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Old October 30th, 2009, 01:20 PM   #21
Matthias Offodile
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Arte
Hildebrando de Melo concebe desenhos para joalharia em pedras preciosas



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27-10-2009 13:11


Artista plástico

Luanda – O pintor angolano Hildebrando de Melo vai conceber, ainda este ano, vários desenhos para trabalhos de joalharia em ouro e pedras preciosas de Angola, no quadro de uma parceria com dois joalheiros português, Valentim Quaresma e Paula Guerreiro.

Segundo Hildebrando de Melo, que falava hoje à Angop, este labor artístico vai culminar com uma exposição a realizar-se em Angola, no mês de Abril.

Esta parceria com joalheiros portugueses, de acordo com o pintor angolano, é fruto da digressão artística feita em Lisboa de 14 a 26 deste mês, na associação de arte Artinpark, em Lisboa, Portugal.

“A residência artística feita nesta associação portuguesa foi proveitosa, porque permitiu conceber sete obras de pinturas, bem como trocar impressões com os pintores, joalheiros e designer portugueses. Logo, posso concluir que são estas iniciativas de troca de experiências que nos fazem evoluir em todos os sentidos”, asseverou.

Hildebrando de Melo revelou que em Maio de 2010 pretende voltar na Artinpark para a realização de uma mostra individual.

De 30 anos e natural do Huambo, Hildebrando de Melo participou em seminários com curadores estrangeiros de países como África do Sul, EUA e Alemanha.

É autor de seis exposições individuais e participações em várias amostras colectivas feitas em Angola, Portugal, Brasil e Estados Unidos da América.

Vencedor do Prémio Ensarte/2004, na categoria "Juventude", uma promoção da Empresa Nacional de Seguros de Angola (Ensa), é igualmente detentor do concurso "Sona Desenhos na Areia" da empresa norueguesa do ramo dos petróleos, Nosk Hydro.
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Old October 30th, 2009, 01:23 PM   #22
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Escritor angolano apresenta romance "Pedaços de Vida"

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Escritor angolano Divaldo Martins




Luanda - A primeira obra literária do escritor angolano Divaldo Martins, intitulada "Pedaço de Vida", foi apresentada nesta quinta-feira, em Luanda, numa sesão em que foram disponibilizados três mil exemplares.

Em entrevista à Angop, Divaldo Martins explicou que a obra reflecte a dor, o bem-querer e fundamentalmente a vida íntima de algumas pessoas que por si conhecidas.

"Falo sobre a vida de um grupo de pessoas, isto é, a existência de pessoas que, no fundo, se reproduzem nas nossas vidas, pois todos confrontamo-nos com a morte, temos dores, prazeres e amigos. O romance fala de tudo isso, mas centralizando um facto verídico".

De acordo com o escrito, todos os cidadãos são num instante de sua existência um pedaço da vida de outras pessoas."Na verdade, não somos mais do que pequenos fragmentos soltos", disse.

Segundo Humberta Martins, personagem da história, quando começou a ler o livro, crescia a vontade de virar imediatamente e passar à próxima.

Disse ter sido nesse momento que percebeu que o escritor não tinha inventado nada e apenas contava a história da vida.

"Por mais que cada um de nós julgue que está a viver a sua vida própria vida, na verdade vive parte da história do mundo, o que causa a integração de uns com os outros", acrescentou.

"O que nós fazemos, mesmo sem saber, afecta hoje ou amanhã a vida de outras pessoas. Um gesto de carinho, uma palavra de afecto, todas essas atitudes aparentemente individuais fazem parte do entrosamento do mundo e transformam a dinâmica da vida, da nossa e de outras", sustentou.

Divaldo Martins nasceu em Luanda, a 27 de Fevereiro de 1977. É licenciado em Ciências Politicas, pelo Instituto Superior de Ciência Politicas de Segurança Interna, de Portugal.

Mestrando em Estratégia, pelo Instituto Superior de Ciência Social e Politica, frequenta o 4º ano de Direito na Universidade Agostinho Neto.

Estudou Letras, especialidade de Português, até ao 2º ano, no Instituto Superior de Ciência da Educação de Luanda, e foi jornalista da Agência Angola Press (Angop), tendo assinado textos de opinião nalguns dos principais jornais do país.
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Old October 31st, 2009, 11:16 PM   #23
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Gisela Kamia Aleixo, microbiologista
No grandioso Micromundo


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O amor à Ciência nascido em criança levou-a a um mundo fascinante. Perfil de uma microbiologista.

Quando foi que descobriu a microbiologia?

Fui descobrindo. Sempre gostei de biologia e o mundo microscópico fascina-me desde criança.

O que é que faz exactamente no dia-a-dia, em termos profissionais?

O meu dia-a-dia é dividido entre as aulas de microbiologia e laboratório da Faculdade de Medicina de Luanda, e o laboratório de análises clínicas da Clínica Sagrada Esperança.

Num laboratório hospitalar é importante ter um microbiologista?

Sem dúvida que sim, uma vez que é o microbiologista, a manusear o produto, desde a sua chegada ao laboratório, conservação, sementeira e o isolamento dos microrganismos. O principal dilema do microbiologista é decidir se o microrganismo isolado no material clínico está envolvido na doença (agente etiológico ou infeccioso), se está apenas a colonizar, se faz parte da microflora normal, ou se se trata de um contaminante.
Gisela Kamia Aleixo, microbiologista

Que é que a encanta no universo celular, a micro vida? Tudo, o saber, o descobrir, o manusear, o identificar. Os microrganismos são ubíquos no corpo humano.

Olhar para uma célula, a forma como vive, é grandioso ou a sensação da insignificância das coisas? E grandioso, visto que, a célula, embora microscópica, é o principio da vida e encerra a chave da forma de todas as coisas. Todos os seres vivos são compostos por um conjunto complexo de células. A evolução e o envelhecimento de todas as formas de vida são um reflexo da capacidade que a célula tem de se regenerar.

Outra vertente, não menos importante, é o estudo de doenças.

As bactérias são sempre perigosas? Bactérias são considerados seres patogénicos. A microflora normal pode ser definida como a presença de microrganismos que não causam dano ou resposta inflamatória, podendo inclusive ter papel protector.

Estes podem causar doença quando ocorre disfunção no local ou quando alcançam outros locais através de procedimentos evasivos.

Cultivar bactérias eventualmente perigosas, num hospital, não é um risco? Certamente que não. Um laboratório de microbiologia tem de ter equipamento a altura, e pessoal capaz para poder desempenhar esse tipo de actividade. Quando são manipuladas amostras suspeitas, estas são manuseadas de acordo com as regras universais de segurança.

Todas as clínicas e profissionais têm esse cuidado? Poderia formular melhor a sua pergunta. Na clínica onde trabalho e como profissional que sou, um dos requisitos a ter em conta e a qualidades dos serviços e da informação que é fornecida, acima de tudo temos que zelar pelo lado deontologismo da ciência.
A célula, embora microscópica, é o principio da vida e encerra a chave da forma de todas as coisas. Todos os seres vivos são compostos por um conjunto complexo de células.

Sente que temos técnicos e conhecimento suficiente para enfrentar uma “crise bacteriana” em Angola? Neste momento já vão surgindo alguns técnicos no mercado de trabalho, mas sendo uma área difícil, poucos são os técnicos que se interessam. Por outro lado, ainda não temos, no país, um número suficiente de técnicos superiores de Microbiologia, nem capacidade para enfrentarmos uma crise bacteriana.

No entanto, temos bons laboratórios e muito por fazer que, com ajuda externa, com certeza que poderemos fazer face a uma possível epidemia.

Exemplo disso foi o caso da febre hemorrágica, que assolou o nosso país em 2005.

A clínica em que trabalha está bem equipada? Que aparelhos de ponta tem e para que servem? Sem sombra de dúvida que o laboratório da Clínica Sagrada Esperança, está equipado com aparelhos de ponta, ou seja, de última geração.

No sector de microbiologia, onde sou a responsável, temos o VITEK COMPACT, este aparelho permitenos, desde a chegada do produto, sementeira e isolamento, 3 – 5 dias, termos a identificação do microrganismo (espécie), e o TSA (antibiograma), entre 3 a 12 horas. Temos também um Mini API como “ back up”. Temos uma câmara de segurança de fluxo laminar para sementeira dos produtos, e isolamento de culturas. Possui também um BACTAlert, para hemoculturas e micobactérias.

Temos dois autoclaves para lavagem de material contaminado, e uma estufa de secagem para o material, neste momento estamos a espera de uma estufa de esterilização.

Já no sector de bioquímica, tempos o Olímpicos e o SPIN Lab, e bidestilador de água.

No sector de imunologia temos, o Mini VIDAS e o Elecys 2010 para teste imunológicos, Gianth para electroforese das proteínas e hemoglobinas, Iris para o teste respiratório.

No sector de hematologia temos, o Sysmex XT2000 para os hemogramas, BioRad para hemoglobinas glicosiladas, aparelho para VS, UF-100 Sysmex para o Tempo e taxa.

No sector de citometria de fluxo/ biologia molecular fazemos CD4 e CD8, carga viral e Western Blot.

Neste momento a Clínica Sagrada Esperança esta a montar o Banco de Sangue, Espera-se que esteja pronto em breve.

Sente-se bem remunerada? A nível nacional, posso considerar que tenho uma remuneração dentro da média. Bem remunerada.

O que pode acontecer se uma análise laboratorial for mal feita? Quando isso acontece, o grande prejudicado é o paciente, seguido da instituição em que o erro ocorre, o profissional em causa e a sua equipa de trabalho.

Que análises são mais frequentes em Angola? Não posso generalizar para o país inteiro, mas os exames mais pedidos na Clínica Sagrada Esperança são, a gota espessa, hemograma, falciformação, as transaminases, os colesteróis, VDRL, VIDAL, ureia, creatinina, glicemia, marcadores tumorais, marcadores hepáticos, hormonas T3, T4, uroculturas, exsudados vaginais, coproculturas, hemoculturas, urina II, parasitologico de fezes e urina, drogas na urina, pesquisa de BK.

Perfil


Dinâmica, simpática, amiga dos amigos, mãe apaixonada, 1,56 cm, olhos verdes

* Nome: Gisela Kamia Cardoso Aleixo
* Idade: 31
* Estado: Solteira
* Tem filhos: 1
* Onde se formou: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
* Onde trabalha: Laboratório de Análises Clínicas Clínica Sagrada Esperança e docente estagiária Faculdade de Medicina de Luanda

* Onde nasceu: Malange
* Prato preferido: Pasta, e comida nacional
* Cozinha: Sim, modéstia a parte, muito bem.
* Filme da vida: Papillon e Mar adentro
* Livro que está a ler: O Monge e o executivo, de James C. Hunter
* Escritor preferido: Harold Robins, Paulo Coelho.
* Cidade preferida: Paris
* Férias de sonho: Paris
* Outros interesses: Estar com a família, namorado e amigos, praia, desporto
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Old November 1st, 2009, 07:30 PM   #24
Matthias Offodile
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Arquitectura
Concurso internacional “Habitação em Luanda”


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A II Trienal de Arquitectura de Lisboa e a II Trienal de Luanda, vão lançar um concurso Internacional de arquitectura sobre habitação em Luanda

“As nossas organizações têm várias coisas em comum. Ambas estão a preparar segundas edições de trienais que começaram ao mesmo tempo. Existe uma empatia natural. Ficámos muito bem impressionados com o trabalho desenvolvido pela Trienal de Luanda, a todos os níveis— organização e programação, qualidade gráfica dos materiais promocionais, envolvência social com os cidadãos e com as escolas, recuperação de edifícios”, diz José Mateus, administrador da sociedade gestora da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que, em breve, será uma Fundação.

UM DESAFIO AO MUNDO



A organização portuguesa propõem-se desenvolver um Concurso Internacional de Projectos Arquitectónicos para a cidade de Luanda. “Escolhemos a habitação como o tema da segunda trienal. Queremos dar uma perspectiva global sobre como se gere este sector. A Norte estabelecemos uma parceria com o Museu de Arquitectura de Basileia. A Sul, foi através do arquitecto angolano Carlos Antunes, que trabalha em Lisboa, que estabelecemos a ligação com a Trienal de Luanda. Ele falou-nos do excelente trabalho que está a ser feito, pelo que decidimos vir a Angola falar com o Fernando Alvim para ver que tipo de parcerias poderíamos estabelecer. A primeira será este concurso internacional”.

A ideia é simples. Desafiar os arquitectos de todo o mundo a apresentar um plano de requalificação habitacional para uma zona de Luanda, juntando depois estes projectos para exposição na Trienal de Lisboa, seguindo depois para Luanda, onde poderão ajudar a resolver um dos mais graves problemas da capital. O júri que vai analisar estas propostas será presidido pelo arquitecto Carrilho da Graça. E haverá um arquitecto em Luanda que fará o trabalho de caracterizar o meio, a zona e a cidade para fornecer aos candidatos. Em princípio essa pessoa será a arquitecta Ângela Mingas. Já falámos com ela que se mostrou entusiasmada”, revela.

EXPOSIÇÃO NOS DOIS PAÍSES

Delfim Sato, o curador da Trienal, acrescenta “Dentro do programa da Trienal de Arquitectura de Lisboa, este concurso terá um destaque especial. Luanda é uma cidade culturalmente muito forte, que foi construída para uma população de 500 mil habitantes, mas hoje tem quase 4,5 milhões de habitantes. Por isso tem enormes desafios pela frente. Penso que o facto de pôr muitos arquitectos, com diversas experiências e diferentes escolas, a pensar sobre isto vai ser extremamente positivo. Os trabalhos estarão expostos no Museu da Electricidade em Belém, vindo depois para a Trienal de Luanda”, explica.

Esta iniciativa vai acontecer em Lisboa entre os dias 14 de Outubro e 16 de Janeiro. e terá a habitação como tema central. “A casa é uma componente muito importante da vida das pessoas. É através dela que a arquitectura melhor se funde com as necessidades e expectativas dos cidadãos”, diz Delfim Sato.



OBRAS DE CARÁCTER SOCIAL

Para José Mateus era fundamental que a Trienal também tivesse uma ambição de carácter social. “É importante que a iniciativa crie benefícios para Lisboa. Entre diversos eventos, vamos discutir a melhor forma de requalificar a zona habitacional à volta do aeroporto da Portela. Onde vivem, curiosamente, muitas pessoas de origem africana. É necessário pensar numa solução para aquela área. É nossa obrigação ter soluções de interesse público”, diz.

Delfim Sato reforça a ideia, explicando outro concurso que a Trienal vai organizar. “Vamos lançar um concurso dirigido aos estudantes finalistas de 17 universidades, para que apresentem as melhores soluções para uma situação específica. Optámos por um dos bairros mais problemáticos da cintura de Lisboa, onde estão muitos emigrantes — muitos deles, africanos. Trata-se do bairro da Cova da Moura, na Amadora. Vai obrigar a que os jovens arquitectos se interessem por essa realidade, que vão para o local perceber o que se passa, tirando informações precisas sobre as características sociológicas dos seus habitantes — como vivem, como se organizam. E que tenham uma intervenção efectiva no terreno com uma arquitectura sustentada, a nível social e ecológico”.

José Mateus acrescenta: “Ao escolhermos a habitação, estamos mais perto das pessoas. Queremos que se troquem experiências na forma de abordar estes problemas entre o Norte e o Sul. Entre Portugal, Brasil e Angola. Onde pode haver benefícios do diálogo e da troca de experiências entre arquitectos com experências diferentes. Isto é muito importante quando se pensa nas melhores soluções para as pessoas. Não existem fórmulas únicas e é a especificidade de cada situação que define o sucesso de cada solução”.

Os trunfos DA trienal



A Trienal de Arquitectura de Lisboa assenta em três exposições principais, um colóquio internacional e o lançamento de três livros. “A Trienal terá três núcleos. O primeiro funcionará no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém, onde estará uma exposição com o tema Norte/Sul. Arquitectura Convergência em Diálogo. Um pouco mais abaixo, em direcção ao centro de Lisboa, estará o segundo núcleo no Museu da Electricidade, na Central Tejo, onde estarão expostos os trabalhos relativos aos dois concursos referidos – Habitação em Luanda e Requalificação da Cova da Moura. É possível circular a pé entre estes dois espaços, o que tornará mais atractiva a visita à Trienal.

Na Cordoaria Nacional, em Belém, funcionará o terceiro núcleo, onde pela primeira vez no mundo será exposta uma colecção impressionante de obras de arte contemporânea de um arquitecto brasileiro. É um conjunto impressionante de objectos ligados à arquitectura que certamente merecerão a atenção do público”, revela Delfim Sato, que acrescenta, “Temos também um grande colóquio com o tema Arquitectura e Democracia, que contará com a presença de vários especialistas internacionais”.

O futuro DA PARCERIA

Existe ainda a possibilidade da II Trienal de Luanda ter também espaço neste evento. “Estamos a começar as nossas conversas. Por exemplo, a Trienal de Luanda pode ser apresentada em registo audiovisual em Lisboa. Também é possível fazer o mesmo com o nosso projecto. Há o espólio da primeira trienal — quer o nosso, que o de Luanda, que podem estar patentes na outra organização. Só agora estamos a desenvolver a parceria e muita coisa ainda vai acontecer. Esta parceria pode evoluir de muitas formas, estamos em caminhos convergentes. Este é também um caminho de descoberta”, conclui.


João Armando
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Old November 2nd, 2009, 06:59 PM   #25
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Dina Simão
Com estilo
Estilista, professora de danças africanas


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Natural do Dundo, a estilista Dina, que também dá aulas de dança e dirige o grupo Kissonde. Desde pequena que adora estar no meio dos trapos. “Gostaria de um dia vestir a primeira-dama. Porque não? É uma mulher tão elegante!”, confessa



Alta, sensual, desinibida, simpática, esta amazona angolana, que um dia sonhou ser manequim, transformou--se na estilista Dina Simão, também licenciada em Cooperação Internacional e Recursos Humanos e impulsionadora de novos horizontes para os jovens.

No seu atelier em Portugal, cheio de enormes novelos de linhas de várias cores e de máquinas de costura, podem ver-se modelos desenhados pela estilista decorando a parede. Dos expositores pendem alguns dos modelos que guarda religiosamente.

Natural do Dundo, Dina, que adora estar no meio dos “trapos”, recebe no atelier de Palmela, ou do Estoril, as suas clientes, a quem aconselha e para quem cria, desenha e confecciona modelos únicos.

No escritório, onde a parede está pejada de diplomas e estantes de troféus, guarda dossiers e álbuns de fotografia, escrupulosamente organizados. No computador está um currículo pronto a ser impresso. Para além do estilismo, ainda tem tempo e vontade para leccionar aulas de danças africanas e dirigir o grupo “Kissonde”.

Os sonhos não morrem

Do signo virgem, Dina Simão — para quem a viagem de sonho seria Hong Kong e o maior desejo, ainda por realizar, é a felicidade — chegou em 1992 a Portugal.

Tinha 16 anos e sonhava ser modelo. Procurou as melhores escolas de manequins e frequentou vários cursos, que terminou com a melhor nota. De pouco lhe serviu o investimento e o empenho. Os preconceitos que então existiam em Portugal foram o travão do sonho desta menina. Aconselhavam-na a ir para Paris ou para Londres.

Mas Dina ficou. Foi trabalhar para a loja de uma grande estilista, em Cascais. “Na altura havia muitos desfiles e eu era utilizada para coreografar, escolher os figurinos e para ficar no camarim. Tinha um curso igual às outras… Aos 16 anos era muito frustrante. Felizmente, hoje é diferente”, confidenciou Dina Simão, uma mulher confiante no futuro. Hoje, acrescenta “ser africano está moda e ser angolano é uma condição de preferência”.

O grito do Ipiranga


Foi nessa altura que Dina — cujo prato preferido é o “calulu de peixe” — cortou com tudo e tornou-se uma bailarina profissional do popular cantor angolano Bonga. Algo que fez durante 14 anos. Nessa qualidade — e como responsável pelos figurinos dos bailarinos —, Dina correu mundo, fortaleceu a imagem e enriqueceu os seus conhecimentos.

Cresceu e tornou-se mulher. Como a sua paixão pela moda nunca foi esquecida, manteve alguns trabalhos relacionados com esse mundo e acabou por frequentar um curso de “Corte e Costura”.
Projectos inesperados

Interessada pela comunidade e estudiosa, Dina Simão frequentou um curso de “Animação Cultural” e estagiou no Bairro da Bela Vista, considerado um dos mais problemáticos de Setúbal, em Portugal.

“Os professores diziam que tínhamos de ir de guarda-costas, mas afinal fomos recebidos com carinho, moamba e kissanguas”, afirmou a estilista. Por sugestão dos jovens de várias origens — angolanos, cabo--verdianos, moçambicanos, timorenses, ciganos, portugueses — e idades entre os 5 e os 30 anos, formaram um grupo de 12 elementos que baptizaram com o nome de “Kissonde” — que designa uma formiguinha muito pequenina e chata, que quando ferra incomoda muito e faz muita comichão. “Assim era também o grupo que não era muito grande, mas incomodava, mexíamos muito com a consciência das pessoas”, explicou Dina Simão, que aglutinou este potencial da lusofonia para actuar na televisão.

“Hoje os pais (das crianças) do bairro da Bela Vista dizem ‘obrigado’ à Dina”, lembra a estilista, que se considera uma pioneira nessa forma de motivação das crianças, “poupando-os aos maus caminhos da vida”.

Hoje, o grupo aposta na qualidade e no profissionalismo e, para além de exibições a nível nacional, também já é solicitado para trabalhos internacionais. “O segredo é a persistência. Acreditem no vosso potencial e sejam profissionais, porque a qualidade faz a diferença”, aconselha Dina aos mais jovens com ambições no mundo da moda ou da dança.

Caminho de vida

Aos sete anos já dançava e quando ainda vivia em Angola, Dina Simão fazia parte do Ballet Tradicional “Kilandukilu”, fundado em 1984, no Bairro do Maculusso, em Luanda. Essa experiência deu-lhe o passaporte para trabalhar com Bonga. “A minha mãe, que era enfermeira-parteira no Hospital do Dundo, também trabalhava na máquina de costura até às tantas da noite para nos sustentar”, recorda a estilista para justificar a sua familiaridade com os “trapos”.

Como o seu interesse pela moda não esmorecesse e a formação se acumulasse, Dina chegou ao estilismo com o aumento da sua auto-estima e da sua consciência. Na década de 90 do século passado, criou os modelos e escolheu os manequins, com quem se estreou na Discoteca Globo, em Palmela. Em 1998 montou um atelier no Estoril, onde também desenvolve a sua criatividade.

Dina Simão tem um vasto currículo. Passou por numerosos programas na televisão portuguesa, participou em vários desfiles e espectáculos. Apenas como nota de destaque, concebeu os trajes tradicionais para o I Concurso de Beleza Miss Angola/Portugal. Recebeu muitos convites de embaixadas e de câmaras municipais. Vestiu artistas como as cabo-verdianas Celina Pereira e Lura, o angolano Paulo Flores, Marisa Feio, Sandra Nobre, Helka, a apresentadora da TPA, e o jornalista Guilherme Galiano. Também trabalhou para o Consulado de Angola e algumas embaixatrizes.

Presente no desfile internacional London Fashionweek 2009 e feliz com a aceitação do seu trabalho a nível internacional, Dina Simão interroga-se: “Sendo eu angolana desde sempre e portuguesa há 18 anos, porque é que ainda não me foi dada a oportunidade de participar numa ‘Moda Lisboa’?” “Tentei aos 18 anos, tentei aos 30, vou tentar aos 40 e talvez aos 100 a ‘Moda Lisboa’ reconheça o meu valor e o de outros lusófonos”, ironiza.

África é a sua grande fonte de inspiração. A harmonia das cores bebe sedentamente das culturas africanas, utilizando os típicos panos pintados. Tirando partido da textura, afirma a sensualidade e a intelectualidade destinada a mulheres sóbrias e sofisticadas. Atrevida nos conceitos, Dina mistura cores e tecidos diáfanos ao ritmo de clássicos modelos europeus.



Futuro e projectos

Projectos de curto prazo para Angola? “É já no Verão! Me aguardem!”, afirma Dina, que prefere manter o mistério.

Quanto a projectos profissionais a médio prazo, diz: “Gostaria de abrir uma fábrica de confecção em Angola e criar postos de trabalho para as camadas mais desfavorecidas, bem como para a formação das mesmas”.

Acrescenta ainda: “temos de dar prioridade ao produto nacional, porque tudo tem de começar por aí. Dar valor ao que é nosso! Somos belos na diferença. Conservar o tradicional, o que é angolano, para depois aceitar o que vem de fora. Aí ficamos muito mais ricos culturalmente, nessa intrusão de ideias”.



Margareth do Rosário: Entre o semba 
e a morna
Cantora, Apresentadora do programa revista musical da tpa


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Bonita e comunicativa, Margareth do Rosário, 29 anos, é cantora há 10. Conversámos com a artista antes de subir ao palco da Casa 70, em Luanda para três grandes shows. Marco António de 2 anos e 9 meses, filho da artista e do marido e produtor Nambi Silva, vigiou de perto a conversa, seguindo atento os movimentos da mãe.



Os espectáculos agendados para os dias 14, 15 e 16 de Outubro servem de promoção ao álbum Em Nova Dimensão lançado no final do ano passado.

