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October 29th, 2009, 01:57 AM
Construtoras portuguesas entre as que mais cresceram na União Europeia
Empresas aumentaram 70,3% o volume de negócios em 2008
A crise interna do sector da construção português não impediu as empresas portuguesas de registarem um boa performance em 2008. Segundo as estatísticas publicadas este mês pela European International Contractors (EIC) - uma associação europeia que questiona regularmente as empresas sobre a actividade apenas no sector da construção -, no ano passado as 12 empresas nacionais que fizeram parte do estudo registaram um volume de negócios agregado de 3,29 mil milhões de euros, uma subida de 70,3% face a 2007.
O único país que registou uma variação superior à das empresas portuguesas foi a Turquia, com um aumento de 85,4%. A facturação das empresas portuguesas continua a ter mais contributos do continente africano do que da Europa. Um total de 2,1 mil milhões de euros foi gerado naquela zona (sobretudo em Angola), enquanto na Europa as empresas nacionais facturaram pouco mais de mil milhões de euros.
Este valor é mais relevante, sobretudo tendo era conta que em 2007 as empresas que responderam à EIC foram 18, mais do que em 2008, mas com um volume de negócios menor, de 1,93 mil milhões de euros.
Aliás, dos 13 países desta vez analisados pela EIC, Portugal subiu um lugar no "ranking", no que diz respeito ao volume de negócios, estando agora em 11º, tendo ultrapassado a Finlândia em 2008. As 176 empresas questionadas pela EIC tiveram um volume de negócios de 149,6 mil milhões, face aos 121,2 mil milhões de euros obtidos em 2007, uma subida de 23,4%.
Os novos contratos conquistados pelas empresas portuguesas também subiram em 2008, em 42,2%, atingindo um total 4,08 mil milhões de euros, face aos 2,87 mil milhões obtidos em 2007. Também neste caso, as construtoras nacionais têm mais adjudicações no continente africano, com 2,67 mil milhões de euros, face aos 1,23 mil milhões na Europa. O único país que conquistou mais contratos do que Portugal foi Espanha, em termos homólogos, com um aumento de 66,47%, para um total de 18,4 mil milhões de euros. A maioria dos contratos, ao contrário dos ganhos pelas portuguesas, é conquistada na Europa, atingindo os 10,7 mil milhões de euros.
Globalmente, o número de contratos nas empresas questionadas subiu para 165 mil milhões de euros, face aos 147 mil milhões de euros obtidos em 2007, um aumento de 12,8%.
Construtoras aproveitam ligações culturais e históricas
A crise que se abateu em toda a Europa fez-se notar sobretudo em áreas como o imobiliário, sendo que governos em todo o mundo optaram por investir em obras públicas para contrariar essa tendência.
Com efeito, estes dados da EIC confirmam que, em termos internacionais, as construtoras continuam a operar de forma robusta, tendo subido a facturação não só na Europa como no resto do mundo. Portugal, com a sua ligação histórica a África, continua bem presente neste continente, em comparação com Espanha, que tem uma presença muito mais forte no continente americano. As construtoras turcas, com um crescimento assinalável nos últimos anos, registam uma facturação elevada na Europa, mas também no Médio Oriente, aproveitando as ligações culturais.
Francesas e alemãs lideram, mas Turquia aproxima-se
O domínio das construtoras francesas e alemãs continua a notar-se na Europa e no mundo. Apesar da crise, as empresas originárias de França conseguiram aumentar o seu volume de negócios para 27 mil milhões de euros, um aumento de 13,3% face a 2007, enquanto as alemãs subiram 13,16%, para 25,4 mil milhões. Seguem-se a Suécia e a Áustria, mas em 2008 o "ranking" das maiores contou com uma subida meteórica da Turquia para o quinto lugar, com um volume de negócios agregado que já ronda os 12,2 mil milhões de euros. As empresas turcas deixaram para trás grandes "players" do sector da construção europeia, como a Espanha e os Países Baixos. Quem também caiu foram as construtoras inglesas, severamente atingidas pela grave crise que assolou a Grã-Bretanha. Os números de 2009 não devem trazer boas notícias para as construtoras europeias.
