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Old April 26th, 2009, 05:22 PM   #1
Caius
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Moradores de rua perdem albergues no centro de São Paulo

BRUNO RIBEIRO
do Agora

Com a alegação de que não tinham dinheiro para manter um serviço com o mínimo de qualidade, dois albergues do centro da capital fecharam as portas nos últimos dois meses. Um deles, o Glicério, era o maior da região, com 720 vagas por noite. Um terceiro abrigo suspendeu parte das atividades devido a um incêndio e ainda não tem prazo para voltar a funcionar.

Paralelamente, a Prefeitura de São Paulo mantém um programa para retirar sem-teto do centro e encaminhá-los para abrigos em bairros mais afastados, como São Miguel Paulista (zona leste).

A medida, por um lado, garante abrigo para o morador de rua. Mas, por outro, revela um esquema que já é chamado de "limpeza" por ativistas ligados à área. Os moradores que aceitam ir para os albergues mais distantes têm dificuldades para voltar ao centro, que fica com menos pedintes nas ruas.

"É muito longe. Mas tem dias em que é preciso ir para um lugar tomar banho e vestir roupa limpa, então a gente aceita. Mas depois gasta o dia inteiro para voltar", diz o morador de rua Genésio da Silva, 47 anos, que perambula pela Sé (região central).

O ponto de maior concentração de moradores de rua no centro é na rua Boa Vista. A calçada vira uma enorme cama coletiva. Mendigos e policiais militares que patrulham a área dizem que, no centro, estão as melhores opções para quem não tem um lar.

"Vem católico, evangélico e espírita para oferecer sopa. Nem dá para dormir", brinca outro sem-teto, José Vicente de Freitas, 58 anos. "Mas a gente sabe que não é bem-vindo. Atrapalhamos a paisagem, aqui é ponto turístico."

O Agora viu uma das peruas da prefeitura em ação na última terça-feira à noite. Uma assistente social passou pelo pátio oferecendo vagas. Não era para albergues do centro, mas sim da Vila Alpina (zona leste de SP). O veículo ficou meia hora parado até ficar cheio e partir. "Entra quem quer", repetia a assistente.

A Província Franciscana, órgão da Igreja Católica que mantinha os albergues São Francisco de Assis, no Glicério, e Cirineu, no viaduto Jacareí, afirma que não teve opção senão romper o convênio com a prefeitura. "Se a entidade faz um convênio e quer manter a qualidade do serviço, tem de entrar com uma contrapartida [em dinheiro] muito alta", afirma o frei José Francisco de Cássia dos Santos (leia texto nesta página).

A decisão de encerrar o convênio foi da entidade, diz ele, mas a decisão de fechar o albergue foi da prefeitura. "Ela [prefeitura] poderia ter buscado convênio com outra entidade." Santos diz que o albergue do Glicério exigia R$ 30 mil por mês da entidade e que o repasse da Prefeitura de São Paulo ao serviço era perto de R$ 100 mil.

No albergue Lygia Jardim, na Bela Vista, a coordenadora Isa Magalhães finaliza a reforma para poder reabrir. O incêndio na ala feminina comprometeu parte do prédio: a ala feminina foi transferida para a masculina e a dos homens foi desativada por enquanto. O convênio com a prefeitura está mantido e, segundo Isa, o repasse é suficiente por ser um local menor.

Vagas foram transferidas

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social nega que haja um projeto para limpar o centro da cidade dos moradores de rua, como acusam os envolvidos nesse serviço.

A Secretaria de Assistência Social, chefiada pela vice-prefeita Alda Marco Antonio (PMDB), informou, em nota, que no centro expandido da cidade a secretaria tem "cerca de 40 serviços conveniados para o atendimento à população em situação de rua, entre albergues, bagageiros, núcleos de convivência e de serviços, abrigos especiais e repúblicas".

