Uma cidade, milhares de adjetivos: Tóquio, maior e mais completa metrópole do planeta, em 55 fotografias + relatos sobre os 20 dias que passei na grande capital japonesa. - SkyscraperCity
 

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Old November 19th, 2016, 04:44 AM   #1
Charles Tôrres
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Tóquio, maior, mais rica e mais completa metrópole do planeta, em 55 fotografias + relatos sobre os 20 dias que passei na grande capital japonesa + atualizações semanais!

• Uma cidade, milhares de adjetivos •

55 fotografias + relatos sobre os 20 dias que passei em Tóquio.


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Enfim chegamos (eu e Lígia, minha esposa) à Tóquio, Japão, após uma viagem de 36 horas, sendo 28h delas dentro de um avião, e as outras 8h em cambiações, escala em Miami e Dallas, e viagens entre aeroportos e destinos.

Cansados, esgotados e praticamente acordados ao longo de todo o trajeto, aportamos no Aeroporto de Narita, um dos 8 aeroportos da cidade, às 15h no horário local (4h da manhã no Brasil).

Já no primeiro momento, ainda dentro do aeroporto, um grande impacto: a limpeza e organização do ambiente. Já é sabido no mundo todo que japonês é um sujeito organizado e chega a ser um clichê reafirmar isso, mas uma coisa é ouvir falar, outra coisa é viver. O aeroporto é sensacional, todo no carpete, tudo muito bem sinalizado e cheio de esteiras rolantes que garantem acesso rápido a todas os acessos. Os aeroportos de Dallas e Miami são modernos e limpos, mas menos elegantes que Narita.

Segundo impacto: a educação e o carisma do japonês! Meu inglês não é grandes coisas e tive enorme dificuldade para me comunicar nos Estados Unidos, seja pra pedir um café, seja pra pedir uma informação. O americano fala rápido demais e não tem muita paciência com estrangeiro que não fala muito bem seu idioma. Cheguei nos EUA achando que iria arrasar com meu inglês e saí pensando que preciso urgentemente voltar pra escola. Já no Japão não... me comuniquei perfeitamente com os japoneses. Ao contrário do que muitos me disseram, quase todos os japoneses compreendem o inglês relativamente bem. O sotaque do inglês deles é ruim, mas falam devagar e fazem de tudo pra atenderem o melhor possível o visitante estrangeiro. Consigui até conversar um pouco com os japoneses e passei a amar mais o meu inglês no Japão.

O Aeroporto de Narita é um pouco longe do miolo de Tóquio (a mesma distância do Aeroporto de Confins ao Centro de BH), e por isso, logo que chegamos fui buscar informações sobre as linhas de trem que ligam o aeródromo às regiões comerciais de Tóquio. De cara compreendi tudo que a moça me informou: são quatro linhas de trem que saem do aeroporto, uma delas é uma linha expressa (tipo um trem-bala) e três são trens normais, sendo que uma é periférica, enquanto as outras são mais centrais. Tudo muito bem explicado pelos atendentes, num carisma e elegância sem igual. Escolhemos uma das linhas e partimos.

Terceiro impacto: o crepúsculo. Em Tóquio anoitece a partir de 16h30, e 17h já está praticamente tudo escuro. Vimos um pôr-do-sol escandalosamente lindo do trem nesse horário. No Japão o sol parece ser maior e mais brilhante, fazendo jus ao nome: Terra do Sol Nascente. Não fiz fotos pois estava muito cansado e abarrotado de malas, então, preferi curtir a vista do que tirar a câmera fotográfica pra fora.

Na primeira noite só saímos do hotel para comer, mas pela manhã acordamos bem cedo e nos pusemos a caminhar. E que caminhada! O GPS do celular marcou 19km, ou seja, uma volta inteira na Lagoa da Pampulha. Foram 19km de muito aprendizado, muita fotografia e muito impacto cultural.

01. Ruas incrivelmente limpas


É um país que está muito à frente do nosso entendimento. O desenvolvimento humano e social é impressionante. Nas ruas eu vi ricos e pobres dividindo o metrô, os cafés, os restaurantes e demais estabelecimentos. As pessoas são de uma educação que nos faz sentirmos vergonhas de nós mesmos. Não que eu não tenha educação, mas a fineza japonesa contrasta demais com nosso jeito latino-americano de ser (sem querer nos desmerecer; são culturas e condições diferentes).

Não fomos destratados por um único japonês sequer. Em todo lugar que vamos eles sorriem pra nós, querem ajudar, querem saber se estamos precisando de algo. Do contrário do que imaginávamos, nós, estrangeiros no país, somos muito bem tratados por todos. Lígia chegou a se emocionar com a polidez e delicadeza do atendente de um café que fomos hoje de manhã.

E por falar em café, outro grande impacto: a culinária! Do simples cafezinho aos tradicionais sashimis; da torrada matinal ao lámen do almoço, tudo muito gostoso e extremamente bem feito. Eu, um eterno admirador de café, senti vergonha do café brasileiro. Temos sérios problemas com adição de ingredientes no pó de café que compramos em padarias e supermercados, e isso faz com que nosso cafezinho nem sempre seja uma maravilha. Em Tóquio só tomei cafés espetaculares. Nada na culinária nos desapontou.

02. Considerada a metrópole com a menor criminalidade do mundo, Tóquio consegue ser segura até debaixo dos viadutos


A infra-estrutura em Tóquio é invejável. A maior cidade do planeta é também a que possui a melhor malha viária e ferroviária do mundo. Por onde se olha vemos ruas e calçadas bem cuidadas, limpas e muito sinalizadas. Os 5 mil quilômetros de metrôs, monotrilhos e trens interligam todas as regiões da metrópole de forma invejável. Quase não vi ônibus no Japão. Mas linhas de metrô/trem existem a cada 300 metros.

E que cidade linda! Os arranha-céus imensos ladeiam templos e santuários milenares de forma amistosa e natural. As gigantescas torres e viadutos ditam o aspecto futurista da metrópole e as pessoas se vestem impecavelmente.
Não, não estou babando ovo de estrangeiro e muito menos tenho síndrome de vira-lata. Amo meu país mais que tudo nesse mundo, mas todos sabemos que temos sérios problemas a enfrentar, principalmente na questão social e econômica; fatores que os quais os japoneses já resolveram há tempos. E por isso, nada mais natural que ficar impressionado com essa terra, com essa gente.

03. Apesar da densidade populacional, quase duas vezes maior que São Paulo, Tóquio consegue ser incrivelmente organizada ao nível da rua


Continuando as aventuras pela maior metrópole do planeta, seguimos de Nihonbashi (onde estávamos hospedados, distrito empresarial, sede da IBM-Japão, à oeste da região central de Tóquio), até a Torre de Tóquio, em Shiba-Koen, ao sul do hipercentro toquiota.

Passamos por vários pontos, como o distrito de Chiyoda, (que é um dos maiores centros de negócios do planeta); pelo Palácio Imperial (onde se acomoda o Imperador Akihito); por Minato (outro grande centro empresarial, sede de grandes companhias, como Honda, Mitsubishi, Sony, Fujitsu, Toshiba, etc.) até chegar à grande torre da região central de Tóquio.

O Japão é a locomotiva tecnológica do planeta, pois é lá que se desenvolve boa parte dos produtos eletrônicos que vamos consumir nos próximos anos. Não é a toa que as melhores marcas de automóveis do mundo estão no Japão, como Honda, Toyota, Nissan, etc. E, como não poderia deixar de ser, em Tóquio se vê tecnologia o tempo todo, não apenas nos tablets e celulares que estão sempre empunhados pelos japoneses, mas no cotidiano, na rotina dos cidadãos, como por exemplo, o metrô que não tem catracas, apenas um sensor de presença; os trens-bala, que sobrevoam os céus de Tóquio e podem atingir velocidades impressionantes; os edifícios high-tech ecologicamente corretos e as centenas de milhares de lojas de gadgets tecnológicos a cada esquina que se passa. E o assunto vai ao íntimo da questão! Até ao entrar em um banheiro público a tecnologia é presente na vida dos cidadãos. Não se toca em nada, tudo é feito de forma automática: a saída do papel higiênico, a descarga, a água da torneira, o sabonete líquido, o secador de mãos. No banheiro da suíte do hotel em que estávamos hospedados a privada tem vários botões: um para aquecer a privada (sim, tudo de bom poder sentar numa privada quentinha! Especialmente em dias frios), outro pra jogar um chuveirinho leve na bunda (como os antigos bidês), outro pra jogar um jato de água forte no bumbum, outro pra controlar a intensidade dos jatos e outro pra jogar água ao redor da abundância. Entre todos, só tive coragem de experimentar o assento quentinho, e confesso que é uma maravilha!

E por falar em banheiro, outro fato interessantíssimo em Tóquio são os banheiros públicos. São milhares deles, espalhados por toda a cidade, praticamente um em cada esquina. São banheiros mantidos pela prefeitura, abertos à comunidade. E como são limpos! Como se não bastasse a arquitetura tradicional super elegante (é um banheiro público!), lá dentro é tudo muito limpo e organizado. Tive a oportunidade de utilizar um e fiquei impressionado com a limpeza do lugar, sem xixi nas tampas dos vasos, sem papel jogado fora da lixeira, sem espelhos e azulejos quebrados... sem comentários...

04. O asfalto é um tapete e a infra-estrutura viária uma maravilha


Aliás, tudo no Japão é de uma limpeza sem tamanho. As ruas parecem shoppings à céu aberto. Não tem lixo no chão nem calçada quebrada, e a cidade parece ter sido inaugurada ontem, tamanha limpeza dos ambientes. Lugares tradicionalmente sujos em outras metrópoles são impecavelmente limpos em Tóquio, como a parte de baixo desse viaduto da foto acima. As partes inferiores de pontes são nossas velhas conhecidas no quesito sujeira e criminalidade. Mas em Tóquio, além de serem limpas, são seguras e cheias de lojas interessantes e izakayas (bares japoneses, identificados por aquelas redondas lanternas vermelhas tradicionais).

Detalhe importante: as ruas não possuem lixeiras! Não existe lixeira pública no Japão. Tudo o que se consome tem que ser levado pra casa para ser reciclado conforme as regras de cada região.

A maior e mais desenvolvida cidade do planeta já enfrentou, num passado não tão distante, muitos problemas com congestionamentos intermináveis e trânsito travado, similar ao que encaramos hoje nas principais cidades do Brasil. Mas ela conseguiu resolver essa situação de duas maneiras: melhorando o transporte público (hoje a cidade possui 5 mil quilômetros de trens, monotrilhos e metrôs, como já foi dito) e criando um maravilhoso sistema de vias expressas compostas por estradas elevadas sobre outras vias e em túneis subterrâneos, não contendo nenhum tipo de cruzamento ou semáforo. A velocidade limite varia entre 50 e 80km/h. O uso das vias é pago através de pedágios, assim como nos transportes públicos do Japão, seu valor depende da distância percorrida.

