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Old January 23rd, 2010, 04:54 AM   #1
gmzeni
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Um pouco da história demográfica do Rio



Amigos,

Tentei fazer um resumo da história demográfica do Rio, que é muito interessante. Desde o século XVIII sofremos com a falta de espaço e vamos empurrando a cidade para o oeste...
Peço que façam correções e acréscimos no que acharem necessário!

O Rio era dividido não em bairros, mas em freguesias. As freguesias eram as áreas de abrangência das paróquias, e como os sacramentos valiam como registro civil, acabaram virando, além de divisões eclesiásticas, delimitações administrativas. O conceito de bairro, no Rio, só foi aparecendo da década de 1830 em diante, mas as freguesias só perderam sua importância referencial quase cem anos depois.

Até a década de 1870, as freguesias urbanas eram as seguintes:
SÃO CRISTÓVÃO: correspondente a praticamente o mesmo território do bairro atual;
SANTANA: Cidade Nova e Santo Cristo;
SANTA RITA: Gamboa e Saúde;
Nossa Senhora da CANDELÁRIA: região da atual Praça Mauá;
SACRAMENTO: miolo do Centro, como Praça Tiradentes, Saara e Cruz Vermelha;
SÃO JOSÉ: Castelo;
SANTA LUZIA: Castelo, Misericórdia, Cinelândia;
SANTO ANTONIO: largo da Carioca, Lapa e Bairro de Fátima;
Divino ESPÍRITO SANTO: partes do Estácio e Catumbi;
São Francisco Xavier do ENGENHO VELHO: Tijuca, Maracanã, Vila Isabel, Grajaú e Rio Comprido;
Nossa Senhora da GLÓRIA: Cosme Velho, Laranjeiras, Catete, Glória e Flamengo;
São João Baptista da LAGOA: Botafogo, Humaitá, Copacabana e Leme;
Nossa Senhora da Conceição da GÁVEA: Jardim Botânico, Gávea, Lagoa, Ipanema, Leblon, São Conrado, Joá.

Até a chegada da família real, em 1808, todos viviam no Centro da cidade; as classes sócio-econômicas se misturavam muito, mas as melhores freguesias eram Santo Antonio, Sacramento e São José. Os mais pobres viviam no Mata-Porcos, via entre Santo Antonio e Espírito Santo, hoje Mem de Sá / Salvador de Sá.

Com a chegada da família real, Elias Antonio Lopes, comerciante português proprietário de uma Quinta em São Cristóvão, doou sua residência ao então Príncipe-Regete D. João. Isto fez com que a nobreza da terra e de Portugal se instalasse ou construísse palacetes na área. São Cristóvão virou o primeiro bairro nobre do Rio, e tal condição perdurou até meados da década de 1870 - o bairro acompanhou a decadência da Monarquia.

Por outro lado, D. Carlota Joaquina se estabeleceu na freguesia da Glória, na localidade de Laranjeiras. Isso levou muitos nobres e proprietários ricos, sobretudo estrangeiros, a se instalarem em chácaras na região de mata exuberante, nos atuais Catete, Laranjeiras e Cosme Velho. A atual Glória passou a sediar palacetes, em ambiente mais urbano. As regões supracitadas do centro continuavam valorizadas, e o grosso do comércio e dos serviços - sofisticados e essenciais - continuava lá.

A partir da década de 1850, a aristocracia cafeeira começou a ocupar grandes chácaras no Engenho Velho (que tinha, então, o melhor clima da cidade), que era "feudo" das famílias Mesquita (Barão de Mesquita, Conde de Bonfim, Barão de Itacuruçá) e Souza (Barões do Andaraí). O próprio Duque de Caxias vivia em um palacete onde foi a Mesbla e hoje é um supermercado Sendas, na rua Conde de Bonfim. Engenho Velho, São Cristóvão e as freguesias do Centro eram os locais que concentravam as famílias tradicionais, de nobreza velha.

