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Old November 13th, 2017, 04:06 PM   #421
SR-71
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Julgava que o Observador era de Direita.
E é. Por isso o Lord não gosta
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Old November 13th, 2017, 06:34 PM   #422
1ºBoaz
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a 1º vez que cruzei-me com o Lord foi no extinto económico onde ele costumava comentar noticias
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Old November 13th, 2017, 11:36 PM   #423
ERVATUGA
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a 1º vez que cruzei-me com o Lord foi no extinto económico onde ele costumava comentar noticias
Voldemort?!?!?!
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Old November 14th, 2017, 12:49 AM   #424
Lord Farquad
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E é. Por isso o Lord não gosta
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a 1º vez que cruzei-me com o Lord foi no extinto económico onde ele costumava comentar noticias


O Observador é talvez o único jornal declaradamente de direita em Portugal (pelo menos que me lembre...). Não é que desgoste, apenas fiz uma lista da imprensa nacional que pode ser facilmente colada à direita.

Já agora Boaz, o Económico extinguiu-se e renasceu pouco tempo depois como Jornal Económico!

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Voldemort?!?!?!
Esse é de outro filme
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Old November 14th, 2017, 07:31 AM   #425
lmpanp
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Lord, o SOL é Angolano.
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"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição de riquezas, a vantagem do socialismo é a igual distribuição de misérias. "
Sir Winston Churchill
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Old November 15th, 2017, 03:51 PM   #426
Inconfidente
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Todos? A Veja parece ser de Direita. A forma como criticava o PT, a Venezuela e o Morales.
Pois parece que ultimamente tem se bandeado para a esquerda. Pelo menos é o que eu tenho lido na internet. Não costumo mais ler essas revistas semanais.
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Old November 15th, 2017, 05:54 PM   #427
xrtn2
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Todos? A Veja parece ser de Direita. A forma como criticava o PT, a Venezuela e o Morales.
A Veja fez uma troca no comando, entrou um esquerdista há alguns meses
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BRAZIL !
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Old November 16th, 2017, 06:51 PM   #428
Fred23
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O melhor blog à direita de notícias políticas no Brasil é www.oantagonista.com .
Outros jornalistas de direta razoáveis são o Reinaldo Azevedo (está bem decadente), e a Dora Kramer.
A revista Piuaí, ainda que tenha bandeado bastante para e esquerda, ainda faz reportagens interessantes, no estilo "The New Yorker".
No mais, para notícias gerais, tem O Globo, Folha de São Paulo, Estadão, e a Veja.
__________________
"Sem educação corremos o perigo, horrível e mortal, de levar a sério as pessoas educadas."

G. K. Chesterton
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Old November 17th, 2017, 03:10 AM   #429
Inconfidente
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Foice de São Paulo?
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Old November 19th, 2017, 01:43 AM   #430
Cidade_Branca
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Negros representam 71% das vítimas de homicídios no país, diz levantamento

Quote:
O levantamento mostrou que o abismo entre brancos e negros aumentou na última década. Entre os mortos nos homicídios registrados de 2005 a 2015, o número de brancos caiu 12%. E o de negros, aumentou 18%.
Quote:
Esta semana, um ator negro foi vítima de racismo e violência em São Paulo. Diogo Cintra, de 24 anos, ainda exibe as marcas da violência pelo corpo: pés, braços, rosto marcados pelas pauladas, socos e mordidas de cachorro. Cintra conta que voltava de uma festa da companhia de teatro na qual trabalha quando foi abordado por dois homens pedindo que entregasse o celular e dinheiro. Como estava perto do terminal de ônibus, ele correu para pedir apoio aos vigilantes do local.
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/no...ntamento.ghtml
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Old November 19th, 2017, 01:06 PM   #431
Lord Farquad
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Uma entrevista interessantíssima de 17 de Setembro, com enfoque para a influência da colonização portuguesa na tolerância racial que caracteriza a hodierna sociedade brasileira (em oposição aos EUA, Africa do Sul...) e unidade do território Brasileiro (em contraste com a América Espanhola...).

