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Old August 19th, 2009, 11:03 AM   #41
Matthias Offodile
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Namibe
Domingos Florentino apresenta sua recente obra literária


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Escritor Domingos Florentino com novo livro no mercado nacional

8-08-2009 18:10

Namibe - Domingos Florentino, pseudónimo literário do escritor Marcolino Moco, lançou nesta terça-feira, nesta cidade, o seu recente livro em poemas " Vocifuka Colonyane", que significa o Diário da Ilha Garça.

A obra contém poemas com alguma mistura de metáforas, na sua maioria escritos sob inspiração de contos de etnia umbundo, assim como o título do livro.

Segundo o autor da obra, escrever poesias sem olhar o povo nas suas diversas manifestações, sobretudo no meio rural do qual se inspirou, é condenar-se ao fracasso.

O livro fala de Clementina e Elisa, como personagens na "ilha Garça, dos voos circulares", uma das expressões que dá título a obra.

Cerca de 50 livros foram comercializados a 700 AKZ cada, durante a cerimónia de apresentação que foi presenciada por distintos responsáveis da vida política, social, cultural e académica.

Fonte próxima ao escritor assegurou que o livro está a ser comercializado em algumas das principais livrarias da capital do país.

A cidade do Huambo será a próxima digressão do autor para a apresentação da sua obra.

Esta é a segunda obra literária apresentada em menos de trinta dias na cidade do Namibe, depois da "Guardador de Memórias" da escritora angolana Isabel Ferreira.


Domingos Florentino, ou melhor Marcolino Moco, nasceu na província do Huambo, aos 19 de Julho de 1953, e publicou obras como "Raízes do Provier", em 1997, e "Á Luz Alfabetizada das Palavras", em 2002.

Conferência
Juventude deve ser guiada para a valorização da cultura angolana

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17-08-2009 14:56


Fragata de Morais reconhece que juventude deve ser guiada para a valorização da cultura angolana
Luanda -

Em entrevista à Angop, à margem da Conferência Internacional sobre o Centenário do Escritor Óscar Ribas, Fragata de Morais afirmou que enquanto não se falar da cultura e dos criadores angolanos nas escolas, em todos os níveis educacionais, os escritores continuarão na sombra e sem o seu trabalho conhecido e valorizado.

“A juventude se não for liderada ou guiada continuará a ter problemas no tocante à valorização da identidade nacional, tornando-se essencial que se preste maior atenção no ensino dos aspectos da cultura angolana”, disse o escritor.

Segundo ele, outro factor determinante é também a criação de uma rede de bibliotecas a nível de todo o país, tendo em conta a distribuição de bibliografias de autores angolanos.

“Nas condições actuais, em que o livro é caro e as bibliotecas praticamente não existem, torna-se quase impossível os jovens saberem da história dos criadores nacionais”, disse.

Fragata de Morais defendeu igualmente a necessidade do Governo rever a situação da importação do papel para a edição de obras literárias.

“A taxa de importação é extremamente cara, facto que obriga a prática de preços altos em relação às obras literárias”, reconheceu.

Com o livro caro, de acordo com o entrevistado, torna-se difícil aos jovens comprá-los, dando, por isto, preferências a outras necessidades básicas das suas vidas.

Relativamente à conferência, Fragata de Morais avança que a sua importância reside no facto de permitir que a sociedade angolana
saiba mais sobre a vida desta figura incontornável da literatura nacional.


Conferência
Óscar Ribas contribuiu para estabilização da língua Kimbundu - Instituto de Línguas


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17-08-2009 13:19

Luanda - O director-geral do Instituto Nacional de Línguas, Vatomene Kukanda, afirmou hoje, em Luanda, que a pesquisa linguística do escritor Óscar Ribas deu um grande contributo para a estabilização da língua kimbundu.



Em declarações à Angop, a margem da Conferencia Internacional sobre "Vida e Obra de Óscar Ribas”, Vatomene Kukanda referiu que o autor de Missosso e outros livros, teve de encontrar uma forma de escrever os provérbios em kimbundu, o que fez com que os leitores pudessem conhecer um pouco mais sobre esta língua.



"No tempo em que Óscar Ribas se dedicou a escrita não era fácil, pois os intelectuais da altura tiveram várias dificuldades em encontrar a harmonia na escrita das palavras em kimbundu. No entanto, Óscar Ribas e outros especialistas esforçaram-se para engrandecer esta língua nacional”, referiu.



A grafia do kimbundu, aprovada pelo Conselho de Ministro, teve como base os trabalhos de cariz linguístico como do homenageado , que muito se engajou para que esta língua pudesse ser ensinada, transportando consigo os valores tradicionais.



Escritor, jornalista e ensaísta angolano, Óscar Ribas nasceu em 1909, na cidade de Luanda e faleceu a 19 de Junho de 2004, em Cascais (Portugal).



Escritor prestigiado nos meios literários nacional e internacional e membro da União de Escritores Angolanos (UEA), Óscar Ribas foi galardoado com diversos prémios: Margaret Wrong (1952), de Etnografia do Instituto de Angola (1959) e monsenhor Alves da Cunha (1964).



Óscar Ribas foi agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes nas categorias de literatura e investigação em Ciências Sociais e Humanas, outorgado pelo Ministério da Cultura em 2000.




Na sua bibliografia, constam diversas obras (esgotadas no mercado) entre as quais Missosso (volume I, II e III), Resgate de uma falta, Flores e espinhos, Uanga, Ecos da minha terra, Ilundo - Espíritos e Ritos angolanos, Tudo isto aconteceu - Romance autobiográfico, Cultuando as musas - poesia e Dicionário de Regionalismos angolanos.



Na Conferência Internacional sobre a "Vida e Obra de Óscar Ribas", que decorre de 17 a 19 deste mês, numa organização do Ministério Cultura, participam escritores, antropólogos, historiadores e outras individualidades do país e do estrangeiro.
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Old August 21st, 2009, 04:44 PM   #42
Matthias Offodile
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Micaela Reise (Miss Angola 2007) who came second in the Miss Universe Beauty Pageant visist India...watch the report and enjoy her radiance! I am still in love with her!

The docuementary is in English!

Part 1

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Old August 27th, 2009, 12:44 PM   #43
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Cultura
Oscar Ribas lido em vários idiomas


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As obras de Óscar Ribas serão reeditadas e estudadas em diferentes idiomas. A intenção foi manifestada quarta-feira última em Luanda, pela ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva, no encerramento da Conferência Internacional sobre a Vida e Obra de Óscar Ribas, realizada de segunda a quarta-feira desta semana, no Palácio dos Congressos.

No encontro que decorreu sob o lema “A vida de Óscar Ribas no centenário do seu nascimento”, os conferencistas aconselharam o aprofundamento do estudo da obra de Ribas, a reedição regular e sistematizada, pela União dos Escritores Angolanos, da sua obra em diferentes línguas nacionais e a criação de prémios e incentivos para os escritores que publiquem obras nestes idiomas.

De igual modo, recomendaram maior reflexão e acções práticas que conduzam à valorização da identidade cultural angolana, dinamização da investigação científica no domínio das letras, ciências sociais e humanas, aplicação de procedimentos metodológicos que permitam a análise profunda de provérbios e sua inclusão no sistema de ensino e aprendizagem.

“A celebração e o tributo que lhe prestamos são plenos para que a sua estratégia enciclopédica não durma no leito onde repousa o seu sono.

A celebração continuará no resto dos dias das nossas vidas para que a cultura de Angola que nos ensinou através da recolha que efectuou ao longo de toda a sua vida cresça e que se valorize e se projecte sempre”, realçou a ministra.

Durante três dias, os participansuperiores e universidades. De todo este legado é possível destacar a sua obra Missosso (volumes I, II e III) no qual demonstra ser o guardião mais importante e fundamentado dos valores e tradições culturais angolanas.

Pesquisadores de diferentes países, como Brasil, Portugal, Moçambique e Angola, participaram no encontro subdividido em diferentes painéis: “Óscar Ribas como pioneiro da Proverbioanalogia e da Provérbio concordância”, “Os quinhentos Provérbios Kimbundu recolhidos por Óscar Ribas”, “O contributo de Óscar Ribas na recolha e salvaguarda da tradição oral angolana: sistemática de textos orais” e “Da tradição oral à tradição escrita: o papel da literatura no desenvolvimento das Línguas Nacionais em Angola”, entre outros.

Neste colóquio, intelectuais, escritores, linguistas, historiadores, antropólogos, amigos e familiares do homenageado procuraram com as suas comunicações, debates e testemunhos, levar todos a uma reflexão sobre o contexto sócio-político em que Óscar Ribas esteve inserido e todas as dificuldades que enfrentou para se impor numa sociedade tão complexa como era na altura.

Os conferencistas recordaram igualmente que, apesar da sua situação peculiar de invisual, “nada o impediu em circunstância alguma que demonstrasse o seu génio criador, despoletado pela sua complexa e extraordinária força de vontade”.

Para a organização, o colóquio decorreu no âmbito do interesse comum de aprofundar o conhecimento da cultura angolana, de modo a prosseguir com a abertura de caminhos para que no tempo actual e futuro todos sigam o estudo e divulgação da obra de Óscar Ribas, tido como um dos grandes vultos da história da cultura angolana.
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Old September 6th, 2009, 10:59 PM   #44
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Literary works by Agostinho Neto re-edited




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Luanda- The Ministry of Culture will re-edit this September four of the main books released by the late Angolan poet António Agostinho Neto, as a way of enabling the new generation to better know or make contact with his literary works.




The fact was announced this Tuesday in Luanda by João Lourenço, one of the members of the organising commission of the International Colloquy on Agostinho Neto, to be held from September 15 to 16.




According to the source, who was presenting the agenda of the colloquy, the written works are “Renúncia Impossível” and “Sobre a Libertação Nacional”, a series of speeches of the author, “Náusea” and “Ainda o meu sonho”, which are a collection of Agostinho Neto’s points of view regarding the national culture.




Apart from these literary works, during the event the "Sagrada Esperança (sacred hope)" poem, with its re-edition under the aegis of the Angolan Writers Union (UEA), will also be available to the public.




