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Old September 25th, 2009, 02:43 AM   #1
Yuri S Andrade
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Norte do Paraná - 80 Anos (1929-2009)


Foto de George Craig Smith, primeira tirada em Londrina, em 1929

INTRODUÇÃO

No dia 21 de agosto de 1929, o russo Alexandre Razgulaeff e o britânico George Craig Smith, depois de enfrentarem 20 km de picadas no meio da densa Mata Atlântica, chegaram ao local hoje conhecido como Marco Zero (1 km a leste do atual Centro de Londrina) e ali abriram uma clareira no meio da floresta.

Eles estavam à serviço dos ingleses da Paraná Plantation (Companhia de Terras Norte do Paraná era seu nome no Brasil). Sediada em Londres (tinha como acionistas principais Lord Lovat e o Príncipe de Gales), havia adquirido do governo estadual em 1925 e 1927, uma enorme extensão de terras (1.246.300 ha ou 12.463 km²), então completamente cobertas por Mata Atlântica, com alguns pequenos bolsões de araucárias. A propriedade da Companhia começava justamente no Marco Zero de Londrina e se extendia para oeste, para bem depois de Maringá, e para o sul abrangendo a região de Cianorte.

Os ingleses planejaram e implantaram todas as cidades da região, interligando-as por ferrovias, que as ligavam ao Norte Pioneiro Paranaense, e daí à Ourinhos e finalmente São Paulo e Santos. A ferrovia foi fundamental para o sucesso do empreendimento, que atraiu pessoas de mais de 30 nacionalidades diferentes logo nos primeiros anos. Durante a década de 30, os britânicos da Paraná Plantation fizeram uma campanha maciça por toda a Europa para divulgar o projeto imobiliário, que consistia em módulos rurais de 5 a 100 ha e prometia "as terras mais férteis do mundo e um clima adequado à todas as raças".

Hoje, 80 anos depois, nas terras pertencentes à Paraná Plantation, existem cerca de 60 municípios, vivem 2.000.000 de pessoas, se produz 9.000.000 de toneladas de grãos e um PIB de aproximadamente R$ 25 bilhões.

Esse foi o início de um dos mais ambiciosos e bem sucedidos projetos de ocupação humana de toda a história.


Abrindo a região


Fontes:

Iconografia Londrinense - Mapas Iniciais 1930 - 1950 de Humberto Yamaki

Planejar é Preciso - Memórias do Planejamento Urbano de Londrina de João Baptista Bortolotti

Certidões de Nascimento da História: o surgimento de municípios no eixo Londrina-Maringá de Paulo César Boni

Mini Atlas da Colônia Internacional de Humberto Yamaki

Labirinto da Memória - Paisagens de Londrina de Humberto Yamaki

Todos os textos e eventuais interpretações são de minha autoria. Parte dos materiais não possui relação alguma com a Bibliografia ("British Empire", "Café", "Norte do Paraná Hoje" e outras passagens). Qualquer passagem copiada do livro será imediatamente indicada. Desse modo, possíveis erros são meus.


-------- Eu postarei mais informações ao longo do thread. Os posts da primeira página também serão eventualmente editados. Contribuições são muito bem-vindas! --------

Last edited by Yuri S Andrade; February 23rd, 2012 at 10:31 PM.
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Old September 25th, 2009, 02:44 AM   #2
Yuri S Andrade
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MAPAS

Distribuição da vegetação nativa do Paraná. Em verde-claro estão os campos, em marrom, a mata de araucárias e de verde escuro a mata subtropical (Mata Atlântica):

Esse mapa é extremamente importante para o entendimento da ocupação humana do Paraná. Enquanto grande parte das áreas de araucárias e campos já eram habitados desde o séc. XVII, toda a faixa de Mata Atlântica no Oeste e Norte era completamente desabitada e ficou intacta até as décadas de 30 e 40. Exceção feita ao Norte Pioneiro (Nordeste paranaense), cuja ocupação se deu entre 1900 e 1920.


Ocupação do Paraná (1860-1880):

Segundo o Censo de 1872, viviam no Paraná 126.722 habitantes, todos do lado leste da linha vermelha.


Ocupação do Paraná (1880-1900):

Nesse período, parte do Norte Pioneiro já começa a ser ocupado.


Ocupação do Paraná (1920-1940):

A Companhia de Terras Norte do Paraná, a partir de 1929, abre a maior parte do Norte do estado. No entanto, é interessante notar, que a ocupação do Noroeste do estado é posterior à década de 40. Até 1940, a região ainda era completamente coberta por vegetação nativa. Só no final da década de 50, o processo de ocupação humana do Paraná se completa.


Terras pertencentes à Paraná Plantation/Companhia de Terras Norte do Paraná:

Obviamente, nenhuma das cidades existiam à época. Londrina, que se situava logo na entrada das terras da companhia, foi a primeira cidade a ser fundada pela Companhia já em 1929, como foi dito na abertura do thread. A única ligação da região com o mundo exterior se dava pela ferrovia que a conectava com o Norte Pioneiro, Ourinhos, São Paulo e Santos. Foi implantada logo nos primeiros estágios de ocupação.

O projeto original previa a instalação de cidades a cada 10-15km ao longo da ferrovia, sendo que os pólos deveriam ser Londrina, Maringá (seria a mais importante por sua localização) e Cianorte. Essa hierarquia urbana acabou não se concretizando. As cidades foram instaladas conforme o planejado, mas Londrina, mesmo se situando na extremidade das terras da Companhia, acabou se consolidando como o centro mais importante da região.


Município de Londrina em 1940:

Londrina foi emancipada em 10 de dezembro de 1934. Até então era distrito de Jataizinho. Ao longo década de 30, vários distritos foram estabelecidos, entre eles Heimtal, Warta, (ambos ainda hoje parte de Londrina) Nova Dantzig (atual Cambé), Neu Danzig, Rolândia, Arapongas, Apucarana e Lovat (atual Mandaguari). Maringá e Cianorte ainda estavam longe de serem fundadas.

