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Old January 17th, 2011, 11:43 AM   #1
winiciusnet
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Grande ABC tem 620 mil morando em favelas

Núcleos habitacionais, assentamentos precários ou simplesmente favelas. Para quem vive nestes espaços, pouco importa o nome. O que faz diferença é a quantidade e, no Grande ABC, 620 mil pessoas moram em situação de penúria, o que equivale a um em cada quatro dos mais de 2,4 milhões de habitantes da região, população estimada pelo Censo 2010.

Sejam pequenas, como o morro do Samba, em Diadema, com 2.000 pessoas, até enormes, como o Jardim Zaíra, em Mauá, com mais de 70 mil, as favelas estão espalhadas por Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não têm esse tipo de habitação. Em São Caetano, o problema são os 122 cortiços, com 747 famílias, algumas em situação tão degradante quanto as encontradas em qualquer favela.

A partir do próximo domingo, você, leitor, irá conhecer um pouco da realidade de alguns desses assentamentos e descobrir que, sim, tem gente boa, talentosa e trabalhadora vivendo ali.

Mas como elas ocuparam esses espaços? O processo de formação das favelas no Grande ABC data dos anos 1950, quando a industrialização ganhou fôlego na região. Cada favela foi ocupada em uma situação diversa, quase sempre por meio da invasão de terrenos em áreas como encostas e topos de morros, e ao redor da Represa Billings.

RISCOS

Muitos desses assentamentos são áreas de risco de enchentes e deslizamentos, impróprios para a construção de moradias. A Prefeitura de São Bernardo, que tem cerca de 312 mil pessoas em 261 favelas e assentamentos precários, monitora 183 setores de risco em 58 núcleos.

Em Santo André, onde há 149 assentamentos precários, com cerca de 117 mil pessoas, são 46 as áreas instáveis. Diadema, onde 100 mil vivem em 219 núcleos, tem pelo menos 14 pontos críticos.

Mauá é caso à parte. Deslizamentos mataram cinco pessoas na cidade desde o início do ano, quatro delas no morro do Macuco, no Jardim Zaíra 6, e uma no Jardim Rosina. Estima-se que 90 mil pessoas vivam em favelas, mas a Prefeitura não confirma e tampouco monitora as áreas.

POLÍTICA

Para o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, o que falta é vontade política para mudar esse quadro. "Não houve ocupação planejada quando as levas de migrantes chegaram do Norte e Nordeste do País em busca de empregos. Essas pessoas foram empurradas para as favelas", destacou.

Hoje, o que resta ao poder público é remover ao menos os que estão em áreas de risco. Mendes acredita que é preciso pulso firme. "Muitos vão resistir, pois viver em favelas está no sangue das famílias, algumas há mais de três gerações no lugar. O político não remove porque perde votos", opinou. Para urbanizar, também é preciso investir verbas em obras que não são visíveis.

Com ou sem eleição ganha, a solução para o problema esbarra na falta de união entre as esferas municipal, estadual e federal. A questão, porém, é de vida ou morte e a região não pode mais esperar: é preciso agir antes que mais tragédias aconteçam.

Habitação tem R$ 1 bilhão em recursos

O déficit habitacional no Grande ABC é de 9% dos habitantes da região. São necessários mais de 60 mil imóveis para abrigar famílias inteiras que vivem em condições sub-humanas, sem instalação de água, esgoto e energia e distante de escolas, unidades de saúde e do transporte público.

Na tentativa de resolver esses problemas, as prefeituras de Santo André, São Bernardo e Diadema pretendem investir, juntas, cerca de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura, urbanização e construção de unidades habitacionais. Os recursos vêm dos cofres municipais, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social).

São Bernardo tem R$ 697,2 milhões em recursos, que vão beneficiar cerca de 18 áreas irregulares da cidade. Já Diadema pretende investir R$ 145,7 milhões em habitação. Entre as principais intervenções estão o PAC Naval, o PAC Mananciais e os complexos Beira Rio e Santa Elizabeth, com R$ 36 milhões do FNHIS.

Em Santo André há 16 projetos que beneficiam oito áreas irregulares da cidade, onde vivem cerca de 25 mil pessoas. O investimento é da ordem de R$ 220 milhões. Entre as obras há previsão de construir dez conjuntos habitacionais em locais como Alzira Franco, Prestes Maia, Itatiaia e Jardim das Maravilhas.

Fonte: Diario do Grande ABC
http://www.dgabc.com.br/News/5851244...m-favelas.aspx
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Old January 17th, 2011, 05:29 PM   #2
Paulistinha
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Nossa, tudo isso só no ABCD. Imagina no resto da região metropolitana... Francisco Morato, Franco da Rocha, Cotia, Carapicuíba, Jandira, Itaquaquecetuba, Guarulhos, Embu, Itapevi, Ferraz de Vasconcelos...

Nuss, sem contar a própria capital...

Temos muitas favelas mesmo, e com esses investimentos de apenas 1 bilhão por ano, seriam necessárias váiras décadas para acabar com as favelas.

O Rio lançou um programa pra acabar com todas as favelas da cidade até 2020...
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Old January 17th, 2011, 05:42 PM   #3
HRLR
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Devido às péssimas gestões do PT, os municípios do Grande ABC entraram em decadência nos últimos 30 anos. E o sindicalismo (obviamente ligado ao PT) afugentou várias indústrias.

Somente S. Caetano não teve prefeitos petistas e coincidência ou não é a cidade em melhor situação.
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Old January 17th, 2011, 06:01 PM   #4
whistler85
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Devido às péssimas gestões do PT, os municípios do Grande ABC entraram em decadência nos últimos 30 anos. E o sindicalismo (obviamente ligado ao PT) afugentou várias indústrias.

Somente S. Caetano não teve prefeitos petistas e coincidência ou não é a cidade em melhor situação.
Sem politicagem barata por favor. O período de maior favelização no município de Embu ocorreu na década de 90, período em que prefeitos do PSD, PMDB e PDT loteavam morros da maneira mais bizarra possível.

O mesmo pode ser dito de municípios da região oeste, como Jandira, Itapevi e até mesmo Barueri, que tem sim favelas. O problema é mais embaixo do que simplismente partidarismo político. Não há UM que não tenha participado do modus operandi coninvente com a ocupação irregular.

Agora, é fato que pastorais da terra e movimentos sociais tivessem uma orientação no espectro da esquerda política. Mas isso não significa dizer que a urbanização crítica é responsábilidade direta de administrações de esquerda. Esse determinismo não levará à nada.
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Old January 18th, 2011, 01:54 AM   #5
Urbano Santista
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Devido às péssimas gestões do PT, os municípios do Grande ABC entraram em decadência nos últimos 30 anos. E o sindicalismo (obviamente ligado ao PT) afugentou várias indústrias.

Somente S. Caetano não teve prefeitos petistas e coincidência ou não é a cidade em melhor situação.
Que besteira! O ABC não está em decadência. Muitas indústrias saíram da região porque a mão de obra local é cara em comparação a outros lugares do país. Em contrapartida o setor de serviços vem crescendo.

E São Caetano está em melhor situação porque ocupa uma área minúscula, com tecido urbano já consolidado, sem terrenos para serem invadidos.

O fórum tá ficando um saco com esses comentários enfiando partidarismo em tudo quanto é tópico.
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Old January 18th, 2011, 02:17 AM   #6
Paulistinha
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Que besteira! O ABC não está em decadência. Muitas indústrias saíram da região porque a mão de obra local é cara em comparação a outros lugares do país. Em contrapartida o setor de serviços vem crescendo.

E São Caetano está em melhor situação porque ocupa uma área minúscula, com tecido urbano já consolidado, sem terrenos para serem invadidos.

O fórum tá ficando um saco com esses comentários enfiando partidarismo em tudo quanto é tópico.
Não liga não, o HRLR gosta de causar mesmo...

