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Portugal em Imagens » Norte | Porto | Centro | Lisboa | Sul | Ilhas


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Old January 10th, 2009, 02:30 AM   #41
Luís Raposo Alves
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Falta aí a Praça do Império, Areeiro, Alameda, Saldanha, Camões...
Calma, calma, há espaço para todas...
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Old January 10th, 2009, 05:30 AM   #42
Luís Raposo Alves
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PRAÇA DO IMPÉRIO






PRAÇA AFONSO DE ALBUQUERQUE






PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA






PRAÇA DO COMÉRCIO






PRAÇA DO MUNICÍPIO




Last edited by Luís Raposo Alves; January 10th, 2009 at 05:43 AM.
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Old January 10th, 2009, 02:27 PM   #43
Barragon
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Boa

Areeiro e Alameda - http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=624273

Uma foto do Areeiro.
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Old January 10th, 2009, 09:05 PM   #44
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…Luis…em vez de pores muitas fotos de várias praças, põe antes informação, ex: quem projectou; data ou época; dimensões, aprofunda o tema.

…outra dica, tenta apanhar toda a praça e não cortes os lados. Imagens do Visual Earth, seriam mais interessantes, até porque eu não consigo po-las…

…no caso de pores mais fotos da mesma praça, edita o que já colocas-te e acrescenta as novas imagens…de outra forma fica uma salgalhada…

…mais umas dias, tenta não meter o cabeçalho e a bordadura (fica feio) e tenta endireitar as imagens Google de forma a ficarem paralelas ao ecran…

…informação sobre estas praças existe na net…há que procura-la…
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Old January 10th, 2009, 09:08 PM   #45
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Boa

Areeiro e Alameda - http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=624273

Uma foto do Areeiro.
…Barra, sobre o Areeiro existe um monte de informação e plantas, et…foi desenhado pelo Cristino da Silva…é só procurar na net…ou nos livros…
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Old January 10th, 2009, 09:45 PM   #46
Ondas
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Montijo - Praça da República

Informações (foi o que arranjei )
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Até 1910 chamava-se Praça Serpa Pinto, mas depois da Implantação da República passou a chamar-se Praça da República.
Até inícios do século séc. XIX existia aqui um grande adro, que servia de palanque durante as festas e onde se faziam largadas, para incredulidade dos crentes mais fervorosos.
Texto retirado do site da Câmara











Localização

(Situa-se onde está escrito o nome da cidade)




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Old January 10th, 2009, 10:54 PM   #47
Luís Raposo Alves
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…Luis…em vez de pores muitas fotos de várias praças, põe antes informação, ex: quem projectou; data ou época; dimensões, aprofunda o tema.

…outra dica, tenta apanhar toda a praça e não cortes os lados. Imagens do Visual Earth, seriam mais interessantes, até porque eu não consigo po-las…

…no caso de pores mais fotos da mesma praça, edita o que já colocas-te e acrescenta as novas imagens…de outra forma fica uma salgalhada…

…mais umas dias, tenta não meter o cabeçalho e a bordadura (fica feio) e tenta endireitar as imagens Google de forma a ficarem paralelas ao ecran…

…informação sobre estas praças existe na net…há que procura-la…
Eu apresentei vista de perto e vista de longe!
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Old January 10th, 2009, 10:55 PM   #48
Luís Raposo Alves
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Não quis endireitar as imagens, prefiro assim, com o Norte cartográfico.
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Old January 11th, 2009, 01:24 AM   #49
moyanapolit
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Praça do Areeiro

Partindo da fotografia do André (Barragon) e da sua fotografia, aqui fica um pouco sobre a Praça do Areeiro.

O texto não é meu, mas sim citação de Dicionário da História de Lisboa. Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena. Págs 82-83

Começados em 1938, no mesmo ano em que se toma a decisão de organizar a Exposição do Mundo Português, os estudos para a Praça do Areeiro só seriam concluídos em 1949, data em que é apresentado o projecto final para a torre, ou seja, quatro anos depois do final da guerra e, num período de fortes contestações internas, que no ano anterior tinha assistido ao 1.º congresso dos Arquitectos em que a concepção deste tipo de obras tinha sido unanimemente posta em causa. Tal como quase tudo o que então foi feito, ou decidido para Lisboa, a Praça do Areeiro é antes do mais um projecto de Duarte Pacheco, o então omnipotente Presidente da Câmara Municipal e simultaneamente Ministro das Obras Públicas do governo de Salazar. Duarte Pacheco pretendia com este projecto que ele desejava "citadino e lisboeta", construir um autêntico símbolo de toda a vastíssima operação de remodelação urbana, mas também de autêntica promoção imobiliária, a que o município então se dedicava. Aqui tratava-se de criar simultaneamente um remate visual ao eixo viário da recém-ampliada Av. Almirante Reis, mas também de definir um primeiro marco para quem chegasse à cidade, vindo do então recém-construído Aeroporto da Portela. Naturalmente que, à boa maneira da época, um tal espaço tinha de ser monumental e grandioso, exactamente dentro da mesma lógica que levava à criação da Alameda e da Fonte Monumental, cujos estudos se desenvolviam simultaneamente. Mas se em termos urbanísticos era fundamentalmente uma certa dignidade citadina que estava em causa, em termos propriamente arquitectónicos os modelos de referência eram indubitavelmente muito mais ambíguos e será, sem dúvida, um dos grandes méritos da solução que aqui foi encontrada por Cristino da Silva, o ter sabido criar um modelo formal em paz de responder a essa mesma ambiguidade das intenções. Criou-se assim um espaço urbano que respondeu, por um lado, ás vontades de uma monumentalidade intencionalmente acentuada nos torreões com que são pontuados os gavetos, mas por outro lado manteve-se uma expressão plástica onde a relação entre cheios e vazios das fachadas, e a hierarquização dos pisos, feita simplesmente à custa do desenho de cantarias decorativos, ou ainda a própria marcação (ainda) «decorativa» das volumetrias dos edifícios, tudo isto a par com uma certa sobriedade do conjunto, fizeram com que este se tornasse rapidamente um modelo passível de aplicações muito diversas nos mais variados pontos. A Praça do Areeiro que Cristino, já no fim da vida, ainda considerava como uma solução correcta para o local, pois «ao entrarmos pelo Areeiro nós sentimos realmente que entramos em Lisboa», tornou-se assim num verdadeiro símvolo deste modo de encarar a arquitectura bem característico do Estado Novo, e o modelo precursor de um sem-fim de edifícios espalhados por toda a cidade, e principalmente dos conjuntos das Av. Sidónio pais e António Augusto Aguiar que viriam a ser planeadas pelo mesmo Cristino da Silva, embora com arquitecturas de autores diversos. Bibliografia: Entrevista a Cristino da Silva, in Revista Arquitectura n.º 119. J.M.P.
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Old January 13th, 2009, 03:53 PM   #50
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Praças de Lisboa

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Dizer que não existe alternativa é o contrário da Liberdade
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Old January 15th, 2009, 11:29 PM   #51
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Coimbra, Largos, Praças e Espaço Público


Braunio XVI



O Passeio Público no século XIX, em Coimbra



Forma e dimensão


Descendo à cidade









Uma ideia de classificação que eu não entendi…mas ainda assim










Principais espaços públicos em Coimbra no final do século XIX





Espaço público na Alta antiga
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Crónicas de Coimbra,…país profundo…
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Old January 15th, 2009, 11:33 PM   #52
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Cidade e Muralha Medieval
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Old January 15th, 2009, 11:44 PM   #53
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Enquadramento político e administrativo…em 1992

Enquadramento político e administrativo




Planta "deitada" de Portugal, onde é visível a representação da Ponte de Coimbra. Sec. XVI

Portugal tem uma área total de 88,727 Km2 e uma população aproximada de 10.000.000 de habitantes. Está dividido em 5 zonas administrativas , Norte , Centro , Lisboa e Vale do Tejo , Alentejo e Algarve (fig. 1).

A "Zona Centro" tem uma área de 23.271Km2 , uma população de 1.900.000 habitantes e Coimbra é sua capital Política e Administrativa .
Geográficamente está localizada entre o rio Douro e Tejo (fig. 2).
A zona centro compreende 6 Distritos e um total de 78 Concelhos (fig. 3).
Os concelhos estão agrupados em sub-regiões que formam unidades Territoriais (NUTS) (fig. 4).
O conjunto de concelhos formado por Coimbra , Figueira da Foz , Cantanhede , Montemor-o-Velho , Mira, Condeixa-a-Nova , Soure e Penacova chama-se Baixo Mondego tem uma área de 1.330 Km2 e uma população de 261.000 habitantes (fig. 5).
Coimbra administrativamente é capital da Região Centro do distrito de Coimbra e Sede de Concelho (fig. 6).
O Concelho de Coimbra tem uma área total 31.683 ha com uma população de cerca de 150.000 habitantes. Está dividido em 31 Freguesias , 25 rurais e 6 urbanas.
A Cidade de Coimbra cobre uma área de 5.416 ha e tem uma população residente de cerca de 100.000 habitantes o que dá uma densidade média de 18 habitantes/ha (fig. 7).
A cidade Alta - Núcleo Histórico Classificado da Cidade- tem cerca de 30 ha e cerca de 3000 habitantes (fig. 8).

