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Old August 6th, 2010, 05:48 PM   #61
Matthias Offodile
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Grande Entrevista
João Serôdio: Biodiesel para nós não é urgente




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Até Junho de 2010, João Serôdio de Almeida, ocupou o cargo de Pró-reitor para a Cooperação na Universidade Agostinho Neto, uma área em que esteve cerca de oito anos. Antes, o médico veterinário com largos conhecimentos ambientais esteve, entre 1997 e 1999, no Governo na qualidade de vice-ministro do Ambiente. Agora, vai voltar à Faculdade de Ciências da UAN, onde é professor titular, para leccionar a cadeira de Ecologia.


Como caracteriza a cidade de Luanda do ponto de vista do ambiente?

Não é fácil, uma vez que Luanda foi uma cidade que cresceu desordenadamente. Já no tempo colonial falava-se que era necessário um Plano Director para a cidade de Luanda, houve várias tentativas mas nenhum deles tinha sido aprovado concretamente.

Já havia um Plano de Ordenamento débil, antes da independência e muito menos preparado para o crescimento explosivo da população de Luanda.

Lembro que antes da independência falava-se, na altura, que Luanda teria cerca de 400 ou 500 mil habitantes, e passados uns meses depois da independência passou para um milhão, depois para um milhão e meio, dois milhões, sem que as infraestruturas tivessem acompanhado, e ainda com a agravante de que as infra-estruturas, as poucas que havia no tempo colonial e que só abrangiam a “cidade dos brancos”, a do asfalto, todo o resto, a periferia já não tinha a assistência de infraestrutura, e mesmo essas poucas infra-estruturas que existiam à data da independência foram de tal forma utilizadas sem manutenção que se degradaram.

Mas hoje a realidade é outra e ao que tudo indica não houve mudança quase nenhuma…

Hoje, é tentar fazer uma reparação do motor do avião em pleno voo. Não é fácil! Portanto, eu não invejo absolutamente nada e tenho pena até das pessoas que são obrigadas a governar Luanda e outras cidades também.

Quando participei no projecto para delinear, a cidade nova, Luanda Sul, fiz parte de uma das equipas da área de ecologia, penso que em Luanda Sul ainda está a ser cumprido na íntegra o plano de Luanda Sul que foi aprovado e daí que Luanda Sul é um sítio onde se pode hoje viver bem, tem as condições criadas, tem as infra-estruturas introduzidas, vias largas e espero que o Governo tenha forças suficientes, políticas, para que aquilo não seja desvirtuado.

Em Luanda Sul cumpriu-se com todos os parâmetros ambientais?


Até agora, o que eu estou a ver, acho que se está a cumprir com o plano que estava originalmente traçado do ponto de vista urbanístico. Sob o ponto de vista social, nós sabemos que Luanda Sul é uma cidade de condomínios, que vai permitir muito pouco convívio social.

E sob o ponto de vista ambiental? Sob o ponto de vista ambiental não tem grandes problemas, foi feita uma avaliação ambiental e tanto que em cada bairro tinha um projecto para uma estação de tratamento de águas residuais. Se estão a trabalhar ou não, neste momento, eu não faço ideia, mas havia esse projecto para que Luanda Sul não fosse prejudicar a Baia do Mussulo. Acontece que na realidade, os grandes contributos de poluição para a Baía do Mussulo vêem antes da cidade nova, portanto da linha de água que corre na área da Cidadela (Senado da Câmara), Vala do Suroca, Vala do Cariango, Rio Seco, Rio Cambamba, entre outras.

É correcto esse processo de lançamento de dejectos para a Baia de Luanda?

Isto está completamente fora de questão, isto não se pode fazer. O plano que tínhamos ali em Luanda Sul era de que houvesse uma retirada de cerca de 80 por cento dos materiais poluentes; a água que fosse devolvida ao aquífero, tinha que passar por uma etar onde se reduziria em 80 por cento a sua carga poluente e depois o resto a natureza podia fazer através da depuração natural.

E no resto da cidade também há esse processo?

No resto da cidade não havia isso, mas agora há essa explosão, vamos passar a essa fase. Por exemplo, logo na altura da independência, nós defendíamos a posição de que Luanda quando fosse desenvolvida, porque havia de ser, é a capital, nós tínhamos tanto espaço para além de Viana, que se podia fazer uma cidade nova, uma cidade administrativa, ao invés daquele projecto do Mausoléu. Não estou contra o Mausoléu, estou contra o projecto que havia de envolvimento, que parece que já foi substituído, mas fazer ali toda a parte administrativa e governativa do país a volta do Mausoléu, eu contrario isso.

Mas pelos vistos está-se a regressar às origens, a parte administrativa do país está mesmo a ser erguida naquela zona de Luanda…

Isto é muito mau, porque aquela zona está ao nível do mar e por mais que eu queira diminuir essa carga, cada pessoa produz no mínimo um quilo e meio de dejectos e urina por dia, além do lixo que são relativos à sua actividade, à sua vida. Ora bem, estando ao nível do mar, como é que vamos tratar essa questão das águas residuais que vão sair daqueles prédios que estão a ser construídos na cidade de Luanda? Nós sabemos que cavando dois ou três metros aqui na Baixa de Luanda, vamos encontrar água, porque estamos ao nível da toalha freática. O mar está aqui ao lado, ora, é muito difícil extrair esses dejectos, essas águas usadas, tratá-las para depois devolvê-las limpas, minimamente limpas. Eu pergunto: se houver um sistema que bombeie toda essa água usada e a leve para a parte superior da cidade? Nós temos 70 ou 80 metros de altitude, onde há sítios para fazer estações de tratamento dessas águas residuais, portanto a minha ideia de início, logo após a independência, não era desenvolver a parte Baixa da cidade como está a ser feito agora, penso que é um desordenamento total.

Essa ideia de se empurrar o mar para lá e o projecto Baía é exemplo disso, é aconselhável?


Eu sou suspeito para falar sobre isso, porque fui sempre contra. A minha ideia era, a cidade velha, essa Marginal, ser preservada para turismo, ser para recreação, para que o kaluanda tivesse um sítio onde pudesse relaxar do dia de trabalho, da semana de trabalho, levar tudo que fosse repartições oficiais, empresas, escritórios, tudo para uma cidade nova a construir depois de Viana. Eu fui sempre contra o desenvolvimento de prédios, de habitações, de cada vez mais escritórios aqui na Baixa de Luanda.

Ao que parece, as entidades governamentais e as associações de defesa do ambiente andam caladas…

Quando os interesses económicos se sobrepõem, há sempre coisas dessas. Se houvesse uma grande cultura já, se tivéssemos um povo extremamente educado... mas para isso, temos que ter estudos, quer dizer ninguém é educado se não tiver estudos. Eu posso ser educado e analfabeto, posso ser um homem correcto, mas a compreensão de fenómenos da vida só é possível, para mim, quando eu compreendo os porquês técnicos e científicos da razão de ser. Nós temos que ter um povo com um alto nível de instrução e de educação, instrução na área científica e de educação no seu comportamento. Só quando pudermos atingir esse nível, e vemos isso lá fora..Só os povos que estudaram mais, que têm maior nível de escolaridade é que têm maior compreensão para os fenómenos e esses sim... há os grupos de pressão que são as associações, grupos de pressão que conseguem mobilizar e o próprio Governo também compreende que é assim e não faz.

E nós estamos muito longe disto?

Muito longe mesmo. Nós temos que fazer um esforço inaudito, por isso mesmo temos que apostar na Universidade como causa séria, para a preparação de quadros sérios, para que essa seriedade e quando digo seriedade, não é roubar ou deixar de roubar-, seja científica, a seriedade do conhecimento. Quando não sei tenho que dizer que não sei.

A população de Luanda cresceu e com ela também cresceu a produção de lixo e de resíduos sólidos. Pelos vistos, a dinâmica da sua recolha, da sua extinção não proporcional, não é suficientemente acompanhada…

A população de Luanda não cresceu, explodiu. Quando a gente diz crescer é uma coisa harmónica, neste caso explodiu, perdemos o controlo. Agora, a dinâmica da recolha de resíduos sólidos não é proporcional a esta explosão populacional. Vamos pensar que temos cinco milhões de habitantes em Luanda, vamos pensar, isso é uma média mundial, que cada pessoa produza cerca de um quilo e meio, um quilo e duzentos de lixo por dia, quantos milhões de toneladas são produzidas por dia por essas cinco milhões de pessoas? Qual é a capacidade instalada para tirarmos este lixo da cidade? Quando há uns anos atrás fiz esse estudo para uma avaliação da cidade de Luanda, nós ficávamos aquém quase dez vezes, das cem toneladas, só conseguíamos tirar dez toneladas.

Quando foi feito este estudo?

Há cerca de 10 anos e a população de Luanda não era de cinco milhões, rondava uns três milhões de habitantes.

De lá para cá, o que é que mudou?


De lá para cá, melhorou bastante.Há muito mais empresas hoje a retirar o lixo da cidade. Agora, o drama não é este, o drama é que o lixo tem de ser reciclado, porque acumular o lixo é só mudar o plano de um lado para outro.

Nós temos que começar a pensar nisto seriamente.

O aterro sanitário não desempenha esse papel?

O aterro sanitário não resolve.

Resolve parcialmente. O lixo, no nosso conceito de ecologia, é uma matéria-prima que nós não sabemos aproveitar, porque se aquilo já foi uma matéria-prima, nós aproveitamos parte dela e o resto jogámos fora, mas o resto também é uma matéria-prima.

Se você for para os países civilizados, o exemplo que eu tenho é o do Japão, quando realizou a Expo, em 2005, estive lá, e uma das coisas que me ocupou foi ver isso: como é que os japoneses resolvem o problema do lixo? Eles são não sei quantos milhões, e não têm espaços, eu não vi nenhum aterro sanitário no Japão, diariamente o lixo é reciclado, todo o lixo é reciclado.

Então qual é o verdadeiro papel do aterro sanitário?

O aterro sanitário é uma forma barata de resolver um problema pontual.

É um paliativo. Provavelmente, daqui a uns anos, não sei quando, os aterros sanitários vão ser fonte de matériasprimas. Quer dizer, as pessoas vão outra vez buscar coisas, porque a natureza já não tem capacidade. Nós vamos ter a obrigação de lá ir tirar as coisas e separar. Aquilo que devíamos estar a fazer agora, vai acontecer daqui a uns anos.

E temos o inconveniente de o aterro estar próximo de zonas residenciais…

Está dentro dos perímetros urbanos, é uma fonte de poluição constante.

Se queimar temos os fumos, os fumos transportam os agentes químicos alterados que são normalmente cancerígenos.

Que tipo de matéria mais sobressai no lixo que se recolhe em Luanda?


No estudo que fizémos, verificámos que quase dois terços do lixo recolhido em Luanda era de inertes, quer dizer era de terra e pedras, matéria inorgânica. Agora não sei se a tendência se mantém, porque a nossa sociedade evoluiu, começou a consumir coisas muito mais complicadas do que aquelas que havia há uns anos atrás.No estudo, a ONG recolhia o lixo e separava. O verdadeiro lixo era muito pouco e era transferido para o aterro e depois aquela areia e pedras voltava para a própria vila, para tapar os buracos abertos pela erosão.

Então, no fundo Luanda não produz assim tanto lixo como deixa transparecer?

Eu penso que não. Como académico não posso fazer uma afirmação destas.

Eu suponho, eu suspeito que grande parte do lixo produzido em Luanda não é lixo, são resíduos, são inorgânicos, são inertes, que podem voltar a tapar as ravinas que são abertas em Luanda. Era o que a ONG fazia, na própria rua onde era retirado o lixo, punham uns camisadores, separavam as areias e o lixo e o que sobrava de lixo mesmo, que ia para a lixeira, era muito pouco, pagava-se muito pouco pelo transporte e o resto voltava para a vila para tapar os buracos.

Em quase todos os bairros de Luanda foram construídos centros de trânsito de lixo, que mais tarde é canalizado para o aterro sanitário nos Mulenvos.É um modelo adequado?

Nós estamos a pagar um transporte, muitas vezes, de terra e pedra, que podia ficar no local, para tapar buracos, para a construção civil. A transportação desse lixo é muito cara. Tem que haver um estudo muito profundo para sabermos que lixo estamos a produzir em Luanda, que lixo é este, para podermos dar ao Governo de Luanda orientações de trabalho que os possa ajudar a governar melhor, de forma mais barata e a ecologia serve para isto, poupar dinheiro.

O lixo em Luanda já é um negócio?

Se não é, devia ser! O lixo é negócio em qualquer parte do mundo civilizado.

Como assim?

Eu estou agora a desenvolver com alguns dos meus estudantes um projecto pequeno para o aproveitamento do lixo dos computadores. Sabe que um computador dura um ano e meio, dois anos e ao fim desse tempo, jogase fora, está desactualizado, comprase outro. E o computador velho está aonde? Hoje no mundo é um drama.E os telefones? Os telefones móveis são milhões que se jogam fora por ano.Um telefone móvel tem uma série de peças, de componentes que são extremamente caros, são metais raros que podem ser reaproveitados e nós aqui estamos a jogá-los fora.

O senhor está a dizer que devíamos ter no país empresas com vocação de reaproveitar o lixo?

Para isso, nós temos que estudar o caso primeiro. Dentro da Universidade Agostinho Neto nós estamos a querer montar uma empresa de inovação e empreendedorismo, exactamente para estimular os estudantes, principalmente das áreas de engenharia, de ciência, de medicina e de economia, porque não, para montarmos dentro da UAN a investigação científica que permita estudar estes resíduos, vários resíduos especiais, para reaproveitamento dos materiais nobres, os mais caros, os alumínios, muitas coisas que podem ser aproveitados, que estão integrados nesses materiais, nestas máquinas que utilizamos não só em telefones, como em computadores para lançar estes materiais, que ao invés de voltar a ser lixo, um produto tóxico, ser aproveitado para ser reintegrado nessa mesma indústria. Isso, só é possível com estudos científicos e a Universidade tem essa função, por isso é que surge essa empresa de empreendedorismo, porque nós pretendemos transferir o conhecimento científico, técnico e tecnológico para a produção outra vez.

Não acha que era altura de as empresas que cuidam da recolha do lixo ganharem dinheiro com a recolha do lixo?

É, mas tem que haver mercado. É preciso procurar mercado.

A exportação não seria solução?

Será que a quantidade de lixo que eu consigo retirar matéria-prima da quantidade de computadores que retiro em Luanda justifica exportar?, O preço de transporte não vai ficar mais caro que a própria matéria? Tudo tem que haver quantidade e qualquer negócio está dependente do volume e do mercado.

A protecção dos colectores de lixo é uma questão que deixa muito a desejar…

Está nas normas, a empresa é obrigada a comprar os equipamentos de protecção dos colectores de lixo e o Governo Provincial de Luanda devia fiscalizar isso.

Com a quantidade de lixo produzido em Luanda, de uma maneira particular, e de Angola, de uma maneira geral, já é possível falarmos na produção de biodiesel a partir de resíduos sólidos?

Esse é o problema. Tem que se estudar o lixo de Luanda, porque quando eu digo que provavelmente ainda acontece isso, em que dois terços do lixo produzido em Luanda são de inertes, os inertes não produzem nada, são areias, terras, pedras, um terço que “sobra será que é quantidade suficiente para se queimar, para se fazer produção de energia? Não sei, tenho que estudar.

Mas, os responsáveis do aterro sanitário de Luanda já avançaram esse dado, essa hipótese…

Claro, as pessoas que montaram o projecto são privados, eles querem vender. Angola já comprou milhares e milhares de máquinas e depois não tiveram utilização, porque nós fomos na linda conversa do vendedor. No tempo áureo da agricultura, comprámos máquinas à Alemanha, comprámos à Rússia colectoras laser de batatas que nunca foram utilizadas até hoje. Foram milhões de dólares jogados fora, porque quisemos trazer uma tecnologia avançada para a qual não estamos preparados.