Para esta apresentação ao público, a artista quis contar com a presença de grandes músicos da música angolana como Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, explica Margareth do Rosário. “Queria fazer uma coisa diferente, mais adulta, algo que tivesse a ver comigo. O show vai ter de tudo um pouco: semba, zouk, morna, com os estilos próprios destes artistas”.

Ingresso na música


Natural de Luanda, Margareth do Rosário deu o salto na música angolana no programa da Televisão Pública de Angola (TPA), Gala à Sexta-feira, que visava a descoberta de novos talentos da música. Participou em três edições do programa e ficou em primeiro lugar, em segundo e em quinto lugar.

A última participação e consequente resultado deixou-lhe marcas que quase punham em causa a sua carreira. “Fiquei desmotivada e triste, tão sem coragem de voltar a participar num concurso. Mas a minha família não deixou que ficasse abatida e deu-me toda a força para chegar até onde estou hoje”. Ultrapassadas as primeiras desilusões e obstáculos no percurso artístico, entra no grupo Melo Manias na companhia de Yola Araújo e Djamila D’Alves.



Tinha apenas 18 anos e já vivia a sua primeira experiência profissional no mundo musical. “Estávamos a começar muito bem mas depois devido a algumas dificuldades que havia na música naquela época, não conseguimos singrar”. As três vozes femininas faziam covers, actuavam no Miami Beach e chegaram a participar no Festival da Cidade de Luanda. “Cantávamos com Nazarina Semedo, Kelly Silva e Nanda que eram os Miami Voice.

Foram tempos muito divertidos”, relembra Margareth com um grande sorriso. “Estávamos a aprender a cantar, éramos muito desafinadas e não tínhamos aulas de canto. Cada uma tinha o seu timbre de voz e a sua forma de cantar”, conta. “Depois resolvemos continuar o nosso caminho, foi prosseguindo a nossa festa. E hoje, cada uma de nós está com o seu projecto. Recentemente tivemos um reencontro através da TV Zimbo, onde recordámos esses velhos tempos”.
Carreira a solo

“Fui a primeira a sair, como diz a Yola”, assume, explicando o porquê: “na altura não havia empresários e as empresas não estavam disponíveis para apoiar o trabalho dos artistas”.

Nova desilusão que não a fez desistir. Seguiu a sua carreira a solo. “Mais tarde consegui um primeiro apoio do governo da província de Luanda, através da pessoa do dr. Aníbal Rocha, que foi quem patrocinou o primeiro álbum, o Love One em 2001”.

Este apoio é a prova de que, por vezes, basta alguém apostar para que um projecto avance. “Com o meu primeiro disco tive muitas receitas e o segundo álbum até já foi patrocinado por mim mesma”, conta com visível orgulho. Segundo álbum esse que recebeu o nome de Amor Profundo e chegou em 2003.

O último disco Em Nova Dimensão foi lançado em 2008 e é descrito por Margareth do Rosário como “resultado de um grande amadurecimento”. “Neste álbum faço uma homenagem a Paulo Flores, de quem sou fã n.º 1, a Lourdes Van-Dúnem, “minha mãe” e a Belita Palma”.

A recepção do público foi positiva mas verificou--se a máxima de Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. “As pessoas primeiro tiveram uma reacção ‘Ah! A Margareth mudou de estilo’ e ficaram um pouco tristes. Depois habituaram-se e agora estão mesmo acostumados com aquilo que apresentei”.


O álbum foi baptizado de Em Nova Dimensão porque nele Margareth do Rosário procurou trazer novidades que não tinha no álbum anterior. “Sempre quis fazer algo assim desde o primeiro álbum mas, como ainda só tinha bases de canto, decidi não arriscar. Pensei: deixa-me crescer um pouco mais para poder tornar-
-me maior ao cantar, e com mais à vontade”.

Morna e semba


Os gostos musicais da artista e os estilos que tem ouvido nos últimos anos, influenciaram-
-na na sua evolução como cantora. “Gosto muito de morna e semba cadenciado. Das vozes de Lura, Sara Tavares, Mayra Andrade, Lourdes Van-Dúnem e Belita Palma. Sons cabo-verdianos e angolanos”.

Para composição do álbum “fui buscar algumas destas influências e mudei de estilo. A música está a engrandecer com as misturas. As pessoas já procuram novos sons, misturam semba com kilampanga, com R&B e é por aí que quero ir”, revela.

Perante a inevitável questão sobre um próximo disco, Margareth do Rosário sabe o que quer. “Não tenho sede de gravar um novo álbum. Dia 11 de Outubro o disco Em Nova Dimensão completou um ano e está tudo a combinar agora com os shows na Casa 70. Não quero gravar um disco tão cedo, quero gravar lá para 2010 com lançamento em 2011”.

Mas a artista tem já desenhado na sua cabeça 
o esboço daquilo que gostaria de apresentar ao público. “Quero fazer um disco só 
de semba cadenciado e três 
ou quatro mornas. Aquele semba mesmo de rasteira. 
A bateria, coro com vozes que parecem desafinadas mas tudo dentro do alinhamento, com instrumentos antigos”, adianta.

Importante mesmo é que o trabalho seja bem feito. “Levei dois anos a gravar o meu terceiro álbum. Enquanto antigamente gravava em seis meses, agora levo muito mais tempo. Uma obra discográfica bem feita com qualidade requere outros cuidados, também devido às línguas nacionais que utilizo como o kimbundo, umbundo, kikongo”.

Mãe orgulhosa


Entre o segundo e o terceiro álbum, Margareth do Rosário, foi mãe. O pequeno Marco António mostrou-lhe a necessidade de priorizar a família. Hoje em dia, o filho recorda-lhe também como ela própria se apaixonou pelo meio musical. “Comecei com três anos. Hoje, quem me faz recordar isto é o meu filho. Eu entrava para o quarto e dizia: ‘Mãe, ninguém entra porque eu estou a cantar’.

Vivia na imaginação que estava a cantar para o público. Utilizava frascos de perfume a fazer de microfone e hoje em dia, o meu filho faz o mesmo”. A artista foi crescendo e a partir dos 15 anos começou a participar em vários concursos da Rádio Luanda de karaoke. Dina Medina, Marisa do Rosário, Roberta Miranda, Whitney Houston, Patricia Faria, Eunice José “Afrikanita”, Isadora Campos são alguns dos nomes que procurava reproduzir do seu jeito. “Consigo imitar muito bem e continuo a imitar em festas de família”, conta entre sorrisos.

Revista musical

Apesar do sucesso, Margareth do Rosário não se deixou deslumbrar. Quis ter aulas de canto e estudou com o Mestre Mateus durante cinco anos. Mais tarde teve um pequeno percalço “tive problemas nas cordas vocais na gravação do terceiro álbum e tive de fazer tratamentos para poder vencer”, conta. Margareth do Rosário é também apresentadora de televisão e, hoje em dia, faz o programa Revista Musical na TPA.

O programa procura “divulgar o melhor da música angolana, faz o lançamento de novos valores da nossa música e reporta a entrada das novas produções musicais ao mercado”. A artista conta com a colaboração de Moises Luís, com quem prepara os programas. “Estou a trabalhar há dois anos na TPA, como apresentadora estou há seis meses e como fixa há um mês”.

A experiência como cantora dá-lhe “à vontade com as câmaras”. Antes da entrada na televisão estudou Jornalismo no Cefojor e fez uma formação de seis meses no Rio de Janeiro no Brasil, onde aproveitou para fazer também um curso básico de pintura e estética.

A juntar à carreira de cantora e apresentadora de televisão, Margareth do Rosário lançou--se como empresária e abriu uma boutique de lingerie, a “Geths Lingerie”, em Luanda.Uma verdadeira mulher dos sete ofícios.

A artista assume-se sem problemas como uma mulher vaidosa. “Actualmente gosto de vestidos largos, coloridos, bem à vontade, o meu estilo é mais para missangas, roupa africana. Mas também gosto de variar de estilo. Anteriormente era muito de brilhos. Nos espectáculos agora canto descalça, é a coisa mais natural”, refere. Para os espectáculos na Casa 70 contou com a colaboração de Elisabete Santos para concepção dos vestidos e restante figurino.

Encantar o povo

Mãe, cantora, apresentadora de televisão, empresária, Margareth do Rosário diz ter tempo para tudo. “Tento concentrar-me bastante tanto na música, como na televisão e no meu lado empresarial, sem esquecer claro os meus afazeres para a casa”. Casa essa recheada com muitos prémios emoldurados na parede: Melhor Voz, Melhor Trabalho Discográfico, entre outros.

O que diz a artista de todo esse reconhecimento? “Receber prémios é uma maravilha, algo que dá força e incentivo para continuar a cantar e a encantar o povo angolano, que eu amo”, remata.

Shows em boa companhia

O convite da Casa 70 foi uma forma perfeita para Margareth do Rosário festejar o primeiro ano de vida do seu último álbum Em Nova Dimensão. A artista convidou três outros grandes músicos do panorama musical angolano para com ela dividirem o palco: Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, assinala Margareth do Rosário.

Trabalhos discográficos

Depois de sair do grupo Melo Manias que integrava com Yola Araújo e Djamila D’Alves, Margareth do Rosário lançou-se numa carreira a solo. O primeiro disco foi lançado em 2001 com o nome Love One. Em 2003 surge o segundo trabalho discográfico intitulado Amor Profundo. Depois de uma pausa de cinco anos apareceu novamente no mercado com o trabalho discográfico Em Nova Dimensão. Este disco é fruto de um repensar 
do estilo musical e dos sons e ritmos que pretende adoptar no futuro.

Nova Dimensão ao palco

Em Nova Dimensão é um disco onde Margareth do Rosário procurou “abordar factos reais do dia-a-dia dos angolanos. É um disco com mensagens muito profundas e no qual procuro realçar as malambas do quotidiano nacional. 
É uma forma de mostrar que estamos todos no mesmo barco e prontos a dar o nosso contributo na luta pelo desenvolvimento do país”, diz Margareth do Rosário. No disco desfilam os sons e ritmos do semba, zouk, kizomba, coladera e morna.

Estilos incluídos nos temas deste disco da cantora, que saíu a público sob a chancela da editora “Nossa Música”. Com 13 temas cantados em kikongo, umbundo, kimbundo, português e crioulo, o disco levou dois anos a ser preparado e trabalhado. Em termos de voz, Margareth do Rosário contou com Waldemar Bastos e Rita Lobo, com quem fez duetos, Carla Moreno, Yura e Cachucha nos coros.

Neste disco, a artista que fez uma nova versão da música “Monami” da autoria de Lourdes Van-Dúnem e outras de Belita Palma e Rosita Palma, incorporou temas cujas letras foram escritas por Matias Damásio, Lulas da Paixão, Wiza, Jorge Cervantes, Chico Viegas, entre outros. Do disco, cem por cento acústico, fazem parte temas como “Monami”, “Eyavalo”, num dueto com músico Waldemar Bastos, 
“A Volta”, com participação de Rita Lobo, “Kalumba”, “Ilha”, “Volta Amor” e “Manazinha”.


Perfil

* Nome: Margareth do Rosário Afonso Joaquim da Silva
* Data de Nascimento: 
14 de Maio de 1980
* Filhos: Marco de 2 anos e 9 meses “uma criança maravilhosa que deixa a casa altamente feliz”
* Pratos preferidos: Funge de carne seca, calulu, cabidela
* Bebida: Água, sumos e um bom champanhe
* Música: Whitney Houston, Alcione, Paulo Flores, 
Yola Semedo
* Filme: Titanic
* Actriz: Thaís de Araújo
* Perfume: Miss Dior
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Old November 2nd, 2009, 07:31 PM   #26
Matthias Offodile
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I truly like this great eco-friendly project of this Angolan, very good work!!! Superb!...more people like him!



Capa - Pedro Vaz Pinto
O salvador 
da Palanca
Coordenador do Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante desde 2003


Quote:


No final dos anos 80, os cientistas estavam muito preocupados com a palanca negra gigante, uma espécie protegida desde 1933 e um dos antílopes mais belos do mundo, cujos últimos exemplares viviam na província de Malanje.

“Temia-se que a espécie tivesse desaparecido”, recorda Pedro Vaz Pinto, o biólogo angolano que fez do salvamento deste animal a sua missão de vida.

Recorde-se que há duas grandes espécies de palancas. A “vermelha” (roan, em inglês). E a “preta” (sable) que tem quatro subespécies. A mais vulgar é a palanca “comum”, que pode ser avistada na África do Sul e Moçambique. Existe também as espécies “kirk” (Zâmbia), a “shimba” (Quénia) e a “gigante” (Angola).

Esta última só pode ser vista em dois locais — o Parque de Cangandala e a Reserva Natural do Luando — ambos na província de Malanje.

“A designação em português não é muito feliz. Embora o macho da palanca negra gigante tenha cor preta, a fêmea possui um tom castanho avermelhado”, diz Pedro Vaz Pinto. A palanca negra gigante é, sobretudo, reconhecida pelo tamanho dos seus chifres (o recorde do mundo é de 64 polegadas).
em risco de extinção

Os receios da comunidade científica internacional quanto à possível extinção da espécie eram legítimos. Desde 1982 — altura em que tinham sido fotografadas pela última vez —que não existiam provas concretas sobre a existência das palancas negras gigantes.

Recorde-se que, nos anos 70, a sua população chegou a ser de 2500 animais. Com a guerra civil as palancas negras gigantes ficaram entregues à sua sorte, esquecidas no planalto angolano. Os estudos indicam que, nesse período, houve uma redução de 90% no número de exemplares.

Mas o pior sucedeu depois. “Ironicamente, a situação agravou-se depois da guerra, devido ao negócio da caça furtiva”, explica Pedro Vaz Pinto. Recorda que, nessa altura, o “soba” do Parque de Cangandala, fez a seguinte profecia: “A guerra acabou para os homens, mas começou agora para os animais”. Os factos deram-lhe razão. Hoje, a cotação de um exemplar vivo de uma palanca negra gigante está avaliada em 1,5 milhões de dólares. Logo, a ganância dos caçadores e a ausência de fiscalização foram responsáveis pelo massacre das palancas negras gigantes.



SINAIS DE ESPERANÇA

As expedições realizadas pela equipa de Pedro Vaz Pinto ao Parque da Cangandala, em 2002 e 2003, deram alguns sinais de esperança. “Descobrimos rastos e vimos alguns animais por instantes, mas falhámos na obtenção de prova”, recorda.

Em Agosto de 2003, nasceu o Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante, ligado à Universidade Católica de Luanda,que teve como objectivo dar um novo impulso às investigações.

Em Setembro de 2004, o projecto liderado por Pedro Vaz Pinto fez a primeira expedição com recurso aos meios aéreos. Obtiveram-se, mais uma vez, inúmeros indícios, tais como amostras de fezes que se confirmaram ser de palanca negra gigante.

Em Outubro desse ano, foi criado o Programa “Pastores das Palancas” que procurou envolver as comunidades locais na procura dos animais. O programa consistiu na formação de 20 pessoas, a quem foram atribuídos uniformes, calçado e um subsídio mensal. Em paralelo, colocaram-se câmaras automáticas, com sistema de infravermelhos, em locais estratégicos do Parque de Cangandala (menos extenso do que a Reserva do Luando).

A MANADA SOBREVIVENTE


Em Março de 2005 chegou finalmente a confirmação de que a palanca negra gigante tinha sobrevivido. As câmaras fotográficas automáticas conseguiram identificar oito animais junto a uma salina natural. Mais tarde constatou-se que esta era, afinal, a única manada sobrevivente.

Tal proeza foi reconhecida internacionalmente. Em 2005 o programa recebeu o Prémio Whitley. um dos mais prestigiados na área da protecção ambiental. O projecto angolano era um dos dez finalistas do prémio, uma iniciativa do Whitley Fund for Nature (WFN), tendo sido seleccionado entre mais de 160 candidaturas de todo o mundo. O galardão, no valor de 66 mil dólares, foi entregue numa cerimónia realizada na Real Sociedade de Geografia de Londres. “Esse dinheiro permitiu-nos sonhar com objectivos mais ambiciosos”, recorda Pedro Vaz Pinto.

Nesse ano celebrou-se o acordo entre a Universidade Católica e o Governo, tendo em vista a reabilitação das infra-estruturas do Parque de Cangandala e a nomeação de um administrador.
APARECIMENTO DE HíBRIDOS

Ao longo de 2007 e 2008, o projecto procurou alargar o seu âmbito de acção à Reserva do Luando. Entretanto, em Cangandala, as fotografias revelaram um fenómeno dramático: estavam a nascer palancas híbridas, resultantes do cruzamento entre duas espécies diferentes (a palanca negra gigante fêmea e a palanca vermelha macho). “Os híbridos são uma aberração. São espécies que viveram milhares de anos juntas e nunca se cruzaram”, justifica..

De qualquer modo, Pedro Vaz Pinto não as considera uma ameaça para o futuro da espécie. “Ao que tudo indica os animais são estéreis, embora isso ainda não esteja provado cientificamente”. Era necessário, no entanto, tomar medidas pois a última fotografia de uma palanca negra gigante macho remontava a 2005. Logo, a continuidade da espécie poderia estar em perigo.

Foi nessa altura que Pedro Vaz Pinto decidiu dar início a uma grande operação de emergência, orçada em cem mi dólares, que contou com o apoio financeiro dos parceiros do bloco 15 (Sonangol, Esso, BP, ENI e Statoil).

A CAPTURA DE UM MACHO


O primeiro passo da operação foi a criação de um santuário, vedado por rede, (apelidado de “boma”) no coração do Parque da Cangandala. Neste espaço, os animais ficariam protegidos (de quarentena), durante um período temporário de modo a serem vigiados pelos médicos.

O custo da vedação foi suportado pelo Ministério do Ambiente. “O Governo não é um mero sponsor, mas sim um parceiro do projecto. Estão a seu cargo as responsabilidades da administração do Parque e, sobretudo, a segurança. No total estamos a falar de 25 homens em Cangandala e de 20 em Luando”, esclarece.

O objectivo da operação era colocar dentro da “boma” um macho e várias fêmeas aos quais seriam concedidas as condições ideais para a reprodução. Se houvesse mais machos decerto iriam lutar até à morte. “As palancas negras funcionam em regime de harém”, diz Pedro Vaz Pinto em tom de brincadeira.

A operação começou no dia 24 de Julho e decorreu durante três semanas no Parque da Cangandala e na Reserva do Luando. Participaram um helicóptero, cientistas internacionais convidados e veterinários especializados em captura de animais vindos do Botswana e da África do Sul.

O resultado desta operação foi um total de 21 animais capturados, dos quais onze possuem coleiras de transmissão VHS e dois podem ser localizados em tempo real por GPS. No referido santuário foram colocadas novas fêmeas de Palanca Negra Gigante (todas as que existiam na Cangandala), e um macho capturado no Luando e transportado para o santuário com a ajuda da Força Aérea.

OS INIMIGOS DAS PALANCAS


Não obstante os animais terem sido anestesiados, atados pela patas e içados de pernas para o ar durante a viagem de helicóptero, Pedro Vaz Pinto garante que não sofreram qualquer lesão. “Por estranho que pareça os cientistas asseguram-me que o animal deve ser puxado daquela maneira dado que tem pernas e músculos fortes”.

Ao chegar a terra, o antídoto foi ministrado e o animal recuperou de imediato como se nada se tivesse passado. Pouco tempo depois já as fêmeas rodeavam o macho. “Foi o dia de sorte dele”, diz divertido. “E incrível como tudo correu tão bem”.

Hoje, a grande ameaça das palancas continua a ser os caçadores furtivos. “Encontrámos 180 armadilhas e dezenas de esqueletos de palancas mortas durante a expedição. Não se pense que se trata de actos isolados. A caça furtiva é um negócio bem organizado”, adverte acrescentando “a palanca negra gigante, como se trata de uma espécie rara, tem um elevado valor de mercado. Na África do Sul há pessoas que planeiam caçar palancas negras para as cruzar com outras raças. Soubemos até que nos Emiratos Árabes já houve alguém que tentou vender a Palanca Negra que nós capturámos aqui. Havendo quem pague há sempre caçadores pouco escrupulosos capazes de fazer o serviço”, diz Pedro Vaz Pinto com amargura.

Apesar dos progressos ainda faltam recursos na administração do parque, sobretudo, na fiscalização. Por isso a acção do Governo e o apoio dos financiadores são cruciais. “Actualmente a Esso, a ExxonMobil Foundation, a US Fish & Wildlife Service e a Statoil”, são os nossos principais mecenas.


DESAFIOS PARA 2010

O período de cobrição das palancas negras gigantes ocorreu em Setembro e Outubro. Logo, se tudo correr bem, em Maio ou Junho, poderão nascer as primeiras crias. “Cada fêmea só tem uma cria. Se tivermos um taxa de 90% de sucesso isso significa que teremos sete crias. Seria algo fantástico”, diz.

O principal desafio será o alargamento do parque para 3 mil hectares, uma operação a realizar durante o próximo Cacimbo. Nessa altura já deverá existir uma nova geração de palancas puras. Será suficiente? “Os especialistas não são unânimes quanto ao número mínimo de animais que garantem a continuação de uma espécie. Fala-se em 14 a 20”, diz. Uma coisa é certa. Daqui a um ou dois anos será necessário fazer uma nova operação de salvamento. “Vamos ter de substituir este macho para evitar rivalidades com as crias”, justifica. Pedro Vaz Pinto lá estará, como sempre, na linha da frente.
O centro de estudos da católica

O Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante pertence ao Centro de Estudos e Investigação da Universidade Católica de Angola. Colabora com o Ministério do Ambiente e o Governo Provincial de Malanje. São parceiros internacionais a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a Conservation International (CI).

A ausência de macho levou as palancas negras a acasalar com as vermelhas. São espécies diferentes, que viveram milhões de anos juntas, sem se cruzar.

MELHOR AMIGO DAS PALANCAS NEGRAS


Pedro Vaz Pinto, tem 41 anos e nasceu em Luanda. Foi para Portugal ainda pequeno de forma a concluir os estudos. Licenciou-se em Engenharia Florestal pelo ISA - Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Desde pequeno que gostava muito de animais. “Era daqueles miúdos que andava com os bolsos cheios de escaravelhos e outros insectos”, recorda.

No ano 2000 resolveu regressar à sua terra natal. “Portugal oferecia poucas saídas profissionais na área da biologia, ao passo que em Angola estava tudo por fazer”. O convite para regressar veio da Fundação Kissama. Pedro Vaz Pinto começou como biólogo, tendo evoluído como director-adjunto e depois como director. “Foi uma excelente experiência. Ainda hoje estou ligado à Fundação e trabalho em alguns projectos em part-time”, esclarece.

Mas o que realmente o motiva é a palanca. “Ao chegar a Angola pareceu-me a escolha óbvia. A palanca negra gigante é um símbolo nacional que corria o risco de extinção. Fiquei muito surpreendido por não haver mais pessoas a estudá-la”, diz. Em 2003 funda o Projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante, do Centro de Estudos e Investigação Científica, da Universidade Católica de Angola. O prestigiado prémio Withley de 2006 deu-lhe os meios suficientes para ir mais além nos seus esforços. Mas foram os mecenas do bloco 15 que lhe permitiram dar sequência à operação de salvamento que concluída no passado mês de Agosto.

Para tal houve duas contribuições importantes. A primeira foi a frequência, em 2007, de um curso de capturas de animais de grande porte no Zimbabwe. Foi lá que Pedro Vaz Pinto conheceu os dois especialistas que o ajudaram nas tarefas técnicas. E em 2009 passou a contar com o apoio de Sendi Baptista, licenciada em Biologia com mestrado em Biologia da Conservação, como assistente do projecto.

Hoje considera que o mais urgente já foi feito só que as responsabilidades também cresceram. Confessa não adorar as tarefas rotineiras e administrativas. Onde se sente bem é no mato, ao qual procura ir, no mínimo, uma a duas vezes por mês. Caso para dizer: quem corre por gosto, não cansa.

UM SÍMBOLO NACIONAL

A Palanca Negra Gigante faz parte do imaginário colectivo de todos os angolanos. A selecção nacional de futebol intitula-se “Palancas Negras” e o animal foi usado como inspiração para o logotipo do CAN 2010 e da companhia de aviação TAAG. Foi desenhado um selo de correio, da autoria de Horácio da Mesquita, em sua homenagem.

SABER MAIS 
10 questões essenciais


* 1 O que é a Palanca Negra Gigante?
A palanca negra gigante (Hippotragus Niger Variani) é uma subespécie endémica de Angola que só existe na província de Malanje.


* 2 Existem outras espécies de palancas? A vermelha (roan), que tem apenas uma raça, ou sub-espécie. E a preta (sable) tem quatro raças: a palanca comum, a kirk, a shimba e a gigante (Angola).


* 3 Como pode ser reconhecida? A Palanca Negra Gigante mede de 1,90 a 2,50 metros e pesa entre 200 e 270 quilos. É reconhecida pelo tamanho dos seus belos chifres (o recorde do mundo é de 1,62 metros) que são a sua melhor arma de defesa e de ataque, longos e paralelos, curvados para trás. Há outros sinais visíveis tais como não ter uma faixa branca no focinho.


* 4 Quem a descobriu?
Frank Varian, em 1909, um engenheiro belga que trabalhava nos caminhos-de-ferro de Benguela. Graças aos seus cornos distintivos, é considerado como o mais belo e nobre de todos os antílopes.


