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Portugal perdeu 43 por cento dos passageiros de comboio em 20 anos

11:11 AM February 2nd, 2011
#1
TeKnO_Lx
Portugal perdeu 43 por cento dos passageiros de comboio em 20 anos
02.02.2011 - 07:25 Por Carlos Cipriano



Duas décadas de aposta em auto-estradas e de fechos sucessivos de linhas de comboio fizeram com que Portugal perdesse, durante este período, 99 milhões de passageiros de caminhos-de-ferro.

(Nuno Ferreira Santos)

Dos 231 milhões de viagens de comboio realizadas em 1988, passou-se para 131 milhões em 2009, uma redução de 43 por cento.

Este número ilustra, de forma clara, o que tem sido a evolução do uso da ferrovia em Portugal, em contraponto claro com aquilo que se passa na maior parte dos outros países europeus. E faz com que se questione o impacto das políticas seguidas neste sector no passado e no presente.

Ontem, foi retirado o serviço ferroviário regional em mais 138 quilómetros de vias-férreas, depois de, no ano passado, se terem encerrado 144 quilómetros de linhas (com a promessa de reabilitação que não aconteceu).

Este acto de gestão é defendido como uma forma de reduzir o défice da CP, permitindo à empresa melhor concentrar a sua oferta nos grandes eixos onde o caminho-de-ferro cumpre a sua função de transporte de grandes massas.

No entanto, o que as estatísticas dos últimos 20 anos provam é que sempre que se cortaram linhas férreas, o número de passageiros diminuiu. Em 1990, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, reduziram-se abruptamente 700 quilómetros de vias-férreas, sobretudo em Trás-os-Montes e no Alentejo. O resultado foi que as linhas principais, vendo-se amputadas dos ramais que as alimentavam, ficaram com menos gente.

Mas poder-se-ia ainda argumentar que com os ramais fechados, desapareceram os clientes que só faziam distâncias curtas (nada apropriadas a um sistema pesado como é o ferroviário e, logo, mais adaptados ao autocarro), aumentando o número de passageiros que viajam de comboio em percursos superiores. Errado mais uma vez: a prática demonstra o contrário. O número de passageiros por quilómetro percorrido) era de 6 milhões em 1988, baixou para 5,6 em 1991 e é agora de 3,7 milhões.

Dito de outra maneira, enquanto em 1989 cada português fazia uma média de 22 viagens de comboio por ano (em termos absolutos), hoje só faz dez.

E será que os resultados da CP melhoram, com a redução de linha? Também aqui as tendências pesadas do passado provam exactamente o oposto. E mostram mais: que quem ganha com o negócio são sempre os autocarros e, claro, o transporte individual.

Caso único na Europa

A quota de mercado do caminho-de-ferro no transporte de passageiros afundou-se em cerca de 66 por cento entre 1990 e 2008. Essa quota face à rodovia não passa hoje dos 4,4.

É claro que para isto muito contribuiu a forte aposta na infra-estruturação rodoviária do país. Os números do Portugal do betão e do alcatrão são significativos: o pequeno país periférico tem 20 metros de auto-estrada por Km2 contra 16 metros que é a média europeia. Mas na rede ferroviária só possui 31 metros por Km2 contra 47 metros da média da União Europeia :nuts:.

Não surpreende, assim, que nos países da Europa Ocidental Portugal seja o único que, em 20 anos, perdeu passageiros na ferrovia. É certo que a França, a Holanda e a Suíça tiveram crescimentos modestos - "só" conseguiram transportar cerca de 30 por cento mais de passageiros -, mas isso resulta de serem mercados maduros onde a tradição de andar de comboio é quase ancestral. A Grã-Bretanha, país que foi o berço do caminho-de-ferro, cresceu 53 por cento em 20 anos, a sua vizinha Irlanda 57 por cento, a Bélgica 55,2 por cento e a Alemanha 83 por cento, em parte graças à aposta em comboios de alta velocidade que são um verdadeiro luxo.

Mas o mais curioso é que o único país dos três dígitos é precisamente a Espanha, com um aumento de 157 por cento. Em 20 anos, nuestros hermanos, que apostaram no TGV, passaram de 182 milhões de passageiros dos seus velhos comboios dos anos oitenta (muitos deles, à época, bem piores do que os portugueses) para 467 milhões de clientes da ferrovia. Um aumento que contrasta com o envergonhado decréscimo de passageiros de comboio de 43 por cento no cantinho luso.