São mais de 300 quilômetros de vias expressas altamente eficientes, e por incrível que pareça, a parte inferior delas é extremamente limpa e com urbanismo impecável. No Brasil temos um sério problema com vias elevadas justamente porque ele debilita todo o entorno da construção. Em São Paulo temos o minhocão, que com seus ínfimos 5km, consegue ser pouco eficiente, além de amargar um urbanismo inepto em seus arredores. É tão ruim que existe vários projetos na capital paulista para derrubá-lo. Em Belo Horizonte temos o Complexo Viário da Lagoinha, um emaranhado de 12 quilômetros de viadutos e túneis que prejudicaram para sempre a história da região, além de transformar o que antes era um bairro boêmio e alegre em um comentário decadente dos arredores do centro da cidade.

Eu já sabia da existência dos minhocões de Tóquio (nome oficial Shuto Kōsoku Dōro Expressway) e achava que encontraria uma cena degradada em suas partes inferiores e arredores. E, do contrário, encontrei uma maravilha de urbanismo, impecabilidade na limpeza e um comércio pujante. Aliás, um grande comércio! As lojas nos arredores são maravilhosas, umas bem tradicionais, outras sofisticadas, que promovem a gastronomia japonesa e artefatos típicos.

Embaixo de um desses minhocões tem um dos melhores cafés que eu e Lígia tomamos em Tóquio, que se chama Caffe Calmo, um estabelecimento onde o próprio dono (um sujeito muitíssimo simpático) quem atende e prepara os quitutes. O proprietário fazer o atendimento e servir o cliente é algo muito comum no Japão. O lugar, além de servir um café muitíssimo saboroso e uma torrada com queijo sem igual, toca um jazz tranquilo e sereno. Inclusive, no primeiro dia fomos surpreendidos com a clássica e brasileiríssima Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, tocada em um trio de contra-baixo, piano e bateria, em plena Tóquio. Além de emocionante, foi um dos momentos mais singulares e delicados que eu e Lígia vivenciamos na vida.

05. Anoitecer em Tóquio


Apesar de possuir uma região central bem definida, Tóquio possui pelo menos uns 15 centros financeiros (downtowns) e centenas (talvez milhares) de centros comerciais. Ao longo da paisagem toquiota percebe-se vários aglomerados de arranha-céus com 40, 50 ou 60 andares, alguns próximos, outros a dezenas de quilômetros de distância.

Muitos associam Tóquio a mais uma simples capital asiática com população superinflacionada morando em guetos e trânsito caótico, onde se come cachorros assados e insetos vivos (sim, ouvi isso de amigos e familiares antes de viajar pro Japão). Embora exótica em muitos aspectos, Tóquio é uma metrópole rica e globalizada, possuindo desenvolvimento econômico à frente de cidades como Nova Iorque ou Paris, que interpõe em suas ruas os imensos e modernos edifícios com as típicas residências nipônicas; e a enorme quantidade de estrangeiros com os delicados e tradicionais cidadãos japoneses carismáticos e hospitaleiros.

Tóquio é a maior e mais rica metrópole do mundo. Seu produto interno bruto supera os 2.5 trilhões de dólares, ou seja, um pouco maior que o PIB de todo o Brasil, que está na faixa dos 2.4 trilhões, e mais que dez vezes maior que o PIB de São Paulo, que se encontra na casa dos 200 bilhões de dólares atualmente.

Embora Tóquio seja considerada o maior e mais importante centro financeiro do planeta (juntamente por Nova Iorque e Londres), ela não é um município. Não há no Japão uma cidade chamada Tóquio. Na verdade, Tóquio é tipo um estado. Segundo a Wikipédia, Tóquio é megalópole com várias prefeituras unificadas. É constituída por 23 distritos, 26 cidades primárias, cinco cidades secundárias, oito vilas e 7 municípios limítrofes. Cada uma delas possui um governo que opera no nível regional. O Governo de Tóquio tem o mesmo status que tem um estado brasileiro, dividido em dezenas de municípios.

Mas o governo japonês compreende que, apesar das divisões, que facilitam a gestão fracionada, Tóquio é um único contexto urbano, ainda que com inúmeras facetas distintas.

Quase 40 milhões de habitantes em uma única massa urbana; que, por incrível que pareça, consegue se manter limpa, organizada e muitíssimo eficiente. Difícil de acreditar!

06. Dinâmica região de Shinjuku.


Tóquio é um mar infindável de prédios. A cidade possui mais prédio que qualquer outra cidade do planeta. São milhões de construções, que vão dos simples predinhos de 4 andares aos imponentes edifícios comerciais de 40 a 70 andares. Diferente do que acontece em cidades como São Paulo ou Belo Horizonte, onde a altura varia a cada nova quadra, em Tóquio tive a impressão que cada bairro tem uma altura média padrão. Tem bairro que todos os prédios parecem ter de 12 a 15 andares. Já em outros bairros a altura média parece não passar de 8 andares. Em regiões comerciais e empresariais a altura média pode ficar entre 30 e 50 andares... e por aí vai. Isso define um aspecto distinto e muito interessante em cada região, criando nelas uma identidade própria.

E por falar em identidade, hoje visitamos o famoso distrito de Shibuya, um gigante centro financeiro e comercial onde eu vi mais gente em um único cruzamento que em toda a Avenida Paulista. Shibuya é o bairro da expressão dos jovens, onde eles podem quebrar regras, criar moda, reescrever padrões de comportamento e fazer escola. A esmagadora quantidade de lojas se voltam para o público jovem, fazendo com que o lugar pareça um gigantesco shopping a céu aberto. Dizem que a moda asiática é ditada em Shibuya, sendo este um ponto de referência para mais de 1 bilhão de pessoas de olhos puxados, especialmente mulheres. O Shibuya Crossing (foto abaixo) é a principal intercessão viária do lugar, por onde passam 3 milhões de pessoas por dia, sendo o mais movimentado cruzamento do planeta. Achava que os dados eram superestimados, mas quando estive lá pude comprovar que é a mais pura verdade. Quando os semáforos se fecham para os carros, uma massa densa de gente se aglomera nas avenidas fazendo a área parecer um verdadeiro formigueiro humano. A Praça Sete em Belo Horizonte parece calma e serena perto do Shibuya Crossing. A Avenida Paulista fica bucólica. O Pelourinho no carnaval não passa de uma província tranquila perto de Shibuya; e não estou exagerando. É tão intenso que não conseguimos ficar muito tempo por lá. Precisaremos voltar outro dia com o psicológico preparado para aguentar tanta informação visual - e tanta gente. Aliás, foi em Shibuya que criaram o conceito do cruzamento na diagonal, para favorecer o pedestre ao se deslocar de uma esquina pra outra, solução simples que hoje é experimentada por grandes cidades do mundo todo, inclusive em São Paulo.

Tóquio inteira tem cara de centro de cidade, pois mesmo os bairros mais afastados possuem comércio pujante e muita gente nas ruas. Por ser uma cidade extremamente segura (são quase inexistentes os casos de assalto), o cidadão toquiota gosta de andar a pé pra tudo. Isso sem contar os deslocamentos facilitados pelo maravilhoso sistema de metrô local, assunto falarei um pouco mais abaixo.

07. Shibuya Crossing


Uma curiosidade interessante: as ruas de Tóquio não possuem lixeiras. Isso mesmo, praticamente nenhuma lixeira disponível. Nem mesmo as estações de metrô possuem lixeiras. Isso porque o cidadão japonês tem o costume de levar o lixo pra casa para reciclar. E, com isso, as ruas de Tóquio são extremamente limpas. Não vi, nesses 20 dias, um papelzinho sequer, nem mesmo uma latinha de refrigerante. Como já disse, tudo parece um shopping a céu aberto, tamanha higiene dos ambientes.

Outra curiosidade: no Japão não se comercializa água nos restaurantes. A água é de graça em qualquer estabelecimento. Inclusive, quando chegamos em qualquer bar, restaurante ou café, sempre somos recepcionados pelo atendente com um copo de água com gelo. E quando a água acaba, espontaneamente o garçom enche o copo novamente, sem que precisemos pedir, isso numa delicadeza sem tamanho, num carisma que deu vontade de guardar o sujeito em uma caixinha e levar para o Brasil como suvenir.

Como nem tudo são flores, um ponto negativo é a enorme quantidade de fumantes. Parece que o governo não fez muita questão ainda de eliminar o tabaco da rotina dos japoneses, e por isso o fumo se faz presente no cotidiano da cidade. Aliás, lá ainda é permitido fumar em ambientes fechados, sendo raros os lugares que oferecem área separada para fumantes. Ponto para o Brasil, que está conseguindo, aos poucos, erradicar o cigarro do nosso dia a dia.

08. Um fumante dentro de um café de Shibuya


Em Tóquio, maior cidade do planeta, tem ciclista pra todo lado. Nunca vi tanto ciclista na minha vida. Dezenas de milhões de ciclistas... seja empresário vindo do trabalho, mãe indo levar o filho na escola, estudante indo pra faculdade. O tempo todo cruzamos com ciclistas nas ruas. E não há ciclovias! Os ciclistas circulam harmoniosamente pelas ruas ou pelas largas calçadas juntamente com pessoas e automóveis, sem conflito, sem confusão, sem mimimi.

E, ao estacionar a bicicleta, os japoneses raramente usam cadeado! Simplesmente encostam a magrela em um estacionamento de bicicletas ou num poste na calçada. Ninguém mexe, ninguém rouba.

Sem comentários.

09. Região de Asakusa, uma das mais antigas da cidade


Vamos falar sobre trem. Me refiro ao trem mesmo, comboio, expresso ferroviário, não o trem mineirês que é sinônimo de coisa.

O sistema de ferrovias urbanas de Tóquio é uma coisa de louco. Tem trem e metrô pra todo lado, e qualquer que seja sua localização na cidade há uma estação a pelo menos 300 metros de distância. O metrô funciona de fato e é extremamente eficiente. Tóquio tem a mais extensa rede ferroviária urbana do mundo e a mais utilizada no planeta, com 40 milhões de passageiros por dia. Só como base de comparação, o metrô de São Paulo carrega 3,2 milhões de usuários por dia, e ainda que seja um número expressivo, é bem menor que o da capital japonesa. Outra comparação interessante é com a Alemanha, que transporta 10 milhões de passageiros em linhas de trem e metrô em todo o país, o maior número de usuários da Europa. Tóquio, sozinha, carrega 4 vezes mais passageiros. Mas nem tudo é considerado metrô em Tóquio, pois o nome metrô (subway, ou chikatetsu em japonês) é dado apenas ao sistema subterrâneo. Acima do solo é chamado de trem.

