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Old October 18th, 2006, 08:30 PM   #21
JohnnyMass
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na foto ta um cadinho sujinho pena k é um portal tão bonito!!
estava bem mais sujo na foto antiga!
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Old October 18th, 2006, 08:34 PM   #22
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ya embora a foto ja esteja um pouco calcificada pelo tempo sabes algo da historia concreta do portal? tentei ir ao sitio mas n abre, a minha duvida é se as estatuas serão tb quinhentistas!!
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Old October 18th, 2006, 09:03 PM   #23
Aka
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PINTOS!!!
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Old October 18th, 2006, 09:54 PM   #24
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Colégios universitários

Muito provavelmente. Estes monumentos estão bem documentados nos sites do IPPAR e DGMN. Os colégios universitários, colégios da Rua da Sofia (sabedoria), fazem parte da Coimbra renascentista e foram edificados no século XVI com o patrocínio de pessoas e instituições de forma a colocar lá os seus alunos. O ensino universitário esteve na mão da igreja até ao século XVIII.
De facto o que hoje se chama de universidade não é mais do que a aglomeração arquitectónica de vários colégios, feita no tempo do Marques de Pombal.
Coimbra teve de especial tem o facto de todo o seu desenvolvimento, posterior à romanização, ter sido condicionado pela presença da Igreja. Nenhuma outra cidade portuguesa teve um numero tão elevado de colégios universitários - 23 -, estando a sua estrutura marcada pela implantação física destes edifícios , seja ela pontual ou baseada em plano.
Estas instituições foram adquirindo pedaços de terreno que se aglutinaram em grandes propriedades , contíguas que formaram um circulo ou "ring" , estrangulador da natural expansão da cidade até ao século XIX , data em que foram extintas as ordens religiosas em Portugal e integrados os seus bens no património do Estado.
O Estado por sua vez , alienou-as , na sua maioria , em hasta pública , passando a propriedade da mão da Igreja para a mão de particulares , dando origem ao aparecimento de quintas agrícolas que mantém o "ring" verde em torno da cidade.

[…Coimbra Renascentista
Em 1500 , Frei Brás de Braga , homem despótico e firme nas suas convicções , presidia os destinos do todo poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
A ele se atribui o rasgamento da rua da Sofia (sabedoria), à época a rua mais larga do país (12 a 15 metros) , constituindo um enfiamento recto entre dois pontos, uma porta da cerca da cidade e o próprio mosteiro de santa Cruz , o qual remata a rua, embora não de uma posição frontal. sobreposto , num plano mais alto e ligeiramente recuado , aparece o conjunto dos palácios reais que constitui a universidade. Há aqui algum paralelo com a cidade clássica Grega.
Vai ladeá-la um conjunto de edifícios destinados a colégios universitários , sejam destinados ao ensino pré-universitário , ou para estudos pós-graduação de preparação para o doutoramento. Basicamente são destinados ao clero e ás suas ordens religiosas aos nobres e aos homens livres, que sobre o alto patrocínio de um "Grande Senhor" , por vezes ligado também a um mecenas da época , cujo paralelo com o "príncipe renascentista" é obvio , manda construir grandiosos edifícios - palácios, para aí colocar os seus "protegidos/ embaixadores" , para desenvolverem os seus conhecimentos e prestigiar a ordem que representam.
Paralelamente nas Igrejas dos colégios , a família nobre que participou o financiamento do edifício , integradas " Honóris Causa" na ordem como corpo laico , pagavam a construção de capelas laterais , com direito a culto e jazigo , que nesta época renascentista conheceu particular desenvolvimento escultórico. No caso do colégio e Igreja já se encontrassem construídos , poder-se-ia pagar uma "indemnização" proporcional , com vantagem para os dois lados , segundo a mentalidade da época.Os principais parques verdes actuais da cidade, Santa Cruz e Jardim Botânico , foram projectados e construídos para a Universidade e para os monges de Santa Cruz , nos terrenos das "cercas" colegiais.…], in, MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra - A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de Um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, policopiado, tese de mestrado em arquitectura e planeamento urbano, Faculdade de Arquitectura e Planeamento da Universidade de Poznan, Poznan, 1996.

Sobre os colégios universitários veja-se, Vasconcelos , António de , "Escritos Vários", Fundação Calouste Gulbenkian e Reitoria da Universidade de Coimbra , Coimbra , 1987.
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Old October 19th, 2006, 12:13 AM   #25
daniel322
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PINTOS!!!
bebedo.. :P
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Old October 19th, 2006, 12:41 AM   #26
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Old October 19th, 2006, 12:43 AM   #27
daniel322
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conversa de coimbrinhas......
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Old October 19th, 2006, 12:46 AM   #28
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quem são os pintos?
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Old October 19th, 2006, 12:51 AM   #29
daniel322
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isso agora....
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Old October 19th, 2006, 12:53 AM   #30
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passaste lá em frente qd fomos à univ.. era logo quase em frente ao portal que aparece nas fotos do thread do palacio da justiça, atras do museu machado de castro.. uma pequena tasca
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Old October 19th, 2006, 12:01 PM   #31
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isso acontecia na Europa toda Godin, o enssino era ministrado de inicio pelos mosteiros e depois por colégios religiosos proprios para o efeito.
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Old July 27th, 2007, 01:59 AM   #32
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Coimbra - Rua da Sofia ou Sabedoria

A Rua da Sofia















As ultimas 3 imagens foram extraídas da Revista Monumentos, n.º 25 integrada num artigo de ROSSA, Walter "a Sofia: Primeiro episódio da reinstalação moderna da Universidade portuguesa"…


O Colégio do Carmo



















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Last edited by O Prof Godin; July 31st, 2007 at 02:39 AM.
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Old July 27th, 2007, 02:19 AM   #33
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Introdução

O mito das grandes cidades tem decaído gradualmente com a relação tempo-percurso que quotidianamente cada habitante tem que gastar no seu dia a dia. Paralelamente o que se chama "cultura urbana" e o "culto da personalidade individual" tem-se generalizado a todo o território, o que é uma contradição pois a cidade é um monumento ao colectivo.
Nesta dicotomia vive a Europa e os seus habitantes. Raramente se identificando com o local de residência , nascidos e criados num outro tempo e possivelmente noutro lugar , vivem em eterno conflito entre abdicar das infinitas oportunidades e serviços que a grande urbe lhe pode proporcionar e o viver num meio à escala humana.
Verdadeiro tesouro artístico , a cidade Europeia é especialmente caracterizada , marcada no tempo pela história nas suas vertentes , arquitectónicas artísticas e urbanísticas , individualiza-nos como espaço continental , que exerce enorme fascínio , facilmente percebível pela enorme fluxo turístico que todos os anos aflui à Europa.
Os centros históricos das cidades são verdadeiras ilhas de cultura. Construídos ou planeados ao longo de séculos , dimensionados a pensar no indivíduo e não no automóvel , constituem camadas estratificadas de história definidas por círculos ou pontos de referência que se desenvolvem à volta dos núcleos iniciais, factos de referência naturais e artificiais.
A viagem no tempo é pois possível a quem gradualmente for penetrando atentamente na cidade até atingir o núcleo inicial.

A cidade ibero muçulmana , em que se aglutinam culturas tão diferentes como as celtas , a greco-romana e a árabe com o seu ritmo labirinto-malha-labirinto forma um caso à parte na cultura do sul mediterrâneo.

Sociedade baseada na guerra e na agricultura , só muito tardiamente conheceu um esboço de mercantilismo , sempre virado para o exterior , e que pouco marcou a cidade. Aqui a cultura monacal enraíza-se , não cedendo o lugar ao mercantilismo mas assimilando-o , e perdura até ao século XIX.

