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Old January 27th, 2012, 03:35 PM   #121
Matthias Offodile
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Carla Castro






Chegou à RNA em Março de 1984, mas foi em 1985 que começou a tocar os angolanos com a sua voz.
Em 1986 tornou-se apresentadora do programa “Ecrã”, da TPA, sobre cinema e televisão
. A menina linda de voz agradável que foi descoberta com 15 anos de idade, no Instituto Médio Técnico-industrial Makarenko, fez da sua voz o caminho para todos os programas da emissora estatal.
Apresentou noticiários, programas desportivos e políticos como o “Angola Combatente”.
Na TV Zimbo apresenta o “Jornal da Noite”
Good job!
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Old February 2nd, 2012, 10:47 PM   #122
Matthias Offodile
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Good job!

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Capa 136
Neríka Palhares // O lado criança da ZTV
Apresentadora e estudante




Simpática. O seu sorriso meigo cativa quem assiste nas manhãs de sábado e aos domingos, na grelha de programação da ZTV, o programa dedicado aos mais pequenos. Durante duas horas de emição, a mascote da estação guia os telespectadores numa alegre aventura, pelo mundo infantil dos desenhos animados, com uma forte componente didáctica.

Brincadeira, música, pintura e muito boa informação para as crianças, são, entre outras, actividades lúdicas que preenchem cada edição. Montadas num cenário dinâmico e sempre diversificado, as cenas de exterior são as que mais emocionam a pequena apresentadora, que a cada edição se mostra mais confiante e segura na sua “prazerosa” tarefa.

A conversa com a mais nova apresentadora de televisão aconteceu numa tarde de domingo, em casa dos avós. E é com os avós que vive, desde que regressou da província do Huambo. Simpáticos, os tios e avós da pequena “acolheram” de forma gentil a reportagem da VIDA.

“Os meus avós são muito queridos. Recebo deles todo o carinho possível. Eles são muito dóceis, e têm sido um grande apoio em tudo aquilo que faço”, explicou.

Pequena “grande” apresentadora

A cada programa, a apresentadora que se mostra mais “adaptada” ao perfil do programa, afirma que aposta na auto-formação para melhorar a sua prestação.



“Eu assisto várias programas infantis, das várias cadeias televisivas. Cada um tem a sua forma própria, e neles procuro reter o que de melhor apresentam”, disse Neríka, salientando que “sou das principais críticas do meu próprio programa”.

Com um maior número de telespectadores, a cada dia que passa, as suas responsabilidades aumentam. O feedback que tem recebido nas ruas, pelas crianças e encarregados de educação, é para si um “reconhecimento de todo o esforço”.

“Na rua, os pais param--me, pedem autógrafos e tiram fotografias, para mostrarem aos seus filhos.É super reconfortante”, disse.

Convidada a idealizar um programa próprio, realçou que sente um grande prazer em falar para as crianças. “Um programa meu, no futuro, seria num estúdio gigante, colorido e com uma plateia cheia de crianças, onde os mais velhos pudessem falar de forma livre e espontânea para as crianças”.

Outra pretensão apresentada pela pequena é a de um dia ser cantora.

“Grande parte das apresentadoras de programas infantis, são cantoras. Por isso também pretendo cantar, um dia. Não é um sonho, mas algo que quero fazer”, disse.

E tudo começou assim...

Dividida entre o escutismo e a OPA (Organização dos Pioneiros Angolano), Neríka teve alguma dificuldade em decidir por qual delas optar. Mas as aventuras nos acampamentos dos Pioneiros, eram para si momentos únicos.

“Nos acampamentos encontrávamos pessoas de várias culturas e regiões do país. A troca de experiência era super interessante, muito mais emotiva e cativante”.

Na altura, enquanto membro da OPA, na província do Huambo, recebeu um telefonema dos avós sobre a candidatura de apresentadores infantis para uma nova televisão em Luanda. A noticia foi recebida por Neríka como uma oportunidade única de fazer algo que sempre gostou: entreter os mais pequenos. “Cheguei a Luanda no último dia do casting. Todos já lá estavam. Recebi o guião cinco minutos antes da minha apresentação e tive que decora-lo”, disse Neríka, salientando que “senti frio no estômago”.

Na parte final da sua apresentação, acrescentou um “fuiiiiiiii”! ao guião, o que a catapultou para o desejado lugar de apresentadora infantil da mais nova televisão angolana.

O programa KidClub é a primeira experiencia da “mascote” em televisão. Mas, enquanto residente na cidade do Huambo, fazia parte de um programa semanal da Rádio Huambo.

“Fui para o Huambo devido a transferência de serviço da minha mãe, fiquei por lá durante quatro anos”, explicou, salientando que “na altura envolvia-me em quase todas as actividades recreativas ligadas à criança”.
Animação na “veia”

O “bichinho” do entretenimento existe em Neríka desde a infância. Na cidade do Huambo, local onde passou parte da sua infância, frequentemente juntava os colegas da escola, primos e vizinhos num ambiente animado

“Uma vez saí à rua e perguntei as crianças o que queriam ser quando crescessem. Depois, juntei-as num jango e cada uma delas presentou uma animação, foi uma tarde recreativa muito alegre”, disse, salientando que” fui sozinha até a administração local pedir autorização para realizar o evento no jango”.

O gosto pelo entretenimento começou quando ainda muito pequena acompanhava as edições do programa Carrossel da Televisão Publica de Angola (TPA).

“Eu ficava com a sensação de que as crianças que participavam no programa eram muito inteligentes. O cenário era muito bonito e pensava: um dia terei o meu próprio programa”, disse.
Atenção... gravar

O primeiro programa Kid Club foi para o ar em 2008. No princípio eram dois pivôs, Neríka Palhares e Ismael Virgílio e o teste derradeiro dos apresentadores aconteceu num lar de infância para rapazes.

“Nesse dia chegamos no sete de gravação muito cedo. Ajudamos a decorar o local com balões e fitas coloridas oferecemos muitos brindes às crianças. Lembro que eu e a realizadora éramos as únicas meninas”, disse.

Na companhia do colega, as apresentações eram feitas de forma intercalada, cada um recebia da direcção, um guião onde constavam os momentos em que cada um devia intervir. “há um ano que apresento sozinha o Kid Club. Estava habituada com a dupla, nos primeiros dias foi um pouco complicado”, .

Os seus primeiros “em directo” foram feitos no Dia Internacional da Criança, em reportagem para o telejornal e o programa Sexto Sentido.

“Senti-me muito mais a vontade fazendo os directos. Creio que pela responsabilidade que acarretava”.

Sobre preferência de uma, entre as várias rubricas do programa, embora ter um apreço especial por todas elas, apontou as reportagens de exterior – Repórter Kid Club- pela dinâmica e interacção que tem com o seu público.

“Saímos à rua e tentamos saber dos meninos se estão informados sobre as várias temáticas do programa”, disse Neríka, salientando que “o desenho animado que mais gosto é o Picapau”.

kids club

No ar desde o dia 27 de Dezembro de 2008, o Kids Club, é um programa direccionado para as crianças. Com uma periodicidade bissemanal, o programa vai para o ar todos os sábados e domingos, de manhã. Repleto de cor, ritmo e animação o programa anima a grelha do primeiro canal privado angolano, a ZTV.

Uma aluna destacada


No primeiro trimestre do ano lectivo em curso Neríka Palhares esteve destaque no quadro de honra do colégio Elizângela Filomena, local onde frequenta a 10.ª classe do curso de Ciências Sociais.

“Creio que a minha distinção não foi uma surpresa para os meus colegas de sala, porque eles têm conhecimento da minha dedicação aos estudos”, disse a apresentadora.

“Sangue novo” de uma nova geração de apresentadores, aos 15 anos de idade, a estudante apaixonada pelas disciplinas de história e direito realça que não tem horário, nem local próprio, para se dedicar a leitura.

“Sempre que posso leio as minhas matérias da escola, de forma a não acumular. Gosto de disciplinas que me ajudam a exercitar e a mente e aumentar a minha cultura geral”.

Embora indecisa sobre o curso a seguir no futuro, pretende dar seguimento a Comunicação Social.

“Pretendo conciliá-la a uma outra formação”

família feliz

A conversa com a mais nova apresentadora de televisão aconteceu numa tarde de domingo, em casa dos avós. Local onde vive desde que regressou da província do Huambo. Simpáticos, “acolheram” de forma gentil a reportagem da VIDA.“Os meus avós são muito queridos. Recebo deles todo o carinho possível. Eles são muito dóceis, e têm sido um grande apoio em tudo aquilo que faço”, explicou Neríka Palhares.
















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Treinador dos palancas negras
Lito Vidigal "O meu maior feito foi ter chegado a Selecção como técnico"




O timoneiro dos Palancas Negras começou a dar os primeiros toques de bola com os amigos. Com sete anos ingressou no Elvis Clube Alentajano, onde fez toda a sua formação, dos iniciados aos seniores.

Enquanto jogador, na primeira divisão portuguesa jogou no Campo Maiorense, mas foi no Belenenses onde se notabilizou. Lito Vidigal vestiu as cores deste clube da Cruz de Cristo durante oito anos.

Vidigal tem o Belenenses no coração, por ser a equipa que o lançou para o mundo profissional do futebol português. Em 2003, o novo pastor dos Palancas terminou a sua carreira no Santa Clara dos Açores.
Pastor dos Palancas

O pastor dos Palancas tem boas recordações da Selecção Nacional, onde jogou. Foi nessa fase, enquanto jogador, que se começou a apostar e a valorizar mais os profissionais.

O nível de organização melhorou. Enquanto Lito jogava, Armando Machado era o Presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Segundo o antigo atleta, naquela altura a equipa nacional deu passos mais firmes nas competições africanas. A Selecção Nacional carimbou o passe para a fase final do CAN-96 na África do Sul e para o de 98 no Burquina Faso.

Em solo burquinabe, o actual seleccionador nacional fez parte do grupo de atletas que pela segunda levou o nome de Angola à cimeira do desporto rei em África, ao lado de Paulão, Helder Vicente, Neto e outros.



Lito Vidigal disse, em conversa com a Vida, que o grupo na altura já era muito forte, sendo que o sucesso alcançado em 1996 e 1998 estendeu-se até aos dias de hoje, embora houvesse um interregno em 2000 e 2002.
Carreira no Elvis

O ex jogador do Belenenses começou a sua carreira como treinador no Elvis da terceira divisão portuguesa, na época 2004/2005, clube onde fez toda a sua formação como futebolista ainda com tenra idade.

Lito Vidigal afirmou que ser treinador é diferente de ser jogador, mas para ultrapassar os desafios da profissão fez vários cursos de treinador em Portugal.

O curso era ministrado a 180 quilómetros da cidade onde vivia. As aulas eram de noite, mas como sabia dos seus desafios terminou com dedicação e humildade, apesar de chegar à casa sempre às três da manhã.
Grande feito

O seu maior feito como treinador foi ter sido chamado para treinar os Palancas Negras, aliás, sempre teve o sonho de um dia regressar a Angola como treinador.

Lito Vidigal afirmou que quando foi contactado não se importou em discutir os valores. Pediu apenas que lhe fizessem a proposta, porque a Selecção estava a viver um período conturbado.

Lito Vidigal foi finalista vencido do CHAN-2011 disputado no Sudão. Angola perdeu na final com a Tunísia por 3-0, no mesmo ano, sob seu comando os Palancas Negras apuraram-se para a fase final do CAN-2012 da Guine Equatorial e o Gabão.

perfil


Naturalidade Cunene
Livro Futebol (de Jorge Castelo)
Filme Danças com o Lobos
Bebida Água
Prato preferido Peixe Assado na Braza com Salada
Ídolo Não tenho
Clube Belenenses
Virtude Honestidade
Perfume Giorgio Armani.
Músico Paulo Flores
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Old February 2nd, 2012, 10:56 PM   #123
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Patrícia de Oliveira “Nós os jovens merecemos prémios”
Jornalista


Não é muito cedo para ganhar o prémio ‘revelação’, apenas dois anos depois de ter entrado para o jornalismo?

(risos) Claro que não. Foi uma questão de oportunidade. Ao ser admitida, sem experiência, o que é raro em Angola, agarrei-me ao desafio. Em Angola, provavelmente é surpresa, mas noutros países, não, porque se dá oportunidade aos nacionais. Com esta vitória fica escrito que é necessário apostar em pessoas jovens, mesmo sem experiência. Deixe-me segredar-lhe o seguinte: quando a direcção do Semanário Económico decidiu apostar em recém-formadas e em jovens, ainda na universidade, foi olhada com desconfiança. Muitos estavam longe de imaginar que se estava a fazer um investimento humano e que, mais dia, menos dia o resultado surgiria. Assim aconteceu.



Cedo de mais.

Olhe, o ‘caso Watergate’ ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon. Foi investigado por Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do Washington Post em início de carreira. A nossa vitória demonstra que aqui no SE se trabalha. E nós merecemos o prémio.


Para o ano pensa em voltar em participar?

Claro que sim. Afinal , um profissional deve continuar a buscar inspiraçao ,incentivos porque esta exposto em ambiente de competição. Olhe aqui no SE há muitos jornalistas, com potencial para vencer nos próximos anos.


Uma vez que o jornal está dividido em cinco cadernos o que é que a levou a se especializar na área do ‘meu negócio’?

Não é bem especializar na área do ‘meu negócio’. Também escrevo para os outros cadernos do jornal, mas quando se trabalha em grupo as tarefas têm de ser divididas. Fui fazendo sem pensar que estava a “especializar- me”.




Das tarefas jornalísticas qual é a mais difícil?

Sem dúvida é tirar a entrevista para o computador, porque é necessário ouvir com atenção para não escrever coisas que o entrevistado não disse. O mais difícil é transmitir para os leitores a ideia do entrevistado.


Ganhou por causa da rubrica semanal intitulada “Meu Negócio”. Que mensagem tenta passar para os leitores?

Definição de negócio: ausência de ócio, isto é, trabalho. A definição vem aqui como para marcar uma das linhas de um jornal económico em Angola. Acredito que esta secção é propagandista dos valores do trabalho, da ambição profissional e do mérito. E Angola precisa disso.


Chegou a pensar que não ganharia o prémio?

O meu director dizia que temos o melhor gráfico em Angola e provavelmente de África. Em Angola, nunca vamos ganhar um prémio de melhor designer, porque não há prémio. Mas temos rubricas únicas no jornalismo angolano. Se nenhuma delas ganhar um prémio, quem perde não será o Semanário Económico, mas sim o jornalismo angolano. E foi o que aconteceu: ganhou o “Meu Negócio”.


Nestas histórias, nunca inventou um personagem?

Claro que não. E nunca me passou pela cabeça tal ideia enquanto escrevo estas páginas. Não sou escritora e muito menos ficcionista.


No jornalismo é possível a construção de personagem?