Portanto, o Metrô de BH seria considerado um trem no Japão. Em Tóquio há vários tipos de comboio ferroviário. Além do metrô subterrâneo, tem os trens de superfície, trens suspensos, monotrilhos, trens com pneus de borracha, bondes (muitos!) e trens expressos de alta velocidade (trem-bala), compondo uma malha ferroviária urbana com mais de 5.000 quilômetros de extensão, distribuídas em 158 linhas completamente interligadas e 2210 estações.

Vale dizer que, diferentemente dos metrôs das grandes cidades brasileiras, que são geridos pelo governo (estadual ou federal), em Tóquio várias linhas foram construídas e são geridas pela iniciativa privada. Ou seja, se você é um empresário no Japão, tem grana e quer construir uma linha, você pode construir e usufruir comercialmente dela como bem entender, obviamente com um planejamento prévio, seguido de aprovação. Esse é o lado direitista e liberal do governo japonês que funciona perfeitamente bem. O lado esquerdista também é eficiente, e não permite que os mais abastados predominem sobre os desfavorecidos, criando uma sociedade igualitária e homogênea, socialmente falando. Mas não vou render esse assunto pra não gerar comentário desnecessário.

O sistema de metrôs de Tóquio é um dos mais antigos do mundo e foi inaugurado em 1927, há quase 90 anos atrás. E isso é visível nas estações, pois algumas possuem aspecto antigo (ainda que muito bem conservado); enquanto outras mais recentes são futuristas, nos transportando para um filme de ficção científica. Aliás, muita coisa em Tóquio tem aspecto futurista, com cara dos filmes de Ridley Scott, com telões de led imensos distribuídos pelos arranha-céus e barulhinhos digitais por todos os lados, especialmente nos cruzamentos de ruas e semáforos.

10. Maquinista da Yamanote Line


Uma das linhas de trem mais interessantes de Tóquio é a Yamanote Line, uma linha de trem suspensa (ela passa por cima de enormes pilastras) e circular que rodeia o miolo da cidade, ligando os mais badalados bairros da capital japonesa. A linha conta com 35 quilômetros e 29 estações, sendo que 23 delas se conectam com outras 468 estações. Os trens passam pontualmente de 2 em 2 minutos numa precisão que humilha até o ponteiro do meu relógio. Por dia a Yamanote transporta cerca de 3,7 milhões de passageiros. Logo, em uma única linha é transportado quase o mesmo número de passageiros que em todo o metrô de São Paulo.

Por ser suspensa, ela permite vistas interessantíssimas para a cidade, fazendo dela um ponto turístico por si só. Cada estação, possui uma multidão diferente. As vezes sobem nas estações multidões de funcionários e homens de negócios vestidos de terno e as vezes é uma multidão de estudantes vestidos com a roupa típica escolar do Japão. Em outros bairros, a incidência de idosos é grande, enquanto outros, prevalecem os jovens empresários.

Se você pegar a Yamanote Line vai perceber que Tóquio é completamente diferente de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Aliás, cada estação é um comentário sobre o quão diversificada é a grande megalópole japonesa. Tóquio possui outros tipos de linhas suspensas igualmente interessantes, como a Tokyo Monorail (monotrilho, ou seja, trem com um único fio de trilho) e a Yurikamome, que também é suspensa e utiliza pneus no lugar de rodas de aço.

11. Yamanote Line


Tóquio é incrível no domingo! Milhões de pessoas vão para as ruas em todas as regiões da cidade, em todos os principais bairros. Além disso, o comércio funciona! Até altas horas da noite. Todo tipo de comércio. No domingo!

Sem comentários.

12. Um anoitecer dominical...


Um país do futuro. Sim, o Japão é o país do futuro. O país que todos os outros querem ser um dia. Um país que está à frente de tudo o que já experimentei antes na vida. O país do futuro não tem carros voadores. Mas tem pessoas incríveis, seres humanos que, com todos os seus defeitos e características peculiares, aprendeu a amar e respeitar o próximo. Aprendeu que o outro nada mais é que ele próprio numa vivência diferente. Aprendeu que, para um sistema funcionar perfeitamente, é preciso que cada um faça sua parte.

Um país cuja população entende que, ao se cumprimentar um ser humano, não basta um aperto de mão. Tem que reverenciar! Um país onde as pessoas sabem que a vida é uma só, e por isso, não ficam ensejando loteria. Pelo contrário, desfrutam cada dia como se fosse o último. Um povo incrível que não espera as coisas cairem do céu: elas mesmas buscam e fazem acontecer.

Um país cuja capital possui todos os superlativos possíveis e imagináveis: do tamanho ao PIB; do desenvolvimento humano à cooperação sustentável. E isso não foi graças a nada, a não ser uma coisa: o respeito pelo próximo.

O país do futuro é foda. E está mais presente que nunca em minha vida.

13. O país do futuro


Tóquio, a cidade luz, a cidade intensidade, a cidade espetáculo. A cidade que tem tudo, tem todos. Uma metrópole que se movimenta no ritmo dos seus rios, no bailar dos seus ventos, na beleza de seus habitantes, na velocidade dos seus trens, na precisão de seus relógios.

A sabedoria oriental no compasso do século XXI. O pretérito do futuro no mais presente momento. A metrópole que dita a cadência mundial e tranforma-se conforme a natureza impõe.

A babilônia que deu certo.

14. Jingūmae, um bairro para quem gosta de arquitetura de qualidade, lindas galerias de arte e urbanismo de integração.


As estreitas ruas do jovem, boêmio e lascivo bairro de Shibuya, na zona centro-oeste de Tóquio. Reparem, no canto direito da foto abaixo, uma máquina automática de chá e café. Essas máquinas existem em todas as equinas de Tóquio (todas, sem exceção) e possuem à disposição latinhas ou garrafinhas de águas aromatizadas, chás especiais, chocolates e cafés, gelados ou quentes, puros ou com leite, todos muito gostosos ao preço de 1 dólar (cerca de 100 yens). É muito bom poder parar pra descansar tomando um cafezinho quentinho retirado na hora dessas máquinas. Coisa de outro mundo.

15. Rua típica de Shibuya


Uma cidade verdadeiramente grande não deve ser grande apenas no tamanho. Tem que ser grande na acessibilidade, na inclusão social e na diversidade sem preconceito.

Não basta der inflacionada populacionalmente, tem que ser inflacionada no acesso aos bens, serviços e promoção cultural.

Não basta possuir quilômetros de metros quadrados. Tem que ter quilômetros de transporte público eficiente, especialmente trem e metrô.

Não basta possuir arranha-céus imensos e maravilhosos. Tem que ter pessoas de caráter, bom senso, organização e sede pelo futuro.

Tóquio ensina às principais cidades brasileiras que, para serem chamadas de "Cidades Grandes", elas precisam possuir mais que tamanho. Precisam evoluir, se desenvolver e, principalmente, serem mais humanas.

Essa é a receita de uma cidade genuinamente grande.

16. Afluentes do Rio Sumida, em Asakusabashi. Um rio maravilhoso e muito limpo, de onde se tem belíssimas vistas a partir de suas pontes.


Tóquio tem cheiro de café, pois a população daqui é devota da bebida. Mas tem cheiro de cigarro também, pois seus habitantes fumam muito!

Tóquio tem som de trem, pois são milhares deles passando o tempo todo, por todos os lados, por baixo e por cima. E tem também o som do doce cantar dos corvos, pois lá eles são mais presentes que pombos e pardais.

Tóquio é romântica, já que lá as pessoas gostam de namorar para casar. São centenas de casais que vemos pelas ruas o tempo todo. Mas em Tóquio se trabalha muito! E por isso o toquiota está sempre com roupa social, uma pastinha de couro e olhar profundamente determinado.

Tóquio tem ar de liberdade, pois lá tudo é livre: as pessoas, o comércio, a economia, a opinião, a forma de se vestir, as ruas e avenidas. Mas Tóquio vive apreensiva com o próximo terremoto que pode abalroar a estabilidade da cidade.

Tóquio não liga se você beber, pois o álcool não é um tabu no Japão. Aliás, é super comum ver pessoas cambaleando alegremente pelas ruas da cidade a noite e pelas madrugadas. Mas jamais jogue lixo nas ruas. Se não há lixeiras, guarde seu lixo com você para que possa ser reciclado em casa.

Tóquio é a cidade mais rica do planeta, com índices econômicos superiores a cidades como Nova Iorque, Londres ou Los Angeles. E ainda assim, consegue ser uma metrópole igualitária, pois a isonomia social é vista em todos os cantos da cidade.

Tóquio não está nem aí pra você se for gay, trans, católico, xintoísta, ateu, tem barba roxa ou sai de casa de pijamas. Mas não ouse falar alto dentro do metrô. Os japoneses são muito educados e quietos em lugares públicos.

Tóquio é a cidade mais linda que já conheci na vida. O povo mais educado e carismático. As ruas mais limpas e o transporte mais eficiente. A sabedoria oriental à serviço da modernidade, da tecnologia, do avanço social, da intelectualidade e da cultura.

Tóquio me transformou.

17. Topo do Monte Fuji. Como os dias estavam nublados, não consegui uma imagem nítida do vulcão.


Vamos falar de novo sobre trem! Algumas características:

- Não existe tarifa única, como é comum nos metrôs do Brasil. Em Tóquio se paga pelo que se usa, portanto, a tarifa é cobrada de acordo com a quilometragem percorrida. Ao comprar o tíquete (direto na máquina automática, sem atendentes em guichês) o usuário define qual estação vai descer e lá já vê qual o valor vai pagar. E com isso, se coloca o tíquete na catraca de entrada e na catraca de saída. Caso tenha errado as contas quando entrou, na saída a catraca o avisa automaticamente para que se possa pagar a diferença. Tudo automático.

- O sistema possui metrô, monotrilho, bonde, trem suspenso, trem de alta velocidade (trem-bala), trem de superfície e trem pneumático, tudo dentro de uma única cidade. Como a metrópole é gigante, muitas linhas são enormes também, chegando a 100km em alguns casos.

- Enquanto no Brasil os trens do metrô se limitam a 4 vagões, em Tóquio os trens são gigantescos, possuindo 10 vagões. Alguns trens que vão para o subúrbio chegam a 12 vagões, pelo que pude contar. Em função disso, as plataformas são enormes.

- No Brasil é comum chamarmos de metrô os trens de superfície, como acontece em Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e algumas linhas de São Paulo. Já em Tóquio, "metrô" é só o subterrâneo. Acima do solo é sempre trem, mesmo sendo idêntico ao metrô em quase tudo.