O Município de Londrina era gigantesco (aproximadamente 22.400 km²) fazendo divisa com o Mato Grosso (oeste); São Paulo e Sertanópolis (norte); com Guarapuava (sul), separadas pelo rio Ivaí; e Jataizinho (leste), separadas pelo Rio Tibagi. Ao todo, o Paraná contava com apenas 49 municípios.


Município de Apucarana em 1943:


Por decreto estadual de 30 dezembro de 1943, foram criados novos municípios no Paraná, entre eles o de Rolândia e Apucarana, desmembrados de Londrina.

Londrina, adquiriu então seus contornos atuais, acrescida dos territórios de Cambé (emancipada em 1947) e Tamarana (emancipado em 1996). Rolândia, herdou o distrito de Arapongas (emancipada em 1947).

Apucarana herdou quase todo o território pertencente à Londrina, somando 18.658 km². Nunca é demais lembrar que a maior parte desse território era de floresta. Maringá ainda não havia sido fundada e de lá para o Oeste era tudo coberto pela Mata Atlântica. Mesmo nas regiões já ocupadas (Londrina, Rolândia, Apucarana), haviam grandes extensões de mata fechada, como atestam fotos desses núcleos urbanos no final da década de 30, onde a mata ainda cerca a cidade.


Município de Mandaguari em 1947:

Emancipado de Apucarana em 1947, como no caso anterior, herdou praticamente todo o território, somando 14.000 km². Mandaguari, como demonstra o mapa, contava com apenas 3 distritos: Marialva, Maringá e Paranavaí. Marialva, não aparece no mapa, mas se situa entre Mandaguari e Sarandi (conurbada com Maringá, foi emancipada de Marialva apenas em 1981).

Em 1951 houve a emancipação dos três distritos, e de outros núcleos populacionais que haviam sido criados nesse intervalo (Mandaguaçu e Nova Esperança). Mandaguari de 14.000 km², passou a ter apenas 345 km². Nessa data, Mandaguari contava com 16.153 habitantes, Marialva 21.396, Maringá, 38.588 e Paranavaí 25.520. Ou seja, os três distritos já haviam superado a população da sede, em que se pese o fato de serem maiores em área, algo a se considerar em um período que a maioria da população era rural.

Hoje nessa mesma área, existem mais de 50 municípios. Os limites do distrito de Paranavaí em 1947, que era então completamente coberto de floresta, hoje abrigam impressionantes 29 municípios.

O distrito de Jandaia do Sul permaneceu como parte de Apucarana, sendo emancipada em 1951.

Last edited by Yuri S Andrade; February 16th, 2012 at 05:09 PM.
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Old September 25th, 2009, 02:45 AM   #3
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OS PRIMEIROS HABITANTES

O Norte do Paraná ficou conhecido entre os imigrantes com a "Colônia Internacional". Em 1938, era essa a lista com a nacionalidade de todos os compradores até então, segundo a lista da Companhia de Terras Norte do Paraná:


O número de nacionalidades presentes no Norte do Paraná na época é ainda maior, pois esses números registram apenas os proprietários dos lotes vendidos pela CTNP. Vários registros históricos apontam mais de 40 nacionalidades já na década de 30. Como eu citei anteriormente, a CTNP fez uma extensa campanha publicitária por toda a Europa, o que acabou refletindo na diversidade étnica dos pioneiros. O Museu Histórico de Londrina conta com alguns desses panfletos, que foram imprimidos em diversas línguas: português, inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, polonês e japonês.

Quase a totalidade dos brasileiros eram paulistas, descendentes principalmente de italianos, mas também de japoneses, sírio-libaneses, portugueses, espanhóis, alemães, judeus, eslavos, etc., refletindo a composição étnica de São Paulo no período.

Outro ponto interessante, é que apesar de todo o projeto, planejamento, terras e capital, o número de súditos de Sua Majestade que adquiriam terras na região é de apenas 7 (10, se incluirmos os australianos e indianos). Obviamente a presença física de ingleses na região era muito maior, por causa dos funcionários da companhia e de seus familiares. Willie Davids, Arthur Thomas, George Craig são alguns nomes intimamente associados ao Norte do Paraná. Como exemplo disso, podemos citar a manchete do Paraná-Norte (primeiro jornal de Londrina) no dia 24 de janeiro de 1936: "Após lenta agonia, expirou no dia 20, às 23 horas e 55 minutos, hora local, em seu Castelo de Sandringham, o rei Jorge V - soberano da Inglaterra. Aos subditos ingleses residentes em Londrina, o Jornal Paraná-Norte apresenta as expressões da mais sincera condolência".

Hoje, os italianos são o grupo mais importante no Norte do Paraná: o Consulado Italiano de Londrina estima que há mais de 1.000.000 de pessoas com direito à cidadania italiana no Norte do Paraná (35% do total). São cerca de 100.000 japoneses e descendentes na região, a segunda maior concentração do mundo fora do Japão, atrás apenas da RM São Paulo. Em termos proporcionais, é de longe o maior centro japonês fora do Japão: cerca de 3% dos habitantes do Norte do Paraná se declararam "amarelos" no Censo 2000. Os alemães da região, fundaram Rolândia, Cambé (antiga Nova Dantzig) e os distritos de Neu Danzig e Heimtal e organizam a terceira maior Oktoberfest do país. Portugueses, espanhóis, árabes (muçulmanos e cristãos) e poloneses são outros grupos étnicos importantes da região, que conta ainda com mais algumas dezenas de comunidades de imigrantes estrangeiros. Soma-se à essa mistura, os migrantes brasileiros, vindos principalmente de São Paulo, mas também de Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Nordeste.

