Metrô de Tóquio: o maior do mundo! - SkyscraperCity
 

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Old April 17th, 2019, 06:56 PM   #1
Charles Tôrres
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Metrô de Tóquio: o maior do mundo!

Nem Xangai, nem Pequim e muito menos Nova Iorque: Tóquio tem o maior metrô do mundo!

Antes de mais nada, amigos, estou bastante sumido do SSC. Há anos não posto nada, mas de tempos em tempos venho aqui “xeretar” os últimos acontecimentos. Sou da turma assídua entre 2009 e 2013 (acompanhando desde 2005), depois disso fiz apenas um thread ou outro, por falta de tempo. Nem sei se os colegas mais antigos continuam por aqui. Enfim, minha vida deu uma grande reviravolta e hoje eu moro em Tóquio. Graças a isso resolvi compartilhar com vocês um pouco da minha experiência vivendo aqui na maior cidade do planeta.

Maior metrô do mundo?

Sim, independente como se define, a Grande Tóquio tem a maior rede ferroviária urbana do planeta, com 4.714km de linhas férreas, distribuídas em sistemas subterrâneos, de superficie, suspensos, bondes, monotrilhos, VLT’s, dentre outros, usados por 40 milhões de passageiros por dia. 17 das 23 estações mais movimentadas do mundo estão na Grande Tóquio - as outras 6 em Osaka e Nagoia; todas no Japão. Aliás, das 51 estações mais movimentadas do planeta, somente 6 não estão no Japão, fato que atesta tudo o que estou expondo aqui. Considerando apenas o município de Tóquio, sem sua região metropolitana, são cerca de 3200km de ferrovias urbanas, ainda assim mantendo a cidade no podium nesse quesito. O mapa simplificado da rede:



Mas podemos chamar tudo isso de metrô?

Há divergências entre os especialistas. Alguns afirmam que um sistema ferroviário só pode ser chamado de metrô quando é subterrâneo. Outros afirmam que é a distância entre as estações, que não pode passar de 2km. Outros já dizem que é a demanda que vai dizer se um sistema é um metrô ou simplesmente um trem urbano. Eu já vi urbanistas afirmando que todo sistema ferroviário que serve uma mesma aglomeração urbana pode ser chamada de metrô, e há quem diga que o metrô serve apenas as áreas centrais, enquanto o trem liga cidades metropolitanas. Há também os que defendem que o metrô é mais moderno e o trem é mais antigo.

Enfim, a verdade é que cada cidade chama seu sistema ferroviário urbano de um jeito, independente de como define os geógrafos, urbanistas e engenheiros. Tem cidade que chama tudo de metrô, tem cidade que chama só o sistema subterrâneo, e graças a isso teoricamente algumas cidades, como Xangai e Pequim, possuem metrôs maiores do que o metrô de Tóquio.

Mas não é bem assim…

O sistema ferroviário da Grande Tóquio é gerido por nada menos que 48 empresas. Algumas gerem sistemas subterrâneos, outras administram sistemas suspensos, outras de superfície, outras controlam sistemas mistos. Mas dessas 48, apenas 2 empresas chamam seus sistemas de metrô (地下鉄 = chikatetsu = metro/subway). As outras 46 chamam seus sistemas apenas de “trem” ou “ferrovia”, mesmo com algumas possuindo centenas de quilômetros de linhas subterrâneas! Então, na tradução literal, Tóquio fica “defasada”, possuindo apenas 283 quilômetros nos rankings da internet (somando apenas as linhas das duas empresas que chamam seus sistemas de metrô), ficando em 5º lugar entre os maiores metrôs do mundo, o que é uma grande incoerência.

E por outro lado, os sistemas chineses e norte-americanos chamam muitos dos seus trens de superfície de metrô, fazendo com que seus sistemas liderem as listas, sendo que cidades como Tóquio (4714 km) ou Osaka (1553 km), que possuem muito mais “metrô” do que essas outras cidades, fiquem em posicionamentos inferiores.

Não criei o tread pra promover embates entre cidades, não tenho nenhuma intenção de defender Tóquio. O que estou expondo aqui é esse erro bastante comum na classificação das ferrovias urbanas, muitas vezes subestimadas ou superestimadas por conta de erro de tradução. Vejamos o exemplo de São Paulo, com seu sistema de metrô e trens urbanos da CPTM. O metrô nem sempre é subterrâneo, como acontece com a linha vermelha, que vira um sistema de superfície depois da estação Pedro II, e nem por isso os paulistas deixam de chamá-lo de metrô. Mesmo a CPTM, que é de superfície, possui linhas com demandas e características idênticas a de um metrô. Ou mesmo o metrô de BH, que não tem nenhuma parte subterrânea e é chamado de metrô - ainda que isso não seja necessariamente um erro, como estou expondo aqui desde o início.

Tóquio tem centenas de linhas subterrâneas ou suspensas cujos trens passam de 2 em 2 minutos, possuem estações a cada quilômetro, por onde transitam milhões de pessoas diariamente, e ainda assim são chamados de trem, o que, ao meu ver, é um grande equívoco, haja vista outros sistemas menores em tamanho, tempo e demanda, são chamados de metrô. Basta ver a Yamanote Line, uma linha circular, suspensa, com 35km, que abraça o miolo central de Tóquio, a qual atualmente é a linha de trem mais movimentada do planeta, por onde passam mais de 3 milhões de pessoas por dia e os trens passam de 2 em 2 minutos mesmo fora do horário de pico. Chamam “isso” de trem, mas é muito mais “metrô” que qualquer linha de metrô no mundo.

Além disso, em Tóquio existem sistemas subterrâneos imensos que não são chamados de metrô, mesmo possuindo as mesmas características. Contabilizei cerca de 430km de linhas subterrâneas em toda área urbana, mas pode ser que esse número seja maior.

O fato é que o sistema ferroviário de Tóquio, independente de como se define, é o maior e mais completo do planeta. Tóquio, sozinha, tem mais ferrovias urbanas (metrô, hehe) que todas as cidades das Américas somadas. É a cidade mais rica do planeta e uma das que menos usa carro no dia-a-dia. A cidade é muito, muito, muito bem servida por ferrovias e quase todo mundo usa o sistema, do diretor da multinacional ao auxiliar de escritório. Num raio de 600 metros do meu trabalho (região central) temos 13 linhas e 9 estações à disposição. Num raio de 1km da minha casa (região noroeste) tenho 4 estações e 8 linhas, e olha que não moro na área central da cidade.

Com quase 40 milhões de habitantes, Tóquio pode ser considerada uma cidade sem trânsito pesado e sem congestionamento, já que só se usa carro particular aqui quem realmente precisa dele. Do contrário, não faz sentido gastar tempo e dinheiro dirigindo, uma vez que a cidade é literalmente infestada de metrô, independente de onde o sujeito mora.

Já cidades como Pequim, Xangai, Nova Iorque, etc, com suas centenas de quilômetros de metrô, estão entre as mais congestionadas do mundo. Estão percebendo a incoerência?

Importante ressaltar aqui que eu não acho que bondes e VLT’s possam ser chamados de metrô, assim como trens expressos que ligam a região central à periferia, estes sim os verdadeiros trens urbanos, apenas. É outra dinâmica, outro tipo de transporte, obviamente. Dito isso, pelo que pude contar, a Grande Tóquio tem cerca de 3800 quilômetros de linhas com características metroviárias. O restante se enquadra das situações que descrevi logo acima.

Bom, aqui vou mostrar algumas fotos e vídeos desse maravilhoso sistema e gostaria de debater com vocês sobre o que expus aqui. Gostaria também da opinião dos especialistas - sei que aqui no fórum tem alguns. Vamos lá.



