SkyscraperCity banner

1 - 20 of 46 Posts

·
Registered
Joined
·
1,729 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Belém do Pará: Cidade de Ferro


Augusto Rego

Amigos Foristas,

Este thread é uma coletânea de imagens das vários exemplares da arquitetura de ferro na cidade de Belém do Pará. Trata-se de um impressionante e fascinante acervo presente no cotidiano da cidade e paradas obrigatórias para quem visita Belém e procura conhecer um pouco da sua história.

Espero que gostem.

Textos: Armando Sobral

1 - Galpões da CDP / Estação das Docas



O rápido crescimento econômico provocado pelo comércio da borracha exigiu estruturas mais modernas e eficientes, além de ampliações significativas na zona portuária de Belém. O intenso fluxo de navios e mercadorias provenientes de todos os cantos, principalmente da Europa, demandou grandes áreas e ambientes mais adequados para acondicionamento de produtos e alfândega.

Entre 1909 e 1914 foi instalado na orla da baía do Guajará 13 galpões de 20m de frente por 100 de comprimento cada, que cobriu a extensão de 1860 metros de cais. Os prédios de ferro foram encomendados da Schneider & Co, empresa de Adolphe e Eugéne Schneider localizada em Creusot, na França.






Sphere 360






Marcia Santos

2 - Teatro Estação Gasômetro / Parque da Residência



O Gasômetro é um belo exemplar de galpão, ou armazém, da arquitetura do ferro. Remonta ao final do século XIX quando foi trazido da Europa, provavelmente da Inglaterra, para a abrigar ao lado da Praça Amazonas, na época chamada de Largo de São José, a Cia. de Gás de Belém.

A empresa foi responsável pela iluminação pública da cidade até por volta dos anos 20, quando a eletricidade substituiu a iluminação à gás e o prédio perdeu sua finalidade e foi incorporado à uma empresa particular. No decorrer de décadas serviu de coberta para diversos fins até ser doado, nos anos 90, para a Secretaria de Cultura do Estado.

Em 1997 foi completamente reformado e remontado no Parque da Residência pelo arquiteto Paulo Chaves que aproveitou bem seu generoso vão de 1200 m² ao destiná-lo para atividades culturais, com teatro e outras dependências menores.



3 - Mercado Municipal Francisco Bolonha



A história do Mercado de Carne é antiga, remonta a 1867 quando foi construído, em alvenaria de tijolos, o Mercado Municipal de Belém em uma quadra entre a 16 de novembro e a Boulevard Castilho França. Devido ao intenso movimento comercial que sobrecarregava o recém inaugurado Mercado de Ferro, ou de Peixe, a partir de 1901, as autoridades locais sentiram a necessidade de promover melhorias estruturais e sanitárias no velho prédio do Mercado Municipal.

As obras foram confiadas ao engenheiro Francisco Bolonha que, além de construir um segundo pavimento com salas para estocar produtos sobre o velho prédio de alvenaria, instalou no seu pátio interno um belo conjunto arquitetônico de ferro importado da Escócia, da fundição Walter Macfarlane & Co., composto de quatro grandes pavilhões, um pequeno chalé e uma estrutura que serviu primeiramente para suportar o reservatório de água e que se transformou, depois de desativado, em um magnífico mirante com escada em caracol. A inauguração das novas instalações do Mercado Municipal aconteceu em 17 de dezembro de 1908 e por ser destinado, principalmente, à comercialização da carne passou a ser chamado, com o tempo, de Mercado de Carne.


Oswaldo Forte


Odilson Sá


HB


Iketani

4 - Relógio de Ferro



Além das quatro torres do Mercado de Peixe, outro marco visual da cidade é o Relógio de Ferro do Ver-O-Peso. Em uma área onde encontrava-se o prédio da Bolsa da Borracha, uma espécie de bolsa de valores para a venda do látex demolido em 1915, foi encomendado da famosa indústria inglesa Walter Macfarlane & Co. um grande relógio de ferro de 12 metros de altura, para figurar no plano de urbanização do Intendente Antônio Faciola, em 1930.

Contudo, em outubro estourou a Revolução de 30 que pôs fim à Velha República e afastou do poder tanto o Intendente como o governador Eurico Vale. No lugar foi empossado o major Magalhães Barata, que inaugurou a Praça Siqueira Campos em 1931, hoje conhecida como Praça do Relógio.