"No Brasil nunca houve um Ku Klux Klan"







Entrevista ao historiador brasileiro Ronaldo Vainfas feita no Rio de Janeiro, na qual fala da mestiçagem do país, de como D. João VI preveniu que houvesse muitos brasis, também sobre a relação entre a monarquia e a escravatura e ainda a atual situação política, lembrando que Dilma e Temer eram sócios.


Combinamos a conversa para início da tarde, nas Laranjeiras, um bairro na zona alta do Rio de Janeiro. Conheço o trabalho de Ronaldo Vainfas (Rio de Janeiro, 1956) pelos dois monumentais dicionários históricos que dirigiu, um sobre o Brasil colonial, outro sobre o imperial, mas na preparação da entrevista descubro que o historiador também coordena manuais escolares. Fica aqui a síntese da conversa com o professor da Universidade Federal Fluminense, na sua casa, onde os livros dividem espaço com as recordações de viagens.


Sei que é responsável por um manual de História usado pelos estudantes brasileiros. É fácil explicar o lugar do Brasil na história da humanidade? O Brasil tem alguma excecionalidade?


De facto, fiz com um grupo de colegas o manual para os estudos fundamentais da história do Brasil, para estudantes brasileiros. Isso já é um facto que traz as suas implicações: é preciso colocar a história do Brasil dentro da perspetiva histórica geral, que é o objetivo da obra. Então sobressaem os grandes temas da história geral, particularmente ocidental, motivo de muita polémica aqui. De todo o modo, pela própria inclusão da história brasileira na do Ocidente, essas conexões são mais valorizadas, não é? Claro que o Brasil tem um espaço um pouco mais saliente do que sua própria importância por tratar-se de um livro para brasileiros.


Mas de qualquer forma não é difícil para um historiador dar relevo a um país que é o maior da América Latina e o maior de língua portuguesa, uma potência influente no mundo, certo?


Certo. A história do Brasil é muito rica. Eu destacaria a formação histórica feita à base da mestiçagem étnica e cultural, que fez que o Brasil apesar de tensões, apesar de preconceitos, tenha conseguido construir um modelo de convivência entre identidades bem diferentes. E digo isso porque não é o que se vê hoje na Europa, por exemplo, que não tem essa bagagem cultural. Onde há dificuldade de conviver uns com os outros e onde surgem as xenofobias mais agressivas, não é? Os próprios Estados Unidos, espelho do que é próspero, que também têm um passado colonial, e que conviveram com imigrações e também possuíram a escravatura africana como uma das suas bases económicas, produziram, claro, uma civilização de inspiração liberal que garante os direitos e a cidadania das diversas minorias, mas não se pode dizer que é um país mestiço. O Brasil é.



Há pouco entrei numa igreja no centro do Rio em que estavam brancos,
negros e mulatos, toda a gente a rezar. Isto não é uma exceção, é mesmo o normal no Brasil?



Isso é o normal no Brasil.


Não há igrejas negras e igrejas de brancos como nos Estados Unidos?


Já houve no tempo colonial, para os antepassados dos nossos negros, claro, escravos já libertos. Nos tempos em que eram vigentes os estatutos de limpeza de sangue, nos tempos em que se distinguia cristãos velhos e cristãos novos, houve também outra tradição segregacionista, de origem ibérica, sobretudo castelhana, que Portugal herdou e que foi aplicada ao Brasil. Mas a sociedade atropelou esses estatutos, porque prevaleceu a miscigenação.


Quando se diz que os negros estão ausentes dos lugares de decisão política, isso não é desmentir a mestiçagem, porque ao nível da sociedade existe?


