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Old December 24th, 2013, 07:27 PM   #1
ERVATUGA
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- Tópico das Artes -

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Tópico relacionado com tudo o que tem a ver com a conduta, habilidade, ciência, talento, ofício. Ou para ser mais claro a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias.


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Old December 24th, 2013, 07:28 PM   #2
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O enigma da orelha perdida de Van Gogh



É certamente insólito comemorar, como efeméride, a amputação de uma orelha. Completam-se agora 125 anos e o caso teria há muito caído no esquecimento se nele não estivessem envolvidos dois dos maiores pintores da História: Vincent van Gogh e Paul Gauguin.

A versão corrente deu o corte da orelha como uma auto-amputação do próprio van Gogh, levada a cabo com uma navalha de barba e com a intenção de fazer a uma mulher a oferta da parte amputada. E, com efeito, reza a história que van Gogh se apresentou a meio da noite de 23 de dezembro de 1888 à porta de um bordel de Arles, no Sul da França, com a cabeça ensanguentada, e quis entregar a orelha a uma das empregadas do bordel.

A homenageada desmaiou e van Gogh voltou a casa. No dia seguinte foi encontrado na sua cama, depois de ter perdido muito sangue e completamente amnésico sobre o sucedido na véspera.Tudo se atribuiu aos efeitos do álcool e a um acesso de loucura, que não era inédito no pintor. Van Gogh foi internado para tratamento durante vários dias.

Curado o ferimento, foi algum tempo depois internado, a pedido dele próprio, no hospital psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence. Van Gogh receava ser um perigo para outras pessoas e, além disso, acabou por adaptar-se no hospital, onde seguia diligentemente a terapia recomendada pelos médicos para doenças do foro neurológico que hoje não se sabe com segurança quais seriam.

Essa terapia consistiu em pintar, pintar muito e pintar aplicadamente. Durante um ano de internamento, van Gogh pintou 150 quadros e afirmou que se considerava na sua clausura "mais feliz do que poderia ser lá fora". Quando teve alta, van Gogh viveu menos de um ano: morreu de um outro acidente mal esclarecido, com 37 anos de idade.

No entanto, não é pacífica a explicação da perda da orelha como auto-mutilação.Uma outra teoria, defendida ao longo de um livro de 400 páginas, resultado de dez anos de investigação do historiador de arte alemão Hans Kaunfmann, sustenta que foi o pintor Paul Gauguin quem cortou a orelha de van Gogh e que terá sido depois protegido por este, com a alegada amnésia.

Van Gogh admirava o trabalho de Gauguin e convidou-o, com outros pintores, para participar no projecto de criar uma espécie de academia de pintura, com um domicílio e ateliers comuns, em Arles. Tudo seria financiado pelo irmão Theo van Gogh, marchand d'art relativamente próspero e muito protector do irmão Vincent, artista ainda então no estado de promessa com futuro incerto.

Gauguin aceitou a proposta, mas parece ter entrado rapidamente em rota de colisão com van Gogh. Cartas de Gauguin que ficaram para a posteridade dão conta da relação cada vez mais conflituosa entre ambos.

Na noite da amputação da orelha, Gauguin tinha, para o caso de se revelar pouco convincente a amnésia de van Gogh, o alibi de estar a caminho de Paris e de nada ter presenciado.

Mas a versão que o próprio Gauguin apresenta nas suas memórias, publicadas mais tarde, sem constituir uma confissão contradiz a versão inicial acreditada pela polícia: ele terá tido um conflito com van Gogh, que o terá ameaçado com uma navalha de barba. Gauguin tê-lo-á detido com um olhar severo, e van Gogh terá corrido para casa, para poder auto-amputar-se na privacidade do lar.

Ao fim de 125 anos, é evidente que uma das duas histórias está mal contada.

Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/index.php...=121&visual=49
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Old December 24th, 2013, 07:29 PM   #3
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Artista louco mas de grande talento.
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Old December 24th, 2013, 08:33 PM   #4
Lino
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van Gogh... excelente pintor. Genial.... tal como o surrealismo de René Magritte

(A Queda)

A tela é considerada uma das mais famosas do pintor, e nela ele expressa o espírito travesso de sua pintura surrealista. O quadro apresenta uma chuva de estranhos homens de chapéu-coco, que caem do céu com uma expressão absolutamente serena de quem não se abala com a improbabilidade do fato. Essa serenidade expressa a compreensão oculta do ser humano pela esquisitice terrena.

A composição é feita com tamanha nitidez que acaba por se parecer realista. Esse tipo de recurso destaca o amor surrealista pelos paradoxos visuais. Embora as coisas pareçam ser normais, é possível encontrar anomalias em toda parte.

A obra apresentada hoje possui uma estranha exatidão, coisa que o surrealismo atraía para si com frequência, por explorar a compreensão oculta do ser humano pelos acontecimentos improváveis do dia-a-dia.

Ficha Técnica – A Queda
Autor: René Magritte
Onde ver: The Menil Collection, Houston, Texas
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 81 cm × 100 cm
Movimento: Surrealismo

http://noticias.universia.com.br/tem...-magritte.html
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Força Portugal!!
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Old December 24th, 2013, 08:37 PM   #5
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Gosto muito do The Son of Man...

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Old December 26th, 2013, 10:02 PM   #6
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Old December 26th, 2013, 10:03 PM   #7
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SIC NOTICIAS APRESENTA





Obra Prima






São 13 episódios de apenas cinco minutos. Uma obra de arte e um museu todas as semanas. E muitas histórias.
Vai ser assim Obra Prima, o novo programa da SIC Notícias que é da autoria de Gabriela Canavilhas.

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/obraprima/
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Old December 26th, 2013, 10:03 PM   #8
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Obra Prima T01

Episódio 01


O Coche dos Oceanos


http://www.flickr.com/photos/machadobrazil/3006069201/


Entre todas as peças magníficas que constituem a maior coleção de Coches Reais no mundo e que fazem do Museu Nacional dos Coches o mais visitado do país, há um que se impõe: o Coche dos Oceanos.

Fazia parte do conjunto de 5 coches temáticos e 10 de acompanhamento que integraram o cortejo da Embaixada enviada pelo rei D. João V ao Papa, em 1716, como ponto alto da ostentação da magnificência do Poder Real, de quem dominava um vasto império..
No exterior a caixa aberta, dita à Romana, é revestida a veludo de seda vermelho, com aplicações bordadas a fio de ouro enquanto o interior está forrado a brocado de ouro.

O alçado traseiro desenvolve um trabalho de talha, provavelmente projecto de artistas portugueses ou estrangeiros residentes em Portugal e retrata um episódio da história marítima portuguesa, a ligação do Oceano Atlântico com o Oceano Índico, é glorificada por Apolo, ladeado pelas figuras da Primavera e do Verão, enquanto a seus pés dois Velhos, dão as mãos, simbolizando a ligação por mar entre dois mundos com a passagem do Cabo da Boa Esperança.

Entre 1995 e 1998 o coche foi profundamente restaurado. A intervenção foi feita, utilizando as técnicas da época, nas madeiras (esculturas, rodados e banqueta central), na douradura, nos têxteis (veludos, bordados, sedas, cortinas, almofadas), nos couros e nos metais.

O livro de Luca Chracas, escritor italiano que em 1716, relatou minuciosamente o acontecimento, as viaturas e seus aparatos, ajudou à fidelidade do restauro.


