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UNICAMP
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É uma decisão emblemática. A Ferroeste foi privatizada em 1996, no governo de Jaime Lerner. Foi arrematada pela Ferropar, consórcio formado pelas empresas Pound S.A., Gemon S.A. e FAO Ltda., ao preço mínimo de 25,6 milhões de reais. Note-se que o trecho ferroviário havia sido construído na primeira administração de Requião, entre 1991 e 1994, ao custo de 363,6 milhões de dólares ou 1 bilhão de reais ao câmbio da época. De partida, sobrou prejuízo para o Erário estadual.

Pelo edital, a Ferropar teria 30 anos para desembolsar os 25,6 milhões de reais, com três de carência. A partir de 2000, deveria começar a pagar parcelas trimestrais de 1,01 milhão de reais.

O governo Requião provou à Justiça que, em oito anos de contrato, a Ferropar “contrariou tudo o que prometeu na licitação”. Segundo documentos do gabinete, a empresa havia se comprometido a investir 131 milhões de reais até 2004, mas desembolsou apenas 3% do prometido, ou 4 milhões de reais.

Prometeu, ainda, “disponibilizar 732 vagões e 60 locomotivas” até o mesmo ano, mas hoje tem apenas 55 vagões e quatro locomotivas. Deixou ainda de transportar 12,6 milhões de toneladas até fevereiro de 2005, por falta de investimentos e frota.

O governo Requião havia solicitado, em abril de 2005, a inspeção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Concluiu-se que a Ferropar estava em estado de pré-insolvência. A situação levou o governo a decretar a intervenção na Ferropar, em 19 de agosto de 2006. Em seis meses de intervenção estadual, a Ferroeste transportou 700 mil toneladas de produtos agrícolas.

O objetivo, agora, do presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, é ampliar a malha ferroviária, para o escoamento da produção de soja e cereais para o Porto de Paranaguá, visando aos mercados da Argentina e do Paraguai. “O modelo operacional da Ferroeste demonstra ao Brasil que é possível estabelecer uma gestão pública de uma ferrovia governada por princípios do interesse público.”

O administrador prevê investimentos de 2,2 bilhões de reais entre 2007 e 2011. Consta do Plano Plurianual do governo a construção de armazéns em Cascavel, Guarapuava e Paranaguá. Pretende-se concluir o Corredor Oeste, para ligar o estado ao Mato Grosso do Sul. A meta, ainda, é adquirir oito locomotivas neste ano. Está também prevista a construção do trecho ferroviário entre Cascavel e Campo Mourão em 2010 e 2011.

O caso paranaense merece atenção. Privatizações feitas às pressas, nos anos 90, resultaram no apagão elétrico, na falha de competição dos serviços de telefonia fixa e no estrangulamento logístico do País. Em tempos de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seria conveniente atentar para o setor ferroviário, desmantelado por leilões feitos com o propósito principal de fechar as contas do Tesouro.

Na década de 50, o País tinha 38 mil quilômetros de ferrovia. Restaram 28 mil quilômetros hoje. Para efeito de comparação, os Estados Unidos possuem 360 mil quilômetros e a Argentina, 40 mil.


25/6/2007 - Revista Carta Capital
 

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Sim, é a Carta Capital falando.

A pergunta: Ela esta errada em algum ponto???

Os responsáveis por essas privatizações altamente danosas ao Brasil e ao brasileiro deveriam ser fuzilados!

Esse exemplo da Ferroeste ainda não conhecia. Apenas me causou mais nojo...
 

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NON FVCOR FVCO
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caso paranaense merece atenção. Privatizações feitas às pressas, nos anos 90, resultaram no apagão elétrico, na falha de competição dos serviços de telefonia fixa e no estrangulamento logístico do País. Em tempos de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seria conveniente atentar para o setor ferroviário, desmantelado por leilões feitos com o propósito principal de fechar as contas do Tesouro.

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Essa foi boa. As empresas responsáveis pela falta de investimento e produtividade, que provocarão o apagão, foram justamente as que não foram privatizadas!!!

E possivelmente o jornalista que escreveu essa reportagem não teria dinheiro pra comprar um celular sem a privatização. Agora vc consegue um de graça e ainda tinha que pagar 3 mil reais....e ainda reclamam...

É verdade que a concorrência não é suficiente e isso gera tarifas altas demais. O ideal seria ter umas 20 empresas de telonia fixa e celular. Ao mesmo tempo que aumentou muito a oferta de telefones, a tarifa tá absurda, mas antes disso do que não ter um celular.
 

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Essa foi boa. As empresas responsáveis pela falta de investimento e produtividade, que provocarão o apagão, foram justamente as que não foram privatizadas!!!

E possivelmente o jornalista que escreveu essa reportagem não teria dinheiro pra comprar um celular sem a privatização. Agora vc consegue um de graça e ainda tinha que pagar 3 mil reais....e ainda reclamam...