Se o ABC tiver em decadência...
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Old January 18th, 2011, 02:31 AM   #7
HRLR
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Que besteira! O ABC não está em decadência. Muitas indústrias saíram da região porque a mão de obra local é cara em comparação a outros lugares do país. Em contrapartida o setor de serviços vem crescendo.

E São Caetano está em melhor situação porque ocupa uma área minúscula, com tecido urbano já consolidado, sem terrenos para serem invadidos.

O fórum tá ficando um saco com esses comentários enfiando partidarismo em tudo quanto é tópico.
Bom, o Celso Russomanno, que é de Santo André, disse no ano passado durante sua campanha para governador textualmente:

O polo gerador que o Grande ABC era foi pro vinagre por falta de sensibilidade. O homem de 40 anos e o jovem de 18 precisam pegar ônibus lotados para trabalhar em São Paulo, porque aqui não tem emprego.

Eu não sou do ABC e estou me fiando no que eu leio e no que eu ouço dizer. Mas não acredito que ele teria dito isso se não houvesse nenhum fundamento.
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Old January 18th, 2011, 02:38 AM   #8
Antonio_F
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Devido às péssimas gestões do PT, os municípios do Grande ABC entraram em decadência nos últimos 30 anos. E o sindicalismo (obviamente ligado ao PT) afugentou várias indústrias.

Somente S. Caetano não teve prefeitos petistas e coincidência ou não é a cidade em melhor situação.
Vc tem razão, as favelas não existiam no Brasil até o PT surgir no começo dos anos 80 quando as elites progressistas governavam este país. É cada idiotice motivada pelo preconceito elitista ariano-paulista que temos que ler que vou te falar... Desde quando o ABC está decadente? Não me contaram nada...
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Old January 18th, 2011, 05:29 AM   #9
Rajude
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Tem tópico que, com todo respeito aos foristas, mas eu não posso deixar de sorrir. De um lado, há os que culpam o PT por todas as desgraças do universo, e, de outro, há os que culpam o PSDB por todas as desgraças do universo. No encalço disso, vem os preconceitos com os pobres, com as elites, e com tudo o que, supostamente, esteja às avessas daquilo que é onisciente e onipresente na ideologia supostamente perfeita e socialmente justa a cada indivíduo.
-
No meu entender, não há decadência no ABC. Há, sim, um esvaziamento industrial em direção ao Interior do Estado, geralmente com destino ao que é denominado complexo metropolitano expandido. Contudo, o setor de serviços, conforme já mencionaram, tem crescido bastante, e, com a construção do rodoanel, várias empresas de logística tem se instalado na região. Surpreendentemente, talvez também com influência disso, depois de décadas, algumas indústrias tem anunciado investimentos para a região, ainda que de modo modesto. (O Esvaziamento que cito diz respeito, também, a uma retrospectiva de duas ou três décadas).

No que diz respeito as favelas, elas se formaram, principalmente, no período no qual a região recebeu maior migração, mas, hoje, é preciso olhar para o futuro. É preciso que as prefeituras, o Governo Estadual, e o Governo Federal, trabalhem juntos para erradicar as favelas.

Infelizmente, o Governo Federal tem destinado poucos recursos ao Estado (e não é de hoje), contudo, pelo o que eu andei olhando no relatório do programa Minha Casa, Minha Vida, os recursos devem ser alocados proporcionalmente aos Estados de acordo com o déficit habitacional de cada um, o que, sendo isso cumprido, seria algo justo.

Concomitantemente, gostei da proposta do Governador eleito de criar o BNDES da habitação, que pretende expandir a quantidade de recursos destinados a habitação no Estado. Nesse sentido, se o Governo Federal e o GESP somarem esforços, pode dar bons resultados. Aliado a isso, as prefeituras tem que cumprir o seu papel de fazer a regulação de utilização do solo (Plano Diretor), planejar o crescimento da cidade, e contribuir com o Estado e União cedendo terrenos para a construção das moradias, além de conceder os devidos alvarás e etc.

Porém, além disso, há um ponto em que eu sempre insisto: nada disso adianta se não for investido em educação. A educação é que é o verdadeiro passaporte para o futuro.

Investir em moradias, realizar urbanização de favelas, e assim por diante, é extremamente essencial, e justo. Mas você jamais conseguirá acabar com o fim da miséria enquanto a população não conseguir trabalhar recebendo uma remuneração digna, e que lhes possibilite comprar uma casa, um carro, com o seu próprio dinheiro. Nesse sentido, é essencial oferecer aos jovens dessas comunidades pobres o ensino técnico e profissionalizante, pois, assim, eles poderão trabalhar para adquirir os seus próprios bens, recebendo uma remuneração um pouco mais elevada. Quando isso ocorre, o ciclo da miséria está rompido, pois, provavelmente, os seus filhos e netos não passarão pelas mesmas necessidades que ele passou.

A respeito disso, espero que a proposta do Governador de criar o chamado "via rápida para o emprego" se concretize, e que as etecs e fatecs sejam expandidas e levadas para essas regiões, mas voltadas exclusivamente para os jovens dessas comunidades. Se não fosse inconstitucional, eu sugeriria que fosse instituído que apenas os jovens dessas comunidades, de renda menor, pudessem realizar o vestibular em determinadas etecs e fatecs que estivessem em sua localidade, voltados para o seu desenvolvimento.

Enfim, tem-se falado muito do pré-sal, e o Governo em questão chegou a denominá-lo de "passaporte para o futuro". Sem dúvida o pré-sal é muito importante, mas, no meu entender, o verdadeiro passaporte para o futuro é a educação. A educação é que é o verdadeiro bilhete premiado. E é preciso entregar esse bilhete premiado, que é o conhecimento, a cada jovem dessas comunidades. Habitação é sempre importante e justo, mas, enquanto eles necessitarem do Estado para ter o básico, e não conseguirem adquirir recursos com o seu próprio trabalho, o ciclo da miséria se perpetuará. Em minha concepção.
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Old January 18th, 2011, 12:41 PM   #10
Dom Drácula
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Nossa, tudo isso só no ABCD. Imagina no resto da região metropolitana... Francisco Morato, Franco da Rocha, Cotia, Carapicuíba, Jandira, Itaquaquecetuba, Guarulhos, Embu, Itapevi, Ferraz de Vasconcelos...

Nuss, sem contar a própria capital...

Temos muitas favelas mesmo, e com esses investimentos de apenas 1 bilhão por ano, seriam necessárias váiras décadas para acabar com as favelas.

O Rio lançou um programa pra acabar com todas as favelas da cidade até 2020...
Pra acabar em 2020 tinha que começar a trabalhar em 1980


Vejo SP muito na frente nesse quesito




Recentes exposições, publicações, intercâmbios internacionais e concursos de arquitetura colocam os projetos de interesse social na pauta do cenário construtivo paulista. As verbas milionárias do Executivo federal para o financiamento de casas populares estimulam o debate. Nesse acúmulo de experiências - em que se somam a ação dos governos municipal e estadual, a experiência de gestores públicos e de projetistas que se dedicam ao tema -, a discussão se potencializa por uma queda de braço de posições arquitetônicas e urbanísticas.
“Oi, moça! Fazendo o que aqui?”, exclama uma das 60 mil moradoras da favela de Paraisópolis enquanto caminha, disputando espaço com os carros em uma das vias mais movimentadas da comunidade.

“Trabalhando, ora”, responde Maria Teresa Diniz, sentada no banco do passageiro do carro em movimento, que diminui a velocidade para ultrapassar uma valeta.

“Vê se aparece, hein?”, Maria Teresa ouve, enquanto o Fiat branco conduzido pelo motorista ganha velocidade, com o obstáculo deixado para trás. Ambas se despedem com um aceno e um sorriso. Alguns metros à frente, com o veículo já distante, Maria Teresa confidencia: “Trabalho com muita gente aqui, e tenho boa memória, mas não me lembro dela, não”.