Sociedade marcada pelo poder de um só senhor que a conquista - o rei, dono supremo de todo o território , desde a sua fundação -, é gerida por dois poderes - temporal e espiritual- , cuja aliança se mostrou arma eficientissima.

Depois da reconquista estes dois poderes vão andar lado a lado durante 900 anos legitimando-se, guerreando-se e justificando-se mutuamente.
Em vez de ducados , principados ou cidades-estado , aqui vai-se encontrar um só território , e um só senhor que, itinerantemente, vai construindo Paços , Castelos Residência e Mosteiros-Fortaleza , onde vive e reina por curtos períodos de tempo , e cuja administração delega sabiamente a uma nobreza suficientemente vasta para que jamais se lhe oponha.

Os grandes senhores terratenentes são sobretudo a Igreja com as suas ordens religiosas e os bispos. Nomes como Avís , Távora , Bragança ou Cadaval aparecem pontualmente para confirmar a regra.

Toda a virilidade de um povo é transposta para a guerra de um Império disperso pelos 5 continentes , grande de mais e longe de mais para ser eficazmente administrado.

Cedo a Igreja chama a si o privilégio do ensino em Portugal. Com a fundação do Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra aparece o primeiro grande polo difusor de cultura , que inicialmente duma forma escolástica vai-se desenvolver e instituir em forma de Universidade.

A cidade de Coimbra faz parte do numero reduzido de aglomerados urbanos que não foram fundados. Típica formação da cidade portuguesa , nascida de geração espontânea , sobrevivente ao processo de selecção natural que se deu em Portugal , tem em si marcada a passagem de todas as épocas ou ciclos mais importantes da história e da arte , que tiveram lugar na Europa desde a idade clássica até hoje.

De especial tem o facto de todo o seu desenvolvimento, posterior à romanização, ter sido condicionado pela presença da Igreja. Nenhuma outra cidade portuguesa teve um numero tão elevado de colégios universitários - 23 -, estando a sua estrutura marcada pela implantação física destes edifícios , seja ela pontual ou baseada em plano.

Estas instituições foram adquirindo pedaços de terreno que se aglutinaram em grandes propriedades , contíguas que formaram um circulo ou "ring" , estrangulador da natural expansão da cidade até ao século XIX , data em que foram extintas as ordens religiosas em Portugal e integrados os seus bens no património do Estado.

O Estado por sua vez , alienou-as , na sua maioria , em hasta pública , passando a propriedade da mão da Igreja para a mão de particulares , dando origem ao aparecimento de quintas agrícolas que mantém o "ring" verde em torno da cidade.
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Old July 27th, 2007, 02:21 AM   #34
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Biblo e estatísticas

- Gonçalves , A. Nogueira , "Os Colégios Universitários de Coimbra e o Desenvolvimento da Arte" , in " A Sociedade e a Cultura de Coimbra no Renascimento" , Actas do Simpósio Internacional Organizado Pelo Instituto de História da Arte da Universidade de Coimbra , Epartur , Coimbra , 1982. - Conteúdo - Comunicação sobre a influência dos colégios da "Alta" e o desenvolvimento da arte em Coimbra e sua região.

Evolução da população Coimbrã

Ano 0 a 300 3.000 habitantes
1417 21.300
1527 6.000
1548 1.200 na Universidade e 100 no Colégio das Artes
1570 12.000 1.000 na Universidade 3.000 nos Colégios
1721 13.000
1739 14.000
1765 16.000 4.629 matriculados na Universidade 3.371 nos colégios extintos.
1798 15.830
1801 15.000
1832 12.000
1840 12.002
1864 17.768
1881 19.374
1890 23.487
1900 25.188
1920 30.010
1940 41.766
1950 48.858
1970 56.000
1991 100.000
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Old July 27th, 2007, 02:29 AM   #35
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Coimbra Renascentista

Coimbra Renascentista

Em 1500 , Frei Brás de Braga , homem despótico e firme nas suas convicções , presidia os destinos do todo poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
A ele se atribui o rasgamento da rua da Sofia (sabedoria), à época a rua mais larga do país (12 a 15 metros) , constituindo um enfiamento recto entre dois pontos, uma porta da cerca da cidade e o próprio mosteiro de santa Cruz , o qual remata a rua, embora não de uma posição frontal. sobreposto , num plano mais alto e ligeiramente recuado , aparece o conjunto dos palácios reais que constitui a universidade. Há aqui algum paralelo com a cidade clássica Grega.

Vai ladea-la um conjunto de edifícios destinados a colégios universitários , sejam destinados ao ensino pré-universitário , ou para estudos pós-graduação de preparação para o doutoramento. Basicamente são destinados ao clero e ás suas ordens religiosas aos nobres e aos homens livres, que sobre o alto patrocínio de um "Grande Senhor" , por vezes ligado também a um mecenas da época , cujo paralelo com o "príncipe renascentista" é óbvio , manda construir grandiosos edifícios - palácios - para aí colocar os seus "protegidos/ embaixadores" , para desenvolverem os seus conhecimentos e prestigiar a ordem que representam.

Paralelamente nas Igrejas dos colégios , a família nobre que participou o financiamento do edifício , integradas " Honóris Causa" na ordem como corpo laico , pagavam a construção de capelas laterais , com direito a culto e jazigo , que nesta época renascentista conheceu particular desenvolvimento escultórico.
No caso do colégio e Igreja já se encontrassem construidos , poder-se-ia pagar uma "indemnização" proporcional , com vantagem para os dois lados , segundo a mentalidade da época.


Eduardo Cardoso Mascarenhas de Lemos, "A Cidade Renascentista:
O Plano da rua da Sofia do séc. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista", in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, Tese de Mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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Old July 27th, 2007, 02:36 AM   #36
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Tipologia

Tipologia

Os edifícios tem uma cercea mais ou menos regular que varia em média entre os 12 e os 15 metros , com 3 a 4 pisos , com uma arquitectura relativamente austera e classicista , com uma decoração de transição, sobretudo no seu interior, composta por elementos renascentistas portugueses , manuelino e barroco.

Os edifícios tem frente consideravelmente comprida para a rua , de cercea uniforme rematando no corpo da Igreja , que se eleva ligeiramente nas suas torres e frontão , por vezes suportado por colunas clássicas.

A planta é de origem conventual , com claustro quadrado , loggia sobreposta ladeando a Igreja ou Capela adjacente com a qual liga por porta. A Igreja é de Nave alta , elevando-se as capelas dos flancos até meia altura. O cruzeiro é de um tramo e a capela-mor é profunda dada a necessidade de implantação do cadeiral que entre outras funções servia de sala de aula.

O programa revela notáveis evoluções em relação à idade média. Na parte térrea desenvolvem-se os salões de aula , zonas de refeitório , separado da cozinha e restantes repartições utilitárias . Na parte alta aparece-nos a figura do corredor interior , inovação tipológica da época , que distribui as "celas-apartamento", ora para os dois lados ( risco ao meio) ou só para um dos lados.

A "cela-apartamento" é efectivamente uma novidade. A distinção de funções e zonamentos na habitação a que se vai assistir no Paço ou Palácio Senhorial, tem aqui um primeiro exemplo. O "apartamento-Tipo" , era constituído por duas divisões , uma mais pequena com a função de dormir - alcova - interligada com outra maior com função de escritório. Este ritmo programático vai criar um outro ritmo de fenestrações ainda hoje visível , marcado por uma cadência exterior com correspondência interior: janela grande - escritório , janela pequena - alcova.