Este programa transporta-nos para o universo alegórico da peça e para um patamar de representação em que cada detalhe é um manifesto, cada composição decorativa da talha é uma mensagem poética.

http://www.museudoscoches.pt/Colecca...+-+dos+Oceanos



http://sicnoticias.sapo.pt/programas...he-dos-oceanos
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Old December 26th, 2013, 10:04 PM   #9
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Episódio 02

Adão e Eva


http://www.pbase.com/diasdosreis/image/145438601

A peça "Adão e Eva" identifica de imediato o traço do escultor açoriano Ernesto Canto da Maia, que marcou a escultura modernista portuguesa no início do Séc. XX. O par de figuras suspensas frente a frente, feito no ano de 1929 em terra policromada, revela a técnica da tradição mediterrânica e os detalhes do momento mais significativo das três grandes religiões do mundo: a tentação que quebrou a confiança entre Deus e a sua criatura.



http://sicnoticias.sapo.pt/programas.../05/adao-e-eva
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Old December 26th, 2013, 10:05 PM   #10
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Episódio 03

Traje à Vianesa



"O Museu do Traje de Viana do Castelo evidencia a identidade cultural de toda uma região: o Alto Minho. Este programa estuda o seu traje tradicional conhecido genericamente por "Traje à Vianesa", que é - no conjunto da sua diversidade - uma das maiores preciosidades da nossa cultural tradicional.

Por traje à vianesa entendemos o vestuário usado pelas raparigas das aldeias rurais próximas da cidade de Viana do Castelo que ganhou características próprias que o individualizaram em medos do século XIX e foi usado até inícios do século XX.
Estas características podem definir-se pela ousadia do seu colorido e pela enorme profusão de elementos decorativos que lhe conferem um aspecto exuberante. Estas características tornam-no único no panorama da indumentária popular em Portugal, sendo facilmente reconhecido e identificado com a região de origem.
Esta foi a principal razão de o traje se transformar num símbolo da identidade local.

O primeiro impacto do traje é de espanto pela sua beleza, mas não podemos esquecer que está integrado num contexto sócio cultural em que faz sentido: uma economia rural próxima da auto-suficiência, que recorria a trabalhos recíprocos, colectivos e gratuitos, com uma forte carga lúdica e de sociabilidade integrada.
Este contexto é a chave fundamental para compreendermos o traje e o relacionarmos com o ambiente em que era usado e fabricado: muitas vezes a mesma rapariga que cultivou o linho (e criou as ovelhas que deram a lã), foi quem o fiou e teceu e depois executou as peças de roupa que tingiu e decorou com bordados e outras aplicações. E não seria raro que fosse essa mesma rapariga a usar o traje, adaptando-o aos ritmos e momentos da vida rural de trabalho quotidiano, dos momentos de descanso, nomeadamente o dominical, e de festa, onde a rapariga se mostra orgulhosamente no seu esplendor.

Foi neste contexto que o traje evoluiu e desenvolveu as características que o individualizam e é por esta razão que é entendido como um espelho de um modo de vida tradicional e da identidade alto minhota.
"

http://cm-viana-castelo.pt/pt/mt-apresentacao




http://sicnoticias.sapo.pt/programas...raje-a-vianesa
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Old December 26th, 2013, 10:05 PM   #11
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Episódio 04

O Cortejo Triunfal com Girafas

Entre a colecção do Museu de Artes Decorativas Portuguesas impõe-se, de forma particular, a tapeçaria quinhentista "O Cortejo Triunfal com Girafas".
Sabemos que esta peça é uma das primeiras da série À Maneira de Portugal e da Índia, tecida em Tournai no início do séc. XVI, talvez inspirada numa encomenda de D. Manuel I. Para além da sua beleza, riqueza iconográfica e técnica de invulgar qualidade, estas peças marcam um momento fantástico da história da arte europeia, veiculado pelos Portugueses com os seus viajantes quinhentistas.

Este programa vai desvendar o cenário encantatório de uma possível África Oriental retratada na tapeçaria, onde a realidade e a fantasia se fundem no delírio alegórico dos tecelões flamengos.

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Old December 26th, 2013, 10:06 PM   #12
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Episódio 05

A Custódia de Belém


Por entre os sete séculos de preciosidades artísticas e de tesouros nacionais do Museu Nacional de Arte Antiga, há uma peça em particular que se destaca. Feita por Gil Vicente em 1506, a "Custódia de Belém"

Com o ouro do tributo pago por Quiloa, na costa oriental de África, que Vasco da Gama no regresso da 2ª viagem à Índia trouxe para Lisboa em 1503, D. Manuel I mandou lavrar esta Custódia que ofereceu ao Mosteiro de Santa Maria de Belém (Jerónimos).