Evolução da população Coimbrã

Ano 0 a 300 3.000 habitantes
1417 21.300
1527 6.000
1548 1.200 na Universidade e 100 no Colégio das Artes
1570 12.000 1.000 na Universidade 3.000 nos Colégios
1721 13.000
1739 14.000
1765 16.000 4.629 matriculados na Universidade 3.371 nos colégios extintos.
1798 15.830
1801 15.000
1832 12.000
1840 12.002
1864 17.768
1881 19.374
1890 23.487
1900 25.188
1920 30.010
1940 41.766
1950 48.858
1970 56.000
1991 100.000


Caracterização física

Coimbra situa-se a 40 Km da costa portuguesa , no extremo Este da região montanhosa que se desenvolve na Península Ibérica normalmente apelidada por Meseta Ibérica.
Aqui se faz a transição entre "Monte e Campo "

Relevo
Aqui começa " O Campo ", a extensa planície aluvionar, que se desenvolve até à Figueira da Foz , num comprimento de 37 Km por uma largura média de 4 Km.
Esta planície é produto do trabalho do tempo e do homem.
O rio Mondego e seus afluentes produziram escavações e transportes de terras com um progressivo assoreamento , associado a um movimento geomorfológico recente na faixa litoral. O homem humanizou a paisagem e travou uma luta de 2000 anos com o rio tentando regularizar o seu caudal e os seus " caprichos " construindo barreiras , canais , diques e barragens ao longo do seu percurso.
"O Monte", é o conjunto de colinas adjacentes aos campos do Mondego desde Coimbra até à foz, de alturas reduzida , que variam entre os 20 e os 80 metros mas de forte recorte e declividade.
"À variabilidade e o movimento da paisagem está estreitamente relacionado com a complexidade geo-morfológica das formações da orla "Mesozoica Ocidental", destacando-se como acidente notável o relevo da Serra da Boa Viagem , com cotas chegando a atingir os 250 metros de altitude , e que se prolonga para SE pelas alturas de Abrunheira e de Alqueidão. Outros cordões calcáreos estendem-se de Montemor-o-Velho a Ançã e ao planalto de Stª. Clara, já na cidade de Coimbra, com alturas superiores a 100 metros.
Acompanhando o intenso recorte do relevo surgem igualmente uma enorme variações de exposição solar , sendo dominantes as do quadrante sul na margem direita e do quadrante norte na margem esquerda do vale central e muito frequentes as exposições nascente/poente nos vales laterais."

Declives
Nos campos do Mondego o declive médio é geralmente inferior a 2%, nas encostas adjacentes o declive é acentuado variando entre 5 a 25%, encontrando-se na cidade de Coimbra declives da ordem dos 30 a 60%.

Hidrologia
" .. Na situação actual , e face às obras realizadas para o controle de cheias podemos distinguir três sub-unidades territoriais de regímen e características diferenciadas:
a. O "Alto e Médio Mondego" ., a montante das barragens da Aguieira a das Fronhas , onde o rio e os seus afluentes correm ainda em regímen "livre" , não tendo as poucas e pequenas barragens existentes capacidade de modificação das pontas de cheia.
b. Uma área intermédia a jusante da barragem do Coiço e a montante da Ponte -Açude onde , com excepção das águas provenientes do rio Ceira, os caudais se encontram quase totalmente modelados, sendo as pontas de cheia de longos períodos de retorno quase todas encaixadas pelas barragens de montante e os caudais de estiagem , para além do mínimo "ecológico", reduzidas as necessidades especificas de turbinagem das Centrais hidro-eléctricas da Aguieira e do Coiço e ao abastecimento regularizado diariamente no Açude de Coimbra, do "Canal de Rega" do Baixo Mondego.
c. Na terceira zona, genericamente chamada "Sub-bacia do Baixo Mondego, correspondente ao troço final do Rio englobando as diversas bacias hidrográficas dos seus afluentes a jusante de Coimbra
Geologia

A área em estudo , situada na orla cenomesozóica do litoral , apresenta extrema complexidade geo-morfológica e consequentemente grande variabilidade e diversidade de disposição das formações. Como pode observar-se do cartograma junto ela é dominada centralmente pelas aluviões do Rio Mondego e afluentes , representativos de um intenso trabalho de transporte fluvial , ainda hoje activo, com profundidades frequentemente superiores a 30 metros , apresentanto estractos de composição e granolometria diferenciados , frequentemente com grande permeabilidade dada a presença de materiais grosseiros e de areias , nomeadamente nos cones de dejecção dos principais rios tributários.
A Norte , dominam as formações do Cretácico de facíes dominantemente gresosa , intercalados com calcáreos do jurássico , particularmente evidentes nas proximidades de Coimbra , Montemor e Maiorca. Acompanhando o Rio Foja surgem ainda as formações do Plioplistocénico indiferenciado , revelando a penetração e contacto da "Gandara de Aveiro" com o Baixo Mondego.
A Sul , de Coimbra a Alfarelos , dominam os depósitos de antigas praias fluviais e as formações do Miocénico , interrompidas de Verride a Alqueidão pelos Calcáreos do Jurássico. O contacto com a "Gandara de Leiria" é realizado para Sul através da bacia hidrográfica do Pranto."


2 ANÁLISE MORFOLÓGICA DO LUGAR.

Morfologia
A morfologia urbana pretende estabelecer ligações entre a imagem da cidade/paisagem urbana e a sua estrutura.
Da complexa análise física, histórica, social, económica e humana nos sairá as respostas ao tema do nosso trabalho - Como e Porque as Cidades crescem e se desenvolvem de uma ou outra maneira. Porque existe uma praça em determinado local com determinada forma. Porque nasceu Coimbra aqui, como se desenvolveu e porque se desenvolveu.
A resposta parece fácil. Porque não? O sítio é bom, o clima ameno , a terra é rica , há água em abundância e até tem boa vista.

Factores Naturais e Recursos

Topografia
O monte ou colina onde deverá ter tido origem as primeiras ocupações com caracter permanente e uma estrutura de ocupação do solo ainda que rudimentar e que deram inicio à cidade de Coimbra é sem duvida mítico:
" No ponto ultimo do rio Mondego , imediatamente antes de se espraiar nos campos do Mondego, existem duas pequenas elevações de terreno de um e outro lado do rio que se aproximam , e onde o travessia seria mais fácil de vencer.
Com efeito um dos morros como que se projecta de encontro ao Mondego, ultimo promontório de uma vasta zona montanhosa que se desenvolve a nascente e que aqui termina"
Em baixo ainda encaixado corre o Mondego (fig.9).
Um famoso Eng.º. Urbanista da universidade de Coimbra descreve pragmaticamente a mesma situação nas seguintes palavras:
[ Coimbra situa-se a 141 m de altitude , junto ao rio Mondego e a 45 Km da sua foz.
No topo de um outeiro de calcário margoso e dolomites de 104 m de altura sobre o rio, fica o seu centro vital: a Universidade e o seu símbolo máximo , a torre.]
O monte ou "colina sagrada" tem uma situação de promontório de altitude considerável e boa exposição solar. Fácil de defender em caso de ataque dado o recorte e a declividade marcadamente acentuada das encostas adjacentes ao rio e com boas possibilidades de fuga , em caso de necessidade , para nascente, embrenhando-se nas serras, ou descendo o rio.
Geografia- a existência de um conjunto de colinas cuja proximidade permitia a comunicação facilitava a instalação de postos de vigia que em caso de alerta dava sinal permitindo às populações refugiarem-se ou prepararem-se para a guerra. Nos séculos XI e XII, quando a natureza da guerra da reconquista e afirmação da nacionalidade assim o justificou, aparece-nos um conjunto defensivo da cidade de Coimbra, constituído por um grupo de castelos e praças fortes dispostas estrategicamente em semicírculo a volta de Coimbra, cuja ocupação primitiva foi castreja e portanto de grande importância militar.

Estrutura natural do lugar
Está encontrada o primeiro factor principal - a estrutura natural do lugar. Decomposta nos seus componentes morfológicos .
terra fértil, existência de matas e bosques onde era permitido caçar.
Rio - abundância de água e possibilidades de pesca.
Clima marcadamente atlântico com temperaturas moderadas.
Geologia, existência de pedra fácil de trabalhar.
Topografia , o monte ou "colina sagrada" tem uma situação de promontório de altitude considerável e boa exposição solar; fácil de defender em caso de ataque dado o recorte e a declividade marcadamente acentuada das encostas adjacentes ao rio e com boas possibilidades de fuga em caso de necessidade , para nascente, embrenhando-se nas serras, ou descendo o rio. Geografia- a existência de um conjunto de colinas cuja proximidade permitia a comunicação facilitava a instalação de postos de vigia que em caso de alerta dava sinal permitindo às populações refugiarem-se ou prepararem-se para a guerra. Nos séculos 11 e 12, quando a natureza da guerra da reconquista e afirmação da nacionalidade assim o justificou, aparece-nos um conjunto defensivo da cidade de Coimbra, constituído por um grupo de castelos e praças fortes dispostas estrategicamente em semicírculo a volta de Coimbra, cuja ocupação primitiva foi castreja e portanto de grande importância militar.
Localização Geográfica - de referir ainda a proximidade do mar importante meio de transporte, comunicação e comercio, associado á navegabilidade do rio Mondego, na época e provavelmente até ao sec. XII navegável até Coimbra e de leito mais profundo permitindo a circulação a barcos de maior calado (fig.10).

2.1. Factores Artificiais

Ainda dentro do âmbito da análise depois de já se ter referenciado alguns factores artificiais directamente ligados com os factores naturais - o conjunto de condições naturais favoreceram o aparecimento de povoados e logicamente ao movimento de pessoas e estabelecimento de comunicações terrestres que obrigavam à travessia do rio Mondego.
A travessia do rio tinha de se fazer no ponto mais favorável, de preferência em lugar onde o rio já não tivesse muita corrente e onde as margens se aproximassem. O sistema das barcas, que em alguns casos como o da ligação à estrada da beira e à Lousã durou até 1873, altura em que foi construída a ainda existente ponte da Portela, não servia para a travessia de exércitos como o romano, tornando-se moroso e perigoso para cargas maiores.
O sopé do cabeço de Santa Clara e a "portagem", apresentavam características óptimas para se vencer o rio.
O traçado da via militar romana de Olisipo ( Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), uma das vias mais importantes da época, ao entrar neste território procurou evitar os terrenos acidentados do interior e os baixos alagadiços e pantanosos da beira-mar. Mesmo quem viesse do mar, era aqui que se encontrava o primeiro ponto em que o terreno firme possibilitava a comunicação de uma margem com a outra (fig.11).

