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Old June 20th, 2014, 06:40 PM   #8021
Leozord
serrano sim senhor!
 
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Originally Posted by josinei View Post
Problema do mundo é que hoje ninguem mais sofre as consequências dos seus erros. Primeiro, todo mundo é vítima do sistema. Depois, sempre tem um governo para te garantir um seguro desemprego, uma creche, uma escola, saúde grátis e países imbecis para pagar a conta de outros países de irresponsáveis.
Tipo os países daqui da escandinávia?

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Originally Posted by Jdolci
hahaha.. Aí a gente vê que essa relação trabalho -> retorno, esforço -> ganho no país é totalmente desvirtuado quando voce escreve um post criticando essa cultura do país de glorificar o final de semana, e tratar a segunda e o início de uma jornada de trabalho como um suplício, uma tortura que somos obrigados a passar, e você recebe de volta um elogioso adjetivo de "poser e suas hipocrisias" .. porque ninguem gosta de trabalhar, o bom mesmo é tocar guitarra, viajar e transar...

Trabalho no Brasil é para perdedores...
Infelizmente isso é verdade e isso é uma das coisas que me incomodava no Brasil. Ser honesto é motivo pra ser alvo de chacotas. Se eu, quando venho de viagem, vou lá na alfândega e declaro por livre e espontânea vontade o meu laptop que comprei fora (e pago o imposto), meu Deus, é zoação até o fim da vida.

Até certos empregos - se você é um programador, matemático, engenheiro etc no Brasil, a galera já te olha até meio torto. Ah e é incrível como existe uma certa antipatia no Brasil se você é o cara que "não pega ninguém". Isso é bem bizarro e bem característico do BR (e vai demorar muito pra mudar, se é que vai).

Agora ser yellow block é bem longe de ser perdedor. Complicado.
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"frutos do mesmo chão, serrano e pinhão, não correm da guerra"

Santa Catarina, bela por natureza
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Old June 21st, 2014, 12:05 AM   #8022
Barriga-Verde
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Originally Posted by P@ssageiro_Cwb View Post
A julgar pelo resultado das eleições essa consciência não é absoluta posto que 43,39% dos votos em SC, 49,06% no RS e outros 44,56% no PR foram para o pão e circo petista. E num ano eleitoral, não sei se por cansaço ou desânimo, mesmo os que votaram contra em 2010 começam agora a buscar o conforto psiquíco de dizer que nada é tão ruim. É ruim sim e eu acho saudável não pregar o contrário sob o risco de se perpetuar os erros.