Acho que na ficção, um escritor é o senhor absoluto da criatura, configurando-a à vontade dos seus propósitos. No jornalismo, isto não é possível.


Porquê?

Porque o jornalista constrói a personagem apoiando-se em inquéritos, entrevistas, informações ,e arquivos. Até porque na imprensa, a personagem jornalística está, por definição, incerta no seu desenrolar, pois ela tem ainda um futuro. Isto é, deontologicamente, os jornalistas devem respeitar os dados reais. O jornalista é responsável pelos estereótipos que estão em construção.


Acha que há censura no jornalismo angolano?

(risos) Em Angola julgo que há 35 anos poderiam aplicar-se as palavras irónicas de Beaumarchais, na famosa peça “Mariage de Figaro”: (…) desde que eu não fale, nos meus escritos, da autoridade, nem do culto, nem da ópera, nem dos outros espectáculos, nem de pessoa que tenha alguma importância, posso imprimir tudo livremente, sob a vigilância de dois ou três censores”.


Está a querer dizer que não há censura em Angola?

Que tenha conhecimento, não. Eu, pessoalmente, nunca fui alvo, você já foi?


Que livro é que esta a ler?

Estou a reler dois livros: “O último voo do flamingo”, de Mia Couto, e “O Perfume”, de Patrick Suskind. Estava a ler o “Arquivo Íntimo”, de Nelson Mandela, mas perdi o livro.


Qual é o seu lema?

Acho absurdo ter um lema que nos guia a vida inteira . No entanto, tenho um, que aliás me tem trazido benefícios no meu trabalho. O meu lema é: “Deixa sempre uma pergunta por responder”.
Sónia Cassule 
 e Josefa dos Santos
5 de Dezembro de 2011
14:56
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Old February 10th, 2012, 01:26 PM   #124
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Radio 300 angolana celebra aniversario


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Old February 22nd, 2012, 11:45 AM   #125
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on par with their counterparts in the West


UAU! TV Angola - Equipa UAU! Angolana


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Old February 29th, 2012, 11:13 AM   #126
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"Temos um potencial ilimitado"

Jaime Azulay| - Hoje



Alice Ricardo directora provincial



Muitos países têm no turismo a sua principal actividade económica. Em França o peso do turismo interno chega aos 66 por cento da facturação turística e em Espanha chega aos 48 por cento. O turismo interno é definido como o turismo doméstico, aquele que é feito por nacionais dentro das próprias fronteiras.
A directora provincial da Hotelaria e Turismo de Benguela, Alice Ricardo, considera que em Angola o turismo interno representa um campo com um potencial ilimitado de desenvolvimento.
“Urge o reforço da cultura turística, incentivar as pessoas a sair de casa aos fins-de-semana ou nas férias e levá-las em grupos e mesmo individualmente para que visitem locais de interesse como monumentos, reservas naturais, as praias barragens e tantos outros motivos de interesse” disse, ressaltando que só em Benguela existem 77 monumentos e 30 sítios históricos catalogados.
Alice Ricardo disse que o turismo interno só se desenvolve se passar da espontaneidade para uma fase mais estruturada com a criação de uma plataforma ou de um plano estratégico que permita a sua dinamização.
“O potencial existe, contudo a actividade turística requer um grau elevado de exigência profissional e de especialização dos operadores do ramo, como as agências de viagens, guias turísticos e outros intervenientes no sector” afirmou.
O empresário do ramo hoteleiro Jorge Gabriel defende que o desenvolvimento do turismo passa pelo acesso ao crédito para as empresas do sector “em condições realistas de reembolso”.
http://jornaldeangola.sapo.ao/25/0/t...cial_ilimitado
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Old March 3rd, 2012, 09:07 PM   #127
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Vanessa Talaia






Data de nascimento: 1982
Naturalidade: Huambo

Leandra Vanessa 
Soares Talaia Gil
Directora da LS Sports

O período passado no Huambo foi ao lado dos pais. A mãe tinha um empreendimento, a Tetra, uma conhecida empresa de construção na altura.
Infelizmente, com a guerra tudo se desmoronou e viram–se obrigados a trocar a calma da cidade em que viviam pela província das acácias rubras, nessa altura, tinha 7 anos. O penúltimo confronto no Huambo viu-o na primeira pessoa, vivendo os horrores da guerra em muito tenra idade, tendo, por fim,encontrado asilo na base da UNAVEM. “Lembro-me que vi o Savimbi, ele foi à minha casa ter com o meu padrasto e a minha mãe. Conheci-o no muro da minha própria casa! Ele foi avisar que tínhamos de deixar a cidade porque haveria um confronto enorme, nós e todos os portugueses que trabalhavam na empresa. Lá fugimos e fomos para Luanda mas a minha mãe entrou numa sociedade com uma empresa de construção e lá partimos de volta para a região sul, mudamo-nos para Benguela”, lembrou.

Pai Ausente

Cresceu convencida de que o pai tinha morrido na guerra e só o conheceu aos 18 anos. Foi registada como sendo filha do padrasto. “Eu estava a sair da escola porque tinha combinado estudar em grupo com alguns colegas, no Kinaxixi, e lá passa o meu pai com a minha madrasta e pergunta se eu era filha da Lourdes. Não o conhecia de lado nenhum, ao que respondi logo, bem rabujenta: ‘sim, porquê? O que é que você tem a ver com isso?!’ Ele não disse nada naquele momento e eu fiquei sem perceber também! Foi quando ele colocou a mão no bolso, pegou na carteira e deu-me uma foto dele e disse para eu perguntar à minha mãe se ela o conhecia. Incrédula com aquilo tudo, já estava pronta para me ir embora, mas ele perguntou pelo meu pai. Disse-lhe que tinha morrido e vieram-lhe lágrimas aos olhos. Assim que cheguei à casa fui ter com a minha mãe. Quando ela viu a foto, fez logo uma grande confusão. Fiquei apavorada por vê-la assustada daquela maneira, mas ela acalmou- -se e depois contou-me toda a verdade. Fiquei sem chão! Tantos anos a ser maltratada pelo meu padrasto e afinal o meu pai estava vivo”, lembrou emocionada.
Apesar de ter conhecido o pai tarde, foi, provavelmente, dele que herdou o “genes desportivo”. O pai tinha sido campeão de boxe em Cuba. Daí, talvez o dinamismo sem fim, a hiperactividade sem limite desta incasável e batalhadora profissional.
As bonitas paisagens da Baía Azul, Baía Farta, Caota e Caotinha, entre muitas outras fizeram da sua adolescência uma época muito feliz da sua vida, após todo o drama dos conflitos que presenciara. Uma fase que, certamente, recorda com saudades.
Chegou até a ser Miss Simpatia num concurso organizado pelo grupo das Chocolates que era liderado por Emília Guardado, no Restaurante Praia Morena.
O primeiro emprego não demorou a surgir e foi numa roulote a vender hambúrgueres, na ilha de Luanda, para onde se mudou tempos mais tarde. “Sacrifiquei-me para chegar onde cheguei. A minha infância foi muito triste e dura. Sabia que não queria depender de ninguém. Queria a minha independência e comecei logo a pagar os meus estudos”, referiu.
Saiu de lá para trabalhar no Swim Bar, na piscina do Alvalade. “Um dos meus chefes era o dono da B&J. Conciliei sempre o melhor que pude o trabalho e os estudos e, sempre, a pagar os meus estudos. Depois fui para a Vidal, uma empresa de produtos de limpeza, onde conheci uma mulher que me ajudou muito, tenho muito a agradecer a essa senhora. Após tudo isso, mudei-me para a NCR, onde fiz um curso de Gestão de Stock. Fui secretária executiva do PCA na Codesa(empresa de terraplanagem), do Sr Carlos Lais. Estive no Cunene, na Pecus, era colaboradora da área de vendas. Fiz trabalhos extras como freelancer para a Mangos e para a Step Models, na área de produção de eventos, fui o braço direito da Yana Van-Dúnem, durante muito tempo. Ainda na Codesa, colaborava com a LS Models, foi aí que despertei a atenção dos dirigentes da LS que desafiaram-me a integrar a LS Sports, LS Produções e o Novo Jornal.
Foi agente de vários músicos, de salientar nomes como Essm, Dji Tafinha, Yannuza, Emma Rocha, Kelly Silva e a bailarina Titica. Deixou-os porque com todas as suas ocupações não restava tempo suficiente para dar-lhes a atenção que, como artistas, precisavam e mereciam.



A história com a LS sports


Tudo começou quando foi ter com o PCA e apresentou algum projectos e, naquele instante, ficou visível o talento nato para liderar. “Lembro-me que o doutor disse que ‘precisava mesmo de mim naquele momento’, e acabei por ir para várias áreas, nomeadamente, a LS Produções e o Novo Jornal, mas para colaborar. Porque, na altura, em que nos sentámos para conversar, aproximava- se um prémio do Novo Jornal e LS Sports no autódromo de Luanda. Ele pôs-me a dirigir, trabalhei com apenas mais 3 pessoas. Cheguei a dormir no autódromo e tudo. Trabalhei dia e noite nesse desafio. Precisava de provar ao doutor que eu estava à altura da sua confiança. Correu tudo muito bem, graças a Deus, e o doutor chamou-me logo a seguir ao evento e fui nomeada. Foi uma surpresa para todos na LS quando ele disse que eu era a nova directora executiva da LS Sports. Eu, claro, fiquei sem palavras, realmente muito emocionada! Depois de tudo o que já tinha passado foi como um murro no estômago mas eu estava feliz por isso”.
As inúmeras funções, infelizmente, não lhe permitiram a conciliação entre o trabalho e os estudos. Contudo, mantém vivo o sonho de, um dia, vir a concluir os dois anos que lhe faltam para terminar o seu curso de Direito.

Activista humanitária

Solidária, é madrinha do lar Consolação dos Aflitos, onde junto 
ao grupo Projecto Esperança, é um dos membros mais activos. Já realizou inúmeras actividades distribuindo sorrisos entre aquelas crianças 
que tanto precisam.

Projectos


Entre os inúmeros projectos desta sonhadora, está o de terminar os estudos e ainda um muito ambicioso no que toca ao lado profissional, que é lançar a LS de uma vez no mercado com um projecto grandioso que tem para 2011. O objectivo é a massificação do desporto nacional nas camadas juvenis e, mesmo que as pessoas não pratiquem desporto, pretende que conheçam, que estejam informados. “Há pessoas que jogam futebol mas não conhecem a história do futebol. Nem sabem sequer quem foi o primeiro árbitro que existiu em Angola ou quem marcou o primeiro golo por exemplo e nós queremos fazer diferente. Tenho muito a agradecer ao Dr. Eugénio Neto. Graças ao meu chefe cheguei onde cheguei. Ele é uma pessoa que acreditou e acredita em mim. À minha equipa da LS, um muito obrigado também, por serem tão eficientes”, afirmou.

LS SPORTS… O que é?

“Trata-se de uma filial da LS Produções que se encarrega do agenciamento de desportistas e organiza eventos de desportos, entre outras actividades. Este ano estivemos presentes em várias corridas e ganhámos muitos prémios. Para o ano queremos mais vitórias!”, explicou.
Good!
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Old March 11th, 2012, 05:29 PM   #128
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Grande Entrevista
Teresa da Silva Neto: ‘Se existem bolsas para os alunos, porque não financiar as instituições privadas?




As instituições privadas de ensino superior têm uma associação.Existe também uma espécie de clube dos reitores para ir trabalhando com e exigir coisas e até criticar as políticas universitárias do Executivo?

Existe uma Associação das Instituições do Ensino Superior Privadas Angolanas (AIESP), que agora presido e que funciona cá nas nossas instalações.


Não lhes ocorre a criação de um clube de reitores para darem contributos e exigirem, chateando mesmo, o que acham de direito?

Não. Na associação organizamonos no sentido de apoiarmos o Ministério da Ciência e Ensino Superior.

Posicionamo-nos como um apoio do ministério, com o compromisso na melhoria do funcionamento das instituições. Não é para chatear nem para sermos sombra do Ministério.

Entendem-se todos nesta associação?

Entendemo-nos. Temos muito boas relações e discutimos os assuntos de forma séria, apesar das amizades que existem e apesar da concorrência que também existe entre as instituições.


E trata-se de uma concorrência que não é para brincadeiras…

Não é fácil.

Falando em concorrência, já se diz que algumas universidades estão mais como um objecto de negócios para os seus promotores que propriamente como uma casa para criar e expandir o conhecimento. Preocupa-a o que se diz sobre a qualidade do ensino nas nossas universidades?

Sim. A qualidade do ensino das nossas instituições tem de ser discutida e avaliada, porque somos muitas instituições privadas de ensino superior e a ideia que se cria é sobre o que, exactamente, temos estado a fazer nas instituições. Na Universidade Metodista de Angola (UMA) temos a consciência que não estamos aqui para sermos mais uma, o nosso desafio é para sermos a melhor instituição. Queremos investir nos quadros que são formados na instituição com qualidade. É nisso que apostamos, tanto ao nível do Conselho de Administração que se preocupa em comprar o que nós solicitamos, como ao nível da reitoria em que estamos preocupados em organizar a questão pedagógica, começando pela selecção dos estudantes, os docentes e sobre o que temos estado a leccionar nas nossas aulas. Todos os nossos cursos técnicos, fundamentalmente nas engenharias, é importante que os estudantes tenham aulas práticas em laboratórios.



Como reage quando se depara com universidades que não cuidam da questão da formação de qualidade… mais preocupadas com o negócio que propriamente com a boa formação?

O nosso foco de conversa na associação é exactamente este.

Porque temos na associação pessoas que são reitores e que também são os gestores das instituições. O reitor, muitas vezes, é a pessoa que gere a área pedagógica e todos nós sabemos que temos compromissos.

Se és um reitor de uma instituição e acobertas coisas desta natureza, porque é negócio, sem preocupação com a formação dos estudantes, isso é muito mau. Mas o que eu percebo é que os incentivos, as dificuldades que existem, a busca, têm estado a levar a que as instituições não sejam vistas como negócio, porque esta não é a ideia. Penso que isso fica fora das expectativas que as instituições têm estado a criar.


A UMA está a crescer. É o projecto inicial que o dita ou as oportunidades é que vão surgindo?

Quando uma pessoa se dispõe a uma tarefa destas tem já o projecto definido. O que queremos ser hoje, amanhã e o que queremos ser no futuro. Nós começámos com um projecto inicial que dizia que o nosso espaço inicial de leccionação seria em Luanda, na Baixa, onde estamos, construindo de seguida um edifício lá atrás. E depois de tudo consolidado pretendemos sair deste espaço em que estamos instalados. Crescer é a ideia inicial e temos marcado passos aos poucos. Temos de sustentar o que nos propusemos fazer.



Daqui a um ano teremos a UMA toda no Kaop Park?

Toda não. No Kaop temos os cursos novos, nas áreas de ciências da saúde e desportos e aqui temos os cursos voltados para a área tecnológica. Temos um terreno na área de Catete que creio que será o lugar para o grosso da nossa expansão.