A prefeitura diz que a população assistida pelo albergue Cirineu foi transferida para outro local, o albergue Frei Galvão (que tem capacidade para 200 pessoas), e que o albergue Lygia Jardim vai voltar a atender homens até maio. A prefeitura não informa, no entanto, o que fez a respeito da diferença entre as vagas fechadas e que não foram reabertas.

Sobre as pessoas assistidas no Glicério, a secretaria diz que "todas foram devidamente encaminhadas para a rede socioassistencial e foram fornecidas outras alternativas a elas, como retorno ao local de origem, retorno familiar e moradia autônoma", diz o texto.

A secretaria diz ainda que contratou a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para fazer um novo censo da população em situação de rua de São Paulo, que deve ser divulgado ainda neste ano.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/c...5u556420.shtml
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Old April 26th, 2009, 07:37 PM   #2
dliossi
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Medida acertada

Fico contente. O centro de São Paulo não é lugar de mendigo.

Se São Paulo tem que receber os pobres de todo o Brasil sem nem poder dizer onde podem ficar pelo maldito direito de ir e vir, que pelo menos se achem formas de deixá-los fora dos pontos turísticos.

Esse negócio de moradia popular no centro também é outra idiotice. Como vamos renovar o centro colocando ex-sem-tetos de baixa renda e baixa capacitação para morar lá?
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Old April 26th, 2009, 09:56 PM   #3
Greatlakerman
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Concordo. Mas sou contra a remoção forçada (exceto, é claro, daqueles que cometem crimes e etc) de mendigos. Acredito que o melhor caminho seja este mesmo, e também, como você sugeriu, a construção de moradias populares em locais mais distantes.
__________________
Sé Catedral de São José - 20°48'38.31"S 49°22'46.15"W
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Old April 26th, 2009, 10:20 PM   #4
LordGuerrato
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Acho que "esconder" mendigos não resolve problema algum.

Creio que a exposição de problemas faz a própria sociedade pensar formas de resolvê-lo.

Para quê esconder mendigos dos centros turísticos? Isso resolve alguma coisa? Não...E digo mais. Deixa a cidade fake e segregacionista.

Os turistas de países desenvolvidos já ficam chocados com a desigualde social de uma cidade como São Paulo e muito deste choque é justamente por se depararem com favelas gigantescas em algumas áreas e em outras como a região dos Jardins e Berrini, Moema, Itaim etc, uma cidade moderna, arrojada e mais rica.

Eles não conseguem entender justamente como é possível estas discrepâncias sociais em uma mesma cidade. Então creio que seja muito mais honesto e menos chocante andarem pelo centro da cidade e perceberem que ao menos alí todos os tipos de pessoas circulam, desde pessoas de classe média, ricos ou mendigos.

Essa é a nossa realidade e ponto.

Acabr com mendigos no centro só por higiene social é o fim da picada. Eu gostaria que eles não existissem, mas não por sumiço, mas sim por dignidade e cidadania.
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Old April 26th, 2009, 10:57 PM   #5
Ramos
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Mas já existem alguns albergues no centro de SP. Só que os mendigos não aceitam ficar neles, pois é proibido o consumo de bebidas alcoolicas, além de ser obrigatório tomar banho todos os dias.

Essa reportagem do Agora é totalmente sensacionalista, e dado o histórico sensacionalista do jornal, não deveria nem ser levada em consideração . . .
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Old April 26th, 2009, 11:21 PM   #6
LordGuerrato
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Originally Posted by Ramos View Post
Mas já existem alguns albergues no centro de SP. Só que os mendigos não aceitam ficar neles, pois é proibido o consumo de bebidas alcoolicas, além de ser obrigatório tomar banho todos os dias.
Nem todos os moradores de rua possuem este estereótipo mencionado.

Da forma como vc escreve (baseado provavelmente em reportagens e pesquisas publicadas em revistas semanais favoráveis a higiene social) parece que todo mundo que vive na rua é usuário de álcool e drogas e que não gosta de tomar banho.