Bom, depois de tantos anos de triunfalismo petista onde se repetiu a exaustão nos quatro cantos do planeta que nós não tínhamos nada a aprender mas unicamente a ensinar ao resto do mundo, não surpreende que os gringos façam questão de mostrar as diferenças entre propaganda e verdade. Li Cunxin, em "Adeus China" também achava que vivia no melhor país do mundo antes de conhecer os EUA, e isso me lembra o dito de que aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira é simplesmente um criminoso, iguais aos que temos no congresso.
Entendi, então a questão é um maniqueísmo político, A x B. Bota na conta de todos nós. E em nenhum momento eu falei que isso aqui é uma maravilha ou que está bom da forma que está, muito menos iniciei uma discussão partidária. A crítica era em relação a postura da mídia estrangeira de apenas ressaltar os pontos negativos do país, a maior parte deles já bem conhecidos, como no caso ridículo da matéria de Porto Alegre. Se tem quem ache que isso é positivo e que essa imparcialidade é necessária para massacrar o país todo apenas por birra política, selo vergonha alheia pra eles.
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Old June 21st, 2014, 12:13 AM   #8023
Barriga-Verde
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Esse aspecto da matéria de Porto Alegre é emblemático. A cidade possui um nível de pobreza e renda aceitável até para um país desenvolvido periférico. Possui inúmeros museus e uma vida cultural interessante, uma infra-estrutura razoável etc. Enfim, mesmo tendo inúmeros problemas desponta da média nacional e não passa vergonha em termos sociais e econômicos. Aí vem uma TV mexicana (!!!) querer detonar a cidade, mostrando um terreno com lixo e falando "das mazelas brasileiras e blá, blá"? Por favor...
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Old June 21st, 2014, 02:30 AM   #8024
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Originally Posted by Barriga-Verde View Post
Esse aspecto da matéria de Porto Alegre é emblemático. A cidade possui um nível de pobreza e renda aceitável até para um país desenvolvido periférico. Possui inúmeros museus e uma vida cultural interessante, uma infra-estrutura razoável etc. Enfim, mesmo tendo inúmeros problemas desponta da média nacional e não passa vergonha em termos sociais e econômicos. Aí vem uma TV mexicana (!!!) querer detonar a cidade, mostrando um terreno com lixo e falando "das mazelas brasileiras e blá, blá"? Por favor...
Em se tratando de uma cidade que de fato tem muito a mostrar é uma pena a pauta estúpida, mas Barriga... TV mexicana? Who gives a shit? É o roto falando do esfarrapado com a diferença que em Porto Alegre não se decepam cabeças e penduram os corpos em pontes como no México, então deixe os jornalistas mexicanos procurarem lama para chafurdar que eles devem estar com saudade. Ainda assim, fique certo que os jornalistas mexicanos não são piores que os nossos e nem representam o país, o mexicano médio que eu conheço é muito gente boa e sabe que seu telhado é de vidro, não jogam pedras no telhado alheio e muito menos no Brasil, que eles adoram.
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Old June 21st, 2014, 02:48 AM   #8025
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Entendi, então a questão é um maniqueísmo político, A x B. Bota na conta de todos nós. E em nenhum momento eu falei que isso aqui é uma maravilha ou que está bom da forma que está, muito menos iniciei uma discussão partidária. A crítica era em relação a postura da mídia estrangeira de apenas ressaltar os pontos negativos do país, a maior parte deles já bem conhecidos, como no caso ridículo da matéria de Porto Alegre. Se tem quem ache que isso é positivo e que essa imparcialidade é necessária para massacrar o país todo apenas por birra política, selo vergonha alheia pra eles.
É, no fundo a questão é essa mesmo. Quanto a mídia estrangeira, sinceramente eu não me importo, não tenho mais orgulho do Brasil e nem da minha cidadania, por mim eles podem falar o que quiser. Se tiver tiroteio na Vila Pinto e eles quiserem fazer um link ao vivo com bala zunindo, que façam, se quiserem mostrar o gramado da Arena saindo aos tufos ou a escada do metrô do RJ prester a desabar, adelante. Eu não me importo.
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Old June 21st, 2014, 01:50 PM   #8026
josinei
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Originally Posted by Leozord View Post
Tipo os países daqui da escandinávia?
Me dá uma preguiça escrever sobre os países nórdicos. Já devo ter feito uns 50 posts sobre eles, mas vamos lá....

Pra começar é bom deixar bem claro que:
- Os países nórdicos ficaram ricos quando eram liberais, adotaram o welfare state após a segunda guerra, e desde então pararam de enriquecer/diminuíram sensivelmente o ritmo de enriquecimento.
- A Noruega é um ponto fora da curva, pois tem a maior reserva de petróleo per capita do planeta terra

Eles tem um cultura milenar de responsabilidade individual pelos seus acertos e erros --> feedback --> alteração do comportamento.

O Welfare state começou após a segunda guerra, atingindo o nível atual na década de 70. Na história destas civilizações isso é como se tivesse começado ontem.

nesse link tem a carga tributária como porcentagem do PIB desde 1965 (quando já estava bem alta): http://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=REV#

E os nórdicos, por terem essa cultura de trabalho e civilidade muito forte, são bem mais pragmáticos que nós em vários aspectos.
Apesar de terem uma carga tributária (um pouco) maior que a nossa, pra usar o SUS da Suécia tem que pagar a consulta, que deve ser uns 10~20 euros (mais do que eu pago de coparticipação na UNIMED). O governo dá vouchers para os pais escolherem escolas particulares para matricularem seus filhos. Eles não tem salário mínimo, entre outras regras trabalhistas muito mais flexíveis.

