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Old March 4th, 2010, 09:24 AM   #1
andersonteresina
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Entrevista Presidente Banco do Nordeste - "Ainda falta integrar o Nordeste ao Brasil"

Roberto Smith, presidente do Banco do Nordeste
"Ainda falta integrar o Nordeste ao Brasil"




Como os demais bancos públicos, o Banco do Nordeste fez a festa no ano da crise. As operações cresceram 50,9% em 2009 e devem aumentar 20% neste ano. Mas, apesar do crescimento do Nordeste, o presidente do BNB, Roberto Smith, reclama que a região ainda vai demorar muitos anos para se integrar e alcançar o desenvolvimento do resto do País. "As coisas não estão bem apontadas dentro de um direcionamento de longo prazo. Falta um melhor pensamento estratégico para o País", afirmou o executivo em entrevista à DINHEIRO.Smith vê o aumento do interesse das empresas em aproveitar o crescimento do mercado de consumo e garante que há boas oportunidades para as empresas, mas diz que os subsídios ainda são necessários para garantir a chegada desses investimentos ao parque produtivo.

DINHEIRO - A economia do Nordeste cresceu acima da média nacional nos últimos anos, impulsionada pelos programas de transferência de renda. Como isso afetou o Banco do Nordeste?

ROBERTO SMITH - Nós ainda temos uma estrutura industrial e exportadora bem mais atrasada em relação à média brasileira. Como esta crise afetou muito o mercado exportador, e a participação do Nordeste nas exportações é menor, a região acabou sendo menos afetada. Mas, embora a economia do Nordeste venha crescendo mais do que a média nacional, a melhora da participação do Nordeste no PIB brasileiro vem se dando em passos muito lentos. Estudos econométricos mostram que a convergência da renda nordestina em relação à renda brasileira ainda levará uns 80 anos.

DINHEIRO - Então a convergência não está sendo tão rápida?

SMITH - Não, ela é bastante lenta. Há necessidade de maiores recursos para que a gente consiga acelerar essa convergência.

DINHEIRO - O que deveria ser feito?

SMITH - Nem tudo depende do governo. O Nordeste está se manifestando como a última fronteira de crescimento da economia brasileira e é claro que os investimentos em infraestrutura são extremamente importantes. Mas falta também uma visão e um planejamento estratégico nacional contemplando as áreas regionais, buscando uma maior integração. Por exemplo, o governo está trabalhando firmemente na reestruturação ferroviária, o que é muito importante. Mas ela não está deixando o Nordeste mais integrado às outras regiões. A Transnordestina hoje sai de um ponto em Eliseu Martins, no meio do Piauí, para dois portos importantes no Nordeste, Pecém e Suape. Mas a integração Norte-Sul não está bem pensada. Ela acaba sendo drenada para Itaqui, no Maranhão, que é uma estrutura portuária hoje vinculada à lógica da Vale, e não à integração nacional.

DINHEIRO - Isso quer dizer que o Nordeste ainda não está integrado ao resto do País?


SMITH - As coisas não estão bem apontadas dentro de um direcionamento de longo prazo. Quando se pensa num investimento como a Transnordestina, já deveríamos pensar nos ramais ferroviários, a interface.

DINHEIRO - Falta o governo pensar num plano estratégico para todo o Brasil?

SMITH - Acredito que sim. Por exemplo, o turismo é sempre citado como um ponto importante da economia nordestina, e de fato é. Mas existem gargalos visíveis. O fato de não termos uma estrutura aeroviária regional é um forte impeditivo para um avanço no turismo. Enquanto não tivermos aviação regional, aeroportos e toda uma rede bem estruturada e um vigoroso processo de regulamentação, isso dificulta o processo de investimentos e decisões empresariais.

DINHEIRO - Por outro lado, houve muito investimento nos últimos anos.


SMITH - Não há queixa de falta de investimento, muito pelo contrário. Desde o início da crise, a demanda por investimentos até recrudesceu, o que nos surpreendeu. O BNDES teve um crescimento muito forte, mas muito concentrado, com o apoio ao Estaleiro Atlântico e os incentivos ao financiamento de máquinas e equipamentos com taxas de juros baixas. Isso só acelerou a tomada de decisões. Esse é mesmo o papel do BNDES. Já o Banco do Nordeste tem uma atuação mais capilarizada.

DINHEIRO - Esses investimentos não acabam resultando em investimentos menores, em cascata?

SMITH - Isso está ocorrendo e nós somos testemunhas disso. O banco está atendendo a esses investimentos menores. Sobretudo em infraestrutura, que permitem outros investimentos. O déficit em infraestrutura na região era muito grande e isso agora está mudando. O volume de operações do banco aumentou 50,9% no ano passado, de R$ 13,8 bilhões para R$ 20,8 bilhões. Para este ano estamos esperando um crescimento em torno de 20%. Esperamos aplicar na região ou contratar algo em torno R$ 25 bilhões.

DINHEIRO - De onde vêm os recursos?

SMITH - Temos um aporte do Tesouro de R$ 1 bilhão, prestes a ser aprovado no Congresso. Isso vai nos dar uma folga necessária no nosso índice de Basiléia para permitir esse aumento de operações. Tivemos uma capitalização no ano passado de R$ 600 milhões e mais R$ 1 bilhão este ano. É uma operação híbrida, de capital e dívida. E com esse R$ 1 bilhão podemos alavancar mais R$ 12 bilhões.