Pôxa, moradores de rua também podem ser famiílias inteiras que chegam na cidade e ficam sem eira nem beira, como é possível notar em vários casos. Há também pessoas com problemas mentais ou problemas emocionais com a família que acaba indo para a rua e não necessariamente usa álcool se droga ou não quer tomar banho.

É claro que não sou ingênuo de acreditar que muitos mendigos não possam acostumar a um tipo de vida sem higiene, acomodada e que pela situação acabem caindo no mundo da drogas, pois é mais ou menos isso o que acontece.


Mas acho muito preconceituosa a afirmação simplista, generalizadora e manipuladora de que "os mendigos" não ficam em albergues porque não podem beber e porque tem que tomar banho...

Alguns mendigos desenvolvem esta postura...Mas nem todos...
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Old April 27th, 2009, 01:23 AM   #7
Ramos
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Originally Posted by LordGuerrato View Post
Nem todos os moradores de rua possuem este estereótipo mencionado.

Da forma como vc escreve (baseado provavelmente em reportagens e pesquisas publicadas em revistas semanais favoráveis a higiene social) parece que todo mundo que vive na rua é usuário de álcool e drogas e que não gosta de tomar banho.
Escrevo me baseando na realidade dos mendigos. E a realidade está muito além do que esse jornaleco publica (dando uma versão de que a prefeitura é má e os mendigos uns coitadinhos que não sabem o que estão fazendo).
Na rua Pedro Vicente (Canindé), você encontra fácilmente esses moradores de rua (do tipo entrevistados pela reportagem que se encaixa no esteriótipo que citei) com o esteriótipo que mencionei. Eles bebem na porta do albergue, pois não podem entrar lá com bebida. Além disso eles ganham dinheiro recolhendo papelão e depois gastam tudo no boteco da esquina. São pessoas doentes e albergue não é clínica para desintoxicação, albergue é abrigo temporário. O poder público está fazendo muito pouco (recentemente foi inaugurada uma clínica de desintoxicação em Cotia) e a mídia menos ainda, pois sugere que eles sejam trancados em albergues.

Sem falar na omissão da sociedade civil para esse problema. . .


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Originally Posted by LordGuerrato View Post
Há também pessoas com problemas mentais ou problemas emocionais com a família que acaba indo para a rua e não necessariamente usa álcool se droga ou não quer tomar banho.
Depois que acabaram com os manicômios (que eram péssimos por má gestão), pessoas com problemas mentais não podem ser internadas por muito tempo , e geralmente o governo entrega essas pessoas para que suas famílias cuidem. Mas as famílias abandonam essas pessoas nas ruas, tornando um problema familiar um problema da sociedade.

Faltam políticas públicas para essas pessoas, mas a idéia desse jornaleco é a de que albergue é a única solução para os mendigos e que eles devem ficar lá para sempre.
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Old April 27th, 2009, 01:58 AM   #8
Jdolci
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Em São Paulo nao sei, mas aqui em Curitiba a grande maioria dos mendigos sao homens entre 15 e 50 anos. A maioria com todas as condições de trabalhar.
E digo mais ..Não sao mais aqueles pobres desvalidos que nao tiveram oportunidades (típico pensamento de muitas pessoas) .. são sim na grande maioria .. viciados em crack, bêbados ou grupos de adolescentes altamente suspeitos que nao querem sair das ruas..
Por diversas vezes liguei para o serviço social alertando sobre mendigos na região central.. e já escutei deles que nao adianta nada .. Quando são abordados, a maioria se recusa a sair da rua... mesmo com oferta de comida e banho. Os que sao recolhidos no dia seguinte retornam a rua.. recusam assistencia ou ajuda para voltar pra regiao de origem.