Isso faz com que, apesar do governo sugar muito, a alocação de recursos na economia não seja tão ineficiente quanto é no Brasil.

E o melhor de tudo: O governo da Suécia não tem déficits! Imagine quando um governante brasileiro vai gastar só que o arrecada. Na última crise eles cortaram o orçamento e zeraram o déficit.
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Old June 21st, 2014, 03:25 PM   #8027
Positronn
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A Austrália tem um welfare state e continua crescendo a boas taxas desde sempre (mas a carga tributária é bem menor). Na minha opinião, existe um nível mínimo de seguro obrigatório que as pessoas estão dispostas a pagar e que não prejudica sobremaneira a atividade econômica (caso australiano). Já no caso sueco, é nítido que a carga tributária sufoca a economia. É absurdamente improdutivo que alemães, por exemplo, paguem seguro-desemprego indefinidamente. Não veria problema se isso surgisse num arranjo privado (acho que seguro-desemprego deveria ser fornecido por instituições financeiras combinadas a agências de emprego privadas), mas quando esse tipo de política surge por parte do governo, temos 99% de certeza de que será uma política deficitária.

Os escandinavos, de maneira geral, são bastante pragmáticos mesmo. Existem, muitas vezes, serviços públicos e privados concorrendo, como no caso das escolas. Mas não gosto do viés governamental, por exemplo, das lojas de bebidas estatais suecas.

Last edited by Positronn; June 21st, 2014 at 03:33 PM.
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Old June 21st, 2014, 07:24 PM   #8028
Squibb
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a australia nem cresce tanto. cresceu na média pouco mais de 3% a.a. nos últimos 15 anos, mas com uma taxa de crescimento demográfico de 1.7%, ou seja, pouco mais de 1% no per capita, algo próximo ao brasileiro. é uma taxa boa para um país tão desenvolvido, mas não é algo excepcional. é normal.
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Old June 22nd, 2014, 02:49 PM   #8029
josinei
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A Austrália é um dos países desenvolvidos mais livres economicamente e com menor carga tributária, "somente" 26% do PIB.

Desta lista da OECD, só México, Chile, EUA e Coreia do Sul tem carga tributária menor que a Austrália.
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Old June 30th, 2014, 12:39 AM   #8030
josinei
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gazeta publicando citação de Hayek...

O confisco de armas, o caminho da servidão e nós, os teóricos da conspiração
Publicado em 29/06/2014 | BENE BARBOSA

Em seu espetacular livro O caminho da servidão, F.A. Hayek demostra com exatidão a importância de se conhecer o passado para se ter a nítida ideia de futuro. Escreve ele: “embora a história nunca se repita em condições idênticas, e exatamente porque o seu desenrolar nunca é inevitável, podemos de certo modo aprender do passado a evitar a repetição de um mesmo processo. Não é preciso ser profeta para dar-se conta de perigos iminentes. Uma combinação de vivência e interesse muitas vezes revelará a um homem certos aspectos dos acontecimentos que poucos terão visto”. Mas alguns veem, ainda que por isso sejam rotulados de paranoicos.

A criação, em 1997, de um cadastro nacional de armas de fogo no Brasil foi, para os mais atentos, um sinal de alerta. Afinal, na prática, para que serve um cadastro desses? A pergunta era simples, mas não foi feita; ou melhor, foi feita por poucos e ignorada pela absoluta maioria. A desconfiança, como verão abaixo, não era vazia, mas, ao contrário, fundada em amplos antecedentes históricos.

A Alemanha nazista, o Japão feudal, a extinta URSS, Cuba, Coreia do Norte, China, todos, em algum momento, fizeram alguma espécie de registro ou levantamento de proprietários de armas de fogo e, logo em seguida, as confiscaram, ao que se seguiram banhos de sangue, exatamente daqueles que, agora desarmados, ousaram levantar a voz contra a ideologia dominante.

