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http://oglobo.globo.com/rio/morro-do...esgoto-6855247
Morro Dona Marta: primeira favela com UPP sofre com esgoto Moradores têm segurança, mas reclamam da falta de obras de infraestrutura ![]() RIO — Em 20 de dezembro de 2008, foi instalada, no Morro Santa Marta, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio. Desde então, a população comemora o fim dos intensos tiroteios na favela. Hoje, com 126 policiais na UPP, a comunidade passou a reclamar da interrupção de obras de infraestrutura no local. Na terça-feira, ao olhar para uma vala de drenagem lotada de esgoto e lixo, o turista alemão Toby Hair demonstrou sua frustração: — Esperava que uma comunidade que hoje é internacionalmente famosa estivesse em outro estágio de desenvolvimento — afirmou Hair. Veja também Veja galeriaFavelas com UPP mas sem infraestrutura Obras do PAC 1 na Favela da Rocinha estão paradas e são invadidas Moradias em áreas de UPPs têm menos de 20 metros quadrados População apela à UPP para resolver problemas cotidianos A insatisfação, é claro, também é local. Há sinais do pouco investimento em obras em todo o morro. — Disseram que, com a UPP, o estado se faria presente. Mas o governo esteve mais presente aqui entre 2004 a 2008, quando foram feitos o plano inclinado, os acessos, a drenagem e alguma coisa de esgotamento sanitário. De 2008 até hoje, a única obra relevante só começou em janeiro de 2012, quando começaram a fazer um prédio para realocar pessoas de áreas de risco — disse Itamar Silva, diretor do Ibase, entidade que, com a Fundação Getúlio Vargas, promoveu no morro o seminário “Favela é cidade: as UPPs, a proposta de pacificação e a polulação do Rio”, que terminou na terça-feira. Casas precisam de melhorias Na Dona Marta, há muitas casas que ainda precisam de melhorias. Uma delas, por exemplo, está construída em cima de um talvegue, onde se acumulam lixo, esgoto e ratos. As famílias que moram em casas de madeiras no alto do morro estão à espera da realocação desde 2008. Além da demora, elas reclamam do risco a que estão expostas. Jefferson Santos já viu seu barraco ir abaixo três vezes. Ele mora com a mulher Maria Eugênia e com os filhos João Vitor, de 11 anos, e Madaleine, de 4: — Quando chove aqui dá muito medo — diz Santos. O plano inclinado fica paralisado horas nas segundas e terças-feiras para manutenção. Segundo os moradores, o funcionamento é pior do que o dos trens da SuperVia ou do Metrô da cidade formal. Na parte da estrutura destinada à drenagem, o que se vê é uma mistura de lixo, em enorme quantidade, e esgoto ao longo de todo o trajeto. Presidente da Cedae, Vagner Victer disse que a drenagem poderia, sim, servir para levar o esgoto. Mas que, para que os dejetos não fiquem à vista, caberia à prefeitura fazer obras de adequação. Procurada pelo GLOBO, a Secretaria municipal de Obras informou que a Rio-Águas não faz intervenções em favelas. Por isso, a responsabilidade pela rede de águas pluviais no Dona Marta ou seria do estado ou da Secretaria municipal de Habitação. A Secretaria de Habitação, por sua vez, afirmou que não atua no Morro Dona Marta. E o governo do estado disse, através de uma nota oficial, que fez obras de infraestrutura no local, incluindo rede de esgoto, drenagem, distribuição de água e 1.500 ligações domiciliares, além da pavimentação de becos e vielas, durante a primeira fase do projeto de urbanização do Santa Marta. Segundo a nota, os recursos que garantiram estas e outras intervenções foram de R$ 27,7 milhões na ocasião. Já a Comlurb disse que o lixo tem sido recolhido com regularidade no Dono Marta. A empresa afirmou que, diante das reclamações, fará uma nova vistoria na comunidade. Para a líder comunitária Mônica Francisco, moradora do Borel, na Tijuca, as duas comunidades sofrem de problemas em comum: — As obras em favelas tocadas pelo poder público sempre tiveram como marca a descontinuidade e a falta de comunicação entre a população e os próprios governos. Serviços chegam lentamente Alice Rodrigues, outra moradora do Borel, faz coro às reclamações de Mônica. — Desde 2009, dizem que eu tenho de sair daqui — afirma Alice, que já teve a casa marcada pela sigla da Secretaria municipal de Habitação, mas continua morando no local. No Morro de São João, no Engenho Novo, vê-se outro exemplo da dificuldade da ação governamental ir à frente. Na localidade da Matinha, a UPP Social, coordenada pelo Instituto Pereira Passos, foi uma das mapeadas há exatamente um ano como um dos pontos mais degradados, onde só existem casas de madeira. — Estamos aqui na mesma situação — disse Marli Santos, desempregada, mãe de dois filhos, numa área onde a UPP chegou há quase dois anos. Para o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o processo de pacificação é atrapalhado pela descontinuidade das obras. — O que vai garantir que a violência não volte às comunidades não é só a presença da Polícia, mas sobretudo a entrada dos serviços básicos e a garantia dos direitos primordiais de cidadania, como o direito de ir e vir e de dormir sem ter que ouvir o som de tiros na sua janela. É preciso dar oportunidades e esperanças à juventude, para mostrar a essas comunidades que vale mais a pena ficar ao lado do Estado e da democracia, do que ao lado da ditadura do tráfico de drogas — disse Beltrame. Segundo ele, a segurança é só o primeiro passo: — A sociedade como um todo precisa entrar lá, acabando com a cidade partida. Os demais serviços públicos e privados estão chegando,estamos vendo isso, mas não na velocidade ideal para atender à urgência dessas comunidades. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/morro-do...#ixzz2DWKuUfh5 © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. ________________________________________________________________________ http://oglobo.globo.com/rio/favelas-...rutura-6847948 ![]() Funcionário com uniforme da Empresa de Obras Públicas do Rio (Emop) joga entulho em encosta da Favela Dona Marta / Custódio Coimbra / O Globo ![]() Criança à frente de casas de madeira, em área de risco, no Dona Marta / Custódio Coimbra / O Globo ![]() Morador do alto do Morro Dona Marta mostra a estrutura precária de sua casa de madeira / Custódio Coimbra / O Globo ![]() Jorge Sérgio diz que sua casa não oferece segurança / Custódio Coimbra / O Globo ![]() Morador do Dona Marta pede melhorias habitacionais na parte alta da comunidade / Custódio Coimbra / O Globo |
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