formas de incrementar, com mais agilidade ali onde fomos menos felizes …. O congresso vai fazer esse tipo de avaliação, vai projectar o futuro e vamos sair mais coesos e mais organizados, com uma perspectiva muito mais clara sobre o que temos de fazer nos próximos tempos. Mas podemos ter aqui dois planos: um que é partidário, e em dois anos as coisas podem ser mais pacíficas, e outro que o do período legislativo, em que a governação vai a meio do mandato, normalmente este é o ponto de viragem, que os projectos começam a ganhar forma e se começam as inaugurações … tendo havido uma grave crise financeira e económica mundial, o MPLA, projectando até à próxima legislatura, vai dizer à sociedade que trabalhou para suster os efeitos da crise ou que tem obra para mostrar? Nós não trabalhamos para suster os efeitos da crise. Felizmente nós preparamo-nos antecipadamente para uma eventual crise e, graças a isso, conseguimos manter os níveis de governação mais ou menos bem. Naturalmente, nas grandes obras houve que fazer alguma contenção e este freio pode levar-nos a não atingir algumas das metas que tínhamos previsto, mas a crise doeu a todos, não foi só aqui. Só estamos mais ou menos bem porque tínhamos reservas para fazer face à crise, se as não tivéssemos teríamos entrado em colapso. http://1.bp.blogspot.com/-51zrZHxJ-lg/TVt3zuSx1BI/AAAAAAAADxg/99MFoGl09G4/s1600/falcaoportavoz.JPG E neste dois anos tivemos também momentos que não foram de muita paz entre o Executivo e o MPLA … Dê exemplos. O caso das demolições em que membros do MPLA expressaram a sua insatisfação com alguma acção deste género e mais recentemente as notícias da insatisfação com as propostas de alteração das regras e dos valores mínimos para o investimento privado que é uma forma de sacudir a economia e pô-la a andar … Há diferenças na forma como uns e outros pensam que as coisas devem ser realizadas. É natural, num partido como este, detentor de tantos quadros e quadros com tanta valia, que haja gente que pense de maneira díspar. Isso é democrático. O MPLA também está confrontado com isso. Naturalmente, nós não nos podemos rever em atitudes que possam ter algum excesso, quaisquer que elas sejam e sejam adoptadas por quem quer que seja. No seio do partido nós temos essa capacidade, de dizer que não estamos de acordo com isto ou com aquilo, que não estamos de acordo com esta ou com aquela forma de atingir determinados fins, porque esses fins podem ser atingidos com comportamentos, atitudes e acções diferentes. Isso as pessoas são livres de dizer. O mesmo se põe em relação a alguns projectos de lei … seguramente as pessoas já me ouviram dizer que um dos órgãos em que gosto de estar é o grupo parlamentar do MPLA, é um órgão onde as coisas são profundamente discutidas, onde se percebe bem a existência de correntes de opinião, muitas vezes divergentes, mas sempre com o intuito de se encontrar os grandes consensos. Claro que às vezes são debates acalorados, muito interessantes. Outras vezes há, e aqui temos de fazer mea-culpa, se calhar, alguma pouca agilidade na transmissão dos objectivos políticos de determinada iniciativa, e se as coisas não forem suficientemente bem esclarecidas é natural que o debate seja ainda mais acalorado. Ele é sempre, mas dependendo dos níveis de informação que os detentores do poder para a análise daquele projecto tenham, este debate é muito mais acalorado. É natural que estas coisas aconteçam. Eu já disse isso numa entrevista: quando o MPLA age em uníssono, para os adversários é porque no MPLA não há democracia, todos dizem a mesma coisa, se dentro do MPLA, e nos fóruns apropriados, alguém se manifesta de forma contrária, é um dilema porque já há alguém disposto a dar um golpe … por amor de Deus, onde é que está, então, a consciência democrática das pessoas? ‘Não foram os intelectuais que ganharam as eleições’ ‘Foram os operários e foram os camponeses, mas particularmente os camponeses (…) A uNiTA esteve sempre lá e o mPlA ganhou cinco a zero. Esquecem-se disso muito rápido. O MPLA tem, neste momento 4.8 milhões de militantes. 