A nível da sociedade existe. No meu modo de ver, essa exclusão da maior parte da população hoje chamada de afrodescendente decorre de uma exclusão social. Isso vale para os pobres, no geral. Para os mestiços que são a maioria, para os afrodescendentes, para os brancos, ou supostamente brancos, que por serem pobres têm uma dificuldade muito grande de ascensão social, por conta da degradação da escolarização. Em outras palavras, no Brasil nunca ninguém foi impedido de entrar na universidade por ser afrodescendente, nunca no Brasil houve lugares nos ónibus, ou autocarros, exclusivamente reservados a afrodescendentes. Nunca houve bebedouros públicos, com água para brancos e água para negros. No Brasil nunca houve um Ku Klux Klan. Então existe uma discriminação? Existe. Uma discriminação quotidiana, que passa muito por uma cultura de deboche, de piadas. Existem discriminações um pouco mais rígidas, de ingresso aqui e acolá, mas não é isso que prevalece na história do Brasil.


Esta mestiçagem e esta facilidade do Brasil em lidar com as várias raças é um legado da colonização portuguesa?


É o legado da colonização portuguesa no Brasil. Com isso não quer dizer que, como Gilberto Freyre escreveu no seu tempo, o povo português tinha essa vocação, de abertura para o outro, e assim fez em toda a parte, o que não é verdade. Não foi assim que se deu a colonização em África, apesar de haver mestiçagem. Não foi também assim que se fez a colonização na Ásia, apesar de haver mestiçagem. Os índices de mestiçagem nas ações colonizadoras portuguesas nessas partes foram mínimos. O Brasil foi de facto ocupado, e inclusive por conta das proporções demográficas de géneros nessa grande aventura, a miscigenação é uma saída evidente.


Ou seja, o que está a dizer é que os portugueses tinham de arranjar uma mulher, fosse negra ou fosse índia, e foi assim que se fez o Brasil mestiço?


Claro, mas a preferência eram brancas, especialmente se fosse filha de fidalgos.


Há um outro fator único na história do Brasil, que é o facto de num determinado momento a capital de um império europeu se fixar no Rio de Janeiro, de haver uma corte que se muda da Europa, fugindo de Napoleão, e isto faz que o Brasil tenha vivido uma experiência que nenhuma outra colónia teve. Isso também marca aquilo que é o Brasil?


Marca em grande medida. Sobretudo porque a transferência da corte, a sua permanência aqui no que toca a D. João, de 1808 a 1821, e a regência que continuou com o seu filho depois imperador, permitiu um processo que Maria Odila Leite da Silva Dias chamou de interiorização da metrópole, não é? E o Rio de Janeiro, em particular, acordou nessa situação excecional de ser a sede do Império de Portugal. O primeiro legado desse período longo da permanência da corte foi a criação de condições para manter a integridade territorial da chamada América portuguesa. Porque a independência do Brasil foi dirigida pela corte portuguesa, pelo príncipe herdeiro. É um caso realmente único, em que a própria metrópole, através de um membro da sua dinastia, liderou o processo de emancipação. Eu não tenho dúvida de que o Brasil se teria partido em vários Brasis como a América espanhola se partiu não fosse o facto de a liderança do processo aqui ter sido da própria Casa de Bragança, que durante muito tempo foi estreitando os laços com as oligarquias regionais.


Quem concretiza esse processo é D. Pedro, mas atribui o mérito a D. João?


A atribuir o mérito a alguém, eu atribuiria, sim, a D. João VI, antes o príncipe regente depois o rei. Aliás, essa é uma peculiaridade nada desprezível. O Brasil foi o único país das Américas que teve um rei europeu aclamado no território colonial. Ele foi aclamado rei de Portugal à morte de D. Maria I no Rio de Janeiro, é realmente uma coisa que não se encontra em mais lugar nenhum.


Mesmo o estatuto de Reino Unido de Portugal e do Brasil também é único.


Também é uma coisa única. Isso foi feito em 1815 para, justamente, conseguir legitimar a representação portuguesa no Congresso de Viena.