Esse grande número de povos, confere ao Norte do Paraná uma diversidade étnico-cultural ímpar, rivalizando apenas com São Paulo nesse quesito.



LONDRINA 1940

Na seção de mapas, os colegas tiveram uma idéia do tamanho do município de Londrina entre 1934 e 1940 (22.400 km²). Ele abrangia a maior parte das terras da Companhia (com exceção da região de Cianorte) e se extendia até a divisa com o Mato Grosso. Fundada em 1929 e emancipada em 1934, Londrina tinha em 1940 75.296 habitantes assim distribuídos:

Londrina (área correpondente à atual) -- 24.517
Colônia Roland (hoje Rolândia) -- 22.593
Nova Dantzig (hoje Cambé) -- 9.674
São Sebastião (hoje Faxinal) -- 8.437
São Roque (hoje Tamarana) -- 5.761
Marilândia (hoje Marilândia do Sul) -- 4.314
Censo 1940

Devemos lembrar que a maior parte da população do município era rural, com exceção feita à Londrina, sede do município e que ocupa a mesma área dos dias de hoje. Nesse época seu núcleo mais populoso, além da sede, era o alemão Heimtal, hoje bairro da Zona Norte de Londrina. Além disso, outros distritos continham vários núcleos de povoamento, como o de Rolândia, que incluía também Arapongas e Apucarana, que já haviam sido fundadas em 1940.

Desses 75.296 habitantes, 39.745 eram homens e 35.551 mulheres. As crianças (0 a 9 anos) eram 25.229; os jovens (10 a 19 anos) eram 17.365; os adultos (20 a 29 anos) eram 12.987; adultos (30 a 39 anos) eram 9.246 e os "velhos" (40 a 89 anos) eram 10.399. Uma população extremamente jovem, mesmo para os padrões da época.

A população era predominantemente branca. Dos 75.296 habitantes, 64.590 (85,8%) eram brancos; 5.161 (6,9%) pardos; 3.726 (4,9%) amarelos; 1.703 (2,3%) negros e 116 (0,2%) não-declarados. 66.352 eram brasileiros natos; 8.308 eram estrangeiros (especialmente italianos, alemães, japoneses, portugueses e espanhóis), 621 brasileiros naturalizados e 15 não-declarados. O número de estrangeiros é altíssimo, ainda mais quando levamos em conta o grande números de crianças e jovens da região (56,7%). Entre as pessoas acima de 20 anos, possivelmente o número de estrangeiros se equivalia ao número de brasileiros.

Os católicos também eram a grande maioria: 65.730 (87,3%). Os protestantes (luteranos, anglicanos, presbiterianos e metodistas) eram 4.692 (6,2%), um número alto quando comparado com o restante do país na época, o que pode ser explicado pela forte presença alemã, ainda que a maioria era católica. Outros grupos protestantes eram os próprios ingleses e os escandinavos. O número de budista impressiona: eram 2.218 (2,9%). Ou seja, a grande maioria dos japoneses ainda mantinha sua religião ancestral. Hoje, a maioria esmagadora é católica, apesar de ainda haver vários templos budistas espalhados pelo Norte do Paraná. 693 (0,9%) eram espíritas. Os ortodoxos somavam 534 (0,7%) pessoas, sendo a maioria de russos, romenos, búlgaros e parte dos ucranianos e iugoslavos. Outros grupos do leste europeu, bem mais numerosos (poloneses, ucranianos, lituanos, tchecoslovacos, húngaros, iugoslavos) eram predominantemente católicos. 1.303 (1,7%) pertencia a outras religiões, principalmente judeus, xintoístas e muçulmanos. 126 (0,2%) se declaram sem-religião.

Outro dado curioso: o Censo de 1940 apurou a existência de 356 edifícios de alvenaria e 14.788 de madeira. Nada mais natural em cidades que eram meras clareiras perdidas no meio da densa floresta subtropical. A variedade da arquitetura de madeira refletia as origens européias e japonesas dos seus habitantes. Pelas próximas décadas, o casario de madeira continuaria sendo majoritário nas cidades do Norte do Paraná, apesar de já predominar a idéia que eles eram "sinônimos de atraso". Em Londrina, essa mentalidade se refletiu na construção de altos espigões e modernos ainda na década de 50, quando a cidade tinha apenas 20 anos de idade. Infelizmente, a maioria das casas de madeira foi destruída, mas ainda hoje, bairros inteiros das cidades do Norte do Paraná ainda preservam essa característica. Possivelmente, trata-se do maior conjunto do gênero no Brasil.

Nunca é demais lembrar que esses números, mais do que serem um retrato de Londrina em 1940, eram o retrato das terras da Companhia e de todo o Norte do Paraná, pois a emancipação de Rolândia e Apucarana só se deu em 1943.

Last edited by Yuri S Andrade; November 21st, 2009 at 02:53 AM.
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Old September 25th, 2009, 02:45 AM   #4
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BRITISH EMPIRE





Império Britânico em 1930

A Grã-Bretanha em 1930 não era mais o país mais rico do mundo. Havia sido ultrapassada no final do século XIX por Estados Unidos e Alemanha. No entanto, o Império Britânico atingiu seu apogeu territorial na década de 20, cobrindo 1/4 da superfície e da população do planeta. Foi o maior império já visto pela humanidade, o que era traduzido pela frase: "The sun never sets on the British Empire".

Mesmo não tendo a maior economia do mundo, a Inglaterra ainda era a principal potência mundial. A Marinha Real ainda era a maior do mundo, posto que mantinha pelos últimos 300 anos. Londres era a maior cidade, maior porto e mais importante centro econômico do planeta.