* 5 Onde pode ser encontrada? 
É dos grandes mamíferos mais raros do mundo, com uma distribuição geográfica muito restrita. Em Angola só pode ser vista em dois locais: o parque de Cangandala e a Reserva do Luando, ambos na província de Malanje. Nunca foi confirmada a sua presença fora destes locais. E nunca foram exportados quaisquer exemplares vivos de palancas negras gigantes para outras reservas, centros de reprodução ou jardins zoológicos.


* 6 Desde quando foi considerada uma espécie protegida? 
A palanca negra gigante está incluída, desde 1933, na lista de espécies sob protecção absoluta (Classe A) 
pela Convenção para a Protecção da Fauna e Flora Africana. Está também listada pela CITES (Convenção Internacional para o Intercâmbio de Espécies Selvagens de Fauna e Flora) e na Lista Vermelha da IUCN como uma espécie “criticamente ameaçada”.


* 7 O que se está a fazer em Angola para a proteger? Foi criado o Santuário da Palanca Real em 1938, depois elevado à categoria de Reserva Natural Integral do Luando em 1955. Dois anos depois, para protecção adicional contra a caça furtiva, foi estabelecida uma multa de cem mil dólares pelo abate de cada animal. Após a descoberta de manadas de palancas na área da Cangandala criou-se, em 1963, a Reserva Natural da Cangandala que, em 1970, foi declarada como um Parque Nacional.


* 8 Quais são os principais hábitos da espécie?
A palanca negra gigante vive em terrenos arborizados, em “haréns” de 10 a 30 animais, com um macho dominante ou em grupos celibatários de machos, sempre junto a cursos de água permanentes. O seu período activo ocorre durante o início da manhã e ao cair da tarde. Alimenta-se de ervas e folhas.


* 9 Quem são os seus inimigos? Os seus principais predadores são a hiena, o leão e o leopardo. Mas o pior de todos é, sem dúvida, o homem. Por ter sido caçada até à exaustão chegou a julgar-se que a espécie já estava extinta.


* 10 Quando é que pode ter crias? A palanca negra gigante atinge a maturidade sexual entre os 2 e 3 anos de idade. O período de gestação é de 9 meses. Na estação húmida a fêmea gera uma cria que desmama aos 8 meses. A mãe mantém-a escondida durante os primeiros dez dias de vida.
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Old November 6th, 2009, 04:27 PM   #27
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Nvunda Tonet// Psicólogo clínico
O ‘pequeno’ investigador da saúde mental





Quote:




Na casa dos 20 anos e longe dos 30, é um dos mais jovens psicólogos clínicos do país, dando o seu contributo no Hospital Psiquiátrico de Luanda.

É docente da Universidade Óscar Ribas
e colaborador do Portal de Psicólogos de Portugal, assim como mestrando em Novas Tecnologias aplicadas à Educação pelo Instituto Universitário de Posgrado de Madrid. A psicologia foi a opção mais certa que tomou na vida, segundo ele.


Normalmente, os jovens são apaixonados pela medicina geral, mas enveredaste para a psicologia clínica. Quais foram as razões de fundo?

Cada pessoa deve seguir as suas motivações intrínsecas. Claro que na adolescência é muito tênue a linha de definição em relação ao que pretendemos ser no futuro. Sempre gostei de perceber a maneira como as pessoas se comportam. Tive um professor de Psicologia na 10ª classe, embora não fosse o preferido, mas soube transmitir aquilo que precisava para decidir sobre a opção final a par da influência literária, nomeadamente nos romances policiais de Agatha Christie, Sherlock Holmes, Henrique Nicolau entre outros. Tenho amiúde referido que foi a opção mais certa que tomei até aqui.


O que é ser um psicólogo clínico num país como Angola, onde vivemos muitos anos de conflito? Sente que já se dá a devida importância aos profissionais deste sector?

A vitória não se dá, conquista-se.

Não se pode viver do passado, nem alimentar falsas esperanças sobre o futuro. Cada país tem a sua especificidade. Angola, como tenho escrito na coluna “Psicologia & Você”, teve um contexto particular e cada um de nós, na sua área de formação tem de contribuir para o relançamento das bases que se perderam nos variados campos do saber. Particularmente, falando dos profissionais de saúde, o caminho a percorrer ainda é longo, desde a consolidação da formação, a divisão das estruturas de base, as condições materiais e humanas, culminando com a assistência médica e medicamentosa, assistência psicológica aos pacientes e suas famílias no sentido de manter o equilíbrio emocional.


A guerra trouxe várias consequências às pessoas, sobretudo a nível psicológico. Como quadro do Hospital Psiquiátrico de Luanda, quais são as patologias que mais tem atendido?

Essa questão parece que é a que mais alimenta os repórteres e as pessoas de modo geral. No fundo, o medo que temos de ser considerado “perturbado”, “louco”, “anormal” leva-nos a tatear no escuro e muitas vezes escondemo-nos na aparência comum, para dizer que somos normais. O critério de normalidade é subjectivo e estatístico. De acordo com a estatística do Hospital Psiquiátrico de Luanda elaborada em 2008, as principais patologias são: Esquizofrenia, Perturbação psicótica induzida pelo uso de álcool, Transtorno Bipolar, Depressão e Malária Cerebral. Em relação às consultas de Psicologia, refiro-me à estatística pessoal no mês de Outubro: Hiperactividade (tipo desatento e tipo impulsivo), Perturbação de Adaptação, Perturbação de Ansiedade Generalizada, Fobia Social, Esquizofrenia, Distimia e Depressão.


Sete anos depois do fim do conflito, acha que a psicologia clínica tem sabido dar respostas às solicitações, tendo em conta que as dificuldades sociais agudizaram-se no seio de algumas famílias?

O número de quadros que o país tem não é suficiente nem desejável para responder à demanda. Temos ainda a agravante das pessoas formadas estarem confinadas aos centros urbanos, porque no interior do país, não existem as condições de habitabilidade para um técnico superior.

Outro inconveniente é a formação quantitativa que se faz nas nossas universidades, onde a qualidade dos formandos deixa muita a desejar, por vários factores, desde o baixo nível de interpretação dos estudantes, ao turbo dos docentes e o facto de muitos estudantes terem preconceito de actuar na sua área, estando apenas para receber o canudo e elevar o elogio fúnebre.


Essa tarefa de tentar controlar o comportamento humano não é mais difícil que tratar, por exemplo, doenças como a malária e outras?


A existência humana pressupõe sofrimento. Não existe doença difícil nem doença fácil. Estar doente é uma condição desagradável que o ser humano é acometido e precisa aceitar para poder melhorar o seu quadro clínico. A aceitação é o primeiro passo para o êxito do processo terapêutico.


Tem-se dito que cada um de nós tem a sua “pancada”, mas uns mais do que os outros. Concorda com isso? Porquê?


Uma vez, o conceituado cantor brasileiro Caetano Veloso disse “Ninguém é normal”. As pessoas são diferentes e apresentam caracteres de personalidade predominantes no seu modo de ser.

Os hábitos e costumes que ao longo da infância se formam mecanicamente, ao longo da adolescência e no amadurecimento das relações interpessoais, tornamo-nos autênticos na maneira como lidamos com o mundo e no jeito de gerir as emoções.


É verdade que os doentes com perturbações mentais nunca ficam curados a 100 por cento, restando sempre algumas sequelas que podem acompanhálo para a toda a vida?

No Workshop sobre saúde mental e integração social, que se realizou a 13 de Outubro na Universidade Óscar Ribas, debateu-se essa questão veemente. As perturbações mentais estão entre as mais custosas para a sociedade. Quem tem acompanhado a nossa actividade na promoção da saúde mental, sabe que toda patologia psiquiátrica e os distúrbios emocionais podem ser evitados. Quando me pergunta sobre sequelas em relação ao futuro preciso de elementos científicos para o responder e depois conduzir uma pesquisa com os pacientes psiquiátricos para confirmar ou rejeitar a sua hipótese. Em ciência fala-se com dados. Desculpe se não fui directo à questão colocada.


Sentir-se-ia magoado se alguém acorra a si tratando-o como “médico dos malucos”, tendo em conta a designação pejorativa com que muitos ainda se referem ao Hospital Psiquiátrico de Luanda?

Magoado não diria, cada vez que alguém usa este termo, faço questão de corrigir a pessoa. A minha correcção começa em casa, com a minha irmã que tem a mania de chamar “doidos” “, “o teu paciente maluco está aí fora”.

É preciso dizer que as pessoas no fundo desconhecem a funcionalidade do psiquiatra e do psicólogo. Tenho escrito que cada um de nós a determinada altura da vida, pode sentir que por si só, não é capaz de suportar as emoções, tomar uma decisão ou enfrentar um desafio e necessite de ajuda especializada, sem que para isso seja chamado de “louco”, aliás, este termo já não se usa.


Pertence a uma família com algum historial a nível da política e do jornalismo. A psicologia foi um mero acaso ou a realização de um sonho?

O histórico familiar exerce influência na tomada de decisão da pessoa. O homem por natureza é um animal político. Não podia fugir ao caso.

Embora não seja jornalista, escrevo com regularidade, sou editor cultural, tenho livros científicos escritos que aguardam por financiamento.

Mas para responder directamente a questão que me coloca, digo-lhe sinceramente que é a realização de um desafio exercer a clínica em psicologia no contexto angolano e sinto que sou útil aos meus pacientes, seus familiares, que no fundo tem sido a minha base de inspiração nestes últimos dois anos que tenho dedicado a maior parte do meu tempo à investigação sobre saúde mental.


Perfil

* Nome: Nvunda Will Sérgio Tonet
* Filiação: William Afonso Tonet e Ana Francisco Sérgio Tonet
* Data de Nascimento: 29 de Agosto
* Estado civil: Solteiro
* Filhos: Nenhum
* Cantores favoritos: Minha musicoterapia: Linkin Park, Djavan, Coldplay, Andrea Bocelli, Amy Winehouse, Anselmo Ralph, James Blunt, Lenny, John Legend, Alcione, Paulo Flores, Maroon 5 e U2.
* Prato preferido: Caldeirada
* Tempos livres: Passear, descansar, comer em restaurante, viajar, escrever, ler e auto-análise.
* Livros: “A Quarta Idade” de Dario de Melo, “Alquimista” de Paulo Coelho, “O futuro da humanidade” Augusto Cury, “Ombela” de Manuel Rui, “Momentos de aqui” Ondajki “Um anel na areia” Manuel Rui “Cartas para maridos temerários” Dyakasembe “Doença mental: Pesquisas e teorias” Christian Spadone, “História da Loucura” Michel Foucault, “Psicologia dos transtornos mentais” David Holmes, “O mal-estar na civilização” Freud, “Psicogenese das doenças mentais” Carl Gustav Jung e “Identidade e Genero entre os Handa no sul de Angola” Rosa Melo.
* Filmes: Uma mente brilhante, Mrs. Brooks, Hallowen, O quarto do Filho, O último rei da Escócia, Melhor é impossível, 16 Blocks, Paranóia, Uma vida secreta.
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Old November 27th, 2009, 10:20 PM   #28
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Aqui, a noção de última edição é um bocado relativa



Quote:

É a directora-geral da Marktest Angola. Fala-nos do último estudo apresentado pela empresa de pesquisa sobre os hábitos e comportamentos dos angolanos em relação aos media e não só. Também da monitorização que a empresa faz de tudo o que é veiculado na imprensa, televisão e “outdoors”, da questão das audiências, da evolução do mercado publicitário e da comunicação social.

Filipa Oliveira cresceu em Angola, formou-se em Coimbra e, após fazer um estágio em Portugal, regressou para trabalhar no ICEP. Há três anos o seu percurso profissional cruzou-se com a Marktest. Gosta de frisar que, como revelam os estudos que coordena, Angola tem uma população muito jovem e que essa “é a maior riqueza do país”.

A Marktest apresentou há poucos dias um estudo sobre os hábitos dos consumidores em relação aos media.Em que consiste, no fundamental esse estudo?

Apresentámos o AMPS, sigla que designa o “All Media and Products Study”, um “survey”(estudo), que começou por ser realizado na África do Sul e já é realizado em cerca de 18 países africanos, embora nem sempre com a regularidade com que nós o temos feito. Temos vindo a realizar este estudo anualmente, a mesma periodicidade com que é realizado na África do Sul, o que representa um investimento bastante considerável.

O questionário utilizado na realização do estudo é o mesmo em todos os países?

Utilizamos um questionário, que é bastante abrangente e que, embora apresente muitos indicadores em comum com os que são utilizados nos outros países que efectuam o estudo, é adaptado à realidade angolana. As questões são idênticas, com pequenas alterações, de forma a estar de acordo com a nossa realidade.A Marktest Angola integra a associação de empresas de pesquisa de mercado que actuam no continente africano, a qual realiza um encontro anual em que se discute a possibilidade de homogeneizar o mais possível a informação recolhida nos diferentes países.

Em que consiste basicamente o inquérito?

A ideia é questionar o entrevistado sobre os seus hábitos de media e de consumo de produtos e serviços. Por exemplo, no âmbito de media, quais os canais de televisão que costuma ver, quais os jornais e revistas que costuma ler, quais as estações de rádio que costuma ouvir e quais os programas de televisão preferidos. Relativamente ao consumo de produtos, os inquiridos respondem sobre os seus hábitos de consumo de produtos alimentares, sobre bebidas. Por último, nos serviços, temos questões sobre a banca e sobre as telecomunicações (móveis, fixas e Internet). À semelhança do que acontece na África do Sul, a entrevista é feita em casa dos respondentes e dura cerca de 45 minutos, tendo por base um questionário bastante abrangente.Depois de tratados os dados, a informação resultante permite conhecer melhor os hábitos e comportamentos da população residente na província de Luanda. A título de exemplo, refira-se o comportamento diferenciado dos homens e das mulheres face à leitura de revistas económicas ou de negócios ou ainda o comportamento diferenciado dos indivíduos mais jovens e dos mais velhos face à utilização da Internet.Usando uma metodologia semelhante à utilizada em países como a África do Sul e o Brasil, classificamos ainda os agregados familiares em termos de estratos económicos, através de uma pontuação atribuída a um conjunto de itens: posse de gerador, televisão, viatura de passageiros, entre outros. Esta metodologia permite-nos classificar os agregados em termos do seu poder de compra em 5 estratos. O estrato com maior poder de compra é o A e o E representa o estrato com menor poder de compra.



Desde quando a Marktest realiza este estudo?

O AMPS Luanda é realizado desde 2007. Nesse ano, realizámos 5.000 entrevistas e, em 2008, fizemos a 2ª edição do estudo, também com 5.000 entrevistas.No ano passado, fizemos pela primeira vez o AMPS Benguela, que contou com 1.500 entrevistas.As 5.000 entrevistas que efectuámos em Luanda, em 2007, foram precedidas pela realização de um estudo base com o objectivo de caracterizar a população residente na província de Luanda. Pretendíamos saber a repartição desta população em termos de sexo e de idade e a sua distribuição em termos de municípios de residência, de forma a definirmos um plano amostral que fosse representativo do Universo em estudo.Nos outros países não é preciso realizar este estudo-base atendendo ao facto de existir informação fornecida pelos censos. Ora, a circunstância de não dispormos desta informação em Angola, obrigou-nos a realizar um trabalho redobrado para obter a caracterização da população residente em Luanda. Só assim, nos foi possível definir uma amostra representativa, a partir da qual se pode efectuar a extrapolação dos resultados para o Universo.Já com a experiência dos anos anteriores (2007 e 2008), este ano optámos por efectuar 3.000 entrevistas na província de Luanda e uma sobre-amostragem de 1.870 entrevistas nos estratos económicos com maior poder de compra (ABC).

Quantos entrevistadores foram envolvidos?

Cerca de 30, ao longo de aproximadamente 3 meses. E fazemos formação. Temos jovens universitários, só que, com a carência de quadros com que nos confrontámos actualmente, estes facilmente arranjam emprego. Andamos sempre a formar gente nova. Transportamos os nossos entrevistadores para as zonas do inquérito, temos supervisores no terreno e quando os questionários chegam fazemos uma verificação manual e informática da consistência das repostas; todos aqueles que levantam algum tipo de dúvidas vão para supervisão e outros há que são anulados.

O peso dos estratos de menor rendimento não influencia os resultados?


Os resultados que apresentamos no estudo traduzem a realidade da província de Luanda em termos da sua composição. O resultado global resulta de uma média ponderada dos resultados de cada estrato, cujo ponderador é o peso do próprio estrato. Tivemos de fazer uma sobreamostragem para os estratos ABC porque no AMPS global uma grande parte da população apresenta baixo rendimento, pelo que os estratos D e E têm um peso muito significativo.

Mesmo assim é muito bom que cerca de 50% dos entrevistados leia jornais…

Não estamos a dizer que os compram, estamos a dizer é que costumam ler ou folhear jornais.

Ver jornais…

É um pouco isso. O facto de não se usar tanto a Internet e outros meios permite que as pessoas se agarrem a tudo o que apanham.



Qual o valor da Internet?

Representa 15% em termos de acesso no âmbito global. E convém sublinhar que quando dizemos acesso à Internet queremos significar que basta a pessoa consultar a Internet para considerarmos que acede. Temos uma população muito jovem e os jovens têm tendência a consultar a Internet, por exemplo, nos cybercafés. Isto em Luanda.
Se formos para o interior as coisas tornam-se muito diferentes.

Mas 15% comparado com os jornais é um valor baixo…

É normal. A Internet é muito mais cara e um jornal pode passar de mão. O nosso grande problema em utilizar os indicadores de media de que dispomos é que aqui a noção de última edição é um bocado relativa.
Temos até revistas e publicações que nem a data têm. Temos várias! Fazemos uma procura activa e por vezes temos aqui colaboradores que passam manhãs inteiras a tentarem contactá-las.


As pessoas não dão então muita importância à actualidade?

Se formos falar para um público mais selectivo, para o A, B, C se calhar já não é a mesma coisa. Foi por isso que fomos obrigados a fazer os estratos A, B, C, que são os mais exigentes, a todos os níveis. Penso que o grau de exigência irá aumentando...pois a tendência é haver uma diminuição de pessoas de baixo rendimento e a classe média aumentar.


Esse é um dado interessante: a relação com a actualidade aumenta com o estrato. Interpelam directamente as pessoas sobre os jornais que preferem?

Perguntamos-lhes primeiro quais os jornais que lêem e, de seguida, sugerimos mesmo: e lê este e lê aquele?


Face a estes dados considera que vale a pena fazer publicidade em Angola?


Quando perguntamos às pessoas de que publicidade é que se recordam a resposta incide invariável e maioritariamente sobre a publicidade na televisão. Mas a imprensa que, em países mais desenvolvidos, sofre uma concorrência muito grande da publicidade na Internet, aqui é um meio a ter em conta.


Que tipo de clientes adquirem o serviço da Marktest?

Além do AMPS temos outras áreas de actividade. Semprerelacionadas com “fornecer informação”.
Temos, por exemplo, a análise da publicidade veiculada na imprensa angolana e na TV. Os anúncios veiculados e as marcas que anunciam. E os jornais/ TV compram esta informação, para se compararem entre si, os anunciantes para ver se os anúncios que contrataram estão a sair e para saber o que a concorrência está a comunicar. Estes relatórios permitem fazer uma avaliação em termos de posicionamento: se estão a investir mais ou se estão a investir menos que a concorrência. Há ainda as agências de publicidade, que procuram saber quem são os principais anunciantes, as boas contas que poderiam ter.


Os jornais compram os “alertas” que a Marktest divulga sobre o surgimento de novas campanhas?


Não. O desenvolvimento do mercado dos media é recente. Quando começámos, há quase três anos, já se fazia alguma pesquisa, mas era ainda tudo muito incipiente. Nos últimos dois anos verificou-se um pouco um boom, com o surgimento de novos “players”. Quando a Marktest iniciou a actividade não existiam o Novo Jornal ou O PAÍS. Isto tem vindo, de alguma forma, a obrigar as agências, bem como os próprios meios, a obter informação adicional. Noutros países não se tomam decisões sem se dispor de informação adicional, sem se recorrer a empresas de pesquisa. Aqui não é bem assim. Os meios são poucos, os concorrentes ainda são poucos, ainda funciona muito a intuição.

Esta nova vaga de meios fez crescer o investimento publicitário?


Um pouco. Não só o facto por terem aparecido mais jornais mas também por as empresas estarem a fazer outra aposta no país. Novos negócios, mais anúncios. Vamos ver se a recessão dos últimos meses não se traduzirá agora num pequeno decréscimo.

Há novos sectores a pesarem no conjunto do investimento publicitário?

Tenho notado que aparecem mais anúncios, por exemplo, no ramo automóvel e no imobiliário.

E os grandes investidores tradicionais estão a investir mais?


Sim, um pouco mais, mas não sei até que ponto isso se deve ao facto de os meios serem mais caros.

A televisão absorve boa parte do investimento publicitário…

Neste momento não estou em condições de comentar esta afirmação. Isto porque, enquanto na Imprensa (jornais e revistas), nós fazemos a monitorização de todas as publicações, no caso da televisão temos dados, apenas, para os canais TPA 1, Globo e Record, o que não representa o total do investimento publicitário em televisão.Começámos a monitorizar a TPA2 o mês passado e passaremos a monitorizar a TV Zimbo no mês que vem. Vamos ter resultados ainda esta ano, para estes dois canais. Não é justo estar a dizer que a TPA1 capta mais investimentos quando sabemos que a TPA2 e a TV Zimbo são importantes no mercado. Até ao fim do ano, vamos disponibilizar dados da publicidade na ZIMBO e na TPA2.

O vosso Media Center não está a monitorizá-las?

É pequeno e ainda não temos a possibilidade de monitorizar todos os canais. O acompanhamento das rádios e de mais canais implica um investimento adicional. Onde temos maior carência é na parte técnica, confrontamo-nos com os habituais problemas de falta de sistema,quebra de sinal… E quanto a audiências? Com efeito, uma coisa é a monitorização, outra a audiência. É importante saber onde os anúncios saem mas também é importante saber se o canal tem audiências ou não. Neste momento, a única forma de medição dessas audiências em Angola é através do nosso estudo AMPS (inquérito á população).

Está no vosso horizonte introduzir os audímetros?


Está. Há um estudo nosso que aponta nesse sentido. Mas repare, mesmo países como a África do Sul não têm audímetros. Em países onde se colocam ainda certas dificuldades no plano tecnológico, em que as ligações não são fáceis, os audímetros nem sempre representam a melhor solução. Por isso, sabemos que temos de conferir maior regularidade ao estudo de audiências que fazemos anualmente. Contamos com um determinado número de clientes e, à medida que os clientes forem aumentando, vamos intensificar a periodicidade. Ora, se o número de clientes ainda não é muito elevado é porque o mercado ainda não está a pedir essa regularidade. Embora vá aumentado.


Vão pois realizar o estudo AMPS com mais regularidade…

A minha ideia é de que, dentro de 6 meses, voltemos a repeti-lo, pelo menos no que toca à parte dos media. Por exemplo, o jornal O PAÍS é uma publicação recente, daqui a 6 meses já pode ter outro posicionamento. Será interessante verificar este tipo de situações.


Qual a influência do estudo na decisão de investimento publicitário pelos anunciantes?

Os anunciantes também vêem no estudo uma fonte de informação adicional que lhes pode interessar.
Temos informação sobre audiências, canais mais vistos, rádio mais escutada...isto é importante para os anunciantes fazerem decisões acertadas sobre os seus investimentos publicitários.


A Marktest é o maior grupo português em “marketing research”. O “know-how” acumulado tem sido importante no desenvolvimento da vossa actividade em Angola?

Tentamos ter os mesmos tipos de produtos que a Marktest tem em Portugal, adaptando-os à nossa dimensão, vamos crescendo à medida que o mercado vai pedindo. Contamos com uma equipa técnica que veio de Portugal. Mas também reunimos quadros nacionais. Neste momento já temos mais de 20 pessoas connosco. E temos sempre, como referi, a preocupação de nos ligarmos a outras empresas em África, procurando beber um pouco do respectivo “know-how”. Temos as nossas particularidades, por exemplo eles não precisam de perguntar às pessoas se têm gerador.


Temos gerador mas também um mercado publicitário a crescer…

O mercado publicitário engloba produtos de grande consumo e Angola tem uma população muito jovem. É a riqueza do país. Angola é um país abençoado, tem as riquezas naturais e as próprias pessoas, que são jovens. Que vão procurar melhorar a sua condição de vida, com aquilo que é próprio da juventude: muito gasto imediato e pouco espírito de poupança. As perspectivas são boas. Debatemo-nos com algumas dificuldades mas aposto em Angola. Há trânsito a mais em Luanda mas também é verdade que, nas outras províncias, não existe um mercado borbulhante como em Luanda.
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Old December 15th, 2009, 07:37 PM   #29
Matthias Offodile
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Hélder Cafala // Docente Universitário
Defesa Nacional começa em cada um de nós



Quote:



Pertenceu ao primeiro curso de ciências políticas ministrado em Angola, agora dá aulas numa Universidade e está ligado ao Instituto de Defesa Nacional, um órgão do ministério da Defesa. Diz que cada um de nós é o Estado e que os nossos políticos evidenciam não ter assessoria de politólogos.