Mas a sua convicção então é que sem este processo liderado por D. Pedro o Brasil teria uma série de revoltas republicanas e haveria vários países?


É um raciocínio contrafactual, mas é exatamente isso que estou aqui a defender, inclusive porque houve revoltas separatistas. Houve projetos republicanos.


Fala da Confederação do Equador?


A Confederação do Equador é um exemplo, preludiado pela Revolução Pernambucana de 1817. Houve outras logo no início do período imperial, regencial particularmente, quando saiu D. Pedro I e entrou D. Pedro II, que no Sul chegaram a fundar repúblicas.


O que é que traz a república ao Brasil quando é implantada? A sensação que tenho é que D. Pedro II era um imperador popular, não havia um sentimento republicano, mas uns militares decidiram fazer um golpe. Essa data de 1889 transforma o Brasil?


Transforma sobretudo pela cultura institucional. Pôs abaixo uma instituição governativa, que era a monarquia, que muitos antes da independência tinha--se já enraizado em todos níveis, inclusive no imaginário popular. Agora não foram só militares, já havia um desconforto em relação sobretudo à formatação política da monarquia, muito centralizada, que governava desde o Rio de Janeiro. Uma parte das elites brasileiras aspirava por um regime que permitisse que cada região escolhesse os seus governantes. Então nesse golpe de Estado havia um momento republicano que não era só militar, era também composto de civis, como jornalistas, advogados...


Mas que é mais federalista do que republicano, é isso que me está a dizer?


Entre os republicanos havia os que eram realmente antimonárquicos, eles queriam, digamos assim, aggiornare o Brasil, no campo constitucional, e havia os que eram mais federalistas e talvez se contentassem com uma reforma na monarquia. Então é um movimento que não é só um, é móvel, e vem germinando desde os anos 1870 e muito conectado com outro movimento crucial, que é o processo da abolição da escravidão.


Que foi muito demorado no Brasil, mais até do que nos Estados Unidos?


Demorou muito no Brasil, assim como a Casa de Bragança também durou muitíssimo no Brasil. Era a casa da metrópole e continuou a ser a casa da monarquia independente. Então esse desgaste da escravidão, cuja longevidade foi muito apoiada pela monarquia, também implicou num desgaste da monarquia. Não é acaso que a abolição tenha sido aprovada pelo Parlamento em 1888 e a monarquia tenha caído no ano seguinte. A abolição da escravidão contribuiu muito para essa deslegitimação de uma espécie de um antigo regime no qual a monarquia portuguesa estava incluída como cabeça. É claro que aí se colocaram os factos circunstanciais de última hora que precipitaram o movimento, como o problema da insubordinação das lideranças militares, certo desconforto da própria Igreja em relação à intervenção da coroa nos assuntos eclesiásticos e uma opinião pública urbana cada vez mais republicana, porque é aspirante a uma modernidade, à ideia de um ingresso do Brasil no mundo contemporâneo.


Aí está um bom mote para lhe perguntar sobre Brasil, País do Futuro. Quando o Brasil está numa boa situação económica, toda a gente usa esse livro de Stefan Zweig para dizer que se concretiza a previsão. Quando o Brasil está mal, toda a gente diz que o escritor austríaco se equivocou e o Brasil nunca há de ser o país do futuro. Como brasileiro, como historiador, é um otimista sobre o Brasil?


Em primeiro lugar, eu por princípio sou pessimista. E em segundo lugar, não sei se é papel do historiador fazer esse tipo de prognóstico. Sou um historiador profissional, se te conseguir explicar o que aconteceu já está muito bem, não é?


Então faço a pergunta de outra forma. Acha que o Brasil tem potencial para ser muito mais do que é hoje?


Acho que tem potencial, sim. Potencial económico, abundância de recursos naturais extraordinária e uma capacidade empresarial e empreendedora que já deu as suas mostras. Apesar desta crise não entrou em colapso total, não é?