- São mais de 5000 quilômetros de linhas, o maior sistema ferroviário metropolitano do planeta. O segundo maior é o de Londres, com quase 1500 quilômetros.

- São 158 linhas no total, que formam um emaranhado complexo cujo mapa mais se parece uma placa de computador. Praticamente todas as estações do metrô possuem conexões com outras plataformas, fazendo com que as baldeações sejam rápidas e muito eficientes.

- O sistema de Tóquio, sozinho, é maior que todo o sistema ferroviário urbano de todas as cidades das Américas juntas!

- Diferente do que acontece no Brasil, onde todos os metrôs e trens urbanos são geridos pelo governo, em Tóquio a esmagadora maioria das linhas foi construída e é gerida pela iniciativa privada. Ao todo, 48 operadores diferentes administram o sistema ferroviário da cidade.

- Muitas vezes numa mesma plataforma passam linhas diferentes de trem ou metrô, com apenas alguns minutos de diferença. Eles compartilham a plataforma, mas não compartilham a linha, bifurcando pra outro lugar logo em seguida.

- Quase toda estação é um shopping, possuindo lojas de todos os tipos e gostos. Algumas estações são monumentais, com 6 ou mais linhas que cruzam-se por ela em diferentes níveis, tanto abaixo do solo quanto acima; e por isso, é comum andarmos muito dentro de uma única estação.

- Em média, existe uma estação a cada 500 metros em Tóquio. Por isso, o uso de carro ou ônibus é praticamente dispensável na cidade.

- Nas plataformas sempre tem máquinas automáticas de café, chá e sorvete, tudo por 1 dólar; ou 1,5 dólar se for uma garrafa maior.

- É antiético falar alto dentro do metrô, pois é comum vermos pessoas trabalhando ou estudando ao longo do trajeto. Como o país é muito seguro, laptops abertos dentro dos trens é perfeitamente normal. Dentro dos vagões recomenda-se deixar o celular em modo silencioso, para não incomodar ninguém caso ele toque. No início tudo isso causou certa estranheza, pois tivemos a a impressão que o cidadão toquiota é frio e deprimido. Mas foi só sair do metrô e entrar num restaurante ou bar que percebemos o quanto são calorosos e alegres. De um modo geral os japoneses são muito educados e quietos em lugares públicos. Pelo menos temos a certeza que não encontraremos ninguém ouvindo música de qualidade duvidosa na maior altura dentro de um vagão...

- É interessante notar os contrastes de estilos entre as estações. Algumas são futuristas, onde os trens passam por cima da cidade e não possuem maquinista. Outras são antiquíssimas, com charmosas plataformas retrôs que nos remetem aos meados do século passado e trens amarelos com cara de bonde. Isso é porque o sistema metroviário de Tóquio foi fundado em 1927, mas está em constante ampliação até os dias de hoje.

- O sistema é muitíssimo fácil de usar. Todas as estações possuem letreiros e explicações em japonês e inglês; é tudo muito intuitivo. As máquinas automáticas também são multi-idioma, e possuem explicações também em coreano e chinês, devido ao alto número de turistas dos respectivos países.

Vale dizer que andar pelos trens de Tóquio é uma experiência fascinante, tanto pelo sistema em si, quanto por poder observar de perto o cotidiano do cidadão dessa maravilhosa metrópole.

18. Sistema ferroviário urbano de Tóquio


Abaixo, Lígia San, minha eterna companheira, se deliciando fazendo belas fotografias da fria e chuvosa Tóquio. A melhor viagem de nossas vidas.

19. Ueno, região de comércio tradicional em Tóquio


A noite Tóquio se parece muito com a cidade retratada no filme Blade Runner, de Ridley Scott, 1982.

20. Ueno


Desde pequeno a filosofia oriental sempre esteve presente em minha vida. Cresci praticando Kung Fu, Tai Chi Chuan, Karatê e vendo minha mãe exercendo e aplicando Yoga, Shiatsu e Acupuntura. Sempre gostei de assistir filmes orientais, que a todo momento apresentam histórias sob os enlaces da cultura asiática e desfechos que são verdadeiras lições de vida.

Os filmes orientais, especialmente japoneses e chineses, são continuamente baseados em histórias sobre lutas ou guerras do passado onde sempre trazem uma reflexão para o cidadão contemporâneo, que mesmo não precisando duelar fisicamente com ninguém, precisa enfrentar uma batalha natural em seu cotidiano, já que estamos sempre buscando nos superar de alguma forma (estudos, trabalho, carreira) e o preço que se paga para se alcançar o sucesso é peleja rotineira.

Porém, mesmo estudando e praticando a filosofia oriental em minha vida desde sempre, somente agora, após ter passado algumas semanas em Tóquio, pude entender de fato que é uma cultura que vai além das lições de moral das nossas lutas do dia-a-dia. Os japoneses praticam a honra, a lealdade, a educação, harmonia, a hospitalidade e as boas relações o tempo todo, com quem quer que seja.

21. Casamento tradicional


Tóquio, a maior, mais movimentada e mais complexa cidade do planeta consegue nos passar uma sensação de paz de espírito que não conseguimos sentir nem quando estamos descansando na praia. Cidadãos serenos e extremamente educados criam esse ambiente de tranquilidade, mesmo em uma agitada metrópole.

E tudo isso tem um nome: Omotenashi.

Ainda no Brasil eu já tinha ouvido falar nessa expressão, que muitas vezes é traduzida de forma simplória como "hospitalidade". Mas percebi que vai muito além disso. O Omotenashi é um estilo de vida dos japoneses, que combina educação e cordialidade a uma extrema polidez requintada. Omotenashi vai muito além da hospitalidade e da educação a qual estamos acostumados. É um conceito mais profundo que reflete todo o comportamento do povo de lá. O Omotenashi ensina que nunca devemos pensar individualmente, que um ambiente coletivo saudável torna a vida mais leve e prazerosa, que a comunhão facilita o progresso do coletivo e também de cada indivíduo em separado, sempre com exímio respeito à individualidade.

22. Ruas de Nihonbashi


Certo, mas o que o Omotenashi representa na prática? Coisas simples mas de grande importância, pequenas atitudes que fazem toda a diferença no cotidiano. Alguns exemplos rasos:

- Pessoas gripadas usam máscara cirúrgica para evitar contagiar os outros. Por isso é muito comum vermos cidadãos com máscaras na cidade. Não é uma regra, ninguém vai brigar contigo se você espirrar na rua. Mas por precaução, o gripado usa a máscara em respeito ao próximo. Ainda mais em Tóquio, onde o contato humano é constante, tamanho número de pessoas nas ruas e no transporte público.

- Em uma obra, seja uma grande construção ou uma simples reforma nos azulejos, sempre há um guardinha orientando os pedestres sobre a obra, e sempre fazem de tudo para que a passagem fique o mais desobstruída e limpa possível. Aliás, é impressionante o quão limpo fica o piso perto das obras. Em todas que passamos nem parecia obra, tamanha impecabilidade do entorno.

- E por falar em obra, sempre que alguém vai iniciar uma reforma em sua casa, ele presenteia os vizinhos com sabão em pó, pois sabe o transtorno que é uma obra pra quem lava roupas, as quais inevitavelmente ficarão cheias de pó.

- O ato de se cumprimentar começa com uma reverência, a prática de se curvar o corpo e abaixar a cabeça a um convidado, amigo, cliente ou quem quer que seja. E eles fazem isso o tempo todo! Fazem até ao telefone, mesmo sabendo que a pessoa do outro lado da linha não está vendo.

- Em um estabelecimento comercial, sempre somos recebidos com um caloroso irashaimase!, que significa seja bem-vindo. Ao entrar, todos os atendentes se levantam e nos cumprimentam. Ao pegar o dinheiro, sempre pegam com as duas mãos em sinal de respeito. Colocavam a mão embaixo da minha na hora de dar troco para evitar que qualquer moeda caia e quando a gente deixava a loja, não era raro que ficassem curvando-se e se despedindo até sairmos de suas vistas.

- No Japão a cordialidade é praticada até pelas máquinas. Tudo faz algum barulho ou emite uma voz digital pedindo desculpas ou agradecendo, seja no metrô, no elevador ou esperando o sinal abrir. Além disso, a porta dos táxis se abrem sozinhas. Aliás, quase toda porta se abre sozinha, mesmo de estabelecimentos mais simples.

- Deixou cair alguma coisa na rua? Não se preocupe. Basta tentar lembrar onde foi que você perdeu o objeto e voltar ao local que com certeza ele estará lá, em cima de alguma caixa de correio ou pendurado no portão. Tóquio é a capital mais segura do mundo, à frente de cidades como Zurique na Suíça ou Oslo na Noruega. Furtos e roubos são quase inexistentes no Japão, e por isso, você pode voltar ao local com a certeza de que irá encontrar o acessório perdido, e isso vale inclusive para carteiras. Eu e Lígia víamos constantemente chaveiros, sacolas e chapéus dependurados pela cidade.

23. Ruas de Ginza


De um modo geral, Omotenashi tem a ver com a cordialidade em relação ao próximo. Entender suas necessidades e procurar sempre auxiliá-lo, atitudes que valem para todos os tipos de convívio social. E isso é recíproco no Japão, fato que criou uma sociedade polida e muitíssimo educada.

E o mais bacana disso tudo é que a filosofia Omotenashi não está ligada a nenhuma religião ou dogma, já que os japoneses são pouco religiosos. Eles não fazem isso esperando uma vaga no céu. Pelo que soube, o Omotenashi se originou nos antigos rituais de cerimônia do chá e da prática de artes marciais. Na cerimônia do chá, existe um provérbio famoso chamado “Ichigo ichie”, que significa “um encontro que acontece uma só vez na vida”. Algo como o nosso "Carpe Diem". Para isto, o anfitrião preparava o chá e todo o ambiente com detalhes pudessem criar uma atmosfera única, de harmonia, respeito e tranquilidade. É a forma de proporcionar ao seu convidado um momento singular em sua vida.

24. Becos limpos e seguros


Já nas artes marciais, a cordialidade e a compaixão eram valores fundamentais do ódigo de ética criado pelos samurais. Este código, rico em preceitos morais, ensinava desde a maneira correta de se curvar ao servir o chá em uma cerimônia, como também enfatizava o respeito pelos outros, inclusive pelos inimigos.
E o mais bonito disso tudo é que esse excesso de gentileza é tão contagioso como um vírus epidêmico. Nos primeiros 8 dias em Tóquio eu e Lígia já estávamos encurvando e reverenciando naturalmente ao cumprimentar as pessoas. No sétimo dia, ao comprar um tíquete de metrô, me peguei encurvando para a máquina sem querer.