Os novos ricos, que já ocupavam principalmente o Catete e a Glória, começaram a se mudar para um antigo bairro de pescadores, totalmente urbanizado e planejado na década de 1880: Botafogo. Palacetes em estilo francês em centro de terreno (terrenos urbanos, e não chácaras como no Engenho Velho), quarteirões bem definidos e quadrados, ruas pavimentadas, calçadas largas e ajardinadas, belos e exuberantes jardins na orla do bairro... Tudo enunciava a Paris dos Trópicos que viria nos primeiros anos da República.


1889, Proclamação da República. A Família Imperial é enxotada, a grande nobreza já é decadente. Os grandes comerciantes, joalheiros, médicos e industriais se firmavam como a nova elite do Rio. Vão se mudando aos poucos todos para Botafogo, bem como as família tradicionais remanescentes (que ainda não haviam se mudado para o vizinho aristocrático, o Flamengo, onde pululavam palacetes novos mas ainda não havia a noção de centro de terreno e calçadas), sepultando aos poucos São Cristóvão e o Engenho Velho. O Catete também toma novos ares com a compra do palacete do Conde de Nova Friburgo, Antonio Clemente Pinto, para servir de nova sede do Governo; com isso, grande parte dos políticos passa a morar nas proximidades do Palácio. A Glória decai, e vai se transformando em bairro intelectual e boêmio.

Na década de 1920, o carioca já se esqueceu das freguesias e os bairros já "pegaram"; se inicia a ocupação efetiva de Copacabana e Ipanema. Estrangeiros e visionários, de famílias antigas ou não - mas em geral todos endinheirados - vão construindo casarões no areial. Copacabana já nasce luxuosa, tradicional, com o Copacabana Palace e o Edifício São Lélis, na esquina de Atlântica com Barão de Ipanema - um edifício de veraneio para Generais. Na década de 1930, a Medicina começa a sugerir banhos de mar como terapia: é a deixa para que o Engenho Velho migre, em massa, para a Princesinha do Mar, que na década de 1940 já é o mais verticalizado dos bairros cariocas.

Nas décadas de 1940 e 1950, São Cristóvão é decadência total. Rio Comprido, seu substituto, ainda é um bairro bucólico, escondido; preferido dos alemães e ingleses, tem um perfil mais urbano e menos aristocrático que o Engenho Velho, tendo dado lugar, por isso, a uma classe média crescente. No vizinho mais nobre, enquanto isso, as casas pouco a pouco são derrubadas e surgem os primeiros edifícios de apartamentos. Vila Isabel também desponta como bairro de classe média. Com o tempo, Rio Comprido e Vila Isabel estendem sua natureza ao vizinho ex-aristocrático, pululando edifícios e demolindo casas em ritmo acelerado.

Com o auge de Copacabana, Botafogo entra em colapso; não tem o charme do vizinho Flamengo, muito menos o encanto da Praia oceânica. Mingua. Expia sua condição até fins da década de 1990, quando começa a se reerguer. Vira lar de cabeças-de-porco, edifícios com centenas de conjugados - um pouso na Capital Federal para a classe média do Brasil a fora. Enquanto a avenida Rui Barbosa despontou como enclave de prédios de luxo desde a década de 1930 e nunca perdeu seu status, só dois edifícios assim foram construídos na Praia de Botafogo: o Caparaó e o Corcovado, ainda hoje lares de muitas famílias tradicionais do Rio.

Em 1960, Ipanema começa a ganhar charme, quando uma certa garota seduz Vinícius e Tom...Daí em diante, todos conhecem bem a história!

Last edited by gmzeni; January 23rd, 2010 at 02:17 PM.
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Old January 23rd, 2010, 07:26 AM   #2
FP
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Isso é algum tipo de discriminação ao subúrbio já no século XIX?