A exímia construção progride através das três zonas que a constituem: a base recortada onde assenta a haste central em cujo nó sobressaem as esferas armilares, divisa do Venturoso rei; o corpo central, um hostiário cilíndrico e transparente, rodeado pelas figuras indivudualizadas dos doze apóstolos; o duplo baldaquino gótico flamejante que remata a peça e onde se vislumbra a figura de Deus Pai e a pomba do Espírito Santo.
Na face interna dos dois pilares laterais acolhem-se a Virgem e o Anjo da Anunciação.
Puramente arquitectónica e fortemente simbólica esta obra máxima de ourivesaria estabelece o elo entre o Velho e o Novo Testamento e transporta até ao presente a aúrea memória dos Descobrimentos portugueses.
Interpretando as fontes documentais e a obra literária de Gil Vicente, o célebre dramaturgo quinhentista, há autores que confirmam ser ele o autor da Custódia de Belém.

__________

. A mais famosa obra da ourivesaria portuguesa, quer pelo seu mérito artístico, quer pelo seu significado, foi mandada lavrar pelo rei D. Manuel I para o Mosteiro de Santa Maria de Belém dos frades Jerónimos.

A palavra custódia significa em latim guarda, e em linguagem sacra designa o vaso usado para guardar e expor à veneração dos fiéis o Filho de Deus, eucaristicamente presente na Hóstia Consagrada, em torno da qual, nesta peça prodigiosa, se ajoelham os doze apóstolos perfeitamente individualizados. Sobre eles paira uma pomba oscilante em ouro esmaltado a branco, símbolo do Espírito Santo, e, no plano superior, a figura de Deus Pai sustenta o globo do Universo, materializando-se deste modo, no sentido ascencional, a representação das três pessoas da Santíssima Trindade, o Novo e o Antigo Testamento.
Esta micro-arquitectura do gótico final, atribuível ao ourives/ dramaturgo Gil Vicente, é uma obra inultrapassável de virtuosismo técnico. Foi executada com o ouro das páreas – tributo do Régulo de Quilôa, em sinal de vassalagem à coroa de Portugal, trazido por Vasco da Gama no regresso da sua segunda viagem à Índia em 1503. Três anos levou Gil Vicente a lavrar e esmaltar os trinta marcos de ouro, que ‘AQVAB(O)V. E(M). CCCCCVI’ (1506), como se lê na legenda que corre em torno da base.
Não precisaria o ourives de escrever a sua legenda histórica na base desta custódia. As esferas armilares, divisa de D. Manuel I, que definem o nó, como que a unir dois mundos (o terreno, que se espraia na base e o sobrenatural, que se eleva na estrutura superior), surgem como a consagração máxima do poder régio nesse momento histórico da expansão oceânica, confirmando o espírito da empresa do Rei Venturoso e o propósito documental que o grande mestre teve em vista.



Revelamos neste episódio a grande carga dramática que tem sobre si, demonstrando como a arte pode ser um manifesto político e ideológico.
http://www.museudearteantiga.pt/pt-P...il.aspx?id=219


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Old December 26th, 2013, 10:06 PM   #13
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Episódio 06

Édipo e a Esfinge



Numa paisagem rochosa, Édipo, Οἰδίπους – cujo significado literal em grego é «pés inchados»,
– encontra-se nu, defronte da esfinge (a que curio- samente em francês e inglês é atribuído o género masculino, enquanto que na língua portuguesa, como no italiano, é dada preferência ao género feminino). Este monstro, com rosto e busto de mulher, corpo de leão e asas de pássaro encontra-se à sombra de uma gruta. Édipo apresenta a solução ao enigma que a esfinge lhe colocara. «Qual é o ser dotado de voz que anda com quatro patas de manhã, duas ao meio dia e três ao anoitecer?», Édipo responde que se trata do homem porque, enquanto criança, gatinha com todos os seus membros, em adulto anda com as duas pernas, e chegando a velho com a ajuda de uma bengala.

