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Filha dos imigrantes italianos Ernesto Gattai e Angelina Da Col, Zélia Gattai Amado nasceu no dia 2 de julho de 1916, na capital paulista. Foi em São Paulo, no bairro do Paraíso, que passou toda a infância e a adolescência.

A família da escritora foi bastante atuante no movimento político-operário. Em 1938, o pai de Zélia chegou a ser preso pela polícia política do Estado Novo.

As lembranças desse engajamento familiar – a casa dos Gattai foi palco de fervorosos debates – inspiraram o primeiro livro da escritora: “Anarquistas, graças a Deus”. Lançada em 1979, a obra já vendeu mais de 250 mil exemplares no Brasil, ganhou versões em francês, italiano, espanhol, alemão e russo e ainda inspirou uma minissérie homônima na Rede Globo, que foi ao ar em 1984, dirigida por Walter Avancini.

Aos 20 anos, Zélia se casou com Aldo Veiga, intelectual e militante do Partido Comunista. Da união nasceu o primeiro filho da escritora, Luiz Carlos, hoje com 66 anos.

Graças ao círculo de amizades de Veiga, Zélia se aproximou da elite intelectual brasileira da época. Desse grupo de amigos, faziam parte os escritores Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Rubem Braga e Vinícius de Moraes. Também ficou próxima dos artistas Lasar Segall e Tarsila do Amaral.

O casamento chegou ao fim após oito anos. Em 1945 conheceu o escritor Jorge Amado – de quem já era admiradora – durante um congresso sobre literatura. Com diversos interesses em comum, a dupla passou a trabalhar no movimento pela anistia dos presos políticos. Poucos meses depois, se apaixonaram e passaram a viver juntos.

Os anos de exílio

Em 1946, nasce o primeiro filho do casal, João Jorge Amado. Dois anos mais tarde, com a repressão política no país, a família se exila na Europa por cinco anos. É nesse período que nasce o terceiro filho de Zélia, Paloma Jorge Amado, em 1951, em Praga.

No exílio, Jorge e Zélia participaram intensamente da vida cultural européia e conviveram com personalidades como Pablo Neruda, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Picasso. Em Paris ainda descobre uma nova paixão: a fotografia.

O casal retornou ao Brasil em 1952 e viveu no Rio de Janeiro, na casa dos pais de Zélia, durante 11 anos. Em 1978, após 33 anos de companheirismo, Jorge e Zélia oficializaram a união.

Cidadã baiana

Em 1963, a família Amado fixa residência em Salvador. E é lá que Zélia passa a se dedicar mais à literatura. Além de “Anarquistas, graças a Deus”, é autora dos livros de memórias “Um chapéu para viagem” (1982), “Senhora do baile” (1984), “Jardim de inverno” ( 1988) e “A casa do rio Vermelho” (1999). Também escreveu os livros infantis “Pipistrelo das mil cores” (1989) e “O segredo da rua 18” (1991), em um total de 15 obras.

Baiana de coração, Zélia recebeu em 1984 o título de “Cidadã Soteropolitana”. Mas esta não foi a única honraria recebida pela escritora. Zélia também foi agraciada na França com os títulos de “Cidadã de Honra da Comunidade de Mirabeau” (1985) e a de “Comendadora das Artes e das Letras” (1998).

No Brasil, entre outros prêmios literários, recebeu o “Dante Alighieri” (1980).

Internação

A confirmação da morte de Zélia foi feita às 16h30 deste sábado (17) pela assessoria de imprensa do Hospital Bahia, onde a autora de 14 livros estava internada havia 31 dias.

Segundo boletins médicos, o quadro evoluiu com gravidade na noite de sexta-feira. Zélia, que havia se submetido a uma laparotomia para desobstrução intestinal não estava respondendo ao tratamento para insuficiência renal.

De acordo com o filho da escritora, João Jorge Amado, a escritora temia a operação. "Ainda antes de passar pela cirurgia, ela chegou a dizer que estava com medo, o medo da morte que é natural."

Só neste ano a viúva do escritor Jorge Amado havia passado por cinco internações. Na manhã deste sábado (17), os médicos informaram que o quadro de choque circulatório era irreversível, ou seja, o coração e os vasos já não eram capazes de irrigar todos os tecidos com a quantidade adequada de oxigênio.

Logo após a morte de Zélia, os filhos deram declarações para a imprensa. Paloma Amado, a filha mais nova, falou emocionada sobre a morte da mãe: “O que nos consola mais é que ela não está sofrendo mais, e ela estava sofrendo muito no último mês”.

Ela citou, ainda, a presença do pai ao dizer que tinha certeza “que ele está ali, de mãos dadas com ela, e ela está indo no vestido que ele mais gostava que ela usasse”.

Paloma declarou que contou à mãe sobre o título de Doutor Honoris Causa que a escritora recebeu do reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar Almeida Filho; segundo a filha, Zélia ficou muito feliz com a notícia.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou luto oficial de três dias. O governador também falou da possibilidade de transformar a casa do Rio Vermelho, onde Zélia e Jorge Amado viveram por mais de 20 anos, em museu.

Segundo o filho João Jorge Amado, cinzas de Zélia serão espalhadas pela antiga Casa do Rio Vermelho, como foi feito também com o escritor Jorge Amado. As cinzas serão entregues à família na quarta-feira.

Fonte: G1
 

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Anarquistas... foi um dos livros mais emocionantes que eu ja li. Zelia Gattai deixa saudades e lembrancas de uma vida bem vivida e bem escrita.
 
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