Dentro dos exemplos citados acima, nenhum é mais agudo que o da Alemanha nazista. O artigo “Repressão nazista aos donos de armas”, de Stephen P.O. Halbrook, relata com precisão o ocorrido: “A Noite dos Cristais (Kristallnacht) -- a infame violência nazista contra judeus da Alemanha -- ocorreu em novembro de 1938. Foi precedida pela confiscação de armas de fogo das vítimas judias. Em 8 de novembro, o The New York Times informou de Berlim: "Chefe da polícia de Berlim anuncia desarmamento de judeus," explicando: "O presidente da polícia de Berlim, conde Wolf Heinrich von Helldorf, anunciou que, como resultado de uma atividade policial nas últimas semanas, toda a população judia de Berlim havia sido 'desarmada' com o confisco de 2.569 armas curtas, 1.702 armas de fogo e 20 mil cartuchos de munição. Quaisquer judeus ainda achados de posse de armas sem licenças válidas são ameaçados com a mais severa punição".

Descobrir quais judeus possuíam armas não foi difícil, pois a república liberal de Weimar aprovou uma lei, em 1928, que exigia o amplo registro de todas as armas de fogo e seus proprietários, lei essa que foi ampliada pelo próprio Hitler em 1938.

Mesmo governos bem intencionados -- se é que isso existe – foram vítimas dos tais cadastros nacionais de armas, entre eles a antiga Tchecoslováquia e a Polônia, que, uma vez invadidas pelas tropas germânicas, tiveram seus registros policiais coercitivamente usados para identificar os proprietários de armas e as confiscar -- além de, não raramente, fazer desaparecer no meio da noite alguns oponentes políticos.

Voltemos ao Brasil. Criado o cadastro de armas de fogo, todas elas tiveram de ali ser incluídas, renovando a validade de seus registros. Expirado, porém, o prazo de tal renovação obrigatória -- permeada de extrema burocracia, elevados custos, a possibilidade de a autoridade responsável simplesmente negar a renovação, além da desconfiança verdadeira sobre as intenções do governo --, aproximadamente 7 milhões de brasileiros que em algum momento compraram legalmente suas armas ou, de boa fé, aceitaram o convite de regularizar sua situação foram simplesmente jogados na ilegalidade e, subitamente, passaram a ser foras da lei. Vivem hoje com a espada de Dâmocles sobre suas cabeças e precisam optar por se tornar vítimas indefesas dos criminosos ou vítimas armadas da própria lei.

Eis que, no dia 25 de junho, chega-me uma matéria de um jornal do interior do Rio Grande do Sul, na qual se informa que a delegacia da Polícia Federal de Cruz Alta havia pedido apoio à Polícia Civil de Panambi, em uma operação voltada às armas consideradas irregulares pela não renovação de registro. O delegado, ouvido pelo jornal, deixa o recado claro de que há, na prática, duas alternativas: ou entregam suas armas para a campanha do desarmamento, ou terão as mesmas apreendidas e, por consequência, presos e indiciados serão os proprietários.

Podemos estar diante de um caso isolado? De um delegado que quer apenas mostrar serviço ou inflar a tal campanha “voluntária” de desarmamento na região? É possível, mas pouco provável. Há tempos vimos percebendo rumores sobre ações semelhantes no interior de São Paulo, de Minas Gerais e uma possível operação de grande porte em todo o estado da Bahia -- onde, aliás, delegados da Polícia Federal já negam sumariamente o direito de o cidadão comprar uma arma. Seja como for, é verdadeiramente assustador ver aqueles que em tese deveriam zelar pela segurança e reprimir a criminalidade imbuídos da profunda vontade de desarmar, não os que cometem crimes, mas aqueles que são vítimas dos criminosos.

