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Old August 30th, 2012, 04:55 AM   #1
FGB_curitiba
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Memória da Curitiba Urbana

Neste thread será digitalizada a mais importante série de livros sobre a história do urbanismo curitibano: a MEMÓRIA DA CURITIBA URBANA.

Esta série foi produzida no início dos anos 90 pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC, e tem reprodução livre, desde que citada a fonte.
Ela é composta por depoimentos de importantes personagens da história da cidade, divididos em alguns volumes.

A princípio, eu irei dividir cada depoimento em duas ou três partes, e a cada semana haverá um novo depoimento.
Eu não posso garantir que essa frequência será religiosamente mantida, pois tenho que transcrever o texto "manualmente", o que é muito trabalhoso e demorado. Até existe uma tecnologia para fazer transcrição eletrônica, mas ela não se mostrou eficiente nos testes que eu fiz.
E como a transcrição será manual, erros podem surgir. Portanto, peço que relevem.


Outra função importante do thread será reunir imagens históricas da cidade e qualquer material relacionado (incluindo a transcrição de outros livros).
Para isso, tenho parceria fechada com o nosso grande forista Tiago Domiciano, que é o cocriador do thread
E é claro, todos que tiverem material para postar, serão muito bem-vindos (só peço que utilizem a fonte Times New Roman tamanho 3 para postar textos transcritos, para organizar melhor).

Mãos à obra!!!
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Last edited by FGB_curitiba; August 30th, 2012 at 07:05 AM.
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Old August 30th, 2012, 04:56 AM   #2
FGB_curitiba
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Índice de Depoimentos

Ney Aminthas de Barros Braga - parte única

Karlos Heinz Rischbieter - parte 1 | parte 2
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Last edited by FGB_curitiba; September 6th, 2012 at 12:57 AM.
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Old August 30th, 2012, 04:57 AM   #3
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Índice de Matérias e Documentos

Ney Braga, ou a arte de fazer amizades, Do especial "O maior paranaense da História", Gazeta do Povo - 28/12/2008

Ex-governador do Paraná morre sem realizar o sonho de ser vereador de sua cidade natal, Isto É Gente - outubro/2000

O primeiro cargo político de Ney Braga, Blog do José Wille - 19/02/2011

O caso Renault, trecho de trabalho acadêmico da UFPR sobre o Programa Paraná Mais Empregos, do Governo Jaime Lerner

O charme do pinhão, EXAME - 27/03/1996

Rischbietter e a perseguição contra os imigrantes alemães durante a guerra, Blog do José Wille - 19/02/2011

Prefeitura diz que dívida da CIC prescreveu, Gazeta do Povo - 02/07/2007

Requião perdoa dívidas de R$ 764 milhões, Gazeta do Povo - 07/10/2009

Vida e morte do Capanema, Gazeta do Povo - 06/02/2011
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Last edited by FGB_curitiba; September 7th, 2012 at 07:29 AM.
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Old August 30th, 2012, 04:58 AM   #5
FGB_curitiba
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O primeiro volume que será transcrito conta com os seguintes depoimentos:

Ney Aminthas de Barros Braga
Karlos Heins Rischbieter
Jorge Wilhem
Onaldo Pinto de Oliveira
Saul Raiz
Euclides Rovani


Ele foi publicado em 5 de dezembro de 1990.