2009-10-28 12:49
Alexandra Noronha, Jornal de Negócios
Empresas aumentaram 70,3% o volume de negócios em 2008
A crise interna do sector da construção português não impediu as empresas portuguesas de registarem um boa performance em 2008. Segundo as estatísticas publicadas este mês pela European International Contractors (EIC) - uma associação europeia que questiona regularmente as empresas sobre a actividade apenas no sector da construção -, no ano passado as 12 empresas nacionais que fizeram parte do estudo registaram um volume de negócios agregado de 3,29 mil milhões de euros, uma subida de 70,3% face a 2007.
O único país que registou uma variação superior à das empresas portuguesas foi a Turquia, com um aumento de 85,4%. A facturação das empresas portuguesas continua a ter mais contributos do continente africano do que da Europa. Um total de 2,1 mil milhões de euros foi gerado naquela zona (sobretudo em Angola), enquanto na Europa as empresas nacionais facturaram pouco mais de mil milhões de euros.
Este valor é mais relevante, sobretudo tendo era conta que em 2007 as empresas que responderam à EIC foram 18, mais do que em 2008, mas com um volume de negócios menor, de 1,93 mil milhões de euros.
Aliás, dos 13 países desta vez analisados pela EIC, Portugal subiu um lugar no "ranking", no que diz respeito ao volume de negócios, estando agora em 11º, tendo ultrapassado a Finlândia em 2008. As 176 empresas questionadas pela EIC tiveram um volume de negócios de 149,6 mil milhões, face aos 121,2 mil milhões de euros obtidos em 2007, uma subida de 23,4%.
Os novos contratos conquistados pelas empresas portuguesas também subiram em 2008, em 42,2%, atingindo um total 4,08 mil milhões de euros, face aos 2,87 mil milhões obtidos em 2007. Também neste caso, as construtoras nacionais têm mais adjudicações no continente africano, com 2,67 mil milhões de euros, face aos 1,23 mil milhões na Europa. O único país que conquistou mais contratos do que Portugal foi Espanha, em termos homólogos, com um aumento de 66,47%, para um total de 18,4 mil milhões de euros. A maioria dos contratos, ao contrário dos ganhos pelas portuguesas, é conquistada na Europa, atingindo os 10,7 mil milhões de euros.
Globalmente, o número de contratos nas empresas questionadas subiu para 165 mil milhões de euros, face aos 147 mil milhões de euros obtidos em 2007, um aumento de 12,8%.
Construtoras aproveitam ligações culturais e históricas
A crise que se abateu em toda a Europa fez-se notar sobretudo em áreas como o imobiliário, sendo que governos em todo o mundo optaram por investir em obras públicas para contrariar essa tendência.
Com efeito, estes dados da EIC confirmam que, em termos internacionais, as construtoras continuam a operar de forma robusta, tendo subido a facturação não só na Europa como no resto do mundo. Portugal, com a sua ligação histórica a África, continua bem presente neste continente, em comparação com Espanha, que tem uma presença muito mais forte no continente americano. As construtoras turcas, com um crescimento assinalável nos últimos anos, registam uma facturação elevada na Europa, mas também no Médio Oriente, aproveitando as ligações culturais.
Francesas e alemãs lideram, mas Turquia aproxima-se
O domínio das construtoras francesas e alemãs continua a notar-se na Europa e no mundo. Apesar da crise, as empresas originárias de França conseguiram aumentar o seu volume de negócios para 27 mil milhões de euros, um aumento de 13,3% face a 2007, enquanto as alemãs subiram 13,16%, para 25,4 mil milhões. Seguem-se a Suécia e a Áustria, mas em 2008 o "ranking" das maiores contou com uma subida meteórica da Turquia para o quinto lugar, com um volume de negócios agregado que já ronda os 12,2 mil milhões de euros. As empresas turcas deixaram para trás grandes "players" do sector da construção europeia, como a Espanha e os Países Baixos. Quem também caiu foram as construtoras inglesas, severamente atingidas pela grave crise que assolou a Grã-Bretanha. Os números de 2009 não devem trazer boas notícias para as construtoras europeias.
2009-10-28 12:49
Alexandra Noronha, Jornal de Negócios