A estrutura social destes colégios era bem diferenciada e estratificada. Assim havia colégios para ricos , para pobres , para nobres , para laicos e para o clero.

Na Rua da Sofia contaram-se 7 colégios renascentistas , com outras tantas Igrejas anexas , de um conjunto de 20 que se enumeraram terem sido construidas na época e mais 3 posteriormente. Não se contaram as que se desdobraram em mais de um edifício, nem as que se juntaram para formar um colégio.

A maior parte destas escolas foram integradas na Universidade e perfaziam um numero de 23 escolas distintas construidas entre 1539 e 1779.
Assim se edificou o maior conjunto renascentista , universitário e religioso do País e talvez da Europa, eventualmente o primeiro campus universitário do país…

Eduardo Cardoso Mascarenhas de Lemos, "A Cidade Renascentista:
O Plano da rua da Sofia do séc. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista", in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, Tese de Mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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Old July 27th, 2007, 02:50 AM   #37
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Obras da Rua da Sofia
O Jardim da Manga: "apenning ou folie" - de caracter festivo, inicialmente temporário , integrado no conjunto de construções existentes na época, muito diferentes da actualidade, para receber o Rei D. João III , quando da sua deslocação a Coimbra. Data - 1533. Arquitecto - João de Ruão. Patrocinador - Frei Brás de Braga. Temática- Representa a fonte da vida que jorra do templete central sobre colunas , para 8 tanques agrupados a par simbolizando os rios do paraíso ou universo , rodeado de quatro cubelos ou capelas.

A beleza estética de este conjunto nunca é demais observar…

























O Colégio de S. Tomás: Fundado em 1539 perto do rio , teve de se transferir para o actual local dado o assoreamento do rio e suas inundações. As actuais instalações são do tempo do Dr. Fr. Martinho de Ledesma , ao tempo lente de Escritura na Faculdade de Teologia. O Portal do colégio encontra-se hoje no Museu Machado de Castro aplicado na fachada que dá para o largo de S. Salvador. Foi comprado pelo Conde do Ameal no séc. XIX , que o adaptou a residência- projecto do arq.º Silva Pinto. Já neste século foi adaptado a Palácio da Justiça , pelo arq.º Manuel de Abreu Castelo Branco. Conserva o claustro original que é atribuído a Diogo de Castilho. O frontão actual foi desenhado pelo escultor Henrique Moreira e executado pelo escultor João Machado Júnior . Os Portões de ferro forjado , lustres e lanternas interiores são de Daniel Rodrigues , Albertino Marques e Manuel de Abreu Castelo Branco. Os paineis de azulejos que forram os claustros são de Jorge Colaço. Ordem- S. Domingos. Data - 1546/1830. Arquitecto - (?)Patrocinador -(?). Área- Teologia e Filosofia.



Portal hoje no Museu Machado de Castro











As ultimas 4 imagens foram extraídas da Revista Monumentos, n.º 25 integrada num artigo de FUIGUEIREDO, Rute "Arquitectura Judicial. O Palácio da Justiça de Coimbra"…
Como já aqui o disse, antiga residência do Visconde do Ameal, adaptado a Palácio da Justiça em 1929, pelo meu tio Manuel de Abreu Castelo Branco…

O Colégio de Nossa Senhora do Carmo: - Hoje Hospital Asilo da Ordem Terceira Franciscana da Penitência, muito alterado , do original só resta a Igreja atribuída ao Mestre de Obras Francisco Fernandes , que no seu interior tem retábulos dos irmãos coelho , e posteriores pinturas maneiristas de Simão Rodrigues e Domingos vieira Serrão. O Claustro é de 1600 , classicista de 2 pisos , estando o piso de baixo revestido com paineis de azulejos da fabrico Coimbrão da época rococo. Ordem - Carmelitas. Data-1540/95. Arquitecto- Diogo Castilho. Patrocinador - Bispo do Porto , D. Fr. Baltasar Limpo, por D. Jõao III e pelo Bispo de Portalegre D. Fr. Amador Arrais. Área - Teologia e Cânones.























































Fonte: www.monumentos.pt

O Colégio de Nossa Senhora da Graça: Hoje Quartel Militar , foi Hospital no tempo da Guerra Miguelista. Pode observar-se o interessante ritmo de fenestrações ainda hoje visível , marcado por uma cadência com correspondência interior: janela grande - escritório , janela pequena - alcova. A Igreja é de 1555. Ordem - Eremitas Calçados de Santo Agostinho. Data-1543/48. Arquitecto- (?) Patrocinador -D. João III. Área - Teologia e Cânones.

















Fonte:www.monumentos.pt





As duas ultimas fotos referem-se a uma reconstrução conjectural da planta base do colégio e uma foto do claustro, extraídas da Revista Monumentos, n.º 25 integrada num artigo de Lobo, Rui "Os Colégios Universitários de Coimbra:…"

O Colégio Pontifíco e Real de S. Pedro: Hoje Casa de Saúde de Coimbra e Asilo da Mendicidade. Bastante alterado, pertence em parte também à ordem Terceira. Ocupava o espaço entre a casa de saúde de Coimbra e a actual Igreja de S. Pedro que é datada de 1621. Em 1572 passa para junto da universidade. Em 1572 passou a ser o Colégio de S. Pedro dos Franciscanos Calçados(Bôrras- calão académico) que se manteve até 1834 , data da extinção das ordens religiosas. Entre 1834 e 36 ainda lá morou o Fr. António Alves Martins , mais tarde Bispo de Viseu. Em 1869 o edifício , a Igreja e a cerca eram propriedade de João Vitorino de Morais Duarte e Silva. Posteriormente instalou-se lá , por compra , em parte do edifício , o Asilo da Mendicidade que se mantêm até hoje. Na Igreja funcionou durante vários anos a Escola Dramática Afonso Tàveira que aí possuía um pequeno teatro. Ordem-Franciscanos depois de 1572. Data - 1543/48. Arquitecto -(?). Patrocinador - Dr. Rui Lopes de Carvalho depois Bispo de Miranda. Área- Teologia e Cânones - clérigos pobres.

O Real Colégio das Artes: Formado a partir de duas construções , originalmente , denominadas Colégio de S. Miguel (1535/47) , pertença de Santa Cruz e destinava-se a alunos canonistas e teólogos para fidalgos abastados , e Colégio de Todos os Santos.(1535/47), pertença também de Santa Cruz e destinava-se a alunos honrados e pobres. Foi mais tarde sede da Inquisição que deu nome ao largo fronteiro. Data -1547 a 1566 data da fundação do novo colégio na Alta - hospitais. Ordem - Jesuítas. Arquitecto - Diogo Castilho. Patrocinador -Frei Brás de Braga e D. João III. Importância - Foi aqui que o arq.º Castilho aperfeiçoou o desenho tipológico das partes baixas dos claustros dos colégios que haveria de se generalizar na cidade no séc. XVI. Construtivamente afirmaram-se aqui as formas da renascença como novo estilo independente. Professores - Leccionaram aqui nomes como André Gouveia ; Diogo de Teive ; Jorge Berchanan ; Elias Vinet ; Nicolau Grouchi ; Vicente Fabrício entre outros.



Depois de 1548, Colégio das Artes









Nas fotos aéreas pode-se observar o edificado e adaptado pelo arquitecto João Mendes Ribeiro.