Uma das queixas repetidas sobre as universidades em Angola prende-se com o facto de não terem um corpo docente próprio e fixo. Como é que a UMA vê este problema, quer escapar disso ou rendeu-se aos chamados turbo-docentes?

No nosso país temos este problema com os professores. Também temos alguma falta de sentido de carreira, mas não é só no ensino. Há professores a leccionar há muitos anos, mas não temos a cultura de fixação numa universidade, com um gabinete, para desenvolver pesquisas. Acho que esta política, de estabelecer o docente, não existe ainda. Até porque se o docente não está em várias universidades está numa empresa qualquer, além da universidade. Face a isso, nós temos contado com professores estrangeiros, poucos, mas são os que nos garantem uma certa segurança.

Os professores nacionais, estamos a fidelizar os que trabalham connosco há mais tempo. Este é o caminho que temos seguido. O nosso próprio projecto aposta na política de fidelização de quadros. Esta semana irei conversar com os colegas de outras instituições privadas sobre este assunto. O ideal é termos quadros próprios.
‘Ainda temos o problema dos professores que mal conseguem


comunicar com os estudantes’ “Até porque hoje todos querem dar aulas, mas não é bem assim, quem vai dar aulas tem de ter didáctica”


A falta da fixação de quadros não decorrerá também do facto de algumas instituições assumirem de alguma forma o efémero da sua existência? Não têm revistas para publicação de ensaios científicos, não criam gabinetes ou centros de pesquisa, não têm professores fixos… não será na perspectiva do baixo investimento porque, se calhar, daqui a dez ou quinze anos fecham as portas porque o negócio poderá já não ser rentável?



Diria que não, é tudo muito novo no nosso país. Mas até o Estado já decretou que as pessoas devem leccionar até duas instituições no máximo. Até porque em Luanda já nem é possível a pessoa deslocarse por três/quatro instituições. Na verdade as pessoas mal davam aulas, aquilo era mais uma forma de ganhar dinheiro. Hoje, um dos projectos da nossa associação visa exactamente a formação e fixação de quadros, tal como a pesquisa e a publicação.

Porque usamos livros produzidos no estrangeiro, mas precisamos também de ter material produzido por nós.

Estamos a criar condições para isso, para que esta cultura se instale nas instituições. Cá, na Metodista, daqui a alguns dias vamos inaugurar a reprografia, que ajudará as pessoas que queiram fazer publicações.

Temos mesmo de formar os nossos quadros, até porque hoje todos querem dar aulas, mas não é bem assim, quem vai dar aulas tem de ter didáctica … ainda temos o problema dos professores que mal conseguem comunicar com os estudantes. Na ideia de formarmos os nossos quadros, nós firmámos protocolos com universidades portuguesas como as de Coimbra, de Évora e do Porto, justamente para nos ajudarem a formar os nossos quadros.



No ano passado foi publicado um ranking das universidades africanas em que Angola não ficou bem na fotografia. A publicação de obras científicas, no nosso caso a não publicação, pesou na classificação?

Também. É por aí que passa o nosso desafio. Mas não vamos correr muito, vamos dar um passo de cada vez.

Primeiro temos de formar bons professores. A cada ano que falta vamos contratando pessoas para os lugares que estão por preencher, estamos a formar equipas com professores nacionais e vamos buscando gente de fora para os lugares em que não temos ainda nacionais para os preencher, ou quando nos trazem mais conhecimento.


Abrem este ano um curso de cardiopneumologia, como o farão sem um hospital associado?

Não, não temos um hospital nosso, mas estamos apenas no primeiro ano.

O que vamos precisar depois é de instituições para estágios. Pela especificidade do curso, não precisaremos de um hospital associado. Iremos solicitar acordos ou vagas para o estágio nos hospitais existentes. Até porque já temos esta experiência, os nossos estudantes em análises clínicas e saúde pública são os primeiros com curso superior, em Angola. Eles fizeram estágios nos hospitais e ficaram, convivendo com técnicos que mesmo não tendo um curso superior, têm uma experiência acumulada importante.

Vamos formar técnicos para trabalhar com os médicos cardiologistas.


E o campus para formação nas áreas dos desportos?


Esta formação irá ao encontro das preocupações que a sociedade e o governo têm expressado sobre esta matéria. Os angolanos gostam de desportos. Recebemos recentemente o CAN de futebol e percebemos que as pessoas estão cada vez mais engajadas com as selecções nacionais das várias modalidades. É uma área que além da questão da saúde das pessoas poderá também trazer retornos importantes para o país.


E o campus tem capacidade para receber quantos estudantes?


Temos capacidade para até duas mil pessoas, mas este ano estamos à espera de cerca de mil estudantes.

É um espaço generoso, temos uma pista de atletismo grande e adequada à modalidade, temos dois ginásios, multiusos e um menor para sessões com ginástica rítmica, etc. É um espaço para o desporto.


Passaremos então a ter treinadores com curso superior?

Acho que sim. Mas o espaço, além da formação, serve também para as pessoas, para as escolas. Temos lá uma piscina, campos de ténis, um court de ténis, campo de golfe… é um espaço preparado para quase todos os desportos.


Mas aí no Kaop Park está num sítio com dificuldades de acesso, não?

Isso já não se coloca em Angola, é só começar o funcionamento e logo surgirão as formas de lá chegar. Para já, a via está boa… temos estado a falar com o Ministério da Juventude e Desportos, explicando o que temos e vendo em quê que o Governos nos poderá ajudar. Somos uma instituição do ensino superior privada, é verdade, mas nós formamos cidadãos angolanos e julgo que é aqui que o Estado nos pode ajudar. De facto não estamos para ganhar dinheiro, apenas, temos de ver o que estamos a fazer, estamos a formar quadros.

Temos de produzir viveiros, é o que nos falta em Angola. Eu vivi mais de uma dezena de anos no Brasil e sei um pouco como é que aquele país se tornou num dos maiores exportadores de jogadores, começa-se pela base. Estas boas experiências podemos segui-las.



Até que ponto a UMA segue a doutrina metodista?

Nós somos uma universidade metodista, temos a nossa doutrina e seguimos aquilo que nós apregoamos.

Eu sou pastora da Igreja Metodista também, além de reitora da universidade. Nós queremos que os nossos estudantes saiam da universidade com uma marca. Neste ano de 2012, os candidatos a nossos estudantes, e nós, fizemos ao longo de uma semana um encontro, e estamos a falar de cerca de cinco mil candidatos, e com todos eles conversamos, já para acautelar, sobre o que nós gastaríamos que eles fossem como estudantes e profissionais no futuro. Dentro de todos os currículos da universidade há uma disciplina de ética cristã. Não é no sentido de tornar todos adventistas, o que pretendemos é formar bons profissionais para o mercado do trabalho. Eu, na qualidade de reitora, gostaria que os nossos estudantes, em qualquer lugar em que fossem pudessem levar um bocadinho que fizesse a diferença, no relacionamento, no profissionalismo, na qualidade do trabalho. Se pregamos isso também devemos ensinar aqui. A nossa divisa é passarmos a doutrina metodista e pedir que eles sejam tolerantes.


Não há resistências à doutrinação? É como tudo, há pequenas resistências, não podemos esperar que saia tudo bonito. As pessoas às vezes perguntam porquê que tenho de ter esta disciplina se eu não sou?

Nós explicamos, tu não és mas estás. É como pessoas ligadas a outras igrejas que dizem não poder vir às aulas às Sextas-feiras. Dizemos tu não podes na tua igreja, mas aqui não é bem assim.

Tudo passa pelo diálogo. A conversa é o mais importante. É como dizer vou dar um não, mas um não bem dado, um não que sabe a sim.
Não há facilitismos por ser da igreja. não sabe, reprova!

“reprova-se. Quem não sabe reprova. É só ir ver a pauta para a admissão”

E a taxa de aproveitamento, aqui reprova-se muito ou também se insiste até à aprovação do aluno?


Reprova-se. Quem não sabe reprova. É só ir ver a pauta para a admissão. Reprova-se, aqui não há facilitismos porque é da Igreja, não.

Não sabe, reprova. O que eu digo aos alunos é que se apliquem nos estudos, que aproveitem os períodos de borla para se ocuparem na biblioteca. Há que aplicar-se.


Mas há também o problema da má preparação com que os alunos chegam ao ensino superior.

Isto é um problema nas universidades. Temos estado a falar entre nós e também com os ministérios do Ensino Superior e da Educação, porque a preparação de base é assunto do Ministério da Educação…


Mas não recebem um produto em condições…

Eu diria que o problema nem é das políticas do Ministério da Educação, hoje, eu acho que já nem passa por aí, com as reformas que foram feitas.

Acho que há também um relaxamento por parte dos encarregados de educação, que criaram na cabeça a ideia do facilitismo… o aluno pode até preparar-se para uma prova de admissão, por exemplo, mas o pai já está a pensar em como fazer caminhos para pedir ajuda, mas nunca, ao longo do ano lectivo, acompanhou o desempenho do filho na escola.

Depois vêm dizer que o filho é muito inteligente… pois, é inteligente porque ele o diz, o pai não o acompanha.

Acho que há disso, porque as pessoas vêm mal preparadas. Há quem não saiba escrever. Pode-se ler uma carta de um aluno que vai entrar na universidade e ficar triste. Vimos agora o que foi o exame de acesso, nas provas de português, nas provas de matemática… a desculpa é o stress, mas há quem escreva universidade com “c”, metodista com “z”… é complicado.


Alguns destes acabam por entrar nas universidades. Como se trabalha com eles?


Quando se fazem as provas de acesso as vagas vão sendo preenchidas de acordo com as notas. A primeira vaga é preenchida pela nota mais alta e assim se vai descendo até á última nota. Há pessoas que ficam de fora e acho que é uma pena, porque deveríamos ter uma chance, o ano propedêutico, ou ano zero.

Este ano zero deveria existir, onde o estudante ficaria a preparar-se para a universidade e depois ter acesso ao ensino superior. Já tivemos, mas veio uma ordem para abandonarmos. Mas hoje há estudantes a reclamar eles mesmos pelo ano zero, que consideram importante. Ainda recentemente se soube que mais de quarenta mil pessoas concorreram às provas de acesso da Universidade Agostinho Neto… existem candidatos, existem poucas vagas e o índice de aprovação, mesmo assim, deixa muito a desejar.


Temos, portanto, uma sociedade moldada pela mediocridade, sendo a grande maioria da população jovem…

Não o diria. Não podemos rotular a sociedade desta forma, acho que não. Só pelo facto de muita gente querer entrar para o ensino superior, eu diria que há interesse na formação. Agora, é preciso que se entenda universidade não como o ponto de obtenção do diploma, mas como o ponto de obtenção de formação para podermos ser úteis ao país. São jovens e têm de saber o que querem fazer.

Acho que tem de partir de casa a ideia e orientação para que ele pense ‘vou me formar para no futuro ser um quadro de qualidade’. Nós, a maior parte das pessoas da nossa direcção, não tivemos a sorte de nos formarmos no nosso país, fomos formar-nos fora e voltámos, mas com a ideia de nos formarmos e voltarmos para sermos úteis ao país. Penso que as pessoas que agora têm condições de estudar no nosso país têm de pensar da mesma forma: vou formar-me em Angola para dar o meu melhor.


Portanto, a busca da melhor qualificação é mesmo o objectivo. Acha que o Estado deveria subsidiar as universidades privadas?


Sim. É como disse: as universidades são privadas mas são parceiras do governo, ou do Estado, porque o produto que vão apresentar terá sempre um impacto na nossa sociedade. Há a necessidade de existir um financiamento às universidades privadas. Se hoje existem bolsas de estudo para formar quadros que estão nas instituições, incluindo as privadas, porque não financiar as instituições privadas por aquilo que têm estado a fazer?


Isto teria uma relação directa com o aumento da qualidade do ensino, ou com a produção científica?

De alguma forma ajudaria. Veja a montagem de laboratórios, que são muito caros, porque para um curso técnico a instituição tem de ter laboratórios. Ajudaria. Acho que o governo deveria pensar nisso, em financiar as instituições privadas.

Claro que se deveria avaliar o grau de retorno. Há pouco tempo pôs a questão de algumas universidades poderem estar a vislumbrar o seu fim para daqui a uma década, por exemplo, é aí que se tem de ver as coisas.

Eu defendo a ideia que as instituições sejam avaliadas, para que não ande cada uma a dizer que é a melhor. Tem de haver uma avaliação, que é o que, ao que parece, o Ministério da Ciência e do Ensino Superior a procurar fazer.


Já solicitaram ao Estado este apoio?

Temos solicitado de alguma forma.

Solicitamos, por exemplo, a isenção de impostos para os produtos a usar nos laboratórios, para livros…


E a resposta tem sido positiva?


Não propriamente. Existe uma lei, mas não tem sido praticada, nesta questão dos impostos. Esta tem sido a nossa luta constante. Acho que nisso já seria uma ajuda. Porque as alfândegas têm o documento que isenta de impostos este tipo de materiais, mas isso não é aplicado. É lamentável.


E a política do Estado para o ensino superior, o que lhe parece, precisa de arranjos?


Eu acho que a cada ano que passa sentimos melhorias. Só a ideia de se ter aumentado o número de instituições, públicas e privadas, já é um avanço. Antigamente tínhamos uma única para todo o país, hoje existe abertura, o que mostra que o Estado tem estado a investir naquilo que é o principal, a formação. Nenhum país sobrevive sem gente formada.


Tanto a Universidade Metodista quanto as outras universidades angolanas vão falando das suas ligações às universidades de prestígio lá fora, mas não falam de alianças internas.

Não há notícia de um aluno da Faculdade de Medicina Veterinária do Huambo, por exemplo, beneficiar de um programa de intercâmbio com uma universidade de Luanda…

A ideia do intercâmbio ao nível nacional já existe. Nós fazemos intercâmbios com a Universidade de Évora, por exemplo, por causa das engenharias, por força do nosso curriculum que tem uma estrutura idêntica à deles. As outras universidades, acho que a dificuldade é um pouco esta, temos currículos desfasados. Mas existe já uma política do ministério que pretende balizar os currículos, porque se saio de uma universidade do Huambo, no quarto ano, tenho de encontrar em Luanda uma estrutura curricular igual ou aproximada. A Metodista lança este ano os primeiros formados, tínhamos que nos adequar, os intercâmbios vão aparecendo ao longo do processo. Por exemplo, falou do caso de um aluno do Huambo, nós, agora, com o curso de engenharia agropecuária, nós temos de ir buscar a experiência do Huambo que é o único curso no país. Na área da arquitectura, nos colóquios que se vão organizando, lidamos muito com as universidades que também têm cursos de arquitectura, participamos em palestras, etc. Não é ainda como gostaríamos, são parcerias ainda tímidas, mas o caminho a fazer é exactamente este.


