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Acessos a portos serão mapeados

20/06/2008 - Portogente

Embora as empresas de transporte ferroviário comemorem 87,6% de aumento de produtividade e o crescimento de 75,8% do volume transportado nos últimos dez anos, o panorama do setor no País ainda é caótico. Passagens de nível, invasões de domínio, lentidão do transporte e vandalismo são as principais preocupações. Dessa forma, além de ser utilizadas em escala muito menor do que em países de dimensão similar ao Brasil, como Canadá, Rússia e China, as ferrovias que dão acesso aos portos brasileiros não se encontram em bom estado, dificultando a atração de cargas de alto valor agregado.

Para contribuir com a redução desses entraves para o desenvolvimento de toda a cadeia logística brasileira, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, garantiu que até a segunda quinzena de julho a Secretaria Especial de Portos (SEP) receberá um completo mapeamento fotográfico dos acessos ferroviários a todos os portos brasileiros. Ele explica que a realidade é caótica do Norte ao Sul do País. “No acesso ao Porto de Fortaleza, as favelas invadiram as áreas próximas à linha férrea, quase impedindo a circulação dos trens da CFN (Companhia Ferroviária do Nordeste). Em Santos, contabilizamos prejuízos da redução de velocidade de 40 km/h para 5 km/h na área urbana. Assim é difícil a captação de cargas de alto valor agregado”.

O ministro-chefe da SEP, Pedro Brito, celebrou o apoio da ANTF e fez coro à necessidade de melhorias nos acessos terrestres para agilizar as operações dos complexos portuários. “Hoje, os acessos terrestres aos portos são dramaticamente ineficientes e isso prejudica a eficiência portuária”. Brito lembrou ao Portogente que o problema nas linhas férreas não é um problema ligado diretamente à SEP, mas ao Ministério dos Transportes. Entretanto, a idéia, indicou, é que esse estudo possa orientar uma atuação conjunta do governo para eliminar os gargalos. “A preocupação é total. O porto depende primordialmente desses acessos. O Brasil depende hoje em mais de 50% do modal rodoviário para atendimento dos portos e isso implica hora em filas, hora em custos exacerbados, e o modal ferroviário é um dos custos mais baratos que dispomos no mercado”.

Vilaça também defende uma atuação em conjunto entre as esferas do poder público e dos transportadores ferroviários. O primordial, segundo explicou à reportagem, é colocar em prática um plano que efetivamente proporcione melhorias nesse sentido. “O ministro Pedro Brito, que levou bala no Rio de Janeiro, tem sido uma presença constante nessas discussões e tem oferecido condições a nós, da iniciativa privada, buscarmos soluções como a de Conceiçãozinha, no Guarujá. Nós vamos tirar de lá quase 1.200 famílias. É um processo longo e demorado, mas que precisa acontecer”.

Pelo fato de o Brasil movimentar grandes quantidades de carga pesada, como minério e produtos siderúrgicos – favoráveis de serem transportados via ferrovias -, Vilaça criticou o governo federal por não eliminar as milhares de passagens de nível espalhadas por todo o Brasil. Esses cruzamentos com outras vias causam acidentes e dificultam o bom andamento do transporte. Com o aumento da demanda pelo transporte ferroviário e a aguardada diversificação de mercadorias, especialmente com a inserção de produtos agrícolas e combustíveis, o presidente da ANTF lamenta “estar discutindo coisas que já poderíamos ter feito faz tempo”.

Segundo ele, a previsão é de que em 2015 o Brasil tenha menos quilômetros de ferrovias do que existia no longínquo ano de 1958. “Precisamos avançar na integração entre ferrovias e navios, pois com a rodovia, em parte, já existe, apesar dos problemas encontrados. (É necessária) uma definição para o uso de cada modal de acordo com a demanda, proporcionando a diminuição do consumo de energia e de impactos ambientais”. De positivo, Vilaça comemora o fato de o Reporto ter englobado as ferrovias, o que desonera a compra de equipamentos para a modernização da frota. “Agradeço a colaboração dos colegas do setor portuário. Com o Reporto, conseguiremos comprar uma locomotiva a mais em cada dez”.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, se mostrou indignado pelo fato de as ferrovias terem sido deixadas em segundo plano ao longo de várias décadas e apoiou as queixas do presidente da ANTF. “Fico inconformado ao ver o transporte ferroviário de excelência no exterior em relação ao daqui. Não consigo calar minha voz nem manter silêncio diante desse crime”. Além do transporte de cargas, Aguiar pediu atenção ao transporte ferroviário de passageiros, que pode auxiliar na diminuição do tráfego nos grandes centros urbanos.

Fonte: Revista Ferroviária - Clipping
Link: http://www.revistaferroviaria.com/index.asp?InCdEditoria=2&InCdMateria=6235
 
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