Imagens foram extraídas da Revista Monumentos, n.º 25 integrada num artigo de CRAVEIRO, Maria de Lurdes "O Colégio das Artes"…

O Colégio do Espírito Santo ou de S. Bernardo: Pertencia à ordem de Cister. Foi transformado num palacete no séc. XIX. Mantêm um interior escultórico renascentista e paineis de azulejo na escadaria de acesso e no claustro que se desenvolve ao nível do primeiro anda. Muito degradado. Possui 2 claustros. Ordem - De Cister. Data-1545/50. Arquitecto- (?). Patrocinador -Cardial-Infante D. Henrique. Área - Línguas Clássicas e Orientais.

















Fonte:www.monumentos.pt

O Colégio de S. Boaventura: Rua da Sófia nº73 a 85. Muito alterado. Totalmente reconstruído em 1715. Vendido pela fazenda publica em 1859 , hoje lojas comerciais e habitações. Ordem - Franciscanos Conventuais da Província de Portugal (Os Venturas- Calão académico) , capuchos de S. António e Franciscanos do Algarve (Os Pimentas - Calão Académico). Data-1550/1634. Arquitecto- (?). Patrocinador -D. João III.








A Igreja de S. Domingos: Inacabada hoje Centro Comercial, pertencia ao convento de S. Domingos ( séc. XIII). A capela do Tesoureiro é obra de João de Ruão. Foi transplantada para o Museu Machado de Castro. Data-1560.














































Constituem juntamente com o mosteiro "Mãe" de Santa Cruz , o primeiro conjunto renascentista de Portugal e de Coimbra.
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Old July 27th, 2007, 02:51 AM   #38
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Estrutura Social da cidade de Coimbra no século XVI

Estrutura Social da cidade de Coimbra no século XVI

A estrutura social da cidade de Coimbra no princípio do séc. XVI , antes da Universidade se instalar definitivamente em 1537 , não seria muito diferente de outra cidade " média " portuguesa. Na sua zona natural do centro continuava a liderar. Leiria , Aveiro , Viseu , Guarda, Covilhã e Castelo Branco são centros menos populosos. Lisboa , Porto e Évora apresentavam maior numero de habitantes.
No numeramento de 1527 , são citadas 14 cidades . A norte do Douro , Braga , Porto e Bragança. A sul do Douro até ao Tejo , Lamego Viseu , Guarda , Coimbra , Egitânia e Lisboa. A Sul do Tejo , Elvas , Évora , Beja , Tavira e Silves. Não são referidas as cidades de Lagos , Santarém e Leiria.
Lisboa teria uma população aproximada de 60.000 habitantes , o Porto , 12.024 , Évora , 11252.
Em 1417 foram apurados 21.300 almas em Coimbra . Segue-se o enorme surto da peste negra de 1423/91 que reduziu a população para 1/3 do que era. Em 1537 , quando da instalação da Universidade a população rondava as 6.000 almas das quais só 1/3 morava na Almedina ( 1527 almas). 40 anos depois , em 1570 estimava-se em 12.000 almas a população presente, dos quais 4.000 são estudantes divididos pela Universidade- 1.000 , e pelos colégios-3.000. Estes números revelam um período de recessão e outro de rapidissima evolução, o que nos leva a supor que foi acompanhado por forte inflação no preço de todos os bens de consumo , com as inevitáveis complicações sócio - económicas. Por outro lado desenvolve-se na época um conjunto de serviços e comercio paralelo `as necessidades de uma nova clientela endinheirada. Coimbra não produz , consome , como qualquer outro grande centro de serviços. Tudo vem de fora . criam-se feiras novas para o abastecimento da Alta na novissima Praça de Lovaina ( descrever). Gera-se riqueza , comercio e serviços. Os movimentos pendulares de toda uma população residente fora de Coimbra , nas vilas e aldeias das cercanias, e que vêem a Coimbra vender os seus produtos acentua-se.
O pico atinge-se em 1765. Há 16.000 habitantes para 8.000 alunos , 4.629 matriculados na Universidade 3.371 nos colégios extintos. . Daqui para a frente a evolução da população vai ser gradual e lenta , conhecendo mesmo algum decrescimento , facto ao qual não deve ser estranho a imigração para as colónias do império , as guerras e invasões que Portugal conheceu.
Em 1500 o clero e a nobreza era 20% da população , contando com os cavaleiros e escudeiros ( categorias da nobreza mais baixas) que prefaziam 10% da população geral .
A Nobreza adquiria-se por geração , armas , filhamento ou letras. Este estatuto que é regido pela " lei da nobreza" , obriga o nobre a manter um aparato de gente a sua volta. Cavalos, escravos, criados, e outros funcionários, tem de seguir o seu senhor. A riqueza é condição de nobreza. O nobre não pode trabalhar. Mas a riqueza ainda não é condição de acesso à nobreza.
A sociedade que vamos encontrar em Coimbra no séc. XVI e se vai desenvolver é relativamente complexa. A depreciação do trabalho manual e a retribuição de serviços em forma de dinheiro era sinónimo de ganho vil. A honra é a recompensa da nobreza , não o proveito. Honrado é o nobre que não trabalha ,(no sentido actual da palavra trabalho algo de eterno , pesado e duro -Isso sim é trabalho), Guerreia e descansa. A ociosidade virá mais tarde.
Esta noção de honra, vai ser interpretada e conotada com o sentido de limpeza.


Eduardo Cardoso Mascarenhas de Lemos, "A Cidade Renascentista:
O Plano da rua da Sofia do séc. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista", in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, Tese de Mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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Old July 27th, 2007, 02:58 AM   #39
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Os Príncipes Renascentistas

Os Príncipes Renascentistas

Os Reis e os altos dignitários da Igreja, o Cardeal Infante, os Bispos e os Priores das Ordens Religiosas com os seus Colégios Universitários, assumem na Coimbra quinhentista o papel de "Grandes Senhores" patrocinadores das artes e do saber.

Os seus palácios são os colégios, que como já se disse em numero de 22 , 8 na Baixa e 14 na Alta.

A primeira tipografia do País aparece em Coimbra nesta época . Na Universidade e nos colégios ensinava-se Cânones, Teologia, Filosofia, Leis,Medicina, Matemática, Artes, Instituta e Musica. Aparecem os novos Hospitais.
Aqui se vai formar os homens que vão "comandar", gerir e administrar todo o Império.

A Arquitectura
Durante este período de 100 anos , transição da sociedade medieval para a sociedade barroca, há 3 grandes "escolas-práticas" de arquitectura e construção.

Não existindo propriamente faculdades de arquitectura, o processo normal de aprendizagem advinha com a pratica projectual e construtiva assimilada junto a Mestres Arquitectos.

Na pessoa do arquitecto encontrava-se o pintor, o escultor, o marceneiro, o pedreiro ou canteiro e o engenheiro. Como já se viu o acesso à carreira de Mestre passava por um longo período de aprendizagem junto a um Mestre já reconhecido e autorizado. Iniciando-se como aprendiz, atingia-se o grau de obreiro e depois de Mestre. Se demonstrava aptidões para o "risco" poderia chegar ao estatuto de Mestre Arquitecto. Muitas vezes o acesso ao cargo vinha de Pintores, entalhadores e escultores, desde que tivessem ou adquirissem conhecimentos construtivos. A longa permanência em obra levava o indivíduo a tomar contacto com as variadas áreas e técnicas da construção.

Dado o largo período de tempo que levou à construção da "cidade universitária" de Coimbra , formou-se um imenso laboratório experimental, onde desde as técnicas à própria ideologia, tudo corria, onde se cruzavam homens das mais variadas nacionalidades, trazendo correntes de pensamento novas acrescidas da experiência vivida pelo contacto directo com outras civilizações. Este enorme estaleiro levou à fixação de diversos mestres na cidade , e à abertura de "ateliers" das diversas áreas da arte.

