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Old April 20th, 2009, 05:53 PM   #121
Galado
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Muito legal!
já li muita coisa aqui do thread, mas só comentando agora, vão postando mais fotos, informações, o thread tá ficando cada vez melhor.

Um dia eu ainda vou para uma cidadezinha dessas de origem alemã(em época de festa), tomar muita cerveja artesanal(tem neh?) e comer aquelas comidas bem gordurosas ehehhe
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Old April 20th, 2009, 06:04 PM   #122
thesapox
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Originally Posted by Kelsen View Post
@ Thesapox e aquelas casas de madeiras tradicionais de toda a região sul, me refiro àquelas localizadas no meio urbano, são algum " estilo"? As acho realmente curiosas e deve ser um traço da imigração também, embora não as veja como germanizadas, italianas etc....Digo tipo essas ( fotos minhas):



Acho elas extremamente charmosas, e também pararam de ser construídas lá pela de 70 e hoje estão sendo impiedosaente demolidas...
Essas casinhas já são industrializadas... Provavelmente eram vendidas em modelos "prontos". Foram em comuns nos loteamentos a partir dos anos 60 [meu bairro em Campo Bom só tinha destas!]
Algumas dessas também estão no contexto de vilas operárias, nesses casos seria importante a preservação.

O clima de simplicidade que elas trazem é muito legal, mas é praticamente impossível embasar uma defesa pra essas casas, já que não há valor histórico nem arquitetônico agregado [tirando o caso de vilas operárias, mas ainda assim fica difícil!]. Não eram construídas com material resistente, como os casarões de madeira de araucária dos imigrantes italianos. Por isso, em breve provavelmente não vai restar nada pra contar história.
Tenho arquivadas algumas fotos dessas casas de madeira nos primeiros loteamentos feitos no litoral. De 5 anos pra cá, mais de 80% foram demolidas por apodrecimento mesmo.

Um exemplo dessas em Santa Terezinha, um dos primeiros balneários loteados em Imbé (RS)... demolida no ano passado
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Old April 20th, 2009, 06:11 PM   #123
thesapox
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Casarões típicos da imigração italiana. Como todos já conhecem os de Antonio Prado, aí vão alguns de Ilópolis (RS)

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Moinho Colognese





Todas fotos que eu coloco aqui são minhas, tiradas do meu Flickr ou blog Die Zeit... Por favor não utilizem sem autorização expressa.

Last edited by thesapox; April 20th, 2009 at 07:41 PM.
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Old April 20th, 2009, 06:31 PM   #124
Kelsen
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@ Hum agora que tu falou sobre a industrialização começa a fazer sentido. Todas essas casas são do mesmo Bairro aqui em Joaçaba, o nome antigo do Bairro era Vila Palhoça, uma vila de operários próxima ao centro da cidade, que na época eram onde ficavam todas as indústrias da cidade.

Acho que apenas em relação ao modelo pré-pronto, posso discordar, até porque conheço os donos dessas casas heh Muitos deles levantaram eles mesmos as casas, quando vieram do interior para a cidade.

Quanto ao apodrecimento é fato. Moro em casa desse estilo e realmente a degradação é grande. Na casa do meu pai também, volta e meia tem que trocar um parede inteira.
__________________
Sangue latino, coração de terra bruta, a nossa luta é por trabalho e gente séria.

As andorinhas gritam por falta de uma clave de sol.
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Old April 20th, 2009, 08:18 PM   #125
Martelli
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Originally Posted by thesapox View Post
Contribuindo com um pouco de legado autenticamente germânico no Rio Grande do Sul chega do show de fakes de concreto! hehe]


Thesapox, muito interessante sua complementação. Espero aprender com suas postagens a separar uma construção autêntica de uma fake Mas, "tipo assim", eu até que simpatizo com os fakes, pois além do concreto entra também na mistura uma boa dose de ingenuidade e simplicidade. Além disso queria dizer que já me deparei com várias de suas fotos e que elas são fantásticas. Sem qualquer dúvida devo ter algumas delas no meu "acervo" de cidades, mas não as utilizo para fins comerciais - se for postá-las pedirei autorização.

Gostei da 1ª foto da casa em Ilópolis, sou fã de lambrequins.

Last edited by Martelli; April 22nd, 2009 at 01:54 PM.
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Old April 20th, 2009, 10:21 PM   #126
Martelli
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Colônia ucraniana em Curitiba - Paraná/Brasil

O Brasil abriga hoje a maior comunidade ucraniana da América Latina, contando com + de 400 mil pessoas, entre ucranianos e descendentes, 90% deles vivendo no estado do Paraná.

Os ucranianos formaram o segundo maior contingente eslavo a imigrar para o Brasil, perdendo apenas para os poloneses.


Memorial da Imigração Ucraniana (Parque Tingüi)


Flickr


Flickr photograficks


Flickr DonDyego


Flickr LLuiz Antonio


Flickr Marcótico


Flickr Rafa from Brazil


Flickr Márcio Cabral de Moura


Comemoração da Independência e da páscoa da Ucrânia. (flickr de Ede.rogrigues)












Foto Wikipedia
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Old April 20th, 2009, 10:22 PM   #127
Martelli
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Recomendo estes vídeos que contam um pouco a história dos ucranianos no estado do Paraná.


"Made In Ucrania - Os Ucranianos no Paraná" (subtítulos en español)
(Trailer do documentário)




Reportagem sobre sobre a cidade de Prudentópolis que detém
o título de maior colônia de ucranianos do Brasil


Last edited by Martelli; September 17th, 2010 at 03:16 PM.
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Old April 21st, 2009, 12:31 AM   #128
Bucs
De Porciúncula a Paraty.
 
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E os finlandeses e suecos de Itatiaia e Resende aqui no RJ?
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Old April 21st, 2009, 08:26 AM   #129
Cacique
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Rumm! Saudades do Presidente Vargas e sua Campanha de Nacionalização!
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Old April 21st, 2009, 02:57 PM   #130
Martelli
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Originally Posted by Bucs View Post
E os finlandeses e suecos de Itatiaia e Resende aqui no RJ?
Vamos chegar lá.

Bucs, vi vários de seus threads sobre estas cidades no Rio de Janeiro, são muito bons.
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Old April 21st, 2009, 06:51 PM   #131
Kelsen
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Originally Posted by Cacique View Post
Rumm! Saudades do Presidente Vargas e sua Campanha de Nacionalização!
Esse assunto é bem interessante e rende. Deixo aqui um texto que tenho salvo no pc, por crer que é pertinente ao tópico:

NACIONALIZAÇÃO DO ENSINO EM SANTA CATARINA: A ESCOLA DE IMIGRANTES ALEMÃES - JOAÇABA (1930-1938)
Célia Carmem Martinson

Introdução

A partir de 1917, desencadeou-se o processo escolar comunitário promovido por alemães no município de Joaçaba, em Santa Catarina. Segundo Hack (1996), os colonizadores eram oriundos de cidades catarinenses, como Blumenau, Araranguá e Joinville, e também da Europa. No entanto, em sua maioria, eram “procedentes das mais diversas localidades das antigas colônias no Rio Grande do Sul” (RAMBO, 2003, p. 133).