Tem também um soft power poderoso, não é? Recordo-me de ler um artigo sobre os BRIC em que o articulista falava das vantagens do clima, das paisagens, da gastronomia, da música, de tudo o que era brasileiro. Ou seja, comparando com a China, com a Índia ou com a Rússia - e se calhar como português sou suspeito -, isto faz-me sentido. O soft power do Brasil é tremendo, certo?


Exatamente. Quanto a isso não há a menor dúvida. Esse tal país do futuro já poderia ter-se realizado há algum tempo. E já houve muita oportunidade. O que o Brasil não tem, e talvez condene o país a essa posição subalterna, é uma elite empenhada em atuar pela sociedade.


Quando está a falar da elite, não está a falar da elite política, está a falar de a elite ser capaz de dar políticos, é isso?


De fornecer políticos. E aqui não conheço políticos que constituam uma opinião forte. O Brasil tem elites intelectuais de primeira linha competitivas a nível internacional em várias áreas.


Elites empresariais também...


Tem elites empresariais, também. As elites políticas em particular é que foram com o tempo abastardadas. O que tem que ver também com a degradação do ensino público, porque os políticos não são alçados ao poder por escolha divina, mas pelo voto popular.


Então está a dizer que a degradação do sistema de escolaridade pública tornou menos exigentes os eleitores?


Não só os eleitores como os próprios eleitos. Eu sou do tempo em que ainda na ditadura - e a ditadura brasileira tinha os seus senãos - havia um congresso de primeiríssima linha, e falo de deputados e de senadores na oposição ou no governo, gente com formação cultural elevadíssima, de alto nível. E creio que esses congressos hoje iriam vetar a sessão que levou ao impeachment da Dilma - e estou longe de defender o PT e a Dilma. Todo um festival de arcaísmos nas declarações de deputados, de um familismo pedestre, um familismo porque eram todos "em nome da minha mãe, em nome da minha avó, da tia Zizinha não-sei-quê, voto sim ou voto não!" Não conseguem fazer a diferença entre a casa e a rua, entre o público e o privado, entre o que interessa a si e o que interessa à sociedade, o que é tremendamente agravado se um indivíduo tem um cargo público.


E acha que a sociedade brasileira neste momento está profundamente dividida com este processo, esta destituição de Dilma Rousseff, a ascensão de Michel Temer à presidência, todo este ciclo de corrupção, parece que os brasileiros só conseguem estar contra ou a favor de um dos lados. Essa divisão é muito forte neste momento?


Mediaticamente é fortíssima. Agora a profundidade dessa oposição é nula, absolutamente nula. Os que dizem "fora Temer" continuam, na grande maioria, é claro, há exceções honrosas, apegados àquele projeto pseudorrevolucionário socialista do PT. O motivo do socialismo já foi ultrapassado pela história há muito tempo, mas aparece em muitos outros países da América Latina, como é o caso da Venezuela.


Lula da Silva foi elogiado porque não cedeu à tentação de fazer um lulismo como Hugo Chávez fez o chavismo?


O Brasil é um país muito mais complexo do que a Venezuela. Aqui nem que quisesse. O Brasil é um país com uma classe média numerosíssima .

Então não considera os anos de Lula anos de esplendor do Brasil, mesmo com crescimento económico?


Absolutamente não. Apesar de que, em alguns campos, até no meu próprio campo, ou seja, o universitário, o governo tenha sido excelente, incentivou muita pesquisa estatal, multiplicou muito as universidades públicas, até por essa razão votei mesmo nele.


Em Lula?