Eu sou meio autoritário nesse ponto .. acho que esse direito de ir e vir tem limites!
Tem que se recolher mendigos sim... tem que obriga-los a se inserir na sociedade a partir do momento que se percebe que eles nao querem sair, mesmo dando todo o tipo de auxilio ...
Vamos ter mendigos pela cidade, ameaçando as outras pessoas .. acabando com o comércio.. deixando intransitável certos trechos da cidade devido ao fedor de urina em nome da "liberdade" de alguns indivíduos?
meu voto é nao!
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Old April 28th, 2009, 03:14 AM   #9
dliossi
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Entendam uma coisa

São Paulo não tem como receber todos os pobres do Brasil.
Para se ter uma idéia, 91% de Paraisópolis é formada de nordestinos e descendentes.

Além de mandarmos mais de 50% do nosso dinheiro de impostos para eles, ainda temos que receber qualquer carinha que mata o outro por causa de pinga e vem fugido para cá.

Dessa forma, devido à nossa impossibilidade de dar vida digna a todos os pobres rejeitados de lá, temos que tirá-los pelo menos dos locais turísticos.

Acertada a medida.
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Old April 28th, 2009, 05:31 AM   #10
IcaroSP
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Amigo,Esse dado de 50% está errado... São Paulo não recebe nem 10% do que manda para o Governo Federal...
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Old April 28th, 2009, 06:36 PM   #11
dliossi
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Icaro

São Paulo não recebe nem 10% dos impostos federais.
Eu estou dando os dados de todos os impostos que arrecadamos somados.

Em suma, de todos os nossos impostos em todas as esferas, que somaram cerca de 290bi no ano passado, mandamos 180bi ficamos somente com uns 120bi para sustentarmos a nós e a todos os pobres que eles nos mandam, enquanto no mesmo período, a despeito disso, o Serra investiu mais em São Paulo do que o PAC no Brasil inteiro.
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Old April 30th, 2009, 08:24 PM   #12
Felipeaamelo
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Alguns aqui estão bem próximos da Alemanha nazista, me dão nojo.
Como assim como vamos revitalizar? Dar moradia digna me parece uma excelente forma de revitalizar.
Varrer a sujeira pra debaixo do tapete, ou seja, varrer os mendigos pra bairros distantes não resolve em nada o problema.
E a desculpinha da pobreza de SP ser culpa dos outros já deu oq tinha que dar né...
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Old April 30th, 2009, 09:41 PM   #13
RRC
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Alguns aqui estão bem próximos da Alemanha nazista, me dão nojo.
Como assim como vamos revitalizar? Dar moradia digna me parece uma excelente forma de revitalizar.
Varrer a sujeira pra debaixo do tapete, ou seja, varrer os mendigos pra bairros distantes não resolve em nada o problema.
E a desculpinha da pobreza de SP ser culpa dos outros já deu oq tinha que dar né...
Beleza, me passa seu endereço que vou levar todos os mendigos que encontrar para sua porta, aí, vc dá abrigo pra eles, ok?

Esses discursinhos politicamente corretos são lindos, mas tão hipócritas.
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Old April 30th, 2009, 11:31 PM   #14
dliossi
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Beleza, me passa seu endereço que vou levar todos os mendigos que encontrar para sua porta, aí, vc dá abrigo pra eles, ok?

Esses discursinhos politicamente corretos são lindos, mas tão hipócritas.[2]

Fazer cálculo, ali na ponta do lápis, com o que dá pra fazer com o que sobra dos nossos impostos, ninguém quer fazer.
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Old May 1st, 2009, 07:09 AM   #15
tchelllo
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Este assunto é espinhudo hein pessoal! Vamos desacelerar os ânimos porque se muito do "politicamente correto" pode soar hipocrisia tosca, muito do discurso contrário também beira a xenofobia.


Eu gostaria de fazer algumas considerações a respeito do tema.


Se São Paulo recebe "pobres" de outros lugares é em grande parte devido a uma terrível concentração de oportunidades aqui, que se para nós é motivo de orgulho, para o "equilíbrio" do país é um desastre, pois causa correntes migratórias, choques culturais, xenofobia e perpetua o não desenvolvimento de outras regiões.

