Memórias de Lisboa - Page 128 - SkyscraperCity
 

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Old December 22nd, 2018, 09:12 PM   #2541
DiogoBaptista
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Campo das Cebolas

Casa dos Bicos e Torres da Sé, 1951
Fotografia de Alfred Franz Adolf Ehrhardt

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Old December 22nd, 2018, 10:33 PM   #2542
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Old June 1st, 2019, 09:42 PM   #2543
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Praça da Figueira. O ícone de Lisboa que acabou na sucata


Há exatamente 70 anos, o Mercado da Praça da Figueira, um dos mais emblemáticos edifícios de Lisboa, fechou as portas. Em nome do progresso, a enorme estrutura de ferro foi demolida e vendida para sucata por 830 contos.










cabou a Praça da Figueira." Há exatamente 70 anos, o DN titulava assim o fecho de portas de um dos mais icónicos edifícios da capital. A enorme estrutura de ferro, que ocupava todo o espaço central da praça, acabou na sucata. Foi o fim do mercado central de Lisboa que, sob várias formas, ali esteve instalado durante mais de 150 anos.

"Lisboa, primeiro quartel do século XX. Ninguém se pode queixar de que o centro da cidade é um local despovoado. Aqui, cada dia começa antes de o anterior ter terminado", escreve a olisipógrafa Marina Tavares Dias em Lisboa Desaparecida. E continua: "Noite cerrada, madrugada adiante, escuro de breu, inverno ou verão. As carroças descem lentamente a Avenida Almirante Reis, vencidos já os obstáculos dos estreitos acessos à cidade. Trazem molhos de couves, braçadas de flores." A Praça da Figueira é então um centro fervilhante da vida quotidiana da cidade, a "grande babilónia de ferro e vidro", como lhe chamará Saramago em O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Um mercado por dez mil réis

A construção do mercado não foi uma novidade naquele local. Há muito que a Praça da Figueira alojava o mercado central de Lisboa - desde que o terramoto de 1755 reduziu a escombros o Hospital Real de Todos-os-Santos. Este acabaria transferido para a Colina de Santana, para o colégio de Santo Antão (o atual Hospital de São José), que entretanto fora confiscado aos jesuítas.

Lisboa vivia há décadas com o problema da falta de um mercado central, o que fazia multiplicar as vendas ambulantes por cada esquina da cidade. O marquês de Pombal viu ali a solução e, a 23 de novembro de 1775, o terreno da Praça da Figueira foi doado à cidade de Lisboa por decreto régio de D. José. São 380 palmos de norte a sul e 440 palmos de nascente a poente, cedidos sob a condição de ali se concentrarem as vendas de frutas, hortaliças e aves de capoeira. A edificação há de custar ao erário público 10 251 réis.

É assim que nasce na praça (então a Praça da Erva) um mercado a céu aberto, sobre terra batida, que depois dá lugar à construção de pequenas barracas e à escavação de um poço (num lugar onde havia... uma figueira). Ao longo dos anos, aquele espaço - que ainda deu pelo nome de Praça Nova, antes de chegar à designação atual - foi recebendo os melhoramentos trazidos pelo tempo. Em 1834 foi arborizado e foi instalada iluminação, em 1849 foi fechado com grades de ferro. Esta construção haveria de ir abaixo em 1883 e dois anos depois surge o novo mercado, inaugurado com pompa e circunstância, na presença da família real.

O imponente edifício de ferro, cheio de rendilhados, ocupava uma área de oito mil metros quadrados, com três naves e quatro torreões encimados por cúpulas. Ao longo dos 64 anos seguintes transformou a Praça da Figueira num espaço central da cidade, fervilhante de vida. O mercado "cresceu de importância com o correr dos anos, tornando-se um dos pontos mais conhecidos de Lisboa e transformando-lhe o centro numa rica amálgama de cores e costumes", escreve Marina Tavares Dias, evocando as palavras de um "historiador da cidade" (não nomeado) - "o templo sagrado do estômago lisboeta". Um bulício que aumentava exponencialmente nas festas da cidade, com uma romaria dos lisboetas ao mercado que era já uma tradição secular. "Não esquecemos as festas populares que nas vésperas de Santo António e de S. João attraem alli uma multidão immensa em descantes e bailes", escrevia-se em 1884 na revista O Occidente.


A festas de Lisboa levavam milhares de lisboetas ao mercado. Aqui, o Santo António de 1928

O destino da velha Praça da Figueira ficou traçado a 16 de janeiro de 1947 quando o presidente da autarquia, Álvaro da Salvação Barreto, fez aprovar em reunião camarária a demolição do edifício. A cidade dividiu-se: de um lado os que aplaudiam o veredicto, saudado como um sinal de progresso contra um mercado envelhecido, fora de moda, desfasado dos mercados modernos que surgiam noutras capitais europeias (no DN chamava-se à praça um "anacronismo", uma "visão sombria de caixotes e redes de galináceos"); do outro os que pugnavam pela manutenção.