APRESENTAÇÃO

Dezembro de 1965. A cidade, ainda com os ecos do polemico seminário “Curitiba de Amanhã", encerra o ano vendo nascer o Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.
Era sua a tarefa de delinear o mais amplo conjunto de mecanismos que possibilitasse ordenar o processo de desenvolvimento da cidade. Ao órgão fora entregue, assim, a responsabilidade de conciliar tempo e espaços urbanos para a construção de um futuro melhor aos habitantes desta cidade.
E da diversidade profissional de seu corpo técnico – principalmente: arquitetos, economistas, engenheiros, sociólogos – resultou uma concepção integrada de pesquisa e planejamento que considera globalmente aspectos físicos, económicos, sociais e culturais.
A década de 70 imprime ao IPPUC importância ainda maior. As diretrizes do planejamento urbano de Curitiba passavam do plano das ideias para o plano das ações. Era preciso perseguir o próprio desenho da cidade; sondar as aspirações da população e transformá-las em projetos; executar tais projetos e, às vezes, até mesmo gerenciar a execução de alguns deles. E nada foi em vão: Curitiba desfrutou da mais profunda transformação física, econômica e cultural de sua história.
Na década posterior, o desafio não era outro senão o de estender cada vez mais a mais gente o acesso ao patrimônio urbano e aos serviços essenciais para uma vida digna.
Esta instituição – para alguns, então, a "Sorbonne do Juvevê" – no inicio dos anos 80, empenhou-se na criação da Rede Integrada de Transporte, que possibilitou deslocamentos para qualquer ponto da cidade com uma só tarifa, e na difusão dos equipamentos sociais como creches, postos de saúde, assistência odontológica. Participou de uma política habitacional voltada, primordialmente, a ocupar vazios urbanos com pequenos conjuntos habitacionais. E envolveu-se num dos mais sérios e factíveis projetos de assentamento das populações originárias de campos em sua própria localidade: projeto-piloto Comunidade Rurbana Campo do Santana. À época, através de convênio, trinta comunidades no interior do Paraná seriam assistidas pelo IPPUC.
Mas nem sempre é possível escapar de tempos sombrios! E muitas dessas experiências foram, posteriormente, abandonadas ou desvirtuadas, pela incapacidade de conjugar a essência política da formação técnica com o conteúdo da visão política.
Agora, retoma-se o caminho das soluções inovadoras, para colocar Curitiba como uma cidade contemporânea do futuro. E isso representa investir ainda mais na melhoria da qualidade de vida dos curitibanos, que hoje, somamos mais de um milhão e seiscentos mil.
E a complexidade da ação técnica do IPPUC será tanto menor quanto mais apoiada estiver na ideia de “parcerias”. Parcerias entre empresários, administração municipal e comunidade. Através deles, podem ser complementados serviços indispensáveis a esta população que merece o melhor no ensino, na saúde, na habitação, no lazer, no transporte de massa...
O ex-técnico desta Casa, depois seu diretor presidente e três vezes prefeito desta cidade, Jaime Lerner, ao declarar em sua posse, em 1º de janeiro de 1989:

“Nasci nesta cidade,
Aqui joguei meus dias de criança. Aqui brinquei,
corri, voei,
fiz meu curso de fantasia,
fiz meu curso de realidade.
Aprendi com vocês a humanidade inteira.”


estava delineando também a trajetória da própria instituição nos seus 25 anos.

Cassio Taniguichi
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Old August 30th, 2012, 05:03 AM   #6
FGB_curitiba
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Ney Aminthas de Barros Braga



Ney Aminthas de Barros Braga - Nasceu a 25 de julho de 1917, na cidade da Lapa. Formado na Escola Militar do Realengo e na Escola do Estado Maior do Exército, no Rio de Janeiro, Ney Braga iniciou na vida pública como titular da Chefatura de Polícia do Paraná, em 1952. Dois anos depois, elegeu-se prefeito de Curitiba e, terminado o mandato, em 1958, foi eleito deputado federal. Em 1960, elegeu-se governador do Estado. Foi ministro da Agricultura no biênio 1965/1966 e, em 1968, elegeu-se senador. De 1974 a 1978 ocupou o Ministério da Educação, voltando ao governo do Paraná em 1978. Presidiu a Itaipu Binacional de 1985 a 1989.

Depoimento concedido em julho de 1990.
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Old August 30th, 2012, 05:05 AM   #7
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Ney Aminthas de Barros Braga - parte única

O primeiro depoimento será reproduzido por completo.


No início da década de 50, Curitiba tomou um desenvolvimento muito intenso, o que obrigava à administração municipal estabelecer medidas de execução do plano viário então vigente, o Plano Agache, e adotar outras providências para ordenar o desenvolvimento. A cidade crescia muito quando eu assumi, em 54. O Plano Agache era muito bom, mas precisava ser revisto. Era necessária a sua abertura para além da Perimetral 3, que era o limite da área planejada. É preciso ressaltar que Curitiba sempre foi bem governada por seus prefeitos dentro desse plano. O Agache previa o planejamento apenas viário da cidade e nesse momento ampliavam-se as áreas de construção e nasciam os primeiros prédios de vários andares. Era preciso, portanto, fazer o zoneamento da cidade.
Para que fosse planejado ordenadamente o crescimento curitibano, eu contei com técnicos e funcionários muito bons, altamente capazes e devotados, e consegui agrupá-los, embora na campanha eleitoral houvesse muitas divisões. Não tive nenhuma decepção. Todos se integraram. Comparando a hoje, era pouca gente, e eu conhecia quase todos pelo nome.