Votei. E votei na Dilma também. Até tive alguma simpatia pela Bolsa Família, pela sensibilidade pessoal com esses pobres. Agora nada justifica o que essas lideranças fizeram, uma verdadeira quadrilha, não é, que se utilizou do poder para perpetuar-se e para enriquecimento pessoal. Eu acho uma piada que os órfãos do governo PT fiquem denunciando o governo Temer por isso e por aquilo. Ora, todas as operações que vêm sido levantadas por causa da Lava-Jato são do tempo em que o PMDB era sócio do PT. Eles são sócios! Ou eram sócios até esse divórcio Temer vs. Dilma. Eram sócios!
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Old November 20th, 2017, 12:29 AM   #432
dmferreirap
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É aquela velha piada quando há brasileiros a atacar Portugal em que se diz que Portugal é realmente tão mau que foi um Português que deu a independência ao Brasil.

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"Anoitece. Nas vielas e nas esquinas. Nas escadas e nas colinas. Nas calçadas feitas à mão e no bater do meu coração. Mas não me canso de percorrer, a cidade em que vim nascer. Onde o Mondego passa a correr.
É assim, esta Coimbra secular. Onde habitam todos os povos, de tantas raças, velhos e novos. A cidade mais luminosa. Bela, mágica, radiosa. De entre todas, a mais formosa. Coimbra, eu vou para sempre te cantar" - Adaptado

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Old November 20th, 2017, 02:48 PM   #433
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Não tenho esse antilusitanismo, mas sejamos sinceros. Dom Pedro IV declarou a independência do Brasil por que senão outro iria fazê-lo. O raciocínio da família real foi de que se o Brasil não pertencesse mais a Portugal pelo menos eles poderiam continuar no poder.
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Old November 20th, 2017, 07:07 PM   #434
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… Dom Pedro IV declarou a independência do Brasil por que senão outro iria fazê-lo. …
Favor de consubstanciar a sua afirmação com dados fidedignos e não meras suposições ou "estórias".

Antes de responder ajudo:
1. Atenção que o que declara é que no caso de D.Pedro não ter pronunciado a independência no meio de nenhures, cansado, sujo e em cima de uma mula fedorenta (nada de declaração epopeica de sabre em riste sobre lustroso cavalo branco como pintado no quadro!), outro o faria, obviamente um nobre do reino rebelando-se no que seria um acto de traição tendo como punição certa a morte. Posto isto, é lógico que nunca seria só um ou alguns uns, mas uma grande porção de nobres, logo um movimento.

2. A verdadeira e mais bem equipada tropa que a qualquer altura podia ter acabado com as veleidades nunca apoiou a independência e só não entrou em conflito sério por precisamente D. Pedro ser quem era (nada de ser por pressão do povo ou de outra tropa qualquer já que a que existia para além dessa era a do Paço, que era pouca e pouco armada). O seu comandante era o General Jorge de Avillez, a personagem esquecida a quem vocês devem realmente a independência naquela situação. Aliás, até há "estórias" brasileiras que o fazem passar por vilão. E saiba que ele sofreu e muito por isso, foi preso logo que chegou a Lisboa sob acusação de alta traição, e enfiado durante anos na Torre de Belém numa cela em que a água lhe dava pelos joelhos!
No entanto, ao invés dos brasileiros, o agradecimento de D.Pedro era tal que quando, já em Portugal, ganhou a guerra civil contra D. Miguel, o libertou e o fez Conde com o título de Grande de Portugal.

Desculpe, mas a vossa história é-vos contada de forma errada, quando não cheia de preconceitos.
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Old November 20th, 2017, 11:26 PM   #435
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Rússia anuncia restrições temporárias à carne suína e bovina do Brasil

Quote:
O serviço veterinário e fitossanitário da Rússia, Rosselkhoznadzor, anunciou nesta segunda-feira (20), em nota publicada no site da instituição, que vai impor restrições temporárias à carne bovina e suína do Brasil a partir de 1º de dezembro. Segundo o departamento russo, a medida se deve à detecção na carne exportada de substâncias como ractopamina e outros estimulantes para o crescimento da massa muscular dos animais.

