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A citânia de Briteiros é um sítio arqueológico da Idade do Ferro, situado no alto do monte de São Romão, na freguesia de Salvador de Briteiros, concelho de Guimarães (a cerca de 15 km de distância a Noroeste desta cidade). Fica também perto dos santuários do Sameiro e do Bom Jesus de Braga. É uma citânia com as características gerais da cultura dos castros do noroeste da Península Ibérica.

As ruínas foram descobertas pelo arqueólogo Martins Sarmento em 1875. Consiste, basicamente, nos restos de uma povoação, com traços culturais celtas, murada. Existem, na realidade, três muralhas, com dois metros de largura, em média, e cinco metros de altura. A citânia situa-se num alto, tal como acontece com muitos castros.

(in Wikipedia)

Devido a um projecto pessoal de investigação sobre a cultura castreja no noroeste peninsular, resolvi fazer um passeio até á Citânia de Briteiros, a maior e mais bem documentada de todas.



01. A chegada á Estação Aerqueologica. No Centro de Recepção encontra-se um conjunto de imagens que permite ao visitante uma primeira impressão do que vai encontrar. A entrada custa 3€ por adulto e é entregue um desdobrável que inclui informações sobre o percurso a efectuar.


02.


03. Rua Principal


04. Núcleos residênciais da zona leste e vista sobre o vale do Ave.


05. Troço da rua Principal.


06. A nascente da Rua Principal, um dos mais interessantes nucleos residênciais.

07.

08.

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10.

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12. Troço da Rua Principal


13. Cruzamento da Rua Principal com a Rua Nordeste-Sudoeste. Esta era a zona mais nobre da pequena cidade, ocupada pelas familias de linhagem mais poderosas.


14. Núcleos residênciais da Acrópole. En cada um dos pequenos núcleos vivia uma família extensa.

15.

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17. Reconstruções de Martins Sarmento. De acordo com que o próprio escreveu, a reconstrução não lhe agradou muito. Efectivamente as paredes foram excessivamente levantadas, as portas seriam mais baixas e o telhado de colmo seria mais amplo.

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19.


20. Residências perto das que estão reconstruídas.

21.


22. Cemitério Cristão. Na idade média esta zona da Acrópole foi ocupada por uma pequena comunidade, talvez se refugiando numa época de instabilidade.


23. Rua da Encosta Nascente.

24.


25. Vista espectacular sobre o vale do Ave.


26. Descida perigosa da Rua da Encosta Nascente.


27. Despedida.


Não houve tempo para visitar o Balneário nem a Casa do Conselho, local onde se reuniam os chefes das principais linhagens da citânia. Fica para uma próxima oportunidade. Outras visitas a castros da região se seguirão.
 

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Ιάκωβος
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Frequento o curso de Arqueologia da Universidade do Minho e estive a estagiar na Citânia durante o mês de Julho. Bem, devo dizer que adorei a experiencia. Fiquei na unidade habitacional 3 do sector 7, uma das existentes na Citânia do tipo domus, ou seja, de influencia romana e sem construções circulares. Também tenho fotos muito interessantes que poderei mostrar.
 

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Discussion Starter · #10 ·
Frequento o curso de Arqueologia da Universidade do Minho e estive a estagiar na Citânia durante o mês de Julho. Bem, devo dizer que adorei a experiencia. Fiquei na unidade habitacional 3 do sector 7, uma das existentes na Citânia do tipo domus, ou seja, de influencia romana e sem construções circulares. Também tenho fotos muito interessantes que poderei mostrar.
:master:
Ooops...Espero não ter cometido nenhuma gafe! Venham daí essas fotos!:cheers1:
 

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Ιάκωβος
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Ooops...Espero não ter cometido nenhuma gafe! Venham daí essas fotos!:cheers1:
Não, de forma alguma. Só não gosto muito da expressão "Celta", mas isso são outras conversas. Assim que tiver tempo ponho aqui algumas fotos, inclusive da escavação.
 

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You may call me Lamp...
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Muito interessante, e bem preservada. Excelente trabalho que está a ser realizado ali.
Obrigado por mostrares!
 

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Este local é um prova de como o país está muito mal divido.
Pois foi a População da Citania de Briteiros que desceu o monte para Habitar Bracara Augusta (Braga)...
Ou seja hoje em dia a Cidade está separada da sua origem. Não tenho nada contra guimarães mas quem dividiu Portugal em conselhos espero que esteja no inferno a sofrer todos os dias por ter separado a capital dos Bracaros de Braga.