Não há médico capaz de curar um doente com câncer se o mesmo for diagnosticado com gripe, da mesma forma que o paciente pode morrer se tiver uma inflamação e for tratado como se um blastoma tivesse. Urge a necessidade de que análises precisas sobre o desarmamento sejam feitas e divulgadas para que as pessoas tenham a verdadeira consciência de que não estamos lidando com simples erros na condução da segurança pública, e sim com algo absolutamente ideológico, perigoso e em algum momento irreversível. Do contrário, continuaremos a ser chamados de teóricos da conspiração, enquanto a grande massa seguirá, feliz, o caminho da servidão.

Bene Barbosa, bacharel em Direito, é especialista em segurança pública e presidente do Movimento Viva Brasil.
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Old July 1st, 2014, 09:54 PM   #8031
josinei
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países escandinavos

O mito do assistencialismo escandinavo reexaminado



Agora que Obama está definitivamente determinado a expandir a qualquer custo o assistencialismo nos EUA - ao mesmo tempo em que esse mesmo sistema entra em crise em alguns países da Europa -, é impossível não falar sobre os países escandinavos. Afinal, nenhum debate sobre assistencialismo estaria completo se não citássemos os países escandinavos como o perfeito exemplo de um como um estatismo em grande escala traz prosperidade.

Isso parece ser um verdadeiro enigma, mesmo para austríacos e outros libertários. Sendo eu próprio um cidadão sueco, frequentemente me pedem para explicar como realmente funcionam essas "economias-zangões" - que supostamente não seriam capazes de voar, mas voam.

Ao examinar a performance econômica de um país, é sempre bom dar uma olhada em sua história. Um conterrâneo meu, Stefan Karlsson, fez exatamente isso em 2006, escrevendo um excelente artigo sobre a história econômica da Suécia [artigo comentado em português]. Farei apenas uma pequena síntese desse tópico antes de me concentrar na questão central deste artigo.

Karlsson escreveu o seguinte:

Quote:
Como resultado de suas políticas de livre mercado, da engenhosidade e do empreendedorismo de seu povo, e de sua auspiciosa rejeição às guerras, a Suécia apresentou, entre 1870 e 1950, o maior crescimento da renda per capita de todo o mundo, tornando-se então um dos países mais ricos do planeta.
De fato, graças à sua "neutralidade" durante a Segunda Guerra Mundial, a Suécia nunca foi bombardeada ou invadida.[1] Isso possibilitou às indústrias suecas permanecerem intactas e incólumes, algo que, em conjunto com sua economia de livre mercado, possibilitou ao país lucrar intensamente com a reconstrução da Europa devastada pela guerra: a Suécia exportou enormes quantidades de bens e recursos naturais para o resto da Europa, estimulando um crescimento econômico no país que durou duas décadas.[2] Como Karlsson demonstra, durante esse período "a Suécia era ainda uma das economias mais livres do mundo, e os gastos governamentais em relação ao PIB eram, com efeito, menores que os dos EUA."

No rastro dessa expansão econômica, o governo sueco começou a instituir um maciço programa de assistencialismo estatal no decorrer da década de 1950, 60 e 70, fazendo com que os gastos governamentais explodissem para mais de 50% do PIB. Em um dado momento em meados da década de 70, a alíquota máxima do imposto de renda chegou a inacreditáveis 102%.

Um das pessoas sobrecarregadas por essa carga tributária era Astrid Lindgren, a famosa autora de livros infantis mais conhecida pela série Píppi Meialonga. Em 1976 ela escreveu um conto satírico que foi publicado em um dos maiores jornais da Suécia, no qual ela contava a história de uma inquieta autora de livros infantis chamada Pomperipossa, que vivia no reino fictício de Monismania. Dentre outras coisas, Pomperipossa questionava por que quanto mais ela ganhava, menos podia ficar com ela, e por que pessoas como ela estavam sendo economicamente punidas pelo governo simplesmente por escreverem livros infantis populares. O conto também relatava que, em Monismania, era possível evitar alguns dos impostos se você comprasse imóveis, que era exatamente o que ministro da fazenda sueco Gunnar Sträng vinha fazendo à época.

