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Rene Hass
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Li esse artigo que saiu no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, ontem (29/06/2009)

Conforme um estudo que comparou 164 cidades no mundo inteiro, Florianópolis (SC), Ouro Preto (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) são as cinco piores cidades brasileiras no que diz respeito à malha viária para circulação de veículos.

Bem, usando palavras mais claras, essas cinco cidades são onde é mais difícil ir de um lado para o outro de carro. Anda-se mais de carro nessas cinco cidades para se chegar ao destino final em função das características do traçado de suas ruas e avenidas, e não por causa da distância.

No caso de Porto Alegre, os vilões são a topografia da cidade (muitos morros) e ruas com o traçado “colcha de retalhos” (ler sobre a sua definição no artigo abaixo).

O artigo, por ter sido publicado em um jornal porto-alegrense, aborda os problemas de Porto Alegre e apenas cita as outras quatro cidades brasileira como sendo piores que Porto Alegre na malha viária.

(Rene)

ZERO HORA - 29 de junho de 2009 | N° 16015

LABIRINTO URBANO

Ruas da Capital são desaprovadas

Estudo da UnB revela que relevo acidentado e falta de continuidade das vias de Porto Alegre desorientam e afetam trânsito

Porto Alegre tem uma das piores malhas para a circulação de automóveis, segundo um estudo que comparou 164 cidades de todo o mundo. A capital gaúcha apareceu em oitavo lugar entre as que têm vias que oferecem maior dificuldade para se ir de carro de um ponto a outro. Entre as 44 cidades brasileiras analisadas, ficou em situação melhor apenas do que Florianópolis, Ouro Preto, Rio de Janeiro e Salvador.

O trabalho, do doutor em arquitetura e urbanismo Valério Medeiros, pesquisador colaborador da Universidade de Brasília (UnB), aponta que Porto Alegre tem um índice ruim porque combina dois elementos complicadores em seu traçado. O primeiro deles, o relevo, aproxima a Capital da situação do Rio: os morros da cidade servem como obstáculo para o trajeto das vias e cria vazios urbanos que afastam bairros de periferia da área central.

No segundo elemento, a metrópole do Rio Grande do Sul se aproxima do caos paulistano: várias regiões têm seu desenho no padrão de colcha de retalhos. Isso significa que as vias têm pouca continuidade de um bairro para o outro, exigindo muitas mudanças de direção e, por conseguinte, aumentando as distâncias relativas. Um exemplo é a Avenida Anita Garibaldi.

– Porto Alegre é uma cidade com uma malha que cria dificuldades para a circulação. As condições não são favoráveis para um grande volume de automóveis. Pela falta de continuidade das vias, o motorista é obrigado a mudar muitas vezes de direção. Essas mudanças criam uma sensação de desorientação – analisa o autor do estudo.

Medeiros resolveu fazer o trabalho por acreditar que a questão do traçado das vias vem sendo negligenciada pelos engenheiros de tráfego em seus esforços para melhorar a circulação nas cidades. Medeiros deixou de lado elementos mais estudados, como tamanho da frota.

O diretor de trânsito e circulação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Sérgio Marinho, reconhece que o traçado urbanístico da Capital cria dificuldades para o fluxo de veículos:

– Além de o traçado de Porto Alegre ter surgido sem planejamento, a topografia é acidentada. Tentamos adaptar e minimizar esses impactos.

Como as cidades foram avaliadas

Programas de computador calcularam os trajetos possíveis, avaliaram as mudanças de direção necessárias para ir de um ponto a outro e mediram as distâncias percorridas. O resultado foi o índice de integração global.

Quanto menor, piores são as condições de deslocamento. O índice de Porto Alegre foi de 0,350. A média das 44 cidades, 0,764. Ter um índice melhor não significa fluxo melhor, pois depende de fatores, como a quantidade de carros que circulam.

Zona Sul tem poucas alternativas

O pesquisador nota que a região sul da Capital, em razão das poucas alternativas de acesso, é a menos ocupada da cidade – com potencial para adensamento da população.

Uma política para expandir a cidade para aquela região passaria por criar novos acessos – não apenas vias contornando os morros, mas também túneis.