Todas estas freguesias urbanas se alimentavam graças ao que era produzido nas demais freguesias. Elas também possuíam importantes engenhos de açucar, que funcionavam graças ao trabalho escravo, que, com o tempo, desapareceram da paisagem. Muitos nomes destes antigos engenhos, entretanto, estão presentes no imaginário dos cariocas até os nossos dias.

No local do Engenho do Portela, que já consta nos mapas em meados do século XVIII, surgiu a Estrada do Portela, entre Oswaldo Cruz e Madureira. Mais tarde, o nome da estrada inspirou a escola de samba local. Desta forma, o nome "Portela" está presente no Rio de Janeiro há quase 300 anos.

Por falar em Madureira, o bairro é um bom exemplo de como o trem modificou a região. Após o declínio dos Engenhos e das fazendas locais, a chegada do trêm permitiu a ocupação das antigas regiões. O primeiro nome da estação da linha auxiliar, também conhecida como Magno (mais recentemente mercadão de madureira) era "Inharajá", pela sua importância para escoar os produtos das freguesias de Inhaúma e Irajá. Como entreposto comercial, Madureira cresceu, recebendo depois o comércio, começando pelo mercadão.

Graças a famílias empreendedoras como os Rocha Miranda, as terras do atual subúrbio foram loteadas e ocupadas por pessoas que chegavam das áreas centrais, expulsas pelas reforças urbanas, e das zonas rurais dos estados vizinhos.
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Old January 23rd, 2010, 09:58 AM   #3
Weber (RJ)
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Muito legal a explicação. Senti-me nos Estados Unidos, isto é, o pessoal do leste desbravando o oeste selvagem. Sou da Freguesia do Engenho Velho.
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Old January 23rd, 2010, 10:35 AM   #4
raffasoares
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Bela aula de história!
Adoro este assunto!
Mas é incrível ver como ascensão de um lugar é necessariamente ligada à decadência de outro.
Aliás, a expansão para o Oeste continua até hj! rs
Vide a Barra como sonho dourado de muitos emergentes.
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Old January 23rd, 2010, 10:41 AM   #5
Emanuel Paiva
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Interessantíssimo esse thread, pois estou aprendendo bastante algumas coisas que desconhecia.

Certamente, o Osmar, o Muckie e o Vinícius farão acréscimos no thread.
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Old January 23rd, 2010, 10:44 AM   #6
Emanuel Paiva
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Bela aula de história!
Adoro este assunto!
Mas é incrível ver como ascensão de um lugar é necessariamente ligada à decadência de outro.
Aliás, a expansão para o Oeste continua até hj! rs
Vide a Barra como sonho dourado de muitos emergentes.
É verdade, São Cristóvão é o exemplo mais claro dessa ascensão e decadência.
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Old January 23rd, 2010, 01:45 PM   #7
gmzeni
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Isso é algum tipo de discriminação ao subúrbio já no século XIX?

Todas estas freguesias urbanas se alimentavam graças ao que era produzido nas demais freguesias. Elas também possuíam importantes engenhos de açucar, que funcionavam graças ao trabalho escravo, que, com o tempo, desapareceram da paisagem. Muitos nomes destes antigos engenhos, entretanto, estão presentes no imaginário dos cariocas até os nossos dias.

No local do Engenho do Portela, que já consta nos mapas em meados do século XVIII, surgiu a Estrada do Portela, entre Oswaldo Cruz e Madureira. Mais tarde, o nome da estrada inspirou a escola de samba local. Desta forma, o nome "Portela" está presente no Rio de Janeiro há quase 300 anos.

Por falar em Madureira, o bairro é um bom exemplo de como o trem modificou a região. Após o declínio dos Engenhos e das fazendas locais, a chegada do trêm permitiu a ocupação das antigas regiões. O primeiro nome da estação da linha auxiliar, também conhecida como Magno (mais recentemente mercadão de madureira) era "Inharajá", pela sua importância para escoar os produtos das freguesias de Inhaúma e Irajá. Como entreposto comercial, Madureira cresceu, recebendo depois o comércio, começando pelo mercadão.