Ponte. Aqui foi edificada a primeira ponte , provavelmente romana (em madeira ou em pedra), reconstruida no séc. XII por D. Afonso Henriques e restaurada por D. Manuel no séc. XVI (1513), foi demolida no final do sec. XIX, que para além de uma destruição patrimonialmente de todo lamentável, foi constituir um dos primeiros grandes erros urbanísticos de Coimbra.
Não se tendo encontrado referências sobre a construção da ponte primitiva, fica-nos somente a noticia de que sofreu grandes obras de restauro e melhoramento em 1513, mandadas fazer pelo Rei D. Manuel.
Partindo do princípio comummente aceite pela sociedade cientifica de que a primitiva ponte é romana , fecha-se o ciclo das estruturas artificiais desta época. Com efeito os romanos introduziram factores determinantes para a formação e crescimento da cidade de Coimbra ao fazerem passar a via militar por Coimbra . A construção da ponte fez com que Coimbra deixa-se de ser apenas um ponto fortificado.
Cruzamento de vias Com a construção da ponte passa a haver um cruzamento de vias importantes- fluvial e terrestre .
Valor Estratégico e Entreposto comercial. Cria-se um entreposto comercial, de importância estratégica e militar e a navegabilidade do rio termina aqui , já que a ponte corta o rio, sem lhe deixar possibilidade de passar por baixo, salvo a pequenas embarcações. A proximidade do mar e a navegabilidade do rio até à foz, vai criar um verdadeiro centro urbano cuja atractividade e acessibilidade vai-lhe progressivamente tirando o caracter de cidade -satélite, ganhando importância à vizinha Conimbriga ( cuja população teria sido de 10/15.000 habitantes ) .

Aeminium
Só assim se compreende o conjunto de construções monumentais do Forum-Criptóportico (fig.12), da construção de um aqueduto, a existência de um Balneário e Termas, e de um hipotético circo de corridos no local onde hoje é a Praça Velha ou do Comércio. De referir ainda a importância da existência e proximidade de uma importante cidade nas proximidades de Coimbra , como Conimbriga (fig.13).
Muralhas
Na duvida fica ainda a construção das muralhas . A seu favor fica o termo e a referência de autores latinos que designam Coimbra como OPPIDA ou OPPIDUM , que significa em latim " Cidade de altura e fortificada"
A conquista romana da Península Ibérica inicia-se em 218 a.c e terminou em 26 a.c.. A ocupação romana termina em 409 d.c. , com a invasão da Península por Suevos , Alanos e Vândalos.
A permanência de 600 anos na Península deixou uma herança cultural riquíssima que permanece até hoje na estrutura da sociedade e também na arquitectura,

Igreja Católica
Os romanos introduzem um factor de máxima importância que é a introdução da Igreja Católica que aliada sempre ao poder vai desenvolver uma actuação da máxima importância para a história do Mundo, do País e que em Coimbra vai assumir um papel de vanguarda no ensino pré-universitário e universitário, vai marcar a arquitectura a pintura a escultura e as restantes artes e vai ser pioneira no planeamento Coimbrão, projectando uma via de grandes dimensões para a época e procedendo a uma actuação de renovação e revitalização urbana sem precedentes tanto na cidade Alta como na cidade Baixa.

Conclusão
A cidade em Portugal institui-se formalmente e conhece o seu desenvolvimento com os romanos. Efectivamente a "cidade Clássica" , foi a origem da cidade portuguesa no sentido que lhe deu forma , uma estrutura , zonamento e funções. Isto não quer dizer que não existissem aglomerados urbanos com dimensão e organizados como tal. Toda a cultura castreja mostra a existência de núcleos florescentes e a estrutura (fig.14) de uma sociedade - pré-urbana ? Ou já urbana.
Com efeito estas sociedades são muito antigas e só chegaram até nós vestígios da sua época final , antes e durante o processo da romanização . Interessante exemplo é a cidade de Numancia , em Espanha , junto ao rio Douro , em que foi encontrada e escavada uma cidade ibero-romana , processo de transição de culturas e cidade a que se chama romanização. Aqui pode observar-se a introdução de uma malha ortogonal orientada a N-S estruturada por duas grandes vias principais, que escavações recentes confirmam serem sobrepostas ao antigo traçado , regularizando-o e criando quarteirões. Pode também observar-se a via da ronda circular paralela às muralhas .. O nucleo principal da cidade media 3.100 com uma área urbana de 120 por 310 metros e uma superfície de 24 Ha.

ın…MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, policopiado, tese de mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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RECONHECIMENTO E INVENTÁRIO DE RECURSOS DA REGIÃO E SUAS POTENCIALIDADES

RECONHECIMENTO E INVENTÁRIO DE RECURSOS DA REGIÃO E SUAS POTENCIALIDADES

Síntese
Depois desta introdução a meu ver fundamental para o conhecimento da história e da estrutura da cidade e região de Coimbra, estão analisados os principais factores justificativos do aparecimento e formação morfológica da cidade:
Reconhecimento e inventário de recursos da região.
Naturais -topografia , existência promontório natural e de um lugar adequado para a travessia do rio ; terra fértil, possibilidades de agricultura ; existência de um rio, abundância de água, pesca e caça .
Artificiais - Instalação de um núcleo castrejo; estabelecimento de uma cidade romana nas proximidades; passagem de uma via militar; importância militar estratégica; construção de uma ponte e consequente cruzamento de vias-terrestres e fluvial; formação de um entreposto comercial; instalação da organização romana na cidade..
Análise dos factores de referência- História - A instalação do núcleo castrejo , possibilitou a instalação da civilização romana que elevou este lugar a categoria de cidade. Com o seu desenvolvimento criou o factor acessibilidade e atractividade. Para isso contribuíram decisivamente os factores geográfico, a sua localização próxima do mar e junto a uma importante via terrestre e a existência de um rio navegável;formação de um entreposto comercial ; a geologia que permitiu o aproveitamento agrícola e a extracção de pedra para a construção; o clima ameno e as suas restantes características de ventos , precipitação e insolação, conjugado com a sua topografia de promontório fácil de defender, tornou esta cidade, capital de importância fulcral para quem quisesse dominar a região.
O Homem - A sucessiva passagem e prolongada estadia de povos e culturas diferentes, dotaram a cidade de uma estrutura morfológica complexa. Os romanos deixam toda uma obra de infraestuturas, vias , abastecimento de água e um princípio de organização ortogonal no topo da colina, alguns edifícios e espaços públicos que vão ser estruturantes no desenvolvimento da cidade e dividem a cidade em duas zonas- a Alta dentro das muralhas e a Baixa extra muros. Introduzem o catolicismo.
A civilização árabe não vai alterar esta situação. Pelo contrário dá-lhe nomes - Almedina e Arrabalde. Marca também definitivamente o tipo de ocupação no interior da Almedina , cercando o topo da colina onde existe um princípio de estrutura ortogonal por um casco circular , agarrado ao terreno e às curvas de nível , mas tipicamente árabe , com ruas estreitas e sinuosas terminando por vezes em becos, com pequenos largos e casas com pátios e jardins interiores.

O Passado , O Presente e o Futuro
Justificado o aparecimento e o desenvolvimento da cidade de Coimbra até ao aparecimento da nacionalidade , isso não justifica a sua afirmação como a importante cidade que foi e que é actualmente.
Fazendo uma breve análise há dois factores decisivos:
- O facto de ter sido Capital do País durante perto de 100 anos , tendo portanto passado a ser uma referência permanente na história do País.
Como se diz na parte inicial deste trabalho , onde se refere o tema da regionalização, por uma segunda vez, Coimbra, dadas as circunstâncias históricas e geo-politicas, poderá vir a ser formalmente o que sempre foi na prática , a capital regional das Beiras.
- O facto de em 1308 ter sido implementada a Universidade pelo Rei D. Diniz , subtituindo-lhe a função de capital politica pelo de capital intelectual. Revitalizando a área degradada da "Alta", e revitalizando a sociedade e a cidade de Coimbra.
Com a transferência definitiva da Universidade em1537 , a transformação da cidade foi também definitiva. Encontrou-se a si mesma e encontrou a sua função principal. Toda a projecção passada , presente e futura da cidade de Coimbra , passa pelo Polo Universitário e o enorme prestigio que uma instituição com 700 anos de vida tem no contexto interno da cidade no País e no Mundo. Fomos , somos e seremos sempre uma cidade universitária com todas as implicações que daí resultam.
Estes dois factos associados ou mesmo dissociados remetem Coimbra para a área da cultura , serviços e turismo , por acompanhamento, como os potenciais recursos da região.

…in…MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, policopiado, tese de mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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ANÁLISE GLOBAL E BREVE RESENHA HISTÓRICA DA CIDADE DE COIMBRA

ANÁLISE GLOBAL E BREVE RESENHA HISTÓRICA DA CIDADE DE COIMBRA


[ Tratar , pues , de las ciudades sin referencia alguna a su realidad histórica es algo así - tan inconcebible hoy - como tratar del hombre sin tener cuenta su vida; pero tenerla en cuenta no como algo episódico , sino como algo que constituye su própria sustantividad. Del mismo modo , la historia es para la ciudad , la ciudad en un sentido plenario , no un accidente inscrito en ella a través de los años, sino la argamasa que constituye la razón de ser de su interna estructura. ]


1. ANÁLISE HISTÓRICA , ARQUITECTÓNICA E URBANÍSTICA.

Análise cronológica da cidade das suas fases de crescimento relacionadas com os factos arquitectónicos de referência as principais correntes da história da arte, do urbanismo e do pensamento europeu.
Introdução histórica sobre a formação da cidade e dos povos que a habitaram.
Os Povos e a História

Celtas , Iberos e Celtiberos, é a denominação mais comum do conjunto de povos de origem indo-europeia que habitaram a península, nomeadamente a beira interior, desde o final da Idade do Bronze.
De acordo com Jorge de Alarcão situa-se no séc. V. a.c. a data da primeira imigração celta para a península.
Aqui se situa a cultura castreja, base referencial de arranque para a datação de aglomerados e ocupações certas na zona de Coimbra.
A cultura castreja baseia-se na pastorícia e no saque.
O povo Lusitano nasce da mistura entre estes vários povos que viveriam mais ou menos em guerra uns com os outros, mas que se uniram frente a um inimigo mais poderoso e comum - os romanos .
Este povo guerreiro combateu os romanos durante cerca de 196 anos, tendo no fim capitulado.
Destas guerras valerá a pena mencionar dois nomes de chefes Lusitanos - Viriato e Sertório - e um Imperador Romano Julio César
A conquista romana da Península Ibérica inicia-se em 218 a.c e terminou em 26 a.c.. A ocupação romana termina em 409 d.c. , com a invasão da Península por Suevos , Alanos e Vândalos.
A permanência de 600 anos na Península deixou uma herança cultural riquíssima que permanece até hoje na estrutura da sociedade e também na arquitectura, nomeadamente em Coimbra no seu Criptopórtico , e nas proximidades na cidade abandonada de Conimbriga.
Historicamente pode-se datar * o nascimento do aglomerado como cidade neste período, havendo referências cientificamente comprovadas em que é referida a cidade no século III d.C..
O período visigótico vai de 585 a 714 d.C.
Em 721 dá-se a invasão árabe da península e em 714*, a cidade de Coimbra passa para o domínio muçulmano.
O período de ocupação árabe vai do século VII ao sec. XII, 400 anos. Durante esta época Coimbra terá conhecido o seu período mais conturbado com sucessivos assaltos e destruições da cidade com apeamento das muralhas e torres*.
Do período árabe fica-nos parte da "Alma", o casco antigo da alta , tipicamente árabe, uma enorme influencia na linguagem e alguns novos costumes alimentares.