Nenhum país tinha mais investimentos no exterior do que a Inglaterra, o que é ainda mais impressionante quando consideramos que o gigantesco Império absorvia grande parte desse capital. Na China, um dos países mais importantes do ponto de vista econômico no período, os interesses britânicos eram de longe os mais importantes. Mesmo na América Latina, os britânicos rivalizavam com os americanos em capital investido. É nesse contexto de expansão capitalista pós-imperial da Grã-Bretanha que a Paraná Plantation e conseqüentemente a ocupação do Norte do Paraná estão inseridos.

A Segunda Guerra Mundial, representou o fim da era de ouro britânica. Mesmo com a heróica vitória, o Império se dissolveu rapidamente após o fim do conflito e a influência e prestígio britânicos foram rapidamente erodidos ao redor do mundo. Foi exatamente nesse período, para custear a guerra que os britânicos se desfizeram de seu empreendimento no Norte do Paraná e a Paraná Plantation/Companhia de Terras Norte do Paraná se passou a chamar Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná. Fato amargamente lembrado pelos pioneiros britânicos de Londrina e região. Arthur Thomas, gerente da companhia em Londrina, declarou em tom de lamentação: "a venda ajudou a custear 10 segundos do esforço de guerra britânico".




CAFÉ


Cafezal no final da década de 40

O que motivava todo esse interesse pelas terras da CTNP era o "Ouro Verde", o café. Esse era o principal produto econômico brasileiro. Assim, com a chegada das primeiras levas de imigrantes, facilitada por toda a infra-estrutura e planejamento implantados pelos britânicos, a cultura substituiu rapidamente a densa floresta existente, transformando o Norte do Paraná no maior produtor de café do planeta. A região era responsável por cerca de 45% da produção brasileira e 1/3 da mundial em 1975. Em um dado momento na década de 60, o Norte do Paraná respondia por 60% da produção mundial do produto.

Londrina ficou conhecida por décadas como a "Capital Mundial do Café". Como reflexo, com menos de 30 anos de idade, Londrina se tornava um dos mais importantes centros econômicos do Brasil, que refletia visualmente nos modernos espigões que se erguiam no centro da cidade já na década de 50. Durante a década de 60, seu aeroporto chegou a ser o 3° mais movimentado pelo país, somando-se ao intenso movimento por via férrea que a ligava com São Paulo.

Em 1975, o sonho acabou: a Geada Negra dizimou completamente a cultura cafeeira do Norte do Paraná. Na safra anterior, 10 milhões de sacas de café saíram das plantações da região. No ano seguinte, a produção foi de 3 mil sacas, ou seja, zero. Essa foi uma catástrofe econômica de proporções épicas. Se o café era muito relevante para as contas externas do Brasil naquele período, seu peso para o Norte do Paraná era incalculável.

A região então teve então que se reinventar, e surpreendentemente, contra todos os prognósticos, conseguiu se reerguer. Hoje é uma das três maiores produtoras de soja, milho e trigo do país, além de possuir um sofisticado setor de serviços.

O café nunca mais voltou a ser um produto importante para o Brasil e nem para o Norte do Paraná, que hoje responde por apenas 4% da produção nacional do produto. Ainda assim, o café está intimamente ligado ao imaginário do londrinense, estando presente nos mais diversos lugares, como no escudo do time de futebol ou no logotipo do shopping center. Londrina e os londrinenses, mais de 30 anos depois do fim do ciclo, ainda têm o café como seu mais forte símbolo.

Last edited by Yuri S Andrade; March 5th, 2012 at 02:13 PM.
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MAPAS URBANOS

Um dos maiores legados dos ingleses foi o cuidado no planejamento urbano das cidades do empreendimento. À época estava em voga o conceito de cidade-jardim, que foi em maior ou menor grau transplantado para o meio da floresta norte-paranaense. A preservação dos fundos de vale e os cursos d´água, a arborização, grandes áreas reservadas para parques e praças, sítios urbanos instalados sempre nos espigões, e os originais traçados de ruas e avenidas são algumas das principais marcas do modelo adotado.

Ainda hoje, o planejamento dos pioneiros britânicos influencia positivamente as cidades da rede urbana do Norte do Paraná. Os municípios da região seguiram a tradição, e com algumas exceções pontuais, planejaram cuidadosamente seu crescimento urbano respeitando as diretrizes estabelecidas, especialmente referentes à preservação dos fundos de vale.

Nessa seção, destacarei o traçado original de algumas cidades conforme os planos dos britânicos.

Rede urbana do Norte do Paraná:


Londrina



Seu plano foi elaborado em 1932 pelo próprio Alexandre Razgulaeff (o russo, que foi o primeiro a chegar na região). O projeto foi então encaminhado aos acionistas da Paraná Plantation, em Londres, onde sofreu algumas alterações em relação à largura das ruas (de 24m para 18m) por uma questão de economia. Razgulaeff, em 1972 fez a seguinte declaração: ..."a cidade é mau projetada, mas não por minha culpa".

Evidentemente os ingleses, em 1932, não podiam prever a explosão demográfica de Londrina que em 1970 já contava com 230 mil habitantes. No entanto, Londrina nunca descuidou do seu planejamento urbano, e já no início da década de 50, contratou o ex-prefeito de São Paulo, Prestes Maia, para elaborar o futuro plano de expansão da cidade. Como legado, ficaram os traçados interessantes dos bairros da Zona Oeste de Londrina e a regulamentação da ocupação dos fundos de vale dentro do contexto urbano, pois até então eram ocupado por chácaras.

Outro ponte interessante do plano original de Londrina, é o perfeito alinhamento das ruas com os pontos cardeais.


Cambé



A região começou a ser ocupada em 1931, e em 1937 foi elevada à condição de distrito. Era formada originalmente por dois núcleos: Nova Dantzig (urbano) e Neu Danzig (rural). Sua população era predominantemente alemã, conforme registros da Companhia de Terras do Norte do Paraná. Em 1947, Cambé foi emancipada de Londrina.