É verdade que a concorrência não é suficiente e isso gera tarifas altas demais. O ideal seria ter umas 20 empresas de telonia fixa e celular. Ao mesmo tempo que aumentou muito a oferta de telefones, a tarifa tá absurda, mas antes disso do que não ter um celular.
Talvez porque, falando em apagão, as privatizações apenas contemplam a distribuição de energia e NÃO a produção.(ridículo ridículo ridículo...) Mostrando novamente que o Brasil é a prostituta não oficial do mundo.

E pagando 50 reais de assinatura básica qualquer estatal poderia se atualizar. O mesmo vale para pedágios de 15 reais para trechos com menos de 100km.
 

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Troublemaker
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requião é o proximo presidente,fica olhando :cheers:
 

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Em geral eu sou a favor da privatização.

Muita coisa o governo simplesmente não tem competência pra administrar. Dai a iniciativa privada aparece pra ganhar dinheiro. Ótimo.

O governo amarra a concessionária num contrato exigindo melhorias e investimento e, se a concessionária for competente, ela arca com isso e faz dinheiro. Todo mundo ganha. Se ela for incompetente, pagará multas em cima de multas até, quem sabe, a concessão ser tirada das mãos dela e dada a outra empresa. É só fazer direito.
 

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Tem gente que deve viver no País das Maravilhas junto com a Alice. O mundo real esta bem longe das condições ideais.
 

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Pois é, já ouvi muito sobre essa integração de cascavel com Dourados/MS, mas só ouvi falar, de concreto não vi nada! Seria ótimo interligar essa ferrovia, que liga o oeste paranaense com a ferrovia noroeste do Brasil, reativando o ramal que sai de Campo Grande, passa por Dourados e vai até Ponta Porã.
Grandes polos agricolas estariam interligados por meio de ferrovia!
Que sonho maravilhoso, não?!
 

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Foz do Iguaçu, 26/06/2007
Em: http://www.front.inf.br/1168960713.php

Ferroeste defende ramal de Cascavel até Foz do Iguaçu



O presidente da Ferroeste – Estrada de Ferro Paraná Oeste, Samuel Gomes, participou de um debate sobre transporte multimodal (rodoviário, hidroviário e ferroviário) em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Durante o encontro, Samuel defendeu que a segunda ponte unindo Brasil e Paraguai seja rodoferroviária, o que agilizaria o processo para instalação de um braço da ferrovia até a região da fronteira. A autorização está concedida desde 1999.

As propostas para o projeto da segunda ponte, antiga reivindicação dos moradores de Foz do Iguaçu, deverão ser entregues até a primeira metade de fevereiro. O estudo terá custo aproximado de R$ 3 milhões. A obra será executada com recursos do Ministério dos Transportes. Segundo informações preliminares, a estrutura deverá ser apenas rodoviária.

“Temos de nos mobilizar para ter uma ponte rodoferroviária, até mesmo porque o Paraguai está avançado em seu estudo de ferrovia. Se nós não fizermos isso, a ferrovia paraguaia será atraída para outro lugar”, alertou Samuel. O projeto de engenharia da extensão da Ferroeste até Foz do Iguaçu demandou investimento aproximado de R$ 8 milhões (com valores corrigidos).

Aceitação – A construção de uma ponte rodoferroviária agilizaria o processo para tirar do papel o braço da Ferroeste, antiga reivindicação das comunidades da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina). Para isso, Samuel Gomes defendeu um esforço conjunto da população paranaense, “em especial de Foz do Iguaçu”.A intenção é tentar evitar que o governo federal viabilize a ponte apenas rodoviária.

“Na minha opinião, ela reduz a possibilidade da ferrovia vir para cá”, declarou. A via, segundo Samuel, vai permitir a transposição do rio Paraná e será fundamental para a integração do Brasil com o Paraguai e países do Mercosul.

Além do braço até Foz do Iguaçu, a Ferroeste tem programada uma extensão até Guaíra, permitindo a ligação com Dourados no Mato Grosso do Sul. O consultor do Conselho de Usuários da Lino Campos Gomes também participou da conferência e defendeu um esforço da sociedade para incluir a possibilidade da ponte ser rodoferroviária.

(Agêncioa Estadual de Notícias)
 

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NON FVCOR FVCO
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Com assinatura básica em R$50, o que teríamos era mais dinheiro desviado para caixa 2 de partidos políticos e o preço da linha continuaria uma fortuna.

Fora o cabide de emprego que são as estatais. O melhor é privatizar sob regras para evitar preços abusivos.
 

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Com assinatura básica em R$50, o que teríamos era mais dinheiro desviado para caixa 2 de partidos políticos e o preço da linha continuaria uma fortuna.

Fora o cabide de emprego que são as estatais. O melhor é privatizar sob regras para evitar preços abusivos.
Somos a casa da mãe Joana mesmo...
 