Maria Teresa é arquiteta. Tem 31 anos e um sotaque que denuncia a origem mineira. Magra, com nariz fino e arrebitado e cabelos batendo no ombro, seu sorriso é fácil. Formada no Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, e com pós-graduação na Sorbonne, ela trabalha há seis anos na Secretaria de Habitação da cidade de São Paulo (Sehab), onde coordena o projeto de urbanização de Paraisópolis.

Pouco depois, ela orienta o motorista: “Vira à esquerda, vamos em direção ao Grotinho”. Naquela manhã de setembro, Maria Teresa estava em Paraisópolis para fazer uma reunião com uma líder comunitária. Antes de trocar a sapatilha por um tênis surrado e circular a pé, ela esperou em vão mais de uma hora no barracão da construtora que está finalizando a segunda etapa da licitação da urbanização da comunidade. O barracão é o QG local do projeto. Chega-se a ele seguindo uma rua típica do Morumbi, com casas enormes protegidas por muros altos. Após o segundo quarteirão, o contraste é evidente: os casarões ganham vizinhos diferentes do outro lado da rua.

Quem circula pelo Morumbi sofre um choque inevitável: a favela possui uma vitalidade incrível, todo tipo de comércio, centenas de pessoas nas ruas e carros trafegando com relativa facilidade, uma vez que há uma quadrícula de vias remanescentes do parcelamento do loteamento que foi invadido. A grande diferença aparente entre a cidade formal e a informal é a falta de regras, a ausência do Estado, o que a atuação da prefeitura tenta minimizar. Isso ocorre em tudo, desde as normas construtivas até as ruas sem mão de trânsito. “Colocamos placas, mas elas foram roubadas e a confusão voltou”, conta Maria Teresa. “Estamos tentando convencer a Companhia de Engenharia de Tráfego a colocar pinturas no chão ou placas de plástico, que não têm valor comercial, mas é difícil, pois isso fere o Código Nacional de Trânsito.”

A ação da prefeitura reflete o que proclamam, quase em uníssono, os especialistas no assunto: se a ocupação é antiga, o solo não está contaminado, não é área de risco, não está embaixo de viadutos etc., então deve ser urbanizada, o Estado deve garantir acesso aos serviços públicos essenciais - como água, esgoto, coleta de lixo - e dar posse aos moradores. Mesmo porque, não há recursos para a construção nem glebas centrais disponíveis para conjuntos habitacionais. Por isso, o carro-chefe da Sehab é a urbanização das favelas. O trabalho que está em curso é gigantesco - o mais amplo já realizado no continente - e pretende, nesta gestão, contemplar 1/3 da população que vive nessa situação. Se esse ritmo for seguido, o governo estima que em uma década e meia todas as comunidades estarão atendidas.

O trabalho começou a ser planejado com uma atualização de dados, que desde a década de 1980 estavam sem correção. Sem conhecer a fundo o problema, não há como planejar. Por isso, a secretaria criou um sistema de informações gerenciais batizado de Habisp (que pode ser visualizado no site www.habisp.inf.br). O programa possui um sistema de pontos, recalibrável conforme o enfoque, que elege prioridades. Os indicadores de risco, por exemplo, possuem peso alto e ajudam a tornar uma ação urgente. Outro exemplo: no que se refere à infraestrutura, o esgoto tem maior peso do que a pavimentação. Esse trabalho, mais a ação da equipe, fez com que a fatia de verbas da Sehab no Orçamento municipal passasse de 1,5% em 2005 para 4% em 2010.

Moderno x pós-moderno

Nesse ínterim, novas unidades habitacionais são criadas para atender as famílias retiradas de áreas de risco. Outra mudança que ocorreu nesta gestão e é fundamental para a qualidade do trabalho: há um esforço para não utilizar projetos padronizados, contratando cada um para obras específicas. Grande parte da responsabilidade dessa iniciativa é de Elisabete França, que é superintendente de Habitação Popular da Sehab e chefe de Maria Teresa. Com isso, o debate sobre arquitetura em habitação social, que hibernava em São Paulo, ressurgiu. Claro: dentro das academias, esse tema não saiu da pauta, na graduação ou na pós-graduação.

A diferença é que nos gabinetes públicos, por vontade política e qualidade do corpo técnico, a arquitetura voltou à baila. Estúdios como MMBB e Brasil Arquitetura estão trabalhando para o governo. “Há uma mentalidade herdada da época do BNH que entende que as classes mais baixas devem receber arquitetura de má qualidade. Então, fazemos licitação de obras com projetos básicos - não dá para fazer com projeto executivo, pois o processo é muito dinâmico - e a empreiteira escolhida contrata o projeto de arquitetura”, contou-nos Elisabete, em entrevista publicada na edição 364, de junho passado.

E o debate se instala justamente nos projetos de arquitetura: se poucos discordam em relação à necessidade de urbanizar as favelas nos casos indicados, há diferentes pontos de vista quanto à forma que devem ter as habitações que surgem dentro das comunidades. Grosso modo, há duas tendências facilmente identificáveis, oriundas de uma discussão antiga: de um lado, a herança moderna, sistematizada de forma racionalista, notadamente visível nos volumes laminares e unidades repetitivas; no outro extremo, ecoa o discurso pós-moderno, que procura mimetizar as construções no ambiente.

Integra o primeiro grupo o pequeno volume que Marcos Boldarini criou no Grotinho, um acidente topográfico assustador no meio de Paraisópolis. Em dezembro de 2005, a área foi inundada e 40 famílias saíram às pressas. De lá para cá, a urbanização da região retirou dezenas de barracos da encosta e corrigiu o problema de drenagem das águas pluviais. “Já projetamos filmes ao ar livre aqui”, conta Maria Teresa, andando em frente ao prédio.

O bloco de Boldarini - composto por um volume pavilhonar principal e um anexo mais alto, que se adapta à topografia - está em construção e terá comércio no térreo e quatro unidades no piso superior. O arquiteto também é o autor do conjunto no Jaguaré, formado por lâminas paralelas. Boldarini tem 36 anos. Seu interesse por projetos públicos vem desde os bancos da faculdade, ele diz. Foi estagiário de Elisabete França e hoje tem escritório próprio com oito funcionários, atendendo praticamente só a demanda social.

“Não tenho paciência para escolher acabamentos para casa de cliente rico”, conta Boldarini. “Eu trabalhava para André Herzog quando perguntei como é que se começava uma carreira de arquiteto. E ele me respondeu com um sorriso sarcástico: ‘Primeiro, você precisa monopolizar todos os projetos de sua família’. E eu pensei: estou lascado, na minha família ninguém contrata projetos”, relembra enquanto dirige seu carro pelos labirintos do extremo sul da cidade. A atuação em projetos públicos lhe rendeu um dos destaques do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza. “Quando Ricardo Ohtake me convidou, perguntei, surpreso: ‘Por que eu?’”, confessa. No espaço veneziano criado por Henrique Mindlin e Giancarlo Palanti, Boldarini apresentou um dos projetos mais simbólicos da reurbanização de favelas em São Paulo, que é o Cantinho do Céu.

“Vocês aceitam?”, oferece uma menina que servia guaraná Dolly aos amigos no deque do Cantinho do Céu. O projeto recuperou as margens de um trecho da represa Billings, que agora é usado pela comunidade. “Incrível, mas quase ninguém se dava conta do potencial da represa: era fundo de lote para as casas”, conta Boldarini, depois de recusar o guaraná.

Outro projeto que se aproxima do conceito usado por Boldarini é o conjunto de Paraisópolis desenhado por Edson Elito, Joana Elito e Cristiane Takiy. A equipe teve 30 dias para fazer o desenho básico e, contratada pela construtora que venceu a licitação, mais 60 dias para o executivo. São quase mil unidades subdivididas em vários blocos e duas tipologias diferentes. Em linhas gerais, as lâminas podem ser implantadas paralelamente às curvas de nível ou de forma perpendicular. A topografia ajuda a verticalizar: como todos os prédios construídos pela prefeitura, os de Elito não têm elevador, e, com acesso pela metade, pode-se construir quatro pavimentos para cima e quatro para baixo. As unidades possuem cerca de 50 metros quadrados e dois dormitórios; podem ser totalmente redivididas, pois os blocos autoportantes delimitam o perímetro de cada uma.