Mesmo nas parcerias internacionais o que se vê é o receber, livros, professores, etc., mas não se dá conhecimento, não se recebem cá estudantes de fora.

Mas nós temos uma experiência, há tempos recebemos aqui um grupo de pessoas de uma universidade que pretendem fazer connosco um intercâmbio na área da gestão, um estágio, e nós mandando estudantes para lá. Penso que tudo isso tem a ver com a política interna de cada instituição, qual é o olhar que têm as pessoas que estão à frente. Eu tive esta experiência, sei que é boa. Até para a elaboração do trabalho de fim de curso estas experiências têm valor. Nós temos estado a trabalhar neste sentido, de levar os nossos estudantes para fora. Os nossos estudantes de arquitectura são privilegiados porque já o fazem, viajam e voltam com outras experiências, além dos professores com experiência internacional que temos.


Perfil

Teresa da Silva Neto é natural de Luanda, mas cresceu no Uige.

É a mais nova reitora de uma universidade angolana e uma das duas únicas mulheres com este cargo (a outra é Laurinda Oigard, da Universidade Privada de Angola). Casada e mãe de rês filhos, todos eles nascidos no Brasil, mas com nomes angolanos, como Makiesse e Kidi.

Formou-se em teologia e em pedagogia. Fez um mestrado em ciências da religião e publicou, no fim dos estudos para o seu doutoramento na Universidade de Campinas (Brasil), o livro História da Educação e Cultura de Angola.

Filha de pai metodista e mãe católica, foi católica até aos vinte anos. Diz que foi ao Brasil criança e voltou senhora. Foi lá que se casou com o angolano Adriano Domingos Neto.

Afirma ter uma boa relação com os profissionais e alunos da universidade. Dirige uma instituição que alberga cerca de oito mil pessoas, entre estudantes, docentes e funcionários. A Universidade metodista lecciona um total de 18 cursos.
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Old April 1st, 2012, 04:08 PM   #129
Matthias Offodile
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Sinto-me um pouco árvore com raízes”, Mariza dos Santos



Mariza dos Santos, artista plástica


“Chama-me apenas por Mariza dos Santos”, começa por dizer a artista plástica na entrevista que concede à África Today. Numa tarde de sábado e com um sol escaldante, Mariza recebe-nos na sua casa, no bairro Alvalade, em Luanda.

É na sala do primeiro andar, decorada com os seus próprios quadros, que nos fala um pouco de si, da sua vida, da sua profissão e dos seus gostos. Partilharia da mesma ideia se dissesse que ao artista tudo é permitido, desde que não roube ou mate? “Entre o sim e o não, tomei a liberdade de abrir um parêntese do conjunto das minhas memórias, e rebusquei das páginas antigas e já amareladas pela força do tempo uma das noções clássicas de artista: todo o indivíduo é capaz de produzir algo de novo e esteticamente belo”, responde. Pintado que está o primeiro cenário, e com tons claros sem óleos sobre uma tela, estamos perante sinais de vida de uma luandense com fortes marcas do Namibe.

Como se apresenta?

Nasci em Luanda em 1955, mais propriamente no bairro Miramar, Comuna do Sambizanga. É o meu bairro e dali saíram bons músicos, desportistas, presidentes e povo.

Passou toda a infância em Luanda?
Sim, toda a minha vida foi feita cá. Mas passava as férias na cidade do Namibe e Lubango, porque a minha família é oriunda do Namibe. Chegou a Angola em 1891, portanto sou da quarta geração nascida já em Angola.


Se a família é oriunda do Namibe, nasceu em Luanda de forma acidental?

Não, os meus pais vieram para cá para estudar. A minha mãe era enfermeira, já na época tinha as suas ideias, e esteve bastante envolvida nos serviços de luta pela causa nacional. Ajudou muitos bebés a vir ao mundo e os feridos após [as acções ocorridas no dia] 4 de Fevereiro.

Falemos agora da Mariza dos Santos artista plástica. Segue alguma corrente estética?


Sou autodidacta, nunca tive escola. Comecei a pintar porque gosto e por hobby, depois fui aperfeiçoando. Não gosto das coisas muito perfeitas e estou cansada de dizer isto, porque quando se tem uma escola fica-se muito direccionado para o academicíssimo, seguimos uma academia, temos uma linhagem. Gosto muito do que é abstracto e sou uma apaixonada por [Wassily] Kandinsky. O que vejo numa obra de arte outra pessoa não vê e vice-versa.

Que técnicas usa na elaboração das suas obras?

Como disse não tenho escola, mas faço o uso do acrílico e de tudo um pouco relativamente ao trabalho manual. Sou uma apaixonada pela pintura e faço uma colagem na sua pergunta para dizer que sou também apaixonada pelo bailado clássico, cuja harmonia me fascina. A harmonia faz parte da minha vida e se a minha vida é conduzida pela harmonia, logo a encontramos também na pintura que faço.

Convido-a agora a pintar um quadro com três cores: primeira “Manuel Rui”, segunda ” Mariza dos Santos” e terceira “O Semba da Nova Ortografia”.
Sempre que tenho oportunidade digo, e de boca cheia, que sou fã incondicional do Manuel Rui. Não posso dizer que sou a número um. No entanto, Manuel Rui é meu camarada, meu compatriota e foi meu companheiro de luta. Um dia destes veio cá a casa e ficou a observar algumas das obras expostas que tenho aqui na sala. Entre as várias, gostou no primeiro instante do quadro a quem tinha intitulado de “Semba”, que se adaptava perfeitamente à obra que tinha em forja sobre o acordo ortográfico e fez do quadro a capa do livro com o título “O Semba da Nova Ortografia”. É um indivíduo de grande inteligência (reconhecida) e criatividade ímpar. Do quadro à capa, do semba-dança e música, os compassos e recompassos da nova ordem ortográfica.

Que outros nomes têm os seus quadros?

Estou a trabalhar num quadro cujo nome é muito simples: “Presente, Passado e Futuro”. É feito com cores fortes. Trabalho com frequência com o amarelo, vermelhos, pretos e as cores de terra. Entretanto, estou a fazer uma incursão pela dança, ou seja, estou a pintar uma espécie de bailarina, mas com movimentos muito meus. Aliás, o quadro Semba é parte do conjunto deste projecto sobre a incursão pela dança em pintura.

Sei, também, que tem um especial carinho pela natureza...
Sim, outra incursão que tenho feito é pela minha Luanda, e vejo como cortam as árvores da minha cidade. Sou apaixonada por árvores. Têm raízes e sinto-me um pouco árvore com raízes. As árvores são os únicos seres vivos que em tempos de guerra nunca conseguem manifestar nada. Melhor, a única forma que têm de se manifestar é estarem vivas ou mortas. Há em Luanda, e um pouco por todo o país, árvores que assistiram a todo o desenrolar de guerras, seja pela independência ou pela civil. E porquê? Porque não podem fugir, estão presas ao solo. Esta é a natureza que quero e vou pintar. Há árvores aqui na Maianga que ainda têm marcas de guerra.

Os poetas dizem que a carga de emoção e inspiração colhe-se melhor à noite, senão mesmo ao amanhecer. Experimenta as mesmas situações para pintar?
Claro que não. Pinto a qualquer hora. Pinto quando me apetece e quando tenho comichão nas mãos. Mas é bem verdade que a noite confere sempre uma calma sem igual, e Luanda é 100 por cento barulhenta.

A sua arte é só para a família e amigos?

De facto pinto para mim e para os que me rodeiam. Mas de um tempo a esta parte perdi a vergonha e pelo terceiro ano consecutivo vou expor no Celamar [casa de cultura e artes localizado na ilha de Luanda]. Não sou uma feminista acérrima, mas considero ter um “quê” de especial expor sempre em Março [celebra-se dia 2 o Dia da Mulher Angolana e a 8 o Dia Internacional da Mulher].

Já que falou em Março, o que lhe diz o Março Mulher?
O Março Mulher tem, para mim, um significado muito importante. A mulher em Angola tem um papel preponderante, que remonta a velhos tempos, como na luta de libertação. Além da presença nas frentes de combate, estiveram em grande maioria na retaguarda, portanto ajudaram, e muito, na causa da independência de Angola. Isso para mim é o Março Mulher.

Como surgiu a pintura na sua vida?
Não me lembro. Sempre tive lápis de cor e papel que nunca era deitado fora. Os meus pais guardavam papel de rascunho e depois…

Quando e porque começou a pintar?
E porque respiro? A professora da instrução primária obrigava e depois, desde o liceu até ao 5º ano, tive professores espectaculares em desenho.

De que modo os anos de guerra influenciaram a sua estética?
Nenhuma guerra tem estética. A pior ruína para os apreciadores é a ruína humana, mas a solidariedade desenvolve-se.

Não sendo a pintura a sua profissão mas sim um hobby, qual o destino dos seus quadros?

É apenas um hobby porque não tenho necessidade de viver da pintura, por isso até posso oferecer quadros a amigos, porque ficarei sempre ligada a eles. Outros vendi um pouco envergonhada, porque não é razoável vender arte. Mas oferecer seria uma utopia, porque há contas a pagar.

As suas obras estão à venda?
Sim, desde que me solicitem.

Pode enquadrar-se em algum movimento estético angolano?
Não, sou eu mesma. Tive um movimento muitos anos e agora tenho um partido (gargalhadas), que é o do meu coração: o EME.

Considera que a pintura e outras artes têm merecido a melhor atenção por parte da sociedade angolana?

Temos ainda um longo caminho a percorrer, mas Roma e Pavia não se fizeram num dia, por isso acredito que pode não ser no meu tempo, mas Angola está ainda a aprender a andar e vai muito bem.

De que modo a pintura e a arte podem influenciar a harmonização de um povo que tanto sofreu com a guerra?

Conhece a terapia da cor... A cor é tudo o que é belo e harmonioso, e faz milagres à mente humana, que tem essa capacidade de nascer e renascer.

Qual o caminho que falta a Angola trilhar em termos culturais?
Os caminhos da cultura não têm começo e fim, mas não me importaria de termos um ensino melhor nas artes. Por consequência, quando os materiais deixarem de ser só acessíveis a determinadas camadas sociais sabe o que ofereço às crianças? Lápis de cor e guaches não tóxicos, porque qualquer criança é criativa. Conheço uma criança que adora imitar aqueles que pintam. Pediu à mãe para entrar numa escola onde existe pintura como actividade extra-curricular, mas sabe quanto custa? Trezentos e cinquenta dólares (258 euros)... É uma loucura, mas mal começou o professor, que é estrangeiro, foi de férias. É um absurdo. Não vou informar qual é a escola, mas não será difícil de adivinhar. Essa criança tem uma criatividade imensa e está triste. Acho que com isto digo tudo. Quantos gostariam de ter lápis de cor, papel e umas simples caneta de filtro? Aí, cabe aos pais serem famílias funcionais e valorizarem esses trabalhinhos. Tenho desenhos de muitas crianças, até do meu filho, que tem 28 anos. Guardo-os como obras de arte... Isso faz toda a diferença.

Quem é Mariza dos Santos?
Nasceu a 26 de Dezembro de 1955 e cresceu no Bairro Miramar, em Luanda, tendo estudado no antigo liceu Salvador Correia. Os anos passam e vai envelhecendo na cidade que a viu nascer. Mãe de um filho com 28 anos, Mariza é apaixonada por animais, à excepção de répteis. Encontra nas aves uma paixão, talvez pela liberdade que representam. Tem dois papagaios, o Tomé e a Bié, que são os seus companheiros, tal como todos os pássaros que a visitam no seu jardim, onde tem bebedouros e comida. Adora gatos, e pela sua subtileza, chama-os por nomes de criadores de moda famosos: Gucci, Cavalli, entre outros, mas depende muito da personalidade de cada um e da sua pelagem. Devido à perda de um Rottweiler, por quem nutria uma paixão cega, deixou de ter cães. As árvores são os únicos seres vivos que nunca fogem, porque têm raízes, um pouco à sua imagem. Conhece muitas árvores em Luanda e diz que a que está localizada no Kinaxixe, em frente à 1ª Conservatória, é uma das mais antigas da cidade. Diz que reconhece árvores que foram testemunhas da guerra de 1992, e onde ainda existem marcas de projécteis, pois ficaram cravados nos troncos. Considera que um artista pode colocar numa tela alegria, tristeza, calma, agitação e amor. Diz que a música clássica é normalmente composta sem letra nem significado, bastando a beleza da sonoridade. Por isso, uma obra de arte não é diferente de uma canção. Ambas são comunicação. O jazz e a pintura abstracta ligam lindamente: “Um artista de jazz cria no momento uma harmonia de acordes, tal como eu crio os meus quadros”. Mariza vai mais longe: “A pintura para mim é um refúgio. Quando estou com as telas, tintas e pincéis, ou mesmo uma simples esponja, o tempo pára e aí arranca a criatividade e a dança das cores e riscos através das tintas, e combinações que não são mais nem menos que os acordes para um compositor musical”. Considera-se uma pessoa feliz e com saúde, que tem “um filho excepcional”. “Todos os dias agradeço às forças superiores que me mostram o caminho que devo percorrer até acabar o prazo de validade do meu código de barras”, finaliza.

Kandinsky, outra das paixões de Mariza
Wassily Kandinsky nasceu a 4 de Dezembro de 1866 em Moscovo, na Rússia, e faleceu a 13 de Dezembro de 1944. Estudou Direito e Economia, tendo sido professor na Faculdade de Direito e escrito sobre temas relacionados com a espiritualidade. Em 1895, após visitar uma exposição em Moscovo sobre o Impressionismo francês, vê um quadro de Claude Monet que o fascina, provocando-lhe a vontade de pintar. Mas deseja pintar obras que exprimam algo. É esta necessidade interior de expressar as suas percepções emocionais que levam ao desenvolvimento de um estilo de pintura abstracto, baseado em propriedades não-representativas de cor e forma – a abstracção lírica. Vive grande parte da sua vida na Alemanha, o que influenciou bastante o seu estilo e percepções. Vem a ensinar na reconhecida escola de vanguarda, Bauhaus. Alguns anos antes de morrer deixa novamente a Alemanha – a primeira vez tinha sido com o iniciar da 1ª Guerra Mundial – e instala-se perto de Paris, França, precisamente com o objectivo de aí terminar a sua vida. Morre em Neuilly-sur-Seine. Para Kandinsky, o objectivo da pintura é “encontrar a vida, tornar perceptíveis as suas pulsações, estabelecer as leis que as regem”.

África Today
http://www.africatoday.co.ao/pt/edic...os-Santos.html
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Old April 14th, 2012, 10:00 PM   #130
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Rosa Pegado: A mentora das Gingas

Professora, produtora e coreógrafa

Vem de uma família de artistas. A mãe, os irmãos, a filha e, agora, o neto, todos tiveram, ou têm, uma vocação natural para à música.Sem nunca ter cantado, deu início a uma brilhante carreira como produtora e compositora, tendo contribuído para o amadurecimento dos dons de vários nomes sonantes da música angolana como Kizua Gourgel e Gercy Pegado, entre outros, atendendo a uma vocação que durante anos trancou dentro de si.