Graças a famílias empreendedoras como os Rocha Miranda, as terras do atual subúrbio foram loteadas e ocupadas por pessoas que chegavam das áreas centrais, expulsas pelas reforças urbanas, e das zonas rurais dos estados vizinhos.
O nome subúrbio, aliás, nasce nessa época. Havia as freguesias rurais (Campo Grande, Jacarepaguá) e as freguesias suburbanas (Engenho Novo, Irajá, Inhaúma). Mas não havia discriminação, não. As freguesias rurais e suburbanas eram lar de muitas famílias tradicionais, ricas ou não, que viviam em suas fazendas de café e engenhos. A Ilha e Inhaúma, por exemplo, abrigavam só gente fina O mesmo ocorria com Santo Antonio da Jacutinga, atual Nova Iguaçú.

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Old January 23rd, 2010, 01:56 PM   #8
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bem interessante, inclusive ate hoje nas escrituras de imoveis do Rio aparece a freguesia... isso é uma divisao administrativa portuguesa e que aqui existe ate hoje... tanto que não existem bairros e sim as tais freguesias... Já morei na da Encarnação, Santa Catarina, São Paulo... Ao todo são 53 as freguesias de Lisboa.
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Old January 23rd, 2010, 02:00 PM   #9
gmzeni
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bem interessante, inclusive ate hoje nas escrituras de imoveis do Rio aparece a freguesia... isso é uma divisao administrativa portuguesa e que aqui existe ate hoje... tanto que não existem bairros e sim as tais freguesias... Já morei na da Encarnação, Santa Catarina, São Paulo... Ao todo são 53 as freguesias de Lisboa.
Os cartórios, tanto RCPN (Registro Civil de Pessoas Naturais) quanto RGI (Registro Geral de Imóveis), continuam tendo a mesma jurisdição das antigas Freguesias. Assim, a 8ª RCPN equivale ao Engenho Velho e abrange Tijuca, Rio Comprido, Maracanã, Grajaú e Vila Isabel. A 4ª RCPN equivale à freguesia da Glória, e abrange Flamengo, Laranjeiras, Cosme Velho, Glória e Catete...e assim por diante
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Old January 23rd, 2010, 04:53 PM   #10
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O nome subúrbio, aliás, nasce nessa época. Havia as freguesias rurais (Campo Grande, Jacarepaguá) e as freguesias suburbanas (Engenho Novo, Irajá, Inhaúma). Mas não havia discriminação, não. As freguesias rurais e suburbanas eram lar de muitas famílias tradicionais, ricas ou não, que viviam em suas fazendas de café e engenhos. A Ilha e Inhaúma, por exemplo, abrigavam só gente fina O mesmo ocorria com Santo Antonio da Jacutinga, atual Nova Iguaçú.
Um bom exemplo é o Barão da Taquara, da Família Teles, que era proprietário de grande parte de Jacarapaguá, além de outras propriedades na Baixada e no Centro.

Em sua homenagem, temos:

O Bairro da Taquara.

Ruas como Pinto Teles, Pedro Teles, Ana Teles e outros, na Praça Seca.

Um busto na Praça Seca.

O Arco do Teles, no Centro da Cidade

O Vilar dos Teles, em São João de Meriti.
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Old January 24th, 2010, 07:21 PM   #11
Pablo Itt
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Abaixo um exemplo do que era Nova Iguaçu.
Fazenda São Bernardino em 1977, Vila de Cava.
Visita para um trabalho da faculdade.


Estou devendo uma série destas fotos acho que é para o Stefano RJ mas, embora atrasadíssimo em cumprir a promessa, estou em contato com um conhecedor de trabalho em imagens para recuperar a cores originais desta foto scaneada.

Na região de Campo Grande a último Casarão de Fazenda tombou na década de 70, ficava no bairro do Monteiro.
Parece me que Jacarepaguá teve mais sorte.