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• Foto 1 •


by Charles Tôrres
Essa região se chama Ochanomizu (significa “Água do Chá”, hehe), fica à oeste da região central da cidade, e possui uma interseção de trens bastante interessante. São 5 linhas que se cruzam, sendo que 3 vias ficam a mostra, gerando um aspecto visual bacana. Os aficcionados por trens em Tóquio são apaixonados por esse lugar. A linha de baixo cujo trem é subterrâneo (exceto nessa parte onde ele passa pelo rio), é a linha de metrô Marunouchi, inaugurada em 1954. Possui 28 quilômetros e 28 estações. A linha tem forma de U e liga um dos 3 principais centros da cidade: Shinjuku, Marunouchi e Ikebukuro (Tóquio é uma cidade policêntrica). Ela, sozinha, transporta mais de 1.1 milhão de pessoas por dia.

Já a segunda linha, com detalhes laranjados, é a linha Chūō Kaisoku, que liga a região central de Tóquio à estação Takao, no extremo oeste da metrópole. É uma linha semi-expressa, ou seja, o trem só para nas principais estações ao longo do trecho, encurtando o tempo de viagem entre as extremidades. A linha possui 53km.

E a terceira linha, do trem amarelo passando pela ponte, é a Chūō-Sōbu Line, que possui 60 quilômetros, 40 estações, e liga Chiba, no extremo leste da metrópole, à Mitaka, no oeste, passando pelo miolo central. É uma das minhas linhas prediletas em Tóquio.

Há duas outras linhas de metrô passando exatamente em baixo do rio, as linhas Chiyoda (logo abaixo da Marunouchi) e Ginza (um pouco mais adiante, perto da ponte). E exatamente atrás daqueles prédios no horizonte passam um emaranhado de linhas de metrô, trem-bala e outros expressos incontáveis. Um detalhe interessante dessa foto é que há ainda um quarto meio de transporte bastante utilizado aqui em Tóquio, o barco! Os rios são limpos e quase 100% navegáveis, e por isso há muitas linhas de transporte aquático, tanto turístico quanto funcional para o uso diário.

Video de 1 minuto que fiz da linha Chūō-Sōbu:




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• Foto 2 •

Mesmo lugar da foto anterior, porém a noite.

by Charles Tôrres


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• Foto 3 •


São tantos trens que não é incomum vermos da janela do vagão outros trens indo na mesma direção, porém em uma linha diferente. Um fato interessante é que os trens de Tóquio são bem maiores que os trens brasileiros, em número de vagões, seja subterrâneo ou de superfície. No geral os trens tem em média 10 vagões, chegando a 12 em algumas linhas e 8 em outras. Só os monotrilhos possuem menos vagões, entre 5 e 6. Além disso, todos os trens, sem exceção (mesmo os mais antigos) possuem total ligação entre os vagões, sendo possível ir do primeiro ao último com o trem em movimento, algo que só acontece em alguns trens dos sistemas metroviários do Brasil.



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• Foto 4 •


by Charles Tôrres
Uma outra coisa que gosto muito é o fato de podermos ver os maquinistas trabalhando e as vistas de suas janelas, algo que não ocorre no Brasil. Aqui em Tóquio em qualquer trem, de qualquer sistema, é possível vermos a cabine do maquinista - quando não é uma linha automatizada. Nas linhas automatizadas simplesmente não há cabine, o que é mais interessante ainda, como na foto abaixo.



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• Foto 5 •


by Charles Tôrres
Essa é a linha automatizada Yurikamome. Assim como a Linha Amarela em São Paulo, essa linha não possui maquinista, sendo os trens controlados totalmente pelos computadores. A Yurikamome foi inaugurada em 1995, possui 14.7 quilômetros de extensão e 16 estações. É uma das linhas mais interessantes da metrópole pois ela é 100% elevada em enormes viadutos, garantindo vistas espetaculares da cidade. Ela liga a região central à ilha artificial de Odaiba, passando por pontes incríveis. Por possuir elevações íngremes nos elevados, os trens usam pneus no lugar de rodas de rodas de aço convencionais, tal qual o metrô de Santiago. Apesar de bastante funcional, atualmente é uma linha mais turística, já que outras linhas subterrâneas, mais rápidas, foram inauguradas, desencorajando o uso da Yurikamome. Ainda assim seus trens estão quase sempre cheios - de turistas chineses principalmente, rsrs.

Um vídeo que fiz de 1 minuto com vistas da Yurikamome:




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• Foto 6 •


by Charles Tôrres
Um trem chegando à estação de Shinjuku, maior e mais movimentada estação do planeta. São incontáveis linhas que passam por essa região. No total a estação possui 53 plataformas (36 diretas e 17 indiretas) e mais de 200 saídas, por onde passam cerca de 3.5 milhões de pessoas por dia. Shinjuku é um dos principais centros da cidade, rivalizando com Marunouchi, o centro principal. Comercialmente falando Shinjuku é o principal, mas corporativamente falando, ou seja, em números de sedes de grandes empresas, o título vai pra o trio Marunouchi-Akasaka-Shiodome, três grandes centros interligados.



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• Foto 7 •


by Charles Tôrres
Miolo central de Shinjuku. Exatamente em baixo disso tudo há 4 linhas subterrâneas, e logo atrás de mim, de onde eu fiz a foto, passam umas 20 linhas de trem.



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• Foto 8 •


by Charles Tôrres
Uma criança linda e sorridente no trem da linha Fukutoshin, da empresa Tokyo Metro (subterrâneo). Essa linha tem umas características interessantes:

1) É a segunda linha mais profunda da cidade, com profundidade média de 27 metros, chegando a 40 em alguns pontos (a linha mais profunda, Oedo Line, ultrapassa os 40 metros de profundidade).

2) É uma linha de metrô, subterrânea, que combina trens locais, semi-expressos e expressos, algo que nunca vi em lugar nenhum no mundo em um sistema subterrâneo. Essa linha passa perto da minha casa e liga 3 de alguns dos principais centros da cidade: Ikebukuro, Shinjuku e Shibuya. Por isso uso a linha com certa frequência, e é uma mão na roda pegar um comboio expresso, que reduz o tempo de viagem em quase 50%.

3) A linha Fukutoshin em si tem 20km, distância que “pertence” à rede Tokyo Metro, a principal dos sistemas subterrâneos. Porém, tanto ao norte quanto ao sul a linha se estende por mais de 100km, ligando Yokohama à Saitama, porém sob administração de outras empresas. Na prática é uma única linha com mais de 100km servida por trens de 3 empresas diferentes. É possível tomar um comboio no extremo norte, Saitama, e descer no extremo sul, Yokohama, sem ter que sair do trem.