Havia, então, um primeiro estudo a se fazer, que era a do centro da cidade. O Plano Agache estabelecia o alargamento da rua XV de Novembro e da rua Marechal Deodoro. Então, nós criamos o Departamento de Planejamento e Urbanismo para elaborar o plano urbanístico de Curitiba. Esse departamento era composto pelos engenheiros Mário de Man, Francisca Maria Rischbieter, Saul Raiz, Ari de Jesus, Sadi de Souza e Luiz Armando Garcez. Para consultor desse grupo, trouxemos de São Paulo o engenheiro Prestes Maia, que era na época um dos maiores urbanistas do Brasil e a quem muito se deve na elaboração do plano da cidade.
Assim que ele chegou, quis sobrevoar Curitiba para ver o global. Conseguimos um aviãozinho e ele, lá de cima viu os rios da cidade. Ao descer, disse a nós que a primeira coisa a ser feita era preservar o fundo do vale desses rios e córregos. E nós baixamos imediatamente uma legislação visando a preservação, além da execução do saneamento básico, e ao planejamento do esgotamento das águas pluviais. Esse decreto procurava evitar construções próximas aos cursos d 'água, por causa das inundações e pensando em futuras canalizações. Essa foi a primeira orientação do Prestes Maia, antes mesmo de aprofundar-se na questão urbanística.

Ao mesmo tempo, nós já analisávamos o grande crescimento das ruas XV e Marechal Deodoro. O da Marechal foi julgado essencial e a Rua XV permaneceu com a mesma largura, que mantém ainda hoje. Também imediatamente baixamos um código de zoneamento da cidade. Já estavam surgindo prédios residenciais e comerciais desordenadamente. Por isso, criamos as zonas específicas - residenciais, comerciais e industriais. O Prestes Maia e esse grupo analisaram que a cidade devia ter uma zona para indústria. Nós não fizemos a CIC (Cidade Industrial de Curitiba), mas fomos orientados a deixar a zona do Barigui para a indústria mais pesada. E junto com o código, críamos uma comissão de zoneamento para aprofundar os estudos e resolver casos conflitantes. Por exemplo, onde nós resolvíamos que seria zona residencial e já havia comércio, tínhamos que conversar com os proprietários. Era preciso adaptar a cidade ao novo código levando em conta o que já havia.
Foi interessante a elaboração do zoneamento. As zonas comerciais ganharam espaço reservado no centro, lá perto do Portão, no entroncamento da Igreja das Mercês, no Bacacheri, e outras. Todas elas mantêm um Comércio ainda hoje. Previmos várias áreas para que o comércio não se concentrasse só no centro.

Outra coisa muito importante que esse pessoal do planejamento urbanístico adotou foi o afastamento de cinco metros para construção nas zonas residenciais. Nós regulamentamos a obrigatoriedade desse recuo do alinhamento predial pensando não só no embelezamento das áreas residenciais, mas na preservação de áreas verdes e na possibilidade de, quando fosse o caso, fazer alargamento de ruas. Foi no final das contas, o que originou essa característica de Curitiba das casas com jardim.
Tudo isso era discutido e resolvido em conjunto na Prefeitura. Eu participava de todas as comissões, debatia-se muito. A convivência nos fazia mais do que colegas de trabalho - éramos amigos. Não tínhamos horários...
Ainda nessa ocasião, foi elaborado o Plano de Desapropriações, que disciplinou as desapropriações necessárias à implantação das partes aproveitadas do Plano Agache e preparou a cidade para o plano futuro, já então praticamente elaborado. Para desenvolver melhor o seu trabalho, a comissão de zoneamento pediu logo de início um levantamento aéreo-fotogramétrico da cidade. Foi o primeiro de Curitiba e os engenheiros Sadi de Souza e Mário de Mari acompanharam a sua execução. Com ele nós pudemos, inclusive, ajustar os loteamentos à rede viária já existente. Várias das nossas ruas importantes, como a Avenida Paraná, foram projetadas naquela época. E o mesmo caso do prolongamento da João Gualberto, um certo alargamento da avenida República Argentina, o prolongamento da avenida Churchill, a abertura da Vicente Machado, da Carlos de Carvalho etc.