A escola local de imigrantes alemães teve como uma de suas características o vínculo com a igreja, que não é uma característica exclusiva dessa região de Santa Catarina, se for levada em consideração a história do processo escolar de imigrantes alemães, como a do Rio Grande do Sul. Vários estudos apontam para esse vínculo, principalmente os desenvolvidos por Kreutz. Conforme o autor:
Através da liderança das igrejas, os imigrantes alemães criaram ampla estrutura de apoio ao processo escolar, salientando-se que ambas as confissões religiosas, luterana e católica, tinham sua Associação de Professores, seu Jornal/Revista do Professor, sua Escola Normal para a formação de professores e um Fundo de Pensão e Aposentadoria para os professores de ambas as confissões. Realizavam assembléias regionais e locais de professores, semanas de estudo e promoveram ampla produção de livros escolares para suas escolas étnicas (KREUTZ, 2005, p.160).

No deslocamento daquela parcela de população para a nova região de colonização em Santa Catarina, entre os núcleos mais significativos, podem-se destacar, dentre outros: Rio do Peixe (Piratuba), Cruzeiro (Joaçaba), Rio das Antas e Caçador, todos no Vale do Rio do Peixe, como salienta Heinsfeld (2001, p. 112). Para o Vale, os imigrantes alemães levaram sua participação no processo de criação de escolas, inclusive, como já mencionado, em simbiose com outras instâncias, principalmente as igrejas católica e luterana, na fomentação do processo escolar.
O Sínodo Riograndense foi uma das organizações religiosas que adentraram o Vale do Rio do Peixe, criando sedes pastorais onde normalmente funcionavam a igreja-escola e se realizava o atendimento às comunidades sinodais. A entrada oficial dessa Igreja na região ocorreu em 1914. Conforme Spieweck (1962, p. 1), em 3 de dezembro de 1916 deu-se a fundação da comunidade de Bom Retiro, em Joaçaba, uma comunidade eclesiástico-escolar evangélico-alemã filiada ao Sínodo Riograndense. Dessa forma, uma das características do processo escolar comunitário em Joaçaba, entre 1917-1938, foi a finalidade e direcionamento religioso.
Com a nacionalização progressiva do ensino no decorrer da década de 30, os vínculos do Estado com aquela região intensificaram-se. Este trabalho pretende evidenciar que a campanha de nacionalização do ensino atingiu as escolas de imigrantes alemães em Joaçaba, destacando que as medidas prescritivas culminaram na interrupção do processo escolar comunitário promovido por esses imigrantes. Os reflexos dessa campanha nas escolas elementares de imigrantes alemães podem ser constatados principalmente pela análise da documentação do Sínodo Riograndense encontrada nos arquivos da IECLB em São Leopoldo/RS.

A Escola de Imigrantes Alemães - Joaçaba (1930-1938)


A aprendizagem da língua nacional foi uma questão preocupante tanto para os grupos étnicos quanto para o Governo brasileiro desde o princípio de colonização. Entre as estratégias para promover essa aprendizagem, desenvolveu-se na região Sul do Brasil a campanha de nacionalização do ensino (FIORI, 1993).

Em Santa Catarina, a campanha de nacionalização do ensino já vinha ocorrendo de forma efetiva desde 1911, no governo de Vidal Ramos, sob a responsabilidade de Orestes Guimarães. Dentre as estratégias adotadas para nacionalizar as escolas nas comunidades de imigrantes, a principal era a “criação de grupos escolares e de escolas complementares, nos municípios de origem colonial, e pela imposição do ensino de português nas escolas de imigrantes” (LUNA, 2000, p. 40).

A partir de 1917, ocorreu a primeira intervenção no nível de ensino primário com a participação do governo federal, intervenção esta amparada pelo Decreto 13.014, de 4 de maio de 1918. O decreto resultou, em Santa Catarina, na criação da Inspetoria Federal das Escolas Subvencionadas pela União, sendo Inspetor Geral do Ensino Orestes Guimarães, que exerceu a função até 1931, quando veio a falecer (MONTEIRO, 1984, p. 58).
Na década de 30, a campanha de nacionalização do ensino tomou novos rumos. O Estado brasileiro encaminhava-se para a formação de um Estado autoritário. “O grande projeto político a ser materializado no Estado Novo, iniciado com a Revolução de 1930, tinha como núcleo central a construção da nacionalidade e a valorização da brasilidade, o que vale dizer, a afirmação da identidade nacional brasileira” (BOMENY, 1999, p. 151).

Novamente as escolas elementares de imigrantes, sobretudo alemães, eram motivo de preocupação para as autoridades governamentais. A condição em que se encontravam é sintetizada por Klug: “Ao iniciar a década de 30 a escola teuto-catarinense encontrava-se numa situação delicada. Estava colocada entre a política nacionalizadora do Brasil e a influência crescente do fascismo alemão” (KLUG, 1997, p. 210).

Em relação às alterações, a principal delas referia-se à necessidade de o ensino efetivar-se na língua portuguesa. Era uma questão primordial e um dos marcos da intervenção do Estado nas escolas estrangeiras. Conforme Luna (2000, p. 50), “após a saída de Orestes Guimarães da campanha de nacionalização, em 1930, o sistema escolar do Estado, no tocante ao ensino de português nas zonas de imigração, começou, aos poucos, a ser guiado unicamente por dispositivos legais”. Nesse sentido, ainda como informa o autor, foi aprovado, o Decreto no 58, de 28 de janeiro de 1931. Este determinava que todas as disciplinas, inclusive das escolas particulares ainda identificadas como estrangeiras, deveriam seguir o programa das escolas públicas do Estado (Ibid, p. 50).
O fator fundamental a enfatizar é que, a partir de 1930, passou a ser intensificada a fiscalização das escolas de imigrantes alemães no município de Joaçaba. Um dos indicativos da fiscalização mais efetiva foi a obrigatoriedade de as escolas particulares regularizarem sua situação jurídica.

Consta, junto ao cartório de Registro de Títulos, Documentos e Pessoas Jurídicas da Comarca de Joaçaba, o registro de sociedades escolares e clesiásticas das comunidades ao longo da década de 30.
Os estatutos das sociedades escolares como de Leãozinho, refere aos fins daquele órgão, constando os dizeres: “a educação em conformidade com a lei”. Ou seja, depreende-se que, nas escolas de imigrantes alemães em Joaçaba, o ensino era veiculado na língua portuguesa, mas também em alemão, pois, na admissão do professor para atuar nas respectivas escolas, havia a necessidade de domínio dos dois idiomas, assim expressa: “A sociedade escolherá um professor, e fixar-lhe-á o seu honorário. O professor será obrigado a ensinar na lingua portugueza e allemã ” (BRASIL, Art. 11, 1935, p.2).

Dessa forma, com base nos documentos do Sínodo Riograndense, bem como nos estatutos das sociedades escolares, é possível afirmar que houve a permanência do ensino também em língua alemã na escola elementar em Joaçaba ao longo da década de 30 do século passado. Isso justificava-se pela primazia do uso do idioma alemão no lar, na comunidade, na escola e na igreja e, sobretudo, pela permanência do professor do mesmo meio sociocultural nas escolas das comunidades.

Com a Constituição de 1937 e instalação do Estado Novo a condição do funcionamento de escolas étnicas, como exemplo a dos imigrantes alemães de Joaçaba, foi alterada através de vários dispositivos legais, efetivando assim a nacionalização do ensino.