Voltando ao biodiesel, é possível ou não a sua produção a partir do lixo recolhido em Luanda?

Eu sou um bocado céptico em relação ao biodiesel.

Porquê?

Por várias razões. Primeiro, Angola é um país que produz petróleo e ainda vai produzir durante mais 20, 30 ou 40 anos, o biodiesel para nós não é uma coisa urgente. A produção do biodiesel em Angola é para resolver o problema do Primeiro Mundo. O Primeiro Mundo é que está a insistir connosco, temos terrenos para produzir o biodiesel, para resolver o problema deles.

Como assim?

Porque eles já não podem produzir mais dióxido de carbono para a atmosfera. Como resultado do combustível fóssil, eles têm que reduzir as emissões de dióxido de carbono, não têm sítios suficientes para produzir produtos agrários para a produção do biodiesel, então eles vêem para os países que têm terrenos, nomeadamente da África, da América Latina, da Ásia, da Austrália, para nós produzirmos esse biodiesel para eles. A solução não é para nós, nós não temos nenhuma emergência em produzir isso, na minha maneira de ver. Nós ainda temos 10 ou 15 anos para resolver o problema do nosso futuro. Agora, a primeira coisa que aconteceu logo que se começou a falar em biodiesel foi o aumento do preço dos produtos básicos da alimentação. Antes desse boom, a tonelada de milho custava 200 dólares, passou para 400 dólares, porque os produtores de milho norte-americanos e do resto do mundo preferem vender o milho para a produção do biodiesel, porque paga-se mais, porque fica ainda mais barato que o petróleo do que estar a vender para a alimentação.

Nós podemos também adoptar a mesma política…

No nosso caso, nós vamos produzir esses produtos, será que já resolvemos o problema alimentar de Angola? Nós já temos uma reserva alimentar suficiente para garantir Angola, já temos isso? Nós temos gente a passar fome em Angola, há muita miséria em Angola, basta ter olhos para ver e sair da cidade. Será que já temos uma reserva alimentar suficiente para nos darmos ao luxo de produzirmos biodiesel para exportar para os países ricos? Será que a produção desse biodiesel em Angola não nos vai trazer no futuro problemas graves, porque vão destruir os solos que eram para a agricultura e agora estarão a produzir biodiesel e eles terão que pôr lá adubos, destruir florestas para fazer os grandes, os milhares de hectares de colheitas.

Esse plano não foi antecedido de um estudo preliminar de impacto ambiental?

Foi? Mostrem-me, eu estou a pedir! Eles dizem que sim e eu disse ao Ministério do Ambiente, mostrem.O estudo do impacto ambiental não é uma coisa secreta, é uma coisa pública, tinha que haver uma consulta pública, eu não fui chamado, nem fui avisado que tinha havido uma consulta pública para isso.

Era necessário?

Tem que haver. A avaliação do impacto ambiental obriga sempre a uma consulta pública. Você é jornalista e tem uma capacidade de penetração que eu não tenho e no momento que descobrir essa avaliação do impacto ambiental que foi feita para esse estudo, diga-me que tenho muito gosto em ler isso. Eu não li, não conheço, nunca ninguém mostrou, nunca fui chamado, pode ser que tenha havido, não sou o rei que sabe tudo e que manda tudo, mas eu já pedi várias vezes para mostrarem, para me darem o estudo para eu ler, não conheço.

O mesmo acontece com as obras em Luanda. Os seus promotores também dizem que efectuam estudos de impacto ambiental…

Eu tenho conhecimento de empresários que estão agora a trabalhar na reconstrução de estradas e que vieram perguntar-me se conhecia alguém que pudesse fazer uma avaliação de impacto ambiental, respondi que conhecia alguns jovens meus ex-alunos, que têm empresas para isso. As grandes empresas que fazem consultorias cobram muito caro, como os jovens têm menos exigências e têm que fazer nome na praça, cobram menos. Os jovens fizeram uma proposta por cada cem quilómetros de estrada, os empresários negaram e preferiram construir sem o estudo de impacto ambiental e como se não bastasse disseram que esperavam para ver quem os iriam multar pelo facto de não terem o tal estudo, que é uma exigência obrigatória. Disseram que preferiam pagar a multa que a realização do estudo. Quer dizer que o nosso Governo, o Ministério do Ambiente provavelmente não está a cumprir com a fiscalização, porque pelas minhas contas, por aquilo que conheço da lei, cada empresário que em Angola se propõe reconstruir estradas, ou fazer estradas, o Estado paga-lhe um milhão de dólares por quilómetro, é o que está estabelecido no Ministério do Urbanismo e Construção. Se são cem quilómetros, ele recebe cem milhões de dólares. O estudo de impacto ambiental que estes jovens pediram foi de 250 mil dólares e ele diz que prefere não pagar o estudo e arriscar-se a pagar a multa.

Isso quer dizer que a multa é leve…

A multa, depois fui fazer uma análise, seria de dez milhões de dólares. Valia a pena fazer um estudo de avaliação ambiental. Este empresário, de certeza, sabe que ninguém lhe vai dizer nada, ou então arranjou outras formas de evitar que seja fiscalizado.

Há alguma razão para esse desrespeito às normas ambientais em Angola?


Não há a cultura do correcto, é sempre esquema.

Que consequência é que podemos ter do facto de não haver um estudo prévio do impacto ambiental?

As consequências da falta de estudos de impacto ambiental são aquelas que já têm acontecido sempre em Angola e depois mais tarde há problemas ambientais de tal ordem que são quase impossíveis de tornear, há prejuízos imensos. Por exemplo, toda a zona de produção de algodão em Angola que antigamente havia, hoje dá para produzir alguma coisa? Aqueles terrenos foram intoxicados por excesso de pesticidas, excesso de adubos e essas terras ficaram esterilizadas.

Os nossos mares estão isentos de problemas ambientais?


Tudo que se faz em terra, vai parar ao mar. Em Angola, para onde correm os rios? Tudo o que a gente produzir vai parar ao mar. Em frente da cidade de Luanda, do Lobito já começa a haver poluição que vai parar ao mar de qualquer maneira, já começa a haver dificuldade de pescado, os peixes que se reproduziam nas nossas águas já não se reproduzem, não têm meios para isso, os que vinham de fora já não vêm.

Mas as nossas autoridades dizem o contrário, por exemplo, que o problema do carapau tem a ver com excesso de captura…

Há vários factores que contribuem para a diminuição da população, não estamos só a falar de peixes, mas sim de tudo. Uma delas é o excesso de exploração, isso aí consegue-se diminuir por meios legislativos. Temos a Marinha de Guerra que faz controlo. Todo o lixo de Luanda vai parar aonde? Esse emissário submarino instalado na Baía de Luanda, nas imediações da Faculdade de Ciências, que agora foi desviado vai parar aonde? Ao alto mar.

Tivemos a sorte de contrariar os italianos que estavam a fazer isso, conseguimos dar a volta, porque fomos avisados a tempo que o emissário iria desembocar ali a dois ou três quilómetros da costa marítima, conseguimos lançar para seis quilómetros, a uma profundidade superior a 18 metros, portanto o lixo já não vem parar à praia de Luanda.

Mas é assim que se faz, é uma prática normal?


São paliativos. A prática devia ser tratar isso.

No tocante à água potável, o seu aproveitamento, ao que tudo indica, ainda não tem sido o mais racional. É possível mudar esse quadro?

Quando damos água às populações, temos a obrigação técnica de tirar essa água da mão delas tratá-las antes de devolvê-las ao aquífero, tem que se retirar os poluentes, só assim é que ela vai continuar a ser sustentável, vai continuar a servir outras populações.

E o quê que se faz com o lixo que se retira da água? Esse lixo é matéria orgânica, matéria-prima que posso reciclar, posso arranjar emprego para as pessoas para aproveitar a água suja que sai, as lamas, aquilo pode ser bem tratado, posto ao sol, queimado pelo sol, pode ser matéria orgânica para pôr nas culturas, é um adubo bom, de qualidade. No fim do circuito, a população vive bem, há o desenvolvimento sustentável porque recicla-se tudo.

Cabinda e Zaire são províncias com intensa actividade petrolífera. Apesar de alguns derrames, quase nunca se fala em poluição das águas do mar naquelas regiões. Isso é verdade?

Eu quando estive no Ministério do Ambiente fui até Cabinda de propósito ver isso. Aqui há um problema grave: mesmo que o derrame seja de um litro, os seus colegas jornalistas fazem logo o maior escândalo, à espera que as petrolíferas os paguem para se calarem, isso acontece em todo o lado. Só há escândalo, se for de uma grande empresa americana, porque os barcos de pesca, lá em Cabinda, a maior poluição da Baía de Cabinda não é da exploração de petróleo, o grande drama são os barcos de pesca e as pessoas que mudam o óleo dos motores mesmo no mar.

E o que fazem as autoridades?

Ai não há queixas, ninguém se queixa.

Não havia fiscalização, mesmo em Luanda a situação não variava, quando o porto de pesca era aqui em frente ao BNA, a Baia de Luanda era um mar de óleo derramado, não se podia tomar banho, mas isso já foi há muitos anos. Depois começou a haver consciência.

Em termos de educação ambiental estamos muito mal?


Muito mal, completamente ignorantes.

Agora em Luanda, há a tendência de se retirar as árvores e em seu lugar colocar betão em tudo que é calçada, passeio, enfim, até em espaços destinados a árvores. Podemos considerar normal essa prática?

São os interesses do bolso de cada um, do umbigo de cada um.

Que perigo é que poderá advir dai?

O perigo é que não há absorção de calor.

E quais as consequências a médio e longo prazos para a nossa cidade?

Por enquanto, ainda não há consequências, mas vamos sofrer as convulsões que vêem do Norte ao Sul, por isso é que no Kuando Kubango houve aquelas enxurradas. Mas isso já não é culpa nossa, são as convulsões que existem nos hemisférios Norte e Sul. Normalmente, o Hemisfério Norte é independente do Hemisfério Sul, aquilo que acontece no Hemisfério Norte dificilmente é transferido para o Hemisfério Sul e vice-versa.
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Old August 9th, 2010, 07:12 PM   #62
Matthias Offodile
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Enólogo Luso-Angolano, Luís Duarte, dá formação em Luanda dia 16 de Agosto no LOOKAL
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Os dois melhores escanções terão oportunidade de visitar Portugal e conhecer duas casas de excelência internacional : Herdade do Esporão no Alentejo e Real Companhia Velha no Douro.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Atlanfina renova a aposta nas acções de formação em enologia, promovendo já no dia 16 de Agosto, no Restaurante LOOKAL, a terceira edição do Concurso de Escanções Angolanos, mais uma vez com a assinatura do prestigiado enólogo luso-angolano Luís Duarte.





A exemplo das edições anteriores, Luís Duarte realizará um workshop com uma dezena de formandos, profissionais dos melhores espaços de restauração de Luanda, proporcionando uma experiência enófila diversa, dos fundamentos, técnicas e procedimentos de degustação e de serviço do vinho aos saberes e factores determinantes na sua qualidade e diferenciação.

A segunda fase da formação, que acontecerá em Setembro próximo, aquando da época das vindimas, possibilitará uma formação em exercício e o acompanhamento de todo o processo vínico, da vinha ao lagar e deste ao engarrafamento.

Esta é mais uma iniciativa desenvolvida pela Atlanfina, empresa líder de mercado em Angola na representação e distribuição de vinhos e bebidas espirituosas de qualidade, que procura, de forma constante e paralelamente à actividade comercial que desenvolve, contribuir para a formação e valorização sociocultural e económica do seu pessoal e dos profissionais do sector da restauração.

Luís Duarte foi nomeado pela conceituada revista alemã “FEISCHEMEKER” um dos 5 melhores enólogos do mundo e de fama internacional em 2010. Foi eleito o Melhor Enólogo do Ano em Portugal em 2008, pela Revista dos Vinhos e pelos jornalistas da especialidade, distinção que já havia alcançado em 1999. É vencedor de vários prémios nacionais e internacionais como o “International Wine Challenge 2005 ou o “Concours Mondial Bruxelas”.

Depois de ter colaborado em projectos de renome, como “Herdade do Esporão”, “Dona Maria”, “Quinta do Mouro” e “Casa de Zagalos”, lançou em 2009 um projecto próprio, o “Cem Amigos”, e mais recentemente em parceria com a Atlanfina o projecto VIP exclusivo para Angola, que se caracteriza pela sua distinção, requinte e adequação à gastronomia mediterrânica e tropical.


http://atlanfina.blogs.sapo.ao/7906.html



Vinhos
Enólogo: Luís Duarte


Quote:
Um dos melhores do mundo esteve em Luanda para apresentar iguarias acompanhadas de bons vinhos.

O enólogo luso-angolano Luís Duarte juntou-se aos “seus pupilos”, os escanções Marlene Falcão dos Santos e Bruno Guise, formados por si em Junho passado, para, juntos, apresentarem quatro novos vinhos: “Cem Amigos”, o “Vip”, “Fashion” e “Flamingo”. O trio convidou os amigos (e a imprensa) para um jantar enogastronómico em que as iguarias da cozinha do Bay Art, na ilha de Luanda, combinaram com os vinhos assinados pelo próprio Luís Duarte. Quem participou provou as deliciosas espetadas de carne e o lombo de porco com ananás acompanhadas pelos vinhos tintos alentejanos “Cem Amigos” e “VIP”, e os irresistíveis pratos de peixe, o arroz de cherne ou de polvo pediram o verde ou rosé “Flamingo”, mais uma referência da Atlanfina produzida especificamente para o mercado angolano.

À prova compareceram várias celebridades como a popular cantora Ary e a estilista Lisete Pote. De referir que Luís Duarte foi considerado um dos seis melhores enólogos do mundo, pela conceituada revista alemã de vinhos e produtos gourmet Feinschmecker. nomeados para o prémio “Wine Awards 2010”, a ser entregue em Março, na feira internacional “ProWein 2010” em Dusseldorf.

Em 208 Luís Duarte já tinha sido eleito o “Enólogo do Ano” em Portugal, pela Revista dos Vinhos e pelos jornalistas da especialidade, distinção que já havia alcançado em 1999. O enólogo é ainda vencedor de vários prémios nacionais e internacionais tais como o “International Wine Challenge 2005” ou o “Concours Mondial Bruxelas”.



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Old August 9th, 2010, 07:19 PM   #63
Matthias Offodile
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Sany Neto // 100% romântico


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Horácio (mais conhecido por Sany Neto) considera-se um jovem simples, humilde, sempre presente para os amigos e para a família. Confessa ser um pouco tímido. “As pessoas não conhecem esse lado. Graças ao teatro consegui perder a timidez em palco”, sublinha.




Hoje as sapatilhas e os óculos escuros são a sua imagem de marca. Sany gosta muito de ficar em casa e perdeu a conta da quantas letras já escreveu. Estudante do 3.º ano da universidade Gregório Semedo já experimentou a música e o teatro. “Agora só falta cumprir o sonho de fazer cinema”, diz.

Confessa também que um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi ver a Praça da Independência cheia para o lançamento do seu disco. “Ser um artista desconhecido e ter aceitação imediata das pessoas foi algo que me emocionou muito”, justifica. Como momentos menos bons, Sany admite que ainda existe alguma falsidade entre os músicos angolanos. Não obstante nos seus eventos participaram músicos consagrados como o Sandocan e Mister K. A nível internacional admira os Tunjila Tuajokota e o Usher.