He stated that the re-edition of these books is part of the strategy of the Culture Ministry of disseminating, preserving and recognising the written works of the poet, politician, physician and the first President of Angola.




Agostinho Neto was born in Kaxicane village, Icolo e Bengo district, northern Bengo province, on September 17, 1922, and passed away in 1979.




His bibliography also includes litarary works such as “Poemas”,” Sagrada Esperança”, “A Renúncia Impossível”, “ Quem é o inimigo… qual é o nosso objectivo?”, “Destruir o velho para construir o novo” and “Ainda o meu sonho”.
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Old September 19th, 2009, 03:06 PM   #45
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Luanda - O antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho emitiu ontem (segunda-feira), em Luanda, o seu ponto de vista sobre os factos que marcaram a história política da capital angolana, na era colonial, apontando a conquista e reconquista desta cidade africana, pelos holandeses e portugueses, como os aspectos mais marcantes da época.


"A fundação de Luanda, a conquista pelos holandeses, a reconquista pelos portugueses e a independência nacional, de que acabo de falar durante uma hora, são os pontos mais importantes", expressou o pesquisador à imprensa, no final de uma conferência co-organizada pelo Instituto Camões e pela Associação Chá de Caxinde.



Segundo o também escritor e docente universitário, que falava sobre o tema "Conquistas e Reconquistas de Luanda", a actual capital angolana passou por um longo processo de partilha, por autoridades holandesas e portuguesas, afirmando não ter havido tempo para se construir uma cidade diferente, onde não existissem musseques.


"Não deu tempo de construir outra cidade. Os musseques não são consequência da cidade estar cheia. Derivam de outras coisas", lembrou Ruy Duarte de Carvalho, para quem a existência dessas áreas suburbanas deriva de "um fenómeno social ou arquitectónico".


"Os musseques são um fenómeno social, talvez arquitectónico, resultado do crescimento de uma cidade que, durante uns períodos, cresceu por umas razões, e noutros, por outras razões. Esta é uma interpretação antropológica", assegurou.


O pesquisador é de opinião que Luanda é hoje uma cidade em transformação, cheia de vitalidade, "e sem razão alguma para não resolver as suas questões".


Durante uma semana, o escritor e antropólogo será homenageado pelo Instituto Camões e pela Associação Chá de Caxinde, que reservam para terça-feira, em Luanda, ainauguração de uma exposição com título "Essa Maneira de Convocar Tudo", a estar patente até 20 deste mês, no Centro Cultural Português.


Para quarta-feira, está prevista uma conferência e debates sobre "Antropologia, História e Imagem".

Fonte: Texto - Angop e Foto - Lev´Arte
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Old September 29th, 2009, 08:21 PM   #46
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Capa 41 // João Melo
A aventura das palavras


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Tem dado seu contributo para o país nas mais diversas áreas. Intelectual, deixou a sua 
marca no jornalismo e na literatura.



João Melo é escritor, jornalista, professor universitário, deputado e agente publicitário, Originário de uma família de intelectuais ligados à cultura, João Melo cresceu rodeado de livros, uma influência que o fez começar a escrever muito cedo. “Escrevi o meu primeiro poema aos 15 anos. Sempre vivi num ambiente rodeado de cultura. O meu ambiente familiar contribuiu imenso para que cultivasse o hábito de leitura, o que contribuiu para que começasse a escrever na adolescência”.

Continua a falar da sua aproximação ao meio literário. “O meu pai, Aníbal de Melo, foi jornalista. A minha avó materna era tia do Mário e do Joaquim Pinto de Andrade. Para além deles havia na família outros intelectuais como o Henrique e Júlio Guerra, pessoas muito ligadas à leitura e produção literária e, de certa forma, acabei por ser influenciado. Lembro-me que eu e os meus primos nas férias íamos visitar os nossos avós paternos a Malange. Foi exactamente durante uma das viagens que me inspirei e escrevi o meu primeiro poema, num impulso”.

Depois disso vieram muitos outros. Mas destes apenas um sobreviveu ao seu olhar crítico, tudo o resto foi parar no caixote de lixo. A escola também foi um alicerce para cultivar o hábito de leitura. “Outra vertente da minha educação, que contribuiu para o fortalecer o meu gosto pela escrita e hábito de leitura foi a escola. O facto de ter em casa e já estar acostumado a ler obras de grandes autores portugueses da época, como Miguel Torga, Fernando Pessoa entre outros, contribuiu para que fosse bom aluno, sobretudo a língua portuguesa. Tenho de reconhecer que a qualidade do ensino no país era bem melhor que hoje. Na altura tinha muito bons professores que sempre me incentivaram a escrever”, explica o escritor.

O poema que sobreviveu foi publicado numa revista, Semana Ilustrada, em 1973. “É verdade que publiquei o poema que sobreviveu à minha análise critica nessa revista. Publiquei também alguns cartoons. É engraçado que a minha entrada na imprensa foi como cartoonista e não como redactor. Em 1974 fui para Coimbra concluir os estudos. Mas não parei de escrever. Treze anos depois, em 1986, publiquei a minha primeira obra literária. Antes do meu primeiro livro escrevia regularmente em jornais, revistas, na Gazeta Lavra e Oficina, etc.”



A literatura

João Melo é casado e pai de quatro filhos. Licenciado e doutorado em Comunicação pela Universidade Federal de São Paulo. Actualmente, para além de escritor, é colunista em três jornais da capital e nalguns jornais portugueses. Já publicou 11 livros de poemas e 4 de contos. Vem aí um novo romance, intitulado O Homem que não tira o palito da boca. Numa tiragem de 1500 exemplares, quer para Angola quer para Portugal. Recorda que o seu livro que mais exemplares venderam foi Os Filhos da Pátria, lançado em Portugal em 2003, só em Lisboa cerca de 3 mil exemplares, mais os habituais 1.500 em Angola. Já pagou totalmente os custos de produção, em apenas 6 anos, o que normalmente acontece em muito mais tempo. “Nas minhas obras estão sempre presentes 3 questões recorrentes que são - a relação entre sociedade e história, o amor e o diminutismo, e um certo lirismo intimista. Estes três temas percorrem todas as minhas obras, quer de poesia quer de ficção”.

Quanto à linguagem directa e à abordagem dos assuntos, refere: “Como tenho dito o escritor é livre de escrever o que quiser e como bem entender. Por isso não tenho tabus e não me amarro a quaisquer processos ou procedimentos. Para abordar qualquer assunto utilizo os procedimentos formais e estilistas que cada um exige, dentro dos três temas que percorrem as minhas obras. Em todas estão presentes estas três grandes questões que me inquietam. Na poesia tenho sido mais expressivo, enquanto a ficção tem uma linha mais reflexiva. Mas todos eles são resultado da realidade social de Angola no pós-independência e pós-colonialista.”

Mercado

Vem aí O Homem que não tira o palito da boca, a 5.ª obra de ficção de João Melo e, que já está quase pronta para sair. “Neste momento está em fase de acabamento e sai em Outubro. O livro será editado em Luanda pela Nzila, e em Portugal pela Editora Caminho. Está a ser estudada a possibilidade de lançar o livro também em Moçambique, o que me deixa muito satisfeito. A integração cultural entre os países da comunidade PALOP e CPLP ainda é muito fraca, principalmente no que toca à circulação da produção literária. As pessoas da comunidade não têm o hábito de ler o que se publica nos diversos países, o que reduz a dimensão do mercado. Por isso a tiragem ainda é, em média, de 1000 a 1500 exemplares. Raras vezes passa disso”, refere.

O mercado pequeno leva a que os escritores tenham de ter outras ocupações profissionais. “São raríssimos os escritores de língua portuguesa, no geral, e angolanos em particular, que vivem única e exclusivamente da produção literária. Lembro-me apenas de alguns, como os angolanos Pepetela e Ondjaki, o português José Saramago ou o brasileiro Paulo Coelho. Os outros, tal como eu, não temos na literatura a nossa actividade de subsistência”, defende João Melo, acrescentando, “Os livros em português não circulam pelas comunidades que falam esta língua. Por isso levam muito tempo a vender o número de exemplares que permitam ao escritor auto-financiar-se a curto e médio prazo. Não é como o CD que vende milhares de exemplares num mês. Talvez seja por isso que temos mais músicos que escritores ou pintores”.

Questionado acerca do que se devia fazer para resolver o problema, responde: “É necessário que as editoras tomem iniciativas, já que os nossos governos se têm mostrado incompetentes. O que a meu ver passa, em primeiro lugar, pela redução dos impostos alfandegários e todos os custos que encarecem o livro desde a produção à exportação. Em segundo lugar, negociar com as transportadoras a redução do custo de transporte de livros. Em terceiro, os governos devem tomar medidas de aquisição e distribuição de livros nas bibliotecas municipais e provinciais. Uma quarta questão, que me parece muito importante, é a aprovação do acordo Ortográfico”.

Acordo Ortográfico

João Melo alinha pelo grupo dos querem a sua aprovação. Explica os seus argumentos: “Nós, escritores, não nos devemos considerar o centro do mundo. A língua é de todos e não apenas dos escritores. É evidente que para nós o acordo pode dizer pouco ou mesmo nada, porque os escritores são eles próprios fazedores de linguagem. Mas isso não corresponde a todo o universo de usos que qualquer idioma encerra. O acordo Ortográfico vai simplificar a escrita, privilegiando o aspecto fonético da língua ao invés do etimológico. Só por isso, o acordo é claramente benéfico para países como Angola e Moçambique, onde o português é ainda a língua seguida pela maioria da população. Isto significa que o acordo é necessário”.

E continua a apresentar as suas convicções: “Em segundo lugar, uma vez que todos os países passarão a escrever as palavras da mesma maneira, deixam de ter importância os países onde os livros são impressos. O que permitirá uma excelente oportunidade, que não temos o direito de desperdiçar, de aumentar a difusão da literatura. É preciso ter em conta que o acordo é apenas para unificar a escrita das palavras e, não para unificar o sotaque, o vocabulário ou mesmo a sintaxe. As resistências ao acordo são a meu ver injustificáveis”.

