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Transportes públicos vão passar a ter apenas dois tipos de bilhetes
Mais de 60 bilhetes e passes actualmente existentes vão ser unificados
Transportes públicos vão passar a ter apenas dois tipos de bilhetes (28/01 | 9:02) Os operadores de transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa vão unificar os mais de 60 bilhetes e passes actualmente existentes em apenas dois tipos de títulos, consoante a sua aquisição seja feita por número de dias ou de viagens. O novo modelo tarifário proposto pela Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT) de Lisboa tem um período de implementação previsto de três anos, estando o seu arranque dependente de decisão governamental. A reestruturação do sistema tarifário ontem apresentada foi desenvolvida pela AMT de Lisboa, em coordenação com os 14 operadores de transportes públicos e com as consultoras TIS.PT e LINK. A adoptar-se este modelo, os mais de 60 bilhetes e passes actualmente existentes, que se traduzem em cerca de 400 combinações por que os utilizadores podem optar, dão lugar a dois tipos de títulos: aos utilizadores de transportes públicos é dada a opção de carregar o seu cartão electrónico com um determinado número de viagens ou de dias, que não têm de ser utilizados de forma consecutiva. O sistema prevê que sejam atribuídos descontos de quantidade e também de fidelidade aos clientes, que a partir da segunda compra podem optar pelo carregamento do cartão electrónico no Multibanco. A manutenção do Lisboa Viva, o cartão electrónico actualmente em vigor, ainda não está decidida, como admitiu a presidente da AMT de Lisboa. "Vamos tentar aproveitar todo o trabalho que vem de trás, mas é de admitir que o cartão, tal como está, não contenha todas as possibilidades que o sistema vai ter", disse Marina Ferreira. Título único para todos os operadores Os novos títulos, que deixam de ser de um só ou de vários operadores e passam a ser todos emitidos pela AMT, são intermodais, sendo o seu preço independente dos modos de transporte utilizados ou do número de operadores em que se viaje. A formação de preços é feita com base na divisão da Área Metropolitana de Lisboa em 68 zonas, podendo o cliente escolher em quantas quer circular, o que vai determinar o custo do título. O preço dos bilhetes ainda não está estabelecido. A proposta privilegia um sistema "multicêntrico", em que o centro do tarifário é diferente para cada pessoa, consoante a sua zona de residência, em detrimento do actual sistema de coroas, centrado em todos os casos na Baixa de Lisboa. O objectivo é tornar o modelo mais justo, criando uma correspondência mais directa entre a distância da viagem, ou o tempo em que é percorrida, e o preço do título. A entrada neste novo sistema, para evitar que as pessoas que vivem junto à fronteira de várias unidades territoriais sejam penalizadas, cobre um mínimo de duas zonas, podendo o cliente escolher até um máximo de oito zonas para circular. Isto significa que o preço só se agrava a partir do momento em que o utilizador de transportes públicos percorra três zonas. "É um sistema muito mais simples, em que todos os títulos são intermodais e o meu preço só depende de onde entro e onde saio", resumiu José Manuel Viegas, da TIS.PT, salientando a necessidade de substituir o sistema tarifário em vigor, que "constitui um entrave na adaptação contínua da oferta à evolução dos desejos de mobilidade". "Um choque de gestão indispensável" O novo modelo tarifário, que ainda carece de análise por uma comissão de acompanhamento que integra representantes de vários ministérios e câmaras municipais, entrará em funcionamento de forma faseada. O sistema vai abranger numa primeira fase a zona actualmente coberta pelas três coroas dos passes sociais, estendendo-se depois a Cascais, Sintra, Vila Franca, Azambuja e Coina, e numa terceira etapa ao resto da Área Metropolitana de Lisboa. Só com a primeira fase, a medida vai abranger 88 por cento do universo de clientes dos transportes públicos. Quanto aos preços dos títulos, prevê-se que haja aumentos intercalares variáveis durante os três anos de transição, de acordo com os preços actualmente praticados nas várias zonas pelos diferentes operadores. No final, diz José Manuel Viegas, e tendo em conta o princípio de não aumentar as receitas dos operadores através da venda de títulos, "há pessoas que irão tendencialmente pagar menos e outras que irão tendencialmente pagar mais" do que actualmente, com as vantagens de só se pagar o que se usa e de se usufruir de uma intermodalidade plena. Sobre o arranque do novo sistema, e tendo em conta a proximidade das eleições legislativas e autárquicas, José Manuel Viegas acredita que o segundo semestre de 2006 é "um prazo ambicioso mas realista". O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mexia, assumiu-se "mais optimista" e, salientando que se trata de "um choque de gestão absolutamente indispensável", disse contar que o sistema avançasse ainda em 2005. fonte |
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