A decisão demorou dois anos a concretizar-se, mas o dia chegou. "Em junho de 1949 as estruturas metálicas do mercado foram finalmente arrematadas em leilão por 830 contos" a um sucateiro do Porto, lê-se em Lisboa Desaparecida. O ex libris da Praça da Figueira fechou portas e foi desmantelado. Na mesma altura, o Socorro e uma parte da baixa Mouraria também desapareciam do mapa da cidade, num plano que visava descongestionar o trânsito e abrir vias maiores naquela zona.

Um vaivém de turistas

Nas fotografias da época, tiradas do lado do rio, vislumbram-se por cima dos telhados do mercado os últimos dois andares de um prédio. Num deles é visível um toldo branco, que tinha por função proteger do sol as bonecas de massa que ali eram postas a secar - era o Hospital de Bonecas. Estava lá antes de surgir o mercado e por lá continua hoje, no mesmo prédio, agora uns andares abaixo. Manuela Cutileira, hoje a responsável do Hospital de Bonecas, é a neta dos donos de então, que viviam no quinto andar do edifício. Guarda uma memória ténue do mercado de ferro, uma memória remetida a um dia em que, "miúda rebelde e dada a asneiras", atirou um anel de ouro da mãe pela janela do quinto andar e pôs toda a gente em rebuliço lá em baixo à procura da joia.

Manuela Cutileira lembra-se bem melhor do que veio depois - um parque de estacionamento, o metro que chegou à praça nos anos 60, a estátua equestre de D. João I que ali foi colocada em 1971. O comércio na praça, que ocupa praticamente todos os pisos térreos, também foi mudando de figura: "Havia muitas tabernas, algumas espingardarias, lojas de roupa."


Manuela Cutileira é a dona do Hospital de Bonecas, uma casa que viu surgir e desaparecer o Mercado da Praça da Figueira

Numa das esquinas da Praça da Figueira ainda está uma loja de roupa, de ar antigo, que dá pelo insólito nome de... "o Chocolateiro". Maria João é funcionária da casa há 43 anos, não os suficientes para ter conhecido o antigo mercado, mas conta que o nome do estabelecimento ainda guarda a memória desses tempos - aquela era a esquina onde se vendia chocolate quente e a casa acabou por tomar o nome do pregão que tanto se ouvia à porta e que ali chamava clientes do mercado e feirantes.

Como está atualmente, a Praça da Figueira não deixou de ser um entra e sai, mas agora com características muito particulares. É dali que sai o autocarro para o Castelo, o elétrico que vai para Belém, os autocarros descapotáveis que fazem visitas turísticas pela cidade. Há uma praça de táxis e outra de tuk-tuks. É um local de passagem para quem visita a cidade, um permanente vaivém de turistas. A praça readaptou-se. Há hotéis, um juice bar e uma loja de portuguese shoes, um best home made burguers. A histórica pastelaria Suíça fechou portas no ano passado, à beira do centenário, e todo o quarteirão que faz fronteira para o Rossio - para onde está prometido um hotel - tem seguido o mesmo destino. Sobra a Casa da Sorte, entretanto classificada como uma Loja com História. Mas também ali o destino não parece radioso. "Em tempos tínhamos aqui uma fila de empregados no balcão. Agora basta um", conta o chefe de serviço, Fernando Azevedo. E a julgar pelos clientes que não se veem, não terá muito trabalho. "Dantes, a Casa da Sorte recebia a lotaria à segunda-feira e à quarta estava esgotada. Agora sobra-nos. Quem anda aqui são turistas, os turistas não vêm comprar lotaria", lamenta.

Com entrada tanto para o lado da Praça da Figueira como para o lado da Praça do Rossio, a Casa da Sorte acaba por dar um retrato involuntário da vida das duas praças - praticamente todo o movimento da loja vem do lado do Rossio. Da Praça da Figueira de outrora resta uma pintura na parede do antigo mercado central.

Fonte: https://www.dn.pt/cidades/interior/p...ibCAoYCplhYw7c

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era a Quinta do Narigão, onde hoje está a Mata de Alvalade (ali do lado esquerdo)


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Panorâmica tirada do Palácio da Ajuda, vendo-se a Torre do Galo, a Ponte sobre o Tejo em construção e o Monumento a Cristo Rei.