Generaliza a abordagem e lembra que “o deficit de educação, assim como as taxas de analfabetismo e iliteracia ainda são muito altas. Como consequência, muita gente alfabetizada não lê e muita gente que lê, não compreende o que lê”. E avança com a sua sugestão: “O fundamental é a aposta no ensino básico. Mas não basta apenas fazer escolas como estão a ser feitas. São necessários professores competentes e currículos modernos. Defendo que Angola tem de ir buscar professores para o ensino primário a Portugal e ao Brasil, os quais para além de ensinar, devem também formar professores angolanos”.

Docência universitária

Fala-nos a seguir da sua actividade universitária: “Dou aulas de Comunicação Política a estudantes do curso de relações internacionais na Universidade Lusíada de Angola. Gosto muito de dar aulas, embora a parte mais ingrata seja a hora de corrigir as provas”.

E continua a explicar: “Por vezes fico muito aterrorizado com o nível de cultura geral dos estudantes universitários. Nas faculdades e escolas em geral, compete aos professores incentivar e exigir dos alunos que leiam. É preciso ser-se mais rigoroso. A academia angolana não produz conhecimentos para os outros sectores sociais, ou seja, não contribui para o desenvolvimento social. Estamos muito atrasados e a educação é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país”.

“Estamos a reconstruir o país, mas na hora de recorrermos a quadros que tanto necessitamos, temos de ir ao estrangeiro porque o poder de formação das nossas universidades é muito fraco. Para melhorar esta situação é necessário fazer mais do que construir universidades, como eu disse. Tem que se exigir bons currículos, professores capacitados e estruturas de base. Países que se desenvolveram como a Coreia e outros, só o conseguiram apostando a sério na certificação de qualidade das escolas. Mas são também necessários laboratórios, bibliotecas etc.”.

Jornalismo actual

A experiência como jornalista permite-lhe uma análise do estado actual deste sector. “Sou bastante crítico em relação ao tipo de imprensa que se faz actualmente no país. Talvez por estar a ficar velho (risos). Tenho de referir que algumas destas tendências não são exclusivas da comunicação em Angola, mas que me desagradam profundamente. A mercantilização da comunicação e uma relativa vulgarização dos assuntos e da forma de tratamento de temas, é um delas. Por outro lado, o sensacionalismo e uma certa arrogância dos jornalistas, que tendem a considerarem-se acima de qualquer suspeita e, em juízes de todo o resto da sociedade, não admitindo críticas”.

João Melo defende, no entanto, meios de comunicação social públicos fortes. “Estes ainda muito governamentalizados e pouco equilibrados, quer em termos opinativos quer em termos informativos. O que na minha opinião apenas prejudica o partido no poder. Por exemplo, quem foi que disse que o noticiário da TPA tem sempre de começar com uma notícia do Presidente da República? Que no Jornal de Angola a primeira página tem que ter sempre uma foto do presidente? Isto não faz sentido e, funciona ao contrário do que eventualmente se pretende. Mas Angola não pode prescindir de uma televisão e uma rádio públicas fortes, modernas e desenvolvidas. Isto é imprescindível para consolidar o Estado e a Nação. Pelo que sou contra quaisquer estratégias, directas ou indirectas, de privatização destes meios”.

Mas tal como em outras áreas da sociedade, no jornalismo também a formação é um problema. “De um modo geral a formação é baixa, quer na imprensa estatal como na privada. Não basta ter uma licenciatura para ser bom profissional. Não compreendo a resistência de alguns jovens em aprender com quem tem mais experiência. É preciso combater as tendências de xenofobia a começar pela nossa própria casa”.

E faz um aviso importante: “Estamos na era da exportação do conhecimento e os recursos humanos devem ser contratados em qualquer parte do mundo, para se atingir os interesses nacionais. Temos profissionais com qualidade suficiente para todos os projectos que nos propomos levar a cabo? A minha resposta é Não! Começam uns poucos a sair agora da universidade, mas já estão capacitados para dirigir grandes projectos? Já têm experiência? A minha resposta é outra vez Não! Então eu pergunto onde é que está o problema em ir buscar pessoal habituado a dirigir grandes projectos? Os jornalistas com experiência na sua maioria, estão a fazer outra coisa, portanto, acho que é preciso recrutar pessoal experiente sobretudo para enquadrar os mais novos. E porque os experientes vêm sempre do estrangeiro? Isso não faz sentido”.

Imprensa

Particulariza, depois, a sua análise na imprensa: “Quanto à imprensa privada, ela também não tem sido tão independente e, tem estado no mesmo ciclo de parcialidade que os órgãos públicos. Pois a imprensa privada tem feito o papel que cabe à oposição. Uma confusão entre jornalismo e identidade política. O nosso jornalismo é pouco factual e informativo e, excessivamente opinativo. Mas nem tudo é negativo. Não seria justo se me limitasse a considerá-lo assim. Há alguns progressos, por exemplo, já se observa uma certa abertura e esforço por parte da imprensa pública para cobrir todo o país. Em garantir o acesso à informação sobre e para as outras províncias. O que é muito positivo. O jornal de Angola se fosse um pouco mais aberto em termos de opinião, o mundo não cairia”.

Realça, a finalizar, o papel da imprensa privada: “Neste capítulo é muito importante reconhecer o contributo histórico desempenhado pela Imprensa privada na abertura e pluralidade de opiniões e, na abertura informativa que se regista actualmente no país. Os excessos existentes só ganham dimensão porque a imprensa pública continua muito fechada. Neste capítulo tenho de realçar dois novos projectos, o Novo Jornal e o País. Creio que já começaram a mudar o panorama e, talvez obriguem a concorrência apostar numa linha mais profissional”.

Publicidade

“Penso que não tenho mais vocação para publicidade do que para o jornalismo. Sei como fazer publicidade e tenho feito alguma. Mas tenho de ser honesto, não é a minha grande paixão. E por o mercado da publicidade estar demasiado viciado, estou a pensar em deixá-lo e, dedicar-me exclusivamente ao que gosto e faço melhor. Por agora vou abraçar projectos de comunicação e, depois vou dedicar-me só à docência e literatura. Que me dão prazer para além de dinheiro”.

Carreira de jornalista

João Melo entrou para o Jornalismo como redactor e repórter na Rádio Nacional de Angola, onde foi chefe de turno do sector literário. Foi director e co-fundador deste sector (onde redigem os textos para os programas). Em 1978 foi transferido para a Angop como director-adjunto, passando depois a director-geral. Acumulou as funções de director da Angop e do Jornal de Angola até 1982, altura em que passou para o bureau político do MPLA como chefe de secção da redacção das intervenções. Em 1984 beneficiou de uma bolsa de estudos no Brasil para aumentar o nível académico, onde permaneceu sete anos, até 1991. Enquanto se formava em comunicação, era o correspondente da Angop no Brasil. Antes disso esteve envolvido na criação de um dos primeiros jornais privados angolano do pós-independência, o Correio da Semana. “Acabou 4 anos depois porque era uma aventura sem uma base empresarial sólida de suporte”.

Regressou a Angola em 1992. Pertence à mesma geração de jornalistas que Aldemiro Vaz da Conceição (porta Voz do Presidente da República), Júlio Silva (actual director de produção da TV Zimbo) e José Mena Abrantes. Aquela foi uma geração que encontrou Luisa Fançony, Rui de Carvalho, Artur Queiroz, María Dinah ou Mesquita Lemos. E aquele que descreve como o primeiro mestre, Rodrigues Vaz. “Recentemente, há cerca de três anos criei uma revista mensal, a África 21. Um projecto angolano mas com perfil africano internacional e, com a qual estou bastante entusiasmado. Além desses 35 anos de jornalismo tenho escrito regularmente para jornais e várias revistas em Angola, Portugal, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé.
Novo livro

Começou a escrever aos 15 anos. Hoje já tem 11 livros de poesia e 4 de contos. Juntando a isso os inúmeros artigos publicados em jornais angolanos e estrangeiros. Defende a aprovação do acordo ortográfico, bem como a criação de uma imprensa equilibrada, que classifica, por um lado a pública que é pouco factual e informativa e, por outro, a privada demasiado editorialista. Completa 40 anos de produção literária no próximo ano. Em Outubro vem aí o novo livro do escritor intitulado O homem que não tira o palito da boca.
João Armando
 e Joel Costa
14:18
1
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Old September 29th, 2009, 08:28 PM   #47
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Cá dentro
Miguel Neto, radialista, apresentador de televisão
Alto nível

Quote:


Na rua todos o conhecem. Não é indiferente às pessoas. Faz rádio e televisão há 20 anos. Hoje tem os programas RC na LAC e o Alto Nível na TPA. Um caminho que só iniciou aos 28 anos de idade, quando a sua vida leva uma volta de 180 graus. Por acaso, como explica: “Tudo começou em 1988 com o programa Movimento Estudantil. O meu cunhado estava na produtora, conhecia-me e desafiou-me a ir fazer os testes. Na verdade achava que não tinha muito jeito para aquilo. Mas acabei por ficar. Comecei como todos, nervoso, com uma voz a tremer e só com o tempo é que se ganha à vontade”.

Acrescenta ainda com uma gargalhada: “Na verdade quando tinha 14/15 anos gostava muito de ouvir rádio. Lia em voz alta e tentava imitar o Francisco Simons que era o meu ídolo. Mas daí até ser um homem da comunicação era um longo caminho que pensava que não ia percorrer. Falar na rádio não estava seguramente nos meus planos”.
Técnico dos petróleos



"Desde sempre que faço comunicação desta maneira. É a única que consigo fazer. Não tenho jeito para pedir ou fazer bajulação.

O que poucos sabem é que Miguel Neto era técnico de perfuração e estava ligado á área dos petróleos. Na altura em que entra para a rádio, trabalhava também no campo do Soyo para a Sonangol e ELF. “Era técnico superior de lamas, ligado à perfuração. Quando entraram as multinacionais estive na ELF vários anos, sendo que depois entrei para a Total. Onde estou até hoje. Nesta altura estou no Departamento de Arquivos, sendo que isto da comunicação sempre foi a minha ocupação dos fins de semana”, ri-se, acrescentando, “também é justo dizer que sempre fui privilegiado nos petróleos. Nunca tive de fazer trabalhos muito físicos. Sempre acompanhei o chefe”.