Raízes Culturais


Natural de Malanje, nasceu e cresceu numa pequena vila onde se vivia um carnaval muito colorido, forte, alegre e intenso. Carnaval esse, que reconhece ter servido de influência para a vida artística, que viria a abraçar tempos mais tarde. A vivência, as tropelias daquele tempo, são lembranças felizes de uma infância, rodeada de amigos, que relembra com saudade. Reconhece ter sido muito dinâmica e, até, um bocado “maria rapaz”. Os amigos de infância nunca se desligaram dela e, até aos dias de hoje, mantêm contacto. Obviamente, com uns mais do que com outros.

“Éramos todos padrinhos e madrinhas dos filhos dos amigos ou dos filhos dos vizinhos ou, até mesmo, dos filhos dos nossos padrinhos. Era um círculo muito pequeno e fechado, onde os padrinhos tinham responsabilidade total sobre os afilhados. Grande parte dos meus amigos eram filhos dos meus padrinhos. A música que faço é muito influenciada pelas minhas vivências, como aquele carnaval e a marimba, que era chamada muitas vezes a representar os momentos de festas, até administrativas. É muito famosa a canção “Visanda”, mais conhecida por “Canta, Não Chora...”. Isto é uma canção de recolha absoluta. Tal como a aprendi na infância, reproduzi-a no repertório das Gingas. Hoje em dia é um sucesso”, diz 
com orgulho.

O vínculo com a música vem desde o ventre materno. Na verdade, trata-se de uma tendência hereditária. Perdeu a mãe muito cedo, aos 8 anos, contudo ainda se lembra de canções que a mãe cantarolava. Os irmãos estiveram todos ligados à música e a projectos acústicos, fazendo parte de grupos que revolucionaram a vida artística e cultural da cidade de Malanje. O ambiente que a cercava, contribuiu para a enorme capacidade, sensibilidade artística e o talento de que é dona.

Rende homenagem ao seu pai, que descreve como um “super pai”, por ter sido sempre uma pessoa excepcional, de grande coragem e muito presente, fazendo com que ela e os irmãos crescessem sem grandes traumas. “O mais difícil não foi tanto a perda da minha mãe, mas o sofrimento que vi no rosto da minha irmã Flora. Foi o que mais me marcou, enquanto eu brincava, ela chorava. Foi muito, muito triste, mas eu superei sem grandes marcas, porque o meu pai soube, a cada momento, dar-me tudo e contribuir para a minha formação, educação e estabilidade. Hoje que sou mulher, começo a perceber os problemas causados pela ausência da minha mãe. Por mais que as pessoas nos possam dar, ninguém substitui, efectivamente, a presença de uma mãe. Mas tive sorte, tive muita sorte por ter o pai que tive”, reconhece.




Um dom reprimido


O bichinho para a música foi reprimido durante vários anos. Não estava nas perspectivas do pai ver a filha seguir uma carreira musical, sobretudo, pelo facto de ser mulher. Como todos os pais daquela época, era importante ver a filha ter uma formação académica, uma função estável e segura, de preferência convencional 
e um bom casamento.

De facto, deu tudo isso ao seu pai, até a uma dada altura. Formada em psicologia, dedicou-se ao ensino durante pouco mais de uma década. Mas, na primeira oportunidade que surgiu de mergulhar no ambiente artístico, não hesitou. Quando a rádio fez o apelo para as pessoas participarem, de alguma forma, no primeiro espectáculo do dia 1 de Junho, não pensou duas vezes.

Foi um misto de medo e de ansiedade, uma aventura total. “Eu vou, foi assim que me senti, eu vou, com medo, ansiosa, mas mesmo assim, eu vou”. Havia coisas que tinha escrito, não com o propósito de servir para animar festivais e sim músicas que tinha escrito para embalar a Gercy, como a “mangonha faz chichi na cama, atrasa na escola e não aprende a lição...”, entre outras coisinhas. Daí, talvez, o facto de Gercy ter começado a cantar aos três anos, as músicas eram-lhe familiares desde tenra idade e, a partir daí, nunca mais parou.

Nos primeiros anos tudo o que fez de produção musical era para as festas do dia 1 de Junho e, na altura, a directora Luísa Fançony, num dos seus discursos de agradecimentos, em 1985, tinha escrito o seu nome. Naquela altura não achou que já merecia aquele destaque. Mas, no fundo, era mais do que merecido. O sentimento que tinha era apenas fruto do medo, de não saber se estava à altura e o que fazer dali em diante. Era uma grande ansiedade combinada com medo, que rapidamente soube vencer.

Foi então que assumiu uma carreira como compositora e, sem querer, foi parar à direcção artística, numa altura em que figuravam na equipa de direcção nomes como Ladislau Silva, Elizabeth Pereira e Rosa Roque. Tudo aquilo foi um grande presente. “As minhas ideias eram muito bem aproveitadas pela equipa de produção, mas eu dava as ideias na desportiva, sem pretensão alguma. A Maria Luísa é que via em mim potencial para o futuro. Eu nem sequer acreditava nisso. Hoje, tornei-me aquilo em que nunca sonhei”, recorda.


As Gingas do Maculusso


Tudo começou na rádio. A ideia inicial era de criar um duo, que seria composto por Gercy e Ruzena. “Eu e a mãe da Ruzena éramos primas. A Gercy e a Ruzena também eram primas, da mesma idade. Por sermos família, estávamos sempre juntas, em todas as circunstâncias e, um dia, eu disse: As nossas filhas vão ser artistas. Então ia fazendo algumas coisinhas, ia fazendo uns showzinhos com elas em casa, a brincar. Elas tinham um bom tom, não eram desafinadas e, portanto, seriam capazes de cantar e nasceu em mim a esperança de, um dia, ter uma filha artista. Quando a rádio chama, eu não fui só com o duo, levei outras crianças comigo. Paradoxalmente, não foram essas mesmas crianças que escreveram a história do grupo Gingas. Essas foram só o início. O grupo que ficou fidelizado como “As Gingas do Maculusso” aparece quando me integrei na Secretaria da Cultura. Foi aí que selecionei meninas que fizeram a história das Gingas. Que eram a Paula Daniela, a Josina Stela, a Celma e a Anicete, já falecida.

Abandonei o ensino para estar mais disponível para a arte. Nessa actividade dinamizadora, accionei as meninas que faziam parte de grupos corais desde 1986 e, só dez anos mais tarde, é que explodem as Gingas com o “Mbanza Luanda”.

O acumulado de ideias reprimido durante vários anos em que adiou o sonho de ser cantora, foi uma influência positiva e notória na sequência de sucessos, um após o outro, das Gingas. “Depois de grandes compositores como Rui Mingas, Elias Dia Kimuenzo, Teta Lando, Dionísio Rocha e tantos outros, foi uma lufada de ar fresco no que toca a composição músical, então não foi muito difícil impormo-nos, não havia concorrência. Havia um vazio muito grande e uma carência, qualquer coisa com um bocado de cabeça e tronco, mesmo que não tivesse os membros, passaria.

Eu já trazia ideias muito firmes, relativamente à beleza do país, à riqueza coral. Vinha com todas essas impressões da minha infância, da cultura viva da terra onde nasci, então foi fácil começar “a despejar”, e assim tem sido até agora. Não sei quando é que vou parar de compor e escrever.”

É ainda coreógrafa das Gingas, a grande mestra por detrás dos passos de dança, porque queria fazer da escola Gingas, uma escola de semba. “Em matéria de semba, ainda estou em forma”, brincou com um largo sorriso e continuou: “Isso eu passo para elas, essa expressão corporal e alguns passos base do semba, bem como alguns passos de Malanje. Mas a maior coreógrafa é a Gercy, ela tem uma competência muito grande para a dança. Todas elas contribuíam com ideias também. Quando se trata de coreografias mais tradicionais fazemos recurso aos grupos Yaka e Kilandukilu. Somos contemporâneos, surgimos practicamente na mesma altura e no mesmo bairro, no Maculusso”, sublinha.

Quando arquitectou as Gingas, a dança nunca esteve incluída no projecto, a sua visão do grupo era algo mais clássico. A ideia da combinação da dança com as belas coreografias surgiu por conta de um episódio engraçado. Um belo dia decidiu juntar vários géneros para fazer um espectáculo lírico-musical, onde pela primeira vez, vários artistas partilhavam o mesmo palco. Desde Calabeto, Jivago, Manré, Zé Boyoth e alguns mais. Porém, queria envolver mais jovens além das Gingas e perguntou ao Figueira, que era um jovem que também nasceu desse projecto quando tinha cerca de sete anos, o que havia de jovens para o espectáculo. Este respondeu que conhecia uns jovens fortes e muito bons, mas que não eram conhecidos. Tratava-se dos SSP.

“Quando eles começaram a actuar, nós fomos arrumadas logo, foi mesmo uma surra, no verdadeiro sentido da palavra. Quando vi aquilo, decidi que tinhamos de encontrar um meio termo, não algo tão louco como eram os SSP e os N´Sex Love naquela altura. Mas, de uma coisa eu tive a certeza, não podia pôr as Gingas naquela posição tão séria, pois isso estava a prejudicá-las. Decidi que, para ganharem aquela popularidade, tinha que aliar a música à dança e ao guarda-roupa. Lembro-me de ver toda aquela plateia a vibrar, ao delírio, não com as Gingas, mas com os SSP, e foi esse choque que me fez pensar na dança como estratégia de imposição no mercado e hoje todo o mundo conhece as Gingas, não só pela música mas pela dança também”.




Momentos Marcantes


Mbanza Luanda, Xyiami e Muenhu foram as três grandes etapas que fizeram do grupo uma referência no panorama musical angolano.

Marcaram e consolidaram o projecto de sucesso, ganhando o respeito das entidades e do povo. “Passei por momentos muito complicados. Depois do período Xyiami, muitas pessoas pensaram que para se imporem precisavam de passar por cima dos outros, houve este nascer de muita intriga, de muita inveja e de muita discórdia. Mesmo quando não era muito visível a coisa 
era latente.

Havia qualquer coisa ali a forjar o ambiente. Passei por momentos de grande tristeza e grande engenho para fazer a gestão da permanência do grupo no mercado, mas nada disso foi superior ao reconhecimento do trabalho. A desintegração relativa do grupo mexeu naturalmente com todo o povo, porque somos uma referência nacional e, claro, que tudo que diz respeito a nós, mexe com outras pessoas. Mas o carinho das pessoas, sobretudo, esta perseguição positiva dos media fez com que arranjássemos forças para voltar.


Uma filha no grupo

Apesar de Gercy ser filha da professora Rosa, é uma grande fã da mãe, e o mesmo acontece com a mãe, que revela ser uma grande admiradora da filha. Apesar de olhar para todas as integrantes do grupo como filhas, reconhece que mantém com Gercy uma feliz parceria.

Ao contrário do que muitas pessoas pensavam e diziam, Gercy, nunca foi obrigada a fazer o que a mãe queria, ou o que a mãe pensava. Era já uma artista de convicções muito fortes, fruto de toda uma vida em cima dos palcos, onde iniciou carreira aos três anos de idade e, acima de tudo, uma mulher muito inteligente.

De vez em quando, fruto da teimosia de ambas, têm as suas desavenças mas sabem o lugar que ocupam na sociedade, o compromisso que têm com o povo e com a música.

Isso faz com que tudo se resolva da melhor forma para as duas, cantando. Por esse motivo e, contrariamente ao que muitas pessoas pensaram, a dada altura, sempre preferiu olhar para Gercy como membro das Gingas e nunca como filha.
Dinamizar, É preciso

As escolas de arte são com certeza muito importantes para o aumento da qualidade dos artistas e, sobretudo para a investigação.

Porém, a par disso, há que criar formas de congregar e aproveitar a aptência que as crianças e jovens têm para a arte, a dança e a música, em particular. Todos juntos somos poucos para esta tarefa educativa e recreativa. 
Em todo o angolano há um cantor e, se não houver um cantor, com certeza há um bailarino, enfim, um artista. E isso tem que ser aproveitado. Os artistas não estão nas faculdades. Temos que aproveitar o conhecimento destas pessoas com formação, com conhecimento, para se direcionar o talento das crianças e dos jovens.


Em todo o angolano há um cantor. Se não houver um cantor há um bailarino. Isso tem que ser aproveitado.


“best of” comemora 
30 anos das gingas

Para coroar a carreira de Gercy, vai ser lançado um álbum a solo, em breve. Contudo, isto não significa uma carreira a solo. O álbum de Gercy não é a única novidade. “Estão a ser criadas as condições e têm sido ultrapassadas todas as diferenças e divergências, para dar continuidade ao projecto Gingas”. Dentro em breve, as Gingas do Maculusso assinalam 30 anos de história e um álbum, intitulado The Best Of já está na forja. “Só não o fizemos antes porque não queria fazer isso, com as costas viradas a qualquer uma delas. Queria ter as condições criadas, que era o que mais me interessava, um ambiente familiar, amigável, fértil para a reconciliação da família Gingas. Elas fizeram declarações que mexeram muito comigo e que me fizeram ver que elas me têm em alta consideração. Acho que posso finalmente dizer: “Segurem-se! Que vem aí coisa boa “.


Discos

“Pérola Azul” e “Estrelinhas Aviluppa Brincadeira Boa”, são apenas duas das muitas obras que constam do enorme trajecto como compositora desta respeitada figura da mundo da música, com destaque para o público infantil.
Perfil

Nome Rosa Ermelinda 
Roque Pegado
Naturalidade Malanje
Idade 56
Prato favorito Calulu. Gosto também de vários funges
Filhos Três filhos biológicos e cuido de outros tantos, um muito especial que adoptei com cinco dias, Anilson de Jesus
Música São muitas. Mas se tivesse escolher seria “Conte” de Andrea Bocceli
Uma frase Crescer aprendendo
Passatempo Nas horas livres, leio, gosto de música 
e gosto de dança
Personalidade que admira Cardeal Alexandre Nascimento
Fonte: Opais
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Old May 26th, 2012, 05:07 PM   #131
Matthias Offodile
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Defendida a adaptação dos museus

André Amaro | Lubango - Hoje


Suraia Santos proferiu a palestra sobre a importância de conservar a história local

Lubango

A museóloga e responsável do Museu Regional da Huíla, Soria Santos, defendeu ontem, no Lubango, que é importante adaptar os museus às novas tecnologias, para que possam dar respostas criativas e inovadoras capazes de satisfazer as exigências do público, sem perder de vista as suas funções primárias.
A responsável defendeu esta posição durante uma palestra subordinada ao tema “A importância dos museus numa sociedade em mudança”, dirigida a professores e estudantes do Instituto Superior de Ciências da Educação do Lubango (ISCED).
O encontro serviu ainda para abordar algumas questões relacionadas com a museologia em Angola, o processo de mudança social do Museu Regional da Huíla e a importância de se criarem mais instituições do género, no país e nesta província.
“Os museus têm como funções primordiais adquirir, estudar, conservar, divulgar e expor os testemunhos materiais do homem e do seu meio ambiente”, explicou Soraia Santos aos participantes.
Para a responsável, independentemente das mudanças que ocorram na sociedade, o museu tem sempre o papel de preservar a memória, história, cultura e tradições de um povo, mas precisa ser adaptado aos novos tempos, de forma a responder os desafios.
Suraia Santos disse ainda que uma das mais significativas mudanças que os museus angolanos registaram hoje foi o deixarem de ser instituições estáticas e elitistas, para estarem acessíveis ao público.
O museu moderno, explicou, passou também a ser uma instituição com forte componente pedagógica, com áreas mais abrangentes, e desempenha, hoje, um papel crucial nas campanhas de sensibilização para questões ambientais e preservação das espécies animais e vegetais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/17/0/d...cao_dos_museus
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Old June 1st, 2012, 11:09 PM   #132
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Grande Entrevista

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Paulo Kussy ‘Não acredito que o artista almeje o consenso’



Porquê despir a pele?