É professor de ciências políticas, sente que esta área forma políticos ou apenas gestores capazes de entender a vida de um país?


O curso de ciência Política não forma políticos, pois a política é uma vocação, para exerce-la não é necessário passar numa carteira, mas a formação em ciência política dá capacidade ao homem de ver os factos políticos de uma forma muito mais técnica e uma capacidade maior de gestão da vida política do Estado.


Acha que um político formado na sua área é mais capaz que um outro com formação noutra área qualquer?

Eu pessoalmente acredito que sim, porque estamos a falar de um curso que o seu programa académico engloba diversas disciplinas das mais diversas áreas (Relações Internacionais 8-9 cadeiras, Direito 9-10 cadeiras, Disciplinas duras 8 cadeiras) e nós que fomos formados pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN no 1º e 2º ano fizemos Gestão e Administração Pública e Ciência Política, só a partir do 3º é que tivemos apenas matérias ligadas a ciência política, logo aumenta a nossa capacidade de acção política.


O que o levou a optar por esta área, sabendo-se que as saídas se ficam pelo ensino ou pelo funcionalismo num partido político?


Quando eu entrei no curso de ciência política a minha mãe quase morria, conhecendo a nossa triste historia política, mas hoje orgulhase dos dois filhos que tem formados nesta área. Esta é uma ideia vaga que muitos têm sobre este curso, depois de lá estarmos sente-se que após formação não faltarão áreas para trabalhar, pois onde existe actividade humana está a politologia.


Faz parte do primeiro grupo de angolanos formados em ciências políticas em território nacional, quantos do seu grupo estão a seguir carreira política?


O homem é um animal político já dizia o filosofo, mas na categoria política tem os passivos e tem os activos. Activamente são poucos, mas digo sem medo de errar que 85% dos estudantes de ciência política do 1º grupo estão bem enquadrados e são reconhecidos como indivíduos competentes dentro dos organismos do Estado.


Quando se apresenta aos alunos e lhes fala da sua cadeira, o que lhes diz em primeiro lugar?

Que vamos falar de uma cadeira muito polémica e que por isso devemos esquecer na parte de fora da sala as nossas crenças, cores partidárias, raça, idade, religião, etc. E que na sala só falaremos de ciência, mais nada.


Acha que uma pessoa formada em ciências políticas no seu ambiente (em Angola, no caso) está melhor preparada para lidar com questões políticas que alguém formado no exterior?

Sem sombra de dúvidas, pois em Angola é muito difícil perspectivamos a política. O que é normal nos outros países aqui é diferente, e nota-se quando estamos diante de indivíduos formados em ciência política no exterior.


Quando olha para os nossos políticos, acha que em alguns deles sobressaem erros de quem não tem esta formação?

Todos os dias noto isso, mas não é uma questão de ter ou não essa formação. 1º é por não procurarem dominar estes termos, tornam-se relaxados, 2º Não têm assessores políticos formados em Ciência Política (a maioria nem tem um assessor).

Pena que o Estado pouco faz para o reconhecimento deste Curso, pois em 7 anos de existência ainda não se vê nos concursos públicos a solicitação de indivíduos formados em ciência política, dando espaço para os Juristas e indivíduos formados em Relações internacionais ocuparem o espaço dos Politólogos.


Sei que está ligado ao Instituto de Defesa Nacional (IDN), um órgão do ministério da Defesa. Justifica-se a existência de tal Instituto?

Justifica-se pois é o órgão do ministério da Defesa com actividade centrada no estudo, investigação e divulgação das matérias ligadas à Defesa Nacional, hoje, pelas actividades que realiza demonstra a sua verdadeira importância não só para o ministério mas para a vida do país no Geral.


Quando se ouve falar no IDN, ouvese falar dos cursos que ministram, a vossa actividade fica-se pelos cursos?


As actividades do IDN vão mais além, mas a prioridade é retirar da sociedade angolana o tabu que existe em relacionarem sempre a Defesa Nacional aos órgãos militarizados ou para-militarizados, munindo assim todos os cidadãos de conhecimentos básicos sobre a Defesa Nacional que começa em cada um de nós.


Falar de defesa nacional com civis não cheira a comunismo?

Aquela ideia de que todos temos de estar preparados para a luta … Muito pelo contrario, os cursos em si são uma demonstração do exercício da democracia pois aborda-se não só questões ligadas à Defesa Nacional mas questões que envolvem a vida do país no geral e mais, procura-se passar aos jovens a ideia de que em democracia existem mecanismos próprios para o exercício da cidadania e nada melhor do que numa sala de debates abertos.


É formado em Ciência Política e dá aulas numa Universidade, sente que o conceito de defesa nacional está presente no nosso ensino universitário?

É lamentável dizer isto mas tenho que ser sincero em dizer que não, os estudantes universitários sentem ainda a falta de muitos conceitos básicos ligados ao Estado e isso é preocupante.


Defesa nacional passa também pela promoção da ideia da angolanidade e do orgulho de ser angolano?


A Defesa Nacional vai mais além do que angolanidade, pois, angolanidade parece-me estar ligado com as raízes e orgulho angolano uma questão de identidade, mas a Defesa Nacional inclui a defesa do Estado e das suas Instituições promovendo assim a harmonia e a estabilidade do Estado, partindo do pressuposto de que cada angolano é o Estado.

Perfil


* Nome: Hélder Estêvão Alexandre Cafala
* Data e local De Nascimento: 06 de Fevereiro, em Luanda
* Estado civil: Casado
* Filhos: Uma Filha
* Prato prferido: Mufete de Chopa e molho de carne seca com banana-pão
* Sabe cozinhar? O básico para não morrer de fome
* O que está a ler: A pesquisar livros ligados a ciência politica
* Autor (a) preferido (a)? Norberto Bobbio, Pasquino e Dalle Carnige
* Cidade para férias: Huambo
* Local De Angola onde gostaria de estar neste momento? Luanda
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Old December 20th, 2009, 08:47 PM   #30
Matthias Offodile
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Alberto Cafussa // Jornalista
‘Aprendi a estruturar o meu pensamento’


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Até onde sabemos, licenciou-se em Ciências Políticas, na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UAN com distinção máxima, mas pelos vistos é no jornalismo onde dá cartas. A que se deve esta opção?

Comecei a exercer jornalismo pouco depois de terminar o curso no Instituto Médio de Jornalismo (IMEL), em 1995, fazendo parte de uma geração que hoje está no lugar cimeiro da profissão nos diversos órgãos de comunicação social. Entrei no jornalismo e todos os meus sonhos de miúdo desvaneceram. Eu queria ser médico ou agrónomo. A opção pelo jornalismo foi um acaso. Mas é nessa profissão em que me tornei rico (risos)... Aprendi a estruturar o meu pensamento e a ver o mundo de outra forma. Através do jornalismo, perdi a paixão pelas ideologias e deixei de chorar. Afinal, é preciso despir-nos de sentimentalismo para retratar os factos com objectividade possível.

Isso torna-nos serenos e “homens sem coração”. A opção pela Ciência Política foi só um passo para a descoberta de muita coisa que me intrigava: o poder político. Eu nasci numa aldeia e fui obrigado a abandonar os meus pais, aos 13 anos, devido ao desentendimento entre os políticos. Não percebia por que as pessoas sacrificavam a própria vida só por causa do poder! Nota que eu tive de abandonar o curso superior de comunicação social no Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA), onde tive bolsa parcial para fazer Ciência Política, depois de passar ao teste de admissão com 92 valores (nota só obtida por dois candidatos). Estudei Ciência Política com paixão e hoje penso como politólogo e executo como jornalista.

As duas paixões residem em mim. E aqui a poligamia é possível (risos).


Há alguma relação entre o jornalismo e Ciências Políticas?

Muita gente hoje me pede a chave do meu sucesso no curso superior de Ciência Política. O que lhes digo é que exerçam jornalismo. A forma de olhar e interpretar os factos e a capacidade crítica tornam primos as duas ciências. Se a Ciência Política estuda o poder e todas as suas manifestações, o jornalismo está entre o poder e as massas (não gosto deste termo). As duas disciplinas exercem uma acção social muito forte. Não é por acaso que o programa curricular de Ciência Política inclui disciplinas que têm a ver com comunicação de massa.

Quem por exemplo, estuda marketing político tem de ter capacidade conceptual sobre as duas ciências.


Tendo sido um estudante do quadro de honra na Universidade, ao optar pelo jornalismo temos motivos para afirmar que o país perdeu um bom cientista político, mas ao mesmo tempo ganhou um excelente jornalista…


O país não perdeu nada. A minha grande aposta, mesmo como jornalista e politólogo, é fazer investigação científica na área do poder. Digo bem: aposta e não sonho. Há uma confusão que se tem feito – e muitos colegas também o fizeram quando entraram no curso: pensa-se que quem estuda Ciência Política tem de fazer política ou deve trabalhar nos órgãos de soberania. Errado! O politólogo (os brasileiros chamam-no cientista político) estuda o poder e ele fá-lo ainda que colocado na Redacção de um jornal. O maior projecto da minha vida é a academia que tem como epicentro a investigação científica. Só por isso é que lecciono na faculdade onde estudei. Enquanto académico, posiciono-me como politólogo. Esta é a minha formação universitária. Você já passou por três empresas de comunicação social. Do ponto de vista de afirmação profissional, que experiência pôde colher dessa mudança de ares? É verdade! Passei por duas Redacções com profissionais sérios. O Angolense do Américo Gonçalves e Graça Campos e o Jornal de Angola, de Luís Fernando, Osvaldo Gonçalves e Luísa Rogério. Se no Angolense fui simples repórter (nunca fui estagiário), no Jornal de Angola comecei a despontar profissionalmente. Cedo (oito meses de casa), passei para cargo de responsabilidade na editoria económica, onde ajudei a lançar o primeiro suplemento económico que deu origem ao Jornal de Economia e Finanças. Mas, se no Jornal de Angola, olhava para algumas páginas, hoje no Semanário Económico, temos de olhar para um jornal complexo.

Temos de pensar num bebé que pode descarrilar se nos distrairmos.

Sentimos o peso das exigências de um público que espera pelo jornal na quinta-feira e de uma equipa que tem no jornal a garantia do seu emprego.


De resto, estou a fazer uma carreira.

Então, a sua inserção na abordagem económica (foi editor de economia no Jorna l de Angola, agora Chefe de Redacção do Semanário Económico do Grupo Média Nova), não foi por mero acaso…

Não foi. Todo o atleta tem um percurso e uma meta a atingir.

Portanto, quando os nossos sonhos estão a ser ofuscados, temos de repensar a caminhada e, se for possível, mudar de rumo. Cheguei a um momento que sentia perder a auto-estima profissional.

O estilo de liderança do gestor máximo não promove (ia) criatividade. Só ia trabalhar para cumprir e ganhar dinheiro. E os leitores cobravam. Entendi que, depois do convite do grupo Media Nova, o meu projecto no Jornal de Angola tinha sido cumprido e era preciso assumir novos desafios e cumprir com um acto histórico: lançar um jornal económico moderno.

O Semanário Económico do Grupo Media Nova foi o último produto lançado no mercado da comunicação social em Angola e pelos vistos já tomou a dianteira, no que concerne à audiência… Não exagere (risos). O nosso SE é um produto que vem de mentes jovens, sem calos, mas também sem vícios. E o que nós procuramos fazer é inovar e aceitar as críticas. Apesar da nossa pequenez, conhecemos o mercado e sabemos o que a nossa Angola precisa. Informar é também um acto cultural. E é isso que os jovens angolanos procuram fazer no SE com a devida paixão. Os leitores receberam o produto com agrado.

Sai a quinta-feira e até sexta-feira, os leitores já não o encontram na rua.


Como encara a concorrência do ponto de vista de abordagem económica no país? Ela é salutar? As fontes são acessíveis?

Um jornal reflecte a linha de pensamento dos seus fazedores, dentro de um ideal (a linha editorial).

Portanto, a concorrência é bastante salutar, tanto para o consumidor quanto para nós, os produtores.

Afinal, a concorrência pressiona-nos a aperfeiçoar a nossa forma de actuação. Quanto às fontes, esta é a guerra de todos os dias. Mas elas já começam a abrir as portas, porque começam a entender que se não falarem, alguém o fará por elas...


Com base na concorrência, o que podemos esperar do Semanário Económico daqui em diante?

Podem esperar por surpresas agradáveis!

Perfil


* Nome: Alberto Colino Cafussa
* Data de Nascimento: 15 de Fevereiro (no bilhete está 15 de Outubro) de 1974
* Localidade: Kwale, Kalandula (Malanje)
* Habilitações Literárias: formação superior
* Função: Chefe de Redacção do Semanário Económico, do grupo Media Nova
* Bebda: Sumos naturais
* Prato preferido: funji com carne grelhada.
* Livro: Gente Feliz Com Lágrimas, de João de Melo (português)
* Filme: Risco Total, de Sylvester Stallone
* Passa tempo: Teatro
* Perfume: Zarro
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Old December 25th, 2009, 07:20 PM   #31
Matthias Offodile
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Ilídia Ceita ‘É um erro trabalhar em várias clínicas’

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Especialista em pneumologia, formada na África do Sul, a médica Ilídia Ceita é contra o emprego de um médico em mais de duas clínicas.

Já se pode confiar na capacidade e competência dos nossos médicos? Não digo tanto, porque há vários escalões de médicos.

Há aqueles médicos que já têm uma certa experiência, que tiveram oportunidade de passar por muitos países onde a medicina está mais avançada que em Angola e aqueles que não tiveram essa oportunidade e estiveram sempre no país e também não têm tanta experiência e é como tudo, vai-se cometendo erros daqui e dacolá, mas muito pouco são os erros que perigam a vida dos pacientes.


Mas vamos tendo nos nossos hospitais, muitos casos de falta de humanismo…

Propriamente não se trata de falta de humanismo, nós os médicos também somos humanos, somos pessoas e estamos sujeitos à pressão e na realidade não é falta de humanismo. Como disse, como pessoas que somos, há aquelas situações em que os hospitais, muitas vezes, carecem de meios básicos para o exercício da nossa profissão. Na realidade, nós queremos tratar os doentes, mas não temos esses meios para tratá-los, então, como pode ver, não é propriamente falta de humanismo, o médico fica nervoso, o médico fica aborrecido, porque no fim quer tratar o doente e não tem meios para o fazer. Com base nisto, eu apelaria também que se respeitasse isso, que não fossem só para cima dos médicos, mas que olham na realidade os meios e toda situação que envolve a actividade dos médicos, se uma pessoa fez medicina é para tratarmos as pessoas, por isso temos que ter uma dose de humanismo, lógico, mas também olhem para as condições de trabalho dos médicos. Nós, a classe médica, estamos muito sentidos com isso, porque as pessoas só querem vir para cima dos médicos, mas não olham realmente para as condições em que trabalham os médicos e as condições para os pacientes seres atendidos. Se, por exemplo, não houver condições para atendimento de um paciente, quer no chão, na maca, ou na cama ter dois ou três doentes isso põe frustrado qualquer um. É bom que quando se criticasse a atitude dos médicos que se olhasse antes, tanto para as condições de trabalho dos médicos, tanto a oferta de condições para os pacientes.




A senhora nega a existência de falta de humanismo, mas nos últimos dias esta questão esteve muito à baila, até nos pronunciamentos do próprio ministro da Saúde, uma situação que inclusive ditou o afastamento da direcção de um hospital…

O Ministério da Saúde e outras entidades como o Comité de Especialidade dos Médicos do MPLA estiveram por cima dos médicos, mas eu acho que são estas entidades, em primeira instância, que deviam estar ao lado de nós, saber também reconhecer o seu erro pela falta de meios a nível dos hospitais. É como disse primeiramente, não é bem a falta de humanismo, porque para aquele caso, de certeza que o médico já se encontrava frustrado e pelo que ouvi dizer, já estava a trabalhar com pacientes, inclusive que já não tinham camas e se calhar teriam que pôr a paciente numa maca no chão, penso que o próprio médico naquela altura está nessa condição de frustração, de nervosismo pelas más condições em que se encontrava a trabalhar.

O facto de muitos médicos trabalharem em duas, três ou cinco clínicas, não estará a contribuir para esse estado de coisas?

Também é verdade! É natural que cada ser humano tem um nível de resistência para além do qual não consegue fazer mais nada. É um erro trabalhar em várias clínicas, penso que em mais de duas clínicas não devia ser permitido.

Acha que se deveria criar uma regulamentação a propósito para se disciplinar a contratação de médicos por parte das clínicas privadas? Acho que sim, já que nós médicos também não reconhecemos que devemos limitar também a nossa vontade de trabalhar em várias clínicas, isso devido à necessidade de ganhar mais dinheiro, mas também, como disse, nós trabalhamos com pacientes, temos que estar preparados para tal, por isso em muitas clínicas acho que não dá e deve ser regulamentado mesmo. Em mais de duas clínicas não devia ser permitido.




O facto de se trabalhar em mais de duas clínicas está relacionado com baixos salários ou porque o país carece de médicos especialistas, o que leva à disputa dos seus préstimos por parte de várias clínicas ao mesmo tempo?

Acho que as duas situações se relacionam. Nós temos poucos médicos e também os salários que auferimos actualmente não são por ai além.

Podemos não ganhar tão mal, mas, por exemplo, se desse salário tiver que tirar dinheiro para pagar uma cisterna de água de dez mil litros, que pode custar 18 a 20 mil Kwanzas (falo com conhecimento de causa, porque compro esse produto periodicamente) vai faltando energia eléctrica e você tem que comprar combustível, quer dizer nesse salário não está previsto estes gastos que poderiam ser evitados caso se criassem a nível dos bairros condições para o fornecimento regular de água e luz. Se tiver uma casa grande, durante um mês pode chegar a gastar mil dólares só na compra de cisternas de água e os nossos salários embora se diga que sejam altos, não suportam, não prevêem despesas dessa natureza, daí a necessidade de se ter alternativas, o que passa por trabalhar em muitas clínicas.


Fala-se que a nível do nosso Sistema Nacional de Saúde, os médicos angolanos já não estão assim tão mal do ponto de vista salarial…

Não estamos tão mal do ponto de vista salarial, mas o que se verifica é que gastamos muito em coisas básicas como em água e luz, (cisternas de água, compra de geradores e o respectivo combustível diário) o que não era suposto gastar caso esses bens fossem colocados ao serviço de toda população, ali onde reside. Já imaginou gastar num mês 800 a mil dólares só na compra de água, sem falar no combustível para o gerador, então quanto é que fica no salário para outros gastos que também não são menos importantes? Portanto, é como no outro dia alguém disse que os médicos angolanos têm os salários mais alto de África, gostaria que esta pessoa pensasse um bocado, se nos outros países os médicos também gastam somas altas em água e luz, por exemplo.
Tratamento no exterior é exibicionismo

A saída para o exterior, principalmente de governantes à procura de soluções para os seus problemas de saúde é reflexo da falta de confiança no serviço de saúde prestado no país?


De alguma forma, pode ser que sim. De outra forma pode estar relacionado com a vaidade, o exibicionismo, ou simplesmente queimar dinheiro o que move estas pessoas a se deslocarem ao exterior supostamente em busca de soluções para os seus problemas de saúde. Eu estive fora, estive na África do Sul, onde fiz a minha formação, a minha especialização, e vi que muita gente endinheirada aparecia por lá por coisas mínimas, que podiam ser resolvidas em Angola, se calhar a custo zero. Eu muitas vezes ficava envergonhada, quando acompanhava essas pessoas ao médico e as queixas que apresentavam, o diagnóstico feito, sinceramente eu me perguntava se isto em Angola não podia ser ultrapassável, então não sei o que o serviço de saúde público e privado está a fazer na realidade. Como eu disse, pode ser que em algumas situações estejam relacionadas com falta de confiança nos serviços de saúde prestados no país, embora não se justifique tanto e, por outro, trata-se de exibicionismo, querer mostrar que tem dinheiro, mostrar que pode gastar naquilo que quiser.

Como qualificar essa atitude? É um bocado difícil qualificar esse tipo de comportamento, porque se dissesse, na verdade poderia chocar e ferir determinadas pessoas, mas cada um é como é, quando se tem muito e também não houve tanto esforço para se obter esse muito, pode gastar até pôr no fogo.
Investimentos nos hospitais são desproporcionais

Por aquilo que é a sua experiência, acha que os investimentos feitos nos hospitais públicos, principalmente em Luanda, são compatíveis?

Já foram feitos muitos investimentos, mas infelizmente os investimentos que se fazem não são paralelos à formação de recursos humanos, embora se fale muito que se mandou para o exterior este ou aquele quadro, mas o que se verifica na prática não é compatível. Há muitos hospitais, entre eles o Josina Machel, é um monstro, é um hospital bom, mas sob ponto de vista de recursos humanos e de gestão, não me parece ser muito funcional, não me parece ser aquilo que se esperava. Tal como este, existem também outros hospitais em que você vê à distância, a partir da fachada principal, que está muito bonito, fizeram-se obras, mas do ponto de vista funcional e de recursos humanos, ainda estão muito aquém. O Centro Nacional de Oncologia tem médicos que foram ao exterior, concretamente no Brasil, fazer cursos de radioterapia, mas que chegaram ao país, o quê que estão a fazer? Não estão a fazer nada, porque também a técnica ainda não deve estar cá disponível, por isso ainda não se faz radioterapia, embora já se tenha formado pessoas nesse campo. O quê essas pessoas estão a fazer? Não estão a fazer nada, e quando a tecnologia chegar, se calhar terão que voltar ao exterior para refrescamento de conhecimentos, porque como é natural, depois de tanto tempo sem aplicação de conhecimentos corre-se o risco de se esquecer aquilo que aprendemos.

Infelizmente é isto, a formação de recursos humanos e a modernização dos hospitais são desproporcionais.


Então, a modernização que assistimos nos nossos hospitais é cosmética?

É, pode crer!


Olhando para a sua área de formação que é em pneumologia, que caracterização faz das doenças respiratórias no nosso país?


Dentro desta área, no nosso país, a doença mais frequente tem sido de longe a tuberculose pulmonar, vindo a seguir a pneumonia, a asma e, no caso dos fumadores, as doenças pulmonares de perspectiva crónica, que lesam o pulmão devido ao cigarro, estas têm sido as mais frequentes.


As causas estão identificadas?

As causas, como disse, a doença pulmonar e a perspectiva crónica têm a ver com o cigarro, a tuberculose é uma doença que geralmente existe em grandes escala nos países pobres, devido a má nutrição, devido às más condições de alojamento, entre outras.


Nós que estamos num país em que quase não se pensa em arborização nos projectos habitacionais, sem parques de campismo, com muita poeira à mistura, que relação pode haver com essas doenças de foro respiratório?

Sabe que hoje em dia há muito derrube de árvores, porque existe por parte de algumas pessoas a fúria de construir prédios, esquecendo da arborização, dos jardins dos campismos, entre outros, isto pode influenciar no surgimento de doenças respiratórias. Os campos, a jardinagem e os lugares onde devia existir uma boa ventilação, com a presença de oxigénio, não se tem sentido a sua existência no país. A isto alia-se o facto de o nosso país ser muito quente e chover pouco e a água não é tão disponível assim para a manutenção de jardins e outros espaços verdes.


E temos muita poeira…

A nossa cidade produz muita poeira e isto, claro, para as doenças respiratórias é uma via aberta para a sua propagação. É um mal!


A falta de asfalto, de passeios e de calçadas nas nossas ruas tem algum reflexo, algum impacto na existência de doenças respiratórias?

Claro que tem. Como eu disse, a falta de saneamento básico, a superlotação das cidades, a construção desordenada, a existência de bairros cujas casas estão sobrepostas umas a outras, isso tudo, de um a forma directa ou indirecta leva não só a um agravamento das doenças respiratórias, mas também de outras doenças, sabe que assim a transmissão das doenças é mais rápida, são mais pessoas a serem infectadas e a infectar.


Vê alguma estratégia no sentido de se melhorar este estado de coisas?

A estratégia passa por se melhorar as condições de vida da população, melhorar o saneamento básico, melhorar o nível escolar das pessoas, porque assim irão compreender melhor determinadas situações para uma melhor saúde dos seus familiares, a questão do alojamento de forma a que não fique a morar tanta gente em espaço muito pequenino, essas são situações que devem ser atacadas por forma a melhorar esta situação.


A doutora quer deixar algum apelo às nossas autoridades relativamente a várias questões que afligem os quadros angolanos?

Quero apelar a quem de direito para que confiasse mais nos angolanos, porque se nós já fomos para fora para aprender, então não pode haver discriminação naquilo que o angolano aprendeu relativamente ao estrangeiro, porque a escola é a mesma e penso que devem dar mais abertura, mais carinho aos angolanos que querem trabalhar para Angola, porque na realidade você não pode confiar mais no estrangeiro em detrimento do angolano, na medida em que o angolano trabalha por amor à sua pátria, enquanto que o estrangeiro trabalha por amor ao dinheiro.










Frescura: um dia mau para todos



Quote:


Comandante provincial da Polícia Nacional em Luanda, Quim Ribeiro, comissário, diz-se um homem capaz de passar um dia com um bebé, o que vai de encontro ao momento em que se considera h

Reconhece que nos meses de Novembro e Dezembro, o consumismo pode levar ao crescimento de alguns tipos de crime, o que justifica maior presença policial nas ruas. “Quando se previne bem, diminui-se a necessidade da repressão”, diz.