Com esta revelação percebe-se melhor a postura do jornalista. “Por todas as rádios onde passei sempre fui auto-suficiente. Fiz os programas com os meus arquivos, as minhas músicas e os meus contactos. Mesmo no programa televisivo Alto Nível, o equipamento é meu. Habituei-me a trabalhar. Por isso posso dizer que nunca me aproveitei das empresas, pelo contrário, acrescentei algo em todos os lugares por onde passei”, sublinha.
programas na lac e tpa

O seu percurso começa na Rádio Nacional, passa pela Rádio Luanda e está agora na Luanda Antena Comercial. Em termos de televisão, a sua casa sempre foi a TPA. “Na verdade quando apareci o meu estilo não era muito bem aceite. Embora beneficiasse do facto de nessa altura as coisas ainda estarem a começar a abrir, não era muito fácil. Uns chamavam--me maluco, outros não gostavam desta minha linguagem sobre os Estados Unidos, mas com o andar dos tempos passaram também a respeitar-me”, afirma.
um estilo diferente



"Sempre fui um apaixonado pelos Estados Unidos e pelos fenómenos daquele país. Lá o sonho ainda é possível."
Entre os programas que fez destaca-se o Movimento Estudantil, com o Hélder Barber, “fazia um pouco de tudo. Éramos novos e diferentes na abordagem. Alguns chamavam-nos sensacionalistas”, o Cocktail Musical, “um pouco ao género do que é hoje o RC. Com muita informação do estrangeiro. Sempre tive uma paixão pelos Estados Unidos. Na altura não havia Internet e eram os amigos que viviam no estrangeiro que nos mandavam os discos e as novidades do meio musical” e o Rotação Por Minuto, “era exactamente isso. Cada música passava apenas um minuto e não se repetiam canções. Tinha um grande dinamismo”, recorda.

Em 1991 saiu da Rádio Nacional, zangado, entra na TPA por essa altura, e ficou uns meses fora da circulação das rádios. Voltou depois à Rádio Luanda. Foi quando sentiu pela primeira vez que era uma figura pública. “Foi um conjunto de ouvintes que num inquérito pediram que eu regressasse. Percebi que tinha público. Que havia gente que gostava do meu trabalho. Isso é bom”.

Não é uma figura unânime. “É verdade que ainda existem pessoas que dizem mal do que eu faço. Mas estou aqui há muitos anos. Já tenho um legado. Quem gosta da minha maneira de estar apoia-me bastante, quem me critica, fá-lo normalmente usando métodos pouco frontais. Não temos que agradar a todos, mas é justo reconhecer quando alguém tem valor. Independentemente do gosto de cada um”, revela.

Dentro daquilo que faz, rádio e televisão, não tem dúvidas: “ A rádio vai mais longe. Faço bem as duas coisas, ao meu modo. Já fui elogiado por figuras nacionais e nomes internacionais, por isso quando surgem críticas mais ferozes, poucas felizmente, isso não me afecta. Por exemplo, na televisão a imagem é fundamental. Tenho feito algumas adaptações, embora exista uma que nunca farei, apesar de já me terem pedido, cortar o bigode”, diz.
apoio aos jovens

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Fala de forma fácil e simples. Percebe-se que a posição que ocupa é resultado de trabalho, de estratégia e de muita inteligência. Apesar de reconhecer que a maior parte dos seus fãs está numa geração abaixo da sua. “A minha imagem também ajudou a valorizar os jovens do hip pop. Normalmente respeitam-nos pouco, mas acredito que existe muito valor nesta nova geração. Há bastante tempo que estou a fazer programas que tocam esta faixa etária, resultado das opções musicais que utilizo, das matérias que escolho para a televisão, da maneira como me coloco na sociedade”, diz, avisando no entanto de forma séria: “Também ponho um fato se é preciso. Já testei isso muitas vezes, para que as pessoas percebam que o Miguel Neto com esta forma de vestir ou com fato é a mesma pessoa. Acho que a sociedade angolana me respeita da forma como sou. E os meus fatos não devem nada aos dos que os usam todos os dias”.

Todos os domingos quando sai do seu programa de rádio tem inúmeros jovens que o esperam no jardim da LAC. Querem falar, mostrar os seus discos, ouvir conselhos ou pedir ajuda. Muitos que vêem nele um modelo e uma possibilidade de realizar os seus sonhos. Será que Miguel Neto, lida bem com esta responsabilidade? “Lido mal porque não os posso ajudar como quero. Não tenho capacidades financeiras para os ajudar com instrumentos, com a gravação dos seus discos, e isso deixa-me triste. O que posso fazer é dar-lhes espaço para mostrarem a sua arte. Muitos destes jovens sem uma oportunidade, acabam por se perder. Sempre dei esse apoio”.

Um dos projectos que Miguel Neto desenvolveu, o disco RC, contribui bastante para o aparecimento de novos músicos. Já foi lançado um CD e prepara agora o segundo. “Só aparecem no disco músicos não consagrados. De outra forma não conseguiriam apresentar a sua música. São jovens à procura do seu status e muitos deles com valor. Aponto sempre o caso dos Estados Unidos, onde os músicos mais consagrados ou as figuras do espectáculo apoiam os jovens que querem aparecer. Desde 1994 que apoio novos nomes da música. Naturalmente que gostava de fazer mais, mas não tenho condições financeiras para isso”.

SEGUNDO VOLUME AINDA ESTE ANO


O livro retrata múltiplos aspectos do quotidiano do povo angolano e é baseada em crónicas do autor. A obra, produzida pela Ls Produções e editada pelas edições de Angola, também vai ser apresentada noutras províncias do país. Na sessão de apresentação, no Parque da Independência, Miguel Neto acrescentou que prevê lançar um segundo volume no final deste ano.
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Old October 2nd, 2009, 11:24 AM   #48
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a collage of some very famous Angolan writers

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Old October 7th, 2009, 11:38 AM   #49
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Colóquio
Agostinho Neto homenagem à dimensão do Poeta

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Colóquio internacional recomenda a realização de encontros regulares sobre vida e obra do estadista e poeta angolano


O Colóquio Internacional sobre a Vida e Obra do Doutor António Agostinho Neto foi mais uma oportunidade para intensas movimentações de pessoas e ideias concentradas à volta de uma figura que marca a história e cultura de Angola. O evento aconteceu no Centro de Convenções do Talatona.

O local até que é simpático, mas nem mesmo isso tornava fácil a vida de muitos que tiveram de fazer contas à vida para lá chegar. Sobretudo os jovens estudantes, que estiveram em maioria, mas também os membros da autoridade tradicional, funcionários da Cultura, artistas e outros que dia-a-dia enfrentam o drama dos transportes públicos em Luanda, sem já falar nas malabarices dos candongueiros. Os que têm viatura à disposição, pelo menos, não se queixaram dos engarrafamentos que se fazem sentir no centro da cidade, como foi aquando da Conferência Internacional sobre Óscar Ribas, no Palácio dos Congressos.

Foi também simpático ver tantas figuras importantes da nossa e doutras sociedades sentadas num mesmo sítio, envolvidas num mesmo evento com essas pessoas que dia-a-dia enfrentam este ou aquele drama, fruto da sua ténue condição social. Muitos encontravam-se aí, ao mesmo tempo, nas vestes de políticos ou governantes com cargos de referência, mas também como camaradas, colegas e amigos de Agostinho Neto. Haviam representantes de vários países, de África, Europa e América.

Não era para menos, pois a dimensão multifacética do humanista, político, estadista, escritor e homem de cultura justifica tal reunião, a mesma que se recomendou, no final, que aconteça mais vezes e com a regularidade merecida, “como forma de permitir a recolha e o registo de elementos para um melhor conhecimento da trajectória do primeiro Presidente de Angola”.

Só assim os objectivos do Ministério da Cultura que se lançou ao desafio de homenagear tão importante figura do país, poderão ser alcançados, aliás, como é desejo de todos, manifestado também pelo primeiroministro António Paulo Cassoma, no seu discurso de encerramento do evento: “Desejo que as contribuições saídas do colóquio possam ajudar a aprofundar os estudos e investigações sobre a dimensão da vida e obra de Agostinho Neto, nas suas múltiplas facetas”, disse.

Paulo Cassoma referiu-se também aos vários eventos de carácter histórico-cultural que têm sido realizados desde que o país alcançou a paz, como o Encontro Nacional da Cultura, a Conferência Internacional sobre o Processo dos 50, a jornada de reflexão sobre a preservação do Património Histórico, a conferência sobre o centenário de Óscar Ribas, entre outros que têm contribuído para a “consolidação da nossa memória colectiva”. “O Governo e as instituições afins, mais do que nunca, devem unir esforços para promover iniciativas, sobretudo institucionais, no quadro da estratégia nacional de divulgação e valorização do património histórico e cultural de Angola”, considerou.

O MINICULT, encabeçado por Rosa Cruz e Silva, desde o começo que quis demonstrar essa mesma vontade, ao assumir o compromisso de criar uma cadeia de debates em que foram apresentadas importantes reflexões e dados valiosos testemunhos sobre a vida e obra de Neto.

“Volvidos trinta anos da sua morte, é imperioso que se multipliquem os esforços para que a pesquisa e a investigação neste domínio possa trazer à luz os estudos que se impõem sobre esta grande figura da História angolana”, disse a ministra no seu discurso por ocasião da abertura do colóquio.
A importância da poesia

O escritor José Luís Mendonça considerou ser importante a inclusão da poesia de Neto no cânone da literatura angolana, “como obra de conhecimento indispensável para os alunos do ensino médio, pré-universitário e nas cadeiras de Literatura dos cursos superiores”.

Convidado como conferencista, o escritor dissertava a propósito do tema “Sagrada Esperança de Agostinho Neto: do desfile das sombras para o amanhecer da justiça social – uma poética do desenvolvimento africano”.

No seu entender a poesia de Neto continua a ser uma referência válida e obrigatória para todas as gerações que actualmente se entrosam no tecido sociocultural da Angola de hoje, assim como para as gerações que estão para nascer.

Quem também falou do “valor da poesia de Agostinho Neto para as novas gerações” foi o professor Pires Laranjeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, referindo que a obra poética de Neto é o exemplo mais directo e veemente, um autêntico apelo ideológico e político, sobre o dever de os angolanos esclarecidos lutarem contra a assimilação cultural, nas décadas de 40 e 50.