O conto de Lindgren provocou um ardoroso debate tributário na Suécia, e pela primeira vez em 44 anos o Partido Social Democrata, que sempre esteve no poder, perdeu as eleições gerais.

A economia sueca passou por enormes dificuldades ao longo da década de 70, principalmente porque as políticas crescentemente socialistas haviam provocado uma estagnação econômica, fazendo com que o país crescesse menos que o resto do mundo. Vários outros países europeus alcançaram a Suécia e seu monstruoso estado assistencialista, e passaram a superá-la economicamente.

Em um esforço para salvar a economia, o governo realizou amplas reformas e liberalizações ao longo dos anos 80 e 90, cortando impostos e gastos assistencialistas, abolindo monopólios estatais, desregulamentando, deixando o câmbio flutuar e permitindo mais alternativos privados aos serviços oferecidos pelo setor público.


As barras verticais representam a liberdade econômica da Suécia ao longo do tempo,
mensuradas pelo índice da Heritage. A linha horizontal representa a média mundial ao longo do tempo.


Esse aumento na liberdade econômica está parcialmente ilustrado na figura ao lado, fornecida pelo Índice de Liberdade Econômica anual da Heritage Foundation. O índice da Heritage classifica os países do mundo de acordo com sua liberdade econômica geral. Eles são avaliados em diversas variáveis, incluindo tributação, inflação de preços, tamanho do governo, liberdade do mercado de trabalho, liberdade de comércio etc. Karlsson criticou a antiga metodologia do índice em 2005; porém, desde então, o índice foi significativamente aprimorado, como o próprio Karlsson reconheceu em 2007. Embora o índice ainda esteja longe da perfeição, ele faz um bom trabalho ao comparar a liberdade econômica geral de cada país.
O índice também revela um ponto crucial: há uma impressão equivocada, muito difundida pelas esquerdas, de que os países escandinavos são praticamente cubanos em termos de liberdade econômica, enquanto que o resto do mundo desenvolvido (particularmente os EUA) é bem mais orientado para o livre mercado. Entretanto, a realidade é que os países escandinavos estão entre as 10 (caso da Dinamarca) e 20 (Finlândia e Suécia) economias "mais liberais" do mundo, não obstante seus enormes estados assistencialistas.

Como demonstra o índice da Heritage, Dinamarca, Finlândia e Suécia têm mais liberdade econômica que a maioria de seus congêneres europeus, incluindo Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Espanha, Portugal e Grécia. Embora seja verdade que os países escandinavos tendem a ter impostos maiores e gastos governamentais mais altos que a maioria dos outros países europeus, estes tendem a ter mais regulamentações e sistemas jurídicos menos transparentes e eficientes, o que cancela os efeitos positivos propiciados pelos impostos mais baixos.

Se compararmos o país ocidental mais livre do índice, que é a Austrália, com o país escandinavo menos livre, que é a Noruega, a disparidade é de 13,2 pontos - ou de 16% a favor da Austrália. Se compararmos a Austrália com o país mais livre da Escandinávia, que a Dinamarca, a diferença cai para apenas 4,7 pontos - ou 5,7%.

Outra mensuração que revela um padrão similar é o Índice do Ease of Doing Business Index (Facilidade de se Fazer Negócios), que avalia a quantidade de burocracia e regulamentação que é preciso tolerar para se abrir e gerenciar um negócio em um país qualquer. Neste, também, os países escandinavos aparecem entre os 10 (Dinamarca e Noruega) e 20 (Finlândia e Suécia) primeiros, sendo que normalmente o maior fardo que apresentam são suas legislações trabalhistas mais rigorosas.

A Dinamarca tende a aparecer melhor em ambos os índices em relação aos seus vizinhos escandinavos, principalmente graças à sua legislação trabalhista bem mais flexível. Com efeito, por mais surpreendente que pareça, a Dinamarca está lado a lado com os EUA no atual índice da Heritage. Dinamarca e EUA aparecem em #9 e #8, respectivamente. Em janeiro deste ano, o governo dinamarquês cortou a alíquota máxima do imposto de renda, reduzindo de espantosos 60% para (ainda espantosos) 50%. Isso será computado no ranking da Heritage do próximo ano, no qual a Dinamarca provavelmente irá trocar de lugar com os EUA.

