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Old January 27th, 2008, 09:08 PM   #1
gutooo
neonico
 
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Países pobres têm menos chances de ter projetos ousados, diz Leonardo Benevolo

O italiano Leonardo Benevolo é um totem da crítica da arquitetura. Com vários livros lançados no Brasil, alguns clássicos como História da Arquitetura Moderna (Editora Perspectiva), Benevolo tem agora seu A Arquitetura do Novo Milênio publicado pela editora Estação Liberdade, no qual analisa os modelos de urbanização do mundo globalizado e o que restou da tradição moderna européia de Gropius e Le Corbusier. O ensaísta dedica alguns capítulos aos seguidores dessa tradição - o português Álvaro Siza, entre eles - e aos ''''inovadores'''' nascidos entre os anos 1930 e 1940 (Renzo Piano, Jean Nouvel, Norman Foster), chegando aos provocadores Frank O. Gehry, Santiago Calatrava e Rem Koolhaas. Sobre o livro e o futuro da arquitetura ele falou ao Estado na entrevista a seguir.

Como o senhor imagina a arquitetura do século 21?

Meu livro A Arquitetura no Novo Milênio é um resumo pessoal do que acontece hoje no mundo. Considerando as experiências nele descritas, o futuro me parece promissor. Não pretendi fazer exatamente uma projeção do futuro, mas, antes, oferecer um quadro coerente do recente passado. Nas próximas edições do livro - e a última está para ser lançada em março, na Itália - vou corrigir algumas das minhas avaliações.

A casa contemporânea é quase uma casa-albergue para nômades. Como serão as residências no futuro?

As casas do futuro seguirão as exigências de cada época, que, naturalmente, serão diferentes em cada parte do mundo. Divido a opinião de Braudel, que nos anos 1960 tentou descrever o mundo atual relendo, no presente, as diferenças herdadas do passado (Braudel defendia que, mesmo supondo que todas as civilizações do mundo chegassem a uniformizar suas técnicas e modo de vida, ainda assim nos defrontaríamos com uma série de civilizações diferentes). A dimensão internacional é um ponto de chegada, não de partida.

Seu livro examina os modelos de urbanização abusivos que ameaçam o futuro das metrópoles. Por que a arquitetura de hoje não discute mais a urbanística da cidade do amanhã?

Discute, sim. Comento, logo no primeiro capítulo, a necessidade de a cultura arquitetônica refletir sobre o cenário físico mundial. Relaciono ainda os modelos de formação das cidades do século 19 - primeiro modelo de urbanização moderno - ao atual, dedicando o restante do livro a breves informações sobre a situação urbanística de várias cidades do mundo.

No quarto capítulo do livro, Os Inovadores da Arquitetura Européia, quatro arquitetos são citados como os maiores pelo senhor: Norman Foster, Renzo Piano, Richard Rogers e Jean Nouivel. Os mestres que seguem a tradição moderna, como Álvaro Siza e Gino Valle, não seriam também inovadores?

Achei necessário distinguir entre dois percursos diversos para chegar a novos resultados: alguns projetistas, como os europeus Valle, Gregotti, De Carlo, Moneo e Siza, os americanos Meier, Gwatmey e Siegel, o brasileiro Niemeyer e o japonês Isozaki participaram da longa fase do confronto entre as variantes do modelo moderno, entre 1945 e 1990, mas foram capazes de refinar essa experiência para responder aos novos desafios do período seguinte. Outros se distanciaram dessa tradição e seguiram, desde o princípio, o desenvolvimento de novas tecnologias, como Foster, Rogers, Piano e Nouvel, assim como alguns jovens, entre eles Chaix e Morrel. Ambos os grupos trabalharam com paciência, como sugeria em seu tempo Le Corbusier, tornando-se inovadores e seguindo caminhos diferentes. São portanto, os ''''impacientes'''', descritos no quinto capítulo do livro (arquitetos como Calatrava, Frank O. Gehry, Peter Cook, Daniel Libeskind, Jacques Herzog e Pierre De Meuron, entre outros), que têm pressa e seguem a moda, correndo o risco de se repetir. Os mais jovens podem, no entanto, mudar de rumo. A arquitetura é um ofício que exige maturidade e seus melhores resultados, de forma geral, aparecem na velhice.

No capítulo referente às experiências arquitetônicas emergentes no mundo, a casa do futuro se mostra uma construção extremamente simples, não só em seu exterior como no interior. A arquitetura do novo milênio tende a ser ''''desmontável''''?

Tentei apresentar nesse último capítulo uma série de experiências de moradias individuais que manifestam essa busca incessante por novos resultados - novos num sentido diferente dos produtos dos ''''impacientes'''' de quem falei antes. São pesquisas que exigem uma identificação grande entre clientes e projetistas e que, muitas vezes, são exemplos de arquitetura ''''desmontável''''.

Os novos arquitetos operam num mundo globalizado, feito de fronteiras culturais imprecisas, difíceis de definir. A nova fase mundial da arquitetura, ditada pela tradição européia, poderá reconhecer a experiência emergente dos países do Leste europeu e da América Latina num mundo consumista cada vez mais voraz?

Entre as experiências nos países latino-americanos, nos ex-comunistas, nos países árabes e africanos não encontrei resultados verdadeiramente exemplares. As revistas brasileiras documentam, por exemplo, muitas obras de arquitetos jovens, mas nenhuma comprometida com a função social de melhorar as condições de vida nas favelas ou relacionada com as experiências dos centros de educação unificados (CEUs). Acho que as experiências mais promissoras vêm da África, que pretendo incluir na próxima edição de meu livro.

A defesa da relação entre projetistas e meio ambiente é um dos motes da arquitetura do milênio. Nesse sentido, como o senhor vê a obra de Oscar Niemeyer?

Oscar Niemeyer é um personagem excepcional, pelo qual tenho muita simpatia, a despeito de seus defeitos. É um monumento, venerável não só pela idade como pela paixão obstinada com que exerce seu ofício.
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Guto Magalhães
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