“O contexto era o da luta contra a assimilação colonial, mas, hoje, faz todo o sentido combater, ideológica e culturalmente, o excesso de optimismo quanto às crioulizações, mestiçagens, hibridismos, misturas, mesclas, amálgamas e outros conceitos e formas de abordar a interculturalidade em países do Sul a partir de uma conceituação que decorre de um foco centrado a partir do Norte”, disse.

O professor referiu que na Europa, os estudantes que frequentam as aulas de literaturas africanas ficam agradavelmente surpreendidos com a poesia de Neto, demonstrando admiração e carinho. “Cada vez mais, os jovens europeus têm curiosidade em conhecer a sua obra e naturalmente a de outros poetas angolanos”.

Enriquecer a biblioteca


O colóquio internacional sobre a vida e obra de Neto serviu também para que muita gente, amante da boa leitura, aproveitasse enriquecer a sua biblioteca pessoal com várias obras expostas no hall do Centro de Convenções.

O grande destaque recaiu para o lançamento de quatro títulos de Agostinho Neto, nomeadamente, “Náusea”, “A Renúncia Impossível”, “Sobre a Libertação Nacional” e “Ainda o Meu Sonho (Discurso sobre a Cultura Nacional)”, que aconteceu na tarde de terça-feira.

Para além destes títulos, outras obras do considerado Poeta Maior estavam a ser comercializados no local. De igual modo, foram expostas dezenas de obras doutros escritores angolanos e não só, em que se destacavam ensaios sobre a vida de Neto. Alguns títulos da autoria de Óscar Ribas, reeditados há um mês por ocasião da conferência internacional sobre o centenário do seu nascimento.

Quarta-feira, último dia do colóquio, foi também lançado o livro intitulado “Ideologia e Engajamento em Agostinho Neto e Leopóld Senghor”, da autoria do professor nigeriano Ebenezer Adedeji Omoteso. O mesmo foi apresentado pelo professor português Pires Laranjeira que assinou o prefácio. O professor Omoteso foi um dos convidados a conferenciar, com o tema “Negritude e Marxismo na poesia de Agostinho Neto”.

O escritor S. Miguel, pseudónimo de Miguel de Oliveira, aproveitou a ocasião para comercializar e autografar o seu livro intitulado “Mito Neto”, um ensaio sobre o forte carácter espiritual que detinha o estadista e poeta angolano.
Vladimir Prata












Livro
Guerra do Kuito em livro



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O livro intitulado “Kuito – Resistência de um Povo”, da autoria de Jonas Albino, foi lançado no final da tarde de ontem, no Centro de Formação Jornalístico (CEFOJOR), em Luanda.

A obra, apresentada pelo jornalista Ismael Mateus e que sai a público sob auspício da editora Nzila, faz uma abordagem sucinta dos eventos ocorridos no decurso da guerra do Kuito, de 1992 a 2002.

Numa linguagem simples e própria de um jornalista, o autor relata não só as peripécias desta guerra, mas sobretudo as acções de resistência e a luta pela sobrevivência por parte do povo bieno.

As entrevistas a quatro sobreviventes – Cidalino Ramos, Marques Bango, Henrique Arsénio e Abel Abraão – ajudam o leitor a compreender melhor as dificuldades por que passaram os habitantes da cidade do Kuito.

De facto, o leitor, mediante esta obra, poderá conhecer alguns pormenores relacionados com “A Grande Marcha”, a elevada taxa de mortalidade por escassez de alimentos, o papel da juventude durante o conflito armado, o trabalho destemido de alguns jornalistas – e muito mais.

Jonas Albino Chicomo nasceu em Quilengues, província da Huíla, a 15 de Fevereiro de 1975. Jornalista de carreira na Rádio Nacional de Angola (Rádio Bié), é igualmente estudante do quarto ano do curso de Psicologia Educacional do ISCED Huambo – extensão Bié. Técnico médio em Enfermagem Geral, formou-se em Jornalismo no CEFOJOR. “Kuito – Resistência de um Povo”é a sua primeira obra.














Livro
Duas prosas para Luanda




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Os amantes da literatura angolana têm a sua disposição a oportunidade de coleccionar mais duas obras. Tratam-se dos livros intitulados “Este Lago Não Existe” e “Rua dos Anjos”, da autoria do escritor Victor Burity da Silva que, e estão a ser comercializados ao preço de 1500 kwanzas cada.

Lançados terça-feira última, no salão nobre da Universidade Independente de Angola (UNIA), os referidos títulos saem a público em Luanda com a chancela da Plural Editores, há cinco anos a representar a Porto Editora em Angola.

É a primeira vez que a referida editora se “aventura” em lançar obras literárias, como explicou o engenheiro Alexandre Alves, um dos responsáveis da empresa, sendo que a mesma dedicava-se até ao momento ao lançamento de obras didácticas.

“Este Lago Não Existe” e “Rua dos Anjos” estarão, em breve, também disponíveis em Portugal, através daquela editora portuguesa, e em Moçambique, pela mão da Plural Editores Moçambique.

O acto de lançamento dos livros, escritos no género de prosa poética, teve uma assistência dominada por estudantes da UNIA, contando também com a presença do ministro da Educação, António Burity da Silva, e do reitor da referida universidade, Carlos Burity da Silva, coincidentemente irmãos do autor.

A princípio esperava-se que o conceituado escritor Pepetela fosse apresentar os livros, mas tal não aconteceu por razões que não foram devidamente esclarecidas. De qualquer forma, a opinião do autor de “Os Cães e os Caluandas” em relação a uma das obras – “Este Lago Não Existe” – está transcrita na contracapa do livro. “Digam o que disserem os doutos da literatura e os sábios da cidade, este livro é para mim um longo poema de amor, onde uma frase por vezes irrompe em explosão e uma palavra surge inesperadamente para nos surpreender… e encantar”, escreve Pepetela.

Numa outra nota sobre a mesma obra, emitida pela editora, referese que “Este Lago Não Existe”, uma mescla de luz e trevas, real e imaginário, é um livro para ler devagar.

Quanto ao livro “Rua dos Anjos”, o mesmo tem como principal personagem um sem-abrigo, Serafim, que “coabita com os demónios da terra, numa rua de Lisboa” chamada rua dos Anjos.

“Traz-nos o ambiente frio e desumano duma rua perdida de Lisboa, impessoal, cheia de movimentos, em que um ser distante, um sem-abrigo acaba por se confundir no imaginário de quem passa.

É uma reflexão agridoce sobre o fenómeno dos sem-abrigo”, refere a professora Sandra Chalô que fez a apresentação das obras, em substituição de Pepetela. Refere-se ainda que uma parte deste livro está publicada em manuais escolares angolanos da 12ª classe. A obra também tem sido alvo de estudos no ensino superior cabo-verdiano.

Victor Burity da Silva nasceu na cidade do Huambo, em Dezembro de 1961. Estudou Jornalismo em Lisboa.

Vive no Porto e em Luanda. Participou em várias colectâneas de prosa poética, como “Poesis” (2007), “Intemporal” (2008) e “A Arte Pela Escrita” (2008). Publicou textos em jornais e revistas, tendo recebido vários prémios e menções honrosas.






New book by Anglan writer José Eduardo



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Obra
"Barroco tropical’ ou a beleza de um panfleto


image hosted on flickr


Em Junho deste ano, o escritor angolano José Eduardo Agualusa publicou “Barroco Tropical” (Edições Dom Quixote. Lisboa, 2009), o seu mais recente romance. Muito longe de ser insosso e “non engagé”, este livro do autor é um panfleto oportuno e necessário e, também por isso, será publicado ainda este ano em Angola pelas edições N’zila.

Li com muito prazer as partes mais romanescas de Barroco Tropical como o são, por exemplo, os fragmentos do diário de László Magyar e a história de Mãe Mocinha. E desfrutei de todas as vezes que o autor desliza uma peça mais da sua colecção de oximoros, quando “ressuscita” alguma palavra como alfobre ou zimbório ou, ainda, quando cria imagens aparentemente saídas de lugares comuns mas que subjugam o leitor por serem quase consensuais, como quando o narrador nos diz: “Lua é o diminutivo carinhoso com que nós, os luandenses, nos referimos à nossa cidade. (...). Luanda partilha com a Lua a mesma árida e agreste desolação, a mesma poeira sufocante. Todavia, como a Lua, vista de noite, e de longe, parece bela. Iluminada, seduz. Além disso a sua luz tem o estranho poder de transformar homens simples em lobos ferozes”.

Em “Barroco Tropical” a escolha do espaço em que o romance transcorre não podia ser mais oportuna: é em Luanda com uma paisagem urbana futurista e caótica que toda a história transcorre. Mas, e é preciso que também se diga, não podemos deixar de ver no romance laivos de oportunismo: a reapropriação do debate em torno da alegada mediocridade da poesia de Agostinho Neto é o “artificio histórico e literário” para retratar, por um lado, aqueles que Bartolomeu Falcato chama de neo-nativistas, mostrando o fedor de um tipo de político de circunstância, próprio da nossa transição política e, por outro, aproveita auto-proclamar-se “dissidente poético”.
A subtileza do título

Com a escolha do título “Barroco Tropical”, que não é propriamente a classificação que Virgílio de Lemos vem dando a “alguma da nova ficção em língua portuguesa” como o autor nos quer fazer crer, Agualusa escreve um livro que pretende ser a confirmação de uma tese. Virgílio de Lemos fala em “Barroco estético”. No entanto, o trópico como condicionante cultural provoca, por associação, que o romance desperte o fantasma dos neo-lusotropicalistas.

Outra coisa que o autor pretender condicionar e que só é assim em parte, é a leitura do livro como um romance, elucidário, testemunho e ou relato. Quanto à mim, dentre as muitas outras possibilidades de leitura, uma das mais relevantes é, certamente, a de “Barroco Tropical” como um Pamphlet. Panfleto no sentido que os franceses atribuem ao tipo de livros que se inserem no contexto de um certo tipo de literatura de combate, que questiona virulentamente o poder estabelecido e onde o autor parece ter a verdade absoluta, ao revelar o estado da situação social e intelectual, bem como os limites da liberdade de expressão de uma sociedade dada.