Na Batalha , perto de Leiria , a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória , levou ao aparecimento de uma outra escola de arquitectura.

Em Lisboa a construção dos "Jerónimos", vai assumir semelhante papel

Eduardo Cardoso Mascarenhas de Lemos, "A Cidade Renascentista:
O Plano da rua da Sofia do séc. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista", in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, Tese de Mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
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Old July 27th, 2007, 03:12 AM   #40
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A cidade Alta

A cidade Alta

A cidade Alta Renascentista de Coimbra vai aparecer gerada à volta de um conjunto de edifícios que constituiam a Universidade e os colégios Universitários. Efectivamente podem-se dividir em duas grandes classes: os que pela sua forma e implantação no terreno vão dar origem ao aparecimento de praças , malhas e traçados ortogonais e os que se limitam a preencher espaços vazios.



Colégios da Alta Geradores de Espaços Ortogonais
O colégio de Jesus (Jesuítas) ou das Onze Mil Virgens: Foi o primeiro colégio Jesuíta em todo o Mundo. Foi o maior colégio da cidade. Aqui se prepararam os Missionários/Apóstolos que se espalharam por todo o Império Português: Índia , Japão , Etiópia , Congo , Angola , Cabo-Verde , Guiné , Brasil e América do Sul. A ordem foi extinta em 1759(A ordem foi extinta duas vezes. Em 1759 pelo Marquês de Pombal e em 1834 por Joaquim António de Aguiar ( espantosamente a cidade (? talvez o município) elegeu-lhe uma pomposa estátua no Largo da Portagem. Da segunda vez , estiveram só 2 anos (1832/34), e vieram a convite do Governo. Curioso são os nomes dos professores expulsos em 1834 que demostram a internacionalidade da Ordem.." Eram 11 padres - Alexandre Mallet , reitor ; Cipriano Margollet , ministro ; José Buckacinscki; Jorge Koulac ; Luís Dericquebourg ; Teodoro Cotel ; Alexandre Fidelis Martin ... e o Padre Miguel Mansion...",Vol.I , pp. 215 , António de Vasconcelos , "Escritos Vários", Fundação Calouste ), sendo o seu património repartido entre a Universidade (A política do Estado vai-se repetindo ao longo dos séculos. Grande parte dos bens do Mosteiro de Santa Cruz , já tinham sido integrados no património da Universidade) e o cabido. A catedral mudou-se para aqui ( Sé Nova ) em 1772. A capela - mor foi nessa altura acrescentada em comprimento introduzindo o cadeiral que veio da Sé Velha. A pia baptismal também veio da Sé Velha. A Igreja-Sé foi construída entre 1598 (primeira pedra, benzida em 1639 e inaugurada em 1640) e 1724 . Planta rectangular com 108.00 metros de comprido por 94 metros de largo , com orientação norte sul. Possui claustro , 2 jardins interiores e um pátio. Tinha ligação por passadiço superior com o colégio das Artes ( antigo hospital) e com um edifício onde estavam situadas a cozinha , dispensas e oficinas ( no lugar onde hoje está o Laboratório das Químicas). Posteriormente possuía igualmente um passadiço de comunicação com o Paço do Bispo (hoje Museu Machado de Castro) que foi demolido quando das obras da cidade universitária em 1940 , para facilitar a circulação (?!?!). Capacidade superior a 200 alunos , compreendendo , o corpo docente , criadagem , familiares e pessoal auxiliar e de serviços. Depois da reforma pombalina foi transformado em parte e adaptado pela universidade para Museu de História Natural. Fachada de 110 metros de comprido e linhas neoclássicas. O corpo central é coroado por frontão triangular preenchido por um relevo de Machado de Castro , representando a natureza. projecto do arquitecto inglês Guilherme Elsden. Possui hoje um valiosissimo património histórico-cientifico nos seus museus de Zoologia , Mineralogia e Física (Contem todo o património mineralogico e etnográfico do coronel Eduardo Martins Cardoso , que lho ofereceu quando da sua vinda de África , assim como o de muitos outros beneméritos). Ordem - Jesuítas ( Fundada por S.tº Inácio de Loiola). Data - 1542/1759. Arquitecto - Vignola ? , e Simão Rodrigues. Patrocinador - D.João III. Área- Humanidades e Ciências. Área de construção - 10.000 m2. Finalidade - Preparar e fornecer missionários. Evangelização e difusão da doutrina cristã e da cultura Portuguesa no Oriente e no Ocidente.





O Colégio Pontifício e Real de S. Pedro: Muito alterado. Hoje adaptado a reitoria e serviços administrativos. Possuía um portal (portal das cariátides), situado ao lado da actual porta férrea , hoje transplantado para o pátio da universidade e porta de acesso à reitoria. A partir de 1834 foi integrado no património da Universidade , conjuntamente com o colégio de S. Paulo. Em 1911 funcionou lá parte da faculdade de letras. Ordem - Inicialmente não especificada - Destinava-se a 12 clérigos pobres. Após a sua transferência para a Alta destinava-se a doutores e licenciados para estágio via ensino. Data-1572/1834.Arquitecto- (?). Patrocinador - Dr. Rui Lopes de Carvalho , mais tarde Bispo de Miranda ; D. Sebastião e o Papa Pio V. Área - Teologia , Cânones , Leis e Medicina. A partir da reforma pombalina passou também a admitir as áreas de Matemática e Filosofia.














Colégio de S. Paulo,

As imagens foram extraídas da Revista Monumentos, n.º 25 integrada num artigo de Lobo, Rui "Os Colégios Universitários de Coimbra:…"

No entanto a grande maioria das imagens por aqui reproduzidas são oriundas dos arquivos do Museu Machado de Castro, dos quais eu tenho cópia devidamente autorizada…


O Real Colégio das Artes:ou Escolas Menores)- Antigo Hospital da Universidade. Inicialmente instalado nos edifícios dos colégios de S. Miguel e de Todos os Santos , tiveram instalados posteriormente em edifício próprio junto a Santa Cruz durante 20 anos , após o que passaram para as instalações definitivas na Alta , junto ao colégio de Jesus , pertencente à mesma ordem e com o qual comunicavam por passadiço. Mantêm o portal inicial. Tem claustro de base quadrada com 2 pisos. A partir de 1760 passa a funcionar como Liceu. Entre 1832 e 1834 volta a funcionar com colégio Jesuíta. 1836 volta a funcionar o então liceu Nacional de Coimbra no rés do chão. 1853-hospital 1º andar e liceu no rés do chão .1870 definitivamente hospital passando o liceu para o colégio de S. Bento. Ordem - Jesuítas. Data-1568/1759. Arquitecto- (?). Patrocinador -D. João III. Área - Artes. Ensino pré-universitário.



Nesta imagem antiga (Extracto do Plano de Costa Simões, 1880, para a reforma dos hospitais) pode-se ver, da esquerda para a direita os colégios de S. Bento, S. Jerónimo, das Artes e o Hospital dos Lázaros…







































Fonte:www.monumentos.pt

O Colégio de S. João Evangelista ou dos Lóios: Inicialmente chamados para administrar o Hospital Real de Nossa Senhora da Conceição , fundado na praça do comércio em 1502 por D. Manuel I , passaram a ter instalações próprias em 1548 no arrabalde da cidade perto da Igreja de S. Bartolomeu. A partir dessa data passaram a ter acesso à universidade para estudar medicina. Em 1597 passam a ter residência na Alta. Em 1631 fundam o colégio no largo da Feira que terminam em 1638. depois de 1834 passa para a posse da universidade e logo de seguida em 1848 passa para a posse do estado. Funcionou lá o Governo Civil , a Auditoria Administrativa , a Junta de Província da Beira Litoral , a Direcção de Finanças e a Policia de Segurança Pública. Demolido aquando da desastrosa intervenção de 1940 na cidade Universitária Ordem-.Cónegos seculares de S. João Evangelista (Lóios - calão académico). Data - 1631/1834. Arquitecto - Francisco Fernandes ( também atribuído a Baltasar Alvares) . Patrocinador - D. Manuel I. Área- Medicina.