Eu e Lígia fomos a um bar no bairro de Nihonbashi, perto do nosso hotel, para curtir a noite de sexta-feira e em poucos minutos fomos sendo acolhidos por todos os presentes. Fizemos alguns amigos e conversamos até entortar a língua, mesmo usando um inglês rudimentar. No fim da noite um senhor muito simpático (com o qual já estávamos conversando havia um tempo) foi à nossa mesa e disse para nós: "Omotenashi". Explicou que o termo é utilizado também quando há sentimento de afeição entre as pessoas. Saímos do bar maravilhados com tamanha beleza do japonês, algo que não dá pra colocar em palavras. Uma noite mágica, uma experiência que nunca havíamos vivenciado até então.

A sabedoria oriental não está apenas na moral, na honra e nos bons costumes. Está em cada pequeno detalhe deste deste maravilhoso país.

Aprendamos com os japoneses e coloquemos mais Omotenashi em nossas vidas.

25. Iluminada noite toquiota


Akihabara Electric Town, um distrito do bairro de Chiyoda que faz sucesso entre os jovens, geeks, fotógrafos e demais amantes da tecnologia. É uma região comercial com alta concentração de lojas, galerias e shoppings de eletrônicos em geral, de câmeras fotográficas à videogames, de escovas de dente elétricas aos celulares, tudo de última geração e tecnologia de ponta. É em Akihabara que possui também a maior concentração de lojas de animes e mangás de Tóquio, além de cafés temáticos no gênero.

26. Akihabara


Lá encontramos andares inteiros de shoppings dedicados exclusivamente à fotografia, com todas as câmeras, lentes, acessórios e demais equipamentos expostos para serem testados à vontade. Isso é incrível, pois no Brasil muitas vezes precisamos comprar equipamento às escuras, sem saber se o mesmo presta ou não, precisando recorrer sempre aos fóruns e reviews sobre o respectivo item. Mas estando em Tóquio basta ir à Akihabara. Pude testar todos os principais lançamentos do ano no gênero e já estou atualizado sobre o mercado até 2017.

Fora que o lugar é um espetáculo de prédios iluminados e sons eletrônicos emitidos pelas lojas que nos faz sentir que estamos, quase literalmente, dentro de um jogo de videogame dos anos 80.

Uma maravilha!

27. Rio Sumida


Em Tóquio pegávamos metrô só pra voltar para o hotel. Para ir aos lugares, íamos a pé mesmo, para curtir a cidade e fotografar. Caminhávamos cerca de 16km por dia, em média. Teve dia que andamos 19km. Eu e Lígia conseguimos gastar dois sapatos novos só nas três semanas que estivemos em Tóquio.

28. Ruas de Ueno


Apesar de ser outono ainda, os dias que passamos em Tóquio foram dias bem frios. Um dos dias mais frios foi quando choveu e estávamos na elegante Ginza, onde fazia 8º; com fortes ventos que despencavam a temperatura para uns 5º. A região é mundialmente conhecida como como um dos distritos de compras mais luxuosos do planeta, com inúmeras lojas de departamento, butiques, restaurantes e cafés, além de possuir um dos metros quadrados mais caros do mundo.

29. Ginza


Todos os dias, após 8 ou 9h de sono profundo, acordava com uma leve fresta de luz que entra pelas janelas do quarto. Se eu estivesse no Brasil, viraria para o lado e dormiria mais um pouquinho. Mas ao despertar, me dava conta que estava do outro lado do planeta em uma das cidades mais excitantes do mundo.

Saltava da cama empolgado e logo ia à janela espiar a movimentação das ruas. Via homens de terno e gravata, camisas modernas de lapela curta, pastas de couro e sapatos brilhantes como se tivessem acabados de sair da loja. O olhar compenetrado na caminhada definiam a determinação pelos afazeres do dia. Os homens japoneses se vestem de forma elegante para irem trabalhar, sejam eles atendentes de recepção ou gerentes de grandes empresas, fato de garante uma certa balança social nas vias públicas da cidade. E o mesmo vale para as mulheres, que de esporte fino ou tenue de ville, estão sempre na beca. Os toquiotas de um modo geral são hegemonicamente vaidosos.

30. Toquiotas


Tóquio é uma cidade que começa muito cedo. Trabalhadores e devotos às empresas que vos acolhe, os japoneses são workaholics ao extremo, e por isso, dão a vida à sua carreira. E é graças a tal fato que existem muitos casos de estresse em ambiente corporativo, pois muitos não se adaptam ao rigor e à pressão desses lugares. O japonês é excessivamente exigente com seu ofício, o que, talvez por esse fato, tudo que vem do Japão é de extrema qualidade. Basta ver os comparativos de produtos japoneses com o de outras nacionalidades.

31. Por do sol em Töquio


Estávamos em um hotel no bairro de Nihonbashi, um distrito empresarial da região administrativa de Chuo. Sempre acordava minha esposa entusiasmado com a luz da manhã, convidando-a para um banho rápido para saírmos em seguida em direção ao Caffe Calmo, afim de tomar um delicioso café blend desenvolvido pelo proprietário, acompanhando de pães tostados com queijo. Ao chegar no estabelecimento, éramos recebidos de pé com um caloroso "Irashaimase!" de todos os funcionários, seguidos por sua tradicional reverência (encurvar a coluna e abaixar a cabeça) ao cumprimentar alguém. Ao nos sentarmos, a delicadeza se prosseguia com outras duas tradições nipônicas: toalha quente e água. A toalha, úmida, vem quase fervendo, e serve para limparmos as mãos antes da refeição. Os japoneses são muito asseados! A água é cortesia do local, como é comum em praticamente todos os restaurantes, bares e cafés do país.

32. Limpando o que já estava limpo


No Japão tomávamos água de torneira. O governo assegura que é uma água limpa para consumo dispensando filtragem, pois é uma água que possui fontes minerais. Em outros países desenvolvidos isso é comum também, mas normalmente possuem alto teor de algum mineral não tão interessante. Já no Japão, não. A água é pura mesmo, e com quantidades ideais de minerais para o consumo. Num primeiro momento assustei, mas depois que experimentei percebi o quão pura e saborosa é a água da torneira em Tóquio. Inclusive é possível comprar água da torneira engarrafada nas máquinas de cafés e chás espalhadas pelas ruas da capital. Por esse motivo, os estabelecimentos comerciais não vendem água, fornecendo-a gratuitamente o quanto o cliente precisar.

O café era uma delícia, puro, não é forte nem fraco e seu amargor é equilibrado. Os pães são de farta espessura e massa aveludada, cobertos com um suculento queijo cujo sabor é um misto de muçarela light com gruyére. Tudo um espetáculo! A música ambiente, tranquila, que mistura jazz, soul e... MPB.
Peraí, MPB? Música popular tupiniquim? Exatamente! Inacreditáveis 1 em cada 2 estabelecimentos que visitamos em Tóquio tocavam música brasileira de qualidade. Precisei viajar 20 mil quilômetros para escutar Chico Buarque, Nara Leão, Caetano, Tom Jobim e outros ilustres da nossa música em ambientes simples, como cafés ou restaurantes, os quais nada tinham a ver com a cultura brasileira. Infelizmente os estabelecimentos brasileiros estão precisando aprender com os japoneses nesse quesito. Nossa música é uma das mais ricas do planeta e está, aos poucos, se desfazendo e dando lugar para uma música fraca e inexpressiva. Faz tempos que não escuto MPB em um restaurante brasileiro (salvo quando tem música ao vivo), e olha que sou assíduo frequentador da noite belo-horizontina, brasiliense e paulistana. Fiquei feliz em saber que nossa cultura está sendo plenamente apreciada. Pena que é do outro lado do planeta.

33. Ruas tradicionais


Após nos deliciarmos com o breackfast japonês e definirmos os roteiros do passeio do dia, pagamos a conta e saímos. Apesar da eficiência e abundância do sistema de trens e metrôs de Tóquio, sempre damos preferências para caminhadas a pé, pois dá pra sentir mais a atmosfera do lugar e aproveitar para fotografar. O metrô a gente deixa pra mais tarde, pra volta, quando nossos pés clamam por descanso.

Após 15 minutos de caminhada, a água que me ofereceram no café começa a mostrar sinais de rebeldia e logo me sinto muito apertado: preciso tirar a água do joelho! O que faço? Volto pro hotel? Volto pro café? Vou perder tempo, já andei 15 minutos, isso dá 1 quilômetro e mais um pouco. É o fim?

Não, não precisei perder tempo voltando pro hotel para fazer um simples xixi. Em todos os bairros de Tóquio os banheiros públicos são abundantes. Mas peraí... banheiro público? Isso é nojento, fedorento e não tem papel!
Certo? Errado.

Como já disse anteriormente, no Japão, banheiro público é limpo e perfeitamente utilizável. E tem papel! Portanto, escolhi um banheiro mais próximo e fui lá fazer minhas necessidades. Ao terminar, não precisei tocar em nada. A descarga é automática, a água da torneira é automática, o lançador de espuma de sabão é automático e o secador de mãos é automático. Saí do banheiro me perguntando se estava mesmo em um banheiro publico ou um shopping. Mas era público. De rua. Embaixo de um viaduto.

34. Um dia de chuva


Outro fato interessantíssimo é que os 20 dias que fiquei em Tóquio eu não vi 1 banheiro sujo sequer. O piso perto dos mictórios e privadas não tinham respingos de xixi e os lixos estavam em seu devido lugar. Excesso de faxina? Definitivamente não, vi poucos faxineiros e agentes de limpeza nas ruas. Excesso de cuidado com o próximo! O fato de não ter xixi fora do lugar se deve ao senso de coletividade do cidadão japonês. Ele faz seu xixi no lugar certo pois sabe que, depois dele, outro utilizará o espaço e espera encontrá-lo limpo e em plenas condições de uso.

Que tempos são esses em que nos impressionamos com o que deveria ser óbvio?
Sem comentários. Sigamos.

35. Entardecer na megalópole


As caminhadas pelas ruas da maior cidade do mundo são excitantes e recheadas de estímulos visuais. Os japoneses gostam muito de imagens, telões e letreiros luminosos, e como o comércio na cidade é muitíssimo forte, esses influxos são constantes. Enquanto no Brasil temos comércio concentrado em regiões específicas, em Tóquio ele é presente em praticamente todas as avenidas e ruas coletoras, dando a impressão que estamos sempre em um "centro de cidade". Mas não passam de comércio de bairro, porém rico e forte.