Sany sempre foi polivalente nas preferências. Interessa-se, por exemplo, pela mecânica. “Gosto de ver os mecânicos sujos debaixo dos carros. Se não fosse cantor seria mecânico”, diz entre risos. No entanto, os negócios da família fizeram com que estudasse Gestão de Empresas. Recorde--se que Sany é o segundo de 3 irmãos, e confessa ter sido profundamente influenciado pela mãe e pela irmã mais velha, que sempre o apoiaram.
do teatro à música

A sua carreira começou no teatro. A música só surgiu depois. “Como no teatro temos de aprender técnicas vocais, pediam-me sempre para cantar e elogiavam muito a minha voz”, justifica. O seu primeiro grupo foi o Horizonte Nzinga Mbandi. A oportunidade surgiu há cinco anos atrás quando teve a sorte de participar em cursos de teatro e cinema, ministrados por profissionais brasileiro. Sany já dividiu o palco com Walter Cristóvão e outros nomes sonantes da nossa praça, que formaram o grupo Walpipa Artes. Dessa experiência no teatro salienta ter aprendido a encarar o público e a controlar melhor a sua voz. Sany percebeu, porém, que era na música que queria construir o seu sonho.



Roberta pitanga, um amor eterno

“Ela sempre esteve presente na minha vida. Na gravação do meu disco viajou comigo para a África do Sul. Valorizo muito a sua coragem, dedicação e determinação e todo o apoio que me deu nos momentos mais difíceis. No princípio não era fácil porque ela era muito ciumenta e desconfiada. Desde que se tornou agente teve que mudar”, diz.

Hoje o artista sente-se bem na presença da namorada. Sempre que tem que falar da sua relação emociona-se muito. Sany confessa estar a reunir as condições, nomeadamente a casa própria, para dar passos mais sérios no seu relacionamento. Tenciona, brevemente, pedi-la em casamento. “Afinal já estamos juntos há cinco anos”, diz.

Sany não receia trabalhar com a namorada. “Tivemos uma história engraçada que sucedeu recentemente na provincia do Uíge. Uma fã foi ter com a Roberta Pitanga e disse-lhe que me amava. A Roberta incentivou a jovem a vir dizer o que sente. Mas quando viu que a jovem estava a levar aquilo muito a sério foi conversar com ela e disse-lhe que era minha namorada. A fã ficou triste mas entendeu e até confessou que eu tinha muito bom gosto. Por todas estas razões o artista afirma que o seu coração não está dividido em dois. (risos)



o primeiro álbum

Desde muito cedo que a sua família comprovava o seu dom pela música e o incentivava a cantar. Mas curiosamente tudo começou numa altura em que Sany estava doente e teve que abandonar os estudos, para ir fazer um tratamento para a África do Sul. Como foi obrigado a ficar muito tempo hospitalizado e, por isso, tinha muito tempo livre, o artista começou a escrever letras. Embora não tenha tido aulas de canto, foi Nguaby Montel e Aires (produtor musical) quem lhe deu as dicas iniciais.

A base de inspiração para o primeiro álbum, todo escrito por Sany, foi a imagem da mulher. “As mulheres lindas inspiram-me”, diz. Confessa que outro grande incentivo foi escutar muito o Anselmo Ralph e o Matias Damásio.

APOIO FINANCEIRO FAMILIAR


O autor revela que todas as faixas do disco são inspiradas em momentos vivido por ele ou por pessoas muito próximas a si. Recorda em particular que uma das músicas mais apreciadas pelo público (“Coração Dividido”) foi uma história vivida pelo seu irmão. “Foi a letra da música que o ajudou a decidir a quem entregar o seu coração”, conta. Sany percorreu todas as províncias para promover o disco, tendo ficado muito emocionado com a receptividade que obteve no Lubango, Lunda-Sul e Huambo onde foi muito bem aceite. O disco foi dedicado ao seu pai, que faleceu quando Sany tinha apenas 6 anos de idade. “Onde quer que ele esteja sei que está a olhar por mim”, diz.
Sons que Vêm do coração

O seu último trabalho, intitulado “Sons do Coração” contém 14 faixas, onde impera o estilo R&B. O disco, que teve uma tiragem de 15 mil cópias, contou com o apoio do produtor musical de Anselmo Ralph, e tem como mensagem de fundo o amor e as relações amorosas.

Não foi, no entanto, fácil lançar esse primeiro disco. “Eu bati a muitas portas que não se abrirão. O empresário não quer investir num artista desconhecido”, lamenta. A sua mãe vendo o sofrimento e a vontade de cantar do filho decidiu investir na sua carreira. Com a ajuda da irmã, Melly Neto, mãe e filha, conservaram-se unidas e lutaram para que o sonho do artista não morresse.


OS momentos marcantes Sany considera-se “um filho de Deus” porque canta aquilo que as pessoas querem ouvir. “Não existe nada que mais me emocione do que o carinho das pessoas e o reconhecimento pelo meu trabalho. Isso dá-me força para continuar a lutar e ter inspiração no trabalho”.

O jovem confessa que o evento que mais o marcou foi um espectáculo com crianças que realizou logo no início da carreira. Recorda, no entanto, que o primeiro espectáculo a sério decorreu no Cine Karl Max e teve a participação do Nicoll Ananas, Wonderfull e Papitchulo. Sany também recorda com orgulho os seus espectáculos na África do Sul.

O “cantor romântico” diz que não frequenta nenhuma religião, mas acredita em Deus e sabe que nos céus existe uma força superior que o protege e o ajuda alcançar todos os seus sonhos. Segundo ele, o que mais detesta é “ir para a noite”. “O dia seguinte é horrível. Só saio por causa do trabalho. Nos tempos livres prefiro ficar em casa ao lado da minha amada a ver televisão.

Diz que é muito assediado pelas fãs, devido à natureza romântica da sua música. Uma das propostas mais loucas que recebeu foi o convite de duas fãs para fazer amor com elas. “Fiquei muito assustado”, diz.
a faceta de EMPRESáRIO

De momento Sany está parado ao nível da carreira artística dado que está a gerir uma casa de eventos chamada Quarta das Estrelas, que é propriedade do cantor. A ideia surgiu devido ao incrível número de CD que recebia por parte dos “candidatos a estrelas”. “Como não tinha dinheiro para apoiar tanta gente, surgiu a ideia de criar a Quarta das Estrelas.

A casa tem música ao vivo e karaoke. É dirigida a todos os que nunca foram à televisão mostrar o seu valor e, em particular, para os jovens que precisam de lançar um CD ou mostrar o seu videoclip.

Sany sublinha que a casa de eventos está sempre repleta de empresários e produtores que estão à procura de novos valores.

“Temos sempre músicos convidados que incentivam os novos artistas. Todas as semanas fazemos concursos com júris e eliminatórias.

A nossa intenção é promover a música angolana. O vencedor tem direito a realizar um videoclip. Também temos o patrocínio de um estúdio, de forma a que o vencedor possa gravar um single, um CD ou um videoclip”, refere.

De referir que a Quarta das Estrelas está localizada junto ao largo da Cimex na estrada de Catete. “Já tivemos lá grandes artistas nacionais tais como a Ary, Génesis, Pérola e muitos outros. “Já estamos a trabalhar com um artista que brevemente irá aparecer na nossa praça. Desde já quero garantir que será um sucesso”, assegura.

PERFIL

* Nome: Horácio Canisso 
Wuanga Epalanga
* Idade: 25 anos
* Naturalidade: Huambo
* Estado Civil: Solteiro
* Hobbies: Escrever música
* Defeitos: Teimoso
* Qualidades: Simplicidade
* Perfume preferido: Ferrari
* Nível académico: 3.º ano 
da universidade Gregorio Semedo, na área de Gestão 
de Empresas
* Signo: Virgem
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Old August 9th, 2010, 07:22 PM   #64
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Perfil
António Cristóvão: Empreendedor nato
Empresário, mister jazz


Quote:
Persistente, batalhador, humilde e, acima de tudo carismático, António Cristóvão, é director da Ritek, empresa encarregue da organização do Luanda International Jazz Festival, qua começa hoje, no Cine Atlântico pelas 19h30, e durará três dias consecutivos.

No festival, a actuação dos artistas é feita de forma alternada nos três dias, entre os dois palcos — Welwitchia e Palanca — com um intervalo de 10 minutos entre cada um dos cenários.



António Cristóvão, explicou à VIDA que no Festival de Jazz de Luanda não se canta exclusivamente o estilo jazz. Todos os dias, com excepção do domingo, são apresentados estilos de música mais dançantes e com a presença de jazz mais pop, exemplos de Ronny Jordan, os 340ml e ainda os Freshlyground.

Segundo o director, uma das metas é transferir o festival para um espaço maior, onde seja possível montar três palcos diferentes. O evento que já vai na segunda edição, conta desta vez, com a presença de 17 artistas, dos quais seis nacionais e onze estrangeiros, num pacote de sete espectáculos por cada dia de show. Na primeira edição participaram nove artistas.
“A dinâmica do evento 
é inovar e diversificar o cartaz. Nesta edição, com excepção da banda popular Freshlyground, o elenco é todo novo,” disse António Cristóvão, salientando que 
“é intenção promover os artistas nacionais, embora o número dos que interpretam o estilo jazz ainda é muito reduzido”. A repetição de um artista só é feita mediante solicitação do público, à semelhança do que aconteceu com os Freshlyground, que apresentou um dos maiores espectáculos da primeira edição, o Festival View.



Convidado a fazer 
um balanço sobre a edição passada, António Cristóvão considerou que o evento, ultrapassou as expectativas.

“Não esperávamos que o festival tivesse tanta receptividade por parte do público, supunha-se ser um estilo com muito poucos adeptos. A primeira edição do Luanda International Jazz Festival ultrapassou 
as expectativas”, explicou.

A segunda edição conta com a empresa de telefonia móvel
de Luanda, Unitel, como o único parceiro financeiro.


A contratação


Os internacionais: Oliver Mtukudzi, Ronny Jordan, Lenine, Blick Bassy, FreshlyGround, 340ml, Chucho Valdes And The Afro-Cuban Messengers, Joe Sample e Randy Crawford, Jonas Gwangwa, Lura, Lenine e George Benson, e ainda os nacionais: Nanutu, Filipe Mukenga, Gabriel Tchiema, Waldemar Bastos, João Oliveira e Wyza estarão presentes na segunda edição do festival. Embora parte dos artistas estrangeiros não conhecerem nem nunca terem ouvido falar de Angola a aceitação do nosso convite não foi difícil.

“É claro que a negociação com os artistas angolanos foi mais fácil, mas nem por isso a contratação dos estrangeiros foi difícil. Exceptuando o Jorge Benson que já tinha a agenda preenchida na Europa”, explicou António Cristóvão, salientando que “felizmente cancelou-os e aceitou o desafio de vir cantar em Angola”.

O Luanda International Jazz Festival conta com a parceria da empresa sul africana ESP África, organizadora do Cape Town International Jazz Festival, num contrato de cinco anos, com o objectivo de transferirem todo o know how aos responsáveis nacionais. Na primeira edição a Ritek contou com o apoio de cinquenta técnicos sul- -africanos, e apenas vinte para esta edição.

Por sua vez, o som e a iluminação estão a cargo da empresa angolana Puro Mix, também parceira do festival.




Angola ouve Jazz

4500 bilhetes normais 
e trezentos especiais foram colocados a venda, num 
total de 5800 bilhetes.

“Já se começa a ouvir 
mais jazz em Angola. 
Desde a primeira edição 
que o número de eventos ligados ao estilo aumentou. Já se ouve com frequência o afro jazz, bossa nova e outros estilos que bebem da música jazz”, explicou.

O festival de Luanda 
é transmitido em directo 
pela rádio FM Stério, órgão oficial do evento.

Questionado sobre o 
preço dos bilhetes de ingresso, António Cristóvão explicou que o valor de 15 200 kwanzas é justo pela qualidade do show.“Estamos a cobrar 15 200 kwanzas para sete espectáculos o que dá uma média de 2000 kwanzas por espectáculo. Pela envergadura dos artistas está aquém do 
real valor”.

Sobre o futuro do jazz em Angola realçou que com 
a existência das várias escolas de música, como a academia de música, o Instituto de Formação Artística e agora 
a Orquestra Sinfónica Caposoca, o futuro do estilo jazz em Angola é cada vez mais promissor.

No ano passado a organização contou com 
um maior número de 
bilhetes vendidos no segundo 
dia de show, porquanto o espectaculo ainda não era conhecido. Neste ano, e pelo número de bilhetes vendidos, a organização conta já com uma maior aderência do público angolano.


A génesis

O projecto, que se concretizou, em 2009, teve como factor impulsionador a viagem de negócios feita a Maputo, onde António Cristóvão conheceu o director da empresa ESP África e do Festival Internacional de Jazz de Cape Town, na África do Sul. Posteriormente, António Cristóvão passou a ter uma ligação mais directa com o Festival de Jazz de Cape Town até decidir criar o seu próprio festival em Luanda.

“No princípio quando decidimos trazer o Festival de Jazz a Luanda fomos recebidos com muitas críticas negativas, e que seria impossível enchermos o Cine Atlântico com um festival do género, porque em Angola não se ouve jazz”, explicou António. E acrescentou, “finalmente o sucesso do festival passado veio demonstrar que em Angola existe um público de jazz, basta para isso que haja eventos do género”.

Questionado sobre o negócio é rentável, realçou que, até ao momento, é feito por amor à camisola, pelo que, não foi rentável no ano passado e nem o será neste ano. “O festival começará a ser rentável a partir do momento em que nos mudarmos para um espaço maior. Estamos a investir num evento que queremos que seja um dos maiores do continente africano”, esclareceu.


a pessoa por detrás

Embora sob constante pressão laboral, sempre que pode, aproveita o tempo livre para ouvir música e desligar-se do stress quotidiano.

Mestre em relações internacionais, na véspera do festival o académico e empresário despe-se do seu papel e dedica-se exclusivamente à organização do já conhecido Luanda International Jazz Festival.Casado e pai de dois filhos, António Cristóvão aguarda pelo nascimento do terceiro 
a acontecer já no próximo 
mês de Agosto.

Natural da província do Huambo, desde cedo fixou residência em Luanda, na rua Cabral Monkada, com os pais e mais sete irmãos.

Declarado apaixonado pelo jazz, é o mais novo de oito irmãos, todos também fascinados pelo estilo.

“Ouço jazz clássico, gosto do afro jazz, R&B e blues. A minha família sempre foi apreciadora deste estilo, e eu, como o mais novo, fui influenciado por eles”.

À semelhança dos irmãos, Cristovão aponta o vizinho, Domingos Coelho, como um dos principais incentivadores do jazz, e defende que é um dos grandes apreciadores do estilo em Luanda.

Durante oito anos, residiu em Cape Town, onde concluiu a licenciatura e o mestrado, e apurou o requintado gosto pelo jazz. “Na altura já gostava do estilo mas nunca assistia aos festivais de Cape Town, porque não tinha dinheiro suficiente e limitava-me a ver pela televisão”.

Embora saiba as letras de vários sucessos, prefere nunca cantar em público. “Gosto de cantar mas não tenho a voz mais apropriada para o jazz, apesar de saber a letra de vários sucessos”.

Convidado a fazer uma apreciação sobre o jazz em Angola, realçou que embora existam muitos talentos musicais, é ainda necessário que se faça um trabalho bem mais apurado.

“Acho que artistas como a Afrikanita e a Sandra Cordeiro, que já lançaram os seus discos, não tiveram a divulgação necessária. E ainda o Toto, o Gabriel Tchiema e o Kizua Gourgel que embora não cantando jazz propriamente dito fazem um estilo que bebe muito do jazz”, concluiu.


LUANDA JAZZ FESTIVAL

O pianista e compositor, Joe Sample, e a cantora de jazz e R&B, Randy Crawford, são as mais recentes adições, para o Luanda International Jazz Festival (LIJF). Actuarão no palco Palanca, no dia 1 de Agosto, no Cine Atlântico, em substituição de Dianne Reeves e Lizz Wright, que não irão participar no festival como foi anunciado pela organização. A dupla, Joe Sample e Randy Crawford é considerada uma das melhores parcerias do jazz contemporâneo.


O sucesso da primeira edição veio provar que em Angola existe um público jazz.


