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Old October 3rd, 2006, 05:06 AM   #1
Thina
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Série "Herança arquitetônica": Estilo português colonial

Série "Herança arquitetônica": Estilo português colonial
Caderno de decoração e arquitetura do jornal imagem da ilha.


Primeiras construções da Capital
revelam fortes traços da
arquitetura lusitana



“Das manifestações do saber humano é, sem dúvida, a arquitetura a que mais perpassa o tempo, com marcas típicas a cada época, identificáveis no contexto geohistórico e cultural dos povos”. As palavras do historiador Vilson Francisco de Farias, presente no seu livro “De Portugal ao Sul do Brasil”, explicam a importância da arquitetura para os povos. Ciente de seu valor, o Imagem da Ilha passa a abordar os vários estilos arquitetônicos que influenciaram o jeito de construir em Florianópolis. A seção “Herança Arquitetônica” tem a finalidade de mostrar marcas da arquitetura ainda hoje presentes na cidade, desde o início da sua colonização. Serão apresentadas aos leitores as principais características de cada estilo e as construções mais representativas que perpetuaram. Desta maneira, o leitor poderá apurar o seu olhar sobre a cidade, bem como refletir sobre a relação entre o modo de construir e o contexto sócio-político-econômico da época em que essas construções brilharam.

As primeiras influências arquitetônicas representativas em Florianópolis datam do século XVIII. No século anterior tentou-se povoar a região através dos bandeirantes, mas a ocupação foi incipiente. Em 1739, o engenheiro militar José da Silva Paes foi nomeado para governar a capitania de Santa Catarina. Sua missão era criar um sistema defensivo para guardar as duas baías da Ilha de Santa Catarina e povoar a região com os primeiros contingentes de açorianos. Os primeiros imigrantes vieram do arquipélago de Açores em 1748 e foram alocados em vários núcleos denominados freguesias. Com a ocupação, iniciou-se em Nossa Senhora do Desterro (antigo nome de Florianópolis) a construção das primeiras habitações em estilo português colonial ou luso-brasileiro colonial, muitas vezes erroneamente classificado como açoriano. A gerente do Sephan (Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural) de Florianópolis, Suzane Albers Araújo, explica que a cultura da Capital é açoriana, mas a arquitetura é portuguesa. A gênese das edificações açorianas é a mesma das presentes na porção continental de Portugal.

O estilo português colonial influenciou as construções no Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII. Suzane afirma que as edificações desta época de várias cidades brasileiras se assemelham bastante. Porém, como a colonização em Florianópolis aconteceu mais tarde que em outras partes do país, ela não experimentou a influência dos ciclos econômicos. “Olinda tem traços do ciclo da cana-de-açúcar. As cidades mineiras, do ouro”, explica Suzane. Comparando a arquitetura colonial hoje presente em Florianópolis com a do arquipélago Açores, se percebem algumas diferenças, apesar da origem ser a mesma: portuguesa. “Visitei algumas ilhas e percebi que na de São Miguel, por exemplo, foi utilizado muito basalto porque este material existia em abundância no local. Já nas propriedades rurais a chaminé está sempre presente, um elemento ausente em Santa Catarina”, explica.

Em Florianópolis, o maior conjunto arquitetônico preservado desta época está no Ribeirão da Ilha. Outras freguesias do interior da Ilha, principalmente Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui e Lagoa da Conceição, também conservam intactas as características tipológicas coloniais. Nascido e criado no Ribeirão, o arquiteto Joel Pereira participou diretamente do processo de restauração de algumas construções em estilo colonial no bairro. Algumas intervenções foram feitas na vila, também chamada de freguesia, e outras em propriedades rurais. “Tirando algumas edificações que desabaram por falta de manutenção, a vila mudou muito pouco nas últimas quatro décadas”, afirma. Para Joel, a arquitetura, junto com a gastronomia, vem alavancando o turismo na região.