Em primeiro lugar dizer,“Despir a Pele” entre aspas. Faço questão de ressaltar isso. A expressão cria inicialmente algum espanto e choque pelo que devo explicar o que me levou a usá-la.

Despir a pele é uma figura de estilo, uma Perífrase, uma expressão usada para designar outra, neste caso, a Catarse.

O objectivo é descodificar essa palavra que me é tão cara.

Despir a pele é algo trágico, dramático, uma autêntica descarga emocional e em última análise essa mesma sensação acaba por provocar a cura, a purificação das almas. Essa expressão pode ser encontrada nos mais variados ramos do saber, na medicina, psicologia, psiquiatria, teatro, cinema e na literatura. Falar de teatro é também perceber as suas origens e faz todo sentido mencionar Aristóteles, grande filósofo grego da Antiguidade Clássica, que postulou nos seus escritos, datados de cerca de 330 Antes de Cristo, “A Poética” as teorias do teatro Ocidental e que influenciam Guionistas, encenadores e actores até aos dias de hoje.

Quero com esta exposição fazer uma reflexão sobre o teatro, o Drama, a tragédia e sobre as emoções que suscitam. Deste modo evito falar de bisturis, de cirurgias invasivas, anestesias, dissecações anatómicas de cadáveres humanos e de animais. Este é um aspecto do âmbito de investigação de fisiologistas, se bem que devo confessar, também me fascina, basta olhar para a minha Biblioteca e Dvd’s sobre o tema.

As nossas etapas de vida, ou seja, os estágios de conhecimento adquirido fazem-me lembrar os actos de uma peça de teatro. A exposição (apresentação das personagens) o Clímax (onde se desenvolve o conflito) e o Desenlace ( a resolução do conflito).

Entramos em conflito quando adquirimos valores e os pomos em causa, tentando então a melhor solução para resolvê-los. Tal foi possível no período histórico do Renascimento Italiano, ao colocar-se o homem como a medida de todas as coisas, criou-se uma ruptura com ensinamentos vigentes (idade média) e que não mais faziam sentido numa época de forte apetência pela investigação científica em direcção a um ideal humanista.

Eu vivo no séc. XXI e ao estudar a história da anatomia vejo o quanto evoluímos no que concerne ao modo como o corpo humano foi estudado e retratado. Os retrocessos e avanços.



Existem relatos conhecidos, na Antiguidade Clássica de dissecações atribuídas ao anatomista grego Teofrasto, curiosamente discípulo de Aristóteles que também dedicou parte da sua actividade intelectual à dissecação.

Galeno, anatomista da antiguidade clássica nos seus relatos de anatomia médica referia que suas análises eram baseadas em estudos de macacos, visto que a dissecação humana não era permitida no seu tempo. É incrível como o conflito, o confronto com tais teorias insuperáveis só foi possível com a descrição impressa e ilustrações de dissecções humanas por Andreas Vesalius no século XVI, muito devido ao advento da imprensa de Guttenberg.

Passaram-se Séculos de obscurantismo e de verdade inegáveis.

Vesalius, considerado o pai da anatomia moderna publicou ” De Humani Corporis Fabrica”, um atlas de anatomia publicado em 1543, um título curioso, como se estivesse a antecipar o advento da invenção da máquina a vapor e consequentemente a revolução industrial, na Inglaterra do Século XVIII, na qual a máquina foi superando paulativamente o trabalho humano.

“Despir a Pele” significa não nos contentarmos com o que nos é dado e procurarmos nós mesmo procurar novas informações. Procurar a nossa própria verdade na direcção de um conhecimento científico. Toda e qualquer teoria, seja de que ramo for, pode perfeitamente ser refutada e contestada desde que devidamente fundamentada. No campo da Artes, na dramaturgia, na mitologia grega, até os deuses são contestados. Na pintura, os cenários surrealistas, os objectos desafiam a gravidade, a anatomia toma proporções improváveis desafiando o cânone estabelecido. Na minha pintura relato cenários de sofrimento e dor tal como na tragédia e isso pode resultar numa catarse da audiência. Talvez isto explique o motivo pelo qual nós seres humanos, os da era Antiguidade Clássica e os da era contemporânea, termos uma estranha tendência em apreciar e assistir ao sofrimento dramatizado, tal como numa tragédia grega, cuja função é provocar por meio da compaixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos, a catarse.



E se a vida for um palco, cheio de dramas, personagens caricatas, fascinantes máscaras, heróis admirados fanaticamente e que caem em desgraça logo em seguida? O que estaremos a assistir então?

“Despir a Pele” é a terapia obtida através da psicanálise, é a confissão religiosa, é o sentimento de vulnerabilidade e fragilidade. O Homem ao longo da história sempre edificou equipamentos que o reduzem a uma certa insignificância perante algo superior, omnipotente e omnipresente. Os tempos religiosos, igrejas, mesquitas, sinagogas, templos budistas, reduzem-nos, tornamnos mais humildes, levam-nos à actos de confissão e permitem um diálogo honesto e sincero connosco na busca da verdade e do melhor caminho a seguir para minorar os nossos problemas.

“Despir a Pele” no sentido metafórico é um pretexto para se falar de teatro, de interpretações, personagens. Da peça de teatro maior, ou seja, a vida, o nosso quotidiano.
‘A pele cobre o que é mais importante mas não nos define’

“A definição é aparente, logo falsa, tal como num teatro onde se usam indumentárias que se trocam ao descer do pano para o acto seguinte”

No seu trabalho e olhando para as pessoas e para a sociedade, qual é a pele que melhor se despe, a da alma ou a do físico?

Fernando Nobre, fundador da Assistência Médica Internacional, disse numa entrevista algo que retive até hoje. Como médico, dizia que ao cortar com um bisturi a zona do abdómen de um ser humano, um refugiado num campo de concentração em zonas do globo atingidas por conflitos militares, num consultório equipado com tecnologia de ponta, ou num hospital público, iria sempre encontrar a mesma coisa: intestinos, estômago, fígado, bílis, etc.

A pele cobre o que é mais importante mas não nos define. A definição é aparente, logo falsa, tal como num teatro onde se usam indumentárias que se trocam ao descer do pano para o acto seguinte.

Colocamos então novas máscaras para entreter o público e este apenas aplaude aquilo que representamos.

Não se interroga sobre o ser por trás da máscara.

Com o avanço da tecnologia aliada à medicina, falando de cirurgias estéticas, é muito fácil mudar a nossa aparência exterior, a nossa pele. O uso de botox, implantes mamários e nos glúteos, procura-se uma perfeição física na esperança de uma maior aceitação pública e na esfera privada.

Respondendo à sua pergunta, julgo ser claramente mais difícil despir a pele da alma. Para tal é necessário um confronto connosco próprios, o que nem sempre é uma tarefa fácil. Os psicanalistas têm um papel importante nesta área, mas para a tal as pessoas têm de ter consciência que precisam de ajuda. Têm de ser elas próprias a tomar a primeira iniciativa.


A anatomia humana é mais uma obra de arte em si mesma, ou um instrumento para realizar arte?


O corpo humano sempre foi retratado ao longo da história da arte, com mais ou menos pudor consoante a época histórica. A representação muda conforme o estágio de conhecimento do ser humano, na arte pré-histórica, na Idade média, no nosso continente africano, no renascimento, revolução industrial, era contemporânea, o modo como se representava o corpo foi variado e mostrava o nível do conhecimento científico adquirido até à data. Nas artes performativas, dança, teatro, o corpo é ele mesmo o próprio instrumento de trabalho. A performance junta a artes plásticas, dança e teatro. Vão-se esbatendo cada vez mais as barreiras entre essas vertentes artísticas. Vídeo-Arte, a fotografia, cinema, mostram o corpo na sua plenitude. Ora um modo gratuito e grotesco, ora sublimado e exacerbado na sua nobreza. O corpo é meio para atingir um fim…não é o fim em si. O corpo é a forma, não o conteúdo, se falarmos em termos de performance. O conceito prévio, os ideiais levam-nos por fim a tomar as melhores decisões no que concerne ao uso mais adequado do corpo nas manifestações artísticas.


O que mais o fascina no corpo humano?

A busca que tenho encetado sobre o corpo humano não tem fim à vista.

Consigo sempre descobrir algo de novo sobre ele. A literatura médica é vastíssima, os livros de ilustração científica vão sendo coleccionados por mim a cada ano que passa. A língua em que são impressos também cria grandes desafios para mim. Leio em espanhol, inglês e francês e, em cada manual, existem referências bibliográficas a que infelizmente ainda não tive acesso. Logo, a investigação nunca cessa. Ao mesmo tempo é interessante, pois dou por mim a despir as pessoas com os olhos, vejome a tentar descobrir a sua anatomia pelo método dedutivo e, por vezes, sem me aperceber, faço-lhes algumas perguntas desconcertantes e embaraçantes. Lembro-me de um episódio, no ano passado, em que perguntei a um rapaz, motorista de um amigo meu, se ele praticava judo ou luta greco-romana. Ele ficou super admirado, pois não nos tínhamos cruzado antes daquele encontro. Eu disse-lhe que o músculo esternocleidomastóideu, dele, estava muito bem desenvolvido. Não quis entrar em mais detalhes pois ele não estava em condições de entender os termos anatómicos usados por mim e então mudámos de assunto….seria tão bom falar do renascimento dos ideais de beleza greco-romanos, a era do iluminismo….enfim….


Além da anatomia, do músculo, do corpo, ressalta, claramente, um traçado mais geométrico na sua obra, um pouco como um encontro entre a arquitectura, o corpo e a alma. Para onde nos pretende transportar?

Transporto o espectador para cenários teatrais criados por mim em última análise. O palco criado por mim tem uma cenografia idiossincrática, uma indumentária por escolhida por mim e as personagens interagem, lutam pelo seu espaço, conforme os meus ditames.

Esse espaço sim, eu posso alterar.

Não me é imposto taxativamente. É essa a liberdade que se obtém com as artes plásticas. Podemos sempre sonhar e almejar por realidades diferentes daquelas que nos são dadas. Nada na tela é adquirida. Ela é mutável e está em constante transformação. A dada altura posso até modificar completamente o esboço inicial. É a suprema liberdade.


Esta pergunta deve ser rotineira, mas até que ponto pode a arte despir a pele de Luanda? Isto se considerar que Luanda ainda se esconde debaixo de alguma pele que lhe cubra a beleza.?

Gostaria de fazer um analogia entre uma cidade e um corpo.

O nosso cérebro, no órgão de controle supremo não pode coexistir isolado para que a vida se dê em plenitude. Há uma interdependência entre os vários órgãos e meios numa cadeia de acontecimentos diária e rotineira que apenas cessa com a nossa morte.

Se compararmos o centro Luanda a um coração e as várias cinturas periféricas aos outros membros e órgãos do corpo humano, podemos encontrar as veias e artérias, os vasos sangüíneos do sistema circulatório do nosso corpo. As artérias saem do coração e por isso estão sob alta pressão tendo a função de oxigenação e nutrição das células.

As veias são vasos que chegam ao coração e são capazes de comportar grande volumes de sangue. Algumas veias possuem válvulas para evitar o refluxo do sangue e, basicamente, quando há falência dessas válvulas formam-se as varizes. Só as vemos quando algo corre mal. Os cidadãos usam As artérias rodoviárias que saem do centro financeiro, político e cultural da cidade em direcção às periferias sub-urbanas com o oxigénio adquirido para melhorar a sua condição de vida. O problema que todos enfrentamos diariamente com o tráfego denso leva-nos a um estado de stress emocional de tal ordem que nos leva despir a pele. A da cortesia, da humildade, enfim.

Se quem mais queremos e nos faz bem está a 2 horas de distância, É claro que isso nos faz andarmos aflitos e apressados e sem tempo.

Mas ninguém se reconheçe nessa pele. Nós somos por norma acolhedores, afáveis, hospitaleiros, quero acreditar nisso.
‘Apenas digo que eu pinto a minha verdade’

“A minha verdade resume-se àquilo que eu entendo e conheço. No meu estádio de conhecimento actual. Obviamente, quando tiver 40 anos a minha verdade será outra, e aos 60, talvez até possa rejeitar aquilo que tomo como adquirido e verdadeiro na minha arte”


Sente que está a fazer um corte radical com aquilo que normalmente os artistas angolanos pintam?


Respondo de um modo politicamente correcto. Apenas digo que eu pinto a minha verdade. A minha verdade resume-se àquilo que eu entendo e conheço. No meu estádio de conhecimento actual. Obviamente, quando tiver 40 anos a minha verdade será outra, e as 60, talvez até possa rejeitar aquilo que tomo como adquirido e verdadeiro na minha arte. Eu sou um investigador na área do ensino artístico, na DINFA, docente de Desenho e Geometria na área de arquitectura, e gosto de pintar e desenhar. Transporto para as telas o que vejo e investigo no meu dia a dia. Tenho dois filhos muito pequenos e isso leva-me a ser um pouco paranóico com a questão da saúde, a ausência dela, diria até certo ponto um pouco hipocondríaco.

Intriga-me o culto da manipulação do corpo através da musculação, algo que também pratico muito irregularmente.

Inconscientemente acabo sempre por ilustrar algumas dessas inquietações nas minhas telas e nos desenhos preparatórios que faço. Reflicto sobre a condição humana, a sua fragilidade e vulnerabilidade.


Sente que está a nascer uma nova geração de artistas, ou uma nova forma de abordar a arte, sem amarras ideológicas?

Sinto que a minha geração tem outro tipo de informação em relação à sua antecessora. Hoje nós interagimos através das redes sociais. Trocamos e-mails, visitamos os blogs e sites uns dos outros e fazemos sugestões em tempo reais de eventos sócio-culturais relevantes que nos suscitam interesse.