O que falhou, então?

A resposta terá que ser dada mais pelo lado da rodovia do que da ferrovia. Entre 1992 e 2008, por cada euro investido no caminho-de-ferro eram aplicados 3,3 euros na rodovia. Durante este período, a Refer investiu 5,9 mil milhões de euros e os contratos da Estradas de Portugal para construção de novas vias rodoviárias atingia 19,8 mil milhões de euros.

E a divergência tem vindo a acentuar-se. Por exemplo, em 1995, enquanto a Refer investia 250 milhões de euros nos carris, a Estradas de Portugal avançava com um pacote de 12 novas concessões (três delas vindas do Governo de Durão Barroso) no valor de 4,5 mil milhões de euros relativos a 2500 quilómetros de estradas.

Álvaro Costa, especialista em Transportes na Faculdade de Engenharia do Porto, diz que os 40 milhões de passageiros perdidos na ferrovia não são mais do que o reflexo da política seguida em Portugal em relação ao investimento público em infra-estruturas de transporte e a sua forma de financiamento.

"Tem-se investido muito na construção de auto-estradas, algumas com índices de utilização muito baixos, mas, como o financiamento está contratualizado com o sector privado, não existe nenhuma vantagem em encerrarem, porque daí não resultaria nenhuma vantagem para o Estado", explica. Já com as linhas de caminho -de-ferro é muito diferente porque o seu encerramento faz o Estado poupar custos e o sector rodoviário ganhar passageiros e aumentar a procura. É por isto que Álvaro Costa entende que o sector privado deveria ter sido mais envolvido na exploração das linhas de caminho-de-ferro. "Se assim fosse, talvez a situação fosse diferente da actual", diz.

Nelson Oliveira, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro (que congrega 1100 associados), chama a atenção para o facto de não só se terem perdido passageiros, como os défices da CP e da Refer terem vindo sempre a aumentar.

E questiona se os objectivos comerciais e técnicos estabelecidos pelos decisores nas últimas décadas eram os mais adequados. Por exemplo: "Será que o custo-benefício da modernização da Linha do Sul foi vantajoso para ainda se demorar três horas na ligação mais rápida entre Lisboa e Faro? Será este tempo concorrencial com o transporte individual?"

Mas há mais perguntas: "Apesar dos encerramentos nos últimos 20 anos, melhoraram os resultados? Há mais passageiros? Os prejuízos das empresas são menores? Não. Por isso, o problema tem certamente outras causas. Não são os serviços alegadamente deficitários os culpados".

O também engenheiro com uma pós-gradução em Caminhos-de-Ferro aponta outras causas para este declínio: "Um Estado que não fiscaliza como é prestado o serviço de transportes públicos, uma política que insiste em duplicar auto-estradas em zonas já servidas pelo caminho-de-ferro, uma política que encerra linhas férreas onde alegadamente há pouco tráfego (sem questionar se o serviço comercial prestado é o mais adequado), mas não constrói vias-férreas onde elas são necessárias, como é o caso de Viseu, uma das maiores cidades da Europa que não são servidas pelo comboio".

Nelson Oliveira critica também "o sucessivo espartilhar dos diversos serviços, com uma artificial separação entre longo curso, regionais e suburbanos que torna o comboio pouco atractivo para quem tenha necessidades de usar mais do que um comboio". É por isso, explica, que o encerramento de ramais e diminuição de serviços regionais afasta cada vez mais o público. E conclui: "Os decisores parecem esquecer-se de que estes serviços também alimentam os serviços principais com passageiros. A prosseguir este caminho, mata-se o doente à procura da cura".


http://economia.publico.pt/Noticia/p...0-anos_1478215
:ohno:
11:13 AM February 2nd, 2011
#2
TeKnO_Lx
aqui se vê claramente a visão de novo riquismo bacoca dos nossos políticos pós 25 de Abril.
02:58 PM February 2nd, 2011
#3
Homem
Este blog é uma interessante crônica diària da demolição planejada da ferrovia em Portugal.
Plano drastico de destruiçao acelerado a cada oportunidade ! (como nestes dias em que o pais se encontra em horas bem baixas, quase as escuras).


http://bragaporto40minutos.blogspot.com/
03:40 PM February 2nd, 2011
#4
seattle92
Também tinha lido isso hoje. É um dos artigos que melhor demonstra o atraso que somos como país e como esta gentalha que nos tem governado não tem qualquer categoria.

