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BAHIA
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Aproximação entre vizinhos

Festival, que começa hoje, leva produção teatral baiana para a capital pernambucana



Marcos Uzel

O teatro brasileiro não circula pelo seu próprio país. Até mesmo estados vizinhos, como Bahia e Pernambuco, quase não se conhecem cenicamente. Um novo formato de mostra artística, posto em prática no ano passado, vem contribuindo para derrubar essas paredes. A idéia é sugestiva: os curadores selecionam parte da produção artística de uma cidade para exibi-la em outro trecho do Brasil. A primeira investida do chamado Festival do Teatro Brasileiro levou um painel mineiro ao público carioca, em 2007. Agora é a vez de o FTB apresentar aos pernambucanos o que é que a cena baiana tem.

De hoje a 15 de junho, peças com temas e estéticas diversas ocupam os tablados de Recife, que abre as cortinas para As estrelas do Orinoco (com os sotaques de Iami Rebouças e Fernanda Paquelet, Prêmio Braskem de melhor atriz de 2006 por este trabalho); Ó paí, ó! (sucesso do Bando de Teatro Olodum nos palcos e no telão); Chuá (mais uma experimentação teatral do grupo Dimenti em diálogo com a dança); Deus danado (belo trabalho dos atores Bira Freitas e Pisit Mota); R$1,99 (bem-sucedido solo do ator Ricardo Castro) e Shopping and fucking (único representante oficial da produção de 2007 em Salvador).

Diversidade e qualidade foram os principais critérios na escolha dos espetáculos, dentro de um universo de quase 50 inscritos. “A intenção foi montar um painel versátil e que fizesse um recorte do que está acontecendo de interessante na Bahia”, explica o jornalista Sérgio Maggio, um dos curadores do festival. “Me surpreendi com algumas produções, a exemplo do trabalho do Dimenti. É uma pena o Brasil ter tão pouca informação sobre seu próprio teatro”, lamenta o curador, que atuou como crítico teatral em Salvador nos anos 90.

Além das peças (Batata, do Dimenti, entrou na lista como convidada), a programação agrega o cinema, a dança e a música de sotaques baianos. “Isso evidencia o amadurecimento do festival, que já tem potencial para abarcar outras linguagens, aumentando a expectativa do público e dando mais visibilidade ao projeto”, comemora o idealizador e coordenador do FTB, Sérgio Bacelar. Ele explica que a curadoria não observa a produção de apenas uma temporada, mas sim de montagens que têm combustível para continuar em cartaz. As peças R$1,99, Deus danado e Ó paí, ó! são exemplos dessa longevidade, algo pouco comum nos palcos locais.

Outras ações - A companhia Viladança apresenta Aroeira e leva como bonus a coreografia do infanto-juvenil Da ponta da língua à ponta do pé, não incluída na seleção dos curadores. A vertente musical será representada pela cantora Virgínia Rodrigues em duo luxuoso com o músico pernambucano Naná Vasconcelos. Já o cinema marca presença com os filmes Samba Riachão (Jorge Alfredo), Eu me lembro (Edgard Navarro), Cidade das mulheres (Lázaro Faria) e Esses moços (José Araripe Jr.).

O diálogo não pára por aí. “Estamos indo além da platéia que apenas observa, para oferecer várias ações”, sublinha Sérgio Bacelar. O investimento se reflete em oficinas de dança contemporânea, criação dramatúrgica e direção teatral, dentre outras. O embrião do FTB remete ao ano de 1997, quando o coordenador começou a levar espetáculos baianos para temporadas em Brasília, onde mora. Animado com a repercussão, ele estendeu a idéia à realização de uma mostra na capital federal somente com produções da Bahia. Deu certo.

Depois de duas edições, o projeto saiu de Brasília e passou a se chamar Festival do Teatro Brasileiro, focado na proposta de intercâmbio com outras cidades. “No FTB – Cena Mineira, realizado no Rio, tivemos taxa de ocupação superior a 90% em todas as seções”, contabiliza o coordenador, já de olho no teatro gaúcho. “Quero trabalhar cada vez mais a aproximação dos estados”, anuncia. O FTB tem patrocínio da Petrobras, Caixa Econômica Federal e dos governos da Bahia e de Pernambuco.

Fonte: Correio da Bahia
 

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Mameluco sangue azul
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Produções teatrais de bom nível são sempre bem-vindas.
 

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Muito boa essa notícia, pois os dois maiores pólos de produção cultural do NE precisam de um maior intercambio.
 
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