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• Foto 9 •


by Charles Tôrres
A paixão dos japoneses por trens é tão intensa que qualquer coisa que eu escrever aqui sobre o assunto vai parecer superficial perto do que realmente esse amor representa. Só pra terem uma ideia, os relógios das pessoas são ajustados de acordo com o relógio das estações, e todos os compromissos agendados seguem os horários dos trens. Além disso, quando um determinado modelo de trem deixa de rodar pra dar lugar a um modelo mais moderno, os japoneses ficam tristes, fazem festas de despedida, tiram fotos com ele pra guardar de lembrança. E da mesma forma, fazem festas de boas vindas aos novos modelos. Isso sem contar o fanatismo da população pelas miniaturas de trem. Esqueça os carrinhos de Hot Wheels, febre entre os brasileirinhos; aqui no Japão as crianças gostam é de ferrorama. Graças a esse amor pelas ferrovias os japoneses lotaram o país de trem. Como eu disse lá em cima, todas as 23 estações mais movimentadas do mundo estão no Japão, sendo 17 na Grande Tóquio, uma vez que a metrópole possui mais ferrovias urbanas do que todas as cidades das Américas juntas. São 4714 quilômetros de ferrovias e 2200 estações servindo a população diariamente, dentre bondes, metrôs, monotrilhos, trens suspensos, etc., transportando cerca de 40 milhões de passageiros por dia. Ônibus por aqui são raros e pouca gente usa o carro no dia a dia. Isso sem contar a infinidade de modelos de trens existentes, antigos, modernos, charmosos e futuristas. Cada uma das 160 linhas existentes na cidade possui seus próprios modelos, criando uma identidade visual inconfundível nas regionais de Tóquio. Eu particularmente sou fã dos antigos e tradicionais, mas gosto também dos ultra-modernos, como o recém-lançado Seibu Laview (foto acima), desenhado pela famosa arquiteta Kazuyo Sejima, o qual tem as maiores janelas que já vi em um trem. Enfim, as ferrovias são as verdadeiras artérias da metrópole de modo não existir nada parecido em nenhuma outra cidade fora do Japão. Japonês não chama coisa de trem como nós mineiros, mas tem, literalmente, o trem no coração.



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• Foto 10 •


by Charles Tôrres
Um trem da linha Seibu lançado em 1977 e ativo até hoje, impecavelmente conservado, que percorre a linha que passa quase atrás na nossa casa, a Linha Seibu Ikebukuro. Um dos meus prediletos!



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• Foto 11 •


by Charles Tôrres
Akasaka, um dos corações empresariais da metrópole. Nessa região passa um dos maiores emaranhados de trens subterrâneos da cidade e é possível encontrar uma estação a cada raio de 200 metros.



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• Foto 12 •


by Charles Tôrres
Uma cena comum nas regiões centrais da metrópole: trens suspensos em quilométricos elevados. Normalmente existem comércios vibrantes sob esses viadutos, mas eventualmente é possível encontrarmos também estacionamentos e pequenos depósitos, como no caso dessa foto.



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• Foto 13 •


by Charles Tôrres
Linha Seibu Ikebukuro, que passa quase atrás da minha casa. Esse trem que está passando é o Expresso Chichibu, que liga a região de Chichibu, no extremo oeste, ao centro comercial Ikebukuro, região noroeste da zona central de Tóquio.

Um vídeo de 1 minuto com vistas da Linha Seibu:




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• Foto 14 •


by Charles Tôrres
Mais uma cena comum nas regiões centrais da cidade: cidadãos caminham tranquilamente por debaixo dos imensos elevados de trens, com calçadas sempre muito limpas e seguras.



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• Foto 15 •


by Charles Tôrres
Outra característica muito interessante dos trens de Tóquio: eles sempre são guiados por dois maquinistas, um que fica no primeiro vagão e outro que fica no último. O que fica no primeiro é responsável pela condução em si, ficando atento apenas aos fatos ligados a ela. Já o que fica no último vagão é responsável por garantir a segurança dos passageiros, garantir que está tudo certo pro trem seguir viagem, ficar atento às telas de segurança, além de abrir e fechar as portas (quando não é um sistema automatizado). Ao partir da estação ele sempre olha pra fora, pela janela, assegurando-se de que nua há nada errado com a plataforma após a saída (por isso a touca metalizada - nesse dia estava chovendo um pouco). É um trabalho orquestrado que funciona de forma quase impecavelmente perfeita.



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• Foto 16 •


by Charles Tôrres
Cruzamento das linhas Seibu Shinjuku e Yamanote, ao lado de uma quadra pública de basquete. Isso é um fato que eu acho interessantíssimo por aqui, a gente convive com os trens na paisagem urbana tal como os ônibus e carros no Brasil. Por termos milhares de quilômetros de linhas em toda a cidade, sempre estamos vendo e ouvindo os trens passando.



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• Foto 17 •


by Charles Tôrres
Linha Seibu Ikebukuro, parado em uma estação perto da minha casa, a qual fica bem pertinho de uma rua, garantindo um visual muito interessante.



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• Foto 18 •


by Charles Tôrres
Uma maquinista esperando uma composição chegar para permuta em Meguro, à sudeste da zona central da cidade.



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• Foto 19 •


by Charles Tôrres
Elevado em Yurakucho, uma das regiões mais boêmias da cidade, recheadas de excelentes barzinhos sob as linhas de trem bala.



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• Foto 20 •


by Charles Tôrres
Mesmo lugar da foto anterior, porém outro ângulo.



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• Foto 21 •


by Charles Tôrres
Akihabara, meca mundial dos eletrônicos e cultura pop japonesa. Nessa região há linhas de trem que passam em elevados muito altos (à esquerda da foto), em função das numerosas vias expressas elevadas que rasgam a região.



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• Foto 22 •


by Charles Tôrres
Cena comum do dia-a-dia da cidade. Como a cidade é imensa, podendo chegar a 200km de ponta a ponta em área 100% urbanizada e conurbada, algumas viagens são muito longas, fazendo com que seja perfeitamente normal vermos cidadãos dormindo no trem. E isso é contagiante! Como o interior dos vagões é muito silencioso, uma vez que ninguém faz ligação telefônica e nem conversa alto durante o deslocamento, ficar no trem acaba dando sono, em especial os subterrâneos, em função da ausência de paisagens. Eu, que nunca fui de dormir em transporte público no Brasil, constantemente me pego “pescando” nos trens de Tóquio, fato que é possível também pela segurança dos locais.



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• Foto 23 •


by Charles Tôrres
Cena comum no subúrbio de Tóquio.



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• Foto 24 •


by Charles Tôrres
Linha Chūō Kaisoku, em Shinjuku, um dos centros da cidade.



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• Foto 25 •


by Charles Tôrres
Inúmeras passagens em nível na linha Seibu Ikebukuro, perto de casa. É uma passagem a cada 40 metros, em média.



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• Foto 26 •


by Charles Tôrres
Mesma situação da foto anterior.



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• Foto 27 •


by Charles Tôrres
Vista para a baía de Tóquio a partir de um trem da linha automatizada Yurikamome, chegando da ilha artificial Odaiba.



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• Foto 28 •

by Charles Tôrres

Tokyo Station, a "Estação Central" de Tóquio (apesar de central, não é a maior ou a mais movimentada da cidade).

Um vídeo de 1 minuto que fiz mostrando o intenso fluxo de trens chegando e saindo da Tokyo Station, a principal estação da cidade pra quem vem de fora, especialmente via trens-bala. A Tokyo Station não é a mais movimentada da cidade em número de passageiros (está em 6º lugar), mas é a que tem a maior movimentação de trens do mundo. Repare no vídeo que há 3 trens passando em níveis diferentes, e há ainda um 4º elevado mais escondido que só dá pra ver mais pro final do vídeo. Exatamente nesse lugar passam 4 linhas subterrâneas também.




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• Foto 29 •


by Charles Tôrres
Uma das linhas de monotrilho de Tóquio. No total são 6 linhas de monotrilho na metrópole, totalizando 60.9km de linhas. A linha mostrada é a principal, chamada de Tokyo Monorail, e liga a região central ao aeroporto de Haneda, num total de quase 18km de extensão. Essa linha foi inaugurada em 1964 para a primeira olimpíada realizada na cidade, e está em grande atividade até os dias de hoje. Essa linha garante vistas lindas pra cidade, principalmente no trecho sobre a baía de Tóquio.



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• Foto 30 •


by Charles Tôrres
Yamanote Line….