Com este romance, através das entrevistas concedidas, por exemplo, a Pedro Durães da revista África Today (14/08/09) e o vídeo publicitário das Edições Dom Quixote que podemos ver no youtube, José Eduardo Agualusa despe-se face aos seus leitores e, ipso facto, cria um escudo protector face à critica vazia e malsã: “Barroco Tropical” é também uma defesa simbólica à igualdade de género, a favor do desenvolvimento sustentado, em defesa de uma educação e cultura de qualidade e isso faz do livro um rebento necessário e na moda dos tempos.
Um libelo acusatório

Houve panfletos contra o poder colonial e este é certamente um contra algumas das manifestações do poder pós-colonial em Angola, que como todo poder deve ser questionado para que melhore. Mas, pelas reflexões e debates que este livro pode provocar, se formos justos e nada preconceituosos, ele poderia também propiciar a “reconciliação” de José Eduardo Agualusa com muitos dos que o criticam, por razões, nem sempre estéticas, muito menos literárias e frequentemente políticas.

Sátira ou “alerta”, através de situações bizarras, desfilam no romance diferentes tipos sócio-comportamentais, manifestam-se múltiplas encarnações do mau gosto e, em geral, escenificam-se as glórias e as baixezas de uma sociedade que vive tão oca como uma termiteira: “Barroco Tropical” é um dos retratos colectivos possíveis daquela que na alegoria é Luanda, em 2020.

Com este romance, elucidário, testemunho, relato ou panfleto, José Eduardo Agualusa com assumida irresponsabilidade aceita entrar no jogo dos neo-nativistas situando-se no pólo dos neo-lusotropicalistas.

Uma lógica maniqueísta que até agora só tem provocado a esclerose criativa e reflexiva dos primeiros ou a “literatura de mercado” dos segundos: e essa é uma irresponsabilidade colectiva que não devemos alimentar, porque conduzir-nos-á a formas de violência sóciocultural autodestrutivas.

De um modo mais amplo, como livro-tese, “Barroco Tropical” remete-nos necessariamente ao “Concerto Barroco”, essoutro livro de Alejo Carpentier em que o autor cubano deu corpo e substância à ideia do “real maravilhoso”. Nessa dimensão, comparado com aqueles que, à primeira vista, poderia evocar como seus pares, “Barroco Tropical” é uma pura caricatura: não é nem o realismo mágico que nos contou Gabriel Garcia Marquez com a invenção de Macondo, nem o da voz do crepúsculo que nos fala Derek Walcott.

A classificação que José Eduardo Agualusa ora subverte à sua maneira, ora se limita a cenificar no romance, como expressão da imitação que as elites, em Angola, fazem da sociedade de espectáculo dos países capitalistas desenvolvidos, é uma das transfigurações possíveis daquilo que, repito, Virgílio de Lemos chamou de “barroco estético”. Ao optar por um argumento um tanto ou quanto sensacionalista, pelas formas que utiliza para articular o esqueleto de um mundo em torno da trajectória musical de Kianda, num país dirigido por uma Presidente, ao dar também protagonismo a uma artista plástica e “arquitecta orgânica”, dois estilistas , um escritor, um pintor, um jornalista, com destinos amarrados a um traficante de armas que vira embaixador, um curandeiro , um antigo terrorista e um ex-sapador cego, o escritor tece de uma maneira básica, quase realista e muito previsível “o tapete voadorlúdico do barroco estético como viagem underground entre o real e o fantástico,” de que Virgílio de Lemos, isso sim, falara.

No reino da hipérbole desnecessária Apesar da riqueza e originalidade delas, definir as literaturas, a música, as artes plásticas (escultura e a arquitectura) e a dança feitas em Moçambique, Angola, Caboverde e no Brasil, entre 1948 e 1995, como “Barroco estético”, não é certamente a mais afortunada das classificações, na medida em que entre 1600 e 1750, o barroco teve no Ocidente uma génese e dinâmicas muito específicas: Virgílio de Lemos, a meu ver, sucumbe mais ao fascínio que lhe provocaram os seus encontros, em Paris, com Alejo Carpentier e Severo Sarduy. Essa classificação revela mais, por um lado, uma tentativa de efectuar um paralelismo arbitrário e, por outro, a relativa incapacidade de encontrar melhores maneiras de definir o contexto cultural em apreço.

Ao alimentar a clivagem entre neonativistas e neo-lusotropicalistas, cuja imagem patética é indiscutivelmente quando, no romance, a personagem que é a recriação de Papa Kitoko é nomeado Ministro da Cultura, vemos esgalhado o lado mais desafortunado, inestético e obscuro do romance, a hipérbole desnecessária.

Ainda assim, no dinamismo do mundo de hoje, entre a “literatura de combate” e a “literatura de mercado”, a reivindicação da fealdade tanto como o elogio da beleza podem ser transformadores: nas contradições de “Barroco Tropical” vemos cristalizada uma forma de engajamento político e social que é certamente melhor que o seu oposto, o silêncio acrítico e anestesiante de uns lobos ferozes que, em realidade, podemos ser todos.
Adriano Mixinge em Paris
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Old October 15th, 2009, 10:32 AM   #50
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Depois do «quase silêncio»
José Luandino Vieira regressa com o «Livro dos Guerrilheiros»


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2009-10-13 12:14:36



O escritor angolano José Luandino Vieira vai lançar esta quinta-feira, em Coimbra, o seu mais recente trabalho «Livro dos Guerrilheiros».

Considerado um dos mais importantes escritores africanos de todos os tempos, passou os últimos 17 anos num «quase silêncio» literário, como refere o especialista em literaturas africanas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, José Pires Laranjeira, que gora quebrou com a publicação do «Livro dos Guerrilheiros».

Prémio Camões em 2006, José Luandino Vieira, vai responder às questões dos leitores no encontro onde será feita a apresentação do livro. As perguntas darão o mote à conversa na Almedina Estádio Coimbra, naquela que é a primeira sessão do ciclo «Comunidade de Leitores» depois do Verão.

José Luandino Vieira é um dos escritores africanos de referência, com obra traduzida em várias línguas. Foi o primeiro escritor africano em língua portuguesa a alcançar projecção internacional
, depois de Castro Soromenho e Agostinho Neto. Nasceu em Ourém, passou a juventude em Angola, onde combateria pelo MPLA pela libertação do país, foi preso pela PIDE ainda na década de 50 e condenado a mais de dez anos de prisão.

Segundo Pires Laranjeira, que vai fazer a apresentação do novo livro de Luandino Vieira, «os seus livros, sobretudo a partir de «Luuanda», caracterizam-se por um discurso angolanizado, de sintaxe diferente do português europeu, centrado nas vidas da gente humilde dos musseques (bairros pobres da capital colonial), sendo a estória (entre o conto e a novela) o subgénero que melhor se adapta ao seu fôlego criativo. As histórias são, em geral, muito engraçadas, com episódios caricatos, plenos de humor piedoso e responsável, se bem que apresentem casos de opressão social e política e de enfrentamento de mundos culturais diferenciados».

O ciclo Comunidade de Leitores é organizado pela livraria Almedina, pela professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Ana Paula Arnaut, pelo Centro de Literatura Portuguesa e pela Ideias Concertadas.
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Old October 15th, 2009, 11:31 AM   #51
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Escritor angolano Ribeiro Tenguna
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Old October 17th, 2009, 03:07 PM   #52
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Filipe mukenga, A nova aposta


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“Nós somos nós” é o título do quarto álbum discográfico do cantor e compositor angolano Filipe Mukenga, lançado ontem, em Luanda, num evento organizado apenas para convidados.


O acto teve lugar no Cineplace do Belas Shopping, e muita gente teve a oportunidade de o adquirir e de o ter autografado pelo autor, já que somente no próximo mês é que estará disponível para o público em geral, após lançamento e assinatura de autógrafos que irá acontecer no Parque da Independência.


O disco, que contou com uma forte colaboração de Filipe Zau na autoria das letras, comporta catorze faixas musicais e foi totalmente gravado no Brasil, sob a chancela da Ginga Produções, uma empresa do Grupo Aldeia. Contou com a direcção do músico e produtor Zeca Baleiro que também “emprestou” a sua voz à obra, dividindo com Mukenga a interpretação do nono tema, intitulado “Uma volta e meia”.


Para além da participação de Zeca, realça-se a do maestro e compositor internacional Ivan Lins que intervém no tema “Aprisionar a negra noite” (o décimo no disco). Um poema escrito pela jornalista brasileira Cláudia Noronha que se assume como amiga de Filipe Mukenga.


Outra voz de referência neste mais recente trabalho do autor de “Kianda Kianda” é a de Martinho da Vila, cantor e compositor brasileiro bastante popular em Angola. Ao lado de Mukenga, Martinho interpreta o tema “Paquete”, número onze, no qual, como diz Mukenga, “é possível mostrar que, de facto, há afinidade muito grande entre o semba e o samba”.


Filipe Mukenga, que dedicou o trabalho aos angolanos, pela paz conquistada e confiante nos resultados deste disco, cuja gravação teve início em Dezembro de 2007, na cidade de São Paulo. Ontem, para além do CD, foi apresentado um videoclip da música “Ixi Yeto Yatululuka”, a segunda do álbum. Após o lançamento previsto para Novembro próximo, o autor viaja para um périplo pelo Brasil.


Percursor da Nova Música Angolana



Filipe Mukenga é natural de Luanda, onde nasceu a 7 de Setembro de 1949. Canta e compõe há 45 anos. Muitos o consideram percursor da Nova Música de Angola. Como ele próprio define, “é uma música aberta ao mundo e caracterizada por uma grande riqueza de conteúdo e harmonia.


” Repleto de boas influências, ao jazz ele vai buscar as dissonâncias, os acordes invertidos e pouco comuns na música africana. Com efeito, na arte de Mukenga, além da herança cultural do seu povo, cruzam-se as mais variadas influências, desde os coros protestantes que escutava quando, menino, acompanhava os seus pais no culto dominical, aos sons negros americanos que descobria na adolescência (jazz, blues, soul music), à música francesa e à música latinoamericana.