Nova Dantzig, teve seu nome alterado por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Seu nome era uma homenagem à Cidade Livre de Dantzig, pivô da disputa entre Alemanha e Polônia que culminou com a Segunda Guerra Mundial. Os alemães de Dantzig, uma cidade portuária, encontraram em Nova Dantzig um ambiente completamente do que estavam acostumado. Os artesãos, operários e estivadores, tiveram que se adaptar à vida no meio da floresta e à agricultura. Foi um acordo firmado entre a Companhia de Terras do Norte do Paraná e o Senado da Cidade Livre de Dantzig que permitiu a vinda dos imigrantes nessa escala.

Notem que o plano de Cambé, e das cidades subseqüentes, eram um pouco mais elaborados e complexos do que o de Londrina, com um plano rigidamente ortogonal.


Rolândia



O primeiro lote urbano vendido pelos ingleses em Rolândia foi adquirido pelo alemão Elmar Kirschnich, em 1934. Em 1932, lotes rurais já haviam sido vendidos à imigrantes japoneses. Rolândia é o maior centro de imigração alemã do Norte do Paraná. Outros focos foram Nova Dantzig, Neu Danzig e Heimtal.

Emancipada de Londrina em 1943, com o nome de Caviúna. Voltou a se chamar Rolândia em 1947, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

O plano de Rolândia se assemelha ao de Cambé, porém é mais simples.


Arapongas



Fundada em 1935, quando o francês Eugene René Cellot comprou os primeiros lotes na localidade. A cidade já em 1937, recebeu as primeiras levas de imigrantes poloneses e concentrando a maior comunidade no Norte do Paraná. Outro ponto de concentração polaca e tchecoslovaca é o distrito de Warta (Londrina). Distrito de Londrina até 1943, Arapongas passa a ser distrito de Rolândia, com a emancipação desta. Em 10 de outubro de 1947, Arapongas se emancipa de Rolândia, carregando os distritos de Astorga e Sabáudia, mais tarde emancipados.

Não estava destinada pela CTNP a ser um núcleo importante, o que de certa forma explica a simplicidade do seu desenho.


Apucarana



O núcleo urbano de Apucarana nasceu em 1934, e juntamente com Rolândia logo passou a ser o segundo núcleo mais importante da região logo atrás de Londrina.

Emancipada de Londrina em 1943, herdou praticamente todo o território original do município de Londrina, somando 18.658 km² e se extendia da sede em Apucarana até as divisas com Mato Grosso e São Paulo.

Apucarana, que possui um terreno acidentado, acabou fugindo um pouco do plano original.


Jandaia do Sul



Fundada em 1937, foi elevada à condição de distrito em 1942. Emancipou-se de Apucarana em 1951.


Mandaguari



Fundada em 1937, originalmente se chamava Lovat, em homenagem ao Lord Lovat, idealizador da Paraná Plantation. Teve seu nome alterado por decreto estadual em virtude da Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que os funcionários do governo tomaram o britânico Lovat por um nome alemão. Em 1943, Apucarana se emancipou de Londrina e Mandaguari passou a ser seu distrito. Em 1947, Mandaguari se emancipou, e contava com 4 distritos: Marialva, Maringá e Paranavaí. Em 1951, os três distritos se emanciparam.


Maringá



A data oficial de fundação de Maringá é 1947, mas os primeiros pioneiros adquiriram terras na região já em 1942, por meio dos escritórios da Companhia de Terras Norte do Paraná em Londrina e Apucarana. Até então distrito de Mandaguari, foi emancipada em 1951.

Por sua localização estratégica, bem no centro das terras da CTNP, estava destinada a ser o mais importante núcleo urbano de todo o empreendimento. Por isso mesmo, seu plano inicial era de longe o mais extenso e bem elaborado dentre todas as cidades fundadas pela companhia. O explosivo crescimento de Londrina acabou por frustrar o destino de Maringá. Quando da sua instalação, Londrina já era uma cidade grande, e reinou sozinha sobre o Norte do Paraná nas décadas seguintes. Nos últimos 30 anos, o rápido crescimento de Maringá permitiu que a cidade dividisse com Londrina a primazia na região.

O plano de Maringá, juntamente com o de Cianorte, foi fortemente inspirado pelo conceito de cidade-jardim. Hoje, Maringá é a cidade mais arborizada do Brasil.


Cianorte



Criado em 1955, foi planejado pela Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná, sucessora da Companhia de Terras Norte do Paraná/Paraná Plantation. Os ingleses tiveram que se desfazer de sua companhia para custear os esforços da Segunda Guerra Mundial.

Juntamente com Maringá, Cianorte foi a que melhor aplicou o conceito de cidade-jardim, devido à fundação posterior. Apesar de ter sido instalada após a saída dos ingleses, e estar situada fora do chamado Norte Novo (o Noroeste do Paraná é chamado de Norte Novíssimo) ou do eixo Londrina-Maringá, decidi incluir Cianorte pois conforme os mapas postados anteriormente, estava dentro dos limites originais de propriedade da CTNP e sua instalação já era cogitada pelos ingleses antes de sua retirada. Segundo os planos iniciais, Cianorte estava destinada a ser juntamente com Maringá uma cidade âncora da região. Obviamente à essa altura, Londrina já estava consolidada, e ninguém mais podia imaginar que Cianorte ou mesmo Maringá seguissem os planos originais.