Fizemos também o levantamento hidroviário em praticamente todos os rios que cortavam a cidade. Em Curitiba, qualquer chuva um pouco intensa inundava a Praça Zacarias, em pleno centro da cidade. E também fizemos muitas canalizações, entre elas, dos rios Água Verde, Belém, Bacacheri e Ivo. A canalização do rio Juvevê foi muito interessante porque passou por baixo da via férrea na região do Cajuru, sem interromper o tráfego dos trens. Foi um sucesso técnico na época e, outro dia, eu vi o Jaime Lerner fazer também. E o Juvevê era um rio largo, em 1955. Junto dele, no Cajuru, havia um restaurante tradicional chamado Vagão do Armistício. Era um vagão que o pai do Poty Lazarotto, o Isaac, era dono. E todo mundo ia jantar lá no fim de semana. Mas quando chovia, inundava e terminava o programa. Já o rio Ivo passa por baixo da Praça Zacarias. A rua Emiliano Pernetta era um banhado, com o chão muito mole. Para canalizar naquela altura, os técnicos aplicaram uma camada de concreto armado que deve ter um metro e meio. Foi um trabalho muito bem feito pelo pessoal da Prefeitura. Esses projetos foram estudados por Parigot de Souza, Isaac Milder e pelo engenheiro Rubens Momoli, que também executou vários deles.
Por outro lado, Curitiba registrava uma grande expansão de vias para além da AP3 – a última perimetral do Plano Agache. Então dizemos centenas de levantamentos e os respectivos projetos das novas vias necessárias à implantação de construções, loteamentos, etc.

Também na implantação do plano urbanístico da cidade tivemos que cuidar do transporte coletivo. Não havia nada coordenado, organizado. A população era servida por pequenos lotações que circulavam pela cidade sem qualquer compromisso com linhas, horários e com a Prefeitura. Por isso, criamos logo uma comissão para estudo do sistema, que era formada pelo coronel Alípio Ayres de Carvalho, o engenheiro Osvaldo Kuss, o engenheiro Bernardo Fedalto, o advogado Edgar Távora e o capitão Azevedo.
Esse plano previa todas as linhas essenciais ao transporte coletivo urbano. Por exemplo, a linha da República Argentina, a linha que fazia o Pilarzinho. Nós abrimos concorrência, mas não quisemos que entrasse ninguém de fora, porque os donos dos lotações já estavam prestando o serviço. Assim, eles se reuniram, organizaram-se em empresas, e participaram da concorrência disputando sempre pares de linhas. Esse par incluía uma linha de bom rendimento com outra de baixo rendimento. Além de não favorecer os empresários, isso era vital para o cálculo da tarifa, chamada tarifa social, a primeira do Brasil. Os passageiros que moravam longe, nos bairros da periferia, não precisavam arcar sozinhos com o alto custo do transporte, porque obtinha-se um preço relativo que os beneficiava. O levantamento do número de passageiros por linha era feito trimestralmente por estudantes contratados. Foi o primeiro levantamento desse tipo feito no Brasil sobre transporte coletivo. Tanto que nós recebíamos prefeitos de fora, inclusive o Celso Azevedo, de Belo Horizonte, o prefeito Leonel Brizola, de Porto Alegre, que vinham estudar o sistema.
A mesma comissão estudou e elaborou o plano de emergência para distribuição do trabalho de carga de Curitiba, para disciplinar o tráfego pesado na rede viária, principalmente no centro urbano, o horário de carga e descarga, a melhoria e adaptação de vias escolhidas para esse tipo de tráfego. Naquela época, os caminhões chegavam de todo o lugar, descarregavam a qualquer hora no centro da cidade e aquilo virava uma feira.