Acho que dinheiro a entra em Portugal funciona mais como uma maldição do que uma bênção. É assim desde as especiarias da Índia, passando pelo ouro do Brasil e recentemente os subsídios da UE.
04:14 PM February 2nd, 2011
#5
by_law
Se não fossem as especiarias da Índia e o ouro do Brasil eu queria ver onde é que Lisboa tinha a monumentalidade que tem.

Quanto à notícia, é mais que sabido, o abandono ferroviário no país é bem conhecido de todos :bash:
04:20 PM February 2nd, 2011
#6
Oponopono
Parece-me que deveriam ler o artigo com mais cuidado e atenção e ver precisamente de onde vem o acréscimo de passageiros verificado noutros paises!
04:28 PM February 2nd, 2011
#7
Suburbanist
Coelgas,

Penso que Portugal age correctamente no tocante à gestão se sua rede de ferrovias. Auto-estradas são mais eficientes e permitem maior conforto, não prendem os passageiros à uma programação rígida de chegadas e partidas... Portugal tem hoje uma das melhores redes de auto-estrada e as construções não páram, mesmo com a crise econômica que se abate aqui, sobre toda a Europa.

O relevo de Portugal também nào é propício à instalação de muitas ferrovias: é fácil tornar um troço ferroviário em algo de média velocidade nas planícies de França, Bélgica, Alemanha, Holanda (onde vivo). Qualquer caminho-de-ferro centenário basta breve melhoria da via permanente, e já se pode circular a 120-160km/h. Todavia, na Península Ibérica os terrenos são montanhosos, dificultando velocidades competitivas.

A sugestão de não se construir auto-estradas paralelas a relações ferroviárias é anti-democrática, pois que pretende obrigar o passegeiro a usar combio, e não automóvel.

Assim, penso que Portugal deveria focar em construir uma rede de alta velocidade ao longo do litoral, 2 ligações rápidas com o interior e Espanha (de alta velocidade), e mais poucas linhas acessórias, desmantelando todo o restante do sistema.
05:01 PM February 2nd, 2011
#8
vinsanity
Quote:
Originally Posted by Oponopono
Parece-me que deveriam ler o artigo com mais cuidado e atenção e ver precisamente de onde vem o acréscimo de passageiros verificado noutros paises!
da alta velocidade. Mas também do seu constante investimento na suas respectivas redes ferroviárias enquanto cá:

"em 1995, enquanto a Refer investia 250 milhões de euros nos carris, a Estradas de Portugal avançava com um pacote de 12 novas concessões (três delas vindas do Governo de Durão Barroso) no valor de 4,5 mil milhões de euros relativos a 2500 quilómetros de estradas."

isto diz tudo...
05:07 PM February 2nd, 2011
#9
Oponopono
Ora nem mais, da AV, precisamente e é importante reter isso. Em vários países (Espanha é um deles) o serviço regional foi sendo esqueletizado e onde se foram buscar passageiros foi precisamente com os serviços de AV. Cujos investimentos são, evidentemente, investimentos na ferrovia!

Agora a dicotomia investimento rodoviário versus ferroviário. Em Portugal, e ao contrário do que sucedeu no resto da Europa Ocidental houve a opção política de apostar no transporte rodoviário. E, devo dizer, essa opção política foi sufragada pelos cidadãos, não apenas no momento do voto mas pelas suas reivindicações, ao longo de anos e anos. É daqueles casos em que as culpas não são totalmente de sucessivos governos que, neste particular, limitaram-se a dar aos cidadãos o que eles pediam e queriam.
05:08 PM February 2nd, 2011
#10
Penafidelense
Quote:
Originally Posted by Suburbanist
Coelgas,

Penso que Portugal age correctamente no tocante à gestão se sua rede de ferrovias. Auto-estradas são mais eficientes e permitem maior conforto, não prendem os passageiros à uma programação rígida de chegadas e partidas... Portugal tem hoje uma das melhores redes de auto-estrada e as construções não páram, mesmo com a crise econômica que se abate aqui, sobre toda a Europa.