Recente reportagem publicada na Folha de S. Paulo chamou a atenção para a decoração das unidades desse conjunto: alguns têm sanca de gesso e até decoração realizada por profissionais, um processo que o jornal chamou de Favela Cor. A equipe de arquitetos destaca o tipo de janela adotado, que possibilita abrir totalmente o vão. Nem alguns prédios de alto padrão têm esse privilégio, garante Elito. “Uma das críticas que fazem ao nosso projeto é que ele é moderno demais”, conta. Joana, sua filha, argumenta: “Para mim, isso é elogio”.

O paradigma do projeto é o S maior ícone moderno do tema: o conjunto do Pedregulho, de Affonso Eduardo Reidy. Essa referência já estava patente na matriz da proposta de Paraisópolis: o Conjunto Pascoal Melantonio e Celso dos Santos, do Projeto Guarapiranga, criado por Elito em parceria com Abrahão Sanovicz, João Honório de Mello Filho e Marcos Carrilho. Entre Guarapiranga e Paraisópolis, a maior diferença é o telhado do primeiro, exigido por Lair Krähenbühl, secretário municipal da Habitação na gestão Paulo Maluf (1993/96). “A população quer telhado”, ele teria dito.

“Nosso trabalho não dá continuidade àquela condição quase medieval”, rebate Elito, sentado à prancheta. “Não acreditamos na hipótese de mimetizar a favela.” Outra crítica que Elito já ouviu a seu projeto em Paraisópolis é em relação à densidade: por que verticalizar a favela? Nesse sentido, é uma resposta à demanda de moradores retirados de áreas de risco. Vejamos os números. Seu conjunto possui densidade maior do que a da favela: os prédios novos apresentam 841 hab/ha, contra a média de 606 na comunidade.

Os prédios em Paraisópolis são agrupados em blocos, cada qual cercado por um gradil. Nesse ponto, a utopia moderna se encontra com a realidade, como no gradil que cerca o Mube. “Tentamos argumentar, deixar tudo aberto, mas pela experiência da secretaria eles acham que não funciona”, diz Elito. O contraste com a favela é intenso. “Se não cercarmos e definirmos as áreas, logo tudo é invadido por comércio, estacionamentos irregulares e até barracos”, argumenta Maria Teresa, enquanto circula pela passarela de acesso do condomínio B, pintado de verde. “E se isso ocorre, não temos como dar posse aos moradores dos apartamentos”, conclui.

Nessa mesma linha, a favela de Heliópolis está ganhando prédios circulares, desenhados por Ruy Ohtake. O arquiteto foi contratado pela secretaria a pedido da comunidade, que com ele mantém um relacionamento estreito. “Conseguimos fazer essa forma - que não tem apartamento de frente nem de fundo - usando o orçamento existente”, contoume Ohtake, enquanto apontava para o conjunto. “Não podemos chamar isso de conjunto habitacional: é condomínio”, postulou, circulando entre a Etec e o centro cultural que desenhou em Heliópolis. “Agora vou fazer a biblioteca”, contou.

Pós-moderno e terceira via?

No outro corner arquitetônico estão os defensores de blocos que reflitam o espírito urbano e valorizem a rua. Em São Paulo, o maior partidário é Hector Vigliecca: “Temos que construir cidades, e não casas”, vive argumentando. Claro que esse debate não é novo: desde o início da década de 1990, os projetos de habitação social no Brasil revelavam essa polarização. Os desenhos de Demetre Anastassakis para o Mutirão São Francisco, em São Paulo e, principalmente, na favela da Maré, no Rio de Janeiro, exemplificam esse tipo de trabalho que se apropria da estética da pobreza, realizada em mutirão: acabamentos de blocos à vista, volumetria que, apesar da ordem geométrica, valorizam arranjos desordenados, telhados inclinados etc. Outra proposta do gênero é a de Paulo Chaves Fernandes, em Belém. Indo mais longe, vamos encontrar essa discussão, que percorre grande parte da produção nacional, muito mais nos corações e mentes dos arquitetos do que nas ações governamentais. Só a respeito do uso de tecnologias distintas para a habitação social, há casos interessantes, como a utilização de madeira (Zanine), taipa (Borsoi) e argamassa armada (Lelé).

O fato novo é a interação internacional, seja acadêmica ou profissional, que traz elementos para a conversa. Do ponto de vista acadêmico, diversas instituições de prestígio, como Harvard e Colúmbia, nos EUA, têm feito exercícios que propõem, entre outras coisas, lajes-jardim sobre a favela ou habitações escalonadas nos morros. Por outro lado, a secretaria paulistana também contratou nomes interessantes da cena internacional. O arquiteto suíço Christian Kerez, por exemplo, radicalizou o conceito de integração saber acadêmico/popular, criando uma proposta para o Jardim Colombo, em Paraisópolis, com blocos que parecem construídos pelos usuários. Também em Paraisópolis, o grupo chileno Elemental - liderado por Alejandro Aravena - apresentou um projeto junto à via Perimetral (que está sendo aberta para ligar a região do estádio do Morumbi à avenida João Dias). Uma espécie de variação verticalizada de seu famoso projeto no Chile: uma “base” é construída com vazios que podem ser usados em ampliações.

“É melhor entregar uma boa meia-casa do que uma inteira ruim”, é o discurso. O resultado no Chile, após alguns anos, apesar de fora do controle formal dos arquitetos, fascina os projetistas do país, que fazem questão de mostrar o que ocorreu. Certamente, estamos diante de uma espécie de terceira via entre o moderno e o pós-moderno, que estabelece desenho contemporâneo mas permite (e até deseja) intervenções dos usuários. Se para os modernos isso era um crime - lembro-me do famoso exemplo em Casablanca, fruto da aplicação das ideias de Corbusier, com os vazios totalmente ocupados décadas depois -, para os pós-modernos poderia até ser aceito.

Há um ano e meio a Sehab está confeccionando uma espécie de manual de diretrizes de projetos para que os arquitetos e funcionários tenham mais parâmetros para avaliar as propostas. A ideia, apoiada em proposta semelhante desenvolvida pelo espanhol Josep Maria Montaner, contou com a participação em workshops de construtores, arquitetos, assistentes sociais e outros agentes, a fim de recolher dados para formatar o volume, cuja primeira versão deve ser finalizada ainda este ano. Em um desses encontros, em que se abordavam as unidades, Vigliecca questionou: “Não devemos discutir os apartamentos, e sim as cidades”. De bate-pronto, foi rebatido por um colega: “Mas professor, o senhor é do júri do concurso da CDHU!”.

Esse concurso, batizado de Habitação para Todos, alimenta ainda mais o debate. Ele foi promovido pelo governo do estado, que, até o momento, só utiliza projetos-padrão. Com seis categorias, não foi muito concorrido (de sete a 14 equipes participaram em cada categoria), mas revelou trabalhos interessantes, como os das equipes dos jovens Augusto Aneas, Fernão Morato e Guilherme Gambier Ortenblad (Zoom Arquitetos), que venceram na categoria casas escalonadas; Gregory Bousquet, Carolina Bueno, Olivier Raffaelli e Guillaume Sibaud (Triptyque), ganhadores para edifícios de quatro pavimentos; e Lucas Fehr, Mario Figueroa e Daniel Bonilha (Estúdio América), vencedor entre os edifícios de seis e sete pisos.