De todo este manancial de influências, Filipe Mukenga construiu uma música altamente elaborada, com textos de grande qualidade, muitos deles escritos por Filipe Zau, seu parceiro na arte de compor. Com um repertório muito personalizado, traduzido em canções inspiradas nos ritmos e nas línguas nacionais de Angola e com teor internacional muito grande, Mukenga está tão perto do seu continente como da Europa e da América.


Trajectória do artista


1964 Impulsionado pelos Beatles, que faziam sucesso em todo o mundo e Angola não escapou ao fascínio da sua música, Mukenga inicia a sua actividade musical, apresentandose no Cinema Restauração e no programa “Chá das Seis”.A rubrica do referido programa, “Um minuto para mostrar o que vale”, no qual se inscrevera, estava virada para a descoberta de novos valores.


1964-1969 Influenciado pela Pop Music Anglo-saxónica e outros géneros da época, foi integrando vários grupos que naquele tempo proliferavam em Luanda. Recorda-se aqui, nomeadamente os Brucutus, os Indómitos do qual foi vocalista, The five Kings com Mello Xavier nos teclados e na voz, The Black Stars de Gégé Belo, os Rocks de Eduardo Nascimento, os Electrónicos com Vum-Vum na voz, os Jovens com Mário Bento, Mário Eduardo, hoje Mário Ngoma e Mário Rui, Apollo XI com Mukenga mais experiente, entre outros;


1969 – 1975 – Neste período, Mukenga concluiu o serviço militar no exército colonial português e formou o Duo Misoso a partir do qual as suas preocupações musicais foram-se acentuando em relação aos ritmos tradicionais angolanos, às harmonias baseadas nos acordes invertidos, às dissonâncias, às línguas nacionais e naturalmente, à componente social da sua música. Integra ainda e no referido período o Projecto Kisangela da JMPLA e chefia a sua Secção de Música reunindo os melhores cantores do país naquela altura;


1980 Durante a visita a Angola da mais importante caravana artística brasileira de sempre, que apresenta em várias localidades do país o Projecto Kalunga, conhece Djavan que transforma as suas composições Nvula e Humbiumbi nas canções angolanas mais internacionais.


1983 Integra a caravana artísticocultural que pela primeira vez pisa terras do Brasil, apresentando nos estados do Rio de Janeiro, S. Paulo e Bahia, o Canto Livre de Angola;


1990 Grava em Lisboa e para a EMI Valentim de Carvalho, o seu primeiro disco intitulado Novo Som;


1994 Grava em Paris e para a Lusáfrica, o segundo disco que decide intitular Kianda Kianda;


1996 – De novo em Paris, grava, contando com a participação de outros cantores angolanos e não só, o lítero-musical intitulado O Canto da Sereia, o Encanto em que é co-autor com Filipe Zau;


1999 É convidado pela Embaixada de Angola no Brasil a participar nas cerimónias de inauguração da Casa de Angola na Bahia


2000 Inicia, em Salvador da Bahia, a gravação de Mimbu Iami que conta com a participação especial de Djavan, tendo concluído o trabalho em


2002, em Lisboa.


2003 Acontece em Lisboa e em Luanda o lançamento do terceiro álbum de originais Mimbu Iami.


2004 Depois de 13 anos na diáspora, Mukenga regressa à pátria para a servir numa nova fase da sua vida.


2005 É convidado pelo cantor-actor brasileiro, Maurício Mattar, a participar no seu disco intitulado Meu Segundo Disco.


2007 Inicia em Dezembro, na cidade de São Paulo, a gravação do seu quarto disco, Nós Somos Nós. Ainda nesse ano, é convidado pela Associação Cultural Chá de Caxinde, a criar, conjuntamente, com Filipe Zau, seu companheiro inseparável na arte de compor, a canção com a qual se apresentaria, na marginal, em mais uma edição do Carnaval de Luanda.



Na arte de Mukenga, além da herança cultural do seu povo, cruzam-se as mais variadas influências, desde os coros protestantes que escutava quando, menino, acompanhava os seus pais no culto dominical, aos sons negros americanos que descobria na adolescência (jazz, blues, soul music), à música francesa e à música latino-americana.


De todo este manancial de influências, Filipe Mukenga construiu uma música altamente elaborada, com textos de grande qualidade, muitos deles escritos por Filipe Zau, seu parceiro na arte de compor.
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Old November 6th, 2009, 05:09 PM   #53
Matthias Offodile
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O escritor angolano Ondjaki fala sobre a influência de Luanda em sua literatura, o mais novo livro infantil, "O Leão e o Coelho Saltitão"




Quote:

Leitura de trecho do conto "Fúria" de Patrícia Reis, feita por Ondjaki. "Fúria", Patrícia e Ondjaki integram o Desacordo Ortográfico, antologia organizada por Reginaldo Pujol Filho a ser lançada pela Não Editora em nov/09.

Quote:

O Projeto MaPa tem o prazer de receber o poeta e escritor angolano Ondjaki no palco do Cinemathèque, RJ (09/07/08)


the last one is superb!
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Old November 13th, 2009, 10:54 AM   #54
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Angola
João Melo vence Prémio Nacional de Cultura angolano



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O escritor e jornalista angolano foi o vencedor da edição 2009 do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2009, atribuído pelo Ministério da Cultura (Mincult) angolano.



Da Redação, com agência

Luanda - O escritor João Melo é o vencedor da disciplina de Literatura, do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2009, atribuído pelo Ministério da Cultura (Mincult) angolano, anunciou nesta sexta-feira (6), em Luanda, o presidente do júri, Mário Pinto de Andrade.

Em conferência de imprensa realizada no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, Mário Pinto de Andrade realçou que a distinção de João Melo resulta do conjunto das suas obras.

João Melo, diretor da revista África 21 e parceiro da CCA, editora da África 21 Digital, é escritor, jornalista, publicitário e professor. Nasceu em Luanda em 1955. Estudou Direito em Coimbra e em Luanda. Licenciou-se em Comunicação Social e fez o mestrado em Comunicação e Cultura no Rio de Janeiro.

João Melo é membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA) e é deputado à Assembleia Nacional.

Tem no mercado diversas obras poéticas e em prosa, entre as quais “Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir”, “Uma Terra Sem Amos”, “Filhos da Pátria”, “Uma Terra Sem Amos”, “The Serial Killer e outros contos risíveis ou talvez não”, "Outras Margens”, “O Dia em que o Pato Donald Comeu Pela Primeira Vez a Margarida”, “Outras Margens” e “Auto-Retrato”. As informações são da Angop.
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Old November 14th, 2009, 01:12 PM   #55
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Escritor angolano, Boaventura Cardoso concede entrevista exclusiva ao “Site Folha de Angola” na ocasião do lançamento do livro “Mãe, Materno, Mar” no Rio de Janeiro.

Quote:





O Espaço Cultural do Consulado Geral de Angola, no Rio de Janeiro, teve a honra de receber, neste sábado, dia 5 de setembro, o escritor e também Governador da província de Malange, Boaventura Cardoso, para uma homenagem.

Boaventura Cardoso nasceu em Luanda a 26 de Julho de 1944, passou parte da sua infância na região de Malanje. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. É licenciado em Ciências Sociais.

O início da sua carreira literária data de 1967, com a publicação de vários contos e poemas nos jornais luandenses. Com efeito, é no plano da linguagem que Boaventura Cardoso alcança resultados que o inscrevem por direito próprio na galeria dos autores mais representativos da sua geração e da literatura angolana.

A Folha de Angola esteve presente no evento e trouxe para seu leitor uma entrevista, exclusiva com o escritor:

Folha: Sr. Governador Boaventura Cardoso, como se sentiu com a homenagem recebida hoje, especificamente, aqui no Centro Cultural do Consulado Geral de Angola no Rio de Janeiro?

É gratificante. Saio daqui honrado e muito satisfeito com essa homenagem que me foi prestada aqui, no Rio de Janeiro. Permita-me dizer que, com a homenagem recebida pela Academia de Letras de Tocantins, onde me foi atribuído o título de membro honorífico dessa academia e a de hoje, as duas exaltações faz-me um escritor muito feliz.

Folha: Como é conciliar: ser governador de Malange e ser escritor?

Não é nada fácil é extremamente difícil, por isso mesmo eu levo muito tempo para escrever. Eu tenho “ na forja”um romance ‘Noites de Vigília’ há sete anos, quando ainda era embaixador em Roma, que ainda não terminei. Mas está bastante avançado, espero terminá-lo no próximo ano.

Folha: Com vários livros publicados: ‘Dizanga dia Muenhu’; ‘O Fogo a Fala’; ‘A Morte do Velho Kipacaça’ (contos); ‘O Sino do Fogo’; ‘Maio, Mês de Maria’ (romance); e ‘Mãe, Materno Mar’, que está lançando, entre outros. Conte-nos como é o processo de publicação de seus livros?

Por ser um escritor conhecido, eu não tenho, relativamente, grandes dificuldades na publicação. Meus livros são editados em Portugal e, simultaneamente, em Angola. Sinceramente, não tenho encontrado dificuldades, é um processo que tem sido bastante gracioso.

Folha: Qual o tema central de ‘Mãe, Materno Mar’?

Claro, que é preciso ler a obra para saber mais um pouco da história. Mas trata-se de uma longa viagem, de Malange até Luanda, que dura quinze anos. O personagem principal, Manecas, é um indivíduo do interior, que não conhece o mar, e seu grande sonho é conhecê-lo. E durante a extensa viagem, para realizar este desejo, lembra sempre da mãe que deixou em Malange. Esta referência marcante se tornou título: ‘Mãe, Materno Mar’. Um título sugestivo, pois o mar pode simbolizar muito bem a mulher. O mar, em si, tem um significado muito forte.

Folha: O que o senhor lê na Literatura Brasileira? Tem preferências clássicas ou contemporâneas?

Eu leio mais os clássicos da literatura brasileira. Primeiramente Machado de Assis, e os mais modernos como; Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, entre outros. Mas o meu grande escritor é Guimarães Rosa, o livro Grandes Sertões Veredas, é a obra que leio quase todos os anos.

