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Criada em julho de 2001 , no auge da febre da especulação imobiliária que atingia o bairro do Leblon , a Apac surgia como uma pedra no caminho das construtoras , preometendo ser um freio nas demolições de prédios antigos no bairro. Ledo engano !!!

Nesse sete anos de Apac do Leblon , o bairro continuou sendo disputado terreno por terreno pelas construtoras. Urbanizado no início dos anos 20 , o Leblon é constituído de terrenos pequenos , que dificilmente superam os 500 metros quadrados. Mesmo assim , nenhum desses terrenos é alvo de uma só empresa , sendo comum a venda por leilão de cada um deles.

Achar um terreno no bairro é cada vez mais complicado. A grande maioria deles já está ocupado por prédios de 4 a 6 andares ( fruto de construções de épocas distintas , mas sempre com gabaritos severos...). Durante uma década , entre meados dos anos 70 e 1988 , que foram permitidos construções de edificações com até 20 pavimentos , desde que cumprissem todas as exigências do código em vigor , como os afastamentos laterias e recuo frontal.

Procurar um apartamento de dois quartos no bairro virou um trabalho árduo. Se a tendência dos anos 90 já era da elitização do bairro , as novelas de Manoel Carlos e a Apac de César Maia contribuiram e muito , ou aceleraram o processo.

A rua Humberto de Campos é um bom exemplo dessa nova cara do Leblon. Se nos anos 60 / 70 / 80 , se construiam basicamente prédios com apartamentos de dois quartos , atualmente só lança-se apartamentos de 4 quartos com 3 vagas na rua , distante quatro quadras da praia do Leblon ( para os cariocas da zona sul , isso são kilometros...).

Atualmente o bairro se vê as voltas com mais de dez projetos em andamento. Talvez até mais que no auge da febre da especulação imobiliária no bairro em 2000 / 01. E , segundo fontes seguras , existem já uns sete em processo de aprovação , o que significa dizer , aprovados.

Na prática , tudo isso mostra que a Apac apenas serviu para valorizar o preço dos terrenos e dos apartamentos no bairro. Por menos de R$ 6 mil / metro quadrado , não se acha nada , nem um quarto e sala sem vaga na Avenida Ataulfo de Paiva , o corredor comercial do bairro , e portanto , um ponto menos valorizado para residências.

A próxima grande jogada é a transformação dos 35 mil metros quadrados do Batalhão da Polícia Militar , na divisa dos bairros do Leblon com a Gávea , num condomínio de casas , todas , é claro , para milionários. Serão 30 mil metros vendidos para uma construtora , enquanto o novo Batalhão ocupará os 5 mil restantes do terreno , voltado para a Auto-Estrada Lagoa Barra.

Em estudo , a venda do Teatro Scala ao grupo Mundial , rede de supermercados. No forno , a venda do terreno da Delegacia do Leblon , que fica em frente ao shopping Leblon para a incorporação de duas torres comerciais com oito andares ( a delegacia , que ocupa um terreno gigantesco e sem a menor necessidade , pois lá não há carceragem ) , ficaria num prédio de quatro andares que a construtora iria fazer numa parte do terreno.

E ontem , soube de uma que não me chocou. A Sendas estaria negociando a venda de sua enorme área , entre as ruas João Lira e José Linhares , para a construtora Gafisa e ocuparia a Cobal do Leblon , hoje um reduto de bares.

E viva a Apac...
 

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ah, é claro, se dependesse de algumas pessoas o Leblon viraria um mar de edificios gigantes com micro apartamentos de R$50 mil reais, dos quais muitos servem de privê de puta e que de tão cheio tem um transito insuportável, como Copacabana...

graças a Deus existe as APACs, senão o Rio de Janeiro já teria virado uma gigante copacana
 

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Discussion Starter · #4 ·
Pulga ,

O risco disso ocorrer é zero. Primeiro pela proibição da construção de apartamentos de quarto e sala no bairro e segundo , pela legislação urbanística de 1990 , que limitou em seis andares as construções residenciais no Leblon , salvo a Av. Visconde de Albuquerque , Barlolomeu Mitre e Conde de Bernadotte , cujo o gabarito é de oito andares , desde que afastados das divisas.
 

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num basta só a legislação, a mesma tem que ser relativisada, senão as contrutoras vão buscar brechas como sempre fizeram

se o limite de altura é 6 andares, eles constroem um predinho com um monte de micro apartamentos, usam o material mais barato e vagabundo possível, mesmo que fique horrível, é tanta gente que quer morar no bairro, que qualquer $¨%$ que se coloque pra vender é vendida

isso sim é especulação imobiliária, especulação imobiliária num é vender apartamentos e casas caros em bairros muito procurados

as APACs garantem que construções importantes não sejam demolidas e aquelas que não são sejam repostas por construções de qualidade

valoriza o bairro? é claro que valoriza, não só no preço, mas na qualidade de vida, ruim seria se desvalorizasse o bairro, ai sim seria uma demonstração de que é uma política ruim

pq que o bairro tem que ser acessível a quem tem pouco dinheiro? pra destruir a razão pela qual as pessoas queriam morar lá, qualidade de vida? como aconteceu com copacabana?
 