Como Comandante provincial foi ao tribunal depor no Caso Frescura e diz que não se sentiu diminuído na sua autoridade, antes, cumpriu com o seu dever.


Estamos na época de Natal, para um comandante da polícia dá para desligar o rádio, o telefone e ficar a conviver apenas com a família?

A família compreende a razão da nossa ausência em muitos períodos de festa e este ano é, por diversas razões, mais difícil ter um tempo para festas.


Pessoalmente sente-se mais seguro na época natalícia, com mais agentes na rua?

É bom para todos nós, população e Polícia, que haja mais presença policial e maior segurança para pessoas e bens.


As chefias da polícia costumam ter uma atenção mais especial para com os agentes que trabalham no Natal ou é tudo como nos outros dias … os ossos da profissão?

A nossa atenção para com o nosso subordinado é permanente durante os 365 dias do ano. Nem sempre conseguimos, mas eles sabem das iniciativas que o CGPN (Comando Geral da Polícia Nacional) desenvolve para motivá-los, acarinha-los e acompanhá-los.


Olhando para o aparato policial na época de Natal dá para querer que o natal seja todos os dias. O que leva a esta diferença … trata-se de uma época potencialmente mais complicada em termos de segurança pública?

É perceptível que os cinco ou seis dias de festa alusiva à quadra festiva são inferiores aos outros 365 dias que conformam o ano, tornando-se assim possível, de facto, maior presença policial na via pública



Quantos homens Luanda terá na rua nesta quadra festiva?


Mais do que a quantidade, o importante é que a população de Luanda se sinta tranquila e que no balanço final estejamos todos satisfeitos


O que é que a polícia já aprendeu com a quadra festiva, há mais crimes intencionais ou há apenas mais comportamentos descuidados, como a questão do trânsito, por exemplo?

Novembro é um mês típico quanto ao roubo de valores como consequência da maior propensão consumista e em Dezembro, havendo ainda essa atitude típica, é também o mês de muitos acidentes de viação, pela falta de respeito pelas normas do Código de Estrada


As medidas de segurança em Luanda, nesta época, irão estenderse até ao CAN ou o campeonato terá outro tipo de operação?

São acções muito diferentes, mas de elevada complexidade. Tudo faremos para que o profissionalismo das nossas forças se acentue e seja reconhecido pelos luandinos e por todos os que nos visitem.


Na época do CAN a postura da polícia será mais do género policiamento de proximidade, com interacção com a sociedade, ou será com de forma mais dissuasora?

O papel fundamental da Polícia baseia-se na prevenção. Quando se previne bem diminui-se a necessidade da repressão.


Uma boa parte dos agentes da polícia não fala mais que o português.

Vindo gente de fora, falantes de inglês e francês, como está pensada esta situação?

É uma ilusão de óptica pensar-se assim. No seio da Polícia existem falantes de diversas línguas e idiomas, para além de um conjunto de inteligências que estarão colocadas em benefício do sucesso do CAN.


Sente que cada agente da polícia deveria ter um mapa da cidade para guiar as pessoas?

É uma das preocupações, mas cada um de nós tem que ter o mapa da cidade onde vive, trabalha, ou passa férias. Um homem informado vale por muitos.


Com a possibilidade de ocorrerem distúrbios, ou mesmo situações de esgotamento físico entre os adeptos do futebol, como lida com o facto de os nossos agentes não estarem preparados para dar os primeiros socorros? É verdadeira essa afirmação?

O senhor jornalista conhece pouco a Instituição e conhece pouco a formação que os agentes da Polícia recebem em acções formativas.

A segurança do CAN será feita de forma integral. Melhor dizendo, por outras forças para além da Policia, como bombeiros, paramédicos e médicos.


Falemos agora da imagem da polícia, acha que a corporação se vai refazer depressa do caso Frescura?

Falo em termos de imagem pública.

O caso Frescura ocorreu num dia mau para todos. Este acontecimento não pode ser um handicap de todo o desempenho policial.


Como se sentiu no tribunal quando foi depor para o caso Frescura? Sentiu-se diminuído na sua autoridade?


Sentiu-se triste por depor num caso em que estavam a ser julgados ex-agentes da polícia? Senti-me um cidadão exemplar que não se furta à justiça e atento ao que o presidente da República tem vindo a dizer: “ninguém está acima da lei”. A minha presença no Tribunal não diminuiu a autoridade, não me incomodou, nem retirou o meu optimismo de querer ver, no futuro, uma polícia melhor e mais capaz.


Acha mesmo que a expulsão de agentes mal comportados tem estado a melhorar a disciplina na corporação?


A expulsão não encerra os mecanismos úteis para a melhoria da situação disciplinar dos efectivos. Mas a expulsão está contemplada no regulamento da Polícia Nacional como sanção para situações graves ou muito graves.

Infelizmente temos sido forçados a aplicar esta medida em alguns casos, mas temos de convir que a imagem e o papel da corporação devem ser mantidos e respeitados, são bens importantes para a estabilidade social.


Há quem diga que afastou os agentes jovens formados em Portugal, portaram-se mal, não gostou do seu trabalho, ou a sua prática não estava condizente com a nossa realidade?

Não encaro os efectivos que dirijo tendo em atenção os países onde fazem a formação. Avalia-os pelo profissionalismo e competência.

Também considero importantes aspectos como a sua capacitação e humildade e pela perspectiva que têm do futuro. O senhor jornalista está muito mal informado. Os comandantes das esquadras do Kilamba KIaxi, do Rangel, do Trânsito e do Gabinete de Imprensa são jovens formados em Portugal. Então, quem são os perseguidos?


Voltemos a falar de si, sempre quis ser polícia ou foi a vida que o levou para aí?


Vim das FAPLA, de um grupo de jovens seleccionados para integrarem a Polícia Nacional de Angola logo após a Independência. Sou polícia por vocação e amor à causa.





Considero-me um bom profissional e acho que tenho suficiente espírito humanitário.

Já falamos do CAN, gosta de futebol? Irá ver os jogos? Tem experiências no jogo da bola ou nos clubes?


Todo o angolano está ansioso com o inicio do CAN, independente mente da sua responsabilidade. Tenho vivência e formação técnica desportiva e gosto de futebol. Conheço o cheiro dos balneários, sei o que passa pela cabeça dos jogadores.

Sobre o que conhece do mundo e de África, como considera a nossa polícia? A Policia angolana é reconhecida no exterior como competente e profissional. Não obstante, precisamos de melhorar muito para atingirmos níveis mais aceitáveis. Para nos sentirmos mais satisfeitos nós próprios.


Como tem visto o desempenho das polícias?


(agentes no feminino) A mulher, no mundo do trabalho e em papéis de utilidade pública, é uma componente indispensável para as sociedades mais modernas e, consequentemente, é normal que sejam também polícias. Gosto de ter uma polícia ao meu lado a trabalhar, não vejo diferença em relação aos efectivos masculinos. Para mim são polícias, é o importante.

Perfil

* Nome: Joaquim Vieira Ribeiro
* Data e local de nascimento: 27/06/56, Ilha de Luanda
* Estado civil: Divorciado
* Prato preferido: Caldo e tudo o que a minha filha cozinha
* Sabe cozinhar? Tem praticado? Não tenho tido tempo
* Acha-se estranho quando não está fardado: Se estiver de jeans, sinto-me bem vestido
* O que mais gosta de ler? E que género de filme gosta? Leio de tudo. E gosto de filmes policiais e de investigação Como ocupa os seus tempos livres: Não os tenho
* Imagina-se a tomar conta de um bebe durante um dia inteiro? Sim!
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Old December 25th, 2009, 08:00 PM   #32
Kizaca
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Old January 4th, 2010, 11:43 AM   #33
Matthias Offodile
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Thanks Kizaca


Quote:
Artista Plástica angolana expõe ''A unicidade do tempo''






Escrito por Administrador, em 01-12-2009 19:43


Luanda- A artista plástica angolana Daniela Ribeiro expõe a partir desta sexta-feira, em Luanda, um conjunto de obras denominadas “A unicidade do tempo”. A exposição terá lugar de quatro a 14 deste mês no edifício da Escom, em Luanda.

Em entrevista à Angop, a artista, que apresenta pela primeira vez os seus trabalhos em Angola, afirmou tratar-se de um conjunto de obras em que realça à modernidade e à tradição, apostando em aspectos culturais da região sul de Angola.

Composta por 22 obras, inspiradas na cultura chokwe, luba, entre outras, integrando componentes electrónicos, como resultado da reflexão sobre a uma sobreposição civilizacional entre o homem clássico africano e o homem biônico.


Através destas obras, segundo a autora, procura registar a sua sensibilidade aos factores que estão a ocorrer na sociedade angolana.

“A unicidade do tempo” é, de acordo com a autora, um conjunto de obras em que procura mostrar a união entre a modernidade e o tradicional, concretamente a adaptação dos angolanos aos desenvolvimentos tecnológicos que se registam ao nível mundial.

“É um casamento entre o mundo tecnológico, neste caso recorrendo a peças de telefones móveis, e a cultura angolana, em geral a africana. É uma forma de mostrar que tudo o que é moderno pode e deve casar com o tradicional”, disse a artista.

Segundo ela, a composição de obras feitas à base de telemóveis é uma forma de mostrar a adaptação dos africanos, em particular dos angolanos, às mudanças que se registam no mundo das tecnologias de informação.

“Depois de longos anos de guerra, os angolanos conseguiram mostrar que têm capacidades para se adaptarem aos novos tempos e integrarem as novas tecnologias ao mundo em que vivem”, reforçou.

Daniela Ribeiro é formada em design, imagem e criação por computador, em Portugal. É licenciada em relações internacionais na Universidade Lusíada de Lisboa.

A autora frequentou ainda o curso de pintura da sociedade nacional de Belas Artes, de Lisboa.

Ao longo da sua carreira realizou exposições em Lisboa e em outros países europeus.



Fonte: Angop
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Old January 4th, 2010, 01:09 PM   #34
Matthias Offodile
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Érica Chissapa: Estrela em ascensão
Actriz e repórter


Quote:



Érica Chissapa é um talento nato e promissor na telematurgia angolana. No auge dos seus vinte e poucos anos, já realizou personagens super marcantes e queridas para todos. Com o seu sorriso cativante e sereno que nada esconde a personalidade forte e activa da nossa actriz e agora jornalista, ela revelou-nos um pouco da sua infância, adolescência, juventude e anseios para um futuro próximo.


Huambo, terra querida

Nasceu no Planalto Central, e de lá saiu com apenas dois anos, “Tenho poucas mas boas lembranças da minha infância, a quem não acredite digo que é verdade. O Huambo é uma terra muito linda”. Érica veio para Luanda, deixando os pais e os três irmãos para viver com os padrinhos, “foram medidas necessárias. Sempre fui muito bem tratada pelos meus padrinhos, eles são realmente os meus segundos pais”.


A Primeira Vez em Palco


Entrou para o teatro com 14 anos e afirma que este nunca foi o seu sonho, “sempre quis ser professora e jornalista e nunca actriz. Certo dia fui assistir os ensaios de um grupo teatral e convidaram--me para substituir uma das actrizes, porque o encenador notou que eu estava a vontade com o texto, numa peça que iria estrear três dias depois”. Érica Chissapa confessa que por timidez quase abdicou daquilo que actualmente 
é a sua fonte de inspiração, 
o teatro. A actriz pertence 
há mais de três anos ao 
grupo teatral Henriques Artes, um dos mais conceituados do país.


Estreia como Protagonista


Infelizmente em Angola ainda não se vive como actor ou actriz porque não 
é um trabalho constante.
Foi atendendo o convite do actor Orlando Sérgio que Érica começou a sua trajectória para a televisão. “Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu tinha alguma ficha de inscrição como actriz na Televisão Pública de Angola, e eu disse que não. Então indicou-me algumas pessoas com quem fui ter para então fazer a abertura do meu processo. Depois chamaram-me para fazer os testes para uma nova novela eu pensei então que seria a minha entrada para a televisão mas esperei e nada acontecia”, relembra a actriz. Após tanta espera, surgiu o convite da Óscar Gil Produções para participar numa mini-série, mas mais uma vez o sonho foi adiado, pois só foram gravados dois capítulos da mesma.

O sonho de Érica realizou--se em 2005, quando finalmente actuou na sua primeira novela, intitulada Sede de Viver, e logo no papel da protagonista. “Kátia era uma jovem com boas condições financeiras mas que vivia longe dos seus pais. Era livre independente, altruísta e muito mais. Era realmente um modelo para 
a juventude”, conta.

A novela Minha Terra Minha Mãe foi a que mais exigiu da actriz. “A novela que foi gravada há quase um ano no Brasil, numa co-
-produção Brasil — Angola, com actores brasileiros e angolanos. Voltei a ser protagonista nesta trama, interpretando a Teresinha. Foi muito gratificante para mim ter gravado esta novela, pela experiência que obtive, uma vez que lá éramos considerados profissionais mesmo porque abraçámos o projecto de corpo e alma. Infelizmente em Angola ainda não se vive como actor ou actriz porque não é um trabalho constante”, lamenta.

A actriz confessa que foram várias as vezes que quis desistir deste grande projecto, mas teve sempre o apoio da mãe que apesar de estar distante, ajudou-a bastante 
a contornar as dificuldades da distância e da saudade.


O grande Passo


Ainda este ano, recebeu o convite para participar no teste do filme da conceituada “rainha dos baixinhos”, a brasileira Xuxa. Apesar de não ter sido a eleita, Érica gostou bastante da experiência. “Foi super gratificante mesmo. 
A produção do filme tinha de escolher uma angolana para participar no filme Xuxa e o Mistério de Feiurinha, e a Lesliana Pereira ficou com o papel. Ela é super competente e profissional e tenho a certeza de que todo o mundo irá gostar do desempenho dela neste projecto”.

Foi graças a este casting que a actriz começou a dar azo a um sonho já antigo: tornar-se jornalista. Sempre na senda de que “de grão a grão a galinha enche o papo”, Érica aceitou o desafio de trabalhar como repórter no programa Revista África, produzido em Angola e exibido na Globo Internacional. “É um programa que passa todos os sábados. Tenho me divertido bastante porque esta iniciativa mostra o meu 
outro lado, como repórter. 
É algo que gosto muito de fazer e faço com muito amor. Sou nova nesta área e pretendo crescer e me profissionalizar”, conclui.

perfil

* Nome: Érica Sofia 
de Jesus Chissapa
* Aniversário: 
22 de Dezembro
* Estado Civil: Solteira
* Profissão: Estudante de Ciências da comunicação, actriz e repórter
* Discoteca: Prefiro bares, como as docas em Lisboa
* Restaurante: Caribe
* Música: Dias da semana, 
de Yola Semedo
* Ídolo: A minha mãe




Quote:
Dalton Borralho: Ser actor é um trabalho colectivo
Actor, Protagonista do Makamba Hotel


Um indivíduo nos 40 anos, proprietário de um hotel, detentor de uma riqueza que ninguém sabe de onde provém, com uma mulher bonita escolhida propositadamente para ajudar “a tocar para a frente o seu negócio” e que acaba por ser submetido às ordens da “mulher sargenta” que toma o poder no hotel e na gestão de toda a família. Esta descrição parece-lhe familiar? É verdade, estamos a falar do doutor Mauro Dias Branco dono do Makamba Hotel, onde os espectadores da TV Zimbo passam umas horas todos os fim-de-semana.


Jeito para fazer rir

Dalton Borralho é o actor que, com unhas e dentes, e restantes partes do corpo, defende este personagem.

“Iniciei-me no teatro em 1978 e sou actor desde 1987”, conta Dalton Borralho explicando o porquê da distinção nestas datas. “Quando comecei na escola pertencia ao escalão mais novo e fiz um curso direccionado à preparação de actores. Nessa altura não estava disposto a ser actor, contava anedotas, fazia rir as pessoas, era o mais falador onde quer que fosse. Mas ficava-me por aí”.

Depois, em 1987, ingressa no grupo de teatro Companhia Horizonte Njinga Mbandi, viveiro de muitos jovens actores e onde tudo começou a mudar para Dalton Borralho. “Aí senti pela primeira vez responsabilidade ao dizer ‘Eu quero ser actor’”, conta-nos.

Sobre esses tempos diz que “foi a escola mais importante que eu tive, sem bases não se vai a lado algum. Sem formação vai-se caminhando tacteando no escuro. Grande parte da minha formação prática foi realizada no grupo Horizonte”.

Encorajado pelos mestres a viajar para Portugal e conhecer o teatro europeu, Dalton Borralho parte para a Europa. “Em 1992, desperto para a carreira artística em Portugal ao assistir à qualidade de teatro no exterior”, diz.

Nesse período recorda o teatro que se fazia em Angola como “uma espécie de “teatro da boa vontade”, ao passo que lá já se tinha evoluído para um teatro de ciência, com técnicas, iluminação”. Para Portugal leva consigo muitas referências do teatro angolano como Elias Casanova, Mónica Cirilo, Tia Bina do grupo Óasis, Isabel André.




De volta a Angola

Em Lisboa frequenta duas escolas de teatro: a Act e a Open Space.

Há muitos bons actores que são arrogantes e destroem um bom espectáculo”.

Mas os primeiros tempos foram duros e Dalton Borralho trabalha na construção civil, como ajudante de pintor. Mais tarde faz cinema, teatro e televisão. “Fiz muitos workshops. A minha carreira tem muito da minha vontade de aprender. Sempre pesquisei, li, perguntei aos colegas como se faz, como se constrói. Hoje tenho uma carreira onde fui levado nos braços da sorte”, diz agradecido.

Em Portugal constituíu família e é lá onde vivem actualmente os seus seis filhos entre os 8 e os 23 anos e a mulher. A residir agora em Angola, Dalton Borralho só pensa em trazer toda a família de volta para a banda. “Estou dividido entre os dois países, com a família em Portugal”.

A prole do actor esteve no país em 2006 e levou boas memórias da terra do Pai. “Fomos um dia inteiro passear à praia no Morro dos Veados. Aqui o tempo tem outro tempo, este é o país do Sol, aqui é que a terra do futuro. Creio que todos eles voltarão a Angola, por enquanto vão ficando até eu preparar as condições.”

Foi o programa de televisão Makamba Hotel que o trouxe para os ecrãs da televisão nacional. Gravada em Portugal, a série foi para o ar em Angola a primeira vez a 17 de Dezembro de 2008. Um elenco principal com 12 actores, acompanhado de um conjunto adicional gravaram já 139 episódios. Aquando da estreia em Angola, Dalton Borralho ainda vivia em Portugal. “Na hora do programa de televisão toda a gente seguia a TV Zimbo. Eu estava em Lisboa e as pessoas telefonavam-me, muitas com saudade, a chorar, outras a rir”, relembra.

O homem que dá corpo e vida ao doutor Mauro admite que “A televisão dá-nos visibilidade mas já somos actores há muito tempo”.


Críticas à Dicção


Escutando as reacções ao seu caminha na rua, Dalton Borralho diz que a reacção das pessoas é “superpositiva. As pessoas identificam-se por ser um programa de humor direccionado à família”. Ainda assim confessa que lhes foram feitos alguns reparos. “Ao princípio as pessoas estranhavam o nosso articular das palavras, o nosso linguajar. Isso é resultado de parte da influência que temos do português de Portugal. Temos muita aculturação na nossa forma de expressar e isso foi uma das primeiras barreiras que encontrámos. O público pensava que éramos todos moçambicanos e estavamos a forçar a maneira de falar para agradar ao povo angolano. Mas não. Somos todos filhos da terra, felizmente”, ressalva.


Temperamento morno


Para vestir a pele de Mauro Dias Branco, Dalton Borralho teve de redobrar os cuidados com a parte física do personagem. “O Mauro foi nascendo dia-a-dia, desde o primeiro dia de ensaios até ao primeiro dia de gravações. Fui percebendo assim como devia direccionar-lhe o caminho. Com os conselhos do realizador, Renato, fomos casando as nossas ideias. O Mauro tem muita comédia física, muita comunicação gestual”.

Nascido em Luanda, o actor assume-se como sendo um cidadão de Catete. “Acredito que a minha árvore genealógica não parte de Luanda e, por isso, refugio-me na proveniência do meu Pai, que vem do Gonçalo, então digo que sou do Bengo”, faz questão de esclarecer.

Dalton Borralho trabalha actualmente num projecto de formação de actores para crianças dos 7 aos 14 anos. O projecto foi criado com um grupo de amigos e já está em curso, devendo arrancar este mês de Novembro. “Este é um papel ingrato porque gosto é de ser dirigido, mas devido à formação que tenho também quero partilhar conhecimentos. Neste momento Angola está numa nova vida, num novo período, somos um país novo, e precisamos de todo o saber, de todo o contributo. É a hora dos disponíveis dar o seu contributo. Somos um grupo de pessoas que vai dar formação aos alunos sem nenhuma contrapartida financeira”.

Para além disso, prepara a sua participação no filme Rosa Brava de um realizador de origem guineense. As gravações começam em Portugal ainda este ano e o actor irá interpretar “um polícia guineense com péssima conduta”.

Dalton Borralho acredita há um conjunto de elementos que definem um bom actor: “uma atenção redobrada, saber ouvir e despir-se de si mesmo, um temperamento “morno” para reagir no tempo certo, ser uma pessoa disponível para aprender e humilde.


Como faz questão de frisar “Ser actor é saber respeitar, acima de tudo, o núcleo de trabalho. Há muitos bons actores arrogantes que destroem um bom espectáculo. Ser actor é um trabalho colectivo”.


Estreia emocionante



Makamba Hotel estreou na TV Zimbo no dia 17 de Dezembro de 2008, data em que o público angolano conheceu o “doutor Mauro”, o protagonista interpretado por Dalton Borralho. “Na hora do programa toda a gente seguia a TV Zimbo. Eu ainda estava a viver em Lisboa e as pessoas telefonavam-me, com saudade, umas a chorar e outras a rir”, relembra.

Pérfil

* Nome: Sebastião Domingos Borralho
* Data de Nascimento: 16 de Outubro de 1968
* Naturalidade: Município do Cazenga
* Estado Civil: Casado, com seis fillhos (23 aos 8 anos)
* Música: Santa Geração, gospel
* Actor: Denzel Washington
* Filme: O Pianista, “vejo para chorar e para me alegrar”, A Paixão de Cristo
* Prato: Mufete
* Restaurante: São Jorge
* Qualidade: Honestidade
* Defeito: Mentira
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Old January 4th, 2010, 08:43 PM   #35
Matthias Offodile
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Angola´s TV kid stars for NEW Kids TV


Quote:
Perfil de Ismael Virgílio e Neríka Palhares
Os apresentadores não se medem aos palmos
Apresentadores do programa de tv kids club


É o ambiente de gente grande, com preocupações a condizerem com o tamanho do seu corpo. No elevador, nas salas ou nos corredores, os vultos apressados ecoam palavras quase indecifráveis, termos que se confundem com uma qualquer língua estrangeira: “Estão a sair para a pauta”; “Vê lá os time codes”; “Vou ingestar a cassete”. Esta é a atmosfera dos bastidores da televisão, uma sala de aula de tecnologias de informação e comunicação, com horários rigorosos a cumprir. Mas destoando, como hora de recreio, um grupo faz pular o nosso olhar para o seu tamanho e à-vontade próprio que veste os seus corpos. São crianças. Para quem aqui habita eles são sinónimo de gravação do Kids Club. Os participantes, ou público, que está prestes a sair para a gravar a pauta, para depois se apontarem os time codes da gravação, da cassete que será ingestada no mega computador desta televisão.

CHAMADA PARA O KIDS CLUB

A acompanhar este grupo de minúsculos turistas no mundo da fantasia chamado televisão, os seus guias são também os seus ídolos: Ismael Virgílio e Neríka Palhares. Eles, que são tudo aquilo que os seus pequenos seguidores querem ser quando forem grandes. Ou, apenas, um bocadinho mais velhos, tal como os seus apresentadores favoritos. Para já, limitam-se a segui--los com o olhar e com os passos que os levam ao transporte que os conduzirá ao local de gravação. E lá, tão perto dos seus ídolos, estes meninos percebem que o seu sonho não é tão simples de atingir. Porque obriga à atenção, dedicação e rigor de gente muito grande, que acrescenta a naturalidade tão difícil das brincadeiras de crianças. Agora, os pequenos telespectadores conhecem mais do que o resultado final do programa a que, aos sábados e domingos, assistem em suas casas. O resultado com uma nota ainda mais positiva, para os apresentadores que mostram como as duas horas de diversão são feitas com muitas horas de trabalho e um percurso de vida que lhes permite, hoje, tratar as câmaras com a naturalidade do “tu cá, tu lá”.

UMA AULA DE COMUNICAÇÃO


O programa tem uma aura que enche de cor a televisão e assistir à sua gravação é ver a energia quase inesgotável, entre actividades todo-o- -terreno, pilhas não incluídas. Ismael pisca o olho. Faz sinais. Chama a câmara. Fala para os pequenos telespectadores que, em casa, se sentem tão perto como numa plateia logo ali, próxima de seus gostos, a um passo de lhes conquistar toda a atenção. Depois é directo e faz-lhes uma pergunta, a que nunca ouvirá a resposta vinda do outro lado do televisor. E nós, que assistimos a estes bastidores, também nos interrogamos: O que faz um apresentador adulto num programa de crianças? A pergunta serve de rastilho para lançar o percurso do elemento que simboliza o irmão mais velho do Kids Club, aquele que faz a ponte entre a idade maior e as traquinices dos menores. Aos 23 anos, Ismael é este elo de ligação. Uma herança que transporta da sua casa de muitos irmãos e sobrinhos, para o set de gravação. E se no curriculum do apresentador não consta a sua grande família, ela foi o trampolim na hora em que os testes o comprovaram como a cara que sabe ter a expressão para um programa infantil.
Na minha vida não tive nada de bandeja. Para entrar na TVZimbo tive de dormir num carro.