A Interrupção do Processo Educacional de Imigrantes Alemães
Entre 1938 e 1939, objetivando nacionalizar o ensino em Santa Catarina, foram aprovados vários decretos-leis. “Foi, sem dúvida, o decreto-lei n.o 88 do governo Nereu Ramos a mola propulsora da nova política de nacionalização posta em prática em Santa Catarina, durante o Estado Novo. O legislador atingiu o ponto básico de todo o processo de nacionalização – a escola particular” (MONTEIRO, 1984, p. 60).

O decreto-lei estadual no 88 foi aprovado em março de 1938. Em seu segundo artigo prescrevia: “Nenhum estabelecimento particular de ensino primário poderá funcionar, no Estado, sem prévia licença da Secretaria do Interior e Justiça” (apud MONTEIRO, 1984, p. 61).

A ação do decreto-lei pode ser observada nas escolas elementares de imigrantes alemães em Joaçaba. Em de 20 de maio de 1938, o pastor Albert Bantel, da Estação Rio do Peixe, comunica ao pastor D. Dohms, Presidente do Sínodo Riograndense em São Leopoldo:

Prezado senhor Presidente!
Quando estive em Cruzeiro no dia 18 de maio, o presidente paroquial da paróquia de Bom Retiro, Sr. Herbert Lauxmann, se queixou de que, com a implementação do decreto escolar, as duas últimas escolas evangélicas em Duas Casas e Leãozinho seriam fechadas, visto que ambas as escolas têm como professores cidadãos alemães. Até agora não foi possível encontrar professores para sucedê-los (PASTA SR 63/1).

O decreto-lei no 88 também impunha condições para contratação de professores e dirigentes dos estabelecimentos de ensino particular: “só brasileiros natos podiam ocupar cargos de direção, os professores deviam ser brasileiros natos ou naturalizados em escolas brasileiras” (SEYFERTH, 1999, p. 220).

Na ocasião, já vetado o ensino em língua estrangeira, conforme determinava o artigo sétimo do decreto-lei no 88, as escolas particulares deveriam: “dar em língua vernácula todas as aulas dos cursos pré-primário, primário e complementar, inclusive a educação física; adotar os livros aprovados oficialmente; usar exclusivamente a língua nacional...” (apud MONTEIRO, 1984, p. 63). Isso implicava, portanto, que o ensino a ser ministrado nas escolas deveria se processar exclusivamente em língua portuguesa, determinação que inviabilizava sobretudo o ensino na escola da comunidade evangélica luterana, uma vez que o Sínodo Riograndense, como “Igreja Evangélica Alemã, atuava exclusivamente no interior da comunidade lingüística” (PAIVA, 2003, p. 113), o que era extensivo ao sistema escolar comunitário.

Observa-se na mesma carta do pastor Bantel, enviada ao presidente do Sínodo Riograndense, que o fechamento de escolas no Médio e Baixo Vale do Rio do Peixe foi generalizado:
O provimento de Bom Retiro seria de necessidade urgente, em face das circunstâncias supramencionadas, disse o Sr. Lauxmann, visto que o atendimento a partir de Perdizes não se revelou exeqüível do modo como se tinha pensado. Temos que contar com o fechamento de quase todas as escolas na paróquia; além das mencionadas escolas de comunidades, existem ainda 6 escolas paritárias cá e lá nas comunidades da paróquia. O jardim de infância em Cruzeiro foi fechado pelas autoridades. Sua Sociedade Escolar foi por elas dissolvida. Os membros das comunidades estão extraordinariamente deprimidos e esperam por qualquer socorro em seu aperto (PASTA, SR/ 63/1).

O processo de fechamento da maioria das escolas parece ter sido traumático tanto aos membros da igreja da paróquia Bom Retiro quanto ao seu próprio presidente, que, em 1938, era Herberth Lauxmann. Contudo, nos documentos consultados da igreja evangélica luterana, não foi localizado indicativo de mobilização da comunidade ou da sociedade escolar da paróquia Bom Retiro na tentativa de regulamentar a escola elementar conforme prescrevia o Estado.

Dessa forma, a partir de 1938, sob a vigência do Decreto-lei n.o 88, a escola da comunidade evangélica no município de Joaçaba foi transformada em escola pública. Exemplifica um comunicado enviado ao pastor Hannemann, presidente distrital de Marcelino Ramos, que assim destaca:
Com data de 02/04 o Sr. Heinz Suehnel, secretário da comunidade Leãozinho, ex-professor, me escreveu sobre a escola que não pôde mais ser mantida. [...] Por fim o Sr. Suehnel solicitou informações sobre como proceder. "Estaria o Sínodo disposto a pagar as dívidas existentes, ou podemos vender terras e benfeitorias, para pagar as dívidas?" (PASTA, SR 94/1).

Diante das circunstâncias, com o encaminhamento de fechamento de inúmeras escolas no Vale do Rio do Peixe, o presidente do Sínodo Riograndense, na carta resposta do pastor Bantel da paróquia Rio do Peixe, orientava:
Assim que for possível uma visão geral e detalhada do desenvolvimento do ensino nas comunidades evangélicas pertencentes ao Sínodo Riograndense, peço que me envie um relatório, como também peço que oriente as paróquias daquela região no sentido de que as escolas das comunidades devem ser mantidas na medida do possível, e no mais devem ser substituídas por “escolas de confirmandos”. [...] Com saudações sinceras (PASTA SR 63/1).

Naquele momento, já era notória a impossibilidade de continuidade da articulação do trabalho educacional entre igreja-escola nas comunidades de imigrantes. No entanto, para presidente do Sínodo Riograndense ainda se tratava de uma dissolução parcial, como informa a carta em resposta ao pastor Bantel:
A inibição e dissolução parcial do trabalho educativo da Igreja é profundamente lamentável. A meu ver se pode buscar uma solução somente numa base puramente eclesiástica, totalmente nova, com a execução rigorosa da ordem eclesiástica. Que forma essa solução assumirá, somente o poderá dizer o desenvolvimento futuro dos acontecimentos (PASTA SR 63/1).

Enquanto em Joaçaba as escolas comunitárias eram transformadas em escolas públicas, registra-se mobilização para manutenção de uma das escolas da comunidade evangélica da paróquia Rio do Peixe, conforme explicita um relatório de 10 de julho de 1938 enviado pela “Comunidade Evangélica Alemã”, de Rio do Peixe, Estação Rio do Peixe, ao presidente Sinodal D. Dohms em São Leopoldo:

Prezado Sr. Presidente.
Em relação ao relatório detalhado que lhe enviamos no mês de maio e aos relatórios orais que o senhor pastor Bantel prestou em nome da diretoria da comunidade, queremos solicitar hoje à diretoria sinodal que preste auxílio financeiro à comunidade. [...] As circunstâncias (registro da escola, garantia do salário do professor, etc.) derrubaram totalmente nossa programação financeira. Passaríamos pelo pior aperto e pedimos que nossa solicitação seja atendida em breve (PASTA SR 72/7).

A adaptação da escola conforme prescrevia o governo estadual era complexa e onerosa. Monteiro destaca que, para registrar a escola particular, era solicitada uma infinidade de documentos, os quais, em função da burocracia que envolvia esse processo, dificultavam o cumprimento das exigências. Esse não cumprimento de exigências possibilitou ao governo de Santa Catarina fechar um número elevado de escolas particulares e não permitir a abertura de tantas outras (1984, p. 62).