Em 1808, esta história foi objeto do trabalho de Jean-auguste Dominique Ingres, então artista pensionário na Villa Medici, em Roma. Com efeito, os artistas, pagos pelo governo francês, tinham como obrigação realizar obras e «enviá-las de Roma». Em 1827, Ingres retoma esta tela. amplia-a em três dos seus lados para aumentar a figura da esfinge e adicionar a imagem do companheiro do viajante, em segundo plano, e o estranho pé em baixo, à esquerda. O estudo académico tornou-se num quadro histórico, e foi doado ao Museu do Louvre, passando a fazer parte da sua coleção. Existem outras duas versões, uma delas conservada em Londres.

Em 1983, Francis Bacon, cuja obra se alimentou das obras de artistas clássicos, como Velázquez, reinterpreta a composição. «Édipo deixa de ocupar o centro da pintura, como em Ingres, sendo empurrado para a margem direita, e apenas uma parte permanece visível num centro que, de outro modo, permanece vazio: uma coxa e um pé, abundantemente envolvidos em ligaduras e exibindo duas feridas profundas e sangrentas. Enquanto que em Ingres Édipo domina, ocupando o centro, manipulando a esfinge com segurança, Bacon transforma o vencedor em perdedor» escreveu o crítico David Sylvester (Entrevistas com Bacon).
http://pt.museuberardo.pt/exposicoes/edipo-e-esfinge


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Old December 26th, 2013, 10:07 PM   #14
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Episódio 07

Biombo de Namban



Uma das peças mais raras do Museu do Oriente é o Biombo Japonês de arte Namban, realizado entre as décadas de 80 e 90 do Séx. XVI. O episódio revela os acontecimentos registados no "Biombo Namban": o encontro de culturas entre o Japão e a Europa que glorifica os modos e os costumes do povo japonês
O biombo namban do Museu do Oriente enquadra-se nos primeiros exemplares realizados ainda nas décadas de 80 e 90 do século xvi por elementos da escola de pintura japonesa Kano. Representa-se a nau do trato e a sua tripulação. As mercadorias transportadas e desembarcadas pelos batéis na praia incluíam sedas, brocados, peças de mobiliário de diversa proveniência, objectos lacados, cavalos da Arábia e outros animais oriundos de todos os cantos do mundo.

O cortejo, alvo do olhar atento dos habitantes locais, era composto pelo capitão-mor, fidalgos, mercadores, religiosos, escravos e intérpretes. Os acessórios incluíam lenços, rosários, apitos, e, talvez o mais espantoso de todos, os óculos, nunca antes vistos no Japão. Os escravos, maioritariamente de origem africana, surgem com roupas fabricadas em tecidos de algodão lisos ou com estampado geométrico, e escoltam os seus amos transportando mercadoria ou carregando os enormes pára-sóis.

Omnipresentes são os padres da Companhia de Jesus, com os seus longos hábitos negros e rodeados pelos autóctones, dirigindo-se ao encontro dos seus compatriotas europeus.

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Old December 26th, 2013, 10:08 PM   #15
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Episódio 08

Sem Título, 94-95



O Museu de Arte Contemporânea de Serralves coloca em confronto a arte portuguesa dos últimos 40 anos, onde estão representados os artistas que marcam a História da Arte em Portugal. Entre eles distingue-se o mundo transdisciplinar de Helena Almeida que faz dela uma artista profundamente original.

Expõe telas rasgadas à semelhança de Lucio Fontana (artista que marcou o início do seu percurso), telas com o verso voltado para a frente dando, assim, a ver o que tradicionalmente estava virado para a parede. A partir de 1975, Helena Almeida começa a explorar outras disciplinas como o desenho, a fotografia e o vídeo, encarando-os como meios para perceber a relação do corpo do autor com o espaço da obra. O corpo da artista torna-se o suporte da sua arte, passando a ser sujeito e objecto, não sob a forma de auto-retrato, o rosto aparece muitas vezes oculto, mas sim no sentido de «habitar a pintura», de se colocar dentro do seu trabalho, de ser a sua obra. Em 1977 na exposição Alternativa Zero (exposição marcante na arte contemporânea portuguesa) apresenta uma série de fotografias com elementos anexos à imagem, criando, desta forma, a ilusão da obra sair do seu lugar e entrar no espaço do observador.