ERA UMA VEZ…

Ele é o número nove, entre uma dezena de filhos. Ele é o que ganhou o nome bíblico de Ismael Mibson e que viveu as dificuldades naturais de uma família com muitas bocas para alimentar, com os alicerces do Bengo desfeitos na guerra e recomeçados na cidade capital. Nasceu e cresceu no Cazenga, e aqui começou a chamar a atenção porque era visto com outros olhos. Literalmente, pois como diz, “do 1 aos 6 anos os meus olhos mudavam de cor; ficavam verdes, amarelos, pretos ou cinzentos. Andei em muitos médicos, para ser observado, perguntavam se via bem, quiseram mesmo levar-me para Cuba.” Mas sua mãe fez vista larga à questão, que acabou por se decidir no saudável castanho da íris. Infelizmente, esta não foi a sorte do seu irmão mais novo, com uma deficiência na vista, a mesma visão com o horizonte humilde de 10 irmãos a buscarem a fantasia nas brincadeiras de rua e seus carrinhos de lata.
A PAR E PASSO…



Assim cresceu Ismael. Muito. Demais. Muitos centímetros acima do normal, num corpo que agora pedia sonhos mais altos. Primeiro, encestou sucessos no basquete, no Clube Desportivo da Nocal. Depois, marcou pontos nos desfiles de moda e concursos de beleza, ainda para uma agência de quintal. E tanto gostou dos olhares virados para si, de ser o centro das atenções nas passerelles improvisadas, que decidiu desfilar para um atalho que lhe dava a mesma visibilidade. Já não queria mais ser engenheiro de petróleos e durante 3 anos omitiu da família que mudou a vertente dos estudos para o Jornalismo, a área das letras, a que juntou as músicas cantando numa banda.

Liberdade financeira

Entre tantas e novas distracções os estudos perderam o ritmo, mas lá se foram afinando, com os desfiles e publicidades na pauta reservada para os fins-de-semana. Gostou destes trocos que lhe davam mais liberdade financeira e lhe encheram uma carteira de contactos pessoais privilegiados. Assim ficou a saber do novo canal de televisão que iria abrir. Viu uma oportunidade e agarrou--se a ela. “Na minha vida não tive nada de bandeja; para entrar na TV Zimbo tive de dormir no carro para que um amigo me levasse até à pessoa que sabia das entrevistas de trabalho”. E lá foi. E lá ficou, como o apresentador que agora vemos a ensaiar a coreografia, para depois a fazer para a câmara, ao sinal de “acção” e aos sinais de cumplicidade da sua cara- -metade do programa, Neríka Palhares.

A MENINA DOS NOSSOS OLHOS

Nova pausa nas gravações, após o RAP do Kids Club. O momento é o de dar descanso aos corpos e o de receber energia com o lanche. Distribuem-se sandes e Neríka continua a distribuir afectos. Ela sabe retribuir, em dobro, todos os mimos da sua categoria de colibri do canal. Na TV Zimbo não há cara que não beije, corpo que não abrace, sorriso que não lance. Ela não poupa nos carinhos e quando lhe perguntamos porquê, a criança responde “porque gosto muito de dar beijinhos”. Depois, a sua postura adulta acrescenta: “Sempre fui mimosa, sempre gostei das festas, herdei de meus pais”. Talvez. Não conhecemos os seus progenitores, mas tentámos conhecer, tal como o seu pequeno percurso de vida que a faz colar à sua personagem da televisão o mesmo encanto da vida real.



A BRINCAR, A BRINCAR…

Neríka Lukeny de Araújo Palhares tem 13 anos e a alegria natural da quase infância a correr depressa por caminhos que agora descobre. Ela é o sangue novo de uma nova geração de apresentadores, a menina que nasceu na Ingombota, Luanda, e que por lá ficou até aos 8 anos.

Com a separação dos pais seguiu um novo rumo, para a terra dos avós maternos, o Huambo, junto de sua mãe e irmão mais novo. “Queixava-me muito do frio, mas depois não liguei”. Mas continuou a ligar a televisão e a chamar os amigos para a verem imitar os locutores. A ficção tornou--se realidade e com apenas 9 anos convidam-na para um casting na Rádio Huambo. “Logo que cheguei, comecei a falar. Eles gostaram e fiquei.” Exactamente como no teste que procurava crianças para apresentar o Kids Club. E quem fala, desta vez, é Ismael: “A Neríka chamou logo a atenção, porque mesmo a enganar-se não parava de conversar; ela tem uma capacidade de improviso muito boa”.

DE ANTENAS NO AR

Com mais ou menos improvisos, os apresentadores deixam a postura descontraída da pausa das gravações e duplicam-na, agora, seguindo as orientações do realizador e as linhas do guião. Neríka já nos tinha confidenciado que “hoje é mais simples do que nos primeiros programas; já é mais fácil memorizar os textos”. E nós testemunhamos esta facilidade de olhar as câmaras nos olhos e ouvir o sucesso que chega para além delas. “Quando vou levar os meus sobrinhos à escola, os meninos e os pais, todos me reconhecem, pedem autógrafos. Como modelo não tive tanta visibilidade, mas como apresentador do Kids está tudo a correr muito bem.” Mas para além do “correr bem” na televisão, Ismael também desfila sem obstáculos.

Em 2008 foi o manequim revelação do Angola Fashion Week e este ano ganhou o Step Look, com passaporte carimbado para uma formação em Portugal e ligação à agência de Karina Barbosa. Neríka, também dá nas vistas, de forma menos ousada, igualmente importante, como uma excelente aluna. Êxitos que ambos os apresentadores cimentam, para o percurso que querem fazer na comunicação social, crescendo a par e passo com novas metas e objectivos para as suas carreiras.

OS DESENHOS E O FUTURO

Ismael sonha dar a cara por um programa de moda ou de música e Neríka sonha receber atenções. Diz que não quer crescer. Nós perguntamos o porquê. “Deve ser por causa dos meus miminhos”, responde num tom de voz manso, com uma afectuosidade desarmante, antecipando os estragos nos corações masculinos que irá fazer. Assim, os caminhos dos apresentadores entrecruzam-se e seguem juntos, no presente que defende o seu programa com unhas e dentes: “O Kids Club é uma escola, educa muito as crianças; não são muitos os programas em Angola que falam da camada de ozono, da higiene pessoal e da importância de estudar. Este programa deveria ser dos 5 anos ao infinito, porque para aprender não há idade.” Então, ouvimos a voz do realizador que nos transporta para o final da gravação deste pequeno infantário rodeado de adultos: “Está bom”, afirma. Para a semana há mais.


PARA OS MAIS JOVENS DA MAIS JOVEM ESTAÇÃO

Os fins-de-semana começam cedo e alegres para os mais jovens. E para entrar nesta viagem animada que a brincar fala de temas sérios, basta ligar a televisão logo pela manhã, às 9 horas em ponto! Jovem, moderno e divertido, o Kids Club é o programa infantil que anima o primeiro canal privado angolano, a TV Zimbo. Apostando na originalidade, criatividade e na boa disposição para chegar a todas as crianças angolanas, Ismael Virgílio e Neríka Palhares, assumem um papel: Partir do imaginário infantil, para falar de temas bem actuais. Claro que às brincadeiras, música e informação útil não faltam uma mão cheia de desenhos animados. Duas horas em grande, para os mais pequenos.

Hadjalmar de Oliveira: O homem 
das mil funções
Modelo, produtor e repórter


Quote:


É modelo, repórter, produtor, jornalista, enfim, um homem que não nega novos desafios. Sempre bem humorado e descontraído, Hadjalmar de Oliveira ou Hadja El Vaim é dos modelos mais conceituados do nosso país internacionalmente, pois criou o seu nome no mundo na moda nas terras da Rainha, Inglaterra. Já desfilou para grandes marcas como Hugo Boss, Dolce & Gabanna e estilistas como Kenny Alexander, Lisete Pote, entre outros, e agora de volta ao pais e para ficar, tem desenvolvido novas vertentes profissionais, pois como faz sempre questão de frisar, “Enquanto tiver saúde, vou sempre trabalhar, não tenho preguiça nenhuma. Gosto de me sentir valorizado por aquilo que faço”.
O Traquinas

“Quando era mais novo era muito extrovertido e comunicativo. Os meus pais diziam que não parava quieto, parecia que tinha bichos carpinteiros”, é assim que o próprio Hadjalmar define a sua infância. Filho mais velho, sempre foi muito hiperactivo e por isso os pais o puseram num grupo de dança, em Portugal, onde vivia na altura. Descobriu o desporto como útil para reaproveitar as suas energias e começou a praticar andebol, algo que fez durante oito anos, chegando a pertencer a Selecção Angolana de Júniores, tendo disputado alguns campeonatos africanos de andebol.
Nunca tive medo de novos desafios. A vida é curta 
e faço questão de vivê-la intensamente.

O Início nas Passerelles

Aos 14 anos começou a desfilar e aos 16 fez parte de uma campanha publicitária da empresa Benetton. Conheceu o conceituado modelo português , de origem africana, Jamal, que foi seu mentor durante anos.
O Sucesso nas Terras da Rainha

Foi como agenciado da Models Direct que Hadjalmar começou a chamar a atenção na Inglaterra. O seu jeito irreverente e profissionalismo inigualável agradava a todos que com ele trabalhavam, chegando a participar de eventos como o London Fashion Week, vários catálogos de moda, publicidades e também o conceituado evento Fashion 4 Lives, que também participou na produção.
Por ser uma pessoa muito atenta e que gosta de aprender, comecei a ganhar conhecimentos na área de produção.

O Regresso à Pátria

De volta ao país depois de dez anos passados entre Portugal e Inglaterra, Hadjalmar começou logo a trabalhar para um maior desenvolvimento da moda em Angola, “Por ser uma pessoa muito atenta, e que gosta de aprender, comecei a ganhar conhecimentos sobre a área de produção e quando dei por mim, já trabalhava também nos bastidores, montando coreografias para desfiles, a fazer coordenação de bastidores, apresentação de eventos, dirigir castings, etc. E com o tempo tornei-me num produtor tendo já organizado alguns eventos como o festival da Lusofonia em Portugal, Huíla Fashion, Moda Cabinda, Miss Caipi Royal, Green Party (Manchester, Reino Unido), entre outros”.

O Jornalismo como Profissão


Apesar de estar a formar-se em Política, recebeu o convite para fazer locução e entrou para a rádio LAC, começando assim a sua aventura como radialista. Pertence ao quadro de duas revistas de sucesso e já produziu vários editoriais de moda, “É algo que me dá bastante prazer. É trabalhoso sim, mas adoro, pois é o meu esforço a ser valorizado”.Cada vez mais empenhado em continuar o seu trabalho como jornalista, assumiu agora um novo desafio, o de repórter da Tv Globo Internacional, no programa produzido aqui em Angola, o Revista África, “É mais um desafio, e dos bons, posso assumir. Nunca tive medo de responsabilidades e esta é uma tarefa que cumprirei com profissionalismo. Tento sempre divertir-me naquilo que faço e podem crer que me tenho divertido muito nesta nova empreitada. A vida é curta e faço questão de vivê-la intensamente.”

Perfil


* Nome: Hadjalmar El Vaim
* Idade: 25 anos
* Aniversário: 4 de Setembro
* Estado Civil: À procura da tal, hehehehe!
* Profissão: Modelo, produtor 
de moda, promotor de eventos, repórter, jornalista, locutor 
e escritor
* Desporto: “Jesus do Petro” 
Um dos melhores futebolistas que Angola já viu
* Música: Depois da morte de Michael Jackson, o Anselmo Ralph e a Britney Spears
* Moda: Karina Barbosa 
e Kayaya Jr.
* Artes: Karina Silva
* Política: Thomas Woodrow Wilson
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Old January 7th, 2010, 10:51 AM   #36
Matthias Offodile
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Perfil
Simmons Massini: O maestro
Músico, compositor, produtor, realizador, director artístico


Quote:



É dos artistas mais internacionais da nossa música e um dos mentores das vendas na portaria da Rádio Nacional, hoje no Largo da Independência, o que faz dele pioneiro da criação do mercado musical angolano. 
É o melhor guitarrista do país e está ao nível dos melhores do mundo, assim é qualificado pelos colegas de trabalho, algumas delas vedetas da música internacional como Richard Bonna, Jean Michel Rotin ou Wiclef Jean.

Está de volta com três grandes projectos — a criação de uma editora, a formação de uma nova banda, as 5 no Ponto, 
e o lançamento do seu novo disco. Moldou-se nos estúdios da Rádio Nacional no programa Pió, que criou Mamborró, “Maya Cool” e Yuri da Cunha. Pertence a uma geração de ouro que viveu os tempos áureos da música infantil angolana. 
Isso permitiu-lhe acompanhar o percurso de várias gerações.

“O meu pai era um quadro do ramo petrolífero na produção de gás, mas para além disso foi também regente de grupos corais e compositor de música religiosa. Venho de uma família que tem como base o Cristianismo. São estes os valores pelos quais sempre me regi. Aprendi desde criança que a camaradagem, fraternidade e amizade, o sacrifício e a luta, eram ferramentas necessárias para atingir grandes objectivos”, começa por explicar Simmons Massini à revista VIDA.

O artista recorda-se dos primeiros tempos em que o fascínio da música comandava os seus sonhos. Assumiu que não teria uma posição passiva face ao desejo de ser músico. “Muito cedo descobri que é preciso ir a luta para alcançar grandes objectivos. Por isso aos 10 anos já pulava a janela para ir ver os concertos, na época de conjuntos como Kiézos, e muitos outros que eram famosos na altura. Ainda novinho descobri que para se chegar ao longe era necessário ousadia e não temer os obstáculos mesmo que o preço a pagar fosse alto”, confirma.


Nascido no meio musical

Moldou-se nos estúdios da Rádio Nacional no programa Pió, que criou Mamborró, Maya Cool e Yuri da Cunha

Sou diferente de certos artistas que começaram 
há poucos dias mas que não toleram críticas, O meu compromisso é com a arte e não com a fama

Este formato dos autógrafos e vendas no mesmo espaço foi uma criação nossa. Nasceu como uma forma de combate à pirataria, porque os músicos não ganhavam grande coisa com as vendas.

Começa por nos contar o início da caminhada. “Como disse eu nasci num ambiente religioso. Aos seis anos já brincava com as guitarras e aos sete comecei a tocar. Ainda aos sete anos inventei uma bateria de lata — tarola, bongo, três tons, fiz um prato de três toques e a simba, o prato de acentuação. No princípio foi a bateria, a guitarra, depois passei para o órgão da igreja, mas essencialmente o que mais gostava era a guitarra.

Comecei profissionalmente na Sala Pió da Rádio Nacional, onde colaborei com Manborró, Ângelo Boss, Lucas de Brito actualmente Maya Cool, Gisela Ferreira, ou seja, comecei antes do Top dos Mais Queridos ter dimensão nacional”, confessa no meio de uma gargalhada.

Fecha o rosto e mantém o discurso sobre esses tempos: “Sempre fui um sonhador e, quando via o Manborró e os outros artistas nos palcos, queria também entrar naquele mundo. O que não foi fácil. Sempre sonhei ser líder de uma banda embora soubesse que não havia nenhum instrumentista que liderasse. Mas eu sonhava com isso desde cedo. Para concretizar o meu sonho, todas as manhãs depois da escola ia à Rádio Nacional, às vezes mesmo com fome.

E a resposta que ouvi durante muito tempo foi “Não! Na altura o responsável pela sala da Rádio Pió era o senhor Octaviano Correia que me deu muitas respostas negativas. Até que um dia tentei entrar por outra porta. Pensei, tem aí o instrumental Primeiro de Maio e falei com o mestre Tedy. Ele permitiu-me a entrada nesse instrumental e é a partir dessa altura que consigo estar na Rádio Pió. Isso sucedeu por volta dos meus 15 anos. No fundo foi a persistência e a vontade que gerou tudo isso, que contribuiu para o meu sucesso”, confessa.

Apesar de muito novo já dominava com alguma facilidade vários instrumentos. Com a entrada num esquema semi-profissional as suas capacidades eram testadas todos os dias. “No princípio levei muitos bafos por parte dos kotas. Mantive-me sempre humilde e recebia as críticas muito bem. Eram essas opiniões, que aprendi a receber e a analisar, que fizeram com que me esforçasse mais.

Todos os dias tento melhorar, o que faço de acordo com aquilo que me dizem. Sempre soube receber críticas e isso faz com que tente superar-me todos os dias”, diz-nos Simmons Massini de uma forma séria.

Faz depois uma crítica ao meio musical onde está inserido. “Sou diferente de certos artistas que começaram há poucos dias mas que não toleram críticas, porque já se acham os melhores. Isto estagna o nosso crescimento. Cria músicos robotizados. A crítica ajudou-me a ver a música mais como uma arte e, a perceber que a arte vem antes da fama. As nossas capacidades só se desenvolvem quando se tem um compromisso com a arte e não com a fama.

Está aí a justificação para a falta de qualidade existente no mercado angolano, onde a vontade de aparecer e ter fama vem antes da qualidade e do amadurecimento artístico”.


Experiência em França

Esteve sete anos em França e muitos anos em Portugal a aperfeiçoar os conhecimentos. Só não se graduou em música, por falta de oportunidade.

“Durante o tempo que estive fora estudei música por iniciativa própria. Bem que eu quis ter a oportunidade de me licenciar em Música, mas não foi possível. Não havia condições financeiras. Os anos foram passando, mas aproveitei bem este período para estudar por iniciativa própria, de forma autodidacta, percebendo como as coisas funcionavam neste meio”.

Não foi fácil assumir essa vontade de ir para o exterior. Mas o sonho passava por dominar a técnica e tornar-se um músico completo.“Embora tenha saído daqui com alguma experiência, fui para o exterior para aperfeiçoar as técnicas porque sempre gostei de aprender. Nunca gostei da sensação que já sei tudo, que sou o dono da verdade, isso faz-me mal.

Fui para França a convite de Jean Michel Rotin, por lá fiquei durante sete anos, onde aprimorei os meus conhecimentos no ramo da tecnologia, estudei softwares, vários instrumentos, entre 
os quais a guitarra”. Recorda esses tempos, reconhecendo a importância da pesquisa, mas fundamentalmente a contribuição das pessoas. “Considero ter aprendido muito mais durante os encontros com os músicos africanos na diáspora, como 
o Salif Keita, Richard Kassam, os próprios Kassav. Encontrei também em França a nova geração de Rap, juntando a todos estes, os grandes engenheiros de som e alguns managers. Foi toda esta gente que influenciou o que sou hoje, que me ajudou a desenvolver a minha arte”, confirma.

Este período levou-o a desenvolver os seus conhecimentos noutras áreas. “Para além da guitarra fui aprimorando os meus conhecimentos em mais instrumentos, como o baixo ou o piano. Esta cooperação com os artistas africanos veio dos estudos que eu fui fazendo. Entregava-me muito à pesquisa. Algum tempo depois, nas sessões de estúdio, as pessoas diziam que já sabiam o meu nome. Isto foi em 2001 ou em 2006, antes e depois de ter saído dos O2. Engana-se quem pensa que eu comecei a minha carreira neste grupo porque se tivermos que falar da minha experiência no mundo da música, teríamos que recuar muito tempo”, explica.


A passagem pelos O2

“A minha integração nos O2 foi aquando da minha primeira vinda de Portugal com o Paulo Flores. Reparei que eles já tinham uma música mais ousada, uma programação fora de série. Chamou-me à atenção que os dois teclistas tinham uma técnica diferente. Olhe que na altura em que os conheci, nem eram famosos nem tinham nenhum CD”, explica Simmons Manssini, que acrescenta, “algum tempo depois cruzei-me com o Henda Pitra, na altura líder da banda, e ele pediu-me que o ajudasse a tocar umas músicas. Mais tarde o José Maria Boyote mostrou-me as composições e, um pormenor engraçado, a minha namorada na altura e actualmente minha esposa, Eunice José “ Afrikanita” cantava e eu não sabia. Só descobri depois de ouvir o CD”, confessa.

Manteve-se durante algum tempo a trabalhar com o grupo, reconhecendo que foi uma boa experiência profissional. “Na época da transição de Nsex love para O2 participei no álbum Remix e, assim foi até ao Será diferente. Só que depois recebi o convite do Jean Michele Rotin e achei que deveria ir para França. Mas não deixei de apoiar o grupo, nem outros artistas”.

Qualifica a experiência com os O2 com algo maravilhoso. “Quando regressei de Portugal com o Paulo Flores já tinha planos de voltar ao estrangeiro, e foi isso que me fez partir”, recorda.
Vendas e autógrafos

Deste tempo fica mais uma inovação, que é hoje uma prática comum para quase todos os artistas angolanos. “A experiência com os O2 fez algo que muita gente não sabe. Fomos nós, em parceria com o Salú Gonçalves, Afonso Quintas e o Adão Filipe da Rádio Luanda, os criadores das vendas e lançamentos na portaria da Rádio Nacional de Angola. Isso aconteceu a primeira vez com o CD ByeBye Nsex Love, que vendemos na portaria, o que revolucionou a comercialização da nossa música. Isto porque antes os artistas não ganhavam nada”.

Mas não tem dúvidas que esta foi a melhor solução para um meio musical que não respeitava os direitos de autor. Apesar de tudo o que disseram nessa altura. “Nós recebemos muitas críticas na altura, mas hoje aqueles que nos chamaram de candongueiros da música, quando lançam um disco também o fazem na portaria, hoje transferida para o Largo da Independência”.

O sucesso da iniciativa ultrapassou as expectativas. “Olhe que é um modelo que apenas funciona em mercados como o nosso. Ficamos felizes de saber que as nossas ideias serviram para ajudar toda a classe. Este formato dos autógrafos e vendas no mesmo espaço foi criação nossa. E surge em função do combate a pirataria, porque os músicos não ganhavam grande coisa com as vendas”, sublinha.

Explica-nos ainda que esta solução aparece tendo em conta a situação que se vivia na altura, mas que na verdade não se alterou muito nos dias de hoje. “Surgiu esta ideia para acabar ou reduzir os efeitos da pirataria, porque os músicos chegavam ao cúmulo de ter que negociar com os piratas a quando do lançamento para que eles apenas vendessem depois de nós, o que nem sempre resultava. Este processo de vendas apenas nas casas de música não era rentável. Repare que a partir do momento em que criámos esta solução, passámos a rentabilizar mais os nossos discos. Hoje todos o fazem. Esta forma ajudou a cultivar na população o hábito de comprar Cd’s originais, o que hoje está praticamente enraizado”.

De uma forma mais séria faz uma abordagem daquilo que é o reconhecimento social das acções de cada um. “Há pessoas que fizeram muito mas que infelizmente não tiveram reconhecimento. 
Não falo só da minha área, 
falo também do desporto e outras actividades. Mas a história se encarregará de registar isso. Só digo para mostrar que as coisas não se fazem sozinhas, é necessário que alguém pense. E mais importante, que alguém faça”.




Projectos actuais

Simmons Manssini é dos profissionais mais requisitados do mercado. Entre as muitas solicitações, vai trilhando o seu caminho e fazendo aquilo que mais gosta.

“Hoje estou mais virado a produção musical pois nela posso exercer a minha faceta de instrumentista, já que toco vários instrumentos. Tenho em carteira o disco do Bigú Ferreira a solo, o da minha esposa Afrikanitha, o lançamento de um projecto Gospel Moderno previsto já para Dezembro, com participações do Walter e Nicol Ananás, o Dódó Miranda, o Totó, a Afrikanita, a Edmazia, a Sara Dem, para quem não a conhece é uma das coristas da Yola Semedo.”



girl band em gestação

Mas o artista está também a preparar a criação de uma girl band. “Está em andamento a criação de um grupo de cinco meninas, as 5 no Ponto. 
O casting ocorreu na quinta-
-feira da semana passada e apareceram mais de 100 raparigas, das quais escolhi apenas cinco”.

Mas alimenta também um grande sonho, ter uma editora. Onde consiga reunir toda a experiência destes anos e os conhecimentos que absorveu ao longo da sua vida. “Estou a reunir condições para construir uma editora e lançar novos produtos. Neste momento estou a melhorar os estúdios para poder ajudar os muitos talentos que estão por aí e, que não têm uma oportunidade para mostrar a sua arte. Quero pegar neles e fazer com que sejam reconhecidos”.

Continua a explicar em que fase se encontra este projecto. “Estou a bater às portas e a criar condições. Dentro em breve pretendo concluir este processo e arrancar com a editora. Com mais apoios chego lá. Não quero apenas pensar na música angolana ou feita por angolanos, que toque apenas aqui no país, mas também a além fronteiras. E é com estes objectivos que estou a reunir tudo isso para fazer música de qualidade”.


gospel em dezembro

E dá um exemplo do que quer fazer. O projecto Gospel que sai em Dezembro. “É uma aposta que já deu uma certa polémica quando falei no número de cópias que quero fazer. As pessoas ficaram espantadas, principalmente por ser um projecto gospel e, por isso, não quero anunciar novamente o número.