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• Foto 31 •


by Charles Tôrres
Fugindo rapidamente do tema das ferrovias, eis mais um motivo para uma cidade com quase 40 milhões de habitantes quase não haver congestionamentos: as vias expressas elevadas! A Via Expressa Metropolitana de Tóquio (Shuto Kōsoku Dōro) é uma rede de vias expressas que cobrem a região metropolitana. As vias compreendem uma rede total de 322,5km de extensão e são compostas por imensos elevados (e eventualmente em túneis) que não contém nenhum tipo de cruzamento ou semáforo. O uso das vias é pago através de pedágios. Como essas vias passam por cima da cidade (ver também foto abaixo), as ruas ficam livres pra trânsito local, uma vez que o tráfego pesado de longas distâncias é transferido pra essas vias expressas. É como se jogassem pra cima, por exemplo, o tráfego das marginais em São Paulo, bem como a 23 de Maio e outras vias importantes, aliviando o fluxo de veículos que passa por baixo. E não é que aqui o negócio funciona? Em São Paulo ou no Rio as vias elevadas deterioram o entorno e virariam pronto de uso de drogas e moradia ilegal, além do elevado índice de criminalidade. Aqui em Tóquio não... a parte debaixo das expressas é limpo, não há criminalidade e as vezes até rola uns cafés charmosos sob elas. Mesmo nas interseções mais tensas (tem pontos que juntam 4 vias elevadas, formando emaranhados imensos de vias suspensas) a parte inferior é mais limpa que um shopping no Brasil. E por isso não há intenção alguma de demolição por parte do governo ou da população (exceto em um trecho que passa por cima de um rio histórico em Nihombashi).



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• Foto 32 •


by Charles Tôrres
Via expressa sobre ferrovia suspensa em Iidabashi, região norte da zona central da cidade.



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• Foto 33 •


by Charles Tôrres
Linha Seibu Ikebukuro, pertinho da minha casa, na região de Nerima. Essa linha é de superfície em um trecho e suspensa em outro. Interessante que as áreas suspensas dessa linha (e de outras) são perfeitamente “habitáveis”, com ruas limpas, excelente urbanismo e muito charme.



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• Foto 34 •


by Charles Tôrres
Eu e minha magrela, outro veículo pelo qual sou apaixonado. Todos que me conhecem sabem: tenho forte apelo humanista. Não confundam com socialista, comunista ou petista; não estou aqui pra defender vieses políticos ou visões partidárias. Estou falando do homem e suas urgências atuais. Todos nós fazemos parte de um todo, e o todo há de funcionar corretamente para que o indivíduo exista com maestria, tal qual o sistema de engrenagens de um relógio. É a noção do pertencimento ao coletivo, o famoso um por todos e todos por um. O desequilíbrio dessa balança cria abismos desastrosos em uma sociedade. E como fotógrafo, exímio observador das andanças do homem, vejo aqui no Japão uma perfeita harmonia na compreensão desse todo, uma noção de coletividade que não existe em lugar algum no mundo, fato que ajudou a desenvolver um sistema de transporte único e muito eficiente: os trens e as bicicletas. Aqui se usam bicicletas para o transporte básico, de bairro a bairro, para ir à padaria ou à feira. Tóquio é a cidade com o maior número de ciclistas do mundo. E o mais interessante: se usam bicicletas para ir à estação de metrô ou trem. Ao redor das estações costumam haver vários estacionamentos para bicicletas. Como o asfalto é muito liso e as calçadas são adaptadas para cadeirantes, a cidade nos convida pra pedalar. Para o toquiota, a bicicleta virou uma extensão do próprio corpo. Quase não há ciclismo esportivo nas ruas, como é comum no Brasil, mas todo mundo usa bicicleta, inclusive senhores com mais de 90 anos - vejo muitos, todos os dias, pedalando pelo meu bairro. Tal fato promove na população um contato humano maravilhoso, pois não velejamos pela metrópole do ponto A ao ponto B de carro, apenas vendo a cidade pelo parabrisa. Aqui nós sentimos a cidade na pele, pedalamos deslisando pelas ruas, curtindo o vento no rosto, olhando as expressões das pessoas, cumprimentando senhoras na porta de suas casas desprovidas de muros, vendo as crianças indo pra escola sozinhas com 5 anos de idade com suas mochilinhas de couro. Falando assim nem parece que estamos em uma cidade com 40 milhões de habitantes - duas vezes maior que a Grande SP e 8 vezes a Grande BH: parece até uma cena do interior. Não que não haja carro por aqui, mas de um modo geral ele é usado para situações mais urgentes, e não no dia-a-dia. Enquanto o trem promove a integração humana ao seu meio, disprovindo pessoas de títulos já que todos estão compartilhando o mesmo meio, seja ele diretor de uma multinacional ou o recepcionista do prédio; as bicicletas promovem a facilidade do ir e vir sentindo e se integrando à sociedade. Na foto, eu e minha magrela branca, que eu uso diariamente para pegar o metrô - e as vezes pra ir ao destino final pedalando mesmo.



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• Foto 35 •


by Charles Tôrres
Trem-bala rasgando a metrópole.



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• Foto 36 •


by Charles Tôrres
O charme vintage das passagens em nível.



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• Foto 37 •


by Charles Tôrres
Cores do Brasil em uma passagem em nível da Linha Seibu Ikebukuro, na região noroeste da cidade.



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• Foto 38 •


by Charles Tôrres
Arredores da estação Shinjuku, a mais movimentada do planeta. Essa é uma região de abastecimento da estação, e por isso é pouco movimentada.



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• Foto 39 •


by Charles Tôrres
Operário da manutenção da Linha Seibu Ikebukuro. Postei muitas fotos dessa linha por ela passar bem pertinho da minha casa, e por isso, tenho contato constante.



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• Foto 40 •


by Charles Tôrres
Linha Seibu Ikebukuro chegando à Ikebukuro, o principal centro comercial da região noroeste da cidade.



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• Foto 41 •


by Charles Tôrres
Via suspensa da Yamanote Line.



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• Foto 42 •


by Charles Tôrres
Com tanto contato com trens, meu filho de 1 ano e poucos virou um viciado no assunto. É apaixonado por trens, adora ver vídeos de trens e ama ficar perto da ferrovia dando tchau para os trens que passam. Minha esposa idem!


Alguns vídeos...



Vídeo de 1 minuto que fiz da linha Keihin-Tohoku, uma linha com quase 60km que liga a região central da cidade à Yokohama, região que fica no extremo sul da Grande Tóquio. Uma parte dessa linha foi inaugurada em 1874 e o restante em 1914.

Alguns Cinemagraphs (vídeos em loop)









Mais fotos em instagram.com/charlesintokyo ou torrescharles.com.

Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em perguntar. Forte abraço!
__________________
Fotógrafo em Tóquio. Acesse: @charlesintokyo

Last edited by Charles Tôrres; October 1st, 2019 at 02:13 AM.
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Old April 17th, 2019, 07:50 PM   #2
Celso Jorge
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Impressionante o tamanho da rede e da metrópole, pena que o Brasil nunca chegará a esse nível nem em milhões de anos, é uma realidade completamente diferente da nossa e quem me dera se São Paulo estivesse nesse nível, seria demais e olha que no Japão ocorrem terremotos bem fortes, hein? Já Aqui, nem com uma chuva mais ou menos forte sabem lidar e tudo já vira um caos, fora as buraqueiras, indigência, obras paralisadas e outras tantas malfeitas, diversas outras sem manutenção há anos nos expondo a perigos imensos e longas distâncias sendo atendidas por ônibus caquéticos e carros mixurucas, realmente é outra realidade!
Celso Jorge está en línea ahora   Reply With Quote
Old April 17th, 2019, 09:24 PM   #3
Zekinha
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Que imagens fantásticas, sabia que o sistema de trilhos de Tokyo era gigante, mas superou tudo agora.
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Old April 18th, 2019, 03:07 AM   #4
Charles Tôrres
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e olha que no Japão ocorrem terremotos bem fortes, hein? Já Aqui, nem com uma chuva mais ou menos forte sabem lidar e tudo já vira um caos, fora as buraqueiras, indigência, obras paralisadas e outras tantas malfeitas, diversas outras sem manutenção há anos nos expondo a perigos imensos e longas distâncias sendo atendidas por ônibus caquéticos e carros mixurucas, realmente é outra realidade!
Cara, a nível Brasil, São Paulo está até bem servida. É uma rede insuficiente, considerando o tamanho da cidade, mas pelo menos tem alguma coisa. Outras grandes cidades do país não contam nem mesmo com uma única ferrovia. Com relação ao tamanho da rede toquiota, isso tem muito a ver também com o senso de coletividade do japonês. Eles não querem entupir a cidade de carros e ficar horas preso no trânsito. Pra eles não há vergonha alguma ir de metrô pro serviço. Ter carro não é sinônimo de status, como ocorre na maior parte do mundo. E graças a essa forte adesão ao sistema que investiram fortemente nas ferrovias do país. Países sem senso de coletividade investem em ampliação de avenidas. Já o Japão prefere aumentar suas ferrovias.

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e olha que no Japão ocorrem terremotos bem fortes, hein? Já Aqui, nem com uma chuva mais ou menos forte sabem lidar e tudo já vira um caos, fora as buraqueiras, indigência, obras paralisadas e outras tantas malfeitas, diversas outras sem manutenção há anos nos expondo a perigos imensos e longas distâncias sendo atendidas por ônibus caquéticos e carros mixurucas, realmente é outra realidade!
Isso é algo que me impressiona! Nos últimos 10 anos morreu mais gente por conta das enxurradas e alagamentos em São Paulo que os últimos 40 anos de terremotos em Tóquio. A capital japonesa soube lidar de forma inteligente com as catástrofes naturais e hoje 80% da metrópole está apta a aguentar até mesmo o mais forte terremoto, ou os mais altos tsunamis. Minha casa mesmo é toda preparada pra "balançar" em caso de um terremoto ou um tufão forte. Sua rede de câmaras colossais subterrâneas são capazes de bombear milhares de litros de água por hora, em caso de possível inundação. É referência mundial nesse quesito. As chuvas que caem em São Paulo não chegam perto do que acontece por aqui, e pasme, aqui ninguém morre, nada alaga e a cidade segue firme e forte mesmo com todas as adversidades.
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Old April 18th, 2019, 03:08 AM   #5
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Que imagens fantásticas, sabia que o sistema de trilhos de Tokyo era gigante, mas superou tudo agora.
Cara, eu que moro aqui continuo me surpreendo a cada dia. Cada novo lugar que visito eu penso: como isso é possível? rs
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Old April 18th, 2019, 04:01 AM   #6
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Impressionante o tamanho da rede e da metrópole, pena que o Brasil nunca chegará a esse nível nem em milhões de anos,
Comparar com outros países e cidades com grandes redes metroviarias já seria complicado.

Agora é acintoso comparar com um país pobre que gasta todos os anos 700 bilhões com previdência, 320 bilhões com vencimentos de funcionários e não consegue gastar 10 míseros bilhões em estradas (info by Squibb)... E isso tudo e ainda vem gente dizer que o Brasil tem "lobby rodoviarista"! É um milagre São Paulo ter a rede que tem.
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Old April 18th, 2019, 06:59 AM   #8
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Excelente postagem, muito boa.

Uma pequena correção: O Metrô de BH tem sim trechos subterrâneos, 3 túneis que juntos dão cerca de 1 km, é pouco, mas tem e sem nenhuma estação, bom considerando que BH tem apenas 28,1km de Metrô podemos dizer que 3,5% do sistema é subterrâneo .

Mas agora falando sério. outras cidades como Porto Alegre(Tresurb) e Recife (MetroRec) estas possuem sistema metroviários totalmente em superfície ou elevado, assim como Miami, Medelim, Lima, San Jose (Tren Urbano), etc... então faz sentido a sua colocação sobre o Metrô de Toquio ser subestimado, aliás a maioria das classificações que muitos "inventam" para definir o que é Metrõ nem os sistemas brasileiros atendem, um colega meu na época da escola uma vez disse: "Eu não considero a Linha Vermelha (de SP) Metrô, porque Metrô tem que ser subterrâneo como a Linha Azul" eu respondi: "Os trens são o mesmo e a linha azul depois de Armenia é elevada" ele respondeu: "Mas é um trecho pequeno, a Linha 3 não."

Eu percebi que esses rankings/listas de Metrô são totalmente subjetivos, por exemplo, nesse link do Wikipedia sobre o Metrô de Nova Athos que nada mais é que um pequeno trem que percorre 1,3 km dentro de uma Caverna, enquanto isso CPTM, SuperVia, Trensurb e os trens de Toquio não são considerados metrô.

Peço que continue nos trazendo fotos daí de Tóquio muito interessante a paixão dos japoneses por trens (Aqui e na América em geral a paixão é por carros).

E se puder conferir na minha assinatura tem uns links para alguns mapas que eu fiz tracejando os transportes urbanos sobre trilhos (Metrô, Trem, VLT) e cabos (Teleféricos) da América Latina, e percebi que os transportes ferroviários em toda a região (exceto Buenos Aires) é deprimente, Cidades gigantescas Lima (1 linha de Metrô), Bogotá (1 linha de teleférico) com tão poucos trilhos (em funcionamento, porque abandonado tem aos montes), fazem São Paulo e Rio de Janeiro parecerem cidades de primeiro mundo.

Então as cidades brasileiras infelizmente estão na média da região que sempre investiu muito pouco em transportes sobre trilhos.
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Old April 18th, 2019, 11:39 AM   #9
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Excelente postagem, muito boa.

Uma pequena correção: O Metrô de BH tem sim trechos subterrâneos, 3 túneis que juntos dão cerca de 1 km, é pouco, mas tem e sem nenhuma estação, bom considerando que BH tem apenas 28,1km de Metrô podemos dizer que 3,5% do sistema é subterrâneo
Haha, bem observado. Eu já tinha pensado nisso antes. Aliás, se somarmos os inúmeros viadutos que passam por cima da linha, acho que dá pra conseguirmos mais alguns metros de metrô subterrâneo, hehe. Mas né... a verdade é que a cidade que se eleva nesses pontos. O metrô continua a nível do solo. Mas não deixa de ser pontos onde, se estamos numa rua acima da linha, podemos dizer: há um metrô passando aqui em baixo!

