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Coari (AM) — A terra do Gás Natural (a 363 quilômetros de Manaus) é extremamente rica. A banana, que era a principal fonte econômica do município, há cerca de dez anos, deu lugar ao petróleo, com a produção de 55 mil barris por dia. Por esta produção, o município recebeu em torno de R$ 40 milhões de royalties, só no ano passado. No segundo semestre deste ano, a cidade terá a inauguração do gasoduto Coari-Manaus, com a produção de sete milhões de metros cúbicos/dia de gás.
Por conta das atividades da Petrobras, o município tem hoje o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, garantindo a posição de quinta cidade mais rica do Norte do Brasil, superada apenas por algumas capitais, entre elas, Manaus. Apesar do crescimento, Coari é cheia de contrastes e esconde por debaixo de toda a riqueza, muita pobreza.
E não precisa ir longe. Basta ir ao bairro Oriente, localizado a dez minutos de lancha do Centro para perceber a disparidade. No local, encontra-se uma parcela dos 65.222 moradores do município. Quem pára para conversar com eles percebe, em seus rostos, a tristeza de ter de enfrentar, diariamente, dramas como a fome.
Pelo menos é assim com a aposentada Francisca de Souza, 66. No dia em que o EM TEMPO visitou sua casa, ela vivia uma incerteza: não sabia se teria o que jantar naquela noite. A única refeição que fez durante o dia foi de um simples ovo frito, sem acompanhamento, único alimento que conseguiu depois que os R$ 500 que ganha, como aposentada, acabaram. “Agora tenho de esperar pelo final do mês. O dinheiro é pouco para sustentar minha filha e os dois netos. A gente compra a comida que dá, porque tem de gastar dinheiro com remédio e as dívidas que vão se formando. E assim a gente vai levando a vida”, afirmou. A aposentada comentou que se sente mais triste quando escuta na TV propagandas a respeito do saldo financeiro positivo de Coari, mas não vê efeitos deste saldo em sua casa e nem na vizinhança. “Não entendo para onde vai este dinheiro recebido pela prefeitura”, comentou.
A indagação de Francisca sobre os rendimentos de Coari refere-se, entre outros ganhos, a receita tributária de R$ 30 milhões do município, arrecadada em 2007. Tal riqueza provém também do próprio orçamento da cidade, que pulou de R$ 115 milhões em 2006 para R$ 168 milhões, em 2007.
No mesmo bairro da aposentada, a funcionária pública Ana Maria da Silva, 46, mostrou com tristeza o contracheque com o valor do salário que recebe todos os meses da prefeitura: de R$ 443.
O catraieiro José Mendes faz parte de um grupo de trabalhadores que atua nas margens da cidade de Coari. Diferente dos outros catraieiros, que ressaltaram medo e preferiram não falar sobre a atual situação vivida no município (que foi alvo da Operação Vorax, da Polícia Federal, que descobriu um esquema milionário de fraude em licitações), José comentou sobre o drama de quem não tem dinheiro na localidade. “Eu não tenho muita coisa. Gastei até hoje dois pares de sandália indo procurar ajuda na prefeitura para cobrir a minha casa, mas nunca consegui nada. Ainda bem que trabalho e procuro garantir o meu dinheiro, mesmo que pouco”, comentou.

A riqueza
e a pobreza

As principais ruas da cidade estão asfaltadas. No Centro de Coari e em bairros mais estruturados é possível encontrar inclusive mansões. Como parte da estrutura urbana, há o Cristo Redentor, em tamanho bem menor que a estátua encontrada no Rio de Janeiro. Quem visita a cidade, encontra também um vasto centro comercial, alguns hotéis, restaurantes e opções de lazer, como praças e ginásios de esporte, para todos os lados. Quem vê a cidade apenas por esta ótica, deve procurar conhecer a outra realidade do município. Basta sair um pouco da zona central da cidade e visitar a periferia da localidade. Casebres de madeira e famílias humildes mostram o outro lado: a pobre Coari. São pessoas como o casal de feirantes Maria Santos de Souza, 63, e Aldenor de Souza, 63, que sai uma vez por mês da comunidade Canaã, onde reside, para vender banana na feira do município. “Nossa comunidade é muito simples. A gente tenta melhorar de vida trabalhando no Centro, mas muitas vezes nossas frutas estragam antes de vendermos”, comentou Aldenor.

“A cidade está sendo transformada”

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Coari, o município teve um crescimento de 80% nos últimos anos, em termos de reestruturação urbana e social. A meta agora é transformar a localidade no maior pólo comercial e industrial do interior do Amazonas.
Ainda, segundo a assessoria, os resultados positivos da riqueza gerada e circulante no município podem ser vistos por toda a parte: na transformação do perfil urbano, na implantação de infra-estrutura nas áreas rurais e em novos empreendimentos em todos os setores. Entre os investimentos, a assessoria destaca que Coari é a única cidade do Amazonas a possuir 50% de sistema de esgoto; abastecimento de água que chega a 90% da população; aterro sanitário de referência na América Latina, entre outros investimentos na área da Educação e infra-estrutura.
No caso das famílias mais pobres do município, a assessoria ressalta que a prefeitura investe todos os meses R$ 7 milhões em cidadania. Os programas são voltados para a distribuição de renda, formação profissional e resgate social, em atendimento que vai desde o pré-natal à Terceira Idade.
O programa “Direito à Cidadania”, por exemplo, tem o objetivo de garantir renda mínima às famílias da localidade. A exemplo do Bolsa Família (programa federal), em Coari, as famílias carentes recebem R$ 100 para suprir necessidades básicas e emergenciais. O programa foi lançado atendendo 2,5 mil famílias da zona rural e já atende 4 mil.
 

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Espero que o ouro negro realmente leve riqueza e renda para Coari e para seus habitantes. Não podemos adimitir que essa riqueza fique nas mãos de poucos!!!
 
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