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Old September 13th, 2009, 02:05 AM   #1
traveler
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Automóveis europeus com 'toque' da Maia

Automóveis europeus com 'toque' da Maia

Mold-Tech aposta em novas tecnologias para se manter na vanguarda da indústria da decoração do plástico.
NUM automóvel moderno, grande parte do interior é feito de peças de plástico, mesmo em gamas de luxo. A situação, impensável há algumas décadas (quando se usava couro e madeira), deve-se à crescente qualidade dos materiais plásticos e das texturas usadas.

Poucos condutores o sabem, mas nenhum dos traços milimétricos que podem ver no tablier é feito ao acaso: lançar um carro implica centenas de milhões de euros e a aparência influencia muito a decisão do consumidor.

A Mold-Tech Portugal, uma empresa da Maia especialista em acabamentos de superfície de ferramentas para a transformação de plásticos, tem quase 60% da sua actividade ligada ao sector automóvel, trabalhando com as maiores marcas mundiais, desde o grupo PSA (Renault e Citröen) à Ford, passando pela Mercedes, BMW e Volvo. «Há muito poucos modelos automóveis na Europa onde não andou a mão da empresa. Nesta actividade, somos das maiores e mais bem equipadas», garante o director geral, Raúl Souto.

A Mold-Tech não produz peças para automóveis, nem mesmo os moldes que lhe dão origem, mas trata da texturização desses mesmos moldes (e cilindros), que conferem um aspecto agradável às peças. Neste sector não há produção em série e cada caso tem de ser estudado. Para lá do plástico rígido, materiais como a napa, peles ou filmes plásticos também são transformados pelas ferramentas gravadas na empresa. Cada vez mais, as texturas são igualmente desenvolvidas na Maia, o que implicou um investimento em computadores e material gráfico. Fora do sector automóvel, Tupperware, Philips, Electrolux e Samsonite são alguns dos clientes.

A maior ameaça para a Mold-Tech Portugal vem do Oriente, para onde a produção de peças plásticas pelos processos convencionais se está a deslocalizar. O alto nível de qualidade nos acabamentos de superfície que outrora só era possível na Europa, Estados Unidos e Japão, consegue-se agora em muitos outros pontos do mundo, nomeadamente na China. «Esta actividade incorpora muita mão-de-obra, muito especializada, que é bastante mais cara em qualquer pais da Europa do que em Portugal. Mas os chineses, malaios e vietnamitas têm tudo para concorrer connosco em termos de paciência. Se não introduzíssemos novas tecnologias nos processos produtivos, a empresa morreria em pouco tempo», explica.

Inovação para combater a crise

A empresa implementou o projecto Metamorphosis, cujo objectivo é desenvolver novas tecnologias que permitam acabamentos de superfícies muito mais harmoniosos e agradáveis à visão e ao tacto. A utilização de lasers na gravação de ferramentas para a transformação de peles artificiais é uma das principais apostas. O laser permite uma maior rapidez, rigor e a introdução de detalhes como a sugestão de relevos, usando apenas diferenças de brilhos. Num automóvel, estas aplicações reflectem-se, por exemplo, nas napas que se utilizam nos assentos e nos tejadilhos. Quatro dos cerca de 70 colaboradores dedicam-se em exclusivo à investigação na fábrica portuguesa da Mold-Tech, cujo grupo tem 34 unidades, nos quatro continentes. As receitas operacionais do sector de gravação do grupo norte-americano Standex, onde a Mold-Tech se insere, rondaram os 64,5 milhões de euros em 2008, mais 10% que em 2007.

A crise na indústria automóvel está, porém, a afectar a facturação da Mold-Tech Portugal, que, depois de vários anos «com percentagens de crescimento de dois dígitos», deve estagnar em 2009. «Suspenderam-se encomendas, há projectos cancelados e os preços foram esmagados», revela o director geral. No mercado português, a quota ronda os «80%». Aliás, Portugal é um dos maiores fabricantes europeus de moldes.


2009-09-11 09:45
João Barros, SOL
__________________
florida . Biarritz .Esposende
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