Perfil

Nome completo:
 António Lopes Cristóvão

Aniversário: 2 de Janeiro

Idade: 38

Naturalidade: Huambo

Voz angolana: Afrikanita 
e Sandra Cordeiro

Voz do festival: George Benson e Chucho Valdes

Artista jazz: B.B. King

Restaurante em Luanda: Zoda Bar

Restaurante internacional: Baía, Cape Town

Passatempo: Ouvir música

Local dos sonhos
: SunBath, Caraíbas

Província em Angola: Benguela

Habilitações literárias: Licenciatura em Ciências Políticas. Mestrado em Relações Internacionais e pós graduação em Cooperação e Desenvolvimento, pela Universidade das Nações Unidas, em Tóquio
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Old August 9th, 2010, 07:25 PM   #65
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Perfil
Luaty Almeida // O flash iluminado
Fotógrafo


Quote:
Nasceu em Luanda e aos nove anos mudou-se para o Congo Brazzaville, acompanhando os pais que se deslocaram em trabalho, onde estudou até aos 16 anos. Regressou para Luanda onde estudou na Escola Francesa até se mudar para França, onde concluiu o liceu. Mais tarde ingressou na a Faculdade de Letras onde cursou um ano, acabando por trocá-la pela International Business School, que frequentou durante 3 anos, acabando por desistir para, finalmente, correr atrás do sonho de ser fotógrafo.



O desabrochar de um dom

A paixão por fotografia nasceu quando chegou na França onde recebeu uma máquina fotográfica como presente de aniversário. “Comecei por fotografar amigos, paisagens e familiares”, lembra.

Por não se considerar a fotografia como profissão em Angola na época, Luaty ainda tentou ingressar em outros ramos, até perceber que era na fotografia que queria fazer o resto da sua vida profissional.



A École Technique dé Photographie e Multimédia foi a sua seguinte paragem onde estudou por dois anos. Acabou por ganhar conhecimentos em áreas que jamais havia imaginado. Ganhou bases técnicas de fotografia em estúdio e exterior, afinação de luzes e passou a ter uma visão mais abrangente da profissão de fotógrafo.

Regresso a Casa



Ao terminar o curso regressou para Luanda onde começou a pôr em prática os conhecimentos adquiridos: “No princípio usava a sala de casa como estúdio, e quando acabava as sessões tinha de arrumar tudo. Depois acabei por montar o meu estúdio e é lá onde faço a maioria dos meus trabalhos”.

Já fotografou caras conhecidas do mercado angolano como Helka Guimarães, Juddy da Conceição, Paul G, Kizua Gourgel e Diva Marques.
Inovando o mercado

A moda e as produções com modelos masculinos e femininos são a sua preferência. As pessoas, os momentos e o quotidiano do povo africano são a sua fonte de inspiração. Quanto à fotografia em Angola, Luaty é da opinião que existe uma evolução e caracteriza-a com a máxima: “Existem muitos fotógrafos na praça mas são poucos os bons. Há uma necessidade de se mudar esta realidade, para que possamos atingir a excelência da fotografia em Angola”.

José Pinto, Rui Sérgio Afonso, Kamene Traça e Massalo, são alguns dos fotógrafos que admira pela qualidade, originalidade e versatilidade dos trabalhos.

Projectos futuros


Fazem parte dos projectos a longo prazo do fotógrafo o lançamento de um livro cuja essência é uma parte pouco explorada no mercado fotográfico angolano, o nu artístico, que contará com a participação do já falecido escritor, poeta e pintor Dunduma: “Deste livro poderão esperar uma exploração bastante sensual do corpo feminino e observarão o nu sem preversão, mas de uma forma totalmente artística. Será algo inovador”, adiantou-nos o fotógrafo.

PERFIL

Nome completo: 
Luaty de Almeida
Data de nascimento: 
16 de Maio de 1978
Residência: Maianga
Naturalidade: Luanda
Prato preferido: Fricassé
Perfume: Farenheit 
da Cristian Dior
Férias: Tailândia
Local para viver: Angola
Discoteca: Não sou muito de sair
Música: Depende do meu estado de espírito
Virtude: Simpático
Vícios: Fotografia, a Mónica (minha namorada) e a comida
Desporto: Basquetebol
Línguas faladas: Português, Francês, Inglês e Espanhol
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Old August 20th, 2010, 11:22 AM   #66
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Desenhador Projectista
Milton Francisco // Sonho em desenvolver a minha arte


Quote:



Recuperou do trauma e conseguiu ingressar no mercado, actualmente é funcionário da Aquis (Arquitectura e Design) desde há cinco anos.

Depois de tudo por que passou como tem sido a sua vida?

Não gosto muito de falar sobre o acidente, porque tenho péssimas recordações. Mas tenho uma vida tranquila superei os problemas e, graças a Deus, ingressei no mercado de trabalho.

Foi difícil conseguir trabalhar?

Foi muito difícil, tão difícil que até houve épocas em que tive de optar por outras profissões para conseguir aguentar os embates da vida. Que tipo de profissões? Fiz pequenos trabalhos informais, tentei dar aulas, mas não tenho mui- ta vocação para tal, e depois optei por fazer projectos particulares.

Comercializava?
Se comercializava? Sim, mas ao preço da igreja, o que não dava para nada. Tinha que fazer poupanças durante muito tempo para conseguir comprar algo.

Pode dizer o valor?
Prefiro mantê-lo em segredo.

E hoje já consegue viver dos seus trabalhos?

Como sabe, o dinheiro nunca é muito, mas é claro que estou melhor em relação aos anos em que não trabalhava.

Os seus projectos continuam a ser solicitados?

Sim, tenho recebido algumas soli- citações e participo em várias obras como fiscalizador.

Nunca teve problema com clientes?
Não, porque o que faço, faço-o ao gosto do cliente e perante qualquer erro ou insatisfação do cliente sou obrigado a rectificar. E também não gosto muito de ter ser mau visto.

Ao longo destes anos, teve algum momento bom, que possa conside- rar inesquecível?
Sim, fiz um projecto de uma uni- versidade privada.

Mas vendeu o projecto?
Vendi mas ainda não foi imple- mentado por falta de verbas.

É um projecto antigo?

Foi há dois anos, mas continua em carteira para ser executado.
E ainda tenho esperança que venha a ser realizado.

Disse que interrompeu os seus estu- dos por causa do acidente que teve. Pensa em continuar a formação?

Claro, mas talvez depois de criar o meu próprio ateliê.

Esse é um projecto para breve?
Ainda não posso dizer que é um projecto a ser executado a curto prazo, mas, por enquanto, é a minha prioridade.

O que é que falta para conclui-lo?
Sabe que é difícil montar um pro- jecto neste país porque temos poucas facilidades de financiamento, mas, quem sabe, com um pouco de sorte consiga realizá-lo antes do previsto.

Deixando um pouco o lado profis- sional, como tem sido a sua vida pessoal?
Sou uma pessoa muito aberta, gosto muito de curtir com os amigos e estar com a minha família.

A sua família apoia-o?
Sim, principalmente quando me encontrava naquela situação, deram-me sempre o apoio neces- sário e foram eles que me meteram de pé.

O que diz aos jovens que estejam a passar por imensas dificuldades?
Que procurem trabalhar mais estudar, ser humildes acima de tudo e saber respeitar as diferenças.

Perfil

* Nome: Milton Francisco
* Idade: 25 anos
* Natural: Kwanza-Sul
* Estado Civil:Solteiro
* Formação académICa: Desenhador Projectista
* Desporto:Basquetebol
* Melhor FIlme: Casamento de Lea
* Prato preferIdo: Funge c/Calulu
* MelHor lIVro: A arte de projectar
* Cor preferIda: Vermelho e AzulPerfil
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Old August 29th, 2010, 12:11 PM   #67
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Empresário angolano fala ao Wolrd Investiment News PDF V


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Quinta, 29 Julho 2010 15:25

Lisboa - Entrevista dom o empresário angolano Virgílio Belo, responsável da Belo Empreendimento ao canal norte americano Wolrd Investiment News em meados de 2009 que pela sua importância transcrevemos na integra.



Fonte: Winnie

Pergunta - Gostaríamos de iniciar a nossa entrevista, sabendo um pouco sobre a empresa, como é que tudo começou?

Resposta – Tudo começou em 1997, quando trabalhava com o meu primo que tinha na altura uma empresa de construção civil, área em que tenho formação, para além de gestão de empresas. Em 1999 a empresa em que trabalhava teve dificuldades financeiras e teve de encerrar, a partir desta data surgiu-me a ideia de constituir a minha própria empresa porque me sentia com potencial para o efeito e o mercado oferecia oportunidades. Foi assim que, em Maio de 2001, constitui aquela que é hoje a Belo Empreendimentos, lda.



No âmbito da sua criação e dentro da sua estratégia de negocios a Belo Empreendimentos, Lda, através dos seus sócios, definiu o seguinte:
Visão:

Ser uma empresa de vanguarda no ramo da construção civil em Angola e ser reconhecida pela qualidade dos seus produtos e serviços.
Missão:

Fornecer produtos e serviços aos nossos clientes para que sintam que, receberam mais do que pagaram e para que os nossos empregados e colaboradores sintam os reflexos do nosso crescimento na melhoraria das suas vidas e na de seus familiares e proporcionar retornos justo aos sócios/accionistas.




P - Como foi que a Belo empreendimento se tornou conhecida no mercado, e teve esse potencial que mostra hoje no mercado angolano?

R – A nossa empresa tornou-se conhecida no mercado, por via da qualidade dos seus serviços, competência, humildade e sobre tudo sentido de responsabilidade, estando sempre disponíveis para a satisfação dos nossos clientes e também na busca de soluções mais eficazes. O potencial surgiu pela entrega nos seus afazeres dos nossos funcionarios e espírito de equipa, aproveitando ao máximo as oportunidades que o mercado oferece (ia), atraves da capacidade de síntese dos seus responsáveis e também pela sua atitude pró -activa. Assim é que, hoje somos reconhecidos pela nossa dedicação, firmeza e competência no ramo da construção civil.



P- Angola está num crescimento acelerado economicamente e que com certeza a vossa empresa acompanha esse processo. Quais são os vossos planos para o futuro, tendo em conta esse acompanhamento?


R – Como se sabe, qualquer negócio tem um ciclo e os ciclos são baseados em processos de crescimento, maturidade e declineo. Portanto estamos conscientes de que este processo de crescimento da nossa economia não será eterno, haverão períodos conturbados . Para o efeito e acautelando a razão da nossa existência que é a manutenção da nossa empresa sempre presente no mercado, e fazendo já parte dos nossos planos futuros iniciamos um plano de diversificaçao do nosso negócio para as áreas de hotelaria e turismo, participando no capital social de alguns hotéis (em construçao neste momento). Participando na construção de uma fábrica de casas pré-fabricadas com capacidade para 1000 casas/ano e estamos neste momento a participar na construção como accionista de uma siderurgia com capacidade para 600 mil toneladas ano de aço.



P - Então esses seriam os projectos futuros ou já correntes?

R – Já correntes com caris futuro, porque embora estejam na sua fase embrionária tendem a ser consolidados nos próximos três anos, por serem empreendimentos de grande envergadura. De todas as formas temos outros projectos por desenvolver que, não sejam só os mencionados.



P - E hoje falando em projectos presentes. Quais os projectos em que a empresa está presente?


R – Neste momento a empresa está presente nos seguintes projectos:

1- Construção de um o bairro residencial para a polícia nacional, representado pelo Cofre de Previdência do Pessoal da Policia Nacional que, é constituído por 500 casas de vários padrões (médio e médio- alto) e dimensões e mais de 12 edifícios que variam entre 4 (quatro) a 8 (oito) pavimentos.

2- Estamos ainda a construir um projecto habitacional para o Ministério do Interior, constituído por 250 residências de vários padrões e mais 10 (dez) edifícios entre escritórios e residências com 12 pavimentos cada.

3- Outro empreendimento em lançamento é o projecto Belo Residence, constituído por casas de alto padrão, edifícios e clínicas de alto padrão.

A nossa empresa participa também num dos maiores projectos que Angola tem de habitação social, que está a ser avançado conjuntamente com a FESA (como promotora social) e com BFA (como entidade financiadora) , que é a construção de mais de 3000 fogos de habitacionais na zona do Zango, município de Viana, província de Luanda. Portanto, esses são alguns dos que posso avançar.



P: para servir de referencia aos nossos leitores, pode nos dizer qual é o numero de funcionários possui e qual a sua facturação anual?

R: Hoje a empresa conta com uma mão-de-obra de 300 funcionários nacionais e mais 250 trabalhadores expatriados. Essa tem sido a nossa média dos últimos anos no mercado.

Quanto a facturação, no exercício económico 2008 nós tivermos uma facturação proximo dos 150 milhões de dólares e para este ano está prevista, se a crise deixar, ultrapassar a fasquia dos 250 milhões de dólares.



P – E quais são os vossos planos, as perspectivas que a empresa tem em relação a economia do país?


A nossa economia está em grande crescimento nos últimos anos. Não há dúvidas que é um ganho para todos nós, especialmente para o Governo que tem feito muito esforço para apoiar o empresariado nacional, através das suas politicas macro economicas.

Em termos de perspectivas, podemos afirmar que a nossa economia vai continuar a crescer, provavelmente não na velocidade que verificamos hoje, porque sabemos que hoje o mundo não está como há três ou quatro anos atrás do ponto de vista de facilidades financeiras, mas julgamos que continuaremos a ter um crescimento equilibrado e acima de tudo sustentável, dependendo sempre das estratégias de politica macro económicas do governo.




P- A maioria das empresas de Angola, esta a busca de novos parceiros, novos investidores. A Belo empreendimento tem alguma prespectiva de buscar parceiros ou investidores?

Com certeza que qualquer empresa que esteja no mercado quer obter know how de outros países mais experientes e com isto poder minimizar os seus custos, porque é aí onde estão os ganhos nos mercados competitivos.

Portanto, nós temos vindo a fazer contactos com muitas empresas, principalmente espanholas e portuguesas, no sentido de fazermos algumas parcerias. Mas até agora não demos nenhum passo concreto. De todas as formas estamos abertos à parceiros nacionais ou estrangeiros que queiram entrar na nossa empresa.

A partir deste ano a nossa empresa transformou-se numa SA (sociedade anónima), exactamente para permitir a entrada de capitais, outros investidores já sejam angolanos e estrangeiros.


P: Agora vamos deixar de lado as questões sobre a empresa e falar um pouco de si. Conta-nos, como chegou até aqui, qual foi o seu maior desafio e qual é o seu maior orgulho?

Eu cheguei até aqui dando muito de mim. Foi pelo trabalho, e pela competência demonstrada no mercado. O maior desafio foi a de ser acreditado e aceite no mercado em que estamos inseridos (construção civil), como sabe Não é fácil chegar e se impor. Graças a Deus nós conseguimos, principalmente nalguns organismos do que neste momento possuem as oportunidades para nós realizarmos o nosso trabalho. E, também pelo facto de alguns privados terem confiado em nós. Esse foi e continua sendo um grande desafio. O meu maior orgulho será um dia ser reconhecido por ter contribuído na melhoria da qualidade de vida da nossa população, não só de Luanda mas de Angola de uma forma geral, e ver a empresa a crescer sempre a níveis sustentados rumo a internacionalização.



P: Que mensagem deixaria para os potenciais clientes ou até parceiros que queiram investir em Angola.

R – Para os potenciais clientes, gostaria de lançar-lhes o desafio em trabalharem conosco para comprovarem o espelhado nesta entrevista e para os parceiros que queiram investir em Angola que o mercado está aberto preferencialmente para novas parcerias que sejam, sérias, credíveis e que queiram ajudar-nos a engrandecer a economia do nosso país. Trazendo benefícios sociais à nossa população, por via da construção de infra-estruturas sociais.


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Old August 30th, 2010, 12:29 PM   #68
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Empresário
Osvaldo Jorge // ‘O Exterminador’

Quote:



Brevemente espera estender os seus serviços às províncias de Malanje, Lunda-sul, Huambo e Uíge. E procura o sucesso e o reconhecimento profissional.