Já a área central da cidade sofreu um grande número de transformações por conta das sucessivas modernizações ao gosto de época, devido a outras influências étnicas ou a adequações à legislação municipal. Entre as intervenções realizadas nas construções portuguesas coloniais do Centro, Suzane cita a colocação da platibanda, uma moldura que contorna a edificação formando uma proteção ou camuflagem do telhado. Ela explica que a instalação deste elemento arquitetônico se fez necessária pela existência do telhado em duas águas (superfícies inclinadas da cobertura): uma voltada para a fachada e outra para os fundos do lote. “Quando chovia, a água escorria do telhado direto nas pessoas que passavam na rua”, explica Suzane. Apesar das modificações, ainda é possível encontrar exemplares originais como a construção que hoje abriga a sede do Círculo Italiano-Brasileiro (Praça XV), que mantém inclusive a planta arquitetônica interna original. Suzane cita outros bons exemplos de conservação: o Museu Victor Meirelles e a chamada “Casa de azulejo”, onde hoje funciona um restaurante. “A casa é uma raridade. O revestimento da fachada em cerâmica de Portugal representava poder alto aquisitivo na época”, ressalta.

Elementos construtivos

Cada estilo arquitetônico possui um determinado número de elementos bem definidos. O português colonial também tem suas particularidades. Nos núcleos urbanos, os lotes eram estreitos e compridos, com uma grande profundidade. As construções ficavam alinhadas à rua e, por segurança, eram geminadas - grudadas umas nas outras -, configurando um contínuo correr de casas semelhantes. A maior parte das casas era térrea, mas também existiam os sobrados: edificações de dois pavimentos, sendo a parte inferior utilizada para o comércio. O telhado, na maior parte das vezes, era em duas águas: duas faces, uma voltada para a frente do terreno e outra para os fundos. Poucas tinha quatro águas. As construções rurais eram geralmente maiores que as urbanas.

Alguns elementos construtivos chamam a atenção, como os acabamentos dos telhados. Entre eles estão o Beira-seveira - telhas superpostas que funcionam como prolongamento do telhado - e o peito de pombo, acabamento mais comum nas construções rurais.

A maioria das casas era branca com as janelas e portas pintadas com cores vivas. As janelas possuíam apenas madeira. O uso do vidro já mostra uma evolução e maior poder aquisitivo.
Jornal Imagem da Ilha

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Igreja Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão
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RIBEIRÃO DA ILHA
O nome dado a praia origina-se do um pequeno rio ou ribeira, situado no local (ribeiracô em linguagem indígena)


Localizado a 36 quilômetros do centro de Florianópolis, o Ribeirão da Ilha é composto por várias praias pequenas, de águas calmas e areia grossa. É considerado um dos poucos lugares do litoral Sul do Brasil que conserva bem os traços da colonização portuguesa. Um passeio até a praia é uma volta aos costumes e cultura açorianos. Logo quando se chega, percebe-se os traços definidores desta cultura ainda preservados de forma original e intensa. As casas, em sua maioria, possuem paredes rosas com janelas amarelas ou brancas. Ou verde com azul. As cortinas também chamam a atenção, quase todas feitas de renda.

O casario açoriano, a Igreja Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão e o Museu Etnológico do Ribeirão da Ilha são as atrações históricas do local. Já os restaurantes com pratos à base de moluscos frescos chamam os apreciadores de boa culinária.
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Old October 14th, 2006, 12:37 AM   #2
Jorge
www.preservasp.org.br
 
Join Date: Feb 2006
Location: São Paulo
Posts: 435
Likes (Received): 8



Ótimo artigo. A arquitetura colonial são as raízes a nossa arquitetura, é preciso se conhecer mais sobre ela!
__________________
Colabore com o patrimônio histórico da cidade e da região metropolitana de São Paulo! Faça uma doação online de qualquer quantia para a Associação Preserva SP:Basta clicar aqui!
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