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Mas agora falando sério. outras cidades como Porto Alegre(Tresurb) e Recife (MetroRec) estas possuem sistema metroviários totalmente em superfície ou elevado, assim como Miami, Medelim, Lima, San Jose (Tren Urbano), etc... então faz sentido a sua colocação sobre o Metrô de Toquio ser subestimado, aliás a maioria das classificações que muitos "inventam" para definir o que é Metrõ nem os sistemas brasileiros atendem, um colega meu na época da escola uma vez disse: "Eu não considero a Linha Vermelha (de SP) Metrô, porque Metrô tem que ser subterrâneo como a Linha Azul" eu respondi: "Os trens são o mesmo e a linha azul depois de Armenia é elevada" ele respondeu: "Mas é um trecho pequeno, a Linha 3 não."
Exatamente, esse é o ponto. Mas mesmo se consideramos como metrô apenas as linhas subterrâneas, Tóquio continua subestimada na classificação, uma vez que a cidade tem cerca de 430km de linhas abaixo do solo, distribuídos entre 5 ou 6 empresas. Porém somente duas se chamam de metrô, fazendo com que os rankings internacionais coloque a cidade em 5º lugar com "míseros" 285km, o que é uma grande incoerência. Eu já vi ranking que considera apenas 1 empresa, com 190km. Diferente das outras cidades, onde toda a linha de trem é gerida por 1 ou 2 empresas no máximo, aqui são 48, o que faz com que hajam essas divergências, uma vez que nas pesquisas a gente as vezes pode se deparar com as características de apenas 1 empresa. Além disso temos Yokohama, cidade 100% conurbada com Tóquio e que também possui linhas subterrâneas, uma das empresas se chama de metrô inclusive. E por último, a esmagadora maioria das linhas do metrô de Xangai, Pequim e Nova Iorque, que ocupam os primeiros lugares nas listas, são de superfície ou suspensas. Então é só mesmo um erro de tradução (algo muito comum por aqui, considerando o idioma complexo). Só ver a Yamanote Line, linha circular, suspensa, com 35km que abraça a região central de Tóquio, com características 100% metroviárias, transportando 3 milhões de pessoas por dia... e não é chamada de metrô!

Nessa página há informações detalhadas sobre o sistema de ferrovias da cidade: en.wikipedia.org/wiki/Transport_in_Greater_Tokyo

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Eu percebi que esses rankings/listas de Metrô são totalmente subjetivos, por exemplo, nesse link do Wikipedia sobre o Metrô de Nova Athos que nada mais é que um pequeno trem que percorre 1,3 km dentro de uma Caverna, enquanto isso CPTM, SuperVia, Trensurb e os trens de Toquio não são considerados metrô.

Peço que continue nos trazendo fotos daí de Tóquio muito interessante a paixão dos japoneses por trens (Aqui e na América em geral a paixão é por carros).

E se puder conferir na minha assinatura tem uns links para alguns mapas que eu fiz tracejando os transportes urbanos sobre trilhos (Metrô, Trem, VLT) e cabos (Teleféricos) da América Latina, e percebi que os transportes ferroviários em toda a região (exceto Buenos Aires) é deprimente, Cidades gigantescas Lima (1 linha de Metrô), Bogotá (1 linha de teleférico) com tão poucos trilhos (em funcionamento, porque abandonado tem aos montes), fazem São Paulo e Rio de Janeiro parecerem cidades de primeiro mundo.

Então as cidades brasileiras infelizmente estão na média da região que sempre investiu muito pouco em transportes sobre trilhos.
Sim, São Paulo e Rio estão na verdade acima da média da parte sul do continente, haja vista que a esmagadora maioria das grandes cidades não possui transporte ferroviário de massa. Você disse que Buenos Aires é exceção, mas acredito que Santiago também seja com seus 130km de linhas. Proporcionalmente é o maior metrô da América Latina, além de ser o mais moderno e eficiente, considerando o traçado de suas linhas centrais e o número de passageiros.

A propósito, muito bom seus mapas! Me mostrou lugares que eu nem sabia que tinha transporte ferroviário urbano, como em Juazeiro do Norte ou Sobral. Interessante cidades menores e com pouco poderio econômico terem conseguido emplacar seus VLT’s primeiro que grandes cidades.

Pode ficar tranquilo que vou continuar postando fotos sim. Me adicione no Instagram, estou sempre postando fotos por lá. Tenho outro dois projetos embrionários, o Tokyo Shasō e o Tokyo in Motion, ambos com foco nas ferrovias da cidade. Estou meio atarefado esses dias, mas em breve vou dar continuidade na produção do conteúdo.

Vamos trocando figurinhas. Forte abraço!
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Old April 18th, 2019, 11:46 AM   #10
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Old April 18th, 2019, 12:01 PM   #11
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Matéria profissional! Obrigado por compartilhar aqui no SSC.
Muito obrigado!

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Comparar com outros países e cidades com grandes redes metroviarias já seria complicado.

Agora é acintoso comparar com um país pobre que gasta todos os anos 700 bilhões com previdência, 320 bilhões com vencimentos de funcionários e não consegue gastar 10 míseros bilhões em estradas (info by Squibb)... E isso tudo e ainda vem gente dizer que o Brasil tem "lobby rodoviarista"! É um milagre São Paulo ter a rede que tem.
Concordo com seus pontos, mas não é apenas isso. Aqui no Japão também se gasta muito com previdência. Aliás, são dezenas de auxílios sociais que o governo disponibiliza. O Japão é um país que possui uma política precisamente central: economia aberta com mínima intervenção do Estado, porém com grande equalização social, sem pobreza e sem miséria. Aqui tem bolsa família, bolsa filho, bolsa parto (aliás, uma belíssima bolsa de quase 5 mil dólares), bolsa dentista, bolsa adolescente, bolsa deficiente físico, bolsa morador de rua, dentre outros. Meu filho recebe uma bolsa do governo equivalente a 2000 reais a cada 3 meses, vai receber até os 16 nos de idade… e olha que somos estrangeiros, não-descendentes, recém chegados no país e acabamos de começar a contribuir. Além disso, o salário mínimo em Tóquio é de aproximadamente 1600 dólares por mês, e médio girando em torno de 4 mil dólares, o que garante à população uma excelente qualidade de vida e ótimo acesso a bens e serviços. Faxineiros e porteiros ganham tão bem quanto um técnico judiciário no Brasil. Maquinista de trem ganha mais que juiz em Brasília. E o salário de um juiz aqui não é tão mais alto que o salário de um maquinista.

Percebe a incoerência? Então o problema do Brasil não é apenas a previdência ou o gasto com funcionários. Sim, isso é um problema com certeza, ainda mais se considerarmos que apenas 5% dos funcionários públicos tem desempenho satisfatório segundo pesquisas recentes, sendo que a maioria deles estão ociosos ou sublocados. Mas não é apenas isso, o país tem muita grana. O que falta no Brasil é mais investimento em educação financeira e empreendedorística. Os empresários brasileiros são medrosos e preferem acomodar do que arriscar. Aqui em Tóquio das 48 empresas que gerem os 4714km de ferrovias, apenas 2 são estatais, o restante todas são privadas, empresas que exploram comercialmente as estações e o entorno delas, gerando lucros estratosféricos (boa parte das estações são verdadeiros shoppings). A solução é: joga o negócio na mão dos empresários, faça um bom controle de qualidade, não permita preços abusivos… e bingo!, eis que teremos ferrovias descentes nas grandes cidades brasileiras - e pequenas também. Aqui no Japão qualquer cidade com mais de 100 mil habitantes tem trem urbano.
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Old April 18th, 2019, 02:26 PM   #12
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Torres, como funciona o sistema de tarifas da rede da Grande Tóquio?

- Valores calculados por distância percorrida?
- Há algum sistema de desconto para o usuário frequente?
- Há algum ticket promocional para o turista usar o sistema de forma livre durante certo período?
- Qual o peso do gasto com metrô no orçamento doméstico de um toquiota, por exemplo de remuneração mais baixa?

Obrigado!


O Brasil poderia se inspirar em muitas características de países desenvolvidos, mas a principal delas é inescapavel como condição para a maioria das outras: aumentar, no caso triplicar ou quadruplicar a geração de riqueza produtiva por cada habitante. Tudo fica mais fácil e viável depois disso. Do transporte público ao urbanismo. É injusto comparar sem considerar isso.

Países/cidades em status econômico mais semelhante no mundo com São Paulo (ou Rio, Recife, BH..) naturalmente apresentam, quando muito, uma rede bem modesta. São Paulo não está ruim nesse nível de cidades.
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Old April 18th, 2019, 05:30 PM   #13
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Torres, como funciona o sistema de tarifas da rede da Grande Tóquio?