Como é que tudo começou?
Tudo começou numa conversa normal com colegas e através das bocas deles sobre o assunto, as solicitações começaram a surgir, e as minhas ideias começaram a ganhar pernas.

Quer dizer que começou prestar serviços antes da criação da empresa?
Sim, o excesso de pedidos me forçaram a criar a empresa.

Há quanto tempo?
Há cinco anos, mas comecei a operar com força há três, ou seja, na data em que lancei oficialmente a Extermínios.

Teve a colaboração de alguém?
Não, quando comecei, pouca gente acreditava nos meus planos e em que me tornaria o homem que sou hoje.

Considera-se um homem de sucesso?
Ainda não, mas dei grandes passos. Porque não é fácil criar uma empresa em Angola, como deve imaginar.

Passou por muitas dificuldades?
Sim.

Quais, propriamente?
Como dizia anteriormente, o nosso mercado é muito complexo.
Por exemplo no meu caso, a primeira dificuldade que tive foi a consciencialização das pessoas e instituições na mudança de mentalidade ao aderirem os serviços de higiene e desinfestação. E a outra barreira que enfrentei foi mesmo a entrada no mercado.

E como tem sido ao longo destes anos?
Graças a Deus tem sido bom. Tenho registado nos últimos três anos, um crescimento de setenta e sete por cento e ganhei excelentes fornecedores internacionais.

Podemos dizer que a Extermínios está em altura de concorrer com outras empresas do ramo?
Sim, posso afirmar que somos uma das poucas empresas em Angola com uma grande mobilidade, ou seja, não nos limitamos só a Luanda. E para além das províncias que citei há mais províncias, apesar de não ter lá representações.
Outro indicador de sucesso prende-se por sermos pela segunda vez a única empresa de desinfestação na maior bolsa de negócios de Angola a “Filda”, o que mostrou realmente a nossa maturidade.

Que análise faz do mercado nacional, concretamente neste sector?

Faço uma análise positiva, hoje já verificamos muita ousadia (no bom sentido) dos jovens angolanos ao lançarem-se no mundo empresarial, mas falta incentivo por parte da banca comercial, ou seja, maior abertura.
Pensa em abrir negócios diferentes? Diferente não diria, mas estou a trabalhar num processo de expansão do nosso negócio e apostar também na área de manutenção de equipamentos e montar lojas na parte sul do país.

Passa maior parte do tempo a trabalhar?

Sim, e quando estou de férias viajo por toda Angola, é daí que surgem novas ideias.

Conhece todo país?
Quase todo.

Qual é a província que mais o marcou?
Não consigo dizer.

Tem família?

Não, mas já penso em constituir.
Sou noivo e sonho ter quatro filhos

Perfil

* Nome: Osvaldo José Henrique Jorge
* Idade: 27 anos
* Estado Civil: Solteiro
* Prato PreferIdo: Funge com Carne Seca
* Desporto Preferido: Basquetebol e voleibol
* Clube: 1º de Agosto
* Cor: Vermelho e Branco
* Melhor fIlme: Corpo da mentira Leonardo Dicaprio
* Melhor livro: A Arte da Guerra
* Formação académIca: Ensino superior em Gestão Comercial e Marketing
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Old September 13th, 2010, 10:55 AM   #69
Matthias Offodile
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Lá Fora
Ricardo Pires: Entre o teatro e a TV
Actor


Quote:


Nasceu no norte de Portugal, mais concretamente, em Trás-
-os-Montes, mas é angolano de nacionalidade.Filho de Fernando Pires e Eugénia Franco, cresceu em Lisboa, mas com várias vindas a Angola.

A viver em Angola há somente 5 meses, confessa estar a viver uma fase de adaptação muito feliz. Entre os seus inúmeros passatempos, gosta de fazer surf e, ironicamente quando veio viver para Luanda, fixou moradia na ilha do Cabo, mesmo em frente ao mar. “É a melhor coisa. Calção e chinelo, muita praia, são o meu dia-a-
-dia, mesmo sem sol, lá estou todos os dias”, disse alegre.


aversão à matemática

A sua infância não foi muito diferente da das outras pessoas. Como ele mesmo a descreve: “tranquila, normal, com mãe, pai emprestado e irmãos”, contou.

Dessa fase da sua vida muito pouco lhe ficou na memória, com excepção de um episódio que até hoje recorda com ânimo: “O meu primeiro beijo, foi muito engraçado. Lembro-me que foi numa brincadeira, estava a jogar ao bate pé, mas gostei muito”.

O talento para as artes e actividades físicas já se notava desde pequeno, e sempre foi muito virado para o desporto. “Não gostava muito de ficar sentado e sim de correr e jogar à bola. Estava sempre todo sujo”, lembrou.

As notas da escola eram boas, mas até aí era evidente a queda para à área artística. Todas as cadeiras que dessem lugar à criatividade eram as suas favoritas. “Tudo o que era muito ciência, muito racional do tipo “2+2 são 4”, matemáticas, etc., nunca eram as minhas disciplinas preferidas. Já tudo o que envolvesse mãos, debates, artes plásticas, isso sim. Claro que as minhas notas mais altas eram sempre a educação física”, brincou o divertido actor.


A entrada para o Teatro


Começou a interessar-se por teatro quando foi, pela primeira vez, ver uma peça do grupo Artistas Unidos, com um amigo, ao São Luís em Lisboa. “Imaginei-me do outro lado. A história era um poeta que era um incompreendido, um bêbado, uma coisa surreal, e eu comecei a pensar como seria estar do outro lado, a representar. Então, em conversa com um amigo que era fotógrafo, o José Caria Boavida, que estava com a senhora Paula Barcia, mãe de uma conhecida actriz portuguesa, perguntaram-
-me: “Porque que não experimentas”? E eu, mesmo com medo, fui pesquisando. Depois, uma vez, no ginásio, conheci um rapaz, o Paulo Rocha, que hoje é um grande actor em Portugal e ele dirigiu-me à escola de teatro de Cascais”.

Certo de que era aquilo que queria não cruzou os braços e foi visitar a escola. Conseguiu uma bolsa de estudos e, durante três anos, ficou lá a estudar. Foi assim que tudo começou. “Apesar de não dar dinheiro, é uma coisa que me dá grande satisfação fazer”.


Passaporte para a tv

Quando se apercebeu de que o teatro era para os apaixonados mas que não dava grandes rendimentos, começou a olhar mais para a televisão e para o cinema. Estava empenhado em viver da representação. “O teatro é um mundo totalmente diferente, é apaixonante, sem sombra de dúvida, e talvez o seja bem mais do que a televisão, mas não dá dinheiro. Era tudo para a bilheteira e nós não ganhávamos nada. Em televisão, as coisas acontecem de outra maneira, a forma de estudar os personagens, de interagir com as câmeras, etc., é tudo diferente. Eu costumo dizer que o teatro dá prazer e a televisão dá dinheiro. Em televisão é fazer, fazer, fazer, repete-se tudo inúmeras vezes, é muito desgastante. Normalmente a equipa de produção quer é avançar, filmar, independentemente da tua prestação, que pode não estar a ser brilhante, mas eles querem é filmar. Se estás bem ou mal, tu é que tens de, acima de qualquer um, preocupar-te com isso porque eles precisam de filmar”.


regresso a angola


Já fez diversas peças de teatro como o “Auto da Índia” e “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente; “Noivado no Dafundo”, de Almeida Garret; “Hamlet” e “Romeu & Julieta”, de William Shakespeare; “Duas Histórias”, de Mia Couto; “As Troianas”, de Jean Paul Sartre; “Alta Vigilância”, de Jean Genet; “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll; “Um Pedido de Casamento”, de Anton Tchekhov; “A Judia”, de Bertolt Brecht e muitas outras. Em televisão, interpretou o personagem Mário na novela da TVI, “Deixa-me Amar”.
sonho por realizar

O regresso ao país não tem sido um mar de rosas. Contudo, tem estado recheado de momentos felizes ao lado do pai, irmãos e dos cães de estimação, que já não via há algum tempo. “Chocou-me um bocado ao início, mas depois fui-me habituando e, hoje, já vivo bem com a realidade angolana. Vejo que Angola está a crescer e precisa é de impulsionadores. Gosto muito de cá estar e fazer parte deste processo”.

No que toca ao futuro, gostava de tentar encontrar o seu ponto de equilíbrio, trabalhar em representação, ou com algo ligado à cultura. Quer seja a representar, ou a ensinar, ou outra coisa do género. “Mas o meu maior sonho, mais do que Hollywood, era tentar realizar alguma coisa minha, em teatro, televisão ou cinema. Dirigir, eu mesmo, um grupo de teatro, poder realizar alguma coisa nesse âmbito da representação. Quando representamos, mais cedo ou mais tarde, damo-nos conta ou acabamos por ter aquele sentimento de que somos sempre marionetes. Fazemos o que nos é pedido, por isso é que, a dada altura, grande parte dos actores se tornam realizadores. E eu gostava de, um dia, poder investir tudo de mim numa história, ver as coisas com os meus próprios olhos, a minha imaginação, dar eu o meu rumo a uma história”, confessou.


A primeira vez que fui ao teatro, pus-me a imaginar como seria estar do outro lado e representar.

Pérfil

Nome Ricardo Bruno Franco Pires
Idade 33 anos
Estado civil Solteiro. À espera 
da mulher da minha vida
Prato favorito Peixe, garopa grelhada
Passatempo Desporto, pintura, leitura e voluntariado
Ídolo Ghandi
Frase Para frente



Yuri Salvaterra: Jovem empreendedor
Empresário, estudante universitário


Quote:


Chegou, até mesmo antes de nós, ao local marcado para a entrevista. “Aprendi desde pequeno a ser pontual, e quando não o sou tento compensar as pessoas pelo meu atraso. Tento gerir bem o meu tempo”, disse-nos logo no início da conversa.

Aos 23 anos, Yuri Salvaterra dos Santos, conta-nos que desde os dezoito teve de assumir o papel de director/gerente do Hotel/Lodge Palanca Negra, um dos locais mais procurados pelos turistas que visitam a província da Huíla: “O meu pai depositou-me esta responsabilidade. Desde então, tento sempre justificar toda a confiança que me foi dada por ele”.

A HOTELARIA

Nasceu na Rússia. Na altura seus pais viviam e estudavam por lá. “Um dos meus sonhos é voltar à terra onde nasci, pois saí de lá muito cedo, com um ano, apenas.”

Por influência do seu pai, Luís Salvaterra dos Santos, começou a trabalhar na área da hotelaria. “O meu pai sempre foi o meu maior ídolo. Comecei a seguir os seus passos e apaixonei-me pelo ramo. A Huíla é muito bela e nada melhor do que criar condições para mostrar aos apaixonados essas belezas naturais”. Por não ser uma província costeira, muito do charme da Huíla está nos famosos meses do cacimbo, altura em que o frio característico do centro de Angola toma conta da província. O Lodge Palanca Negra tem sido, desde há quatro anos, o local escolhido por muitos visitantes para relaxar na tranquilidade do Lubango.

Na altura, com apenas 18 anos, Yuri sentiu a responsabilidade de gerir um espaço, na altura, com 36 quartos. “Vi os meus amigos ingressarem na universidade, cometerem as habituais ‘loucuras’ dos jovens da minha idade, enquanto eu ia a reuniões com fornecedores... Não foi fácil, mas mantive-me forte”, disse-nos o jovem.

A FACETA DE MODELO

O ano passado deu azo a duas grandes paixões: começou a desfilar e a coleccionar relógios. “Sempre fui muito apaixonado pelo design dos relógios. Assim que pude, comecei a minha pequena colecção”, contou-nos. A ‘pequena’ colecção de Yuri já conta com 16 relógios, das marcas Puma, Police, Levis, Emporio Armani, Guess, Fila, Diesel, Tommy Hilfiger e Nautica.

“Gosto muito do meu Nautica de 2009. Gostaria de ter um personalizado e exclusivo”, frisou. Os campeões da mesma são os da Puma, marca que acompanhou o seu pulso durante toda a entrevista. Quanto ao sonho de ser modelo: “Sempre assumi isso como um hobbie. O ano passado, no Huíla Fashion, recebi o convite para desfilar como figura pública, e este ano voltei a desfilar.

Gosto de vender. De mostrar o que de melhor um estilista pode apresentar ao seu público. O Huíla Fashion é um evento sem igual, no qual participo com muito prazer”, frisou. Em relação a uma carreira profissional na área: “Não arriscaria tanto. Temos grandes modelos em Angola. Prefiro deixar o espaço para os verdadeiros profissionais”.
PACOTES ESPECIAIS

Localizado na comuna da Palanca Humpata, a 15 km da cidade do Lubango, o espaço oferece uma cozinha internacional e angolana, E aos domingos o habitual buffet. Enquadra-se numa atmosfera acolhedora e relaxante para quem está de passagem, em trabalho, ou viagens de negócios. “A crise económica afectou todo o mundo, e por isso mesmo parámos com a expansão dos espaços do hotel.

Mas ainda este ano, pensamos em retomar. O Lodge também presta serviços de visitas turísticas aos pontos mais belos da cidade. “Nós também temos um serviço na Namíbia, o Angola/Namíbia Trade Promotions, onde tratamos de todo conforto e comodidade dos nossos clientes enquanto visitam Windhoek.

É nossa intenção também expandir, a médio/longo prazo, para outras províncias de Angola, e quiçá também para Windhoek, na Namíbia, onde já temos a marca consolidada, no que se refere ao acompanhamento dos turistas angolanos no país”, referiu Yuri, que a nível pessoal anseia “terminar os meus estudos universitários, pois no início não foi fácil conciliar as duas actividades.”




um empresário na passerelle

Pela segunda vez Yuri Salvaterra participou num evento de moda nacional. Tratou-se do Huíla Fashion, onde o melhor da moda daquela província, e não só, foi apresentado aos interessados. “A primeira vez recebi um convite da organização para desfilar como figura pública. Adorei tudo. Este ano, fiz questão de voltar a prestigiar este grande evento que ajuda a elevar o bom nome da nossa maravilhosa província”, frisou.


Nós também temos um serviço na Namíbia, onde tratamos de todo conforto e comodidade dos nossos clientes enquanto visitam Windhoek.
serviço de qualidade

O espaço existe desde 2006. Hoje composto por 50 quartos, o Lodge Palanca Negra oferece-nos uma cozinha internacional e angolana. Enquadra-se numa atmosfera acolhedora, onde mais de trinta funcionários, bem formados, estão ao dispor dos clientes para bem servi-los.

O espaço tem também um bom espaço para reuniões e conferências. A esplanada é um dos locais mais procurados, também por causa da vista que a acompanha. A criação de mais espaços recreativos dentro do vasto terreno, e de um polo aquático, fazem parte dos planos do jovem, porém ambicioso, empresário, Yuri Salvaterra: “Ainda temos muito a mostrar para melhor servir os nossos clientes”.

Perfil


Nome: Yuri Chantre Salvaterra dos Santos

Aniversário: 
1 de Abril de 1987

Viagem inesquecível: França e Cabo Verde

Restaurante: O do Lodge Palanca Negra

O que menos gosta: Mentira

O que mais gota: Sinceridade







Coreógrafo e produtor de eventos
Polly da Rocha // Da dança para os bastidores da moda


Quote:


Já fez parte de vários grupos de dança, entre eles um grupo no seu bairro. Dançou ainda para os Fãs do SOS, Ballet Nacional de Angola, Grupo Bailado Fitness e Kilandukilu. Até ter decidido inclinar-se para a moda. “Chegou uma altura em que senti que já não era a dança a minha área ou, melhor, já não tinha o mesmo ritmo, apesar de que, até hoje, risco e como risco as pistas”, brincou.

Entrou para o mundo da moda em 1998. Já tinha recebido alguns convites em 1996 para fazer parte de uma agência de modelos mas por causa do serviço não aceitou. Trabalhava na Maboque, naquela altura, como gastrónomo que é a sua primeira formação.