Resta saber o que o governo do estado vai fazer com esse resultado.










http://www.arcoweb.com.br/artigos/qu...7-01-2011.html
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Old January 18th, 2011, 02:45 PM   #11
whistler85
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Pra acabar em 2020 tinha que começar a trabalhar em 1980


Vejo SP muito na frente nesse quesito




Recentes exposições, publicações, intercâmbios internacionais e concursos de arquitetura colocam os projetos de interesse social na pauta do cenário construtivo paulista. As verbas milionárias do Executivo federal para o financiamento de casas populares estimulam o debate. Nesse acúmulo de experiências - em que se somam a ação dos governos municipal e estadual, a experiência de gestores públicos e de projetistas que se dedicam ao tema -, a discussão se potencializa por uma queda de braço de posições arquitetônicas e urbanísticas.
“Oi, moça! Fazendo o que aqui?”, exclama uma das 60 mil moradoras da favela de Paraisópolis enquanto caminha, disputando espaço com os carros em uma das vias mais movimentadas da comunidade.

“Trabalhando, ora”, responde Maria Teresa Diniz, sentada no banco do passageiro do carro em movimento, que diminui a velocidade para ultrapassar uma valeta.

“Vê se aparece, hein?”, Maria Teresa ouve, enquanto o Fiat branco conduzido pelo motorista ganha velocidade, com o obstáculo deixado para trás. Ambas se despedem com um aceno e um sorriso. Alguns metros à frente, com o veículo já distante, Maria Teresa confidencia: “Trabalho com muita gente aqui, e tenho boa memória, mas não me lembro dela, não”.

Maria Teresa é arquiteta. Tem 31 anos e um sotaque que denuncia a origem mineira. Magra, com nariz fino e arrebitado e cabelos batendo no ombro, seu sorriso é fácil. Formada no Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, e com pós-graduação na Sorbonne, ela trabalha há seis anos na Secretaria de Habitação da cidade de São Paulo (Sehab), onde coordena o projeto de urbanização de Paraisópolis.

Pouco depois, ela orienta o motorista: “Vira à esquerda, vamos em direção ao Grotinho”. Naquela manhã de setembro, Maria Teresa estava em Paraisópolis para fazer uma reunião com uma líder comunitária. Antes de trocar a sapatilha por um tênis surrado e circular a pé, ela esperou em vão mais de uma hora no barracão da construtora que está finalizando a segunda etapa da licitação da urbanização da comunidade. O barracão é o QG local do projeto. Chega-se a ele seguindo uma rua típica do Morumbi, com casas enormes protegidas por muros altos. Após o segundo quarteirão, o contraste é evidente: os casarões ganham vizinhos diferentes do outro lado da rua.

Quem circula pelo Morumbi sofre um choque inevitável: a favela possui uma vitalidade incrível, todo tipo de comércio, centenas de pessoas nas ruas e carros trafegando com relativa facilidade, uma vez que há uma quadrícula de vias remanescentes do parcelamento do loteamento que foi invadido. A grande diferença aparente entre a cidade formal e a informal é a falta de regras, a ausência do Estado, o que a atuação da prefeitura tenta minimizar. Isso ocorre em tudo, desde as normas construtivas até as ruas sem mão de trânsito. “Colocamos placas, mas elas foram roubadas e a confusão voltou”, conta Maria Teresa. “Estamos tentando convencer a Companhia de Engenharia de Tráfego a colocar pinturas no chão ou placas de plástico, que não têm valor comercial, mas é difícil, pois isso fere o Código Nacional de Trânsito.”

A ação da prefeitura reflete o que proclamam, quase em uníssono, os especialistas no assunto: se a ocupação é antiga, o solo não está contaminado, não é área de risco, não está embaixo de viadutos etc., então deve ser urbanizada, o Estado deve garantir acesso aos serviços públicos essenciais - como água, esgoto, coleta de lixo - e dar posse aos moradores. Mesmo porque, não há recursos para a construção nem glebas centrais disponíveis para conjuntos habitacionais. Por isso, o carro-chefe da Sehab é a urbanização das favelas. O trabalho que está em curso é gigantesco - o mais amplo já realizado no continente - e pretende, nesta gestão, contemplar 1/3 da população que vive nessa situação. Se esse ritmo for seguido, o governo estima que em uma década e meia todas as comunidades estarão atendidas.

O trabalho começou a ser planejado com uma atualização de dados, que desde a década de 1980 estavam sem correção. Sem conhecer a fundo o problema, não há como planejar. Por isso, a secretaria criou um sistema de informações gerenciais batizado de Habisp (que pode ser visualizado no site www.habisp.inf.br). O programa possui um sistema de pontos, recalibrável conforme o enfoque, que elege prioridades. Os indicadores de risco, por exemplo, possuem peso alto e ajudam a tornar uma ação urgente. Outro exemplo: no que se refere à infraestrutura, o esgoto tem maior peso do que a pavimentação. Esse trabalho, mais a ação da equipe, fez com que a fatia de verbas da Sehab no Orçamento municipal passasse de 1,5% em 2005 para 4% em 2010.

Moderno x pós-moderno

Nesse ínterim, novas unidades habitacionais são criadas para atender as famílias retiradas de áreas de risco. Outra mudança que ocorreu nesta gestão e é fundamental para a qualidade do trabalho: há um esforço para não utilizar projetos padronizados, contratando cada um para obras específicas. Grande parte da responsabilidade dessa iniciativa é de Elisabete França, que é superintendente de Habitação Popular da Sehab e chefe de Maria Teresa. Com isso, o debate sobre arquitetura em habitação social, que hibernava em São Paulo, ressurgiu. Claro: dentro das academias, esse tema não saiu da pauta, na graduação ou na pós-graduação.

A diferença é que nos gabinetes públicos, por vontade política e qualidade do corpo técnico, a arquitetura voltou à baila. Estúdios como MMBB e Brasil Arquitetura estão trabalhando para o governo. “Há uma mentalidade herdada da época do BNH que entende que as classes mais baixas devem receber arquitetura de má qualidade. Então, fazemos licitação de obras com projetos básicos - não dá para fazer com projeto executivo, pois o processo é muito dinâmico - e a empreiteira escolhida contrata o projeto de arquitetura”, contou-nos Elisabete, em entrevista publicada na edição 364, de junho passado.

E o debate se instala justamente nos projetos de arquitetura: se poucos discordam em relação à necessidade de urbanizar as favelas nos casos indicados, há diferentes pontos de vista quanto à forma que devem ter as habitações que surgem dentro das comunidades. Grosso modo, há duas tendências facilmente identificáveis, oriundas de uma discussão antiga: de um lado, a herança moderna, sistematizada de forma racionalista, notadamente visível nos volumes laminares e unidades repetitivas; no outro extremo, ecoa o discurso pós-moderno, que procura mimetizar as construções no ambiente.

Integra o primeiro grupo o pequeno volume que Marcos Boldarini criou no Grotinho, um acidente topográfico assustador no meio de Paraisópolis. Em dezembro de 2005, a área foi inundada e 40 famílias saíram às pressas. De lá para cá, a urbanização da região retirou dezenas de barracos da encosta e corrigiu o problema de drenagem das águas pluviais. “Já projetamos filmes ao ar livre aqui”, conta Maria Teresa, andando em frente ao prédio.

O bloco de Boldarini - composto por um volume pavilhonar principal e um anexo mais alto, que se adapta à topografia - está em construção e terá comércio no térreo e quatro unidades no piso superior. O arquiteto também é o autor do conjunto no Jaguaré, formado por lâminas paralelas. Boldarini tem 36 anos. Seu interesse por projetos públicos vem desde os bancos da faculdade, ele diz. Foi estagiário de Elisabete França e hoje tem escritório próprio com oito funcionários, atendendo praticamente só a demanda social.

“Não tenho paciência para escolher acabamentos para casa de cliente rico”, conta Boldarini. “Eu trabalhava para André Herzog quando perguntei como é que se começava uma carreira de arquiteto. E ele me respondeu com um sorriso sarcástico: ‘Primeiro, você precisa monopolizar todos os projetos de sua família’. E eu pensei: estou lascado, na minha família ninguém contrata projetos”, relembra enquanto dirige seu carro pelos labirintos do extremo sul da cidade. A atuação em projetos públicos lhe rendeu um dos destaques do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza. “Quando Ricardo Ohtake me convidou, perguntei, surpreso: ‘Por que eu?’”, confessa. No espaço veneziano criado por Henrique Mindlin e Giancarlo Palanti, Boldarini apresentou um dos projetos mais simbólicos da reurbanização de favelas em São Paulo, que é o Cantinho do Céu.