Sugestões.
História das Ruas do Rio - Brasil Gerson.

História dos Bairros do Rio - Ilustrativo.
http://portalgeo.rio.rj.gov.br/armaz...toriasRio.asp#

Estado do Rio e sua história
http://www.cidadedorio.com.br/

Um olhar no tempo.
http://www.rio.rj.gov.br/rio_memoria/
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Old January 24th, 2010, 08:09 PM   #12
Osmar Carioca
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Giancarlo,

Se não fosse por você iria morrer sem saber a história das Freguesias cariocas. Tantas e tantas vezes deparei-me com a menção a elas em Certidões de Ônus Reais emitidas por Cartórios de Registros de Imóveis e nunca soube seu significado. Valeu! Thread extremamente útil e didático.
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Old January 25th, 2010, 01:56 AM   #13
gmzeni
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Giancarlo,

Se não fosse por você iria morrer sem saber a história das Freguesias cariocas. Tantas e tantas vezes deparei-me com a menção a elas em Certidões de Ônus Reais emitidas por Cartórios de Registros de Imóveis e nunca soube seu significado. Valeu! Thread extremamente útil e didático.
Osmar,
Fico feliz que minha idéia tenha sido útil!
A jurisdição das freguesias ainda vigora no RGI e no RCPN.
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Old January 25th, 2010, 02:25 PM   #14
Emanuel Paiva
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Curiosidades sobre Campo Grande antigo


Antiga Caixa D'água de Campo Grande - Reservatório Vitor Konder.
Morro do Barata.
Construída em 1928, na presidência de Washington Luís.
Foto: Rogério Marques Gonçalves.



Chafariz do Rio da Prata.
Praça Mario Valadares.
Chafariz com destaque para a gárgula em ferro fundido - século XIX.
Foto: José Eutrópio Mendes.



Igreja de N.S. do Desterro.
Praça D. João Esberard, nº 141.
Construída no século XVIII, destaca-se por sua localização em sítio elevado.
Foto: José Eutrópio Mendes.



Residência.
Estr. do Lameirão Pequeno - Rio da Prata.
Edificação com traços neocoloniais, construída na década de 1940.
Foto: Josë Eutrópio Mendes.



Fábrica Aleixo Gari
Estrada do Magarça, nº 1.
Antiga usina de bondes, a construção possui linguagem arquitetônica neo-romântica - 1917.
Foto: José Francisco de Araújo.



Casarão.
Estrada do Viegas, Rio da Prata.
Nesta edificação do século XIX, destacam-se as linhas sóbrias de sua concepção.
Foto: José Eutrópio Mendes.

A região de Campo Grande constitui-se de terras planas cercadas por montanhas a leste e pela bacia do rio guandu a oeste.

O bairro, que faz parte da Zona Oeste, ainda mantém resquícios de zona rural.

Inicialmente foi área de engenhos de açucar, entretanto a pequena criação animal e as roças de verduras e frutas para o consumo local e o abastecimento da cidade, caracterizaram a economia da área por muito tempo, chegando ao final do século XIX com um grande número de chácaras e sítios arrendados a pequenos lavradores.

No nício do século XX ocorre o surto de cultivo da laranja nele integrando-se a região de Campo Grande. Após a Segunda Guerra, multiplicaram-se as lavouras de hortaliças e culturas frutíferas, característica que marcaram a região até recentemente.

A partir da década de 1950, com a abertura da Avenida Brasil, a região passa a integrar-se à malha urbana com a proliferação de loteamentos, situação esta que se estende aos dias atuais, em que Campo Grande se destaca pelo crescente processo de industrialização.

link: http://www.birafitness.com/nossobairro.htm
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Old January 26th, 2010, 12:29 PM   #15
Emanuel Paiva
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OS CICLOS ECONÔMICOS E A FORMAÇÃO DO ESPAÇO URBANO DE CAMPO GRANDE - RJ.