Em 1998, foi convidado para pertencer a Ellite Central Models que pertencia a Victória Garcia. Ficou por lá um ano e no ano seguinte começou a trabalhar com os concursos de beleza Miss Luanda 1997, Miss Luanda 1998, Miss Cabinda 1999 
e em muitos outros eventos ligados à moda.

Já organizou vários outros concursos de beleza como o Miss Cabinda, Miss Angola, Miss Lunda Norte, Miss Uíge, Miss Bié, Miss Huambo, Miss Kuando Kubango, Miss Moxico, Miss Cunene e Miss Namibe. No que toca a eventos de moda esteve ligado a quase todos que têm a patente da Mangos, desde a sua fundação. Participou da primeira até à penúltima edição do Angola Fashion Week, em todas as edições do Mister Angola e, segundo ele, até numa das edições do Moda Luanda. Outro evento que já produziu foi o Moda Huambo, que realizou, recentemente, a sua primeira edição.

MANIFESTAÇÃO DO DOM

Desde criança sempre mostrou uma certa paixão pela organização de eventos. Foi bailarino do Petro Atlético, dançou em vários outros grupos e companhias. “Quando criança organizava muitos concursos de beleza na minha área e era muito batoteiro. Só ganhavam as pessoas do meu prédio”, contou entre risos e continuou: “Quem ganhava era sempre uma das minhas irmãs ou uma prima, mas só pessoas que viviam no meu prédio. As meninas dos outros prédios ou das outras casas não podiam ganhar. É uma paixão que vem desde novo e agora decidi formar-me nessa área. Estive agora no Brasil e fiz dois cursos. Um de produção de moda e outro de designer de interiores, e reconheço que estou em formação ainda. Fico feliz porque vejo o mercado a melhorar. Já há mais produtores, pessoas novas a inclinarem-se para essa área e a concorrência é boa. Só assim as pessoas conseguem dar o seu máximo e mostrar 
o melhor trabalho possível”.

Descendente de uma família de cozinheiros acabou por aprender a cozinhar muito cedo e trabalhar algum tempo na área de gastronomia, passando por diversos restaurantes, desde os 15 anos. “Comecei a trabalhar muito cedo e apostei mais na área de pastelaria. Faço muitos bolos bons”, afirmou.

Trabalhou na Maboque, no congresso nacional, na assembleia mas dos tempos de gastrónomo já só restam saudades desde que se inclinou para o ramo da moda. “Tenho feito alguns bolos e sobremesas mas isso é só de vez em quando e quando estou bem-disposto. Apesar de ser sócio de uma empresa de prestação de serviços que faz encomendas, dou o meu contributo na área de pastelaria. Tenho em mente um projecto que talvez inclua gastronomia mas ainda é cedo para falar disso”.

O COREÓGRAFO

Coreógrafo exímio é o cérebro por detrás dos números de apresentação das misses. Para conceber as coreografias que pompeiam muita criatividade, inspira-se na música e na dança, de que diz ser fanático. “Vejo muitos vídeos de dança, muitos vídeos de música, muitos concursos internacionais de beleza. Inclusivé já tive o prazer de assistir a três, Miss Universo 2002, 2005 e 2006”.

Reconhece que a dança foi uma das bases mais fortes 
que teve para que se tornasse no bom coreógrafo que é hoje. “Há pessoas que confundem coreógrafo de dança, com coreógrafo para concursos 
de moda ou beleza. São coisas extremamente diferentes porque concursos de beleza exigem uma noção de técnicas de andamento e postura, beleza facial, beleza corporal, etiqueta, etc. É muito bom juntar o útil ao agradável mas são campos diferentes. Eu sou vitorioso porque percebi isso e tenho a dança como base mas não me esqueço de fazer com que a coreografia tenha marcas de técnicas de passerelle, etc”.

São 11 anos de carreira de muita determinação e sucesso. Porém, humilde, Polly da Rocha, reconhece que houve ao longo do seu percurso pessoas que contribuíram para o seu percurso. “Gostava de agradecer à Vitória Garcia 
que foi uma pessoa que estimulou o meu pontapé de saída, convidando-me para fazer parte da sua agência. 
A ela o meu muito obrigado. 
Ao Valdo Oliveira, que acreditou no meu potencial e sempre me abriu muitas portas. Uma pessoa que já não faz parte dos mundos dos vivos mas que sempre acreditou em mim é a Carla Soares. Ela sempre me mostrou o lugar onde eu devia estar para que as pessoas aplaudissem o meu trabalho. A Karina Barbosa, trabalhou comigo um ano e meio. Adquiri muita experiência com ela porque ela é uma mulher muito profissional 
e de muita determinação. Em, especial, gostava de agradecer a uma pessoa que sempre me deu muita atenção, carinho, que sempre me disse que eu era capaz, acreditou e, até hoje acredita no meu trabalho que é a primeira dama, Ana Paula dos Santos, a ela 
o meu muito obrigado”.

Perfil: o Príncipe do Carnaval


Polly da Rocha é um rosto já habitual, todos os anos, na marginal de Luanda para dançar o carnaval, que é considerada a maior festa popular e a maior manifestação cultural dos angolanos.As ruas da marginal são testemunhas da alegria contagiante e mestria nos passos que este bailarino, oriundo da ilha de Luanda, espalha 
entre os amantes do carnaval.

* Nome: Polly da Rocha
* Idade: 30 anos
* Estado Civil: Solteiro
* 
Passatempo:Ler, ver televisão e ouvir música
* Prato: Nenhum 
em particular, masgosto de um bom cozido à portuguesa ou 
uma feijoada
* Música: Kizomba
* Cantor: Paulo Flores, Bonga, Patrícia Faria e Yola Semedo
* Profissão:Coreógrafo e produtor de eventos 

* Detesta: Pessoas que não sãoverdadeiras




Potencial de médicos angolanos surpreende congressistas


Quote:


O potencial demonstrado pelos profissionais da saúde durante o primeiro dia do VI Congresso Internacional dos Médicos em Angola, surpreendeu a classe, dada a qualidade e admirável exposição apresentada por estes, revelaram hoje, em Luanda, participantes do certame.


António Maria Pediatra, do Hospital Américo Boa Vida, referiu que a exposição dos médicos angolanos demonstrou a classe de profissionais estrangeiros presentes no encontro que Angola também tem médicos com elevado nível de conhecimento.


“Eu sempre acreditei que existem médicos em Angola com capacidade de elevar o nome do país. Pessoas com uma qualidade de trabalho invejável”, disse.

Por sua vez, a porta-voz do encontro, Isabel Massocolo, que no que toca a especialidade, avançou que os cirurgiões angolanos foram os que mais se destacaram durante as suas apresentações.

“Vimos o potencial dos nossos colegas, visto que já fizemos cirurgias raras como no cérebro, montagem, úlceras e outras. Estou surpresa e feliz com alguns médicos angolanos. Realmente estamos a fazer grandes trabalhos cirúrgicos”, aplaudiu.

Por sua vez, Elisabeth Tchilo, estudante do sexto ano de medicina, considerou que dada a excelência dos profissionais angolanos, muitos saíram do encontro com as ideias “totalmente” renovadas.

Para a secção de hoje, está previsto debates sobre diferentes temas como a “Úlceras de Pressão”, “Epidemia da Raiva”, “Abusa sexual em crianças e adolescentes”, “Rotura Interina” entre outros assuntos.

O encontro encerra no final da tarde de hoje.
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Old September 15th, 2010, 11:37 AM   #70
Matthias Offodile
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Hoteleiro
Clayton Castro // De arquitecto a hoteleiro


Quote:


Trabalhou apenas um ano como técnico de construção civil depois de terminar a formação, largando este ofício para se dedicar a hotelaria, sendo algo que mais gosta de fazer. De volta a Angola, Clayton Castro é um dos responsáveis do aldeamento turístico Muié Lodge.

Passou por muita coisa para descobrir o que gosta de fazer realmente, ou seja, a sua vocação.

Sim, quando cheguei a Portugal, comecei a fazer o curso de desenhador projectista, isso em Construção Civil. Depois das aulas entrava sempre nos bares para apreciar a maneira como os barman faziam cocktails, e fui-me apaixonando cada vez mais.


Mas isso não atrapalhou na sua formação?

Não porque eu só o fazia depois das aulas e não complicava em nada, tanto que consegui terminar o curso.


O que fez depois de concluir o curso?

Olha, trabalhei apenas um ano como técnico de obra e depois larguei. Fui para hotelaria, mais propriamente para a zona de bar, a área de que eu mais gosto.


Isso por quanto tempo?


Vários anos.


Isso não lhe suscitou problemas junto dos parentes, amigos e colegas?

Tive, principalmente com o meu pai, porque o sonho dele era que eu fizesse mesmo construção civil, não hotelaria. Até porque tinha custeado os meus estudos e a minha estadia por algum tempo. Mas depois teve que aceitar porque era mesmo o que eu gostava de fazer, tanto mais que abri o meu próprio negócio em Lisboa.


Conte-nos um pouco sobre o negócio…

Como já tinha experiencia no ramo, dado que trabalhei nalguns bares, achei que estava na altura de abrir o meu próprio negócio e, na altura, tive o apoio da minha namorada, que se tornou, aliás, minha sócia.


Teve sucesso?

Sim, era um pequeno negócio.


Porque é que desistiu?

Tudo terminou quando rompemos o nosso relacionamento. As coisas ficaram frias e decidi fechar.


Foi fácil montar o negócio, uma vez que as pessoas dizem que é difícil um africano fazer negócios na Europa?

Não. Porque lá não há tantas burocracias como cá. E essa história não é bem contada, o que se passa é que as pessoas gostam muito de facilidades.

Não que eu não tenha sofrido, estaria a mentir se dissesse que foi tudo um mar de rosas.

Mas, claro, há sempre uma descriminação, só que temos que saber ultrapassá-la, e só é possível fazê-lo com o trabalho, para que as pessoas nos respeitem.


Qual foi a pior sensação de descriminação que viveu em Portugal?

Pior não digo... foram aquelas palavras que estávamos acostumados a ouvir, mas não me podia deixar abalar com esse tipo de coisas.

Também conheci muito boa gente.

Por exemplo, quando fui jogar para o Belenenses o meu técnico dizia-me que iria enfrentar palavrões, mas só ultrapassaria se mostrasse trabalho.


E como foi conviver naquele ambiente?

Na boa…


Quando regressou?

Estou cá há um ano.


O que achou de Angola?

Há realmente uma diferença muito grande em relação ao passado. Mas, mesmo assim, precisamos crescer muito, porque há muita coisa que vejo aqui e que não consigo entender. É por isso que considero a Europa uma grande escola da vida em muitos aspectos.


O que é que mais o impressionou cá?

Foi o interesse das pessoas.


Como assim?

Vou dar um exemplo: aqui vejo que o homem é obrigado a “fazer mesada” para a namorada e, quando não a faz chamam-no “agarrado”, como se diz na gíria mão de vaca.


No seu entender qual a causa disso?

A pouca formação das pessoas, não só ao nível da formação académica como no plano de vários aspectos da vida. Por outro lado, a pobreza também contribui para isso.

Perfil

* Nome: Clayton Castro
* Idade: 31 anos
* NaturalIdade: Cabinda
* Estado Civil: Solteiro
* Formação académIca: Técnico de Construção Cívil
* Melhor FIlme: Gladiador e Armagedon
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Old September 25th, 2010, 02:08 PM   #71
Matthias Offodile
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Francisco Paixão // Mestre Zezé
Pintor

Quote:


Desde pequeno, sempre teve uma inclinação por desenhos e pinturas.Mas o seu grande sonho era tornar-se uma grande estrela de futebol. Só que quando, um dia, tentou aprender a profissão, nunca mais conseguiu sair.

A oficina está situada logo à entrada da rua da Dimuca, propriamente na famosa rotunda do bairro Boavista. O transeunte depara-se logo com uma tabuleta a dizer “Há pintor – auto”. Por baixo vem a assinatura: “Mestre Zezé”. Mas os vizinhos carregam os clientes como se fossem trabalhadores da oficina, e Mestre Zé, mal nos vê, logo nos dispara a pergunta: procuras mão mágica?

Como surgiu esta fama?

Ainda sinto que esta fama é instantânea, porque há muito a fazer para solidificar o meu nome no mercado. Sinto que isto é apenas o princípio de um grande caminho a percorrer.

O que falta para atingir essa meta?

Formalizar a minha própria oficina, conseguir um local melhor e reconhecido como uma organização.

Mas constatámos que é muito conhecido...

Já venho a trabalhar há muito tempo.

Mas só por isso?


Não, sempre fui um grande desenhador e faço boas decorações. E há muita gente da chamada alta sociedade que procura o meu trabalho. E essas pessoas vão espalhando o meu nome pela cidade.

Tem muita concorrência?

Sim, por dia aparece uma dezena de clientes, principalmente os da camada jovem, que pinta duas, três cores no carro.

Consegue atendê-los todos?

Ainda não, porque tenho pouco espaço e careço de mais pessoal.

Estou a trabalhar para ver se consigo constituir uma empresa brevemente.

Mas actualmente qual é o número exacto de clientes?


Recebo quatro carros por semana, e cada carro pode levar cinco dias a ser pintado, dependendo do estado em que se encontra. Mas trabalho em dois locais, que é aqui na Boavista e em Cacuaco na nova urbanização.

Tem recebido carros em péssimo estado de conservação?

Muitos. Mas também recebo carros que só precisam mesmo de renovar a pintura.

Qual o máximo de viaturas que pinta por mês?

Posso pintar cinco a quatro carros.

Mas posso fazer mais só que, como disse, as condições ainda não permitem.

E alguma vez procurou um emprego em alguma representante ou oficina com nome no mercado?


Já, há alguns anos procurava, mas depois apostei no meu próprio negócio. Mas muitas oficinas da cidade conhecem o meu trabalho, tanto assim que algumas solicitam-no.

Se o chamassem agora?


Aceitaria trabalhar para um grande representante, dá um certo prestígio.

E os seu negócios?

Continuariam, tenho bons ajudantes que já dão conta do recado.E também seria uma maneira de conhecer como funciona uma organização de grande dimensão.

Perfil

Nome: Francisco Paixão

Idade: 30 anos

NaturalIdade: Malanje

Estado civil: Solteiro

Formação profissional: Pintor auto

Clube preFerIdo: Petro de Luanda (Futebol)

Prato FavorIto: Calulú
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Old September 27th, 2010, 10:21 AM   #72
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Fernando Brizio - Angolan product/fashion/industrial designer





















Quote:
Designer mês Maio: Fernando Brizio

Fernando Brizio nasceu em Huila, Angola em 1968 e tirou o bacharelato em Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Desde 1999, ttem trabalhado em vários projectos como cenários e produtos para companhias como Authentics, Details e DIM-Die Imaginare Manufaktur of Germany, Protodesign, Atlantis, M Glass, Coreografo Rui Horta, Modalisboa, Schréder, Lux/Loja Atalaia, Droog Design e Cor Unum da Holanda.

Actualmente ensina na ESAD-Caldas da Rainha e é professor visitante na ECAL em Lausanne e na University of Design and Media em Karlsruhe, Alemanha.

O seu trabalho caracteristico pela suaa conceptualidade, está presente em várias exibições na Europa, Tokyo e São Francisco.
Quote:

Trabalho de Fernando Brízio é capa da revista britânica Icon




O trabalho do designer angolano Fernando Brízio, em particular a instalação realizada numa exposição em Turim, foi escolhido para a capa da edição de Agosto da revista britânica Icon, publicação de referência na área da arquitectura e design, noticiou a Agência Lusa.

Turim é este ano a Capital Mundial do Design, e de todas as iniciativas, exposições e eventos em curso, a revista elege a exposição Flexibility - Design in a Fast-Changing Society, comissariada por Guta Moura Guedes, como «a mais interessante para visitar».

Instalada numa antiga prisão de Turim, Flexibility - Design in a Fast-Changing Society (Flexibilidade - Design numa sociedade em rápida mudança), foi inaugurada em Junho, e centra-se na importância da flexibilidade para a sociedade contemporânea, em particular na área do design, reunindo obras de design, música, instalações em vídeo e textos sobre o tema.