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Discussion Starter · #8 ·
A legislação urbanística do Rio de Janeiro impõe metragem mínima para cada ambiente. Por exemplo , o quarto de empregada tem que ter ventilação natural e um espaço mínimo de 8 metros. Como não se pode mais construir apartamentos de quarto-sala na zona sul ( lei de 1977 ) , ficam impossível a construção de vários apartamentos pequenos.

E repare no estilo de construção do Leblon , por exemplo. É no sentido contrário. Antigamente , se construia apartamentos de dois quartos no Leblon , principalmente a partir da terceira quadra. Hoje , só se faz apartamento de quatro quartos no bairro , ao contrário do que se podia imaginar , e com isso afasta o risco de prostitutas etc... O valor do terreno no bairro está muito caro , o que inviabiliza a construção de apartamentos para a classe média.

O que eu quis dizer com o post foi que a Apac não está surtindo o efeito que o César Maia prometera. Ao contrário , criou um bairro ainda mais elitizado , onde um simples quarto e sala sem vaga , num prédio dos anos 40 ,custa R$ 300 mil na Ataulfo de Paiva. E não se impediu o crescimento do bairro. Hoje existe um número maior de obras no bairro que antes das Apacs.
 

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Eu fico maravilhado com essa hipervalorização do Leblon.Cada dia que passa,o bairro fica mais exclusivo.E esse movimento acaba "espantando" a classe média para áreas antes desvalorizadas pela especulação imobiliária.
 

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Discussion Starter · #10 ·
Fernando ,

Sabia que existe um projeto para demolir o condomínio "Maracanã" , aquela coisa horrivel de três andares que ocupa um terreno de 8 mil metros quadrados netre as ruas Bartolomeu Mitre , Humberto de Campos e João Lira ?

No lugar , a construtora CHL tem um projeto para construção de dois blocos com seis andares e quatro apartamentos de quatro quartos com três vagas para cada. Já vi até o render do projeto. Mas a prefeitura não deixou o processo evoluir.

O Maracanã tem 135 apartamentos e dez lojas. No lugar , 48 apartamentos de quatro quartos. Que tal ?
 

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Maravilha.O novo edíficio reduziria a densidade da região e elevaria ainda mais o padrão de consumo dos moradores do Leblon,além de acarretar uma acentuada melhora no visual das ruas.O Leblon é o bairro top do Rio.E deve ser tratado assim.Toda a cidade tem a sua área hipervalorizada e exclusiva.No Rio,não poderia ser diferente.
Bom seria mesmo se eu pudesse comprar um apê nesse edíficio que,Deus queira que sim,será construído no bairro...hehehe
 

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é um processo natural a valorização do bairro, é um bairro bom num lugar bom, por isso muita gente quer morar lá, por isso é caro

só aqui no brasil existe isso de achar que todos os bairros tem que ser acessiveis a todas as classes, em Nova york a classe média consegue viver em manhattan? e os pobres? a classe média vive nos suburbios

e em beverly hills? dá pra comprar um apartamentinho lá? a classe média vive nos suburbios, é a mesma coisa pelo mundo

a função das APACs é que os moradores possam escolher os projetos que não causem grandes impactos no bairro, isso não significa que não se vai ter nenhuma nova construção, nem que não possa ter apenas que tem que passar pela aprovação dos moradores, se o bairro é procurado, tem motivos pra isso e os moradores tem todo direito de se proteger da especulação das construtoras

se vcs acham as regras daqui restritivas, compara com a de países desenvolvidos

pq vcs acham que em outros países as cidades tem mares de prédios baixinhos e casas enquanto aqui no Brasil tem mares de edificios/ justamente por esse pensamento de deixar as contrutoras livres pra derrubar o que quiser e construir o que quisercm o objetivo de garantir a classe média viver onde quiser
 

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No lugar , a construtora CHL tem um projeto para construção de dois blocos com seis andares e quatro apartamentos de quatro quartos com três vagas para cada. Já vi até o render do projeto. Mas a prefeitura não deixou o processo evoluir.
APAC é uma coisa, prefeitura é outra

APAC é uma ferramenta da prefeitura que dá o direto de aprovação dos projetos as associações dos moradores do bairro
 

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Discussion Starter · #14 ·
Pulga ,

A prefeitura barrou o processo da venda do Maracãnã , da mesma forma , que barrou a tentativa do grupo Santa Isabel de comprar a Cruzada para ampliar o shopping Leblon. A prefeitura é o patrão das construtoras , e isso dá a ela o "direito" de sugerir que não se compre determinada área. E FEZ SIM
 

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Pulga ,

A prefeitura barrou o processo da venda do Maracãnã , da mesma forma , que barrou a tentativa do grupo Santa Isabel de comprar a Cruzada para ampliar o shopping Leblon. A prefeitura é o patrão das construtoras , e isso dá a ela o "direito" de sugerir que não se compre determinada área. E FEZ SIM
mas não foi a APAC, se foi a prefeitura, ela faria com ou sem APAC
 