O pau-brasil, a cana-de-açúcar, o café e a citricultura, contribuíram para o povoamento da Região Oeste, que nos seus áureos tempos, chegou a ser conhecida como “Sertão Carioca”. Hoje a agricultura não têm mais grande importância para a região que cedeu espaço para os loteamentos, a construção civil, o comércio e as indústrias.

A ocupação da enorme área onde se situa o bairro de Campo Grande está vinculada a doação das primeiras sesmarias e tem suas origens no Século XVI, quando, a partir da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1565, começou praticamente o povoamento inicial, não apenas de Campo Grande, mas também de todas as áreas próximas. Os primeiros a chegarem foram gente vinda de Portugal que foram aos poucos expulsando os índios (Picinguabas) que aqui existiam.

Nos primeiros anos da colonização do Brasil (1567) já se verificam os primeiros registros sobre Campo Grande e Santa Cruz em antigos mapas do Rio de Janeiro existentes no Serviço Geográfico do Exército. Mas a ocupação inicial propriamente dita começou através dos caminhos que levavam para a Fazenda de Santa Cruz e com a cultura canavieira, esse processo ocorreu também em todas as outras áreas da cidade do Rio de Janeiro. Nessa época a Freguesia de Nossa Senhora do Destêrro de Campo Grande, como assim se denominava, formava, juntamente com as freguesias de Iguassu, Marapicu, Jacarepaguá, Itaguaí, Guaratiba e Jacutinga, o antigo distrito de Guaratiba, onde, em 1779, se encontravam a maioria das fazendas de açúcar do Baixada do Rio de Janeiro. Segundo o historiador e geógrafo Alberto Ribeiro Lamego, Campo Grande possuía nesse período quinze engenhos de açúcar, sendo o Engenho de Palmares um deles.

A produção da cana-de-açúcar foi a responsável pelo primeiro grande aumento populacional e a ela se deve também a organização social, baseada no poder dos Senhores de Engenho, que, com o crescimento das safras e o conseqüente aumento da população, transformavam os engenhos em núcleos populacionais que tinham na “Casa Grande” o seu pólo sócio-econômico. O declínio da produção de cana-de-açúcar em todo essa região começou a ocorrer, motivado, em grande parte, pela concorrência do açúcar da região de Campos.

Foi durante esse período que começou a ser construída a Igreja matriz de Nossa Senhora do Destêrro de Campo Grande, em 1796, e que teve sua Capela-Mor sagrada em 1808, quando da vinda da família real para o Brasil. Junto com a igreja, foram surgindo construções nas imediações, quase sempre construídas em terrenos alugados pelas fazendas, pois a venda de terras não era costume comum nessa época.

Com o fim do ciclo do açúcar começaram os cafezais a se espalharem pelo Rio de Janeiro, cujas primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa. Este ciclo econômico, embora pouco expressivo na região, devido a inúmeros fatores, teve, em Campo Grande, principalmente na região do Mendanha, um núcleo inicial que foi a fazenda do Padre Antônio Lopes da Fonseca de onde saíram mudas que subiram serra acima, alcançando Nova Iguaçu, Resende, Areias, Vassouras e todo o vale do Rio Paraíba.

A libertação do escravos em 1888 contribuiu para o fim do ciclo do café no Rio de Janeiro e a recuperação econômica da área de Campo Grande ocorreu com a implantação da citricultura, que se constituiu num dos melhores períodos da economia da região. Para esse sucesso, muito contribuiu a inauguração do ramal de Santa Cruz, da Estrada de Ferro Central do Brasil, inaugurado em 02 de dezembro de 1878. Este ramal tinha uma estação em Campo Grande e a sua localização fez com que as casas comerciais e residenciais se localizassem próximas à ela.

A análise isolada da economia de Campo Grande e sua importância nesse período é bastante difícil, já que os plantadores possuíam terras dedicadas ao cultivo da laranja, tanto em Campo Grande, quanto em Nova Iguaçu. Mas mesmo assim durante o período dos grandes laranjais, Campo Grande foi um dos maiores produtores do Brasil, exportando muita laranja para os Estados Unidos e até para a Europa.