Flexibility - Design in a Fast-Changing Society ocupa um total de 3.200 metros quadrados, onde são apresentadas uma introdução ao tema e várias interpretações através de texto e de uma instalação-vídeo.

No interior da prisão são mostrados diversos exemplos de design flexível, desde produtos e objectos a sistemas e serviços, com mais de 60 propostas.

Entre os artistas representados nesta exposição, a revista Icon destaca Bertjan Pot (Holanda), Patricia Urquiola (Espanha), e em particular o trabalho de Fernando Brízio, que criou uma instalação composta por vestidos coloridos.

Renewable Clothing apresenta um conceito original em que os vestidos brancos podem ser pintados por quem os veste, apenas colocando feltros de canetas coloridas em pequenos bolsos e deixando a cor espalhar-se. O vestido pode ser lavado e pintado em diferentes combinações de cores.

Nascido em Angola, em 1968, Fernando Brízio tem vindo a criar, ao longo da última década, projectos de design de produto, cenografia e exposições, nomeadamente, para a ExperimentaDesign, Details, Protodesign, Modalisboa, Die Imaginäre Manufaktur, e Intramurus.

Os seus trabalhos já integraram exposições em diversas cidades na Europa, e também em Tóquio e São Francisco.

Na edição de Agosto da Icon também há uma entrevista a Álvaro Siza, apresentado como "o primeiro arquitecto internacional a criar um museu importante no Brasil", para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, inaugurado em Maio
Bio - Angolan product/fashion designer



Quote:

Born in Angola (Cabinda) in 1978. BA Honours degree in industrial design from ESAD Caldas da Rainha Began her professional career in the designers insertion course in the crystalware section of Marinha Grande. Since 2002, she has been working in the field of product/fashion design. She has taken part in various national and international design exhibitions. After working with several national brands, she created her own fashion accessories brand in 2005, entitled SUSHI, assuming art direction responsibilities for the brand. Her products are on sale across Portugal and she expanded her business in Spain as well.



Visit her site to get an idea:

WWW.SUSHIDESIGN.COM.PT

Last edited by Matthias Offodile; September 27th, 2010 at 10:35 AM.
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Old October 9th, 2010, 06:25 PM   #73
Matthias Offodile
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Exposição de Sabby Biografia
‘Luanda’s Dreams’ e a desfiguração da realidade




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O artista plástico angolano Benjamim Sabby prepara-se para realizar a sua próxima exposição individual denominada “Luandas’ Dreams”, a acontecer entre os dias 14 e 26 deste mês, no Centro Cultural Português – Instituto Camões, em Luanda. A propósito do evento, publicamos hoje, na íntegra, o texto de apresentação da referida exposição, da autoria do historiador de arte Adriano Mixinge.

Com a intenção de fazer-nos ver o lado mais belo da cidade, das coisas e dos seus habitantes, Benjamin Sabby reúne em “Luanda’s Dreams”, uma série de telas e artefactos que desfiguram a realidade. Sonho e pesadelo, cor e movimento, plano e volume, caos e esperança articulam-se numa exposição, que acontece num momento em que as dinâmicas sociais, políticas, económicas e culturais em Angola andam, de um modo geral, entaladas entre a gerontocracia dos poderes estabelecidos e as múltiplas expressões do poder de criatividade e de sobrevivência do cidadão comum.

Benjamin Sabby escolheu como tema desta exposição uma série de novos heróis urbanos: kinguilas, kandongueiros, engraxadores, roboteiros e zungueiros confundem o sonho da cidade com os seus próprios sonhos.

No entanto, mais além do colorido que predomina na sua aparência, “Luanda’s Dreams” é uma exposição situada na encruzilhada entre o que mostra e o que oculta, entre o que é visível e o que desfigura, entre o que apresenta e o que pode significar, entre Vladmir Prata o que diz e o que dissimula, entre a intenção de originalidade e o fim/destino decorativo das imagens.

Aquilo que vemos hoje na amostra é o resultado de todo um processo criativo que Benjamim Sabby, num email ainda em Março de 2008, descrevia assim: “...Quanto as obras mais recentes, estou numa fase complicada (...). Sinto-me tentado a pintar em superfícies menos convencionais”.

E durante quase dois anos e meio, Benjamim Sabby foi trabalhando e reflectindo sobre a necessidade de não ficar só pelos acrílicos sobre tela, optando por outros suportes. Nessa sua intenção surge, então, “Luanda’s Dreams” que é uma desfiguração do universo de alguns dos “novos heróis urbanos” caluandas, através de vários procedimentos plásticos, utilizando livremente as manchas de cor, as figuras geométricas, as linhas, muitas vezes, sobrepondo um quadro e ou rectângulo que, algumas vezes, funciona como uma janela que permite “(re)tratar” o tema das obras optando diversas perspectivas.

Na tentativa de estetizar o banal e de pintar aquelas que ele denomina de “superfícies menos convencionais”, o artista apropria-se de um conjunto de “acessórios” (instrumentos de trabalho) que são necessários para que os “novos heróis urbanos” evitem as agruras da vida do dia-a-dia, em Luanda: o banco da kinguila, a caixa do engraxador e o carro do roboteiro, por exemplo, são (re)decorados à sua maneira, alterando as suas funções de origem e dando-lhes uma roupagem diferente, sendo que aparecem sobre elas, de maneiras repetidas, as silhuetas deformadas dos habitantes, dos prédios e dos carros que pululam pela cidade. “Luanda’s Dreams” é, então, uma tentativa de captar as velocidades e o dinamismo de uma cidade que desfigura-se dia após dia, ao afunilar-se nos seus engarrafamentos e ao espreguiçar-se nas novas estradas e novos bairros que surgem com a instauração da paz, em Angola, que é também a catalisadora do sonho de uma renovação estética, muito mais vasta.


Biografia



Artista plástico e curador independente, Benjamim Sabby nasceu em Luanda em 1974. Estudou artes plásticas na Escola Nacional de Artes Plásticas. É professor de educação visual e plástica e funcionário da Direcção Nacional de Formação Artística.

Membro da UNAP União Nacional de Artistas Plásticos, é consultor e curador na II Trienal de Luanda. Foi comissário do SIEXPO – Salão Internacional de Exposições de Arte – Luanda. Como curador independente, produziu várias exposições, onde se destacam: “Um Percurso Plástico no Mundo Contemporâneo” do artista plástico Van (SIEXPO – 2007), “Poesia e Surrealismo” da artista plástica Ana Silva (SIEXPO – 2008) e “Anatomilias – entre o Homem e a Máquina” do artista plástico Paulo Kussy (SIEXPO – 2010).

Tem obras em colecções particulares de instituições em Angola e no estrangeiro. Participou em mais de vinte exposições colectivas e já realizou cinco exposições individuais, nomeadamente “Frutos do Imaginário”, no Centro Cultural Português (Luanda – 1999), “Sonhos, Silhuetas e Simbolismo” (2000 – CCP, Luanda), “ Realidades” XV Festival da Juventude e Estudantes (2001 – Argel, Argélia), “Do Sonho à Realidade ” (2002 – CCP, Luanda) e “Marcas do Real e do Onírico” (2006 – Galeria Celamar, Luanda).

“Luanda’s Dreams” será a sua sexta expo individual. Sobre a mesma, Sabby comenta o seguinte: “Luanda’s Dreams” retrata os sonhos da cidade e dos seus habitantes e visitantes. Os contrastes existentes nesta capital, os grandes edifícios novos, as cubatas antigas, a secretária que trabalha num escritório na Marginal, a kinguila que trabalha na esquina de um prédio qualquer da baixa de Luanda.

Estes e muitos outros assuntos são retratados por mim em LUANDA’S DREAMS.
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Old December 9th, 2010, 07:24 PM   #74
evany
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o que isso tem haver com Angola????
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Old December 10th, 2010, 08:51 PM   #75
Matthias Offodile
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Rui Mendonça trocou sonho europeu pelo regresso às origens


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O empresário angolano, de 42 anos, viveu muitos anos entre Portugal e Espanha, mas optou por regressar às origens. Primeiro Angola, onde tem a família, e agora São Tomé e Príncipe.


João Lima
Há cinco anos, Rui Mendonça, um empresário angolano de 42 anos, aceitou o desafio que lhe foi proposto para implementar e administrar o Banco Equador em São Tomé e Príncipe e mudou-se para aquele país, onde vive sozinho. Uma opção que fez mesmo depois de ter vivido 15 anos na Europa, entre Portugal e Espanha, onde estudou e se formou em Economia. Aquele que seria o sonho de muitos africanos, viver na Europa, estava ao seu alcance, mas a paixão por África falou mais alto. Ainda esteve em Angola, onde vive a sua família, mas acabou por apaixonar-se por São Tomé e agora nem pensa em deixar aquele país.

- Viver sozinho, longe da família e amigos, não deve ser fácil...
Rui Mendonça - Não. Mas vou com alguma frequência a Angola, e ultimamente têm sido eles a vir cá. Gostam muito de S. Tomé. É um país muito calmo, em Luanda é tudo muito stressante. Então aproveitam para passar cá um fim de semana, uns dias. Felizmente, porque assim acabo por não sentir muito a falta dos amigos e da família.



- Nunca sentiu necessidade de constituir a sua própria família?
- Evidentemente que sim. Mas nesta situação seria um pouco complicado, uma vez que S. Tomé não oferece ainda as condições que gostaria de dar aos meus filhos. Estamos a falar em termos de saúde, escolas... muito pelos meus compromissos profissionais, e também porque sou ainda jovem, constituir família é um projeto adiado. E depois tenho sobrinhos, o que dá para compensar.

- É um homem de tradições e valores, e o seu pai é, ainda hoje, uma das suas grandes influências...
- Sim. Tento sempre ser como o meu pai, que é uma pessoa que admiro. Pela forma generosa de ser e estar na vida, pelo grande profissional que é e porque me transmitiu sempre grandes ideais, sobretudo de solidariedade e de ajuda ao próximo. Pressupostos que quero manter sempre, quero seguir o seu legado. Sendo filho mais velho, é o mínimo que podia fazer por ele, correspondendo a tudo o que fez por mim. Sei que nunca chegarei onde ele chegou, mas quero chegar o mais perto possível. Se conseguir isso, serei um homem feliz.



- Aos 42 anos, conseguiu já tornar-se um empresário de sucesso, o que o deixa próximo dos objetivos...
- Tento ser um empresário de sucesso! Estamos a começar a desenvolver a nossa empresa e os nossos negócios em S. Tomé, já temos um legado muito maior em Angola, mas acredito que podemos crescer muito neste país. É um investimento estratégico a médio/longo prazo, não pensamos ter lucro já. Estamos no bom caminho e acho que já conseguimos conquistar o respeito e consideração da sociedade são-tomense, e isso motiva-nos a prosseguir nesta senda, neste esforço para reconstruir e fazer crescer este país.

- É um homem de desafios?
- Sou um homem de desafios, gosto de começar projetos, desenvolvê-los e depois entrar noutros desafios. Neste momento, já estou a pensar noutros desafios. Tenho projetos imobiliários de grande vulto aqui para São Tomé, sobretudo no setor hoteleiro e residencial.



- Este país será, então, a sua 'casa' nos próximos anos?
- Acho que sim. Foi o único sítio do mundo, de todos por onde passei, onde decidi construir a minha própria casa, ao meu gosto, como sempre sonhei. Nem no meu próprio país de origem o fiz. Aqui fui muito bem acolhido, sempre fui bem tratado, adoro este povo e acredito no crescimento de São Tomé.

- Esteve em Portugal e em Espanha. Nunca equacionou fixar-se na Europa?
- Não. Nos quinze anos em que estive a estudar, vivi sempre na Europa, mas fiquei desiludido. Isto porque sou uma pessoa de desafios, gosto de partir do zero, de ver as coisas serem criadas e acrescentar valor. Costumamos dizer que em África uma pequena coisa, um pequeno gesto, pode significar muito para muita gente. São essas pequenas coisas que fazemos que nos dão uma satisfação enorme, sobretudo quando vimos os resultados. Na Europa não existe liberdade para criar, para fazer coisas novas. Em África temos que ter espírito de sacrifício, mas é muito gratificante chegar ao fim do dia e percebermos que conseguimos mudar um pouco o mundo.



- Não é fácil viver num país onde os níveis de pobreza são muito elevados...
- A mim choca-me a pobreza, aliás, foi um dos fatores que me chocou mais no meu país. Porque aqui há pobreza, em Angola há miséria. Existem situações dramáticas lá. São Tomé é um país diferente. Deus colocou aqui tudo, não há fome, mas as condições básicas de vida não existem para muita gente. Mas acredito que isso seja reversível. Acredito no futuro deste país.

- Não podemos deixar de falar da White Sand Party, uma festa que organizou e que trouxe várias figuras públicas ao ilhéu das Rolas...
- Sim adorei receber todos aqui... São Tomé tem muitos problemas logísticos, mas toda a equipa que trabalhou para este projeto esforçou-se imenso e conseguiu levar avante aquele que foi o primeiro grande evento realizado em São Tomé.

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.





Empresário da construção civil
Valdemar Farmhouse
O domador de jacarés


Quote:


Valdemar Franco Farmhouse, natural do Ambrige, província do Uíge, nasceu em 17 de Dezembro de 1958, filho de um português e de mãe angolana, e neto de um inglês. Valdemar sempre foi um batalhador. Aos 12 anos, começou a trabalhar como empregado de oficina, aos 14 anos ingressou na tropa, da qual viria a desertar aos 17 anos devido à independência de Angola. O seu pai, embora branco, foi revolucionário. Incentivava-o a ouvir o programa Angola Combatente contra os colonos e foi o orador do primeiro Comício do MPLA, realizado na Província do Uige, cuja delegação foi chefiado pelo General Lúcio Lara. Nos final de 1974, Valdemar teve de fugir com a família para Luanda, abandonando todos os bens materiais desde a casa ao automóvel. Waldemar foi forçado a recomeçar do zero.

EMPRESÁRIO DE SUCESSO

A vida correu-lhe bem e, aos 20 anos, já era proprietário de uma oficina. Mas o negócio não durou muito tempo. Waldemar preferiu virar-se para os diamantes, onde ganhou algum dinheiro. Actualmente é dono de uma grande empresa ligada aos ramos da construção civil, camionagem, comércio e hotelaria. Ainda assim Valdemar crê que é muito duro ser empresário em Angola. “Primeiro porque os angolanos ainda não têm uma cultura enraízada de investir e de poupar. Segundo porque o nosso mercado é muito fechado aos empresários nacionais. O governo tem de criar mais linhas de crédito para os empreendedores”, sugere. “O meu lema para o sucesso é a honestidade, dedicação ao trabalho e saber aproveitar as oportunidades, porque a sorte só nos bate a porta uma vez”, defende.

PAIXÃO PELOS ANIMAIS

A vida empresarial não o fez esquecer as raízes campestres. Desde miúdo que tem uma grande paixão pelo animais. Ele não só nasceu numa quinta rodeado de animais, como é de uma região onde há muitos répteis. O seu pai ensinou-o a lidar com algumas espécies de animais mais perigosas – tal como o jacaré. Valdemar apaixonou-se pelos “bichos” e tem procurado seguir as pisadas do pai. Hoje tem um jacaré em casa como se fosse um animal de estimação.

“Eu nunca tive medo de jacarés. Na região onde nasci havia muitos. Mas nunca pensei comprar um. Isso sucedeu, por acaso, numa das minhas viagens associadas ao negócio dos diamantes. Quem o vendeu foi um garimpeiro, na Província da Lunda-Sul, por apenas 100 dólares. Na altura fui muito criticado. Muitos amigos, colegas, familiares chamaram-me doido. Outros achavam que eu era feiticeiro”, recorda. Indiferente às criticas Waldemar estava determinado a conservar o animal. “Já tenho o jacaré há 14 anos. Quando o comprei tinha menos de um metro. Agora está com 3 metros e meio. Já passei o testemunho ao meu filho, que cuida dele como um irmão”, diz. Obviamente que isso assusta-o um pouco, “Nunca se sabe. O jacaré é um animal feroz. Pode revoltar-

-se um dia”, diz. Só se arrepende de uma coisa “nem sempre tenho tempo para cuidar do jacaré como gostaria”, confessa pesaroso.