“Vocês aceitam?”, oferece uma menina que servia guaraná Dolly aos amigos no deque do Cantinho do Céu. O projeto recuperou as margens de um trecho da represa Billings, que agora é usado pela comunidade. “Incrível, mas quase ninguém se dava conta do potencial da represa: era fundo de lote para as casas”, conta Boldarini, depois de recusar o guaraná.

Outro projeto que se aproxima do conceito usado por Boldarini é o conjunto de Paraisópolis desenhado por Edson Elito, Joana Elito e Cristiane Takiy. A equipe teve 30 dias para fazer o desenho básico e, contratada pela construtora que venceu a licitação, mais 60 dias para o executivo. São quase mil unidades subdivididas em vários blocos e duas tipologias diferentes. Em linhas gerais, as lâminas podem ser implantadas paralelamente às curvas de nível ou de forma perpendicular. A topografia ajuda a verticalizar: como todos os prédios construídos pela prefeitura, os de Elito não têm elevador, e, com acesso pela metade, pode-se construir quatro pavimentos para cima e quatro para baixo. As unidades possuem cerca de 50 metros quadrados e dois dormitórios; podem ser totalmente redivididas, pois os blocos autoportantes delimitam o perímetro de cada uma.

Recente reportagem publicada na Folha de S. Paulo chamou a atenção para a decoração das unidades desse conjunto: alguns têm sanca de gesso e até decoração realizada por profissionais, um processo que o jornal chamou de Favela Cor. A equipe de arquitetos destaca o tipo de janela adotado, que possibilita abrir totalmente o vão. Nem alguns prédios de alto padrão têm esse privilégio, garante Elito. “Uma das críticas que fazem ao nosso projeto é que ele é moderno demais”, conta. Joana, sua filha, argumenta: “Para mim, isso é elogio”.

O paradigma do projeto é o S maior ícone moderno do tema: o conjunto do Pedregulho, de Affonso Eduardo Reidy. Essa referência já estava patente na matriz da proposta de Paraisópolis: o Conjunto Pascoal Melantonio e Celso dos Santos, do Projeto Guarapiranga, criado por Elito em parceria com Abrahão Sanovicz, João Honório de Mello Filho e Marcos Carrilho. Entre Guarapiranga e Paraisópolis, a maior diferença é o telhado do primeiro, exigido por Lair Krähenbühl, secretário municipal da Habitação na gestão Paulo Maluf (1993/96). “A população quer telhado”, ele teria dito.

“Nosso trabalho não dá continuidade àquela condição quase medieval”, rebate Elito, sentado à prancheta. “Não acreditamos na hipótese de mimetizar a favela.” Outra crítica que Elito já ouviu a seu projeto em Paraisópolis é em relação à densidade: por que verticalizar a favela? Nesse sentido, é uma resposta à demanda de moradores retirados de áreas de risco. Vejamos os números. Seu conjunto possui densidade maior do que a da favela: os prédios novos apresentam 841 hab/ha, contra a média de 606 na comunidade.

Os prédios em Paraisópolis são agrupados em blocos, cada qual cercado por um gradil. Nesse ponto, a utopia moderna se encontra com a realidade, como no gradil que cerca o Mube. “Tentamos argumentar, deixar tudo aberto, mas pela experiência da secretaria eles acham que não funciona”, diz Elito. O contraste com a favela é intenso. “Se não cercarmos e definirmos as áreas, logo tudo é invadido por comércio, estacionamentos irregulares e até barracos”, argumenta Maria Teresa, enquanto circula pela passarela de acesso do condomínio B, pintado de verde. “E se isso ocorre, não temos como dar posse aos moradores dos apartamentos”, conclui.

Nessa mesma linha, a favela de Heliópolis está ganhando prédios circulares, desenhados por Ruy Ohtake. O arquiteto foi contratado pela secretaria a pedido da comunidade, que com ele mantém um relacionamento estreito. “Conseguimos fazer essa forma - que não tem apartamento de frente nem de fundo - usando o orçamento existente”, contoume Ohtake, enquanto apontava para o conjunto. “Não podemos chamar isso de conjunto habitacional: é condomínio”, postulou, circulando entre a Etec e o centro cultural que desenhou em Heliópolis. “Agora vou fazer a biblioteca”, contou.

Pós-moderno e terceira via?

No outro corner arquitetônico estão os defensores de blocos que reflitam o espírito urbano e valorizem a rua. Em São Paulo, o maior partidário é Hector Vigliecca: “Temos que construir cidades, e não casas”, vive argumentando. Claro que esse debate não é novo: desde o início da década de 1990, os projetos de habitação social no Brasil revelavam essa polarização. Os desenhos de Demetre Anastassakis para o Mutirão São Francisco, em São Paulo e, principalmente, na favela da Maré, no Rio de Janeiro, exemplificam esse tipo de trabalho que se apropria da estética da pobreza, realizada em mutirão: acabamentos de blocos à vista, volumetria que, apesar da ordem geométrica, valorizam arranjos desordenados, telhados inclinados etc. Outra proposta do gênero é a de Paulo Chaves Fernandes, em Belém. Indo mais longe, vamos encontrar essa discussão, que percorre grande parte da produção nacional, muito mais nos corações e mentes dos arquitetos do que nas ações governamentais. Só a respeito do uso de tecnologias distintas para a habitação social, há casos interessantes, como a utilização de madeira (Zanine), taipa (Borsoi) e argamassa armada (Lelé).

O fato novo é a interação internacional, seja acadêmica ou profissional, que traz elementos para a conversa. Do ponto de vista acadêmico, diversas instituições de prestígio, como Harvard e Colúmbia, nos EUA, têm feito exercícios que propõem, entre outras coisas, lajes-jardim sobre a favela ou habitações escalonadas nos morros. Por outro lado, a secretaria paulistana também contratou nomes interessantes da cena internacional. O arquiteto suíço Christian Kerez, por exemplo, radicalizou o conceito de integração saber acadêmico/popular, criando uma proposta para o Jardim Colombo, em Paraisópolis, com blocos que parecem construídos pelos usuários. Também em Paraisópolis, o grupo chileno Elemental - liderado por Alejandro Aravena - apresentou um projeto junto à via Perimetral (que está sendo aberta para ligar a região do estádio do Morumbi à avenida João Dias). Uma espécie de variação verticalizada de seu famoso projeto no Chile: uma “base” é construída com vazios que podem ser usados em ampliações.

“É melhor entregar uma boa meia-casa do que uma inteira ruim”, é o discurso. O resultado no Chile, após alguns anos, apesar de fora do controle formal dos arquitetos, fascina os projetistas do país, que fazem questão de mostrar o que ocorreu. Certamente, estamos diante de uma espécie de terceira via entre o moderno e o pós-moderno, que estabelece desenho contemporâneo mas permite (e até deseja) intervenções dos usuários. Se para os modernos isso era um crime - lembro-me do famoso exemplo em Casablanca, fruto da aplicação das ideias de Corbusier, com os vazios totalmente ocupados décadas depois -, para os pós-modernos poderia até ser aceito.

Há um ano e meio a Sehab está confeccionando uma espécie de manual de diretrizes de projetos para que os arquitetos e funcionários tenham mais parâmetros para avaliar as propostas. A ideia, apoiada em proposta semelhante desenvolvida pelo espanhol Josep Maria Montaner, contou com a participação em workshops de construtores, arquitetos, assistentes sociais e outros agentes, a fim de recolher dados para formatar o volume, cuja primeira versão deve ser finalizada ainda este ano. Em um desses encontros, em que se abordavam as unidades, Vigliecca questionou: “Não devemos discutir os apartamentos, e sim as cidades”. De bate-pronto, foi rebatido por um colega: “Mas professor, o senhor é do júri do concurso da CDHU!”.