Mas eu sei que investi no projecto cerca de quatro toneladas”, revela bem-
-disposto, acrescentando com um ar mais sério, “Investi muito dinheiro. É necessário criar um projecto sólido. Viver cada vez menos do patrocínio e mais do investimento”.

Acrescenta ainda sobre este projecto. “O disco foi masterizado em França e levei mais tempo para dar mais qualidade a este público religioso que tem sido um pouco esquecido. E sei que é um álbum que vai ser consumido por tocoistas, católicos, protestantes, baptistas, uma vez que existem muitos religiosos” Uma questão de fé portanto.

Perfil


* Nome artístico: Simmons Massini
* Idade: 38 anos
* Estado Civil: Casado com a cantora Afrikanita
* Lema de vida: Gosto nas pessoas
* Qualidade: Lealdade e transparência, gosto em mim a capacidade de suportar o defeito e as traições dos outros
* Sonhos realizados: Toquei com o Richard Bonna na semana passada, o que me marcou muito, porque ele é simplesmente uma referência para os músicos da minha geração e está entre os melhores baixistas do mundo
* Projectos: Disco Gospel a sair em Dezembro
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Old January 11th, 2010, 08:33 PM   #37
Matthias Offodile
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António Coimbra da Costa // Jornalista
A rádio não é uma simples caixa de sons Nova
Deu-se a conhecer a Luanda pela sua voz na Rádio Nacional. Tem experiência em comunicação empresarial no sector financeiro.


Quote:



É uma das vozes conhecidas da Rádio Nacional, como foi que começou?

Não me considero uma voz conhecida da Rádio Nacional, na medida em que ainda estou no processo de desenvolvimento profissional, embora numa fase já avançada. Entrei para a RNA pela mão dos jornalistas Benedito Soares e Carlos José, que organizavam nos anos ‘90 uma selecção de centenas de jovens que aspiravam a trabalhar em rádio.

O projecto denominava-se Geração Viva e por ele passaram muitos dos meus colegas que trabalham na rádio e na imprensa. Foram o Dani Costa e a Suzana Mendes que me indicaram o grupo e incentivaram para que participasse do projecto. A passagem pelo grupo foi fundamental pelos amigos e porque todos tínhamos de fazer tudo, o que nos colocava ao mesmo nível.

Aprendi com estes dois jornalistas que o trabalho e a humildade nos ajudam a ganhar a segurança necessária para crescermos profissionalmente.


É daqueles que está permanentemente com a voz colocada ou tem uma voz para casa e outra para os microfones?

As pessoas que me conhecem sabem que a minha forma de estar é a mesma em todas as situações. Aliás se tivermos a tal “voz colocada” as pessoas descobrirão e isto pode prejudicar a nossa carreira profissional.


Acha importante que uma rádio tenha alguma coisa que caracterize as vozes dos seus profissionais (devem ser escolhidos a dedo) ou será mais importante a diversificação de timbres, sotaques, ritmos e “entoações”?

É mais importante a voz ou o que se diz ao microfone? A rádio não é uma simples caixa de sons, é um meio de comunicação.

Comunicar é transmitir mensagens e nos fazermos entender. E em rádio a comunicação é feita acima de tudo pela palavra e as suas infinitas combinações com os demais sons. Por isso, penso que o primeiro critério deve ser um domínio da língua razoável, tanto em português, como para quem trabalhe com as línguas regionais, capacidade de construção de frases e encadeá-las com coerência e possuir um timbre de voz agradável. Embora seja difícil penso que em todas as profissões devemos sempre tentar ser os melhores. O jornalismo radiofónico não é uma excepção.


Já aconteceu ouvir alguém falar de si sem saber que o tinha mesmo ao lado? Não, mas já aconteceu as pessoas ficarem surpresas ao conheceremme pessoalmente.


O que encontra de mais importante nos programas que faz?


Transmitir mensagens úteis para as pessoas e transmitir boa disposição.

É difícil, mas esta é a nossa missão.


Consegue imaginar-se sem fazer rádio, ou o bicho já o prendeu em definitivo?

Não sei. Nem sequer penso em algum dia não estar de alguma forma envolvido no mundo da rádio.


Gosta de ouvir rádio? Tem a tentação de comparar o seu desempenho com os dos seus colegas?

Trabalhar em rádio é também ouvir rádio. Serve para nos mantermos informados e actualizados, aprendermos com os colegas e para nos entreter.


Temos mais rádios em Angola, e teremos mais, provavelmente, o que diz da qualidade do que por cá se faz?

Penso que evoluímos muito em relação à qualidade. É um pouco difícil analisar a actual geração, uma vez que me enquadro nela. Mas penso que temos bastante qualidade, embora tenhamos de trabalhar muitos aspectos relacionados com o domínio da língua, a criatividade na concepção dos programas de rádio e na área da informação aplicam-se os mesmos problemas que o resto de classe tem de superar. Temos é que continuar a trabalhar e ter a capacidade de detectar falhas e corrigi-las.

Sente que os angolanos têm uma boa relação com as suas rádios? Sente que parte das suas vidas se resolve com o que ouvem nas rádios? Fala-se muito da importância da rádio e da sua capacidade de atingir os lugares mais longínquos do nosso país. Naturalmente, a rádio é importante e possui uma flexibilidade muito grande em relação aos outros meios, mas penso que está na altura de se realizar um estudo sério sobre o tempo que, efectivamente, as pessoas nas várias cidades dedicam para cada meio.


Pensar no processo de comunicação de um banco é muito diferente do que se pode fazer noutros negócios?


Os processos de comunicação interna e externa das empresas que actuam em Angola estão em desenvolvimento, tal como outras áreas operacionais das empresas. Antes de qualquer análise, temos de contextualizar estas empresas ou instituições.

Estamos num mercado em desenvolvimento e onde determinadas actividades ainda são executadas com alguma deficiência e onde são realizadas outras que diríamos que estão desfasadas no tempo. Mas já existem muitas melhorias. Observo o que está a acontecer de forma positiva. Existem bons exemplos de comunicação tanto da parte de instituições públicas como de privadas.

A comunicação é fundamental para qualquer profissional e para todas as empresas. Neste último caso, é tão importante a comunicação interna como a externa. De pouco serve comunicar os objectivos e metas da empresa para o exterior se estes não forem comunicados e interiorizados pelos colaboradores da mesma.

Avalio a comunicação “caso-porcaso” e não por áreas de negócio ou actividade. Cada empresa é um universo com valores e expectativas diferentes, a actuar no mesmo mercado, mas com uma missão diferente.

Prefiro não analisar a estratégia de comunicação das empresas de forma global. Há uma tendência para a proactividade, um conceito que é recomendado pelos especialistas em todo o mundo. Já existem bons exemplos em Angola e penso que teremos no futuro empresas com estratégias reais de comunicação como um pilar fulcral da sua actuação.


É ainda jovem, os seus planos para o futuro passam mais pela rádio ou pela comunicação empresarial ... ou vê-se como banqueiro?


Existem muitos projectos em que poderei estar envolvido, alguns abrangem a comunicação e outros noutras áreas de gestão que são do meu interesse. Como se ensina em Estratégia de Gestão “a melhor estratégia é a acção”, por isso, mais do que os descrever estou a implementá-los.

Perfil

* Nome: António Coimbra da Costa
* Local e data de Nascimento: Luanda, 26 de Março de 1979
* Estado civil: Solteiro
* Tem filhos: Não
* Localidade angolana: Lobito
* Cidade do mundo para férias: Nova Yorque
* Livro de cabeceira: “Gabriel Garcia Marquez Uma vida” de Gerald Martin
* Cantor(a) de eleição: Sou eclético. Aprecio o melhor de todos os estilos.
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Old January 22nd, 2010, 05:44 PM   #38
Matthias Offodile
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Grande Entrevista
David Borges: ‘Sou dos que defendem o CAN’
Tem no Cunene o seu chão físico, embora se tenha feito jovem na Huila.

Quote:
Está em Luanda para o CAN e ouvimo-lo no Jango da Rádio 5. Os angolanos conhecemno da SIC Notícias mas poucos sabem da história de um dos homens que mais faz por Angola nas terras lusas.





O que faz um homem maconje, da Huila, por Luanda?

Há um reino de Maconje no Lubango, mas eu não sou um elemento do reino de Makonje … aquilo tem uma lógica associada, com o pagamento de quotas, e eu não estou nesse plano administriativo. Sou, claro, um antigo estudante do então Liceu Diogo Cão, depois Liceu Mandume, e agora Universidade e, portanto, sou contemporâneo de muitas pessoas que fazem, essas sim, administrativamente parte do reino de Maconje.


Não é um homem da Huila?


Sou um homem do Cunene. Eu nasci no Cunene, é o meu chão físico e sentimental. E depois vem, no plano do afecto, a Huila, porque foi lá que eu atravessei aquelas fases mais impressivas da nossa vida, que é a fase juvenil, a pré-adolescência, a adolescência … o início da idade adulta. Digamos que sou um homem do sul, já que o Cunene e a Huila são duas províncias ligadas.


A Huila que tem dado a Angola muitas pessoas para a comunicação social, há muito homem da rádio …

Eu acho que Angola toda deu. Eu acho que Angola criou uma escola de jornalismo, não apenas no plano da rádio, também no plano da escrita.

Não da televisão, porque a televisão surgiu em Angola mais tarde.


Estes homens que iniciam a tal escola, esses homens do jornalismo, alguns deles chegam depois a Portugal e dão cartas …

Nós tínhamos a noção, em Angola, de que a nossa rádio era pobre, e que a rádio em Portugal e na Europa era rica, que nós éramos fracos e eles eram poderosos. Tínhamos apenas uma escuta limitada em rádio de onda curta, portanto, o que recebíamos dava-nos a ideia de que eles estavam no primeiro mundo da rádio e nós estávamos no terceiro mundo da rádio.

Mas quando chegámos lá e começámos a integrar-nos nas dinâmicas da rádio descobrimos que era precisamente o contrário. Nós tínhamos uma rádio, muito mais avançada, já com uma influência forte brasileira, e que Portugal tinha uma rádio menos avançada, ainda que tivesse, claro, grandes profissionais e grandes programas. Mas a nossa facilidade de integração resultou do facto de termos uma escola muito rigorosa de rádio, de termos uma grande paixão pela rádio e de termos uma polivalência na rádio, que em Portugal eles não tinham. Digamos que em Portugal o homem da rádio fazia o seu papel. Se tinha de escrever notícias só escrevia notícias, se tinha que ler notícias só lia notícias, e nós, em Angola, fazíamos tudo. Redigíamos notícias, líamos as notícias, fazíamos rádio-teatro, fazíamos relatos, reportagens … e, portanto, estávamos mais capacitados para enfrentar aquilo que hoje veio, inevitavelmente, a acontecer no plano da rádio na Europa que foi a polivalência. Aquela função, a multifunção que impôs que o jornalista da rádio em Portugal se tornasse até, mais tarde, em “técnico” porque passamos a operar também em estúdios “autooperados”, sem a presença clássica do técnico e, portanto, nós estávamos, creio eu, mais bem preparados.


Haveria uma espécie de corporação …

um forma de agir dirigida, já que os profissionais idos de Angola e Moçambique acabaram por ter, quase todos, uma integração boa e destaque… Não foi boa, foi complicada…


Mas depois surgiram coisas como a TSF, a que esteve ligado …

Sim, como um dos fundadores.


E foi uma coisa completamente nova, em Portugal, e mudou quase tudo na rádio …

Sim. Como disse, nós sentimos estar muito bem capacitados quando chegámos lá e nos confrontamos com os homens da rádio de Portugal, e tínhamos uma visão muito mais aberta das coisas. Aliás, esta foi sempre uma característica de Angola, como país grande que é, há sempre uma noção de horizonte e de espaço muito maior que a noção de horizonte e de espaço em Portugal e, portanto, tínhamos a ousadia de pensar sempre muito mais largo que os portugueses e, por isso, impulsionamos a criação dessa rádio que foi uma pedrada no charco no meio radiofónico português … que fói a criação da TSF. E, a partir daí, de facto, houve um impulso fantástico na comunicação em Portugal. Foi a TSF que fez a rádio avançar muito depressa, pouco tempo depois, ou mais ou menos em simultâneo, surgiram dois jornais que também impulsionaram a imprensa fortemente, que foi o jornal Público e o jornal Independente … em Portugal havia já o jornal Expresso que era muito forte e, depois, um pouco mais tarde, também a própria televisão foi impulsionada com a criação da SIC, dirigida, ela também, por um homem de Angola, o Emídio Rangel, que já tinha estado na criação da TSF.


Há particularidades … a TSF é uma rádio jornal, dedicada, praticamente, apenas às notícias, e em Angola temos uma rádio dedicada exclusivamente ao desporto … faz ainda sentido a existência de rádios “temáticas”?

Faz sentido, aliás há muito tempo que fez sentido, sobretudo nos Estados Unidos da América onde existem rádios segmentadas de todo o tipo, há rádios só desportivas, há rádios só de notícias, há rádios só de desportos motorizados, há rádios só de economia … e, portanto, a Portugal chegou a ideia atrasada, com o nascimento da TSF, e tão atrasada que foi numa surpresa absoluta a forma como a TSF se lançou. No plano de Angola, eu creio que é inevitável também esse caminho, que será seguido, porque hoje, de facto, há, para além da globalidade de uma massa ouvinte, estamos a falar apenas de rádio, podemos falar de televisão … há, depois dessa enorme massa de ouvintes, grupos que têm interesses muito específicos.

Grupos que se interessam muito por desporto, há grupos que se interessam muito por economia … há os que se interessam muito por desportos motorizados, só para falar de algumas áreas e, portanto, inevitavelmente acontecerá também, sobretudo num país grande como é este. Acontecerá, creio, essa dinâmica de criação de rádios segmentadas dirigidas para um alvo específico, dando aquilo que o alvo pretende receber e ganhando em troca a motivação promocional que desse nicho de mercado irá resultar.

A rádio 5, creio que é um projecto absolutamente bem sucedido, aliás, creio que é um fenómeno de rádio em Angola, é ouvida de Cabinda ao Cunene, e há uma ligação muito forte à Rádio 5. De desporto, em Portugal, gostamos todos, é uma área que atravessa toda a sociedade, tocando todas as pessoas e, portanto, faz sentido. Se calhar não faz sentido não haver uma rádio desportiva em Portugal.


Está ligado à RDP África?

Não. Já estive…


Mas esteve ligado ao seu surgimento …

Sim, estive na fundação da TSF e depois criei a RDP África. Estive lá dez anos, o projecto esgotou-se …


Porquê, deixou de ser interessante comunicar com a comunidade africana em Portugal, opu deixou de ser interessante comunicar para África?

É preciso estar em Portugal para sentir a avidez comunicacional que as comunidades africanas residentes em Portugal tinham e têm. É também interessante projectar a experiência colhida no plano da emissão para África, para Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde.

Porque havia como que um circuito de dois sentidos, nós levávamos para os países de origem as dinâmicas das comunidades residentes em Portugal e trazíamos para as comunidades as dinâmicas dos seus países de origem.

Isso era fantástico e continua ser fantástico. O problema é que houve o momento em que se poderia dar o passo em frente e não foi dado, por não haver grande interesse.




“… um dos dramas de Portugal é a sociedade portuguesa muito afastada de uma realidade que sabe que existe mas com a qual não convive…” Isso significa o quê?


Sublinho, nem da administração da RDP, a RTP agora é a junção da rádio e televisão, nem, num plano mais extremo, da própria estrutura governativa portuguesa e, julgo, posso dizer também, por desinteresse das próprias nações africanas. Porque nós podemos imaginar, pode parecer um bocado confuso, uma utopia, mas podemos imaginar uma RDP África e também uma RTP África, se quiséssemos, neste plano: a criação, em Portugal, nas comunidades residentes, de rádios comunitárias, rádios das próprias comunidades, se quiser uma rádio da comunidade cabo-verdiana, uma rádio da comunidade angolana, uma da guineense, etc., e ser possível criar um triângulo comunicacional, isto é, as dinâmicas comunitárias levadas as suas rádios das comunidades, captadas pela RDP África, podiam levar as suas dinâmicas para África e fazer o sentido inverso … trazer de África as dinâmicas dos países africanos e transferi-las imediatamente para as rádios comunitárias. Imagine termos uma festa cabo-verdiana que uma rádio comunitária cabo-verdiana faria, que a RDP África retransmitiria e que seria captada em Cabo Verde.

Poder-se-ia criar assim uma ligação muito íntima entre a comunidade e o país de origem. O contrário também é verdade, imaginemos um importante discurso do Presidente de Cabo Verde que seria transmitido pela RDP África e retransmitido pela rádio comunitária cabo-verdiana. Podia-se criar aqui uma rede comunicacional que aprofundaria muito as relações entre os que estão fora e os que estão dentro e, numa perspectiva mais larga, poderia também desenvolver-se uma situação mais próxima dos próprios ouvintes portugueses, que um dos dramas de Portugal é a sociedade portuguesa muito afastada de uma realidade que sabe que existe mas com a qual não convive, que é a realidade das comunidades africanas que estão em Portugal.


Mas buscando essa proximidade acaba por ser referenciado como um dos homens que mais defendeu a “promoção” da imagem de Angola, fundamentalmente, em Portugal

“Sou um homem do Cunene. Eu nasci no Cunene, é o meu chão físico e sentimental.”
Sim, por ser angolano, mas enquanto director da RDP África eu procurava projectar as cinco comunidades e os cinco países africanos de língua portuguesa. Digamos que eu era angolano fora da RDP África e tinha de ser, obrigatoriamente, angolano, moçambicano, santomense, cabo-verdiano e guineense dentro da RDP África. Mas o que se pode dizer é que eu desenvolvi um papel que as elites africanas deveriam ter desenvolvido e deveriam estar a desenvolver em Portugal. Falando com toda a franqueza, faz muito pouco sentido que eu, representante da minoria africana, sendo branco, tivesse a ousadia de liderar movimentos que têm de ser traduzidos pela maioria negra. Isto é, as elites negras africanas em Portugal é que deveriam puxar o comboio. Eu iria nele sempre …


Mas contou com pessoas como o Ismael Mateus, o José vieira …

Sim, eu tentei dar à RDP África um rosto multi-nacional, com a presença de jornalistas dos cinco países africanos, mais Portugal, e tentei, evidentemente, colocar dentro da RDP África profissionais africanos que acidentalmente estavam em Portugal, de passagem, em formação… de forma a acentuar essa ligação. Foi muito mais confortável para mim ter a Paula Simons e o Ismael Mateus dentro da RDP África porque eu sabia que eles tinham um aporte angolano muito forte, que eu, há muitos anos fora de Angola, não poderia levar.


Faz muita diferença ser um africano branco ou um africano negro …

Para mim não faz, mas temos de ser realistas. No mundo em que vivemos hoje, não tenhamos ilusões, as coisas ainda estão muito marcadas. Eu bato-me e bati-me em Portugal pela necessidade de Portugal começar a introduzir nas suas componentes de poder gente que representasse aquela que é uma fatia importante da sociedade portuguesa hoje. Não sei exactamente quantos são, mas talvez dez por cento da população que reside em Portugal é africana. E essa representação não existe, não temos deputados negros na Assembleia da República, não temos líderes autárquicos que representem as suas próprias comunidades. Repare que a Amadora que é um município fortemente africano, sobretudo cabo-verdiano, não tem esse rosto … eu acho que isso é importante, para começarmos a misturar muito as cores, para que se dilua a diferença das cores. Estamos a assistir esse fenómeno nos Estados Unidos … à medida em que há mais mistura nos Estados Unidos, mais facilmente as dinâmicas da sociedade americana funcionam, até ao ponto de finalmente haver um presidente negro nos Estados Unidos da América, o que é uma coisa impensável ainda na Europa, ou impensável em África porque as situações são semelhantes.

Encontra gente com que trabalhou em Portugal em Angola …

É com muito prazer que sei que o José Vieira está a liderar a Rádio Mais, que o Guilherme Galiano está a dirigir a área de programas da TV Zimbo, o Ismael … não é que a RDP África tenha produzido esses profissionais, porque eles já eram grandes profissionais


E perde-los na RDP África?


Eles perderam-me a mim primeiro, eu fui o primeiro a sair, ainda lá ficaram o Zé Vieira e o Guilherme Galiano que saíram depois.


É um homem muito ligado aos desportos também

Também


E este CAN?

Eu tenho uma dupla perspectiva para este CAN e tenho tentado traduzi-la. Eu sou dos que defendem a realização do CAN, sei que há vozes críticas, consideram que há outras prioridades, e lembro-me que em Portugal também haviam outras prioridades quando se realizou a Expo, 98 e depois, durante a Expo toda a gente se encantou, e hoje toda a gente se deslumbra com a recuperação de toda aquela zona de Lisboa. Lembro-me que as pessoas eram muito críticas com a construção do centro cultural de Belém, porque havia outras prioridades, e hoje os portugueses se orgulham do CCB e vão para lá em massa. Alguns portugueses também foram críticos do Euro 2004 mas depois deslumbraram-se com o Euro … só que não estão hoje muito satisfeitos porque alguns dos estádios não era necessário construir…


Estão às moscas…

Estão às moscas … e eu acho que no plano do CAN, por exemplo, não seria muito necessário o estádio da Tundavala no Lubango …


Já havia e se poderia recuperar o da Nossa Senhora do Monte?

O estádio da Nossa Senhora do Monte tem um enquadramento fantástico, é dos estádios mais lindos que eu conheço, no enquadramento paisagístico, extremamente bonito e é um estádio amplo que poderia, como foi, receber cadeiras, ser aprimorado e transformar-se no Estádio do CAN.

E depois temos os campos do Ferrovia e o do Benfica que foram reabilitados, lindíssimos, que serviriam como campos de apoio. Portanto, dos quatro estádios, em minha opinião, talvez o do Lubango não faça sentido, porque depois há que pensar no aproveitamento dos estádios …. E como se está a passar em Portugal com os estádios de Aveiro, Coimbra e do Algarve, pode ser que a Huila encontre problemas por não conseguir rendibilizar aquele espaço e aquilo se transformar, gradualmente, num peso muito forte, porque manter um estádio daqueles que é muito bonito, e eu sinto-me orgulhoso pelo estádio da Tundavala, embora ache que não seria necessário no Lubango, em função das infra-estruturas que já havia, … manter aquele estádio vai custar muito e um dia poderão também pensar, o que é que nós fizemos? … Passando para o CAN, também sei que há angolanos críticos em relação ao CAN, mas daqui a uns tempos as pessoas vão lembrar-se da festa vivida durante o CAN e vão, se calhar, orgulhar-se da infra-estrutura que o CAN criou ou acelerou. Sem o CAN provavelmente não haveria já novos aeroportos, novas vias, não haveria o desenvolvimento de telecomunicações, as novas capacitações humanas que o CAN trouxe. Sou um defensor do CAN, acho que essa é a primeira vitória de Angola, a vitória das conquistas infra-estruturais, é o plano da projecção da sua imagem, Angola está a dizer ao mundo que tem capacidade organizativa e que pode realizar uma competição deste tipo com um elevado nível, e, num segundo plano, a equipa de futebol, essa será a segunda conquista se Angola vencer.

Como estamos a falar de futebol, em que todos os resultados são possíveis, eu tenho medo que, como aconteceu em Portugal, as pessoas foram inchando o seu ego à medida que Portugal caminhou e depois, quando chegou à final e perdeu com a Grécia, foi um murro no estômago e o país deprimiu-se muito. Eu temo que Angola, não ganhando, os angolanos se deprimam também muito. Temos de estar preparados …


Diz-se que se Portugal tivesse ganho o Euro provavelmente a crise portuguesa teria sido adiada ou menos acentuada

“… repare-se ainda agora no atentado de Cabinda, que foi um atentado terrorista, parece-me que é claro para todos, e deveria ser sublinhado como isso, e no entanto, houve algum destaque dado a entidades que reclamavam a autoria do atentado, acho isso absolutamente intolerável …”
É importante dizer que o que queremos é que a equipa ganhe, oxalá. Mas sendo o futebol o que é, pode também não ganhar, e temos de estar conscientes disso e conscientes daquilo que disse o poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade, depois daquela traumática eliminação do Brasil no mundial de 1982, que deprimiu profundamente o Brasil, e ele viu-se obrigado a escrever uma crónica a dizer que apesar da eliminação, o sol continuou a nascer no Brasil todos os dias. Também em Angola, se houver uma desilusão, o sol há-de continuar a nascer todos os dias.




Quando um dos países de língua portuguesa está em competição, acabamos por experimentar uma quase transferência de identidade: quando o Brasil joga torcemos pelo Brasil, quando é Portugal torcemos por Portugal, a grande maioria das pessoas … tem feedback de Portugal sobre este CAN?