Outro plano muito importante foi o de pavimentação, que atendeu particularmente às ruas que tinham tráfego de ônibus. Isso também barateava a tarifa, já que naquela época as ruas eram de macadame. Nós pavimentamos a avenida República Argentina, a Churchill, a Vicente Machado, a Manoel Ribas, até Santa Felicidade, nós concluímos – prefeito anterior, Santiago de Oliveira, levou o pavimento quase até lá. O encarregado do plano era o dr. Otto Blume.
Nós tínhamos, então, o imposto de pavimentação. Mas para esse plano nós introduzimos uma novidade. A Prefeitura, sob certas condições legais, pagava uma parte. Assim, cabia um terço para ela, um terço para um lado da rua, e um terço para o outro lado. As casas pagavam pela sua frente. Se uma tinha 15 metros de frente pagava “x”. Aí nós introduzimos o critério do valor venal. Se a casa tivesse um valo venal pequeno, ela pagava menos do que outra de maior valor e com menor frente. Não era justo que um palacete pagasse a mesma coisa ou menos do que uma casa modesta de madeira.
Curitiba não tinha tanto recurso para tocar todos esses planos. Mas nós conseguimos fazer uma reorganização fazendária, começando com o levantamento do cadastro da cidade para verificar o valor venal dos prédios e a sua inscrição, além de uma revisão de impostos. Os nossos impostos municipais eram o IPTU e o ITR (Imposto Territorial Rural), mais o imposto de pavimentação. Naqueles dias, nós recebíamos o dinheiro dos impostos de dia e quando fechava o expediente, o Teodomiro Furtado, que era o secretário da Fazenda, subia para dizer: “Hoje nós recebemos tanto”. E aí nós distribuíamos o dinheiro de acordo com a prioridade das obras para a cidade. Trabalharam com Furtado, Jaime Simões, Afonso Coelho, Luiz Felipe Machado e Nelson Gomes.

Também fiemos o plano de recreação, de organização de parques municipais e de arborização, que foi exemplarmente executado pelos drs. Cid Marcondes e Ciro Simão. O Ciro é irmão do Aristides Simão, que foi presidente da Câmera e me apoiou muito. Por sinal, os vereadores sempre me apoiaram, embora o meu partido não tivesse a maioria. Projetos da cidade, eu não perdi nenhum. Isso era fruto de um diálogo continuado que a gente mantinha. No meu primeiro governo do Estado era a mesma coisa. Eu tinha quatro deputados em 41 e nunca perdia.
Bem, mas nesse plano de recreação nós construímos a Praça da Espanha, a Praça Rui Barbosa, que depois foi reformada para receber transporte coletivo. Em princípio, era uma praça projetada para ser a Santos Andrade. Outro dia eu via na televisão uma notícia sobre o replantio de árvores adultas. E nós fizemos muito isso. O Ciro e o Cid trabalhavam muito assim, tanto que na Praça Osório havia companheiros que diziam que ela estava ficando um matagal.
Também houve a necessidade de um plano de rede viária, porque a zona rural estava encaixando à zona urbana. Havia, por exemplo, o Xaxim, Uberaba de Cima, Boa Vista das Mercês, Bela Vista, Santa Felicidade, Campo Comprido... Tudo isso nós tivemos que englobar mediante um plano de entrosamento. Os acessos, então, eram difíceis, de macadame, às vezes eram precisos desvios. Esse trabalho foi feito pelo dr. Dario Lopes dos Santos. Ele trabalhou com gente muito boa. Em seguida, fizemos o plano de limpeza urbana, elaborado e executado pela esquipe do dr. Erailton Thile. Não havia método nem previsão para a limpeza – até onde limpar, em que horas, em que dias, enfim.

Esses planos foram feitos quase todos simultaneamente pelas várias comissões. Os grupos eram entrosados com o Departamento de Planejamento e Urbanismo. Mas em todos os planos nos moradores eram ouvidos. Não era uma participação altamente divulgada, mas a cidade era bem menor e a gente conversava com as principais lideranças, os vereadores consultavam seus eleitores. Nós levamos água para dezenas de bairros e luz elétrica também. Quando eu assumi o governo, não havia quase nada de luz. Curitiba tinha energia racionada, como aliás o Paraná inteiro. Mas nessa época de prefeito, pudemos levar a luz elétrica para Santa Felicidade, Campo Comprido, Vila Isabel, Uberaba de Cima, Vila Tingui, Santa Cândida... Não havia luz sequer dentro das casas. Na rua, então, nem se fala.
Nós tínhamos quatro mil telefones que não eram automáticos. As ligações precisavam passar pela telefonista. Para falar com outros municípios, era um drama, levavam-se horas. Nós aumentamos o número para dez mil e automatizamos o sistema. Hoje não se faz ideia da dificuldade de conversar com a empresa concessionária do serviço, a ATT.
A Telepar ainda não existia. Só foi criada mais tarde, quando assumimos o governo do Estado. Foi uma briga grande com a ATT para obter a automatização do serviço telefônico e a ampliação do número de linhas.