Quote:
O nome de Ajuda — recorda o ilustre Norberto de Araújo — deriva da pequena Ermida desta invocação, erecta no século de quatrocentos no alto da Ajuda, e à qual andou ligada uma graciosa lenda: um pastor que por aqui trazia seu gado entrou em certa ocasião numa gruta entre fragas que caracterizava o lugar, e viu nela uma imagem da Virgem, que logo — e porque auxiliava os que a ela recorriam — ficou sendo a Senhora «da Ajuda», construindo-se defronte a Ermida. (...)
Aí estão as origens do nome e da humilde póvoa quinhentista.
Data(s): [entre 1962 e 1966]
Artur Inácio Bastos, in AML
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A realidade é sempre mais vasta do que a compreensão
Jorge de Sena, Sinais de Fogo
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Old October 23rd, 2019, 12:34 AM   #2549
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Old October 26th, 2019, 06:35 PM   #2550
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era a Quinta do Narigão, onde hoje está a Mata de Alvalade (ali do lado esquerdo)


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Bairros de Barracas em Alvalade

Os bairros de barracas foram até ao século XXI um dos elementos omnipresentes na paisagem de Lisboa, nomeadamente na área da actual freguesia de Alvalade. Deixaram marcas na paisagem e criaram uma tradição.

Em Alvalade ficaram na memória de todos pela sua dimensão e problemáticas, antigos bairros de barracas como os da "Quinta do Narigão", "Bairro das Murtas", quintas das "Fonsecas" e da "Calçada" ou o do "Bairro de São de Brito".

As barracas, embora ainda longe de terem sido erradicadas da freguesia de Alvalade, tem hoje uma dimensão sem paralelo com a que tinham até finais dos anos 90 do século XX.

Bairro da Quinta do Narigão

Antiga quinta agrícola (1), no século XX, foi explorada para areeiro e saibreira até finais dos anos 50, quando se transformou num enorme bairro de barracas.

O Bairro da Quinta do Narigão nasceu e cresceu, nos anos 50, com a construção do "Bairro de Avalade". Ficava situado nas traseiras da actual Escola Secundária Padre António Vieira, na parte sul do Parque de Alvalade. Em 1963 ocorreu um deslizamento de terras que obrigou uma parte dos seus moradores a mudarem-se para a a zona da Musgueira (actual Alta de Lisboa). O número de barracas não parou de aumentar, segundo um levantamento datado de 1965 seriam já 808.

As condições miseráveis em que ali viviam milhares de pessoas (2), mesmo nas traseiras de algumas das mais elegantes avenidas de Lisboa, como a Av. Gago Coutinho ou da Av. Dom Rodrigo da Cunha, levou que o regime construísse, em 1967, um bairro social para realojamentos no local (Rua Professor Veiga Beirão), mas que se mostrou muito insuficiente. Em 1972 surge o primeiro projecto camarário de requalificação do espaço, mas desde logo inviabilizado pela sua ocupação com construções precárias.

Dada a dimensão do bairro, mas também do seu vizinho Bairro do Relógio, toda a zona passou a ser afectada por gravíssimos problemas de violência, marginalidade e drogas. A consequência imediata foi o seu abandono da zona por parte da classe média e a degradação de equipamentos e espaços públicos, como ocorreu na Av. Gago Coutinho e em várias escolas publicas.

Ocupações

No principio dos anos 70 na "zona I de Chelas" começou a ser construído um bairro destinado a funcionários do Porto de Lisboa e da PSP, conhecido por Bairro das Amendoeiras. Após o 25 de Abril de 1974, centenas de pessoas do Bairro do Narigão ocupam muitas das suas casas. A maioria dos seus moradores veio a ocupar todavia o Bairro dos Loios (zona II de Chelas) da autoria de Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita (1972), conhecido por "Pantera-cor-de Rosa". O processo de ocupação arrastou-se até princípios dos anos 80, mas aos poucos a área da antiga Quinta do Narigão foi ficando liberta de barracas.

Mata de Alvalade/Parque José Gomes Ferreira

Desde os anos 80 que muitas tem sido as ideias para o espaço da antiga Quinta do Narigão. O inqualificável Pedro Santana Lopes, quando esteve à frente da CML, pensou instalar no local a "Feira Popular" e realojar os moradores das barracas do "Bairro de São João de Brito" (2005). Para bem da cidade com o tempo a "Quinta do Narigão" foi sendo incorporada no Parque de Alvalade, o seu espaço natural. Em 2006 foram realizados no parque importantes obras de beneficiação.

Em 2013, o vereador da CML - José Sá Fernandes - mandou limpar as lixeiras que persistiam no local. A manutenção de toda a Mata de Alvalade, incluindo a Quinta do Narigão foi confiada, em 2014, à Junta de Freguesia de Alvalade . Neste mesmo ano, através de uma parceria com o Lisboa Racket Center foi criado o "Parque Aventura"(Racket Adventure), abrangendo uma área de 8,5 hectares. Com alguma pompa e circunstância foi inaugurado em Abril de 2014, mas no final de 2015 todos os seus equipamentos já estavam votados ao abandono.

Fonte: http://www.jornaldapraceta.pt/jp9urbanismo.html
Geocache no local:
https://www.geocaching.com/geocache/...nta-do-narigao
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