Infelizmente é pouco o feedback, embora, por exemplo, a SIC Notícias tenha aberto, ainda na passada segunda feira, no programa “O Dia Seguinte”, um espaço de aproximadamente 15 minutos para a qualificação de Angola, em que eu tive o prazer de intervir… acho que não há é absorção ainda, e eu creio que no plano desportivo e em todas as áreas, os sucessos de um país têm de ser digeridos pelo conjunto de todos os países que têm essa ligação epidérmica. Eu bati-me, por exemplo, pela necessidade que a nossa comunidade de língua portuguesa absorvesse os sucessos que a Maria de Lurdes Mutola ia conseguindo para Moçambique, porque é muito mais agradável nós projectarmos não apenas as nossas reduzidas conquistas, de Portugal ou de Angola, ou de Moçambique e podermos junta-las todas, e aá podemos ter um assomo de orgulho comunitários, se juntarmos as medalhas do Brasil, de Angola, de Moçambique … dá sempre um volume maior … começar a digerir a necessidade de destacarmos os sucessos de cada um dos países. E assim como Angola celebrou e acompanhou com muito interesse o Euro 2004, eu gostaria que Portugal e o Brasil celebrassem mais o CAN de Angola. Infelizmente ainda estamos longe desse momento, mas aos poucos, eu creio o caminho será esse também.


Num outro plano, sente-se em Angola, talvez pela exiguidade do mercado, ou por outro tipo de sentimentos, que podem ser legítimos, uma reacção, também epidérmica, quando se fala de profissionais vindos de Portugal para trabalhar em Angola. Há pessoas que reagem mal, julga que há alguma zanga que nega algum carinho para os que saíram e querem voltar, ou é um sinal de que os angolanos, em alguns planos, querem ficar orgulhosamente sós?

Eu percebo … e quero dizer já que eu não venho para Angola, vou vindo a Angola.


Está de parte a hipótese de vir para Angola?


Não, definitivamente. Não, porque tenho família e não posso trazer a família toda para cá, a minha mulher tem uma profissão estável em Portugal, a minha filha tem uma profissão estável em Portugal e, portanto, eu sozinho não venho, com a família não sendo possível, isso está bem interiorizado em mim. E também aos sessenta anos nunca seria uma ameaça para ninguém. Compreendo algumas reacções … por isso vou vindo à medida que me vão pedindo para vir, se não me pedirem para vir eu não venho, venho apenas de férias.

Mas se me pedirem eu aceito e venho transmitir alguma da experiência que tenho. Mas percebo que o fenómeno não é só no campo do jornalismo, mas em todos os campos. As pessoas que atravessaram um período extremamente difícil em Angola ficaram, confrontaram-se com todas as dificuldades do mundo, e quando o país começou a ser estável a expectativa deles é que essa presença, essa continuidade também fosse premiada de alguma maneira. E podem sentir que as pessoas que bazaram daqui, por circunstâncias várias, e que depois vendo Angola estabilizada rapidamente retornam, constituem uma injusta concorrência, eu posso perceber isso. Mas é preciso pensar um pouco o que vai ser esse país, eu sinto e sei que tudo está centrado em Luanda. É para Luanda que as pessoas vêm, porque, se calhar, há essa ideia de que é em Luanda onde está o dinheiro, é em Luanda onde está o emprego, o futuro.

Mas Angola tem 18 províncias, e eu sou do sul, sinto que há um espaço de crescimento necessário naquelas províncias. O Bié, por exemplo, é do tamanho de Portugal e terá 500 mil habitantes, no Bié tudo está por fazer.

Se formos para o Kuando kubango é o mesmo, Moxico, Zaire, Uige, lundas… a faixa litoral, mais o Lubango e mais o Huambo estão a desenvolver-se, mas há províncias onde as coisas não se estão a desenvolver. Se eu tivesse 40 anos, por hipótese, e me convidassem para vir para Angola, eu gostaria de fazer um trabalho fora de uma destas províncias, não gostaria de vir para Luanda, porque sinto que a parte mais estimulante para a reconstrução do país está fora de Luanda. Como é que se vai para o Kuando kubango, para o Moxico? que tipo de condições existem? Que tipo de apoios, o que vai lá encontrar? … estamos a falar na área da comunicação social e eu acho que isso é o que se tem de começar a pensar. Antes do CAN andei por Luanda, Cabinda Benguela e Lubango, tive contactos com jornalistas e sinto que se Luanda tem dificuldades no plano do jornalismo, e não estou a falar do entusiasmo e da paixão, da capacidade de trabalho, do potencial, estou a falar de aprimorar as coisas, de melhorar os gestos técnicos, de melhorar a língua, de melhorar a comunicação, Luanda tem problemas, mas, depois, a medida que nos afastamos deste centro os problemas vão crescendo, vão-se multiplicando. A situação é menos positiva em Cabinda, Lubango e Benguela, agora não imagino o que será no resto das províncias que eu não citei. O problema não é ter medo dos angolanos que regressam, o problema é pensar o que é que esses angolanos que regressam podem fazer. Porque nem tudo pode estar a acontecer em Luanda ao mesmo tempo, nem em Luanda podem desaguar todas as pessoas que querem vir ganhar dinheiro, ou ter um emprego, um futuro. Acho que o futuro…




Mas têm o direito de regressar a casa

Sim mas a casa maior é Angola. A minha casa pequena ou é no Lubango ou é no Cunene…


Portanto, na pele de fazendeiro …

Não, não. Quando eu assumi a minha condição de homem da comunicação, homem da rádio, é para toda a vida, como o casamento. Eu vindo para Angola, viria para trabalhar na minha área, até porque não tenho jeito para fazer negócios. Mas vindo para a minha área, eu sou franco, gostaria de desenvolver o meu trabalho não em Luanda, mas, sobretudo, no Lubango ou em Ondjiva, que são os meus espaços, e onde eu sinto que as carências são maiores e onde eu poderia, eventualmente, ser mais útil.

Essa é a reflexão que vai ter de se fazer porque o país precisa de crescer harmoniosamente. Já antes da independência Angola era Luanda e a capital a Mutamba, depois da independência, se calhar acentuou-se ainda mais essa imagem.


Mas apesar da influência que os comunicadores angolanos têm em Portugal, ciclicamente temos arrufos com entidades estatais ou governativas angolanas. Os que é que se passa, é Portugal que deixou de saber ler a Angola de hoje, ou é essa Angola, essa África que já não aceita leituras francas ou enviesadas feitas de fora? Esta Angola particularmente.

Eu acho que Portugal precisa de voltar a conhecer África


De actualizar-se?

“O problema dos especialistas é que são especialistas de leituras de jornais, e eu não quero ofender essas pessoas, parto do princípio que fazem análises de boa fé, mas para escrever sobre um país, eu acho que a responsabilidade de escrever sobre um país é tremenda.”
De se actualizar, em todos os países africanos, embora Cabo Verde menos, porque o turismo tem levado muitos portugueses para Cabo Verde … em relação a Angola há um fenómeno especial, eu sinto que Angola e Portugal são tão próximos que inevitavelmente têm de ter arrufos, é como dois irmãos que se amam e às vezes se odeiam. E eu não quero centrar culpas, penso que pode haver culpas dos dois lados.

Situando-me no meio em que vivo, que é o de Portugal, eu sinto que tem havido um problema grande, isto é, a imagem projectada de Angola em Portugal foi sempre uma imagem negativa, por causa da guerra e por causa das consequências da guerra. As imagens que passavam na televisão ou eram imagens de conflito, ou imagens de zonas destruídas pela guerra, ou eram imagens de populações em fuga, ou de populações traumatizadas, ou de crianças abandonadas, crianças com moscas a volta e ranho no nariz, crianças a viver em esgotos a céu aberto … essas foram sempre as imagens que foram transmitidas. E, apesar de tentar confrontar as pessoas com a inevitabilidade de outras imagens de Angola, porque Angola apesar das suas crises continuou a produzir coisas, continuou a ter escritores que escreviam, a ter músicos que faziam música, continuou a ter professores que davam aulas, continuou a ter investigadores que investigavam … tudo isso não é de agora, mesmo nos mais pesados tempos de guerra Angola continuou a produzir isso mas nunca houve uma imagem clara dessa Angola em Portugal. E mesmo os produtos que chegam a Portugal … os livros ainda têm uma entrada razoável, embora limitada, mas no plano da música, por exemplo, não é possível ouvir uma música angolana na rádio pública portuguesa, o que eu acho que é uma coisa absolutamente inacreditável. E também na rádio privada.

Mas enquanto a rádio privada tem a sua capacidade de opção, eu acho que a rádio pública deveria ter como uma das suas obrigações promover a cultura da comunidade dos países de língua portuguesa, o que significaria também dar espaço à música de cada um dos países. O que temos é uma cooperação portuguesa influenciada, para Angola, pelas imagens da televisão, e pela ausência absoluta de referências angolanas, ou africanas, no plano da rádio, ou nos jornais, ou iniciativas produzidas por entidades que quisessem promover esse melhor conhecimento. Quando estava na RDP África produzíamos coisas pequeninas no mês de Maio, mês de África … fazíamos coisas pequenas nos jardins de Belém, porque não tínhamos capacidade para fazer coisas maiores, e os portugueses surpreendiam-se e iam perguntando o que é aquilo? Aquilo é uma múcua, aquilo é um disco de Angola … as pessoas interessavam-se e não conheciam. Há um desconhecimento gerado por uma comunicação social mais virada para o que é mau, o que acontece de mal … repare-se ainda agora no atentado de Cabinda, que foi um atentado terrorista, parece-me que é claro para todos, e deveria ser sublinhado como isso, e no entanto, houve algum destaque dado a entidades que reclamavam a autoria do atentado, acho isso absolutamente intolerável …

Mas isso é um traço que marca a comunicação social portuguesa, ou ocidental, se olharmos para os noticiários portugueses normalmente os destaques vão para assuntos “negativos”, quer ocorram em Portugal, quer fora … há os escândalos políticos, os apitos dourados … isso pode dizer-se que não é apenas em relação a Angola

Não, é essa a lógica, mas o que eu quero dizer é que temos uma proximidade que nos deveria obrigar a olhar com mais afecto, com mais atenção para as coisas que os nossos países vão produzindo. Há pouco falei do desporto, da necessidade de dar mais destaque no Brasil, em Portugal e em Angola, das conquistas olímpicas de Maria de Lurdes Mutola, mas podemos falar de mil outras coisas.

Deveríamos estar atentos às nossas realizações e as nossas capacidades, e não estamos, e esse é um problema.

Mas se eu ainda tolero que no plano da comunicação social privada isso se faça, porque as opções são claramente privadas, a questão é que temos uma estrutura em Portugal, de serviço público, que se chama RTP, estou a falar da rádio e da televisão, que têm uma responsabilidade maior e essa responsabilidade não é assumida por entrar a RTP em lógicas concorrenciais com as entidades privadas que vão na mesma linha.


Durante algum tempo moderou debates na RDP África, e voltando ao conhecimento mútuo entre os países, encontramos em Portugal pessoal tituladas de especialistas em assuntos africanos, porque estiveram num país africano por dois ou três anos, mas não encontramos entre as comunidades africanas, por exemplo, pessoas que lá tenham vivido vinte anos, que tenham lá estudado, que se lhes reconheça o rótulo de especialista em estudos europeus … isso marca a forma como as comunidades olham uma para a outra?


Eu acho é que praticamente não se olham, isso é dos grandes dramas da sociedade portuguesa, não sei se é um drama também aqui em Angola, não vivo cá, venho de férias de um ou dois meses, não dá para perceber isso. Mas em Portugal há esse problema, as comunidades não se olham. Há um dia em que em Lisboa nós vemos África irromper nas ruas, é o dia das visitas de parentes. Sábado, em princípio não se trabalha, e o que podemos perceber, se tivermos um olhar mais atento, é uma grande circulação de pessoas de raiz africana nos movimentos pela cidade para se visitarem entre si. Digamos que é o único dia em que Lisboa parece uma cidade multi-étnica, para usar uma expressão politicamente correcta. Nos outros dias não, nos outros dias não há esse cruzamento intenso de africanos e portugueses.

Depois a separação é sempre grande relativamente aos locais onde as pessoas vivem. Eu tentei, na Cova da Moura, um bairro sempre falado pelas piores razões, mas em frente ao bairro há gente portuguesa que lá vive, e eu tentei acções naquela fronteira que misturassem aquelas pessoas levando a parte portuguesa para o interior da Cova da Moura e os da Cova da Moura para a parte portuguesa, mas para isso é sempre preciso um parceiro e a RDP África fez isso muitas vezes, mas fazia-o para a comunidade africana da Cova da Moura, era preciso ter um parceiro como a Antena 1, um canal português (da rádio estatal). Se eles se associassem a nós teríamos uma Antena 1 a transmitir para o lado português e a RDP África para todas as comunidades africanas … e não era preciso fazer 24 horas por dia, programas regulares de uma ou duas horas serviriam muito bem para esse processo de conhecimento.

As pessoas quando vão para a noite africana de Lisboa gostam, se se confrontam com uma comida africana gostam, se contactam com pessoas africanas gostam … no fundo o que se deve fazer é transferir por alguns momentos a cultura, a comida, as discotecas africanas para o contexto da sociedade portuguesa, mas isso não é feito por falta de comparência de entidades que têm responsabilidades e eu nem sequer ponho à margem a responsabilidade das próprias embaixadas africanas que eu acho que poderiam fazer muito mais. Acho que a RDP África fez mais em dez anos pela relação entre as comunidades africanas residentes em Portugal e os seus países de origem do que as próprias embaixadas.


O seu trabalho leva-o a lidar com muitas pessoas … acha que as pessoas que fazem opinião têm sido suficientemente justas, tanto em Angola como em Portugal, em relação aos dois países … Ou são mais apaixonadas que justas?

“… também sei que há angolanos críticos em relação ao CAN, mas daqui a uns tempos as pessoas vão lembrarse da festa vivida durante o CAN e vão, se calhar, orgulhar-se da infra-estrutura que o CAN criou ou acelerou…”
Há uma paixão, um fenómeno qualquer que faz com que as pessoas se sintam mortificadas com o sucesso dos angolanos … se descobrisse isso talvez em vez de nos zangarmos mais vezes poderíamos tentar perceber melhor o que é que se passa de um lado e do outro, porquê que essa relação às vezes se complica. Vou dar um pequeno exemplo do que pode ser feito: a minha filha tem trinta anos, nunca tinha vindo a Angola, apesar das minhas várias tentativas, porque vivia muito condicionada pela realidade angolana que chegava a Portugal. Quando eu vinha a Angola e levava cassetes de vídeo e lhe mostrava, ela acusava-me de ser parcial, por só filmar coisas bonitas em Angola e de não filmar as coisas más. E eu dizia-lhe que as coisas más já as tinha na televisão, que não estava a negar as coisas más que a televisão apresentava, mas que estava a mostrar-lhe as coisas boas que a televisão não mostra e deveria mostrar. Em 2005 ela veio comigo e com a mãe dela, tivemos uma experiência desagradável em Luanda, apanhamos um táxi sem ar condicionado, em pleno Janeiro, com trânsito caótico, no meio da vertigem angolana que ela não conhecia, aquilo começou mal … mas depois, ao chegar ao Lubango, começou a correr bem e na passagem por Luanda, no regresso, já correu melhor. Ela encontrou-se com Angola e criou amizades em Angola ao ponto de querer vir de novo.

Mas de uma pessoas desconfiada em relação a Angola, descobriu uma Angola que ela não conhecia, senão através do pai, mas que ela acusava de parcialidade. Movimentou-se bem em Angola, fomos ao Cunene, fomos ao Kipungo, porque quis parar na igreja, tirou fotografias, interrompeu uma aula de crianças que estudavam de baixo de uma árvore ao lado da igreja, ela interiorizou a sua própria condição de angolana filha de um angolano. Este processo pode reforçar o conhecimento e as pessoas ficam a gostar.

O problema dos especialistas é que são especialistas de leituras de jornais, e eu não quero ofender essas pessoas, parto do princípio que fazem análises de boa fé, mas para escrever sobre um país, eu acho que a responsabilidade de escrever sobre um país é tremenda, e é preciso sublinhar a essas pessoas um nome, de um europeu, já falecido, infelizmente, polaco chamado Ryszard Kapuscinski que sempre fez reportagens baseando-se nisso: eu, para ter a ousadia de escrever sobre a realidade de um povo tenho de viver no meio desse povo. E por isso, quando ele ia para as sete partidas do mundo alojava-se numa comunidade tão representativa quanto podia encontrar, andava em transportes públicos, corria riscos, mas dizia ele que só a partir dessa vivência é que se sentia com coragem para escrever sobre um povo.

As pessoas precisam de interiorizar isso. Não digo que venham e façam exactamente o mesmo, mas que venham com frequência e que procurem conhecer a realidade do país, porque um país não se conhece pela leitura e pelo estudo que se faz. Conhecese andando no país, falando com as pessoas, entrando nas comunidades, entrando nos mercados, falando com as kínguilas … só assim é que alguém pode ter a ousadia de ser especialista em assuntos africanos, porque essa especialidade é teórica, não é prática e nem eu me atrevo … por isso é que gostei muito de ter a trabalhar comigo a Paula Simons e o Ismael Mateus, porque eles levaram para a RDP África o conhecimento cheirado da realidade angolana, coisa que não sou capaz de fazer, nem me atrevo a isso, porque a minha vinda a Angola, embora frequente, é muito limitada no tempo e isso não me dá substrato para chegar a Portugal e falar em nome de Angola.

Procuro defender Angola em algumas situações e algumas não são nada fáceis, de facto.


Já se sentiu confrontado com alguma cobrança por estar na SIC e a SIC e as algumas entidades ou pessoas singulares angolanas andarem de costas viradas … já lhe atribuíram alguma culpa, mesmo por eventualmente não fazer por evitar certos “exageros”?


Não. E acho não o fariam porque é preciso separar as águas, a entidade das pessoas. a entidade SIC, SIC Notícias, é uma entidade respeitável que tem fundamentos muito respeitáveis, e que aliás, e penso que até gostaria de aprofundar relações com Angola. Não tenho dúvidas nenhumas de que a SIC Notícias gostaria de aprofundar relações com Angola e relações numa base de exploração de mercados, de negócios, isso não é mau. O problema é que há algumas pessoas que têm a tal visão de Angola que é colhida, não da realidade vivida, mas daquilo que lêem, ouvem, vêm … porque, voltamos ao princípio, pode ser tudo o que se diz, mas o problema é que não se diz aquilo que está no oposto do que se diz.

Tenho discussões violentas em Portugal, mesmo sobre o plano da corrupção, que em Portugal é obsessivo, e eu não nego a realidade da corrupção, porque em Portugal também há corrupção, como se tem visto até pelos últimos desenvolvimentos … mas costumo dizer que a corrupção é um fenómeno das pessoas e que há-de existir sempre e que nenhuma sociedade e nenhum país produziu elites ricas que não tenha sido, em boa parte, em algumas delas, apoiadas em bases ilícitas, ou até desumanas, nenhuma sociedade do mundo.

Basta recuar em Portugal ao tempo dos marqueses e dos duques, em que o rei oferecia terras e as pessoas que estavam nas terras, eles cobravam às pessoas as terras, enriqueciam, multiplicavam propriedades … todas as sociedades produziram elites ricas que não se podem considerar situações exemplares … e Portugal tem oito séculos de existência e ainda temos fenómenos de corrupção, e continuará a tê-lo, portanto não pode ousar pensar que Angola com trinta anos de independência tenha todos os seus problemas resolvidos. Acho que esse tipo de olhar para Angola é profundamente injusto, porque há uma parte de Angola que deveria merecer todo o respeito do mundo a essas pessoas, que tendem a meter tudo o que de mau Angola tem no conjunto da sociedade angolana, sem creditar também à sociedade angolana muito do mérito que ela tem nas conquistas que Angola vai tendo, sobretudo depois de alcançada a paz.
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Old February 1st, 2010, 07:32 PM   #39
Matthias Offodile
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Julibel Fernandes
Um regresso 
em grande estilo
Estilista e consultora de moda



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Nada acontece por acaso, e para Julibel Fernandes, estilista há mais de dez anos, esta é a altura propícia para entrar no mercado angolano e mostrar o seu trabalho, pois reconhece que a moda em Angola está cada vez melhor. Já realizou inúmeros eventos na diáspora e como boa angolana que é, sente que, após 34 anos longe do país, é mais do que tempo de regressar as origens.

raízes angolanas

Saiu de Angola ainda muito cedo, com apenas seis anos de idade e foi para Portugal com a família. “A minha mãe e os meus tios, que na altura tinham filhos pequenos, ficaram com medo que houvesse guerra, estamos a falar de 1975, altura da Independência. O meu pai é angolano e a minha mãe portuguesa, é curioso porque ela veio para Angola, com a mesma idade que eu fui para Portugal. O meu pai vinha sempre para aqui, mas nós não. Voltei o ano passado para o casamento de uma cliente. Foi muito emocionante, e agora estou de volta”. Foi atleta federada de esgrima e praticou equitação, desportos que a ajudaram bastante durante a adolescência.



“Soube desde sempre que teria uma profissão ligada ao mundo das artes, só não sabia qual”, diz-nos Julibel Fernandes de forma convicta. A estilista estudou Design no liceu e afirma ter gostado muito. Quando se apercebeu do surgimento de cursos para formação nesta área, sentiu- -se tentada a fazer parte deste universo, pois viu que tinha tudo a ver com ela.
formação em arte

Apesar de ainda ter arriscado seguir o curso de Design de Comunicação, na Faculdade de Belas Artes, na Universidade do Porto, em Portugal, chegou a conclusão de que aquele não era o seu universo perfeito. “Cheguei a um ponto em que me apercebi que os computadores não eram para mim. Gostava mais do trabalho manual. Fiz um curso de Estilismo e Modelismo e fui trabalhar para uma fábrica. Também percebi que isso não era para mim. Gosto de ter a percepção da influência que o meu trabalho tem sobre as pessoas e isso acontece no atelier. Ter contacto directo com o cliente é muito mais gratificante”, sustenta

consultora de moda

Além de criadora, Julibel é também consultora. “No atelier executam-se muito mais que vestidos. Como também faço consultoria de moda, tento ajudar as pessoas a encontrarem o seu estilo. Quando alguém se sente bem vestido, sente-se também mais confiante. Mais que ajudar as pessoas a estarem bonitas — penso que essa é a parte mais fácil — pretendo ajudar as pessoas a estarem mais confiantes em si e nas suas opções. Isso passa para os outros. Nós comunicamos com a imagem e temos que comunicar bem”, defende.

Em 1996 abriu o seu atelier, onde o trabalho manual tem um peso muito grande. Para além de desenhar vestidos executa bordados à mão, cria e elabora acessórios como colares, brincos, carteiras e sapatos. Tudo para a criação de um visual perfeito.



Apesar de já ter vivido grandes momentos — entre os quais destaca o facto de ter trabalhado directamente com o famoso estilista e arquitecto Paco Rabanne — a designer reconhece que o seu grande momento está para vir. Sonha com o dia em que fará um desfile individual em Luanda, a cidade que a viu nascer.

o auge da carreira

Não faço apenas vestidos. 
Ajudo as pessoas a serem mais confiantes e a encontrarem 
o seu estilo próprio.
Havendo que escolher um momento em 13 anos de profissão, Julibel escolhe a festa dos seus 10 anos de carreira, onde pode contar com todos os seus amigos, clientes e colaboradoras. A apresentadora da RTP — —Rádio Televisão Portuguesa, Sónia Araújo, amiga de longa data da estilista, foi a imagem dos seus acessórios de moda. E a também jornalista Merche Romero desfilou com um corpete em ouro desenhado por Julibel Fernandes especialmente para a ocasião.

“Foi lindo, senti-me bastante emocionada. Quando se trabalha num mercado tão competitivo, é necessário estar sempre a inovar, pesquisar e surpreender. Ver que o meu trabalho conquistou um espaço cativo e continua a ser preferido por muitos, é algo que me deixa muito feliz”. Em 1999, foi a responsável pela criação do guarda roupa da representante de Angola, Lorena da Silva, no concurso Miss Mundo.

próximos projectos



Julibel Fernandes acredita que o reconhecimento resulta do profissionalismo. Foi com muito esforço que criou o respeito que tem hoje no mercado europeu e que agora pretende expandir para Angola. “Sempre tive o apoio do meus pais. Abrir o atelier não foi fácil mas passados 13 anos, tenho a certeza que valeu a pena. Lamento por vezes que a minha carreira seja demasiado absorvente. É bom não ter horários fixos e gosto muito de viajar. Mas por vezes a carreira não me deixa tempo para outras coisas que gostaria de fazer. Penso, no entanto, que todas as pessoas se queixam do mesmo. O dia deveria ter 48 horas”, diz com um sorriso aberto.

Em relação aos novos desafios a estilista está em Angola para promover o seu trabalho. “Tenho clientes angolanas que compram as minhas colecções em Portugal, mas ainda não tenho um ponto de venda fixo em Angola. Estou a trabalhar para desfilar no país já este ano”. No futuro, pretende consolidar a sua marca em Angola e além fronteiras.

Perfil

* Nome: 
Julibel Fernandes
* Data de Nascimento: 
8 de Abril de 1969
* Comida predilecta: 
Polvo à lagareiro 
e pirão de peixe
* Livro: 
Ensaio sobre a Cegueira, 
José Saramago

* ídolos: na moda... 
Coco Chanel
* na música... 
Michael Jackson 
e Maria João
* na política ...
Nelson Mandela
* e literatura... 
Almada Negreiros
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Old February 5th, 2010, 10:08 PM   #40
Matthias Offodile
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Angolan very professional photographer in his Luanda studio

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