Em 10 de agosto de 1938, o pastor Herbert Maskus assumiu a paróquia Rio do Peixe, que até então era assistida pelo pastor Albert Bantel. Sobre a questão escolar, comunicava ao presidente do Sínodo Riograndense:
Venerabilíssimo senhor Presidente do Sínodo Riograndense:
[...] Conforme me comunicou hoje o diretor escolar Fuck, nossa escola será fechada apesar de aprovação nos exames. As autoridades escolares de Florianópolis fixaram a data para registro para nossa escola de tal modo que no prazo previsto será impossível cumprir as exigências. Foi solicitada telegraficamente uma prolongação do prazo. Caso essa não nos for concedida, queremos antecipar-nos a um fechamento e desapropriação e fechar a escola por nossa conta, transferir o culto para a casa pastoral. Esperamos ter resposta em poucos dias. Farei um relatório sobre o desenvolvimento do caso escola. Com saudação evangélica, submisso ass. H. Maskus (PASTA, SR 72/7).

Um dos decretos estaduais que dificultou sobremaneira a continuidade da simbiose igreja-escola foi o decreto-lei n. 142. Neste, conforme Monteiro,

[...] observa-se a preocupação do legislador com as sociedades escolares mantenedoras de escolas particulares e de supostas influências exercidas sobre elas, por grupos ou pessoas interessadas em criar obstáculos ao pleno desenvolvimento da política de nacionalização encetado pelo decreto-lei n. 88 e pelas leis federais (MONTEIRO, 1984, p. 67).

O vínculo entre esses dois órgãos, por exemplo, passou a ser combatido, o que pode ser observado na denúncia do próprio presidente do Sínodo Riograndense e notabilizado na comunicação de 15 de agosto de 1938:
Segundo a insustentável determinação, mas por enquanto vigente, que proíbe a comunidades eclesiásticas a manutenção de escolas, e depois do fechamento de tantas outras escolas, devemos, por ora, contar em Sta. Catarina com o fato de que o governo do Estado não deseja a existência de escolas particulares. [...] Segundo sua carta, posso aguardar um relatório sobre o desenvolvimento da questão escolar. Com sinceros votos para seu trabalho (PASTA SR 72/7).

Embora o governo catarinense não deflagrasse de imediato o afastamento de outras organizações, como a do Sínodo Riograndense, do processo escolar, ele impunha condições. Uma delas, se a sociedade escolar tivesse vínculo com outra instituição, era a necessidade de anexar uma cópia do estatuto da sociedade junto ao pedido de licença (MONTEIRO, 1984).
Com essa determinação, encaminhava-se para o afastamento oficial da organização religiosa no Vale do Rio do Peixe como uma das instâncias fomentadoras do processo escolar comunitário. Em 5 de setembro de 1938, o pastor Herbert Maskus assim escreveu ao presidente do Sínodo em São Leopoldo:

Venerabilíssimo senhor Presidente!
Com agradecimento confirmo sua carta de 31 de agosto de 1938 com a informação a respeito de seu esforço em prol de nosso trabalho escolar.
Entrementes nos foi concedida a solicitada prorrogação do prazo para registro de nossa escola. De acordo com os artigos objetados de nosso estatuto escolar, elaboramos novos estatutos e os mandamos registrar...
Para de alguma forma ainda podermos preservar a escola, tivemos que eliminar tudo que até agora a caracterizava. No entanto, essa é a única maneira de criar a possibilidade de ministrar Ensino Religioso nas tardes, prática que já vimos praticando.
Sobre os eventuais perigos que poderiam decorrer de nossos próprios estatutos já estamos conscientes. Dos estatutos antigos e novos anexos, o senhor poderá deduzir todos os detalhes. Tome a liberdade de nos devolver a cópia dos estatutos novos, visto ser a única que restou para o arquivo escolar.
Caso o senhor não concorde com os novos estatutos escolares, eu me esforçarei para atender suas instruções (PASTA, SR 72/7).

A escola da comunidade evangélica luterana, pelos indicativos, foi registrada como uma instituição autônoma diante do Estado. Contudo, o pastor Maskus afirmou que:
Essa nova comunidade escolar autônoma, porém, somente pode sobreviver se permanecer ligada à comunidade eclesiástica, ainda que não oficialmente. Fechar a escola é uma solução que sempre ainda nos resta por último. Com o pedido de uma resposta em breve. Saúda reverentemente Ass. H. Maskus (PASTA, SR 72/7).

O documento ainda evidencia que, mesmo de forma implícita, a igreja ainda manifestava a intenção de continuar investindo no processo escolar comunitário. A questão escolar da região Vale do Rio do Peixe de Santa Catarina, naquele momento, era discutida pelos seus representantes. Havia mobilização, como expressa a comunicação de 31 de agosto, enviada aos pastores Seibel, Leistner, Maskus, a qual informava: “Pedi ao senhor presidente P. Schliemann, Florianópolis, Caixa Postal 4, que enviasse suas circulares referentes à legislação das escolas e ao ensino de lá ao senhor bem como a mim, para tomada de conhecimento” (PASTA, SR 72/7).
Contudo, ao menos de forma oficial, por conta da vigência de vários decretos no contexto da campanha de nacionalização do ensino, caminhava-se para o afastamento da respectiva igreja como uma das instâncias que promovia o trabalho educacional no Vale do Rio do Peixe.
A intervenção do governo estadual em relação à língua marcou a trajetória das escolas na comunidade evangélica luterana local. A fonte documental da igreja deixa claro que a campanha de nacionalização do ensino, ao infringir os direitos lingüísticos das escolas da comunidade evangélica, atingia a própria igreja. Como informa uma comunicação do presidente do Sínodo Riograndense, enviada em 15 de agosto, a Maskus: "Eu me dirigi ao presidente do Sínodo Evangélico de Sta. Catarina, pedindo informações sobre a situação e lhe ofereci colaboração em seus esforços no sentido de garantir a liberdade cultural (PASTA SR, 72/7).

A análise da falta de liberdade religiosa, bem como a necessidade de preservar a liberdade cultural, ou seja, a análise das implicações da nacionalização em relação à própria igreja, como a evangélica luterana local, não é o objetivo do presente trabalho. Contudo, é pertinente citar que era a maior dificuldade que se operava no momento da intervenção do Estado no trabalho eclesiástico.

É importante observar nessa restrição a situação do trabalho educacional na comunidade evangélica luterana. A carta do presidente do Sínodo Riograndense, enviada em 12 de setembro ao pastor Maskus, da paróquia Rio do Peixe, é elucidativa:
Muito prezado senhor Colega!
Sua carta de 5 de setembro chegou aqui com os estatutos antigos e novos. Dadas as circunstâncias, somente posso concordar. Há que ser observado que a comunidade escolar respeite por ocasião da admissão de membros a intenção da escola, garantindo desse modo pessoalmente a ligação com o proprietário do prédio escolar. Quanto ao mais, estou convencido de que conflita com a constituição federal quando se proíbe a comunidades evangélicas a manter escolas e que determinações contrárias não podem ser mantidas com o tempo. Espero poder falar com o senhor presidente Schliemann do Sínodo Evangélico de Santa Catarina e com o presidente Schluenzen no dia 15 de setembro. [...] Devolverei os estatutos em separado e registrados. Com saudações e melhores votos (PASTA SR 63/1).