36. Cena comum em Tóquio


Andamos bastante por Asakusa antes de parar para comer. O bairro abraça um dos maiores templos de Tóquio, o Sensō-ji, além de ter o maior pagode da cidade. Sambão de botequim? Não. Pagode é um tipo de templo em forma de torre delgada com múltiplos andares, adornados em suas beiradas por belíssimos telhados. Não fotografei o pagode do Sensō-ji pois ele estava em reforma, mas uma rápida busca pelo Google dá pra se ter uma noção do que é.

37. Asakusa


Curiosamente, desde o final dos anos 70 a região de Asakusa recebe o maior desfile de samba fora do Brasil, onde participam 17 escolas de samba e quase 5 mil sambistas. O Carnival Samba Asakusa é a maior festividade carnavalesca do Japão, e acontece sempre no último sábado de agosto, recebendo meio milhão de apreciadores. O evento é organizado pela Associação das Escolas de Samba de Asakusa, que ocasionalmente convida sambistas brasileiros para participarem da festividade.

Ou seja, no Japão tem pagode! E tem samba de enredo!

38. Toquiotas


Asakusa é a vitrine japonesa da coexistência serena do antigo e do novo, pois é uma região tradicional com inúmeras edificações lendárias rodeadas por modernos arranha-céus e torres de transmissão. Sua atmosfera cultural é representada também pela culinária típica praticada no local. E por isso, eu e Lígia não poderíamos parar em outro lugar para comer. Escolhemos um restaurante e entramos. Era um estabelecimento simples, mas muito movimentado. E, como sempre, fomos recebidos com um carinhoso irashaimase (a frase japonesa de boas vindas) por todos os funcionários do restaurante, dentre garçons e cozinheiros. Fomos para o segundo andar e pedimos lámen. Não, não era miojo. O lámen é uma espécie de macarronada ensopada com carne, legumes, cogumelos, nirá (um tipo de erva com gosto de alho) e finalizada com um ovo cozido por cima. O tempero é a base de alho-poró e pimenta do reino. O macarrão é enroladinho, assim como o nosso miojo. Para acompanhar, nada melhor que uma dose de saquê, o vinho japonês feito a partir da fermentação do arroz. Pense num "trem" gostoso! O prato custa 5 dólares (muito barato para os padrões japoneses) e é uma delícia! Vem muito bem servido em uma tijela de uns 25 cm de diâmetro e satisfaz tranquilamente quem está com bastante fome, pois é uma refeição completa.

39. Torre Skytree (a maior torre de transmissão do mundo) e Cocô Dourado (é assim que os japoneses chamam essa estranha edificação dourada no canto direito da foto, projetada pelo francês Philippe Starck).


Aliás, engana-se quem acha que no Japão só se come peixe cru. Pelo contrário, esse é só um dos tipos de iguaria do país. Experimentamos de tudo um pouco em Tóquio, macarrões, frituras, mexidos, sopas, doces... e claro, peixe cru! Posso dizer com segurança que a culinária japonesa é uma das mais diversificadas do mundo. Não é atoa que ela foi classificada pela Unesco como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade.

Após conversar bastante sobre o Japão e comer maravilhosamente bem, hora de andarmos mais um tanto e conhecer outras ruas e becos de Asakusa.
Estamos alegres e sonolentos; não sei se em função da comilança ou do saquê, pois ainda que o mesmo tenha sido servido em dose pequena, foi o suficiente para dar uma boa relaxada.

40. Ruas intensas, porém, sem congestionamento.


Caminhar por Tóquio é uma das experiências mais gratificantes em minha carreira como fotógrafo de rua. A cidade de Tóquio é linda, seus habitantes centrados e elegantes, e seus bairros encantam pela arquitetura, pela sua organização e pela limpeza de suas vias. São qualidades até estranhas para maior metrópole do planeta, haja vista que, normalmente, cidade grande sempre está associada a uma atmosfera caótica. Como se não bastasse, Tóquio é também a cidade com maior produto interno bruto (PIB) do mundo, calculado em aproximadamente US$ 1,5 trilhão de dólares. Se fosse um país independente, Tóquio sozinha seria a 12º economia do planeta, à frente de países como Espanha, Canadá e Austrália.

41. Interior da Sky Tree, a segunda maior edificação do planeta, atrás do Burj Khalifa


Caminhamos mais uns 4km por Asakusa, conhecemos várias lojinhas bacanas que vendem produtos tradicionais e doces japoneses, atravessamos uma grande ponte e paramos na região de Sumida, ao lado do rio homônimo. Entramos em uma loja de conveniência, pois Lígia precisava comprar acetona para remover esmalte das unhas. Após muita procura, finalmente encontramos um produto que se parecia com uma acetona, mas antes de ir para o caixa, nos dirigimos a uma atendente mulher para podermos confirmar a utilidade do produto. Arrisquei um inglês na pergunta:

- Is this acetone? Nail polish solvent?

A moça não entendeu. Vale dizer que no Japão é bem comum as pessoas falarem inglês, e ainda que seja raro encontrarmos quem não fale nada, vez ou outra esbarramos com alguém. Então fomos na base da mímica mesmo, sugestionando com movimentos de mãos que estávamos com dúvidas se o produto removia esmalte de unha. Quando a moça compreendeu a pergunta, caiu na gargalhada. Eu e Lígia ficamos sem entender, mas já tínhamos percebido que o produto não tinha nada a ver com acetona. No fim a atendente nos explicou, com mímica, que aquele produto era uma bombinha aromatizadora para disfarçar cheiro de... pum! Isso mesmo, depois de um prato farto em repolho, ovo ou feijão, nada melhor que uma bombinha para aromatizar o ar com cheiros florais ou cítricos.

Coisa de japonês!

42. Ruas de Kanda


Mas faz todo sentido. Algumas atitudes que são consideradas nojentas para nós brasileiros (quando praticadas em público) são normais para os japoneses, e por isso, eles desenvolveram formas de lidar com o problema sem ter que omitir o ato. As privadas nos banheiros, por exemplo, possuem botõezinhos para um monte de coisas, de aquecimento da tampa ao jato de água para lavar o bumbum. E possuem também botões que, quando pressionados, soltam sons de passarinhos, para disfarçar eventuais barulhos flatulentos. Pra nós pode parecer engraçado, mas pra eles é perfeitamente normal lidar abertamente com a situação. Nada pior que segurar pum por conta do cheiro ou do barulho. Então, depois daquela feijoada, basta comprar bombinhas aromatizantes e apertar botões que soltam sons de passarinhos.

43. Contrastes toquiotas


No fim, a atendente nos mostrou o que era a acetona, compramos e seguimos viagem. Era um dia chuvoso e começava a anoitecer. Ainda eram 16h30 da tarde, mas nesse horário em Tóquio o sol já se pôs, pelo menos nessa época do ano. Isso é muito estranho inclusive, pois para nós mineiros que estamos acostumados com o pôr do sol às 18h (ou 19h no horário de verão), é difícil acostumar com o adiantado anoitecer toquiota. Nos primeiros dias isso causou tremenda confusão em nossas cabeças, pois sempre estávamos com a impressão de que já era hora de jantar, sendo que ainda nem tínhamos tomado o café da tarde.

44. Um beco interessante, fotografado com lente fisheye


Um gole de café para reaguçar a visão do fotógrafo que observa o maravilhoso fim de tarde japonês, após treze quilômetros de intensas caminhadas e muito cliques. Naquele dia estávamos animados, pois estávamos prestes a conhecer a efervescente noite em Tóquio. A inquieta cidade se agita de segunda a segunda, pois é visceralmente boêmia.

45. Tóquio


Pra quem gosta de comer, Tóquio é um prato cheio! A cidade possui os mais premiados restaurantes do mundo, segundo o lendário guia Michelin, que classificou 260 restaurantes da cidade com suas emblemáticas estrelas, um número quase três vezes à frente da segunda colocada, Paris. Isso sem contar seus infindáveis restaurantes: são 160 mil estabelecimentos! Um número maior que o de Nova Iorque, Paris, Londres e São Paulo juntas!

47. Tokyo Noir


Tóquio é uma cidade noturna. Ao sair do trabalho, os toquiotas sempre passam em algum lugar antes de ir pra casa, e muitas vezes, permanecem no estabelecimento até o dia raiar. A maior cidade do planeta fervilha sob a luz do luar e seus misteriosos cidadãos penetram os becos em busca dos mais aconchegantes izakayas para aquecer o coração solitário depois de um dia intenso de trabalho. A cidade nua é redescoberta a cada meia noite por boêmios de plantão, que excitam-se ao licor doce do saquê, tais quais os gatos que, após uma longa jornada de sono vespertino, despertam-se para dilacerar subitamente a noite conforme seus próprios instintos.

48. Mãos da prole japonesa


Mas naquele dia resolvemos experimentar algo diferente: um isakaya. Os isakayas são botecos japoneses, mas com o diferencial de serem bem pequenos. Alguns izakayas são do tamanho de um banheiro, acomodando apenas uma mesa para quatro clientes. A pronúncia é "izacaiá", com agudo no último "a". Quase todas as palavras japonesas são oxítonas, então fica fácil de entender a forma de se falar determinada palavra quando estamos no Japão, salvo algumas exceções.
Outro aspecto interessante é que o izakaya tem uma função cultural de reatar ou reafirmar os laços entre as pessoas, além de promover um ambiente de confraternização. Não é apenas um lugar para apenas bebermos, divertirmos ou chorarmos pitangas, como botecos tradicionais. O izakaya está tão ligado à cultura japonesa que muitas reuniões de empresas terminam em um estabelecimento do gênero, prática comum desde os tempos feudais no Japão, quando um determinado patrão levava seus empregados a um izakaya para conversar sobre a produção do dia.

49. Cena comum em ruas estreitas


Andando pelas ruas de Nihonbashi, um bairro às margens do Rio Sumida, nos deparamos com um izakaya muito animado, onde fomos praticamente intimados a entrar, tanto pelos atendentes quanto pelos clientes. Não era um estabelecimento tão pequeno, mas ainda assim mal cabiam 12 pessoas. Chegamos perto da porta para vermos o cardápio (todo restaurante / bar / izakaya do Japão coloca seu cardápio na porta com fotos dos pratos para facilitar a vida dos estrangeiros; ou mesmo colocam a própria comida feita de plástico para o interessado ter uma experiência tridimensional ao escolher). O pessoal lá dentro começou a nos chamar e gesticular para entrarmos. O gesto ocidental para chamar com as mãos é de baixo pra cima. Do japonês é de cima pra baixo. No início nos confundimos um pouco, mas logo pegamos o jeito.