É claro que de maneira alguma os países escandinavos são livres só porque pontuam relativamente bem nesses índices; contudo, eles são mais livres do que maioria dos outros países, algo que também explica por que eles tendem a ter um padrão de vida mais alto. É simplesmente por isso que os estados assistencialistas escandinavos parecem "funcionar bem": porque a maioria das alternativas é ainda pior; e, em terra de cego, quem tem só um olho é rei.

Conclusão

Embora os países escandinavos apresentem uma quantidade extremamente alta daquilo que Rothbard classificou como intervenção binária - isto é, tributação -, seu ponto forte é sua quantidade relativamente mais baixa de intervenção triangular - isto é, regulamentação. Isso coloca os países escandinavos no mesmo nível de competitividade de outros países desenvolvidos, e ajuda a explicar por que eles são capazes de apresentar um padrão de vida equivalente ou até mesmo maior. O juízo falso de que os outros países ocidentais são muito mais voltados para o livre mercado do que a Escandinávia é algo desastroso, pois alimenta a ideia de que uma maior expansão governamental nesses países traria felicidade e euforia para todos, quando na realidade isso só pioraria as coisas.

Entretanto, a principal conclusão de tudo isso é que, no mundo todo, a liberdade está tão ausente, que mesmo os enormes estados assistencialistas da Escandinávia podem ser considerados como estando entre os países "mais livres" do mundo. Ao passo que as coisas têm geralmente se encaminhado para a direção correta na Escandinávia em termos de maior liberdade econômica, o exato oposto parece estar ocorrendo em vários outros países, especialmente nos EUA. Considerando que este já caiu para o mesmo nível da Dinamarca em termos de liberdade econômica, é de se imaginar quanto tempo levará para que encoste na Finlândia, na Noruega e na Suécia.
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Old July 2nd, 2014, 03:12 AM   #8032
Skybord
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Eu entendo que a lei do desarmamento vai contra a liberdade do cidadão e que proibir ou mesmo desencorajar alguém de ter uma arma simplesmente por vontade ou que seja, ideal de um governo é errado. Sou totalmente a favor de que cada pessoa decida o que deve ou não ter e o que fazer com o que tem.

Agora dizer que uma população desarmada é uma população indefesa e que isso vai fazer com que o governo tenha todo o controle da população e comparar com o estado nazista é ser muito raso em uma dissertação. Porque ele não cita o exemplo do Reino Unido que proíbe totalmente a posse de armas?

Na minha opião o direito a posse livre de armas não diminui os índices de violência assim como a total proibição também não influi diretamente sobre esse quesito.
__________________
Por um trânsito mais seguro apoie:http://naofoiacidente.org/blog/assine-a-peticao/
Por um país melhor: http://www.euvotodistrital.org.br/
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Positronn
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A verdade é que o banditismo continua com ou sem cidadãos armados, eles no máximo mudam de tática, considerando a justiça e legislação fracas do Brasil. Os bandidos continuarão armados em qualquer hipótese no Brasil. No Reino Unido, o controle de armas realmente funciona, e há um (relativamente) elevado índice de tentativas de homicídio, principalmente com facas (ou seja, se todo mundo tivesse armas, o índice de assassinatos seria maior). Por aqui, a coisa só vai mudar de figura (mesmo) quando houver duas coisas: alta incidência e eficácia nas punições. Não dá pra relegar todo o trabalho de evitar crimes apenas na educação, porque isso levará décadas. O bandido tem que fazer o cálculo mental, antes de praticar um crime, e perceber que não haverá recompensa, pois a chance de ser pego é muito grande e a pena, muito elevada. De qualquer forma, acho razoável que principalmente a posse de armas de menor calibre seja simplificada no Brasil.
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