No sec. XII forma-se Portugal como nação. No sec. XIII estabelece os limites e as fronteiras que mantém até hoje.

História das civilizações pré-portuguesas e do aparecimento de Portugal .

O Castro
A estrutura natural do sítio acima descrita justifica a existência de uma ocupação castreja (Emínio - Aeminium é voz celta romanizada), semelhante e provavelmente integrada na estrutura e organização castreja, já determinada , particularmente estudada na zona de Condeixa/Rabaçal e baixo Mondego.
Esta cultura possuía um grau de organização próprio. Ocupava o cimo dos montes, onde edificava o seu povoado, defendido por muralha de pedra ou paliçada. Normalmente labiríntico por questões de defesa, estes núcleos mostram um princípio de uma estrutura de organização urbana. As habitações são normalmente de planta circular de um ou duas divisões, construídas em pedra mal aparelhada, assente a seco ou com uma argamassa de terra e barro, utilizava-se também o adobe e a taipa como materiais de construção. As coberturas das construções seriam provavelmente de colmo , e nas zonas em que existia, em xisto (fig.15).

2. Os Romanos
A conquista romana da Península Ibérica inicia-se em 218 a.c e terminou em 26 a.c.. A ocupação romana termina em 409 d.c. , com a invasão da Península por Suevos , Alanos e Vândalos.
A permanência de 600 anos na Península deixou uma herança cultural riquíssima que permanece até hoje no parcelamento da terra , na divisão administrativa , na localização das principais cidades , no traçado das vias , na religião , na estrutura da sociedade e na arquitectura, nomeadamente em Coimbra no seu Criptopórtico , e nas proximidades na cidade abandonada de Conimbriga.
Particularmente importante é a tipologia arquitectónica romana , em cuja unidade - casa-"villa" romana vai servir de "modelo" e é adaptada à construção civil e aos mosteiros (fig.16).
A casa de campo romana, agrupando em torno da casa senhorial instalações agrícolas que se desenvolvem à volta de um pátio central forma um tipo ou modelo de carácter rural que vai servir de base de arranque para a casa senhorial portuguesa.
Em relação à arquitectura religiosa a importância é ainda maior. Vão aparecer em Portugal e por toda a Europa cristã , grandes edifícios com um pátio central - claustro- em torno do qual se dispunham as dependências comunitárias e o oratório de culto. Este modelo vai persistir evoluindo e adaptando-se ás necessidades , colegiais no caso de Coimbra onde se mantém até ao século XVIII.
Urbanisticamente introduziram a malha ortogonal , cuja dificuldade de aplicação a um território topográficamente diferente e muito acidentado levou à sua adaptação a formas mais orgânicas cuja memória foi em parte apagada pelos povos que posteriormente se instalaram na península.
Lamentavelmente não deixou nenhuma "cidade clássica" viva como testemunho.
Historicamente pode-se datar o nascimento de Coimbra como cidade com o adjectivo urbana, neste período, havendo referências cientificamente comprovadas em que Coimbra, então "Aeminio", é ,referida como cidade no século III d.C .
Pode-se presumir que é uma cidade de origem natural e espontânea , que possuia um aglomerado anterior e que uma civilização castreja existia aqui , manifestando-se sob a forma de uma cidade com características próprias.


Implantação do Forum Romano, segundo ALARCÂO.

3. Visigodos
Nos meados do sec. VII vamos encontrar na Península Ibérica uma assimilação de usos e costumes entre Godos e Hispano-Romanos. Na anarquia das invasões germânicas que assolaram a Península a Igreja, que desde a época romana gozava de certa supremacia e independência, é a instituição com funções políticas e administrativas, constituída , que sobrevive e na qual os visigodos encontram como elemento de autoridade e ordem.
Os monarcas visigodos respeitam-na como corporação nacional organizada , reconhecem-lhe superioridade de instrução e , de certo modo , convertem-se à sua religião. Pensam utiliza-la em proveito próprio, como forma de autoridade, tornando-se até certo ponto, instrumentos da autoridade eclesiástica.
Na pessoa de um rei visigótico peninsular, encontram-se reunidos os três elementos de tradição diferente - o príncipe do direito romano, o chefe natural , soberano seguindo os usos e costumes militares aristocráticos germânicos, e por ultimo o sumo-sacerdote, como influencia da religião católica.
No monarca visigótico peninsular o carácter dominante é o de sacerdote, como prova da influencia que a igreja teve sobre o povo germânico invasor.
A monarquia visigótica vai-se tornando teocrática. O rei não é um semi-deus, mas sim um chefe político e religioso da Nação, cujo conselho é formado pela assembleia de Bispos.
A paz estabelecida no mediterrâneo por Justiniano, vai favorecer as trocas comerciais, espirituais e artísticas entre o Ocidente e o Império de Bizantino cristão.
O período visigótico vai de 585 a 714 d.C. Durante este período foi transferida a sede do Bispado para Coimbra. Foi cunhada moeda nos reinados de Recaredo(586-601), Liuva (601-603), Sisibito (612-621) e Chintila (636-640) .

4. Árabes

Em 721 dá-se a invasão árabe da península e em 714*, a cidade de Coimbra passa para o domínio muçulmano.
O período de ocupação árabe vai do século VII ao sec. XII, 400 anos. Durante esta época Coimbra terá conhecido o seu período mais conturbado com sucessivos assaltos e destruições da cidade com apeamento das muralhas e torres*.
Do período árabe fica-nos uma estrutura de casco tipicamente árabe , ruas estreitas e sinuosas terminando por vezes em becos, com pequenos largos e casas com pátios e jardins interiores."... os espaços de circulação adoptam formas variadas para vencer o declive, quase sempre em escada ou ladeira íngreme e sinuosa , sendo a negação do valor estrutural da rua constante neste espaço da "Alta". As ruelas são geralmente em linha quebrada , sem alinhamento recto. É frequente a rua prolongar-se mediante uma esquina que rompe a perspectiva à semelhança do que acontece nas cidades islãmicas. "
Importante de referir a existência de termas , eventualmente romanas , em Coimbra dado o facto de serem uma das mais importantes manifestações da vida social árabe.
A estrutura da porta de Almedina que corresponde á importância dada normalmente as portas das cidades árabes . A sua estrutura corresponde a uma porta dupla ( ver portas e arcos ) a primeira dá acesso a um largo -pátio de armas - que por sua vez possui outra porta que dá acesso a cidade. A porta é como um vestíbulo da Cidade .
Ficou também referências à muralha e a uma porta. Existe junto ao museu Machado de Castro um arco cuja atribuição é mais Moçárabe.
Na arquitectura deverá ter sido marcada pelo uso da cor, da cal branca e os ocres amarelos ,azuis, verdes e encarnados.
Ficou ainda uma enorme influencia cultural , na linguagem e alguns novos costumes alimentares.
Do confronto entre estas duas culturas antagónicas resulta uma miscelalização e uma coabitação de usos e costumes, que permitiu um intercâmbio cultural e artístico.
Da violência dos combates resultou a destruição da cidade de Coimbra , Colimbria na época, e o desaparecimento dos principais edifícios , romanos, visigóticos, árabes e pré-romanicos.

No sec. XII forma-se Portugal como nação. No sec. XIII estabelece os limites e as fronteiras que mantém até hoje.
O inimigo árabe foi forçado a retirar para o sul da vizinha Espanha onde floresceu , manteve comércio com Portugal e permaneceu até ao sec. XVI.

Sobre o Pensamento Árabe
1.4 História da Igreja Católica ,suas Ordens Religiosas e o movimento das Cruzadas na formação do Condado Portugalense e no aparecimento de Portugal como Nação.

5.3. As Ordens Religiosas

1. Cruzadas
O nascimento de Portugal está intimamente ligado ás cruzadas e várias vezes a ajuda dos cruzados foi importante no esforço da reconquista.
A todo o movimento de reconquista esteve associado a acção das ordens religiosas militares que, ou de origem peninsular como Santiago da Espanha, ou de origem Oriental como o Hospital (Hospitalários), e o Templo (Templários), tiveram papel decisivo no despertar e manter do ideal e dos objectivos da cruzada. Foi muito importante a sua acção , a par com outras ordens monásticas não militares. Foram primordiais no ensino e na propagação das artes e das ciências até à sua extinção no séc.XVII/XVIII.

5.4. O Condado Portugalense
Depois da reconquista de particular interesse para Coimbra reveste-se o facto de o Conde D. Henrique, pai do nosso 1º Rei, D. Afonso Henriques, ser um cruzado Francês , ligado à importante ordem de Cluny., principal responsável pela difusão do estilo românico em Portugal.
As condições em que se processou entre nós a reconquista, terão influenciado decisivamente a expansão da arquitectura românica, e , não só a expansão, mas igualmente nos pormenores construtivos dos templos, que aliam à robustez própria deste estilo numa aparência de fortaleza, patente em muitas das nossas sés, bem como nas torres e adros murados de igrejas de menores dimensões.
Associava-se assim ao aspecto cultural o defensivo em caso de invasão eminente. Um bom exemplo disso é a Sé Velha de Coimbra.
Depois da reconquista estes dois poderes que vão andar lado a lado durante 900 anos legitimando-se, guerreando-se e justificando-se mutuamente.
Vão preferencialmente instalar-se em lugares separados.
Do lado de fora das muralhas de Coimbra vão aparecer os domínios eclesiásticos , Santa Cruz , S. Tiago, S. Bartolomeu e Santa Justa -a-Antiga , formando núcleos geradores de povoamento à sua volta e também criando os primeiros obstáculos ao normal desenvolvimento da cidade com as suas "cercas" privativas que se vão expandir até encontrarem barreiras naturais.
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Last edited by O Prof Godin; January 16th, 2009 at 12:37 AM.
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A Cidade Medieval Europeia e o fenómeno da formação dos Concelhos ou Comunas como forma política de gestão municipal

A Cidade Medieval Europeia e o fenómeno da formação dos Concelhos ou Comunas como forma política de gestão municipal.