Nesse momento em que as escolas da região encontravam-se sob a fiscalização rígida do Estado catarinense, fica explícito que oficialmente ocorrera o afastamento do Sínodo Riograndense como uma das instâncias que promovia o processo escolar no Vale do Rio do Peixe.

Como evidenciam os documentos consultados da igreja, é importante deixar registrado que uma das orientações do presidente do Sínodo Riograndense era transformar as escolas comunitárias em escolas de confirmandos. Esse foi um dos encaminhamentos que se efetivou em Joaçaba quando o novo pastor, Alfred Hoffmann, assumiu a paróquia Bom Retiro, conforme consta no relatório do dia 3 de março de 1940.

Considerações Finais

Neste trabalho, objetivou-se destacar que, no município de Joaçaba e Vale do Rio do Peixe, houve a interrupção do trabalho educacional dos imigrantes alemães a partir de 1938, inclusive com o afastamento de igrejas, como no caso do Sínodo Riograndense, que atuava na região articulando atividade educacional e eclesiástica. A campanha de nacionalização do ensino promovida em Santa Catarina, ao proibir o uso do idioma materno, afastar professores daquele grupo étnico do trabalho educacional e impor restrições naquela modalidade de escola, silenciou uma prática escolar cuja base de organização mantinha vínculos estreitos entre a família, representada pelas sociedades escolares e a igreja.

Referências

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BLEICHUVEL, E. de F. Duas Instituições e um Projeto: Igreja, Escola e Nacionalização no Vale do Rio do Peixe em Santa Catarina (1917-1945). Porto Alegre, 2000. 227f. (Dissertação Mestrado em História do Brasil) - PUC/RS
BOMENY, M. B. H. Três decretos e um ministério: a propósito da educação no Estado Novo. In: PANDOLFI, D. C. (Org.). Repensando o Estado Novo. RJ: FGV, 1999. p. 137-166.
CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE TÍTULOS, DOCUMENTOS E PESSOAS JURÍDICAS. Município e Comarca de Joaçaba-SC: 1930-1938. Estatutos das sociedades escolares teuto-brasileiras. Joaçaba.
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_________ Rumos do Nacionalismo Brasileiro nos Tempos da Segunda Guerra Mundial: O ‘Nacional’ e as Minorias Étnicas ‘Inimigas’. Cadernos de Sociologia, Porto Alegre, v. 4, n. especial p. 131-145, 1993.
HACK, J. R. A Colonização Alemã no Vale do Rio do Peixe-SC: 1913-1950. Joaçaba: Unoesc, 1996. Relatório de Iniciação Científica/ CNPQ.
HEINSFELD, A. A questão de Palmas entre Brasil e Argentina e o início da Colonização Alemã no Baixo Vale do Rio do Peixe. Joaçaba: UNOESC, 1996.
________ et al. O sentido geopolítico-estratégico da colonização germânica no Vale do Rio do Peixe. A Região em Perspectiva: Diferentes faces da história catarinense. Joaçaba,UNOESC, 2001. p. 95-137.
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KLUG, J. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina: A Ação da Igreja Luterana Através das Escolas (1871-1938). São Paulo, 1997. 261f. Tese (Doutorado em História Social) - USP/ São Paulo.
KREUTZ, L. O Professor Paroquial: Magistério e imigração alemã. 2. ed. Pelotas: Seiva, 2004.
_______ Escolas étnicas na história da educação brasileira: a contribuição dos imigrantes. In: STEPHANOU M. et al (Org.). Histórias e Memórias da Educação no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. p. 150-165.
LUNA, J. M. F. O Português na Escola Alemã de Blumenau: da formação à extinção de uma prática. "Ensinávamos e aprendíamos a Língua do Brasil". Itajaí: Ed. da Univali; Blumenau: Furb, 2000.
MARTINSON, Célia C. A Escola Teuto-Brasileira na Zona Rural e a Participação da Igreja Evangélica no Processo Escolar Comunitário Bom Retiro – Joaçaba – SC (1917 a 1938). 193 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Setor de Educação, Universidade Federal do Paraná, 2002.
MEYER, D. E. E. Identidades Traduzidas: Cultura e docência teuto-brasileiro evangélica no Rio Grande do Sul. São Leopoldo: Sinodal, Santa Cruz do Sul: EDUNISC; 2000.
MONTEIRO, J. Nacionalização do Ensino: uma contribuição à história da educação. Florianópolis: UFSC, 1984.
PAGANELLI, A. Paróquia Evangélica de Luzerna: sua origem e desenvolvimento (1926-1976). Capinzal: Matos, [196] década provável.
PAIVA, C. Escolas de língua alemã no Rio Grande do Sul, o nazismo e a política de nacionalização. In: FIORI, Neide A (Org.). Etnia e Educação: a escola “alemã” do Brasil: e estudos congêneres. Florianópolis/ Tubarão. Editora da UFSC e UNISUL, 2003 p. 103-125.
PASTA de documentos diversos SR 63/1 – Bom Retiro do Cruzeiro (1931 a 1941). Tradução de Ilson Kaiser. São Leopoldo (RS): Arquivo da IECLB.
_______ SR 72/7 – Rio do Peixe (1921 a 1946). Tradução de Ilson Kaiser. São Leopoldo (RS): Arquivo da IECLB.
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WILLEMS, E. A aculturação dos Alemães no Brasil: Estudo antropológico dos imigrantes alemães e seus descendentes no Brasil. São Paulo: Nacional, 1980.
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Old April 21st, 2009, 06:58 PM   #132
Fourier
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Martelli, não sei se você retratou, mas exite um colônia de tiroleses bem conhecida na cidade de Piraicaba, interior de São Paulo, em um bairro chamado Santa Olimpia. É bem conhecido na região, pelas festas folclóricas que promove.

É uma comunidade grande originária da região de Valle del Adige - Etschtal.

Aqui tem mais informação:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Ol%C3%ADmpia

Aqui algo da história:

http://www.ihgp.org.br/acervo/publicacoes/pdf/01.pdf
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Old April 21st, 2009, 07:06 PM   #133
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O Trento é uma região interessante. O alto Adige é bem mais austríaco-tirolês que italiano heh

Se não me engano, os trentinos foram a 2ª maior colônia italiana em SC, atrás apenas dos vênetos.
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Old April 21st, 2009, 08:10 PM   #134
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Ainda sobre a campanha da nacionalização. Esse documento abaixo é interessante pois traz depoimento das pessoas que a viveram e que muitos de nós escutaram pelos pais ou avós:

PUXANDO PELA MEMÓRIA:
A nacionalização do Ensino no Município de Cruzeiro/Joaçaba


Adelar Heinsfeld

Iniciada efetivamente em 1937, com a implantação do Estado Novo, a Campanha de Nacionalização marcou profundamente os imigrantes de origem européia no Vale do Rio do Peixe, pois foi imposta de forma rigorosa e autoritária na região, continuando viva na memória das pessoas a perseguição que sofreram. Muitas lembram com detalhes as pressões ocorridas e as várias formas de violência a que foram submetidas. Mesmo aquelas pessoas que não defendiam nenhum projeto político, que não sabiam o que estava acontecendo, foram perseguidos apenas por que falavam a sua língua materna.
Ao se pretender refletir sobre memória devemos, inicialmente, lembrar que pequena parte do passado ficou registrado em objetos de cultura. Grande parte da memória histórica corresponde a ausências, perdas, ao que foi excluído, ao que deixou de ser registrado, por não fazer parte dos "grandes acontecimentos" responsáveis por profundas mudanças política e econômica. Portanto, quando aceitamos o desafio de trabalhar com a preservação da memória é necessário também lembrar do esquecimento; então, memória e esquecimento são dois processos correlatos, quase faces da mesma moeda.