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Brasil-Belindia é aqui
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O governo do paraná inventou essa ferrovia ,mas nem comprar locomotivas pra ela ,ele comprou. O material rodante da Ferroeste ou era da Fepasa ou da Rffsa.

Assim é fácil inventar uma ferrovia. Daqui a pouco o governo paranaense sucateia tudo de novo. Ou vocês acham que o governo não vai colocar nos cargos de importância dessa ferrovia nas mãos de técnicos altamente capacitados. Não duvido nada que algum membro de partido vai assumir cargos de importância nessa ferrovia.
 

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GRANDE RIO CAMPEÃ 2013!
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Tem gente que deve viver no País das Maravilhas junto com a Alice. O mundo real esta bem longe das condições ideais.
Pra mim não tem nada de mais em esperar que as coisas sejam como devem ser ué. E reitero: empresas são boas pra administrar (devidamente amarradas por contratos, naturalmente).

Quantos trilhos vocês conhecem que estão tomados por mato e lixo ? Eu conheço vários só aqui no Rio. Isso é dinheiro e desenvolvimento jogado no lixo por mera incompetência.
 

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Só um comentário: se a Carta Capital é imparcial, eu sou o Bozo.

"Ah, mas ela é melhor que a Veja". Correção: ela é o espelho da Veja.

"O Mino Carta é bom". Claro que é. Inclusive foi ele que fez a Veja, sabiam? E a IstoÉ também.

Tá, agora sobre privatizações. Elas podem ser boas ou não. Parece que nesse caso supracitado, ela deu errado. Mas na CVRD e Embraer ela deu certo. E o uso do capital misto (uma meia privatização, sob um olhar generalista) deu certo no Metrô de São Paulo e na Petrobras.

O metrô do Rio é privatizado e é pequeno e cheio de defeitos. O Metrô de São Paulo é de capital misto, mas com capital majoritário do governo de SP e é o melhor do país.

As rodovias de Sp possuem pedágios caríssimos e em espaços não muito curtos de tempo. Concordo. Mas também havemos de concordar que são as melhores estradas do país. Ou alguém acha que a Oswaldo Cruz é boa?

Enfim, é a minha opinião, mas não vão generalizá-la, por favor...
 

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A trajetória viária do Brasil foi toda errada! Ao invés de ter agregado cada meio de transporte um ao outro, o governo foi abandonando. Assim foi com as ferrovias, quando veio a idéia de conectar o país por milhares de KM de estradas, jogando toda logística do Brasil no asfalto. O que se vê hoje são estradas insatisfatórias, precárias demais. O crescimento contínuo do movimento nos aeroportos pode ser mais uma transição de fase viária do Brasil, a aviação tá cada vez mais popular, o povo tá descobrindo a praticidade, mas é fato que o Brasil não está preparado para receber essa massa toda, pode se tornar um caos, mais do que já tá! Os portos então, nem se fala, carentes de investimentos de ampliação e dragagem. Lugar de carga não é na estrada, é nos trilhos! Não existe meio de tranporte melhor para transportar do que o trem! O ideal seria um ligado ao outro, as ferrovias ligando o interior aos aeroportos, os portos ligados por uma ferrovia pelo Brasil afora e por aí vai...
 

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Privatização

O processo de privatizações no Brasil pode ser polêmico mas os críticos dele esquecem de um pequeno detalhe quando fazem suas críticas:
A corrupção nas estatais é boçal e a ineficiencia é grande!!!!!!!

Não há dúvidas que a privatização é o caminho correto, vcs sabem o quanto é roubado da infraero, saiu recentemente em todos os meios de comunicação. Se os aeroportos fossem privatizados acho muito díficil imaginar que estariamos nesse apagão aereo.

A estatal no mundo perfeito é uma beleza, só pensando no bem estar público, funcionando direitinho e barato. Mas esse é o oposto da realidade.

Corrupção caros amigos, é inegavel e fatal para as estatais...:eek:hno:
 

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NON FVCOR FVCO
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Lógico. Há poucos casos de empresas estatais eficientes.

Podemos citar a Petrobrás, o BB e os Correios (apesar dos casos de propina, não dá pra negar que são razoavelmente competentes).

Agora, não faria o menor sentido em manter aquele monte de estatais como se tinha antes do FHC. A privatização foi correta. O problema é como foi feita.
Acho que foi barato demais o dinheiro foi mal-aplicado. Como seria se os bilhoes das privatizações tivessem sido aplicados em política social?

O 1o governo FHC manteve os juros lá em cima (agradeçam a Gustavo Franco) desnecessariamente e o dinheiro das privatizações foi torrado para pagar esses juros abusivos; uma pena. Com a grana que o país levantou, dava pra fazer muita coias.

E os críticos do FHC ainda dizem que "só o 1o mandato dele foi bom, o 2o, um desastre". Qdo na verdade ele consertou no 2o as bobagens do primeiro.
 
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