SkyscraperCity banner
1 - 8 of 8 Posts

·
Registered
Joined
·
8,986 Posts
Discussion Starter · #1 ·
As casas na linha do trem

No caminho da estação Autódromo estão 200 casas. Ocupação é irregular, mas tem gente que vive lá há 30 anos

CINTHIA RODRIGUES
[email protected]

Cerca de 200 casas estão no caminho da futura Estação Autódromo, em Interlagos, que deveria ser inaugurada no final do ano como parte da ampliação da Linha C da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). As residências fazem parte de uma ocupação irregular, mas alguns moradores provam que estão no local há mais de 30 anos e reivindicam usucapião. Os imóveis de alvenaria têm rede de água, energia elétrica e esgoto. Para destruí-las, a empresa ofereceu indenizações de cerca de R$ 5 mil - variando de acordo com o tamanho - ou a garantia de um apartamento da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), pelo qual cada família pagaria como mutuário comum. Mais de 400 chefes de família aceitaram esse acordo e ruas inteiras foram demolidas. Alguns moradores, no entanto, acham a quantia "irrisória". "A minha vida inteira está aqui, não vou trocar por R$ 8 mil", afirma Edvalson de Lima, 64 anos, considerado o "fundador" do Jardim Quarto Centenário. Ele começou a construir sua casa em 1976, um ano depois de ser contratado pela Madeireira Planalto. "Na época, o patrão me ofereceu um pedaço de terra e eu vim." A empresa faliu nos anos seguintes e o deixou sem pagamento. "Seu dinheiro fica sendo aquele terreno", teriam dito os antigos empregadores. Mais de três décadas depois, descobriu que o imóvel - incluindo sua casa - foi desapropriado pela CPTM em 1981. Agora, a empresa oferece R$ 8.189,61 pela casa de 67,83 m2. "A gente quer sair, mas com esse valor, não tem condição, não vou jogar minha família em uma favela", diz. Em situação parecida está Helena Gasdovich, 56 anos, que comprou uma das casas em 1986. "Eu nem sei dizer em real quanto paguei, mas R$ 5 mil não foi, porque com esse dinheiro não se compra nada", conta. Um imóvel de dois dormitórios na rua regular mais próxima custa mais de R$ 60 mil. A família Lima, que tem mais quatro casas construídas no local, entrou com um pedido judicial para garantir a posse. A sentença deve ser decretada na próxima semana. "Agora aqui ficou pior, só tem um monte de ruína para todo lado, juntou bicho e bandido. A gente quer ganhar um canto novo", diz Edvalson.

Extensão da Linha C inclui 3 novas estações

A extensão da Linha C da CPTM, que hoje vai de Osasco a Jurubatuba, inclui três novas estações: Autódromo, Interlagos e Grajaú. Serão mais 8,5 quilômetros de via dupla sinalizada e mais 12 trens para atender o percurso. A expectativa é de que o novo trecho atraia mais 45 mil usuários para a linha que atualmente atende 110 mil pessoas. Segundo a companhia, as obras da Estação Autódromo, que ficará na esquina das Ruas João Batista Cataldo e Plínio Schmidt, estão em fase de conclusão das escavações, mas o cronograma está sendo cumprido e a estrutura deve ficar pronta para funcionar ainda no final deste ano. A remoção e o reassentamento das famílias que ocupam parte do trecho devem avançar junto com as obras. Uma empresa foi contratada apenas para cuidar da assistência a essas pessoas. As demolições são realizadas logo depois da desocupação. A parte mais visível de toda a obra por enquanto é a estruturação de uma passagem subterrânea para veículos e pedestres na Rua João Batista Cataldo. Também deverá ser feita a canalização de um córrego ao lado do Jardim Quarto Centenário. Até 2002, mesmo com a ocupação da maior parte das famílias existentes no Jardim Quarto Centenário atualmente, os trens funcionavam entre Jurubatuba e Varginha. Pelo novo projeto, no entanto, a área será toda ocupada. Além de trilhos mais largos, o local onde as casas estão construídas está reservado no projeto para salas técnicas e operacionais. A ampliação da Linha C tem orçamento de R$ 245,35 milhões e inclui modernização da Estação Jurubatuba e nova ponte sobre o Rio Jurubatuba.
 

·
**16º ano**
**17º ano**
Joined
·
25,752 Posts
Realmente é uma questão complicada. A ocupação pode ser irregular, mas poxa, o poder público teve mais de 20 anos para tomar alguma atitude e não fez nada (no caso da casa desapropriada de 1981), nesse caso eu defendo os moradopres, não é justo agora serem obrigados a receber a miséria de apenas 5 ou 8 mil, com esse valor mal se compra um barraco numa favela.

Claro que sou a favor da expansão, mas entao que se indenize justamente as família, uns 30 mil pelo menos, que já dá para dar entrada num imóvel razoável.
 

·
Registered
Joined
·
366 Posts
Acho que deveria haver um monitoramento pela cidade pra saber locais de possíveis invasões. No meu bairro tá cheio de invasão, tem lugares que era pra ser avenidas de pista dupla mas os invasores tomaram conta. A prefeitura deixa esse povo invadir e depois de anos que vai retirá-los. Aqui tem o bairro do Pantanal perto do Tietê que foi invadido e parece uma cidade gigantesca.
 

·
Rumo ao fim do mundo!
Joined
·
3,205 Posts
O problema é que a cidade precisa de mão de obra barata e não há a mínima preocupação do poder público em dar qualidade de vida para essas pessoas que não dão impostos pro governo.
 

·
Registered
Joined
·
8,986 Posts
Discussion Starter · #6 ·
Vale reparar que essas famílias não tinham direitos legítimos de posse sobre o terreno. Não é papel do estado reparar pessoas que tenham sido logradas; elas já não tinham o que já achavam que tinham, e a construção da linha apenas as fez descobrir isso.
 

·
Registered
Joined
·
632 Posts
^^^ a linha até Varginha ou sei lá já não tinha esse trajeto? Porque agora tem que tirar o povo? Além disso, mesmo que o povo não tenha direito de ficar lá, tem direito de ter onde morar, então eu daria uma moradia decente para esses excluídos e fim de história.
 

·
Registered
Joined
·
8,986 Posts
Discussion Starter · #8 ·
Todos têm direito à moradia, previsto na declaração de direitos do homem e na constituição do país... pq eles deveriam ter prioridade em relação a tanta gente que espera por uma casa própria ? O fato é que eles têm prioridade e tem alguma grana resultante da relocação. Mas não se trata de desapropriação, então o que eles recebem é muito menos do que acham que valiam, mas mais do que de fato possuíam.
 
1 - 8 of 8 Posts
Top