Fonte, LOBO, Rui, idem…

O Colégio Real de S. Paulo Apóstolo: Hoje inexistente. Fundado sobre edifícios do tempo da Universidade de D. Dinis , mais tarde Faculdade de Letras e hoje (1995) , Biblioteca Geral. Inaugurado em 1563 , era destinado originalmente a clérigos pobres. Após a sua conclusão destinava-se a doutores e licenciados para estágio via ensino. Em 1755 com o terramoto ficou parcialmente destruida. Foi reconstruída por Giácomo Azzolini e Giovánni Jamozi , na altura em Coimbra para construírem o Seminário Episcopal de Coimbra por ordem do Bispo-Conde D. Miguel Da anunciação. Depois da extinção dos colégios em 1834 , foi por portaria de 1836 entregue à Universidade. Em 1838 passou a sede de uma Associação de Cultura Literária e Dramática chamada "Nova Academia Dramática" que construi ali o seu teatro no claustro central. Em 1888 foi demolido todo o edifício para aí ser construído novo teatro ( Era Ministro das Obras Públicas Emídio Navarro) que nunca foi terminado. Em 1912 foi atribuído à Faculdade de Letras os terrenos e a parte da obra já feita para aí instalar a sua Faculdade. Ordem-. não especificada - Destinava-se a clérigos pobres. Após a sua conclusão , destinou-se a doutores e licenciados para estágio via ensino. Data - 1550/1834. Arquitecto - Inicial desconhecido. Reconstrução depois de 1755 - Giácomo Azzolini e Giovánni Jamozi. Faculdade de Letras -arq.º Silva Pinto. Biblioteca Geral - Cotineli Telmo e Cristino da Silva. Patrocinador - D.João III.



Vide Colégio de S. Pedro…

O Colégio de S. Jerónimo: Hoje edifícios da Universidade e Departamento de Arquitectura. Em 1549 instalaram-se nuns edifícios perto do castelo. Passaram depois para os Paços Reais até 1565 quando construíram o colégio. Foi construído sobre a muralha da cidade desde a Porta do Castelo , ao qual encostou a sua Igreja. Para a edificação tiveram que comprar parte da cerca dos Jesuítas , onde construíram a plataforma ainda hoje existente e que continuava até à rua futura rua de Entre-muros, confinando com a quinta de Santa Cruz. Mantém o portal inicial assim como a escadaria de acesso ao 1º piso. O claustro também existe embora adulterado. Sofreu com o terramoto de 1755. Depois da extinção das ordens com a portaria de 1836 é integrado no património da Universidade. Por decreto de 1848 foi destinado a Hospital , instalando-se aí o Hospital de Convalescença , partilhando o espaço com o Hospital dos Làzaros ( que vinha do Colégio de S. José dos Marianos), que aí ficou até se mudar em 1853 para o edifício do Colégio dos Militares. A partir desta data passou a ser Hospital da Universidade até ao final dos anos 80 do século XX. Ordem- Jerónimos. Data - 1565/1834. Arquitecto - (?) . Patrocinador - Rainha D.ª Catarina. (viúva de D. João III), e o Cardial-regente D.Henrique e D. Sebastião. Área- Medicina.





















, são os pontos estruturadores do espaço ortogonal renascentista que vai surgir dentro da cintura medieval da cidade.

A 1.ª Praça urbana Renascentista - O largo da feira ou a Praça de Lovaina - Ainda existe embora muito alterada e regularizada pelas obras de 1940. É aqui que ainda hoje se procede à queima das fitas e que parte a grande festa académica do desfile de carros enfeitados representantes de cada Faculdade ou Departamento da Universidade , que percorre as ruas da cidade.
A construção do conjunto Jesuítico , Colégio de Jesus e Colégio das Artes dá origem à primeira praça formal de carácter urbano que se articula entre estes dois colégios e o Paço dos Bispos. A denominação vem de uma feira-franca que existia às Terças e Sextas-feiras , instituída por D. João III em 1540 a pedido do Reitor , Lentes , Deputados , Conselheiros , Estudantes e Oficiais da Universidade , a fim de se abastecerem. Só vendia peixe.

Aqueduto da S. Sebastião - Para o abastecimento de água à Cidade Alta , sobretudo ao colégio da companhia de Jesus. Foi reconstruído por Felipe Terzi em 1570. O aqueduto então em ruínas é de origem atribuida à época romana. O actual tinha 21 arcos e 1000 metros de comprido.

A Malha Ortogonal Renascentista
Este grupo de edifícios conjuntamente com o Colégio das Artes , vai definir a 1ª praça formal , construída de raiz com funções de praça -largo da feira/praça de lovaina - e vai marcar definitivamente a malha ortogonal que se vai desenvolver na Alta de Coimbra até aos dias de hoje. 1.600 anos depois dos romanos outra cultura deixa a sua marca ortogonal onde se pode ler claramente o Cardos e o Decumanos. Na verdade , a desastrosa intervenção de 1940 na cidade Universitária , obedece a princípios classicistas ou renascentistas. Malha ortogonal , enfiamentos rectos com remate em elementos monumentalistas com um cheirinho barroco explorado com a introdução da escadaria monumental que se desenvolve verticalmente no fim de um enfiamento recto , rematada pelo "Templo Intelectual", um pouca à maneira do "Sacro-Monte ou Templo dos Altos do séc. XVIII (fig.20).


Outros colégios da Alta Geradores de Espaços Não Ortogonais

Dentro e fora de muralhas, encostados ou sobrepostos a elas, aparecem neste mesmo período , ou temporalmente no seu seguimento cronológico, um conjunto de edifícios , ligados ás ordens religiosas, que vão completar o maior conjunto arquitectónico renascentista do País: Colégio da Santíssima Trindade: Ruiu Há uns anos . Anda a ser reconstruído. Em 1552 já tinham instalações colegiais provisórias. Em 1562 começaram a construir o colégio. O corpo virado à Couraça de Lisboa era rematado por uma Varanda/loggia Italiana , renascentista. O culto religioso da Universidade realizava-se aqui quando a Real Capela estava impedida. Depois da extinção das ordens religiosas foi vendido em hasta pública em 1849 a um professor do Liceu de Coimbra Padre Manuel Simões Dias Cardoso por 3.200$000 réis, ficando a Igreja , claustro e dependências , para a Câmara Municipal. Em 1895 foi comprado pelo Arcediago José Simões Dias por 4.400$100 réis. Posteriormente funcionou no edifício um colégio feminino de nome Rainha Santa Isabel. No claustro e Igreja funcionou uma marcenaria e um armazém de móveis. Depois de ruir (1987??), penso que a Câmara Municipal o adquiriu e hoje (1995) está em obras de restauro. Ordem- Santíssima Trindade da Redenção dos Cativos.Data - 1562/1834. Arquitecto - (?) . Patrocinador - Fr. Roque do Espírito Santo e a Rainha D.ª Catarina;