Folha: Uma curiosidade: O Senhor participará da Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, com data prevista para 10 de setembro, próxima semana?

Não vou participar. Infelizmente, não tinha conhecimento prévio do evento. Somente agora, vendo os cartazes, é que tomei conhecimento. Mas com certeza absoluta não participarei.

Folha: Para o futuro, já está pensando em seu próximo livro a ser lançado? Tem algum novo projeto?

O próximo livro já está pensado. O título será ‘Noites de Vigília’, como mencionei, já está escrito. O meu processo de escrita ser muito moroso, faço um trabalho de reescrita, exercito muitas leituras, várias revisões e por este motivo, o livro ainda não foi entregue a gráfica. Mas creio que no próximo ano a obra estará concluída e, em 2011, será publicada. A ação principal do livro centra-se entre 25 de abril de 1974, com a queda do regime fascista em Portugal, e o 11 de novembro de 1975, data da independência de Angola.

Folha: Diga um desejo que o Senhor gostaria que fosse realizado?

Eu gostaria que as pessoas conhecessem mais Angola, que é um país maravilhoso. Lamentavelmente, durante muito tempo Angola era referenciada como um país onde havia uma guerra intensa, que era fato, mas hoje é um país que está em paz, em plena democracia e em franco desenvolvimento. Uma terra maravilhosa e acolhedora, para quem estiver interessado em conhecer países africanos. Espero, também, que por via da literatura angolana seja possível conhecer um pouco daquilo que nós angolanos somos.

Eleni Rosa

Fonte:folhadeangola.com
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Old November 14th, 2009, 01:34 PM   #56
lochinvar
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Just curious. What percentage of Angolan are mestizos? Almost 75% of the people posted here look mestizos.
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Old November 14th, 2009, 03:08 PM   #57
Matthias Offodile
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Ohhh noooo, not again a race thread!

Really I am sick and tired of it, let´s just post pics and that´s it...without people coming and asking what percentage of this is that or that is this?

Instead of asking questions about the authors, all you see is colour! Damn...and 70% of the people posted are not meticos.

But to quench your interest:

Out of around 15 million:

The vast majority of Angolan is black Angolan (more than 90%), around 3-5/6% percent is mulatto (depending if you include the diaspora), around 2-3/4% is white Angolan (depending if you include diaspora or not..hard to tell because quite a good deal have dual citizenship)....but all is one "povo angolano".

Angola is by far the racially most diverse country (quantified by people) in Africa (outside South Africa).

PLEASE, let´s keep this thread clean now..if people want to discuss it, NOT in this thread, create a sepearte one (if necessary). Thanks.
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Old January 4th, 2010, 11:39 AM   #58
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Escritor Luís Fernando com nova obra "Um Ano de Vida"


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Escrito por Administrador, em 21-11-2009 10:45
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Escritor Luís Fernando com nova obra para o mercado angolanoLuanda - O escritor angolano Luís Fernando anunciou nesta terça-feira, em Luanda, estar previsto para este mês o lançamento da obra “Um Ano de Vida”, uma compilação de crónicas de sua autoria publicadas no Jornal "O País".


Em entrevista à Angop, Luís Fernando disse serem crónicas publicadas de Novembro de 2008 a Novembro de 2009, nascendo daí o título da obra e o facto de o querer no mercado ainda este mês.


Editada pela Nzila, o autor avançou estar prevista a publicação de 2000 exemplares para o consumo dos leitores que não tiveram a oportunidade de lê-los nas páginas do referido semanário.


Com 10 anos ligado ao mundo da literatura, Luís Fernando tem no mercado, entre outras, as obras "90 Palavras", "Antes do Quarto", "A cidade e as Duas Órfãs malditas", "Saúde do morto", "João Kyomba em Nova York" e "Clandestinos no Paraíso".


Fonte: Angop
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Old February 23rd, 2010, 04:08 PM   #59
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Livro: ‘Psicologia organizacional e do trabalho’


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João Saveia, psicólogo angolano formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil, lançou ontem, na sede da União dos Escritores Angolanos, o seu primeiro livro intitulado “Psicologia Organizacional e do Trabalho: leituras em saúde mental, qualidade de vida e cultura nas organizações” Segundo a nota de apresentação escrita pelo autor, a referida obra pretende alcançar três grandes objectivos: o primeiro, transformar a produção científica em material didáctico que pudesse contribuir para a qualidade da formação de novos profissionais, para lidarem com os problemas e desafios que o mundo do trabalho e as organizações apresentam.

O segundo
objectivo foi o de trazer para o debate, temas negligenciados ou esquecidos pelos profissionais da área que continuam amarrados a práticas tradicionais e a uma produção científica, em alguns casos ultrapassada e um material didáctico que não reflecte a realidade angolana. O terceiro e último objectivo foi o de instigar os profissionais da área e todos aqueles que têm a gestão de pessoas, o mundo do trabalho e as organizações como campo de estudo, impelindo-os a reflectir sobre as transformações e preocupações apresentadas pelo cenário actual.

“Os textos aqui apresentados espelham a nossa trajectória académica e profissional. Os dois primeiros textos, sobre Psicologia Organizacional e do Trabalho e sobre as Transformações do Mundo do Trabalho, reflectem o trabalho e as reflexões que temos desenvolvido durante os últimos anos de actuação na docência e em consultoria organizacional e de recursos humanos”
, refere o autor.

Na nota de apresentação do livro, João Saveia realça também o texto sobre Saúde Mental e Trabalho, como sendo fruto do seu esforço e paixão durante a licenciatura em Psicologia.

Outro tema por si abordado neste livro prende-se com a qualidade de vida no trabalho, reflectindo nele a preocupação que marcou o período de realização das especializações em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e em Gestão Estratégica de Negócios.

“Já a Cultura e suas implicações à Gestão, especialmente à Gestão de Recursos Humanos, trazem todo nosso esforço empreendido no Mestrado em Administração. Embora boa parte dos textos reflictam a trajectória de estudante, todos eles trazem o refinamento da experiência de trabalho e da vivência em organizações e na realidade angolana”, lê-se.
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Old March 1st, 2010, 10:01 PM   #60
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HUGO SEIA - pintor angolano

Nasceu em Maquela do Zombo, Angola, mas considera-se filho da linda cidade de São Filipe de Benguela, onde estudou, se fez homem e casou.

Foi funcionário do Quadro Administrativo de Angola mas decidiu, quando ainda era jovem, enveredar pela carreira de caçador-guia. As suas funções como chefe de posto e a sua actividade na qualidade de caçador permitiram-lhe viver longe da civilização, quer no país que continua a considerar sua Pátria, quer em muitos outros do Continente Negro onde exerceu a sua profissão, familiarizando-se com a Natureza e, principalmente, com os animais selvagens.

Ao longo dos anos desenvolveu o gosto pela fotografia, pela pintura e pela escrita, soluções que encontrou para estar com os “seus” bichos e com África durante os períodos em que permanece em Portugal.

Muito jovem, com a idade de 16 anos, Hugo expôs a sua pintura pela primeira vez, na Câmara Municipal da cidade de Benguela, em Angola, voltando a expor no ano seguinte e no mesmo local. Por razões várias, porém, após essas exposições alheou-se do mundo da arte, embora fosse pintando para familiares e amigos.

Pinta principalmente a óleo sobre tela, mas também porcelana.




EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS


Em 1984 regressou aos meios artísticos, expondo em Madrid, durante um evento relacionado com safaris em África.

Em 1985 expôs em Portugal, no Centro Comercial das Palmeiras, em Oeiras.

Em 1985 expôs em Portugal, na Galeria San Lucas, em Portimão.

Em 1986 expôs na Convenção do Safari Club International, em Dallas, Estados Unidos da América.

Em 1988 expôs em Dallas.

Em 1989 expôs em Dallas.

Em 1990 expôs em Dallas.

Em 2003 expôs em Alcabideche, no Espaço Montepio.

Em 2004 expôs na Galeria-Restaurante Jardim do Marquês, em Algés.

Em 2007 expôs na Kettner, em Lisboa.

Sobre Hugo, o grande pintor Angolano, Albano Neves e Sousa, escreveu o seguinte:

“Pois é… África não se finge. Ou está dentro da gente e extravasa ou então nada feito!

Há, porém, várias Africas, a das gentes e a dos bichos. O Hugo Seia escolheu a dos bichos, pois não se limita a caçar com armas e caça também com tintas. Ao ver os seus elefantes senti-me levado outra vez aos grandes safaris de outros tempos!...

Julguei que só eu é que fabricava “saudades”, mas tenho pelo menos este angolano seguindo as minhas pegadas… Caçador é assim!”

Hugo Seia está representado em colecções em Portugal, Brasil, Espanha e Estados Unidos da América.

Hugo Seia publicou os seguintes livros:

1 - “Mundjamba – A Vida de um Caçador Africano”, (edição do autor em Portugal), esgotado um ano depois da publicação. Está prevista a segunda edição para finais de 2008, actualizada, com aproximadamente 675 páginas e 1,100 fotografias;

2 - “Mundjamba – The Life Story of an African Hunter”, publicado pela Editora Trophy Room Books, nos Estados Unidos da América;

3 – “Mundjamba ii – A Caça e o Caçador Africano”, (edição do autor em Portugal);

4 – “Under Any Kind of Cover”, publicado pela Editora Trophy Room Books, nos Estados Unidos da América;

5 – “Caçadores Africanos”, (edição do autor em Portugal);

6 – “Cazadores Africanos”, publicado pela Editora Solitário, de Madrid, Espanha;

7 – “O Mundo dos Bichos”, (edição do autor em Portugal).

À excepção de “O Mundo dos Bichos”, que se trata de um romance cujos protagonistas são os animais selvagens e, obviamente, o homem que lhes invadiu o espaço, editado em formato pequeno e colado, todos as restantes publicações estão editadas em formato grande (+ - 23,5 x 32,5 cm), impressas em papel couché, com capa dura e sobrecapa envernizada, cosidos, com aproximadamente 500 páginas e 500 fotografias.

Hugo Seia tem ainda uma colecção de aproximadamente cinco mil fotografias sobre a Vida Animal e Paisagem Africana.


Source: http://www.minhaangola.org/hugo-seia/4531942972
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