Esse concurso, batizado de Habitação para Todos, alimenta ainda mais o debate. Ele foi promovido pelo governo do estado, que, até o momento, só utiliza projetos-padrão. Com seis categorias, não foi muito concorrido (de sete a 14 equipes participaram em cada categoria), mas revelou trabalhos interessantes, como os das equipes dos jovens Augusto Aneas, Fernão Morato e Guilherme Gambier Ortenblad (Zoom Arquitetos), que venceram na categoria casas escalonadas; Gregory Bousquet, Carolina Bueno, Olivier Raffaelli e Guillaume Sibaud (Triptyque), ganhadores para edifícios de quatro pavimentos; e Lucas Fehr, Mario Figueroa e Daniel Bonilha (Estúdio América), vencedor entre os edifícios de seis e sete pisos.

Resta saber o que o governo do estado vai fazer com esse resultado.










http://www.arcoweb.com.br/artigos/qu...7-01-2011.html

Brilhante reportagem. De fato, o processo de urbanização de favelas não é linear, tendo havido discussões e rupturas em diversas ocasiões. No meu ver, Paraisópolis funciona como uma espécie de laboratório para intervenções urbanísticas.


A pena é que o deficit urbano está nas escalas do milhões e isso não deve ser sanado na próxima década, ou na próxima, ou na próxima.
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Old January 18th, 2011, 03:19 PM   #12
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Estamos por aí....
 
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O ABC está tão decadente, que as sete cidades que formam a região, correspondem ao 4º PIB de todo o Brasil, sem contar o mercado imobiliário, onde a média dos imóveis (compra e venda) é 30% mais cara que na capital paulista, o aluguel é pior ainda, chega ser 50% maior que em São Paulo (Fonte: http://www.imoveisemsantoandre.com)

Este também é um dos fatores da grande formação de favelas no ABC.

Ao contrário que a manchete relata, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra possuem sim suas favelas, porém bem menores como nas outras cidades vizinhas.


__________________
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Old January 18th, 2011, 03:42 PM   #13
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Tem tópico que, com todo respeito aos foristas, mas eu não posso deixar de sorrir. De um lado, há os que culpam o PT por todas as desgraças do universo, e, de outro, há os que culpam o PSDB por todas as desgraças do universo. No encalço disso, vem os preconceitos com os pobres, com as elites, e com tudo o que, supostamente, esteja às avessas daquilo que é onisciente e onipresente na ideologia supostamente perfeita e socialmente justa a cada indivíduo.
Você tem razão, tem muito disso de querer culpar um partido ou outro pelos vários problemas, o fato é que isso não é culpa de um partido, isso é "culpa" de vários governos que nada fizeram desde 1950 quando começou a favelização da Grande SP, devido a migração. Faltou atitude naquela época, e esse é um preço que estamos e teremos que pagar muito caro pelos próximos anos.
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No meu entender, não há decadência no ABC. Há, sim, um esvaziamento industrial em direção ao Interior do Estado, geralmente com destino ao que é denominado complexo metropolitano expandido. Contudo, o setor de serviços, conforme já mencionaram, tem crescido bastante, e, com a construção do rodoanel, várias empresas de logística tem se instalado na região. Surpreendentemente, talvez também com influência disso, depois de décadas, algumas indústrias tem anunciado investimentos para a região, ainda que de modo modesto. (O Esvaziamento que cito diz respeito, também, a uma retrospectiva de duas ou três décadas).
Mesmo assim o ABC continua sendo um grande pólo automotivo do país. Fábricas da Ford, Volkswagen, Chevrolet estão lá, e continuam gerando milhares de empregos diretos ou indiretos. O ABC também está num bom momento imobilário, veja os vários empreendimentos e lançamentos que surgem com frequencia. E sobre as indústrias, de certa forma é um fator positivo que elas vão também para o interior do Estado.

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No que diz respeito as favelas, elas se formaram, principalmente, no período no qual a região recebeu maior migração, mas, hoje, é preciso olhar para o futuro. É preciso que as prefeituras, o Governo Estadual, e o Governo Federal, trabalhem juntos para erradicar as favelas.

Infelizmente, o Governo Federal tem destinado poucos recursos ao Estado (e não é de hoje), contudo, pelo o que eu andei olhando no relatório do programa Minha Casa, Minha Vida, os recursos devem ser alocados proporcionalmente aos Estados de acordo com o déficit habitacional de cada um, o que, sendo isso cumprido, seria algo justo.

Concomitantemente, gostei da proposta do Governador eleito de criar o BNDES da habitação, que pretende expandir a quantidade de recursos destinados a habitação no Estado. Nesse sentido, se o Governo Federal e o GESP somarem esforços, pode dar bons resultados. Aliado a isso, as prefeituras tem que cumprir o seu papel de fazer a regulação de utilização do solo (Plano Diretor), planejar o crescimento da cidade, e contribuir com o Estado e União cedendo terrenos para a construção das moradias, além de conceder os devidos alvarás e etc.

Porém, além disso, há um ponto em que eu sempre insisto: nada disso adianta se não for investido em educação. A educação é que é o verdadeiro passaporte para o futuro.

Investir em moradias, realizar urbanização de favelas, e assim por diante, é extremamente essencial, e justo. Mas você jamais conseguirá acabar com o fim da miséria enquanto a população não conseguir trabalhar recebendo uma remuneração digna, e que lhes possibilite comprar uma casa, um carro, com o seu próprio dinheiro. Nesse sentido, é essencial oferecer aos jovens dessas comunidades pobres o ensino técnico e profissionalizante, pois, assim, eles poderão trabalhar para adquirir os seus próprios bens, recebendo uma remuneração um pouco mais elevada. Quando isso ocorre, o ciclo da miséria está rompido, pois, provavelmente, os seus filhos e netos não passarão pelas mesmas necessidades que ele passou.

A respeito disso, espero que a proposta do Governador de criar o chamado "via rápida para o emprego" se concretize, e que as etecs e fatecs sejam expandidas e levadas para essas regiões, mas voltadas exclusivamente para os jovens dessas comunidades. Se não fosse inconstitucional, eu sugeriria que fosse instituído que apenas os jovens dessas comunidades, de renda menor, pudessem realizar o vestibular em determinadas etecs e fatecs que estivessem em sua localidade, voltados para o seu desenvolvimento.

Enfim, tem-se falado muito do pré-sal, e o Governo em questão chegou a denominá-lo de "passaporte para o futuro". Sem dúvida o pré-sal é muito importante, mas, no meu entender, o verdadeiro passaporte para o futuro é a educação. A educação é que é o verdadeiro bilhete premiado. E é preciso entregar esse bilhete premiado, que é o conhecimento, a cada jovem dessas comunidades. Habitação é sempre importante e justo, mas, enquanto eles necessitarem do Estado para ter o básico, e não conseguirem adquirir recursos com o seu próprio trabalho, o ciclo da miséria se perpetuará. Em minha concepção.
Esse é o problema, por causa da politicagem, é difícil na atual situação São Paulo trabalhar junto com o Governo Federal, mas não impossível.

Afinal, o GF tem todo o direito de colocar as plaquinhas deles nas suas obras aqui no Estado.

Outro lugar do Estado que precisa urgente de atenção para não se formarem novas favelas e erradicar as tantas que já existem é a Baixada Santista, ao meu ver, aquilo é um perigo... Quem viu o Jornal da Record ontem sabe do que eu estou falando.
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Old January 18th, 2011, 05:45 PM   #14
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Devido às péssimas gestões do PT, os municípios do Grande ABC entraram em decadência nos últimos 30 anos. E o sindicalismo (obviamente ligado ao PT) afugentou várias indústrias.