FERROVIA

A ligação ferroviária entre as cidades da região e o porto de Santos foi decisiva para o sucesso do empreendimento britânico. Assim, a densa floresta subtropical até então inacessível e hostil, se tornou em poucos anos lar de dezenas de milhares de pessoas de todos os cantos do planeta e de milhões de pés-de-café. Algumas fotos das estações ferroviárias:

Primeira estação ferroviária de Londrina, na década de 30. A ferrovia atingiu Londrina já em 1932, apenas 3 anos após a chegada de Razgulaeff e Craig Smith. No entanto, a estação foi construída apenas em 1935. A foto de José Juliani, um dos fotógrafos oficiais da CTNP, cujas fotos serviam para divulgar o empreendimento na Europa e no Japão:


Foto de 1950, ano da inauguração da nova estação ferroviária de Londrina, em estilo Tudor, como lembrança à herança britânica:


Estação de Nova Dantzig (hoje Cambé), também inaugurada em 1935:


Estação de Rolândia, inaugurada em 1935:


Estação de Arapongas, inaugurada em 1941:


A estação de Apucarana, foi a última inaugurada no período britânico, em 1942. Infelizmente, não achei fotos antigas. Haviam também estações intermediárias, em pequenos povoados como Bethlem (colônia húngara, atual Ceboleiro, entre Rolândia e Arapongas) e Aricanduva (entre Arapongas e Apucarana).

As fotos foram acessadas no site:
www.estacoesferroviarias.com.br

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Old September 25th, 2009, 02:47 AM   #6
Yuri S Andrade
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EVOLUÇÃO DE LONDRINA

Quadra de tênis dos ingleses na década de 30. Se encontrava na área hoje ocupada pela Biblioteca Municipal, quase em frente a Catedral:
1.


Londrina em 1934 e 1937. Observem que a presença da Mata Atlântica bem próxima ao sítio urbano (2 à 10):
2.


3.


4.


5.


6.


7.


8.


9.


10.


Londrina na década de 40. Observem os quarteirões centrais "abraçando" a Catedral (11 à 13):
11.
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12.
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13.


Londrina nas décadas de 50 e 60. A verticalização da cidade foi bem precoce (14 à 21):
14.


15.


16.


17.


18.


19.


20.


Estação Rodoviária (22 e 23) na década de 50:
21.


22.


Londrina em 1980:
23.
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Last edited by Yuri S Andrade; February 23rd, 2012 at 10:32 PM.
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Old September 25th, 2009, 02:47 AM   #7
Yuri S Andrade
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NORTE DO PARANÁ HOJE


Londrina


Cambé


Rolândia


Apucarana


Maringá


Cianorte


O que é o Norte do Paraná?

O Norte do Paraná pode ser definido de diversas formas. A grosso modo, podemos dizer que o Norte do Paraná é divido em Norte Pioneiro (Jacarezinho, Cambará, Cornélio Procópio, Jataizinho), ocupado entre 1890 e 1920. O Norte (Londrina, Rolândia, Apucarana, Maringá) também chamado de Norte Novo, ocupado entre 1930 e 1950 e por fim o Noroeste (Paranavaí, Cianorte e Umuarama), também conhecido como Norte Novíssimo, ocupado entre 1940 e 1960. Alguns consideram Maringá parte do Norte Novíssimo. O fato é que Maringá pode ser tanto "a mais nova do Norte Novo" ou "a mais velha do Norte Novíssimo".

O que interessa aqui é o "Norte Britânico" (Norte Novo) e o Noroeste (Norte Novíssimo), cuja ocupação se deu diretamente pelas ações dos ingleses. Obviamente, é impossível saber com exatidão quantas pessoas vivem hoje nas terras pertencentes à Paraná Plantation/CTNP, entretanto podemos fazer uma estimativa.

Em uma definição meramente geográfica, ignorando fatores históricos e demográficos, o Norte composto pelas mesorregiões Norte Pioneiro, Norte Central, Noroeste e Centro Ocidental é habitado por 3.598.706 pessoas (IBGE 2009) em uma área de 76.709 km², distribuídos em 211 municípios, mais da metade do total do estado (399):



Se levarmos em conta apenas as regiões que foram ocupadas entre as décadas de 30 e 50, por ações diretas da Paraná Plantation/CTNP e sua sucessora, a CMNP, poderíamos considerar apenas as mesorregiões Norte Central, Noroeste e Centro Ocidental. Teríamos então 3.042.204 habitantes (IBGE 2009) em 60.981 km² e 165 municípios:

Vale lembrar que a ocupação do microrregião de Goioerê (entre Cascavel e Campo Mourão) também pode ser atribuída aos movimentos de ocupação do Oeste Paranaense, que também ocorreram no mesmo período. De igual modo, a ocupação da microrregião de Ivaiporã está em parte relacionada com os movimentos de expansão provenientes de Guarapuava (Centro-Sul), no início do século XX.


Uma estimativa próxima das terras da Paraná Plantation/CTNP, teria como definição a mesorregião Norte Central, excluídas as microrregiões de Porecatu, Faxinal e Ivaiporã e adicionada a microrregião de Cianorte (Noroeste). Seriam 1.893.339 habitantes (IBGE 2009) em 17.842 km² e 60 municípios:

De zero a 2 milhões em apenas 80 anos!


E por fim, a definição mais aceita e difundida de Norte do Paraná, seria composta pela mesorregião Norte Central, exceto a microrregião de Ivaiporã. 1.880.574 de habitantes (IBGE 2009) em 18.402 km² e 64 municípios:



Acrescida de alguns municípios do Norte Pioneiro (microrregião de Assaí) próximos à Londrina, também poderia ser considerado o eixo Londrina-Maringá, com 1.952.743 pessoas, em 20.641 km² e 72 municípios:

Com praticamente 2 milhões de habitantes, esse é de longe o maior complexo urbano do interior brasileiro. A região de Campinas, mais populosa, está inserida no contexto da expansão metropolitana de São Paulo.