O advento da Internet, dos telemóveis, das parabólicas, tv’s por cabo marcaram sem dúvida esta geração.

A próxima será ainda mais tecnologiamente dependente que a minha.

A etimologia da palavra arte, junta a palavra Ars e Tecné, a saber, habilidade e Técnica / Tecnologia. Os nossos antepassados eram hábeis a usar o xisto, e o carvão para gravar imagens de bisontes nas grutas pré-históricas de Altamira e Larcaux. Hoje eu uso o I-Pad para desenhar, não deixando de ter obviamente habilidade manual para desenhar com mestria num papel. Eu nasci em 1978, 3 anos após a independência de Angola. Os meus manuais escolares continham alguma carga ideológica. Tive a sorte de viajar desde muito cedo e conhecer outras paragens. Mudei-me para Lisboa ainda muito cedo e isso causou em mim impacto. Não fui uma criança afectada pela guerra e pela fome. A minha família nuclear e alargada mantém-se muito unida até os dias de hoje e muitos mudaram-se para outras partes do mundo para concluir a sua formação superior. Encaro a arte com propósitos universais e não locais ou etnográficos.

A vida cosmopolita obriga-me a tal.

Hoje os meios de deslocação são tão acessíveis, que permite a artistas da minha geração ver uma exposição, visitar galerias e privar com curadores e mecenas em Johanesburgo hoje, e em Paris amanhã sem se sentir minimamente deslocado, ter um conhecimento à priori das realidades sociais e políticas das cidades que escolhem para obter mais informação em termos de vida cultural e artística.


Paulo Kussy, na sua Luanda de todos os dias, tem de vestir outras peles ou tem de despir a sua para entender a nossa sociedade?


Pergunta interessante essa. Salvador Dali, grande pintor espanhol dizia que, a diferença entre ele e um louco, era que ele não era de todo louco. Dali foi um mestre na manipulação, na encenação, no marketing pessoal.

Obviamente que ele encarnava com mestria e inteligência aquela personagem tão fascinante que só ele representava. Só quem privou com ele na intimidade ao longo de vários anos poderá revelar a verdadeira identidade de Dali. Talvez Gala, sua mulher e musa. O artista, é um performer, um show man. Não pode ser entediante, tem de suscitar interesse permanente, pois pode correr o risco de cair no esquecimento e não suscitar interesse do grande público.

Sou docente universitário. Todos os dias eu dou aulas e tenho de entreter uma plateia, quer se queira ou não. Estamos expostos e vulneráveis. Sujeitos a interrogatórios e a avaliações permanentes. O problema, é que o resultado da nossa performance é obtido na hora. Isso é um desafio enorme. Explicar abstracções geométricas, o espaço infinito de representação, a dicotomia entre as três dimensões da realidade e as duas dimensões do papel não é tarefa fácil. Por vezes é necessário despir a pele, temos de ser cómicos, sabe, suscitar o riso e a gargalhada dinamiza uma aula, provoca um novo interesse….é necessário projectar a voz de um modo convincente e seguro….

tornar o discurso dinâmico, coerente e acutilante….onde é que já vimos isso tudo….em peças de teatro, na sétima arte, em seminários, em cursos de superação profissional, workshops, etc. Todos esses profissionais poderiam perfeitamente trabalhar na área do entretenimento.


E o mercado da arte em Angola, tem uma pele falsa ou uma anatomia que se vai formando?


Vai-se formando lentamente e muito terá de passar pela educação e esclarecimento das pessoas no que concerne ao fenómeno de produção artística. Tal como outros produtos que advêm de uma indústria, a indústria cultural, tem os seus actores, os bens que produz e que procura escoamento. Mas para que tal aconteça, passe a expressão, é necessário criar um manual de instruções. O belo, o feio, são conceitos filosóficos perfeitamente explicáveis mas não se explicam por si só. Temos de engajar os profissionais mais competentes na área para educar e esclarecer o cidadão menos informado. Para haver um mercado é necessário um local onde se transaccionam os bens, um público comprador e os vendedores e promotores.

Não estamos mal nesse aspecto.

Temos galerias de arte, temos uma Trienal que está consolidada, prémios bi-anuais (Prémio-Ensa Arte) e um prémio Nacional de Cultura e Artes. A pele falsa seria afirmar que tudo isso que enunciei não existe. O que não é de todo verdade.

As coisas vão acontecendo a seu ritmo e cabe a nós artistas criar iniciativas relevantes que possam cada vez mais levar o nome de Angola para além fronteiras.


Estamos em ano eleitoral, a arte é absolutamente incompatível com a política, pela liberdade que a caracteriza? … ou vê na política também uma forma de arte?

A arte contemporânea reflecte o modo como artista se vê a si mesmo e o mundo que o rodeia. Obviamente o artista não é um eremita isolado e obviamente pretende interagir com a sociedade e provocar reacções por parte dela no que concerne ao trabalho que realiza. A política é a arte da organização de algo mais abrangente, ou seja, de Estados-nação e todas as superestruturas que o fazem funcionar. A política legisla, dita normas e valores, cria postulados que através do sufrágio podem vir a seguir seguidos por uma grande franja da população. O artista em primeira análise organiza-se a si mesmo.

Organiza o seu pensamento e modo a torná-lo coerente e digno de ser apresentado através de manifestações artístico-culturais. Não acredito que o artista almeje o consenso, a ordem, pelo menos não é o meu caso. Se eu estiver deprimido e me apetecer pintar um quadro que ilustre este estado de espírito tenho consciência que não irei agradar a toda gente e poderei até não conseguir vendê-lo. Fico, no entanto, satisfeito comigo mesmo pois revelei uma verdade abafada e que sufocava tal como um colete-de-forças. Através da arte liberto-me de alguns constrangimentos e adquiro uma certa libertação, a catarse, a purga a que me tinha referido anteriormente.


É professor, o que diz aos seus alunos que pretendem mostrar-se ou seguir a carreira de artista?

Digo-lhes apenas que mostrem a sua verdade. Que não tenham medo de ser eles próprios e experimentar constantemente na busca do seu “eu”.

Aquilo que já lhe tinha respondido há pouco. Hoje estava a ver na TV a biografia da cantora norte-americana Jewel. A dada altura confessou a um jornalista que havia cantado o mesmo repertório de canções durante meses em bares e escolas secundárias, sem sucesso. No dia seguinte à sua aparição televisiva num talk show de grande audiência, críticos de música diziam que ela interpretava cada sílaba que cantava de um modo comovente e surpreendente. O grande público televisivo sentiu de imediato uma enorme empatia por ela. Sem ela se aperceber tocou o coração de milhões de pessoas em apenas 3 minutos em que esteve no palco. Não se ensina isto nas escolas de arte. Há algo mágico que ocorre quando um artista despe a sua pele, mostra a sua vulnerabilidade. Eu também procuro isso e sei perfeitamente que o processo é longo e doloroso. Desistir é a via mais fácil, mas quem resiste tem recompensas muito satisfatórias.
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Old June 1st, 2012, 11:30 PM   #133
Matthias Offodile
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Mulheres de Angola
Luísa Damião: “Uma mulher para ser reconhecida tem que ser duas vezes melhor do que um homem”





Publicado a 21-03-2012 21:54:00

Para quem trata todos os dias a informação do país e do mundo é fácil fazer uma leitura objectiva sobre o papel da mulher na sociedade angolana. “A importância da mulher em todos os níveis da nossa sociedade é hoje uma realidade. Nos últimos anos, houve uma conquista clara de posições importantes por parte das mulheres. Ainda na recente visita de Ban Ki-moon ao país ele falava disso mesmo”, começa por dizer Luísa Damião, que acrescenta: “Se olharmos para o aparelho legislativo e judicial, vemos que em cerca de 40% dos lugares de destaque estão mulheres. Hoje, estamos em cargos onde anteriormente era ‘proibido’ sonhar em lá chegar. Isto tem muito que ver com o esforço de profissionalização e de busca de conhecimento que as mulheres fizeram em Angola. Veja-se, por exemplo, nas faculdades, onde a maioria dos estudantes são mulheres.”

Sobre isto não há dúvidas. Mas há um mundo onde as mulheres ainda têm pouca expressão. Estamos a falar das instituições financeiras, das grandes empresas e mesmo daquilo a que se chama “grupos económicos privados”. Para Luísa Damião a explicação tem que ver com a própria história do país. “São 500 anos de colonialismo, onde as mulheres não tinham qualquer papel no mundo dos negócios. Mas ainda assim começam a aparecer. Veja-se o caso da ministra Ana Dias Lourenço que há muitos anos está à frente da Comissão Económica do Governo. Na área empresarial também já apareceram as primeiras associações de mulheres, assim como no acesso aos programas de microcrédito, o que mostra também a sua capacidade empreendedora.”

Luísa Damião: 
“Parece-me normal que daqui 
a alguns anos Angola possa ter uma mulher a exercer o mais alto cargo da Nação”
Importa também sublinhar que existem hoje muitas angolanas que se metem nos aviões e vão ao Dubai, China ou Tailândia negociar directamente a importação das mais diversas mercadorias. Pode mesmo concluir-se que apesar de não estarem nos grandes grupos económicos, as mulheres tem hoje um papel decisivo na estrutura do pequeno empresariado.

Uma das questões que se levanta sempre quando se fala de igualdade do género tem que ver com a obrigatoriedade de cumprimento de quotas nalgumas decisões importantes, como, por exemplo, a elaboração de uma lista de deputados, os concursos para a função pública ou os cargos de gestão em empresas estatais. Para uns, trata-se de uma necessidade, para outros, de uma nova forma de discriminação. E para Luísa Damião? “Penso que é uma discriminação positiva. Mas a questão das quotas tem de estar ligada à competência das mulheres. A qualidade na função é o mais importante. E existem mulheres que a têm nas mais diversas actividades. Como disse, a questão das quotas tem de ser vista em simultâneo com a questão das competências.” Resumindo, é ou não a favor da manutenção da obrigatoriedade das quotas? “Sou. Revejo-me neste sistema”, conclui.

Luísa Damião também não tem dúvidas sobre a importância da ascensão das mulheres. “Elas são mais competentes na gestão da causa pública. Aliam a competência à sensibilidade, e desde sempre que as mulheres tiveram um papel importante na construção do país. Desde a luta de libertação até aos dias de hoje. A participação na sociedade começa pelo facto de serem mães, terem um papel decisivo na educação dos cidadãos, até à sua participação na gestão do país. Costumo dizer que quando educamos um homem, educamos um indivíduo. Quando educamos uma mulher, estamos a educar a sociedade e o país”, defende. Acrescente-se que Luísa Damião tem três filhos e “a maior realização em termos pessoais é conseguir que eles tenham acesso á sociedade do conhecimento. Num mundo competitivo como o de hoje, o acesso à formação é decisivo. Felizmente que a minha filha mais velha já se formou em Medicina e está agora a fazer a especialização, o meu filho está em Direito e a mais nova está em Marketing e Comunicação. Essa é uma grande missão da minha vida.”

A importância das mulheres no meio rural é maior do que nas cidades, onde além da função maternal, são também elas que trabalham no campo, “costumo dizer que em África as mulheres são as grandes responsáveis pela alimentação das populações, uma vez que são elas que trabalham no campo, que produzem os alimentos”. Não deixa, no entanto, de acrescentar que “uma mulher para ser reconhecida têm de ser duas vezes melhores do que os homens. Veja-se, por exemplo, o que acontece no trânsito. As mulheres são muito mais cuidadosas e provocam menos acidentes do que os homens. No entanto, veja-se o que eles dizem das mulheres ao volante”.
a favor da discriminação positiva

Não restam dúvidas de que existe hoje um grupo de mulheres que se destaca nas mais diversas áreas da sociedade. Mas será que estas conversam, debatem, dão-se bem? Luísa Damião dá-nos a sua visão: “Por vezes existe a ideia de que as mulheres quando atingem o topo se isolam. Retiram a escada para mais ninguém lá chegar. Mas não é bem assim. Encontramo-nos em diversos locais e eventos públicos e aproveitamos para conversar. Direi que existe um espírito de unidade.” Funcionam como uma confraria? “Não direi isso. Mas existe solidariedade, troca de experiências e conselhos.”



“Quando educamos uma mulher nós estamos a educar toda a sociedade 
e o próprio país”
Quando se fala da possibilidade de termos uma mulher na Presidência da República e de este facto ainda poder demorar muitos anos, Luísa Damião defende: “Uma mulher como Presidente da República? Não estamos assim tão longe. Em África, já temos o caso da Libéria. Ellen Johnson está a fazer um bom trabalho. Parece-me normal que daqui a alguns anos possamos ter uma mulher no mais alto cargo da Nação.” No entanto, do Norte de África não chegam boas notícias. Os países árabes, que passaram por revoluções populares, estão agora a retirar direitos básicos às mulheres. Que em muitos casos demoraram anos a conquistar. Luísa Damião olha para esta situação com um primeiro sentimento. “Fico muito feliz por ser angolana. Por ser de um país onde não há discriminação entre homens e mulheres. Onde os salários e os direitos são iguais. Motiva-me pensar que passamos uma mensagem de igualdade que é defendida pela nossa Constituição. Dando argumentos a todos os que acreditam na igualdade de oportunidades independentemente do género. Em toda a sociedade, existe este pensamento. Na comunicação social, nos órgãos de decisão, na máquina do Estado. Temos de valorizar as políticas que têm sido desenvolvidas nesse sentido.” E com um segundo sentimento. “Claro que ainda há coisas a fazer. Veja-se o caso da lei contra a violência doméstica. Não é uma lei destinada apenas às mulheres, mas a toda a família. Aos homens também.”