A memória é construída. Portanto, a memória não precisa ser histórica. Ela pode partir de lendas e crônicas, ou seja, sua base pode ser ritual, o que lhe garante um significado simbólico. De acordo com Janice Teodoro, confeccionar a memória a partir dos grandes monumentos e dos grandes eventos políticos é confeccionar a memória dos outros. Daí a afirmação da autora de que a memória das classes menos favorecidas não é basicamente material, mas sim ritual. Da mesma forma diz que trabalhar com as camadas menos favorecidas economicamente é muito difícil, pois a vida dos seus componentes está repleta de ausências.

Outro aspecto importante a considerar sobre a memória é quanto à sua abrangência na relação indivíduo-coletividade: “Por muito que deva à memória coletiva, é o indivíduo que recorda. Ele é o memorizador e das camadas do passado a que tem acesso pode reter objetos que são, para ele, significativos dentro de um tesouro comum.”

A nacionalização permanece viva na lembrança das pessoas que a vivenciaram, que fizeram a História. Neste caso, a memória é matéria-prima para que trabalha com a História. É como matéria-prima e não como produto final que a memória tem que ser compreendida. Para “aguçar” a memória, a Historia oral, é um recurso que complementa a documentação tradicional e permite uma reconstituição através da memória que é matéria-prima para quem trabalha com a História, tanto no ensino como na pesquisa.
Vários autores têm apontado a importância da memória para os estudos de cunho histórico. É o caso de Jacques Le Goff, para quem “o estudo da memória social é um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e da história, relativamente aos quais a memória está ora em retraimento, ora em transbordamento.” Sendo material delicado sobre o qual se debruça o historiador, deve ser, antes de mais nada, compreendido em sua determinação mais completa do passado e das pessoas que vivenciaram os diversos acontecimentos do processo histórico local ou nacional.

O processo de Nacionalização desencadeado durante o Estado Novo foi uma ação eminentemente política. Ecléa Bosi aponta um risco de se trabalhar com memórias quando a questão investigada está envolvida com questões políticas. “Na memória política, os juízos de valor intervém com mais insistência. O sujeito não se contenta em narrar como testemunha histórica ‘neutra’. Ele quer também julgar, marcando bem o lado em que estava naquela altura da história, e reafirmando sua posição ou matizando-a.” De qualquer forma é necessário considerar a advertência de Le Goff : “A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens.”

Os depoimentos daquelas pessoas que vivenciaram o processo de nacionalização são muito elucidativos. Em todas as comunidades no Vale do Rio do Peixe, em que havia elementos de origem germânica, houve algum tipo de coerção, perseguição e violência das mais variadas formas.

A política de nacionalização imposta pelo regime Varguista se dá de forma a depreciar o inimigo; combatia-se o “estrangeiro”, principalmente o alemão e o italiano: o estrangeiro era sinônimo de nazista, “quinta coluna”, espião. Como nos conta a ex-professora Leocádia Tasca, quando perguntada sobre o termo quinta coluna:


Eu não sei bem, mas eu acho que como se ele fosse antipatriótico, uma pessoa não patriota né, que tinha que ser 5° coluna, pois uma vez o meu tio lá em Concórdia, Paulo Fontana [...] estava jogando mini-esnúquer, ele e mais um amigo e falavam italiano, que eles só falam até hoje o italiano [...] e ele foi na cadeia, dormiu na cadeia ele e o amigo dele, porque eles falavam italiano jogando mini-esnúquer, ‘joga aqui, joga ali’, eles diziam um pro outro, e daí, porque estavam falando italiano, foram na cadeia, ficaram presos, e como se eles não fossem patriotas né,...



Havia urgência por parte do governo em buscar um caráter de brasilidade para a nação, e então sob a direção do interventor Nereu Ramos começa a nacionalização do ensino, cujas escolas passaram a funcionar com leis que proibiam a língua estrangeira, tendo como professores os brasileiros, e com o ensino voltado para o patriotismo.
Francisca de Lima Viero, que foi professora na cidade de Cruzeiro nos conta que se sentia muito bem como professora, apesar de ter pouca idade, era amiga das crianças e gostava muito do seu trabalho, e que quando proibiram o uso da língua estrangeira comentava com seus alunos e explicava:


Eu pedia pra eles: olha vocês aprendam a nossa língua, porque eu sei que vocês em casa aprenderam a língua de vocês, mas pra vocês não sofrerem em casa mais tarde, porque a gente não sabe isso, até quantos anos vai esse movimento, então eu pedia pra eles.


O regime Varguista não era visto com bons olhos por algumas pessoas; mas para muitas outras, Getulio Vargas era visto como um “grande homem”. A construção da imagem do guia, da figura do “Pai dos Pobres” ficou guardada na memória da D. Francisca. Seu depoimento atesta que a imagem de Vargas foi bem “vendida” para a população. Inclusive seu lado autoritário é visto com saudosismo:

Ele aqui era tido como um grande homem, e foi. No tempo dele não jogavam ovo podre nas autoridades, não se faziam as manifestações que fazem hoje; naquele tempo ele governava com mão firme, braço forte, Getúlio foi um grande homem para nós.

No caso de D. Francisca, existe outro elemento importante a considerar na imagem que ela ainda tem de Vargas. No transcorrer da Revolução de 1930, o futuro presidente, no seu deslocamento para o centro do país, o fez através da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Ao passar pela estação de Herval D’Oeste, onde aglomeravam-se milhares de curiosos, desembarcou do trem, cumprimentou inúmeras pessoas, inclusive tomando no colo crianças que estavam presentes. Uma destas crianças era Francisca de Lima, que quando mais tarde atuava como professora relembrava o acontecimento para seus alunos: “eu contava tudo isso, contava que ele me beijou, que ele me ergueu, que ele, barbaridade, que me apertou, e me disse: menina, vocês rezem por mim, rezem pela minha conquista, [...] o Getúlio me beijou, o Getúlio me beijou”.

Embora muitos tenham tido Getúlio Vargas como “um grande homem”, as famílias de alemães e italianos que foram proibidas de falar sua língua de origem, revoltavam-se. Porém, naquele momento, havia o sentimento de que era preciso calar, pois não havia nada a ser feito:

A gente tinha era que se cuidar até para escutar o rádio, nós tínhamos um rádio, na época, não podíamos ouvir notícias da guerra, tanto nós como os alemães e a gente tinha que se, embora revoltado, tinha que se acomodar, porque o que a gente, era proibido né, o que que a gente ia fazer. Não podia fazer nada.


Muitos alemães e italianos estavam sendo presos por que muitas vezes eram obrigados a falar na sua língua materna. Dona Zilia nos informa de um caso onde a vendedora conversava na tentativa de se entender com a freguesa e é presa:


Por causa que era alemão, só, simplesmente por que era alemão. Inclusive eu tenho uma amiga que ela estava trabalhando no Fontana, e ela estava falando alemão com uma freguesa, e veio um senhor e queria prendê-la porque ela estava falando alemão. Aí ela disse: como que eu vou falar, me entender com a mulher, se a mulher não fala uma palavra em português, ela só pode falar comigo em alemão. E eles eram chamados de 5ª coluna, que falavam o alemão, italiano também, mas não tinha assim, tinha bastante perseguições quando ficavam cuidando se a gente falava entre si, essas coisas, mas graças a Deus a nossa família não aconteceu nada.