Muitos podem dizer, ora mas se São Paulo desenvolveu-se tanto, temos que ser culpados por um suposto sucesso?

Em partes sim, pois durante as primeiras décadas do Brasil república São Paulo dominou a política nacional de forma tendenciosa e centralizadora para os seus interesses em detrimento do desenvolvimento do país, na chamada política do Café com Leite.

Durante quanto tempo São Paulo fez toda a política nacional voltar-se única e exclusivamente para os interesses das oligarquias do café locais que foram a base de uma futura industrialização?

Enfim...

Se o estado de São Paulo pertence uma república federativa e arrecada infinitamente mais dinheiro do que outros estados mais pobres, acho justo que haja alguma compensação de distribuição de recursos para outros estados. É como um irmão mais velho e mais bem sucedido que ajuda os outros mais novos em prol da família, ou o nosso país, a nossa república federativa com seus estados não deve ser uma família e trabalhar em conjunto para o bem estar de todos?

Eu acredito que sim, pois pretendemos ser um país não? Caso contrário fica parecendo uma disputa entre estados unitários, ou seja, para quê federação assim não é mesmo?

Posto isso, é óbvio que os pobres de qualquer lugar só vêm para São Paulo porque aqui há mais chances, ou pelo menos havia mais chances, de dar um futuro melhor para suas famílias, porque se suas cidades e regiões estivessem desenvolvidas e com emprego não haveria a necessidade das pessoas se sujeitarem a tamanho sacrifício.

Esse comportamento ocorre com todos nós. Quantos brasileiros não vão morar em outros países porque há melhores condições de vida e de trabalho?

As vezes nem querem viver no país que escolhem e nem se ambientam ou se aculturam, mas somente juntam dinheiro para voltar para o Brasil e continuar uma vida um pouco melhor.

Quantos brasileiros não mudam de uma cidade para outra em busca de melhores oportunidades no mercado de trabalho?

O que incomoda muitos paulistanos é que os pobres que nas últimas 4 décadas vêm para cá são pobres-miseráveis, pessoas muito simples em grande parte desprovidas de tudo e aí ocorre o choque, o estranhamento cultural.

Curiosamente os italianos miseráveis que aqui chegaram do sul da Itália no século passado não foram tão execrados quanto muitos brasileiros pobres de outras localizadas são quando chegam em são Paulo. Assim como muitos espanhóis também miserávies foram muito bem recebidos durante da ditadura de franco aqui no Brasil. Muito porque já existia o respeito dos brasileiros a estes países europeus.

Já os primeiros japoneses foram sim bastante discriminados e quase escravizados nas lavouras de café por não terem costumes ocidentais, afinal naquela época o japão não necessariamente era bem visto perante o resto do mundo. Era apenas um país pobre, excêntrico e distante.

Enfim, hoje os brasileiros são contraditoriamente discriminados ao menos no Japão,Itália e Espanha.

No Japão os brasileiros mesmo com nível social (para nós é claro) são mal vistos por comportamentos abomináveis para os padrões de cultura japonesa como por exemplo a falta de educação ao dirigir, algo grosseiro e enraizado na cultura brasileira em todas as classes sociais.


Na Inglaterra muita gente acha que os brasileiros mesmo de boa família (entenda-se boa família brasileira) falam muito alto e são muito espalhafatosos e cheios de intimidades com desconhecidos, algo estranhíssimo para o padrão da cultura inglesa que é mais reservada e sóbria.


E aí voltamos aos pobres-miseráveis que vêm para São Paulo em busca de uma vida melhor, de um tão sonhado "emprego", mesmo que seja para ganhar um salário mínimo.

Uma boa parte conseguiu na época da industrilização rápida da cidade, do surgimento das metalúrgicas e montadoras. E aí foi espalhando a notícia.