Curitiba não era uma cidade pequena, mas tinha apenas uma escola municipal. O ensino era todo garantido pelo Estado e pelas escolas particulares, a maioria religiosas. Nós construímos dez escolas nos bairros. O número parece pequeno, mas naquele momento, significou a multiplicação por dez.
Nós também construímos o Mercado Municipal e a Estação Rodoviária, que há pouco foi reformada e virou um terminal urbano de ônibus, nos fundos da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. Fizemos o Cemitério Parque de Santa Cândida, o do Capanema, ampliamos o Cemitério Municipal, o Cemitério Água Verde e outros. Hoje, há cemitérios particulares, mas naquela época eram todos públicos e não havia espaço.
Na organização do serviço público, criamos o Departamento de Material. Não havia, até então, quem tomasse conta, globalmente, da usina de asfalto, das máquinas, dos equipamentos, caminhões. O departamento foi localizado atrás do Cemitério Municipal e ficou responsável pela manutenção de todos esses equipamentos.
Além de todos esses planos, de transporte coletivo, zoneamento, urbanização, limpeza pública, e outros, nós procuramos cuidar das ações sociais e atender às exceções não previstas nos planos. Para dar um exemplo, aprovamos na Câmera uma autorização para o Poder Executivo permitir reformas e ampliações em estabelecimentos de ensino, hospitais e casas de saúde, mesmo quando o zoneamento não permitia.
Nós ainda demos muitos terrenos para associações prestadoras de serviço social. As irmãs Oblatas, para quem nós demos um terreno, e até hoje mantêm um asilo de senhores no bairro Tarumã.
Naquele governo, o governador Lupion era meu adversário e o presidente da República, o Juscelino, também. Mas ainda assim, nós conseguimos alguns recursos para financiamento de obras com o Banco do Estado. E o Juscelino acabou me dando o prêmio de melhor administração municipal do Brasil, conferido pelo IBAM – o Instituto Brasileiro de Administração Municipal. Quanto ao Banco do Estado, exigiu até meu aval pessoal para o empréstimo. O dr. Lamounier me dizia que se eu avalizasse, ele tinha certeza que receberia antes de deixar a Prefeitura. E eu argumentava que não adiantava avalizar porque meu único bem era a minha casa. No fim, um pouco antes de eu deixar a Prefeitura, ele retirou o meu aval pessoal, com parte da dívida paga.

Mas, voltando às obras sociais, nós procuramos ajudar o setor, principalmente com a doação de terrenos e o estudo das dificuldades das instituições. Trabalhamos muito com as instituições religiosas, mas também em outros setores. O Clube Atlético Paranaense, por exemplo, teria o seu campo cortado por duas ruas, conforme previa o Plano Agache. E nós anulamos esses disposições. A mesma coisa aconteceu com o Clube Pinheiros, já era usada para jogos de futebol, mas ainda era do município. Então nós doamos.
Na área cultural, nós isentamos de imposto o teatro. E fizemos o primeiro Festival Estadual de Teatro. Depois, já governador, fiz o primeiro Festival Estadual de Cinema e o primeiro Festival Estadual de Música Popular.
Eu quero sempre reafirmar que sem a colaboração dos servidores da Prefeitura, cuja dedicação e amor à cidade eram diariamente testados, sem o apoio dos vereadores, do conjunto da Câmera Municipal, que bem compreendia as necessidades da cidade e de seu povo, sem o permanente contato com a população desta cidade, dando-lhe conhecimento daquilo que fazíamos voltado ao bem do povo e ao futuro desta querida cidade, não seria possível realizar o que realizamos.


FIM
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Old August 30th, 2012, 04:54 PM   #8
Tiago Domiciano
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Ótimo, Felipe! Vamos mostrar a história de nossa cidade! Agradeço pela menção,

Foto do dia: Rua XV de Novembro na década de 40

[IMG]http://i46.************/295v981.jpg[/IMG]

Fonte: Erony Santos e Chunite Kawamura/livro Curitiba - A Revolução Ecológica (vol. 1), Prefeitura Municipal de Curitiba (PMC)
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Old August 30th, 2012, 05:16 PM   #9
Tiago Domiciano
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Muito interessante o depoimento de Ney Braga. Curitiba já se importava muito com o urbanismo antes da era Lerner.