Outras pessoas foram presas por defenderem as idéias nazistas de Adolf Hitler. Na região do Vale do Rio do Peixe houve manifestações explícitas pró-nazistas. Dona Francisca nos conta que muitas pessoas foram presas, algumas devido à manifestações pró-Alemanha:


Havia manifestação, mais lá pelo interior e vinha, vinham os - aquele tempo não eram os delegados, não era oficial de justiça também, tinha outro nome - eles trabalhavam afinal nas delegacias do interior, eles então comunicavam o caso e traziam às autoridades, as de Joaçaba.


*************************** Saindo da cidade, no interior encontrávamos colônias formadas somente por alemães, cuja proibição pouco afetou os costumes; porém eles respeitavam a presença de pessoas estranhas. Na escola, o professor era proibido ensinar seus alunos na língua materna, pois havia “espiões”, ou seja, pessoas que cuidavam e contavam de que forma eram as aulas.



O professor era alemão, mais era proibido ele não podia falar uma palavra em Brasileiro (sic)*, se pegava ia pra cadeia... Eles mandavam, como é (...) espião, mandavam espião pra espiar, e daí se pegava um dizendo alguma palavra em alemão, era 5° coluna eles diziam, e dai ia pra cadeia, e ficava.



Em que pese as proibições, em algumas comunidades as festas tradicionais alemãs ocorriam livremente, com a banda tocando músicas alemãs; o kerb, festa religiosa típica alemã, acontecia sem problema naquelas colônias; a comunicação entre pais e filhos em casa era normal e na sua língua de origem. Esta comunicação era livre desde que alguém estivesse cuidando, fato que também acontecia quando os alemães se reuniam para ouvir rádio, o que poucas famílias tinham, como nos conta Amélia Reichardt:



Era proibido Deutsche Welle, aquilo não podia escutar nada, nada, nada, tinha espião de noite. Eu sei que lá no pai tinha um rádio, era o único que tinha lá na região, então os alemães estrangeiros tudo, sentavam na roda assim, se reunia tudo pra vê a noticia no tempo da guerra, aqueles alemães estrangeiros, e daí a piazada tinha que ficar rodando né (risos), e daí eles vinham tudo lá escutar...



Quando chegou a notícia do término da 2ª guerra mundial, os “brasileiros” na cidade de Joaçaba receberam com grande alegria esta tão esperada notícia:




“Pra nós foi uma alegria, e eles, houve muita gente triste, teve gente que até matou-se, também noticias soubemos né, gente que até matou-se por isso, um até enlouqueceu, acho...”




A alegria, ao que parece não foi geral nas colônias de origem alemã:
Muitas pessoas, alemães principalmente seguidores de Hitler, não gostaram do final que teve a guerra



[...]a Alemanha perdeu a guerra e daí o pai não queria mais rádio em casa, ele pegou o rádio levou lá pra minha irmã em Marcelino Ramos, era proibido escutar rádio em casa, porque a Alemanha perdeu a guerra, e ele ficou tão sentido com isso; daí nós nem radio não tinha mais em casa, foi tão triste né, a gente não podia mais escutar nada, porque nós entendia assim o português, mas o resto lá era só se vinha da Alemanha.




Em termos disciplinares na cidade de Cruzeiro/Joaçaba os professores trabalhavam muito bem a nacionalidade, “a brasilidade” e também a participação do Brasil na guerra, com seus alunos. Isto pode ser percebido através da letra de um hino que as crianças cantavam:



Sou Brasileiro com orgulho digo,
na paz na guerra contra o inimigo,
sempre altaneiro com orgulho digo,
sou Brasileiro, Sou brasileiro...




Dona Francisca também nos conta com indisfarçável saudosismo sobre os desfiles da cidade de Cruzeiro (Joaçaba):



Era lindo! Hoje não existe mais Brasilidade, não existe mais amor à Pátria, existe talvez no coração das pessoas, mas aquele tempo manifestava, vibravam compreendeu? Na escola a gente chegava tinha por obrigação cantar o Ouviram do Ipiranga, o Hino Nacional, o Hino à Bandeira e o Hino à Pátria, a gente sabia direitinho e cantava, e cantava com a mão no peito sabe, com sentimento, hoje essas crianças nem sabem mais cantar os hinos, a gente declamava...





As festas pátrias contribuíam enormemente para a construção da brasilidade. Quem não sabia se “comportar” nestas festas sofria sanções:



Tinha um rapaz estava logo ao meu lado e ele não tinha grande conhecimento sobre o Hino Nacional; ele estava com as mãos no bolso e chegou uma autoridade e pediu pra ele, falou assim: tira a mão do bolso 5ª coluna, e o rapaz tirou a mão do bolso muito envergonhado, ficou ali do lado, ficou muito triste, e que até a gente ficou constrangido porque acho que o rapaz não tinha conhecimento da postura do Hino Nacional por isso ele não se, não se colocou na postura do Hino Nacional.




Durante a Segunda Guerra Mundial, conflitos começaram a surgir em Cruzeiro/Joaçaba em função do posicionamento das pessoas. Como havia uma parcela significativa da população que era de origem germânica, muitas pessoas eram adeptas de Adolf Hitler. Os “nazistas” joaçabenses começaram a se organizar.

Iniciaram reuniões de colonos de origem Germânica (Alemães), em um clube de propriedade do Sr. Paulo Thierbak, que tinham como prioridade louvor e obediência ao Reich:



[...] Nós em Cruzeiro do Sul víamos e ouvíamos discursos inflamados afirmando que nossas terras seriam tomadas e dividas entre alemães e italianos que os apoiassem [...] o que nos marcava eram as saudações feitas antes e após as reuniões quando todos em pé com um braço estendido à frente gritavam – Heil, Hitler! Heil, Hitler!





Em função da radicalização de algumas pessoas, começaram a originar-se desentendimentos. “Vizinhos e amigos que antes partilhavam suas alegrias e problemas já mal se cumprimentavam e outros mais afoitos ofendiam–se mutuamente chegando até brigas sérias entre famílias.”

Dona Francisca recorda que Willy Schade, que tinha açougue ao lado do Clube Cruzeiro:




“era um senhor muito violento esse, inclusive ele assassinou o próprio filho, por causa de brigas entre namoro de alemão com brasileiro; eles não consentiram, então ele matou o filho”



A adoração por Hitler por parte de alguns alemães era muito intensa, tanto que em determinadas colônia, os mais velhos faziam com que as crianças cantassem um hino de louvor à Hitler e em troca eles ganhavam balas. E então as crianças estufavam o peito e cantavam, como nos conta dona Amélia Reichardt:



Eu lembro de uma historia dos netos do meu pai, eram um casal ali dos Schnaider, né, que são neto, então quando eles iam passar, eles moravam ali em Joaçaba,eles iam passar as féria lá na colônia, então eles sempre tinham que cantar o hino do Hitler em alemão, e daí ele ponhava as balas em cima da mesa, primeiro vocês vão cantar, daí depois vocês ganham as balas, daí o mais pequeno estufava o peito e cantava em alemão pro vô escutar.