Séc. XII - A capital de Portugal

Longe do norte das vassalagens feudais, a curta distância de uma enraizada cultura urbana, parcialmente laica, tornou-se cosmopolita dotando-se da sapiência cruzia, mãe bisada da instalação da Universidade que, ganha a côrte pelo sul, se instituiu como rédito do favor real e da centralidade reflexiva do seu espaço na escala nacional.


A cidade Medieval
O Concelho ou a Comuna


Henri Pirenne , define a cidade medieval nos seguintes termos " uma comuna comercial e industrial que habitava dentro de um recinto fortificado , gozando de uma lei , uma administração e uma jurisprudência excepcionais que faz dela uma pessoa colectiva privilegiada " . O casco histórico medieval de Coimbra consolida-se durante o reinado dos três primeiros Reis de Portugal , durante o período de tempo em que foi Capital do reino.
Já nesta época , como se viu anteriormente , a cidade estava dividida em duas partes - a Alta ( Almedina ,intra muros , onde se localiza o Paço Real ( alcáçova) rodeada pelos palácios da nobreza )e do clero , e a Baixa ( arrabalde extra muros - que se passarmos para uma linguagem actual se diria franjas peri urbanas zonas de uma vitalidade comercial fundamental).
Durante a época da reconquista era necessário incrementar a manutenção a criação de novos aglomerados urbanos , para que se conseguisse uma colonização efectiva do território. Nesta perspectiva o Rei através do poder de que era conferido , desenvolvia uma política de privilégios através de cartas de foral , franquias e outros benefícios , de forma a atrair as populações para os novos aglomerados. Uma vez constituídos , os homens que habitavam a cidade eram homens livres , sem Senhor a quem tivessem de servir .
A necessidade de organização destes núcleos favorece o aparecimento de uma administração que vai governar, independentemente de Senhores , directamente ligada ao Rei, com uma lei e finanças própria. Segundo Max Weber é aqui que aparece a noção do Terceiro Estado - o povo.
Ainda segundo Weber uma das razões que levam ao aparecimento da cidade comunal , foi a necessidade de organizar um sistema de contribuições voluntárias para atender ás sempre prementes e necessárias obras de edificação e manutenção das muralhas da cidade. Por outro lado a noção de propriedade que se desenvolve na burguesia nascente (gente que habita o burgo) obriga - é essa a sua condição jurídica - a vigiar e defender a fortaleza.

Forma
Coimbra é uma típica cidade de geração espontânea , mediterrânea , medieval Ibérica , radioconcentrica ,com vestígios de uma permanência Árabe nas vias, cujo arrabalde inicial, binuclear , medieval , termina junto ao rio com uma estrutura de espinha de peixe pela metade ou em pente. Um segundo arrabalde desenvolve-se através de uma processo de transurbanização do lado de lá do rio.
Efectivamente orgânica e por naturais necessidades de adaptação topográfica das vias ao terreno , Coimbra medieval apresenta uma estrutura de vias principais que partem do seu centro que se situa na praça anexa à Alcaçova e se desenvolvem radialmente até ás portas da cidade muralhada . Um conjunto de ruas e ruelas secundárias , pedonais , unem ás principais. O perímetro definido pelas muralhas é circular/ elíptico. O arrabalde tem uma estrutura binocular, inicial, uma vez que se desenvolveu em torno de vários pólos aglutinadores- Mosteiros- que se desenvolvem ao longo de uma via central - antiga via Roma , Lisboa/Braga- , cujo restante casario se desenvolve em vias perpendiculares à principal e paralelas entre si.
A localização corresponde também á imagem tipo ideal da cidade medieval , uma colina rodeada por um fosso natural de um rio.
Não se deverá esquecer que embora de estrutura radioconcentrica as vias apresentam vestígios da permanência árabe, nas suas permanentes quebras de direcção, que transmitem uma noção de espaço fechado , sem continuidade , que a todo o momento se desdobram em duas vias que quase paralelas nos levam ao mesmo lugar, alargando e estreitando o seu perfil , sem aparente justificação, terminando por vezes em becos sem saída ou pátios.

Estrutura da Cidade de Coimbra Medieval


3 Zonas distintas há a saber (fig.17): 1- Almedina (intra -muros).
2- Arrabaldes ( contíguo extra-muros)
3- Arrabalde de S.tª Clara ( do outro lado do rio)
Almedina : Dentro da cidade murada vamos encontrar 3 pólos principais de urbanização ligados ás 3 principais funções - Administração- Alcaçova ( residência dos condes governadores de Coimbra , depois Paço Real , depois Universidade), Defesa Militar -Castelo; Religião - Sé Velha.
Um outro pólo existia certamente ( embora não documentado) englobando as Igrejas de S. Salvador e de S. João aproveitando a existência do Fórum romano ( Criptoportico ), como terreiro.
Ainda como factos urbanos de referência à a considerar as Igrejas de S. Cristovão ( hoje Teatro Sousa Bastos) , S. Miguel e de S. Pedro.
Dentro de muros Há ainda a considerar uma zona Verde , despovoada , a norte /nascente , onde se encontravam hortas , vinhas e pomares , futura zona de expansão e reserva urbanística .
Zona comercial - definida pela rua que hoje vai do largo da Sé Velha à Porta de Almedina , prolongando-se até à Praça do Comércio. A primeira Praça ou largo de carácter Urbano é sem duvida o largo da Sé.
Arrabalde 1 - Os pólos formados pelas Igrejas de S. Bartolomeu e S. Tiago cruzando-se com o principal eixo viário do País e a natural ligação fluvial ao porto da Figueira da Foz vão gerar o aparecimento do mais importante Forum(largo/entreposto comercial/praça) da cidade -a Praça do Comércio , que à época deveria ser um vasto terreiro que intercomunicava com o futuro largo de Sansão ( hoje praça 8 de Maio), e com os pólos de S.tª Cruz e S.tª Justa-a-antiga.
Arrabalde 2 - Junto à Porta do Castelo desenvolveu-se um pequeno núcleo ou judiaria .
Arrabalde 3 - Núcleo desenvolvido em torno do convento de Santa Ana e S.Francisco -da-Ponte, consolidado com a construção de S.tª Clara-a-Velha.
Ponte Sobre o Mondego.




Coimbra Medieval, segundo ALARCÂO

Zonamentos e Função . A Desertificação da Alta
SEC. XIII/XIV


Com a estabilização das fronteiras a Sul, a conquista de Lisboa e a conquista do Reino dos Algarves, era inevitável a transferência da capital do Reino para Lisboa , cuja localização geográfica apresentava óbvias vantagens.
Com esta mudança , a cidade Alta ,murada perde a sua função , administrativa e residencial. O Paço Real fica abandonado , assim como a maioria das casas ocupadas pelos nobres da corte que acompanharam o Rei para Lisboa. Surgem os inevitáveis problemas de conservação de edifícios , segurança , e o problema da acessibilidade difícil dado tratar-se de uma colina íngreme , afugenta os restantes moradores nomeadamente comerciantes , aliciados pelo desenvolvimento comercial do arrabalde. Por outro lado já não se punha a questão da segurança das muralhas com o fim da guerra e as obrigações e impostos recaiam sobre quem morava na Almedina.
Este movimento encontra-se em vários outros núcleos urbanos portugueses , sobretudo do interior do País . Assim os sítios alcandorados perdem a sua função principal - militar. Se as circunstancias da sua localização geográfica lhe são adversas , pode acontecer serem abandonadas , dando origem a novas povoações a curta distancia , como Vila Nova de Ourem e Reguengos de Monsarás , em que aparecem novas povoações em zonas topográficamente mais acessíveis , ou no caso mais comum quando se encontra uma outra função para a cidadela ou pura e simplesmente se abandona o local , desenvolvendo-se o aglomerado no sentido das terras baixas e planas junto ao rio como nas cidades do Porto , Lisboa , Coimbra e Tomar.

A cidade Portuguesa

Origem
A maior parte das cidades portuguesas existentes na idade média são de origem espontânea na qual ao povoamento castrejo sucedeu a ocupação romana que desenvolve e estrutura o seu núcleo central. Por vezes como o caso de Viseu, é o acampamento romano que lhe dá origem, mas sempre ligado a uma ocupação castreja anterior.
Cidades fundadas conhece-se o caso da Guarda, Pinhel e Lamego , que são implantadas no terreno já com a função de cidade. A maior parte dos casos de aglomerados urbanos que foram fundados , nunca ultrapassou a dimensão do lugar ou da vila , tendo perdido importância e/ou desaparecido quando a sua função defensiva deixou de se justificar. Dá-se então um processo de seleção natural de lugares , mais ou menos apetecíveis , em que a proximidade do mar joga papel preponderante na sua afirmação como cidades.

Localização
Este movimento , associado ao factor a que Jose´ Manuel Fernandes chama de Litoralização da cidade portuguesa, fenómeno facilmente compreensível dado ao principal meio de transporte na época ser marítimo e fluvial e ao grande incremento comercial , vai caracterizar as principais cidades em termos de localização geográfica - próximo da foz de um rio , caso de Coimbra, ou na foz , caso de Lisboa ou Porto.

Zonamento

Paralelamente o posicionamento da cidade em relação ao rio, o seu zonamento vai definir as novas funções da cidade. Assim a cidade localiza-se na margem direita do rio , exposta maioritariamente a Sul , desenvolvendo na margem esquerda um arrabalde , " Baixa ou Ribeira", popular e comercial, junto a um porto marítimo ou fluvial, contrapondo a uma " Alta ", nobre , residencial, de caracter defensivo.
Função - A Introdução da Universidade como Factor de Revitalização
Em arquitectura , no caso de recuperação e intervenção em edifícios históricos , defende-se a teoria de que não se deve alterar as funções iniciais , com risco de se perder a coerência dos espaços e a sua estrutura principal.
No caso da Alta de Coimbra encontramos uma dualidade problemática , já que a inteligente acção da sua recuperação para a função universitária , funcionou de uma forma exemplar , mas irreversível. Foi o que eu chamo de acto definitivo , pois embora tenha recuperado uma área degradada foi-lhe mutilando sucessivamente os factos urbanos que lhe deram origem e a caracterizavam, implacavelmente um a um , portas , muralhas , arcos, castelo , torres , palácios, casas , tudo foi sacrificado a sua nova função , terminando calamitosamente neste século com a demolição do seu centro histórico e construção das Universidades dos anos 50. Paradigmaticamente 700 anos depois da sua implantação chegou-se á conclusão que o espaço não funciona , não responde á sua nova função.
Assim hoje as novas universidades dos anos 90 estão a ser transferidas para áreas mais apropriadas ás novas necessidades.