O relevo de Portugal também nào é propício à instalação de muitas ferrovias: é fácil tornar um troço ferroviário em algo de média velocidade nas planícies de França, Bélgica, Alemanha, Holanda (onde vivo). Qualquer caminho-de-ferro centenário basta breve melhoria da via permanente, e já se pode circular a 120-160km/h. Todavia, na Península Ibérica os terrenos são montanhosos, dificultando velocidades competitivas.

A sugestão de não se construir auto-estradas paralelas a relações ferroviárias é anti-democrática, pois que pretende obrigar o passegeiro a usar combio, e não automóvel.

Assim, penso que Portugal deveria focar em construir uma rede de alta velocidade ao longo do litoral, 2 ligações rápidas com o interior e Espanha (de alta velocidade), e mais poucas linhas acessórias, desmantelando todo o restante do sistema.

Acho muito sinceramente que o caro forense não está a par do que se passa aqui ao lado de Portugal (suponho que não esteja em Portugal), na nossa vizinha Espanha, em que todos os projectos para auto-estradas foram estancados até todos os projectos ferroviários estarem concluídos. E isto é só um simples exemplo daquilo que poderia e devia ser feito em Portugal...

Já que temos uns políticos que tem a mania de estar sempre a comparar dados com tudo quanto é coisa, eu vou então fazer o mesmo (com um pouco da minha ironia à mistura).
Lisboa - Porto 314km - 2h 44 min, Madrid - Barcelona 625km - 2h 38 min :bash: é só um exemplo crasso daquilo que não é feito em Portugal na linha que mais rende ao cofres da CP, não por culpa exclusiva da CP, mas por culpa dos desgovernos que temos tido ao longo destes anos que enterraram milhares de milhões na Linha do Norte (para favorecer sabe-se lá quem, mas o que é certo é que alguém se ficou a rir) em vez de pura e simplesmente decidirem aquilo que era à muito visto e revisto por tudo quanto é entendido na matéria, a Linha do Norte está saturada e além disso não permite grandes "folestrias" como tal a ligação nunca iria descer abaixo das duas horas. Em vez de construírem uma linha nova de raiz que devia ser das primeiras coisas a ser feitas, e nem digo trazerem o AVE, digo mais porém o AP a andar, isto é, a ter trajectos seguidos sempre a 220km/h, que mesmo com as paragens em Aveiro e Coimbra conseguiria fazer o trajecto Lisboa - Porto em 1h e 30 min. Faraónico, diria eu, uma mente governativa e parlamentar pensar nisto... Vá-se lá saber porque agora já se vai andar com isto para a frente, lentamente mas lá irá e lá para 2040 teremos o primeiro AVE Lisboa - Porto nos carris (e já estou a ser optimista).
Retirou-se o comboio a Viseu, Vila Real e Bragança ou por falta de segurança ou então porque eram linha deficitárias, deficitárias são as mentes de quem manda porque se esqueceram que Portugal tendo Bitola Métrica nunca teve uma verdadeira rede da mesma, em vez de pensarem em criar uma rede de BM e além disso por horários decentes para as pessoas andarem no comboio e poderem optar pelo carro/autocarro/comboio e se calhar perceberem que de comboio até se poupava uns trocos, não cortou-se de vez no serviço porque assim o Estado recebe também mais uns trocos, ora nos pneus para o carro, ora no óleo para o motor, ora nas portagens, ora em mil e uma coisas que para aqui podia referir, mas quem fica sempre a perder é o transporte mais limpo do planeta (ainda falam os nossos governantes em ambiente :nuts: ) e além disso o bolso de todos os portugueses também. Se calhar por sermos um país montanhoso é que precisávamos de uma rede de BM pronta para ser tornada em bitola europeia, mas lá está, sou eu que o digo e se calhar sonho muito alto (pensava eu que estávamos a pensar no futuro, no nosso e dos nossos filhos, netos, etc).
Fechou-se recentemente dois ramais que não davam lucro, pelo contrário só davam prejuízo à CP, pudera, com 54 composições diárias a sair de Ermesinde com destino a Leça do Balio com 3 passageiros em média, não podiam estar à espera de outra coisa, em vez de fazerem isto, se calhar porem o as composições a sair de Campanhã, ou até mesmo de Ermesinde, mas ao mesmo tempo construírem os apeadeiros prometidos e além disso levarem as composições até Leixões, se calhar o "canário já cantava", o que é certo é que não cantou. E agora sem conhecimento de causa, pergunto-me eu se não era possível levar as estações/apeadeiros do Ramal de Caceres até ao pé dos mesmos, não sei, mas se calhar faria lógica, umas alterações ao traçado para permitir captar mais clientes...Mas voltando ao prejuízo da CP, mais um vez quem se endividou foi a CP, porque? Porque a REFER não quis saber, muito menos as Câmaras Municipais por onde o comboio passa porque para captar votos até eu, se fosse candidato (coisa que não o posso ser, a profissão não mo permite), deitava para o ar e forçava a reabertura do serviço mesmo sem qualidade nem atractividade, só para poder dizer, eu forcei a abertura, disso não me podem acusar, mas esquecer-me-ia eu de dizer também, abriu-se mas eu depois não quis saber, ganhei os votos e as eleições, já estou no poleiro é o que me interessa...
Quanto a tudo o resto, é mais do mesmo...teria aqui pano para mangas para falar mas como o tempo é pouco deixo para vocês os restantes comentários.