Os municípios cortados pela via férrea dos ingleses (Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Cambira, Jandaia do Sul, Mandaguari, Marialva, Sarandi e Maringá) somam 1.400.672 habitantes (IBGE 2009) em 5.298 km²:

Last edited by Yuri S Andrade; March 5th, 2012 at 01:45 PM.
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Old September 25th, 2009, 03:31 AM   #8
Santista10
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O Norte do Paraná é um exemplo de desenvolvimento, uma beleza!
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Old September 25th, 2009, 04:13 AM   #9
Kaique
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Um caso exemplar de parceria público privada.
E os habitantes do Norte do Paraná seguiram o exemplo desses pioneiros com a criação da SINOP (Sociedade Imobiliária do Norte do Paraná) responsável pela ocupação do Norte do Mato Grosso.

Faltaram mais iniciativas assim em outras regiões do Brasil.
O modelo poderia ser replicado em praticamente qualquer lugar.
Os elementos são:
Produto econômico de produção com emprego intenso de mão de obra,
terras,
proximidade a um centro consumidor ou porto de exportação.

O pontos baixos são:
A excessiva dependência do modelo agro-minero exportador. É possível fazer algo que promova a transformação e industrialização desses bens.
A perdaa ambiental. O PR perdeu a sua rica cobertura florestal o que, hj, acontece com o cerrado e as franjas da amazônia.
E o abandono das ferrovias. Os ingleses sempre foram expertos. Burramente abandonaram as estradas de ferro nessas cidades, tanto que agora correm atrás de restivá-las para melhorar a competitividade da região.
Contudo, ainda acho esse modelo válido.
Há muitas cidades que podem ser criadas e outras reformadas.
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Old September 25th, 2009, 04:20 AM   #10
Ice Climber
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Que belíssimo thread! Parabéns Yuri

Depois comento melhor! Desde ja, fantastico!
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Old September 25th, 2009, 04:32 AM   #11
marcovsk
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Originally Posted by Kaique View Post
E o abandono das ferrovias. Os ingleses sempre foram expertos. Burramente abandonaram as estradas de ferro nessas cidades, tanto que agora correm atrás de restivá-las para melhorar a competitividade da região.
Quem abandonou as ferrovias foi o governo federal, e não os ingleses. O norte do PR é cortado por várias ferrovias e até algumas décadas atrás as eram muito utilizadas no transporte de passageiros (na frente da minha casa passa hoje uns 10 trens por dia, de cargas), mas veio o governo e a história que todo mundo sabe.
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Old September 25th, 2009, 04:35 AM   #12
marcovsk
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E belo thread Yuri! Queria eu ter conhecido o SSC na época de Colégio, era triste fazer trabalhos com os documentos que até então eram disponíveis sobre a colonização.

Lembro que emprestei do museu da UEM vários quadros em madeira com fotos do desbravamento, bom d+.
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Old September 25th, 2009, 06:22 AM   #13
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belo thread yuri, impecável como todos!!!
não tenho palavras para elogiar esse trabalho que vc teve...
é impressionante a nossa história mesmo, hj seriamos um pouco mais importante para o brasil se tivessemos um pouco mais de atenção do governo Paranaense...

Uma coisa que eu sempre percebo quando conversava com os meus avós, era que sempre que eu falava de Curitiba eles me olhavam com um tom um pouco ressabiado, tipo não sei do que vc está falando e nem quero saber... (eu fiz o terceirão em Curitiba). Eu acho que o Norte do Paraná tem uma identidade muito maior com SP do que com o restante do PR, principalmente com relação às pessoas com mais de 50 anos.

Eu fico imaginando de vez em quando como seria a nossa região se fossemos uma continuação do Estado de SP. Com certeza teriamos uma ligação inteiramento duplicada até São Paulo capital e de Maringá a Presidente Prudente!!!!!!!

Fora a Cambé a Assis que tb seria... seriamos um pouco mais industrializados e teriamos um pouco mais de importancia nacionalmente.

Duro é que Maringá não seria a terceira maior e nem Londrina seria a segunda maior.
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Old September 25th, 2009, 06:26 AM   #14
Jdolci
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Realmente ..
Se eu tivesse lido esse texto no tempo de colégio teria me poupado muito tempo de estudo..
Eu sabia as linhas gerais da colonização do Norte paranaense .. mas nao com tantos detalhes assim..
Parabéns Yuri .. ficou muito bom.. detalhado..
Norte do estado é um orgulho pra todos os paranaenses.
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Old September 25th, 2009, 11:55 AM   #15
Gui_p
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Parabéns Yuri, você sabe criar um thread como ninguém. Quanto conhecimento reunido em um thread.

Não sabia que o Norte do Paraná tinha a 2ª maior diversidade cultural do Brasil.

Depois comento melhor, valeu.
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Old September 25th, 2009, 01:26 PM   #16
SH
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Irrepreensível levantamento. Sem dúvida alguma, uma das colonizações mais bem sucedidas da história, que faz o norte do Paraná ser uma área singular, tanto no planejamento quanto em desenvolvimento econômico.
Alguns detalhes que muita gente não sabe foi explícito por aqui. Um deles, o planejamento de Maringá, que na visão da companhia inglesa, seria o principal pólo da região. Isso se fez devido a sua centralidade nesse território colonizado, e que levou a um planejamento dessa cidade antevendo a moradia de 200 mil almas.
Porém, Londrina nasceu primeiro, e tomou as rédeas do crescimento norte-paranaense, estando plenamente estabelecida quando da criação dos outros centros programados. A maior proximidade com o principal pólo econômico e portuário influiu ainda mais. Depois de criada, Maringá também experimentou um grande desenvolvimento, mas, ainda hoje, não faz frente ao que Londrina é. Cianorte deveria ser a outra grande cidade, no contra-ponto de Londrina, mas não obteve o mesmo êxito, e os motivos não me são claros. Caso o povoamento se desse como pensado a princípio, o eixo Londrina-Maringá seria, na verdade, Londrina-Cianorte.
Há muitos detalhes desse processo interessantíssimos. Como esse thread já parece estar se tornando um clássico, espero ajudar aos poucos com algumas contribuições.