Não pude deixar de notar algumas coisas:

Quote:
Ao mesmo tempo, nós já analisávamos o grande crescimento das ruas XV e Marechal Deodoro. O da Marechal foi julgado essencial e a Rua XV permaneceu com a mesma largura, que mantém ainda hoje.
Se a XV fosse alargada muitos edifícios antigos teriam sumido - afetaria muito a identidade da rua. Como a ideia é do próprio Agache dá para notar que não havia uma consciência de preservação como houve nos últimos tempos.

Quote:
Outra coisa muito importante que esse pessoal do planejamento urbanístico adotou foi o afastamento de cinco metros para construção nas zonas residenciais. Nós regulamentamos a obrigatoriedade desse recuo do alinhamento predial pensando não só no embelezamento das áreas residenciais, mas na preservação de áreas verdes e na possibilidade de, quando fosse o caso, fazer alargamento de ruas. Foi no final das contas, o que originou essa característica de Curitiba das casas com jardim.
Bingo!



Quote:
Fizemos também o levantamento hidroviário em praticamente todos os rios que cortavam a cidade. Em Curitiba, qualquer chuva um pouco intensa inundava a Praça Zacarias, em pleno centro da cidade.
Registro de uma enchente em 1966, bem ali, na antiga Avenida João Pessoa (atual Luiz Xavier).


Fonte: IPPUC

Quote:
Nós também construímos o Mercado Municipal e a Estação Rodoviária, que há pouco foi reformada e virou um terminal urbano de ônibus, nos fundos da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe.
Polêmico Guadalupe...Lolô Cornelsen, pupilo de Agache e importante arquiteto do movimento modernista em Curitiba, foi contrário a várias intervenções urbanísticas na gestão (municipal) Ney Braga.


Fonte
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Old August 30th, 2012, 05:53 PM   #10
FGB_curitiba
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caramba, que achado essa foto do alagamento na Luiz Xavier!!

Só pra constar, o mandato do Ney Braga foi de nov/1954 a nov/1958. Mais tarde, ele foi governador de jan/1961 a nov/1965, e de mar/1979 a mai/1982.

Quote:
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O Clube Atlético Paranaense, por exemplo, teria o seu campo cortado por duas ruas, conforme previa o Plano Agache. E nós anulamos esses disposições. A mesma coisa aconteceu com o Clube Pinheiros, já era usada para jogos de futebol, mas ainda era do município. Então nós doamos.
A Arena seria cortada pelas ruas Pasteur e Eng. Rebouças:



O Clube Pinheiros seria a Vila Olímpica do Boqueirão?

Quote:
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E o Juvevê era um rio largo, em 1955. Junto dele, no Cajuru, havia um restaurante tradicional chamado Vagão do Armistício. Era um vagão que o pai do Poty Lazarotto, o Isaac, era dono. E todo mundo ia jantar lá no fim de semana. Mas quando chovia, inundava e terminava o programa.
Só a título de curiosidade, o nome do restaurante é referência ao vagão-restaurante onde foi assinado o O Armistício de Compiègne (1918), que pôs fim aos conflitos da frente ocidental na Primeira Guerra.

Mais tarde, em 1940, Hitler obrigou os franceses a assinarem o acordo de rendição nesse mesmo vagão.
Ao fim da guerra, com a iminente invasão de Berlim, Hitler ordenou que a SS explodisse o vagão.

Essa história é retratada em imagens originais no documentário Redescobrindo a Segunda Guerra, que é o melhor documentário sobre o conflito que eu já vi hehe
Pra quem gostar do assunto, recomendo muito o documentário. Segue o trecho do vagão, aos 27:50

http://www.youtube.com/watch?v=MtVKO...ilpage#t=1670s
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Old August 30th, 2012, 05:55 PM   #11
felipe slobodzian
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Foto do dia: Rua XV de Novembro na década de 40

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Registro de uma enchente em 1966, bem ali, na antiga Avenida João Pessoa (atual Luiz Xavier).
Muito interressantes as imagens da Rua das Flores antes de virar calçadão!

Desataque para o semaforo da primeira foto.

Os trabalhos de drenagem feitos na Rua das Flores foram ótimos.
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Obrigado pelo esclarecimento sobre o Ney Braga!