Planta conjectural…

o Colégio de S. Bento:Hoje Instituto Botânico e Museu e Laboratório da Antropologia. Fundado pelo Fr. Diogo de Murça em 1555 , provisoriamente instalados nos Paços Reais para os Monges-estudantes de S. Bento. A ordem comprou uns terrenos ,fora da cidade murada , num lugar chamado "Genicoca", cuja cerca se foi estendendo até ao rio Mondego. A construção do edifício fez-se na parte mais alta perto do castelo em 1576. O seu projecto e(ou) colaboração é atribuído a Diogo Marques(Pedro Dias , "As Obras de Construção do Colégio Conimbricense das Ordens Militares , Durante o séc.XVII", in "Alta de Coimbra História-Arte-Tradição", actas do 1º Encontro Sobre a Alta de Coimbra, 23,24,25 e 28 de Outubro de 1987 , GAAC , Coimbra , 1988.). A (re)construção do Aqueduto de S. Sebastião em 1568/70 , veio sobrepor-se ao edifício , ainda em projecto , ficando parte dos arcos dentro da cerca do colégio. Em 1772 durante a reforma Pombalina foi oferecido pelo colégio parte da sua cerca para a construção do Jardim Botânico da Universidade. Depois da extinção das ordens religiosas foi integrado no património da Universidade , e por decreto de 1848 o edifício do colégio destinar-se-ia a para " a colocação de estabelecimentos filosóficos , gabinete de agricultura , tecnologia , e casas de arrecadação do Jardim Botânico" ficando o resto da cerca para futura ampliação do jardim . Em 1849 parte do edifício foi afeto a quartel militar que o vandalizaram. Em 1854 autorizou-se o arrendamento da parte afecta aos militares , que passariam para o colégio dos venturas. Transformou-se então em colégio particular dirigido pelo Dr. Manoel Xavier Pinto Homem , que o restaurou e abriu aa Igreja ao culto. Em 1870 passou a funcionar lá o Liceu de Coimbra. Até 1938 funcionou lá o Liceu Feminino Infanta D.ª Maria e parte do Liceu José Falcão. Deu origem ao aparecimento de um bairro que no séc.XIX e XX se desenvolveu parte encostado aos arcos do aqueduto , já demolidos e do qual resta uma parte que constitui hoje o Bairro Sousa Pinto. Ordem- Beneditinos - Monges -estudantes de S. Bento. Data - 1576/1834. Arquitecto - Baltasar Álvares e Diogo Marques. Patrocinador - Fr. Roque do Espírito Santo e a Rainha D.ª Catarina;

Pôr imagem

, que deu origem ao aparecimento de um bairro ( bairro de S. Bento ) que no séc.XIX e XX se desenvolveu em parte encostado aos arcos do aqueduto , já demolidos e do qual resta uma parte que constitui hoje o Bairro Sousa Pinto.

Pôr imagem

O Colégio de Tomar ou de Nossa Senhora da Conceição: Destruído. Hoje Penitenciária. Em 1556 D. João III instala-os no Colégio de S Jerónimo , tendo como intenção instala-los no colégio dos Jesuítas logo que estes fossem para as instalações da rua da Sófia. Gorada a intenção e morto o Rei decidem instalar-se fora de portas , "nuns Cerrados"( António de Vasconcelos , "Escritos Vários", pp. 249 , Fundação Calouste Gulbenkian e Reitoria da Universidade de Coimbra , Coimbra , 1987.)que confinavam com a Quinta de Santa Cruz. Iniciam a construção em 1566 e terminam em 1713 , 146 anos depois. "edifício sumptuoso e de grandes proporções"(A. M. Simões de Castro , "Guia Histórico do Viajante em Coimbra" , pp. 128 . Coimbra , 1867.), tinha Igreja de uma só nave , claustro , e duas torres sineiras. Depois da extinção das ordens religiosas foi abandonado e vandalizado (na época ficava fora da cidade). Em 1841 foi cedida parte da cerca à Câmara com a finalidade de aí construir um cemitério. Em 1848 , face à exiguidade do terreno para o fim proposto , foi concedida à câmara toda a propriedade. Chega-se à conclusão que a finalidade não é própria e em 1852 a propriedade vai a hasta publica e é arrematada pelo Sr. Frutuoso José da Silva por 2.520$500 réis. Em 1873 volta à posse da Câmara. Alguns estudantes fundam uma escola de tiro , esgrima e ginástica na Igreja do colégio. Pouco tempo depois pretendendo a Câmara construir uma cadeia distrital , entregou os terrenos à Junta Distrital. Passou depois para a posse do Estado que a mandou demolir e construiu aí a Nova Penitenciária. Ordem- De Cristo - Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Data - 1566/1834. Arquitecto - (?) . Patrocinador - D.João III e o Cardial-Infante D. Henrique. ;



, o Colégio de Santo Agostinho ou da Sapiência:ou Colégio - Novo )- Desde sempre a Ordem de Santa Cruz gozou de privilégios , isenções e honrarias especiais. Efectivamente foi a primeira escola e principal centro difusor de cultura do País. Tudo funcionava no Mosteiro de Santa Cruz até chegarem à conclusão que haveria vantagens em construir um colégio universitário na Alta. Em 1552 compram o terreno e parte da muralha e barbacã. Em 1593 é colocada a 1ª pedra e concluído em 1604, com claustro e Igreja. Comunicava por túnel subterrâneo abobadado e com escadas com o mosteiro de Santa Cruz. Tinha um passadiço superior que comunicava sobre o arco da Porta Nova(Ainda hoje é visível o arranque de este arco na parede exterior do edifício.)com a respectiva cerca. Depois da extinção das ordens religiosas , foi abandonado , tendo sido residência de D. António da Maternidade , antigo membro da ordem , encarregado da sua vigilância , para evitar a vandalização do edifício. Funcionou temporariamente aqui o Tribunal Judicial. Em 1836 foi incorporado no património da Universidade , que o ocupou em parte e alugou o restante assim como a sua cerca. Em 1841 , por carta de lei , foi entregue à Santa Casa da Misericórdia , que depois de proceder a obras de vulto instalou aqui em 1842 dois colégios que possuía : o Colégio das Órfãs , anteriormente situado na rua de Coruche , e o Colégio dos Órfãos ou de S. Caetano , vindo da rua dos Coutinhos. O cartório e os serviços da capela da Misericórdia , instalados no piso superior existente na época sobre a Igreja de S. Tiago também passaram para aqui. Ordem - Cruzios. Data - 1593/1834. Arquitecto - Filipe Terzi. Patrocinador -Dom Prior. Acúrsio de Santo Agostinho , Prior Geral de Santa Cruz. Área-Teologia , Cânones , (Leis , Medicina e Artes ?).

































































Fonte:www.monumentos.pt

, o Colégio de Santo António da Pedreira: Hoje Casa de Infância Dr. Elisio de Moura. Edifício ainda existente. Possui um pequeno claustrim e Capela. Depois da extinção dos colégios em 1834 , foi ocupado pelo Asilo da infância Desvalida, instituição a quem foi entregue oficialmente o edifício em 1852. Hoje pertence à Fundação Elisio de Moura (Médico e Filantropo da cidade). Ordem- Franciscanos - Religiosos da Província de Santo António de Portugal , dos Franciscanos Reformados ou Capulhos (Os Pedreiras- calão académico). Data - 1602/1834. Arquitecto - Frei João da Soledade. Patrocinador - (?). Área- (?). Localização - Alta - rua dos Grilos;