50. Akiba


Konbawa! Chegamos um pouco tímidos, pronunciando apenas expressões básicas em japonês, como olá, boa noite e muito obrigado. Aliás, konbawa significa boa noite, quando ela ainda está no início. Sentamos, pedimos saquê para beber, um combinado com linguiças diversas para degustação, batatas assadas com alho e vegetais refogados (esse último é um petisco comum no Japão, e costuma ser brinde do estabelecimento).

Passados uns 15 minutos, um senhor japonês muitíssimo simpático que estava na mesa ao lado se dirigiu à nossa mesa para conversarmos. Ele estava bebendo a um tempo, mas não estava chapado, apenas mais descontraído. Conversamos bastante, e mesmo utilizando um inglês mais simples, conseguimos dar boas risadas e trocar informações. Ele estava ali no izakaya com dois colegas de trabalho, que logo em seguida foram conversar com a gente também.
Comemos, bebemos e rimos muitos com os senhores japoneses. Ao se despedirem, um deles foi ao balcão e trouxe outro japonês para nos fazer companhia, pois temia estamos desamparados. Dessa vez um jovem muito simpático e descolado, o qual também fizemos amizade, compartilhamos os endereços de nossas redes sociais e rimos à beça! Ele nos perguntou como se falava um palavrão em português. Com um certo receio, ensinamos. Como ele já tinha bebido mais que a conta, começou a falar em alto tom o tal palavrão! Foi engraçado demais ver aquele japonês que mal sabia falar inglês tentando xingar um palavrão em português! No fim todos rimos muito! E o saquê já começava a fazer efeito.

51. Anoitecendo


Após um tempo jogando conversa fora e perguntando sobre a vida um do outro, ele se despediu e se dirigiu à mesa que se encontrava inicialmente. Em seguida, conhecemos um casal muitíssimo simpático, ele de Singapura e ela de Tóquio. Foi a mais longa conversa que desenvolvemos com alguém no Japão, pois ficamos quase duas horas conversando. Nem nós sabíamos que tínhamos inglês suficiente pra isso tudo! Casal simpático, alegre e muito centrado. Ela trabalha em um restaurante; ele é consultor de uma multinacional especializada em inteligência artificial.

52. Por do sol toquiota


Acharam fantástico quando dissemos que éramos do Brasil. Aliás, todo japonês sempre se espanta quando dissemos que somos brasileiros, e nos agradecem por ter escolhido o Japão para visitar, haja vista que são países tão distantes um do outro. Não me lembro de agradecer um turista por visitar minha cidade no Brasil, mas vou aderir à prática. Apesar de estarmos interagindo bastante, já era tarde e nosso amigo singapurano precisava levar sua namorada em casa. Mais uma vez, trocamos redes sociais, ele nos colocou em contato com uns fotógrafos japoneses e foram embora.

53. A polícia japonesa, a mais ociosa entre as polícias das grandes cidades do mundo


Nessa altura do campeonato, o saquê já estava fazendo a festa em nossas cabeças! Não somos de beber em excesso, mas como o papo estava bom demais, nem percebemos que estávamos tratando o saquê como se fosse água.

3h da madrugada, hora de ir pro hotel pra descansar, pois o dia foi longo e a noite, inspiradora. Conhecemos pessoas incríveis e batemos papos muitíssimo enriquecedores. Ao saírmos, quase coloquei a câmera na bolsa... mas aí lembrei que estava em Tóquio, capital mais segura do mundo, à frente de Zurique e Berna. Deixei no ombro mesmo.

54. Toquiotas


A noite, além de gostosa, foi importante para socializarmos um pouco com os japoneses e compreendermos como eles se divertem. No dia-a-dia em Tóquio os cidadãos são muito compenetrados em seus afazeres e devotos às empresas que trabalham, fato que confere um ar demasiadamente sóbrio (e um tanto elegante) às ruas da cidade. Não que isso seja ruim, pelo contrário, é admirável a limpeza, organização e a eficiência da maior metrópole do mundo. Mas ainda ficávamos com aquela pergunta na cabeça: será que esse povo só trabalha? Será que sabem se divertir?

Hoje temos certeza que sabem! E muito.

55. Cidadão japonês


A sociedade com o maior senso de coletividade do mundo preza sempre pela individualidade alheia. Vá aonde quiser, como quiser, quando quiser, vista o que quiser, seja quem você quiser... desde que suas atitudes não atrapalhem o fluxo. Seja parte do fluxo, ajude-o a crescer. Educação e cordialidade valem mais que o mais caro dos presentes, pois os japoneses acreditam que a solidariedade é o verdadeiro dízimo social.

Omotenashi!
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Last edited by Charles Tôrres; July 15th, 2018 at 04:34 AM. Reason: Mudança nas atualizações do thread.
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Old November 19th, 2016, 04:47 PM   #2
Rdx MG
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Bacana o relato sobre Tóquio.
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Old November 20th, 2016, 07:29 AM   #3
Lucas Souza RF
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Cara, sem dúvida um dos melhores e mais completos threads que já vi. Não só pelas fotos, mas pelos relatos e descrições.
Tóquio tem grandeza e beleza. Representa um país exemplar para o mundo.
Parabéns pelas imagens, capricho e pela sua viagem que certamente foi muito gratificante!
Destaque para as imagens 5, 6, 17, 40, 41 e 52.

Omotenashi!
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Old November 20th, 2016, 07:34 PM   #4
jguima
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Fantástico o teu thread, seja nas fotos ou na riqueza de informações desta grandiosa megalópole!! Estamos planejando( eu e minha esposa) uma ida a Tóquio em 2017, chegamos a ver uma conexão em Doha, ficar 1 dia na capital do Catar e depois seguir em direção a capital japonesa. O que está deixando a gente meio que reticente é justamente é o tempo de voo, exaustão de um percurso de um percurso tão longo, mas já vi que vale a pena.
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Eu tenho pressa, vamos nessa direção
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Old November 20th, 2016, 11:53 PM   #5
Manauaras
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Thumbs up Eu fiquei sem saber o que dizer!

Não quero me alongar muito porque o pessoal já comentou exatamente o que ia falar. Seu thread está fantástico, completo e absurdamente informativo. De longe o mais espetacular thread que já vi no SSC/BR independente do tema abordado! Parabéns!

Quanto à Tóquio, só me resta essa expressão:
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Old November 21st, 2016, 03:09 AM   #6
Charles Tôrres
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Originally Posted by Rdx MG View Post
Bacana o relato sobre Tóquio.
Valeu!!
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Old November 21st, 2016, 03:12 AM   #7
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Originally Posted by Lucas Souza RF View Post
Cara, sem dúvida um dos melhores e mais completos threads que já vi. Não só pelas fotos, mas pelos relatos e descrições.
Tóquio tem grandeza e beleza. Representa um país exemplar para o mundo.
Parabéns pelas imagens, capricho e pela sua viagem que certamente foi muito gratificante!
Destaque para as imagens 5, 6, 17, 40, 41 e 52.

Omotenashi!
Muito obrigado, Lucas! De fato, Tóquio é um grande exemplo para o mundo. Existem outras cidades e países sensacionais no planeta, mas o Japão parece reunir um pouco de todas as qualidades possíveis em um lugar.

Omotenashi! Konbawa!
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Old November 21st, 2016, 03:15 AM   #8
Charles Tôrres
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Originally Posted by jguima View Post
Fantástico o teu thread, seja nas fotos ou na riqueza de informações desta grandiosa megalópole!! Estamos planejando( eu e minha esposa) uma ida a Tóquio em 2017, chegamos a ver uma conexão em Doha, ficar 1 dia na capital do Catar e depois seguir em direção a capital japonesa. O que está deixando a gente meio que reticente é justamente é o tempo de voo, exaustão de um percurso de um percurso tão longo, mas já vi que vale a pena.
Valeu amigo! Realmente é uma viagem muito cansativa, mas vale muito a pena. Recomendo ir por Dallas, caso queira o menor percurso. Eu ia por Dubai, mas a viagem se prolongaria umas 5 ou 6h.

Bom, se precisar de umas dicas é só falar. Eu e minha esposa pretendemos abrir um negócio em Tóquio, e por isso, tenho estudado muito sobre o Japão.

Abraços!
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Old November 21st, 2016, 03:16 AM   #9
Charles Tôrres
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Originally Posted by Manauaras View Post
Não quero me alongar muito porque o pessoal já comentou exatamente o que ia falar. Seu thread está fantástico, completo e absurdamente informativo. De longe o mais espetacular thread que já vi no SSC/BR independente do tema abordado! Parabéns!

Quanto à Tóquio, só me resta essa expressão:
Poxa, fiquei lisongeado com o elogio. Valeu mesmo, fico feliz que tenha gostado!

Forte abraço!
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Old November 21st, 2016, 03:13 PM   #10
Chris00
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Nao tem nem o que comentar, sem palavras... wow.
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Old November 21st, 2016, 04:58 PM   #11
NaMosca
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Parabéns pelo thread! Espetacular o relato e as fotos.

Admiro muito o Japão.
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Old November 21st, 2016, 06:20 PM   #12
cassianoitu
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Belíssima cidade!!!Sem duvidas uma das mais lindas do mundo!!!
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O sitio e o AP e seu? Não! E de um amigo meu!!
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Old November 21st, 2016, 07:42 PM   #13
Rio atrato
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Que delícia de thread cara, que trabalho primoroso. Todos os adjetivos são poucos para essa postagem tão trabalhosa e detalhada que fizestes.

Você ainda vai subir mais fotos de Tóquio nas próximas páginas?

Eu AMO threads com relatos pormenorizados, são muito mais entretidos do que aqueles que possuem apenas fotos. O seu thread está literalmente uma viajem para Tóquio hehe.

Sempre fui fascinado pelo Japão, pela força e resiliência daquele povo, o amor pela inovação e ao mesmo tempo o respeito às tradições.

Creio que nenhum país possui a infra-estrutura japonesa em transportes, nem EUA, nem Alemanha, nem França, ninguém superou a engenhosidade japonesa nessa área. E tudo isso em um solo muito complicado, à beira de uma baía e com tremores de terra diários.

Ler relatos sobre o sistema de transporte de Tóquio parece nos causar uma sensação de ler relatos sobre as metrópoles brasileiras de 2100

Tóquio pode não ser cosmopolita ou não ter muita arquitetura histórica como outras grandes urbes europeias/americanas, mas sem dúvidas tem um "não sei que" que a torna um dos locais mais fantásticos da Terra.
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Old November 21st, 2016, 10:10 PM   #14
Charles Tôrres
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Originally Posted by Chris00 View Post
Nao tem nem o que comentar, sem palavras... wow.
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Originally Posted by NaMosca View Post
Parabéns pelo thread! Espetacular o relato e as fotos.