Num país onde as segundas ou terceiras relações assumem um papel importante, não há como falar da relação entre homem e mulher sem falar da poligamia. Ainda há meia dúzia de anos se debatia na Assembleia Nacional se a nova Constituição deveria prever a poligamia, na altura apenas era sugerida a masculina. Houve uma enorme discussão à volta deste assunto, levando mesmo à divisão entre os deputados. “É preciso dizer que antigamente, os nossos avós viviam muitas vezes num ambiente de poligamia assumida. Tinham duas ou três mulheres, todas sabiam e algumas vezes até viviam na mesma casa. Não se escondia. Hoje, a questão é completamente diferente. Os homens tem duas e três mulheres, muitas vezes, mas nenhuma delas sabe. Fazem-se passar por solteiros e divorciados, e quando se descobre já há filhos, já há outras consequências, que por vezes acabam em violência doméstica. Isso não é poligamia, é infidelidade. Até porque quando são descobertos fogem à responsabilidade”, explica Luísa Damião, que acrescenta: “Naturalmente que não sou a favor da poligamia. Acredito que uma relação é a dois e não deve existir mais ninguém. Agora, não deixo de pensar que se a poligamia estivesse prevista na lei, que se eles tivessem que assumir as responsabilidades em todas as relações, certamente haveria muitos menos casos de infidelidade. O problema também gira à volta da impunidade. Mas, por princípio, sou contra qualquer lei que preveja a poligamia.”
27 anos de carreira no jornalismo


Luísa Damião, natural do Huambo, teve o primeiro contacto com a comunicação social em 1982. “Fui gravar a uma emissora de rádio local um programa para jovens e as pessoas acharam que tinha talento. O director convidou-me a ficar. Na altura eu trabalhava para outra organização e não aceitei. Mas as pessoas foram encorajando-me a seguir a profissão. Em 1984, esta mesma organização proporcionou-me uma formação em jornalismo em Cuba e acabei por ir, juntamente com um grupo de profissionais que ainda está no activo, nomeadamente o Vítor Silva, director do Novo Jornal”, explica. Quando regressou ao país, com a instrução básica terminada, fez estágio nos órgãos de comunicação estatais (rádio, televisão, Jornal de Angola e Angop). Acabou por entrar para a agência noticiosa que, na altura, era a que tinha maior falta de quadros. Na Angop, nessa altura, já tinha várias mulheres na redacção, continuou a sua formação, inscreveu-se no Instituto Médio de Economia, onde fez o curso de Jornalismo, e no ISCED, onde concluiu um curso de Linguística. “A língua portuguesa é fundamental para esta profissão. Por isso, quis melhorar os meus conhecimentos nesta área”, justifica.

Depois, devido a questões familiares (“fui acompanhar o meu marido que foi colocado como diplomata em Cuba”), acabou por sair do país. Em Havana candidata-se a trabalhar na assessoria de imprensa da embaixada angolana, na qual, mais tarde, se torna adida de imprensa. “Costumo dizer que durante um tempo fiz uma pausa para ser diplomata. Regressei em 2007 e nessa altura convidaram-me para dirigir a área da informação da Angop. Quando a empresa foi reorganizada e passou a existir o conselho de administração, fui nomeada para a posição que ocupo até hoje. Ainda cá estou e gosto muito do que faço”, diz sorrindo.

Faz questão de nos explicar que ao longo da sua carreira “nunca me senti discriminada. Acho que sempre me empenhei em fazer bem e em mostrar profissionalismo e, por isso, acabei por ter uma boa relação com todos. Nunca senti isso de ser mulher. Não tenho qualquer preferência em trabalhar com homens ou mulheres, quero é ter bons profissionais. Hoje, esta é uma equipa grande, e com ajuda de alguns conhecimentos de psicologia, que entretanto adquiri por formação, sinto que falo com todos da mesma maneira. Quem trabalha bem não tem problemas comigo. Sempre foi esta a minha maneira de estar na Angop”, confessa.

O seu sonho profissional também passa pela agência. “Quero que a Angop funcione em cinco plataformas. Hoje trabalhamos em apenas duas: texto e fotos. Eu quero adicionar o áudio, o vídeo e a infografia. A Angop deve ser capaz de chegar a todo o país e a todo mundo nestas cinco plataformas simultaneamente, levando a imagem e as notícias de Angola com objectividade e fiabilidade. Esse é o meu sonho e o meu grande objectivo profissional”, explica. Quando lhe perguntamos se sente mais política ou mais técnica, não hesita na resposta: “Sou uma técnica. A minha profissão é jornalista.”
Por: João Armando
http://www.exameangola.com/pt/?det=2...d=2000&mid=372

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Matthias Offodile
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This is an own local Angolan brand by Angolans with several outlets and it is as professional as any of its Western counterparts....no need to hide behind them




Quote:
Mulheres de Angola
Empreendedoras.com
Publicado a 27-03-2012 12:07:00



Belinda Figueiredo é cabo-verdiana. Ângela Silva é angolana. Conheceram-se quando trabalhavam na DHL em Luanda, a primeira como directora comercial, a segunda na área de vendas. Resolveram sair dessa multinacional para perseguirem o sonho de criar um negócio próprio. Apesar de não terem experiência prévia na restauração, a ideia de criar um negócio de comida rápida parecia atractiva.

Ângela silva: “Só com uma grande amizade, entreajuda e boa disposição é que se consegue gerir um negócio exigente como este”

Belinda figueiredo:“Creio que as mulheres têm mais garra empresarial e a capacidade de gerir várias tarefas em simultâneo”

“As pessoas que trabalham em Luanda deixaram de ter tempo para ir comer a casa, devido ao trânsito. E há uma escassez de oferta de refeições de qualidade a preços acessíveis”, diz Belinda. dupla começou por pensar no franchising. Belinda viveu durante 12 anos na cidade da Praia e passou outros 12 anos em Portugal, onde estudou. Nesse país há conceitos defast-food refeições ligeiras de sucessos como a rede espanhola Pan’s & Company ou as portuguesas Companhia das Sandes e Go Natural.

Mas a ideia de estar limitada à oferta de uma cadeia internacional pareceu-lhe demasiado limitativa. Ângela, por sua vez, viveu no Brasil (o país das “lanchonetes”) até aos 18 anos, no estado do Matogrosso do Sul. Trabalhou numa panificadora e numa escola de condução como contabilista para financiar os estudos. Na altura, não imaginava que essas experiências lhe viriam a ser úteis mais tarde. Depois de muitas pesquisas sobre os potenciais fornecedores em Angola e da sempre árdua tarefa de encontrar um espaço adequado, as fundadoras alugaram duas lojas no coração do Maculusso e iniciaram as obras que demoraram seis meses. O investimento total foi de 300 mil dólares, parte do qual realizado através de um sócio angolano. A primeira Sandwich.com foi inaugurada em Novembro de 2009. Se o nome “Sandwich” é autoexplicativo já o “ponto.com” deve-se ao facto do negócio ter arrancado com um site que permite encomendason-line.

“Ainda hoje, cerca de 50% da nossa facturação no Maculusso provêm do take-away (entregas ao domicílio). A maioria dos pedidos chega-nos por telefone — apenas 5% por e-mail —, mas os clientes consultam o menu no site antes de fazerem as encomendas”, justifica Belinda. Claro que essa opção aumentou a complexidade do negócio. “Ainda testámos a hipótese de delegar a distribuição a uma empresa especializada, mas não correu bem. Preferimos ter o nosso pessoal e as nossas próprias motorizadas”, diz. “Começámos com apenas uma moto, hoje já são oito, mas três foram para a sucata”, completa Ângela.Ainda assim, persistem algumas dificuldades. “Por vezes, há atrasos devido ao trânsito. Outras vezes, são os próprios clientes que não estão disponíveis para receberem o estafeta. Sempre que isso acontece temos o cuidado de ligar pessoalmente aos clientes pedindo desculpa.” Há ainda outras limitações que todos os angolanos conhecem. “Por vezes, a internet não funciona, há quebras de energia que dificultam o nosso trabalho.”

Por isso, Ângela e Belinda são daquele tipo de gestores que “põe a mão na massa”. “Fazemos de tudo. Desde as sandes porque a cozinheira faltou, cuidar das reparações, lidar com os fornecedores ou tratar da parte administrativa. Tivemos de aprender à nossa custa e ser muito determinadas. Este é um tipo de negócio onde os proprietários têm de estar presentes. Por isso, desde o início desta aventura, nunca tirámos férias ao mesmo tempo”, dizem com um sorisso.

ENTREGAS AO DOMiCíLIO REPRESENTAM 50%

Foi essa perseverança que as levou a abrir mais quatro restaurantes em apenas um ano. O primeiro nasceu em Fevereiro de 2011 na petrolífera Sonils. A Sandwich.com venceu o concurso para a instalação de um pequeno restaurante para 30 lugares, que além de servir os funcionários também está aberto ao público. Seguiu-se, em Agosto, um espaço mais ambicioso em Viana (hoje representa 20% da facturação total) que para lá do sandwich-bar também funciona como restaurante (90 lugares sentados no 1.º andar da Casa dos Frescos). “A zona de Viana tem pouca oferta de restaurantes. Foram os clientes que nos pediram refeições mais elaboradas. Daí termos criado o prato do dia que vai desde bifinhos com cogumelos, bacalhau com natas, até à feijoada.

”Foi também num espaço alugado pela Casa dos Frescos que nasceu, em Outubro, o terceiro restaurante na Vila Alice com 30 lugares. “Aqui o trunfo é o snack-bar com esplanada.” Já este ano, no final de Janeiro, surgiu o espaço no ginásio Fitness Club, com 30 lugares. É aberto ao público e também serve pratos do dia. A expansão promete não ficar por aqui. A dupla prevê abrir este ano, um novo sandwich-bar e restaurante em Talatona. “Temos recebido muitos pedidos”, justificam.

Questionadas sobre o que distingue a oferta da Sandwich.com face aos outros estabelecimentos de refeições rápidas as fundadores elegem a diversidade do menu composto por 11 tipos de saladas, 22 sandes, hambúrgueres, cachorros-quentes, salgados ou tostas. Outra vantagem são os preços acessíveis (as sandes vão desde os 600 aos 1500 kwanzas). As mais procuradas são a Mwangolé (ovos estrelados com chouriço frito) e as Mata-Bicho (bacon ou salsicha, omeleta e queijo). Há ainda menus que combinam sopas, sandes ou salada, bebida e sobremesas caseiras. E um menu especial para crianças ao preço de 1300 kwanzas. Por fim, há a possibilidade de se tomar um pequeno-almoço completo (ovos estrelados, salsicha, bacon, torrada e galão ou sumo natural) ao preço de 1100 kwanzas.

Devido a este facto, os restaurantes abrem cedo (7 horas da manhã) e fecham tarde (21 horas). Os picos de movimento são das 8 às 14 horas o que obriga o pessoal (50 empregados no total) a trabalhar em dois turnos. Não se julgue, porém, que o turno da tarde tem uma vida mais facilitada. “É nessas alturas de menor movimento que nos ocupamos das limpezas e preparamos os ingredientes para as sandes e saladas e alguns pratos, como as sobremesas, por exemplo, para o dia seguinte”, esclarecem.

Cinco RESTAURANTES e A VIDA FAMILIAR

A dupla não se queixa da falta de fornecedores adequados. “Ao contrário do que se pensa, existe tudo em Angola. Trabalhamos sobretudo com a Fazenda Girassol para as saladas e legumes e a Casa dos Frescos para produtos importados como os queijos ou o salmão fumado. Fazemos questão de ter sempre tudo o que oferecemos no menu. Não há nada mais desagradável do que ir a um restaurante e os pratos não estarem disponíveis.”

A maior dificuldade, segundo as fundadoras, acaba por ser a gestão dos recursos humanos. “Contratamos os empregados através de anúncios nos jornais e somos nós que fazemos as entrevistas de recrutamento. Depois a formação é feita no local — às vezes por nós, outras pelos supervisores de turno”, diz Belinda.

Ângela acrescenta que a rotação do pessoal — uma queixa frequente entre os empresários da restauração — não é elevada. “A maioria dos empregados está connosco desde o início. Só os motoboys é que rodam mais.” Agora que o negócio está a crescer rapidamente as empresárias estão à procura de um gerente. “Talvez assim um dia nós possamos tirar férias juntas”, diz Belinda entre sorrisos. É que além de parceiras de negócio as fundadores são também amigas. “Só assim, com grande entreajuda e boa disposição, é que se consegue gerir negócios exigentes como este”, justifica Ângela.

A dupla de fundadoras não acredita que o facto de serem mulheres seja uma desvantagem. “Pelo contrário. Julgo até que os funcionários e os fornecedores nos respeitam mais quando vêem que são duas mulheres empreendedoras que gerem o negócio”, diz Ângela. Belinda, por sua vez, julga que “as mulheres, de uma forma geral, têm mais garra empresarial e a capacidade de gerir várias tarefas em simultâneo”. Uma virtude essencial para quem também é mãe (Belinda tem um rapaz e Ângela duas meninas) e necessita de conciliar a gestão de cinco restaurantes (que facturam 1 milhão de dólares por ano) com uma vida familiar preenchida. No mundo “ponto.com” em que vivemos é preciso empresárias assim: que fazem depressa e bem.

Sandwich.com

Data de fundação: 2009

Sector: Restauração

Unidades: Maculusso, Sonils, Viana, Vila Alice, Fitness Club














http://sandwichangola.com
Quote:
A Sandwich.com é uma marca exclusivamente angolana, pertencente à empresa Sandwich.com Lda., uma empresa angolana



Two more powerful women! Chapeau!
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Old July 3rd, 2012, 10:05 PM   #135
AngolanoMan
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Alguém pode excluir essas pessoas brancas aqui? Eles são colonialistas. Eles não são angolanos. Ninguém os quer em Angola, meu país. Angola é um país negro. Estamos orgulhosos dela!


Can someone delete those white people here? They are colonialists. They are not Angolans. Nobody wants them in Angola, my country. Angola is a black man country. We are proud of it!
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skytrax
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Alguém pode excluir essas pessoas brancas aqui? Eles são colonialistas. Eles não são angolanos. Ninguém os quer em Angola, meu país. Angola é um país negro. Estamos orgulhosos dela!


Can someone delete those white people here? They are colonialists. They are not Angolans. Nobody wants them in Angola, my country. Angola is a black man country. We are proud of it!
Caro AngolanoMan, eu faço muito gosto que este forum receba cada vez mais novos membros e desejo-te desde já as boas vindas. Mas eu, enquanto moderador deste espaço não vou de todo admitir comentários deste género. Este é o forum com regras e as mesmas são para serem cumpridas. Portanto, se o amigo não está para conviver com outros que não àqueles do seu tom de pele, então sugiro que guardes isso para si de modo a tornar a sua presença aqui mais harmoniosa.

Obrigado!
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Kizaca
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Caro AngolanoMan, eu faço muito gosto que este forum receba cada vez mais novos membros e desejo-te desde já as boas vindas. Mas eu, enquanto moderador deste espaço não vou de todo admitir comentários deste género. Este é o forum com regras e as mesmas são para serem cumpridas. Portanto, se o amigo não está para conviver com outros que não àqueles do seu tom de pele, então sugiro que guardes isso para si de modo a tornar a sua presença aqui mais harmoniosa.

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Sky esta cena esta transformar-se num covil de racistas. Tens de agir...
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Por enquanto o aviso fica dado. Vamos ver se o jovem se acalma..
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Old July 5th, 2012, 12:07 AM   #139
xrtn2
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Sera que ele eh realmente angolano, ou esta usando Google Tradutor ??
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"O homem com a perda do Éden saiu a construir cidades do amor próprio, buscando a glória humana nos limites da pólis pois sabia que não poderia eleger a si mesmo como o fim último"

Santo Agostinho
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Sera que ele eh realmente angolano, ou esta usando Google Tradutor ??

O que você está falando? Eu sou angolano e estou muito orgulhoso do meu país e meu povo.
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