Quanto à noticia, muito sinceramente era já uma morte esperada ou melhor caminhamos a largos passos para a morte esperada.
05:11 PM February 2nd, 2011
#11
Penafidelense
Quote:
Originally Posted by Oponopono
Ora nem mais, da AV, precisamente e é importante reter isso. Em vários países (Espanha é um deles) o serviço regional foi sendo esqueletizado e onde se foram buscar passageiros foi precisamente com os serviços de AV. Cujos investimentos são, evidentemente, investimentos na ferrovia!

Agora a dicotomia investimento rodoviário versus ferroviário. Em Portugal, e ao contrário do que sucedeu no resto da Europa Ocidental houve a opção política de apostar no transporte rodoviário. E, devo dizer, essa opção política foi sufragada pelos cidadãos, não apenas no momento do voto mas pelas suas reivindicações, ao longo de anos e anos. É daqueles casos em que as culpas não são totalmente de sucessivos governos que, neste particular, limitaram-se a dar aos cidadãos o que eles pediam e queriam.
Pois Oponopono, mas a nossa geração agora não pede rodóvias mas sim ferrovias e à custa da estupidez dos nossos antepassados ancestrais, hoje em dia pagamos todos esta estupidez. Ainda hoje no AP, contavam-se pelos dedos das mãos as pessoas da faixa etária acima dos 40 anos...Ao invés eram centenas de jovens como eu e tu a viajar no AP, isto é jovens entre os 18 e os 40... Isto diz muito do que quem veio antes de nós fez a Portugal... A custa da geração dos nossos pais/avós é que isto hoje está como está infelizmente...
05:15 PM February 2nd, 2011
#12
by_law
Penafidelense: :applause:
05:23 PM February 2nd, 2011
#13
seattle92
Quote:
Originally Posted by Suburbanist
A sugestão de não se construir auto-estradas paralelas a relações ferroviárias é anti-democrática, pois que pretende obrigar o passegeiro a usar combio, e não automóvel.

Assim, penso que Portugal deveria focar em construir uma rede de alta velocidade ao longo do litoral, 2 ligações rápidas com o interior e Espanha (de alta velocidade), e mais poucas linhas acessórias, desmantelando todo o restante do sistema.
E desmantelar linhas que funcionavam desde o século XIX não é anti-democrático? Forçar cidades inteiras a usar o automóvel porque lhes foi retirado o comboio, não é anti-democrático?

É muito fácil dizer que determinadas linhas têm de desaparecer porque não são viáveis. Mas é natural que não sejam, é impossível que sejam. Depois de décadas de desinvestimento, de mau serviço, de horários sem nexo, de ligações sem sentido,... é natural que as pessoas tenham aos poucos abandonado o comboio.

Eu admito que uma linha que tem uma média diária de algumas dezenas de pessoas sejam inviável. Mas é preciso perceber porque é que chegámos a estes números, e quem foram os culpados.