Last edited by SH; September 25th, 2009 at 01:37 PM.
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Old September 25th, 2009, 04:24 PM   #17
Yuri S Andrade
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Colegas, eu agradeço muito os elogios! Esse thread, foi de longe o mais difícil que eu organizei. Levantar os dados, selecionar as informações mais importantes, editar os mapas (o de Maringá foi dose...), enfim, deu trabalho, mas considero que valeu a pena. Há um mês atrás, perto do dia 21/08, a idéia de montar um thread sobre o tema me ocorreu, mas estava muito sem tempo e sem saber por onde começar. Acabei abandonando a idéia.

Acho a experiência histórica do Norte do Paraná fascinante, algo único, mas que infelizmente é ignorada pela maioria dos brasileiros. É incrível como em apenas 20 anos, no lugar da mata fechada, haviam pessoas de mais de 40 países diferentes, surgiram várias e grandes cidades e talvez a mais importante região agrícola do país. O planejamento britânico jamais poderá ser superestimado, o grande fator para o sucesso da empreitada.

E como eu disse logo no início, as contribuições dos colegas são muito bem-vindas. O que eu mais estou sentindo falta são de fotos da década de 30 (nos livros citados há várias, mas pouca coisa na internet ), com a densa vegetação cercando os ainda pequenos núcleos populacionais. Era um lugar mais remoto do que a Amazônia hoje. Outro material muito interessante, é o registro fotográfico dos imigrantes: ingleses de Londrina; alemães de Rolândia, Nova Dantzig, Heimtal e Londrina; poloneses de Arapongas e Warta, italianos e japoneses por toda a parte. Também considero que há muitas lacunas, em termos de informação. Vários assuntos relavantes não abordados. Espero a ajuda dos colegas.

Last edited by Yuri S Andrade; September 25th, 2009 at 04:30 PM.
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Old September 25th, 2009, 04:31 PM   #18
marcovsk
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Yuri, chegou a ver esse?

Quote:
O arquiteto, professor e pesquisador da UEM, Renato Leão Rego, está lançando, no dia 29 deste mês, o livro ‘As cidades plantadas. Os britânicos e a construção da paisagem do norte do Paraná’. Durante a solenidade, marcada para as 18 horas, no auditório do bloco C-67, na UEM, o autor vai relatar os aspectos pitorescos da história da influência britânica na região e também projetar imagens que ilustram esse período.

A obra trata da colonização do norte do Paraná e das transformações provocadas nesta região pelos investimentos da empresa britânica Parana Plantations Limited, matriz da Companhia de Terras Norte do Paraná e da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná. Segundo Rego, desde Londres, esta empresa planejou e comandou o desenvolvimento, a ocupação e a urbanização das suas terras no norte paranaense entre os anos 1924 e 1944. Declara que ideias britânicas de planejamento urbano e regional influenciaram todo o esquema de colonização do norte do Paraná.

O livro é o resultado de um trabalho de pesquisa de vários anos, realizado em parte na Inglaterra, onde o autor fez seu estágio pós-doutoral entre 2007 e 2008. Para ele, falar da paisagem do norte do Paraná pelos ‘ingleses’ também implicou contextualização e reenquadramento dos dois lados do tema.

A obra apresenta dados novos e documentos inéditos sobre a presença britânica no norte do Paraná, obtidos nos arquivos, museus e bibliotecas pesquisados, entre eles o National Archives, o Rothschild Archives, o National History Museum, o Ashmolean Museum e a British Library. Cartas, atas de reuniões, artigos de jornal, documentos oficiais, registros de viagem, mapas e fotografias foram analisados para narrar este empreendimento fundiário desde o ponto de vista britânico, a partir das suas iniciativas imperialistas.

Rego explica que a cultura do Império Britânico e da sociedade vitoriana perpassa toda a obra. É por isso também que a biografia e os negócios prévios de lorde Lovat – o personagem principal desta história – são mencionados. “Antes de chegar ao norte do Paraná, Lovat dirigira outras empresas de colonização, na África do Sul e no Sudão. Lovat era um imperialista entusiasta que dirigia seus investimentos para terras férteis, em regiões pouco desenvolvidas, seguindo uma tradição imperial”.

“Assim assentou colonos na Suazilândia, irrigou a região de Karthoum para o cultivo de algodão, plantou cidades e construiu uma ferrovia no norte do Paraná. A colonização sistemática e a urbanização deliberada desta região seguiram o modelo colonial britânico, como mostra o livro. Neste sentido, noções britânicas de planejamento conjunto das áreas urbana e rural foram transferidas para cá, entre elas corolários da proposta cidade jardim, então debatida e aplicada não só na Inglaterra mas em todo o mundo colonial britânico. Graças à divulgação do negócio norte-paranaense que Lovat fez na Europa, principalmente na Alemanha e na Polônia, muitos estrangeiros vieram para cá”.

O livro, publicado pela Editora Humanidades, de Londrina, apresenta dados da formação urbana e regional do norte do Paraná com riqueza de detalhes e farta documentação. Esta publicação é resultado da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Maringá e está sendo distribuída gratuitamente às escolas, bibliotecas, museus, arquivos e instituições públicas de Maringá e região.


A notícia é velha, o lançamento já foi a um tempinho.. vou ver se encontro o livro em alguma livraria.
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Old September 25th, 2009, 04:48 PM   #19
Yuri S Andrade
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Esse eu não tenho. Parece ser muito interessante, pois foca bem o papel dos britânicos na colonização da região, que está completamente inserido dentro do contexto do capitalismo/imperialismo britânico no período.

Compre mesmo, e poste alguma coisa aqui pra gente!
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Old September 25th, 2009, 04:50 PM   #20
Pé Vermelho
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fabuloso, meu nick já comenta por si só...
__________________
ESTAMOS DE OLHO ULISSES... TRATOU MAL MARINGÁ SUA ORELHA VAI ESQUENTAR!
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