Ai não habitavam Celtas... O nome Braga Provem dos Bracaros que só usavam "Cuecas" (Em espalhol ainda é Bragas) e uma capa de Pele.
 

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Discussion Starter · #16 ·
Ai não habitavam Celtas... O nome Braga Provem dos Bracaros que só usavam "Cuecas" (Em espalhol ainda é Bragas) e uma capa de Pele.
Permita-me discordar, mas é praticamente consensual que a cultura castreja (incluíndo Briteiros) teve uma forte influência da cultura céltica. Martins Sarmento foi um dos que sempre rejeitou essa hipotese, mas já se passaram mais de 100 anos e actualmente a fundação com o seu nome já dá a mão á palmatória quando afirma numa monografia da citânia de Briteiros:

Em síntese, como é obvio há elementos de influência céltica no mundo dos castros...Todavia quando Celtas se espalharamn um pouco por toda a europa, já o mundo dos castros tinham alcançado uma identidade própria...
Os Bracari não são "celtas puros". São a mistura de povos indígenas com povos de origem céltica de quem adquiriram muitos aspectos da sua cultura e esse é um facto inegável, incluíndo a língua que falavam.

Quanto á cidade de Braga, foi fundada por volta do ano 16 a.C., com o nome de Bracara Augusta a mando do imperador romano Augusto, o nome romano da actual cidade de Braga. Adoravam Nabia, deusa Celta dos rios e da água. A fonte do Ídolo em Braga é dedicada a Nabia e contém inscrições em linguagem céltica.

Dizer que foram os habitantes de Briteiros a fundar Braga é muito redutor, existiam inúmeros castros de "Bracari" nas redondezas e quando Braga foi fundada já a cultura castreja estava há muito "romanizada" como se pode provar precisamente em Briteiros.
 

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não me parece possivel formular a hipotese de Braga ter sido fundada por gentes de Briteiros ou de outro castro em redor, Braca Augusta poderá sim ter atraido gente dos castros visinhos aquando da ocupação Romana, a evidencia que já poderia existir um castro na area de Braga está na estação de Braga onde existe um balneario castrejo que pela tipologia se podera dizer, não se pode afirmar isso porque não ha evidencias dataveis, apenas se pode conjecturar que a estruturas balneares mais primitivas se foram agregando estruturas arquitectonicamente/artisticamente mais complexas, que este balneario é anterior aos elaborados balnearios de Briteiros, quanto ao balneario de Braga, além do mais não ha balneario, para mais em pedra, sem haver castro por perto, tal como acontece em Briteiros e em outros castros com balneario, não ha é vestigios arqueologicos do castro Bracarense pré-romano, a quem pertencia o balneario da estação, porque a area do castro corresponde a uma area densamente povoada que foi sendo construida em camadas, até os dias de hoje, por cima do povoado castrejo anterior, além de que as sucessivas construções foram reciclando grande parte da pedra do povoado castrejo, podera ter sido o castro existente em Braga escolhida para o acentamento Romano por se situar em terra chã em vez de Briteiros que seria menos acessivel mas mesmo isso é conjecturar.

estranho como nesse mapa continuam a chamar "crematorio/crematorium" á construção que esta mais que provado que se trata de um balneario castrejo.

interessante a disposição da pedra da casa redonda na foto 21, faz lembrar a disposição das pedras do castro de Santa Luzia, boas pics sr...
 

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Discussion Starter · #18 ·
Esse mapa foi um dos que encontrei na net e obviamente está errado. Além de não haver nenhum "crematórium" o Balneário situa-se no extremo oposto do lado sudoeste do castro. Foi identificado um outro balneário no lado Este, muito danificado e que estudos efectuados puseram de parte de a Pedra Formosa de Briteiros lhe pertencer. Assim sendo é de considerar a hipotese de ter existido um terceiro balneário na área do castro.
 

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Ιάκωβος
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Bem, Celtas?? Tal como diz o Dr. Gonçalo Cruz (a par do Prof. Dr. Sande Lemos o responsável máximo pela vertente científica da Citânia), falar em celtas é a mesma coisa que, hoje em dia, falar em europeus. Não há provas concretas que tenha havido uma "cultura celta", Aliás, comparar os ditos "celtas" do noroeste peninsular com os ditos "celtas" da, por exemplo, britânia é no mínimo ridiculo.

Havia em volta da actual Braga castros que sem dúvida alguma exerceram mais influência no povoamento de Bracara Avgvsta, como por exemplo o de Sta Marta das Cortiças. Briteiros foi romanizado, e há lá grandes marcas dessa presença romana como unidades habitacionais do tipo domus ou mesmo algumas epigrafes latinas.
 
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