A partir de finais da década de 70 Helena Almeida ganha reconhecimento internacional. Nos anos 90 a artista começa a utilizar a fotografia como meio de elecção para a criação artística, no registo de actos performativos, num espaço determinado – o estúdio que era de seu pai, o escultor Leopoldo de Almeida –, em que tenta ultrapassar os limites do seu próprio corpo. Os seus trabalhos ganham escala e cor – azul, vermelha ou negra, sempre carregada de significação – que pinta nas suas fotografias.
Helena Almeida reconhece o seu trabalho como pintura, utilizando a fotografia como médium para apresentar o resultado do seu trabalho artístico.
http://www.cam.gulbenkian.pt/index.p...ual=2&langId=1


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Old December 26th, 2013, 10:13 PM   #16
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Originally Posted by luisribeiro View Post
Gosto da iniciativa desse programa, mas confesso que esperava mais. É muito superficial!

Mas ainda assim fiquei muito agradado com a iniciativa.
Gostava que fizessem o mesmo com as obras portuguesas que triunfam em museus estrangeiros, como ºe o caso das tapeçarias encomendadas por D.Manuel para o Mosteiro dos Jerónimos que são a atracção de um museu nos "estates".


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Originally Posted by O Herético View Post
Também acho, até porque são só 6 minutinhos. É muito pouco.

Quanto às tapeçarias:

Quais?

Não encontrei nada...
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Originally Posted by luisribeiro View Post
Pouco se sabe sobre elas, aliás, pouso se sabe sobre o impressionante tesouro que recheava a sacristia e os altares dos Jerónimos. Alfaias, pratas, relicários, tapeçarias, livros... Eram tantas as peças! Desde que a igreja se tornou paroquial quase tudo evaporou. É triste!

O mesmo digo do Mosteiro de Alcobaça, acho que ninguém imagina como era o seu recheio... Quais mosteiros franceses ou italianos...

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Originally Posted by luisribeiro View Post
Vou ver o que consigo apurar e coloco aqui! Mas adianto-te que há uma série de tapeçarias, penso que francesas, encomendadas por D. Manuel I para o Mosteiro. que fazem parte integrante de um museu americano. Uma verdadeira jóia!
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Originally Posted by O Herético View Post
Então não são as de Pastrana?
Dignas de nota, só encontrei as 6 de Pastrana e a Tapeçaria Millefleurs.
Majestosas!
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Originally Posted by luisribeiro View Post
Sim são 6, mas não sabia que eram Pastrana. Manda-me o link.

A colecção de ourivesaria do mosteiro é que era impressionante. Resta quase nada!

Movido
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Old December 26th, 2013, 10:13 PM   #17
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Originally Posted by O Herético View Post
O roubo foi devido às invasões Francesas?
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Originally Posted by luisribeiro View Post
Esse não foi assim tão grave para a sacristia do Mosteiro. Quando a igreja deste se tornou paroquial de Belém as peças foram desaparecendo aos poucos.

Muitas delas, pensa-se, que estão na posse de colecções privadas portuguesas.

Quanto a Alcobaça, as invasões napoleónicas foram danosas, a razia foi quase total.

A extinção das ordens religiosas em Portugal fez com que muita coisa parasse em mãos alheias. A ourivesaria religiosa portuguesa era uma coisa sem semelhança nessa Europa.