Pôr imagem


, o Colégio de S. José dos Marianos: Hoje Hospital Militar Instalado inicialmente em 1603 num palacete existente onde hoje está o Governo Civil , pertença do Conde de Portalegre, mudou-se para instalações próprias a sul do colégio de S. Bento com cuja cerca confinavam. Depois da extinção dos colégios em 1834 , foi ocupado pelo Hospital dos Lázaros. Em 1851 instalou-se aí o Real colégio Ursulino das Chagas , existente desde o século XVIII na Vila de Pereira do Campo , destinado à educação de meninas , que aí se manteve até 1910. A partir desta data foi aí instalado o Hospital Militar que ainda ali permanece. Ordem- Ursulinas. Data - 1606/1834. Arquitecto - (?). Patrocinador - (?). Área- (?). Localização - Junto ao Jardim Botãnico.;

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e o Colégio dos Militares: Já não existe. A construção foi demorada , prosseguindo sucessivas alterações até ao séc. XIX. Destinava-se aos membros das ordens militares de S. Tiago da Espada e S. Bento de Avis de origem fidalga Possuía 2 claustros e capela Depois da extinção dos colégios em 1834 , foi incorporado no património da Universidade. Em 1853 foi aí instalado um Hospital dos Lázaros. Posteriormente integrado nos Hospitais da Universidade. Demolido em 1940. Ordem- ordens militares de S. Tiago da Espada e S. Bento de Avis. Data - 1615/27-/1834. Arquitecto - Diogo Marques Lucas (Sousa Viterbo , " Diccionário Histórico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a Serviço de Portugal", Lisboa , 1904 , vol. II , pp. 139 a 140 e vol. III , Lisboa 1922 , p. 377) , Filipe Terzi , Mateus do Couto e Pedro Nunes Tinoco(Pedro Dias , "As Obras de Construção do Colégio Conimbricense das Ordens Militares , Durante o séc.XVII", in "Alta de Coimbra História-Arte-Tradição", actas do 1º Encontro Sobre a Alta de Coimbra, 23,24,25 e 28 de Outubro de 1987 , GAAC , Coimbra , 1988). Construtor - Pero Domingues(Pedro Dias , "As Obras de Construção do Colégio Conimbricense das Ordens Militares , Durante o séc.XVII", in "Alta de Coimbra História-Arte-Tradição", actas do 1º Encontro Sobre a Alta de Coimbra, 23,24,25 e 28 de Outubro de 1987 , GAAC , Coimbra , 1988). Aparelhador - António da Mata(Pedro Dias , "As Obras de Construção do Colégio Conimbricense das Ordens Militares , Durante o séc.XVII", in "Alta de Coimbra História-Arte-Tradição", actas do 1º Encontro Sobre a Alta de Coimbra, 23,24,25 e 28 de Outubro de 1987 , GAAC , Coimbra , 1988). Patrocinador -.D. Jorge de Melo , Prior-Mor de S. Tiago e por D. Lopo de Sequeira , Prior-Mor de S. Bento e Filipe III , Filipe IV e D. João V. Área- Teologia e Direito . Fidalgos. Localização - Cidade Alta . Sul do Castelo. Pegava a sua cerca com a de S. Bento.






Não sendo da mesma época temporal, os 3 colégios que se seguem concluem este conjunto impossível de dissociar.

Colégio de Santo António da Estrela: Pouco resta . Hoje é o Governo Civil. Foi o primeiro edifício onde em 1537 se instalou a Universidade de Coimbra., na época palácio de D. Garcia de Almeida , 1º Reitor da Universidade, sito à Estrela. No princípio do séc. XVIII era propriedade de D. Martinho de Mascarenhas , Conde de Santa Cruz , que aí instalou o colégio em 1715 , depois de remodelado e ampliado. Depois da extinção das ordens religiosas em 1834 , foi vendido a particulares. Funcionou uma sociedade secreta denominada "Do Raio" organizando-se aí como loja maçónica em 1863. No mesmo ano instalou-se também a loja maçónica "Liberdade", e uma imprensa ligada à loja e com o mesmo nome. Em 1866 foi o edifício arrendado pelo Prof.. Doutor Manuel Bernardo de Sousa Enes , Lente de Teologia , (futuro Bispo de Macau , Bragança e Portalegre), para residência e para aí instalar um colégio particular- Colégio de Educação e Ensino Secundário da Estrela. Funcionou até 1874. Foi fabrica de massas e de bolachas. Ardeu em 18......(??). Em 1924 foi adquirido pelo Dr. Ângelo da Fonseca para residência. O projecto é da autoria do arq.º Raul Lino. Todas as edificações descritas foram construidas sobre a torre de Belcouce. Ordem- Franciscanos - Franciscanos da Província da Conceição da Beira e Minho. Data - 1715/1834. Arquitecto - (?). Patrocinador - D. João V. Área- (?). Localização -À Couraça da Estrela , Junto à antiga Porta de Belcouce.;






Fonte:www.monumentos.pt


, o Colégio de Santa Rita:Ainda existente. Depois da extinção dos colégios universitários funcionou aí o Governo Civil. Em 1844 foi comprado pelo Dr. Adrião Pereira Forjaz de Sampaio por 5:601$000 réis. Posteriormente arrendado , funcionou aí dois colégios masculinos: o Colégio de S. Filipe Neri e o Colégio Académico do Dr. Sousa Gomes. Residiram aqui o Dr. António Oliveira Salazar e o Dr. Manoel Gonçalves Cerejeira(Mais tarde respectivamente chefe de Estado e Presidente do concelho e o Cardeal Patriarca do antigo regime deposto em 1974). Hoje, penso que, o edifício pertence à Universidade . Ordem-Eremitas descalços de S.tº Agostinho ( Grilos - calão académico). Data - 1755/1834. Arquitecto - (?). Patrocinador - (?). Área- (?) . Localização - Palácios Confusos.;

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o Colégio de S. Paulo I Eremita: Demolido em 1940. Projecto ambicioso , só foi construído em parte. Após a extinção de 1834 , foi integrado no património da Universidade. Funcionou lá o serviço do Conselho Superior de Instrução Pública até 1859. Funcionou aí o Instituto de Coimbra , sociedade recreativa e dramática da academia até 1868. Aqui nasceu em 1873 uma secção de Arqueologia e um Museu de Antiguidades que mais tarde irá incorporar o futuro museu Machado de Castro em 1912. Foi sede da Associação Académica de Coimbra até à sua demolição. Ordem- S. Paulo I Eremita. Data - 1779/1834. Arquitecto - Azollinni. Patrocinador -.D. João V . Área-(?) . Localização - Rua Larga.

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A maior parte da informação sobre os colégios de Coimbra foi tirada da obra de António de Vasconcelos " Escritos Vários ", do " Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra " de Vergilio Correia e Nogueira Gonçalves , e é apresentada cronologicamente. As fontes, quando omissas, são do arquivo do Museu Machado de Castro…


Eduardo Cardoso Mascarenhas de Lemos, "A Cidade Renascentista:
O Plano da rua da Sofia do séc. XVI , primeira manifestação portuguesa da Cidade Renascentista", in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Alguns Aspectos da Evolução Urbanística da Cidade de Coimbra – A Urbanização da Quinta de S. Jerónimo. Metodologia e Importância da Aplicação de um Plano de Pormenor Como Elemento de Revitalização de Um Espaço Urbano Degradado”, Tese de Mestrado, Instituto de Arquitectura e Planeamento Territorial da Universidade Técnica de Poznan, Polónia, 1996.
__________________
Curam habe de bono nomine: hoc enim magis permanebit, quam mille thesauri
pretiosi, e magni

É a própria vida que tem de mudar…

Crónicas de Coimbra,…país profundo…

Last edited by O Prof Godin; July 31st, 2007 at 03:33 AM.
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