"Infelizmente, o Rosselkhoznadzor é forçado a afirmar que, de acordo com os estudos laboratoriais, os estimulantes de crescimento banidos foram novamente detectados nos produtos de criação de gado que chegam à Rússia do Brasil em 2017", afirma.
A Rússia diz ainda que, "para regular a situação e obter informações confiáveis do lado brasileiro", o Rosselkhoznadzor enviou uma proposta ao Ministério da Agricultura, no dia 16 de novembro, para conversar o mais rápido possível. "No entanto, o diálogo com o lado brasileiro não ocorreu até o presente", diz o departamento russo.
https://g1.globo.com/economia/agrone...o-brasil.ghtml
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Old November 21st, 2017, 02:59 AM   #436
Inconfidente
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Favor de consubstanciar a sua afirmação com dados fidedignos e não meras suposições ou "estórias".

Antes de responder ajudo:
1. Atenção que o que declara é que no caso de D.Pedro não ter pronunciado a independência no meio de nenhures, cansado, sujo e em cima de uma mula fedorenta (nada de declaração epopeica de sabre em riste sobre lustroso cavalo branco como pintado no quadro!), outro o faria, obviamente um nobre do reino rebelando-se no que seria um acto de traição tendo como punição certa a morte. Posto isto, é lógico que nunca seria só um ou alguns uns, mas uma grande porção de nobres, logo um movimento.

2. A verdadeira e mais bem equipada tropa que a qualquer altura podia ter acabado com as veleidades nunca apoiou a independência e só não entrou em conflito sério por precisamente D. Pedro ser quem era (nada de ser por pressão do povo ou de outra tropa qualquer já que a que existia para além dessa era a do Paço, que era pouca e pouco armada). O seu comandante era o General Jorge de Avillez, a personagem esquecida a quem vocês devem realmente a independência naquela situação. Aliás, até há "estórias" brasileiras que o fazem passar por vilão. E saiba que ele sofreu e muito por isso, foi preso logo que chegou a Lisboa sob acusação de alta traição, e enfiado durante anos na Torre de Belém numa cela em que a água lhe dava pelos joelhos!
No entanto, ao invés dos brasileiros, o agradecimento de D.Pedro era tal que quando, já em Portugal, ganhou a guerra civil contra D. Miguel, o libertou e o fez Conde com o título de Grande de Portugal.

Desculpe, mas a vossa história é-vos contada de forma errada, quando não cheia de preconceitos.
"Antes seja para ti, que me hás-de respeitar, do que para algum destes aventureiros”

(1821 - D. João VI para o filho D. Pedro, preparando a independência do Brasil)

"Pedro, o Brasil brevemente se separará de Portugal: se assim for, põe a coroa sobre tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela". Segundo as memórias do conde de Palmela, de fato a independência brasileira teria sido realizada em comum acordo entre o rei e o príncipe.

Sendo rigoroso quem assinou a independência não foi nem Dom Pedro, mas Dona Maria Leopoldina.

Last edited by Inconfidente; November 21st, 2017 at 03:50 AM.
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Old November 21st, 2017, 03:18 AM   #437
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Sabia que Dom João IV não queria que o Brasil fosse rebaixado de Reino a Colónia como as Cortes (parlamento) constitucional de Portugal queria fazer mas tinha de se sujeitar. Sim, D. João foi melhor rei do que muitos julgam, seja cá ou aí.
Por tal não me admiraria nada que em dada altura não tivesse aventado a hipótese de secessão, ou mesmo combinado a mesma com D. Pedro se as Cortes despromovessem o Brasil.

Já o General Avillez, como comandante do exército real avisou e pressionou D. Pedro, mas acabou por não o atacar e destituir depois de conferenciar com ele. Esse general podia ter logo ali acabado com a vossa independência e se não o fez vocês até lhe deveriam ter erigido uma estátua e não o esquecer ou retratá-lo como uma peça sem importância.
Já nos vossos livros contam (aqueles que contam) que ele foi sitiado por um exército vindo do nada e que ele e todo o seu mais poderoso exército se renderam sem uma única refrega digna de registo, o que é uma rotunda invenção.