Conclusão - Resumo
A tipificação da cidade em qualquer época é dúbia e enganadora . Produto do homem e não de Deus , tem a sua marca de forma caprichosa ou despótica , casuística e caótica. Todas as declarações universais são erróneas , incluindo esta.
No entanto ha princípios que valerá a pena enumerar em relação à cidade , à cidade medieval, portuguesa, peninsular , mediterrânica , europeia do sul.
A cidade portuguesa caracteriza-se por ter uma ocupação anterior , castreja , à cidade clássica - romana. Esta por sua vez desapareceu , devido à passagem de outras civilizações , deixando a localização o topónimo , alguns vestígios em vias e um ou outro monumento.
No processo evolutivo de construção e desenvolvimento da cidade há épocas mais marcantes que outras. Em cidades como Coimbra , de geração espontânea , dentro de uma teoria de anéis concêntricos nos quais cada época vai envolvendo sucessivamente a que a precedeu, vamos encontrar níveis estratigráficos da história da cidade que partindo de um ponto inicial - o castro primitivo do qual só restam suposições - aparece uma cintura envolvente de muralhas no interior das quais se vão sobrepor várias camadas de história e de factos arquitectónicos , que prevalecem no tempo até hoje , misturando-se as suas ocupações romana , visigótica e árabe. Desta mistura de civilizações cujos vestígios são hoje de difícil interpretação , houve uma época que marcou determinantemente a estrutura do seu casco. É pois a cidade medieval , que , integrando todos os elementos que a precederam , marca definitivamente o seu casco e lhe dá a forma que mais a marca temporalmente até hoje.
A cidade orgânica medieval de Coimbra , corresponde ao espírito da época enunciado assim por Alberti " As vias - dentro do coração da cidade, seria mais elegante não fazê-las rectas mas mudando de direcção várias vezes , retrocedendo e seguindo adiante , como o curso de um rio. Pois assim , além de parecer muito mais longa , aumentaram ideia de grandeza da cidade , e constituirão igualmente , uma grande segurança contra todos os acidentes e emergências. A demais , esses meandros das ruas farão com que o caminhante , a cada passo , descubra uma nova estrutura , e a porta dianteira de cada casa ficará directamente em face do meio da rua; e onde , como em cidades maiores ,até mesmo a largura demasiada é pouco elegante e pouco sadia , numa cidade menor será ao mesmo tempo sadia e agradável ter uma visão aberta como essa desde cada casa , por meio da curva da rua".
- A rede viária é sobretudo pedonal, havendo uma ou duas vias estruturantes destinadas à circulação de carroças.
- Aparece-nos o calcetamento de algumas artérias.
- A rua estreita e os beirais pronunciados oferece protecção contra o sol e o calor de verão e contra o vento e a chuva no inverno.
- A actividade económica desenvolve-se num sistema corporativo que ocupam ruas inteiras, constituindo bairros, formando "ilhas" por vezes perpendiculares à rua. As ruas destingem-se por ofícios e misteres - rua dos sapateiros , rua das padeiras, etc...
- Não há monumentalidade - com a devida excepção para confirmar a regra, num ou noutro caso provavelmente ligado á Igreja- a arquitectura é feita à escala humana , com pequenas variações de cercea , de materiais coberturas e tipologia de Vãos.
- A Sé-Velha fica no centro da cidade, com adro e praça anexa. O cesso não é recto. A aproximação faz-se por ruas tortuosas. Não foi construída num lugar ermo É efectivamente o centro estrutural e nevrálgico da cidade com uma actividade diária permanente, tem carácter defensivo e um programa interior que mostra a sua ambivalencia de funções. Como diz Mumford "não demasiado sagrada para servir de sala de refeições para uma grande festa, de teatro para uma festa religiosa , de fórum onde os estudiosos das escolas da igreja podiam encenar competições oratórias e eruditas..."
- Toda a construção medieval , incluindo a cidade de Coimbra, não tem um acesso directo, os caminhos desenvolvem-se longos curvos , circulares , por vezes elípticos, até se atingir o local. As construções da cidade acompanham este movimento seguindo as curvas de nível e os contornos da natureza.
- A forma dos largos e praças é irregular e não formal , sobretudo no adro da Sé.
- A praça do comercio , de maiores dimensões e forma oval, vai servir de palco a todo o tipo de acções desde a aplicação de castigos públicos ( chicotada), à tradicional tourada, ao torneio , e à própria inquisição. Inicialmente maior , subdivide-se , formando um conjunto de pequenos largos intercomunicantes , com um maior ,com funções distintas.
- Tem muralhas , portas e castelo.
- Tem uma só cinta de muralhas , dada à população existente intra muros e à relativamente grande dimensão da Almedina(30 Ha). O processo de "alargar o cinto", como refere Munford , sempre que à necessidades de crescimento das cidades , verifica-se em Coimbra pela manutenção e reconstrução das muralhas existentes. Assim as "cercas" Fernandinas e posteriormente Manuelinas , que se encontram em cidades como Lisboa e Porto , em Coimbra estão marcadas pela reconstrução e consolidação da muralha existente.
- Finalmente sobre o planeamento da cidade e à aparente ausência de uma malha ortogonal bem definida ter-se-á que reflectir. Coimbra aparece como cidade no tempo dos romanos. Sabe-se que os romanos respeitavam particularmente as aldeias ou aglomerados locais , nunca os destruindo , implantando o seu acampamento ao lado. No caso de Coimbra se o fizeram , acabaram por anexar o núcleo castrejo existente. O Cardo e o Decumanos que alguns historiadores pretendem ver em Coimbra , poderam se-lo efectivamente , como produto resultante da adaptação da grelha romana à topografia Conimbricence. Se essa malha existiu , foi progressivamente alterada para uma ocupação orgânica , que aparecerá depois das invasões dos povos germânicos e árabes que com a sua permanência alterou o cadastro inviabilizando o desenvolvimento de um plano anterior e o aparecimento de um casco típico ortogonal.
-Já na idade média Coimbra intra muros tinha herdado o casco árabe com as suas características próprias. A ocupação limita-se a um normal desenvolvimento do existente , introduzindo uma estrutura de ocupação orgânica medieva.
No arrabalde , ainda hoje é visível em planta, uma tentativa de planeamento ortogonal, no qual é introduzida a ligeira inflexão para evitar os enfiamentos rectos , tão a contragosto da época. No entanto existe claramente intenções e planeamento , particularmente visíveis na gravura de Braunio , onde também é possível ver o aparecimento de uma frente ribeirinha que vai desenvolver-se e rematar quase ortogonalmente o planeamento anterior.

ın…MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, policopiado, tese de mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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A Cidade Gótica

Análise da cidade Gótica e a sua importância meramente pontual. Os Descobrimentos e os seus consequentes factores sociais e políticos, enquadrados numa sociedade de transição

A Cidade Gótica

Não existe. O gótico em Coimbra é pontual. Aparece em Claustros. A única obra gótica de raiz em Coimbra é Santa Clara-a-Velha. Aqui é mais o sistema construtivo gótico que é experimentado com sucesso.
No entanto , embora a influencia directa do gótico na cidade seja meramente pontual , não deixa de ser urbanísticamente importante , dado que com a construção do conjunto que formava na época Santa Clara-a-Velha , consolidou e desenvolveu um pequeno aglomerado urbano - Arrabalde de Santa Clara- que se vai desenvolver nos séculos seguintes , integrando a cidade (fig.18).

Os Descobrimentos
Factos sociais e políticos
O ciclo dos descobrimentos e a sua importância na estrutura da sociedade portuguesa renascentista e barroca , e a sua importância na cidade é matéria já exaustivamente estudada e demasiadamente complexa para ser tratada no contexto deste trabalho. Remete-se para a bibliografia e notas em anexo ,referente à época o seu estudo.

O Mosteiro , O Palácio , e a Fortaleza
Nesta época dadas ás circunstâncias histórico-sociais próprias de Portugal , a habitação nobre ou real , tende a aglutinar as três vertentes - mosteiro , palácio e fortaleza - numa só edificação. Históricamente constata-se que este sentimento perdura no carácter da residência civil , quase até ao século XX.
O estudo mais aprofundado da evolução da arquitectura encontra-se nos anexos finais.


A CIDADE RENASCENTISTA

O Plano da rua da Sófia do sec. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista.
O " Laço Novo" -A Rua Larga , o Enfiamento Recto, o Palácio Monástico e os Príncipes Renascentistas.