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Discussion Starter · #18 ·
Pulga ,

O que eu quis dizer foi algo que já ouvi de um construtor amigo meu. "Não podemos brigar com o nosso patrão" , que são as prefeituras municipais , que dão os alvarás. No caso do César Maia , as coisas pioram. Ele teima e ponto final. A região do entorno da Conde de Bernadotte é suja , feia , deteriorada e nada justifica uma Apac ali. Os prédio pequenos , construídos numa época do Leblon rural , hoje dão de cara para um ponto de ônibus e vários pontos de vans no local. Os moradores convivem com as janelas fechadas 24 hs por dia. Veja.

Ali , é o típico caso em que a prefeitura tem que voltar atrás e reconsiderar a Apac. O prédio que a CHL está construindo onde era o posto , na outra esquina , terá três andares de garagem e um de play. O primeiro andar será equivalente ao quinto andar , diminuindo a proximidade com uma avenida muito movimentada. Aqueles prédios pequenos da região não possuem nenhum valor arquitetonico e estão com seus valores depreciados e , ali sim , está virando um depósito de garotas de programa.

A rua Humberto de Campos , antes não muito badalada , viu a construção de três edifícios nos últimos quatro anos , um recorde , e agora verá subir ao lado dos correios , onde ficava o Botequim Informal , um belo prédio de cinco andares com dois apartamentos por andar de quatro quartos. Está melhorando a rua. Se aqueles prédios antigos que não estão na Apac , entre as ruas João Lira e José Linhares , forem demolidos e , no seu lugar , novos prédios de cinco andares forem construídos , a rua irá melhorar ainda mais e o bairro estará ficando mais caro , pois , no lugar de apartamentos antigos sem garagem e elevador , estarão sendo feitos amplos apartamentos de 4 quartos com 3 vagas.

A preservação deve ser feita , mas com motivos e razões. Se não , não vejo grandes benefícioos para o bairro.

Abraços

Ricardo
 

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Eu acho que a preservacao arquitetonica e o planejamento inteligente sao importantissimos

no entanto, depende de cada area da cidade

acho que daria sim para o leblon continuar crescendo sem se tornar copacabana
o efeito colateral de copacabana gerou uma populacao altamente conservadora
contra o desenvolvimento economico da propria cidade

preferem a estagnacao do que ver novos lançamentos

e isso foi uma das mil causas da grande deseconomia sofrida pelo Rio

o Leblon eh um exemplo dessa situacao... o prefeito quer praticamente proibir os novos lançamentos

o metro quadrado mais caro do brasil, com apacs, fica ainda mais valorizado
e praticamente interrompe a oferta saudavel de moradias

os cariocas tao contra essa oferta... uma cidade soh cresce se tem essa oferta... querem congelar a zona sul maravilhosa dos anos 70... enquanto isso outras cidades vao construindo muito mais proporcionalmente

de um lado, o rio ta certo em nao crescer totalmente sem planejamento (yeah right, reparem as favelas)... mas esse controle fanatico tambem nao eh saudavel..

empresas vao migrando da cidade a fim de procurar locais mais acessiveis e de melhor tecnologia, ja que nao se pode mais construir na "zs"...

e ainda criticam a barra... como se ela tivesse esvaziando o cento
nao... ela eh apenas 1% do que sao paulo e outras cidades fizeram com o Rio... como ofertaram mais, absorveram nossas empresas...

alem disso... os edificios antigos do bairro nao deveriam ser tombado, nao expressam nenhuma arquitetura interessante... eh apenas uma medida de retrocesso


enfim... soh digo que os que defendem o congelamento do leblon e afins... a principio, parecem querer "defender" a cidade... sua imagem... mas na verdade tao estimulando sua deseconomia...
uma zona sul imutavel vai fazer os precos la emcima... portanto, querem uma regiao altamente inacessivel, inacansavel, preservada... impedindo o crescimento natural da cidade

a zs marvilhosa ate os anos 80 virou a zs milionaria... e querem embargar todas construcoes eh fechar uma cerca pros que nao conseguem atingir essa cifra

ou seja... a cidade nunca foi tao partida
 

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Feliz Natal
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Eu acho que a APAC em alguns casos foi uma excelente opção... O que Botafogo tem se tornado? Em breve aqui será um bairro caos... A Rua da Passagem que era só sobrados ou edificios baixos, hoje está cheia de edifícios...

O Catete e Glória com seus sobrados decadentes foram preservados graças a APAC, pois as construtoras ja jogavam olhos para os bairros...

Ai tem gente que vai dizer "Ah por isso esses bairros são decadentes"
Eu respondo: Desde quando um lugar só por ter mais moradores, mais transito, esgoto saindo pelos bueiros (vide instalação sanitária do início do séc XX) e mais poluição deixa de ser decadente?
 
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