Sugestão é abrir novas rotas de acesso

O pesquisador Valério Medeiros defende que, a partir da análise das falhas da malha viária feita no estudo, é possível tomar medidas para melhorar o fluxo.

Em Porto Alegre, a solução ideal para as zonas com padrão de colcha de retalhos seria abrir vias contínuas em lugar das ruas interrompidas de hoje. Mas ele reconhece que é uma solução cara, que exige desapropriações. A alternativa, diz, é investir em transporte público mais eficiente.

Municípios brasileiros fracassam em ranking

Comparadas com cidades de outros países, as brasileiras têm na média as ruas que mais dificuldades oferecem para o condutor chegar ao seu destino. O pesquisador Valério Medeiros contrapôs os dados de 44 municípios do país aos de 120 metrópoles ao redor do planeta. O índice de integração conjunto das cidades brasileiras foi pior do que o das cidades árabes, da Ásia e do Pacífico, da Europa, da América Latina e da América do Norte.

Um fator decisivo para o mau desempenho brasileiro é o padrão de colcha de retalhos das zonas urbanas. Ele se caracteriza por ruas sem continuidade, o que força o usuário a mudar mais vezes de direção para chegar a um destino.

– Se o crescimento tivesse sido planejado, hoje teríamos condições de trânsito melhores – observa o pesquisador.
 

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carioca
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Oxe.. um dia desses Rio e Brasília foram eleitas as melhores infra-estruturas do Brasil, acho que a malha viária foi um fator importante.
Vai entender né
 

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aleochi, mas o caso do Rio e Floripa já foi mostrado em outros threads (e nessa pesquisa ae)que não se trata da infra-estrutura e sim do relevo que dificulta no trajeto de um lugar pro outro. Porto Alegre parece que também sofre com isso.
 

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O Rio até tem relevo acidentado, mas tem, também, ótima estrutura viária, o que a faz ficar a frente de Florianópolis, mesmo tendo um relevo mais movimentado.
São obras como a auto-estrada Lagoa-Barra, ponte Rio-Niteroi, as vias expressas...

A pesquisa não surpreende o que poderíamos esperar de um país onde a cultura do planejamento e gestão é totalmente negligenciada. É comum escutar as pessoas falando que isso é besteira, é floreio o que importa é ir fazendo do jeito que der afinal a propriedade ainda é absoluta na cabeça da maioria.
 

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Destas cidades, só conheço pessoalmente Porto Alegre, e digo que não é tão difícil andar dentro da cidade; o que mata é que POA quase não tem vias expressas e a cidade é muito mal-sinalizada.

Belo Horizonte também não fica atrás. Apesar da ótima sinalização da cidade, as ruas de lá não são adequadas para trânsito pesado e a chegada pela Fernão Dias é uma piada de tão mal-estruturada. Pelo menos, a cidade agora está correndo atrás do prejuízo, principalmente após a inauguração da Linha Verde.

Já Sorocaba está terrível. A sinalização melhorou muito nos últimos anos, mas ainda hoje o motorista é forçado a passar no Centro para ir de um ponto a outro da cidade, sobretudo na Zona Norte. E a opção, a Raposo Tavares, já está tão saturada que o trânsito chega a parar por causa dos caminhões nas subidas.
 

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Na minha opinião, o Rio tem uma ótima malha viaria. O que realmente dificulta na composição da cidade são os 2 Grandes Maciços (Maciço da Tijuca e Maciço da Pedra Branca) que limitam o espaço urbano, criando o que se assemelha a uma cidade de Beira de estrada, que cresce num eixo Longitudinal, porem, no caso do Rio de Janeiro, a estrada seria na verdade um complexo de avenidas.

O que ocorre é que como o Rio cresceu ao redor do Maciço da Tijuca, a Estrada funciona como um anel ao seu redor.

Acredito que essa pesquisa não tenha levado em conta que a Infra-Estrutura do Rio é muito melhor do que de outras cidades que sofrem com o mesmo problema, tendo em vista que o Rio foi capital, é o Segundo PIB, segunda maior economia, etc.