A história que vos ensinam desde a escola foi subtilmente alterada e imposta pelo Getúlio. Figuras e factos foram esquecidos ou minorados, outros relevados e Portugal culpabilizado até hoje como vilão.

PS: Ainda possuo encaixotados alguns vossos livros escolares de história, que (se a memória não me falha) vão dos anos 1968 a 1984.
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"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição de riquezas, a vantagem do socialismo é a igual distribuição de misérias. "
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Inconfidente
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Originally Posted by lmpanp View Post
Sabia que Dom João IV não queria que o Brasil fosse rebaixado de Reino a Colónia como as Cortes (parlamento) constitucional de Portugal queria fazer mas tinha de se sujeitar. Sim, D. João foi melhor rei do que muitos julgam, seja cá ou aí.
Por tal não me admiraria nada que em dada altura não tivesse aventado a hipótese de secessão, ou mesmo combinado a mesma com D. Pedro se as Cortes despromovessem o Brasil.

Já o General Avillez, como comandante do exército real avisou e pressionou D. Pedro, mas acabou por não o atacar e destituir depois de conferenciar com ele. Esse general podia ter logo ali acabado com a vossa independência e se não o fez vocês até lhe deveriam ter erigido uma estátua e não o esquecer ou retratá-lo como uma peça sem importância.
Já nos vossos livros contam (aqueles que contam) que ele foi sitiado por um exército vindo do nada e que ele e todo o seu mais poderoso exército se renderam sem uma única refrega digna de registo, o que é uma rotunda invenção.

A história que vos ensinam desde a escola foi subtilmente alterada e imposta pelo Getúlio. Figuras e factos foram esquecidos ou minorados, outros relevados e Portugal culpabilizado até hoje como vilão.

PS: Ainda possuo encaixotados alguns vossos livros escolares de história, que (se a memória não me falha) vão dos anos 1968 a 1984.
Gajo, com todo respeito, mas tirando essa importância que você está dando ao General Alvillez tudo que você está falando não passa hoje em dia do beabá da história brasileira para qualquer brasileiro que estudou em escola particular (perfil do usuário brasileiro do SSC).

Eu nem entendi o por quê de você falar isso tudo nesse tom defensivo pois não falei nada que jogasse culpa em Portugal por nada. Só comentei a posição da casa real em relação à independência na época. Tanto D. João quanto D. Pedro davam-na como inevitável.

Essa versão da história não tem nada a ver com Getúlio. Em todas as entrevistas da Família Imperial Brasileira eles repetem essa história. É contada muito antes do tataravô do Getúlio nascer. Não tem nada a ver com nada que esse ditador tenha tentado plantar na cabeça das pessoas.
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Old November 21st, 2017, 03:47 AM   #439
lmpanp
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Calma Inconfidente, calma!
E não estou de tom defensivo nenhum.


EDIT: P.S.: Entretanto não tinha visto que tinha editado e alterado o seu anterior post.

Se o tivesse visto o meu seria do tema diferente e, não, não estou a ser ou sou arrogante.
Menos, s.f.f
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Old November 22nd, 2017, 06:21 PM   #440
Celedu
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Originally Posted by Cidade_Branca View Post
Porque é que nao envias um email ao autor da noticia?



O texto do "Genocídio" em causa nao deixa de ser uma opiniao sobre a situação politica do Brasil escrita num dos jornais mais prestigiados do Reino Unido. Se achas que eles estao a mentir escreve ao The Guardian.

O outro foi no Al-Jazeera, canal noticioso, numa regiao liderada por Casas Reais Autocraticas...

Ambos sobre a situação politica do Brasil. Aqui em Portugal existe liberdade para escrever opiniões. Se queres deixar a tua opinião ninguém te censura.

Abre tu o Tópico Noticias do Brasil... Sempre podemos escrever sobre mais assuntos do Brasil.
Lembrei-me deste post.

__________________

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