DINHEIRO - Existe uma demanda de crédito não atendida por falta de recursos?

SMITH - Não temos. Tememos que isso aconteça no futuro, mas por enquanto estamos conseguindo atender a todos os pedidos. Mas tem muita coisa grande surgindo por aí. Há perspectivas de investimentos grandes em estaleiros, energia eólica, e o banco vai estar presente nessas operações. Só o leilão de energia eólica deve gerar a necessidade de recursos de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.

DINHEIRO - E qual é o cenário para a região para os próximos anos?

SMITH - As perspectivas são muito boas. Existem gargalos tanto de infraestrutura quanto na área educacional, as perspectivas são de muito trabalho aí pela frente. Também ampliamos muito nossa atuação no mercado de capitais. Crescemos 340%, com operações de R$ 2,3 bilhões, o que nos coloca no oitavo lugar no ranking da Andima. E esse é justamente um dos pontos fracos. Para se ter uma ideia, das empresas registradas na Bovespa, só 4% são nordestinas. São apenas 20 de um total de 547. Estamos tentando incentivar as empresas a abrir capital e estruturar operações que possam dar apoio a operações de crédito. Tentando recuperar nosso atraso. É uma área que começou há apenas dois anos, mas o banco já se destaca como captador no mercado. Vamos fazer em breve uma captação internacional.

DINHEIRO - Qual o valor?

SMITH - Ainda não podemos revelar. Ainda estamos aguardando sinal verde do Tesouro.

DINHEIRO - Entre os Estados do Nordeste, onde estão as melhores oportunidades nos próximos anos?

SMITH - Temos o Rio Grande do Norte e o Ceará com destaque para investimentos em energia eólica. Temos alguns Estados com grandes investimentos em construção naval, como Alagoas e Pernambuco, mas o Ceará também tem um estaleiro de menor porte. O banco está num processo de crescimento, contemplando a micro e a pequena empresa. Temos mais de dois milhões de pequenas empresas. No momento temos quase 80 mil clientes e podemos crescer bastante.
O banco também vem se esforçando para se modernizar, com processos automatizados de avaliação de risco. Tivemos uma reformulação no ano passado, com segmentação de mercados e produtos.

DINHEIRO - O Nordeste sempre oscilou, nas últimas décadas, entre investimentos em turismo, que é considerado por muitos a vocação natural da região, e os investimentos em plantas industriais. O que está acontecendo agora? Qual é a vocação econômica do Nordeste?

SMITH - Acho que estamos assistindo à expansão do consumo que estava represado em função da má distribuição de renda, e esta irrigação tem atraído empresas que vêm se instalando no Nordeste. São indústrias de alimentos, vestuário e também de eletroeletrônicos. No caso do turismo, a Copa tem atraído investimentos na rede hoteleira, mas também em outros setores.

DINHEIRO - Em vez da "importação" do Sul, o Nordeste agora tem produção regional?

SMITH - Tem produção para consumo local e também para o resto do País e para o mercado exterior também. O Nordeste tem algumas vantagens para a exportação, com a saturação e dificuldade de acesso em alguns portos do Sul. Pode ser também uma oportunidade.

DINHEIRO - E isso já é sustentável sem incentivos fiscais ou ainda é preciso ter subsídios para atrair essas empresas?

SMITH - Os incentivos existem. O fundo constitucional ainda tem um diferencial de juros. O Nordeste ainda precisa de subsídios. Mas esses subsídios precisam ser tratados dentro de um horizonte temporal e ser concedidos de maneira que não gerem carências em outras pontas.

DINHEIRO - Mas a guerra fiscal, com redução de impostos, ainda é necessária para atrair empresas, ou o mercado de consumo já é suficiente?

SMITH - As duas coisas. O incentivo ainda é um coadjuvante.

DINHEIRO - A maior irrigação da renda e o consequente aumento do consumo mudaram o perfil econômico da região?

SMITH - Sensivelmente. Estávamos acostumados a todo mundo se queixando da vida, mas o que se percebe é que no meio popular os fatores que indicam melhoria estão lá. A falta de mercado interno no Nordeste é um drama histórico. Isso já começou a mudar, mas pode e vai mudar muito mais.

DINHEIRO - Há muitas oportunidades no Nordeste que as empresas ainda não perceberam?

SMITH - Há muitas possibilidades. Mas acho que nós podemos tratar aqui de uma estrutura mais adequada para os próximos anos. Com os novos investimentos já adequados também à questão ambiental.


Link: http://www.terra.com.br/istoedinheir...go163106-1.htm
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Old March 4th, 2010, 06:32 PM   #2
Fabius_
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Muito interessante, ainda que o Nordeste também seja carente de boas ligações rodoviárias com o Centro-Sul do Brasil.
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Old March 5th, 2010, 07:53 PM   #3
Fortal
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O futuro é promissor. Há muita coisa para ser feita ainda, espero que os governos futuros continuem dando a devida atenção para a região.
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Old March 5th, 2010, 10:12 PM   #4
Tiozão
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O Nordeste só agora com o governo Lula esta tendo a sua merecida atenção,quer goste do Lula ou não isto é fato!!!
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