- Valores calculados por distância percorrida?
Olá amigo! Sim, exatamente. Como o sistema é demasiadamente grande (muitas linhas possuem mais de 100km), seria injusto cobrar um único valor pra qualquer distância. Então é cobrado por quilômetro. O valor inicial costuma ser 150 ienes (cerca de 1,30 dólar), aumentando cerca de 20% a cada 3km. Existem empresas mais baratas e empresas mais caras, mas a média é essa. Na compra de um tíquete avulso você tem que saber exatamente onde vai parar pois precisa colocar o tíquete na entrada, receber o tíquete de volta, mantê-lo em seu poder e colocá-lo na catraca novamente ao sair. Mas se você tem um cartão magnético carregado, aí não precisa fazer conta alguma, basta usá-lo na entrada e na saída que o valor vai ser descontado de acordo com a distância percorrida. É muitíssimo prático! Existem duas bandeiras mais usadas por toquiotas, o Pasmo e o Suica. É a mesma coisa praticamente, só que são empresas diferentes. Interessante é que esse cartão é aceito em milhares de outros lugares, como lojas de conveniência, máquinas automáticas (são milhões pelo Japão, é o país com o maior número de vending machines do mundo), supermercados e alguns restaurantes. E é possível registrar o cartão em um app no celular para pagamento usando o smartphone.

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- Há algum sistema de desconto para o usuário frequente?
Para empresas eu sei que tem, mas para usuários comuns eu não tenho certeza, preciso pesquisar sobre isso.

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- Há algum ticket promocional para o turista usar o sistema de forma livre durante certo período?
Então, ao chegar em Tóquio você pode se dirigir a qualquer máquina de compra de passagens, comprar um cartão (custa cerca de 5 dólares) e recarregá-lo. Pronto, aí você não precisa se preocupar com mais nada, basta usá-lo pra pagar qualquer passagem, em qualquer empresa. No final da viagem você pode devolver o cartão pra máquina que ela lhe devolverá o dinheiro. Se quiser saber o valor gasto em uma viagem antecipadamente, você pode acessar o site das empresas ou mesmo o Google Maps.

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Originally Posted by Naipesky View Post
- Qual o peso do gasto com metrô no orçamento doméstico de um toquiota, por exemplo de remuneração mais baixa?
Depende da rota, de onde o sujeito mora e onde ele trabalha. Aqui, assim como no Brasil, as empresas pagam a passagem do funcionário, então ele não precisa se preocupar com isso. Mas considerando outros deslocamentos, passeios, etc., basta considerarmos os seguintes pontos:

• O salário mínimo em Tóquio é cerca de 1600 dólares. Porém quase empresa alguma paga esse valor. No Japão, pagar salário mínimo é um desrespeito com o funcionário, é como se a empresa tivesse subjulgando-o. Então o salário mínimo na prática começa em cerca de 1900 dólares.

• O salário médio é de 4200 dólares. Aluguel médio 1000 dólares (o calcanhar de Aquiles da cidade! Moradias muito caras).

• A discrepância salarial é baixa. Isso significa que o atendente de recepção de uma empresa não ganha um salário tão menor que o gerente, gerando uma equalização social muito interessante. Além disso, algumas profissões mal remuneradas em outros lugares do mundo ganham muito bem por aqui, como professor (salário inicial de 4 mil dólares) ou maquinista (salário inicial de 5 mil dólares por mês).

Usei valores em dólares pra facilitar a compreensão da moeda. Em ienes, como não existem centavos, tudo parece muito caro. Um café pode custar 250 ienes e o salário médio 460.000 ienes.

Dito isso, o valor da passagem não pesa tanto no bolso do toquiota como pesa no Brasil. Se um sujeito mora na minha região por exemplo (Nerima, noroeste de Tóquio), ele gasta entre 1,6 e 2,6 dólar pra ir às regiões centrais, valor que não dá nem 0,3% do salário mínimo. Já no Brasil, em São Paulo por exemplo, uma ida ao Centro pode custar 1% do salário.

E não nos esquecemos do resto, né? Sou fotógrafo e escritor. Aqui em Tóquio compro uma câmera fotográfica do modelo X pelo equivalente a 3200 reais (ou seja, metade do salário mínimo daqui). No Brasil esse mesmo modelo sai por 8000 (portanto, 8x mais caro que o salário mínimo daí).

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O Brasil poderia se inspirar em muitas características de países desenvolvidos, mas a principal delas é inescapavel como condição para a maioria das outras: aumentar, no caso triplicar ou quadruplicar a geração de riqueza produtiva por cada habitante. Tudo fica mais fácil e viável depois disso. Do transporte público ao urbanismo. É injusto comparar sem considerar isso.

Países/cidades em status econômico mais semelhante no mundo com São Paulo (ou Rio, Recife, BH..) naturalmente apresentam, quando muito, uma rede bem modesta. São Paulo não está ruim nesse nível de cidades.
Concordo em partes. Rússia tem o mesmo status econômico mas é muito mais bem servida de transporte público e infra-estrutura urbana geral. Mas claro, há outros fatores históricos envolvidos.

Porém, o que deixa os brasileiros indignados é a dificuldade de alavancar a economia, aumentar a geração de riqueza. Sempre parece que estamos melhorando, mas de fato não estamos. Países mais pobres que o Brasil há 20 anos atrás hoje estão se tornando super-potências, alguns já viraram primeiro mundo (Coreia do Sul, Taiwan, Chile).

Outra coisa que causa bastante indignação é que o Brasil não é apenas um país pobre, sem desenvolvimento e sem expressão mundial. Pelo contrário, estamos acima da média dos países com mesmo status econômico. Quer um exemplo? Um em cada três estabelecimentos que entro aqui em Tóquio (restaurantes e bares principalmente) estão tocando música brasileira de qualidade. Tom Jobim, Chico, Elis, Caetano, Toco, Roberta Sá, Baden Powell, Sabrina Malheiros e Bebel Gilberto são só alguns dos nomes que já ouvi por aqui. Sempre, sempre ouço música brasileira aqui, todos os dias. Precisei vir morar do outro lado do mundo pra vivenciar esse tipo de coisa, haja vista que no Brasil só se tem vangloriado um tipo de música bastante duvidosa - divulgada principalmente pela grande mídia.

Além disso, o café brasileiro está em todos os cantos! Eu nunca vi no mundo tanta cafeteria por metro quadrado como aqui em Tóquio, e pasme, o café que eles mais vangloriam é o nosso (mesmo não estando entre os premiados da Etiópia e Costa Rica). Vangloriam também o nosso samba (Tóquio tem o segundo maior carnaval do mundo depois do Brasil, com samba, desfiles, etc) e o nosso futebol.

Então o Brasil está acima da média dos similares nesse quesito. México, por exemplo, só exportou pro Japão a comida - e mesmo assim são pouquíssimos restaurantes mexicanos por aqui. África do Sul não exporta nada. Rússia então nem é pauta de nada aqui no Japão, só mesmo as parcerias políticas e econômicas. Outros países de status econômico similar ninguém nem fala sobre. O Brasil, juntamente com França e EUA, é o país ocidental mais influente culturalmente no Japão.