Louis 75018

5 - Coretos



Peças visuais que se destacam em diversas praças da capital paraense, os coretos eram investimentos que não se limitaram apenas em melhorar na infra-estrutura, ou em grandes prédios para atender as atividades econômicas da cidade. Trazidos da Europa eram os mais variados tipos de equipamentos urbanos em ferro destinados ao embelezamento de praças e vias públicas como postes, quiosques, coretos, esculturas, etc.

A partir de 1878, com a inauguração do Teatro de Nossa Senhora da Paz, o antigo Largo da Pólvora recebe uma urbanização modesta e passa a ser chamado de Praça de República, a partir de 1889 com a mudança de regime. Porém, foi somente na administração de Antônio Lemos, entre 1897 e 1912, que esta imponente área verde foi definitivamente urbanizada, projeto que incluiu a instalação de dois pavilhões de ferro de origem francesa: o Euterpe, que se encontra atrás do teatro (segunda foto) e o que o Pavilhão, ou coreto, Santa Helena Magno, abaixo:

Coretos da Praça da República


Flaminio 10



Por Odilson Sá

Coreto Praça Batista Campos


Por TNegreiros no Flickr


Arthur Vitor Iannini

Coreto Parque Residência


Suelene Correa

6 - Reservatório de São Braz


de Lima

Dentre as melhorias consideradas essenciais estava o abastecimento de água para a população. Diversas estruturas de ferro foram importadas da Europa e, dentre elas, duas se destacaram no cenário urbano da cidade de Belém: a caixa de água Pais de Carvalho demolida e transformada em sucata em 1965 – restou apenas o seu portão que se encontra na entrada do Parque da Residência – e o reservatório de São Brás.

O material em ferro desse gigantesco reservatório foi fornecido pela casa Tony Dussiex de Paris e inaugurado em 1885. Com sua enorme capacidade de armazenamento de água, em torno de 1.570.000 litros, foi responsável pelo abastecimento da cidade durante muitos anos.


Mara Hermes

7 - Chalés de Ferro

O Chalé da UFPA



Por Mara Hermes no Flickr

De origem belga, é o mais expressivo representante no Brasil do sistema construtivo Danly e do modelo de bangalô anglo-indiano, é o único com dois pavimentos totalmente em ferro.

Não se conhece com precisão as circunstâncias de sua aquisição. Sabe-se com segurança, porém que ele chegou a Belém não antes de 1890 e que já se encontrava montado em 1893, ano em que foi colocado à venda.

O chalé serviu de residência à família do Senador Álvaro Adolfo, tendo sido alugado a UFPA entre 1963 e 1972, período em que sediou inicialmente o curso de arquitetura e depois, o serviço de Atividades Musicais. Posteriormente passou a ser propriedade do clube Monte Líbano, que em 1981 o repassou ao arquiteto Euler Arruda, em contrapartida à elaboração de um novo projeto para a sede social do clube.

Finalmente, em 1991, com recursos alocados pelo Ministério da Educação para implantação do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA, deu largada a remontagem do edifício.

Na remontagem do Chalé foram rigorosamente preservadas suas características originais. Assim, toda a sua estrutura portante e de coberta é constituída de ferro, assim, como o telhado. O assoalho do pavimento superior, os forros, as portas e as janelas são em madeira.

Em 1981, quando a UFPA recebeu o prédio, ele continha alguns acréscimos em concreto, introduzidos posteriormente à sua montagem original. Tais acréscimos foram retirados na atual montagem, resgatando-se, assim, o projeto original.


O Chalé do Bosque


Por Macapuna no Flickr


Por Quel Carvalho no Flickr

É uma estrutura pré-fabricada de ferro com 378 m2 de origem belga construído entre os anos de 1892/1900 para servir de residência para os ricos empresários do látex. A sua origem é a Societe Anonyme des Foges d´Aiseau, da cidade de Aiseau, Bélgica. O sistema de construção foi patenteado em 1885 por Josef Danly. O chalé é tombado pelos patrimônios histórico municipal e estadual. O prédio integra o acervo da arquitetura do ferro, significativo na história de Belém, conhecida como a cidade das mangueiras.

O Chalé do Bosque Rodrigues Alves está localizado no bairro do Marco.
Sua construção é, provavelmente, contemporânea ao chalé da UFPA. Informações mais remotas referentes ao prédio nos levam a crer que, provavelmente, foi importado no final da década de 1880, e pertenceu ao Sr. João Severino Ribeiro de Matos, que o vendeu à Sociedade Coelho & Cia. Em 1892, Augusto Coelho Moreira, um dos sócios, retirou o imóvel da sociedade, e passou a habitá-lo, juntamente com sua família.
Em 1980, já se discutia sobre a preservação do chalé, pois havia rumores de
que a Beneficente estaria tentando demoli-lo, para a construção de um prédio de onze pavimentos. Nesse período, o prédio foi alugado para o Instituto do Açúcar e do Álcool, que ali montou suas instalações, sem se preocupar muito com a conservação do prédio. Em 1984, o prédio estava em péssimo estado de conservação, com parte do piso demolido e grande parte de suas peças já em processo de oxidação.