Somente S. Caetano não teve prefeitos petistas e coincidência ou não é a cidade em melhor situação.
Sim. As favelas de São Paulo que existem desde a década de 1940 são culpa do PT também, mesmo o PT só tendo sido fundado 40 anos depois. As favelas do Rio que existem desde o século XIX a mesma coisa. As favelas na África? Índia? China? Europa Oriental? América Latina? Tudo culpa do PT.

A crise financeira internacional? Culpa do Lula-petismo e sua ditadura sindicalista que afugentou o capital.

A Revista Veja e seus colunistas estão causando um grande estrago intelectual na classe média brasileira...
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Old January 18th, 2011, 06:11 PM   #15
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Sim. As favelas de São Paulo que existem desde a década de 1940 são culpa do PT também, mesmo o PT só tendo sido fundado 40 anos depois. As favelas do Rio que existem desde o século XIX a mesma coisa. As favelas na África? Índia? China? Europa Oriental? América Latina? Tudo culpa do PT.

A crise financeira internacional? Culpa do Lula-petismo e sua ditadura sindicalista que afugentou o capital.

A Revista Veja e seus colunistas estão causando um grande estrago intelectual na classe média brasileira...
O problema do PTismo atualmente foi a grande decepção que a classe média teve com os escandalos do inicio do governo Lula. Assim sendo tudo acaba como se fosse o PT.
Mas existem casos muito bons do PT em SP, cito como um deles o Prefeito de Araçatuba, que levou um estaleiro da Petrobrás para a cidade, pensando em uma outra forma de desenvolvimento, que vai puxar uma cadeia produtiva inteira para a região, gerando emprego e renda. Do mesmo jeito que existe o lado ruim, existe o lado bom.
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Old January 18th, 2011, 06:25 PM   #16
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O problema do PTismo atualmente foi a grande decepção que a classe média teve com os escandalos do inicio do governo Lula. Assim sendo tudo acaba como se fosse o PT.
Eu também me decepcionei com os escândalos do governo Lula. Só que parece que a classe média se esqueceu (ou melhor, foi levada a esquecer, graças a uma campanha midiática muito bem orquestrada) dos escândalos de corrupção dos outros partidos, tão graves quanto ou até mais graves do que os do PT.

Por que não se fala do desvio de recursos do Rodoanel, do Instituto Butantan? Da Operação Castelo de Areia? Da licitação do metrô, cujo vencedor um jornal já conhecia com seis meses de antecedência?

É complicado. A ausência da oposição em São Paulo ou de mecanismos de controle e fiscalização do poder público são extremamente preocupantes.
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Old January 18th, 2011, 06:30 PM   #17
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Eu também me decepcionei com os escândalos do governo Lula. Só que parece que a classe média se esqueceu (ou melhor, foi levada a esquecer, graças a uma campanha midiática muito bem orquestrada) dos escândalos de corrupção dos outros partidos, tão graves quanto ou até mais graves do que os do PT.

Por que não se fala do desvio de recursos do Rodoanel, do Instituto Butantan? Da Operação Castelo de Areia? Da licitação do metrô, cujo vencedor um jornal já conhecia com seis meses de antecedência?

É complicado. A ausência da oposição em São Paulo ou de mecanismos de controle e fiscalização do poder público são extremamente preocupantes.
Por isso é tão importante uma terceira via para SP. Mas para isso precisa que acabe a polarização que existe entre PT X PSDB. Existem ensaios de um PMDB Kassabista, mas não deixa de ser um ensaio. O que o estado precisa é de um nome forte, mas que apresente uma nova via de discussão politica, mas atualmente um nome de consenso entre os paulistas é o mais dificil de achar. Um nome que consiga escapar dessa polarização.
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Da planície litorânea até o planalto ocidental, a terra dos paulistas!

SÃO PAULO SEMPRE AVANÇA, SEMPRE SÃO PAULO AVANÇA, SEM PARAR !
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Old January 18th, 2011, 07:04 PM   #18
HRLR
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Originally Posted by OCPagu View Post
Sim. As favelas de São Paulo que existem desde a década de 1940 são culpa do PT também, mesmo o PT só tendo sido fundado 40 anos depois. As favelas do Rio que existem desde o século XIX a mesma coisa. As favelas na África? Índia? China? Europa Oriental? América Latina? Tudo culpa do PT.

A crise financeira internacional? Culpa do Lula-petismo e sua ditadura sindicalista que afugentou o capital.

A Revista Veja e seus colunistas estão causando um grande estrago intelectual na classe média brasileira...
Onde foi que eu disse que o surgimento das favelas de São Paulo é culpa do PT???

Releia o que eu escrevi! Eu estava me referindo especificamente ao caso do Grande ABC, que teve crescimento do índice de população favelada.
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Old January 18th, 2011, 07:40 PM   #19
OCPagu
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Originally Posted by HRLR View Post
Releia o que eu escrevi! Eu estava me referindo especificamente ao caso do Grande ABC, que teve crescimento do índice de população favelada.
Durante o governo Lula, o número de favelados no Brasil caiu 16%.

Na cidade de São Paulo, durante os governos do PSDB-DEM, o número de favelados continua crescendo com uma taxa que equivale ao dobro do crescimento vegetativo da cidade.

Devo concluir com base nesses dados que o PT diminui a população favelada e que o PSDB-DEM aumentam?

Ou devo me lembrar que o fenômeno da favelização é muito mais complexo e abrangente do que a restrição de sua culpabilidade a alguns governos municipais de determinado partido?
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Old January 18th, 2011, 07:51 PM   #20
Lucas Furtado
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Originally Posted by marcoasantos View Post
O problema do PTismo atualmente foi a grande decepção que a classe média teve com os escandalos do inicio do governo Lula. Assim sendo tudo acaba como se fosse o PT.
Mas existem casos muito bons do PT em SP, cito como um deles o Prefeito de Araçatuba, que levou um estaleiro da Petrobrás para a cidade, pensando em uma outra forma de desenvolvimento, que vai puxar uma cadeia produtiva inteira para a região, gerando emprego e renda. Do mesmo jeito que existe o lado ruim, existe o lado bom.
Concordo com o seu ponto de vista, Marcos.
Não sou petista nem tucano, mas além de Araçatuba, existem outras prefeituras que tiveram uma excelente administração petista: Araraquara.Edinho Silva conseguiu diversificar a sua até então estigmatizada economia como essencialmente agrícola.Trouxe diversas empresas, inclusive do ramo de tecnologia da informação e fabricação de softwares, além de melhorar ainda mais os indicadores sociais do município.
Curiosamente, o outro bom momento recente da cidade foi na gestão do tucano Roberto Massafera.
Então, existem governantes bons e ruins em todos os partidos.Por isso, é perda de tempo politizar a questão.
Sobre o ABC, mudei recentemente pra cá, e realmente o custo de vida é alto o que inclui a moradia.Isso pode ter contribuído para o processo de favelização, acompanhado de um processo de esfriamento econômico da região (e do país também) entre mais ou menos 1980 e 2000.Para resolver ou minimizar o problema, o consórcio intermunicipal do ABC e o governo estadual precisam agir em conjunto.Em uma região metropolitana é impossível pensar em solucionar problemas desse porte pensando somente em ações isoladas dos municípios.
Acho decadência uma palavra muito forte para uma região que concentra indústrias importantíssimas e emprega milhares de trabalhadores.Houve sim, principalmente na década de 80, por conta da crise do petróleo, um esfriamento da economia que atingiu o país inteiro o que repercutiu inevitavelmente também no abc.Além disso, como os colegas já citaram, está havendo um direcionamento dos grandes investimentos para o interior, sobretudo para as regiões de Campinas e São José dos Campos.Como também já disseram, o ABC está diversificando sua economia, transformando num importante pólo de serviços e comércio, o que contribui.Ademais, é impressionante a quantidade e a rapidez de edifícios que estão sendo construídos em Santo André e São Bernardo.Cada dia parece que tem um novo.
Lucas Furtado no está en línea   Reply With Quote
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