“PRESTAMOS POUCA ATENÇÃO AOS ANIMAIS”


Waldemar defende que o governo angolano tem feito muito pouco pela vida animal. “Investe-se muito pouco no ambiente, as pessoas precisam de estar mais preparadas e informadas. A nossa sociedade tem grandes problemas de saúde porque não cuidamos bem da natureza. Os nossos animais estão em extinção porque ninguém lhes presta atenção”, defende.




Shanguiny Vungulipy // De Linha 
e agulha na mão
Licenciada em ciências da comunicação e estilista


Quote:


Recebeu-nos calorosamente em sua residência. Acolhedora e decorada a preceito o espaço denuncia à primeira o gosto ousado pela mistura das cores da estilista, designer e decoradora de interiores, Shanguiny Vungulipy, que se tem destacado no mundo da moda pelos modelos “quentes” que apresenta.

“A decoração da minha casa foi feita por mim. Os tapetes, as cortinas, os forros dos cadeirões e as almofadas coloridas. Este é o estilo em tudo o que faço”, explicou.

Com a agenda preenchida, a estilista confessa que está a viver um dos momentos mais altos da sua carreira. “Tenho compromissos até aos primeiros meses do próximo ano e por razões maiores a minha apresentação já não será este mês”, disse.

Devido aos vários compromissos nacionais e internacionais a designer foi obrigada a adiar para a primeira semana do mês de Fevereiro, a apresentação da sua colecção de Verão para 2011, antes prevista para o dia 12 de Dezembro.

Intitulada Summer Colection 2011, o desfile acontecerá no dia 5 de Fevereiro num dos espaços do Hotel Trópico, em Luanda, num show room composto por cerca de vinte modelos.

Os convites para se apresentar na primeira Feira da Moda em Angola de 9 a 12 de Dezembro e no Festival Internacional da Juventude e Estudantes em Joanesburgo, África do Sul a partir do dia 13, constam entre as prioridades da estilista.

“Vou apresentar-me no primeiro dia de exposição na Feira da Moda em Angola e terei um dos maiores stands onde durante os quatro dias de feira estarão os meus modelos. Logo depois parto para África do Sul”, explicou Shanguiny.

Na ressaca desses desfiles exibirá finalmente a sua colecção de Verão para 2011. Numa gala onde além das roupas os manequins se apresentarão com diversas bijuterias também de sua autoria.

“Será um show room com manequins fixos, onde estarão expostas as minhas criações roupas e bijuterias”, disse.

Uma Revelação no estilismo

Entre os eventos da estilista destacam-se o Moda Luanda, Fashion Week, Moda Huíla, Moda Cabinda, 
o desfile para a Universidade Lusófona 
e ainda para a Polícia Montada. Os seus modelos chamam a atenção pelo estilo ousado e “abusar das cores”.

Um dom natural



Quando criança, Shanguiny vestia as suas próprias bonecas, cortava, juntava e pregava pequenos pedaços de tecido e transformava-as em verdadeiras manequins, destacando-se sempre entre as suas amigas.

A ida a Portugal foi um impulso importante para sua vida profissional. Foi na Europa onde deu os primeiros passos na moda.

“Por ser um país frio eu improvisava as minhas próprias roupas para a escola. Com alfinete pregava-as juntando peças de roupas diferentes”, disse.

O primeiro desfile aconteceu numa discoteca em Portugal, por convite de uma amiga. E para sua surpresa foi muito bem sucedida, as roupas pregadas a alfinete fizeram moda naquela noite.

O lucro foi satisfatório, “dos cem euros gastos houve um rendimento de mais de oitocentos euros. Foi um super incentivo”, lembrou.

A partir daquele dia passou a desenhar os seus modelos e levava-os a um costureiro para os retoques finais.



Numa das sua viagens a Paris surgiu novamente um convite para se apresentar numa discoteca, mas desta vez não foi tão afortunada.

“Naquele dia não vendi nenhuma peça. Excepto uma gravata de serapilheira. Mas o desaire não me desmotivou.

Concluída a licenciatura em Comunicação Social regressou a Angola e foi enquadrada no quadro de funcionários da Televisão Pública de Angola (TPA). Em terra natal, o primeiro desfile aconteceu no programa Janela Aberta da TPA, com dezassete manequins em modelos coloridos e ousados. Mais uma janela se abriu.

“Durante o desfile deixei o meu contacto no ar e de seguida recebi vários convites e propostas de pessoas interessadas nos meus modelos”, disse.

Seguiram-se vários convites, inclusive o do Kayaka Júnior, um dos maiores produtores de moda do país, convidando-a a apresentar-se no espaço Miami Beache, na ilha de Luanda.

Após a apresentação no Miami, surgiu o convite para o Moda Luanda, no museu das Forças Armadas, onde foi escolhida para encerrar o desfile com um vestido de noiva de serapilheira.

E surgiram outros: o Angola Fashion Week, Moda Huíla, Moda Cabinda, o desfile para a Universidade Lusófona em Portugal e ainda para a Polícia Montada. Num pulo para o profissionalismo.

A formação em designer de moda, alta costura e decoração de interiores durante seis meses no Brasil surge tempos depois como forma de aperfeiçoar a prática e garantir sustentabilidade aos seus projectos.


Na primeira pessoa

Extrovertida e bem humorada Shanguiny Vungulipy apresenta-se como “uma incansável batalhadora na conquista das suas metas de vida”.

O apelido foi-lhe atribuído pelo pai, porquanto quando pequena adoecia com alguma frequência. “Na língua nativa do meu pai Shanguiny significa algo muito frágil ou sensível”, explicou.

Aos sete anos de idade, na companhia dos pais, deixou a rua Teófilo Braga, n.º 50, na província do Bié para fixar residência em Luanda onde concluiu o ensino primário na escola José Marti, o secundário no Ngola Kanine e parte do médio no Puniv. Em 1998 partiu para Portugal onde concluiu o ensino médio e licenciou-se em Ciências da Comunicação na especialidade de Televisão.

Em 2005 regressa ao país e é enquadrada no quadro de funcionários da TPA. E dá continuidade à apetência pela moda.

Conquistado o seu espaço na moda nacional, hoje, dedica--se exclusivamente à arte de costura, porquanto exige de si muita dedicação e disponibilidade de tempo. “As vezes isolo-me de tudo e dedico-me exclusivamente à moda”.

A estilista tem como meta o segundo semestre de 2011 para voltar a dedicar-se à sua área de formação, porquanto “alguns dos objectivos relativos à moda já estão concretizados”.

Segunda filha, entre quatro irmãos, lembra-se divertida de ter “pagado um mico” à entrada de um desfile de moda, quando a caminho parou para comprar um cartão de recarga do telemóvel e ao subir o vidro do carro não deu conta que a peruca estava presa no vidro. Alheia ao facto, na via apercebeu-se que os transeuntes e outros motoristas olhavam fixamente para ela. Já no estacionamento fora do carro um rapaz a advertiu que a peruca havia ficado no vidro do carro.



“Foi dos piores dias da minha vida. Eu queria desaparecer, mas no final comecei a rir de mim própria”, lembrou.


“amo as cores”

Nos desfiles em que participa os seus modelos são facilmente distinguido pelo toque ousado que apresenta e o “abusar” das cores”. O vermelho e o verde constam entre as cores preferidas e o decote é outra referência.

“Nas minhas colecções apresento sempre o colorido e o florido. Uso-os mesmo em tempo frio”, explicou.

Os seus momentos de maior inspiração, acontecem quando sob alguma emoção, “principalmente quando estou apaixonada”, declarou.

“Eu sonho com os meus modelos, vezes há que desperto durante o sono e dou por mim a desenhar um lindo vestido”, disse.

A estilista já tem montado o seu próprio atelier no bairro Golfe 2, em Luanda, com sete funcionários, todos do sexo masculino.

Shanguiny Vungulipy defende a preferência por trabalhar com rapazes pelo “apurado olho clínico que possuem”, justifica.

Questionada sobre dificuldade em se montar um atelier de moda em Angola a estilista apontou a inexistência de uma fabrica têxtil no país.

“É difícil montar uma oficina de moda em Angola porquanto os materiais têxteis são raros de se encontrar no mercado nacional”, disse.

Perfil

Nome: Jorgina Claudeth 
Mateus Júnior
Natural: Bié
Filho: Dalkio Ambrósio (5 anos)
Local de férias em Angola: Lubango
E internacional: Dubai
Restaurante: Hotel Alvalade (prato típico às 5.ª feiras)
Discoteca: Palo’s
Estilista nacional: Nadir Tati
E internacional: Versace 
e Marc Jacobs (Louis Vuitton)
O que mais presa nas pessoas: Seriedade
E o que menos presa: Deslealdade
O que mais aprecias em ti: 
O meu bom humor
E o que menos aprecias: 
emoção excessiva
Sonho: ter uma loja na Avenida Saint Elysee e desfilar no moda Paris.
Figura que gostaria de vestir
: O Presidente da República
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Old December 10th, 2010, 08:57 PM   #76
evany
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Matt how do you make this posts???text and picture together??if I quote you...only appear the adress...how do you do it???
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Old December 11th, 2010, 10:32 PM   #77
Matthias Offodile
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Originally Posted by evany View Post
Matt how do you make this posts???text and picture together??if I quote you...only appear the adress...how do you do it???
I just use the quote button. Very simple!
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Old December 11th, 2010, 10:58 PM   #78
evany
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I dont think so...whenever I quote you the text dont show...Im pretty sure there's another trick right??
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Old December 15th, 2010, 02:02 PM   #79
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Eduardo Gando Manuel
Administrador (Ango Atenta)


Quote:
Luanda- 2010-10-06



Nós sabemos que a Ango atenta é uma empresa de uma grande tradição dentro do sector da segurança em Angola. Conte-nos sobre o histórico da empresa no país e que decisões estratégicas fizeram que a empresa chegasse onde esta agora?

A Ango Atenta é uma empresa de segurança que esta presente no mercado angolano desde 1999 e desde sua criação até os dias de hoje a empresa se preocupou em satisfazer a necessidade de seus clientes. Não apenas satisfazer os clientes em termos de segurança especifica mas também em relação a outros tipos de segurança. Como sabemos, a área de segurança é muito abrangente então vai desde a segurança física até mesmo segurança eletrônica. Quando falamos de segurança eletrônica nos referimos a vídeo vigilância e controle de acessos.

Ao longo destes anos nos reparamos que nossos clientes tinham necessidades que iam além da vigilância humana, eles tinham necessidades nestas áreas. Portanto a Ango Atenta esta sempre preocupada em satisfazer as necessidades de seus clientes em todas as vertentes de segurança.



Sr Eduardo conte-nos um pouco mais sobre os serviços da empresa e como estão contribuindo para o crescimento da economia Angolana?


Para além da segurança física atualmente oferecemos o serviço de segurança eletrônica. Dentro desta gama de serviços nós sempre procuramos prestar atenção às necessidades dos clientes. Muitas vezes neste setor os clientes possuem preferências muito especificas e procuramos nos adaptar aos seus requisitos. O mesmo ocorre no serviço de segurança física porque vai desde a proteção de residências até o serviço de escolta de viaturas e pessoas.

O serviço de escolta é muito requisitado no setor publico e grandes empresas privadas.



Em relação a outras empresas do setor, conte-nos o que diferencia o seu serviço? Qual é sua vantagem competitiva?


Uma de nossas grandes vantagens competitivas esta no nosso pessoal qualificado que já pertenceu as Forças Armadas e a Policia Nacional. A boa relação que estes funcionários tem com a Policia Nacional tem contribuído para evitar roubos e assaltos. Também ha uma parte de prevenção no sentido do que a Policia exige para o exercício desta atividade e as diretrizes que o governo angolano tem para o país.



A Ango atenta tem estado a promover serviços de qualidade para a gente em Angola. Qual a sua estratégia hoje? A Ango atenta busca novos clientes ou fortalecer o relacionamento com seus atuais?

A Ango Atenta procura atender as duas vertentes, ou seja, satisfazer as necessidades dos clientes atuais e buscar novos clientes.

Para buscar novos clientes estamos a investir cada vez mais em propaganda e também através dos atuais clientes saber quais são as suas necessidades. Procuramos estar presentes nos principais eventos do mercado angolano e ver como poderemos atender as demandas dos potenciais investidores – nacionais e estrangeiros. Mesmo particulares que estejam interessados em nossos serviços.



Para servir de referência para os nossos leitores, qual a estrutura da empresa, número de funcionários e facturação anual atuais?


A Ango Atenta possui hoje 250 trabalhadores que são divididos entre administrativos e operativos.

A facturação foi aproximadamente de USD 1.200.000 por ano.



A Ango atenta está crescendo em paralelo com a economia angolana. Na sua opinião, em cinco anos como estará a empresa no mercado?


Estamos presentes apenas na província de Luanda mas pretendemos crescer para as demais províncias de Angola tais como Huila, Huambo, Benguela e Kwanza Sul. Huila é uma província diferenciada em termos de eventos e do ponto de vista do setor hoteleiro. Hoje nossos clientes que viajam a estes sítios não podem contar com nossos serviços mas somos uma empresa bastante preocupada com nossos clientes portanto temos intenção de crescer nas províncias em que nossos clientes estão mais presentes além de Luanda.



Comente sobre a sua trajetória pessoal e profissional e informe-nos qual foi o maior desafio que enfrentou na sua carreira?

Meu primeiro trabalho na área de segurança foi um grande desafio pois minha formação acadêmica não esta voltada para esta área. Sou graduado em Economia e mestre em Gestão de Empresas.

Comecei minha carreira no setor de investigação. Apos o convite para trabalhar na Ango Atenta procurei conciliar minha formação acadêmica com os conhecimentos específicos da área de segurança. Isso permitiu que eu percebesse que o setor de segurança é muito mais abrangente do que parece. Como sabemos, Angola viveu 27 anos de conflito armado e o conceito de segurança que se tinha era um conceito voltado principalmente para proteção. Mas segurança é muito mais do que isto.

Segurança não se refere apenas a proteção física, esta relacionada também com proteção eletrônica e econômica. Para que Angola possa receber cada vez mais investidores, há que ter a certeza de haver segurança. Isto implica em inovar constantemente o nosso serviço.



De que maneira os investimentos estrangeiros são importantes para Angola? A Ango Atenta é uma empresa que esta a procurar parcerias em todo o mundo?


Em minha opinião os investimentos estrangeiros foram e são muito importantes para o desenvolvimento de Angola porque o país esta em vias de desenvolvimento. Desta forma o investimento estrangeiro permite a absorção de conhecimentos dos estrangeiros. Assim Angola tem a oportunidade de aprender com o conhecimento que vem de fora. Se conjugar com o conhecimento que já existe internamente, há a produção de novos conhecimentos localmente.



Qual legado você quer deixar para o país?


Todos aqueles que querem investir em Angola, não tenham receio de fazê-lo. Serão muito bem-vindos. Nós somos uma empresa que esta disposta a recebê-los.



Qual seria a sua mensagem final para os nossos leitores, que são empresários e potenciais clientes e investidores em Angola, e que lerão sobre Ango Atenta na revista US News e no nosso website.

Se sua empresa possui interesse em investir no mercado angolano, saiba que a Ango Atenta esta interessada em recebê-los e a servi-los.

Nossa empresa o apoiará em tudo o que for necessário do ponto de vista de conhecimento do mercado angolano.
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Old December 19th, 2010, 10:46 PM   #80
Matthias Offodile
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Making of Hello Kitty in Angola (Luanda)



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