Coimbra Renascentista
Em 1500 , Frei Brás de Braga , homem despótico e firme nas suas convicções , presidia os destinos do todo poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
A ele se atribui o rasgamento da rua da Sofia (sabedoria), à época a rua mais larga do país (12 a 15 metros) , constituindo um enfiamento recto entre dois pontos, uma porta da cerca da cidade e o próprio mosteiro de santa Cruz , o qual remata a rua, embora não de uma posição frontal. sobreposto , num plano mais alto e ligeiramente recuado , aparece o conjunto dos palácios reais que constitui a universidade. Há aqui algum paralelo com a cidade clássica Grega.
Vai ladea-la um conjunto de edifícios destinados a colégios universitários , sejam destinados ao ensino pré-universitário , ou para estudos pós-graduação de preparação para o doutoramento. Basicamente são destinados ao clero e ás suas ordens religiosas aos nobres e aos homens livres, que sobre o alto patrocínio de um "Grande Senhor" , por vezes ligado também a um mecenas da época , cujo paralelo com o "príncipe renascentista" é obvio , manda construir grandiosos edifícios - palácios-, para aí colocar os seus "protegidos/ embaixadores" , para desenvolverem os seus conhecimentos e prestigiar a ordem que representam.
Paralelamente nas Igrejas dos colégios , a família nobre que participou o financiamento do edifício , integradas " Honóris Causa" na ordem como corpo laico , pagavam a construção de capelas laterais , com direito a culto e jazigo , que nesta época renascentista conheceu particular desenvolvimento escultórico.
No caso do colégio e Igreja já se encontrassem construidos , poder-se-ia pagar uma "indemnização" proporcional , com vantagem para os dois lados , segundo a mentalidade da época.
Tipologia
Os edifícios tem uma cercea mais ou menos regular que varia em média entre os 12 e os 15 metros , com 3 a 4 pisos , com uma arquitectura relativamente austera e classicista , com uma decoração de transição, sobretudo no seu interior, composta por elementos renascentistas portugueses , manuelino e barroco.
Os edifícios tem frente consideravelmente comprida para a rua , de cercea uniforme rematando no corpo da Igreja , que se eleva ligeiramente nas suas torres e frontão , por vezes suportado por colunas clássicas.
A planta é de origem conventual , com claustro quadrado , loggia sobreposta ladeando a Igreja ou Capela adjacente com a qual liga por porta. A Igreja é de Nave alta , elevando-se as capelas dos flancos até meia altura. O cruzeiro é de um tramo e a capela-mor é profunda dada a necessidade de implantação do cadeiral que entre outras funções servia de sala de aula.
O programa revela notáveis evoluções em relação à idade média. Na parte térrea desenvolvem-se os salões de aula , zonas de refeitório , separado da cozinha e restantes repartições utilitárias . Na parte alta aparece-nos a figura do corredor interior , inovação tipológica da época , que distribui as "celas-apartamento", ora para os dois lados ( risco ao meio) ou só para um dos lados.
A "cela-apartamento" é efectivamente uma novidade. A distinção de funções e zonamentos na habitação a que se vai assistir no Paço ou Palácio Senhorial, tem aqui um primeiro exemplo. O "apartamento-Tipo" , era constituído por duas divisões , uma mais pequena com a função de dormir - alcova - interligada com outra maior com função de escritório. Este ritmo programático vai criar um outro ritmo de fenestrações ainda hoje visível , marcado por uma cadência exterior com correspondência interior: janela grande - escritório , janela pequena - alcova.
A estrutura social destes colégios era bem diferenciada e estratificada. Assim havia colégios para ricos , para pobres , para nobres , para laicos e para o clero.
Na Rua da Sófia contaram-se 7 colégios renascentistas , com outras tantas Igrejas anexas , de um conjunto de 20 que se enumeráram terem sido construidas na época e mais 3 posteriormente. Não se contaram as que se desdobraram em mais de um edifício , nem as que se juntaram para formar um colégio. A maior parte destas escolas foram integradas na Universidade e perfaziam um numero de 23 escolas distintas construidas entre 1539 e 1779.
Assim se edificou o maior conjunto renascentista , universitário e religioso do País e talvez da Europa (fig.19)

Obras da Rua da Sofia
O Jardim da Manga , o Colégio de S. Tomás , o Colégio de Nossa Senhora do Carmo , o Colégio de Nossa Senhora da Graça , o Colégio Pontifíco e Real de S. Pedro , o Real Colégio das Artes - , o Colégio do Espírito Santo ou de S. Bernardo , o Colégio de S. Boaventura e a Igreja de S. Domingos constituem juntamente com o mosteiro "Mãe" de Santa Cruz , o primeiro conjunto renascentista de Portugal e de Coimbra.

A Via Militar - O Transporte Rápido - A Noção de Movimento
A carroça , a carruagem , o automóvel e os transportes públicos
Uma nova função , é introduzida na cidade renascentista - circulação rápida - vai-se desenvolvendo e introduzindo um facto nunca previsto para a cidade medieval - o transito "rápido" a carroça , a carruagem que mais tarde se tornará no automóvel , o eléctrico os transportes públicos no século XIX e XX.

O Século XVII e XVIII e o seu especial enquadramento Sócio-Económico na Península Ibérica.

Estrutura Social da cidade de Coimbra no século XVI

A estrutura social da cidade de Coimbra no princípio do séc. XVI , antes da Universidade se instalar definitivamente em 1537 , não seria muito diferente de outra cidade " média " portuguesa. Na sua zona natural do centro continuava a liderar. Leiria , Aveiro , Viseu , Guarda, Covilhã e Castelo Branco são centros menos populosos. Lisboa , Porto e Évora apresentavam maior numero de habitantes.
No numeramento de 1527 , são citadas 14 cidades . A norte do Douro , Braga , Porto e Bragança. A sul do Douro até ao Tejo , Lamego Viseu , Guarda , Coimbra , Egitânia e Lisboa. A Sul do Tejo , Elvas , Évora , Beja , Tavira e Silves. Não são referidas as cidades de Lagos , Santarém e Leiria.
Lisboa teria uma população aproximada de 60.000 habitantes , o Porto , 12.024 , Évora , 11252.
Em 1417 foram apurados 21.300 almas em Coimbra . Segue-se o enorme surto da peste negra de 1423/91 que reduziu a população para 1/3 do que era. Em 1537 , quando da instalação da Universidade a população rondava as 6.000 almas das quais só 1/3 morava na Almedina ( 1527 almas). 40 anos depois , em 1570 estimava-se em 12.000 almas a população presente, dos quais 4.000 são estudantes divididos pela Universidade- 1.000 , e pelos colégios-3.000. Estes números revelam um período de recessão e outro de rapidissima evolução, o que nos leva a supor que foi acompanhado por forte inflação no preço de todos os bens de consumo , com as inevitáveis complicações sócio - económicas. Por outro lado desenvolve-se na época um conjunto de serviços e comercio paralelo `as necessidades de uma nova clientela endinheirada. Coimbra não produz , consome , como qualquer outro grande centro de serviços. Tudo vem de fora . criam-se feiras novas para o abastecimento da Alta na novissima Praça de Lovaina ( descrever). Gera-se riqueza , comercio e serviços. Os movimentos pendulares de toda uma população residente fora de Coimbra , nas vilas e aldeias das cercanias, e que vêem a Coimbra vender os seus produtos acentua-se.
O pico atinge-se em 1765. Há 16.000 habitantes para 8.000 alunos , 4.629 matriculados na Universidade 3.371 nos colégios extintos. . Daqui para a frente a evolução da população vai ser gradual e lenta , conhecendo mesmo algum decrescimento , facto ao qual não deve ser estranho a imigração para as colónias do império , as guerras e invasões que Portugal conheceu.
Em 1500 o clero e a nobreza era 20% da população , contando com os cavaleiros e escudeiros ( categorias da nobreza mais baixas) que prefaziam 10% da população geral .
A Nobreza adquiria-se por geração , armas , filhamento ou letras. Este estatuto que é regido pela " lei da nobreza" , obriga o nobre a manter um aparato de gente a sua volta. Cavalos , escravos , criados , e outros funcionários , tem de seguir o seu senhor. A riqueza é condição de nobreza. O nobre não pode trabalhar. Mas a riqueza ainda não é condição de acesso à nobreza.
A sociedade que vamos encontrar em Coimbra no séc. XVI e se vai desenvolver é relativamente complexa. A depreciação do trabalho manual e a retribuição de serviços em forma de dinheiro era sinónimo de ganho vil. A honra é a recompensa da nobreza , não o proveito. Honrado é o nobre que não trabalha ,(no sentido actual da palavra trabalho algo de eterno , pesado e duro -Isso sim é trabalho), Guerreia e descansa. A ociosidade virá mais tarde.
Esta noção de honra , vai ser interpretada e conotada com o sentido de limpeza.

Os Príncipes Renascentistas
Os Reis e os altos dignatários da Igreja , O Cardeal Infante , Os Bispos e os Priores das Ordens Religiosas com os seus Colégios Universitários , assumem na Coimbra quinhentista o papel de "Grandes Senhores" patrocinadores das artes e do saber. Os seus palácios são os colégios , que como já se disse em numero de 22 , 8 na Baixa e 14 na Alta.
A primeira tipografia do País aparece em Coimbra nesta época . Na Universidade e nos colégios ensinava-se Cânones , Teologia , Filosofia , Leis , Medicina , Matemática , Artes , Instituta e Musica. Aparecem os novos Hospitais.
Aqui se vai formar os homens que vão , comandar , gerir e administrar todo o Império.

A Arquitectura
Durante este período de 100 anos , transição da sociedade medieval para a sociedade barroca , há 3 grandes "escolas-práticas" de arquitectura e construção. Não existindo propriamente faculdades de arquitectura , o processo normal de aprendizagem advinha com a pratica projectual e construtiva assimilada junto a Mestres Arquitectos. Na pessoa do arquitecto , encontrava-se o pintor , o escultor , o marceneiro , o pedreiro ou canteiro e o engenheiro. Como já se viu o acesso à carreira de Mestre , passava por um longo período de aprendizagem junto a um Mestre já reconhecido e autorizado. Iniciando-se como aprendiz , atingia-se o grau de obreiro e depois de Mestre. Se demonstrava aptidões para o "risco" poderia chegar ao estatuto de Mestre Arquitecto. Muitas vezes o acesso ao cargo vinha de Pintores , entalhadores e escultores, desde que tivessem ou adquirissem conhecimentos construtivos. A longa permanência em obra levava o indivíduo a tomar contacto com as variadas áreas e técnicas da construção.
Dado o largo período de tempo que levou à construção da "cidade universitária" de Coimbra , formou-se um imenso laboratório experimental , onde desde as técnicas à própria ideologia , tudo corria , onde se cruzavam homens das mais variadas nacionalidades , trazendo correntes de pensamento novas acrescidas da experiência vivida pelo contacto directo com outras civilizações. Este enorme estaleiro levou à fixação de diversos mestres na cidade , e à abertura de "ateliers" das diversas áreas da arte.
Na Batalha , perto de Leiria , a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória , levou ao aparecimento de uma outra escola de arquitectura.
Em Lisboa a construção dos "Jerónimos" , vai assumir semelhante papel.


Além desse encanto específico, a permanência activa na história do país dotou esta cidade de memórias variadas no tempo e sobrepostas no espaço. Seja qual for a época em análise, é fundamental investigar sobre a dimensão das suas realizações concretas, ao pretender elaborar-se uma panorâmica dirigida ou global da sua dimensão no país.