74% são camponeses …’ A evolução ideológica do MPLA quebrou a antiga aliança camponesa e operária? Vê-se a Oposição a dirigirse mais ao campo agora … Acredita mesmo? Temos Camalata Numa constantemente no Bailundo e arredores, tivemos Isaías Samakuva, o presidente da UNITA, a andar pelas Lundas e Moxico, por estrada… E acredita nisso? Alguma vez a UNITA fez diferente disso? A UNITA esteve sempre lá e o MPLA ganhou cinco a zero. Esquecem-se disso muito rápido. O MPLA tem, neste momento, 4.8 milhões de militantes. 74% são camponeses … São esses que vêm a carne a ser importada, a tangerina a ser importada … Eu vou chegar lá. Mas são esses que dão os mais de cinco milhões de votos que o MPLA teve nas eleições. Não foram os intelectuais que ganharam as eleições, foram os operários e foram os camponeses, mas particularmente os camponeses. Está a ver onde está a contradição do raciocínio? Mas o MPLA chega ao governo e as suas políticas ainda não os favorecem … Porquê que diz isso? Temos constantemente queixas sobre as importações sem controlo e que os mercados se fecham aos produtos agrícolas angolanos… Acha que em tão pouco tempo era possível fazer, no âmbito da agricultura, aquilo que são os grandes projectos para o desenvolvimento do país? Acha que poderíamos sair, em tão pouco tempo, da agricultura familiar rudimentar para a agricultura extensiva sem criar os mecanismos de base elementares, sem ter a tecnologia, sem formar as pessoas … acha que isso é assim? Alguém vai chegar e vai soprar numa varinha mágica e temos milhares de hectares de cana? Há um trabalho de base que está a ser feito. E dou-lhe exemplos. Também há coisas muito bonitas que estão a ser feitas neste país e vocês não andam. Vá visitar os projectos agrários no Kwanza Sul, vá ao Lubango para ver o que se está a fazer na horto-fruticultura… um bocadinho por todo este país …. Daqui a pouco tempo vou ter o prazer de lhe dizer ‘vá à Lunda Norte, vá ao Dundo ver o que está a fazer a Granja’ … isso é que vai criar auto-suficiência, são esses projectos. Temos é que continuar a redinamizar a pequena agricultura, no sentido de manter o nível de vida das pessoas, ir melhorando paulatinamente até que sejamos capazes de ter os níveis de produção que todos almejamos para o curto e médio prazos… Portanto, as bases no campo não estão mexidas? Pelo contrário, estão a ser consolidadas. Isso é que traz o pânico a alguns partidos políticos, isso é que traz o pânico. É que eles pensavam que eram os donos daquelas regiões e o MPLA foi lá ganhar cinco a zero. Uma vez disse isso à falecida deputada Anália de Vitória Pereira: enquanto ela se metia no carro para andar pelos bairros a ver onde o MPLA estava a meter a bandeira, nós já tínhamos subido no mastro e tínhamo-la posto. Essa é a diferença. Alguns estão preocupados com o que fazemos porque fazemos, eles têm de se habituar a fazer. Nem neste momento de crise você viu a iniciativa de nenhum outro partido político no sentido de, de forma prática, ajudar os necessitados. Não se viu um único partido político da Oposição a fazer uma campanha de recolha de bens para os necessitados … Não têm dinheiro… Precisa haver dinheiro para apelarem aos seus militantes para oferecer roupas e bens não perecíveis? É essa a consciência como cidadão? Os partidos políticos não têm apenas de lutar para obter o poder político, têm de mostrar à sociedade que são capazes de exercer o poder político, e o poder político exerce-se resolvendo os problemas das pessoas. E uma das formas de ajudar a resolver os problemas das pessoas é criando leis, regulamentos …. Mesmo para o grupo parlamentar do MPLA. Não se fica com a ideia que a iniciativa legislativa está mais do lado do Executivo que do parlamento? Onde é que isso não é assim? Dême um exemplo de um país onde o parlamento produza mais que o Executivo, não existe. Eu sou deputado há quase vinte anos, conheço muitos parlamentos, conheço muitos países, a realidade é assim, até nos Estados Unidos da América. A diferença está que sendo nós os detentores do poder político, o Executivo não é uma coisa dife |