Admiro muito o Japão.
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Originally Posted by cassianoitu View Post
Belíssima cidade!!!Sem duvidas uma das mais lindas do mundo!!!
Valeu amigos!
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Old November 21st, 2016, 10:31 PM   #15
Charles Tôrres
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Originally Posted by Rio atrato View Post
Que delícia de thread cara, que trabalho primoroso. Todos os adjetivos são poucos para essa postagem tão trabalhosa e detalhada que fizestes.
Muito obrigado amigo! Fico feliz que tenha gostado!

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Originally Posted by Rio atrato View Post
Você ainda vai subir mais fotos de Tóquio nas próximas páginas?
Fiz cerca de 3 mil fotos ao longo dos 20 dias que fiquei na cidade. A ideia inicial do thread era manter apenas as 55 fotos, mas quando ele "esfriar", posso pensar e postar mais algumas.

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Originally Posted by Rio atrato View Post
Eu AMO threads com relatos pormenorizados, são muito mais entretidos do que aqueles que possuem apenas fotos. O seu thread está literalmente uma viajem para Tóquio hehe.

Sempre fui fascinado pelo Japão, pela força e resiliência daquele povo, o amor pela inovação e ao mesmo tempo o respeito às tradições.

Creio que nenhum país possui a infra-estrutura japonesa em transportes, nem EUA, nem Alemanha, nem França, ninguém superou a engenhosidade japonesa nessa área. E tudo isso em um solo muito complicado, à beira de uma baía e com tremores de terra diários.
Pois é, essas características são as que mais impressionam. Outras grandes cidades no mundo também possuem boa infra-estrutura, como Londres ou Nova Iorque, mas nenhuma delas tem pessoas tão carismáticas, amáveis e ruas tão limpas. Sem falar nos 4900km de linhas de transporte ferroviário (metrô+trem), de longe a maior do mundo, mais que 3x maior que a segunda colocada, que é Londres, com 1500km de linhas. Oslo, Zurique e Estocolmo possuem pessoas carismáticas, mas não possuem a infra-estrutura de Tóquio. Enfim, uma cidade completa, que reúne tudo de melhor em apenas um único contexto urbano.

Quote:
Originally Posted by Rio atrato View Post
Ler relatos sobre o sistema de transporte de Tóquio parece nos causar uma sensação de ler relatos sobre as metrópoles brasileiras de 2100
Sem querer ser pessimista amigo, mas do jeito que vai o Brasil, acredito que nem mesmo em 2100 teremos a infra-estrutura, organização e limpeza de Tóquio. Não é uma questão de culpar o político x ou y. É cultural. Nosso jeito de ser nos impede de avançarmos exponencialmente. Vamos crescer sim, tenho certeza disso, mas num ritmo muito diferente que o experimentado no Japão.

Quote:
Originally Posted by Rio atrato View Post
Tóquio pode não ser cosmopolita ou não ter muita arquitetura histórica como outras grandes urbes europeias/americanas, mas sem dúvidas tem um "não sei que" que a torna um dos locais mais fantásticos da Terra.
Acho que seu nível cosmopolitismo só perde pra Nova Iorque, Paris e talvez Londres. Hoje em dia é uma cidade extremamente globalizada. Tive contato com gente de várias nacionalidades, pessoas que moram em Tóquio, possuem negócios por lá. Fiz até amizade com um hermano argentino! Tóquio só não é mais visitada por ocidentais por estar muito longe, fato que faz as pessoas desanimarem de ir. Preferem fazer uma viagem de 9h até Miami que enfrentar 36h até o Japão. Mas vale muito a pena cada minuto no avião, pois Tóquio é uma cidade muito completa e diversificada. Fiquei 20 dias lá e não conheci nem 1/10 do que eu queria.

Mas essa viagem foi mais uma pesquisa de campo do que turismo. Eu e minha esposa estamos nos organizando pra mudar pra lá ano que vem, por isso, oportunidades não faltarão pra conhecer as outras faces dessa maravilhosa metrópole.

Grande abraço e obrigado por comentar!
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Old November 22nd, 2016, 09:59 AM   #16
Príncipe
um príncipe de araque
 
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Confesso que não li todo o relato da viagem,mas fiquei encantado com tudo o que foi dito por aqui e me deixou mais animado com a possibilidade de ir ao Japão, o que ainda vai demorar bastante para acontecer,mas vou me programar para que não fique apenas no sonho.

Só uma dúvida Charles, sempre li notícias de que a economia do Japão desde os anos 90 está estagnada, que o país não consegue mais crescer desde então e que está perdendo em dinamismo para países menores como a Coreia do Sul. Essa suposta 'crise' dos japoneses pôde ser percebida por você em algum momento da viagem ou seria algo mais sentido em outras regiões do país ? Pelas suas palavras crise passa longe da realidade de Tóquio.

Novamente parabéns pelo thread e vou ler tudinho em um outro momento.
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Old November 22nd, 2016, 08:32 PM   #17
Anderson carioca
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Charles, reservei hoje um bom tempo para ver o seu thread, pois mais do que as fotos, que nem foram tantas assim, o maior destaque são suas palavras sobre a cultura japoneses e sobre a infra-estrutura de Tóquio.
Amei seu thread, tempo muito bem gasto por mim e agradeço a generosidade de dedicar horas do seu tempo para compartilhar conosco suas impressões sobre essa imensa metrópole.
Confesso que em termos estéticos Tóquio não me agrada tanto. Vista de cima e até mesmo ao nível da rua ela me passa um impressão meio caótica, ainda que seja tão organizada e tudo funcione tão bem. Me parece que faltam mais marcos, que dizer, mesmo na arquitetura vemos o senso de coletividade, onde não vemos prédios isolados se destacando tanto em relação a estética ou tamanho, como um Burj Khalifa, mas de qualquer forma seu relato aguçou em todos uma vontade de conhecer pessoalmente essa incrível cidade!
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Old November 23rd, 2016, 02:56 AM   #18
Charles Tôrres
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Originally Posted by Príncipe View Post
Confesso que não li todo o relato da viagem,mas fiquei encantado com tudo o que foi dito por aqui e me deixou mais animado com a possibilidade de ir ao Japão, o que ainda vai demorar bastante para acontecer,mas vou me programar para que não fique apenas no sonho.
Programe-se! Você não vai se arrepender. Não é uma viagem cara se você planejar tudo com bastante antecedência.

Quote:
Originally Posted by Príncipe View Post
Só uma dúvida Charles, sempre li notícias de que a economia do Japão desde os anos 90 está estagnada, que o país não consegue mais crescer desde então e que está perdendo em dinamismo para países menores como a Coreia do Sul. Essa suposta 'crise' dos japoneses pôde ser percebida por você em algum momento da viagem ou seria algo mais sentido em outras regiões do país ? Pelas suas palavras crise passa longe da realidade de Tóquio.
Então, o país não está em crise. Ele só parou de crescer absurdamente como foi entre as décadas de 1960 e 1980, época a qual ele deixou de ser terceiro mundo para figurar no topo do ranking dos países mais desenvolvidos do planeta. Mas ele não deixou de crescer, pelo contrário; continua sendo um dos países mais inovadores do mundo. Veja esse link sobre a economia no Japão.

O que acontece atualmente é um fenômeno que todas as grandes economias estão enfrentando: baixa expectativa de natalidade, ou seja, uma crise de fertilidade. O japonês não quer ter filhos desde os anos 90, e com o envelhecimento da população, o país parou de crescer demograficamente e está encolhendo. O mesmo acontece com países como Finlândia, Alemanha, Noruega e Suécia. Mas o governo japonês já está criando ações para contornar isso. O país já enfrentou guerras e terremotos terríveis. Não vai ser por falta de feto que o país vai deixar de crescer, rs.

E não, não vi indícios de crise em Tóquio. Tenho amigos em Okinawa, Sendai e na grande ilha de Hokkaido, e em todas essas localidades a pujança econômica é visível nas ruas.

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Originally Posted by Príncipe View Post
Novamente parabéns pelo thread e vou ler tudinho em um outro momento.
Valeu amigo! Fico feliz que tenha gostado. Abraços!
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Old November 23rd, 2016, 03:13 AM   #19
Charles Tôrres
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Originally Posted by Anderson carioca View Post
Charles, reservei hoje um bom tempo para ver o seu thread, pois mais do que as fotos, que nem foram tantas assim, o maior destaque são suas palavras sobre a cultura japoneses e sobre a infra-estrutura de Tóquio.
Amei seu thread, tempo muito bem gasto por mim e agradeço a generosidade de dedicar horas do seu tempo para compartilhar conosco suas impressões sobre essa imensa metrópole.
Fico feliz que tenha gostado do meu thread, Anderson! Eu quem agradeço por dedicar parte do seu dia para ler meus relatos.

Quote:
Originally Posted by Anderson carioca View Post
Confesso que em termos estéticos Tóquio não me agrada tanto. Vista de cima e até mesmo ao nível da rua ela me passa um impressão meio caótica, ainda que seja tão organizada e tudo funcione tão bem. Me parece que faltam mais marcos, que dizer, mesmo na arquitetura vemos o senso de coletividade, onde não vemos prédios isolados se destacando tanto em relação a estética ou tamanho, como um Burj Khalifa, mas de qualquer forma seu relato aguçou em todos uma vontade de conhecer pessoalmente essa incrível cidade!
O japonês tem uma forma muito diferente de urbanizar suas cidades. Pra nós pode parecer impactante e caótico, mas pra eles funciona impressionantemente bem! Ao nível da rua, Tóquio é mansa como uma cidade do interior do Brasil. Exceto regiões como Shibuya ou Akihabara, infestada de eletrônicos, mangás e jovens, o resto da cidade é maravilhosamente calma.

A cidade tem seus marcos e prédios isolados. Não dei tanta importância a eles pois não sou muito fã de ponto turístico. Gosto mesmo é de sentir a rua, o cotidiano, conversar com os cidadãos. Mas em Tóquio tem a maior torre de transmissão do mundo, a Sky Tree, que é um monumento belíssimo com quase 700 metros de altura, quase do tamanho do Burj Khalifa. E ainda tem a charmosa Torre de Tóquio, uma torre vermelha e muito imponente maior que a Torre Eiffel. Alguns edifícios se destacam na paisagem com seus 50, 60 andares, como o Roppongi Hills ou as torres do Governo Metropolitano de Tóquio. Fora os numerosos templos, cada um mais lindo que o outro.

Mas claro, é um tipo de arquitetura muito diferente da que vemos no ocidente. Talvez por isso a cidade a cidade seja tão interessante.

Grande abraço amigo! Muito obrigado por comentar!
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Old November 24th, 2016, 01:06 PM   #20
Calvin Porto
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Espetacular o seu thread, parabéns, faça um livro!
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