A cidade Alta
A cidade Alta Renascentista de Coimbra vai aparecer gerada à volta de um conjunto de edifícios que constituiam a Universidade e os colégios Universitários. Efectivamente podem-se dividir em duas grandes classes: os que pela sua forma e implantação no terreno vão dar origem ao aparecimento de praças , malhas e traçados ortogonais e os que se limitam a preencher espaços vazios.

Colégios da Alta Geradores de Espaços Ortogonais
O colégio de Jesus (Jesuítas) ou das Onze Mil Virgens , o Colégio Pontifíco e Real de S. Pedro , o Real Colégio das Artes , o Colégio de S. João Evangelista ou dos Lóios , o Colégio Real de S. Paulo Apóstolo e o Colégio de S. Jerónimo , são os pontos estruturadores do espaço ortogonal renascentista que vai surgir dentro da cintura medieval da cidade.

A 1.ª Praça urbana Renascentista - O largo da feira ou a Praça de Lovaina - Ainda existe embora muito alterada e regularizada pelas obras de 1940. É aqui que ainda hoje se procede à queima das fitas e que parte a grande festa académica do desfile de carros enfeitados representantes de cada Faculdade ou Departamento da Universidade , que percorre as ruas da cidade.
A construção do conjunto Jesuítico , Colégio de Jesus e Colégio das Artes dá origem à primeira praça formal de carácter urbano que se articula entre estes dois colégios e o Paço dos Bispos. A denominação vem de uma feira-franca que existia às Terças e Sextas-feiras , instituída por D. João III em 1540 a pedido do Reitor , Lentes , Deputados , Conselheiros , Estudantes e Oficiais da Universidade , a fim de se abastecerem. Só vendia peixe.

Aqueduto da S. Sebastião - Para o abastecimento de àgua à Cidade Alta , sobretudo ao colégio da companhia de Jesus. Foi reconstrído por Felipe Terzi em 1570. O aqueduto então em ruinas é de origem atribuida à época romana. O actual tinha 21 arcos e 1000 metros de comprido.

A Malha Ortogonal Renascentista
Este grupo de edifícios conjuntamente com o Colégio das Artes , vai definir a 1ª praça formal , construída de raiz com funções de praça -largo da feira/praça de lovaina - e vai marcar definitivamente a malha ortogonal que se vai desenvolver na Alta de Coimbra até aos dias de hoje. 1.600 anos depois dos romanos outra cultura deixa a sua marca ortogonal onde se pode ler claramente o Cardos e o Decumanos. Na verdade , a desastrosa intervenção de 1940 na cidade Universitária , obedece a princípios classicistas ou renascentistas. Malha ortogonal , enfiamentos rectos com remate em elementos monumentalistas com um cheirinho barroco explorado com a introdução da escadaria monumental que se desenvolve verticalmente no fim de um enfiamento recto , rematada pelo "Templo Intelectual", um pouca à maneira do "Sacro-Monte ou Templo dos Altos do séc. XVIII (fig.20).


Outros colégios da Alta Geradores de Espaços Não Ortogonais
Dentro e fora de muralhas, encostados ou sobrepostos a elas, aparecem neste mesmo período , ou temporalmente no seu seguimento cronológico, um conjunto de edifícios , ligados ás ordens religiosas, que vão completar o maior conjunto arquitectónico renascentista do País: Colégio da Santíssima Trindade , Colégio de S. Bento , que deu origem ao aparecimento de um bairro ( bairro de S. Bento ) que no séc.XIX e XX se desenvolveu em parte encostado aos arcos do aqueduto , já demolidos e do qual resta uma parte que constitui hoje o Bairro Sousa Pinto. O Colégio de Tomar ou de Nossa Senhora da Conceição , o Colégio de Santo Agostinho ou da Sapiência , o Colégio de Santo António da Pedreira , o Colégio de S. José dos Marianos e o Colégio dos Militares .

Não sendo da mesma época temporal , os 3 colégios que se seguem concluem este conjunto impossível de dissociar.

Colégio de Santo António da Estrela , o Colégio de Santa Rita Colégio de S. Paulo I Eremita

A maior parte da informação sobre os colégios de Coimbra foi tirada da obra de António de Vasconcelos " Escritos Vários ", do " Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra " de Vergilio Correia e Nogueira Gonçalves , e é apresentada cronologicamente (e de onde se tirou a figura 21).
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O Cais das Ameias

o Cais das Ameias foi um dos primeiros espaços-vitais para a cidade de Coimbra. É o local onde se aporta, se chega, se desembarca…

Formado ao longo de séculos, deu origem à Portagem à Praça Velha ou do Comércio e ao conjunto de ais desaparecidos na transição dos séculos XIX e XX…

É portanto uma Praça-Cais



























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Old January 16th, 2009, 12:25 AM   #59
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Experiência Isolada ou o renascer do urbanismo

Experiência Isolada ou o renascer do urbanismo
Os Bairros Altos


Coimbra
Há efectivamente uma implantação pontual de edifícios geradores de espaços , malhas e enfiamentos , que depois de uma leitura atenta ressaltam. Os grandes edifícios da cidade Alta, sejam romanos ( Museu machado de castro e o seu criptoportico), românicos ( Sé velha) , renascentistas ( conjunto jesuítico do colégio de Jesus e das Artes ) , barroco ( Sé Nova) , neoclássico ( Laboratório Chimico), ou de todas as épocas como o conjunto de edifícios envolventes do Paço das escolas , obedecem a uma implantação quadrada ou rectangular com uma orientação ortogonal Norte-Sul/Nascente-Poente. Há dois "grandes" eixos (romanos?) que organizam a malha viária da velha Alta: A rua Larga , enfiamento recto de ligação entre o Paço das Escolas e o Castelo, e, perpendicular a esta , uma outra que ladeia o Museu/Criptoportico
Diagonal a estas , caminho natural e antigo mais orgânico que planeado , a via antiga de atravessamento da cidade , que liga a porta do castelo à Porta de Almedina , passando pelo Forum romano (Criptoportico) pela Sé Velha , passando ( agora?)pelo antigo largo da Feira. É de supor que esta via tenha estruturado e desenvolvido um conjunto de construções marginais que impossibilitou/dificultou a execução de uma malha completamente ortogonal , malha renascentista da cidade Alta (fig.22).
A embrulhar estas vias está o duplo cinto constituído pela cintura circular das muralhas e sua via de acesso paralela.
Resta saber se a estrutura visível nas cartas do séc. XIX , corresponde a uma malha renascentista introduzida ou se limita a continuar algo que já estava traçado a mais tempo.

Lisboa
Sensivelmente na mesma época em Lisboa , surge , fora de muralhas um bairro ou urbanização nova , de iniciativa particular, no sítio do Alto de S. Roque - " O Bairro Alto" (fig.23). Igualmente aqui aparece uma malha regular , cuja orientação das vias é Norte-Sul/Nascente-Poente. Vão -se instalar aqui aristocratas e burgueses em palácios urbanos enormes volumes construídos de inspiração ainda conventual , com pátio interior, com influencias italianas , de linhas marcadamente horizontais , com definição de andar nobre , ritmo de fenestrações regular com cantarias lisas com lintel rematado por cornija direita saliente. A porta costuma marcar o eixo de simetria dominante. Sobriedade , simplicidade e linearidade , que iram marcar o Estilo Chão .

Os Bairros Baixos
A Baixa , a Cidade Baixa e a Cidade Plana

Topogáficamente diferentes e difíceis de caracterizar em termos de tipo ou modelo, encontra-se em outras cidades portuguesas o desenvolvimento de zonas baixas , designadas por "baixa ou ribeira", que corresponde ao espraiar do casario pelo monte abaixo até encontrar a barreira fisica do rio. Um caso exemplar de desenvolvimento de um traçado ortogonal bem definido é o do núcleo central da cidade de Tomar (fig.24).
A baixa de Coimbra levanta algumas duvidas em termos de traçado regular. À excepção da rua da Sofia , onde há claramente um enfiamento recto o resto da malha apresenta ruas mais ou menos perpendiculares ao rio mas sempre com uma ligeira inflexão curva , típica de casco medieval. Deixa-se a duvida e uma interpretação: não tendo sido construída num período temporalmente curto os arranques das ruas que partem das praças do Comércio e de Sansão são efectivamente ortogonais mas o seu desenvolvimento encurva. Porque? (fig.25).
No mesmo período temporal a cidade de Braga apresenta uma planta rara pela sua racionalidade , podendo observar-se na gravura de Braunio o rompimento das muralhas e a formação de arrabaldes extra-muros e o aparecimento de largos ou praças com organização geométrica. Aqui não se pode falar de "Alta" ou "Baixa" dada a topografia. Quando muito poder-se-à ler uma tentativa de aproximação ao rio. Este movimento temporalmente circunscrito entre 1505-1532 , teve como impulsionador o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa (fig.26).

A topografia das principais cidades portuguesas pode resumir-se sumariamente a dois tipos: a que se localiza na margem de um rio , exposta preferencialmente a Sul , desenvolvendo na margem um arrabalde " Baixa ou Ribeira", popular e comercial, junto a um porto fluvial, contrapondo a uma " Alta ", nobre , residencial, de carácter defensivo. ou que se localiza junto a um porto marítimo com a mesma semelhança estrutural e a "Cidade Plana" , organizada à volta de um núcleo central , orgânico e medieval de provável origem romana, que desenvolve uma malha ortogonal renascentista estruturada por edifícios e praças de carácter excepcional.

A justificação da ampla escala de Coimbra na dimensão nacional será sempre encontrada junto à universalidade, enquanto portugueses, da sua população de imigração cíclica, pois não está em causa a legitimidade da força mítica, mas os processos de comunicação e renovação dos seus conteúdos através do uso correcto do seu suporte.



Colégios Renascentistas



Alta antiga

Vista de Coimbra século XVII,



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O Largo da Portagem


Planta de Coimbra, XIX, irmãos Goullard. Portagem e Ameias


Portagem, XVII.MNMC.




Portagem, sec.XIX.
Portagem, XVII.MNMC.


Portagem com Torre de portagem


Evolução, segundo MATIAS.






A velha ponte "romana" demolida


Espaço Público


Ponte Metálica, XIX.


Ponte Edgar Cardoso, anos 50


Portagem no sec. XIX


1932


1960


1978





Desenho parcial da torre ou arco da portagem


Hoje

Algumas fotos com evolução urbana










































Espaço Público


…contribuição do Daniel…

Largo Portagem
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