Hoje não há mais fábricas, não há mais metalúrgicas na cidade, a cidade mudou de perfil econômico e o que resta de emprego exige escolaridade, algo que antigamente era exclusivamente saber ler escrever e ter braços e pernas sadias.


Enfim, mas as pessoas continuam vindo, pois seus familiares que vieram para cá décadas atrás conseguiram se estabelecer até hoje e de várias formas estão bem melhores aqui do que se tivessem ficado em suas cidades, perpetuando a imagem de sucesso de São Paulo para todo mundo.


Mas para a última leva de pessoas que chegou e continua chegando na cidade nos últimos 15 anos a coisa é diferente. Chegam aqui e não encontram praticamente emprego algum para alguém sem escolaridade ou experiência.

Muitos ficam um tempo na casa dos parentes já estabelecidos, mas depois de um tempo procuram tentar a sorte e acabam nas ruas, ou construindo barracos em áreas irregulares e vivem de bicos e pequenos serviços e aí engrossam a favelização e a pobreza que tanto incomoda a muitos.


Por isso o estranhamento e a acusação de empobrecimento da cidade por parte dos migrantes miseráveis de outros locais que aqui chegam é até compreensível, porque é o sentimento mais instantâneo que nos vêm a cabeça.


Mas se pararmos para pensar, existem motivos para as coisas serem assim. Ninguém é miserável porque quer.

Muita gente reclama dos pobres e favelados como comodistas. Acho que a vida em miséria ensina muita coisa e acho que ninguém aqui neste fórum deve ter experimentado a vida em miséria para saber como tirar vantagem das coisas para poder "sobreviver".


A situação de miséria é uma situação limite para o homem, em qualquer lugar do mundo.

As vezes leio alguns comentários aqui no SSC sobre pobres e favelados e percebo que muita gente tem o hábito tentar se transportar para a pele de uma pessoa miserável, mas sempre mantendo a educação, escolaridade, e suposta finesse que possui.

Aí não né?

Muita gente acredita pieamente que se fosse favelado não construiria uma casa com restos de madeira em beira de córrego por exemplo. Ou não jogaria papel no chão, ou simplesmente faria como um indivíduo em 1 milhão que estudou para um concurso público do Banco do Brasil morando na rua, passou e mudou de vida através do estudo.

Helloooow né? Se nós aqui tivessemos nascido em situação de miséria a probabilidade se sermos exatamente como todos os miseráveis que nos incomodam seria absurdamente grande.

Portanto, acho que tirar pobres e miseráveis de locais turísticos não torna a cidade de São Paulo mais bem vista, pois seja no caminho do aeroporto até o centro passando por favelas, seja transitando entre bairros, ou mesmo, fazendo uma rápida pesquisa sobre os dados oficiais da desigualdade social na cidade de São Paulo, a pobreza continua lá e gritante.

E como foi mencionado anteriormente, é muito mais chocante para turistas estrangeiros com cérebro perceberem uma cidade segregacionista ao ponto possuir lugares primeiromundistas de um lado com ausência de pobres e lugares com pessoas miseráveis de outro, beirando o absurdo, tudo na mesma cidade.

Ao menos pobres e ricos vivendo visualmente lado a lado é um pouquinho mais democrático, se é que podemos chamar a absurda desigualdade social e de regiões do nosso país de algo democrático, enfim...

É como eu já comentei sobre a tal favela do Jardim Edite que ficava lá do lado do CENU e da nova ponte e que foi demolida recentemente. Seria muito mais louvável inclusive para apreciação dos turistas estrangeiros, se alí fossem construídas sim casas populares para abrigar aquelas pessoas.

Poderiam ter feito muito mais bonito se tivessem feito algum projeto pioneiro de casas populares, com algum projeto tão moderno e inovador quanto a região pretende ser.

Incorporar aquelas pessoas alí ou na região de forma digna e inovadora teria feito toda a diferença.

As próprias empresas da região poderiam em parceria dar emprego àquelas pessoas, fazendo jus a responsabilidade social, tão em voga no mundo civilizado.