O chalé pertencia à Sociedade Beneficente Portuguesa, foi remontado no Bosque em 1985, trabalho que tomou de seis a sete meses. A construção do prédio foi idealizada para o clima da região. Algo que facilitasse a circulação do vento e fosse resistente as intempéries do clima amazônico. Atualmente o prédio abriga o Setor de Extensão Cultural do Bosque, a Coordenação de Articulação Educacional e Comunicação Social, uma exposição permanente da coleção didático-científico de fauna e flora.

8 - O Mercado de Peixe



Nossa cidade ainda conserva prédios autênticos que testemunham a sua história, são conjuntos arquitetônicos que remontam desde o período colonial – da sua fundação às grandes reformas realizadas pela coroa portuguesa no século XVIII – até a época fausta da borracha, na passagem do século XIX para o XX.

Com os investimentos promovidos pelo rico comércio da borracha os mercados públicos sofreram melhorias sanitárias e receberam novas instalações segundo as mais recentes tecnologias de construção da época, estruturas pré-moldadas de ferro fundido. O primeiro grande mercado feito totalmente de ferro erguido em Belém em foi o Mercado de Peixe, intervenção feita no Ver-o-Peso que se tornou o cartão postal da cidade.

Inaugurado em 1º de dezembro de 1901 pelo intendente Antônio Lemos, esse monumental prédio de 31 m de fachada, lateral de 67 m e 11 m de altura figura imponente às margens da baía com as suas quatro torres características. Foi construído pelos engenheiros Bento Miranda e Raymundo Vianna que, mediante contrato com o governo municipal, exploraram-no comercialmente por vinte anos. Sua procedência é um mistério, já que não há qualquer registro que ateste sua origem; contudo, indiscutivelmente, foi importado dos EUA ou Europa, já que o Brasil não dispunha de uma indústria siderúrgica capaz de produzir um prédio de tais proporções.


Generoso Mrack


Arnauld Souza
 

·
Belém - Pará
Joined
·
36,596 Posts
Excelente thread, Egoiano!

Está bem informativo, bem gostoso de ver. É muito bom conhecer a história da arquitetura de ferro belenense e que se tornou uma marca da cidade.

Atenção especial para o porto de Belém já que recentemente havia ameaça de desmonte de um dos galpões. Parece que desistiram da idéia e um outro está em reforma para servir de terminal hidroviário. A Estação das Docas deu super certo, é uma referência para a cidade.

O mercado de ferro do Ver o Peso é tão mais novo que a feira em si, esse local se confude com a própria história de Belém. Gostem ou não do Ver o Peso, ele é a alma da cidade.

Os dois chalés combinaram perfeitamente com o ambiente ao qual estão inserido hoje! Não consigo imaginá-los fora da UFPA e/ou do bosque.

O gasômetro deixou o parque da residência, se tornou mais um espaço de cultura de Belém.

O Mercado de carne é um espetáculo, mas ainda acho que ele poderia ter outra destinação.

O que seria das praças da república e Batista Campos sem os coretos? Eles são lindos e deixam os espaços mais românticos. É importante conservá-los.

Se eu não estou enganado dentro do prédio da Escola de governo, bairro do Souz(s)a tem um coreto de ferro.

Mais uma vez, parabéns!
 

·
Registered
Joined
·
2,798 Posts
Mais um thread memorável, para aumentar a saudade da terrinha.

Do jeito que eu gosto. Muito bem detalhado e ilustrado mesmo.

Pena, que já perdemos vários exemplares. Lembro (da minha tenra infância) de um viveiro/ jaula belíssima que provavelmente ficava no Museu Emílio Goeldi/ e ou Bosque Rodrigues Alves.

Parabéns, Egoiano!!! :cheers:
 

·
Registered
Joined
·
1,523 Posts
Mais uma das inúmeras facetas da plural Belém do Pará.

Parabéns pelo thread Egoiano.

O título ficou perfeito.

