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Genius Rayearth
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Expectativa da região de, em alguns anos, começar a diversificar o perfil de sua indústria, abre novo cenário

Região mais pobre do País, e com participação na economia nacional de pouco mais de 14%, o Nordeste vislumbra, agora, a possibilidade de recuperar o histórico atraso no desenvolvimento industrial. A expectativa é de, em alguns anos, começar a diversificar o perfil de sua indústria, passando de estritamente ligada ao setor tradicional, focado nos têxteis, calçados, vestuário e alimentos, para um mais moderno, de segunda geração, produtor de bens duráveis. A possibilidade se abre, inicialmente, com a concretização de grandes projetos, como os da área de siderurgia e refino, capazes de criar por aqui pólos petroquímico e metalmecânico. A industrialização no Nordeste veio ganhando espaço ao longo dos anos, com um fenômeno nacional de desconcentração espacial do setor, que foi deslocando indústrias para cá motivado por menores custos para a instalação de suas unidades, mão-de-obra mais barata e proximidade dos mercados europeu e norte-americano.

Atualmente, o setor representa 27,95% do Produto Interno Bruto (PIB) regional. Para professor da UFC, doutor em Economia, Jair do Amaral, a divisão da economia nordestina entre os setores agropecuário, industrial e de serviços já segue, hoje, aproximadamente a mesma proporção da realidade brasileira, o que mostra que, mesmo com diferenças em termos de produtividade e renda per capita os, perfis produtivos já são muito parecidos. ´Desta maneira, não seria correto afirmar que a Região Nordeste esteja atravessando um momento de ´boom´ industrial, mesmo porque as transformações estruturais verificadas até aqui já se encarregaram de imprimir um perfil urbano-industrial-serviços na região´.

Entretanto, essa indústria, mais tradicional, não vem mostrando crescimento tão positivo. Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que, de 2002 a 2005, a indústria de transformação nordestina teve perda de participação de 9,7% para 9,2%. Nesse período, foi o Ceará que registrou as maiores perdas, passando de 1,6% para 1,3%, segundo aponta o gerente de contas regionais do instituto, Frederico Cunha. Já mostrando uma realidade diferente, a Bahia concentrou os bons indicadores econômicos da região. O Estado foi quem garantiu que, entre 2004 e 2005, o desempenho da região não tivesse redução. Os resultados não vieram por acaso, segundo explica Cunha. A Bahia já conseguiu realizar o processo de diversificação de sua base industrial, em um período em que as maiores perdas foram puxadas pelo segmento de têxteis, que passou de uma participação de 17% para 10%. Hoje, a Bahia conta com o maior pólo industrial do Hemisfério Sul, o de Camaçari, que a transformou de uma economia agrícola para industrial. O Estado já possui empreendimentos há muito sonhados pelo Ceará, como siderúrgica e refinaria, que já trouxeram para lá um importante pólo petroquímico e metalúrgico.

Além disso, a instalação da montadora Ford na localidade contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento econômico do Estado, produzindo 250 mil veículo/ano.

´Se estes novos projetos de refinaria no Ceará e nestes outros estados [Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Norte] se realizarem mesmo, isso vai dar uma mexida na economia da região´, afirma o gerente do IBGE. O responsável pela área de pesquisas industriais do instituto, Silvio Sales, acrescenta: ´De forma mais discreta, o Nordeste ganha espaço, com o ganho de participação da Bahia.

O Ceará já teve mais espaço, e Pernambuco também teve redução na economia, mas, com estas novas expectativas de grandes empreendimentos, estes estados podem passar, agora, por uma nova fase de industrialização´.

ANÁLISE
Mudança será lenta, mas gerará impacto na renda


Para o economista Jair do Amaral, a concretização dos investimentos de base esperados para a região Nordeste irá gerar um forte impacto sobre o perfil de renda da população, que ainda fica bem abaixo dos padrões nacionais, com disparidades sociais bem mais gritantes. Isso, segundo ele acredita, irá gerar ´efeitos multiplicadores sobre o volume e a composição do consumo´. A mudança, destaca, acontecerá de maneira ´lenta e gradual´.

Entretanto, a dúvida de Jair do Amaral é se esse esperado crescimento econômico irá se converter, de fato, em desenvolvimento para a região como um todo. ´O que me preocupa nisso tudo é o ´efeito China´ que toda essa movimentação poderá causar, isto é, uma forte distorção espacial na distribuição do crescimento econômico dentro da Região Nordeste, a qual beneficiará o Litoral em detrimento do Interior.

Sérgio de Sousa
Repórter

A OPINIÃO DO ESPECIALISTA
O papel do Governo


José Sydrião de Alencar Júnior
Superintendente do Etene-BNB

O Governo Lula tem propiciado ao Nordeste uma nova perspectiva de desenvolvimento econômico que permitirá, certamente para os próximos anos, uma queda no diferencial de renda entre a Região e o restante do País.

A retomada do planejamento de longo prazo e as decisões de investimentos em projetos estruturantes, combinados com uma política de desenvolvimento regional, que poderíamos exemplificar pela recriação da Sudene e o grande crescimento operacional do Banco do Nordeste, responsável por mais de dois terços dos financiamentos de médio e longo prazos da Região, permitem afirmar o redirecionamento das ações do Governo Federal, de uma visão neo-liberalizante do governo anterior, para uma intervenção mais forte do estado brasileiro na atual economia do País. A principal intervenção do Governo Federal no campo econômico, o PAC vem regionalizando os investimentos e dotando o Nordeste de uma participação acima do seu produto, contemplando, em especial, investimentos em infra-estrutura de fundamental importância para o desenvolvimento regional, com impactos diretos sobre a economia cearense, como a Ferrovia Transnordestina, revitalização e transposição do Rio São Francisco, reaparelhamento dos portos regionais e programas de investimentos nos principais centros urbanos regionais. Além dos aspectos acima citados, é importante destacar o crescimento das operações do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE, passando de R$ 250 milhões, em 2002, para um valor previsto de R$ 6 bilhões neste ano. Em relação ao Ceará, a importância das ações do Governo Federal, aliadas às do Estado, são por demais importantes para a mudança do perfil da economia cearense nos próximos anos, como nos casos dos projetos da refinaria, siderúrgica e do aproveitamento do fosfato das reservas de Itataia, que implicarão o potencial de implantação subseqüente de pólos químicos e siderúrgicos, com inegáveis impactos em termos de geração de emprego e renda.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=546316
 

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BAHIA
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vamo crescer NE!!!
 

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Ilha do amor
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Já falei, o NE é a bola da vez.
 
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