Mas não, optaram por expulsar as pessoas dalí, pois onde já se viu alguém morar num barraco do lado do CENU e emporcalhar a vista do executivo estrangeiro que alí chega?

Pura bobagem...

Ah tá, mas muitos vão dizer: Mas espere aí, eles não foram expulsos, levaram 5 mil na malandragem....

Foi pouco...Ou então você pega a constituição e rasga o artigo onde diz que toda aquela gente tem direito a moradia garantida pelo estado.

Tá lá, na constituição.... Não tem vagabundagem, semvergonhice, nem nada, simplesmente toda aquela gente sem moradia têm o direito constituicional a casa própria, assim como todos nós temos o direito a saúde pública.

_Ah mais a minha família levou 15 anos para comprar a nossa casa não é justo.

Pura bobagem, a saúde pública é constitucionalmente garantida para todos, mas garanto que a maioria aqui paga plano de saúde, não?

A família do reclamão também poderia ter uma casa da COHAB se necessitasse não?, Mas acho que prefere a casa de 250 mil onde vive, então se prefere isso por ter condições, para quê retirar o "direito constitucional" das pessoas que não tem condições a moradia?

Então no fim, acho sim que existe uma certa hipocrisia nestes assuntos em prol dos mais pobres e humildes e blábláblá, mas também acho que existe muito fascismo e preconceito na outra ponta.

Last edited by tchelllo; May 1st, 2009 at 06:10 PM.
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Old May 1st, 2009, 05:44 PM   #16
dliossi
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Tá lá, na constituição.... Não tem vagabundagem, semvergonhice, nem nada, simplesmente toda aquela gente sem moradia têm o direito constituicional a casa própria, assim como todos nós temos o direito a saúde pública.

Pena que todos eles queiram realizar esse direito em um só estado, que, mandando um plano Marshal a cada dois anos, fora o dinheiro dos outros estados do SE/SULnão vê esse essa gente sair do lugar.

Ah, sim, mas é claro, é sempre culpa dos políticos.

Eles têm que ir dançando frevo e axé enquanto esperam os políticos mudarem
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Old May 1st, 2009, 11:07 PM   #17
tchelllo
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Originally Posted by saopaulocity View Post
Me desculpe Tchelllo, mas dizer que os italianos foram bem recebidos em São Paulo para quem é filho de um só demonstra que você desconhece o que de fato aconteceu quando eles vieram para cá...A diferença é que com o tempo eles conquistaram seu espaço, mudaram a cara da cidade, evoluiram e são hoje motivo de orgulho...Mas só quem houve histórias dos primeiros anos dos imigrantes italianos aqui sabe que isso que você disse não é verdade
Naturalmente que a chegada ao Brasil tendo como mote o mesmo tipo de imigração que os japoneses e outros povos, ou seja, para as lavouras de São Paulo e do sul iniciou-se de forma compulsória com péssimas condições de moradia e trabalho inclusive para mulheres e crianças. Isso eu sei muito bem.

Mas comparativamente a outros povos, os italianos, ao menos em São Paulo conseguiram uma ascensão social e repeito muito maior do que os japoneses que aqui chegavam e isso em poucas décadas.

Agora falar de viver amontoado em cortiços, trabalhar em fábricas várias horas ao dia e todo o sacrifício que passaram aqui no início, diz muito respeito tbm as próprias condições de trabalho da época, onde não somente os italianos, mas os negros livres e metiços pobres tbm passaram, ou seja, não foi uma situação específica e discriminatória aos italianos as duras condições de trabalho, mas sim as duras condições de trabalho na lavoura e nas fábricas da cidade foram uma situação comum tbm a todos os brasileiros pobres da época.

Last edited by tchelllo; May 2nd, 2009 at 03:07 AM.
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Old May 2nd, 2009, 08:05 AM   #18
Rajude
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Esse assunto realmente é muito contraditório. Eu particularmente concordo parcialmente com o Tchelllo, ou mesmo em quase sua totalidade em alguns pontos.