A questão do terreno plano ou montanhoso não pega na minha opinião. A Suíça e Áustria têm muita ferrovia. E também é preciso ver que estamos a falar de linhas que já existem, não novas construções. As linhas já existem, mas foram durante décadas tão abandonadas que neste momento já não são viáveis. O terreno plano dificulta tanto a ferrovia como a rodovia.
05:28 PM February 2nd, 2011
#14
by_law
A única região onde Portugal é significativamente montanhoso é no interior norte e centro de resto é um país de baixas altitudes.
05:36 PM February 2nd, 2011
#15
toniho
Quote:
Originally Posted by Suburbanist
A sugestão de não se construir auto-estradas paralelas a relações ferroviárias é anti-democrática, pois que pretende obrigar o passegeiro a usar combio, e não automóvel.
Para começar leste mal a notícia. O que lá diz é que é errado duplicar auto-estradas (como entre Aveiro e o Porto) onde já existe auto-estrada e ferrovia é que é errado, não é entre sítios onde não há auto-estrada e há comboio (seja lá onde isso for em Portugal) construir uma auto-estrada.
Mas já agora, fechar as linhas de comboio, não criar transporte colectivo rodoviário, obrigando toda a gente a usar o transporte individual é o quê? Um sinal do progresso da democracia?


E gosto de ouvir dizer que a construção de auto-estradas não para como se isso fosse uma coisa boa. É que Portugal nem está quase na bancarrota nem nada, o que precisamos é mais encargos para o futuro (deve ser para ver se conseguimos que as despesas com as PPP ultrapassem o orçamento do ministério da Educação). E até temos poucas auto-estradas às moscas e tudo, por isso acho bem que se construam mais.
E vir falar de eficiência também é bonito, nomeadamente quando Portugal importa milhares de milhões de euros de energia para o transporte rodoviário todos os anos, e quando muitas das auto-estradas existentes não têm tráfego que justifique a sua criação. Um sinal de eficiência tremenda.
05:38 PM February 2nd, 2011
#16
seattle92
Quote:
Originally Posted by toniho
Ai se houver uma auto-estrada num sítio, e se não se construir uma paralela está-se a impedir de usar a primeira auto-estrada? Isto lê-se cada uma.
Ele está a falar de construir autoestradas paralelas a linhas de comboio.
05:44 PM February 2nd, 2011
#17
seattle92
Isto da ferrovia é apenas mais um exemplo do disparate do país novo rico que esta merda se tornou.

O comboio passou a ser visto como uma coisa de pobre e do estado novo, uma herança do que Portugal era e que já não ia fazer falta nenhuma. O novo Portugal tinha de estar coberto de alcatrão, isso sim seria moderno. Já não haveria espaço pro comboio, tal como já não haveria espaço para o eléctrico nas cidades. O carro passou a ser o rei (rei absolutista).

O mesmo se passou em relação à agricultura, pescas, industria,...

Cada vez que oiço o Manuel Alegre e companhia a dizer que é preciso "cumprir Abril" até me dá vontade de lhe partir os dentes :ohno:
05:44 PM February 2nd, 2011
#18
Oponopono
Quote:
Originally Posted by toniho
Mas já agora, fechar as linhas de comboio, não criar transporte colectivo rodoviário, obrigando toda a gente a usar o transporte individual é o quê? Um sinal do progresso da democracia?
toniho, lembras-te de há tempos teres falado na filosofia americana do transporte público ser fruto do comunismo? O Suburbanist é ferrenhissimo adepto dessa teoria.
05:46 PM February 2nd, 2011
#19
Oponopono
Quote:
Originally Posted by seattle92
O comboio passou a ser visto como uma coisa de pobre e do estado novo, uma herança do que Portugal era e que já não ia fazer falta nenhuma. O novo Portugal tinha de estar coberto de alcatrão, isso sim seria moderno. Já não haveria espaço pro comboio, tal como já não haveria espaço para o eléctrico nas cidades. O carro passou a ser o rei (rei absolutista).

O mesmo se passou em relação à agricultura, pescas, industria,...
De pleno acordo enquanto generalização. Não esquecer, porém, que precisamente essas opções foram o que o povo Português pediu e praticou ao longo de vários anos.
05:47 PM February 2nd, 2011
#20
toniho
Quote:
Originally Posted by seattle92
Ele está a falar de construir autoestradas paralelas a linhas de comboio.
Eu depois percebi e mudei. Mas ele está a ler mal a notícia, porque lá não se fala nisso nesses termos.