E é isso que mais irrita. Como somos tão fortes culturalmente e tão fracos em todo o resto? Como geramos tanta riqueza (sim, somos um país rico) mas ela é tão mal distribuída? Porque que há tanta roubalheira e porque que não conseguimos mudar essa mentalidade na população? O que (e como) precisamos mexer na educação pra resolver todas essas questões? É muito, muito complexo o problema do Brasil e dificilmente conseguiremos resolve-los nas gerações vindouras.
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Old April 18th, 2019, 08:49 PM   #14
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O que falta no Brasil é mais investimento em educação financeira e empreendedorística. Os empresários brasileiros são medrosos e preferem acomodar do que arriscar.
Aqui o próprio governo é o primeiro a atrapalhar quem queira arriscar alguma coisa, burocracia e impostos infinitos pra dificultar.
É só ver o que está acontecendo com o projeto da L18 do monotrilho de SP, pra começar só faltam as desapropriações, a concessionária já tem tudo pronto, mas o governo está louco pra jogar tudo fora e fazer um corredor de onibus.
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Old April 18th, 2019, 10:24 PM   #15
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Impressionante como São Paulo e Tóquio têm algumas semelhanças que permitem que eles sejam o maior exemplo para lidar com alguns dos nossos maiores problemas, como transporte público e inundações, por exemplo. Aqui, como lá, temos várias centralidades: Centro, Paulista, Faria Lima, Berrini... Imagina que máximo pensar numa linha só que unisse todas elas. Seria uma mão na roda.

Mas acho que nem em 200 anos chegaríamos nessa qualidade de transporte. Como falaram, nosso método de governo é voltado a dificultar e atrapalhar, e não a fomentar.
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Tóquio parece um caos ao olhar rapidamente, mas quando vemos ela de perto, é totalmente ao contrario, extremamente organizada em todos quesitos... e quando olho para esse sistema público sobre trilhos, me da uma inveja branca... falo para mim mesmo que Tóquio é uma versão rica de São Paulo! Fenomenal
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Old April 18th, 2019, 11:04 PM   #17
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Impactado.

Obrigado por compartilhar!
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Old April 18th, 2019, 11:24 PM   #18
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Excelente thread! Meus parabéns!

Eu já conhecia o sistema de Tokyo e posso dizer que ele é absolutamente diferente do que temos no Ocidente. São nada menos que 48 empresas que operam linhas férreas em toda a região do Kanto, que abrange Tokyo, Saitama, Kanagawa (onde fica Yokohama), Gunma, Ibaraki, Tochigi e Chiba, sendo duas de capital público majoritário (Toei Subway e Yokohama Municipal Subway); o resto é tudo de capital privado.

Várias ferrovias são verdadeiros conglomerados atuantes em diversos setores da economia, como linhas de ônibus rodoviário, parques, hoteis, lojas de departamentos e construtoras. A Sotetsu, por exemplo, possui uma rede de supermercados (Sotetsu Rosen) e construiu ela mesmo os bairros ao longo de sua rede de trens urbanos para criar demanda; a Odakyu e a Keio são algumas das empresas que possuem grandes lojas de departamento DENTRO de suas estações terminais em Tokyo.

E outra característica que torna o sistema de Tokyo algo único é o compartilhamento de trens de diferentes empresas numa mesma linha, incluindo o metrô. Em algumas linhas da Tokyo Metro e Toei Subway, outras empresas (incluindo a JR East, que era a antiga estatal ferroviária japonesa JNR, uma espécie de RFFSA local) possuem serviços que saem das pequenas cidades dos arredores de Tokyo e entram dentro do túnel do metrô; seria como se a CPTM tivesse um trem saindo de São Roque, passando por São Paulo nos mesmos trilhos da L3 do Metrô e depois seguindo viagem para Jacareí.

Com tantas opções de ferrovias e a paixão do japonês ao trem, o ônibus fica relegado ao segundo plano, mais como alimentador. A maioria das linhas de ônibus pertence às próprias empresas ferroviárias; mas, dentro do círculo formado pela Yamanote Line (a linha central de Tokyo), só operam os ônibus da estatal Toei. Tokyo é a única megalópole do mundo que não tem nenhum plano de construção de um BRT.



Enquanto isso, Los Angeles não tem nem 40 Km de metrô pesado em toda a sua área metropolitana e Bogotá nem ferrovia tem...
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Aqui o próprio governo é o primeiro a atrapalhar quem queira arriscar alguma coisa, burocracia e impostos infinitos pra dificultar.
É só ver o que está acontecendo com o projeto da L18 do monotrilho de SP, pra começar só faltam as desapropriações, a concessionária já tem tudo pronto, mas o governo está louco pra jogar tudo fora e fazer um corredor de onibus.
Cara, como disse o colega alguns posts acima, com essa mentalidade que o Brasil tem é até um milagre São Paulo ter a rede que tem. Em outras cidades do país mal mal temos uma linha funcional. BH, com quase 6 milhões de pessoas na RM, tem uma linha mixuruca de 28km. É uma linha muito boa, atende 5% da população da metrópole, mas insuficiente considerando o tamanho da cidade. Em BH esse tipo de coisa que você citou acontece sempre. Também queriam construir um monotrilho ligando o Centro à Pampulha, rolou até anúncio de verba pra tal. Mas e aí? Saiu um BRT no lugar. Ok, é bom, melhor que nada, mas não resolve o problema. Cidades com o mesmo porte de BH aqui no Japão tem 300km, 400km de metropolitanos. Do porte de São Paulo (Osaka) são mais de 1500km de metropolitanos.
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Old April 19th, 2019, 03:32 AM   #20
Charles Tôrres
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Originally Posted by Gutovsky View Post
Impressionante como São Paulo e Tóquio têm algumas semelhanças que permitem que eles sejam o maior exemplo para lidar com alguns dos nossos maiores problemas, como transporte público e inundações, por exemplo. Aqui, como lá, temos várias centralidades: Centro, Paulista, Faria Lima, Berrini... Imagina que máximo pensar numa linha só que unisse todas elas. Seria uma mão na roda.

Mas acho que nem em 200 anos chegaríamos nessa qualidade de transporte. Como falaram, nosso método de governo é voltado a dificultar e atrapalhar, e não a fomentar.
Exatamente! Vejo bastante semelhança entre Tóquio e São Paulo, estruturalmente falando. São cidades polinucleadas, não planejadas e com traçado viário complexo. Mas vale dizer que o problema aqui em Tóquio seria maior se a nossa rede fosse insuficiente como em São Paulo, haja vista que a cidade é 2x maior e possui muito mais centros isolados. Porque em São Paulo, ainda que hajam várias centralidades, muitas delas são uma coisa só, separadas por meras divisões administrativas. O Centro e a Paulista mesmo formam um único downtown. Se você acessar a Paulista vindo do Centro pela Nove de Julho ou pela Consolação, você nem sente que saiu de um centro e entrou noutro. Claro que há uma diferença social entre as regiões, mas elas são intimamente interligadas. São Paulo é mais radiocêntrica.

Já aqui em Tóquio os centros são muito bem definidos, ficam em regiões específicas e são numerosos. Há uma aglomeração maior no eixo radiocêntrico, mas não é exclusivo. Eu já conheci 15 grandes centros bem definidos, mas estimo que hajam mais. Além disso a população usa mais as ruas, o comércio de rua é intenso, numeroso e onipresente. Não há shoppings (muito raramente alguma loja de departamentos) e as ruas são o principal ponto de entretenimento da população.

Dito isto, se Tóquio não tivesse a rede que tem, seria tudo muito caótico, mais caótico que em São Paulo. Mas é fato que ambas cidades guardam semelhanças significativas, isso é algo que sempre falo com meu irmão (de consideração) urbanista que mora aí em São Paulo. Tóquio é o melhor exemplo que SP deve seguir em função dessas semelhanças. E aqui estamos falando apenas sobre ferrovias. Temos também o exemplo rodoviário, uma vez que aqui quase não ocorrem congestionamentos, as ruas são lindamente fáceis de percorrer, asfalto impecável sempre e urbanismo de qualidade.
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