Entretanto, em alguns pontos, apesar de, sob minha perspectiva, ser o ideal, como por exemplo, ao invés de remover a favela ao lado do CENU, construir moradias populares, isto não é possível, embora seja o ideal.

Muito bem, vamos supor que o Estado, por alguma razão, resolvesse construir casas populares naquele local para a população ali residente, analisando os pontos evidentes, vejamos:

Os moradores, apesar de alguns serem dignos e civilizados, embora pobres, existem muitos "malandros" vivendo nas favelas, e mesmo se tivessem esta oportunidade, não sairiam da favela, simplesmente, pois, eles não querem pagar impostos, não querem pagar os serviços como água e luz, por mera pilantragem, no vulgo palavreado. Isto, logo, significa dizer que, se aquela favela fosse substituída por uma casa popular, o mínimo que o morador iria fazer, seria vender a casa construída com o nosso dinheiro para a empreiteiras, e ir armar outro barraco em um lugar próximo dali.

Notem o seguinte, isto não se refere a todos estes, mas eu procuro ser realista, e estou convicto de que uma parte substancial destes, vivem ali porque querem, e não por necessidade.

Outro dia eu passei próximo a uma favela, no eixo sul da marginal pinheiros, e ví um barraco (de tijolos), em terreno irregular, com carro na garagem! E, sim, acredite, o suposto "barraco" (Que de barraco nada tem), tinha garagem. Em terreno irregular, sem pagar impostos.

Veja, o individuo não consegue ter uma casa, mas consegue ter um carro na garagem.

Ou seja, apesar de relmanete existirem pessoas humildes, existem outras que possui uma condição mínima de pelo menos comprar uma casa, mesmo que não muito grande, mas uma casa digna, mas optam por morar em uma favela.

Enfim, o grande ponto a ser minuciosamente decifrado, é:
Como separar os indivíduos honestos, dos "malandros"?

O que eu defendo, em suma, é o seguinte:
Eu sou veementemente a favor de que a câmara aprove a lei municipal que diz o seguinte: A prefeitura pode remover a favela que desejar, contanto que ofereça opções de moradias populares a todos os moradores que forem removidos da favela, independentemente do local onde a moradia popular for construída.

Atualmente, a prefeitura oferece moradias populares para aquelas populações, e algumas vezes, não tão longes assim do eixo cental, mas mesmo assim elas se recusam.

Bem, é algo muito contraditório.

Entretanto, nós devemos sempre ver isto com olhares críticos, som minha concepção, não existem "santos" morando em favelas. Naturalmente, muitos deles, apesar de muitas vezes não o fazerem por "má fé", abusam da suposta "esperteza": "Para que vou sair daqui e ir para um CDHU, se aqui eu moro perto do centro, não pago imposto, tenho água, luz, e não vivo tão mal?"
Nem sempre isto ocorre, ressalto, mas é recorrente.

EDIT:
E a prpopósito, assistam este vídeo do SPTV (Fala sobre a remoção da favela jardim edite):
http://video.globo.com/Videos/Player...+EDITH,00.html
Gostei muito do plano utilizado para a remoção desta favela e a construção do conjunto habitacional.
Gostaria de saber se alguém possui maiores informações sobre isto, digo, isto foi feito por meio de acordo entre os moradores e a prefeitura, a lei foi aprovada, ou o que aconteceu? Mas é assim que deve ser.

Last edited by Rajude; May 2nd, 2009 at 08:15 AM.
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Old May 2nd, 2009, 07:40 PM   #19
dliossi
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Ja que os invadores de terreno estão ganhando conjuntos habitacionais de graça, eu também quero.
dliossi no está en línea   Reply With Quote
Old May 2nd, 2009, 07:55 PM   #20
quid
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Ai ai, se eu fosse milionário eu resolvia esse problema fácil.
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