O declínio da cultura da laranja ocorreu devido a praga da mosca mediterrânea que ocasionou o apodrecimento dos estoques durante a época da II Guerra Mundial, a partir daí a praga se desenvolveu tornando-se incontrolável.

Segundo Valentim Ferreira Guimarães, herdeiro de J.Guimarães, um dos mais importantes exportadores brasileiros de laranja, o problema maior não foi só a mosca mediterrânea, a fumagina ou a formiga, e sim os loteamentos que começavam a surgir em Campo Grande e áreas próximas, com os moradores destruindo os laranjais e ocasionando muitos prejuízos.

Com o fim deste ciclo, Campo Grande ainda viveu um curto período econômico voltado para a avicultura, que teve seu inicio na Estrada do Mato Alto, com o aviário do Sr. Bartolomeu Rabelo. Segundo ele, a avicultura enfrentou duas grandes dificuldades que a levaram a não resistir a concorrência de São Paulo. A primeira foi a grande queda da produção no verão devido ao forte calor e à falta de meios para combatê-lo. A segunda, foi que a alimentação das aves, constituída de farinha de carne, farinha de osso e milho, era comprada em São Paulo, o que tornava muito caro o preço do produto. No início da década de 1960, essa atividade também chegou ao fim e terminava assim o ciclo agrícola da região.

Com os laranjais servindo de propaganda para à divisão de terras e à venda de pequenas chácaras, começou então um processo de abertura de loteamentos e de criação de indústrias que não parou mais e esse processo de urbanização prossegue em Campo Grande até os dias atuais.

link: http://www.via6.com/topico.php?tid=114813
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Old April 18th, 2011, 01:59 PM   #16
Luca_Rome
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Gostei muito do thread, obrigado
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Old April 18th, 2011, 02:30 PM   #17
Wey
Ex falso quodlibet
 
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MAGNÍFICO thread!

Não acredito que tenha passado batido por mim antes

Ótimo trabalho Gian! É sempre muito bom conhecer a história dessa cidade que tem tanto pra contar, hehe
__________________
1 ∀x∀y[∀z(z∈x⇔z∈y)⇒x=y] ____2 ∀x[∃a(a∈x)⇒∃y(y∈x∧¬∃z(z∈y∧z∈x))] ____3 ∀x∀w_1∀w_2...∀w_n∃y∀x[x∈y⇔(x∈z∧∅)]
4 ∀x∀y∃z(x∈z∧y∈z) ____5 ∀F∃A∀Y∀x[(x∈Y∧Y∈F)⇒x∈A] ____6 ∀x∀w_1∀w_2...∀w_n[∀x(x∈A⇒∃!y∅)⇒∃B∀x(x∈A⇒∃y(y∈B∧∅))]
7 ∃X[∅∈X∧∀y(y∈X⇒S(y)∈X)] ____8 ∀x∃Q(x)∀z[z⊆x⇒z∈Q(x)] ____9 ∀X∃R(R well-orders X)
10 1=0
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Old April 18th, 2011, 06:50 PM   #18
ottavianorj
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ótimo thread, ótima iniciativa!

sou da freguesia do engenho novo, mas vc esqueceu de colocá-la no primeiro post! hahahaha

Mto interessante a história.
__________________
CARIOCA E BOTAFOGUENSE!
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Old April 21st, 2011, 02:13 AM   #19
xikaumrio
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Hoje em dia, há dois bairros no Rio que se chamam "Freguesia". Um na Ilha do Governador e outro em Jacarepaguá.
xikaumrio no está en línea   Reply With Quote
Old April 24th, 2011, 12:34 AM   #20
Jeffdu
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Parabéns pela idéia, o thread está muito bom!!!
Jeffdu no está en línea   Reply With Quote


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