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O Clube Pinheiros seria a Vila Olímpica do Boqueirão?
Não faço ideia. A Wikipédia tem um artigo. Seria no Água Verde?

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Só a título de curiosidade, o nome do restaurante é referência ao vagão-restaurante onde foi assinado o O Armistício de Compiègne (1918), que pôs fim aos conflitos da frente ocidental na Primeira Guerra.

Mais tarde, em 1940, Hitler obrigou os franceses a assinarem o acordo de rendição nesse mesmo vagão.
Ao fim da guerra, com a iminente invasão de Berlim, Hitler ordenou que a SS explodisse o vagão.
Interessante mesmo! O legal é que a fachada em nada lembra um vagão:



Já dentro...



http://www.circulandoporcuritiba.com...rmisticio.html

Simplesmente um reduto de políticos e intelectuais. Muito bons, como sempre, os desenhos do Poty.

OFF: Quero muito ver o documentário. Sempre ouvi ótimos elogios.
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Muito interressantes as imagens da Rua das Flores antes de virar calçadão!

Desataque para o semaforo da primeira foto.

Os trabalhos de drenagem feitos na Rua das Flores foram ótimos.
Essa rua sempre foi a alma de Curitiba. Pretendo, no futuro, escrever algo sobre (isso se já não houver um depoimento).
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Caramba, o tal do "vagão" ainda existe! haha

Eu não cheguei a pesquisar sobre o tema, pois nem me passou pela cabeça que o lugar ainda pudesse existir. Muito bacana o texto do link
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Creio que deve ser a sede da kennedy do Paraná Clube, a
vila olimpica do boqueiroa é dos anos 80.
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Originally Posted by FGB_curitiba
Caramba, o tal do "vagão" ainda existe! haha

Eu não cheguei a pesquisar sobre o tema, pois nem me passou pela cabeça que o lugar ainda pudesse existir. Muito bacana o texto do link
Eu já tinha visto essa construção em um livro, mas não me lembrava do nome. Até que está bem conservado.
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Old August 30th, 2012, 11:42 PM   #17
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Originally Posted by Ercoli_Ctba
Creio que deve ser a sede da kennedy do Paraná Clube, a
vila olimpica do boqueiroa é dos anos 80.
Parece ser mesmo, afinal o Paraná Clube foi formado pelos clubes Pinheiros e Colorado.
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Old August 31st, 2012, 01:52 AM   #18
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É disso que eu tô falando! Olha o tanto de coisa que o cara tem pra contar que fez em Curitiba, nos anos 1950 e sem toda a grana de impostos que geramos hoje. Veja quantas vezes ele fala que faziam por paixão à cidade, que não tinham hora pra terminar o trabalho, nem fim de semana...

Hoje a gestão pública brasileira é um lenga-lenga, um mantra de não querer se doar "porque não vai receber o que merece" como já vi dizerem por aí nesses tempos de greve. O que nós queremos é sim alguém que trabalhe por paixão, são técnicos que querem por seu nome na história da cidade e não fazer o que fizeram aqui nos idos da década de 80 (Requião). Um prefeito tem que inspirar as pessoas, ser um líder dos funcionários públicos, fazer com que as pessoas queiram trabalhar ali por paixão (embora digam que isso não exista mais, eu não só acredito como já vi muitos que são assim - eu tbm sou haha).

Talvez seja isso que nós e boa parte da parte pensante de Curitiba critica que falta hoje à cidade, essa visão de cuidado amplo, de que não é fazer "escola, creche e posto de saúde, trocar a frota de onibus e asfaltar 100km de rua" que a gestão será excelente. Falta ele começar a melhorar, fazer a mais além da manutenção que o crescimento populacional e envelhecimento material exigem.

Falta um cara incansável assim, que saiba das dificuldades, não fique reclamando pelos cantos. Arregaça a manga da camisa e mãos à obra!
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Old August 31st, 2012, 02:42 AM   #19
Acir Francisco
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Muito boa e entrevista do Ney, aliás este pessoal era bem enganjado parabens, e lindo o "vagão," eu era adolecente e fui com um grupo de estudantes a este "vagão", hoje está em melhor estado pois na época não tinha restaurado.
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Old August 31st, 2012, 03:55 AM   #20
gugadg
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Tudo muito bom. Ótimo thread. O estádio não pode ser onde hoje é o BIG da AV. Torres. Maravilhosa fota do alagamento.
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