Dona Amélia relembra a letra do hino:

Hitler ist unser Kommandant
Ein Tag wir werden frei sein
Um nach Deutschland zu arbeiten, um zu bleiben
Es ist dann eine Strömung, in zwei zu brechen.

Dona Amélia também conta que seu pai Artur Spier cantava um hino à Alemanha:
Er Fahne wird hochgehoben
und in Firma-Schritt marschieren wir


Tanto tempo já passou, mas continua viva na memória das pessoas que vivenciaram esse período. Cada pessoa que viveu aqueles momentos tem uma “leitura” própria do que aconteceu, dependendo do lado em que estava. Dona Zilia Poletto, que ao chegar ainda criança em Cruzeiro/Joaçaba, não sabia falar uma palavra sequer em língua portuguesa faz a sua analise da situação vivenciada:




Sinceramente, eu vou lhe dizer que era uma grande ignorância, porque a pessoa tava aqui não tinha comunicação nenhuma com lá, porque que não podiam falar a língua deles. Eles tinham aquela amizade, aquela coisa entre amigos se tinha facilidade, porque naquele tempo era pouco cinema, pouco rádio, não se tinha televisão, então ia muito vizinha, muita visita de vizinho, de compadre essa coisa, e não podiam se conversar né, tinha que procurar uma outra que não sabia falar português, como aconteceu comigo. Eu era criança mas eu me lembro muito bem, eu então tinha que ficar escutando o que os outros falavam e estudando as palavras pra poder entender o que estavam falando.




Por outro lado, Dona Francisca, membro de uma família luso-brasileira, varguista até hoje, considera correta a imposição nacionalista com a proibição de falar uma língua estrangeira:



Certo, foi muito certo isso, às vezes tavam falando da gente e a gente não sabia, às vezes a pessoa tava xingando a gente, e a gente pensando que ele tava elogiando, a gente acha que eles estão no Brasil, se nós tivesse na Alemanha nós era obrigado, seria proibido a nossa língua. Eu achei isso muito certo.



Da mesma forma, a entrevistada acredita que todos que não eram de origem alemã ou italiana tenham gostado da proibição. Convictamente afirma que “os brasileiros gostaram muito disso, os brasileiros gostaram por que foi proibido, já nas escolas também ensinar os professores alemães.” Na sua visão, não houve problema algum na recepção da proibição: “não tinha problema, mais foi, foi muito bem recebido”

Se por um lado, a nacionalização impôs uma série de restrições à vida escolar no Vale do Rio do Peixe, também é verdade que houve resistência, não organizada, mas individualmente muitos conseguiram driblar as medidas arbitrárias. È o caso da professora Nadir Matzenbacher, que achou uma fórmula para burlar a lei:




“Como explicar uma coisa para a criança que não entendia Português? Tinha que ser em Alemão (...) Daí, eu chegava para o aluno, bem quietinha, falava bem baixinho em Alemão para explicar as palavrinhas.”




No desenvolvimento deste trabalho ficou evidente que a memória é a matéria-prima que permite “reviver” a História por parte daqueles que a fizeram, que foram seus agentes. Neste sentido, cabe ao investigador não eleger lugares da memória com objetivos institucionalizados e consagrados, mas sim questioná-la, problematizá-la, até por que a memória pode ser manipulada, construída a posteriori. Através do registro da memória foi possível perceber como a política de nacionalização imposta pelo regime ditatorial do Estado Novo, instituído por Getúlio Vargas se fez presente no Vale do Rio do Peixe.
As “lembranças” de quem viveu a História mostram que a Segunda Guerra Mundial foi acompanhada atentamente pela população que vivia na região e que a questão étnica foi fator decisivo na hora de escolher para quem “torcer” durante o conflito. Inclusive os relacionamentos pessoas ficaram prejudicados em função da guerra.

Por outro lado, a nacionalização foi uma variante para a construção do imaginário social coletivo no Vale do Rio do Peixe. As pessoas, mesmo as que viveram em período bem posterior àquele processo, formaram uma “imagem” sobre o que aconteceu nesta região. Evidentemente que nossa preocupação não foi saber se esta “imagem” é verdadeira ou não, mas apenas perceber quais as lembranças que ficaram da nacionalização.


A “brasilidade” foi incutida na população pela elite luso-brasileira, que ocupando os cargos administrativos do poder público esteve à frente das medidas nacionalizadoras. Esta elite procurou agir rapidamente, executando as determinações oriundas do governo estadual e federal.


É claro que elementos nazistas se fizeram presente em algumas comunidades do Vale do Rio do Peixe. Extirpá-los do seio da sociedade regional era uma obrigação do poder público preocupado com o bem-estar desta sociedade
. Mas em nome disso, com escolas fechadas, professores demitidos, proibição de qualquer manifestação cultural “não-brasileira” acabaram sendo prejudiciais à educação regional, impedindo uma formação mais pluralista.


A nacionalização do ensino, da forma como foi imposta, resultou numa destruição generalizada e indiscriminada da memória histórica, uma vez que livros, revistas, almanaques, jornais e muitos outros documentos do período foram destruídos, tanto pelos agentes policialescos à serviço da Nacionalização, quanto pelos próprios agentes históricos que sofriam as ações daquele processo, numa atitude de auto-defesa.

A imposição nacionalista acabou destruindo a memória regional também por que criou um clima de tensão, de silenciamento e de medo na região, o que acabou marcando de forma indelével a geração jovem que durante muito tempo procurou negar sua própria identidade, como se o fato de ser descendente de alemães ou italianos fosse algo vergonhoso.



Parte da história que o Brasil está esquecendo.
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Last edited by Kelsen; April 21st, 2009 at 08:18 PM.
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Old April 21st, 2009, 10:17 PM   #135
Martelli
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Kelsen, agradeço por trazer estes textos que relatam um pouco desta fase que é uma mancha vergonhosa em nossa história. Que bom que atualmente há um esforço conjunto entre governo e sociedade para a preservação das línguas dos imigrantes, dos indígenas e de diversas comunidades quilombolas (aliás, o povo Kalunga em Goiás tem uma história muito interessante)
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Old April 21st, 2009, 10:24 PM   #136
Martelli
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Sim, eu conheço. É uma colônia até bem famosa! Inclusive tenho fotos, só não sei direito quando vou postá-las
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Old April 21st, 2009, 10:26 PM   #137
Martelli
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Prudentópolis - Paraná

Prudentópolis, conhecida como a pequena Ucrânia brasileira, tem mais de 70% da população descendente de ucranianos.



Igreja Ucraniana São Josafá, Matriz em Prudentópolis


Panoramio


Foto: Luciano Sarote


Thread do forista Vila Boa


Thread do forista Vila Boa


Flickr Daniel Manse

Localidade de Nova Galícia

Foto: Luciano Sarote

Localidade de Palmital


Fotos do projeto "Ucrânia em português", com fotografias de Oswaldo Eustáquio Filho, Jonathan Campos, Luciano Sarote, Rafael Urban, Sandra Volf e Zaclis Veiga.
Para saber mais:
http://operadorfotografico.blogspot....1_archive.html
http://ucrania-mozambique.blogspot.c...portugues.html


Zaclis Veiga





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Old April 22nd, 2009, 06:38 PM   #138
Martelli
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Mais um vídeo sobre Prudentópolis.


Last edited by Martelli; April 23rd, 2009 at 02:54 PM.
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Matéria sobre o grupo folclórico ucraniano BARVINOK


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