:cheers::cheers::cheers:
 

·
from Belém-Pa
Joined
·
27,649 Posts
Maravilhoso :applause:
Fantásticas imagens com teor histórico. Rico em informações! parabens amigo, foi ao fundo!. Já salvei em meus favoritos. :)
E isso é só um aperitivo da arquitetura.. sem falar dentro outros, as decorações de interiores como as escadarias do Paris N' América, Alguns extintos quioques espalhados pela centro, e o belo relógio da praça veio acompanhado de belos postes de ferro. Ha, um dos coretos que estã na praça da República, fazia parte da antiga praça santuário quando em sua reforma, foi removida pra Rapública. São tantas coisas que a gente esquece.
Belo trabalho, amei cara!!! :yes:
 

·
Tudo pela Amazônia !
Joined
·
20,962 Posts
Egoiano este thread foi uma boa sugestão para eu fazer um thread de cidade de ferro também. :eek:kay: gostei dos detalhes :cheers:
 

·
Belém - Pará
Joined
·
36,596 Posts
Maravilhoso :applause:
Fantásticas imagens com teor histórico. Rico em informações! parabens amigo, foi ao fundo!. Já salvei em meus favoritos. :)
E isso é só um aperitivo da arquitetura.. sem falar dentro outros, as decorações de interiores como as escadarias do Paris N' América, Alguns extintos quioques espalhados pela centro, e o belo relógio da praça veio acompanhado de belos postes de ferro. Ha, um dos coretos que estã na praça da República, fazia parte da antiga praça santuário quando em sua reforma, foi removida pra Rapública. São tantas coisas que a gente esquece.
Belo trabalho, amei cara!!! :yes:
Eu tinha visto uma foto antiga do coreto ainda na praça Santuário.
 

·
Longe demais das Capitais
Joined
·
10,236 Posts
Uma das coisas que eu mais gosto da arquitetura e cultura local são esses ferros. Quando os vemos, não temos dúvidas de onde estamos !

Acho súper charmoso, um luxo.
 

·
Belém - Pará
Joined
·
36,596 Posts
Sobre o relógio, tem um igualzinho numa cidade da Inglaterra ( tirando as cores):

Edwardian clock and tower, Borough Gardens, Dorchester
This superb timepiece was presented to the town by Charles Hansford Esq. in 1905. The clock tower appears to have been refinished in the last year or two judging from other photographs of it. More about the Gardens below..



Dulce Rocque
 

·
Registered
Joined
·
1,729 Posts
Discussion Starter · #15 ·
^^
Que legal!!! e que linda essa opção cromática.
Devem ter sido do mesmo fabricante.
Obrigado pela informação amigo!!!
 

·
Registered
Joined
·
1,729 Posts
Discussion Starter · #18 ·
9 - Chafariz das Sereias



O Chafariz das Sereias é um monumento que fica localizado no centro da cidade de Belém, no complexo da famosa Praça da República.

Segundo o livro “Belém da Saudade”, que traz uma foto do Chafariz das Sereias na Praça Batista Campos antes da reurbanização de Antônio Lemos, intendente da cidade de Belém entre os anos de 1897 a 1912, o monumento é definido como um conjunto alegórico em ferro fundido, importado da Europa”. Representando pequenas sereias em estilo art noveau, de beleza plástica inconteste, ele está montado desde 1904 no trecho da Praça da República em frente ao antigo prédio do jornal “A Província do Pará”, hoje conhecido como Colégio IEP.


Eloi Raiol


Baur

10 - Pavilhão de Ferro do antigo Asilo Dom Macedo Costa, atual Escola de Governo





O pavilhão de ferro constitui um acontecimento singular e surpreendente em meio ao despojamento arquitetural do edifício do Asilo. Encomendado, provavelmente, através de catálogo fornecido pelo fabricante e adaptados às dimensões do projeto do Asilo, os pavilhões foram executados nas oficinas de Guilet, Pelletier, Fies & Cia., na França, e montados no local sobre embasamento de alvenaria de tijolos. A montagem dos pavilhões ficou a cargo do engenheiro Francisco Bolonha, como atesta a placa ali afixada.
Testemunhos eloqüentes da utilização do ferro na arquitetura, os pavilhões apresentam uma estrutura metálica esbelta, desenhada com linhas sóbrias, elegantemente proporcionadas. O tratamento dos painéis em chapa metálica apresenta motivos ornamentais art-nouveau, tão em voga na Belle Époque.


Por Celso Abreu no Flickr


Por Celso Abreu no Flickr


Por Celso Abreu no Flickr


Por Meia Dois Nove Arquitetura e Consultoria
 
1 - 20 of 46 Posts
Top