Acredito que na realidade o maior problema do Rio seja a conservação da Infra-Estrutura, praticamente todas as nossas ruas tem péssimo revestimento asfáltico, que sempre é distruido com as famigeradas obras da CEADE (Compania de Águas e Esgoto do RJ), e também por negligência da prefeitura e do estado que não investem no sistema viário do Rio.
 

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Destas cidades, só conheço pessoalmente Porto Alegre, e digo que não é tão difícil andar dentro da cidade; o que mata é que POA quase não tem vias expressas e a cidade é muito mal-sinalizada.

Belo Horizonte também não fica atrás. Apesar da ótima sinalização da cidade, as ruas de lá não são adequadas para trânsito pesado e a chegada pela Fernão Dias é uma piada de tão mal-estruturada. Pelo menos, a cidade agora está correndo atrás do prejuízo, principalmente após a inauguração da Linha Verde.

Já Sorocaba está terrível. A sinalização melhorou muito nos últimos anos, mas ainda hoje o motorista é forçado a passar no Centro para ir de um ponto a outro da cidade, sobretudo na Zona Norte. E a opção, a Raposo Tavares, já está tão saturada que o trânsito chega a parar por causa dos caminhões nas subidas.
Apesar de bem superficial os projetos q eu achei sobre a parte viaria do "SOROCABA TOTAL" parece q vai resolver um pouco desse problema criando vias expressas interligando a cidade sem passar pelo centro, se vc tiver mais informações sobre esses projetos pode me mandar, uma pena q depois do emprestimo já aprovado estejam ocorrendo tanto problemas com o dinheiro
 

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Excelente!
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Meu choque em relação à infra-estrutura do Rio foi pelo seguinte:
- Primeiro pelo fato de ela ter caído ao mesmo tempo em uma lista de melhor infra-estrutura e em outra de pior malha viária.
- Segundo, porque todo carioca sabe que há anos não há investimentos maçicos em transporte no Rio (salvo o investimento que começou a ser feito na Linha 1A, assunto de outro tópico). A última grande obra viária do Rio foi a Linha Amarela, há 12 anos atrás. Antes dela, a Linha Vermelha, há quase 20 anos atrás. E antes dela, elevados e viadutos, numa época em que o eixo de crescimento da cidade era completamente diferente do atual
 

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Recursive
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Há uma diferença entre "malha viária" e "dificuldade de deslocamento"... a Suiça tem uma malha viária invejável, mas isso não faz as viajens muito mais fáceis...

Acho que estão confundindo os termos.
 

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Salvador e Rio de Janeiro com o tipo de relevo que tem já era de se esperar essas dificuldades de se chegarem de um ponto a outro.

Salvador é uma cidade bastante colinosa, cheia de altos e baixos pra tudo quanto é lado, o que realmente dificultam as coisas. Creio que a presença de Ouro Preto deva ser por situação semelhante, pois além de não ser plana é uma cidade histórica também e com ruas estreitas!

Creio que o relevo nessas cidades pesou bastante pra essa situação!
 

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Pode ser que as distâncias em Salvador e no Rio sejam maiores, mas eu prefiro mil vezes ir de um ponto a outro pelas avenidas de alguma dessas cidades do que nas de São Paulo, por exemplo, que são quase sempre "retinhas"...
 

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Pode ser que as distâncias em Salvador e no Rio sejam maiores, mas eu prefiro mil vezes ir de um ponto a outro pelas avenidas de alguma dessas cidades do que nas de São Paulo, por exemplo, que são quase sempre "retinhas"...
"Retinhas" e "Paradinhas" xD. São Paulo outro dia bateu o recorde com 300 Km de Engarrafamento... Que inveja... :)banana::banana::banana:)
 

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Salvador:



:D
 

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Só pra deixar claro, pois tem gente aqui desmonstrando confusão: Esse estudo não tem nada haver com quantidade de engarrafamento ou transporte de massa, ele nem leva esses fatores em consideração. O estudo trata exclusivamente de como as vias para carro são interligadas, para o deslocamento de diferentes pontos da cidade.
E o Rio, com sua quantidade de montanhas, não poderia ficar numa posição muito boa, já que as ligações são poucas e a malha viária vai afunilando. Mas a cidade poderia estar muito melhor nesse aspecto sim...
 
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