Quote:
Originally Posted by luisribeiro View Post
Como se não bastasse, o Salazar também "derreteu" muita coisa, nem sei como a custódia de Belém escapou...
Movido.
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Old December 31st, 2013, 11:58 PM   #18
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O retrato com uma bela moldura comprado por 480 euros afinal era um Van Dyck que vale 480 mil

"Programa da BBC Antiques Roadshow ajudou a descobrir uma "obra-prima" de um dos mais importantes mestres flamengos do século XVII, comprada por um padre que gostou da sua moldura"


O padre britânico Jamie McLeod gostou da moldura, dourada, e comprou-a numa loja de antiguidades, dando pouca importância ao retrato de um homem barbudo que ela guardava. Custou-lhe 400 libras (480 euros). Agora, depois de uma visita da pintura ao programa de televisão Antiques Roadshow, que a BBC leva pelo Reino Unido para avaliar antiguidades que os espectadores tenham em casa, concluiu-se que era uma “obra-prima” do mestre flamengo Anton Van Dyck e que vale perto de 480 mil euros.

“É o sonho de qualquer pessoa descobrir uma obra-prima perdida. Encontrar um Van Dyck genuíno é incrivelmente excitante”, disse à Reuters Fiona Bruce, uma das apresentadoras do popular programa da BBC. Segundo a BBC News, Jamie MacLeod, que comprara o retrato numa loja de antiguidades em Chesire, levou em Junho de 2012 a pintura até Cirencester, em Gloucestershire, para o mostrar numa das edições do programa.

Fiona Bruce, que antes disso tinha estado a preparar um programa sobre o mestre flamengo com o perito Philip Mould — Van Dyck foi um nome muito falado no país este ano, porque um coleccionador que comprou um auto-retrato do pintor no Reino Unido por 15 milhões de euros e o planeava levar para o estrangeiro foi alvo de uma proibição temporária de exportação e de uma campanha que pretende mantê-lo no país —, viu-o e pensou imediatamente ter identificado um Van Dyck. Aliás, a moldura que tanto entusiasmou o padre ostentava uma placa com a letra A. Van Dyck. Segundo o diário Independent, pensava-se que seria uma falsificação de um Van Dyck.

Mould, que trabalha com o Antiques Roadshow, suspeitou também que tinha um original à sua frente e pediu ao padre que procurasse limpá-lo, livrando-o de camadas de tinta mais recentes, restaurá-lo e autenticá-lo. “Descobertas como esta são excepcionalmente raras”, diz Mould, citado pela BBC News.



A pintura foi então restaurada e autenticada por Christopher Brown, um dos maiores conhecedores da obra de Van Dyck e director do Museu Ashmolean, em Oxford. Esta é não só uma descoberta importante para o mundo artístico, sendo Van Dyck um dos mais importantes artistas do seu tempo, como a mais valiosa pintura identificada no Antiques Roadshow, que tem 36 anos de história e um público fiel.

O retrato em causa é de um magistrado de Bruxelas e pensa-se que seria um estudo de Van Dyck quando preparava em 1634 uma obra de maior dimensão que deveria representar sete magistrados mas que foi destruída mais tarde. Christopher Brown descreve a pintura agora descoberta como “um exemplo arrebatador” da mestria do pintor flamengo como retratista, exímio na observação directa, cita a Reuters. Van Dyck era um dos pintores residentes da corte inglesa no século XVII, talvez o mais importante da sua época, e retratou, entre outros, o rei Carlos I.

Agora, o padre MacLeod pensa vender o retrato para que as receitas da venda financiem o restauro dos sinos da capela do retiro religioso pelo qual é responsável em Derbyshire. “Tem sido uma experiência emocionante”, regozijou-se o padre, satisfeito com as “boas notícias”. O programa com toda a história foi transmitido este domingo — em Portugal, o Antiques Roadshow passa no canal BBC Entertainment, disponível nos serviços de televisão por subscrição.

http://www.publico.pt/cultura/notici...80-mil-1618049
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Old January 2nd, 2014, 02:26 AM   #19
O Herético
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Alguém viu o concerto de ano novo de Viena que passou na rtp?
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Old January 2nd, 2014, 02:56 AM   #20
Lino
'tou na lua...
 
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Belíssimo, as peças, os bailados, o excelente apontamento de humor na Marcha de Radetzky... imagino que os bilhetes sejam adquiridos com muuuita antecedência....
__________________
Força Portugal!!
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